terça-feira, 17 de novembro de 2015

GUEST POST: O HORROR DAS ESCRAVAS SEXUAIS

Semana passada publiquei um texto da Camila Ribeiro sobre prostituição. Desta vez ela colabora com um post sobre uma temática relacionada. 
Camila é formada em jornalismo, viaja muito, e passou sete meses no sudeste asiático. Escreveu um texto sobre escravas sexuais, algo bastante comum por lá (e, obviamente, não só por lá. Incluí algumas imagens daqui e de outros países ocidentais).  

Ao ler o livro Escravas Sexuais (Sexual Slaves) de Louise Brown, fiquei perplexa com a imensa rentabilidade desse mercado!
O tráfico de mulheres é um problema que atinge dimensões titânicas. Segundo dados da Organização Mundial do Trabalho, quase um milhão de pessoas são traficadas anualmente, com a finalidade de exploração sexual. Em 98% dos casos as vítimas são mulheres.
Pagar por sexo ou comprar
sexo aumenta o tráfico
humano, diz campanha
O tráfico chega a movimentar 32 bilhões de dólares por ano, sendo apontado como uma das atividades criminosas mais lucrativas.
Confesso que durante a leitura desse livro fiquei bastante perturbada. Tráfico de mulheres até então para mim se limitava à novela da Glória Peres, onde a mocinha é traficada para a Turquia e obrigada a se prostituir. Resolvi ir a fundo nesse tema ao visitar países muito pobres e ver de perto a prostituição, não podendo assim me furtar dessa realidade que me saltava aos olhos, permeando os aspectos cotidianos ao meu redor.
O mais cruel de tudo isso é que esse é um tráfico caracteristicamente silencioso, de difícil captura, velado, escamoteado, disfarçado, que passa despercebido pelos noticiários, por sua vez inundados com notícias sobre o tráfico de drogas e outras ilegalidades.
A máquina que move esse mercado é eficiente e silenciosa, a engrenagem funciona com precisão e o combustível é feito geralmente de meninas muito, mas muito pobres, que são facilmente esquecidas pela sociedade. Muitas moram em vilarejos miseráveis e não têm nem RG ou qualquer certidão.
Cartazes como o da foto ao lado são corriqueiros nos hotéis em Camboja: "Stop human trafficking and exploitation" (pare com o tráfico humano e a exploração).
Entendendo a engrenagem:
Tudo começa pela compreensão de que o casamento em boa parte da Ásia não tem nada a ver com amor e muito menos com empatia sexual, química, ou seja lá o que for. 
Trata-se de uma instituição secular: constituir família. E dentro desse acordo o homem tem uma espécie de aval para ser infiel, até porque a vida sexual com sua esposa muitas vezes é enfadonha ou inexistente.
No entanto, é preferível que o marido procure uma prostituta para aliviar suas vontades à uma amante, pois a segunda poderia extraviar o dinheiro destinado ao sustento do lar. Ainda assim a busca por esse tipo de serviço tem que ser feita à maneira asiática, com total discrição e zelo, em clubes fechados, muitas vezes camuflados como karaokês, dificilmente notados a olhos nus.
Campanha contra tráfico sexual em
Cingapura (bastante gráfico, clique
para ampliar)
O combustível desse mercado perverso é onde mora o problema, ou melhor, o tráfico. Agentes espalhados pela Ásia procuram pelas presas perfeitas, na maioria das vezes jovens virgens e muito pobres, que moram em pequenas vilas no interior da Índia ou do Camboja, mal têm dinheiro para comer, e sonham com condições melhores.
Campanha em Luxemburgo
Suas famílias as vendem para os agentes, que na maioria das vezes prometem que serão empregadas em casa de família, só que na verdade são trancafiadas em bordéis até se "acostumarem" com o novo ofício.
Outras vezes são ludibriadas com promessas de casamento e fogem com o noivo, que após um mês de pseudo matrimônio as vende ou vira uma espécie de cafetão.
Essas mulheres, muitas vezes crianças, são tudo, menos senhoras do seu destino. Esquecidas pelo governo, subnutridas, muitas vezes um estorvo para as famílias que, além da obrigação de alimentá-las, precisa pagar o dote para que elas se casem, sendo consideradas um fardo por terem nascido com dois cromossomos x,  acabam sendo alvo do tráfico de mulheres, tornando-se escravas sexuais.
Campanha na África do Sul: ela não
pode pedir ajuda
Uma das partes mais complicadas é o transporte dessas mulheres. Muitas vezes os agentes têm esquemas com os guardas das fronteiras e um preço é acertado, ou melhor, uma propina; outras vezes as meninas acabam passando despercebidas. Algumas vão por livre e espontânea vontade, acreditando que serão empregadas como garçonetes.
Em alguns casos vão sabendo que trabalharão como prostitutas, principalmente no Japão, só que chegando lá são exploradas e ameaçadas pela Yakuza, diluindo o sonho de autonomia profissional e ganhando muito aquém do combinado.
Outra maneira asquerosa de induzir uma mulher à prostituição, sobretudo na Índia, é através do estupro. É impensável nesta parte da Ásia que uma mulher se case não sendo mais virgem, quando vítima de estupro então, perde completamente sua honra, não existindo outra solução senão aderir ao mercado da prostituição, já que dificilmente irá se casar ou constituir família.
Vou traduzir aqui um dos depoimentos do livro sobre escravas sexuais de uma mulher de Bangladesh.
Campanha israelense pede
para que não sejamos
cúmplices do tráfico sexual
“Trabalhei num fábrica durante três meses e ganhei aproximadamente 50 reais. Eu dividia o quarto com uma garota, mas ela me disse que não queria mais dividir o quarto comigo porque eu não ganhava dinheiro suficiente. A partir de então eu não tinha mais onde dormir. Estava muito triste e andando pelas ruas quando uma mulher começou a falar comigo. Ela disse que poderia me arranjar um emprego, então eu a acompanhei. Ela me levou até um quarto e me deu comida, então duas outras mulheres chegaram e ela me disse para acompanhá-las, que elas me mostrariam a cidade. 
"Estava escuro e elas me colocaram numa moto. Nós fomos para um lugar bem movimentado com muitas garotas vestindo roupas estranhas e maquiadas. Quando saímos de lá uma mulher puxou o meu sari e disse que não precisaria mais usar aquele tipo de roupa. Então elas me levaram até um prédio e ficaram falando com uma outra mulher sobre mim. Eu estava muito assustada. Elas me deram uma pílula e perguntaram se eu estava me sentindo zonza. Eu não estava, mas elas me levaram para dormir.
"Na manhã seguinte um monte de meninas vieram falar comigo e disseram que eu estaria bem se fizesse o que me mandassem e acabaria me acostumando. Não entendi muito bem o que elas queriam dizer. Me disseram também que aquele lugar era bom e que eles me dariam roupa e comida.
"Naquela noite uma mulher me trancou num quarto pequeno e um homem veio e tentou me estuprar. Eu briguei com ele e ele ficou muito bravo e me disse que pagou por mim e tinha direito de fazer o que bem entendesse. A madame ficou tão brava que me bateu com cabo até meu braço ficar cheio de hematomas. Alguns clientes eram bons, quando eu dizia que não queria fazer sexo com eles, eles prometiam não contar nada a madame. Mas outros não, eles contavam para ela, que vinha e me batia de novo. Depois de cinco dias apanhando eu acabei aceitando isso″.
Em outro depoimento uma nepalesa conta: “Eu fiquei no lugar por 3 anos e durante 2 deles eu nunca saí para ver o sol. Eles nunca me deixavam. Ficava num quarto pequeno com outras duas garotas e não tinha janela. Era sempre escuro. Frequentemente nós conversávamos e gostávamos de imaginar como era lá fora com o luz do sol. Eu pensava na minha casa, mas isso só me deixava mais deprimida.”
Essa história faz parte da aclimatação da mulher no mundo da prostituição, é assim que elas acabam se conformando com o destino que lhes foi forçado. Se não bastasse isso, acumulam dívidas com os donos do bordéis, como roupas e comida, e dessa maneira entram num círculo vicioso e nunca conseguem pagar o que devem para se verem livres. Muitas vezes quando conseguem quitar suas dívidas já estão em idade avançada e não têm a mesma facilidade para atrair clientes.
Da campanha "Nenhuma criança à
venda": Crianças a partir dos 6 anos
são vendidas para o tráfico sexual"
Aliás, o fator idade é fundamental no mercado asiático de prostituição. Enquanto os homens ocidentais priorizam uma mulher experiente, os asiáticos preferem as mais novas, inexperientes, que assegurem que sua performance será satisfatória, não provocando insegurança. Aos 23 anos a carreira de uma prostituta já está quase no fim. As mais caras e cobiçadas são as virgens de pele clara, que podem valer uma nota preta.
Muitos japoneses ricos ou chineses pagam uma bagatela para tirar a virgindade de uma menina, ainda mais com a certeza de que ela é livre de doenças sexuais. Essa obsessão por virgens acaba freando alguns estupros, pois se uma virgem é prometida e sofre estupro, a reputação do traficante é manchada.
Algumas prostitutas acabam conseguindo juntar dinheiro e abrem um salão de beleza ou algo de gênero. Outro número representativo acaba contaminado por HIV ou outras doenças sexualmente transmissíveis.
Uma prostituta de Bangladesh revela: “Nós temos comida boa aqui no bordel, mesmo assim eu continuo perdendo peso por que eu sempre tenho alguma doença sexual. Me sinto doente e não consigo comer. Alguém nos traz um monte de remédios diferentes porque nós não podemos ir a um médico.”
A maioria não consegue voltar para a vila da onde foram tiradas, pois serão humilhadas e sofrerão preconceito, só encontrando aceitação no mundo da prostituição, sua "nova família". Como narra essa mulher: “Eu não gosto desse trabalho, mas não existe nada além disso que eu possa fazer, eu não tenho marido nem família. Sou uma mulher ignorante. Esse trabalho, entreter homem, é a única coisa que eu sei fazer.″
Como se reinventa uma mulher vítima do tráfico? Quais oportunidades lhe são dadas? Para a grande maioria o fim é triste. Isoladas da família, muitas com DSTs, procuram ONGs ou algum tipo de ajuda para não morrerem de fome. 
Outras, a minoria, acabam se tornando agentes e são promovidas de vítimas a algozes, perpetuando assim esse ciclo malévolo, usando sua experiência para encontrar as presas perfeitas e tornarem-se "madames" dos bordéis. 
E assim o mercado continua aquecido.
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Campanha contra o turismo sexual
Saiba mais sobre tráfico humano usado na prostituição: neste post de 2012, comento alguns números aterrorizantes no mundo. Este texto em inglês trata da colonização do corpo feminino.
Esta campanha alemã de 2009 colocou uma loira numa mala para mostrar o terror do tráfico sexual. 
Este comercial britânico diz: 
"A cada minuto, uma pessoa é usada para tráfico sexual. Não feche os olhos para os perigos do tráfico humano. A cada minuto, outra jovem é traficada pela exploração sexual. Você pode parar isso". 
Há campanhas mais recentes, como a Nenhuma Criança à Venda. Nesta matéria há vários outros exemplos.
Aqui há uma lista de filmes e documentários sobre tráfico humano e escravidão moderna. O mais famoso talvez seja Nascidos nos Bordéis, da Índia. Outra lista aqui.
O filme Desaparecidos, de 2007, não é muito bom, mas trata de um assunto terrível que poucos conhecem: todo ano, 50 mil mulheres e crianças são trazidas ilegalmente pros EUA para serem escravizadas sexualmente. Ou seja, o tráfico humano para exploração sexual está longe de acontecer apenas no sudeste asiático...

222 comentários:

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Anônimo disse...

É só legalizar a prostituição, fazer uma lei bonitinha dando 50% dos ganhos da prostituta para o seu cafetão e tá tudo certinho gente! "Seu corpo suas regras", né non?

Anônimo disse...

O bostão do comentário acima, a prostituição não é legal e acontece tudo isso q vc leu. O fato disso acontecer ou não, não tem haver com a prostituição ser legalizada ou não, seu merdinha

Anônimo disse...

Cansada de tudo isso, de toda essa desgraça, o mais triste é saber q o principal fator estimulador disso tudo é a grana, pq gera bilhões de dólares, capetalismo agindo novamente. Muita gente diz "existem mais pessoas boas do q ruim no mundo", eu discordo, pra mim é o contrário: existem mais pessoas ruins do q boas no mundo, não dá pra acreditar q há mais gente boa no mundo sabendo q tudo isso e mais além existe.

Cansada de viver, seu eu pudesse ter um único poder, seria o de eu poder me mudar pra um outro planeta (onde dá para viver) bem longe desse, pq esse aqui gente, não tem mais jeito.

Nem cristo conseguiu dar um jeito nesse planeta, uma extinção (merecida) à nossa espécie não seria tão ruim assim. Me perdoem toda a misantropia, mas é q eu estou completamente desiludida com o mundo: machismo, misoginia, homofobia, patriarcado, intolerância, tráfico humano, fundamentalismo religioso, terrorismo, etc. As pessoas falam tanto em um apocalipse/fim do mundo, q eu até queria mesmo q isso acontecesse

Anônimo disse...

Eu clamo a todos os comentaristas decentes para q não respondam e não deem atenção a esse troll do Alain Soral em hipótese alguma, não vamos mais dar palco pra esse trouxa imbecil. Um cara q obviamente não leu nada do artigo e vomita uma coisa dessa: "Na realidade, essas moças santas e honestas se submetem a isso porque querem VIDA FÁCIL" e "Mas como eu sempre disse: O Ocidente esta em decadência". - Ignorem por favor, deixem-o mofar em sua ignorância doentia. Não gastemos nossos dedos com gente inútil, eu imploro em nome de jesus

Jamile disse...

esse é o "privilégio cis" que tanto falam?

