quarta-feira, 27 de outubro de 2010

SOU PRECONCEITUOSA POR NÃO VER A REALIDADE, DIZ LEITORA

Vocês leram o post de ontem? Se não, leiam. Ele foi publicado, com algumas modificações, no jornal catarinense onde tenho uma coluna no domingo. Acho que a editoria cortou umas referências menos sutis sobre o partido político que exige a paternidade do Bolsa-Família, porque, durante as eleições, me pediram pra não escrever sobre política partidária. Bom, o texto é uma crítica à classe média, que não cumpre a lei relativa aos direitos das empregadas domésticas. E sobre o preconceito desta mesma classe contra os pobres e contra o Bolsa-Família. (Aliás, adorei os comentários que vocês deixaram aqui. É bom que as pessoas saibam que uma política simples e barata como o Bolsa-Família faz com que meninas de 8 anos não virem empregadas domésticas, e possam continuar na escola). No texto, eu só falo de raça no último parágrafo, quando relato uma conversa que tive com meus adolescentes ricos alguns anos atrás. Mas volta e meia falo sobre racismo, tanto aqui como no jornal. No domingo, uma leitora me enviou um email que me abalou (tudo sic, não mudei uma vírgula, só tirei o nome):

Eu, como representante da categoria negra dessa cidade, posso dizer que estamos saturados dos seus comentários maldoso, que posta nesse jornal. Não raro nos deparamos com sátiras, de 'negros pobres', 'negras empregadas'. Em qual mundo vive? Hoje temos negros no topo, somos médicos, advogados, esportistas, políticos e até ministros.
São negros também que estão no ranking das pessoas mais poderosas do mundo, Barack Obama, Michely. Temos um nistro negro no Brasil, procure se informar. É negra uma das pessoas com maior fortuna no mundo, Oprah Winfrey, já ouviu falar?
Lola Aronovih, em que seculo você vive, deve viver no século XVIII, ou ainda mantém negros como escravos em cárcere privado? Não duvido nada, se não tiver uma mucama escondida, pois só assim faria um texto tão ridículo e preconceituoso com o título '~...não sei o que lá de donos de escravos'.
Pergunte a 10 jovens negras, o que fazem. Garanto que se uma falar que é empregada é muito. Tem sim empregadas negras, mas são aquelas mais idosas que não tiveram oportunidades como nós jovens temos hoje.
Muda o disco, abra os olhos para o mundo, escrava coisas mais interessantes, seus tetos são caóticos, tediosos. Quero ter o prazer de ler um texto seu falando sobre negros bem sucedidos, bonitos, felizes.
Enquanto isso não acontece, leio artigos mais interessantes como do Sr. Prates, um melhor que o outro.
Frustração resume-se ao terminar de ler esse texto, uma página inteira dedicada a tamanha bobagem entre as linhas. Nada a carescentar, assim é esse e todos os textos que leio nas suas páginas.

Ok, eu acho que a palavra-chave no email todo foi “Prates”. Quem gosta de Luiz Carlos Prates, um reaça de marca maior que escreve no jornal e bate na mesa na TV, dificilmente vai gostar de mim. Somos opostos. Não tem como eu concordar com ele, ou ele comigo. Mas eu tentei responder o email da leitora:

Cara ...,
Acho que vc não entendeu o meu texto. Ele não foi nenhuma sátira aos negros. Pelo contrário, foi uma crítica a classe média brasileira (e latino-americana, em geral), que ainda mantém empregadas em seus apartamentos. Sinto informar que sim, a maior parte das empregadas domésticas é negra. Não fui eu que criei este número. É uma realidade. Veja esta pesquisa, por exemplo.
Não entendo como apontar este número pode ser visto como preconceituoso. Nos meus textos, eu COMBATO esta realidade. Não quero que ela continue sendo assim. Vc se zanga comigo por eu combater uma realidade que pra vc (e pra mim tb) é desconfortável? Prefere tapar o sol com a peneira? É verdade que temos negros no topo, mas são pouquíssimos. Sugiro que vc preste um pouco de atenção na sua linguagem, pois vc escreveu 'até ministros'. Como assim, 'até' ministros? Essa palavrinha, 'até', faz soar como se fosse algo incrível que negros atingissem essa posição. Mas a realidade é que ainda há poucos negros em posição de poder. Vc citar alguns poucos negros com poder não muda essa realidade. No Brasil, considera-se que mais de 50% da população é negra. Se tivéssemos justiça racial neste país, 50% dos cargos políticos, 50% das vagas nas universidades públicas, 50% das chefias nas empresas, seriam ocupadadas por negros, não acha? Estamos muito longe disso acontecer, infelizmente. Vc sabia que, na USP, menos de 1% dos professores é negro? Concorda com essa situação? Vc acha que devemos falar desse 1% que conseguiu chegar lá ou de uma situação profundamente injusta e desigual que impede que mais negros cheguem a essa posição?
Eu não tenho nenhuma obrigação de falar da Oprah Winfrey apenas porque vc se recusa a ver a realidade. E não sei quem te nomeou 'representante negra' da sua cidade. Há muitos negros que lutam para melhorar a situação em que vivem, ao invés de fingirem que todos os negros são Joaquim Barbosa. Eu escolheria esses como meus representantes ― gente que quer mudar o mundo, não gente que está feliz da vida com o racismo em que vivemos, e prefere ignorá-lo.
Atenciosamente,
Lola

E ela respondeu:

Mas é claro que você não tem obrigação de falar sobre o que eu quero, e eu não tenho obrigação de concordar com o que escreve, e dar-se por contente. Cadê a liberdade de expressão. Represento os negros que não tiveram a mesma coragem, pela democracia de gente assim, ou nós sempre concordamos, ou então nos calamos.Sou convicta do meu papel na sociedade. O fato é que alguns jornalistas se incomodam quando são criticados. A bem da verdade, ninguém gosta de críticas, isso chateia todo mundo. Mas há jornalistas que pensam que a crítica é uma prerrogativa sua. Um alerta: muitos que se julgam 'consciências da nação', 'agentes de transformação social', saibam que hoje, mais do que nunca, o seu trabalho está sendo observado, analisado e discutido nos inúmeros foruns existentes na rede. Novos tempos, felizmente.
Saia da cadeira do escritório…de pesquisas do Google, números, porcentagens, vai pro campo, sente, ouça e amplie o discurso.
Lamentável.

