terça-feira, 31 de outubro de 2017

GUEST POST: "EU ERA MUITO PRETA"

A Ana me enviou este email.

Oi, meu nome é Ana, sou leitora do blog. Estava lendo alguns posts seus, como o de uma menina que se julga feia ou de homens que se relacionam com mulheres gordas, e aquele post de homens que julgam mulheres fora do padrão normativo, e lembrei de algo que me aconteceu há uns cinco anos. Os nomes são fictícios.
Lembro até hoje no primeiro ano do ensino médio do olhar de um menino que me fitou. A princípio eu estava a fim de um outro garoto que ao longo do ano me zoou apenas por gostar dele, mas, vendo que havia quem admirava minha beleza, e talvez me valorizaria, logo fiquei a fim dele, o "Paulo".
Eu, negra, pele escura, cabelo crespo, nariz pequeno, boca levemente cheia, sem corpo escultural de passista, uma menina de altura média, "cheinha", rústica, cabelo amarrado para trás que mesclava entre coque e rabo de cavalo, nerd, nada "feminina", tímida. Ele, um rapaz de pele bem clara, magro, alto, bonito. Parecia gostar de mim e sempre me fitava quando podia. O que mais gostei nele foi o jeito reservado.
A sociedade não gostou. Quem mais se incomodou foi um amigo do Paulo que já havia declarado no começo do ano que eu era muito preta e portanto nunca ficaria comigo (disse a outro garoto e eu ouvi), e logo emendou que eu era muito feia (para disfarçar o racismo que chocou até o menino que lhe perguntou se ficaria comigo).
Paulo não sabia que seu amigo me detestava por ser negra, ele não tinha presenciado esse ato racista, então, ele continuava a me olhar, e a andar com seu amigo. No meio de todos os meninos machistas e agressivos, Paulo parecia diferente, e isso me encantou. Apesar de tudo, ele não me zoava, apenas ficava calado, e eu achava que ele ficava assim por medo de ser zoado, talvez. Tentei esquecê-lo, evitava olhar, mas ele não retrocedia.
No meio de todo bullying que eu sofria por ser quieta, negra, estranha, como diziam, ainda tinha gente de outra sala de olho em mim. Várias meninas paravam na minha frente pra me reparar e se perguntavam o que Paulo tinha visto em mim. Eu tentava fingir que não era comigo, mas doía. O assédio era grande.
Passei a ver Paulo como o diabo e eu fugia dele, pois só o fato d' ele olhar para mim (ele era de outra turma) fazia com que seus amigos de turma implicassem comigo.
Passei a evitar tudo, a não participar de gincanas do colégio, a ter crises de ansiedade que doíam meu estômago, a não ficar nem no pátio do colégio para evitar exposição (eu me isolava no auditório vazio que tinha atrás do pátio do colégio). Durante esse tempo os meninos já tinham inventado coisas de mim que eu desconhecia, apenas ouvia boatos.
Eu já era a feia da sala e nerd estranha, a maioria das meninas negras são, então eu evitava o Paulo pra não ser importunada. Eu nem sabia o nome dele, só soube cinco anos depois, quando eu já havia saído do colégio e ainda sofria as consequências do bullying (depressão e fobia social).
Eu nunca entendia a falta de coragem que Paulo tinha para chegar em mim. Todas as meninas ficavam, algumas nem eram consideradas bonitas, mas depois de pensar bastante, me liguei que o problema era minha cor mesmo. Eu não era uma simples menina, era uma menina negra e pra variar, tímida. Eu era a menina mais escura da sala, e eu pensava que era apenas um complexo meu, até que sempre que passava perto dos colegas de Paulo, notavam que se referiam a mim como "neguinha" e coisas do tipo.
O amigo racista dele aproveitava que ele estava longe e cuspia no chão toda vez que me via, assim, todos os outros meninos passaram a fazer o mesmo, e ele a olhar calado. Às vezes ele até ria, parecia que de nervoso.
Eu já tinha desistido d'ele fazer algum contato comigo, estava no segundo ano depois de um ano de bullying, até que um dia ele me estendeu a mão enquanto eu estava sentada no banco, me cumprimentou. Eu, apavorada, apertei as mãos dele. Todos viram.
A consequência desse aperto não foi muito boa e então eu tive que sair do colégio. Estava insuportável o ambiente, o assédio tanto das meninas quanto dos meninos era demais, eu já não aguentava mais.
Ao todo foi um ano e meio de bullying (saí na metade do segundo ano). Eu era importunada porque não parecia uma menina convencional, segundo eles, porque eu não merecia ser amada por ser "feia", por ser diferente. Ninguém poderia gostar de mim, era o que mostrava a reação de todos.
O pior de tudo foi que Paulo nunca fez nada, não que eu saiba. Ele preferiu aderir ao social.
Apesar de tudo, de toda a covardia dele, ainda assim foi a única lembrança boa que tive do ensino médio. Você já presenciou alguma cena do tipo, Lola? Quem era a menina feia da sua sala? Na sua sala haviam pessoas negras e como eram tratadas, em especial, as meninas?

