sábado, 19 de abril de 2014

GUEST POST: VÍTIMAS SE COMPORTAM DE FORMA DIFERENTE

A A. me enviou este relato muito interessante sobre o abuso que sofreu. Mais ainda do que isso, é uma reflexão sobre como não existe uma única forma de superar um abuso. Exigir que vítimas sigam um roteiro (mesmo que seja o que nos parece o roteiro certo, como o da denúncia) não deixa de ser uma imposição.

Gosto especialmente da sua coragem em problematizar certos pontos. Nem sempre concordo com você, óbvio, mas sinto uma grande honestidade da sua parte em questionar, às vezes, tendências do próprio feminismo. Você é uma pensadora que se arrisca, e eu me identifico com isso.
É complicado falar disso porque eu não sei se resolvi totalmente essa questão na minha cabeça. Também tem o fato de eu sofrer com isso. Mas vou tentar desenvolver um pensamento o mais racional possível, porque eu sinto que, tendo vivido e sobrevivido a isso, e sendo uma pessoa inclinada à crítica, eu tenho condições de refletir a respeito num nível mais profundo.
Gostaria de ressaltar que não se deve exigir NADA de uma vítima. Se ela deseja a morte de quem lhe causou um mal tão grande, que seja. Se ela deseja cadeia, que seja. Eu sei o que é desejar isso e me sentiria novamente violada se alguém me julgasse por isso. Quem nunca passou por uma situação dessas não faz ideia de quão devastador pode ser um estupro. Já cheguei a imaginar planos para matar meu estuprador, que era ninguém menos que meu irmão mais velho. 
Já me imaginei comprando passagem de avião secretamente e matando-o a facadas em frente ao portão, sem me importar com o que isso causaria a sua esposa e a seu filho. Felizmente ele morreu num acidente antes que uma depressão mais severa me levasse a cometer essa burrada (no meu caso, vejo que seria uma burrada, porque eu não gostaria de definir meu futuro dessa forma; sou muito mais que uma vítima de estupro e não quero habitar esse lugar de eterna vítima).
Uma coisa que eu logo percebi quando comecei a enfrentar o assunto é que vítimas podem se comportar muito diferentemente: umas se tornarão para sempre perturbadas; outras terão de lutar bravamente para manter um equilíbrio possível (eu me vejo assim); outras ainda não acharão que aquilo tenha sido o pior por que passaram (fiquei chocada há um tempo lendo uns relatos de mulheres que diziam não ter ficado tão marcadas assim pelo abuso -- sem dúvida uma perspectiva complicada, mas o que se vai fazer? Duvidar do caráter dessas mulheres?). 
Então não dá para reduzir a vítima a um conjunto fechado de características. Nesse ponto, achei muito interessante o que disse a Natascha Kampusch sobre seu drama. As pessoas queriam que ela se comportasse de determinada forma, que execrasse seu algoz e se fizesse de coitada. E ela sentiu que essa pressão era uma violência perpetrada pela sociedade. Ela se recusou a desconsiderar a complexidade de seu sequestrador, se recusou a vê-lo como um monstro. E disse que considerar um homem como Wolfang Priklopil como um ser desprovido de humanidade é uma forma de a sociedade alimentar sua própria hipocrisia, de ignorar que o mal a permeia em diferentes níveis.
Outro ponto. Eu acho que entendo que um abuso sofrido na infância possa te trazer tanta perturbação que você se sinta impelidx a repetir o abuso, especialmente se você não tiver nenhum suporte psicológico. Sabemos que entre garotos abusados isso é bastante recorrente. Por outro lado, as meninas tendem a ser eternamente abusadas. Não é uma regra, mas é uma tendência. Não sei se isso pode ser explicado por algo que diga respeito ao machismo; fato é que em geral meninos e meninas incorporam a estrutura do abuso de maneiras distintas.
Alguns meninos tendem a alimentar a cadeia se tornando abusadores; meninas tendem a reviver psicologicamente o abuso e a se tornarem repetidamente vítimas (algo como atrair ou permitir abusadores, certamente por sua autoestima destroçada e sua ideia de "merecimento" do abuso).