Este eu não respondi. Sempre fico perplexa com a acusação de “você não aceita outras opiniões”, que às vezes ouço por aqui também. O que é exatamente “aceitar opiniões”? Acho que muita gente confunde aceitar opinião com ter de mudar de opinião. Eu ouço a opinião alheia, faço a delicadeza de responder quando encontro o mínimo de tempo, mas não tenho que passar a acreditar que puxa, é mesmo, de fato toda negra brasileira é uma Oprah Winfrey (desconheço quem seja Michely), ou que no máximo 10% das empregadas sejam negras, segundo a autora do email. É, eu sei que deveria confiar mais nas impressões de uma pessoa do que em estatísticas, mas às vezes eu sou meio racional.

62 comentários:

Michelle disse...

Pois é né Lola, acho q vou ser apedrejada pelos negros, mas mtas vezes eles são tão ou mais preconceituosos consigo mesmos do q os brancos para com eles... Talvez essa reação da leitora seja um preconceito dela, por vc ser branca e estar falando de uma realidade q não é a "sua", digamos assim...

Flovi disse...

Acho que ela se refere à Michelle Obama. Acho. E que texto confuso, não? O quê exatamente essa moça tá defendendo? Que negros não são pobres e excluídos? Affe, eu fico indignada. Esse tipo de comentário me soa tão inocente quanto uma acusação que recebi de uma tia minha, também negra, de que eu só sofri e sofro preconceito por conta da lei da atração. É karma. Cômodo, não?

Teresa Silva disse...

Eita mulher tapada. Deve ser daquelas que dizem que não existe racismo por que nunca a mandaram usar a entrada de serviço ou teve um segurança de loja vigiando-a com agressividade. E diz que é mania de perseguição quem reclama disso.

Mel disse...

Os comentários dela são clássicos de quem gosta do Prates. Uma pena!

Ale Valentim disse...

Pode ser, repito, pode ser que essa pessoa tem MEDO de acreditar no recismo ? e se refugia no discurso 'eu estudo, eu progrido, eu nao vejo racismo, portanto nao ha racismo e as pessoas negras podem evoluir sim!
Isso eh um recurso de defesa,para evitar o sofrimento. E isso eh muito humano, digno de ser acolhido com dialogo, compreensao, nao com criticas como 'tapada' e outros pejorativos...

maiacat disse...

a posição dela me parece a mesma de alguém de classe-média no Brasil que reclama quando falamos da pobreza no país, sabe? que nem quando ficam irritados com filmes que mostram favelas brasileiras exibidos no exterior, porque não mostram a "realidade" para os outros países.

Masegui disse...

Lolinha,

Cuidado, minha filha, violar correspondência alheia é crime! Sim, porque essa tapada (gostei do adjetivo, Teresa) não pode ter escrito pra você!

Gente que não sabe interpretar textos e que é incapaz de entender um mínimo de ironia deveria ser proibido, por lei, de ler jornais.

dolcinha disse...

Fofaronovich.

Só uma palavra pra resumir o email da leitora: BARALHO.

Ela justifica a tese de que os negros são bem sucedidos a partir de exceções bem especifícias. Essa é a argumentação de quem é contra, por exemplo, as cotas para negros nas universidades, partindo da premissa de que existem negros ricos que "se beneficiariam" da referida ação afirmativa. Ninguém nega a existência de negros bem sucedidos, ricos etc MAS BUT ABER eles compõe casos excepcionais que, se forem escolhidos em uma análise por amostragem aliatória, representariam uma "verdade" bastante diversa do que se vê simplesmente no dia dia: negros e negras trabalhando como vigias em bancos, empregadas domésticas, ascensoristas (ah, mas essa categoria não conta, porque estão sempre subindo na vida :P)

Ayesha Luciano disse...

Concordo com a Michelle (do comentário acima): existem negros mais preconceituosos do que muitos brancos. Li seu post anterior e não comentei por absoluta falta de tempo, mas concordo com o absurdo que é o desrespeito com que são tratadas as empregadas domésticas,e concordo que programas como o Bolsa-Família ajudam a minimizar os impactos sociais de anos de desigualdade. Achei seu post muito bom mesmo, na medida em que trata de maneira crítica de uma situação real. Mas confesso que ainda não entendi a indignação da tal leitora. Também não entendo quando ela diz que muitos negros ocupam posições de destaque na política e na economia: na verdade, eu acho que são bem poucos, porque existe uma grande barreira cultural criada pela classe média (como você mesma citou, os "ex-donos de escravos") contra a inserção das minorias raciais: você falou dos negros, mas poderia muito bem ter citado a população indígena, e não teria mudado o teor do seu texto. São poucos os negros, ou indígenas, que conseguem se inserir nesse nicho dominado por uma classe média que teve todas as oportunidades e durante muito tempo teve exclusividade sobre o controle da política e da economia no Brasil. Hoje em dia essa situação tem sido combatida pelos programas sociais que geram n oportunidades para esses grupos historicamente excluídos, como, por exemplo, o ProUni e o Bolsa-Família. O que a leitora indignada não consegue entender, enxergar ou aceitar é que a maior parte da população pobre do Brasil é negra sim, isso é um fato. os "negros pobres" e "empregadas negras" são a maioria, sim, ao contrário do que ela quer acreditar. Os "ministros negros", "juízes negros", "negros ricos" são, infelizmente, a minoria. Eu sou afro-descendente, e tive uma grande oportunidade com o ProUni. Mas, advinha qual era a profissão da minha avó? Empregada doméstica! E a minha mãe, quando trabalhava aos 15 anos, era o quê? Empregada doméstica! E adivinha só qual era o emprego da minha tia, também negra... Pois é, acertou de novo! Não se trata de racismo, trata-se de uma realidade que tem raízes históricas na colonização. Vivemos hoje uma situação que nada mais é do que uma consequência de um processo de exclusão social que começou séculos atrás, e não melhorou tanto assim desde a Lei Áurea. Equalizar oportunidades nunca esteve na pauta dos nossos governantes da era Pré-Lula: a classe dos ex-donos de escravos não tinha interesse na distribuição justa da renda. Isso só mudou com os programas sociais do governo popular dos últimos oito anos (que a gente espera que continue!). Por fim, quero mandar um recado à sua leitora indignada: a situação de absoluta desigualdade vem mudando, mas a passos lentos. É importante, sim, destacar o quanto já conquistamos nesse sentido. Mas fechar os olhos para a realidade triste e cruel da desigualdade racial não é resolver o problema: é abaixar a cabeça para a elite preconceituosa que manteve os negros na pior situação social possível por tantos séculos, e se conformar com a realidade "casa-grande e senzala". E o tempo das senzalas, esperamos, acabou.

