terça-feira, 31 de outubro de 2017

GUEST POST: "EU ERA MUITO PRETA"

A Ana me enviou este email.

Oi, meu nome é Ana, sou leitora do blog. Estava lendo alguns posts seus, como o de uma menina que se julga feia ou de homens que se relacionam com mulheres gordas, e aquele post de homens que julgam mulheres fora do padrão normativo, e lembrei de algo que me aconteceu há uns cinco anos. Os nomes são fictícios.
Lembro até hoje no primeiro ano do ensino médio do olhar de um menino que me fitou. A princípio eu estava a fim de um outro garoto que ao longo do ano me zoou apenas por gostar dele, mas, vendo que havia quem admirava minha beleza, e talvez me valorizaria, logo fiquei a fim dele, o "Paulo".
Eu, negra, pele escura, cabelo crespo, nariz pequeno, boca levemente cheia, sem corpo escultural de passista, uma menina de altura média, "cheinha", rústica, cabelo amarrado para trás que mesclava entre coque e rabo de cavalo, nerd, nada "feminina", tímida. Ele, um rapaz de pele bem clara, magro, alto, bonito. Parecia gostar de mim e sempre me fitava quando podia. O que mais gostei nele foi o jeito reservado.
A sociedade não gostou. Quem mais se incomodou foi um amigo do Paulo que já havia declarado no começo do ano que eu era muito preta e portanto nunca ficaria comigo (disse a outro garoto e eu ouvi), e logo emendou que eu era muito feia (para disfarçar o racismo que chocou até o menino que lhe perguntou se ficaria comigo).
Paulo não sabia que seu amigo me detestava por ser negra, ele não tinha presenciado esse ato racista, então, ele continuava a me olhar, e a andar com seu amigo. No meio de todos os meninos machistas e agressivos, Paulo parecia diferente, e isso me encantou. Apesar de tudo, ele não me zoava, apenas ficava calado, e eu achava que ele ficava assim por medo de ser zoado, talvez. Tentei esquecê-lo, evitava olhar, mas ele não retrocedia.
No meio de todo bullying que eu sofria por ser quieta, negra, estranha, como diziam, ainda tinha gente de outra sala de olho em mim. Várias meninas paravam na minha frente pra me reparar e se perguntavam o que Paulo tinha visto em mim. Eu tentava fingir que não era comigo, mas doía. O assédio era grande.
Passei a ver Paulo como o diabo e eu fugia dele, pois só o fato d' ele olhar para mim (ele era de outra turma) fazia com que seus amigos de turma implicassem comigo.
Passei a evitar tudo, a não participar de gincanas do colégio, a ter crises de ansiedade que doíam meu estômago, a não ficar nem no pátio do colégio para evitar exposição (eu me isolava no auditório vazio que tinha atrás do pátio do colégio). Durante esse tempo os meninos já tinham inventado coisas de mim que eu desconhecia, apenas ouvia boatos.
Eu já era a feia da sala e nerd estranha, a maioria das meninas negras são, então eu evitava o Paulo pra não ser importunada. Eu nem sabia o nome dele, só soube cinco anos depois, quando eu já havia saído do colégio e ainda sofria as consequências do bullying (depressão e fobia social).
Eu nunca entendia a falta de coragem que Paulo tinha para chegar em mim. Todas as meninas ficavam, algumas nem eram consideradas bonitas, mas depois de pensar bastante, me liguei que o problema era minha cor mesmo. Eu não era uma simples menina, era uma menina negra e pra variar, tímida. Eu era a menina mais escura da sala, e eu pensava que era apenas um complexo meu, até que sempre que passava perto dos colegas de Paulo, notavam que se referiam a mim como "neguinha" e coisas do tipo.
O amigo racista dele aproveitava que ele estava longe e cuspia no chão toda vez que me via, assim, todos os outros meninos passaram a fazer o mesmo, e ele a olhar calado. Às vezes ele até ria, parecia que de nervoso.
Eu já tinha desistido d'ele fazer algum contato comigo, estava no segundo ano depois de um ano de bullying, até que um dia ele me estendeu a mão enquanto eu estava sentada no banco, me cumprimentou. Eu, apavorada, apertei as mãos dele. Todos viram.
A consequência desse aperto não foi muito boa e então eu tive que sair do colégio. Estava insuportável o ambiente, o assédio tanto das meninas quanto dos meninos era demais, eu já não aguentava mais.
Ao todo foi um ano e meio de bullying (saí na metade do segundo ano). Eu era importunada porque não parecia uma menina convencional, segundo eles, porque eu não merecia ser amada por ser "feia", por ser diferente. Ninguém poderia gostar de mim, era o que mostrava a reação de todos.
O pior de tudo foi que Paulo nunca fez nada, não que eu saiba. Ele preferiu aderir ao social.
Apesar de tudo, de toda a covardia dele, ainda assim foi a única lembrança boa que tive do ensino médio. Você já presenciou alguma cena do tipo, Lola? Quem era a menina feia da sua sala? Na sua sala haviam pessoas negras e como eram tratadas, em especial, as meninas?