Atualmente eu não sinto ódio (claro que esse sentimento pode voltar; provavelmente não sinto ódio hoje porque estou num bom momento). Mas eu sinto uma angústia pela lacuna. Não sei o que o levou a fazer isso comigo. Sei que ele se arrependeu (ele me pediu perdão quando eu tinha uns 12 anos; os abusos pararam quando eu tinha 7, mas não sei exatamente quando começaram), e hoje eu acredito nisso, mas não sei como ele veio a se tornar um abusador naquela idade (13 anos, eu acho, mas pode ter começado ainda antes). 
Ele estudou um tempo num colégio interno, e antes disso morou por algum tempo com minha avó, longe da gente. Não sei o que pode ter acontecido com ele ali. E de repente algum adulto, esse sim consciente, pode ter iniciado uma cadeia monstruosa de trauma que eu espero que tenha acabado em mim. Um adulto que causou uma cisão tão grande no meu irmão que o tornou não apenas um agressor sexual, mas uma mente atormentada que não conseguiu se livrar do alcoolismo, do vício em cocaína e do impulso suicida (ele morreu de acidente mas tentou suicídio duas vezes). 
Claro que sofro muito até hoje, eu sinto essa dor diariamente e percebo espectros do trauma em muitos segmentos da minha vida (não apenas sexual). Hoje o que me incomoda é que eu nunca vou saber se isso aconteceu a ele, e, mais ainda, como a hipocrisia é um ponto central para a manutenção do abuso e do sofrimento. Pela hipocrisia talvez o suposto abusador dele seja para sempre considerado um homem bom. Por hipocrisia minha família jamais saberá do ocorrido (exceto se eu decidir falar; não pretendo fazer isso enquanto meu pai estiver vivo, porque não quero que ele sofra), e ele morreu sendo considerado um homem bom. 
ISSO é muito errado. Ele não era um homem bom. Ele pode não ter sido um monstro completo, mas não era um homem bom. Ele causou um mal irreversível na minha vida (espero que apenas na minha). No seu enterro, eu me lembro de ter ficado extremamente confusa. Era minha mãe perdendo um filho. Era alguém da minha família morrendo muito jovem. Era o primeiro cadáver que eu via e tocava. Era alguém por quem eu não sabia se nutria algum lastro de bom sentimento. Era alguém que eu me senti impelida a perdoar ali (sou ateia, mas talvez tenha ficado emocionalmente fragilizada com a situação). 
Era uma vítima revoltada por ver que aquela história jamais seria concluída e que as pessoas jamais saberiam que ali jazia alguém que por pouco não destruiu outra pessoa. Alguém que foi tão longe no mal que foi capaz de machucar uma criança, de ameaçá-la de morte; de dizer a essa criança que ela não tinha ainda como engravidar, portanto aquilo não era um problema; alguém que queria que aquela criança dissesse que estava gostando de ser estuprada.
Mas eu acho que nem sempre o abusador faz aquilo porque se sente no direito. Porque quer destruir a outra pessoa. Meu irmão pode ter sido sexualmente abusado, ou pode ter querido descontar em mim alguma outra frustração (minha família era bem bagunçada na época). Isso é muito horrível, isso ferrou com a minha vida, mas à medida que eu amadureço eu tendo a imaginar as coisas de uma perspectiva mais trágica e menos dual, isto é, sem muita compatibilidade com a estrutura vilão-vítima. Obviamente eu fui vítima e não me sinto em nada responsável ou merecedora do que aconteceu, mas não consigo pensar nele como a encarnação do mal. Na verdade eu tenho extrema pena dele.
Quanto à punição legal: eu acho que, de modo geral, as pessoas devem ser julgadas pela justiça. Mas penso também que nosso sistema penal é ridículo, e que cadeia é lugar pra quem oferece perigo à sociedade. Não sei se ele era um perigo à sociedade. Não sei se a cadeia ajudaria em alguma coisa -– a mim e a ele. Por muito tempo minha maior revolta era ele nunca ter ido preso; depois, como eu disse, minha maior revolta passou a ser o fato de que ninguém nunca tocou no assunto, de que eu tive de continuar convivendo com ele; ele continuou sendo considerado por minha mãe e minha irmã uma pessoa normal (certamente precisasse de tratamento), e eu igualmente não tive nenhum apoio psicológico e tive de construir minhas próprias ferramentas de sobrevivência. 
Não sei até que ponto meu relativo equilíbrio é um castelinho de cartas de baralho prestes a desmoronar. 

