quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

CENA DE ESTUPRO DE ÚLTIMO TANGO É EXEMPLO DE NATURALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA

Muita gente me pediu pra falar sobre o caso do Último Tango em Paris, então vamos lá. 
Pra quem não sabe, a história é a seguinte: em 1972 o diretor Bernardo Bertolucci fez um filme que ficou famoso e continua sendo elogiadíssimo, O Último Tango em Paris (adoro o título), com o super astro Marlon Brando, considerado um dos melhores atores de todos os tempos, e uma jovem atriz até então desconhecida, Maria Schneider, de 19 anos, que até então havia feito seis filmes franceses (e depois faria outros quarenta). 
Eu só vi o filme uma vez, eu acho, na década de 80 ou 90. É interessante, mas é também arrastado e deprimente (ele pode ser visto aqui, dublado em português). É sobre um viúvo americano de meia idade e uma jovem francesa que se conhecem sem querer ao visitar um apartamento pra alugar em Paris, e passam a ter um relacionamento sexual intenso e destrutivo. Desde o início, o americano diz a ela que não quer nem saber seu nome. Há várias cenas de sexo no filme, o que o fez ser censurado em diversos países e, ironicamente (porque o clima do filme é todo amargo), constar em inúmeras listas de "filmes mais eróticos de todos os tempos". Eu nunca achei o filme erótico. 
A cena mais famosa é, sem a menor sombra de dúvida, "a da manteiga" (veja aqui). Como acontece tantas vezes, a cena -- sexo anal com manteiga usada como lubrificante --, que na realidade é um estupro, sempre foi tratada como uma cena erótica, o que é muito estranho, porque o personagem discursa sobre a família sagrada durante o ato, e a moça chora e grita "não" (como diz a sábia Louise em Thelma e Louise, antes de atirar no estuprador: "Quando uma mulher está chorando desse jeito, ela não está se divertindo"). E sempre foi motivo de piadinhas. Não é absurdo atestar que o filme é conhecido por essa cena. Muitos que nunca viram o filme já ouviram falar da tal "cena da manteiga".
Pois bem. Em 2013 o diretor deu algumas entrevistas. Para o jornal The Guardian, ele disse: "Pobre Maria. Não tive a oportunidade de lhe pedir que me perdoasse. [...] Talvez, em algum ponto do filme, eu não falei a ela o que estava acontecendo porque eu sabia que sua atuação seria melhor. Então, quando fizemos a cena com Marlon usando manteiga, decidi não falar pra ela. Queria uma reação de frustração e raiva". 
Ele também disse para outro jornal, The Telegraph: "Não me sinto culpado, mas quando ela morreu [em 2011, aos 58 anos, de câncer], eu pensei, Deus, me sinto muito mal por não poder pedir desculpas pelo que Marlon e eu fizemos com aquela cena e da nossa decisão de não contar a ela. Ela sentiu-se realmente humilhada, mas creio que o que realmente a ofendeu foi que ela não pôde se preparar para a cena como atriz. Mas eu queria sua reação como pessoa, não como atriz". 
Nove meses depois, ele repetiu o que havia dito, quase palavra por palavra, desta vez num programa de TV: "Depois do filme, quase não nos vimos, porque ela me odiava. A ideia da manteiga foi uma ideia que tive com Marlon naquela manhã, durante o café da manhã, antes das filmagens. Mas, de um modo, me comportei horrivelmente com Maria, porque não lhe disse o que iria acontecer. Porque eu queria sua reação como garota, não como atriz. Queria que reagisse sentindo-se humilhada, que gritasse 'Não! Não!', e acho que ela odiou a mim e também a Marlon porque não lhe contamos que havia esse detalhe da manteiga usada como lubrificante. E me sinto muito culpado por isso". 
O repórter lhe perguntou se ele se arrependia de ter feito a cena assim, e Bertolucci respira fundo e responde: "Não, mas me sinto culpado. Me sinto culpado mas não me arrependo. Sabe, para fazer filmes, para obter algo, às vezes você precisa ser completamente livre. Eu não queria que ela atuasse humilhada. Eu queria que ela se sentisse humilhada. Por isso, ela me odiou por toda a vida".
Maria Schneider em 2007
Maria já havia falado sobre o filme várias vezes. Em 2007 ela contou ao Daily Mail que as cenas de sexo de Tango não eram reais, que não havia atração entre ela e Marlon, que a relação entre eles era paternal. Sobre a cena da manteiga, ela disse: "Aquela cena não estava no roteiro original. A verdade é que a ideia foi de Marlon. Eles só me avisaram antes de fazermos a cena e eu fiquei muito zangada. 
Maria em 2010
"Eu deveria ter chamado meu agente ou meu advogado para vir às filmagens porque você não pode forçar alguém a fazer algo que não está no roteiro, mas, na época, eu não sabia. Marlon me disse, 'Maria, não se preocupe, é só um filme', mas durante a cena, embora o que Marlon fazia não ser real, eu estava chorando de verdade. Eu me senti humilhada e, para ser honesta, me senti um pouco estuprada, tanto por Marlon quanto por Bertolucci. Depois da cena, Marlon não me consolou ou pediu desculpas. Felizmente, foi só uma tomada". 
Ela contou que Bertolucci era muito manipulador. "Marlon depois me disse que ele também se sentiu manipulado, e ele era Marlon Brando, então imagine como eu me senti". (Brando declarou que, para ele, fazer Tango também foi uma experiência excruciante, tanto que ele não fez outro filme durante quatro anos e não falou com o diretor durante 15 anos, pois Bertolucci queria que Brando fosse ele mesmo, não um personagem. Além disso, ele foi meio que chantageado para fazer o filme. Um produtor que estava processando Marlon por ter saído de Queimada fez um acordo: se Marlon fizesse Tango, ele acabaria com o processo). 
Antes da entrevista em 2007, Maria Schneider havia dito para a revista Premiere, em 2000: "Você precisa entender o tipo de mundo em que Bertolucci vive. Ele estava apaixonado por Marlon. A parte que eu interpretei foi escrita para um garoto! É por isso que está lá a manteiga, a sodomização". Nessa entrevista (antes de Marlon morrer, em 2004), ela afirmou que era amiga de Marlon, e que a fama repentina dela a levou a usar drogas e tentar suicídio. Ou seja, não é exatamente o que está sendo divulgado, que a cena em si causou tantas coisas ruins em sua vida.
Mas o fato é: Marlon e Bertolucci foram indicados ao Oscar pelo filme. Maria ficou com a fama de ser analmente penetrada usando manteiga (lembre-se que durante décadas a cena não foi vista como estupro) e, depois, só lhe ofereciam papéis em que ela tivesse que tirar a roupa e transar. Ela nunca mais apareceu nua em cena. Como defensora dos direitos das atrizes, ela costumava dizer:  "Nunca tirem a roupa para homens de meia idade que dizem que isso é arte". 
O mais incrível dessa história toda, pra mim, é que Maria falou da cena em 2007, e Bertolucci falou disso em 2013, e a repercussão foi quase nula. Por que então agora, quase quatro anos depois da entrevista do diretor, estamos dando atenção ao caso? Por que só agora a atriz Jessica Chastain escreve um tuíte dizendo "A todas as pessoas que amam esse filme -- vocês estão vendo uma moça de 19 anos sendo estuprada por um homem de 48. O diretor planejou o ataque. Sinto-me enojada". O que mudou nesses três ou quatro anos?
Foi a ONG espanhola El Mundo de Alycia que encontrou o vídeo com a entrevista de 2013 de Bertolucci, o legendou e postou, como sinal de alerta no dia 25 de novembro, Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher. E a revista Elle americana ajudou a divulgar o vídeo através de uma matéria com o título "Bertolucci admite que conspirou para filmar uma cena de estupro não-consensual em Último Tango em Paris", causando hoje grande furor, que fez algumas pessoas se posicionarem. 
O diretor de fotografia do filme, Vittorio Storaro, disse: "Eu estava lá, estávamos fazendo um filme, não era real. Ninguém estava violentando ninguém. Maria sabia perfeitamente bem o que estava fazendo. Ela sabia que era uma cena de estupro e não tinha problemas com isso. Era um trabalho de atuação e nada mais". 
Para esclarecer, Bertolucci afirmou agora que não houve estupro algum e que ele se expressou mal: que Maria sabia da violência, porque estava no roteiro -- ela não sabia da manteiga. "Aqueles que não sabem que num filme o sexo é (quase) sempre simulado, provavelmente também acham que toda vez que John Wayne atira, alguém morre". 
O filho mais velho de Marlon Brando declarou: "Este não é meu pai. De jeito nenhum. Ele era a favor de direitos humanos, de direitos civis. Ele marchou com Martin Luther King. Ele era a favor das pessoas, não contra. Não é verdade. Foi há 40 anos, por que estão trazendo isso à tona agora? Não é essa pessoa que ele era". 
Por que agora? Uma jornalista do Independent acredita que o tratamento dado às atrizes tem recebido mais atenção nos últimos anos. Ela cita como exemplo as várias acusações de estupros cometidos por Bill Cosby. Uma das acusações é de 2004, mas só mereceu destaque depois que um comediante (homem) fez uma piada, em 2014, sobre como Cosby tem uma imagem "Teflon", em que as acusações contra ele não colam (depois da piada viralizar, colaram, e hoje a imagem de Cosby está destruída). 
Eu ainda não tenho uma resposta. Estamos cada vez mais cientes de como nós mulheres podemos nos revoltar com maior rapidez e mobilidade do que antes da internet (pense no tratamento ofertado à promotora do julgamento mais famoso da história dos EUA, em 1994, pré-internet). Portanto, não resta dúvida de que o machismo hoje não fica mais impune, como ainda ficava vinte anos atrás (e os machistas sabem disso, e lamentam muito). 
Mas o que mudou nos últimos três anos? O poder do feminismo cresceu ainda mais? Creio que é uma questão de timing, não sei. Aqui no Brasil, em 2012, um comercial asqueroso da Nova Schin (em que os homens, para responder à pergunta "O que você faria se fosse invisível?", bolinavam mulheres na praia e invadiam seus vestiários) circulava na TV havia vários meses, gerando reclamações ao Conar. Mas foi só depois que o meu bloguinho, modéstia à parte, publicou um post condenando a cultura de estupro daquele comercial, que os protestos começaram pra valer. 
Sobre O Último Tango em Paris, "sentir-se estuprada" (como Maria disse que se sentiu) é diferente de ser estuprada. Porém, talvez mais importante que discutir se a atriz foi estuprada "de verdade" é admitir que houve violência, houve humilhação, houve abuso de poder, houve uma jovem atriz sendo explorada "pela arte" por dois homens infinitamente mais poderosos do que ela. 
Se "a cena da manteiga" do filme (em que uma personagem é estuprada) for vista como estupro, já estamos no lucro. Porque é perturbador que uma cena de estupro seja percebida durante tantas décadas como erótica. E que seja material para piadas. Este é mais um exemplo de como a violência contra as mulheres é naturalizada, romantizada, não reconhecida como o que realmente é -- violência. 
Lembrem-se da foto mais icônica do final da Segunda Guerra Mundial, em que um marinheiro beija uma enfermeira no meio da rua em Nova York. Durante mais de meio século, a imagem foi vendida como uma bela comemoração e prova de amor. Até que a enfermeira em questão revelou que nunca tinha visto o cara, que a agarrou no meio da rua e a beijou. Ela se sentiu abusada. Meio como disse Pedro Bial quando um participante do BBB foi acusado de estupro, "O amor é lindo".
Não, não é lindo. E não é amor. É violência. 