Fernanda disse...

Deploravel o texto dessa leitora, Lola...Serio mesmo. E tanta ignorancia que me choca...Deixe ela viver no mundinho de ilusao e democracia racial dela...Ate alguem oferecer um elevador de servico pra ela poder cair na real e ver a podridao que e o racismo no Brasil.
Como negra tambem, nao consigo entender como alguem da minha raca possa sequer negar a existencia de preconceito no pais...Se as amigas dela nao sao empregadas domesticas, isso nao significa que o problema nao exista.
So tenho algo a dizer a essa moca: vaja as estatisticas minha cara, veja as estatisticas...E caia na real...

Nefelibata disse...

Lola, acho que você deveria responder esse último e-mail. Ela não confirmou nada do que disse na primeira mensagem. Imagino que ela deva ter pegado alguma frase perdida do seu texto, entendido errado e, somando mentalmente a raiva com a veia do Prates, escrito essa coisa sem pé nem cabeça pra você. Quando você a fez entender, ela ficou sem saída e apelou pra "é uma questão de opinião", sugerindo que você estivesse numa postura doutrinadora, sei lá.

Mostra pra ela de novo, na boa, sem se exaltar, que não é nada disso. Se ela tiver um mínimo de decência, vai refletir ainda que negue. Se não tiver nenhuma decência, sua gentileza com ela será também sua vingança contra ela.



O problema é que entre a Casa Grande e a Senzala tem o capitão-do-mato, né...

L. Archilla disse...

Um dos conceitos mais interessantes da psicanálise (que nem precisa estudar psicanálise pra se dar conta, na verdade) é o da projeção. Cada dia vejo mais o quanto as pessoas insistem em ver nos outros o que tem de mais podre nelas. Não foi a primeira, nem segunda, nem milésima quinta pessoa que acusa de censor quem discorda dela. Ela tem que ser livre pra criticar quem ela quiser, do jeito que bem entender, claro! E não perde uma única oportunidade para fazê-lo. Mas ai de quem ousa discordar educadamente... esse não sabe lidar com críticas, é ditador, autoritário, censor, agente do DOPS, "patrulha" (esse tá na moda), capanga de pau de arara...

Cresce, humanidade!!!!!

L. Archilla disse...

Ah! E fico muito triste ao ouvir "tem negro que é mais racista que branco"... a gente ouve esse tipo de comentário (o da mulher negra, de que os negros já têm tudo, etc) todo santo dia, geralmente de um branco. Quando vem UM negro e corrobora esse discurso, ele é "mais" racista que o branco? Parece a história de que a mulher é "mais" machista que o homem pq não faz nada pra mudar de situação!

Luiz Felipe disse...

É muito mais facil aceitar o errado do que tentar mudar para o certo, mudar dá muito trabalho.

QUIPROCÓ DO ONÇA disse...

LOla, querida queria dizer a Michelle via fala gente fala, que realmente há preconceito de negro contra o negro. Mas isso também foi inventado para se tornar real. Explicando:Tem um vídeo com duas bonecas uma preta e outra branca..estas bonecas são mostradas a crianças também negras e brancas.Tudo de bom e belo é visto na criança branca tudo de ruim na criança negra e a grande sacanagem é que ao final pergunta-se a criança negra qual boneca ela se parecia e lógico que ela respondeu que era a negra. O negro é criado sob estes conceitos. Carregam tudo de ruim. Quem vai querere ficar com o negro?
Será que consegui explicar a Michele?

dolcinha disse...

@Quiprocó: vc tirou as palavras do meu bico.

Eu até gostaria de de escrever mais detalhadamente agora sobre a leitora porque EU JÁ TIVE ESSE TIPO DE PENSAMENTO (mas tô meio ocupadinha hoje, prazos!) Sim, já engrossei o coro dos negros que dizem não existir racismo e tal.
Mas uma infinidade de leituras - inclusive de escritos da Fofaronovich - me fizeram enxergar um mundo real e, mesmo não concordando, entendo o que a leitora sente sim.

Quem vai querer ser negro ou se enxergar como negro num mundo em que ser negro é errado?

E o vídeo triste sobre as bonecas e as crianças é esse aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=cWPhlO6Uv2E&feature=player_embedded

Choro sempre quando vejo esse vídeo.

Geovana disse...

Ola Lola, a posição demonstrada por essa tal leitora, que sendo negra não reconhece o racismo que impregna a sociedade e repudia a reflexão sobre esses problemas sociais, me parece uma manifestação do fenômeno do embranquecimento. Explico, quando pessoas negras que por possuirem condições econômicas, ou estarem inseridas num contexto social diferente da maioria dos negros, são tratadas como se brancos fossem. O que não é algo bom, pois representa mais uma forma de negação do problema, uma vez que a posição social diferenciada embranqueceria ou elevaria ao status de pessoa branca, quem em outra condição social receberia todas as mazelas do preconceito racial.
Agora, eu gostaria de entender porque sempre que se instaura um confronto de idéias, a pessoa questionadora sempre classifica o fato do interlocutor manter sua posição com um cerceamento da liberdade de expressão!! Simplesmente, as pessoas ainda não aprenderam a confrontar as idéais de maneira racional e cientificament, então sentido-se magoadas como a visita que não é bem recebida queixam-se dessa forma. Principalmente os reaças eles adoram se queixar dessa forma.