39 comentários:

Erres Errantes disse...

Opa! será que eu vou ser a primeira a comentar? rsrsrs
Bem, mas vamos ao que importa: imagino como deve ter sido difícil para a autora do post quando o irmão abusador morreu. Imagino que sua mãe deve ter cobrado dela que se desesperasse com a morte do irmão. Ok, era um irmão, mas também era um abusador. A autora do post não aprofunda nisso, mas fico curiosa ao imaginar como deve ter sido para ela lidar com esses sentimentos conflitantes. Será que a mãe estranhou a reação dela ao saber da morte do irmão, que, repito, não era só um irmão, mas também seu abusador?
E as questões que ela levanta também são muito pertinentes.
Ela pergunta se a cadeia seria a punição necessária para alguém que, como o irmão dela, "não oferecia perigo à sociedade".
Acho que oferecia sim, perigo à sociedade. Ele causou um enorme trauma à irmã e, na minha opinião, deveria ser punido por isso.

Carol T disse...

Nunca tinha lido um relato que se parecesse tanto com o que eu sintia/sinto quanto o da A. Por poucos detalhes é que sei que não foi escrito por mim mesma.
Muita força pra ela. Muita força pra nós.

Julia disse...

Curiosamente estava lendo esta notícia antes de ler este post
http://www.mirror.co.uk/news/uk-news/rochdale-car-park-fall-woman-3109249
E pensei enquanto lia que ela deveria ter matado o estuprador ao invés de cometer suicídio. Ele foi julgado e inocentado da acusação de ter estuprado 3 mulheres. É uma imposição da minha parte mas acho muito triste alguém ser estuprada e depois se matar porque o estuprador (que foi a julgamento! Uma "sorte" com que muitas vítimas não contam) foi deixado livre.

Mas não sei se isso aliviaria o sofrimento dela.

Anônimo disse...

ela não contou a ninguém e tem raiva dos outros por n terem tocado no assunto,n entendi.

Anônimo disse...

E quanto mais poderoso, rico e branco é o estuprador, mais difícil é que as vítimas tenham a coragem de denunciar. Até porque, as pessoas têm em mente que o estuprador é sempre negro, pobre e escondido em becos escuros. Conheço uma jornalista que foi estuprada (mediante chantagem) por um homem até bem jovem, mas muito poderoso, rico e branco. Ela não teve coragem de denunciar e demorou pra conseguir se livrar dele. Foi um estupro que se repetiu algumas vezes (e olha que ela é adulta!) Nem sei se ela realmente conseguiu se libertar completamente. Enfim, eu não poderia julgá-la, nem obrigá-la a denunciar. Nós feministas nunca nunca nunca podemos julgar a vítima, nem a considerando covarde por não denunciar, nem nos horrorizando se ela desejar a morte do estuprador. Devemos sempre acolher. E respeitar.

Anônimo disse...

Aqui um trecho do livro da Natascha Kampusch, transcrito na reportagem da Eliane Brum linkada no guest, que fala do pensamento maniqueísta que simplifica demais a realidade:

"Vivemos em um mundo em que as mulheres apanham e são incapazes de abandonar o homem que bate nelas, embora, em tese, a porta esteja aberta. Uma em cada quatro mulheres é vítima de violência extrema. Uma em cada duas mulheres sofre assédio sexual durante a vida. Esses crimes estão em toda parte e podem ocorrer atrás de qualquer porta do país, em qualquer dia, e talvez só provoquem um dar de ombros ou uma indignação superficial.

Nossa sociedade precisa de criminosos como Wolfgang Priklopil para dar um rosto ao mal e afastá-lo dela mesma. É preciso ver imagens desses porões para que não se vejam os muitos lares em que a violência ergue sua face burguesa e conformista. A sociedade usa as vítimas desses casos sensacionalistas, como o meu, para se despir da responsabilidade pelas muitas vítimas sem nome dos crimes praticados diariamente, vítimas que não recebem ajuda – mesmo quando pedem."

Querida A., espero de coração que este equilíbrio seu seja permanente, pois acredito que assim retomar as rédeas da sua vida seja uma tarefa menos difícil. Acho que julgar seu irmão como um ser humano comum, cheio de traumas, perturbações e erros, como todos os outros com os quais você convive pode ser um bom caminho, como você apontou no post. Vai saber o que ele viveu, nada justifica o que ele fez contigo, mas pode te ajudar a compreender as atitudes dele.

