Vou confessar que mal vi a primeira meia hora do Oscar de ontem. Minha transmissão estava péssima, travava o tempo todo. Mas do pouco que vi foi possível perceber que Seth MacFarlane não será chamado pra apresentar a cerimônia de novo.
Aliás, por que não convidaram logo Tina Fey e Amy Poehler, que deram um show no Globo de Ouro?
Aliás, por que não convidaram logo Tina Fey e Amy Poehler, que deram um show no Globo de Ouro?
Seth acirrou a competição pro pior apresentador da história do Oscar. Sei que o nome que vem imediatamente à cabeça é o James Franco, mas sério, o David Letterman, em 94, foi muito mais terrível. Ele começou com uma piadinha sem graça sobre Oprah e Uma (Thurman), a plateia riu por educação, e ele insistiu na gag mais 50 vezes.
Praticamente todas as piadas do Seth falharam. Foi realmente embaraçoso. Além de contar com a ajuda do eterno Capitão Kirk num telão, que veio do futuro lhe dizer que Seth ficaria conhecido como o pior apresentador ever (quando o capitão apareceu, a previsão já não era mais necessária -- a gente já sabia), o criador de Ted e Family Guy fez um longo e doloroso esquete com a Sally Field e um monte de piadinha preconceituosa.
Contra latinos ("não entendemos nada do que eles dizem, mas não importa, porque eles são muito atraentes"), sobre violência doméstica ("Django é a história de um homem lutando para trazer de volta sua mulher, que tem sido sujeitada a muita violência, ou, como Chris Brown e Rihanna dizem, um date movie"), sobre mulheres stalkers ("Jessica Chastain em A Hora Mais Escura faz uma mulher que gasta doze anos perseguindo Bin Laden. O filme é uma celebração da capacidade inata de toda mulher de nunca esquecer alguma coisa"). Ele também sexualizou uma menina de nove anos, Quvenzhane Wallis ("Pra dar uma ideia de como ela é jovem, ela ainda tem 16 anos pra ficar velha demais pro George Clooney").
Contra latinos ("não entendemos nada do que eles dizem, mas não importa, porque eles são muito atraentes"), sobre violência doméstica ("Django é a história de um homem lutando para trazer de volta sua mulher, que tem sido sujeitada a muita violência, ou, como Chris Brown e Rihanna dizem, um date movie"), sobre mulheres stalkers ("Jessica Chastain em A Hora Mais Escura faz uma mulher que gasta doze anos perseguindo Bin Laden. O filme é uma celebração da capacidade inata de toda mulher de nunca esquecer alguma coisa"). Ele também sexualizou uma menina de nove anos, Quvenzhane Wallis ("Pra dar uma ideia de como ela é jovem, ela ainda tem 16 anos pra ficar velha demais pro George Clooney").
Essa piada aparentemente deu permissão para que outras vozes pegassem no pé da fantástica atriz mirim. O site satírico The Onion, por exemplo, a chamou de cunt (palavra vulgar pra falar de vagina, e que significa vadia, estúpida). O site deletou o tweet uma hora depois, e só pediu desculpas hoje. Isso dito de uma garota negra que usa bolsa em formato de cachorrinho...
Mas, voltando ao Seth, o pior que ele fez foi cantar uma música chamada "Nós vimos os seus peitos", em que ele cita algumas das atrizes presentes que já ficaram sem roupa na tela. A reação do público foi mais ou menos essa:
Esta é a Naomi Watts ao ser mencionada. Parece que essas reações são pré-gravadas (as atrizes estão com vestidos diferentes), mas o que isso quer dizer? Que o número foi mostrado, as pessoas detestaram (é só ver a cara dos outros), e, ainda assim, ele foi mantido. Pra ofender mesmo. [O Vitor explicou que "a musica foi um video do William Shatner do futuro mostrando que
ele fez esse número, foi desagrádavel e ofensivo e considerado o pior
apresentador. Aí ele, ao vivo, decidiu nao fazer o número e chamou Charlize e Channing Tatum pra dançar no lugar].