Mariana. disse...

essa daí não sabe nem interpretar um texto e quer debater.

é uma vergonha para humanidade, existem cães mais inteligentes que ela.

Mas eu não ia conseguir deixar ela falando sozinha.

Iseedeadpeople disse...

"Lolinha,

Cuidado, minha filha, violar correspondência alheia é crime! Sim, porque essa tapada (gostei do adjetivo, Teresa) não pode ter escrito pra você!"


Seu marido é uma comédia, Lola!

Serge Renine disse...

Aronovich:

Essa moça só está dizendo, de uma forma grosseiro e confusa, que os negros não querem mais ser retratados como coitados e sim como pessoas vitoriosas e bem sucedidas, a despeito da realidade que assola vários deles.

Ela demonstra muito alto respeito.

Serge Renine disse...

Correção:

alto-respeito

Rita disse...

LOLA UMA SUGESTAO que nada tem a ver com o post. Por que voce nao muda pra itálico o que as outras pessoas escreveram e em letra normal o que vc escreve?
Toda vez que tem algo de outra pessoa, por um momento fico confusa até saber quem é quem, já que geralmente a pessoa "quotada" é que tem o diferencial de aspas ou italico..
Fez sentido?
beijocas!!!

Ah, passei uma situacao parecida, escrevi num forum do orkut sobre as brasileiras que sao escravas sexuais no exterior e quem em sua maioria eram nordestinas E de familia simples.. Pronto, pessoas me atiraram pedras com toda grosseria falando para eu abrir minha cabeca pq estava generalizando e sendo preconceituosa.. Na verdade estava lamentando um numero, que infelizmente é real.

Montricot disse...

@Serge

correção de novo

auto-respeito - respeito por si mesma ou alto-respeito: respeito de grande estatura, digamos, acima de 1,80m?

Amanda G. Carneiro disse...

Cara, fico inconformada com essas coisas... Assim como ela não soube interpretar, não soube também se expressar. O que ela diz não faz sentido.

É incrível quando defendemos algo, às vezes da qual nem fazemos parte (negras e de classe baixa, no caso), e nos tratam tipo: "você não tem nada a ver com isso, não faz parte dessa realidade então não sabe o que está dizendo!"

Nem ela faz parte das negras de classe mais baixa e acredita que, por ela e as pessoas com que ela convive e vê na mídia não pertecerem a essa maioria, a REALIDADE não é essa mostrada pela Lola. Ela quer que as pessoas dêm destaque a minoria dos negros que ascenderam, para mostrar a visão de que eles também podem ter oportunidades, que eles já conquistaram seus espaço.

É ilusão pensar assim, fingir que tudo já foi conquistado não vai mudar a realidade, mas sim ressaltá-la. Só que quando alguém mostra o lado negativo da história é chamado de preconceituoso...

Além disso, as pessoas AMAM criticar, mas não sabem ouvir críticas de volta. Quando respondemos às críticas e mostramos nossa opinião nós que não sabemos aceitar opiniões diferentes. Isso é um absurdo!

eva mooer disse...

vc escreveu um texto informativo importante,defendendo o direito dos menos afortunados,acordando o pessoal para a realidade,e recebeu um balde de água fria... mas concordo um pouco com o com o "Serge Renine "...Ela foi infeliz na maneira de se expressar.Não percebeu que estamos do lado dela.

Niemi Hyyrynen disse...

Mais uma querendo viver de fantasia.

Essa coisa de achar que sua situação está melhor pq tem outra pessoa que vc reconhece como do seu "grupo" em uma situação de destaque é lamentavel.

É um voyeurismo ideológico.

PS: Usei a palavra grupo, por não ser conseguir pensar uma melhor agora...

Niemi

Nathália. disse...

Essa moça que comentou do teu artigo é daquelas que dizem "eu voto no Serra porque, com ele, eu não seria negra".

É simplesmente isso.

Ela acha um absurdo que se fale dos preconceitos contra os negros porque acha que falar é que gera o preconceito.

Sinto pena de uma pessoa assim.
Ela me lembrou aquelas novelas da Globo que falam de escravidão, na qual sempre tem um ou uma negra escravos, contentes com sua vida, pois seus senhores são bondosos e quase nunca batem neles.

É o cúmulo da ignorância.

Nathália. disse...

P.s.: Só eu acho que a leitora tentou uma ameaça à Lola?

Do tipo.. "estou de olho na senhora"?!

Márcia disse...

Serge,

"Essa moça só está dizendo, de uma forma grosseiro e confusa, que os negros não querem mais ser retratados como coitados e sim como pessoas vitoriosas e bem sucedidas, A DESPEITO DA REALIDADE QUE ASSOLA VÁRIOS DELES" (destaque meu).

Acho que essa sua interpretação tá bem impregnada do que VOCÊ pensa/sente.

Pelo que eu entendi, ela ignora a realidade em que vivem vários deles, aliás, vários não, a maioria, ao menos aqui no Brasil...

Lola,

Seria uma boa indicação para essa criatura o blog do Alex de Castro. Eu A M O o que ele escreve sobre racismo.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Esse segundo email dela me lembrou o Serra em alguns momentos do último debate na TV Record. A pessoa não tem mais o que dizer e apela pro lado pessoal. No caso do Serra "você é mentirosa, mentirosa, mentirosa" pra desviar o assunto, no caso da leitora o velho "cadê minha liberdade de expressão? você está mal informada. tem obrigação de concordar comigo", mas sem falar mais uma linha argumentativa sobre o assunto.
Me cansa esse povo que acha que liberdade de expressão é entrar no espaço de outra pessoa, tentar impor a própria opinião e ficar esperneando e ofendendo quando não consegue.
É óbvio que no caso dela não é por mal. Realmente não é legal saber que existe racismo, aí tem gente que se sente melhor negando que exista e chamando de preconceituoso quem tem coragem de falar sobre um assunto que incomoda.
Acho que com o feminismo acontece uma coisa parecida. Que mulher gosta de constatar que muitos homens se sentem superiores a nós só pelo fato de serem homens e que querem ter mais direitos e serem mais livres que nós?
Nenhuma, acho.
Então sempre tem aquelas que se sentem tão incomodadas que preferem negar e voltar sua revolta exatamente pra quem está colocando o que ela não quer ver na cara dela...

