terça-feira, 9 de novembro de 2010

O ENEM NÃO VALE NADA MAS EU GOSTO DE VOCÊ

Ontem no Twitter eu defendi o ministro da Educação, Fernando Haddad, e recebi a mensagem de um rapaz: “É, você diz isso, pois, não fez o Enem desse ano, e olha que eu fui bem, é uma vergonha ser estudante no Brasil”. Eu respondi que, de fato, não fiz o Enem, e não estava avaliando a performance de um ministro baseando-me num teste de dois dias, e sim numa gestão de cinco anos. Aí apareceu um outro garoto dizendo “Eu sei o que é uma escola pública e o que foi o Enem e posso dizer #foraHaddad e não tô nem aí pro partido dele”.
Bom, sinceramente, eu também não tô nem aí com o partido ou a cor ideológica do Haddad. Aliás, foi ontem que descobri que ele escreveu livros sobre socialismo (oh meu deus, McCarthismo nele!), então essa informação deve ser importante pra alguém. Nisso de educação eu tento ser o mais apartidária possível. Se a gestão do Paulo Renato (ministro entre 1995 e 2002) tivesse construído 14 novas universidades federais e 128 novos campi, aumentado o número de vagas de ingressos de 113 mil para 270 mil, reajustado o salário dos docentes e das bolsas de pesquisadores e alunos, contratado milhares de professores concursados, e não deixado uma conta de 2 bilhões de reais em dívidas pro novo governo pagar, eu juro que gostaria do homi, apesar d'ele ser tucano. Mas é que eu lembro quando entrei no mestrado da UFSC, no início de 2003, e recebi bolsa. O valor era idêntico àquele pago a minha mãe sete anos antes: R$ 724 (hoje está em R$ 1,200). É difícil convencer alguém que a educação no governo do PSDB foi um mar de rosas e hoje é um inferno. Até os alunos jovens vêem a diferença. Um mês atrás um aluno perguntou na sala, pra provar que a administração do Haddad é boa: “Vocês se lembram quando tivemos a última greve na UFC? Foi cinco anos atrás! Lembram como era antes? Tinha greve todo semestre!”. Outra aluna, em outra disciplina, contou que cursou cinco semestres seguidos sem ter um único professor efetivo, apenas substitutos. Aqui dá pra ter uma vaga ideia do que foi a incompetência tucana na educação. Hoje Paulo Renato é secretário da educação em SP, prega a cobrança de mensalidade em universidades públicas, e critica a “velha bandeira” dos professores de lutar por direitos iguais para todos. O quente mesmo é a meritocracia. Leia essa entrevista e me diga se realmente dá pra comparar Paulo Renato com Haddad.
Foi Paulo Renato, na sua então segunda gestão como ministro de FHC, que instituiu o Enem. A ideia era boa: fazer um teste nacional que, a exemplo do SAT americano, avaliasse todos os alunos em território nacional. Em 98, o Enem teve 157 mil inscritos. Este ano agora, teve 4,6 milhões. O exame cresceu trinta vezes. E, novidades pra você: o SAT (que em 2004 foi feito por 1,48 milhão de alunos americanos) também teve problemas quando foi implementado (mas é difícil comparar o SAT com o Enem. Afinal, o SAT é apenas um dos componentes que avalia se o aluno está ou não apto a ingressar numa universidade americanas. E todas as universidades são pagas. Até as públicas).
Hoje o Enem define 47 mil vagas em universidades públicas. 50 delas usam o exame como critério. Algumas, como a UFC, aderiram agora. Como as universidades têm autonomia, cada uma decidiu se queria aceitar o Enem ou não. Quando entrei na UFC, em março, ainda estávamos falando nisso, mas a decisão já tinha sido tomada. A USP e a Unicamp, no entanto, por motivos políticos (já que o governador de SP era o Serra), se aproveitou da confusão no ano passado para desqualificar o Enem. No ano passado houve um crime: funcionários da gráfica contratada (que pertence à Folha de SP) roubaram uma cópia do exame. O Estadão revelou a trama, felizmente antes do teste, e ele foi adiado. Ah sim, o Enem também serve para decidir quem entrará no ProUni (há 800 mil alunos beneficiados com bolsa) e quem conseguirá crédito educativo.
Este ano, no sábado, aconteceu um erro, novamente de gráfica (não a da Folha, uma outra, multinacional, que parece ser a maior do mundo): 21 mil cadernos (de um universo de 4,6 milhões) vieram errados. Isso representa 0,04% do total. Grande escândalo da humanidade! O MEC calcula que 2 mil alunos que foram prejudicados tenham que fazer uma nova prova (só a parte de sábado), e que isso não seria problema nenhum, já que no ano passado, devido às enchentes, algumas centenas de alunos (e presidiários) fizeram o exame após a aplicação nacional. Mas a Justiça decidiu que apenas alguns alunos fazerem nova prova fere a isonomia, já que os favoreceria, e anulou todo o Enem deste ano. O MEC vai recorrer. Alega que, devido à Teoria de Resposta ao Item (TRI), sistema adotado por montes de testes internacionais, dá pra usar questões semelhantes, com o mesmo grau de dificuldade, para os 2 mil alunos prejudicados.
A mídia está fazendo um carnaval em torno disso, pra variar. Mas é bom pensar sempre: quem é contra o Enem? A quem interessa voltar ao velho vestibular? Hã? Hã? Logicamente, aos donos de cursinhos, que são também donos de escolas e universidades particulares, grandes anunciantes de jornais, e que fazem um lobby imenso para nunca perderem seus privilégios. Aliás, uma coisinha que nunca entendi: se as escolas particulares são tão boas, por que seus alunos têm que fazer um ano de cursinho após terminá-las para ingressar nas universidades públicas que, até pouco tempo, eram pra eles?
Lembro sempre de um aluno meu de inglês que foi procurar uma escola particular de qualidade para a sua filhinha, em Joinville. E ele ficou chocado porque, numa das escolas com a melhor reputação, a diretora fez questão de lhe dizer que lá o aluno era preparado pro vestibular desde a primeira série do ensino fundamental. Ele achou ultrajante que a filha estudaria onze anos pra passar num teste de dois dias. É só isso que uma escola faz? Encher o aluno de conteúdo para que ele aprenda e competir e enfrente um exame? Que tal ensinar a pensar criticamente, a ser cidadão, a querer mudar seu mundo, a pensar coletivamente? Se tem algo que eu nunca compreendi foi essa defesa do vestibular. Como se vestibular fosse algo bom! Como se vestibular tornasse as nossas escolas melhores. Como se vestibular não fosse um sistema elitista de filtrar alunos (e eu me sinto bastante confortável pra dizer isso, já que passei em primeiro lugar no vestibular do meu curso quando decidi voltar à faculdade, em 98).
Aí foi uma surpresa pra mim chegar numa reunião do Projeto Casa (que faz parte do estágio probatório de três anos que todo professor recém-contratado de universidade pública deve fazer) e ver meus colegas (principalmente os professores da área de Exatas) condenarem a substituição do vestibular pelo Enem. Eles, que seguramente são contra o sistema de cotas, estavam preocupados com o nível do aluno que entraria nos cursos sem um teste tecnicista como o vestiba. Ah, a velha preocupação com o nível do aluno! Lembro de dois professores, ambos fantásticos, no meu mestrado na UFSC. Um vivia reclamando: dizia que o nível do aluno (ele estava falando da graduação em Letras – Inglês) era cada vez mais baixo, que no mestrado se ensinava o que era pra ser ensinado na graduação, que cada vez mais o aluno chegava despreparado etc etc (tenho certeza que todo mundo já ouviu antes esse discurso do “no meu tempo é que era bom”). Já o outro professor dizia o contrário: que ele sentia seus alunos cada vez mais pensantes e participativos, e que dez, quinze anos atrás, os alunos chegavam ao curso sem falar inglês, e hoje todos entram com um inglês ótimo, o que é importante, já que o curso é todo em inglês. Eram duas visões muito diferentes. Eu fiz estágio-docência lá e achei os alunos incríveis. Assim como acho hoje meus alunos na UFC. Óbvio que há exceções, mas em geral o nível é muito bom. Acontece que tenho colegas que, aliados à mentalidade do “no meu tempo que era bom”, ainda têm uma concepção de “o lugar que eu venho — o sul maravilha, incluindo SP — é que é bom”. E eles fazem questão de falar isso pros seus alunos nordestinos. É ridículo, francamente. Pô, no meu mestrado e doutorado na UFSC eu tive um montão de colegas nordestinos. Muitas vezes eram os melhores da turma.
But I digress e preciso correndo ir trabalhar. Só queria dizer que não tenho a menor nostalgia do vestibular. Que questões do vestibular também vinham com problemas e eram anuladas, e ninguém fazia uma tempestade em cima disso. Que, assim como existem tentativas de trapacear no Enem, sempre existiram tentativas de trapacear no vestibular (só que todo ano, devido à tecnologia, essas tentativas ficam mais sofisticadas). Lógico que eu gostaria que o Enem tivesse 0% de erros, não 0,04%. Mas não sei até que ponto isso é possível. Acho absurdo que a justiça queira que 4,6 milhões de estudantes façam a prova de novo por causa de 21 mil cadernos. Mas o mais triste é ver uma horda que repete tudo sem pensar, sem analisar os interesses por trás, servindo de manada a uma elite que nunca teve vontade de democratizar o ensino. Sabe qual é o sonho da mídia, né? É que todos os 4,6 milhões de estudantes do último final de semana acreditem que o Enem é um exame falido, pintem os rostos e saiam às ruas para gritar “Fora Dilma!”. Assim essa mesma elite pode trazer de volta um ministro da Educação confiável como Paulo Renato.

