quarta-feira, 9 de abril de 2014

PEC DAS DOMÉSTICAS, O SUSTO DA ELITE

Em abril do ano passado, quando a PEC (Proposta da Emenda à Constituição) das Domésticas foi aprovada, houve muitos festejos (o jornal francês Le Monde classificou a PEC como uma segunda abolição no Brasil, por exemplo), e gritaria por parte da classe patronal. Mas, um ano depois, a emenda ainda não foi regulamentada no Congresso. Espera-se que seja esta semana.
Antes da PEC, por lei, toda empregada doméstica deveria ter carteira assinada, férias, 13o, recolhimento do INSS para que pudesse se aposentar no futuro. O artigo 7o da Constituição Federal garantia esses direitos, mas não obrigava os patrões a concedê-los. Não havia  igualdade de direitos em relação a outras categorias (e, segundo especialistas, ainda não há). Logo, apenas 26% dos patrões cumpriam a lei.
Cabe aqui um adendo: qualquer funcionário que trabalha em domicílio é considerado empregado doméstico. Isso inclui não só faxineiras, babás e cozinheiras, mas também caseiros, jardineiros, mordomos, governantas, damas de companhia, lavadeiras. As regras da PEC das Domésticas valem para todos. Mas eu falo empregadas, no feminino, porque 93% das pessoas que exercem trabalho doméstico é mulher. 
17% de todas as mulheres que trabalham fora no Brasil são empregadas domésticas (o setor de comércio emprega 16,8% das trabalhadoras; o de Educação, Saúde e Serviços Sociais, 16,7%). Segundo uma outra estatística, são mais de 7 milhões de pessoas que são domésticas. O emprego doméstico remunerado é a terceira atividade a gerar mais empregos para mulheres no país, mas são subempregos.
No Brasil, as domésticas têm cor –- são negras. Na América Latina, a maior parte é indígena. Lembra da jornalista de Natal que, indignada com a chegada dos médicos de Cuba, disse que as médicas cubanas tinham cara de empregadas domésticas? Pois é: apenas 2,66% dos estudantes concluintes de medicina no Brasil são negros. E quantas empregadas são negras ou pardas? No Recife, por exemplo, 81% são negras.
O Brasil tem o maior número de domésticas do mundo, que recebem menos da metade da média salarial e estão expostas a condições precárias de trabalho. Dos quase 53 milhões de trabalhadores domésticos no mundo, 14% são brasileiros. Isso é consequência da nossa desigualdade. Se a diferença salarial não fosse tão gigantesca, apenas as pessoas com mais dinheiro teriam condições de contratar uma empregada, porque essas seriam muito mais caras. É o que acontece nos países ricos. Aqui é diferente (no Nordeste, por exemplo, a diferença de renda entre o 1% mais rico e os 10% mais pobres estava em 154 vezes, em 2012).
Em 2010, a média salarial de uma empregada doméstica era R$ 350 por mês. Abaixo do salário mínimo, que era de R$ 510. Mais de 70% não tinham (e continuam não tendo) registro em carteira. Ou seja, a mesma classe média que pede o fim da corrupção no governo não tem escrúpulo nenhum para desrespeitar leis.
Isso para não falar do trabalho doméstico infantil, que é trabalho escravo mesmo: há cerca de 250 mil crianças e adolescentes (94% meninas) realizando trabalho doméstico no Brasil. Isso não conta as meninas que "ajudam" na própria casa. Só as que trabalham em casas alheias. E os números são subnotificados, já que também são vistos como ajuda. Muitas vezes ajuda não da criança, mas à criança, que é alimentada e às vezes pode frequentar a escola. É uma ótica parecida com a exploração da doméstica adulta, exploração que muitas vezes é vista pelos patrões como ajuda, oportunidade.
A presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Creuza de Oliveira, foi uma dessas meninas. Baiana, ela começou a trabalhar como doméstica aos dez anos. "Fui vítima de espancamento, de assédio moral, abuso  sexual, ato libidinoso... a gente sabe que isso acontece, que no Nordeste as crianças e adolescentes domésticas comem o resto da comida da casa, para não jogar no lixo". Imagina o que isso causa para a autoestima de uma menina. "Elas crescem com complexo de inferioridade", diz Creuza.
Para ela, o trabalho doméstico nunca deixará de existir, mas diminuirá cada vez mais. Uma boa notícia é que há cada vez menos mulheres jovens entrando no mercado de trabalho como empregadas. Há mais domésticas com mais de 50 anos que com menos de 25. 231 mil empregadas trocaram de profissão entre 2011 e 2012. Esta é uma boa notícia não porque o trabalho doméstico seja menos importante que qualquer outro, mas porque, para muitas mulheres pobres e negras, até pouco ele era a única opção. 
Aqui em casa não temos empregada. Eu só teria se a necessidade de ter uma casa constantemente limpa fosse algo relevante pra mim, e se eu pudesse pagar bem. Como feminista, não me sentiria bem explorando outra mulher. E lamento que nessas horas, para algumas feministas, a defesa de classe (média) fale mais alto que a defesa de gênero. 
Mas também é preciso tomar cuidado com esse discurso de culpar as mulheres pela exploração de outras mulheres porque isso isenta os homens de culpa. Dizer que contratar e gerenciar domésticas é um assunto de mulheres é uma das formas de desvalorizar o trabalho doméstico e de perpetuar a divisão do trabalho.
Ainda me lembro quando cheguei a Fortaleza, quatro anos atrás, e tive que ouvir de uma mulher rica (nada feminista) o típico discurso preconceituoso da elite contra o Bolsa Família: “Ficam dando dinheiro pra pobre, e aí o pobre não quer trabalhar. Hoje em dia está impossível arranjar empregada. Ninguém quer, e olha que eu pago bem, salário mínimo!”
Ela não se deu conta que, se um salário está muito próximo do valor de um auxílio, o problema está na remuneração do salário, não do auxílio. Aposto como esta senhora também é contra o PEC das Domésticas, porque onde já se viu dar direitos trabalhistas para uma profissão cheia de mulheres pobres e negras?
O que nossa elite de passado escravagista não entende é que a diminuição da desigualdade social beneficia a sociedade como um todo, não apenas a parte mais pobre. Portanto, que aumentem o salário, os direitos, as oportunidades das empregadas. 