Um jovem Bertolucci
(ele tinha 32 anos na
época) dirige Maria e
Marlon
UPDATE: Vale destacar o que informaram duas leitoras. Uma, que os Trapalhões, um programa infantil, fez música com referência à cena da manteiga nos anos 80. Outra é que o site Mundo Estranho, da Abril, escreveu em 2011, atualizado em agosto deste ano: "Primeira cena de sexo anal: A primeira chegada pela porta dos fundos não foi em uma ceninha qualquer. Quem viu O Último Tango em Paris (1973), de Bernardo Bertolucci, nunca vai se esquecer da seqüência em que Marlon Brando pega de jeito a frágil e safada Maria Schneider e, com um bocado de manteiga, faz a alegria do público masculino". Eles estão falando de uma cena de estupro.

96 comentários:

Anônimo disse...

omens como sempre sendo repugnantes, não dá pra esperar nada melhor vindo deles

assisti uma única vez esse filme pavoroso em 2008, é simplesmente ridículo, um dos piores lixos já produzido no cinema

Maria Schneider, q deus a tenha

Anônimo disse...

Nosso, e eu que usei tanta manteiga e margarina com minha noiva inspirado neste filme, para sexo anal não existe melhor lubrificante professora, recomendo :)

Anônimo disse...

a coisa q mais me irrita no mundo é isso, algo q acontece num determinado tempo e dois, três, cinco anos depois retomam isso, do nada, como se estivesse acontecendo agora

Pedro disse...

Não vejo problema nenhum no estupro ser visto como erótico na ficção.

Ficção não é realidade. As pessoas têm direito de fantasiar o que quiserem.

Quem não concorda com a liberdade da imaginação, está agindo como uma puritana religiosa.

Anônimo disse...

Mais uma vez omens provando q sempre podem ser mais asquerosos q o usual

Nojo eterno do sexo masculixo

Anônimo disse...

a) Amei o texto Lola eu nunca vi este filme e agora não vou ver mesmo.

b) Na minha opinião existem pessoas que disfarçam sua maldade tentando nos convencer que é arte.

Anônimo disse...

Cada vez eu tenho mais nojo dos homens. Não se enganem meninas, tudo pode piorar ainda mais. Veja só esse pedro 18:24:"Não vejo problema nenhum no estupro ser visto como erótico na ficção". No final das contas, todo homem é um estuprador em potencial que gosta de imaginar,ver e até cometer crimes sexuais. Esse comentário é a prova disso. O estupro é engraçado. Uma piada. E enquanto isso, eu mal consigo sair de casa de tanto medo.