Meus comentários: Eu estudei numa escola americana em SP, de elite. Havia gente de várias nacionalidades, mas na minha sala não havia negros (se bem que havia indianos, e também japoneses e coreanos). Na minha turma tinha uma muçulmana, uma brasileira gordinha que era bastante zoada, mas talvez mais pelos seus valores conservadores que pela sua forma ou religião. Não sei. Eu gostava muito da minha turma e acho que no ensino médio havia pouco bullying, felizmente. Havia mais na sexta, sétima série pra trás. 
Sinto muito por tudo que você passou, Ana. Imagino como isso deve afetar sua autoestima até hoje. Eu fico pasma como tem gente que nega que o racismo exista... 

42 comentários:

Anônimo disse...

Me lembro dos meus tempos de escola, ficar com uma menina negra era pedir para ser zoado para o resto da vida. A pressão social era muito grande.

Não sei como seria hoje em dia.

Anônimo disse...

Ah, e me lembro claramente da participação decisiva das meninas brancas nesse racismo.

Era considerado fato que se um menino branco ficasse com uma menina negra publicamente, nenhuma menina branca ia querer ele depois.

mariana. disse...

Oi, Ana.
Me chamo Mariana, tenho 26 anos, e me identifiquei um pouquinho com a sua história.
Sou negra, mas de pele clara (mulata, moreninha, parda, enfim, tô nesse tom de pele que as pessoas adoram usar os mais variados termos pra refutar minha negritude), e durante meu ensino fundamental estudei em escola pública, porém em um bairro mais nobre aqui de Curitiba (cidadezinha mega elitista e no Sul ainda, acho que dava pra contar nos dedos quantos alunos negros estudavam comigo).
Me lembro muito que lá pela 6a, 7a série, quando as crianças começavam as brincadeiras de "verdade ou desafio", a ter namoradinhos, dar seus primeiros beijinhos, nenhum menino gostava de mim. eu até tinha amigos, mas mesmo pra eles eu era feia (e eles diziam abertamente). Um dia participei do meu primeiro "verdade ou desafio" e o desafio foi beijar o Bruno, o menino por quem eu tinha uma crush forte, era o galã da escola e já tinha beijado umas 3 meninas só naquele dia. Ele se recusou, fez um super drama, mas insistiram. Ele me deu um selinho e CUSPIU NO CHÃO E LIMPOU A BOCA.
Eu nunca esqueci disso.
Depois, no ensino médio, fui pra uma escola maior, mais diversificada, e lá eu não era considerada feia, até ficava com vários meninos - o que se estendeu até a faculdade, onde tive uma vida sexual bem movimentada, rs. Mas por todos esses anos a insegurança de ficar com alguém que sentisse NOJO de mim como o Bruno me atormentou e ainda me atormenta. Não atribuo isso só a ele, claro, mas a todo aquele contexto de desenvolvimento meu em que eu era jogada pra escanteio claramente só por ser negra, nas brigas era chamada de "macaca xita" e por aí vai, ele só é a lembrança mais viva e doída disso.
Então te digo: força, minha irmã, porque ser uma mulher preta infelizmente não é fácil e eu poderia te dizer que melhora (pq as pessoas pelo menos aprendem a disfarçar), mas não melhora muito, não (pq o racismo delas se expressa as vezes de formas ainda mais perversas, mesmo por pessoas que "até ficam com a gente"). Foca nos teus estudos, faça boas amizades, FAÇA AMIZADES PRETAS porque se tem algo do que eu me arrependo foi de ter me envolvido com tanto homem branco que me escondia da família e dos amigos (até dos roomates). Não abaixe a cabeça, resista! O seu sucesso é a sua maior vingança contra esse bando de fracassados perversos, inclusive esse Paulo, fraco pra caramba ao não assumir que gostava de ti e não se impor perante os próprios amigos.
Um abraço, fica bem <3