58 comentários:

Gleica Reinert disse...

Parece que você adivinhou que teríamos novidade hoje, segue:

Foi publicada no DOU de hoje (9.4.2014) a Lei nº 12.964/2014 que alterou a Lei nº 5.859/1972, que trata sobre o trabalho doméstico, para dispor sobre as multas e valores fixados às infrações a este tipo de trabalho.
Fica estabelecido que as multas e os valores fixados para as infrações previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) serão aplicadas ao trabalho doméstico, devendo ser observadas as seguintes regras:
a) a gravidade será medida considerando-se o tempo de serviço do empregado, a idade, o número de empregados e o tipo da infração;
b) a multa pela falta de anotação da data de admissão e da remuneração do empregado doméstico na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) será elevada em pelo menos 100%;
c) o percentual previsto na letra “b” poderá ser reduzido se o tempo de serviço for reconhecido voluntariamente pelo empregador, com a efetivação das anotações e o recolhimento do INSS devido.
Tais regras entrarão em vigor após 120 dias contados a partir de hoje.
Para mais informações, acesse a íntegra da Lei nº 12.964/2014.

HEADBANGER ZETA MGTOW disse...

''apenas 2,66% dos estudantes concluintes de medicina no Brasil são negros.''

é necessário fazer uma analise do porque as coisas são assim. eu percebo que os negros são parte da maioria desse país, junto com nordestinos(incluo nordestinos que estão no sudeste, porem racialmente nordestinos), e eles mesmo morando em favelas, se reproduzem sem freio e aumentam cada vez mais as favelas. com o bolsa família, eles se reproduzem apenas pra ganhar o bolsa família, e as favelas só aumentam. a culpa é do branco agora?

eu não sou conservador, naõ tenho ideal de família, não tenho ideal de racialismo branco, não defendo a direita política. porem obviamente, ta na cara que os negros continuam morando na favela porque não se controlam na reprodução. eu por exemplo, nao tenho condições financeiras pra ter filhos, casar etc entao não faço sexo, não corro o risco de engravidar uma mulher e ter que ir morar na favela? que negros pensam igual a mim? mesmo fazendo sexo, existe camisinha e o brasileiro comum costuma falar merdas como '''odeio camisinha''. quando algum brasileiro miscigenado fica com papo de ''camisinha é como chupar bala coberta com plastico'', eu rio por dentro da imbecilidade do povo desse país. sinceramente, to cagando e andando pra situação desse país, e o próprio povo tem o que merece, todas essas favelas são reflexo do próprio povo idiota.

Larissa disse...

Lola,

Eu te parabenizo por ter o sangue frio de permitir a publicação de certos comentários. De minha parte, eu tento ignorá-los, de tão idiotas que são.

Também não tenho empregada. Acho que a revolução começa com cada um de nós. Para que eu preciso de empregada? Para não precisar gastar 10 minutos por dia lavando louça? Para não precisar gastar 2 horas por semana limpando a casa? Para não precisar conviver com nenhum graozinho de poeira sequer? No meu trabalho, sou considerada um ser bizarro. Tenho uma colega lá que diz com orgulho que jamais fez uma faxina. Para mim equivale a precisar de alguém para me dar banho. Lembra as "lavadores do pênis real" em Um Príncipe em Nova York.

Nossa cultura escravagista e machista ensina que trabalho doméstico é trabalho inferior -- não é por acaso que as domésticas são negras e mulheres. Sou mulher, meu companheiro é homem, ambos somos muito bem empregados, e acreditamos que cuidar pessoalmente e juntos de nosso lar é um ato político de extrema importância em nosso país.

Jane Doe disse...

Acho que pra melhorar a situação das domésticas é necessário primeiro mudar a ideia de que trabalho doméstico e algo degradante. Me parece lógico que se você come num prato, você pode muito bem lavar a louça, se você dorme numa cama, você pode muito bem trocar seus lençóis. É chato, é... também detesto serviço doméstico, mas prefiro faze-lo do que viver na sujeira - e olha que maravilha - nunca perdi um pedaço do meu corpo por isso.

Outra coisa - se numa casa vivem 2, 4, 6 pessoas todos devem contribuir, já que todos usufruem do espaço. Crianças podem aprender desde pequenas a guardarem seus brinquedos e levarem seus pratos da mesa para a pia.

Filhos deveria ser do casal - logo tudo o que é relacionado a eles deveria ser dividido também.
Além disso é uma vergonha num país onde se paga tanto imposto não se ter creche decentes e suficientes. Assistência decente a infância também reduziria o número de babas sendo exploradas.

Idosos - esse assunto nem aparece, mas quem tem que cuidar de um idoso sem ajuda NENHUMA as vezes também se vê obrigado a manter um subempregado para dar conta do recado.

