Mostrando postagens com marcador olimpíadas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador olimpíadas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 10 de agosto de 2021

MAIS IMPORTANTE QUE O PÓDIO

Foi a melhor campanha do Brasil em Jogos Olímpicos obviamente não por causa de Bolsonaro, que não investiu coisa nenhuma em esporte (nem em cultura, nem em emprego, nem em saúde, nem em segurança, muito menos em educação, só investiu em cloroquina e em comprar vacina com propina), mas apesar dele (que só soube mentir que Baile da Favela foi usada para homenageá-lo e para parabenizar o vôlei masculino, em sua pior atuação desde o ano 2000). 

O Brasil terminou em 12o no quadro geral de medalhas (21), com sete ouros, seis pratas e oito bronzes. Quem mais se destacou? Mulheres e o Nordeste. E já já (final de setembro) começam, ainda em Tóquio, as Paralimpíadas, em que o Brasil é uma potência mundial.

Adorei ver o skate, principalmente a Rayssa, a Fadinha, de Imperatriz, Maranhão. Achei o judô bem chato, mas vibrei com a Mayra Aguiar em sua terceira medalha. Amei a Ana Marcela Cunha ganhando ouro na maratona aquática depois de nadar dez quilômetros naquele mar esquisito do Japão (como disse um leitor, a qualquer momento a gente esperava que saísse o Godzilla). E com o Isaquias da canoagem? Herói!

E a Rebeca Andrade da ginástica artística é uma deusa absoluta. Ninguém acreditou que essa (a de prata, depois a de ouro) foi a primeira medalha de uma brasileira! Danielle, Jade, Luisa Parente e principalmente a inigualável Daiane dos Santos são campeãs pra gente (assim como o Darlan Romani do arremesso de peso sai como campeão, apesar de ter ficado em quarto lugar). 

Apesar de tudo, apesar do temor com a pandemia, apesar dos japoneses terem sido contra a realização, os jogos foram bons pra distrair, pra nos devolver (mesmo que temporariamente) o orgulho em ser brasileiros, pra nos fazer sorrir e ter esperança em dias melhores -- que virão, a partir de 2023. Tenho esperança que as Olimpíadas de Paris 2024 serão muito mais felizes, sem os dois vírus que temos agora.

Mas a marca que fica agora é a de Simone Biles mostrando sua vulnerabilidade, falando em saúde mental. Isso valeu mais que uma medalha (mesmo assim, ela ganhou duas). Outros super atletas já tiveram que lidar com a depressão e outras doenças. Reconhecer isso não é fraqueza. Pelo contrário, é sinal de força. Mais ainda para Biles, que é a única ginasta americana que ainda compete entre todas aquelas que foram estupradas por um médico que só foi condenado após duas décadas de abusos de centenas de meninas. 

Reproduzo o texto de Felix Tamsut para a DW

Após uma pausa para recuperar sua saúde mental, a estrela da ginástica americana Simone Biles conquistou uma medalha de bronze, na trave, nos Jogos de Tóquio.

"Eu realmente sinto o peso do mundo nos meus ombros", escreveu a jovem atleta no Instagram, antes da final de terça-feira passada (03/08), na qual terminou atrás de duas ginastas chinesas. "As Olimpíadas não são brincadeira!"

As conquistas esportivas, por si só, já colocam Biles entre as maiores atletas do mundo. Mas são as ações fora do esporte que farão uma verdadeira diferença para tantas pessoas, incluindo eu.

A batalha de muitos, como eu

Há alguns anos, comecei a sofrer vários ataques de pânico por dia. Alguns deles foram tão ruins que acabei sendo internado no hospital. Naquela época, eu nem sabia o que era uma crise de pânico. Eu pensava que tinha um problema físico de algum tipo que precisava ser resolvido. Achava que podia ser um resfriado ou um vírus.

Quando uma pessoa próxima sugeriu que eu deveria verificar se as crises tinham razões psicológicas, fiquei confuso. Eu não queria reconhecer que poderia estar sofrendo de um problema mental. Após ter sido diagnosticado com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), senti vergonha. O que diriam minha família e meus amigos? Será que eu perderia meu emprego?