Anônimo disse...

Belo texto lola,parabéns!!!

titia disse...

Coisa parecida aconteceu no filme Azul É a Cor Mais Quente, o diretor ficou obcecado com uma das atrizes principais, Adèle Exarchopoulos. As audições com o diretor, Abdellatif Kechiche, consistiam de improvisação de cenários, discussões e ambos sentados em um café, sem falar, enquanto ele a observava - isso por dois meses. Ele obrigou Adèle e Léa Seydoux a filmar várias horas de nudez e de sexo além do que era necessário pra fazer a cena da primeira vez das duas. Relato de Exarchopoulos sobre uma cena de confronto físico do filme: "Ela [Léa Sey­doux] estava-me batendo tantas vezes, e [Kéchiche] gritava: Bate! Bate outra vez!". E ele mudou o nome do filme, ao invés de Azul (o nome da HQ) ele chamou o filme de La vie d'Adèle, A Vida de Adèle (o nome da personagem originalmente era Clementine).

Então, por mais triste que seja, essa situação do diretor usar a atriz (ou ator, talvez) pra satisfazer suas próprias fantasias não é incomum. Muita dor pelo que Maria passou e minhas esperanças que cada vez mais a violência contra atrizes seja condenada e punida.

18:06 ai ai, quantas vezes teremos que explicar: o que é consentido não é problema, ok? Se sua namorada consente em fazer anal usando manteiga como lubrificante, é problema dela e de mais ninguém. Não foi o caso com Maria Schneider, ela não consentiu em nada disso. Pela falta de consentimento é que a cena da manteiga no filme é um problema, e você usar manteiga consensualmente com sua namorada não é. Digo e repito que se eu ganhasse um real por cada vez que já expliquei isso, nunca mais precisaria me preocupar com dinheiro.

18:11 sim deve fazer-se um escândalo sobre isso porque foi violência. Se você fosse estuprado gostaria de receber apoio e compreensão mesmo que só tivesse tido coragem de contar a alguém depois de dois anos, ou preferiria que todos te dissessem que já é tarde demais pra chorar por isso, que aconteceu há muito tempo e é frescura/é irritante você reclamar agora? Ah, mas claro, é só uma mulher sendo agredida, isso não é importante né? Aliás, mulheres sendo agredidas é sexy. Pode ir sentar nu num pé de urtiga agora, por favor? De preferência depois de besuntar seu rabo em molho de pimenta e ácido sulfúrico. Obrigada.

Pedro, fantasias de estupro são comuns em pessoas que sofreram repressão sexual e se sentem culpadas de querer transar. Ser obrigado, a princípio, a fazer sexo e depois começar a gostar é algo que tira a culpa da mente dessas pessoas - afinal se ela foi obrigada a fazer sexo não pode ser culpada. Por isso que é bom sim questionar esse tipo de coisa. Falo por experiência própria.

Anônimo disse...

Lola como você pode deixar comentários que defendem estupro aparecerem no blog? Não dá para descobrir quem postou o comentário 18:24 porque para mim é uma pessoa que defende o estupro e assim, um crime.

Anônimo disse...

Também já usei manteiga como lubrificante para sexo anal com uma namorada, não tinha idéia da história desse filme. A guria não se importou nem um pouco, não teve drama nenhum. Tô ainda tentando entender a razão de tanta polêmica.

Por coincidência, lembro que ela tb tinha 19 anos na época.


Caetano

Anônimo disse...

Agora as feministas são chamadas de puritanas religiosas porque não querem ver violência sendo vista como erotismo. Esse aí é o novo ''leonardo''?

Anônimo disse...

Que cena escrota e nojenta, pior ainda é saber que tem gente que acha que isso é excitante, erótico ou até sente tesão vendo uma cena dessas em que uma mulher é violentada e humilhada desse jeito. Na vida real, uma mocinha de 19 anos vítima de abuso de poder de dois homens poderosos com idade para serem pais dela. Horrível tudo isso!

Anônimo disse...

Isso é FICÇÃO. UM FILME. QUE É DIFERENTE DE REALIDADE.
ALI NÃO SÃO CENAS REAIS.

Alôoooooo? Tem alguém aí???
Tá me escutando????

Anônimo disse...

Não vejo nenhum problema em um murro na boca que arranca dentes e sangra, dado sem permissão, ser visto como erótico na ficção.

Ficção não é realidade. As pessoas têm direito de fantasiar o que quiserem.

Quem não concorda com a liberdade da imaginação, está agindo como uma anta que compara alhos com ovos e diz que é tudo comida.

Valéria Fernandes disse...

Realmente não sei se não chamaria de estupro o que houve. Temos o diretor admitindo que conspirou junto com a estrela do filme, dois homens de meia idade, com muito mais poder do que ela (*como você bem ponderou*), e a constrangem (*ou obrigam*) a fazer uma cena de sexo anal que não estava prevista no roteiro. O diretor admite que queria que ela reagisse como uma garota (*estuprada*) e, não, como atriz. Ora, a penetração é o de menos. Ela, uma adolescente, foi forçada, constrangida, talvez tenha pensado (*reagir como uma garota com medo*) que seria de fato penetrada. Eu não tenho nenhum receio em usar a palavra estupro. É aviltante. Os motivos do fato ter voltado, o poder da internet, a intolerância com (*a confissão*) de certas práticas, enfim, podem ser discutidas, PORÉM isso não apaga que houve estupro, não, e que a palavra dela sempre valeu menos que a deles, até depois de morta.

Anônimo disse...

"CENA DE ESTUPRO DE..."

Os autores do abuso sexual foram lixomens? Ha, agora conta uma novidade

o racinha miserável essa hein

omen = nojo

Anônimo disse...

o Soros vai morrer e sua fonte de renda acabará. se mate.

Anônimo disse...

Mentira!aprendeu com os rapazes q te pegam.

Anônimo disse...

Bonito mesmo é a peça macaquinhos, com uma galera fazendo uma ciranda na velocidade de uma maratona, um enfiando o dedo no cu do outro, depois todos ficam de quatro, ainda em círculo, e um efia o nariz no cu do outro, sem falar nada. Belo roteiro.

Anônimo disse...

Esta historia e os comentários são as provas irrefutáveis de que homens enxergam a penetração como uma arma de dominação contra mulheres, e o quanto a pratica e degradante para as mulheres.

Anônimo disse...

Não houve um estupro de verdade porque era apenas encenação de uma cena de estupro, o que houve na vida real foi abuso de poder e constrangimento.

Anônimo disse...

"Em 2007 ela contou ao Daily Mail que as cenas de sexo de Tango não eram reais, que não havia atração entre ela e Marlon, que a relação entre eles era paternal. Sobre a cena da manteiga, ela disse: "Aquela cena não estava no roteiro original. A verdade é que a ideia foi de Marlon. Eles só me avisaram antes de fazermos a cena e eu fiquei muito zangada"

Pronto fim de papo, não teve estupro nenhum, teve uma cena simulada, e ela sabia que seria sobre sexo anal estava no roteiro, só não estava no roteiro o raio da manteiga, foi a manteiga que ela ficou brava não com a cena.