Vai saber a história de vida de cada pessoa "normal" que conhecemos por aí, com as quais convivemos diariamente... seus atos e vivências podem ser tão cabeludas e horripilantes e não fazemos ideia, pois vivemos num mundo de relações superficiais, infelizmente.

Acredito que ninguém se considere integralmente bom, eu mesma convivo diariamente com as minhas culpas. Então procuro não julgar ninguém como mau absoluto, pois eu mesma, ainda que procure ser do bem e fazer o melhor, erro. E erro feio as vezes.

Me desculpe por expor todas essas reflexões, só você pode saber como lidar com seus sentimentos e eu não faço ideia do que você viveu e da complexidade de lidar com esses acontecimentos. O faço na melhor das intenções, para que compartilhemos emoções e questionamentos.

Um abraço.

Anônimo disse...

a culpa da impunidade é das próprias mulheres,não denunciam nada,depois quer reclamar que a sociedade n faz nada.

MonaLisa disse...

Eu discordo. As mulheres estão sempre pensando na família, em não manchar a reputação enquanto os homens não estão nem ai, traem, batem, estupram, etc... e não pensam um segundo em família ou reputação.

Pra que nós vamos nos importar?

Anônimo disse...

Gostei desse relato. É muito verossímil. Aos 13 anos uma criança já pode manifestar a pedofilia, que é o que deve ter acontecido. Uma boa parte dos abusadores e estupradores são pedófilos. O alcoolismo e o uso de drogas pode ter sido auto-medicação para o desespero de quem se vê praticando atos abomináveis. As tentativas de suicídio e o acidente, um suicídio consumado na verdade(não sei os detalhes), puseram um fim ao pesadelo do irmão.

Se a autora do post tivesse sonhado com esses estupros noite após noite, durante longos anos, mesmo que acordasse mal, assustada, deprimida, etc., jamais odiaria, desprezaria ou teria a preocupação de perdoar o seu abusador onírico, jamais se sentiria vitimizada, dominada, derrotada por ele durante seus pesadelos. Ela saberia e aceitaria que os sonhos são povoados por figuras inexistentes, criações mentais próprias, e por mais que os abusos fossem nítidos, com começo meio e fim, a culpa jamais recairia no estuprador, caindo tudo no esquecimento. Lembrar de um sonho ou de um pesadelo não nos causa pavor ou tristeza. Estas sensações só são reais enquanto estamos sonhando.

Assim funcionam os sonhos. Mas se eu disser que o que parecemos viver na realidade não passa igualmente de um sonho, que as figuras que vemos e com quem interagimos saíram da nossa cabeça da mesma forma, posso ser apedrejada. Se eu disser que como no sonho noturno, não há ninguém a desculpar senão a nós mesmas/os por termos sonhado tanta ruindade, novas pedras serão atiradas. Então, escolhamos: ou nos libertemos do vínculo com o aparente agressor para ganharmos a nossa paz, aquela que o mundo não pode dar , ou continuemos atreladas ao pesadelo recorrente em que a culpa é do malfeitor enquanto nós, as vítimas, somos inocentes até que sejamos finalmente despertadas.

A mesma coisa vale para este irmão. Mas agora é tarde para ele. Uma nova oportunidade aparecerá se tudo continuar como está. Desta vez será o contrário. Ele será a vítima e o outro o vitimizador.

Anônimo disse...

Seu irmao ja foi punido com a morte e com uma vida final de muito sofrimento e vicios. Seus pais perderam um filho e vao sofrer com essa dor desesperadora para o resto dd suas vidas. Voce tambem sofre mas tem um futuro imenso pela frente para curar as feridas de sua alma e se reerguer para construir um futuro feliz e cheio de realizacoes. Talvez uma terapia ajude a curar ou ao menos lidsr melhor com as feridas.



Anna Milani disse...

"E pensei enquanto lia que ela deveria ter matado o estuprador ao invés de cometer suicídio."
FINALMENTE alguém que pensa como eu. Eu penso sim e falo mesmo: Estuprador deveria ter um cabo de vassoura enfiado no rabo e depois morrer. O que eu ouço/leio quando argumento isso?