Mila disse...

Uma vez vi um documentário sobre a exploração sexual das mulheres do Leste Europeu para a Turquia. Num dos casos, a esposa do cara foi enganada e ele estava movendo céus e terra para ir buscá-la.
Uma das reflexões mais importantes no documentário foi a de que não era possível combater o tráfico de seres humanos (o 3º que mais movimenta dinheiro no mundo, abaixo do de armas e drogas) sem combater a desigualdade social que assola as mulheres. Vamos tirar da equação prostitutas de luxo, books rosas e semelhantes e colocar o "grosso" do mercado sexual: gente que se prostitui por 10 reais, por uma pedra de crack, que foi jogada neste mundo e não tem condição de sair. Não podem escolher seus clientes, não possuem proteção contra doenças sexualmente transmissíveis, são jogadas fora quando aparecem os sinais de velhice.
Sem contar o fator cultural descrito no texto. Aqui no Brasil, somos "privilegiadas", se assim é possível dizer, pq não somos tão estigmatizadas por não sermos virgens igual nestes países.

Carlos disse...

Um amigo meu falou que a aposentadoria mais cedo pra mulher é privilégio, pois o argumento de que as mulheres ficam com as atividades domésticas é papo furado. Que a divisão das tarefas domésticas é um assunto de foro íntimo do casal enquanto que a aposentadoria é um assunto do Estado (entidade estatal) e que se devia misturar os dois.

Ele também falou que no caso de um homem que se recusa a fazer as atividades domésticas as mulheres tem três alternativas;
1_ Fazer as atividades domésticas sozinha
2_ não fazer as atividades domésticas e deixar a casa suja
3_ abandonar esse cara
E ele também disse que qualquer das decisões é culpa da mulher arcar com as consequências dessa decisão, assim como do homem a culpa por fazer a mulher ter que tomar uma dessas decisões.

Eu não soube responder a isso! como eu poderia respondê-lo?

Rafael Cherem disse...

Não precisa ir muito longe, isso ocorre entre nossas fronteiras.E não vai parar tão cedo, pois vivemos em um mundo desigual, e somando aos fatores culturais a esperança é quase 0%

Si disse...

12:30, as mulheres não aposentam mais cedo porque fazem tarefas domésticas. Aposentam mais cedo porque é muito mais difícil ingressar, se manter e crescer no mercado de trabalho. Ganham menos, são preteridas nas promoções e muitas vezes tem que parar de trabalhar para cuidar dos filhos que são do casal.
E essa historinha do seu amigo de colocar no individuo a responsabilidade total por uma questão social de milênios nem merece consideração.

Anônimo disse...

Um dos melhores post até agora. Parabéns.

B. disse...

Até entendo que o capitalismo ("tudo por dinheiro") fomenta esse mercado nojento, mas acham que socialismo é melhor? Em Cuba não tem prostituta que se vende por pouco?

Tem uma comentarista daqui, acho que é a Jane Doe, que dizia pra não se iludir, não era com o advento do socialismo que o machismo ia acabar!
E sim, o mercado da prostituição (de luxo ou beira de estrada) é fruto do machismo acima de tudo!

Rafael disse...

Carlos, ele tem razão. Nem tudo o que nos é apresentado precisa ser refutado. Algumas são verdades que incomodam. Como essa.

Precisa haver mais conscientização, mais educação e aí mais mulheres optarão pela terceira opção.

Até lá, a exploração será um jogo jogado por homens E por mulheres. Infelizmente.

Rafael Cherem disse...

Acho que podemos dividir prostiuição de exploração sexual, colocamos a mesma atividade para coisas distintas, a prostituta tem opções a escrava/explorada não.A prostituição em sí não é um mal, mas reduzir pessoas à condição de escravo sim, especialmente crianças.

Rafael disse...

Rafael Cherem, eu tenho uma opinião meio radical sobre prostituição: Acho errado. Errado para o homem e errado para a mulher.

Quer ser galinha(o), ok. O corpo é seu. Dê/coma quem quiser. QUISER.

Mas vender-se carrega um pesado estigma de objetificação. Essa objetificação reflete no tecido social e contribui, no meu entendimento, para a violência. No vender-se, tem o não quiser.

Basta ver como em diversos relatos de prostitutas, casos de agressividade por parte do homem, no melhor estilo: "Estou pagando, vou pegar pesado".

Meus 2 centavos...

Hell F. disse...

Estou chocada com as declarações, com o post, com o comentário que li acima... Céus! Nem sei mais em que mundo vivo. Impressionante como o ser humano é capaz de comercializar até a mãe se precisar. Mulheres sendo trancafiadas como animais de circo (sem forma pejorativa), chega a me dar enjoo imaginar quantas pessoas enriquecem por esse mercado doentio e asqueroso. =/
Fico muito, muito, muito triste com todos esses relatos.

Anônimo disse...

Já é a terceira vez que vejo esse comentário em posts diferentes. ... se fingindo de interessado mas um belo dum TROLL!

Anônimo disse...

B., por isso que eu acho que devemos separar pautas feministas de pautas da esquerda. Às vezes elas se sobrepõem, às vezes são divergentes. A treta do PCO com PSOL e PSTU só mostram que é preciso tomar muito cuidado com os esquerdomachos.

Rafael Cherem disse...

Vejo diferente, a venda não é da pessoa, mas a sensação sexual que ela proporciona, há relatos bárbaros, mas há relatos que a troca é prazerosa a ambos os contratantes, agora quando a coisa ultrapassa a audonomia de vontade, é diferente.

anon A. (radfem) disse...

"O fato disso acontecer ou não, não tem haver com a prostituição ser legalizada ou não"

Errado. Existe uma relação direta entre legalização da prostituição e aumento do tráfico sexual.
Paper: http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1986065
Fonte que discute o paper: http://journalistsresource.org/studies/international/human-rights/legalized-prostitution-human-trafficking-inflows
Resumo: Estudo feito com dadosde 116 países. Legalização da prostituição aumenta o tráfico do humano. Proibição da prostituição, como no modelo nórdico, diminui o tráfico humano.

O modelo nórdico crimiliza a compra de sexo, e não criminaliza a venda de sexo. O foco é punir os homens compradores e os cafetões, ao memso tempo que oferece melhores oportundiades de vida para as prostitutas.

anon A. (radfem) disse...

"Acho que podemos dividir prostiuição de exploração sexual, colocamos a mesma atividade para coisas distintas, a prostituta tem opções a escrava/explorada não."

É piada, né?

Ser estuprada ou morrer de fome é realmente um grande leque de opções.

Duas fontes de estatísticas sobre prostituição (USA e mundo):
http://sex-crimes.laws.com/prostitution/prostitution-statistics
http://findingjustice.org/prostitution-statistics/

Algumas delas:
- 92% das prostitutas querem deixar de se prostituir, mas não podem pois elas não podem por falta de opções.
- ser prostituta é a profissão mais perigosa nos EUA, devido a taxa de assassinatos e espancamentos.
- cerca de 75% a 95% das prostitutas sofreram abuso sexual quando eram crianças.

92% das prostitutas só são prostitutas por falta de opções. O fato de existirem prostituas de luxo que fazem 'porque querem' é estatisticamente insignificante.

Pagar uma prostituta é pagar para estuprar alguém. Se ela quisesse o sexo você não estaria tendo que pagar. Isso é óbvio.

anon A. (radfem) disse...

esse é o "privilégio cis" que tanto falam? [2]

É um absurdo dizer que mulheres tem privilégio por serem mulheres, já que é exatamente esse fato que as oprime.


Anyway, ótimo post, pena que tem vários comentaristas tentando colocar 'sugarcoating' quando o assunto é prostituição.

Rafael disse...

Rafael Cherem, se fosse "troca prazerosa" não haveria dinheiro envolvido. Acho que Radfem foi no ponto:

Pagar uma prostituta é pagar para estuprar alguém. Se ela quisesse o sexo você não estaria tendo que pagar. Isso é óbvio.

É bem o que eu acho a respeito. Se a mulher e o homem estivessem afim, não haveria porque pagar. Se precisa pagar, é porque o dinheiro necessariamente compensará a ausência da vontade.

Se é contra a vontade, é a meu ver, uma forma de violência.

B. disse...

"O foco é punir os homens compradores e os cafetões, ao mesmo tempo que oferece melhores oportundiades de vida para as prostitutas."

É o que tava tentando dizer no outro post sobre o assunto, mas quase fui chamada de "reaça" e um me disse que eu tava com recalque das prostitutas de luxo...

Anônimo disse...

"Pagar uma prostituta é pagar para estuprar alguém. Se ela quisesse o sexo você não estaria tendo que pagar. Isso é óbvio."


Perfeito ano.A.

Só que é difícil pra quem consome esse produto crer nisso. Tanto é que 90% dos homens tem a ideia que a mulher "é prostituta pq gosta muito de sexo". É tipo disney para homens. E boa parte das moças que fazem esse serviço s]ao consideras boas no que fazem pq conseguem convencer esses homens que estão gostando! Se gostassem não cobravam né?

Se fizessem por prazer e não por dinheiro não iriam cobrar.

Alice.

Anônimo disse...

Incrível como tem gente que ou não sabe interpretar um texto ou tá agindo de propósito para descaracterizar o debate. Em nenhum momento a autora disse: "Olha, gente isso só acontece aqui na Ásia, aí no Ocidente é tudo de boa!". A moça ficou um tempo no país, percebeu uma realidade e escreveu sobre o tema. Simples. E nos comentários (deste e do outro post) não faltaram paralelos com a realidade do Brasil.
Esse sugarcoating a qual a Anon A se refere é típico quando se debate prostituição. Desde homens que tentam tirar o deles da reta, seja como clientes ou apoiadores do mercado sexual até os que culpam a vadia gananciosa por estar ganhando dinheiro saindo com empresários ricos. Homens não gostam de refletir sobre uma das materializações de opressão de gênero mais palpáveis do mundo. A saída fácil é culpar as vadias gananciosas. A difícil é entender pq homens sustentam esse mercado.

Rafael disse...

Na lista de filmes, todos são gringos. Para entender melhor como é "bacana" a vida das prostitutas no Brasil, sugiro o excelente "Anjos do Sol".

donadio disse...

"Existe uma relação direta entre legalização da prostituição e aumento do tráfico sexual."

O que me parece é que existe uma relação direta entre as diferenças no status legal da prostituição e o tráfico de pessoas para fins de prostituição.

Mas é para isso que servem as fronteiras, não é? Para aumentar os lucros dos dois lados, ao criar incentivos para a movimentação de mercadorias do lado legal para o ilegal, e vice-versa.

donadio disse...

"Em Cuba não tem prostituta que se vende por pouco?"

O que não tem em Cuba é socialismo.

Lynne disse...

Rafael falou do "Anjos do Sol", assisti esse filme e fiquei deprimida por uns dois dias, a menina é vendida pela familia e depois pena muito pra fugir de um bordel, depois ela passa a se prostituir por conta. A vida delas é assim.

É uma pena pq os clientes dessas meninas não as veem como gente, não estão nem aí pro que elas estão passando. Essa dissociação de sexo e humanidade (nem estou falando de sexo e amor, e sim de sexo e humanidade, ver o outro como gente, capaz de consentir, de dizer "não", o que o difere de um objeto) é muito comum entre certos homens, que veem a mulher como mercadoria e por isso pra eles é fácil comprar algumas horas com uma mulher, pra usar o corpo dela.

donadio disse...

"O foco é punir os homens compradores e os cafetões"

E como se pune os johns e os cafetões sem afetar em nada a vida das prostitutas?

Anônimo disse...

Dói muito, dói no fundo da minha alma quando imagino uma mulher sendo tratada assim!!
E ainda fico impressionada com a quantidade de gente que não enxerga um problema tão grave quanto esse!! Parem de envolver nossos assuntos nessas brigas caricatas de vcs idiotas, tudo que eu menos quero é ver as pautas feminista se tornando clichês de briguinhas entre "esquerdopatos" e "coxinhas".

donadio disse...

"Se precisa pagar, é porque o dinheiro necessariamente compensará a ausência da vontade."

Então todo trabalho assalariado é escravidão - o dinheiro compensa a ausência de vontade.

E se é assim, então por que a prostituição é diferente de qualquer outro trabalho assalariado?

Rafael disse...

"A difícil é entender pq homens sustentam esse mercado."

Eu não sou consumidor de prostituição e esse é um ponto em que discordo frontalmente. O mercado é sim alimentado e suportado em muito por mulheres. Mais por homens, mas também por elas.

Diferentemente da escravidão negra ou da extermínio judaico, em que pouquíssimos oprimidos estavam entre os opressores, as mulheres têm sim um papel bastante relevante no tráfico de pessoas. Lógico que não veremos feministas aliciando e traficando mulheres. Para tristeza de todos, feministas ainda são minoria e os homens estão muito longe de manter esse nefasto mercado sozinhos.

Geralmente, quando são desbaratadas quadrilhas de tráfico, as aliciadoras são mulheres. Nenhuma aliciando obrigada, até porque o aliciador necessariamente está fora do cárcere.

Basta ver que na Ásia (nesse ponto, de forma pior que no Brasil) o que empurra a mulher para o beco sem saída da prostituição e da exposição à escravidão é justamente o "status quo" social descrito pela autora em torno do casamento. Esse status é mantido por todos. Homens e Mulheres.

No nordeste brasileiro, muitas vezes as meninas são ainda em tenra idade, vendidas pelas próprias mães aos aliciadores. Relatos dessa natureza também não faltam.

O que sustenta esse mercado é o fato dele ter um valor. Ser monetizado e gerar grana para quem explora. Homens e mulheres.