Bruno Stern disse...

Lola,

tem certeza que não era um troll??

Tá muito sem pé nem cabeça para ser sério.

Amanda G. Carneiro disse...

Bruno Stern, eu cheguei a pensar a mesma coisa. Do jeito que esses caras são idiotas e não têm o que fazer seria possível.

Mas eu acho que não. E infelizmente, existem pessoas assim, de uma forma ou de outra...

Amanda G. Carneiro disse...

aah Nathália, o que você diz sobre a "ameaça" é por causa do:

"Um alerta: muitos que se julgam 'consciências da nação', 'agentes de transformação social', saibam que hoje, mais do que nunca, O SEU TRABALHO ESTÁ SENDO OBSERVADO, analisado e discutido nos inúmeros foruns existentes na rede." ?

Se for, isso aí foi algo do tipo. Cara, não tem nada a ver, essa pessoa viaja...

Vivi disse...

Lola, você viu que absurdo o "RODEIO DAS GORDAS"?????????????

Estou chocada com o duplo preconceito: machismo e preconceito contra obesas.


Saiu na folha, estado e teve grande repercussão na imprensa nacional.
"Um grupo de alunos da Universidade Estadual Paulista, uma das mais importantes do país, organizou uma "competição", batizada de "Rodeio das Gordas", cujo objetivo era agarrar suas colegas, de preferências as obesas, e tentar simular um rodeio --ficando o maior tempo possível sobre a presa.

A agressão ocorreu no InterUnesp 2010, jogos universitários realizados em Araraquara, de 09 a 12 de outubro. Anunciado como o maior do país, o evento esportivo e cultural, que reuniu 15 mil universitários de 23 campi da Unesp, virou palco de agressão para alunas obesas.

Roberto Negrini, estudante do campus de Assis, um dos organizadores do "rodeio das gordas" e criador da comunidade do Orkut sobre o tema, diz que a prática era "só uma brincadeira".

Segundo ele, mais de 50 rapazes de diversos campi participavam. Conta que, primeiro, o jovem se aproximava da menina, jogando conversa fora --"onde você estuda?", entre outras perguntas típicas de paquera.

Em seguida, começava a agressão. "O rodeio consistia em pegar as garotas mais gordas que circulavam nas festas e agarrá-las como fazem os peões nas arenas", relata Mayara Curcio, 20, aluna do quarto ano de psicologia, que participa do grupo de 60 estudantes que se mobilizaram contra o bullying.

Nathália. disse...

Amanda G. Carneiro --> Foi isso sim. Não acho que a vida da Lola tá ameaçada, nada disso. Eu fico preocupada é com essa gente louca que age como se fosse seguir o ser vivo, observar tudo o que faz. Sei lá, parece coisa de criança que lê muito Sherlock Holmes.

Mas eu fico preocupada mesmo, nunca se sabe qual louco está por aí...

Carol Nogueira disse...

Lola, cara...
Isso é muito mais triste do que parece. Porque é a expressão concreta da desigualdade que permanece e que, paradoxalmente, é confortável para a direita doente (que prefere não reconhecer a dívida histórica com os negros para não ter de pagá-la) e reivindicada por alguns desses negros, que apegam-se aos casos isolados para querer "acabar com o preconceito" na marra, como se isso fosse possível sem a modificação real do cenário.
É aquela história do analfabetismo funcional num grau mais rebuscado - ela lê, claro, e escreve, mas não entende exatamente do que se trata seu texto.
Você não acha triste, tristíssimo, que não por acaso seja negra a militante verborrágica que não é, no fundo, capaz de ler verdadeiramente seu texto? Putz, eu acho.

Liliana disse...

Minha primeira participação neste blog e já vou apelar pra ego-trip... rs Meu pai é mulato; como filho mais velho de uma família mineira pobre, ele nasceu destinado a ser padre - costume das décadas de 30/40. Foi pra um seminário de padres alemães em Barbacena com 11 anos, saiu com 22 depois de uma crise de fé e de ter cursado filosofia na Alemanha (até hoje acho chiquérrimo que meu pai saiba filosofar em alemão! rs). Voltou pra casinha pobre do meu avô motorista e minha avó lavadeira em BH. Estranho no ninho. Quando disse pro meu avô que queria fazer engenharia, meu avô teve um piti: desde quando isso é profissão de preto?? Acabou fazendo economia na Federal – acho que meu avô não chiou porque não sabia direito que coisa era essa -, veio pra São Paulo fazer especialização, conheceu minha mãe, casaram, foram pra Alemanha pra ele fazer mestrado (e eu nasci lá, o único bebê com cachinhos escuros de toda a maternidade). Queria seguir carreira acadêmica, deu aula boa parte da vida, mas salário de professor não era/é nenhuma maravilha, apelou pra iniciativa privada. Num dos empregos, com cargo de diretor por causa da qualificação (ele já tinha doutorado), deram para ele uma mesa no meio do corredor, nem sala tinha. Tinha de valer a pena essa humilhação toda, então meus pais decidiram que eu e meu irmão iámos estudar em colégio particular. Alemão, claro, porque eu queria aprender a falar a língua do país em que nasci. Erámos classe média média pra alta, com casa na praia, sítio, e filha de intelectuais... Mas isso não adiantou muito quando perceberam que eu era a única pardinha da escola, vinda da rede estadual. O diretor da escola teve a cara de pau de me parar no meio do corredor pra perguntar se eu ia conseguir acompanhar o curso. Não deixei barato: ganhei olimpíada de matemática, sempre fui uma das melhores alunas nos quatro anos em que estudei lá e armei um circo com meu discurso progressista como oradora da formatura. Cresci com esse preconceito meio velado, sórdido, à espreita. Entrei na USP, virei petista e aí, então, é que virei bicho estranho mesmo... rs Não posso dizer que sou livre de preconceitos, luto contra meus demônios internos a cada dia, mas ainda fico abismada com algumas reações de pessoas que são muito mais vítimas de preconceito que eu e até meu pai. Fui entrevistada pelo Censo do IBGE este ano; o entrevistador era negro, super simpático; me perguntou a raça, respondi “parda”; ele arregalou os olhos e disse “Não, você é branca” e eu respondi, “Sou parda, sim, só estou desbotada”. Ele riu, mas juro que não sei se ele não tascou um “branca” na ficha... E dá-lhe desvio de amostra! rs

