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sábado, 16 de fevereiro de 2008

NY, A CIDADE MAIS CARA DOS EUA?

Primeira rua pavimentada de NY, em Wall Street

O que mais me impressionou na viagem a Nova York com o maridão em meados de janeiro foi descobrir o quanto eu conhecia a cidade, mesmo sem nunca ter estado lá! Tantas ruas com nomes familiares... E certamente tudo que eu conhecia sobre NY aprendi exclusivamente com os filmes que a retratam. Mas é preciso cuidado com isso de acreditar no que o cinema diz. O maridão fez amizade com um cubano que quis convencê-lo que no Brasil muita gente fala português e espanhol. O maridão insistia que não, e o cubano dizia: “Você é que não sabe!”. E como que o cubano tinha tanta certeza? Ah, porque ele tinha visto um ou dois filmes americanos em que brasileiros com nomes tipicamente brasileiros como Pablo e Juan falavam espanhol. Estivemos mais especificamente em Manhattan. Pra quem não sabe, e não tem por que saber, porque os filmes não vêm com mapinha, Manhattan não é um bairro, mas um dos cinco distritos de NY. Os outros são Staten Island (tem que pegar uma balsa pra chegar lá), Brooklyn, Queens, e Bronx. Manhattan é o mais famoso, o mais caro, e onde ficam bairros como Chinatown (a maior concentração de orientais no Ocidente, mas não confunda com a Chinatown de Los Angeles, que aparece em Blade Runner e em, uh, Chinatown, do Polanski), SoHo, Harlem, e lugares como Times Square e Wall Street, além do Central Park, que fica bem no meio e é enorme. Manhattan até que é pequeno, e a Broadway cruza o distrito inteiro. Chinatown, NY. Fomos a um restaurante vietnamita. Comida chinesa é melhor.

Ficamos num albergue super bem localizado, entre o Rio Hudson e o Central Park, região oeste, lá pela rua 95. Pois é, o legal de parte de Manhattan é que, na Broadway, as ruas têm numeros. É bem mais fácil se localizar assim, e saber o quanto a gente tá andando. Já na chegada cometi uma das minhas gafes: ao pegar o ônibus(o segundo, o primeiro ia do aeroporto La Guardia, no Brooklyn, pro Harlem) pra essa parte da cidade, pedi pro motorista, por gentileza, nos avisar quando estivéssemos na rua 95. Aí que comecei a notar que as ruas estavam subindo numericamente. Até pra uma pessoa sem nenhum senso de orientação como eu não foi difícil perceber que depois da 94 vinha a 95, hora de descer. O albergue não era nenhuma maravilha, mas conseguimos um quarto individual (só que sem banheiro), e a localização era tão fantástica que nem dava pra reclamar. Pagamos um total de 90 dólares por três noites.

Na primavera isso deve ser menos monocromático.

E aqui entra outra parte da minha análise. Nova York tem a fama de ser uma das cidades mais caras do mundo. Estatisticamente, viver nela é 40% mais caro do que viver numa cidade americana de custo médio (Detroit, por exemplo, está bem na média nisso de custo de vida). Ou seja, se eu vivesse em Nova York, gastaria 40% a mais do que gasto em Detroit. No entanto, sinceramente, não vi como. Ok, até agora, por um ingresso de cinema em Detroit, não pagamos mais de 8. Em Nova York não vimos nenhum por menos de 11 (e aí desistimos). Ok, duvido que haja muitas residências em Detroit que custem 33 milhões de dólares, o preço de um apê à venda na vitrine de uma imobiliária no Upper East Side. E claro que em NY não deve existir um aluguel como o que pagamos em Detroit (390 por mês, com água e aquecimento inclusos). Times Square, Manhatttan, NY, presente em tantos filmes.

Em compensação, o que vimos em NY foi diferente do que vimos em Chicago e Washington DC. Cachorro-quente por um dólar? Só em NY. Uma fatia de pizza por 1,50? Só em NY. O metrô em NY custa 2 dólares e permite transfer pra ônibus, bem mais em conta que em outras cidades (inclusive SP). A balsa pra Staten Island é grátis. Em NY, comendo muita comida chinesa e mexicana, gastamos 106 dólares nos quatro dias, incluindo comida e transporte interno. Mais os 90 do albergue, mais a pechincha dos 144 que pagamos em setembro pelas passagens aéreas, e a viagem completa saiu por 340. Pra duas pessoas. Numa das cidades mais caras do mundo. Tudo bem que existe a possibilidade de sermos considerados o casal mais pao-duro do universo.

De algum lugar daqui dá pra ver a Estátua da Liberdade (não que o maridão reparou).