Acho que a situação atual das domésticas é resultado de inúmeras falhas estruturais que começam dentro da casa de cada família, passa pela velha equação mulher= obrigação absoluta com a casa e cuidados dos parentes e termina na falta de uma máquina social decente.

since199o disse...

Lola, quer saber? A verdadeira "elite" não se importa com essas coisas, pois tem total condição de pagar uma, duas, três empregadas domésticas com tudo nos conformes. Sabe quem eu realmente vi reclamar da PEC? A classe média assalariada! Sim, aqueles que se acham bons demais para pegar num esfregão na própria casa, cheguei inclusive a ter uma boa discussão com uma dessas pessoas, porque se achava boa demais para limpar a casa e que empregada, por "não ter estudado o suficiente", não merecia o que eles chamam de "regalias". Ela inclusive disse que acha absurdo uma manicure cobrar 20 reais para fazer mão e pé, e por aí vai...



Enfim... Ah, Lola... "ta na cara que os negros continuam morando na favela porque não se controlam na reprodução." que p**** é essa? Te admiro por aguentar esse tipo de comentário em seu blog, blergh.

Maria Valéria disse...

Minha irmã mora em Londres.
Lá, tem empregada só quem e rico,porque custa caro,
Limpar a sujeira dos outros custa caro lá e deveria custar caro aqui.
Se nao me engano,o preço de uma faxina em Londres e 8- 12 libras por hora ( (30 a 50 reais por hora ) , e nao pensa que ' faxina ' lá é arrastar móvel carregar peso, lavar banheiro etc...
Que nada, ' faxina ' lá é lavar uns pratos, passar um paninho úmido nos móveis e só. se vc quiser alguém fazendo mais que isso, ha vai te custar MUITO CARO..minha irmã nao tem empregada e duvido que ela conheça alguém que more lá e que tenha,

Zrs disse...

Perfeito Lola, perfeito.

Anna Clara disse...

Tb acho que devemos parar como sociedade ver o trabalho doméstico como algo degradante!

Tb acho que deveríamos parar de ver a empregada doméstica como empregada particular, ela está lá para trabalhar na casa, e não tipo...um mascote.

Digo isso pela minha mãe, que acha que só pq sei lá a empregada, come com a gente, ou sei lá, usa o banheiro, ela é "amiga" da empregada e com isso pode explorar ela, pq a moça não pode dizer 'não' pq é "falta de consideração com a amizade".

"Amizade" que só beneficia um lado! É feio! muito feio e vejo isso na mentalidade de muitas pessoas que tem empregadas domésticas

Helen Pinho disse...

muito bom ver esse assunto em pauta novamente. fico horrorizada com o quanto da cultura escravista está em nossa cultura ainda. como ainda temos capacidade de "argumentar" alguma coisa para tentar explicar a exploração e degradação das trabalhadoras domésticas. pessoalmente acredito que se considero justo eu ter direitos trabalhistas, não posso nengar os mesmos direitos para quem eu contratar, aquela velha máxima, faça pelos outros o que gostaria que fizessem por ti.

Luana Bogos disse...

Boa tarde Lola!!

Venho de família pobre, de muitas dificuldades. Minha mãe era empregada doméstica até pouco tempo atrás e foi demitida antes que a "lei das domésticas" entrasse em vigor, pois teve como alegação de seu empregador que os encargos trabalhistas que se seguiriam ao seu registro seriam altos demais. Pediu a minha mãe que continuasse trabalhando somente 1 vez por semana, para que não houvesse vínculo empregatício. Hoje ela trabalha como diarista e em várias casas, uma por dia. Não é juso que ela tenha que trabalhar sem registro e sem direitos, mas como não estudou, não terminou o colegial por falta de oportunidade, pois sempre precisou trabalhar para ajudar a sustentar sua família e um avô que faleceu de Câncer e mais 7 irmãos, tem como opção apenas o trabalho de diarista. Somos em 3 irmãs, que mesmo com muita dificuldade fomos criadas com o salário de doméstica de minha mãe e o de motorista do meu pai. Fiz muita faxina aqui em São Paulo quando não conseguia emprego como auxiliar de enfermagem. Foi o emprego de diarista e faxineira que não me deixou faltar nada enquanto estava sem serviço na minha área e foi com ele que me sustentei bor um bom período de tempo enquanto estudava, pois consegui bolsa do PROUNI para cursar enfermagem. Sou enfermeira, pós graduada, cursando docência hoje, e tenho muito orgulho de tudo o que precisei fazer para chegar até aqui, fui doméstica sim, ganhava pouco e me sentia explorada, mas foi isso o que me deu o alicerce de minha vida profissional. Sou branca, mulher, mãe, profissional e feminista, a favor da luta por melhores condições de vida para as mulheres e trabalhadoras, sejam elas da cor que forem, da etnia que tiverem, mas ainda acho que o Brasil tem muito o que melhorar!!

Parabéns pelo blog Lola!!!

Ju disse...

jjkjhhkjh

Marcelo Veigt disse...

Pelo que parece estou contribuindo para precarização.

Divido minha casa com meu irmão, pagamos uma empregada 150 reais pra vir uma vez por semana, resumindo o acordo, desde que ela faça o que tem que fazer( lavar roupa, louça e a casa de forma geral), ela pode chegar o horário que quiser e sair o horário que quiser, sem restrições de intervalos ou qualquer coisa do tipo.