Liliana disse...
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Liliana disse...

Minha primeira participação neste blog e já vou apelar pra ego-trip... rs Meu pai é mulato e, pros meus avôs, tinha de ser padre. Foi pra um seminário com 11 anos, saiu com 22 depois de uma crise de fé e de ter cursado filosofia na Alemanha (até hoje acho chiquérrimo que meu pai saiba filosofar em alemão! rs). Voltou como estranho no ninho pra casa do meu avô motorista e minha avó lavadeira em BH. Quando disse que queria fazer engenharia, meu avô teve um piti: desde quando isso é profissão de preto?? Acabou fazendo economia – acho que meu avô não chiou pq não sabia direito que coisa era essa -, veio pra SP fazer pós, conheceu minha mãe, casaram, foram pra Alemanha pra ele fazer mestrado (e eu nasci lá, o único bebê com cachinhos escuros de toda a maternidade). Queria seguir carreira acadêmica, deu aula boa parte da vida, mas salário de professor não era/é nenhuma maravilha, então apelou pra iniciativa privada. Num dos empregos, com um bom cargo por causa da qualificação (ele já tinha doutorado), deram para ele uma mesa num canto do corredor. Tinha de valer a pena essa humilhação toda, então meus pais decidiram que eu e meu irmão iámos estudar em colégio particular. Éramos classe média alta, casa na praia, sítio, e filhos de intelectuais. Mas isso não adiantou muito qdo perceberam que eu era a única pardinha da escola, vinda da rede estadual. O diretor da escola teve a cara de pau de me parar no meio do corredor pra perguntar se eu ia conseguir acompanhar o curso. Não deixei barato: sempre fui uma das melhores alunas nos quatro anos em que estudei lá. Cresci com esse preconceito meio velado, sórdido, à espreita. Não posso dizer que sou livre de preconceitos, luto contra meus demônios internos a cada dia, mas ainda fico abismada com algumas reações de pessoas que são muito mais vítimas de preconceito do que até meu pai. Fui entrevistada pelo Censo do IBGE este ano; o entrevistador era negro; me perguntou a raça, respondi “parda”; arregalou os olhos e disse “Não, a senhora é branca” e respondi “Sou parda, sim, só estou desbotada”. Ele riu, mas juro que não sei se ele não tascou um “branca” naquele coletor de dados... E dá-lhe desvio de amostra! rs

Caillean disse...

se tudo que ela fala é verdade pq eu que sempre estudei em escola de classe média alta,em uma cidade que 80%,gente 80% da população na minha sala sempre teve um negro e mais umas 3 pessoas como eu que são afro-descendentes mas tem cabelos lisos e não saõ tão escuras.ai vc vai pra uma escola pública engraçado que é o oposto que ocorre. na escola de minha irmã mais nova vc conta os negros da escola toda na mão.nas festas dos coleguinhas eu e minha irmã mais velha somos as únicas pessoas de pele escura(minhas irmãs mais novas são brancas) que não é baba ou trabalha na festa.
minha flha ACORDE olhe sua realidade,critique e tente mudar.

Liliana disse...

Ih, Lola e outros internautas, fiz bobagem... Acabaram saindo várias versões do meu comentário, porque aparecia uma mensagem de erro (comentário muito longo, algo assim). Por favor, Lola, apague esse amontoado de letrinhas, deixe só um (pode escolher... rs). Bjs!

Caillean disse...

sabe não sei se vc já ouvou falar mas existe uma peça chamada Cabaré da Raça, é do bando de teatro Olodum,aquele que faz Ó pAI ó.na peça eles mostram vários negros,cada um representa um papel do negro. é uma peça divertda mas muito crítica e tem uma das personagesn que é uma negra de classe média universitária ,que fala como essa mulher.
a peça é fantastica te faz pensar muita coisa.

Thiago disse...

Na minha turma da faculdade eram três negros em 70. No órgão onde trabalho, diria que a proporção não passa de 5%.
Viu como há negros que conseguem vencer na vida?

...

Na boa, tem gente que não entende o quanto é preconceituosa, e que odeia a carapuça. O padrão Casa Grande&Senzala está muito arraigado nas consciências, afinal é secular. Não que justifique, mas é de se entender.

Continue encrevendo. Quem já não entende não tem conserto.

Serge Renine disse...

Montricot:

Obrigado pela, outra, correção!

Você tem toda razão. Estou ficando velho, distraido e burro.

Mônica disse...

Olha que curioso. Quando li o título do seu email, pensei que a leitora estivesse falando de si mesma, falando que ela - leitora - era preconceituosa. Algo como "leitora diz: 'sou preconceituosa por não ver a realidade'".
E... não é que o título pode ter mesmo essa minha interpretação? No fundo é isso que ela diz.

Jéssica disse...

Os negros toda hora são chamados de vitimistas por lutarem por cotas e melhorias para eles. Não me surpreende que isso tenha feito a cabeça de alguém.

