Fábia Lima de Brito Damia é assessora jurídica na Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo e especialista em Direitos Humanos pela Faculdade de Direito da USP.
Ela me enviou este texto sobre um importante evento que acontecerá em SP nesta terça.
Quando várias mulheres entram, muda a política.” (Michelle Bachelet)
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| Djamila Ribeiro, secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania do município de SP também estará lá: 3a, 10h, na Av. Brig Luis Antonio 2020 |
No Brasil de hoje, temas como aborto, estupro e violência doméstica contra a mulher são polêmicos. Outros temas menos controversos, mas não menos importantes para as mulheres, como o número insatisfatório de creches ou berçários em determinados bairros, eventual flexibilização da jornada de trabalho para cuidar de um filho doente ou comparecer a uma reunião escolar, considerando a representatividade política existente, são temas debatidos, discutidos e decididos por homens, porque mais de 90% dos cargos parlamentares é formado por homens.
Sim, a conta está certa. A participação feminina na política brasileira é de menos de 10% do total dos parlamentares. Ou seja, no país em que 51% da população é de mulheres e 52% do eleitorado é também de mulheres, a fração inexpressiva de menos de 10% é que ocupa cargos parlamentares. ![]() |
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A situação é tão espantosa quanto urgente. Um país que se pretende democrático, pluralista, solidário e fraterno, segundo enunciam os primeiros artigos de sua Constituição Federal, não pode continuar com uma representatividade feminina tão desproporcional à sua população, a ponto de o Brasil figurar em posição vexatória no ranking internacional da União Inter-Parlamentar.
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| Brasil entre os últimos lugares na lista de representatividade das mulheres na política |
Segundo dados de maio de 2016, o Brasil está atrás de países como Serra Leoa (com 12,40% de mulheres na política), Somália (13,80%), Croácia (15,20%), Paquistão (20,60%), Iraque (26,50%), Afeganistão (27,70%), Angola (36,80%) e de toda a América Latina. O Brasil figura na 153ª posição, com 9,9% de mulheres nas casas legislativas.
Os entraves à representatividade da mulher na política passam por vários eixos, desde a cultura machista que permeia nossa sociedade, até o menosprezo e desinteresse dos partidos políticos em lançar candidatas mulheres e em apoiar suas campanhas eleitorais.
Mesmo diante da legislação eleitoral que obriga os partidos políticos a lançarem candidatas no percentual mínimo de 30% (Lei 9.504/97, art. 10. § 3º: “cada partido ou coligação deverá reservar o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo”), não são poucos os partidos que lançam candidatas “laranjas”, apenas para cumprir as cotas legais.
A transformação desse cenário requer a adoção de medidas afirmativas que esclareçam as mulheres sobre a importância de serem representadas politicamente, bem como que permitam sua participação política de forma efetiva, autorizando suas candidaturas e visibilidade, por meio das propagandas partidária e eleitoral, para que a igualdade de gêneros na participação política seja efetiva.
Com o intuito de se aproximar da sociedade civil e dar voz às mulheres, a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo promoverá o evento “Encontro Propositivo pela Igualdade das Mulheres na Política”, nesta terça-feira, dia 19 de julho, às 10 horas. O objetivo é o de ouvir propostas, ideias e sugestões para pautar a atuação do Ministério Público Eleitoral, de modo a identificar as barreiras ilegítimas à participação feminina na política, com o fim de eliminá-las.
Os vídeos convidando para o evento, assim como os de seus apoiadores, podem ser visualizados no Canal do YouTube da Procuradoria.
A participação das mulheres na política não é uma questão só de gênero. É uma questão de cidadania.
Interessa a todos que a sociedade seja plural e proporcionalmente representada pelos seus membros (51,03% de mulheres, 48,97% de homens, conforme último censo do IBGE). Sem igualdade de gênero não existe democracia.