Eu até penso em não ter empregada algum dia, quando morar sozinho, afinal meu irmão quer manter o serviço, e limpar a minha bagunça e a bagunça do meu irmão e de graça é muito desanimador, haha

Unknown disse...

Concordo que ajudaria muito se atividades domesticas parassem de ser vistas como algo degradante. Tive empregada em casa desde que eu nasci ate uns 17 anos. A empregada cuidava das roupas em geral e da area externa da casa e muito raramente cozinhava. Minha mae sempre mandava a mim e minhas irmas lavarmos as proprias calcinhas, lavar banheiro, varrer a casa, lavar loucas. Eu achava um porre, mas desde que vim morar na Europa, agradeco cada vez que fui ensinada direito a esfregar um chao, um vaso, a lavar qualquer coisa. E muitas vezes ate quero voltar no tempo pra ter aproveitado e aprendido a cozinhar, como minhas irmas fizeram, pois tive que aprender na marra a fazer uma comida decente.

O curioso eh que tenho uma housemate alema e por onde essa menina passa, tudo eh um brinco. Morava quase em Berlim e, nao era rica, mas vivia bem e foi ensinada desde cedo que, se estiver precisando de dinheiro e a solucao vai ser limpar privada de hotel, ela nao pensa duas vezes e vai.
Meu namorado, 100% europeu e nenhuma mistura de etnias ha geracoes, cozinha, lava as panelas, lava a roupa suja, lava banheiro.
Empregada aqui eh uma realidade distante e, mesmo que fosse acessivel, eles nao precisam, sabem se cuidar. Empregada so eh contratada quando se tem filhos e o casal eh ocupado demais, por exemplo.
Das vezes que mencionei que tive empregada, ficam espantados imaginando que eu devo ser muito rica, mas eu explico que nao eh verdade. A razao de ser tao facil ter empregada no Brasil eh justamente o fato da profissao ser um subemprego, cheio de concessoes por sobrevivencia e inconsciencia dos proprios direitos (que os patroes fazem questao de perpetuar).

Pensando nisso, so consigo sentir pena ao lembrar dos muitos classe media que conheco que fazem a empregada ate de mordomo, mandando trazer copo de agua.

Que a PEC se fortaleca, que as empregadas domesticas nao sejam exploradas e que essa gentalha que se acha muito nobre pra lavar um prato enxergue que os europeus, geralmente associados a riqueza e qualidade de vida, nao tem o menor problema em lavar louca, banheiro, roupa e afins.

Relicário disse...

Ótimo texto, parabéns! Eu tenho 03 filhos e um diarista que vem duas vezes por semana, pago bem, pelo menos considero que sim, minha diarista ganha mais em dois dias do que uma empregada ganha num mês, valorizo, porque ela faz o que não posso fazer, estar presente cuidando dos meus filhos, mas o meu ideal é não precisar mais, no momento em que meus filhos, todos possam ficar em casa sozinhos.

Com relação as questões levantadas em alguns comentários, tem que ter estômago...se bem que a direita vem perdendo a vergonha na cara há algum tempo e expondo todo seu racismo, preconceito e sentimentos escrotos sem o menor pudor...

nadiaschenker disse...

Aqui em casa eu saio pra trabalhar fora e meu marido optou em ficar só com os serviços domésticos. A casa fica mais ou menos, já que esta é a primeira experiência dele fazendo esses serviços domésticos(cresceu sem lavar nem um prato enquanto eu era menina e tinha que ajudar minha mãe - affff). Mas ele curte bastante cozinhar, por exemplo. Enfim, parabéns pelo post, muito massa!

aproveitando: vejo aí nos comentários que tem um tal Headbanger reaça. Infelizmente eu tenho que reconhecer que tem muito headbanger reaça hoje. Muito me entristece tamanha burrice, pois o rock´n´roll é do Chuck Berry e TUDO veio dele e dos negros do blues!!! Não cola esse mimimi dos reaças do rock.

Raven~ disse...

Obrigada por esse texto Lola. Hoje mesmo tive um debate com uma amiga sobre questões bem próximas. Vou mandar pra ela.

Raven~ disse...

Ih Lola viajou e comentários tão liberados. Run to hills!

Aliás me desculpe Lola. Dia 8, tava um calor do demonho. Hoje que vc chegou, esfriou. =(

Amelie disse...

Marcelo, 150 para cada vez que ela vai ou pelo mês inteiro???

Amelie disse...

Unknown,

por que você acha relevante mencionar que seu namorado é "100% europeu e nenhuma mistura de etnias ha geracoes"?

pergunta honesta, quero entender o que vc quis dizer.

Gle disse...

Nadiaschenker, também fico triste quando vejo esses "headbangers" dessa forma. Eu fui, sou e sempre serei amante do Rock n' Roll, Hard Rock e até mesmo do Heavy Metal, e te garanto que já conheci "headbangers" fantásticos. É uma pena que este carregue este apelido dessa forma.

Job Mendes disse...

Acho mó graça do pessoal usando os europeus como "modelo de cidadania".
Teve uma que escreveu "os europeus, geralmente associados a riqueza e qualidade de vida, nao tem o menor problema em lavar louca, banheiro, roupa e afins."
Acordem gente! Os europeus ACABARAM com a África e quase conseguiram fazer o mesmo com as Américas, só deixaram de chupar o sangue do continente africano há menos de 50 anos e por conta disso que estão atualmente em crise, já que jamais tinham ficado um ´seculo sequer sem parasitar alguém ou alguma coisa!
Se eles são cidadãos cultos, finos, educadinhos e conscientes dos seus direitos, não esuqeçam que tiveram 10 mil anos para se aprefeiçoar e só conseguiram chegar no nível atual nos últimso 40 anos, após o fim da colonização.
Nós até podemos ser sociologicamente mais atrasados que eles, mas só temos 500 anos de existência "ocidentalizada", então penso que estamos num caminho bom, não precisaremos de 10 mil anos!