Sempre tenho problemas com essas estatísticas de custo de vida, porque elas são meio relativas. D
á pra notar que Joinville é uma cidade mais barata que Floripa, lógico. E que SP ganha fácil das duas no critério “cidade cara”. Mas exatamente o que faz SP mais cara? Uma geladeira em SP sai mais em conta que em Joinville, e olha que ela é fabricada na Manchester catarinense (ainda se usa esse termo?). A gasolina em SP é mais barata que em SC. Os supermercados paulistas não parecem mais caros, a menos que a gente compre exclusivamente no Pão de Acucar. A comida, idem. O transporte? SP tem mais variedade, tem metrô. Sera que é só o valor do lugar pra morar que encarece tanto uma cidade (isso e o seguro do carro e os ingressos pra shows)?

domingo, 10 de fevereiro de 2008

PRA INCLUIR NO CURRÍCULO

Foto do maridão da mão da Lolinha tirando foto dos australianos. Estátua ao fundo.

Este post é pra quem defendeu o maridão por ele ter tirado fotos tremidas da Estátua da Liberdade, em Nova York. É verdade que a gente tava numa balsa em movimento (porque pra passar pela estátua tem que ir de Manhattan a Staten Island), e que a câmera dele não é de última tecnologia. Mas, convenhamos, o fotógrafo em questão tampouco é o modelo mais avançado do mundo. As questões que não querem calar: por que estas fotos não estão tremidas? Foi ele quem tirou, e a balsa continuava se mexendo - ou talvez as pegadas do monstro de “Cloverfield” causaram terremotos. Mas a questão principal é: o que o casalzinho tá fazendo nas fotos? Não são amigos nossos. Nunca tínhamos visto os pombinhos antes. Conversei brevemente com eles, que disseram ser australianos (porque só turista ou gente fugindo do monstro em Manhattan pra passear na balsa). E estas são apenas duas das trezentas fotos que o maridão tirou deles. Quando perguntei pro gênio por que tantas fotos de desconhecidos, ele respondeu: “Não tirei fotos deles! Tirei da estátua! Eles que não saíam da frente”. Espero que esse talento supremo com câmeras o qualifique pra ser cameraman de “Cloverfield 2”.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

GASTAR PODE SER TRAUMÁTICO

Prometo que ainda vou falar mais da minha viagem de quatro dias a Nova York, mas, por enquanto, fique com este aperitivo. Uma das principais atrações é ir a um show na Broadway. Milhões de turistas americanos e estrangeiros comparecem à cidade só pra fazer isso. Pagam em média 500 dólares por cabeça por noite entre hotel, alimentação, e ingressos. Infelizmente, eu e o maridão não somos turistas-padrão. Não decidi se fomos os turistas mais pobres a jamais pisar em NY ou os mais pão-duros. Mas o custo-benefício não compensa. Não sou capaz de gastar algumas centenas de dólares por duas horas de entretenimento.

Resta a opção de ver os shows da Broadway fora da Broadway. Muitos são levados a outras cidades, às vezes com o mesmo elenco. Por exemplo, aqui em Detroit estão em cartaz os sucessos “O Rei Leão” e “Wicked” (sobre as bruxas do “Mágico de Oz”). E tem um musical com canções da ABBA que eu adoraria ver (a adaptação pro cinema chega às telas em julho, com a Meryl Streep no elenco). Por enquanto esse musical ocupa os palcos de várias cidades. Em NY o valor do ingresso pro show varia entre 128 e 375 dólares. Em Londres o preço é único, 264. Em Berlim, 208. Em Las Vegas sai mais em conta, entre 107 e 250. Em Detroit há uma só alternativa, por 143. A pechincha tá em Seattle: só 73! Ai meu Deus. Um casal precisa ganhar quanto pra torrar mais de 300 verdinhas numa só noite? Muito mais do que a gente ganha, suponho. Fora o que eu gastaria com psiquiatra depois. Eu gostaria de ver shows da Broadway, mas não sobreviveria à culpa.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

CRÍTICA: CLOVERFIELD / Uma câmera na mão e o quê mesmo na cabeça?

Times Square, NY, duas semanas atrás. Repare no cartaz de "Cloverfield", no canto superior à direita.

O mais interessante de “Cloverfield – Monstro” foi ver o filme-catástrofe da vez logo depois de passear por Nova York, mas desconfio que não é todo mundo que pode ter esse prazer. Lá estava eu (e o maridão) no meio de Times Square, procurando o bueiro de onde a Amy Adams saiu em “Encantada”, e vejo um imenso cartaz da Estátua da Liberdade sem cabeça. É fascinante como americano adora destruir “the city so nice it was named twice” (ouvi isso recentemente: “a cidade tão legal que recebeu dois nomes”, porque é New York cidade, em New York estado). Até entendo que terroristas muçulmanos adorem acabar com a cidade, mas americano?! E tudo bem que desde os primórdios do “King Kong” de 1933 dessem trela pra essa fantasia coletiva, mas continuar depois de 11 de setembro parece estranho. Voltando à Estátua da Liberdade, ela não é apenas símbolo de NY, e sim de toda a América, quiçá do mundo. Se você mora em SC sabe que a loja de departamentos Havan, “a Casa Branca brasileira”, fez uma réplica (menor) da Estátua. Já contei que uma vez eu estava no ônibus em Floripa, e passamos em frente à estátua da Havan, e uma mulher fez o sinal da cruz? Tá vendo como é simbólico?