Anônimo disse...

Esse assunto é desesperador...

Anônimo disse...

Vcs sabiam que um dos maiores pontos de prostituição do mundo é Havana, tanto masculina quanto feminina, que essas pessoas se prostituem muitas vezes para comprar comida, agora quem é o principal responsável por essas pessoas estarem nessa situação? A resposta é simples : o Estado cubano e seus burocratas

Rafael disse...

Donadio, comparar prostituição com trabalho assalariado beira a desonestidade intelectual.

Trabalho assalariado não aumenta a exposição absurdamente a exposição do trabalhador à violência;

Trabalho assalariado não aumenta expõe deliberadamente o trabalhador a fluidos que podem estar contaminados;

Trabalho assalariado não é estigmatizado e nem sofre preconceito;

Trabalho assalariado não é pautado no viço, juventude ou aparência do trabalhador;

Trabalho assalariado não implica enfiarem coisas em você.

Rafael disse...

Anon 16:09, você se incomoda em citar as fontes? Existe muita, muita mentira sobre Cuba. Existe muita pobreza em Cuba. Fome, não.

Anônimo disse...

Deem a esse assunto a seriedade que ele merece e PAREM por favor de misturarem as coisas. O que diabos exploração tem a ver com legalização de prostituição? Eu defendo acima de tudo a liberdade de escolha da mulher, mesmo se ela optasse pela prostituição é inadmissível que essa menina/mulher seja explorada dessa forma, ainda mais quando se tem uma cultura que acaba legitimando e estimulando essa prática(como foi explicado nesse excelente post). Porque mesmo que fosse legalizada ainda existiriam traficantes de meninas(principalmente pobres) para se aproveitar da ingenuidade e da falta de perspectiva na vida delas!

Carol Pirlo disse...

Há de se pensar o mercado de prostituição bem mais que termos monetários. Neste ponto, eu concordo com a fala de B., que evocou que nem num mundo em que o comunismo imperasse a prostituição e o mercado sexual deixariam de existir. Trata-se de uma opressão de gênero utilizada contra nós desde tempos longínquos, antes de existir capitalismo, embora se utilize muito dos alicerces capitalistas para se manter.
Por causa da exploração sexual, dá para se pensar várias questões. Uma delas é a do valor, citado pelo Rafael. No outro post eu comentei que o corpo da mulher é monetarizado sobre diversos critérios (citados também no texto) em que algumas mulheres tem mais ou menos valor sobre as outras, pelo mesmo "serviço", digamos.
Acho que a anônima se referiu por sustento o consumidor final, que é o homem, não podemos negar. Apesar de haver alguma parcela de mulheres consumidoras, solo ou com parceiros, o perfil do mercado ainda é voltado para o homem, seja ele hetero ou gay. Se assim não fosse, homens se prostituiriam com bem mais frequência com mulheres.
Perfeita a definição de Anon A. Pagar uma prostituta é pagar para estuprar alguém.

Rafael Cherem disse...

Carol Pirlo,

Não creio, em sociedade bem menos desiguais que a nossa a prostituição continua a existir, portanto, em um mundo comunista ela se tranformaria, mas não deixaria de existir, alias, talvez sem o fator monetário, a exploração pudesse ganhar um verniz mais sutil.

Anônimo disse...

Homens mortos não estupram, homens mortos não exploram mulheres, homens mortos não assediam, homens mortos não agridem

Nojo desta raça maldita, já repararam que nada de bom parte deles?

Rafael disse...

16:23 - Mascu com sinal trocado detected...

Carol Pirlo disse...

Rafael Cherem, Faltou um "não deixariam de existir".

A justificativa é pq antes do advento do mercantilismo e capitalismo a prostituição ainda existia. Em um mundo menos desigual, como vc falou, a prostituição ganharia outras nuances. Sempre há o que ser trocado, seja bem material ou imaterial.

Anônimo disse...

Estamos em 2015 e ainda tem feminista passando pano pra exploração sexual só pelo fato dela ser "legalizada". O Patriarcado chora de rir.

Rafael disse...

Carol, a prostituição sempre existiu porque a mulher, desde os primórdios, foi objetificada.

Em 5 milênios de história, agora são as primeiras décadas em que isto está sendo questionado de forma séria e relevante.

Se continuarmos evoluindo nesse ritmo, não vejo espaço para a prostituição como existe hoje (e sempre existiu) em 100-150 anos para frente.

Anônimo disse...

Essa raça maldita humana tem q ser extinta!! Homens e mulheres. Acabaaaa mundoooooo!!!

André disse...

Rafael e Anon A,

Mas é correto proibir alguém cobrar por algo que faria de graça? Se a pessoa não está sendo obrigada por terceiros ou induzida através de subterfúgios (como dívidas, etc) a se prostituir, nem está sendo explorada, eu não veja motivos para proibir. Vejo a prostituição como as drogas, a tentativa de proibir cria mais problemas e gera as oportunidades de exploração.

Rafael disse...

Eu não falei em proibir. Não acho que o Estado deva proibir nada.

Mas a prostituição deve ser dificultada e combatida. Seu argumento, André, de que "a pessoa não está sendo obrigada por terceiros ou induzida através de subterfúgios (como dívidas, etc) a se prostituir, nem está sendo explorada" equivale a menos de 10% do mundo real.

Fontes aí para cima não faltam sobre isso. A prostituição é eminentemente exploradora e objetificadora. Não vamos pegar a exceção e transformar em regra.

É o mesmo que dizer que a 200 anos 10% dos escravos tinham vida boa e por isso não deveríamos nos meter.

Rafael disse...

*Há 200 anos...

Anônimo disse...

Me prova em qual empresa uma mulher SIMPLESMENTE ganha menos por ser MULHER??? A CLT não permite isso!!
Tempo de casa,insalubridade, etc esses fatores determinam sim quem ganha menos ou não, mas só por causa do gênero isso é inexistente.

Rafael disse...

17:03, você SÓ PODE estar de zoeira... Sai do sofá e vem pro mundo corporativo. Vai ver isso direto. Claro que ninguém é BURRO de colocar um homem e uma mulher no mesmo cargo com o mesmo salário.

Mas veja quanto tempo leva em média para uma mulher passar de JR pra PL ou de PL pra SR em relação à média dos homens...

Veja e depois volte para comentar abobrinha.

E esquece "tempo de casa". Mercado privado não é exército.

Anônimo disse...

Você tem uma pesquisa em mãos ?Nesse últimos anos várias mulheres foram promovidas na empresa que trabalho em um tempo relativamente curto.

André disse...

Rafael,

Seu exemplo do escravo não é bom. E meu ponto é que, nos países onde há pouca miséria, as dificuldades criadas é que geram o mercado negro da prostituição. Se a mulher tem que se esconder (mesmo que seja para evitar problemas para seu cliente) ou precisa de proteção então aumentam as chances de ter seu trabalho explorado. Se ela puder usar qualquer hotel sem que ela ou seu cliente sejam perseguidos pelo estado ou por moralistas, se ela puder procurar a polícia e ser bem atendida no caso de qualquer tentativa de intimidação então os prostíbulos e cafetões vão perder o poder.

Death disse...

Quando é para defender o "direito" à prostituição essa caixa de comentários lota de esquerdomachos.

Quando é para defender direitos fundamentais à mulher, como direito de escolha a reprodução, aborto, defender o direito do parto humanizado, falar sobre igualdade de salários e etc só se ouve grilos.

Roxy Carmichael disse...

Rafael, me parece que você desconhece a vastidão das funções desempenhadas nas mais diversas áreas, especialmente aquelas que são desenvolvidos em condições precárias, mal pagas, em regiões rurais e inóspitas.
O trabalho nas minas, o trabalho na construção civil e nos transportes expõe e muito os trabalhadores. Mas podemos falar também na modalidade do trabalho escravo, na zona rural, carvoarias, desempenhado muitas vezes por crianças. Podemos falar que o Congresso está nesse momento empenhadíssimo em flexibilizar a legislação e não punir os fazendeiros, podemos falar também que empresas que tem trabalho escravo financiam os políticos. Nessa modalidade, na zona urbana, que tal pensar na milionária e glamourosa industria têxtil das grifes de luxo que utilizam empresas terceirizadas e fazem vista grossa total pro trabalho escravo?

Com relação ao modelo nórdico, prostituta sueca ja levantou uma questão importante: ao criminalizar o consumidor, as prostitutas acabam sendo levadas a negociar preço, termos e condições de trabalho na pressa e na clandestinidade, uma vez que o consumidor vai temer ser preso, o que acaba expondo as mulheres a riscos. Não estou muito segura de que esta seja a melhor forma de garantir ao menos condições dignas às mulheres que se prostituem.

Roxy Carmichael disse...

uma pessoa a cada três horas morre no Brasil por acidente de trabalho.
http://www.diariodocomercio.com.br/noticia.php?id=125404

Roxy Carmichael disse...

Aliás podemos falar que o Congresso tenta com sucesso flexibilizar o trabalho assalariado não escravo nesse exato momento. Podemos falar ainda que os trabalhos terceirizados são os que mais expõe o trabalhador a acidentes. Só lembrando que o Brasil já é o quarto em acidentes fatais no trabalho.

E vamos pensar também que muitos trabalhos assalariados exigem "boa aparência" dos seus funcionários. E nestes casos, muitos candidatos negros à vaga são preteridos.

Si disse...

Aqui 17:03: http://www.senado.gov.br/senado/portaldoservidor/jornal/jornal100/comportamento_gestao.aspx

Mas agora vc vai dizer que o IBGE está errado, que não é bem assim, blá blá blá...

Anônimo disse...

http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/08/mulheres-vao-levar-80-anos-para-ter-salario-igual-aos-homens-diz-pesquisa.html

Rafael disse...

Roxy, você enumerou diversas ilegalidades para refutar minha comparação. Mantenha-se no escopo legal. Com EPI e regido pela CLT.

Roxy Carmichael disse...

Nao. quem enumerou um monte de apreciações preconceituosas sobre o trabalho sexual foi você. Não é com moralismo barato que se enfrenta uma questão dessa magnitude.

"Enfia coisas em você"

"Que depende do viço e da juventude"

Agora o que eu acho realmente desonesto é se apegar a um argumento legalista e se fazer de João sem braço pra uma série de atividades que estão sendo desempenhadas nesses exato momento por uma grande quantidade de pessoas no país e no mundo. Quando não dar uma de joão sem braço pra o atual momento em que os direitos trabalhistas estão sendo jogados no lixo. E o que falar do atitude João sem braço pra informação de que o Brasil é o QUARTO no ranking de acidentes fatais no mundo?

Roxy Carmichael disse...

Pra não falar do joãosembracismo no RACISMO descarado no mercado de trabalho....

Anônimo disse...

"Estamos em 2015 e ainda tem feminista passando pano pra exploração sexual só pelo fato dela ser "legalizada". O Patriarcado chora de rir. "

num é? eu só queria saber qual a parte de EXPLORAÇÃO que a galera não entendeu ainda... eita feminismo falocêntrico!

Roxy Carmichael disse...

Mas é claro, é necessária essa fantasia do trabalho regido por leis trabalhistas que são fiscalizadas pra dividir o trabalho assalariado que "dignifica o homem" (ok, vamos combinar que claro, pode até ser que a gente nao goste do trabalho como sugeriu o donadio, mas além do dinheiro, ele tem alguma função nobre) daquele trabalho que envolve cobrar dinheiro pra fazer o que "todo mundo faria de graça porque é bom".

Roxy Carmichael disse...

ou é bom justamente porque é de graça, "desinteressado"? fica aí o dilema tostines...

Anônimo disse...

E como vc sabe que ele tá fazendo uma de joão sem braço? A questao é que agora a prostituiçao tá sendo discutida aqui, não está se discutindo as outras ilegalidades e problemas trabalhistas. Foco é necessário.

Roxy Carmichael disse...

só consigo me lembrar da frase que não é totalmente verdade (nem totalmente mentira) sobre o casamento ser a situação em que as mulheres mais fazem sexo sem ter vontade.

Anônimo disse...

Defender o direito da atriz fazer filme porno é fácil, mas defender o direito da namoradinha de ter sido rodada aí eu quero ver...
Ou não acham que tem algo errado? Se tem homem defendendo a exploração sexual pode ter certeza que é só para o benefício deles, até pq a maioria nem é traficado.

Rafael disse...

Roxy, se prostituir numa quebrada, num garimpo, por R$ 5,00 ou uma pedra de crack, deitando-se com gente asquerosa e quase sempre sem camisinha é a regra. Não é a exceção.

Book rosa é exceção.

Anônimo disse...

Book rosa é exceção mesmo, apesar de ser uma realidade a gente sabe que as modelos são incentivadas pq as propostas são muito boas, mas não pensem que o cara vai ser carinhosinho.

André disse...

O motivo para regulamentar a prostituição é evitar a exploração. Se fosse para defender a exploração a melhor coisa a se fazer é não falar no assunto e deixar tudo como está. Evidente que a regulamentação sozinha não vai resolver todos os problemas, temos ainda que combater o liberalismo que gera as desigualdades econômicas, o machismo que gera as desigualdades de gênero e o racismo que gera as desigualdades sociais que todas juntas alimentam a exploração.

Roxy Carmichael disse...

Existe uma coisa cara anônima (18h14) chamada "contexto"
O caro comentarista endossou o argumento de " na prostituição, o sexo é ontologicamente ruim porque se cobra por ele e ao se cobrar, o sexo pago só pode ser ruim pra mulher", isolando o trabalho sexual dos outros trabalhos, como se os outros trabalhos não expusessem os trabalhadores à violência, não comprometessem a saúde e até mesmo a vida dos trabalhadores e como se o mercado de trabalho não tivesse em grande escala influído por uma nefasta lógica racista. quando contra argumento que inúmeros outros trabalhos infelizmente oferecem riscos à vida dos trabalhadores, o comentarista saiu pela tangente com argumento legalista. Eu chamo isso de dar uma de joão sem braço. Você pode chamar do nome que quiser.