Anônimo disse...

E depois ainda insistem no mito do consentimento heterossexual. Não existe consentimento em uma sociedade machista que faz lavagem cerebral patriarcal em mulheres, principalmente as mais novas, já repararam que mulheres quanto mais velhas sentem verdadeiro asco a presença de homens e querem cada vez mais distância deles? Por isto o alvo dos que portam uma arma de destruição em massa entre as pernas focam sempre nas "novinhas' porque elas são presas fáceis pra serem entorpecidas pelo mito do amor romântico.
A verdade e que não tem como existir consentimento entre ovelhas e lobos.

Anônimo disse...

Nossa. Ate que enfim um texto inteligente, que coloca a questão como ela deve ser colocada. Li e ouvi muito sobre essa questão e me pareceu que na pressa como tudo e julgado as pessoas estavam entendendo de maneira errônea. Muitas na disseram que não vai ver quando estrear ou que em não sabia que o sexo seria real. Você foi a primeira a apontar os problemas reais com esse episódio lamentável. Parabéns pela inteligência e lucidez nesse caso.

Anônimo disse...

E isso q tem a ver com o caso se foi consensual? Faça-me o favor gente

Jaime disse...

Vejam esse editorial da revista Mundo Estranho, chamando a Maria Schneider de "frágil e safada", como se o fato de alguém ser dado por frágil fosse um fator de eroticidade. Na revista impressa, só consta a palavra "safada":
http://mundoestranho.abril.com.br/cinema-e-tv/qual-o-primeiro-filme-a-mostrar-uma-mulher-pelada/

Anônimo disse...

Na verdade, a cena não estava no roteiro. Inventaram um dia antes e contaram pra ela. Apesar de não gostar, acabou concordando por não saber que podia recorrer na justiça, e acabou acontecendo de usarem manteiga, algo que não falaram mesmo.

Anônimo disse...

20:11 quando criticamos a biblia e a hipocrisia sexual somos chamadas de putas e quando lutamos contra a prostituição,assédio e afins viramos puritanas. Mas isso demonstra mais a hipocrisia de quem nos xinga, que adora a biblia e a prostituição ao mesmo tempo.

Anônimo disse...

20:32, o choro da atriz foi real. O próprio diretor falou que queria ela própria humilhada e não uma atuação. Leia a porra do texro seu vagabundo de merda.

Anônimo disse...

Vocês misóginos devem adorar isso 23:30 visto que acham erótico até estupro. Qualquer filme de pessoa pelada vocês gostam,são um bando de punheteiros,devem ser viciados em pedofilia entre outras merdas. Vão pagar de puritanos no meio do cu, deveriam ser todos presos.

Anônimo disse...

Seu comentário 23:46 é a prova de que a cultuta do estupro existe e que ela é apoiada por HOMENS e defendida por HOMENS. Estou com tanto nojo.

Anônimo disse...

00:01 o que você acha dos comentários de homens que defendem essas cenas?

Anônimo disse...

Você é um idiota. Apoia a violência contra a mulher e o estupro,diga-me,porque falar isso em um blog feminista ao invés dos seus namorados mascus?

titia disse...

ALÔ! ALGUM NEURÔNIO VIVO AÍ NA CABEÇA DO 20:32? Alguma célula cerebral funcional? Tico e Teco pelo menos estão ligados? Alguém aí sabe ler? Alguém aí assimilou aquela parte do texto em que o diretor propositalmente não contou como a cena seria pra Maria Schneider e mandou Marlon Brando agir como se fosse estupra-la de verdade pra que ela se sentisse HUMILHADA, AGREDIDA E VIOLENTADA e reagisse como tal? O que significa que pode não ter havido penetração, mas HOUVE violência sexual? Alô? Tem um cérebro aí? TEM QUALQUER COISA ALÉM DE MERDA NESSA CAIXA CRANIANA?

23:30 não importa se é bonito ou não. Importa se houve CONSENTIMENTO. Os atores da performance todos consentiram em fazer isso? Ótimo, problema deles, e se você não achou bonito problema seu. Mas Maria Schneider não consentiu em fazer aquela cena, então temos aí uma violência sexual-eu sei, eu sei que você acha violência contra mulher algo lindo, mas nós não achamos e vamos combater isso. Não gostou vai dar o rabo em troca de chicletes na esquina.

Anônimo disse...

Eu tou perdendo alguma coisa...? Não sei, pelo texto, pelo que o diretor, o Marlon Brando e a Maria Schneider disseram, foi claramente um estupro. Ela não tinha sido avisada nem consentido, foi manipulada e humilhada de propósito, houve abuso de poder. Ou seja, estupro.
Então não estou entendendo o "não sei se foi meeesmo estupro" e afins, alguém me explica? (pergunta sincera, não retórica)

Anônimo disse...

Um adendo ao comentário anterior, não estou entendendo tb por que tem gente nos comentários tratando como se fosse algo fictício, se o estupro aconteceu na vida real.

titia disse...

A polêmica, seu Caetano? Muito simples: a porra do CONSENTIMENTO! Com consentimento, ok. Sem consentimento, VIOLÊNCIA! Não é tão difícil assim de entender, bote seus dois neurônios pra funcionar ao menos uma vez na vida que vai fazer sentido, prometo.

Por quê, POR QUÊ eu ainda tenho que ouvir gente supostamente adulta e muito supostamente inteligente falar esse tipo de merda?

Anônimo disse...

Ao se tratar o problema como um "caso real de estupro", a discussão perde o foco e não se avança.

Estamos falando de uma atriz profissional, que concordou em participar de um filme contendo nudez e cenas de sexo. Todas as situações são simuladas. Falar que um estupro real ocorreu é confundir a realidade com a ficção.

Porém, isso não muda o fato de ter ocorrido abuso contra a atriz, por não ter sido comunicada sobre a cena, não ter lhe dado chance de se preparar para encarnar o personagem. A explicação do diretor de querer que a cena fosse altamente realista, e por isso não ter combinado com a atriz, não justifica que uma humilhação e abuso contra uma jovem atriz possa ser perdoado em nome da arte.

Além disso, uma cena de estupro deve ser vista exatamente dessa forma. E não como algo sensual ou erótico.

Anônimo disse...

A própria atriz disse que não houve sexo real, apenas simulação, chamar Marlon Brando de estuprador é o mesmo que querer condenar o Sylvester stallone por homicídio pelas inúmeras mortes em seus filmes.

Anônimo disse...