Guidi Vieira disse...

Essa história deve se repetir tanto! Em tantos lugares, em variados graus de violência... Espero que a autora do post esteja bem, hoje, se fortaleça cada vez mais com leituras feministas (como os textos de Lola) e que se una às amigas. Se unir às mulheres ajuda muito e pode aplacar a solidão (comigo ajuda muito). Um grande beijo

Anônimo disse...

a) Sou negra tb sofri com a sindrome do patinho feio da turma foi dificil mas eu superei e gosto de atualmente ve as meninas negras assumindo seus cachos suas trancinhas.

b) Lola gostaria de sugerir um texto sobre a novela outro lado do paraiso ela esta falando de assedio

titia disse...

O título pertenceu a mim na minha turma, Ana, e eu sou branca. Acredito que esses merdinhas cismam primeiro com a personalidade da pessoa e depois com a aparência. Claro, no seu caso o racismo pesou muito e a conduta dos outros alunos foi simplesmente nojenta. Mas eles cismam mesmo com quem de uma maneira ou de outra não se encaixa e nem faz questão de se encaixar; isso demonstra algum nível de segurança e essa gente é tão babaca que simplesmente não suporta a existência de uma pessoa que não esteja disposta a deixar de ser quem é por algo tão pífio e insignificante quanto a opinião deles. Além disso, sempre tem os idiotas que são totalmente problemáticos e tentam fingir que não tem nada errado infernizando alguém.

Relembrando pra todos os adolescentes negros e negras que leem o blog: racismo é crime. Menores de idade não podem ser processados por racismo, mas os pais deles sim, e é bom que todos saibam disso.

Agora, Lola, desculpa te desapontar mas o ensino médio não é melhor em se tratando de bullying, não. Como eu já comentei, o tipo de bullying apenas muda um pouco; continuei sendo chamada de fedida e de sapatão no ensino médio apenas acrescentando o assédio sexual à lista.

Aos desperdícios de oxigênio que chegarão aqui mimizando sobre politicamente correto, zuação, excesso de sensibilidade ou compreensão com gente problemática e escrota: vão descobrir o que acontece quando vocês enfiam a cabeça no motor de um caminhão e ligam o motor.

Charle Coimbra disse...

Sim, racismo vergonhosamente existe, em todas as esferas da sociedade e em todas os ambientes. Triste realidade, principalmente na forma de bullyng. A obrigação é de todos combater o racismo, sempre! negros ou não.

Anônimo disse...

Olha no cursinho pré-vestibular tinha uma moça negra, nos aproximamos, eu namorava na época uma moça branca oriental, minha amizade com ela cresceu e brotou um sentimento muito forte, pensava nela todo dia, e a turma percebeu nosso elo,porém, não tive coragem de ir mais fundo, a pressão foi grande, não só pela turma do cursinho, mas em casa também, perto do fim daquele ano terminei o namoro e criei coragem de me declarar, mas já era tarde, ela estava com outro.

Perdemos contato por anos, reencontrei no face, está linda como sempre, mas longe, casada e ao que parece bem feliz.Podiamos ter tido uma bela história, mas a força do racismo e do preconceito foi mais forte.

Anônimo disse...

Gente,é incrível como as estórias entre nós, mulheres com deficiência, são parecidas.Sempre tem aquele menino que gosta;que quer aproximar mas morre de medo da pressão, do diferente. É a mesmíssima coisa com a gente. Me vi no seu texto.Hoje aos 40,namoro um homem adorável e inteligente mas foi cada bunda mole que eu tive que aguentar.Hoje,só rio.Fique,bem,flor,você não está sozinha. Bjos!