E mais, me parece infrutífera essa posição de ignorar problemas semelhantes que afetam trabalhadoras sexuais em outras atividades profissionais porque na minha opinião só reforça o preconceito contra essa atividade.

No mais ainda tô aqui encafifada com "nos outros trabalhos não enfiam coisas em você"...

Anônimo disse...

Eu acho até que a legalização aumentaria muito mais, o que é "melhor" o cafetão explorar e ganhar em cima ou ter que dividir a grana?

André disse...

Rafael,

E ao invés de combater as causas sociais que geram a prostituição a R$5,00 vamos criar dificuldades para as mulheres que se prostituem a R$90,00 ou R$300,00 ou R$5000,00? Não estou entendendo a lógica disso.

Roxy Carmichael disse...

Rafael
Eu vou acabar me cansando de dialogar com você se você não procurar argumentar sobre algumas questões que fiz para problematizar a sua enumeração preconceituosa e o seu isolamento preconceituoso dos riscos do trabalho sexual.

Rafael disse...

Roxy, você está se perdendo. Eu jamais disse que sexo é ruim. Eu disse que prostituição é ruim. Prostituição NÃO é sexo.

Se vai discutir, o faça direito e atenha-se ao que eu disse e não ao que você acha que eu disse.

Anônimo disse...

É contra o aborto mas a favor de explorar mulheres. Homem sendo homem

Rafael disse...

Roxy, onde eu falei em racismo? O tema é prostituição. Foco!!!

Anônimo disse...

Hoje mesmo tinha uma polêmica sobre quadrinhos eróticos infantis japoneses e gente dizendo que não era pra mexer na cultura dos outros...

Roxy Carmichael disse...

Desisto.

Rafael disse...

Roxy, se sua ideia era me convencer de que prostituição pode ser comparada com trabalho formal, é bom desistir mesmo. No mundo de hoje, para a esmagadora maioria das prostitutas, pode ser tudo (de ruim), menos um trabalho.

Anônimo disse...

Eu ia dizer que uma das formas de combater o tráfico de seres humanos é tentar conscientizar os consumidores, mas esperar qua homens algum dia venham a ter compaixão com as mulheres ou é sonhar muito alto, é ser muito ingênua ou extremamente idiota...

Mulheres estupradas, espancadas e acuadas no canto de um quarto escuro não desperta empatia em sociedades altamente misóginas (incluindo a nossa) ... se ela está naquela situação, é por que "boa coisa" não é.

Jane Doe

Anônimo disse...

A prostituição deve ser proibida, mas não criminalizando as mulheres que se prostituem e sim os clientes que as exploram sob a ótica do capitalismo e do machismo.

A Suécia tem iniciativa interessante neste aspecto, lá prostitutas são encaminhadas para o serviço social e clientes para cadeia.

Eu diferente de muitas feministas liberais aqui tenho a convicção que o machismo ale de ter uma construção social obvia também tem fontes biológicas que sustentam sua estrutura, enquanto for tabu no feminismo a discussão sobre o uso de medicação anti testosterona, que e a fonta da violência e da libido predatória masculina. e enquanto se combater a cultura de idolatria pela masculinidade/machismo vamos continuar enxugando gelo.

Anônimo disse...

Roxy, compreendi o que vc falou. A questao é que o fato de haver sérios problemas em diversos ramos trabalhistas não exclui o impasse da prostituição, é importante olharmos individualmente para cada problema e combater as inadequações considerando a singularidade do que está sendo discutido. Não é só a prostituição que expoe a/o trabalhadora(o) a violência, isso acontece em inúmeros serviços, porém se faz necessário enxergar as nuances daquela a fim de chegarmos a uma solução mais eficaz. O que torna a prostituição mais perniciosa, na minha opinião, é que não há o que a prostituída possa fazer; a partir do momento em que ela está com o homem que contratou os seus serviços, ela esta sujeita às mais diferentes agressoes, pois depende somente da vontade dele.
Outro ponto é que a prostituição não é um serviço comum, pois não há a venda de um serviço realizado pelo seu corpo, isto é, por você. O que há é a SUA venda, você se vende, o corpo é vendido, você se torna o objeto, torna-se algo comprado. Tem muita diferença entre vender o que vc realiza e vender-se. Quanto à coisa enfiada em você, é um pinto, oras...Um pinto que, muitas vezes, não dá tesão, um corpo que, dependendo do que for, pode te causar asco; alguém, muitas vezes, fazendo sexo em você, te tratando como uma boneca inflável. Pode acontecer da prostituta curtir pra caramba e do cara ser legal? Pode, é claro. Mas será que isso é regra? Vamos perguntar as prostitutas, as que não glamourizam, e ver se isso é o que mais acontece.
É necessário sempre considerar o contexto como vc disse...E qual é o nosso? O nosso é repleto de homens que não respeitam amiúde nem as mulheres com que transam casualmente, será mesmo que eles respeitam as prostituídas? Eu sou o meu corpo, você é o seu; passando para um plano filosófico, será que dá para se autoconsiderar quando os outros te tratam como objeto?
Olha, não sei qual é a solução para o impasse da prostituição, não sei no que resultaria um Brasil com uma legislação parecida nesse aspecto com a Suécia; nosso caso é diferente. Legalizar acho muito complicado, como se daria a fiscalização? Será que isso não faria com que mais mulheres carentes se prostituíssem e fossem, consequentemente, abusadas devido à falta de fiscalização decente e à mentalidade retrógada da maioria da população? Enfim, não sei mesmo, mas acho que não dá para negar o quão degradante é prostituir-se. Eu já fiz sexo sem vontade, conheço várias mulheres que também o fizeram, sei que é uma experiência pessoal, mas não dá para negar o quanto isso é horrível. Nem a abstração faz com que vc se sinta melhor,pois as consequencias tão no corpo...Os efeitos são palpáveis, abstrair não é suficiente.

Rafael disse...

André, prostitutas que ganham 90-100 reais são minoria. As de mais de 1000, minoria da minoria da minoria.

Meu argumento se baseia que você, a Roxy e alguns outros aqui estão pegando um nicho menor de prostituição e trazendo para a regra. Não é.

No mundo de hoje, em nosso tempo, prostituição é exploração. Não tem pílula dourada.

Anônimo disse...

(Viviane)
Roxy, essa última frase, citada pelo Rafael, também me incomodou muito. Será que ele endossa a ideia machista de que "ser penetrado" é intrinsecamente degradante?

Anônimo disse...

Penetração e degradação sim basta ver o numero de doenças isto pode nos passar.

Anônimo disse...

O "prazer" que muitas dizem sentir na penetração nada mais é do que a glamorizarão da cultura sadomasoquista, juntamente com a fetichização da virilidade/machismo masculino.

Rafael disse...

André, prostitutas que ganham 90-100 reais são minoria. As de mais de 1000, minoria da minoria da minoria.

Meu argumento se baseia que você, a Roxy e alguns outros aqui estão pegando um nicho menor de prostituição e trazendo para a regra. Não é.

No mundo de hoje, em nosso tempo, prostituição é exploração. Não tem pílula dourada.

Anônimo disse...

Anônima 19:05 para mim não há tabu nenhum concordo plenamente com você. E acrescento os homens não vão sumir no ar, então ou discutimos formas de humaniza-los ou continuaremos sendo vitimas de seu machismo animalesco regado pelo seu veneno hormonal.

Cheio de Luz disse...

A legalização da prostituição ao meu ver talvez seja algo nocivo para esta realidade exposta pela jornalista; pois, de certa forma nutrirá esta prática abominável onde mulheres jovens e pobres são aliciadas e recrutadas contra a vontade a participar dessa perversidade hominídea. Algumas culturas deveriam ter interferência de algum órgão mundial que de fato protegesse e se mobilizasse para fazer uma campanha de maior expressividade na proteção ás mulheres e meninas que são impedidas de viver dignamente. Vi o filme Desaparecidos, é de cortar o coração as formas mais cruéis e abomináveis do homem querer saciar seus desejos doentios(Pedofilia descarada). A mulher pede socorro não só no Oriente como também no Ocidente...precisa de atenção redobrada para ter sua vida de volta.

Anônimo disse...

A gente sabe quão branco tá o Feminismo Falocêntrico quando ativistas defendem a exploração sexual usando de exemplo prostitutas brancas e bem-instruídas e ignoram completamente a realidade da exploração de crianças, adolescentes e adultas negras, a maioria maciça das vítimas desse sistema perverso que comercializa estupro.

André disse...

Rafael,

Aqui na região R$90,00 é o preço base. Muito menos que isso decorre de extrema pobreza ou crime. Não é jogando no lixo a autonomia das prostitutas que se resolve esses problemas.

André disse...

Muitas mulheres que abortam o fazem por pobreza ou pressão social. Faz sentido proibir o aborto pra todas ou atacar o que vitimiza as que abortam por pressão externa?

Anônimo disse...

Até pq existe uma pressão social EXTREMA pra fazer a mulher abortar né, campanhas e campanhas pelo aborto, todo um sistema legalizando o aborto e obrigando mulher a abortar.......... ai minha deusa, dai-me forças

André disse...

Pressão social para "salvar a honra" das mães solteiras, pressão direta dos companheiros que ficam e indireta dos companheiros que somem.

Rafael disse...

André, que autonomia? Já foi dito ali em cima (com fontes) que a imensa maioria das prostitutas não gostsriam de ser e o são por imposição das circunstâncias.

Volto a perguntar: que autonomia?

É lindo falar em empoderamento, livre escolha e liberdade no caso da Bruna Surfistinha. E o resto?

Anônimo disse...

Feminismo fiscal de foda: serve pra ir nos blogs e postagens do Facebook dizer que toda penetração é estupro, sexo hétero é sadomasoquismo e que feminista hétero não é feminista de verdade.

Anônimo disse...

Como identificar uma feminista fiscal de foda: chama todos os outros feminismos de "falocêntricos"

Anônimo disse...

19:10 soube argumentar. Rafael, você está de fato dando uma de João sem braço. O cerne do argumento da Roxy e do André é que a ilegalidade vitimiza justamente as prostitutas que se vendem por 10 reais ou por uma pedra de crack. Porque além do estigma, estas não têm autoridade a quem recorrer. E que as prostitutas de luxo, por em geral serem mais instruídas e terem mais recursos, são menos afetadas pela exploração e violência do meio. Você está distorcendo o argumento para fazer parecer que eles defendem que toda prostituta tem o grau de autonomia de uma prostituta de luxo: é justamente o contrário.

Anônimo disse...

Feminismo que defende exploração sexual, sendo que 98% das exploradas são do sexo feminino é falocêntrico sim.

Rafael disse...

22:59 você acha mesmo que ser legal ou ilegal vai melhorar ou não a vida de quem se vende por pouco? Pode explicar como? Proibir so funciona onde o povo é sério e segue leis. Aqui daria em nada.

Leia o que escrevi desde o início. Eu bati na tecla de que toda prostituição é degradante. Não sou eu que estou relativizando ate onde é bom ou ruim.

Roxy Carmichael disse...

Anon 19h10: Eu não acho que todos os trabalhos precários sao iguais no quesito exposição do trabalhador aos riscos de violência, humilhação e morte. O que eu combati aqui foi uma opinião específica de um comentarista que disse apontar a estimatizaçao quanto na verdade estava estigmatizando o trabalho sexual a partir de uma consideração quase ontologica, ignorando que várias coisas que listou podem ser bastante semelhantes aos problemas enfrentados por trabalhadores de outras categorias. Fazer essa diferenciação da forma como foi feita significa isolar o trabalho sexual dos outros trabalhos para estigamatiza-lo com arguementos que só se sustentam com uma moral individual. Acho que tudo o que nao precisamos para melhorar as condições ou mesmo até abolir a prostituição é a imposição de um argumento moralista. Esse argumento se completa com o argumento também parcialmente falso de que 1)trabalho nao tem nada a ver com exploração capitalista, 2) sexo só é feito com amor e prazer. Sao argumentos muito perigosos porque ignoram convenientemente que o trabalho como conhecemos hj em grande medida é sim exploração e nao instancia que dignifica o homem. Isso beneficia apenas aqueles que lucram naturalizando isso, ou seja, aqueles cujo lucro depende em grande ou em menor medida do menor comprometimento com a saude, a segurança e a dignidade do trabalhador. Pq qualquer trabalho dignifica e a prostituicao ta ai pra ser contraponto. Basta o trabalho nao ser sexual que ele dignifica. Naturalizando isso pra que pensar numa distribuicao mais justa da riqueza ou mesmo nos itens minimos de seguranca?Pq tudo isso custa e na perspectiva do empregador, custa caro. Bauman fala da grande mudança social que foi tranasformar o trabalho em produto sujeito às demandas do mercado. Segundo que essa moral do amor romantico ou nobre é material pra estigmatizar um monte de grupos que praticam um tipo de sexualidade dissedente e ja foi usado em muitos momentos na humanidade pra oprimir determinados grupos e perseguir e desumanizar outros. Tem gente que tá casado e tem sexo insatisfatorio e até desrespeitoso e acredito que nao seja incomum. Mas essa e uma forma toleravel de sexualidade: aquela que é exercida no casamento. Invisibilizar isso - que o casamento é influido pelas mesmas logicas de desigualdade que regem outras praticas sociais -beneficia a opressão cotidiana de mulheres que sao estupradas no casamento, por exemplo. Pq quando se diz que se vende pq nao é bom, se diz que nao se vende pq é bom e desinteressado, quando sabemos que as praticas e até os proprios desejos sao em grande parte influidos por certas desugualdades genericas. Nao é que o sexo pode ser ruim até entre as mulheres casadas que ele vai ser pior para as putas. É que a concepção da mulher como objeto, que nao tem desejo ou agencia, subjulgada ao desejo do sujeito que é o homem vai influir nas mais distintas formas de sexualidade e praticas sociais: das relações monogamicas, às poliamoristas ao sexo comercializado. Todas nós somos desrespeitadas, as prostitutas estão ainda mais vulneráveis. A minha questão é: proibir vai resolver ou incrementar a vulnerabilidade? Sinceramente eu nao sei responder. Mas uma coisa eu tenho certeza absoluta: nao é "defendendo" as prostitutas de forma paternalista, denunciando estigma e ao mesmo tempo reafirmando esse estigma como o colega fez que vamos resolver essa questão. E eu me recuso a argumentar com gente desonesta e machista que usa tática baixa de mansplaining como o coleguinha ali fez.

