quarta-feira, 30 de setembro de 2009

ESCÂNDALOS E FOFOCAS: UM ASSUNTO LEVA A OUTRO

Pai e filha: John e Mackenzie Phillips muitos anos atrás.

Posso contar fofoquinhas nada-a-ver que fiquei sabendo anteontem? Começou assim: minha mãe veio à minha casa discutir o post sobre o Polanski e, lá pelas tantas, disse que o assunto do momento mesmo é o depoimento da filha do cara do Mamas and the Papas. E eu nem sabia do que ela tava falando. Mamas and the Papas, tudo bem, conheço, gosto do grupo dos anos 60, tenho até um cd com os greatest hits deles (Monday Monday, que de fato tem que ser uma das letras mais burinhas já feitas, e California Dreamin'), mas que negócio é esse da filha? Então, se você esboiando como eu, lá vai: John Phillips, o “Papa John”, morreu em 2001, aos 65 anos (do coração, mas anos antes ele havia feito transplante de fígado e continuado a beber). Sua filha Mackenzie, que é ou já foi atriz de TV, apareceu na Oprah e em outros programas na semana passada pra divulgar o lançamento de sua autobiografia. O livro já é o terceiro mais vendido por causa de umas declarações surpreendentes e não muito amistosas sobre seu pai. Mackenzie conta que ele lhe deu heroína quando ela tinha 17 anos. Aos 19, na véspera do seu casamento, os dois, pai e filha, estavam pra lá de drogados, e ela acordou com ele transando com ela (ou seja, estupro). Os dois mantiveram um relacionamento incestuoso pelos dez anos seguintes, até que ela engravidou e fez um aborto, pago por John. Que horror! Muitos a criticam por ela só estar falando disso agora que o pai está morto e não pode se defender. Mas será que, se ela tivesse contado isso oito ou nove anos atrás, ele confirmaria? Duvido.
Enfim, não tenho muito o que dizer sobre esse assunto, apenas que é terrível, e que espero que Mackenzie consiga colocar seus fantasmas pra fora e se recuperar. De preferência através de terapia, não de programas de TV. Mas aí eu fui ler um artiguinho na Vanity Fair online (em inglês) e acabei indo parar em outro muito, muito mais interessante, escrito há dois anos, sobre a Michelle Phillips.
Michelle foi uma das integrantes do Mamas and the Papas e, como seu sobrenome indica, foi casada com John. Ela era e continua sendo linda, a típica “Californian girl”. E, na época do grupo, anos 60, era também uma típica hippie e “flower child”, cria da Revolução Sexual. Ela e John tomavam um monte de drogas juntos. Casaram-se. Ela teve aulas de canto pra aprender a cantar. E eles criaram o grupo.
A integrante mais popular do grupo era Mama Cass Elliot. Sabe que eu nunca nem tinha reparado ao ver as capas dos álbuns? Ela era obesa. Era também dona de um QI altíssimo, espirituosa, o centro das atenções em todo lugar que ia. E, claro, cantava muito. O Mamas durou apenas três anos, e depois ela seguiu carreira solo, fazendo grande sucesso, até morrer, durante uma turnê exaustiva, num quarto de hotel em Londres em 74. Ela tinha só 32 anos. O boato sobre sua morte é que Cass engasgou com um sanduíche de presunto. Isso se espalhou porque encontraram meio sanduíche no seu quarto de hotel. Mas a autópsia revelou que ela não tinha nada em sua traqueia, e que Cass morreu mesmo de um ataque cardíaco enquanto dormia. Eu sei que vai contra todas as leis da física ler os comentários no YouTube, porque eles são o cúmulo da ignorância, mas não resisti. Vi pelo menos duas pérolas referentes à morte de Mama Cass. Uma dizia: “Pô, mas também, o que ela tava fazendo comendo e bebendo na cama?!”. A outra é ainda melhor: “É chato dizer isso, mas pessoas gordas são muito preguiçosas. Elas passam muito tempo na cama”. Pois é, Mama, por ser gorda, tinha mais é que dormir no chão! E nada de comida, né? (Sei não, mas o fato de sobrar meio sanduíche já não mostra que ela não era uma glutona incontrolável?).