Anônimo disse...

Historia de filme de sessao da tarde.

Alessandra disse...

Ana, sinto tanto pelo que você passou como pelo que ainda terá de enfrentar. Vivemos num país extremamente racista e, infelizmente, acompanhamos um retrocesso grande com esse desgoverno.
Como uma mulher negra deseja que você tenha ao seu lado pessoas que te entendam e te apoiem na caminhada. Eu fui bolsista num colégio conservador e elitista e sofri minha vida inteira calada e sozinha, completamente sozinha. Hoje trabalho numa empresa pública e, acredite, o racismo ainda é grande entre os colegas de trabalho. Já denunciei um gerente, mas só tive mais problemas. Uma vez peguei uma carona com um colega. Ele levou uma fechada de outro motorista e, inconformado foi atras do cara e gritou: deixa eu abaixar o vidro pra ver bem a corzinha dele. Imediatamente pedi pra ele parar o carro pra eu descer. No dia seguinte comentei o episódio com alguns colegas, e adivinha quem passou a ser exagerada, criadora de caso, que vê racismo em tudo? No meu caso denunciar me trouxe mais problemas, porque fui ainda mais excluída, e tive minha carreira ceifada. Mas não me arrependo!
Os racistas se reconhecem e se protegem, e mesmo quem não compactua não quer ser o único a não rir da piada, não quer virar o diversochato, o mimizento.
Procure se fortalecer com leituras que te empoderem: Chimamanda Adichie, Djamila Ribeiro, Bell Hooks, são ótimas. E busque o apoio de outras irmãs na mesma luta.
Espero, sinceramente, que você tenha sempre com quem contar nos momentos difíceis. Um abraço forte!

Anônimo disse...

"Foca nos teus estudos, faça boas amizades, FAÇA AMIZADES PRETAS porque se tem algo do que eu me arrependo foi de ter me envolvido com tanto homem branco que me escondia da família e dos amigos (até dos roomates)."

Preto esconde preta também, falo por experiência própria. E nem é menos, acho inclusive que é mais.

Anônimo disse...

Só mulheres compreendem verdadeiramente outras mulheres. Só mulher negra compreende verdadeiramente outra mulher negra.

Anônimo disse...

Moça do post só digo uma coisa...

Manda(mesmo que mentalmente) este bando de babacas, inseguros, racistas e covardes se FODEREM!
O que importa é o caráter e a índole da pessoa.
Você é superior à este bando de merdas que te infernizaram.
Bj.

Carolina disse...

Na escola eu também fui afim de um menino no ensino médio. Era ridicularizada pelos amigos dele enquanto ele ficava calado. Eu sou branca, mas sempre fui mais "nerd", quieta e na minha. Totalmente fora de padrões de beleza. Triste ver que além do medo do julgamento social, o racismo também nos impede de sermos felizes.

Anônimo disse...

Para vocês que vivem falando que 9 Bolsonaro não tem chance, uma análise da Carta Capital que é uma revista de Esquerda:

https://www.cartacapital.com.br/politica/bolsonaro-nao-e-zebra

donadio disse...

O Bolsonaro não tem chance? Tem sim, é claro. Principalmente se a loucura se consumar e a justiça impedir o Lula de se candidatar. De que tamanho são as chances? Não sei com certeza; são menores que as do Lula, e bem maiores que as do Eduardo Jorge. Tem uma série de coisas a definir ainda (ele é mesmo candidato? por qual partido?)

Mas isso é uma questão de análise política, não de vontade. Eu posso detestar a candidata X, e achar que ela é a favorita na eleição. E posso fazer campanha a mil pela candidata Y, e mesmo assim achar que ela não ganha.

Anônimo disse...

Bolsonaro tem chance.O POVO BRASILEIRO É ESTÚPIDO

Anônimo disse...

Sou feminista e sinceramente, se fosse para escolher entre um ladrão corrupto como o lula e o bolsonaro votaria no último. O brasil precisa absurdamente de liberdade econômica, corte de gastos e burocracia para se desenvolver, como o chile fez e já é o primeiro país latino americano a ser considerado desenvolvido.