72 comentários:

Lord Anderson disse...

Concordo com a defesa do Enem contra a histeria forjada.

Lamento pelo alunos que foram prejudicados e acredito que eles tem todo o direito de reclamar p/ terem seus direito assegurados e p/ no proximo exame esses erros sejam minimizados.

Meu unico comentario contrario vai a questão da meritocracia, ela é muito importante e isso eu defendo sempre, desde que as pessoas, alunos, professores, tenham ralmente a opurtunidade de demonstrarem o seu merito.

Alias a ideia do Enem é justamente ajudar mais pessoas a provar seu merito.

cronicasurbanas disse...

Lola,
não sou contra o Enem nem o ministro, que parece estar fazendo um bom trabalho até aqui. Eu falei ontem sobre a confusão toda lá no blog, então espero não me estender demais aqui nos comentários.
Mas o que acho incrível é que esses foram problemas de (des)organização, não de catástrofes naturais. A impressão que fica é que só se fala em nova prova agora (concordo que só para os prejudicados faz muito mais sentido do que para todos, afinal quem já fez não tem nada com a trapalhada) por causa da repercussão; no sábado, a conversa era 'o aluno deve ir ao site tal e pedir para que sua prova seja corrigida diferente, esse é um probleminha de nada.' Muitos fiscais passaram informações desencontradas para os candidatos, e é claro que tudo isso pode ter reflexo no desempenho.
Dizerem que a margem de erros é baixa resolve o problema de estatísticas do MEC, mas não o do aluno, que depende dessa prova para entrar na universidade. Esta era a chance do MEC consertar a trapalhada do ano passado e organizar um Enem impecável. Do jeito que estão trabalhando, só estão é dando munição para os críticos...

Patrick disse...

Lola, eu debato muito isso com um grupo de amigos, em especial um que é professor universitário, porque ele também repete essa lenga-lenga de que hoje em dia o nível dos alunos é cada vez menor. Bom, no nosso tempo só entravam 45 alunos por ano em engenharia elétrica. Hoje são 180 (falo da UFRN)! Então é claro que, por um lado, isso diminuiu o exclusivimo no acesso ao ensino superior e é de se esperar que não sejam aprovados apenas über nerds.

Quando eu vejo a educação que o meu sobrinho de 11 anos está tendo, eu fico estupefacto. Suas atividades e matérias de estudo me parecem muito mais complexas do que as que eu tive oportunidade de estudar há vinte e poucos anos. Portanto, eu concordo com você, o nível educacional está melhorando!

Lord Anderson disse...

Patrick eu tb fico surpreso com a educação dos meu sobrinhos, mas no mal sentido.

As escolas estaduais aqui tão fracas sim, eu vejo pela dificuldade do mais velho e de seus amigos em fazer leitura e comprensção de texto.

Essa progressão automatica não tem funcionado por aqui.

As escolas municipais tem se saido melhor.

Pelo menos aqui onde vivo.

Mariana disse...

É, Lola, eu tinha falado no Twitter que acho que a mídia tá fazendo uma tempestade em copo d'água com esse Enem... É péssimo haver erros, mas acho que estão exagerando justamente pra fazer a cabeça dos eleitores da nova geração.

Eu não caio nessa. Me formei na escola em 2003, um ano depois de findo o caos que foi a gestão Paulo Renato. Eu posso falar com conhecimento de causa pq estudei no Pedro II, o famoso colégio federal aqui no Rio. Nos 3 anos (Ensino Médio) que fiquei lá, sempre teve greve. A última, em 2003, foi de 4 meses, de professores saturados com a política de arrocho salarial do governo anterior, cujos efeitos ainda eram sentidos. Nunca tive grana pra pagar cursinho e fui fazer o vestibular e o Enem no carão. E, surpresa, dei sorte e fui muito bem nos dois, tanto que estudei na UFRJ depois. Mas não acredito em puro mérito meu, não...

Nessa época, lembro que achei o Enem fraco, fácil demais, achei, na minha ingenuidade adolescente que convivia com gente de classe média, que a prova nivelava os estudantes por baixo, que não era um exame sério, que bom mesmo era o vestibular. Com o passar dos anos e com meu choque inicial de frequentar uma faculdade pública cheia de RICOS, vi que o ENEM era um instrumento mais do que necessário pra democratizar o ensino superior no Brasil e acabar com o monopólio das elites e dos cursinhos. Aliás, nunca entendi essa história de vc pagar um curso pra passar numa prova pra uma faculdade gratuita, mas enfim.

É muito ruim ter erros, já que eles servem de munição pra grande mídia e pra direita mas, pra mim, o maior mérito o ENEM é mudar gradativamente a realidade com a qual me deparei na Universidade, que deveria ser um local com pessoas de todas as origens.

Mariana disse...
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aiaiai disse...

pronto, disse tudo! Hoje às 19:30 horário de brasília, tem conversa sobre esse assunto ao vivo com o @iavelar no site dele
http://www.idelberavelar.com/

acompanhem!

João disse...

Lola, se em 98 houve 157 milhões de inscritos no Enem (está no seu texto), então toda a nossa população fez a prova. É isso mesmo? Caramba!

Outra coisa: se o Paulo Renato era tão ruim e se o Haddad é tão bom, por que o Brasil não subiu nem uma posição nos testes internacionais de educação nos últimos 8 anos? Ah, já sei, é herança do PSDB! E por que o Enem não teve esses problemas de elaboração, sim, de elaboração, antes do Haddad? (Será que o pessoal do P. Renato era mais competente?) Deixe que o povo comente os problemas do Enem! Dê liberdade a quem quer criticar!

Independentemente do assunto sobre o qual você escrever você pende pro lado da politicagem e lambe o PT e execra os outros. Você não consegue enxergar nada de bom nos adversários e nada de ruim no PT? Por exemplo, a Dilma dizendo que a CPMF é vontade dos governadores! (E há quem acredite!) E se fosse o PSDB que tivesse ganhado a eleição e houvesse esse auê todo sobre a recriação da CPMF? Você teria feito todos os posts criticando isso, não? Portanto, Lola, sugiro que você escreva mais sobre coisas inteligentes e menos sobre politicagem! Vai ser melhor para todos os seus leitores, pode ter certeza! (Sei, sei que o blogue é seu e você escreve o que quiser! Só tô dando uma sugestão!)

eusoqueriadizer disse...

