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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

MINHAS MÃES QUEREM QUE VOCÊ PARTICIPE

Ha ha! Essas pessoas que pensam que podem ganhar da Lolinha no bolão do Oscar...

Participe! Você pode apostar no bolão não-pago, no pago, ou nos dois. Vai logo nos dois! E ri melhor quem não ri da Lolinha se ela por algum motivo escuso não ganhar.

(Eu adoro a Annette Bening e gostaria muito que ela levasse um Oscar. Mas ainda assim vou achar muito injusto se a Natalie Portman não ganhar. Mas acho que ganha, sabe?).

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

CRÍTICA: MINHAS MÃES E MEU PAI / Adorável mas polêmico

Elas só dormem juntas?

Achei uma graça a comédia dramática Minhas Mães e Meu Pai (tradução estranha pra um título esquisito, The Kids Are All Right, “as crianças estão bem”), que acabou de ganhar (merecidamente) o Globo de Ouro. Ri, me emocionei, chorei no final, gostei de quase todos os personagens, do ritmo do filme ― enfim, de tudo. Até que, depois de assisti-lo, comecei a pensar um pouco, li algumas reclamações, e constatei que, ao contrário do “all right” do original, nem tudo tá bem com o filme (trailer legendado aqui).
A história é de um casal de lésbicas, as incríveis e maravilhosas Annette Bening (Beleza Americana) e Julianne Moore (Longe do Paraíso) ― duas atrizes que merecem ganhar o Oscar urgentemente (Annette tem chances, depois de conseguir o Globo de Ouro, mas vai competir com Natalie Portman) ―, que têm dois filhos adolescentes (um do útero de cada, através de inseminação artificial). Parece que, nos EUA, quando um filho nascido através de doador completa 18 anos, ele pode perguntar à clínica quem é seu pai biológico, e, se o pai topar conhecê-lo, eles trocam telefones. Bom, ao menos é isso que acontece no filme, e os filhos (a garota é Mia Wasikowska, protagonista de Alice no País das Maravilhas) do casal lésbico acabam se encontrando com Mark Ruffalo (E se Fosse Verdade), que havia sido doador de esperma dezoito anos atrás. Mas gente, pra falar do problema do filme precisarei falar um pouquinho sobre o que ocorre no filme, então tem uns spoilers pela frente. Seguinte: a personagem da Julianne tem um caso com o Mark.
Pelo que li em alguns fóruns, vários casais de lésbicas nos EUA deixaram a sessão quando Julianne e Mark transam pela primeira vez. Elas tinham ido ver uma comédia feita por uma diretora lésbica, Lisa Cholodenko (de High Art e vários episódios de The L Word), sobre um casal lésbico, sobre como é pra duas mães criarem os filhos, e de repente veem uma lésbica traindo a outra com um cara. E ficaram indignadas. Entendo a indignação. Quer dizer, se a gente for só ver o personagem pelo lado individual, é justificável que a lésbica sinta-se atraída por um homem. Ela está passando por uma crise no casamento, tem baixa autoestima, está começando um trabalho novo, sua esposa é bastante controladora, e lá está um sujeito legal que lhe dá apoio e um pedaço de torta. Essa pessoa podia ser homem ou mulher que talvez, nessa situação específica, ocorreria o adultério. Mas esse “lado individual” ofusca o contexto, que é: quantos casais lésbicos a gente costuma ver no cinema? Zero? E o que diz o senso comum sobre as lésbicas? Que é falta de homem, certo? Que só pode ser lésbica quem não tem um macho por perto. Em filmes com casais héteros em que o marido tá em crise, ele não vai trair a mulher com outro homem, vai? Em filmes com casais de homens gays, o gay não vai trair seu parceiro com uma mulher, vai? Então por que diabos num filme sobre um casal de lésbicas a mulher tem que trair sua parceira com um homem? Pra mim tudo faz sentido no plano individual, no universo do filme, mas olhando o contexto, fica mais complicado. É como Silêncio dos Inocentes, duas décadas atrás. Na época, achei ridículo grupos GLBT protestarem contra aquele filme magnífico. Pô, o que que tem que o serial killer seja um homem querendo virar mulher? Mas quando a gente começa a ver o tratamento que Hollywood dá aos gays (recomendo fortemente o documentário The Celluloid Closet) ― os gays ou não existiam nos filmes ou eram objeto de escárnio ―, o protesto faz sentido. (Esclareço que não vi nenhum grupo organizado protestar contra Minhas Mães, apenas reclamações individuais de lésbicas).
E me incomoda o jeito que as cenas de sexo ― já é bizarro que num filme que retrata um casal de lésbicas só haja cenas de sexo entre Julianne e Mark (que formavam o casal de Ensaio sobre a Cegueira) ― são representadas em Minhas Mães. A atitude e o olhar da Julianne ao ver o pênis de Mark é como se Uau, era exatamente isso que estava faltando na minha vida! Bem mais tarde, ela revira os olhos e explica pra Mark que é lésbica, mas é bem diferente você ver felicidade sexual e ouvir “Não é disso que eu gosto”. Enfim, compreendo essa incoerência do ponto de vista da personagem, mas, se estamos falando de um cinema em que lésbicas raramente aparecem, pega mal.
Como sou hétero, tudo isso passa por mim voando, sem me causar reflexão. Durante o filme, o que mais me incomodou foi como Julianne trata seu jardineiro mexicano. Aquilo fez a personagem desabar no meu conceito. E, até então, todos os personagens eram lindos e queridos, com a exceção gritante do melhor amigo do filho adolescente (que é cruel com animais). Num determinado momento, o filho pergunta às duas mães por que elas gostam de pornô gay, não lésbico, e Julianne explica: “Os pornôs gays são mais verdadeiros. Nos pornôs lésbicos, costumam contratar mulheres hétero para interpretar lésbicas”. E não só nos pornôs, né, Julianne e Annette?