sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

UM LUNÁTICO INSISTENTE

Creio que só mencionei esta praga três vezes em 2014. E, como pouca gente vai ler este post mesmo, dou-me ao luxo de voltar a falar do mascuchris. 
Criação intelectual do Chris
Esse rapaz de 34 ou 35 anos (ou seja, nenhum guri) é um dos mais insistentes e absurdos mascus que já tive o desprazer de "conhecer". Apesar de ser empregado como técnico administrativo na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, campus Anastácio, ele parece ter muito tempo de sobra. Há um ano e meio, Christoffer Yuri Barbosa Greffe Rodrigues foi meio que convidado a deixar uma pós-graduação a distância em Gênero e Raça que fazia através da Universidade Federal do MS. 
Ele atazanou tanto as alunas e professoras do curso que causou grande evasão. Para se vingar do desligamento, decidiu adotar como sua missão na Terra acabar com o feminismo. Não só no Brasil e no mundo como também no universo inteiro. Começou criando um abaixo-assinado para criminalizar o feminismo no Brasil (da última vez que vi, havia alcançado doze assinaturas). 
Chris também criou vários blogs, em que acusa o feminismo de... bom, de praticamente tudo. 
Mas foi só depois de descobrir o meu blog (mais pro final de 2013) que ele encontrou sua musa inspiradora. Tudo que aparece escrito no meu blog -- seja em guest posts ou em comentários --, tudo que eu publico no meu Twitter (mesmo quando uso aspas), ele atribui a mim.

E dá-lhe post sobre a "Feminista Lola" e sobre como eu sou responsável por mulheres que matam crianças e maridos ou (pior ainda!) cortam o pênis de seus parceiros em todo o mundo. Todas as mulheres que já cometeram um ato horrível em qualquer lugar do planeta e em qualquer período da história eram feministas, liam meu blog, e foram influenciadas pela minha misandria.
No mínimo um terço de todos os seus posts (e são muitos) são sobre mim. Chutando baixo, devem ser uns 500 me caluniando e difamando, sem a menor vergonha de mentir na cara dura. 
Da série Só Porque Ganho Salário de Prof Univ Não Posso Falar de Racismo

É uma obsessão, eu sei. Ele também faz vídeos em que sempre me cita, e geralmente chora ao me citar. 
Faz poucos dias, enquanto eu viajava e o blog estava sem moderação, Chris deixou dezenas de comentários. Se ele morasse no mesmo estado que eu, eu ficaria preocupada e pediria uma ordem restritiva. Como ele mora longe, minha frustração é que sou preguiçosa demais para processá-lo. Mas nada me impede de contar como esta criatura é ridícula. 
Chris é tão baixo nível e inescrupuloso que no começo de julho escreveu um post dizendo que a única explicação pra eu ser tão "obcecada por estupro" é que eu fui estuprada pelo meu amado pai quando era criança.

Aquilo me deixou indignada, e na época tuitei o print de uma parte do post, e a pergunta se eu deveria processar o sujeito. Muita gente respondeu: "Sim, por favor". 

Também tuitei pros meus seguidores se eu deveria enviar um pequeno relatório pro emprego dele sobre suas atividades criminosas (porque calúnia e difamação são crimes). Na mesma noite, recebi este email do sujeito (tudo sic):
"Oi Lola, eu estou escrevendo para você para pedir desculpas sobre o que eu escrevi sobre o seu pai. Aquilo lá foi golpe baixo mesmo de minha parte, eu não tinha o direito de questionar a moralidade de um homem correto como o seu pai. Eu queria magoar você e nem percebi que eu acabei me rebaixando ao mesmo método feminista de manchar reputações. Eu violei a minha própria regra de nunca inventar estórias falsas e tentei te provocar, dando um golpe baixo. 
Mascuchris corta o texto para
parecer que promovo a foto
"De fato, foi golpe baixo da minha parte escrever aquelas coisas do seu pai, sinto muito por aquilo Lola. Não quero mais brigar com você. Eu sei que eu estou certo e que o feminismo é errado; mas eu não quero mais brigar com você, porque não é essa a minha natureza. Se eu não consegui convencer você até agora de que o feminismo é errado, então você não será convencida disso nunca mesmo. Vou fazer uma reestruturação no meu site e vou retirar do ar todas as postagens referentes a você e me comprometo a nunca mais escrever nada sobre você Lola".