Olha, tb não fiz ENEM e estou com dó das pessoas que fizeram... Nem vou entrar em detalhes do gestão do ministro da educação, mas imagina só como essas pessoas devem estar se sentindo?

Mas acredito que vc tenha feito uma boa análise, e q não tenha falado nada sem antes se inteirar sobre!

Bjusss

Caio Mendes disse...
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Caio Mendes disse...

Lola, quanto a esse seu post, eu me vejo obrigado a discordar.

Essa história de "aos donos de cursinhos é que interessa voltar o antigo vestibular" não tá com nada. Primeiro, porque a nível de cursinho isso é indiferente. NENHUM cursinho se preocupa com o enem, porque os métodos de avaliação entre um vestibular e o enem são bem diferentes, e em termos de conteúdo (que é o que os cursinhos trabalham), o enem não chega a ser uma ameaça. Quando você prepara pro vestibular, automaticamente você já tá preparando pro enem. Aliás, o enem chega até a ser uma boa ferramenta, já que os cursinhos fazem sua propaganda com base na aprovação dos seus alunos, seja pelo meio que for.

Também, muitos donos de cursinho são donos de colégios, mas isso é na esfera do ensino particular. Falando em São Paulo, por exemplo, existe a sede do Objetivo e da Unip, ambos do mesmo empresário. O primeiro é um colégio muito bom, mas a universidade é ridicularizada em toda parte, por conta do ensino fraco e da falta de compromisso com a educação. Quem cursa um colégio particular, seja o Objetivo ou qualquer outro, JAMAIS consideraria sequer entrar numa universidade desse gabarito. Esse ensino superior, mesmo sendo propriedade do mesmo grupo, é voltado a um segmento totalmente diferente. Quem sai de um colégio particular bom, sai pensando em entrar numa universidade pública, ou uma particular de bastante prestígio, que não cobra vestibulares absurdos.

E quem sai de colégio particular bom pra ir fazer cursinho não faz isso por conta do nível do ensino da instituição. Aliás, a questão não é nem você ter que ir bem ou mal na prova, o que você tem que fazer é ser melhor que o concorrente, não importa o que signifique. Muitas vezes você sai de um colégio ótimo e com uma boa formação, e acaba competindo com gente que já tá no segundo ou terceiro ano de cursinho, depois de também ter cursado um colégio bom. Nos cursos mais concorridos, como direito e medicina, é algo que simplesmente não dá pra competir contra.

E por mais que eu também não goste dessa ideia de um ensino voltado ao vestibular, eu acredito que seria uma injustiça com o aluno se assim não o fosse. O vestibular vai ser parte da vida do aluno, você querendo ou desquerendo, e negligenciar o rumo do ensino que pode colocar o aluno na faculdade não é o melhor caminho a ser tomado. Eu falo isso por experiência própria, porque vivi o drama do vestibular há pouco tempo, e sei o quanto isso pesa na vida de alguém.

Fora que eu não entendo o pensamento de que ou você ensina valores, ou você ensina pro vestibular. Por exemplo: o meu colégio ficou super bem no ranking do enem, e também colocou a maioria dos alunos em universidades públicas. O que acontece é que o ensino de valores e da formação do pensamento crítico sempre foram fundamentais ao colégio, tanto que era justamente esse o slogan. Do começo até o fim, ensinavam jardinagem, pesca, aulas de leitura e filosofia, tudo num ambiente onde o uniforme completo era obrigatório, não existia cantina (só se comia no restaurante do colégio) e celulares e mp3 eram proibidos, pra não criar nenhum tipo de "classe" dentro do colégio. E mesmo depois de toda essa formação, eu me vejo obrigado a fazer cursinho, porque tenho que concorrer com centenas de pessoas (que muitas vezes já possuem anos de cursinho nas costas) por uma única vaga.

Sei lá Lola, acho que essa estrutura do ensino no Brasil tá bem errada, mas não concordo com a sua linha de pensamento.

desqueiroz disse...

Lola, só corrige o que segue. O restante eu assino embaixo.
" Em 98, o Enem teve 157 milhões de inscritos. Este ano agora, teve 4,6 milhões"
em vez do 1 milhões, mil.

Borboletas nos Olhos disse...

Na mesma direção: http://www.idelberavelar.com/archives/2010/11/algumas_notas_sobre_privataria_na_educacao_e_midia_brasileira_com_um_convite_a_twitcam.php

Mariana disse...
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Bruno Stern disse...

Alguns pontos devem ser destacados.

1 - A falha no ENEM não é boa para ninguém e acaba pegando o lado mais fraco(os estudantes).

2 - Substituir o vestibular por um exame nacional me parece um grande avanço.

3- Acredito sim que a entrada na Universidade via ENEM, nesse formato, incomoda muita gente.

4- o Tal repórter do jornal do Commercio que enviou msg de dentro da prova deve ser processado. O cara se inscreves no concurso com o intuito de cometer fraude ou simular um fraude não me parece uma conduta legal.

Mariana disse...

É, Caio, a estrutura do vestibular é bem errada, concordo. Ela nada mais é do que um reflexo das desigualdades educacionais do Brasil, que passam pelas desigualdades sociais.

Nos países europeus, por exemplo, vestibular é uma coisa que simplesmente não existe. Sempre me vejo num perrengue quando tendo explicar o conceito de vestibular pros meus amigos holandeses. Eles simplesmente NÃO ENTENDEM como uma provinha de 3 dias (pelo menos a q eu fiz pra passar na UFRJ foi assim) mede toda a capacidade de uma pessoa, construída ao longo de anos de estudo. O que acontece na Holanda é uma peneira desde cedo, que determina quem vai direto pra Universidade ter uma educação mais científica e quem vai fazer uma escola de cunho mais prático. Não sei se concordo com esse sistema que "seleciona" e determina desde muito cedo, mas pelo menos lá, de acordo com o histórico e tipo de ensino médio feito, o filho de um operário pode tranquilamente ingressar em uma Universidade.

Esse tipo de sistema infelizmente é impossível no Brasil e é aí que a turma dos cursinhos se fortalece, com a insegurança dos estudantes diante de uma prova concorridíssima quanto o vestibular. Daí é interessante pra eles uma prova cada vez mais difícil e competitiva, já que mais e mais pessoas vão preferir fazer um curso pra se garantir. O ENEM não é assim, tem um conteúdo diferente (e, desculpa, Lola, mas na época que fiz achei MUITO FÁCIL, abaixo da realidade de ensino a qual eu tava acostumada no meu colégio - que não era particular só pra classe média, era federal), que não é adequado às aulas de cursinho.

Mas, gente, posso dizer que existe vida além de cursinho: não fiz e passei de primeira, num ano mega concorrido. Então acho que os estudantes têm que confiar mais em seu potencial, já que os cursinhos lucram justamente com essa insegurança.

Ana Paula disse...

Eu sei que já falei isso aqui mil vezes mas entrei no mestrado em 98 com bolsa de 724 reais! E mestrado era 1024 (isso senão me engano correspondia a 6 e 8 mínimos, respectivamente).

Eu tive sorte de ir morar em São Carlos, cidade do interior, pequena, e até conseguia pagar aluguel e sobreviver durante o mes (as vezes com comida contada pro final do mes). Meus amigos que foram parar na capital tinham que pedir ajuda aos pais pra poder pagar aluguel (e uma delas alugava ap da cohab). Em 2000 comecei o doutorado e nada de aumento. Qdo terminei o doutorado, em 2005, a bolsas continuavam o mesmo, mas agora eram equivalentes a 3 e 4 mínimos, respectivamente. Sete anos e nada de aumento!!! Em qual profissão alguém já passou 7 anos sem aumento????