Anônimo disse...

Bostonaro também é corrupto e ladrão, não se engane.

titia disse...

Achei que eu não ia precisar fazer isso de novo.

Nepotismo - FSP revela que Bolsonaro nomeou o filho para um cargo VIP e não concursado, o chamado “Cargo de Natureza Especial”.

(Arquivo da FSP - 31/08/2003)


Bolsonaro novamente na lista de nepotismo – o deputado revelou à reportagem da FSP que os dois “Siqueira Valle” que empregava eram familiares, mas se recusou a dar o grau de parentesco.

(Arquivo da FSP - 04/03/2007)

Bolsonaro pede pela 3ª vez o fechamento do Congresso – porque é sempre bom praticar o golpismo.

(Arquivo da FSP 25/05/99)

Bolsonaro acusado de usar verba pública - terrorista, golpista, genocida, propenso assassino, só faltava mesmo ladrão na ficha corrida.

(Arquivo da FSP 02/12/94)

Bolsonaro FALSIFICA um projeto de lei – e alega “pressão dos militares”

(Arquivo da FSP 04/09/91)

Fonte: http://bolsonazi.tumblr.com/

Anônimo disse...

Qualquer pessoa com idade de votar já devia ter passado há tempos da fase de acreditar em políticos.

Anônimo disse...

Sim o Brasil precisa de redução da carga tributaria, da burocracia, liberdade econômica e cortes de gastos, cara anônima 16h21.

Mas se iludir que alguém como Bolsonaro fará isso eh no mínimo burrice. Nem ele nem Lula. Bolsonaro eh tão populista quanto lula: fala o que as pessoas querem ouvir usando frases de efeito.

Talvez Eduardo Jorge seja o candidato mais sensato p implementar essas políticas porém a esquerda genial prefere votar em Lula e a direita sedenta de sangue em Bolsonaro.

Alicia

flafla santos disse...

Também vivenciei esta triste experiência.

Anônimo disse...

Oi

Anônimo disse...

Eu gostaria muito de ouvir a opinião de mulheres NEGRAS. É o seguinte: sou branca, então não sei o que é passar na pele por preconceito. Meu marido também é branco. Estamos na fila de adoção, e há uma chance maior que nossos filhos (estamos aguardando dois - não sabemos de qual sexo serão) sejam negros.
Temos boas condições financeiras, então podemos (e queremos) colocá-los na melhor escola possível. Mas agora lendo este post e alguns relatos, acabei de perceber que talvez nessas "boas escolas" eles sejam um dos poucos negros... Eu não gostaria que eles passassem por situações como as descritas, até porque talvez já sofram algum tipo de discriminação pelo fato de serem adotados, e talvez já tragam traumas da família biológica, o abandono, o afastamento... enfim...
Pela experiência de vocês, gostaria de saber se vocês acham que valeria a pena colocarmos nossos filhos em escolas não tão boas, mas que haja um maior número de crianças também negras? Ou acham que a qualidade do ensino deva ser levada como prioridade, e que possíveis situações desagradáveis podem ser contornadas e vai valer a pena?

Alessandra disse...

Anônimo 16:23:

Se você tiver disposição e coragem para se engajar na luta contra o racismo, se conseguir falar diariamente com seus filhos sobre racismo, se conseguir educá-los para um ambiente extremamente racista, se não se omitir quanto aos seus privilégios de pessoas brancas, acho que a quantidade de pessoas negras não deve ser fator decisivo. Agora fique atenta ao posicionamento da escola: se for uma escola conservadora, se não preza pela inclusão, se não sabem lidar com racismo, fique bem longe!
Sugiro que dê uma lida no texto da Stephanie Ribeiro, "Caro amigo branco, você me dá um soco de dentro para fora", no portal www.geledes.org.br

Um abraço

Anônimo disse...

Eu acho que vc não deve provar seus filhos da melhor educação formal que o seu dinheiro pode comprar por atitudes de gente preconceituosa e racista.