Enfim, voltando a Michelle Phillips. Como eu disse, ela se casou com John, um tipinho hiper ciumento... e foi logo traçando todos os melhores amigos dele! Ela teve um caso até com Denny, o outro Papa. Quando John descobriu, ficou furioso e gritou: “Você pode transar com o carteiro! Você pode transar com o encanador! Mas não pode transar com o meu tenor!”. Ele e ela se separaram, e, por incrível que pareça, John fez uma música com Denny sobre o assunto, “I saw her again”. Mas o grupo continuou, cada um com seus casinhos. Michelle passou a namorar um dos membros do The Byrds. Só que, durante um dos shows do Mamas, ela e Mama Cass ficaram o tempo todo cantando apenas na direção dele. Isso foi demais pro ego de John, que expulsou Michelle do grupo. Revoltada, ela gritou: “Ainda vou enterrar cada um de vocês!” (e ela cumpriu sua profecia: Denny morreu em 2007. Agora só sobrou ela). Pouco depois ela voltou pra John, voltou pro grupo, tiveram uma filha, e se separaram em seguida. O grupo acabou.
A vida de Michelle é fascinante justamente porque ela teve casos com montes de astros. Ela aparece direto no excelente livro do Peter Biskind, Easy Riders, Raging Bulls. Depois de sair do grupo, Michelle tentou fazer a transição pro cinema. Envolveu-se logo com Jack Nicholson. Ficaram juntos quase um ano, até que ele recebeu um telefonema que mudou sua vida: descobriu que uma de suas irmãs na realidade era sua mãe. E que quem ele pensava que era sua mãe era na verdade sua avó. Michelle conta que, depois disso, Jack passou a não confiar mais nas mulheres.
Antes disso, Michelle foi fazer um filme no Peru, dirigido pelo Dennis Hopper. Dennis, que hoje em dia anda sumido, é aquela figura maligna de Veludo Azul. Nos anos 60, ele estava no auge por Easy Rider – Sem Destino. E, numa época em que as pessoas andavam muito loucas, ele conseguia ser o mais maluco de todos. O lado salvador de Michelle falou mais alto e ela se apaixonou perdidamente por ele. Casaram-se. Ela se recusa a falar muito sobre o período, apenas que sua vida correu perigo durante aquele tempo. Ahn, “aquele tempo” foi... oito dias! Foi quanto durou o casamento. Em outras entrevistas, ela diz que foram os oito dias mais felizes da sua vida.
Aí Michelle pediu para que o roteirista Robert Towne lhe desse uma pontinha em Shampoo. Ele aceitou. Michelle estava lá no set e, sem segundas intenções, foi ao trailer do ator principal só pra dizer oi. Ninguém mais fala de Shampoo hoje em dia, um filme definitivamente datado, mas o astro do filme era ninguém mais, ninguém menos que Warren Beatty. Que foi provavalmente o maior garanhão da história de Hollywood. Warren ainda estava com Julie Christie, mas logo logo ele e Michelle passaram a viver juntos. O problema é que ela queria ter um segundo filho e ele não queria compromisso de jeito nenhum. Hoje, Warren está casado com Annette Bening (desde 92), tem quatro filhos, e parecem estar muito bem. Michelle diz que tem grande admiração por Annette, e que reza por ela todo dia.
Há várias outras fofoquinhas, mas essas são as que achei mais legais. E, voltando ao que gerou tudo isso (o livro da filha de John Phillips), tanto Michelle quanto a esposa seguinte de Papa John, uma atriz chamada Genevieve Waite, dizem não acreditar na versão de Mackenzie e tentam preservar a memória do cara a todo custo (o que não deve ser fácil, porque John foi tão selvagem com as drogas que até o Rolling Stone Keith Richards teve de expulsá-lo de sua casa uma vez). Mas pra vocês verem como esse mundo é minúsculo: Genevieve, que foi casada com John entre 72 e 85, fez poucos filmes na sua carreira de atriz. Sua obra mais conhecido deve ser Joanna. Quando vi o título, não acreditei e fui conferir. Sabem quem dirigiu Joanna? Michael Sarne, que foi amante da minha mãe e amigão do Polanski. Esse troço dos “seis graus de separação” funciona mesmo!