E qdo vc recebe bolsa, existe um compromisso com os orgãos financiadores de não trabalhar. Mas não tinha jeito, era questão de sobrevivencia ter que fazer bicos. Eu estudava ingles qdo estava na facul (graduação), pagava do bolso, com meu salário de estagiária. Qdo comecei o mestrado tive que parar pq não tinha como fazer aula extra nenhuma. Lazer então, só as festinhas de graça do centro academico.

Qdo era mais nova, e o plano real surgiu, achei o máximo. Era a primeira vez na vida que os preços nào subiam todo dia, que o dolar era 1 pra 1. Achava que o FHC era um gênio (santa inocência a minha, não?). Hj sou PT até o fim!!!

E qto ao ENEM, acho uma ótima idéia ser usado como critério de seleção. Esse povo nem percebe que isso é o mesmo que aqui nos EUA, o país desenvolvido que eles tanto admiram e é onde tudo funciona (cof, cof, cof), exite um ENEM (com nome de SAT como vc disse). Vc faz uma prova e pronto. Pra que passar pelo stress de varios vestibulares, ou de ter que optar entre uma faculdade ou outra pq as datas coincidem, ou de ter que viajar pra varios lugares pra poder atender varias provas??? Não entendo pq o povo acha isso "justo" mas fazer uma só prova nào é justo. Quem vai bem no vestibular, provavelmente ira bem no ENEM da mesma forma.

Tiago Gregório disse...

Já comentei esta questão lá no Biscoito Fino, e vou reiterar: Todo o estardalhaço feito por conta destas falhas no ENEM é inveja, vontade de desmoralizar um ministério e um governo que iniciou uma série de mudanças positivas no ensino superior brasileiro como há muito não se via.

De lambuja, prensenciamos o mimimi de muitos (não todos) alunos egressos do ensino privado que detestam competir com o povão, que fazem questão de afirmar sua superioridade intelectual recitando de cor fórmulas de matemática e física.

Mariana disse...

Antes que me leiam mal: eu não desmereço o ENEM. No ano que eu fiz, lá nas catacumbas de 2003, achei fácil, mas certamente o exame evoluiu em seu conteúdo, tanto é que várias federais o adotaram como critério de seleção.

Mas é importante frisar que o fato de eu ter achado "fácil" diz muito da realidade educacional do país: algumas escolas, a maioria particulares (a minha é exceção, mesmo na época das greves e do Paulo Renato se manteve como referência em ensino público), têm realmente um ensino mais puxado, ao passo que outras pecam pelo conteúdo fraco. Espero que essa realidade tenha mudado um pouco desde 2003 e que a educação pré-Universidade esteja realmente com um nível melhor hoje em dia.

Shiryu de Dragão disse...

Se alguem do PT estuprasse ou matasse uma pessoa, a Lola a defenderia pq odeio tucanos e ama petistas!!!
Eu so queria ver se a filha imaginaria da Lola (a tal da patricinha mimada que torra todo o cartao de credito em roupas e salao de cabelo) fosse uma das alunas do caderno defeituoso do ENEM!!!
Ou será que a Lola seria uma mãe tao relapsa a ponto de sequer defender a filha pra defender o tal ministrinho??
Eu aposto minha bunda pra ser violentada que duvido que a União perca o processo na Justiça! Uma pena, pq a imagem do ENEM está arruinada! Isso so dificulta a entrada do aluno. Eles devem estudar muito mas muito mais pra entrar!

=Maíra= disse...

Excelente, Lola!

Eu tenho várias críticas a fazer ao ENEM, mas acho que todas passam apenas por uma questão de melhorar a ferramenta, e não de acabar com o exame.

Fui corretora do no ano passado e confesso que vejo problemas na prova de redação (que aborda só tipo textual e não inclui discussão de gênero textual, por exemplo), na seleção dos corretores (não há critério, na verdade) e na remuneração (1,00 por redação, e te pressionam feito o cão pra bater uma meta de, no mínimo, 100 redações por dia, sendo 200 o ideal). Porém, o sistema é muito bem organizado e a cada ano melhoram mais coisas para tornar o critério de correção cada vez mais confiável.

Aplaudo demais quando você coloca em primeiro plano a questão do senso crítico. Escolas não podem se tornar meros "laboratórios pra vestibular", precisam se preocupar em formar CIDADÃOS! É o que sempre tenho em mente quando entro em sala de aula...
Beijos!

aiaiai disse...

A Lola fala da política de educação e eu me lembrei na hora de um livro que deveria ser obrigatório para todo professor: Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire.

Tá tudo lá.

João disse...

Puxa, Caio, parabéns! Um texto tão bem escrito por um jovem (com muito menos erros que o próprio texto do blogue!) é para ser elogiado mesmo! Além de pouquíssimos erros de grafia, concordância, etc., você demonstra ter suas ideias bem em ordem e consegue expô-las com bastante clareza! (Sem desmerecer os que pensam diferentemente de você). Parabéns mais uma vez!

Quanto ao fato de você discordar da Lola, fácil entender. Porque ela considera errado tudo o que não foi criado pelo PT e tudo o que a (maldita, para ela) elite tem ao seu dispor.

Mariana, não! Os alunos não têm nível melhor nos últimos oito anos (você mencionou o ano de 2003). Basta ver o índice que o Brasil atinge nos testes internacionais (estamos entre os três últimos -- de um total de 53 países -- em linguagem, matemática e ciências). Ou seja, mesmo com o PT abrindo escolas e universidades públicas em muitos lugares, o nível educacional não melhora! O "conserto" tem de ser feito a partir da base e não do ensino médio ou do nível superior (só que aluno do fundamental não vota...).

Mulher Asterísco disse...

Refazer o Enem vai prejudicar quase 4 milhões de estudantes

Felipe Cepriano disse...

Lola, só acho que você está sendo ingênua quando acha que o ENEM vai acabar com os cursinhos: Se o ENEM é o novo vestibular, é para ele que mudaram o foco, simples assim.

Acho cursinho a coisa mais besta do mundo, mas muita gente não se julga preparada e quer fazê-lo. Ou vai mal uma vez e acha que precisa fazer cursinho pra passar.

Tanize Monnerat disse...

Lola, concordo com TU-Do que você disse (isso é bem raro para mim).
Mas depois de ler essa entrevista penso que talvez haja espaço para algumas reflexões a mais... Principalmente porque me lembrei dos alunos que tive de EJA.
E você, o que acha?

http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/enem-perdeu-o-foco-diz-ex-assessora-do-inep

E mais uma vez: Parabéns pelos textos sempre atuais e reflexivos!

Gabs disse...

Lola,esse negócio de formar cidadão e ensinar valores na escola é balela.O sistema educacional serve pra formar massa,gente sem posição crítica pra contestar as coisas e manter esse sistema de desigualdade e escravidão em funcionamento.É preparar você pra vestibular,pra estudar,virar pião e consumir.Por isso que vemos em poucas escolas filosofia,sociologia,artes...eles não querem ninguém que pense.

hellomotta disse...

Falou exatamente tudo o que minha raiva descontrolada não me deixou explicar.
Mas ao contrário de você, eu fiz o ENEM, e, igualzinho a você, acho um absurdo cancelaram a prova.

Igor Vasconcelos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Igor Vasconcelos disse...

Oi Lola,
Hoje tive a oportunidade de ter um embate com o procurador do MP Federal que entrou com o recurso, acatado pela juiza, de cancelar o as provas do ENEM. Isto ocorreu na mesa da cantina onde eu e outros professores da UFC estavamos almoçando. O procurador nos abordou com questões a respeito de lógica matemática para fundamentar sua argumentação junto à juiza. Fez isso pois na mesa havia matemáticos e físicos. Engajamo-nos todos em um debate que começou morno e terminou acalorado sobre as questões relativas ao ENEM e à entrevista que o ministro Haddad deu hoje pela manhã. Passeamos por vários aspectos do mesmo assunto sempre nos surpreendendo com a pobreza da argumentação do procurador. No final a conclusão que eu tirei é que o cidadão sabe quase que absolutamente nada sobre como funciona o ENEM e a TRI e tenho a opinião que ele entrou com o recurso baseado principalmente em fofocas. Terminei minha participação dizendo a ele que é uma irresponsabilidade uma pessoa na sua (dele) posição entrar com um recurso na justiça que pode afetar a vida de 4 milhões de pessoas com quase nenhum conhecimento sobre o assunto e embasado somente por achismos e "isso é um absurdo"ismos. Espero que eu não tenha dito besteira quanto a isso! No final, a verdade é que vivemos para esses momentos. Saí de alma lavada :-)
Igor

Fabio Salvador disse...