Job Mendes disse...

Ah, e sobre o post (rsrsrs desculpa, me irrito com pessoas idolatrando "europeus de linhagem pura sem mistura de raças"...), é mais uma prova de que, com muito menos de 10 mil anos de evolução, o Brasil está caminhando (lentamente) para um nível civilizado. Vai demorar sim, talvez mais uns 300 anos, mas chegaremos lá (em bem menos tempo que a Europa bonitinha, educadinha, branquinha e purinha, mas que repousa sobre um colchão muito bonito e confortável por fora, mas recheado de muuito sangue, ossos e vísceras de milhões de negros, índios, orientais e etc dos quais sugou o sangue por milênios). A condução das empregadas domésticas brasileiras ao patamar de SER HUMANO é uma grande conquista nossa.

Julia disse...

Maionese, estou cagando e andando pras besteiras que você escreve mas dizer que nordestino é raça é de lascar. Nordestino é quem nasce no Nordeste, que é composto por 9 estados e milhões de pessoas. Brancas, negras, pardas, mamelucos, indígenas e etc. É uma demarcação geográfica. Apenas.
Não vou rebater a sua análise social e econômica falha porque afinal de contas você é um maluco. Mas do meu Nordeste você lave a sua boca pra falar, seu ensebado.

Parece americano falando de mexicano. Era só o que faltava.. Mas esses eu mando só a merda.. em inglês, claro.

Unknown disse...

"Unknown,

por que você acha relevante mencionar que seu namorado é "100% europeu e nenhuma mistura de etnias ha geracoes"?

pergunta honesta, quero entender o que vc quis dizer."

Achei relevante destacar nao porque me acho muito especial de namorar uma pessoa assim e quero espalhar pra todo mundo. Achei relevante porque eh muito comum na Europa que europeus nascidos e criados aqui tenham familias de origem de outros lugares, como europeus de ascendencia marroquina, turca e afins. Culturas essas onde o ajudar dentro de casa esta presente desde cedo.

Nao escrevi meu comentario pra ser mais uma que ve a Europa como o modelo de sociedade e cidadania a ser alcancada, mas para fazer um mostrar o que se ve num pais desenvolvido em relacao aos direitos trabalhistas das empregadas (e o ajuste da sociedade frente a isso) e a realidade que eu vejo e vivo no Brasil.


Julia disse...

Boa observação, Job.
Muito fácil ficar idolatrando hábitos europeus e americanos (dos EUA).

Juba disse...

Concordo em parte com o Job: a Europa é um cobertor curto. Quando não é machista, é racista, etc etc etc

Aqui adotamos a divisão de tarefas, incluindo todos, inclusive as crianças. Só que, sinceramente, acho quase impossível viver bem sem ajuda, sem surtar, enquanto se tem bebê pequeno, principalmente se for mais de um.

O nosso modelo familiar mudou, avós trabalham fora, ou cada um em uma cidade, não temos irmãos, primos, ninguém por perto. Não alguém pra ser explorado continuamente, mas aquela ajuda básica em um dia mais difícil, por mais que as tarefas sejam divididas, adiadas ou o que seja. A licença paternidade é ridícula de tão curta, o puerpério acaba sendo um período solitário, difícil, ainda mais se o nascimento foi cirúrgico.

Dizem que é necessária toda uma aldeia pra criar/educar uma criança, e é bem verdade.

A solução aqui foi, sim, contratar ajuda, pagando o máximo que podíamos, recolhendo inss, pagando os demais direitos, etc. Hoje não precisamos mais, mas foi fundamental durante algum tempo.

Nola disse...

Job Mendes,

Se os europeus conseguiram o que tem colonizando outras nações, ainda assim a frase "os europeus, geralmente associados a riqueza e qualidade de vida, nao tem o menor problema em lavar louca, banheiro, roupa e afins." está correta. O que uma coisa tem a ver com outra?

Entendi como um contra argumento à motivos que levam as pessoas a não quererem limpar a própria sujeira aqui no brasil.

Akiko disse...

Olá! Talvez aqui não seja o melhor local para perguntar sobre isso, mas vc fez um comentário sobre o trabalho doméstico infantil e eu queria saber mais sobre isso. Pq, por exemplo, vc colocou o "ajudam" entre aspas nesse trecho abaixo?

"Isso para não falar do trabalho doméstico infantil, que é trabalho escravo mesmo: há cerca de 250 mil crianças e adolescentes (94% meninas) realizando trabalho doméstico no Brasil. Isso não conta as meninas que "ajudam" na própria casa. Só as que trabalham em casas alheias."

Obrigada!
Kátia

Joanna Teixeira disse...

Mas aí entra a educação de merda que é o Brasil, a porcentagem de analfabetos é enorme, vc acha que vão saber usar métodos contraceptivos direito? Se nem gnt que tem educação sabe usar, imagina eles
Nessa hora que a gnt deve se perguntar cadê o planejamento familiar nas favelas?
A gente vê casos de casais tendo filhos como se fosse boneco, mas como eles vão ter discernimento para entender a seriedade do ato, se não aprendem nem o basico?