A que tá fazendo um facepalm é a Charlize Theron, que não ficou feliz em ser reduzida a um par de seios, ainda mais numa noite que deveria celebrar o talento das atrizes. Ah, e tem mais: como me lembrou uma leitora, quatro dos filmes citados em que os seios das atrizes aparecem são... cenas de estupro. É verdade, Seth cita Meninos Não Choram e Acusados, em que temos a sorte de ver os seios da Jodie Foster enquanto ela é violentada num bar. Que legal, né? Vimos seus seios!
Sem falar que o discurso de Seth foi interminável. Prum show que usou a musiquinha de Tubarão pra empurrar pra fora do palco quem fizesse um discurso de agradecimento mais longo que alguns segundos, por que dar 19 minutos pro Seth passar vergonha?
O trem foi tão, mas tão ruim que eu me peguei torcendo para que a cerimônia tivesse mais números musicais. E parece que eu não fui a única. Jennifer Hudson apareceu, cantou, comoveu, e recebeu a primeira standing ovation (como se traduz isso?) da noite. Perto dela, todas as outras cantoras, entre elas Barbra Streisand e Adele, pareceram estar roucas.
Os outros pontos altos, pra mim, foram a Meryl Streep pisando no vestido e tendo que arrumar a calcinha, sem jamais perder a majestade, a linda e divertida Jennifer Lawrence tropeçando ao subir a escadaria pra pegar seu Oscar (eu me identifiquei!), e a Jane Fonda, magnífica. Como eu disse no Twitter, eu queria chegar aos 50 tão bem quanto a Jane chegou aos 75.
Vamos nos reerguer no bolão do ano que vem!
Outro momento impactante foi o empate em Edição de Som. Não que seja inédito, mas é raro. O empate mais famoso é de 1969, quando Katharine Hepburn e Barbra Streisand ganharam melhor atriz. Mas a última vez que um empate tinha acontecido foi em 94, só que numa dessas categorias menores (curta de animação), que nem entram no bolão. (Todos os resultados do Oscar estão aqui).
Olha a Alexandra se aproximando pra surrupiar o bolão, gente!
Ah sim, o bolão. Bom, o não pago tinha tanta gente (299 participantes) que eu nem tentei acompanhar. Mas o bolão pago, com apenas 14 jogadorxs, chegou a ter quase tanto suspense no final quanto Argo. Havia uma turminha de cinco pessoas (eu não inclusa, mas pelo menos Silvio, vulgo maridão, estava lá), que disputava cabeça a cabeça. Finalmente, a Alexandra, única que havia acertado design de produção (ganhou Lincoln), acertou direção (Ang Lee), e levou o bolão, com 17 acertos em 20 possíveis -- um número formidável prum ano em que não havia tantos favoritos e as premiações ficaram bem repartidas. Italo, Silvinho, Claudemir e Vitor (os três últimos, participantes antigos do bolão), acertaram 16. Eu fiz 15, chuif.
O que mais dói é que esta é a terceira vez consecutiva que Alexandra vence o bolão. Por que, gente, por quê?! Não há justiça neste mundo! Um comentarista anônimo disse ontem, com razão: "Alexandra até tenta disfarçar mas todos sabemos que ela vem do futuro". Pois é, precisamos debater se queremos que essa Exterminadora do Futuro participe no ano que vem.
No bolão não pago quem deu um passeio foi a Anna Britto. Ela acabou acertando 17, mas chegou a ficar com 10 em 10, muito na frente. Só quatro pessoas acertaram 16: Warwick, Rafael, Marco e Eduardo. Espero que vocês todos deixem de ser pão-duros miseráveis e entrem no bolão pago no ano que vem. Ah, também merece destaque a Gabriela, que fez zero. Isso exige talento! (Vou colocar os nomes e acertos nos comentários. Depois o Júlio César, o santo que organizou todo o bolão, vai me mandar um link que eu disponibilizarei aqui. Obrigada, Júlio! Seu único defeito é ser amigo da Alexandra! Ex-amigo a esta altura, espero).
Se a Alexandra e/ou a Anna quiser escrever um guest post tripudiando em cima do meu fracasso, pode mandar que eu publico, com sangue nos olhos. Ahn, Alex, eu já tenho a sua conta bancária. Não precisa mandar não.

















































