domingo, 30 de maio de 2010

DENNIS HOPPER, (OUTRO) REBELDE SEM CAUSA

Ontem morreu Dennis Hopper, aos 74 anos, de câncer de próstata. Como pessoa ele não valia grande coisa, de acordo com a maior parte dos relatos. Seu parceiro em Sem Destino, Peter Fonda, o chamava de fascista excêntrico. Peter Biskind, no excelente livro Easy Riders, Raging Bulls: Como a Geração Sexo-Drogas-e-Rock'n'Roll Salvou Hollywood, o descreve como louco varrido, um maníaco perigoso. Onze anos atrás, escrevi sobre Hopper na minha resenha do livro de Biskind. A descrição de Hollywood como paraíso de cocaína é esquisita, eu sei, já que, pelo que li, Evo Morales não era presidente da Bolívia na década de 70. O quê?! A julgar por Serra e pelo resto da direita brasileira, o tráfico de coca vem todo da Bolívia e começou com Evo.

No final dos anos 70, a cocaína realmente tinha tomado conta de Hollywood. A droga era tão freqüente que o pessoal andava com um colar de ouro feito de minúsculas colheres, próprias para o consumo. Parece que os garçons recebiam uma carreira de cocaína como gorjeta. Paul Schrader, para citar um caso, estava cheirando 28 gramas por semana, o que lhe custava US$ 12 mil por mês. Dennis Hopper, que hoje em dia é conhecido como o vilão de várias produções, de Veludo Azul a Velocidade Máxima, havia se consagrado em 1969 ao dirigir Sem Destino (Easy Rider). Uma década depois, ele estava na pior. Entrava e saía de programas de reabilitação, e nada funcionava. Ele então decidiu que era essencialmente um alcoólatra, e parou de beber, mas continuou usando drogas. Ele ia às reuniões do AA com cocaína no bolso. Às vezes ficava tão confuso que chegava nos bate-papos dos Narcóticos Anônimos, olhava em volta e anunciava: "Sou um alcoólatra".

Hopper quase morreu de overdose uma dúzia de vezes nessa década. Adorava armas de fogo. Batia nas mulheres. Teve cinco casamentos. Um deles, com Michelle Phillips, do Mamas and the Papas, durou pouco mais de uma semana. Michelle disse que correu risco de vida durante essa infinidade de tempo (escrevi um pouco sobre isso aqui).
Apesar da vida conturbada, do temperamento impossível, e de escolher péssimos papéis apenas pelo dinheiro, Hopper foi um ótimo ator. E também um diretor respeitável (Sem Destino, embora datado, vale como registro de época, e Cores da Violência, hoje esquecido, é muito bom). Lembro vagamente dele em Assim Caminha a Humanidade (como não ser ofuscado por um James Dean no seu auge?) e em Momentos Decisivos, pelo qual foi indicado a um Oscar. E mais como o pai de – quem mais? – Mickey Rourke no lindo O Selvagem da Motocicleta. Sei que ele estava drogado até a medula em Apocalypse Now, mas considero a sua atuação uma das mais marcantes daquele fime cheio de personagens (e atores, e diretor) doidões. E lógico que qualquer um que viu Veludo Azul não o esquece. Hopper era the stuff nightmares are made of. Um astro importante.

8 comentários:

Sylvio de Alencar. disse...

Tive o prazer de aqui aportar.
Noticias assim parece gossip, mas, são personagens que conheço, e está bem escrita, desenvolvida.

Escreva Lola, escreva! assim teremos mais oportunidades, e prazer, de tê-la conosco!

Abrçs!

Tina Lopes disse...

Fiz uma singela homenagem a ele lá no bloguitcho também. ;) Bjk!

Pandz. disse...

Pela sua descrição ele não era grande ator coisa nenhuma !


ele apenas interpretava ele mesmo nos papéis.


mas não deixou de ser memoravél.

=~

João disse...

Parabéns pelo texto, Lola!

Mariana. disse...

Ele foi um excelente ator.

Mas como pessoa, pelo que você descreveu, 'deixou a desejar' (pra não dizermos coisa pior).

Mas, Lola, longe de mim querer falar mal dos seus textos, mas já reparou nisso: polanski estupra mas é legal, mas 'tudo bem'. Agora basta você não se identificar politicamente com a pessoa pra descer a lenha no cara por ter batido em mulher etc. (não que ele não mereça, mas ambos merecem).

lola aronovich disse...

Mariana: hã? Em que post meu tá escrito que Polanski é um carinha legal? Pelo que me lembre, acho que o chamei de crápula. Não tenho nenhum apreço por ele como pessoa, só como diretor.
E quem disse que me identifico politicamente com Polanski, ou que não me identifico politicamente com Dennis Hopper? Nem sei que apito eles tocam/tocavam nesse sentido. Não me recordo de ter lido uma única declaração política vinda nem de um, nem de outro. Não sei se são de esquerda, de direita, centro, alienados...
Polanski, quando morrer, vai receber o mesmo obituário de Hopper: grande cineasta (incomparevelmente maior que Hopper, aliás), péssima pessoa. Esta inclusive é a opinião geral sobre os dois.

olhodopombo disse...

eu ate queria saber quem nos anos 70 não cometeu seus excessos com drogas,,,, seja marijuana , cocaina, anfetaminas, heroinas e alcool...
se aparecer alguem daquele tempo que disse que não usou qualquer uma destas ou esta mentindo ou apenas NÃO existiu nos anos 70.....

Jack Duraes disse...

eh mariana.
ai lola ai
!