Lolita,
realmente, o vestibular é uma palhaçada, se formos olhar bem como ele funciona (e eu também, não estou escrevendo na condição de ressentido: eu fiz segundo grau com ensino técnico numa federal passando nos primeiros lugares vindo de escola fundamental estadual, depois eu inicialmente queria fazer faculdade de Artes Cênicas, passei no teste específico e no vestibex, daí mudei de idéia indo pro Jornalismo, onde também passei).

Esse foco "na prova" é algo detestável, e eu senti isso muito na sala de aula: os alunos só queriam saber se um determinado assunto "ia cair". É irritante, vê-los ignorando conceitos e processos, e focando todas as atenções na decoreba de dados que vão cair na prova. Não entendem nada, não raciocinam, não analisam, mas... PASSAM NO VESTIBULAR!!!!


Sim. Vamos ver um assunto... História, que eu adoro. O cara não compreende como funcionavam as sociedades, não entende os processos históricos, as idéias que moveram as grandes revoluções e mudanças de curso da humanidade. Não tem uma visão geral do passado das nossas civilizações. Nada. Mas ele decorou o nome do cara que descobriu o Brasil, decorou a data da independência, decorou o nome das principais guerras e revoluções, bem como dos governantes.

Ele decorou. E decorou.

Se eu quiser convencê-lo de que Getúlio Vargas era, na verdade, aliado do comunismo soviético, ele vai acreditar. E se eu pedir a ele que me faça uma análise crítica do movimento operário brasileiro, com seus caminhos e descaminhos, ele não vai saber. Se eu disser a ele que Getúlio vargas tinha um discurso igualzinho ao do Brizola, ele vai concordar entusiasticametne. Mas ele sabe que Vargas tomou o poder no dia tal, de tal, de 1930, fundou o Estado Novo, caiu em 1945, voltou em 1950 e se matou em 1954. E aí, ele passa na maldita prova.

Fora que um exame geral do Ensino Médio é algo de suma importância para o Brasil. Porque o atual modelo de educação pública tem uma visão tecnicista baseada em números: quando mais aprovação, quanto menos evasão, quanto maior o número de diplomados no ensino fundamental, médio, superior, melhor. Números, números!

Só que, nessa pressão para aprovar mais, evadir menos, os políticos pressionam os diretores de escola. E os diretores pressionam os professores. Que se vêem obrigados a aprovar a criançada, a rodo. Para isso, são obrigados a baixar a exigência de conhecimentos nas provas normais da escola. E aí, temos esse desastre: a criançada na quarta série, ainda semi-analfabeta, mas passando para a quinta.

Qualquer um que circule pelo mundo da educação básica percebe isso: que os alunos de oitava série de hoje são fraquíssimos, se comparados com os de sexta de 20 anos atrás. Mas os índices de aprovação estão lá! Lindos! Milhões terminam o ensino médio! Que maravilha!

E no fim, as vítimas desse sistema, com um monte de decoreba na cabeça, e muito pouco conhecimento de verdade, corre atrás de conhecimento superficial, tapa-buracos, para compensar uma década de escola fraca. E o sujeito consegue isso, no cursinho. Daí passa no vestibular. E se vier de "boa família", ganha um carro do papai! Alvíssaras!

Vestibular é foda. Enem é muito mais amplo, um retrato mais completo do que se tem hoje em termos de qualidade de ensino. Falhas, tem. Mas e aí? Eu posso dizer: a Internet, nos primórdios, era uma carroça. E hoje estamos aqui, todos convivendo no mundo virtual. Então, bola pra frente.

aiaiai disse...

Nossa, Igor, que inveja que eu estou de você...desde ontem que eu queria encontrar com esse procurador e dizer umas verdades p o fulano. Na minha opinião um idiota fofoqueiro. Vc só confirmou a minha suspeita: o cara é mesmo um imbecil

André T. disse...

Eu sou contra cotas. Totalmente, plenamente, terrivelmente contra.

Isso quer dizer que sou classe-média-leitor-de-veja-votador-de-Serra-enfim-malvadão?

Désir La Vie disse...

Vejo muita gente reclamando do 'formato' do Enem que, ao meu ver, é problema menor. O pior mesmo é essa conspiração velada e ridícula contra o exame.
Sou mega a favor de um exame nacional que substitua os vestibulares, claro... E acho descarado esse complô horroroso contra o Enem. Será que o povo, ao invés de ficar repetindo ladainha, não consegue notar que o exame, desde que criado e programado para substituição futura de vestibulares, sofreu os mais engraçados e misteriosos acontecimentos?
Só não vê quem não quer.
Bjs.

Mya disse...

Fiz o vestibular em 2007, não cheguei a fazer o ENEM porque a Universidade de Brasília não o aceita como critério para entrada. O que me lembro é que ele era sim bem mais fácil, o que faz sentido porque o objetivo da prova é outro.
Hoje trabalho no Cespe, e mesmo não lidando diretamente com a organização das provas e com o TRI, sei que esse cancelamento foi um equívoco. O erro está dentro do esperado e foi bem maior do lado da gráfica. Os alunos prejudicados podem sim fazer uma outra avaliação com nível muito semelhante, coisa muito mais eficiente e que daria muito menos dores de cabeça a todos os envolvidos. A indignação que está havendo é exagerada e infundada.
Hoje já fazemos algumas avaliações pequenas por computador e o esperado é que isso cresça cada vez mais. Claro que também acontecem problemas, mas geralmente eles são muito mais facilmente reparados.
Mas concordo que a educação no Brasil durante o governo Lula deixou a desejar, principalmente a educação básica. Fiquei chateada quando soube da saída do senador Cristóvam Buarque do ministério da educação (para mim lá é o lugar dele), tenho esperanças que ele volte agora no governo da Dilma.

Rodrigo disse...

lola, você falou apenas da questão do caderno de questões amarelo (que é realmente um erro trivial, que não justifica o alarde), mas houve o erro do cartão resposta, que prejudicou muitos candidatos porque muitas escolas não perceberam ou não receberam o aviso a tempo. será lançado um site para que cada aluno que tenha respondido o cartão de forma invertida peça a devida atenção à correção do gabarito (admito que o ideal seria não haver erros, mas está sendo feito o possível para não ser realizada outra prova)

Marilia disse...

Concordo quanto ao Enem!
É melhor que vestibular, mais democrático e inovador.
O que falta é treinar melhor os fiscais (inaptos) e explicar melhor à sociedade como funciona a TRI!

Quanto à educação no governo atual...bem, não analisei a fundo, mas lembro das greves e da falta de professor quando entrei na faculdade, em 2000.

vivaldo disse...
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vivaldo disse...

Extraordinário!

tai disse...

Lola, a USP e a Unicamp não usaram o enem esse ano porque o resultado do enem sai tarde demais, e não dá tempo de adicionar esses resultados na nota da primeira fase antes de chegar na segunda fase. Não é que ele foi desqualificado.

E eu também não concordo com o enem ser usado como forma de avaliar para várias faculdades.. afinal, só vejo isso como passar de vários vestibulares para um só, enorme. E eu prefiro ser avaliada em vários dias da minha vida do que em apenas dois, se for pra prestar pra tantas faculdades.

Também acho que estão fazendo muito carnaval sobre esse erro do enem, mas a educação não está tão boa assim. Só no meu campus esse ano teve cinco meses de greve e três de ocupação da coordenadoria pelos alunos. Mas não sei até que ponto isso é culpa do ministro da saúde, não conheço demais pra falar.