Acho que tem gente que não entendeu ainda que não houve sexo real na cena. Foi uma cena só. Portanto não houve estupro. Como alguém já disse houve abuso de poder ou outra coisa qualquer. Claro que foi uma sacanagem o que fizeram com a atriz, que não sabia de nada. MAS ELA NÂO FOI PENETRADA, e ela sabia que era uma cena de sexo, só não sabia da manteiga.
Muitos diretores fazem coisas desse tipo, em muitos tipos de cena, não necessariamente sexuais, e não avisam determinadas coisas aos atores para terem reações mais 'naturais'. Isso pode ser ilegal, antiético, ou o que quiser, mas isso é comum no cinema. E, repetindo para quem ainda não entendeu, não houve SEXO, no último tango.Que por sinal é um ótimo filme, e concordando com a Lola, nada erótico.
wagner

Anônimo disse...

Estupro não é só penetração, seus idiotas, e como vcs dizem com tanta certeza q não houve penetração? claro q a uma altura dessa ng teria coragem de admitir a verdade

o sexo masculixo é repugnante mesmo, não medem esforços para abusarem e sempre se defenderem

Anônimo disse...

Marlon brando ajudou a inventar a cena junto com o diretor sem o conhecimento da atriz e que não constava no roteiro. Marlon brando usou a manteiga e ignorou completamente o choro, medo e raiva da atriz. Marlon brando foi famoso por ser grosso e desreipeitar mulheres em geral. Juntando as provas, ele poderia muito bem ser. Que nojo.

Anônimo disse...

A atriz se sentiu humilhada e estuprada. Eu não sei como é a leo americana,

Anônimo disse...

Eu não sei como é a lei americana mas a brasileira diz que estupro não é apenas em relação a penetração,mas toda atitude com intenção sexual que não possui o consentimento da vítima. Tendo em vista os relatos da atriz e do diretor,poderia acabar em tribunal para julgar o caso. Você Wagner deve ser mais um merdinha estuprador que apoia seus amiguinhos criminosos também,mas não vamos aceitar mais isso.

Anônimo disse...

Não é necessário ter penetração para ser considerado estupro,Estão entendendo machos? Tocar em uma mulher com qualquer intenção sexual não consentida é ESTUPRO. Aprendam isso e FIQUEM LONGE DE NOS.

Anônimo disse...

Fiquei surpresa ao saber este fato sobre a cena da manteiga, confesso que sou mulher e sempre achei a cena excitante, por ser confusa e ambígua, além de gostar de submissão sexual e não me sentir uma anormal por isso, os desejos são difíceis de entender mesmo. O filme gira exatamente sobre como relações sexuais são relações de poder e também sobre a banalidade do sexo. É triste saber que houve abuso de poder para causar efeito na dramatização, mas todos se beneficiaram do acontecido, mesmo depois de tanta polêmica – Maria fez um bocado de filmes depois deste. Acontece q a cena é de estupro, mas o filme é sobre uma guerra entre homens e mulheres na arena sexual. Por fim, o homem é o mais frágil, pois se envolve emocionalmente demais, e a mulher se mostra bem poderosa e prática (dando spoiler). Acho perigoso julgar um filme inteiro por uma só cena, porque o filme é um clássico e os diretores de cinema de sucesso são mesmo uns escrotos e manipuladores – mas continuamos vendo seus filmes, às vezes, sem saber. Mesmo assim eles não deveriam forçar as atrizes a fazer coisas q elas não gostariam.

Anônimo disse...

Poxa, "não veio problema nenhum no estupro ser visto como erótico na ficção!"
É por caras como vc que a cultura do estupro está tão enprenhada na sociedade. A partir do momento que a pessoa vê uma cena de estupro, mesmo que na ficção, e acha excitante e erótico, e pq fantasia e pode ser um potencial estuprador! Nos poupe de seus comentários nojentos!

Anônimo disse...

Anônima das 9:15 e 9:17 aqui. Agora entendi melhor. Eu tinha interpretado errado a parte do "sexo não real", como sendo mais no sentido de "nenhum sentimento pessoal envolvido" / "no strings attached".

Mas ainda assim concordo que é estupro, porque simulação ou não, foi uma situação sexual em uma condição que não foi consensual e degradante para a atriz.

Anônimo disse...

que não foi consensual e foi degradante** quis dizer (corrigindo porque a frase ficou meio estranha)

Anônimo disse...

o filme é muito ruim, e os omens são piores ainda

Anônimo disse...

Quem acha cena de estupro excitante também deve achar pedofilia e zoofilia excitante também. Esse tipo de gente, por mim, deveria ser mantida em cativeiro para não colocar a vida dos outros em risco. Ainda bem que eu não tenho nenhum tipo de relação com homens em geral e levo sempre um spray de pimenta comigo porque se for depender da boa vontade deles, ainda existiria tráfico escravo sexual no meio da feira.

Miriam Andrade disse...


A cultura de estupro é enraizada desde cedo na cabeça dos homens, tipo, a própria cultura (digo filmes, gibis, e videogames) acabam encucando eles com essa naturalização do estupro. Eu mesma tenho um filho adolecente, e pensei em ver as coisas que ele assiste. Um horror! Briguei com ele até.

Esses dias ele tava assistindo um desses desenhos bobos chineses que ele acompanha. Ai logo na primeira cena aparece um menino chorando em cima de uma menina em coma no hospital. Ele chora e sacode a menina, querendo que ela acorde. Ele sacode tanto ela que os seios dela acabam pulando pra fora da roupa, e ele para de chorar. A cena corta e aparece a mão do menino toda suja! Que absurdo! Ele se masturbou em cima da menina em coma! Não aguentei mais assistir.

Fiquei muito brava com meu filho assistir essas porcarias, olha só o que ele (e todos os omens) aprende, essa banalização do estupro vem de todos os lados!

Anônimo disse...

"Por fim, o homem é o mais frágil, pois se envolve emocionalmente demais, e a mulher se mostra bem poderosa e prática (dando spoiler).''
Sei lá, mas os mascus adoram dizer isso.

Anônimo disse...

Poxa, o pior é que tem mulheres que acharam isso excitante.

Anônimo disse...

Miriam, acho que seu filho estava assistindo um anime do estilo hentai, que basicamente é uma pornografia em desenho animado. Um nojo, parece que toda essa geração masculina está perdida,eu que sou jovem vou querer ficar solteira até morrer.

Anônimo disse...

Essas mulheres que acham esse tipo que coisa excitante são geralmente garotas enclausuradas, sem ter muito contato com a realidade do mundo e normalmente são as primeiras a serem vítimas de estupro. Várias pesquisas mostram que o perfil de vítima de violência doméstica e sexual por parceiros são garotas ingênuas,infantilizadas e que não possuem objetivos fortes na vida. É necessário lutar contra isso,as meninas precisam ver como que o mundo funciona,serem alertadas para que quando ocorrer algo errado, já saibam como proceder e se defender.

MrDissidiaFan disse...

Anon das 18:56 "No final das contas, todo homem é um estuprador em potencial que gosta de imaginar,ver e até cometer crimes sexuais."

Só que alguns homens são assexuais. Como que um ASSEXUAL pode ser estuprador?

Anônimo disse...