Eu sentia que não havia mais ninguém como eu no planeta. Eu me sentia sozinho.

Mas a parte mais difícil ainda estava por vir. Lidar com sua saúde mental significa não apenas lutar com uma doença, mas também com as percepções e estigmas de outras pessoas.

Além disso, espera-se que muitos de nós tenham determinado desempenho independentemente de nossa situação, seja no local de trabalho ou em círculos sociais. Muitas vezes, você só precisa de uma pausa para cuidar de si mesmo, como qualquer pessoa que, sofrendo de um resfriado, ganharia um tempo para descansar.

Não é vergonha falar sobre isso

Uma das atletas mais famosas do mundo decidiu fazer exatamente isso e falou sobre como as tensões mentais podem atingir você com mais força do que qualquer doença física; como todos podem sofrer de problemas de saúde mental, independentemente de estarem fisicamente aptos, serem famosos ou ricos; que não é vergonha falar sobre isso e viver com isso.

Pessoas como eu podem facilmente se identificar com a decisão de Biles de só competir quando a saúde mental permite. A maneira como ela não teve medo de admitir publicamente a razão de fazer uma pausa do maior palco esportivo da Terra, com milhões e milhões de pessoas aguardando ansiosamente sua apresentação e esperando que ela entregasse resultados, significou que muitas pessoas como eu se sentiram vistas, pessoas cujas lutas muitas vezes foram menosprezadas, às vezes até ignoradas.

Devido a sua decisão, mais pessoas entenderão que a pressão mental "não é brincadeira".

Só por isso, suas realizações nos Jogos de Tóquio devem ser consideradas muito mais importantes do que qualquer medalha de ouro.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

OLIMPÍADAS, OPORTUNIDADES DE NEGÓCIOS BASTANTE ESCUSOS

Apesar de ter visto a competição de skate que deu a medalha de prata aos fantásticos Kelvin Hoefler e Rayssa Leal e estar encantada com a segurança de Rebeca Andrade (e amar ginástica olímpica), confesso que esta Olimpíada não me cativa, pelo menos por enquanto.

Talvez tenha a ver com o horário, talvez seja pela situação catastrófica do Brasil (não consigo parar de pensar em política), talvez seja pela pandemia. Talvez seja solidariedade com os japoneses, que não acham que a Olimpíada deveria estar sendo realizada agora. Assim como os brasileiros foram contra a Copa América. Pandemia não combina com grandes eventos esportivos (ou melhor, grandes eventos, ponto. Ou eventos, simplesmente). 

Eu já fui uma que dizia que prefere anos pares aos ímpares, já que são anos de Olimpíadas e Copa do Mundo. Fui daquelas que vibrou quando o Brasil foi escolhido pra sediar a Copa do Mundo em 2014 e as Olímpiadas no Rio em 2016. Era um outro Brasil. Estávamos ainda em 2007, e a gente formava um país que decolava, não um que se parece mais com as sobras espatifadas no chão de um desastre aéreo, como agora. 

Tenho que admitir que nem sediar a Copa nem a Olimpíada foi bom pra gente. Muito, muito dinheiro jogado fora. Não sobrou nada pra contar a história (e engana-se quem pensa que só aqui foi assim. Essa é a regra. Os países que sediam sempre perdem grana).

Reproduzo aqui parte do artigo do jornalista Sérgio Augusto, publicado ontem no Aliás, suplemento do Estadão. Quem quiser ler o artigo inteiro, veja aqui

Desde os tempos de Platão, os Jogos Olímpicos servem aos interesses da política e do comércio 

Japão não dá sorte com a Olimpíada. Os Jogos de 1964 tiveram de ser empurrados para o outono por causa da canícula que escaldou a ilha naquele verão. Desta vez foi uma pandemia. Estamos assistindo com um ano de atraso à Tóquio 2020. Com os mesmos problemas que justificaram seus adiamentos anteriores. Não só a pandemia persiste, com variantes indomáveis, como o calor deste verão na terra do sol nascente promete ser o mais inclemente dos últimos tempos.