Maria disse...

mi querida lolita! eu adoro seus textos, adoro vc, sinto um enorme carinho... este deve ser meu primeiro comment. Ainda estou rolando de rir aqui com seu "desconheço quem seja michelly"... muitos ja devem ter dito quem é michelly (a esposa de alguem) hahaha... Queria lhe dizer que me preoucpei quando vc escreveu "recebi uma carta q me abalou" mas depois q li a tal carta eu lhe digo, nem pense em ficar pensando em sua cara leitora, pelamor, ela nao merece MESMO.

beijao

O FALCÃO MALTÊS disse...

Parceira, belo trabalho! Bravo!
Como parceiro do cinema, convido-o a navegar no blog O Falcão Maltês. Com ele, procuro o deleite cinematográfico.
Abraços,
Antonio Nahud Júnior

www.ofalcaomaltes.blogspot.com

celi vieira disse...

Oi Lola , sou negra ,apostura desta moça em nada nos ajuda, porem o processo é tão perverso que só lendo o Darcy Ribeiro para entender.

Sana disse...

Gente, isso é sério mesmo? Parece até piada que uma brasileira (branca ou negra) questione uma realidade racial tão evidente como a que há no país. E encarrar essa realidade não desmerece ninguém, muito pelo contrário! Se a leitora é uma exceção a essa triste regra, que bom! Mas não podemos nos esquecer da maioria. Até entendo que é duro para os que são dominados (eu, como mulher, me incluo nesse rol) assumirem que são discriminados, mas a tomada de consciência é o primeiro passo para a transformação social. Todavia, pela qualidade do texto da leitora (e dos seus erros grosseiros), acredito que possa se tratar de um caso de interpretação equivocada do que foi escrito...

Ma. disse...

e a Lola agora é jornalista só pq tem um (maravilhoso) blog?

e q preconceito com os jornalistas essa senhora tem...

e q leviandade dizer q a Lola não aceita críticas... mas, tá dito mto bem dito no final.

é triste ver pessoas q não têm senso crítico nem sabem interpretar texto...

Aline disse...

Interessante o comentário do censo, me lembrei da minha experiência. No caso, tenho ascendência indígena por parte paterna. Mas sempre foi meio complicado de assumir, pois fiquei no meio do caminho. Nem branca, nem negra, sem referência, sem identidade, pois os indigenas foram sumariamente exterminados ao longo da história do Brasil. E o preconceito é ainda maior, pois sempre mostra na televisão aquela tribo pobrinha, "atrasada", no meio do mato. Anyways... Quando fui responder ao censo, falei toda orgulhosa que era indígena, mas o cara disse que só poderia colocar indígena se eu soubesse qual a tribo. É quase a mesma coisa que querer que o negro saiba de qual tribo africana vieram seus ascendentes. Mas pardo tá de bom tamanho, né? Afinal, sou misturadinha mesmo... Mas eu estava pensando que essa dicotomia negros-brancos toma toda a conversa sobre racismo. E as outras minorias étnicas?

Guilherme Rambo disse...

A Michelle (do primeiro comentário) resumiu a situação, eu ia responder exatamente o mesmo.

Atilio disse...

Calma, pessoal. A moça do email atacou a Lola, mas acho que estava mirando outros discursos. Há uma lógica social bem presente em tudo o que ela disse. Vamos dizer que a moça está sendo pensada por um discurso pretensamente crítico, como o desse Prates. Sendo negra, ela se identifica com ele, o que mostra identificação com setores opressores da sociedade. Isso vai ser cada vez mais comum. O que temos que fazer é deslegitimar a opressão como um lugar legal pras pessoas se identificarem e se sentirem reconhecidas por sua trajetória de ascensão financeira. Mas isso não se faz de uma hora pra outra. Se a Dilma vencer a eleição, temos que levar em conta que existe uma luta simbólica e material que apenas começou, a luta contra os pensamentos e ações de direita que parecem constituir mais da metade do Brasil, principalmente setores ascendentes da classe média e média baixa. Dias atrás encontrei com o Marcos, um grande amigo, negro. Se formou em direito, via ProUni, conseguiu um baita emprego, vai votar no Serra. "Lá no escritório, todo mundo vota no Serra". E eu: "Mas e o ProUni, a possibilidade de mais gente fazer a tua trajetória?" Ele: "Nada a ver. Eu consegui pelo meu esforço". E aí? O sujeito apaga a própria história e se coloca no centro de tudo. A gente precisa é reescrever essas trajetórias que apagam a si mesmas e se reescrevem em fantasias individualistas.

Rafaela disse...

Caríssima Lola,
qualquer coisa que envolva raça no Brasil sempre dá pano pra manga. Eu só posso expressar compaixão e solidariedade pela confusão mental da moça. Fingir que Joaquim Barbosa é a regra só pode ser considerado sintoma de doença mental.
Me formei na UFMG, Medicina, turma de 2001. 164 formandos, 1 negro. Contemporâneos na faculdade, talvez 2 ou 3.
Na hora de responder as perguntas do Censo, tive muita dificuldade na hora da raça. Apesar da certidão de nascimento dizer "branca", certamente não é essa a minha cor. Não tinha "mistura brasileira legítima", com pedigree e tudo. Porque é exatamente essa a minha raça. Nas poucas gerações pra trás, tenho conhecimento de negros, pelo menos uma não indígena, italianos, portugueses e um bisavô inglês. Acabei respondendo pardo, apesar de achar que não é a classificação ideal, mas é a que melhor me representa.
Existe o termo "socialmente branco", que é muito interessante. Não importa a cor da sua pele, se você faz parte de uma camada mais rica da pirâmide. Isso é facilmente visto na prática. Ninguém mostraria o elevador de serviço hoje em dia para o Joaquim BArbosa. Nem pra mim, que sou médica em uma cidade relativamente pequena.
Oprah, Obama e todos os negros que ocupam posições elevadas sabem que são a excessão e não a regra. E fazem o que podem pra mudar essa realidade. Só sua leitora é que não vê. Vai ver que não gostou dos seus belos olhos, Lola. Que preconceito o dela.

disse...

Olá, Lola!