O maridão tirou algumas fotos da estátua legítima, a que fica em NY (ver fotos tremidas). Espero que dê pra reconhecê-la. Não sei se você sacou a semelhança, mas é como se o maridão tivesse filmado “Cloverfield”. Se dessem pra ele uma câmera hiper duper, dessas de “Cloverfield”, com bateria inesgotável e que não quebra nem que um monstrengo a mastigue, o maridão sem dúvida faria um filme-catástrofe. Ele e o cara que segura a câmera no filme têm esse mesmo talento pra coisa. Tanto que, durante a sessão, eu só podia pensar: matem o cameraman, por favor!

Mas quando chega no ponto de ter um monstro por perto pra usar o cameraman pra palitar os dentes, aleluia! Acho que há pelo menos meia hora de enrolação, ou seja, de apresentar personagens que não têm a menor importância (ou alguém na platéia pagou ingresso pra ver atores desconhecidos, e não o monstro ou NY em ruínas? Quer dizer, tirando as mães dos atores desconhecidos?). Virei pro maridão e disse: “Pô, o filme demora pra começar, hein?”. Ele não respondeu porque tava dormindo. Perdi a paciência quando o cameraman espalha pros convidados da festa que dois adultos heteros, independentes e solteiros transaram, e todo mundo diz “Ohhh! Não posso acreditar! Sério mesmo? Puxa! Você tem certeza?”. Nessa hora tive que me controlar pra não gritar “Monstro! Monstro! Monstro!” (se bem que a surpresa toda por um casal transar talvez dê um novo sentido à “city that never sleeps”. E eu que não tava sabendo que NY vive uma escassez de sexo...).

O que mais posso falar sobre este que deve ser o filme com câmera tremida mais caro da História? Ele é um tipo de Bruxa de Blair encontra Godzilla. Tem até close de uma moça chorando com melequinha saindo do nariz. Ah sim, pra você não deixar esta crônica achando que não leu nada de útil, apresento um número real, que vi na minha recente viagem a NY: passear de helicóptero pela cidade custa 115 dólares por doze minutos. Em “Cloverfield” sai mais em conta.

Ah, não fique pros créditos, que são intermináveis. Não acontece nada. Só tô tentando poupar o seu tempo, porque eu fiquei até o finzinho, na vã esperança que no final da lista eles pelo menos explicassem por que diabos o negócio se chama “Cloverfield”. Sei lá, vai que aparece uma pasta confidencial do governo com manchas de café em cima? Uh, aí seria “Coffeefield”? E o que o “field” tem a ver com isso? Coffee Fields Forever? Viajei. Não, é só que “field” tem pinta de arquivo. “Clover” é uma leguminosa da família das ervilhas. Ahá! Sei o que você tá pensando: por que eu não falei antes, pra você decifrar o mistério?! E também é “trevo”. Será que a razão de ser do título seja porque o monstro é uma espécie de amuleto da sorte (trevo de quatro patas) pra alguém? Ok, talvez não pros habitantes de Nova York, mas pros parasitas que moram no Cloverfieldzinho? Melhor parar com esse devaneio, que você já deve estar quase tão enjoado quanto um espectador vendo uma hora e meia de câmera tremida.

Mas é impressionante como tem gente envolvida nessa produção. Pensei que eles só tivessem tomado uma câmera de mão, saído por Manhattan e incluído uns monstrinhos de “O Nevoeiro”. Nada disso. Custou 25 milhões de dólares, e tudo pra gente não ver nada com a tremedeira e os ângulos da câmera (e alguém recebeu uma fortuna pra compor música só pros créditos). Ainda assim, não achei o filme tão ruim. Gosto quando a cabeça de um dos personagens explode no cantinho do quadro, en passant (pena que não é a cabeça do cameraman). A aventura promete ser uma franquia lucrativa. Imagina, dá pra pegar qualquer vídeo caseiro do mesmo dia e fazer um “Cloverfield 2, 3, 4”... Ou o governo pode captar imagens feitas com telefone celular do monstro atacando outras cidades. Ou dêem logo uma câmera pra uma das pulgas do Clô que ela vai encontrar ângulos espetaculares! Acho que uma pulga gigante filmaria melhor que o cameraman e o maridão... juntos.