Meus comentários: Eu estudei numa escola americana em SP, de elite. Havia gente de várias nacionalidades, mas na minha sala não havia negros (se bem que havia indianos, e também japoneses e coreanos). Na minha turma tinha uma muçulmana, uma brasileira gordinha que era bastante zoada, mas talvez mais pelos seus valores conservadores que pela sua forma ou religião. Não sei. Eu gostava muito da minha turma e acho que no ensino médio havia pouco bullying, felizmente. Havia mais na sexta, sétima série pra trás. 
Sinto muito por tudo que você passou, Ana. Imagino como isso deve afetar sua autoestima até hoje. Eu fico pasma como tem gente que nega que o racismo exista... 

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

E O OSCAR DE PIOR HORA PARA SAIR DO ARMÁRIO VAI PARA KEVIN SPACEY

O excelente ator Kevin Spacey deu um tiro no pé ontem.
Um ator de 46 anos, Anthony Rapp (que eu nunca ouvi falar, mas ele é conhecido por estar na série Star Trek), acusou Spacey de tê-lo assediado sexualmente -- mais de três décadas atrás, quando Rapp tinha apenas 14 anos e, Spacey, 26. 
Rapp e Spacey três décadas depois
Rapp decidiu denunciar Spacey levado pelo escândalo do produtor Harvey Weinstein, que está fazendo muita gente se abrir. (Até agora, não vi ninguém acusando alguma mulher de assédio). Rapp contou que ele e Spacey se conheceram na Broadway, e o astro que anos mais tarde ganharia dois Oscars por (por Os Suspeitos e Beleza Americana) e vários Emmys (por House of Cards) o convidou para uma festa no seu apartamento. Entediado, o menino de 14 anos foi a um quarto ver TV. Quando a festa acabou, Spacey, bêbado, se jogou em cima dele na cama. Rapp conseguiu deixar o apartamento.
Até aí, tudo bem... nada! É moralmente condenável que Spacey tenha agido dessa forma, assim como o é sempre que alguém faz ou tenta fazer sexo com menor de idade. Todos estiveram errados: Spacey, Caetano, Polanski, o carinha do BBB, e tantos outros. É mais do que um erro -- é um crime, já que transar com menor de 14 anos é tipificado como estupro de vulnerável. Na maior parte desses casos não há mais crime, porque não houve denúncia (caso de Spacey e Caetano) ou porque os crimes prescrevem. 
Kevin Spacey jovem
Spacey não desmentiu Rapp, não foi arrogante, não ameaçou processá-lo, e pediu desculpas (ponto pra ele). Sua declaração: "Tenho muito respeito e admiração por Anthony Rapp como ator. Estou mais do que horrorizado por ouvir essa história. Eu honestamente não me lembro desse encontro, que deve ter acontecido há mais de 30 anos. Mas se eu me comportei da maneira que ele descreve, eu lhe devo as mais sinceras desculpas pelo que teria sido um comportamento embriagado profundamente inapropriado. Sinto muito pelos sentimentos que ele revela ter carregado com ele durante todos esses anos". 
Acho que seu pronunciamento foi bastante bom, se não viesse acompanhado de um segundo parágrafo: "Essa história me encorajou a falar sobre outros aspectos da minha vida. Sei que há histórias sobre mim circulando por aí, e algumas delas foram alimentadas pelo fato de eu sempre ter sido são cuidadoso com minha privacidade. Como as pessoas mais próximas de mim sabem, eu tive relacionamentos com homens e mulheres. Eu amei e tive encontros amorosos com homens durante toda minha vida, e agora eu escolhi viver como um homem gay. Quero lidar com isso de maneira aberta e honesta, e isso começa comigo examinando meu próprio comportamento".
Quer dizer... O que a denúncia de Rapp tem a ver com Spacey ser gay? Parece uma tentativa desesperada de mudar de assunto. Spacey deve ter escolhido a pior hora do mundo pra sair do armário. A denúncia não tinha nada a ver com sua orientação sexual, e sim com ter tentado transar com um menor de idade.
Resumindo, parece que Spacey falou: "Peço desculpas, não lembro, errei, e quero aproveitar a ocasião para anunciar que sou gay". What the duck, né?
Sempre se soube que Spacey não era hétero, principalmente após o ator ir à cerimônia do Oscar com a sua mãe. Lógico que isso é preconceito, mas é o que se fala, ou pelo menos o que se falava, nos anos 90 (evoluímos um pouco nesse quesito?), quando um cara não era casado com uma mulher nem aparentava ter namorada (se bem que ele namorou Kate Mara e havia rumores que ele e Mena Suvari tiveram um caso). Mas não é isso que importa. Neste momento, só os piores reaças estão interessados na orientação sexual de Spacey.
Coisas que reaças adoram
espalhar
Por que "os piores reaças"? Porque são eles que vivem falando que todo gay é pedófilo, que o movimento LGBT tem planos nefastos de legalizar a pedofilia e seduzir todos os menininhos, essas teorias conspiratórias todas que alimentam a direita. Às vezes reaças tornam suas fantasias conspiratórias mais abrangentes -- não seriam apenas todos os gays que são pedófilos, mas toda a esquerda (aí que Caetano e Simone de Beauvoir entram na história). E tudo financiado por "judeus internacionais" como George Soros! (melhor nem falar que essas acusações de pedofilia provavelmente vêm de caras que digitam "novinhas" ao procurar pornô na net). 
Spacey, que sempre foi querido em Hollywood e adorado por fãs, teve durante sua carreira inúmeras oportunidades de usar sua voz para sair do armário (o que pode influenciar gays jovens a se aceitarem e a ter orgulho do que são -- ou seja, um cara famoso declarar-se gay é uma atitude pessoal mas também política, que pode salvar vidas). 
Spacey escolheu esta. Foi um dos piores timings que já vi. 