Raven~ disse...

*to the

Jefferson Diego Oliveira Ribeiro disse...

Meu Deus, eu realmente li isso???

HEADBANGER ZETA MGTOW disse...

''aproveitando: vejo aí nos comentários que tem um tal Headbanger reaça. Infelizmente eu tenho que reconhecer que tem muito headbanger reaça hoje. Muito me entristece tamanha burrice, pois o rock´n´roll é do Chuck Berry e TUDO veio dele e dos negros do blues!!! Não cola esse mimimi dos reaças do rock.''

não veio só dos negros, veio de várias influencias diferentes. desdo blues dos negros, ate o neo-classico dos brancos. é uma mistura de tudo isso sendo tocado com guitarras distorcidas. por exemplo, bandas de death metal, black metal e doom metal que soam sombrias, com certeza tem alguma influencia das melodias do neo-classico

eu não sou reaça, sou apolítico. apenas fiz uma reflexão racional sobre a situação dos negros no brasil. voces esquerdistas que veem esse tipo de opinião como sinonimo de reacionarismo. na verdade eu não me encaixo na política, assim como naõ me encaixo nas religiões. eu procuro ser egoísta e focar apenas em mim mesmo. porque o heavy metal deveria ser filantropico e extrovertido? existem bandas de metal que soam extremamente introspectivas, misantropicas, voltadas para o neo-classico, um exemplo disso, o album que estou ouvindo agora SYMBOLIC do DEATH, é um album que não tem nada a ver com esse rock n' roll lixo de bandas como beatles e rolling stones. DEATH da FLORIDA, sempre fez música introspectiva, focada em melodias de neo-classico nos albuns dos anos 90, uma das musicas fala misantropia. é esse tipo de metal que eu gosto, metal voltado pra melodias sombrias e introspectivas. não tem nada a ver com essa cultura rock, drogas e sexo. ao contrario disso, é pura misantropia.

Julia disse...

Joanna, o Maionese é maluco. Qual é a sua desculpa?
Espero que você use métodos contraceptivos direitinho pra não se reproduzir também.
Com o Maionese não preciso me preocupar com isso..

Julia disse...

Criar uma criança é realmente trabalho de muitas pessoas, não só de duas, muito menos de uma, a mãe no caso, que é quem mais é exigida normalmente.

Juba disse...

Julia, aqui o pai foi quase tão exigido quanto eu mesma, só não amamentou por razões biológicas. Realmente, duas pessoas ainda são pouco, pelo menos nos primeiros 18 meses ... E ele teria amado passar uns meses com as filhas, e eu teria amado voltar a trabalhar sabendo que elas estariam com ele. Quem sabe xs filhxs delas terão uma primeira infância melhor - tenho esperança de que as licenças parentais avancem.

Abraços

sheldon end disse...

que absurdo existir empregadas domésticas,afinal,elas trabalham de graça,revoltante mesmo.

engraçado vcs comemorando pq esse trabalho n faz ser mais menosprezado,enquanto vcs menosprezam ,uma ai dizendo q é ato politico n ter empregada,é humilhante demais trabalhar na casa dos outros.
coerência passou longe.


"A gente vê casos de casais tendo filhos como se fosse boneco, mas como eles vão ter discernimento para entender a seriedade do ato, se não aprendem nem o basico?"


mais vitimismo,tem que ser ensinado que se vc mal tem dinheiro para si,n vai ter para um bando de filho? é muito óbvio.
parem com a lenga lenga de que o povo n tem informação,o problema é que muita gente n quer usar camisinha,é como o cara falou ai,dizem que n gostam,parece que ta chupando bala e outras baboseiras.
estão pouco se lixando para doenças e filhos indesejados e quando engravidam vem com o famoso "aconteceu","foi sem querer" como eles n tivessem nada a ver com a história,

aiaiai disse...

Excelente texto, Lolinha. Muito oportuno trazer o assunto de volta, pq acho q o povo esqueceu. Mas a Lei está sendo regulamentada e o debate está sendo feito. acho que isso é importante para a gente evoluir nessa questão, e em outras.

para o comentarista q disse "eu não sou conservador, naõ tenho ideal de família, não tenho ideal de racialismo branco, não defendo a direita política. porem obviamente"

sugiro que vc veja esse videozinho aqui, querido:
https://www.youtube.com/watch?v=LzeYGN2cJL8

aiaiai

nadiaschenker disse...

KKKKKKKK!!!! Ah é Headbanger introspectivo(uau)!!! Sim, claro. As suas músicas introspectivas "nada têm a ver com tudo isso que aí está". Claro, alguém deveria dar um prêmio ao Death (ou aos membros sobreviventes), pois, apesar de ninguém saber disso, eles "inventaram" um estilo "do nada"!!!! KKKKK!!! Ou melhor, do "neoclássico". KKKKKKK!!!!!!! Poutz. Ou como diz uma colega aí em cima...aiaiai...
Pobre do Chuck por ter um fã reaça...Coisa que eu duvido que ele fosse...
Ah, considerando a excelente opinião emitida acima, devo dizer que nunca achei, nem um pouquinho, que você fosse politizado viu, nem mesmo de direita. Aliás, vc deve entender de política tanto quanto entende do rock´n´roll (ou melhor, do "metal misantropo"KKKKK.

Raven~ disse...

Death é uma bosta.

lia38 disse...

Muito bem, agora que ja criei o perfil, posso falar:

- Eu moro na França, e graça aos céus hoje tou super bem. E pago uma moça para limpar minha casa 2 horas por semana... e pago o que deve ser pago ( a hora dela + direitos trabalhoistas).