Roxy Carmichael disse...

Anon 21h05: atire a primeira pedra quem nuncs escutou que pobre adora ficar fazendo filho irresponsavelmente (quando os filhos da classe media nao sao planejados). Atire a primeira pedra quem nunca leu noticia de mulher wue aborta de qualquer jeito ou abandona recem nascido com medo de perder o emprego. A gravidez é idilica pra sociedade desde que os pais sejam brancos, de classe media e devidamente reconhecidos como casal pelo Estado.

Roxy Carmichael disse...

Anon. 22h59: o lance do colega é o joguinho de gato e rato. Fala com todas as letras que se fosse bom nao se cobrava porque se quer compensação por fazer sexo sem vontade. Daí o outro questiona se o trabalho só é realizado por prazer ou vontade e nao dinheiro. O colega diz que é desonesto pq putas estao expostas à violencia, a doenças e pq o trabalho seria degradante pq depende só de beleza, juventude ou viço. Argumento que inumeros trabalhos oferecem risco inclusive de morte. O colega escapa com uma defesa de um argumento legalista totalmente descabida num contexto que as leis sao flexibilizadas desde o estado, em que empregadores escravizadores sao protegidos por financiar campanhas. Menciono que a seleção por meio do criterio belezae juventude é largamente difundida e altamente influida por racismo. O colega apela pro gaslightening: tá louca, quem falou em racismo?
Proponho o dilema tostines: sexo é bom pq gratis ou gratis pq bom?
Responde dizendo que nao falou em nenhum momento de sexo. E sim de prostituição.
No meio disso tudo solta um "foco", "desonesto", vc nao vai me convencer (claro pq se enxerga como o centro do debate todo).
Sai distorcendo tudo dizendo que tao tentando defender que putas ricas sao a regra, quando ele vem nos iluminar dizendo que a realidade é muito mais cruel.
No fim admite: nao importa se é rica ou pobre, prostituição é degradante. Baseado em que mesmo se vaticina isso? Nao fica claro.

Roxy Carmichael disse...

Então Viviane, tendo em vista que essa afirmação foi listada entre práticas como violência, doença, acho que nao dá muito espaço pra dúvida. Dificilmente os outros itens aplicados em outro contexto poderiam ser relativizados, o que me leva a pensar que este tb nao.

Anônimo disse...

Impressionante como o mundo de alguns homens só gira em torno do próprio pinto. Não enxergam mais nada.
Escravidão sexual é uma das coisas mais terríveis, mais nojentas que existem. Esse é um dos posts mais terríveis que já li e a gente ainda tem que ler comentários de hominhos se fudendo pra situação, preocupados em defender prostituição e quem as procura a qualquer custo, tirar o seu da reta, desviar o assunto pra aposentadoria e outras coisas que são tratadas em outros posts.
Não querem pensar que quando procuram uma prostituta não tem como saber, ter certeza das reais condições dela, o que a empurrou pra aquilo, que tipo de violência sexual sofreu, se está sendo explorada, coagida de alguma forma.
Adoram insistir no fantástico mundo das prostitutas que só estão ali porque gostam muito de sexo, que não sofrem costumeiras violências física e sexual de cafetões e clientes e que ganham rios de dinheiro, como se essas não fossem minoria da minoria da minoria.
Engraçado que quando é pra defender uma vida sexual comportadinha das namoradinhas, das irmãs, das mães, o argumento usado é de que mulher não gosta tanto de sexo quanto homem, que mulher não separa sexo de amor. Mas se é pra falar de prostituição, nossa, essas mulheres são taradas por sexo e ainda ganham dinheiro com isso. Distorcem na medida em que lhes convem.
Chega a enojar.

Anônimo disse...

Prostituição é sim degradante. Se você não acha ruim, queria só ver virar puta ou casar com uma prostituta, deixar sua mãe e sua filha se prostituir. Obviamente que ninguem quer isso, ter pessoas queridas que ganham por serem praticamente estupradas.

Anônimo disse...

Queria que todos os homens que defendem a prostituição largassem de hipocrisia e se casassem com putas.

André disse...

22:59,
Exatamente.

Rafael disse...

Roxy, eu não sou mulher (por conseguinte, não sou puta) e não consumo, consumi ou consumirei esse serviço. Expus minha opinião de que a prostituição é sim degradante, é sim objetificadora e é acima de tudo uma merda. Se você acha que é "do mesmo nível" que outros trabalhos, lamento. Eu não acho.

Se você acha que eu estou fugindo porque não aceitei seu argumento que compara com trabalhos ILEGAIS, lamento.

Você deu voltas e não apontou um único trabalho formal em que se tenha contato direto, deliberado e desprotegido (camisinha não é capa de chuva) com fluidos contaminantes.

Se eu estou incomodando, fico para o próximo post e abro caminho para que os demais homens, geralmente "consumidores", opinem.

E não é gaslighting, o raio da discussão não tem NADA a ver com racismo.

Até mais.

André disse...

Rafael,
Mas a minoria ainda deve ter seus direitos preservados ainda mais porque essa minoria aumenta muito quando se reduz a pobreza.
Políticas públicas de renda mínima para as vítimas das circunstâncias e regulamentação para não vitimizar as demais.

André disse...

Roxy,

Na moral católica fazer sexo é degradante (mais do que genocídio, por exemplo), ganhar dinheiro também é degradante então ganhar dinheiro fazendo sexo é o que de pior há.

Anônimo disse...

Andre, Então para zelar os direitos das putas ricas devemos abrir a mão da liberdade das pobres? Sabia que varios lideres catolicos defendiam já chegaram a defender a prostituição como "um mau necessario "para a civili civilização.

André disse...

02:04,

Nunca saí com prostitutas. Mas a mãe de um amigo era prostituta e a vida deles teria sido mais leve se a atividade fosse regulamentada. Além disso, há vários relatos de prostitutas contrariando o que você diz.

André disse...

6:20,

Você está apelando para o machismo implícito em todos nós.

André disse...

6:47,
Você esqueceu de ler a parte que eu escrevi sobre políticas públicas.
Você está afirmando que o catolicismo historicamente não tratou o sexo como algo degradante? Já ouviu falar em Paulo?

Anônimo disse...

É isso que os homens querem : sair com putas e casar com "puras ". Porque não se casam com putas se é um trabalho tao bom assim?

Rafael disse...

André: http://m.brasilescola.com/historiag/historia-prostituicao-medieval.htm

Carol Pirlo disse...

Rafael, a prostituição está sendo questionada pq hj estamos conseguindo vê-la sobre outros aspectos que extrapolam a questão capitalista. Estamos começando a questionar pq de fato, estamos começando a entendê-la como opressão. Quanto a ela existir daqui a 100, ou 200 anos é discutir o sexo dos anjos. Sabe-se lá se continuaremos a evoluir tecnologicamente ou se o mundo entrará em colapso.

Anônimo disse...

Putsa que troço feio que e pinto de homem meu, kkkk, credo.

Anônimo disse...

Esse assunto de exploração vs legalização ainda me confunde. De um lado, a estigmatização da prostituição facilita que elas sejam mais expostas ao crime, às drogas, à exploração, e ao tráfico; contribui para que elas sejam violentadas por clientes e desacreditadas pela polícia e pelo serviço de saúde.
Por outro lado, tenho certo temor da legalização. Primeiro, em que termos será feita essa legalização e o mais importante: como proteger meninas e mulheres de serem ludibriadas e forçadas a se prostituir? Como a legalização coibirá famílias venderem suas filhas a turistas estrangeiros em troca de um prato de comida ou meninas de "serem pegas para criar" na casa de gente abastada e virarem escravas sexuais? Ou viciadas de drogas? São muitas facetas que envolvem a prostituição, e isso estou falando apenas de Brasil. Quando se pensar em legalização da prostituição é necessária uma ampla reflexão e formulação de políticas públicas integradas que coíbam que mulheres sejam alvo fácil de aliciadores.


A.

André disse...

Rafael,

Seu link demonstra meu ponto: proibir a prostituição sem políticas públicas de renda mínima aumenta a exploração. Legalizar criando guetos para as prostitutas é menos pior mas ainda é ruim, e não é isso que eu estou defendendo.

Anônimo disse...

08:12, a prostituição não é crime, logo...

Anônimo disse...

Mas deveria ser crime um homem pagar para estuprar uma mulher.

Anônimo disse...

8:43 pode não ser um crime em si, mas prostituídas podem decorrer de um (tráfico de pessoas) e ser expostas a eles (drogas, espancamentos, assassinatos).

André disse...

08:06,

É crime estuprar uma mulher, mas se ela for prostituta ela terá todas as dificuldades que uma mulher encontra para conseguir punição para o criminoso e mais algumas decorrentes da ilegalidade e "imoralidade" de sua profissão.

fernanda melo disse...

Qualquer um que ouvir o relato de prostitutas e ex prostitutas vai ver que os caras querem fazer com elas coisas que são degradantes tipo defecar nelas ou o contrario ou bater ou coisas que eu não acharia normal. Mas uma vez eu digo que são fruto de um modelo de masculinidade bem doente

fernanda melo disse...

Os homens sustentam esse mercado sim. São eles que pagam pra ter sexo com mulheres que eles sabem que são escravizadas. Ate no Brasil tem isso. Bordeis que mantém meninas e mulheres em cárcere privado. Então esses clientes não estão nem ai e não enxergam essas mulheres como seres humanos. Se não tiver quem pague por isso esse negocio acaba.

Rafael disse...

"É crime estuprar uma mulher, mas se ela for prostituta ela terá todas as dificuldades que uma mulher encontra para conseguir punição para o criminoso e mais algumas decorrentes da ilegalidade e "imoralidade" de sua profissão."

Ok, vamos para o mundo real agora:

http://www.campograndenews.com.br/cidades/stj-mantem-absolvicao-de-zequinha-barbosa-e-assessor-06-23-2009

Dá uma googlada no processo e veja os argumentos da defesa:

Se uma criança é prostituta, quem "consome" não é pedófilo, porque ela já era prostituta antes. Brilhante, né?

André disse...

Rafael,

Para de distorcer. Quem falou em legalizar a prostituição infantil?

Rafael disse...

Não foi uma distorção, foi um paralelo mesmo. Foi para mostrar que para justiça elas não tem direito a nada. Nem se forem crianças.

Elas podem sofrer qualquer tipo de violência que a polícia ou a justiça jamais darão ouvidos.

André disse...

Rafael,

Esse descaso com as prostitutas decorre da ilegalidade e "imoralidade" da profissão. Não se resolve esse descaso mantendo as prostitutas na ilegalidade. É um argumento parecido com a defesa da cura gay para evitar que os gays sejam maltratados pela sociedade.

Anônimo disse...

Na teoria, vender sexo seria uma coisa como outra qualquer. A pessoa oferece um serviço, alguém compra, combinam os termos, o "vendedor" (vendedora, geralmente) "entrega" o 'produto", recebe a grana e acabou, no hard feelings.

Na prática, não é o que acontece. Pra cada Bruna Surfistinha, Gabriela Leite ou Lola Benvenutti da vida tem centenas de milhares de Marias negras, que foram abusadas pela vida desde a infância, que recorreram à prostituição, que são exploradas pelos seus "protetores", que são estupradas, que apanham, que se contaminam por "compradores" que resolvem ali na hora quebrar o acordo e que basicamente não têm a quem recorrer, porque ser puta ainda é ser uma leprosa na sociedade. Para cada mulher branca, bem instruída que escolheu se prostituir em um flat alugado nos Jardim tem centenas de milhares de Severinas que fazem programa na rua, que apanham de polícia, que são obrigadas a fazer sexo com essa mesma polícia, que são forçadas pelos seus "protetores" a venderem drogas pra eles e acabam presas. Pro cafetão não há problema porque não existe mão de obra mais barata que uma pessoa sem escolhas. Negar tudo isso é como dizer que não existe racismo no Brasil porque a Taís Araújo faz novelas e o Pelé é um homem rico.

Por mais que eu tenha algumas ressalvas com o dito feminismo radical, nessa parte pelo menos eu me alinho porque não há que se falar em liberdade de escolha quando nenhuma das duas coisa existe, na prática, para o grupo, seja a liberdade ou a tal da escolha. A prostituição feminina sempre foi um dos alicerces do patriarcado e eu também fico admirada em ver ativismo não pelas prostitutas, mas pelos felizes usuários do serviço, na gigantesca maioria dos casos homens, homens casados, homens que levam o HIV para suas esposas fiéis, homens que veem as mulheres como um simples pedaço de carne, homens que pagam para poderem ter uma hora de misoginia entre quatro paredes completamente impune. Não dá pra negociar esse tipo de coisa sem furar os próprios olhos para uma realidade aberrante.