32 comentários:

Lord_Anderson disse...

Lola viu que ta rolando uma campanha internacional pela liberdade do Polaski????

Um nono Tyson Free.

E o pior é oq as pessoas dizem nos comentarios.

Que ele é talentoso, um genio (como se isso o libera-se p/ cometer crimes) e é claro, jogando a culpa na menina pq ela "sabia" muito bem oq tava fazendo.

Pessoalmente, acho isso nojento.

Masegui disse...

Um post muito legal, como sempre. Mas eu pensei que hoje seria algo dedicado ao aniversariante do dia!

Tina Lopes disse...

Delícia de post! Lola, uma informação que não achei no post do Polanski - quem afinal fez a acusação contra ele, quem foi à Justiça? Bjk.

Fabiana disse...

Ah, eu adoro o Mamas e The Papas!!! E essas histórias são deliciosas (porque eu não estou envolvida).

Rosa Lopes disse...

Estou tonta com tanta informação...

Barbara disse...

Lembro quando li sobre o livro da filha do cara do mamas and the Papas, e soh consegui pensar: "too much information." Ela que va fazer analise, eh muito util que o mundo saiba que essas coisas existem e acontecem, mas poupe-me dos detalhes sordidos, ne?

O pior eh pensar que tem gente que comrpa um livro desses e LE.

L. M. de Souza disse...

eita povo loco.

Anônimo disse...

Lola peraeh... la Mamacita no meio da suruba?
Não entendi direito né?
Eeheheheheh Bj da Fatima/Laguna

Giovanni Gouveia disse...

Amo "The mamas and the papas", aliás acho que amo mesmo a música sessentista.
Mas Papa John nunca foi muito convencional mesmo mesmo, aliás ninguém que passou a juventude na década de 60, especialmente na Califórnia, pode ser considerada convencional.

Lu Ribeiro disse...

Lola, nesse ritmo logo, logo, vc estará na biografia de alguém...rs... qm sabe tenha alguma referência a sua madrecita em memórias mais felizes desse povo famoso? bjão

Bárbara Reis disse...

Como assim 'amante da sua mãe' ? Ô_o


:***

Andréia Freire disse...

Minhanossa, queloucura. Que pessoal doido!

"Porque John foi tão selvagem com as drogas que até o Rolling Stone Keith Richards teve de expulsá-lo de sua casa uma vez."

Hahahahaha. Esse post está com tiradas ótimas! Lola, você devia ser comediante. ;D

"Você pode transar com o carteiro! Você pode transar com o encanador! Mas não pode transar com o meu tenor!".

O tenor não pode! Será que ele tinha um caso com ele? Tudo é possível.

"Michelle conta que, depois disso, Jack passou a não confiar mais nas mulheres."

Que bizarra essa história da mãe que é avó e da irmã que é mãe. Eu sempre achei que o Jack Nicholson tinha cara de maluco (alguém compartilha isso?). Ele deve ter ficado com um parafuso a menos desde esse dia.

Andréia Freire disse...

Para a loucura e para a imaginação humana, o céu é o limite.

Alba Almeida disse...

Oi, Lola.
A geração de hoje, é mais camuflada que as anteriores???
Os fatos de hoje parecem mais chocantes,... antes era natural?
Agora, as informações foram deliciosas, tinha lido algumas coisas e ficado meio soltas.
Valeu!!!
Beijos

Cris disse...

De toda essa informação, só o que tenho a dizer é que Mamacita é fera!

cronicasurbanas disse...

Lola,
esse pessoal era mesmo muito louco, mesmo para os padrões dos anos 60, hehehe...

Até onde eu sei, a Mackenzie não é filha da Michelle Philips, mas sim da primeira esposa do John, Susan Adams; daí a Michelle sair em defesa do ex-marido fazer um pouco mais de sentido. A filha dela com o John é a Chynna Philips, também cantora (e que parece um bocado com a mãe, pra sorte dela), e que fez parte do trio Wilson Philips, com duas filhas do Brian Wilson (dos Beach Boys). Se você nunca as ouviu, vale a pena, a harmonia é excelente (vai ver é algo genético, porque tanto os Ms&Ps como os Beach Boys arrebentavam nesse quesito).

Muito do que a Mackenzie diz no livro deve ser verdade mesmo, mas sem dúvida é bem mais fácil falar tudo quando o pai já não está aí pra dar sua versão.

Quanto a Cass, as versões eram mesmo estapafúrdias: em algum momento dos anos 70 aaiu até que ela tinha morrido engasgada com espinha de peixe...

abr.
Mônica

lola aronovich disse...

Oi gente, não posso falar muito da minha mãe. Só por escrever aquela crônica sobre o Michael e o Polanski na minha casa, sobre Myra Breckenridge, minha mãe disse que eu estava invadindo sua privacidade e quis minha caveira. Mas eram outros tempos, anos 70, época do amor livre e tal. Minha mãe teve um caso com o Michael, meu pai teve um caso com outra mulher. Todos fumaram maconha juntos. Minha mãe experimentou LSD, e nada disso era muito incomum na época e no ambiente que eles viviam. Por isso que eu acho estranho falar do Polanski sem contextualizar a época. Não estou justificando um cara adulto transar com uma menina de 13 anos, apenas lembrando que isso era mais comum e aceitável nos anos 70 do que hoje. Hoje saiu no jornal uma polêmica porque um museu quer leiloar uma foto da Brooke Shields nua de quando ela tinha 10 anos. Quer dizer, a Brooke Shields posou nua direto nos anos 70. Um filme como Menina Bonita jamais seria feito hoje em dia. Imagina uma menina de 15 anos como a Natassja Kinski desfilando como namorada de caras de 40. Não aconteceria hoje! Tem muita gente falando do caso do Polanski como se houvesse acontecido semana passada. Não 32 anos atrás.

lola aronovich disse...