Seus filhos não são cobaia de um experimento social mas acho que essa vivência prática será uma ótima oportunidade de educar dois seres humanos conscientes de seu valor independente da cor da pele. Vc estar atenta a isso desde o princípio vai fazer diferença.

Eles vão ser vítimas de racismo em algum momento da vida pq o mundo eh podre e não eh vc colocando eles p estudar em escola barata que vai mudar isso.

Alicia

Joana disse...

Na minha história de rejeição o que pesou não foi o padrão de beleza, o racismo ou a sexualidade.O que houve foi que a menina por quem me apaixonei no ensino médio não apenas me esnobou mas disse para quem quisesse ouvir: "você não serve nem para ficar, Joana. Você é pobre. Você não tem nem roupa que preste para ir onde eu vou." E como o que não me mata me fortalece, aqui estou.

Alessandra disse...

Alicia, vc é negra?

Anônimo disse...

Já disse isso a Lola? Ela que vive afirmando que ele não tem chance nenhuma.

Anônimo disse...

Não adianta repetir isso mil vezes, os bolsominions ainda vão repetir igual a um papagaio que ele é o único honesto.

Anônimo disse...

Não.
Sou branca. Loira, de olhos verdes e, embora a mãe em questão tenha solicitado opiniões de pessoas negras eu não pude me conter ante a cogitação dela de privar seus filhos de algo que ela podia dar, embora entenda seus anseios, pois sei o quanto ter acesso a uma educação formal de qualidade mudou minha vida e de muitos.
Espero que Minha opinião não seja desqualificada por isso.

Alicia

Alessandra disse...

Alícia, a pessoa foi bem específica ao solicitar a "opinião de mulheres NEGRAS", então a sua ó tão importante opinião, neste momento, não foi solicitada. Simples assim! Entenda uma coisa: nem tudo é sobre vocês pessoas brancas, e nem sempre a opinião de vocês é relevante. Que coisa! E outra, estudar em escola cara não é garantia de boa formação não. Basta ver onde estudaram os maiores ladrões deste país. Você precisa de um choque de realidade, moça.

Anônimo disse...

Não tem mesmo, cai na realidade!

Anônimo disse...

Por isso eu falei educação formal e não educação em sentido amplo. Estudar em boas escolas garante apenas um bom ensino e não formação de caráter e eu não falei nada diferente disso.

No mais, meu comentário foi aprovado, está Aí, vc tenha gostado ou não. Do mesmo jeito que vc está cagando p minha opinião eu estou p sua.

Se a pessoa p quem eu me dirigir quiser desprezar o que eu falei pq eu não preenchi os requisitos mínimos de melanina, tudo bem.

Eu falei de coração. Sequer discordei de vc... Essa sua segregação eh babaquice, assim como impedir hetros de levantar a bandeira gay ou homens de se engajarem na causa feminista.


Enfim. Alicia

Anônimo disse...

A sua opinião tbm não eh sempre relevante, e isso n tem nada a ver com sua cor

Anônimo disse...

Porque se faz de desentendida? Sei muito bem que minha opinião não é sempre relevante, ainda mais se são específicos e pedem que mulheres brancas opinem. Seria uma vivência que eu não tenho.

O blog da Lola é muito democrático, até mascus de merda volta e meia tem seus comentários publicados.

Levantar a bandeira é uma coisa, não saber seu lugar de fala é outra!

Anônimo disse...

Hahahahah ok. Se alguém chegar aqui falando que só quer opinião de gente branca você vai achar ok E se resignar e simplesmente não opinar pq não tem essa vivência.

Parem com isso de que p opinar sobre algo tem que viver aquilo. Daqui a pouco ngm mais pode falar mal do temer pq afinal, ngm aqui tem a vivência do peso que eh ser presidente da República.

Vou opinar. Você tem o direito de gostar ou não. Isso eh liberdade. Aceita.

Alicia

Anônimo disse...

Olha, algumas escolas são mais caras por ter "nome", mas existem algumas de valor intermediário que tbm são ótimas escolas e tem um público mais diversificado. Acho que o fato de se sentir incluído num ambiente ajuda muito tbm no aprendizado. Tem que pesar bem os prós e os contras.