Rafael disse...

Eu volto a dizer o que disse acima. Prostituição deve ser dificultada e combatida.

Eu não concordo com a proibição. Acho que no modelo atual só empurraria as mulheres para mais clandestinidade.

E também não concordo com a legalização (não no momento atual).

Se foi demonstrado (mais de uma vez) que a esmagadora maioria NÃO QUER SER prostituta e acabou virando por circunstâncias diversas, porque eu vou legalizar esse abuso?

Na minha opinião (minha, que fique claro) a prostituição é degradante e é uma forma de abuso. Não se encaixa, na minha lógica, regulamentar uma atividade dessa.

Eu não enxergo liberdade ou empoderamento algum nessa atividade. Minha opinião novamente.

Da mesma maneira que há 150 anos existiam escravos e as mulheres só serviam para parir, eu tenho esperança que que sigamos o rumo e daqui a 150 olhem para a prostituição da mesma forma que olhamos a escravidão hoje.

Anônimo disse...

"que basicamente não têm a quem recorrer, porque ser puta ainda é ser uma leprosa na sociedade."

Pois é. É por isso que as próprias prostitutas querem a legalização, para ter a quem recorrer. Mas não, é mais fácil ficar aqui falando por elas e mostrando o quanto nos importamos com a situação delas. Só que não.

Anônimo disse...

"As associações de prostitutas que lutam pelos direitos das garotas de programa torcem pela aprovação da lei que legaliza a profissão antes da Copa do Mundo. Elas dizem que se sentiram mais seguras com um amparo legal para se proteger de casos de exploração sexual.

O Projeto de Lei Gabriela Leite, de autoria do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), estabelece, entre outras coisas, que um cliente que não pagar pelos serviços sexuais será enquadrado no crime de exploração sexual.
A prostituta Adriana Rios faz programas em Brasília há três anos e consegue se sustentar com os rendimentos. Ela conta que, além de poderem se resguardar de prejuízos financeiros, o projeto também é importante para garantir a integridade física das mulheres. Segundo Adriana, se uma prostituta é agredida durante o programa, nem na delegacia elas conseguem ser respeitadas.

— Muita mulher oculta um espancamento, um assalto, porque a gente é muito discriminada nas delegacias. Eu mesmo já apanhei durante um programa sem ter feito nada. Os caras chegam drogados e sabem que a gente não tem proteção na lei. Eu nem fui prestar queixa, porque sei que vou ser discriminada."

http://noticias.r7.com/brasil/prostitutas-defendem-legalizacao-da-profissao-estariamos-mais-seguras-23032014

André disse...

Rafael,

A exploração deve ser combatida, mas criar dificuldades para as prostitutas trabalharem vai aumentar a exploração não vai diminuir. A lei seca, a guerra contra as drogas, a proibição do aborto mostram isso.
Sim, a maioria não quis entrar nesse mundo e das que quiseram muitas se arrependem. Por quê? Por causa da violência alimentada pela ilegalidade da profissão? Por causa do descaso das autoridades alimentada pela "imoralidade" da profissão? Por que o sexo pago é degradante? Por que fomos doutrinados que o sexo pago é degradante?
Além disso, desde quando é a maioria que deve decidir sobre os direitos das minorias? Ou isso só vale para as minorias que pensam igual a gente?
Do jeito que é hoje realmente não há empoderamento e liberdade na prostituição. Vamos aumentar ou diminuir esse empoderamento e liberdade?
Da mesma maneira que há 150 anos as mulheres não podiam votar (ops, bem menos que isso) espero que daqui a 150 anos (desde que o Bolsonaro não se torne presidente) olhem a imoralidade da prostituição como hoje (quase todos) olhamos a proibição das mulheres votar.

Rafael disse...

"Na teoria, vender sexo seria uma coisa como outra qualquer. A pessoa oferece um serviço, alguém compra, combinam os termos, o "vendedor" (vendedora, geralmente) "entrega" o 'produto", recebe a grana e acabou, no hard feelings.

Na prática, não é o que acontece. Pra cada Bruna Surfistinha, Gabriela Leite ou Lola Benvenutti da vida tem centenas de milhares de Marias negras, que foram abusadas pela vida desde a infância, que recorreram à prostituição, que são exploradas pelos seus "protetores", que são estupradas, que apanham, que se contaminam por "compradores" que resolvem ali na hora quebrar o acordo e que basicamente não têm a quem recorrer, porque ser puta ainda é ser uma leprosa na sociedade. Para cada mulher branca, bem instruída que escolheu se prostituir em um flat alugado nos Jardim tem centenas de milhares de Severinas que fazem programa na rua, que apanham de polícia, que são obrigadas a fazer sexo com essa mesma polícia, que são forçadas pelos seus "protetores" a venderem drogas pra eles e acabam presas. Pro cafetão não há problema porque não existe mão de obra mais barata que uma pessoa sem escolhas. Negar tudo isso é como dizer que não existe racismo no Brasil porque a Taís Araújo faz novelas e o Pelé é um homem rico.

Por mais que eu tenha algumas ressalvas com o dito feminismo radical, nessa parte pelo menos eu me alinho porque não há que se falar em liberdade de escolha quando nenhuma das duas coisa existe, na prática, para o grupo, seja a liberdade ou a tal da escolha. A prostituição feminina sempre foi um dos alicerces do patriarcado e eu também fico admirada em ver ativismo não pelas prostitutas, mas pelos felizes usuários do serviço, na gigantesca maioria dos casos homens, homens casados, homens que levam o HIV para suas esposas fiéis, homens que veem as mulheres como um simples pedaço de carne, homens que pagam para poderem ter uma hora de misoginia entre quatro paredes completamente impune. Não dá pra negociar esse tipo de coisa sem furar os próprios olhos para uma realidade aberrante."


Assino embaixo de cada palavra.

donadio disse...

"Trabalho assalariado não aumenta a exposição absurdamente a exposição do trabalhador à violência;"

É claro que sim. Basta ver a exposição à violência de vigilantes, policiais, ou trabalhadores rurais. Mas o que aumenta a exposição à violência é o fato de a atividade não ser protegida pelo Estado.

"Trabalho assalariado não aumenta expõe deliberadamente o trabalhador a fluidos que podem estar contaminados;"

Mineiros, enfermeiros, agentes de saúde, metalúrgicos, trabalhadores nas indústrias química, petroquímica...

"Trabalho assalariado não é estigmatizado e nem sofre preconceito;"

Essa é uma diferença real, embora eu desconfie seriamente que empregadas domésticas ou garis também não sejam completamente isentos de estigmatização e preconceito. De qualquer forma, como é que se melhora a situação de trabalhadoras cuja atividade é estigmatizada reproduzindo e validando a ideologia de que a atividade delas é e deve permanecer tabu?

"Trabalho assalariado não é pautado no viço, juventude ou aparência do trabalhador;"

Modelos, atores, recepcionistas, promotoras de vendas...

"Trabalho assalariado não implica enfiarem coisas em você."

Implica o que você descreve como escravidão: você "vende" o seu corpo e/ou a sua mente por um tempo determinado, em que você tem de fazer o que outro quer que você faça, e não o que você quer fazer.

Sério, todos nós somos "prostitutas" de uma maneira ou outra. A maioria de nós, claro, acha algum conforto em negar essa realidade e em rotular o seu próprio trabalho como "decente" ou "honesto", e em negar que está sendo explorado, mas o que todos nós que não somos empresários fazemos é vender a nossa força de trabalho, uns por mais, outros por menos dinheiro, e nos submeter a ordens de terceiros durante a maior parte da nossa vida em vigília.

André disse...

"Pro cafetão não há problema porque não existe mão de obra mais barata que uma pessoa sem escolhas."
Criar dificuldades para as prostitutas trabalharem reduz as escolhas, barateia ainda mais a mão-de-obra e ajuda o cafetão.

donadio disse...

"Você tem uma pesquisa em mãos ?Nesse últimos anos várias mulheres foram promovidas na empresa que trabalho em um tempo relativamente curto"

Em outro post, fiz um longo comentário sobre a diferença (muito real) entre a remuneração dos homens e a das mulheres, que começava assim:

eu não sei exatamente como funciona nas empresas privadas - só que é bem mais fácil do que no serviço público.

E no serviço público eu sei como é.

No tempo em que a Dra. Cláudia Costin era Ministra da Administração, ela quis investigar essa questão da desigualdade salarial entre os sexos. E me calhou de fazer uma série de levantamentos no banco de dados dos servidores


Você pode achar aqui:

http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2013/11/guest-post-diferenca-salarial-entre.html

É o segundo comentário assinado por mim naquele post.

donadio disse...

"Eu acho até que a legalização aumentaria muito mais, o que é "melhor" o cafetão explorar e ganhar em cima ou ter que dividir a grana?"

Para que a prostituta precisa de cafetão, se a atividade for legalizada?

Rafael disse...

Donadio, não consigo aceitar esse paralelo que você fez. Uma enfermeira usa luvas, jaleco, avental, touca e máscara.

Quando levei meu filho com catapora ao pronto socorro e avisei antes de entrar com ele que o menino estava possivelmente com uma doença contagiosa, a enfermeira que fez sua triagem parecia vinda de hollywood, tamanha a proteção. O mesmo se aplica aos seus exemplos. Todos tem (ou deveriam ter, o que sai da seara da discussão) EPIs.

Prostituta não tem e NEM PODE ter EPI, mesmo que seja um dia regulamentado.

Aí você faz como? Diz que "pois é, Aids vc não vai pegar, mas as outras... bem, as outras fazem parte do seu trabalho." Não dá, né?

Esse é um falso paralelo.

Existem muitas, muitas doenças sexualmente transmissíveis que podem ser disseminadas MESMO com camisinha. Não dá para fingir que isso não existe.

Não estamos falando só de HIV.

donadio disse...

"Roxy, onde eu falei em racismo? O tema é prostituição."

O problema é que a prostituição não existe no vazio, existe num mundo bem concreto em que racismo, sexismo, exploração do trabalho pelo sistema de salário, são dados bem reais. Não dá para você argumentar que a prostituição é uma atividade totalmente diferente do trabalho em geral, incomensurável até, e depois reclamar que a gente está saindo do tema ao mostrar que os problemas que no seu entendimento são exclusivos da prostituição na verdade atinge muitas outras atividades assalariadas.

donadio disse...

"coisa enfiada em você"

A maior parte dos travestis que se prostituem é paga para enfiar uma "coisa" no cliente, e não o contrário. Nesse caso, trata-se de uma atividade mais digna, ou menos perigosa, ou mais segura, ou menos pervertida?

Rafael disse...

Donadio, sob essa ótica, qualquer discussão, de qualquer natureza pode envolver falar sobre racismo. Me parece bastante óbvio que em todos os casos, seja na prostituição ou no mercado formal, os negros ficam em clara e flagrante desvantagem.

donadio disse...

"André, prostitutas que ganham 90-100 reais são minoria. As de mais de 1000, minoria da minoria da minoria."

Source, please?

Rafael disse...

Donadio, sobre o "coisa enfiada em você", eu falei mais para mostrar que não é exatamente um trabalho como qualquer outro. Envolve seu corpo e coisas que são feitas COM ou NO seu corpo.

Isso para mim é diametralmente oposto de sentar numa cadeira de escritório das 9 às 18 ou ficar pelo mesmo período carregando engradados na CEASA/CEAGESP.

Rafael disse...

Donadio, precisa mesmo de fonte nesse caso? Não posso apelar ao conhecimento público? Se precisa, logo mais vou pesquisar a respeito, mas me parece cristalino que mulheres que recebem 100 ou 1000 por programa são minoria e minoria da minoria.

Rafael disse...

Complementando o que eu expus acima, doenças como Herpes, HPV, Sífilis e Gonorréia podem ser transmitidas mesmo com a utilização de preservativo masculino. A camisinha diminui sobre maneira, mas não mitiga estes riscos por completo.

Como fazer nesse caso?

Como aceitar uma atividade "laboral" que DELIBERADAMENTE expõe o trabalhador a este risco?

donadio disse...

"Prostituição é sim degradante. Se você não acha ruim, queria só ver virar puta ou casar com uma prostituta, deixar sua mãe e sua filha se prostituir. Obviamente que ninguem quer isso, ter pessoas queridas que ganham por serem praticamente estupradas."

Você trabalharia como gari, ou casaria com uma catadora de lixo? Deixaria sua esposa, filha ou mãe trabalharem como garis?

Roxy Carmichael disse...

O meu problema com a sua argumentação é que ela pretende-se objetiva, mas é carregadisssima de preconceitos. Você fala em doenças, especificamente aquelas que sao transmissíveis por fluidos como um distintivo, quando uma infinidade de trabalhadores adquire doenças na pratica laboral. Ja vi gente que perdeu a sensibilidade e os movimentos da mao por trabalhar num mercado com peixes e gelo. Tem gente que perde membros do corpo o tempo todo por trabalhar de forma exigente e desprotegida com maquinas industrias. A construçao civil é o que mais mata. Caminhoneiros estao dirigindo drogados pra suportar as exigencias do transporte de carga. Não me parece casual que doenças sexualmente transmissiveis apareçam como algo distintivo no seu comentario.

Você listou entre as questões distintivamente negativas da profissão, "enfiarem coisas em você", como se a penetração fosse degradante. Novamente, isso não me parece casual. É a norma. Gays sao discriminados porque podem ser penetrados como mulheres e um homem jamais é penetrado, ele penetra.

Voce usa o suposto fato de na prostituição as mulheres tenham que ser jovens e ter viço ou aparencia como se isso fosse signo de objetificaçao. Nao se escolhe um ser humano, se escolhe um objeto. No entanto eu falei sobre o fato de que utilizar esse criterio é uma pratica largamente difundida no mercado de trabalho e que ainda por cima é orientada por racismo. Novamente não me parece casual que isso tenha aparecido como aspecto distintivo do trabalho sexual.