Masegui disse...

Eu queria ficar caladinho no meu canto, mas não resisto quando além do idiota do Shiryu Oliveira aparece um João Oliveira...

A educação no Brasil é ruim? claro que é... ainda! Desde a ditadura, culminando no governo do FDP, digo, FHC, que os governos só fodem com ela, porra, tem que ser ruim.

O que incomoda essa cambada de babaca é que um "metalúrgico analfabeto" fez em 8 anos de governo muito mais pela educação do que todos os governos anteriores dos "merdinhas metidos a besta".

A solução é ir consertando aos poucos todas as cagadas dos governos de elite. Não dá pra fazer um abracadabra e resolver tudo num passe de mágica!

Êta gente besta, meu Deus!

Cecy disse...

Me lembrei quando entrei na Uerj em 98 e em como a Universidade estava largada, a iniciação científica era mínima e a bolsa uma vergonha. Em 2007 fui trabalhar no administrativo da Iniciação Científica e era outro progama, com o triplo de bolsas de iniciação. Outra universidade.

Fabio Salvador disse...

Alguém aqui falou em educação decaindo no governo FHC, e eu sempre gosto de lembrar que, em 1999, nós (alunos da Escola Técnica da UFRGS, em Porto Alegre) fomos á rua para protestar contra a intenção do governo de acabar com o ensino médio profissionalizante da instituição.

Fechamos uma das maiores avenidas de Porto Alegre. Foi um sarro, e muito emocionante.

Conseguimos acabar o curso. Mas não graças aos pendores pró-educação do professor Fernando Henrique. E sim, graças à mobilização.

Só elogia a política de educação do governo tucano, quem é jovem demais para ter visto o que nós vivemos, ou quem é velho demais e não foi á escola naquela época.

Pedro Monção disse...

Eu tenho 24 anos e nunca prestei o vestibular ou o ENEM, mas eu sei muito bem que é notório que hoje em dia mais jovens estão numa universidade enquanto antigamente eram bem menos.
Acho realmente triste essa galerinha que AMA quando aparece uma gafe no atual governo, pois assim vem a chance de jogar na cara em quem votou em Lula e agora em Dilma. Aí eu penso: " Não vou me incomodar com gente que votou em Serra/PSDB por pura covardia e medo de votar no PT".
Tenho pensado em tentar fazer prova para alguma faculdade e quem sabe o ENEM não seja o meu salvador no ano que vem? Espero que em 2011 esses erros não se repitam porque eu quero sim ter ajuda desta modernidade.

Pimenta disse...

Dona Lola,
O Enem é a salvação simples para a melhoria do nivel de educação, queiram ou não.
bjo

disse...

ENEM vergonha da nação brasileira, em qualquer país civilizado o ensino não é gratuito e só entram as pessoas capazes de passar nas provas que tradicionamente traduzem o conhecimento escolar de cada um.

Cotas são um mecanismo para que os vagabundos que não estudam possam entrar baseados em seu papel de coitadinhos do sistema.

Vergona pura o Brasil minha patria amada está ficando igual a Venezuela comunista e ao regime do Evo Morales.

Oliveira disse...
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Eduardo Marques disse...

Eu sou estudante, fiz o ENEM e sou a favor de que façam uma nova avaliação: eu fiz a prova muito mal e quero uma segunda chance. :P

Agora, sério, apesar das dificuldades, apoio incondicionalmente o ENEM.

Laetitia disse...

Olha, Lola, as políticas pra educação do governo Lula são a minha grande pedra no sapato em relação ao PT. Pq eu sou estudante e, sim, de São Paulo, portanto conheço perfeitamente a situação pré-PT (e não acuso o PT de ter PIORADO as coisas... até pq seria impossível, acho) e não, não sou elite, dependi da educação básica desde quase sempre; só me alfabetizei em escola particular, graças a uma bolsa.

E, na qualidade de estudante que acompanhou essa transição PSDB-PT, o que posso dizer? Eu esperava muito mais do PT. Esperava que um partido que se diz popular defendesse a educação com unhas e dentes, já que é a ÚNICA maneira de trazer igualdade de oportunidades aos brasileiros.

No entanto, o que foi feito? Política do imediatismo e de tampar o sol com a peneira. A galera não tá aprendendo nada na escola, não tem condições de passar num vestibular, da maneira como ele é? Beleza! Vamos mandar todo mundo pra faculdade, mesmo sem ter conhecimentos básicos. E assim tentaram ampliar o Enem, essa prova horrivelmente mal planejada como forma de avaliar conhecimento (sei do que estou falando, resolvi Enem duas vezes na vida) e, sinceramente, falharam nas tentativas de atualizá-lo. A prova ficou mais difícil, mas é mal planejada, com níveis de dificuldade muito discrepantes entre as matérias. A organização quanto a datas e toda a parte burocrática em si também é péssima, me desculpe: na metade desse ano, procurei informações sobre a bendita prova, pq precisava saber que peso a prova teria nos vestibulares que irei prestar, e nem SITE OFICIAL eles tinham, na época. Se isso não é prova de incompetência, eu não sei mais o que é ser incompetente.

Em segundo lugar, essa banalização do acesso ao ensino superior, por duas vias - Enem para públicas, ProUni (Enem) para particulares - não me agrada, não. E falo isso na condição de estudante universitária que desistiu do curso e com isso vai para seu terceiro concurso vestibular na vida, correndo risco de não passar. Eu não concordo que pessoas sem boa formação cursem universidades (geralmente, de baixa qualidade) graças ao ProUni, porque isso vai, sim, gerar empregos, e portanto propaganda ao governo Lula, mas vai gerar também um imenso contigente de mão de obra mal qualificada - médicos, engenheiros, químicos, veterinários - e isso é no mínimo PREOCUPANTE.

Eu sou extremamente a favor de ensino gratuito e para todos. Por mim, todas as universidades seriam públicas e com acesso livre, sem vestibular. No entanto, me desculpem, mas é impossível fazer isso no Brasil, tal como ele se encontra hoje. É necessário levar qualidade ao ENSINO PÚBLICO BÁSICO. Só então poderemos contruir um país fortalecido em educação e preparado para crescer de verdade.

Foi por esse motivo que votei Plínio no 1º turno, e relutei a votar no PT.

Laetitia disse...

Ah, o esclarecimento que a Tai fez a respeito da USP e Unicamp é verdade: "a USP e a Unicamp não usaram o enem esse ano porque o resultado do enem sai tarde demais, e não dá tempo de adicionar esses resultados na nota da primeira fase antes de chegar na segunda fase."

Não vi nenhuma tentativa em desmerecer ou boicotar o Enem por parte da Unicamp, afinal, até pouco tempo a ideia era que ele fosse obrigatório e tivesse um peso maior na nota da primeira fase. No entanto, devido à desorganização de datas do Enem (a Unicamp manteve seu calendário normal), não foi possível utilizá-lo.

Acho que foi o Enem que boicotou a Unicamp e a USP, não o contrário.

Laetitia disse...

Ah, desculpe por escrever mais uma vez, mas... não aguento.

Eu sei que vc não vai levar a sério o comentário a respeito da necessidade de garantir o nível dos alunos nas universidades, por isso gostaria de dar um exemplo prático.

Como eu disse, estudei em escola pública (e administrada pelo governo federal... a escola estava diretamente ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia). Bom, a escola era ruim... eu e vários colegas saímos do colégio sem noções básicas de matemáticas, por ex. Pois bem: graças ao ProUni, quase todos entraram na universidade. Aqui em SP, como vc deve saber, existe uma proliferação de faculdades particulares de "fundo de quintal", e foi nessas que meus colegas entraram, conhecidas pelo baixíssimo nível.