Poucas horas depois, de madrugada, ele me enviou um outro email, com o título "Desisto. Você venceu, Lola":
"Sabe de uma coisa Lola? A minha vida está melhorando pela primeira vez em tantos anos e eu acho que não vale a pena me desgastar com essa briga contra o feminismo. Nunca foi a minha intenção brigar com as feministas, eu só queria dar uma lição naquelas minhas professoras da Pós em Gênero e Raça e provar para elas que a Marcha das Vadias era um grande erro estratégico para o feminismo. Tudo o que aconteceu no ultimo ano foi por causa disso. Eu queria provar para elas que a Marcha das Vadias era um erro e foi por isso e só por isso que eu fiz o site criticando o feminismo. Enfim, aquilo foi tomando uma proporção cada vez maior, como a bola de neve descendo a encosta. 
Recriação de Chris para
 a vagina dentada 
"Eu só descobri o seu site no ano passado, ao pesquisar sobre o feminismo. E eu nem queria fazer a Pós em Gênero. Eu só entrei nela porque era de graça. Confesso para você que já faz alguns meses que eu estava buscando um pretexto para acabar logo com tudo isso, porque sinceramente, isso tudo já estava me enchendo o saco. Já exclui os dois sites, eles não estão mais no ar e não quero mais saber dessa história de feminismo, masculinismo ou questões de Gênero. Por que? Bem, se você está disposta a perseguir a minha pessoa, no meu trabalho e me prejudicar pessoalmente, então obviamente, você está muito mais comprometida com isso do que eu, porque eu jamais tentaria te prejudicar no seu serviço. Esse é o meu limite, sabe, eu não estou disposto a prejudicar pessoa alguma, nem você. Faça bom proveito do seu monopólio total no Mercado das ideologias de gênero. Divirta-se jogando esse Xadrez com aqueles pombos misóginos da Real. 
Exemplo de montagem feita pelo
adversário a minha altura
"Eventualmente, você vai sentir falta de jogar Xadrez com um adversário à sua altura. Bom, pelo menos eu vou sentir falta de brigar com você Lola. Você foi uma adversária formidável Lola. Sabe Lola, você me proporcionou um ano bem divertido. Mas ultimamente, já estava perdendo a graça. Você nunca cedeu nenhum milimetro, nunca me deu razão em nada; mesmo quando eu estava obviamente certo. Bem, assim como o pombo enxadrista, você me derrotou Lola. Eu DESISTO de continuar jogando com você."

Mascuchris usa imagem falsa de
cartaz que nunca existiu (5/12/14)
Eu não respondi. Nunca troquei meia palavra com ele, apesar de Chris travar diálogos imaginários intermináveis comigo. Nunca escrevi ou liguei pro seu trabalho. E, obviamente, ele nunca teve razão em nenhuma vírgula das barbaridades que escreveu. Após mandar esses emails, ele de fato deletou um dos blogs dele. Durou dois dias, se tanto. Daí ele voltou (porque ele vai fazer O QUE da vida?). Deletou vários posts difamatórios sobre mim, e pouco depois voltou a escrever sobre a minha pessoa, meu marido, meu pai.
Em 13 de julho, ele me mandou este email, com o título "Mascu Chris oferece o cachimbo da paz a você":
"Olá Lola, eu sou o Christoffer, o criador do site [não coloco no meu blog links para sites de ódio]. Tendo em vista que você se sentiu visivelmente ofendida com as minhas postagens referentes a você, e eu não quero prejudicar pessoalmente ninguém, nem você, eu retirei do ar do meu site todas as postagens que continham o seu nome ou que se referissem, mesmo que remotamente, a você. Agora, os meus sites são 100% livres da expressão: Feminista Lola. Também retirei do ar todas as postagens associadas a você e aos judeus. O meu objetivo com aquelas postagens era fazer você admitir que aquela campanha da Marcha das Vadias, que tenta ensinar os homens a 'não estuprar' não funcionaria jamais.  
Mascuchris depois de desistir de
tentar me melhorar
"Enfim, você não se corrigiu e aquilo lá poderia acabar sendo usado por alguém mal intencionado, então o melhor era parar com aquilo mesmo. Eu queria ensinar uma lição a você e não propagar antissemitismo, mas agora eu vejo que você não pode ser persuadida e nem convencida a mudar de idéia e, portanto, eu oficialmente DESISTO de tentar convencer você, de tentar melhorar você. Não quero ter nada a ver com você, Lola. Eu só quero ficar longe de você, porque eu tenho medo de você. 
"Você não sente culpa em prejudicar as pessoas que discordam de você e isso me dá medo. Quer dizer, enquanto as coisas ficavam no mundo virtual da internet, tudo bem; mas você tentou me prejudicar no meu emprego, você tenta me prejudicar na minha vida pessoal e eu tenho medo de uma pessoa que é capaz disso. É Lola, eu tenho medo de você e, por isso, eu me rendo pra você na nossa guerrinha. 
Vc tem olhos redondos? Vc
é feminista!
"Se você ver qualquer postagem no meu site que remotamente ofenda você, ou ofenda o povo judeu ou mesmo que você ache que eu não devesse ter escrito, me escreva um e-mail solicitando que eu retire do ar a postagem, que no máximo no dia seguinte, eu retiro do ar. Aliás, como eu havia ofendido você antes, se você quiser, eu publico um guest post seu no meu site, a titulo de Direito de Resposta. Tudo o que eu quero é que você pare de tentar destruir a minha vida e pare de tentar me prejudicar. Não quero mais ter relação nenhuma com você, Lola. Tudo o que eu quero é ficar longe de você, ok? Me comprometo a nunca mais escrever absolutamente nada a seu respeito. Mas peço a você que tenha a mesma gentileza para comigo e esqueça que eu existo."
Não preciso nem dizer que ele continuou escrevendo no mínimo um post por dia sobre a "Feminista Lola", né? Não que ele não tenha outras obsessões, como, por exemplo, tentar convencer todos os gays a "virarem travestis".