Ninguem aqui tá dizendo que as prostitutas não estão sendo expostas e vitimadas, que a grande maioria ganha muito mal e nao tem qualquer garantia quanto ao exercício do seu trabalho em condições minimamemte seguras. O que se diverge é sobre a forma de lidar com isso: regulamentar e implementar politicas integradas, sabemos que isso é dificil, temos ai o exemplo de outras profissoes que nao sao estigmatizadas mas sao super inseguras, ou se é dificultar a comercialização do sexo, como vc propõe. Na minha opiniao e na do André isso só vai aumentar o estigma, que já é enorme, estigma que aparece no seu comentario pelas razões ja explicitadas.

Eu realmente me questiono se prostituição é escolha. Agora acho urgente questionar a estigmatização do sexo pago. Nao digo que questionar é dizer que o sexo comercializado é ok. Pode nao ser, mas isso precisa ser debatido com argumentos historicos, culturais e nao com moral individual. Porque se nao ficaremos presos nessa situação que é inconcebível que o ministerio da saude nao possa sequer veicular uma campamha orientada à estimular prostitutas a exigirem preservativo por pressao de grupos religiosos que consideram imoral. Nao se pode conscientizar porqur nao se pode sequer visibilizar a existencia desse grupo. Nao se pode nominar porque só o nome ja é insulto dirigido a todas as mulheres.

donadio disse...

"Como a legalização coibirá famílias venderem suas filhas a turistas estrangeiros em troca de um prato de comida ou meninas de "serem pegas para criar" na casa de gente abastada e virarem escravas sexuais?"

Eu me perguntaria, antes, o que a proibição (modelo americano), a semi-legalidade (modelo brasileiro) ou a proibição reversa (modelo sueco) fazem para impedir essas coisas.

Para mim, é muito óbvio que as mulheres nas situações que você descreve não podem recorrer à polícia por que a atividade delas é estigmatizada. A primeira coisa, portanto, é tratar de criar uma situação em que a prostituta que denuncia seus patrões ou clientes não corra mais risco de passar a noite na cela da delegacia do que os seus agressores.

Anônimo disse...

Roxy, sinceramente, acho que você deveria se juntar aos homens que dormem com putas. Eles iriam adorar ver você defendendo o principal passa tempo deles.

Roxy Carmichael disse...

Rafael, todas as pessoas estão expostas à doenças que podem ser transmitidas sexualmente mesmo com uso de preservativo. Só nao estao expostas as celibatarias. Porque mesmo no casamento monogamico uma das partes podem ter a doença. A nao ser que ambos tenham se casado virgens. Existe uma infinidade de pessoas que pratica sexo casual seja ele hetero, bi ou homossexual. Existe outro tanto de pessoas que tem relações nao monogamicas. Linkar doenças sexualmente transmissíveis a trabalhadores do sexo é altamente preconceituoso.

Anônimo disse...

Donaldino, mostre então algumas pesquisas em que a prostituição da legalidade brasileira é melhor do que a prostituição reversa na Suécia. Lembrando que o brasil é um dos paises com mais turismo e trafico sexual do mundo...

Rafael disse...

"Linkar doenças sexualmente transmissíveis a trabalhadores do sexo é altamente preconceituoso."


Roxy, onde eu escrevi que SÓ prostitutas transmitem doenças????

Anônimo disse...

Vamos proibir a avaliação remunerada de consolos e brinquedos sexuais, já que também envolve que algo seja "enfiado" em você.

Roxy Carmichael disse...

E eu acho que você poderia se juntar ao grupo das pessoas que entende que o feminismo é plural e que a abolição da prostituição está muito longe de ser consenso dentro do proprio feminismo. Tambem acho que vc podia repensar fazer parte do feminismo confiscador de carteirinhas.
Um abraço

Roxy Carmichael disse...

Virgi Maria Rafael. Começou tudo de novo...

Anônimo disse...

Não é preconceituoso mas sim a verdade. Pessoas que fazem mais sexo com parceiros diferentes tem mais chances de pegarem doenças sexualmente transmissiveis. A propria OMS alerta que a "prosmiscuidade" pode aumentar casos de doenças.

Anônimo disse...

Muito bom o guest!
Só algumas observações:
1- "abolir ou proibir a prostituição vai prejudicar as prostitutas de luxo, classe média, tirar a autonomia delas, bla,bla,bla".
Bom, o aborto (infelizmente) é proibido no Brasil, mas isso não afeta a vida das mulheres privilegiadas socialmente que querem abortar. Não afeta, digo, de forma prática. A legalização do aborto não afetará tbm. Proibir, dificultar a prostituição não vai fazer nenhuma garota de programa de luxo cair na miséria, pois elas dispõem de recursos e contatos o suficiente inclusive p continuarem seus serviços. Incomoda-me que um texto falando sobre ESCRAVAS SEXUAIS ainda tenha gente que queira lutar por exceções. Essas exceções são privilegiadas, elas têm recursos p sobreviver.
2- "A culpa tbm é das mulheres, pois ELAS oferecem o serviço"
Quem PAGA tem poder de compra é quem alimenta a prostituição. São homens de bem, que independente da origem do produto (se foi coagida ou não) querem consumir. Não são os homens que dividem mulheres em santas e putas? Que repetem que mulher que age como puta, ele trata como puta? Se eles pararem de pagar, a prostituição cai. Não tem como obrigar os clientes a consumirem. Com as mulheres é o inverso, basta ver que a maioria é EMPURRRADA para essa vida. A pobreza, miséria, falsas promessas, mesmo o rapto e tráfico ocorre independente de mulheres quererem ser prostitutas, e a maioria não quer. Nojo é saber que homens ao verem uma mulher em situação vulnerável preferem pagar pra transar com ela, do que pagar um prato de comida.
Não adianta querer mudar a mentalidade da prostituição causaqué 'existem garotas de programa de luxo que gostam ou pq tem clientes que tratam bem elas'. Pq? Porque a mentalidade da prostituição é misógina, uma prostituição limpinha e fofinha com as mulheres não interessa a quem paga.
Desisti de ler o resto dos comm, mas Anon A(radfem), obrigada por existir.

Julianatsume

donadio disse...

"Envolve seu corpo e coisas que são feitas COM ou NO seu corpo."

E com o que o padeiro amassa o pão, senão com o seu corpo (ou as mãos não são parte do corpo?)

Trabalho assalariado não é necessariamente trabalho de escritório; a grande maioria das atividades assalariadas envolve o uso do corpo para a satisfação das necessidades de terceiros. Mesmo o burocrata se violenta ao ficar sentado por horas a fio à sua escrivaninha, e o faz por dinheiro.

******************************

Não estou dizendo que a prostituição é uma coisa bacana. Estou dizendo que não é fundamentalmente diferente do que a maioria das pessoas faz todo dia e acha perfeitamente natural. Que elas estão erradas ao considerar perfeitamente natural o fato de serem exploradas por empresários, é aonde quero chegar. E a partir daí, à constatação óbvia: assim como não se defende os direitos dos pedreiros estigmatizando a profissão de pedreiro, é absolutamente impossível melhorar a situação das prostitutas - e inclusive abrir portas para que elas possam mudar de atividade, se assim o quiserem - estigmatizando as prostitutas, a prostituição, o sexo, o sexo fora do casamento, o sexo por dinheiro, etc.

Anônimo disse...

Homens defendendo prostituição. Qual novidade?

Roxy Carmichael disse...

Eu poderia usar o metodo que vc tem usado e perguntado: onde disse que os trabalhadores são os transmissores, mas vamos lá: estamos falando que uma das questões que difere o trabalho sexual dos outros é que expõe os trabalhadores a doenças não? Na minha argumentação anterior a essa conclusão, eu expus que uma infinidade de pessoas estão expostas a essas doenças mesmo nao envolvidas na comercialização do sexo. Por isso linkar como algo distintivo a transmissão de ou exposição a doenças sexualmente transmissíveis no contexto da prostituição é preconceituoso.

Roxy Carmichael disse...

Anon 11h15 isso só confirma o que eu argumentei.

Clara Azevedo disse...

Pra mim duas coisas são claras:

1) se você está defendendo a prostituição porque quer se eximir de culpa por ter usado ou ainda usar o serviço, você é um babaca. Se você tem alguma consideração pelas mulheres, engula a sua culpa e não faça mais isso. Porque, como falaram anteriormente, é impossível saber se aquela mulher está sendo explorada ou não. Provavelmente está...

2) se você é contra a legalização e não se importa com o que as próprias prostitutas tem a dizer sobre isso, você também é um babaca. É igualzinho aquela gente branca falando o que é e o que não é racismo. A única maneira honesta de se resolver isso seria chamar as prostitutas para dizerem o que elas pensam que seria melhor para a vida delas. Esse argumento paternalista de "elas podem querer isso, mas só porque já foram muito exploradas" é tão nojento quanto o caso 1, descrito acima. Se você não é prostituta, não fale por elas.

Roxy Carmichael disse...

Poxa clara, gostei!

Anônimo disse...


Legalização e Proibição são facas de dois gumes. Ambas, sem acompanhamento de políticas públicas prévias, podem gerar efeitos nefastos. A Anon A lá em cima postou um paper sobre a legalização e o aumento do tráfico sexual, reposto aqui.

http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1986065

E aqui a discussão sobre: http://journalistsresource.org/studies/international/human-rights/legalized-prostitution-human-trafficking-inflows



Pelo que entendi há relação de aumento de tráfico de seres humanos em países que legalização a prostituição, enquanto o modelo nórdico provou a diminuição de tráfico de seres humanos.

PORÉM (bem grandão, para não haver dúvidas), há a discussão no mesmo link que a criminalização da prostituição atingiu mais as prostitutas que os aliciadores. Minha hipótese: bandido sabe se virar, se a gente acaba com uma fonte, logo ele arruma outra. Neste paper, até a parte que li, não houve mensuração sobre as consequências e a relação entre a criminalização da prostituição e outros tipos de crime. É difícil definir posicionamentos quando ainda carecemos de fontes analisando muita coisa.

A.

Roxy Carmichael disse...

Poxa clara, gostei!

donadio disse...

"Não é preconceituoso mas sim a verdade. Pessoas que fazem mais sexo com parceiros diferentes tem mais chances de pegarem doenças sexualmente transmissiveis. A propria OMS alerta que a "prosmiscuidade" pode aumentar casos de doenças."

Então, qual a conclusão? Vamos proibir o sexo? Celibato total para os solteiros, sexo exclusivamente monogâmico para os casados?

Tenho a impressão de que a gente já tentou isso antes, e que não deu muito certo.

O argumento da Roxy é simples, Rafael:

1) todos os trabalhadores estão expostos a riscos em função do seu trabalho, uns mais, outros menos.

2) o risco laboral específico das prostitutas - a doença venérea - é um risco para todos que fazem sexo, independentemente de o fazerem por dinheiro ou por diversão.

3) por consequência, fica difícil argumentar que a prostituição é um "ponto fora da curva": pode até ser um ponto situado no extremo da curva, mas os riscos que ela implica não são diferentes (podem ser maiores, mas o que é quantitativo está sujeito a ser aumentado ou diminuído, conforme as medidas que se tomem). Não é uma coisa do outro mundo, é uma coisa bem deste mundo, e não pode ser "exorcizada", requer enfrentamento planejado, a partir de dados de qualidade e de estratégias bem-pensadas (que são exatamente o contrário de reações impulsivas, viscerais).

Enfim, de boas intenções, senão o inferno, pelo menos a história das política públicas fracassadas está cheia.

donadio disse...

"http://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1986065"

Eu não li o texto todo, mas eu tenho um problema com o abstract, aqui:

"On average, countries where prostitution is legal experience larger reported human trafficking inflows"

Não conheço nenhum país do mundo em que a prostituição seja "legal". Conheço países de quatro tipos:

1) aqueles em que a prostituição é proibida, ponto;
2) aqueles em que a prostituição não é proibida, mas a compra dos serviços das prostitutas é;
3) aqueles em que a prostituição é semi-legal (ou seja, não é explicitamente proibida, mas na prática as prostitutas são não-cidadãs e não têm direitos); e
4) países em que a prostituição é "regulamentada" de uma forma que obriga as prostitutas a terem patrões (cafetões).

Por outro lado, trabalhos científicos precisam fazer controle de variáveis. Assumir que a legalidade ou ilegalidade da prostituição é uma variável independente, e que outras variáveis (tais como por exemplo a qualidade de vida da população como um todo, a taxa de urbanização, a existência de um êxodo rural ou de um movimento migratório internacional, ou a prevalência de uma religião única) é bastante problemático.

André disse...

6:47,
Você esqueceu de ler a parte que eu escrevi sobre políticas públicas.
Você está afirmando que o catolicismo historicamente não tratou o sexo como algo degradante? Já ouviu falar em Paulo?

Anônimo disse...

Sim, Paulo um misogino declarado.

Anônimo disse...

Meio off topic, mas vale o conhecimento
http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/11/maioria-das-deputadas-se-diz-contra-projeto-de-cunha-sobre-aborto.html

Significando que eleger mulheres não implica que elas vão lutar pelos direitos das mulheres.

Anônimo disse...

Correção: *implica que elas vão lutar pelos direitos.

B. disse...

Eu NÃO acredito...o cara aí falou que prostituição as pessoas enfiam coisas no corpo, COM e NO corpo (ou seja, não deixa de ser estupro) e outro cara vem com "ah, mas o padeiro tb usa as mãos..."


I rest my case.

