sábado, 15 de setembro de 2012

GUEST POST: VIZINHOS QUE SE ACHAM OS DONOS DA RUA

Não costumo publicar guest posts de brigas pessoas, mas este mexeu comigo, me identifiquei. Durante muitos dos quinze anos que vivi em Joinville, sempre na mesma casa, tive graves problemas com os vizinhos de uma casa em frente, que insistiam em ouvir música em volume altíssimo. Muitas vezes eles também colocavam suas caixas de som na rua e faziam festas que duravam o dia inteiro, às vezes começando às 8 da manhã, seguindo sem parar até a madrugada, até que os "convidados" (menores inclusos) caíssem de bêbados. Era um inferno. Outros vizinhos nossos, também professores, não aguentaram e se mudaram. Fiz abaixo-assinado na rua. Recebi ameaças de morte. Levei à justiça. Foi, sinceramente, o pior problema de toda a minha vida.
Quem morava naquela casa em frente eram homens: pai, dois irmãos adultos, um da minha idade, e um filho pequeno de um desses irmãos. As mulheres que passavam em suas vidas os abandonavam rapidamente. Eles se consideravam os donos da rua, até por serem os moradores mais antigos. E a maior raiva que tinham de mim era por eu ser mulher. Como eu, uma mulher, podia querer falar de igual pra igual com um homem e pedir-lhe pra parar de demarcar seu território com barulho?
Claro, problemas com vizinhos são comuns. Quase todo mundo têm, e quem têm sabe como podem afetar nossas vidas da pior maneira possível. E obviamente que há vizinhos problemáticos de todos os sexos, raças, classes sociais, orientações sexuais, religiões, e lugares. Mas grande parte do comportamento antissocial desses meus vizinhos vinha do fato de serem homens. Eles acreditavam que eram "merecedores" (o tal do entitlement) de tudo, que podiam tudo. Porque cresceram ouvindo isso.
Essa história da Jacqueline me lembrou muito o que passei. Jacque tem 52 anos, é arte-educadora, e mora em Florianópolis desde 1992. Eis seu relato (com fotos que ela me enviou).