Ou convencer todos os homens cis, homos ou héteros, que tenham o pênis pequeno, a "virarem travestis":

Embora ele se refira a mim usando todos os insultos possíveis, Chris considera-se um homem simpático e cheio de cortesia.

Portanto, deve ser algum estagiário que faz essas montagens mal-feitas e as coloca nos sites do Chris enquanto ele não está olhando:

Muitas vezes eu rio em voz alta, confesso. Ok, sei que a doença de alguém não deveria ser engraçada, mas tem como não rir quando o sujeito diz que antes do seu site o feminismo no mundo era visto com ótimos olhos? Ou que os meus muitos crimes (ele fez um dossiê contra mim; meu crime mais terrível parece ser o de não ter filhos) me renderiam anos e anos de prisão?
O que eu não entendo dos mascus é porque eles não conseguem fazer um site que não seja de ódio. Imagino que seja possível criar um site para ajudar no desenvolvimento masculino sem desprezar tão profundamente as mulheres (ou todos os outros homens que não pensem como eles). Dá até pra fazer site ensinando a "pegar mulher" sem precisar ser misógino, não? 
Eu nunca teria desconfiado se ele não dissesse

Mais uma cortesia do mascuchris
Chris já deixou perfeitamente claro que tem preferência por travestis. E não há nada de errado nisso. Por que, então, fazer um site dedicando um terço do espaço a uma mulher que não lhe atrai (euzinha!)? Tem algum sentido fazer todo um site misógino para justificar preferências sexuais (que, aliás, não precisam ser justificadas)?
Chris não é muito difícil de diagnosticar: ele odeia gordas por ele próprio estar acima do peso. Na realidade, acho que Chris quer, ele mesmo, se tornar uma travesti, mas ainda não sabe lidar com sua homofobia e transfobia (ele não vê travestis como pessoas completas, apenas como objetos sexuais cujo único propósito seria satisfazer os homens). Digo isso porque ele já publicou um ebook detalhado dando dicas de como fazer essa "transição". Insisto: é possível ter uma vida plena e feliz sem ter que eleger inimigas imaginárias. 
Espero que um dia os mascus compreendam que suas grandes adversárias não são as mulheres ou as feministas. Quem lhes proporciona uma vida miserável é justamente o machismo, que não permite que sejam livres. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

SÓ PASSANDO PRA DESEJAR UM LINDO NATAL

Onde eu estava na semana passada: Rio Mal Cozinhado, Águas Belas, CE

Pessoas queridas, este é apenas um post pra desejar a todxs um ótimo natal. 
Nos próximos dias eu faço uma retrospectiva 2014, planos pro ano que vem, todas essas coisas. Mas agora estou com muita preguiça.
Nossa torta de frango de natal
Pra este post não ser apenas um "Feliz Natal", queria compartilhar com vocês a imagem que vi hoje. O pessoal por algum motivo obscuro adora me comparar com a Rachel Sheherazade, sendo que a única coisa que temos em comum é que nós duas somos mulheres cis, héteros e casadas. De resto, eu sou muito mais eu e orgulhosamente me considero uma espécie diferente da reaça. 