Recentemente, fiquei sabendo que uma colega minha, que estava se formando em veterinária, matou um cavalo por errar um cálculo simples para dosagem de um medicamento. Agora eu imagino os meus outros colegas, tb na Unip ou em universidades do mesmo nível, que cursam medicina, biomedicina, engenharia... se um médico errar na conta, ele mata uma pessoa, certo? se um engenheiro errar na conta, ele derruba um prédio e mata várias pessoas, certo?

Então, não tem como banalizar, não. Ou a educação básica melhora e podemos garantir ensino superior livre pra todos, ou infelizmente o Brasil vai continuando no seu passo de sempre - excludente, elitista, oligárquico.

Erato disse...

Alguém poderia, por favor, me explicar por que a meritocracia é perniciosa?

wonderfulcauseiam disse...

Concordo que o alarde feito por 0,04% das provas é ridículo, mas outra coisa que é ridícula é a própria prova do ENEM. Não tive que fazer o ENEM pra entrar na faculdade, uma vez que a UFMG só resolveu (e na verdade foi forçada a) adotá-lo nesse ano.
A antiga prova feita pela COPEVE dava sim vantagens para os alunos das classes altas e que podiam fazer cursinho. Por outro lado, temos a políticas das cotas (que na verdade são bonus) ajudando os alunos de escolas públicas e/ou negros. Enfim, mas não estou discutindo isso agora, a questão é que a qualidade da antiga prova era imensa.
Você fazia a prova tranquilo, porque o tamanho da prova e das questões condizia com o tempo fornecido para resolve-la. Em relação ao conteúdo, prova de matemática cobrava assunto de matemática, prova de biologia cobrava assunto de biologia e assim vai. As provas eram coerentes.
Não se pode dizer o mesmo do ENEM.
Então, Lola, é ótimo que as políticas na área da educação tenham progredido na mudança da gerência PSDBista para a PTista. Só não consigo defender esse fiasco completo que é o exame nacional dos ensino médio.

Zé Piciña disse...

Ah, meu caro Erato, essa esquerda cômica de folhetim que nós temos no Brasil ataca a meritocracia porque quer pregar a igualdade de resultados, sem se preocupar se um se esforçou mais do que o outro ou não e sem levar em conta quealguns nascem mais aptos ao sucesso do que outros.
Houve um tempo em que não era feio querer lutar por aquilo que se queria e vencer na vida de maneira honesta mas hoje, o que temos é uma versão tropical do comunismo russo. Logo ninguém mais vai ver razão alguma para trabalhar mais ou melhor porque todos terão o mesmo salário no Brasil. Pode contar que esse dia logo vai chegar.
Agora querem que todos os rapazes e moças tenham acesso a faculdade mas ora, antigamente o acesso já era aberto a todos. todos os que se esforçavam claro. Se um menino pobre queria vencer na vida ele começava em desvantagem do menino rico que foi a boas escolas mas podia compensar estudando e trabalhando com afinco e isso é meritocracia. É a chave do futuro. Nem todos chegavam a ir para a faculdade mas viviam suas vidas felizes contentados com aquilo que era justo receberem pelo esforço que fizeram. Haviam os doutores, os empregados e os arigós de trabalho braçal. Cada um nasce para ser alguma coisa e antigamente não havia problema nisso.

Abaixo o enem, abaixo os blogs comunistas, abortistas, feministas
O Brasil ainda pode voltar ao rumo certo porque já provou que é capaz. Fora Lula e Dilma! Lembrem-se de 1964. Viva a Pátria Amada Brasil.

Bárbara Dayrell disse...

Eu acho o ENEM válido, mesmo que a prova nao seja la essas coisas, é legar pro governo, e nós, termos uma nocao de a quantas anda o ensino medio no Brasil. Eu fiz o ENEM em 2000, acho que foi o primeiro que teve, nao me lembro, e fiquei com a nota 96. Estudei toda a vida em escola publica e so os dois ultimos anos do ensino medio fiz em escola particular, mas vou ser sincera, nao me deidiquei aos estudos... Mesmo assim a minha nota foi 96.
Pensei, bem, a prova avalia mais conhecimentos gerais e logicos que conhecimentos especificos, como o vestibular, isso é bom. Alguns dias depois de receber a nota, fui visitar a familia em BH e fiquei sabendo que uma prima da minha idade, que sempre estudou em escola particular, uma das melhores de BH, tirou 45.
Nao soube o que falar e ate senti vergonha dos meus 96 pontos...
Nao sei se a intencao eh avaliar as escolas ou os alunos, mas sei que o ENEM nunca vai funcionar como vestibular. Concordo com o cartaz da primeira foto!

Guilherme Rambo disse...

"Que tal ensinar a pensar criticamente, a ser cidadão, a querer mudar seu mundo, a pensar coletivamente?"
E a escola pública por acaso ensina isso? Eu ia de fato postar isso nos comentários, até ler você mesma falando...
Tem muito estudante (e são muitos mesmo!) em faculdade que nem sabe o que está fazendo lá, só está pra ganhar um diploma e dizer que é formado, bons mesmo são pouquíssimos, a maioria está lá porque foi obrigado pelos pais, ou porque acha que vai ganhar bem só por ter diploma. O problema não está na faculdade nem no modo como se entra nela, os números não significam nada, o grande problema está na educação fundamental.

Tiago Gregório disse...

Erato,

A meritocracia não é perniciosa, desde que seja aplicada a algo que trará melhorias a uma maioria e não a um só indivíduo. No serviço público, por exemplo, a meritocracia é essencial, pois se trata de prestar serviços a uma maioria e concorda-se que quem disputa um cargo público o faz por livre e expontânea vontade, além de possuir, grosso modo, o mesmo nível de conhecimento dos demais. Quem não presta/passa em um concurso pode passar em outro ou arrumar emprego fora da esfera pública.

Já para o acesso a educação de nível superior, custeada pelo estado, fica difícil falar em meritocracia quando o nível de conhecimento dos candidatos é infinitamente desigual, numa ação deliberada (teoria da conspiração?) para favorecer quem pode (com esforço ou não) pagar uma educação de melhor qualidade. Para complicar, ainda temos a cultura bacharelesca, onde quem não possui curso superior está em um nível inferior da sociedade.

Falemos de meritocracia na Inglaterra, onde príncipes e princesas, ricos e pobres frequentam/frequentaram escolas com níveis educacionais idênticos.
Me desculpe, mas falar de meritocracia no acesso ao ensino superior brasileiro é desconhecer o estado do ensino básico do país, com pendor para a leviandade.

Ale Valentim disse...

PARA ANA PAULA:
Ana, por favor, uma duvida: voce mora nos EUA ?
tendo estudado com bolsa por 6 anos ?

aiaiai disse...

erato, meritocracia é bacana se você tem uma sociedade com oportunidades iguais. Não é o nosso caso. Aqui, o porteiro paga para o filho do burgues frequentar a universidade pública usando camiseta do che...(copyright o pintinho).

Eu passei no vestibular pelos meus méritos, mas não só por eles. Se o meu pai e a minha mãe não tivesse condições de me dar carinho, saude, alimentação, diversão e educação de qualidade (até com curso de inglês e espanhol), muito provavelmente eu também não teria passado no vestibular...Você não acha?

Ai vc diz, ah, mas seu pai e sua mãe te deram essas coisas pelos próprios méritos deles???? Hummmm, não, querido. Eles são pessoas bacanas, mas não tiveram que trabalhar quando crianças, comeram bem desde q nasceram, tiveram saúde, família, carinho e ...E os pais deles??? Pois é, não foram escravos, eram filhos de famílias de classe média, um lado, e donos de fazenda de cana, do outro.


Deu pra você entender que a história do brasil não permite que a gente fale em meritocracia no acesso aos serviços e bens públicos?

Tem uma tirinha, que é de um norte-americano, que explica bem isso, mostrando a importância das cotas para igualar as condições de oportunidade entre negros e brancos. (eu não achei o link, mas talvez a lola tenha)

Todo mundo quer igualdade, mas a história das américas foi construida com base na desigualdade cruel da escravidão...então, ainda não dá para a gente falar em igualdade...vamos chegar lá, mas por enquanto é preciso compensar de alguma forma para dar igualdade de oportunidades a todos.