Putz, Monica, eu não quis dar a entender que a Mackenzie é filha da Michelle Phillips. Acho que ficou confuso na minha crônica! Quando a Michelle conheceu o John, ele era casado e tinha dois filhos, um deles a Mackenzie. Nem a Michelle nem a Genevieve é mãe da Mackenzie, e ambas defendem o John. Mas as irmãs (meia-irmãs) dizem que a Mackenzie já tinha comentado isso do incesto algumas vezes com ela. E que o outro membro do Mamas and the Papas sabia.
Eu sempre me espanto com esse tipo de morte: morrer engasgada com comida! Um dos gênios do xadrez, Aleckine, morreu comendo frango. Isso me parece tão terrível porque pode acontecer com qualquer um (todo mundo come), e ainda mais comigo, que vivo engasgando com a comida. Eu hein?

Masegui disse...

Lolinha,

Essa história de que Alekhine morreu engasgado é furada. Ele foi assassinado e a polícia portuguêsa botou "panos quentes". Já li a respeito, não lembro onde.

Cumé, hoje é ou não é aniversário do CM? Se for, dê um abraço nele por mim. Se não for, dê assim mesmo!

Denise Volpato disse...

...choquei...que gente moderna, my god...

La Mamacita disse...

Pelo visto, a Lola ta querendo desesperadamente ser deserdada de vez. A minha vida pessoal não deveria ser pra andar em blogs ou colunas de fofocas. E muito menos com afirmações levianas como a que me mostra com usuária de LSD. Toda vez que tomei LSD, psilocibina, mescalina ou outras drogas foi em clínica médica e em situação de análise psicoterapêutico, baixo os cuidados dos Dres. David Cooper ou Alberto Fontana em Buenos Aires. Na época eu era marxista- existencialista e a antipsiquiatria era um dos caminhos para resolver os problemas pessoais e do mundo para mim e muita gente da minha geração.
So sorry, não consegui transmitir a minha filha Lola um conceito como loyalty, comum entre meus pares, na época e ainda hoje. La Mamacita.

Carla Mazaro disse...

Ah, Mamacita, sei que é invasão de privacidade, mas é muito bom conhecer histórias de VERDADE dessa época, pq td q a gente vê sobre isso é maniqueista... ou era MTO bom e todo mundo era SUUUUPPERRR liberal ou é mto ruim e sujo e etc...
Co histórias de verdade eu consigo analisar melhor se eu nasci ou não na época errada...

Anônimo disse...

legal seu blog, add me no seu msn sexxxman@lover-boy.com
kisses

Denise disse...

uia...o babado tá ficando fuerte!!! haahah beijos p ti e mamacita

Lord_Anderson disse...

Desculpe Lola, gosto do seu blog, gosto do que vc escreve, mas o fato do que aconteceu com o POlaski ter acontecido 30 anos atras não muda nada.

Até pq ele não ta sendo condenado por namorar uma menina de 13 anos, mas sim por violenta-la. E eu não acho que estupro deva se tornar algo aceitavel só pq aconteceu em outra epoca.

Giovanni Gouveia disse...

Mamacita, sem querer invadir sua intimidade, mas juro que quando comecei a ler que tinha sido uso terapêutico eu esperei ler Timothy Francis Leary após da sigla Dr

Giovanni Gouveia disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Giovanni Gouveia disse...

Em tempo, nada contra quem usa ou quem deixa de usar qualquer tipo de aditivos (seja por uso terapêutico, recreativo ou espiritual)

Giovanni Gouveia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Teresa Silva disse...

Nooossa, que vida loca!
Ah, eu também adoro fofocas de atores! Que bom saber que você também gosta.
Meus pitacos:
1) Cada um tem suas preferências ao exorcizar fantasmas. Tem quem prefira vender biografias e ir na Oprah a fazer terapia no sigilo de um consultório;
2) Sabia dessa história do Jack Nicholson, que a sua irmã era mãe e a mãe avó. Só não sabia que não parava com mulher alguma por conta disso;
3) O Dennis Hopper recentemente estava fazendo uma série de TV (não sei o nome nem se continuou), sobre o Pentágono, onde interpretava um general. Assim como o vilão de Velocidade máxima, vai ver aceitou pra pagar o aluguel;
4) Achei inusitado isso do Warren Beatty ser mulherengo a vida toda e depois dos 50 "sossegou" em um casamento estável. E ele fez uma versão de An affair to remember com a Annette Bening.

Tina Lopes disse...

Mamacita, love you.

L. Archilla disse...

Mamacita é minha ídala!