12:23 Eu sinceramente espero que no futuro seja considerado anormal qualquer submissão ou humilhação sexual e que a sociedade não deixar o estupro como um acontecimento ambíguo e sim como crime. Espero que você também reveja seus sentimentos e suas ações,porque ao se submeter quem perde é você. Se ainda possui um controle sobre a própria vida, não deixe escapar e seu tomada ppr outro.

Anônimo disse...

"mandou Marlon Brando agir como se fosse estupra-la de verdade pra que ela se sentisse HUMILHADA, AGREDIDA E VIOLENTADA e reagisse como tal? O que significa que pode não ter havido penetração, mas HOUVE violência sexual?"


"agir como se fosse estuprá-la" = ATUAÇÃO mais PRÓXIMO possível da realidade. O DIRETO QUERIA CHOCAR MESMO (e conseguiu pelo visto, né??)

Vamos dar uma colher de chá pra você?? (afinal, é sempre assim...)
Vamos supor que o ator se aproveitou e etc.. Uma espécia de "acidente de trabalho" com a atriz.

POR QUE ELA NÃO FALOU NADA NA HORA, DURANTE A ATUAÇÃO???
Qualquer coisa: "parou", "corta a cena diretor", QUALQUER COISA EM OFF PRA QUEBRAR A CENA e falasse que não gostou??

"tadinhaaaa... uma pobre mulher indefesa QUE NÃO TEM BOCA PRA FALAR"

VOCÊS VIAJAM MUITO.

E outra... esse negócio de ARTES, ATUAÇÃO, TEATRO É COISA DE ESQUERDISTA... VOCÊS FAZEM A MERDA E A CULPA É NOSSA.

Anônimo disse...

ELA SABIA que ía ter uma cena de estupro.
VOCÊS FALAM COMO SE ELA NÃO SOUBESSE DE NADA. QUE FOI UMA CENA DE ESTUPRO SURPRESA COM A ATRIZ.

Feministas... tsc tsc tsc
ACORDEM!

Anônimo disse...

18:37 Para que função essa reação histérica? Volte para o seu canto escroto porque esse lugar é para as mulheres discutirem todos os procedimentos abusivos que ocorreram nesse filme. Parece que você não conseguiu ler direito o texto e nem faz ideia da entrevista que Maria deu no passado. A burrice masculina não tem fim....

Anônimo disse...

MrDissidiaFan, se um homem pode ser um estuprador ou não depende da anatomia biológica e não dos interesses sexuais ou a falta desses. Tem um livro sobre a história do estupro e guerras que discute várias coisas nesse sentido. Vários estupradores na história foram pais de família,com filhas pequenas,esposas e isso nunca impediu de cometer crimes. Depois de gengis khan,dos soviéticos na segunda guerra,do estupro de nanquim,guerra da bósnia, falar que não pode "generalizar os homens" é uma burrice histórica. Basicamente todo homem estuprava qualquer ser com XX que aparecesse pela frente. É como se existisse um monstro escondido em cada homem que pode sair a qualquer momento.

titia disse...

18:33 MAS ELA NÃO SABIA QUE IA TER UMA CENA DE ESTUPRO, ANTA! Não vou te dar colher nem de bosta quanto mais de chá: a cena não estava no roteiro e eles PROPOSITALMENTE NÃO CONTARAM À MARIA SCHNEIDER QUE ESSA CENA SERIA FEITA PRA QUE ELA FICASSE COM MEDO E HUMILHADA! UM ABUSO FOI COMETIDO E PONTO FINAL, BABACA! NÃO HÁ MIMIMI DE MASCU ESTUPRADOR ENRUSTIDO QUE JUSTIFIQUE ISSO.

Ah, olha aí outra pérola da cultura de estupro: agora Maria teria que agir de acordo com a SUA definição do que uma "verdadeira" vítima deve fazer e como se comportar pra que ela mereça ser levada a sério. Porque claro, a moça está sendo humilhada, com medo e achando que vai ser estuprada por um homem muitos anos mais velho e mais forte do que ela - mas mesmo assim ela tem que lembrar que é só um filme e mandar parar! Até porque, né, todo mundo sabe que diretores são muito respeitadores e nunca forçam limites ou se comportam de forma antiética pra conseguir o que querem. O diretor, então, só faltou fazer a cena no lugar dela pra garantir que ela não ficaria apavorada e humilhada (sarcasmo, pra qualquer porífero de plantão que não tenha entendido). PORQUE NÃO TEM ESSA DE CADA UM REAGE DE UM JEITO NÉ MASCU? NÃO, TODA VÍTIMA TEM QUE REAGIR ASSIM E ASSADO OU NÃO TEVE VIOLÊNCIA NENHUMA!

A culpa é de vocês sim. Foram homens que inventaram a cultura de estupro e são vocês que a alimentam até hoje. Teatro, artes e atuação são coisas maravilhosas que alimentam a mente e a alma, mas vocês MACHISTAS DIREITISTAS ABUSADORES RESOLVERAM USAR ARTE COMO DESCULPA PRAS SUAS VIOLÊNCIAS E NÓS MULHERES É QUE CARREGAMOS O ÔNUS? MAS NEM A PAU MEU FILHO!

Mascus estupradores enrustidos façam um favor pra humanidade...

MORRAM!

titia disse...

"O diretor de fotografia do filme, Vittorio Storaro, disse: "Eu estava lá, estávamos fazendo um filme, não era real. Ninguém estava violentando ninguém. Maria sabia perfeitamente bem o que estava fazendo. Ela sabia que era uma cena de estupro e não tinha problemas com isso. Era um trabalho de atuação e nada mais". "

Também dizem por aí que um monte de vítimas de estupro "sabiam o que estavam fazendo". Que foi um simples mal entendido e nada mais. Que elas não tinham problema em transar porque deram uns amassos no estuprador antes. Desculpas, desculpas e mais desculpas pra não punir os abusadores, e toda a culpa sendo jogada na vítima porque, afinal, ela é só uma mulher e não tem que querer ser tratada como um ser humano ou qualquer outra coisa além de uma coisa que o homem pode usar pra gozar. Se matem, seus lixos.

Anônimo disse...

o comentador retardado das 18:33 e 18:37 exemplifica bem o pq o gênero masculixo é uma doença social, não preciso nem me alongar, o próprio demonstra a repugnância, o asco e a coisa abjeta q é ser (lix)omen. Convencidas, meninas?

Caro (proto)mascu analfabeto funcional: não sei se vc sabe ler direito, mas a Maria Schneider reclamou sim, a vida inteira, até mesmo depois da cena acontecida, mas por ser mulher óbvio q ela não foi creditada; vc é só mais um idiota, pq só agora q não há como contestar o estupro vc diz q ela não reclamou "devidamente", sendo q ela reclamou SIM, mas quando era só boato não havia o pq levar em consideração; se vc, um lixomen, tivesse crido na palavra DELA desde o início, não estaria tendo q defender falaciosamente a raça do sexo masculixo

Cada vez q eu encaro a realidade dos omens, mais nojo eu tenho desses portadores de vcs sabem o q...

Anônimo disse...