Desde que  construí minha casa em 1996 em uma rua -- chamada de "servidão" -- que  tem acesso à praia por uma trilha nas dunas (onde as mulheres não se aventuram em caminhadas solitárias), tenho tido vários problemas com vizinhos homens-machistas -- fofoqueiros, maledicentes, desocupados, alguns explicitamente alcoólatras, barraqueiros.
São vizinhos das duas extremas do meu terreno e, pra piorar, se uniram a mais três moradores da minha rua. Três deles são pedreiros, dois deles com problemas de alcoolismo (o meu jardineiro diz que eles "não têm mulher pra cuidar deles", por isso são assim). Eu já acho que  qualquer mulher minimamente inteligente recusa-se a conviver com esses tipos.
Como fiz uma casa um tanto exuberante para os padrões das casas da rua na época, e  ainda sou daquelas pessoas que  não gosta e nem têm tempo de fazer política da boa vizinhança, zanzando pelas redondezas para mostrar como sou boazinha, esses sujeitos ficaram mordidos e me elegeram o bode expiatório do lugar.
Um deles, morador de uma das extremas, já morava ali quando comecei a construir ao lado e não disfarçou seu descontentamento. Sempre se deu  ares de dono do pedaço juntamente com seus amigos. Este cidadão foi obrigado a fechar a abertura de sua varanda por ordem judicial, num processo em que saí vencedora. Desde então, ele quer dar o troco.
Me fiz de invisível durante muitos anos, aguentando quieta e calada vários absurdos que  vi e ouvi, em que esses homens estavam diretamente envolvidos. Só para  citar um episódio: um dos vizinhos, notório alcoólatra, berrava meu nome na frente da minha casa, no meio da madrugada.
Porém, no final de 2010, o tal vizinho foi berrar impropérios enquanto chutava o meu portão. Horrorizada, eu via a cena deprimente pela janela da cozinha; como eu não me juntava a ele no "barraco", ele resolveu bater no portão com uma enxada.
Continuei calada, esperando a criatura se acalmar.
Passou uma semana, e ele interceptou minha entrada com o seu carro. Tive que parar no meio da rua mais adiante, entrei em casa e gritei: "Você é um covarde! Vou agora chamar a polícia!" A viatura apareceu mais de uma hora depois.
Bem, a partir daí meu relato é também de denúncia à total inoperância, incompetência e descaso das instâncias que deveriam me apoiar e inibir essas atitudes. Fiz um BO que  resultou em uma audiência. O "conciliador",  não merecedor desta denominação, não leu o processo, não me deu a palavra e ainda saiu do recinto que,  vim a saber mais tarde, não possui câmeras, e foi quando ouvi mais ameaças de um dos vizinhos. Eu queria ir embora dali e acabei assinando a extinção desta representação. E me arrependo disso.
Em julho deste ano houve a audiência no pequenas causas (danos no meu portão por causa dos chutes e enxadadas do ensandecido) e -- pasme! -- novamente uma conciliadora (uma mulher com um olhar amedrontado) não leu o processo e não me deu voz. Tudo como antes, só que desta vez o vizinho me fez ameaças mostrando uma lista de amigos dele digitada num papel (entre eles um notório pequeno traficante da rua, espancador de mulheres e morto recentemente num acidente de moto). Desta vez resolvi não encerrar o processo.
O resultado é que este vizinho e seus amigos estão me intimidando na rua de várias formas: um deles, também pedreiro, de bicicleta, se agarrou na traseira do meu carro. Outro, tatuador-surfista-machista, que mora na outra extrema do meu terreno, fica berrando e xingando para meu cachorro parar de latir. Os cachorros dos parceiros dele podem latir à vontade e andar soltos pela rua.
E tem crime de calúnia também, já que um dos vizinhos espalhou para pessoas que não me conhecem, moradores recentes desta rua, que sou a pior pessoa deste mundo. Uma delas, uma menina de uns 12 anos, voltando da escola com meu filho de 15, chegou a dizer que me viu correndo com meu carro pela rua (que ainda é de areia) tentando atropelá-la! Isso me aborreceu muito, já que sou daquelas extremamente cuidadosas na direção. Por conta disso, estou deixando meu carro em outra rua e terei que me endividar para construir outra garagem com acesso pela rua paralela.
Também fui ao centro de referência à mulher vítima de violência desta cidade e tive que ouvir da assistente jurídica que eu deveria fugir, me mudar da rua porque, segundo ela, nada pode ser feito, que as instâncias policiais e jurídicas não vão resolver nada mesmo, só fugindo.
Também liguei para o 180. Enquanto relatava meu caso, a atendente, bem treinada, repetia o tempo todo "compreendo", "compreendo", para no fim me dar todas as orientações que já segui e que só me fizeram perder tempo, paciência e credibilidade na justiça.
Constato que as instâncias de proteção e defesa da mulher vítima de violência aqui na minha cidade e, me parece, em todo o Brasil, só existem pra "inglês ver" -- na prática não valem de quase nada.
Enquanto as pessoas que trabalham diretamente nestes casos (atendentes do 180 até juízes) continuarem com mentalidade tacanha, despreparados ou pouco sensíveis a esta doença social revoltante  que  é o machismo, pouco vamos avançar.

203 comentários:

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Unknown disse...

Boa noite,um inquilino meu quebrou as minhas portas e batendo na mulher e foi preso,mais disse que nao podia pagar e nem a mulher dele.
Posso revorrec aos pais do rapaz para pagar os prejuízos?

Unknown disse...

Meu vizinho me denunciou por eu ter uma criação de galinhas mas ele não encherga o propio rabo que ele fas mais errado que eu ele é traficante

Unknown disse...

E ele esta nesse momento agora muito chapado tem um cadet prata

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