Vários casos de covid-19 foram registrados antes mesmo do início da competição e não será surpresa se superarem os doping. Nessa especialidade, aliás, o Brasil foi um dos primeiros destaques, com o levantador de peso Fernando Reis, pego há dias no exame antidoping. O atleta é um admirador do clã Bolsonaro, mas, infelizmente para ele, Augusto Aras não faz parte do COI (Comitê Olímpico Internacional).

A imensa maioria dos japoneses (83%) não queria a Olimpíada em casa. Sentem-se inseguros, receiam que a afluência em massa de atletas e torcedores do mundo inteiro descontrole e revitalize a circulação do vírus. Sem contar os problemas inerentes ao certame, com ou sem pandemia e maçarico no céu.

Jules Boykoff, que escreveu extensamente sobre a política da Olimpíada, reiterou faz pouco tempo, no Washington Post, que os Jogos são um desastre financeiro para as cidades que os hospedam. Todos os jogos olímpicos desde 1960 estouraram seus orçamentos, com perdas determinadas pelo influxo de turismo, publicidade e consumo.

Recente estudo revelou que, desde 2007, os Jogos custam em média US$ 12 bilhões, incluindo a de estádios e vilas olímpicas, que, invariável sina, ficam entregues às baratas depois do megaevento, melancólicas ruínas construção sem valor arqueológico. Estima-se que Tóquio 2020 irá custar quatro vezes mais que a estimativa original de US$ 7,5 bi.

Festim para as elites cosmopolitas, os Jogos sacrificam primeiro as comunidades mais carentes. Para abrir espaço para suas arenas, os de Atlanta, em 1996, derrubaram habitações que abrigavam 4 mil pessoas. Os de Los Angeles, em 1984, investiram uma fortuna em segurança militarizada cuja consequência mais visível foi o recrudescimento da violência contra pretos e pobres da periferia.

E nem tocamos nos escândalos de corrupção -- antes, durante e depois dos Jogos. É tanta grana rolando que aquelas cinco argolas do logo olímpico já podiam ter sido substituídas por cifrões entrelaçados.

Carlos Arthur Nuzman, nosso mais perene cartola olímpico, comprou votos para que o Rio sediasse os Jogos de 2016, perdeu o trono, mofou alguns dias no xadrez e voltou à sua banca advocatícia. O novo presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, o ex-judoca Paulo Wanderley Teixeira, já foi denunciado por fraudes numa licitação. Se maracutaias fossem reconhecidas como modalidade olímpica, nosso estoque de medalhas não caberia numa arca de bom tamanho. [...]

Como todo fenômeno social, o esporte tem bases materiais, econômicas e políticas bastante claras. Não é uma ideia, nem um valor, uma abstração qualquer, boa ou má, e sim uma que prática, para se viabilizar, requer administradores, regras, tempo, educação, dinheiro e publicidade -- cada vez mais dinheiro e publicidade, diga-se. [...]

Não se iludam: desde os tempos em que Aquiles media frames perto das muralhas de Troia que os jogos olímpicos têm servido aos interesses da política e do comércio. Nos idos de Píndaro e Platão, uma diligente malta de camelôs e relações-públicas de atletas dominava o sopé do monte Olimpo. Os comerciantes de azeite disputavam a tapa a preferência dos melhores participantes, pois era com azeite que os atletas daquele tempo lubrificavam seus corpos. Ontem, azeite; hoje, Coca-Cola, Asics, Nike, Toyota, Samsung e marcas que tais.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A INSOLÊNCIA DOS DONOS DO MUNDO