Queria saber a opinião da Lola sobre o assunto...
Ah, e já que não podemos discutir esse assunto pois não somos prostitutas (só elas podem opinar), então pq a gente não para de discutir e a Lola chama uma prostituta pra um guest post, que tal? Ela já deu espaço a Monique "coitadinha" Prada, o próximo guest podia ser com uma das ruas, o que acham? Uma travesti que recorreu a essa atividade pq não acha emprego, que tal? Vamos ver se ela acha que essa atividade é igual a ser padeiro.

"Sério, todos nós somos "prostitutas" de uma maneira ou outra." Putz...

anon A, tenho que concordar com teus comentários nesse post.

André disse...

Donadio,

Do mesmo artigo:

Countries with higher GDP per capita, larger populations, larger stocks of pre-existing migrants, and a democratic political regime experience a larger reported incidence of trafficking inflows, with all of these results being statistically significant at the five percent level.

Column 2 includes a dummy that indicates whether or not third-party involvement in
prostitution is legal. It takes the value of one if brothel operation or pimping is legal and zero
otherwise (i.e., when prostitution is illegal or only self-employed prostitution is legal). The
coefficient of the dummy is marginally insignificant, while the dummy for legal prostitution
in general remains almost unchanged. This might imply that legalization of prostitution, per
se, is more important in explaining human trafficking than the type of legalization, i.e.,
whether brothel operations or pimping are also allowed.

In column 4 we include low-income countries, while column 5 exclusively focuses on
high-income countries instead. As can be seen, the effect of legal prostitution is no longer
significant when low-income countries are included.

André disse...

"Monique "coitadinha" Prada"? Esse é o feminismo Dado Dolabella?

Ingrid Bezerra disse...

Ai ai, como eu queria poder debater nessa caixa de comentários... mas como estou toda moída só vou deixar poucas palavras porque esse assunto mexe muito comigo que tive uma amiga que trabalhava na Vila Mimosa.

Esse link é interessante:
http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2015/09/01/homem-que-paga-por-sexo-tem-muito-em-comum-com-estuprador-diz-estudo/

Concordo completamente com o Feminismo das Rads nesse assunto. E não vejo de maneira alguma SEXO como algo degradante ou tenho qualquer tipo de moralismo bosta judaico cristão. Eu sou da putaria, sou pró sacanagem, mas quando envolve DINHEIRO na sacanagem as coisas mudam de contexto. Vou citar apenas dois exemplos que eu vi.

Caso verídico que aconteceu comigo: Na época do Orkut eu gostava muito de me expor, especialmente meu lado Sadomasoquista, e isso atraia uma multidão de homens que me adicionavam e tal (eu não era Feminista naquela época e tal). Um dia um cara, que parecia muito legal e interessante me contactou e eu dei uma chance a ele de conversar no MSN, ele era uns 30 anos mais velho que eu, era ciente de todos os meus gostos "sexuais", já que eu, como eu disse, costumava expor sem problemas. Bem, daí o cara me ofereceu 800 Reais para fazer uma lista de coisas que não estavam de acordo com os meus gostos e ainda me ofereceu uma roupa importada de latex se eu aceitasse. Eu não sou prostituta e eu nunca gostei de prostituição e quando o cara me fez a proposta eu gelei e ao mesmo tempo me revoltei pela audácia dele de querer fazer coisas que eu não queria, além disso ele começou a se referir a mim de maneira autoritária (não estou conseguindo explicar, mas ele tipo começou a falar comigo de um jeito que é muito comum dos homens tratarem as prostitutas). Eu não gostei da experiência e depois de refrescar a cabeça eu pensei como esse dinheiro fez ele se sentir no direito de extrapolar os limites, imagine se fosse ao vivo?! Eu não tenho necessidade desses 800 reais de merda, mas e as mulheres que precisam?! Certamente creio que aceitariam fazer coisas que não gostam pelo dinheiro...

Segundo caso. Esse recente: Uma vez eu visitei o tal site chamado GP Guia por curiosidade. Fiquei abismada com o quanto os homens deste site valorizam a prostituta que faz sexo oral sem camisinha neles, e que deixam eles gozarem na boca delas e se engolirem a porra pagam até mais. Tinha caso de homem que gozou na boca da mulher sem ela concordar antes e ainda o cara ficou chateado porque ela cuspiu fora. Tipo assim, como a mulher iria na delegacia e denunciar porque o cara gozou na boca dela sem ela deixar?! Como seria feita uma investigação, vigilância do ofício etc no caso da prostituição?! Eu acho meio utópico. Acho que quando envolve dinheiro a relação tende a ir mais para o lado de quem está pagando. Eu nunca na minha vida vi um homem usuário de prostituição pagar uma prostituta para fazer apenas o que ela quer. Se ele está pagando, vai fazer apenas o que quer. E o dinheiro muda as relações, o dinheiro compra até a dignidade de uma pessoa. É proibido vender, comprar, anunciar, venda de pedaços do corpo humano. Porque será?! Porque provavelmente se fosse legal, muitas mas muitas pessoas venderiam dedos, braços por dinheiro SIM! Até se mata alguém por míseros valores em dinheiro...

E por fim, acho que em uma sociedade IGUALITÁRIA DE VERDADE ninguém deveria pagar por sexo. Prostituição ao meu ver é sim um instrumento do patriarcado.

Sou a favor do modelo Sueco.

Anônimo disse...

Sou feminista mas não defendo puta rica que se prostitui por roupas de marca enquanto milhoes de mulheres são traficadas.

donadio disse...

"Ah, e já que não podemos discutir esse assunto pois não somos prostitutas (só elas podem opinar)"

Quem é que disse isso?

O problema é que vcs abolicionistas desqualificam liminarmente qualquer discurso de prostitutas, por que, segundo vocês, prostitutas que têm voz são exceção (ou a exceção da exceção, sei lá). As únicas prostitutas que contam, no imaginário de vocês, são as prostitutas sem voz. Claro, por que já que elas não tem voz, vocês podem se arvorar em ser a voz delas, e articular um discurso que não tem nada a ver com prostituta nenhuma, nem das que têm, nem das que não têm voz, e propor a fantasia de vocês a partir do que vocês supõem que seria o posicionamento delas se elas tivessem voz (e quando por acaso uma das vítimas/protegidas de vocês se recusa a ficar calada, e recusa o paternalismo, lá vem o discurso da "falsa consciência" para explicar que o que a infeliz diz quer e pensa que quer não é o que ela realmente quer).

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Eu não sou prostituta, mas sou trabalhador. E também não sou imbecil; sei perfeitamente que salário não concorre com salário. Aumentar os ganhos monetários das prostitutas não vai diminuir o meu salário, e diminuir os ganhos delas não vai melhorar meu contra-cheque. Muito ao contrário, aumentos de salário tendem a repercutir positivamente em toda a massa salarial. "Salvar" as prostitutas da prostituição não vai transformá-las em planilheiras de empresa; vai transformá-las, na melhor das hipóteses, em trabalhadoras manuais mal-remuneradas, competindo por emprego com os demais trabalhadores manuais e puxando todos os salários para baixo.

A classe trabalhadora é uma só, e fomentar a divisão - ainda mais a divisão fundada numa premissa tão obviamente falsa como a de que nós não somos explorados - é uma péssima ideia.

Anônimo disse...

"As associações de prostitutas que lutam pelos direitos das garotas de programa torcem pela aprovação da lei que legaliza a profissão antes da Copa do Mundo. Elas dizem que se sentiram mais seguras com um amparo legal para se proteger de casos de exploração sexual.

O Projeto de Lei Gabriela Leite, de autoria do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), estabelece, entre outras coisas, que um cliente que não pagar pelos serviços sexuais será enquadrado no crime de exploração sexual.
A prostituta Adriana Rios faz programas em Brasília há três anos e consegue se sustentar com os rendimentos. Ela conta que, além de poderem se resguardar de prejuízos financeiros, o projeto também é importante para garantir a integridade física das mulheres. Segundo Adriana, se uma prostituta é agredida durante o programa, nem na delegacia elas conseguem ser respeitadas.

— Muita mulher oculta um espancamento, um assalto, porque a gente é muito discriminada nas delegacias. Eu mesmo já apanhei durante um programa sem ter feito nada. Os caras chegam drogados e sabem que a gente não tem proteção na lei. Eu nem fui prestar queixa, porque sei que vou ser discriminada."

http://noticias.r7.com/brasil/prostitutas-defendem-legalizacao-da-profissao-estariamos-mais-seguras-23032014

Anônimo disse...

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/cut-as-prostitutas-tambem-sao-mulheres-trabalhadoras-5575.html

André disse...

Ingrid,

Numa sociedade igualitária de verdade não haveria nenhum tipo de exploração. Mas no mundo real a regulamentação aumentaria ou diminuiria a segurança das prostitutas? Qual a diferença entre a prostituição e as drogas recreativas ou o aborto?

Anônimo disse...

Feminista chamando outra mulher de puta, a gente vê por aqui...

Rafael disse...

André, drogas recreativas ou aborto, dizem respeito exclusivamente o corpo de quem as usa.

B. disse...

André, o que seria o feminismo Dado Dolabella?

André disse...

Rafael,

Prostituição diz respeito só ao corpo da prostituta. Drogas um pouco menos já que uma pessoa com percepção alterada pelas drogas pode causar acidentes. Mas aborto com certeza envolve mais de uma pessoa, pois a partir de um limiar entre algumas semanas e 9 meses vai haver pelo menos duas pessoas envolvidas. E ainda assim somos a favor do aborto e da liberação das drogas.

André disse...

B.

Feminista que xinga mulher.

C. Pirlo disse...


A questão nem é de falar pelas oprimidas. É que quando se discute prostituição tende-se a colocar no mesmo saco patricinhas ricas que se prostituem pq querem e mulheres exploradas, travestis que enxergam na prostituição o único meio de vida e outras dúzias de casos que já foram citados aqui. O foco aqui é combater a exploração do corpo feminino por outrem que não seja a dona do corpo.
No viés radical do feminismo, a prostituição é uma forma de opressão pq diz respeito à monetarização do corpo feminino, uma história debatida exaustivamente. Ela não vem de recalque pelo salário da acompanhante de luxo, ou pelo feminismo que silencia prostitutas. Pode parecer utopia, mas lutar para que as mulheres parem de ser objetificadas, categorizadas e monetarizadas pelo patriarcado é sim importante.

Também não adianta debater no campo do se. Também não temos como afirmar com certeza que a legalização diminuiria o número de mulheres traficadas e trabalhando em condições desumanas.

Marcia Baratto disse...

C. Pirlo, isso é bem verdade. Legalizar ou proibir pode não ter os efeitos desejados quando se trata da melhoria de condições de trabalho, por que não bastasse a complexa e milenar questão de gênero que acompanha a prostituição, no mundo contemporâneo ela está intimamente interligada a outras formas duras de opressão, como o racismo e o classismo. Já acompanhei estudos que mostram que os impactos de proibir ou permitir a prostituição são diferentes para mulheres brancas e negras, cis ou trans, de classe média ou baixa. Uma medida que favoreça o direito de mulheres brancas (como é o caso do tão defendido modelo nórdico), não funciona para negras, pois a opressão racista tá outros contornos para a superexploração da prostituição. Tem jeito? Só debatendo e conhecendo mais sobre o problema podemos criar soluções múltiplas para as mais variadas mulheres em sofrimento profundo. Por que né? Escravidão sexual foi, é e sempre será uma das piores condições em que se pode jogar um ser humano, e não por acaso, a maioria das pessoas nessa condição é mulher.

Anônimo disse...

(Viviane)
Muito bem, Clara! Estão vendo, pessoas, como argumentar sem ser necessário recorrer a falácias e moralismo barato?

B. disse...

Agora se preocupar com exploração de mulheres é moralismo barato??

Anônimo disse...

(Viviane)
Ótima ideia, B.! Aliás, bem melhor do que dar espaço pra Camila Ribeiro vir aqui mostrar sua "superioridade ocidental" (imagine um europeu lendo isso, cairia na gargalhada) e mandar quem discorda dela "ir fazer um mochilão de oito meses na Ásia" (se duvida, favor ler os comentários do post anterior dela, onde ela teve o descalabro de responder isso). Sério, tem como dar crédito a uma pessoa dessas?

Anônimo disse...

(Viviane)
B., pra não pegar o bonde andando e passar vergonha, sugiro ler os comentários anteriores.
A todos: temos os exemplos de Carol, Márcia, Roxy e Donadio como modelos de bons argumentos para defender tanto favorável como contrário à regulamentação da prostituição (como o aborto e as drogas, quase ninguém é a favor de fazer, mas sim que seja regulamentado para proteger quem faz). Portanto, pessoas, vamos tentar argumentar melhor...

Anônimo disse...

Um bando d homens gsstando horas e textos enormes discutindo prostituicao. Tomara q na hora q aparecerem outros assuntos q nao envolve o proprio pinto tenham um quinto desse empenho. Vamos ver se defendem vitimas de reveng porn, violencia, direito ao aborto, se defendem a menina que seus amigos expoem... Mas fica dificil nao acreditar q todo esse elogio a prostituicao nao eh coisa de quem se sentiu culpado e quer se convencer e aos outros que nao tem porque.

Anônimo disse...

Boba eh a mulher q acha q esses caras estao preocupados c escravas sexuais, prostitutas miseraveis ou nao. A unica preocupacao deles eh nao serem estigmatizados e que continuem a existir prostitutas pra transar e mulheres tolhidas nos seus desejos mais basicos pra namorar, ter filhos e ser dona de casa. Eles estao se fudendo pra trafico d mulher, abuso, o que for

Anônimo disse...

To pra ver UM homem que não defende prostituição, foda é um monte de feminista entrar nesse bonde.

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