O estupro como fetiche ficcional é amplamente aceito na indústria pornográfica, sendo, inclusive um dos carros principais. Já há muitos estudos feministas nessa área, de como os ângulos, a iluminação e a história enfatizam a mulher como objeto (Leiam Laura Mulvey, que aborda muito bem a questão).
Só que nos filmes digamos, comerciais, a diferença de poder está muito mais sutil. No pornô, isso é elevado ao máximo. Retratam situações sexuais fora do comum, todas sempre fetiches de homens (orgias com muitas mulheres, sexo com uma mulher em posição subalterna ao homem, com garotas à beira da adolescência) sem falar nas várias posições que reforçam a submissão feminina.

Vinydimax disse...

Certo, o filme é de mais de 30 anos atrás, onde a sociedade ainda não havia 'amadurecido' em relação a isso.
Hoje em dia, estamos amadurecendo e criando consciência em relação a esse tipo de coisa. Isso é um progresso, estamos começando realmente a valorizar e não discriminar a mulher.

Uma sugestão é parar de ficar ressuscitando coisas antigas assim, porque com certeza iremos achar pensamentos 'retrógrados'.
Critique produções e comportamentos atuais, assim como esse excerto da Mundo Estranho

Anônimo disse...

(Viviane)
Assino embaixo, Vinydimax (caramba, que nome!). A crítica é importante, mas existe um detalhezinho chamado contexto histórico.

Anônimo disse...

Vinydimax,entender os erros do passado pode nos auxiliar a não deixar que situações análogas aconteçam novamente. Lembrando que esse acontecimento específico nem é tão antigo assim,a entrevista da Maria foi em 2007 e mesmo assim ninguém se revoltou. Minha geração ainda era criança, não tinhamos assistido a esse filme,mas fico revoltada em saber que os adultos daquela época não se indignaram com isso. Mostra totalmente como a grande formadora do feminismo atual são de garotas jovens e só agora que as mulheres adultas estão revendo seus conceitos.

Anônimo disse...

Vamos lá:

- o sexo foi simulado, não teve penetração, penis pra fora, nada.
- ela SABIA porque ESTAVA NO ROTEIRO que aquela cena em particular ia acontecer
- ela NÃO SABIA da "manteiga" e foi isso que a deixou mal, porque fizeram uma coisa relacionada a trabalho sem discutir com a atriz antes, à guiza de conseguir uma reação mais "genuína" (detalhe que muitos diretores fazem isso, posso citar alguns filmes em que isso ocorreu: Alien, Taxi Driver, Insterstellar, Tropa de Elite, Batman the Dark Knight, Avengers, googlem aí as reações que os diretores queriam)
- como atriz, ela foi desrespeitada. E o Marlon também. Não é à toa que o filme é uma bosta, ele estava ali completamente de má vontade, pra cumprir contrato

Chamar de estupro em tela me parece um exagero dramático muito grande. Agora, nada impede que se retome a discussão sobre o estigma que recaiu na atriz, o tratamento diferenciado dado a homens e mulheres e o abuso de diretores e roteiristas em insistirem nesse recurso do estupro e atores e atrizes que aceitam esse tipo de papel.

Uma amiga minha é atriz conhecida. Ela vive recusando esse tipo de coisa (a última recusa foi em uma cena que iria passar na Record) e simplesmente pegaram outra atriz que topava. Ela não passa fome, vai muito bem obrigada e não se sujeita a isso. Por outro lado, a bela Grazi Massafera até ganhou prêmio pela atuação realista em um contexto semelhante, ou seja... dá pra discutir bem esse assunto sem ficar chamando de estupro o que, na realidade, não foi.

titia disse...

Teve violência sexual 21:55 ainda que você não queira chamar de estupro. Você leu a parte em que o diretor CONFESSOU que não contou à Maria como a cena ia ser pra que ela reagisse de verdade?

Anônimo disse...

Mas o Marlon não chegou a passar manteiga de verdade nela, não é?

Eu nunca vi a cena, mas se ele só fingiu, não vejo tanto problema já que a cena era um estupro, isso foi um detalhe... se ele de fato passou nela (ou seja, tocou no corpo dela), é horrível mesmo

Anônimo disse...

Dizer "estupro real" (como vi em várias manchetes) passa uma ideia bem mais específica: a de que houve penetração do ator na atriz. Infelizmente, isso faz diferença na cabeça das pessoas. Acho que falar exatamente do que houve é bem melhor do que exagerar por uma causa.

Vi comentários em outros sites de gente achando bacana (!!!) que um "estupro real" tenha originado uma cena sexy (!!!!!!). As pessoas continuam "vendo" uma cena de prazer, o problema parece existir só nos bastidores e não é assim.

Anônimo disse...

A questão é que a atriz não sabia da manteiga. Os contratos de Hollywood prevêem todos os detalhes desse tipo. Veja por exemplo o contrato dos artistas que trabalham na série WestWorld, que prevêem:


"the performer may be required to perform genital-to-genital touching, simulate oral sex with hand-to-genital touching, contort to form a table-like shape while being fully nude, pose on all fours while others who are fully nude ride on your back, [and] ride on someone's back while you are both fully nude."
(...)
"have [their] genitals painted."

Eles incluem esses detalhes no contrato para evitar processos. Mesmo que os atores nunca venham a desempenhar esses atos descritos, a produção precisa se precaver.

Anônimo disse...

Rape in the United States is defined by the Department of Justice as "Penetration, no matter how slight, of the vagina or anus with any body part or object, or oral penetration by a sex organ of another person, without the consent of the victim."

Anônimo disse...

10 U.S.C. § 920 : US Code - Section 920: Art. 120. Rape and sexual assault generally

(a) Rape. - Any person subject to this chapter who commits a sexual act upon another person (...)

(g) Definitions. - In this section: (1) Sexual act. - The term "sexual act" means - (A) contact between the penis and the vulva or anus or mouth, and for purposes of this subparagraph contact involving the penis occurs upon penetration, however slight; or (B) the penetration, however slight, of the vulva or anus or mouth, of another by any part of the body or by any object, with an intent to abuse, humiliate, harass, or degrade any person or to arouse or gratify the sexual desire of any person.

Pela lei americana, diferente da lei brasileira, é preciso haver penetração.

Anônimo disse...

Acho que o diretor à época não pretendeu que a cena fosse sexy, o que não tira a sua inconveniência, sabendo-se que não houve consentimento, mas, como homem, me choco que meus pares se excitem com cenas de sexo violenta. Nos filmes pornôs o que mais tem é homem "tuchando" com toda força o pênis, normalmente enormes, na garganta da mulher e ela com cara de náuseas. A penetração vaginal e anal é, também, sempre com violência.Pra mim é super broxante, mas acho que muita gente gosta, uma vez que é frequente. Por outro lado, hoje é lugar comum ente as mulheres falar que adoram homens "com pegada". Pelo que eu constato, em conversas com muitos conhecidos, eles acham que a tal da "pegada" é justamente o sexo "com força". É preciso que as mulheres definam bem bem para os homens o que é a famosa
"pegada".

