segunda-feira, 25 de maio de 2020

UMA POLÊMICA CHAMADA BEL PARA MENINAS

Semana passada um caso estranho chamou muito a atenção e chegou aos Trending Topics do Twitter com a tag #SalveBelParaMeninas
Bianca, uma admiradora minha e mãe de uma menina de 13 anos, pediu para que eu escrevesse sobre o caso. Respondi que não estava acompanhando, que nem sabia do que se tratava, e pedi para que ela escrevesse. Ela escreveu, com a revisão da filha.
Agora eu sei que o caso envolve trabalho infantil, possível exploração das filhas, e outros tópicos espinhosos. Bel tinha 6 anos em 2013, quando sua família iniciou um canal no YouTube pra ela. Até hoje eram quatro canais da família com mais de 60 milhões de views. Porém, vendo o vídeo da Maíra Medeiros (recomendado pela Bianca), vi que os canais incluem títulos que estão mais para clickbaits, como "Bel é levada pela correnteza", e vídeos que mais parecem abusos, como um em que a mãe da Bel, Fran, a força a tomar uma vitamina de peixe (na época estava na moda o "Smoothie challenge"). 
Leia o que a Bianca tem a dizer:

Em 2015 minha filha de 8 anos começou a assistir o canal do YouTube “Bel para meninas” por recomendação das amigas da escola. A Bel, que tem a mesma idade que a minha filha, chamava a atenção pelos seus brinquedos e pelos teatrinhos que ela fazia com a mãe. Nessas historinhas, Fran (a mãe) sempre era a boazinha, e Bel, a má. 
Quando comecei a ver os vídeos com a minha filha, a alertei sobre como aquela mãe era sem noção e explorava a filha para ganhar views. Nunca proibi minha filha de ver o canal. Ela entendeu o que eu estava lhe explicando e parou de assistir sozinha o "Bel para meninas". 
O tempo passou e na semana passada adolescentes que cresceram assistindo o canal da Bel começaram a reclamar no Twitter de como a Bel está triste, é infantilizada, de como o conteúdo do canal é negativo, e de como ela é maltratada pela mãe. Vários vídeos começaram a circular e não resta dúvida para mim de que a Fran, que é psicóloga, parece ter problemas psicológicos, e de que a Bel não está confortável gravando os vídeos. 
Um vídeo que choca é um com título "Bel sendo levada pela correnteza", em que a menina está no mar com a água até o pescoço e as ondas passam por cima da sua cabeça. Também tem vídeo dela vomitando de nojo do bacalhau com leite que teve que comer para vencer um desafio. E dela tomando sal de frutas, e de Bel sendo atirada na piscina e afogada pela mãe. Surpreende que a mãe nunca passa por essas situações, só a criança. 
Um outro vídeo sugere no título que a Bel é adotada,  mas era “só” uma trollagem da Fran. 
Denúncias e questionamentos de que a menina é proibida de ter amigos, de sair de casa para brincar no condomínio onde moram na cidade de Maricá, RJ, de ser tornar adolescente e de ter suas próprias redes sociais chamaram a atenção do Conselho Tutelar e da Polícia Civil, assim como da mídia. 
O Conselho Tutelar foi duas vezes na residência da família em menos de 24hs e a polícia abriu inquérito e está investigando o caso de forma sigilosa. Em 2016 o Ministério Público de Minas Gerais já havia recebido denúncias, mas nada aconteceu. 
O Cidade Alerta da Record, apresentado por Luiz Bacci, esteve acompanhado o caso, mas desde o dia 21 de maio deixou de dar notícias sobre o desenrolar em seu programa. O que se lê no Twitter é que os pais da Bel estão ameaçando processar todos que se envolvam no caso. Na quinta-feira, Fran e seu marido Mau fizeram um vídeo para reclamar da difamação contra a família.
Hoje o YouTube retirou da sua plataforma todos os vídeos com Bel e sua mãe. O canal da Fran continua. É importante que Bel e sua irmã Nina possam ter seus diretos fundamentais respeitados. Não é por elas serem crianças que não têm direitos. 

9 comentários:

Ana disse...

Texto excelente. Também não assistia o canal e queria entender a situação.

Anônimo disse...

Um absurdo o Ministério Público não ter feito nada.

Unknown disse...

Completamente errado, quem retirou os vídeos foi a própria família e não foi por questões judiciais! Eles provaram e só quem tem acesso e o próprio ministério público, e eles receberam 2 visitas em menos de 24 horas na sua residência do Conselho tutelar!

Unknown disse...

Essa Fran fica obrigando a Bel a fazer esses vídeos malucos sem graça nenhuma alguém tem que frear essa ridícula

Anônimo disse...

Eu acompanhei o caso porque ficou muito tempo nos trending topics do Twitter. Caso de pais que fizeram a vida em cima da exploração da filha ainda criança, em vídeos apelativos. Há muitos canais desse tipo, esse foi só um.

Anônimo disse...

Concordo com a maioria do texto, mas não acho que ter seus próprios perfis de redes sociais seja "direito" de criança. A internet já está abarrotada de pedófilos e outros perigos.

Alan Alriga disse...

Eu vi vários canais de direita falando sobre isso deste a semana passada, mas infelizmente como tudo aqui no Brasil demora para ser levado a justiça, e ainda mais para ela tomar alguma decisão.

Anônimo disse...

Ué, Lola? Pq não publicou meu comentário que fiz nessa madrugada? Só pq vc não gosta, não quer dizer que tem que censurar.

titia disse...

É por isso que se reproduzir não pode ser um direito. Gente como os pais dessa menina simplesmente não devia ter permissão de se reproduzir. Só faz ferrar com o psicológico dos filhos e entregar pessoas totalmente desajustadas e problemáticas.