UPDATE menos de uma semana depois: As denúncias contra Spacey não param. Aparentemente sua carreira acabou. Algumas leitoras perguntam se a reação seria a mesma se as vítimas não tivessem sido homens.

domingo, 29 de outubro de 2017

ATÉ A CADELA

Esta é minha manifestação favorita a favor do Estado Laico. 
Entendedores entenderão. Ou não. É como este tuíte que vi hoje. 
Aliás, devo ver Stranger Things? Estou acabando de ver a primeira temporada de Mindhunter e gostei bastante. Gostei quando algum agente do FBI sugere o termo serial killer e alguém responde, "É, vamos ver se o termo pega". 
E por falar em termos, tem gente que não gosta de feminicídio porque considera a violência contra as mulheres um mero "crime passional". Por isso pede a extinção do termo. Mas ele é um termo importante. As palavras são fundamentais. Lembre-se que até pouco não existiam termos como violência doméstica e estupro marital, entre outras. E como se pode denunciar o que sequer é nomeado? Aproveite o domingão e vote não, por favor. 
E aproveitando ainda mais este post que não vai a lugar nenhum, vou finalmente divulgar o resultado do sorteio do ótimo livro Os Homens Explicam Tudo para Mim, de Rebecca Solnit (editora Cultrix). 
Mil desculpas pela demora, mas o tempo está curto. Fiz uma lista dos comentários no post (veja aqui), retirei os comentários anônimos e os repetidos, e deu 34 nomes. Aí acionei o Random, e ele sorteou o número 1. Ou seja, deu a Karen! Por favor, Karen, manda um email pra mim (lolaescreva@gmail.com) pra me passar seu endereço, aí eu envio o livro pra você. Se ela não se manifestar até depois de amanhã, vou sortear outro número entre os 34 - até que alguém que ganhe se manifeste. 
Gente, até agora nenhum dos meus sorteios deu certo! Muitas pessoas participam, mas, na hora de quem venceu me mandar o endereço, nada. E estou com mais quatro livros pra sortear, livros incríveis que recebi da Editora Autêntica, que lançou uma coleção relacionada a gênero, a Argos. 
Vou sortear em breve um exemplar de cada, e também enviar um livro para meus quatro maiores doadores, como agradecimento e presente de natal. Enviarei um email pra cada pedindo um endereço pra que eu possa mandar o livro. Infelizmente, não tenho o email do meu maior doador, então, Rodrigo, por favor, se puder me mande um email pra que eu possa te agradecer imensamente.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