Anônimo disse...

O tribunal de lá que teria que resolver o caso. De qualquer forma, foi um assédio sexual que pode ser configurado como estupro em vários os países. Moralmente, o diretor e o marlon brando são equivalentes a estupradores e as pessoas que os idolatram mesmo depois de saber do acontecido são defensores de estupradores.

Anônimo disse...

Daria para você passar o link desse site para que possamos denunciar? Porque quem acha engraçado estupro é estuprador também, só pode não ter tido a oportunidade.

Anônimo disse...

E em solo francês, qual seria a lei? Por que foi lá que o filme foi gravado não? Caberia a lei francesa fazer algo caso tivesse sido denunciado na época.

Tomás disse...

Neon Genesis Evangelion, hahaha... É japonês.

Não questiono sua autoridade sobre o seu filho, mas entre nós dois, preciso dizer que o contexto da trama não pretende "naturalizar" o abuso.

O personagem que toca a garota em coma é depressivo e extremamente delicado. Essa parte do enredo mostra justamente como ele é desequilibrado, sem elogia-lo.

Curioso é que a personalidade da garota em coma é o inverso: muito ativa e brava. Me fez pensar o que as autoras do mangá (um grupo de mulheres chamado Gainax) quiseram expor ali, é uma ótima série.

Enfim, retratar uma situação triste não quer dizer apoiar a sua repetição na vida cotidiana, mas muitas vezes fazer refletir a respeito para que as pessoas "se cuidem".

Anônimo disse...

Na França também é necessário haver penetração para configurar crime de "viol":

l'article 222-23 du Code pénal, « tout acte de pénétration sexuelle, de quelque nature qu'il soit, commis sur la personne d'autrui par violence, contrainte, menace ou surprise »

Anônimo disse...

Tem mulher que gosta mesmo de sexo "com força". A diferença é que isso é consentido. O problema é fazer sem consentimento.

Anônimo disse...

Aliás, não interessa se é com força, sem força, só a cabecinha, só com o dedinho, etc. Sem consentimento é estupro. E aqui no Brasil, nem penetração precisa ter viu. Na definição do código penal brasileiro, estupro é:

"Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso"

Anônimo disse...

Muita coisa moralmente condenável acontece o tempo todo, algumas pessoas consideram que tais ações deveriam ser consideradas crimes, outras pessoas acham que não. Por exemplo, eu acho que deveriam prender quem estaciona indevidamente em vaga reservada para idoso/gestante/cadeirante/etc, mas tem gente que acha exagero. O que separa uma ação "apenas" moralmente condenável de uma ação criminosa é a Lei. Leis podem ser mudadas, mas exigem mobilização das pessoas que vivem sob essas leis.

Dificilmente um cidadão do país X vai conseguir mudar uma lei do país Y, por causa do conceito de Soberania (segundo Kant e Rosseau) que é independente da ordem internacional.

Anônimo disse...

Bom, para não parecer que estou defendendo o fulano da história: o que aconteceu é tão condenável, independentemente de classificação penal, que o próprio diretor confessou a culpa.

É totalmente construtivo aproveitar o hype para deixar bem claro que na lei brasileira atual isso seria considerado estupro, para evitar que algum imbecil queira fazer alguma coisa parecida. Mas acho que nesse caso é melhor fugir um pouco de esperar que ator e diretor sofram processo penal. O máximo que podemos fazer é boicotar o filme (embora sinceramente não seja exatamente um blockbuster depois de tanto tempo).

Anônimo disse...

Se você sabe como são as cenas pornograficas deve ser porque já deve ter assistido também. Se assistiu,é porque gosta de pornografia e não a vê como um mal. E ainda,vem reclamar em blog feminista e jogar a culpa nas mulheres. Agora somos culpadas pela pornografia,estupro e qualquer outra merda. Entenda:As mulheres possuem nojo de sexo. As mulheres da nova geração possuem 2x mais chances de serem assexuais do que os homens. As mulheres que gostam dessas nojeiras são minorias e agem como vadias,seja porque é o único jeito da mulher mostrar sua sexualidade na sociedade é sendo uma vagabunda ou para ganhar biscoito de macho por agir como puta. Mas a maioria das mulheres ODEIA E TEM NOJO de pornografia, prostituição, sadomasoquismo e seja lá o que as pessoas doentes aprovam.

Anônimo disse...

Eita slut Shaming

Mascu detected!!!

Anônimo disse...

10:11, ninguém acredita que você não é um homem frustrado, já pode parar o teatro

Anônimo disse...

Slut shaming uma merda. Se você é mulher e gosta de ver vídeo de mulher sendo estuprada e em posições vergonhosas você tem sérios problemas. Eu estou cansada desse feminismo falso que aplaude música funk, incentiva sexo casual sendo que a maioria dos homens não conseguem sequer fazer suas companheiras gozarem, imagina mulheres que para eles são "putas"? Em suma, não quero feminismo que apoie putaria que macho acha bom. Onde que está as críticas ao tráfico de mulheres para a indústria pornografica e de prostituição? Onde está o incentivo as mulheres trbalharem e assim não dependerem de ninguém? Em vez de usarem batom vermelho e dizerem "sou emponderada" enquanto assistem porno,vamos tentar fazer uma diferença real no mundo.

Anônimo disse...

Não sou homem, tenho 19 anos, sou estudante em uma universidade federal e estou cansada do feminismo liberal que se preocupa mais com sexo casual e batons do que trabalhar e ser de fato independente. E digo novamente:tem mulher que utiliza feminismo como dsculpa para comportamento de vadia, daquelas que agem como cachorra de macho mesmo. É vergonhoso. Queremos incentivar nossas meninas a serem grandes ou prostitutas? Porque a segunda opção o pratiarcado aplaude. So faltava o feminismo apoiar também.

Anônimo disse...

Slut shaming é coisa de adolescente que prefere trepar do que estudar. Mulher madura sabe diferenciar um xingamento de puta desnecessário,que não tinha nada em relação a seu comportamento, do que um xingamento coerente. Feminismo não apoia putaria.

Anônimo disse...

Com tanto site porno desgraçado ainda tem gente que se ofende quando digo que mulher tem nojo de sexo?É super coerente. Qual das meninas aqui apoiariam agir como atrizes pornos? Ter nojo do sexo atual não é o mesmo que não ter desejo sexual, pode muito bem se masturbar ou usar vibrador.

Anônimo disse...

O sexo nunca foi tão nojento como atualmente. Mas não vejo muitos posts feministas falando sobre isso. Uma pena.

Anônimo disse...

A repercussão toda se deu foi por que não ficou claro nas primeiras notícias que não houve penetração real, se acharem que é estupro, abuso, normal, excitante, feio, bonito, aberração, etc. Ok, cada um acha que o que quiser, podem até achar que quem gosta do filme deve ser preso como estuprador em potencial, etc. mas....é uma "CENA", e a maioria dos textos e notícias tratando do caso fez acreditar que ele "fez" sexo anal com ela em cena, o que não aconteceu.