Todo mundo sabe o que aconteceu com o nadador americano Ryan Lochte, certo?
Torcida brasileira faz
cartaz de "mentiroso"
No último domingo, lá pelas 6 da manhã, Lochte e outros três colegas americanos da natação voltavam bêbados para o alojamento olímpico quando decidiram parar num posto de gasolina na Barra da Tijuca, aparentemente procurando um banheiro. Como o banheiro do posto estava trancado, os rapazes arrombaram a porta. E também mijaram no chão e quebraram coisas, de acordo com algumas versões. Um segurança armado, um policial de aluguel, chamou a polícia e ordenou que eles esperassem. A polícia não apareceu. Antes de irem para o alojamento, os nadadores, com a ajuda de um cliente que serviu de intérprete, se entenderam com os funcionários e pagaram 100 reais e vinte dólares para cobrir parte do estrago que tinham feito.
Se os rapazes tivessem ficado quietos, talvez a bagunça que eles provocaram teria rendido uma notinha em algum jornal num dia parado. Mas Lochte contou para a sua mãe que havia sofrido um roubo à mão armada, e a mãe falou à imprensa. Perguntaram a Lochte o que havia acontecido, e ele escreveu no Twitter e Instagram: "Enquanto é verdade que meus colegas de time e eu fomos vítimas de um assalto no domingo de manhã, o mais importante é que estamos bem e ilesos". 
A polícia e a imprensa passaram a investigar o ocorrido, e rapidamente, graças a vídeos no posto e na entrada da Vila Olímpica, viram que a história não colava. 
Lochte conseguiu embarcar num voo na segunda-feira, antes que fosse "convidado a prestar depoimento", mas seus colegas seguiram no Brasil até ontem, quando foram liberados após depor. Dois deles relataram à polícia que o roubo foi uma invenção. Ontem o Comitê Olímpico dos EUA pediu desculpas pelos "transtornos" e disse que o comportamento dos nadadores foi "inaceitável". E a polícia do Rio indiciou o atleta por falsa comunicação de crime.
Não sei exatamente por que a mídia brasileira está dando tanta atenção ao caso (é complexo de vira-lata, dizem os correspondentes estrangeiros), mas certamente não é a única. O escândalo estourou também nos EUA e na Grã Bretanha. Ontem nas redes sociais, vários americanos perceberam que o comportamento desses nadadores estava sendo visto como brincadeira, coisa de moleque, por eles serem homens brancos
Privilégio branco é por que rimos de
Lochte e vilanizamos Douglas
A comparação óbvia é com a ginasta Gabby Douglas, sensação na Olimpíada de Londres, antes de perder os holofotes para Simone Biles. Na semana passada, Gabby foi muito criticada em seu país por não por a mão sobre o peito enquanto o hino dos EUA era tocado em homenagem à medalha de ouro que as americanas ganharam por equipe na ginástica artística. Gabby não inventou assalto, não mentiu, não quebrou banheiro, não urinou no chão. Tudo que ela fez foi não responder ao hino "como se deve". 
Será que, se o atleta que tivesse mentido e inventado um assalto fosse negro, ou fosse mulher, ou não fosse americano, o tratamento seria o mesmo que Lochte está recebendo? (Parece que não: é verdade que um campeão olímpico foi abordado agressivamente pela polícia, que lhe apontou uma arma -- mas não foi o nadador branco, e sim um ex-atleta do Quênia). 
Será que, se o atleta não fosse um homem branco, ele ouviria palavras tão gentis do coordenador de comunicação do Rio 2016? O coordenador primeiro pediu desculpas aos nadadores pela violência sofrida e, após descobrir que não foi bem assim, continuou aliviando a barra deles: "Precisamos entender que esses garotos vieram aqui para se divertir. Vamos deixá-los em paz. Às vezes, você toma decisões que depois se arrepende. Eles foram se divertir, cometeram um erro, e a vida segue".
É claro que Lochte não matou ninguém, e talvez o caso nem seja tão sério assim -- é só mais um exemplo do que se costuma chamar "Ugly American", ou seja, o americano arrogante que se sente o dono do mundo e maltrata as demais culturas. Mas este caso me lembrou bastante um acidente terrível que agora no final de setembro completa uma década.