O nosso salário ninguém compara, né?

Apesar desta nova montagem ser favorável a mim, ainda assim é um julgamento. E defendo que mulheres (e homens também) devem dar os ombros pra julgamentos, principalmente estéticos.
Natal em Joinville 2009
Natal e final de ano sempre foram datas bacanas pra mim (talvez por um breve período na adolescência eu achei natal meio depressivo), principalmente desde que passei a ver os rituais como datas pra comer sem nenhuma culpa (quer dizer, todo dia deveria ser assim). Creio que natal só tem importância mesmo pra crianças. 
Mas entendo que pra muita gente o natal tenha um peso grande, e uma pressão gigantesca também de estar feliz e bem-acompanhadx. Tomara que vocês não tenham essa pressão.
E, mesmo que seu natal seja bem tristinho, lembre-se que podia ser bem pior.
De um blog mascu de finanças, hoje
Por exemplo, vocês podiam ser um mascu. 
Ok, este post não tem pé nem cabeça, e eu deveria estar acabando de rever a melhor série de todos os tempos, A Sete Palmos. 
Hoje tem bolo de chocolate super especial aqui em casa! Queria dar uma fatia a cada um(a) de vocês!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

ENTREVISTA PARA A FOLHA SOBRE O CASO DO PROFESSOR

Semana passada dei uma entrevista para a Folha de S. Paulo, para a querida Marcela Paes, que já havia me entrevistado outras vezes. A matéria saiu bem truncada no domingo, então pedi autorização pra publicar a entrevista completa aqui. Nem sei se o assunto ainda atrai interesse ou se alguém vai ler. Vocês estão todxs viajando mesmo!

Folha: Nesse caso específico do prof. Idelber, a troca de mensagens com as duas mulheres que se dizem vítimas pode ser considerada assédio sexual? Se sim ou não, por quê?
Resp: Acho que enviar foto não solicitada do pênis, como o professor em questão fez com várias mulheres, pode ser visto como assédio sexual. No caso das duas mulheres que denunciaram, uma delas tinha quinze anos quando começou a ser abordada por ele na internet. Mas não sei se foi assédio. Como eu disse o tempo todo, não considero criminoso o que ele fez (mandar mensagens; já usar seu cargo como professor para seduzir alunas é muito problemático, principalmente nos EUA). 
Eu e tantas outras pessoas ficamos surpresas ao constatar que a persona dele -– professor, intelectual, defensor dos direitos humanos, feminista -– é tão diferente do que ele parece ser em particular. Por exemplo, numa das mensagens com a adolescente, ele enviou os prints de uma amante que ele tinha tido. Quando o marido policial desta amante descobriu a traição, colocou uma arma na cabeça da esposa. E o professor usou este caso como modelo do seu sucesso. É bem perturbador.
A moça que me procurou para contar a sua história não era adolescente. É casada e tem 25 anos. Mas o que ela diz é que, se o professor não fosse tão bem conceituado, ela nem teria permitido ser adicionada por ele em sua rede social. É antiético fingir ser feminista para levar feministas pra cama.

Folha: Como as mulheres podem distinguir se estão ou não sendo assediadas nas redes sociais?
Resp: Acho que, de modo geral, as mulheres adultas sabem quando estão sendo assediadas. Uma foto do pênis não é algo muito ambíguo. Aí vai de cada uma decidir o que fazer. O importante é que quem queira denunciar tenha a coragem e as condições de fazê-lo.

Folha: Por que muitas blogueiras femininistas se calaram diante desse episódio?
Resp: Creio que é porque o professor era uma figura muito conhecida e admirada entre várias feministas, que divulgavam mais os textos dele do que os de qualquer blogueira feminista. Muitas preferiram se calar a criticar alguém que admiravam. O outro motivo é que o professor namorava uma feminista. Muitas acharam que falar sobre o caso era expor essa mulher.