Bom sou NEGRA e tenho a muita sorte! Vou te explicar a minha fala, se acalme!rs... Tenho uma família muito consciente de sua cultura e das suas origens! Familia que nasceu qdo um portugues, medico, e uma negra, ventre-livre, decidiram largar tudo o que tinha e se casar oficialmente antes da abolição. Sim, sei que parece novela, mas, não foi pagaram o preço com a morte de 3 filhos, abandono e descaso da sociedade tanto branca quanto negra como retalhação... mas viveram a sua escolha. Esta é a história do meus Tataravós. E é por isso que digo ter sorte. Hoje no Brasil temos 2.5% de crianças fora da escola, entenda Ensino fundamental (infelizmente só sabemos dele, porque só ele é obrigatório e assegurado pela Lei). Estes 2.5% equivalem a 680 mil crianças fora da Escola e deste número, conseguimos a marca número 1 do racismo, são 450 mil NEGRAS ou PARDAS.E as cotas foram tiradas... Esta moça quer falar de sucesso?De negros que se deram bem? Da família Obama? Que comparação ridicula! Alguem tem que explicar para ela que não se trata de INDIVIDUALIDADE e sim de TRAGETÓRIA HISTÓRICA DE UMA RAÇA! Precisamos sim melhorar, precisamos aumentar a escolaridade, ensinar o que REALMENTE ACONTECEU e ACONTECE! É por essas e outras que fica dificil falar para o povo a VERDADE HISTÓRIA TÃO ESCONDIDA...

Sinto tristeza sei que, infelizmente, mesmo mostrando a VERDADE do que acontece esta MOÇA não dificilmente vai mudar de opinião

Pedro Monção disse...

Gente! Essa senhora que criticou a Lola acha que pode mudar as coisas na base da hipocrisia? Acho uma pena ela achar que a comunidade negra que ela diz representar vai crescer com alienação.
Acho que o que faz as pessoas crescerem é baterem de frente com a realidade e não viver num mundo fantasioso...

Pentacúspide disse...

Serei aqui o único a compreender a mulher.

Alguém se lembra de uma música de Beto chamada: EU QUERIA UM FERRARI AMARELO"? Pois, era uma sátira à música de Gabriel o Pensador: "EU QUERIA MORAR NUMA FAVELA. O que o Gabriel retrata não deixa de ser uma realidade, entretanto, é difícil compreender que uma barriga-cheia fale de fome, quando nunca o experimentou. E a fome, meus caros, não é aquele que temos quando atrasa a hora do almoço, mas sabemos que tem comida à espera, mas aquele que vem e sabemos que não há nada, nem hoje, nem amanhã, para o saciar.

Pensem neste sentido e talvez compreendam o que a mulher quis dizer. Não digo que ela esteja certa nas suas acusações, mas compreendo que ela acuse.

Quanto a questão de bonecas e tão simples quanto isso: condicionamento.
As meninas preferem bonecas brancas, não só no vídeo quanto na minha terra, porque a publicidade mostra bonecas brancas, porque a imagem do bom (tal e qual à da gorda sobre a magra) é branca, é por isso. Experimentassem dar uma boneca de capitão gancho (não consigo lembrar de mais nada) branca a uma boneca de Thandie Newton, e veriam o que seria escolhido. Além de mais, o vídeo é para ilustrar um ponto, e foi editado, é como nos apanhados, só se mostra o que interessa ao show.
Agora pensar que estas crianças continuarão com as mesmas ideias quando forem crescidas é forçar a barra.

Vivien Morgato : disse...

Lola, vc é uma santa. Paciência com gente burra é um gesto nobre...caraca;.;;;

Vania disse...

Além das boas intenções de todo texto, os seus tem diversas outras qualidades, são esclarecedores, bem fundamentados, inteligentes e corajosos. Imagino como é difícil receber criticas de quem se esperava apoio. Porém, alguns comentários acima também me entristeceram um pouco. Sabe aquela velha história de que os negros tem mais preconceito contra negros do que os brancos e blá, blá, blá. Já li os vários comentários esclarecedores acima sobre essa questão, mas eu também quero falar um pouco sobre isso. Quero dizer, em primeiro lugar, que preconceito não é privilégio de branco: os negros tem sim preconceito, ou melhor, pode ser que tenham ou não; em segundo lugar, os negros são, como você disse, injustamente, os mais pobres nesse país e é preciso reconhecer para mudar. Mas quero acrescentar que assim como a leitora indignada com o seu texto eu também cresci ouvindo e aprendendo que não existe racismo, que nós negros não somos discriminados por nossa cor, que os xingamentos que eu recebia não eram demonstrações de racismo e que era eu quem tinha que me valorizar porque os negros tem mais preconceito contra negros do que os brancos. Já acreditei nisso algumas vezes. Já acreditei, por exemplo, que a culpa do preconceito recebido era minha. Hoje, tenho uma visão mais clara sobre essa questão, fiz alguns cursos, li estudos importantes, ouvi os principais conhecedores do assunto (os negros pobres desse país, como eu). Negar o racismo é uma alternativa muito triste, mas assistir o vídeo das crianças sugerido acima é uma forma de tentar compreender esta atitude antes de atirar pedras.

Letícia disse...

Lolla, posso dar uma sugestão pro blog?
Tem com você colocar uma barra de pesquisas?
Há vários textos que eu gostaria de reler (e até passar para @s amig@s) e por serem antigos, fica díficil de encontrar. O sistema de tag ajuda muito, mas acho que um barra de pesquisa seria muito bom também!

Beijos
Leticia

Sammy disse...

Acho que infelizmente algumas pessoas "tapam o olhos" para a realidade, como vc mesma disse em seu texto.

Um exemplo:

Sou branca e cresci em um bairro da periferia. A maioria dos meus vizinhos eram negros ou bem morenos, miscigenados.

Cresci, fui embora do bairro e hoje vivo em um bairro mais tradicional, longe da periferia. Meus vizinhos são de origem espanhola (portanto, brancos) ou japoneses.

A diferença é visível! Sua leitora precisa entrar em uma favela para verificar isso. Os negros são pobres sim, em sua maioria. Sua leitora está realmente fora das estatísticas e ela deveria saber disso.