NÃO FOI BULLYING, DIZ TERAPEUTA

Ainda sobre a terrível tragédia ocorrida em Goiânia na semana passada, reproduzo um texto do terapeuta cognitivo Jordan Campos
Para ele, a motivação do crime em que um menino de 14 anos matou dois de seus colegas e feriu outros quatro a tiros não foi o bullying.
É uma análise interessante, na contramão do que se vem falando sobre o caso, embora eu esteja longe de concordar com tudo que o autor diz.
Atenção: leia uma refutação ao texto. Valéria, professora que também escreveu sobre o massacre, critica o post de Campos por, entre outros motivos, não cogitar a possibilidade do bullying.

Sim, um adolescente matou dois colegas de escola com uma arma de fogo. Sim, pessoas desinformadas e com a ajuda da mídia espalham que o bullying foi o motivo. Não, não foi este o motivo. E vou aqui explicar um pouco sobre tudo isto.
Sou pai de quatro filhos, psicoterapeuta clínico de crianças, jovens e adultos e discordo completamente da “desculpa esfarrapada” desta pseudo-versão dos fatos. Bullying é o resultado de um abuso persistente na forma de violência física ou psicológica a uma outra pessoa. 
Bullying não é a piada sem graça, a ofensa solta ou uma provocação por conta do odor resultante da falta de desodorante por quatro dias, que foi exatamente o “caso” do adolescente que matou seus colegas. O motivo pelo qual o jovem assassinou seus colegas é um conjunto de fatores na formação de sua personalidade sob responsabilidade de seus pais. 
O GATILHO que deu o start em seu plano de matar pode ter surgido da provocação de seus colegas, sim. Foi uma reação desmedida, autoritária, perversa e calculada a um conflito em que ele se viu inserido. A falta de preparo emocional e educacional deste jovem para lidar com frustrações é o ponto alto deste simples quebra-cabeças. 
Quando somos colocados frente a um conflito, ou o enfrentamos, ou fugimos ou paralisamos. As vítimas de bullying costumam paralisar e passam anos no gerúndio do próprio verbo que identifica este problema. Bullying é uma ressaca, um trauma no gerúndio, que vai minando as forças, destruindo a autoestima e a identidade frágil de suas vítimas.
No caso do adolescente em questão ele não teve tempo de ser vítima de bullying, ele simplesmente enfrentou a provocação de ser chamado de fedorento com base em sua formação de personalidade, filosofia de vida, exemplos e criação, reagindo. Colegas de sala disseram que ele era adorador do nazismo, cultuava coisas satânicas e quando provocado dizia que seus pais, que são policiais, iriam matar os provocadores se ele pedisse! BINGO!
NÃO FOI BULLYING - Por mais espantoso que possa ser, desculpem mídia e pseudo-sábios filósofos contemporâneos -- o garoto matou porque tinha na sua formação de personalidade uma espécie de autorização para fazer! A identidade deste jovem de 14 anos estava formada em um alicerce que permitia isso. Ele provavelmente iria fazer isso logo logo... Na escola, com o vizinho, na briga de trânsito ou com a namorada que terminasse com ele, e isso nada tem a ver com bullying. A provocação foi apenas o motivo para “fazer o que já se era.”
Agora, falando do bullying, digo sem pestanejar que o maior culpado pela sedimentação do bullying e suas prováveis repercussões não são os coleguinhas “maldosos”, e sim a FAMÍLIA de quem sofre este tipo de ação. Se quem sofresse bullying fosse um potencial assassino a humanidade estava extinta. Mata-se muito por traições, brigas de trânsito, desavenças de trabalho, machismo, homofobia... Mas não por bullying. Pelo contrário -- é muito mais provável um suicídio, depressão, implosão.
O que faz com que alguém resista ou não a uma ação que pode virar bullying? Simples -- a capacidade do jovem em lidar com frustrações e aprender a enfrentar seus problemas e conflitos. Esta é a maior prevenção ao bullying -- aprender a vencer frustrações se submetendo a elas de forma sadia e com orientação. Aprender a respeitar os pais e a vida. Ter lições diárias de cidadania, direitos humanos -- mas o mais importante -- passar por frustrações e ter apoio dos pais, sem lamentar e encontrar culpados e sim crescer forte entendendo que neste mundo não podemos ter o controle das coisas.
Pais, ensinem seus filhos a respeitarem vocês e aos outros. Sei que muitos de vocês estão cheio de carências, desesperados em relações funcionais fúteis, e projetando em seus filhos o amor que não tiveram de quem acham que deveriam ter. Negligenciam assim o respeito e querem ser amados -- isso contribui para fazer jovens fracos, deprimidos, ansiosos, confusos e vítimas fáceis para o bullying. Lembrem-se: só se ama e se valoriza o que se aprende a respeitar!
(Este texto foi feito com base em informações disponíveis na imprensa e pela polícia até então. Não é um exame, avaliação ou diagnóstico psicoterapêutico, e sim considerações em tese, de cunho geral de muitos anos atendendo jovens como profissional do comportamento).