A queda do Boeing 737 da Gol foi um dos piores desastres aéreos da história do Brasil. 
154 pessoas morreram (a maioria brasileiros, mas entre as vítimas havia 43 estrangeiros, entre eles 6 americanos, que iam de Manaus para o Rio no Voo 1907). Porém, por incrível que pareça, faltou à imprensa daqui um esforço de reportagem como o de William Langewiesche. Ele teve acesso às transcrições das caixas-pretas do Boeing e do Legacy e publicou uma excelente matéria na revista Vanity Fair em janeiro de 2009, "The devil at 37,000 feet" (o diabo a 37 mil pés) -- leia aqui, em inglês. 
A história envolve dois aviões. Um deles era o Legacy, um jatinho que comporta 13 pessoas (no dia do acidente, havia quatro: dois pilotos, um jornalista e um executivo de vendas, todos americanos), vale 25 milhões de dólares, torra recursos e polui (gasta 300 galões de gasolina por hora).  
Os pilotos americanos do Legacy 3
meses depois do acidente, já nos EUA
Por algum motivo ainda mal explicado, no dia 29 de setembro de 2006 o Legacy estava voando a 37 mil pés, quando deveria estar a 36 mil (nem o controle de tráfego aéreo nem os dois pilotos americanos perceberam, ou pelo menos ninguém comunicou nada). Mas só isso não teria sido suficiente para causar um acidente. Aí o transponder (um radar que mostra onde o avião está) do Legacy parou de funcionar, o que também não é tão incomum. 
Familiares das vítimas do voo 1907
passaram anos pedindo justiça
O sargento (pois o tráfego aéreo brasileiro é controlado por militares) que estava em serviço supervisionando o Legacy acabou seu turno e foi substituído por outro sargento, que tentou se comunicar cinco vezes com o jatinho mas não conseguiu. O transponder voltou a funcionar sozinho, mas em standby, e nenhum dos dois pilotos notou. Um dos pilotos foi ao banheiro e voltou 17 minutos depois. O Legacy continuava sendo um ponto cego no céu, invisível a outros aviões.
Memorial das vítimas
Três minutos antes do acidente, o sargento foi capaz de falar com o Legacy e pediu para que os pilotos entrassem em contato com o controle de Manaus. Eles não entenderam, e o rádio ficou mudo.
No Boeing 737 da Gol corria tudo normal. O voo estava em automático e os experientes pilotos se divertiam compartilhando fotografias pessoais. Uma comissária de bordo entrou na cabine para falar do vídeo da modelo Daniela Cicarelli transando com o namorado no mar. 
Na colisão, a asa do Legacy funcionou como uma faca, fatiando a asa esquerda do Boeing. O avião da Gol automaticamente começou a cair. A cabine se encheu de sons de alarmes. Podem-se ouvir gritos dos passageiros. Um piloto pediu "Calma!" para o outro. Quando o Boeing chegou aos 7 mil pés, ele se rompeu em três partes, que despencaram na floresta abaixo, sem sobreviventes.
No Legacy, com a batida, um piloto perguntou pro outro: "Que diabos foi isso?" Antes de conseguirem aterrizar o jato, o transponder voltou a funcionar. Os pilotos ainda não tinham certeza que haviam colidido com um outro avião. Ficaram sabendo só depois, no chão. Os dois pilotos tiveram que permanecer dois meses no Brasil. Depois voltaram para Nova York e voltaram a voar, mas só dentro dos EUA. 
Pilotos americanos foram recebidos
com festa por cerca de 200 pessoas ao
voltarem aos EUA, 70 dias depois
da colisão com o Boeing 737
Em 2012 foram condenados por negligência a cumprir serviços comunitários (não no Brasil, mas nos EUA).  
Eu sempre pensei: e se dois pilotos brasileiros dirigindo um jatinho no espaço aéreo americano se envolvessem num acidente que causasse a morte de 154 americanos? Os EUA permitiriam que os brasileiros retornassem ao Brasil tão rapidamente? A punição seria tão irrisória?
Parece que, quando as falhas são cometidas pelas partes privilegiadas dos donos do mundo, haverá sempre alguém para perdoá-los.