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quinta-feira, 5 de junho de 2014

GUEST POST: MÉDICO OU DONO DE FARMÁCIA?

A D. me enviou este relato de uma consulta ginecológica de rotina. Tem bastante coisa chocante aí.

Gente, até agora estou passada com o que me aconteceu no final de maio. Procurei um ginecologista obstetra aqui de Fortaleza, por ter ouvido falar que ele era muito bom. Como penso em engravidar daqui a alguns anos (agora tenho 27), pensei: é bom que eu tenha um médico de confiança, pois quando quiser engravidar não precisarei me preocupar.
Pois bem, marquei a consulta e fui meio constrangida, pois seria a primeira vez que iria a um ginecologista homem. Meu esposo me acompanhou, como sempre faz nas minhas consultas de rotina. Chegamos à clínica e tinha apenas uma pessoa antes de mim. Pensei: não vai demorar muito. Aí depois chegou um representante comercial pra fazer propaganda de remédios e entrou na minha frente. Achei aquilo um desrespeito, mas tudo bem. 
Depois que ele saiu, entrei no consultório com meu esposo (preferi assim). Assim que entramos, mais um representante. Que saco! Aí fez propaganda de mais remédios e deu umas amostras ao médico. O representante saiu, e o médico começou a me fazer as perguntas básicas que os ginecologistas fazem. 
Mostrei a ele uma ultrassom mamária, pois estou com um nódulo no seio, nada de mais, mas que precisa ser acompanhado. Ele não deu muita atenção, nem me explicou o que era, se tinha risco ou não. Só sei que não é nada de mais porque faço acompanhamento com um mastologista. 
Aí lá vai esse médico falar sobre política. Ele disse que tinha como meta falar mal do governo federal para pelo menos cinco pessoas por dia em seu consultório. Eu e meu esposo fizemos ouvido de mercador... 
Perguntou se eu sentia alguma coisa antes ou durante a menstruação e eu disse que não. 
E ele me falou que eu era a primeira pessoa do mundo que não sentia nada. Mas como assim? Todas as mulheres têm que sofrer horrores com a menstruação? Então falou dos benefícios em tomar anticoncepcional sem interrupções. Mas, e se eu QUISER menstruar? Depois entendi o porquê disso de tomar anticoncepcional contínuo... 
Fui me preparar para o exame. Deitei naquela cadeira reclinável, ele olhou pra minha gordurinha localizada na barriga e perguntou: “Essa barriguinha te incomoda?” Respondi que sim, e ele: “Vou te passar um remédio.” Gente, um emagrecedor, que segundo o médico está fazendo o maior sucesso com a Ivete Sangalo (deu vontade de rir). 
Estou um pouco acima do peso, mas não sou adepta de emagrecedor, e sim de uma reeducação alimentar. O ginecologista olhou para as minhas marquinhas de adolescência (marquinhas de espinhas) e perguntou se aquilo me incomodava. Também falei que sim. Ele foi logo dizendo que iria passar um tratamento, sem nem ao menos me perguntar se eu queria fazê-lo nesse momento. 
Aí ele fez o papanicolau e falou de uma “feridinha” que eu tinha no útero, e na mesma hora fez uma cauterização... beleza. Fez uma ultrassom vaginal e viu que estava cheio de furinhos, mas que não tinha os micropolicistos, já que tomo anticoncepcional. Falou mais uma vez da “importância” de tomar anticoncepcional sem interrupções. Fez a ultrassom mamária, e não disse nada sobre o nódulo. Terminou o exame! Ufa. Me vesti e voltei pra saber o que ele tinha a dizer pra mim e pro meu marido.
Quando voltei, ele falou mais uma vez sobre a importância do anticoncepcional contínuo e me prescreveu: 1) o emagrecedor da Ivete Sangalo; 2) Ocitocina Spray Nasal, o “hormônio do amor”, que passou no Fantástico, segundo ele. Mas quem disse pra ele que eu e meu marido estamos com algum problema? 
3), 4) e 5) um tratamento para o casal (três remédios); 6) creme ginecológico (para cicatrizar a cauterização). Detalhe, que só depois vi na internet: quem faz essa cauterização tem que ter abstinência sexual de 4 a 6 semanas, mas isso o médico não disse; 7) sabonete de maleleuca, pois de acordo com ele, “só esse protege, os outros apenas limpam.”; 8) hidratante corporal de óleo de abacate (eu não posso escolher o meu hidratante, é isso?); 9) umas cápsulas que eu não sei pra que servem; 10) um creme pra aplicar no rosto pra tirar as marquinhas. 
11) creme hidratante preventivo de sinais; 12) protetor solar gel ultra-seco c/FPS 45; 13) sabonete redutor de oleosidade; 14) hidratante corporal proteico e nutritivo (mas ele já não tinha receitado o de óleo de abacate?); 15) meloxican. Pra que diabos serve isso?
Quando cheguei em casa dei uma olhada no “Google nosso pastor e nada nos faltará” e vi que é um remédio para artrite reumatoide! Ah, na receita ele anexou um cartão com o nome da farmácia de manipulação que, por sinal, ficava ali do lado do prédio. Suponho que o médico tenha sua porcentagem garantida. 
Eu tenho que tomar o anticoncepcional contínuo porque assim a indústria farmacêutica vende mais. Minhas ultrassons? Estão lá no computador dele, para q eu fique “presa a ele”. O nódulo na minha mama pouco importa. Reeducação alimentar pra quê, se eu posso comprar o “emagrecedor da Ivete Sangalo”? Pra que dizer que depois de uma cauterização no colo do útero, é preciso mais ou menos um mês de abstinência? Cremes e mais cremes, porque o que vale é a imagem. O que importa é vender. 
A indústria farmacêutica não cria
curas, cria clientes
E assim os médicos brasileiros (não todos) promovem a doença ao invés de promoverem a saúde! Ah, e preciso dizer que ele é super adepto das cesarianas? 
Se eu voltarei lá novamente? Acho que você já sabe minha resposta.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

OVERDOSE DE REMÉDIOS

Saiu a autópsia do Heath Ledger. Parece que ele morreu por excesso e mistura de medicamentos. Horrível isso, alguém morrer acidentalmente tomando remédio. Se isso acontece com um cara rico, com acesso a médico e a remédios com receita médica, imagina o que não ocorre com os pobres mortais.

Isso é esquisito, ainda mais pra mim, que não tomo nada além da ocasional aspirina. Mas já fui viciada em gotinhas pra desentupir o nariz. Durante anos usei esse troço, e claro que a necessidade era muito mais emocional que propriamente física. Aí li que fazia mal. Em seguida que dava pra substituir o remédio por água boricada. Passei a pingar água no nariz. Como não fazia efeito algum, parei. Mas daí já tinha parado com o desentupidor de nariz também.

O maridão não usa nem nunca usou nada de remédio, e olha que ele é um velhinho caquético. Sempre me lembro da vez em que estávamos vendo “O Reverso da Fortuna” em vídeo. Um dos personagens no filme de 1990 toma uma overdose de aspirinas e entra em coma. Eu, legitimamente curiosa, perguntei pro maridão: “Quantas aspirinas a gente tem que tomar pra ter uma overdose de aspirina?”. E ele, 100% sério: “Não sei, umas três ou quatro?”.