Mas cheguei na França sem um centavo. E fiz MUITA faxina pra não passa necessidade. E birgadajesuis, aqui é tudo regularizado, e sempre me pagaram corretamente ( 10 euros a hora) , mas tenho certeza que se existisse a possibilddade de explorar, certeza que os europeus maravilhosos, teriam me explorado, e e que eu teria aceitado, porque estava na merda memso. Mas a lei estava do meu lado, e graças a faxina, não passei fome e tive como pagar meu aluguel durante algum tempo.

Então: ja fiz faxina, hoje tenho quem faça pra mim. E é duro? Claro que sim. Mas o problema é explorar as pessoas, e não em ter "alguém que limpe minha sujeira". Oras bolas, se ta tudo certo pagar alguém para fazer minhas unhas, porque não lavar os pratos? porque lavar prato é mais humilhante? Acho horrivel pensar isso porque diminui quem faz esse serviço.

Acho o seguinte: tem que regularizar pra ontem a situação das empregadas no Brasil, pois é um primeiro passo pra diminução das diferenças gritantes que temos no Brasil.

E CLARO: dividir as taredas com a homarada. Era só o que me faltava.

E para quem disse que namora com europeu e que muitos imigrantes tem o cutume de fazer tudo em casa: olha, homens de origem turca,marroquina, algeriana e afins não limpam nem a propria bunda, porque vem de uma cultura extremamente machista, que faz o brasil parecer um país legal com as mulheres.

Maria Valéria disse...

Lia 38

Eu nao acho que " limpar a sujeira dos outros e um trabalho humilhante,
Humilhante e vc limpar a sujeira dos outros sem receber um pagamento justo por isto, receber um salário de miséria porque alguém acha que seu trabalho de " limpar a sujeira do outro " vale menos,
Quer que alguém limpe a sua sujeira ? Pague de acordo com o que esse trabalhador merece, ou pare de reclamar, arregace as mangas e vá limpar você mesmo.foi isso que eu disse,
;)) beijos

Julia disse...

Também não entendi a relação entre a ascendência turca e marroquina com "ajudar" nas tarefas domésticas. Achei que esses países fossem machistas e que essas tarefas não fossem vistas como de homem, assim como é no Brasil.
Perdi alguma coisa?

Julia disse...

Sheldon, não trabalham de graça mas recebem uma mixaria porque há pessoas que acham que não é um trabalho que mereça ser bem pago, muitos acham que não merece ser nem pago, um prato de comida e uma cama já é suficiente, a maioria não tem seus direitos respeitados. Mas se você tivesse lido o texto você já saberia disso, né? Ou sua capacidade de interpretação é falha assim mesmo?

Job Mendes disse...

"Entendi como um contra argumento à motivos que levam as pessoas a não quererem limpar a própria sujeira aqui no brasil."
Não foi isso que eu quis dizer Nola, mas deixa pra lá.

Marcelo Veigt disse...

Amelie, 150 cada vez que ela vai.

kateav disse...

Ih Lola não tá mais aceitando comments anônimos nem com apenas nome? Nos posts mais "polêmicos", pode complicar pra algumas meninas que querem manter o anonimato.

Sara disse...

Poxa Lola parece q vc mudou sua posição em relação a essa classe de trabalhadoras, que pelo menos da minha parte tem todo o meu respeito.
Como sempre fiz o serviço doméstico aqui de casa, sei valorizar essa classe, e não posso entender como elas não tem os mesmos direitos q todas as outras classes de trabalhadores.
Quando vejo amigos tentando burlar as leis em prejuízo de suas empregadas domésticas, não tenho papas na lingua em criticar em alto e bom som.
Nesse ponto concordo com vc, o desrespeito que muitos ainda tem com as trabalhadoras deve ser herança cultural, que tem q acabar.
Afinal esse trabalho é importantíssimo pra infra estrutura de muitos lares, e deve ser valorado.
Tenho faxineira diarista, uma vez p semana, pago muito acima da média, e sei q por isso e pelo tratamento respeitoso q dispenso a ela , tenho uma profissional que se esforça em me atender bem.

André disse...

Matéria do jornal local dizendo que muitas fábricas estão mantendo máquinas paradas por falta de mão-de-obra para operá-las. Segundo o diretor, falta mão-de-obra especializada que possa ser contratada e começar a produzir com elevado nível de produtividade. O desgraçado nem considerou a possibilidade de investir em treinamento. Detalhe: o salário é de R$1.100,00!!! Capitalismo selvagem.

Amana disse...

Isso aí.

Moro sozinha, e em alguns momentos na última década tive faxineira quinzenal.
Recentemente, precisei dispensar a moça que fazia essas faxinas, porque estava sem dinheiro para pagá-la.
Ao mesmo tempo que sei que posso me organizar para fazer o serviço doméstico satisfatoriamente, sempre me pergunto sobre a importância desse $ para quem faz o trabalho. Essa moça que fazia faxina aqui está estudando num curso técnico noturno de enfermagem, e não pretende fazer faxinas pro resto da vida (como vc traz em seus dados). Assim, acho que há matizes nesse tipo de contratação. Jamais contrataria alguém para estar o tempo todo em minha casa, por exemplo. Também sou atenta às demandas que faço a essas profissionais: não peço para cozinharem, não deixo a casa uma zona, nunca deixo louça acumulada na véspera da faxina, sempre ofereço almoço, etc. Pago o valor que elas cobram, disponibilizo os produtos de limpeza que elas pedem (mesmo sendo mais caros). Mas acho plenamente viável cuidar de minha casa sem precisar pagar alguém para isso, como tenho feito ultimamente.