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A JUSTIÇA AINDA NÃO ESTÁ MORTA

Ontem foi mais um dia em que o Brasil mostrou ao mundo a sua cara: 
a maioria dos deputados (aqueles mesmos que, em nome de Deus e da família, tiraram Dilma por pedaladas ficais) votou por arquivar as denúncias contra Fora Temer.
Mas estou tentando me manter animada (não tá fácil!) e fui tentar ver o copo meio cheio. Encontrei três boas notícias, todas vindas da justiça.
Lembram do absurdo que foi a ex-ministra Eleonora Menicucci ter sido condenada a pagar indenização por danos morais a Alexandre Frota? O ex-ator pornô e hoje auto-intitulado norte moral da família brasileira abriu um processo contra ela em 2016, quando ela o criticou por ter sido atendido pelo sinistro da educação. 
A ex-ministra disse, na época, que Frota "não só já assumiu ter estuprado, mas fez apologia ao estupro", referindo-se à participação desastrosa do ator no "Agora é Tarde". Frota pediu R$ 35 mil de indenização pelo "sofrimento atroz" causado. Na audiência de conciliação, em setembro de 2016, Menicucci corajosamente negou-se a pedir desculpas. Em maio, foi condenada a pagar R$ 10 mil.
Recorreu e anteontem, em segunda instância, conseguiu reverter sua condenação. Foi uma grande vitória das mulheres, muitas das quais compareceram ao fórum (e foram violentamente agredidas por capangas do brucutu). Lembrando que a maioria das manifestantes eram senhoras com mais de 65 anos, mas é óbvio ululante que reaças não têm o menor respeito por mulheres.
O ex-ator pornô reclamou da decisão e afirmou que "o juiz não julgou com a cabeça, julgou com a bunda". Esperamos que essa declaração renda de brinde ao reaça um processo do juiz em questão.
E anteontem Frota perdeu outro processo, desta vez do deputado federal Jean Wyllys. Terá que pagar R$ 10 mil ao parlamentar do Psol. 
Outra boa notícia: a justiça confirmou, em segunda instância, a indenização de R$ 100 mil que Reinaldo Azevedo, Veja e a rádio Jovem Pan devem pagar a sempre brilhante cartunista Laerte. Azevedo havia chamado Laerte de "baranga moral" e "fraude de gênero" no seu programa e coluna.  O que deixou o reaça furioso foi esta charge de Laerte sobre a hipocrisia dos golpistas: 
Como relata a Fórum, há um outro excelente motivo para comemorar: a advogada de Laerte foi Márcia Rocha, primeira advogada trans a ter o nome social colocado em sua inscrição na OAB. 
Essas decisões da justiça, mesmo em segunda instância, me deixam feliz, já que eu também estou sendo processada por homens da pior espécie. 
Parece que são quatro os processos contra mim (um deles pede R$ 300 mil de indenização, o que seria um recorde nacional, imagino), mas, até agora, só chegaram dois.
Nessas horas em que vemos ladrões confessos se safando, é bom saber que a justiça ainda existe.