Anônimo disse...

Alessandra, obrigada! Sim, eu sou ciente dos meus privilégios por ser branca, magra, hétero, classe média/alta, etc... Ou pelo menos de grande parte deles (talvez algo que eu ainda considere "direito natural" amanhã eu descubra ser privilegio também). Gostaria, sim, de criar minhas crianças para que fossem o mais livre possível de quaisquer tipos de preconceitos... Mas não sei se eu teria condições e conhecimento (embora tivesse vontade, sim) de prepará-los pra enfrentar esse ambiente racista que é o Brasil (e o mundo). Vou verificar essa questão do posicionamento da escola. Tenho muito vontade de colocá-los em um colégio com o sistema Waldorf, que não são nada conservadores, mas devido ao preço, frequentado principalmente por brancos. Vou conversar especificamente sobre a questão de preconceito racial, e me informar o que eles fazem a respeito (ensinam as crianças sobre igualdade? Ou deixam a coisa "correr solta"?). Obrigada mesmo por sua opinião.

Anon das 00:40, pois é meu medo é justamente esse... Pagar uma escola super cara com o objetivo de dar a eles a melhor educação possível, e devido ao bullying e discriminação, eles acabarem prejudicados psicologicamente, socialmente e tb intelectualmente. Minha questão era justamente essa: Será que em uma escola não tão boa, mas com um ambiente saudável eles irão aprender melhor do que em uma escola ótima, com ótimos professores e sistema de ensino, mas com um ambiente hostil? Obrigada pela sua opinião também!

Alícia, também agradeço pela sua opinião. Na verdade, é até um pouco parecida com a minha e do meu marido (um bom ensino é o maior bem que posso dar a eles, não vou deixar que o mundo lhes tire isso), mas por sermos brancos, não sabemos qual é a dimensão real do racismo, e como isso pode realmente machucar alguém. Fiquei espantada por a autora do texto dizer que largou a escola no segundo ano. Deve ser uma dor enorme pra ela desistir faltando tão pouco. Uma dor que eu, você, e outras pessoas brancas não sentimentos, não podemos supor, e por isso mesmo não podemos opinar. Por isso a minha pergunta direcionada especificamente para mulheres negras. Mas agradeço, mesmo, sua vontade de ajudar e o tempo gasto formulando uma resposta.

WILLIAM disse...

SOU 'BRANCO' E DE UMA FAMÍLIA DE CLASSE SOCIAL ALTA, SEMPRE ESTUDEI EM ESCOLAS PARTICULARES E LEMBRO QUE HAVIAM SEMPRE POUQUÍSSIMOS NEGROS NAS TURMAS, ISSO QUANDO HAVIA. LEMBRO QUE SEMPRE ROLAVA RACISMO, MAS EU SEMPRE FUI DE PROTEGER E DEFENDER QUEM SOFRIA BULLYING. LEMBRO QUE NA TURMA HAVIA UMA MENINA NEGRA CHAMADA JOSSANA QUE SOFRIA RACISMO E EU ERA AMIGO DELA E TENTAVA FAZÊ-LA SE SENTIR BEM. ATÉ HOJE AS VEZES TENTO ENCONTRÁ-LA EM REDES SOCIAIS, MAS PARECE QUE SUMIU DO MAPA :/
HOJE TENHO 26 ANOS, MEU IRMÃO 21 E MEUS PAIS ACABARAM DE ADOTAR UMA MENINA NEGRA QUE COMPLETARÁ 1 ANO MÊS QUE VEM. ELA TEM MUDADO COMPLETAMENTE A VISÃO DOS MEUS PAIS DO MUNDO, E TEM TRAZIDO MUITO AMOR E ALEGRIA PRA MINHA FAMÍLIA, MAS EU JÁ SOFRO ANTECIPADAMENTE, IMAGINANDO O QUE ELA IRÁ PASSAR E O RACISMO QUE IRÁ SOFRER. ESPERO PODER SEMPRE ESTAR AO LADO DELA PARA CONFORTAR E AJUDÁ-LA.
FORÇA, ANA, E UM GRANDE ABRAÇO PRA VOCÊ!