Esse tema sempre me mobiliza.
Obrigada pelo post!

Unknown disse...

Respeito a tua opinião, mas não empregar ninguém em casa não tem nada de político ou revolucionário - é apenas uma decisão pessoal. Tu já pensaste que poderias estar gerando um emprego na tua própria casa?

Eu não tenho condições de empregar ninguém com a nivel de remuneração que eu e minha esposa temos combinados e considerando os futuros dispêndios que temos planejados. Ou seja, para nós é apenas uma decisão econômica.

Se, por qualquer motivo que seja, tu precisares de ajuda em casa e tens condição de pagar, por que não? O trabalho doméstico só é subemprego se for mal pago, não registrado, sem recolhimentos, não tiver condições sanitárias, não houver fornecimento de itens de proteção pessoal, etc.

Larissa disse...

Lola sempre faz isso quando viaja, creio!

Larissa disse...

É ato político sim. É resistência à pressões sociais fortes - da família, de colegas de trabalho e amigos. Ninguém entende por que eu me recuso a gastar míseros 100 reais por semana com uma faxina. Recuso porque acho pouco e não acredito em fazer esse sacrifício moral para não lascar a manicure. E não pago mais porque não vejo necessidade do sacrifício financeiro que seria para mim pagar um salário justo pela hora de trabalho de uma pessoa.

É claro que há pessoas e circunstâncias em que é necessário ter um empregado doméstico. Ouso dizer que são vastamente minoria, e que a maioria das pessoas tem preguiça de lavar louça e varrer. Agora, concorda que lavar louça e varrer não dá esse trabalho todo? Ainda mais se dividindo tarefas entre as pessoas da casa? Então como é que faz para pagar um dinheiro decente pra alguém fazer isso por você? "Ah, mas a minha faxineira quando vem esfrega até o teto." Realmente, não esfrego meu teto e não vejo valor na esfregação semanal do meu teto, não suficiente que me motive a pagar um salário decente a alguém que irá se dispor a fazer esse trabalho.

E não acredito em gerar emprego por gerar. Essa é a desculpa esfarrapada do "estou ajudando". Igual a Nike ajuda criancinhas na Ásia.

sheldon disse...

mixaria? pois eu sei de gente que cobra 50 por cada faxina,isso n parece mixaria para mim.

Anônimo disse...

tem gente que acha que humilhante trabalhar na casa dos outros,n sei pq.

mas esse tipo de emprego ,tem as mesmas palhaçadas dos outros,eu já tentei arrumar uma faxina e n consegui,vi em sites e a maioria pedia experiência e achei uma que n pedia e n me contrataram pq segundo eles, eu tinha qualificação demais,segundo grau e curso de informática.

Anônimo disse...

“Antes da PEC, por lei, toda empregada doméstica deveria ter carteira assinada, férias, 13o, recolhimento do INSS para que pudesse se aposentar no futuro. O artigo 7o da Constituição Federal garantia esses direitos, mas não obrigava os patrões a concedê-los.”

Bom, agora uma pergunta importante: será que essa regulamentação também vai afetar para melhor as péssimas condições de trabalho que o pessoal jovem da área de humanas enfrenta em seus trabalhos? Sim, porque apesar do “glamour”, muita gente que trabalha na área de comunicação como jornalismo e publicidade acaba sendo submetido a regimes tão ou mais exploratórios e informais do que os da empregadas. Ou então acabam em situações precárias, como a do famoso “pejotinha” que é de jure uma “mini empresa” mas de facto é um funcionário com horário de entrada mas sem horário de sair e com 15 minutos de “almoço” que consiste num pedaço de pizza ou salgadinho consumidos rapidamente na própria mesa de trabalho…

Anônimo disse...

Outra coisa: quando vão tornar o cumprimento dos salários mínimos estaduais como algo obrigatório? Falo isso porque já ouvi falar que apesar de o salário mínimo paulista ser de um determinado valor (mais alto do que o federal), empresas de telemarketing da capital oferecem tão somente a seus funcionários o salário mínimo em seu valor nacional… e parece que não acontece nada de mais a elas por causa disso.

Náy disse...

Adorei o post!Há tempos aguardava por ele.Sou filha de empregada doméstica.A minha mãe trabalhou desde a adolescência limpando a casa dos outros,mas recentemente mudou de área(embora continue na limpeza).Ela sempre se sentiu humilhada, tratada como escrava e não como profissional,tanto que em mais de 25 anos de profissão como doméstica, nunca teve a carteira assinada.Foi assinar agora, em seu novo emprego.Felizmente, não preciso trabalhar como doméstica, embora tenha feito algumas faxinas quando estava desempregada e pode comprovar o quanto não é valorizado o profissional dessa área.Mesmo assim, confesso que eu queria ter, ao menos, uma diarista pra dar uma limpada na minha casa uma vez por semana.Não é fácil cursar faculdade, cuidar da casa e de um bb completamente sozinha.Não tenho tempo pra nada e a minha casa vive praticamente um chiqueiro.Uma diarista semanal me ajudaria muito.Mas não contrato uma justamente por não ter condições de dar uma remuneração condizente com o trabalho.

Anônimo disse...

A terceirização agradece esta zorra ai, parabéns partidão, desde 1980 fazendo merda.