Espero ter te ajudado a compreender essas questão.

aiaiai disse...

O Alex Castro me passou o link do cartun que eu havia mencionado:

http://www.interney.net/blogs/lll/2009/10/30/historia_concisa_do_racismo/

explica tudo sobre racismo e meritocracia.

Masegui disse...

Aiaiai,

Não perca seu tempo explicando essas coisas pra filhinho de papai... aqui tá cheio de parentes do Oliveira, o idiota!

aiaiai disse...

aproveitem e leiam também o texto que ele postou hoje sobre ideologia:

http://nblo.gs/anaGx

Lindo, emocionante e esclarecedor.

lola aronovich disse...

O cartum que a Aiaiai mencionou tá aqui, pra quem quiser ver.

aiaiai disse...

Masegui,
eu também já pensei assim...mesmo tendo me considerado de esquerda desde sempre, nessa área eu demorei a entender a profundidade das diferenças históricas e repetia essas bobagens sobre meritocracia...então, acho que vale perder um pouco do meu tempo e ajudar outros a começarem a entender a questão.

Robinho disse...

Concordo que se está a fazer uma tempestade em cópo dágua com relação aos erros da prova do ENEM, porém, discordo de alguns argumentos, para defender o ministro da educação do PT o autor do blog cita construções de escolas e faculdades, porém quando se está a dar uma informação do tipo a Educação está em declínio, os alunos estão chegando no ensino médio sem saber ler, e outras noticias do gênero, para defender os candidatos da bandeira se costuma falar que isso é responsabilidade do governo federal, agora quando a noticia é boa(novas escolas, novas faculdades) o mérito é do PT? não acho coerente esse argumento.

Erato disse...

Gente, muito obrigada por todas as explicações, elas me ajudaram a entender o que o texto realmente queria dizer, visto que a forma como a crítica estava posta me levou a entendê-la como uma crítica generalizada, e não especícifica.

Só gostaria de esclarecer duas coisinhas bobas. hehe

1) Eu sou mulher. Escolhi esse pseudónimo porque Erato é a musa da poesia lírica na Mitologia Grega.

2)Alex, embora você ache que fiz a pergunta para tripudiar, gostaria de ressaltar que foi uma dúvida sincera, posto que essa foi a primeira vez que lí algo contra a meritocracia.

Robinho disse...

Desculpem, meu comentário estava equivocado e o texto tem sim coerência.
Ensino superior é do MEC
Ensino fundamental e medio normalmente fica com o poder estadual e municipal.

Júlio César Vanelis disse...

Olha Lola, eu não sei nem o que dizer... Desde que eu prestei vestibular, eu sou contra ele. Não tem nada a acrescentar uma prova em que as pessoas passam 3 anos (ou 11 anos) decorando. Hoje eu estudo em uma universidade que, apesar de fantástica, possui o vestibular mais conservador do estado do Rio de Janeiro, e que foi a única universidade federal daquí que não adotou o Enem como forma de seleção (Eu estudo na UFF). Na época que prestei vestibular (2008/2009), eu fiz três provas: O ENEM (que ainda era o antigo ENEM), o vestibular da UERJ (Estadual do Rio de Janeiro) e o da UFF(federal fluminense). A diferença entre as duas primeiras e a última era gritante. Enquanto o ENEM e a prova da UERJ eram inteligentes, integradas e desafiadoras, a prova da UFF era uma grande decoreba. As questões eram marcadas, se repetiam com um enunciado um pouquinho diferente, e exigiam conhecimentos que só se aprendiam em escolas particulares especializadas ou nos períodos iniciais de alguns cursos superiores (eu mesmo só consegui resolver todas as questões da prova quando conclui o terceiro período).
Por isso, eu sempre fui contra o vestibular. Vibrei quando o ministério da Educação colocou o ENEM como sistema unificado de seleção para universidades federais, mesmo a minha universidade não tendo aderido ao sistema ainda...
Não precisa nem dizer que concordo com cada palavra que vc escreveu aí...

Até o próximo...

João disse...

Masegui,

Não precisa colocar Oliveira ao lado do meu nome, porque não sou o Oliveira. Escrevi dados e você veio tentar tripudiar com opiniões abjetas! Você foi agressivo e ofensivo! Não tem capacidade para escrever, defender pontos de vista sem ofender, não? Típico!

Gente besta, Masegui, é gente que acredita que 8 anos não é tempo suficiente para se melhorar a Educação no nosso país. Gente besta é achar que tudo de ruim fui feito pela elite, e tudo de bom foi feito pelo PT. Gente besta é quem acha que o governo anterior ao Lula só fez coisa ruim. Gente besta é aquela que acha que o lulismo só fez/faz coisa boa. Gente besta é aquela que acha que melhorar a Educação em 3, 5, 8 anos é fazer abracadabra. Gente besta, Masegui, é gente que não sabe escrever sem diminuir os outros. Gente besta é quem não aceita ideias diferentes das suas. Gente besta, Masegui, é quem defende pontos de vista por puro corporativismo, sem análise do conteúdo. (Eu poderia continuar aqui com uma lista gigantesca, Masegui, mas você já entendeu o recado, não? Tenho certeza que sim!)

André Vieira disse...

Parabéns pelo excelente artigo.
De fato, há um complô contra o Enem, assim como contra o governo como um todo, motivado pelos interesses mercantilistas (cursinhos, colégios particulares, mídia, etc.).

Janes disse...

Essa juventude é reacionária e racista porque é semi-alfabetizada em colégios/cursinho privados, que treinam e adestram mas não ensinam. Essa juventude deveria estar fazendo mobilizações pelo fim do vestibular e não reivindicando-o como a forma legitima de entrar numa universidade. Faltam-lhes aulas, estudo e bom ensino de História do Brasil. Se tivessem, saberiam que essa excrescência, o vestibular, é um invenção da ditadura e só existe no Brasil.

strudel disse...

Ao ler esse post eu me lembrei de uma "profecia" que uma professora de história fez durante sua aula..."lamento por essa geração e pelas gerações futuras que hoje tendo educar, em breve enfrentarão o pior sistema de ensino, o pior sistema de saúde, de previdência social... aposentadoria? será um beneficio funebre, porque está tardará a vir cada vez mais"...Isso porque somos frutos da década de 70 - 80, auge da explosão demográfica brasileira...frutos da herança mental anarquista...sexo droga e rock'n roll...Pra intempretar números é preciso entender os fatos... então óbvio novas universidades estão sendo criadas ou ainda serão, principalmente em centros menos privilégiados... ...mas e a qualidade do nosso ensino?? eu me lembro quando aluno repetia 3 anos a mesma serie, hoje repetência é alerta vermelho pra governo, implica em gastos, obviamente desnecessário...valendo lembrar que mais vale uma massa estúpida facilmente moldada e controlável do que seres pensantes com senso crítico... então pra que qualidade??? além do mais o IDH é basicamente númerico... e número são facilmente manipulávies, ao estalar dos dedos 10 vira 100 e 100 pode virar 1000, é claro que índice de alfebetizados aumentou, hoje pra varrer rua precisa saber ler e escrever... óbvio novos empregos necessitam ser gerados... quem alimenta nosso sistema??? não são esses coadjuvantes númericos utilizados em campanhas políticas. Trabalhador legalizado é imposto garantido! $$$ no cofrinho...caraca...isso é uma cegueira pandemica?? qualquer serzinho que vira Dom Supremo no Palácio central seria capaz de fazer o que está sendo feito... porque o que têm sido feito, embora númericamente superior é o mínimo necessário. Somos seres mediocres que se contentam em ter o mínimo...necessitamos de subsídios do sistema pra sobreviver... e ainda gratos somos por isso, Viva a nossa Santa Mãe Ignorância...seria patético se não fosse vergonhoso... Alguém tem motivo pra comemorar?