Folha: Você foi criticada por outras feministas pela sua postura. Como enxerga essa divisão e essa reação contrária na militância feminista?
Resp: Estou acostumada. A divisão é comum entre as militantes feministas em inúmeros assuntos. Nunca há unanimidade. O que precisamos fazer é aprender a discordar. Por exemplo, não é porque uma feminista discorda da outra que seja mais ou menos feminista.

Folha: Na sua opinião, toda mulher que sofre assédio deveria se identificar? O que acha da não exposição dessas duas vítimas do caso Idelber?
Resp: Para mim, que há sete anos me exponho com meu rosto, nome completo, local de trabalho, todo dia na internet, e que recebo centenas de ameaças de morte e xingamentos simplesmente por ser feminista, é difícil dizer que uma mulher deveria se identificar, porque fazer isso é receber o tratamento que eu recebo. Tenho 47 anos, sou casca grossa e nunca me deixo abalar, mas estamos falando de moças jovens, com menos experiência. Por outro lado, dizer quem você é confere mais credibilidade ao que você está dizendo. De modo geral, por um lado quero que todas as internautas tenham coragem e assinem com seu nome completo. 
Por outro, só o fato de ter um avatar feminino já implica que a pessoa sofrerá muito mais assédio, insultos de cunho sexual e ameaças de estupro do que se tiver um avatar masculino. Então entendo perfeitamente quando uma internauta não quer se identificar.
No caso das duas vítimas, se elas já foram vilipendiadas de tudo quanto é jeito sem se identificarem, imagine como estaria a vida delas agora se todos soubessem seus nomes.

Folha: Por que o prof. Idelber foi tão defendido nas redes sociais? Tanto por homens como também por muitas mulheres?
Resp: Porque este é o comportamento padrão na maioria dos casos de denúncia. Duvida-se sempre das vítimas. As culpadas acabam sendo as vítimas. A sociedade adota o discurso de “denuncie sempre”, mas, quando há denúncias, a reação é sempre desmerecê-las. Como de costume, muitas pessoas só titubearam na defesa do professor quando um homem validou o que as mulheres diziam. Foi quando eu publiquei o depoimento de um ex-aluno do professor dizendo que o que aquelas duas vítimas contaram era só a ponta do iceberg, e que seu comportamento predatório na universidade americana onde dá aula era conhecido. Foi nesse ponto que a opinião pública mudou e muita gente passou a ver as atitudes do professor como impróprias. E foi só aí que o professor se manifestou, ameaçando todo mundo com processo, para intimidar mais vítimas de se manifestarem.

Folha: O que você acha do fato de que o prof. Idelber só gostava de sair com mulheres casadas?
Resp: Não acho nada. Esse é um fetiche dele. Se ele só se envolvesse com mulheres casadas que concordassem com sua abordagem, nem estaríamos falando do assunto.

Folha: Muita gente acha que as críticas ao comportamento do prof. Idelber tem cunho moralista porque ele só gostava de sair com mulheres casadas e também por praticar o "cuckolding". Qual a sua opinião sobre isso?
Resp: Acho incrível que muita gente veja as denúncias como moralistas, e não o fato de um professor que até um mês atrás era um modelo de feminismo escrever mensagens chamando mulheres que transam de putas e seus maridos de cornos. Eu e essas moças que denunciaram temos uma posição favorável quanto ao relacionamento aberto, por exemplo. Quem nas mensagens era contra o relacionamento aberto era o professor. Isso, pra mim, é moralismo.
Eu fico só imaginando o que várias das pessoas que defendem o professor estariam dizendo se fosse um pensador de direita que pedisse para uma moça com quem se comunica entrar num hangout e, quando ela entra, ele está se masturbando. Tenho a impressão que os defensores não seriam assim tão compreensivos. O que é incrível, para mim, é que este professor vinha fazendo isso há anos. Muita gente sabia, e ninguém falava nada. Quando uma das vítimas me procurou, eu pensei que o caso jamais viria à tona.
Que eu saiba, o “cuckolding” é algo bem diferente. No cuckolding há consentimento de todas as partes (amante, esposa, marido). O professor parecia sentir prazer em competir com esses maridos e humilhá-los. Pelas mensagens, percebe-se um comportamento totalmente narcisista, de alguém que tem um ego tão grande que é incapaz de olhar para o outro. Uma atitude nada bacana vinda de alguém que se dizia feminista.