'Hurr Durr, feminazi, prega o extermínio de homens'

Com licença senhor, mas... Eu disse 'homens'? Eu quero sim a morte e tortura aos estupradores, e não à todos os homens.

'Você não tem o direito de dizer isso, ele é um ser humano'

É, um ser humano que não deu a mínima se mulher sente dor, não deu a mínima quando violentou alguém e acabou com a vida dela. por que essa pessoa, que foi violada, ou qualquer outra pessoa deveria se preocupar se estuprador é ser humano? Se ele é um ser vivo, se nem mesmo ele pensou na dor da outra pessoa que ele violentou? Seria engraçado, se não fosse trágico. Isso é justo? Eu penso que não.

Bem, vamos ao que post. Eu concordo totalmente com a autora. NINGUÉM pode dizer o que a vítima tem ou não que fazer. Todas as vítimas devem erguer a cabeça e viver feliz, superar isso. Mas algumas marcas do passado são difíceis de apagar.

Anon das 18:01: Já ouviu falar de algo chamado "vergonha"? Acho que não, porque eu vejo que vergonha na cara você não tem, de usar esse argumento ridículo. Elas devem denunciar? CLARO QUE SIM! Mas também não é pra jogar a culpa toda em cima da vítima.

Força pra autora do post.

Ana disse...

O que eu me pergunto é como, nesses casos, a família não percebe o que está acontecendo. Será possível ninguém perceber nada?
Querida A, espero que você consiga superar da melhor forma possível tudo isso que aconteceu com você.

Anônimo disse...

Vou comentar em anônimo porque sacumé neh?

A., por poucos detalhes o seu texto não foi escrito por mim. Exceto que hoje, adulta e mais madura, pelo menos em tese, não sinto raiva do meu irmão. Até convivemos bem. Não pretendo contar pra ninguém, até porque pra mim, não sinto grandes prejuízos, mas imagino como vc se sente e entendo perfeitamente. E vc não está errada. Agora, eu concordo com MonaLisa. Na hora de te estuprar, ele não quis saber se seu pai ia sofrer. Pare de importar com isso, seja um pouco egoísta e se sentir necessidade de contar, conte. Nós somos educados pra esquecer os maus atos cometidos contra nós, depois que quem nos fazia mal morre. Mas isso é errado. Não devemos esquecer. Muito menos perdoar pq o cara teve a sorte de morrer antes que nós fizéssemos qualquer coisa com eles.

lola aronovich disse...

Ok, anon acima. Vc fez um comentário com seu nome, mas ele já foi deletado. Publico o seu coment anônimo.

Anônimo disse...

Obrigada. =)

Anônimo disse...

"Mas algumas marcas do passado são difíceis de apagar." Anna

Não existem marcas do passado difíceis de apagar. Perdura tudo no presente se não desatar o vínculo culpado-inocente.

Grão da Noite disse...

Realmente é muito comum meninos abusados se tornarem abusadores. Eu já relatei aqui no blog da Lola este episódio que aconteceu comigo. Quando eu tinha 4 anos fomos ao sítio do meu pai eu, meu pai, um rapaz de 19 anos e o pai dele. Quando chegamos lá, esse rapaz pediu ao meu pai para dar uma volta comigo pelo lugar. Meu pai consentiu. Lembro-me de que ele me levou pra um milharal, ou era canavial (nesse sítio havia cana e pé de milho; mas a lembrança mais forte é de milho), e me abusou. Lembro-me de que ele me ameaçou, dizendo que se eu contasse para alguém, ele me machucaria (a lembrança da ameaça é bem nítida). Depois do que aconteceu, fiquei com esse evento na memória por alguns anos. Mas, em algum momento no começo da minha adolescência,eu bloqueei a recordação. Só resgatei a memória aos 22 anos, durante uma sessão de psicoterapia que usava uma técnica de meditação do Osho chamada "Pulsation". Senti-me, durante a sessão, muito nauseado. Não sei se isso realmente aconteceu, mas a náusea e o vômito vieram porque senti o gosto do esperma dele na minha boca (as lembranças do "durante o abuso" são embaçadas e fragmentadas, o que não ocorre com o "antes" e o "depois"). Quando recordei o episódio do abuso, outras lembranças passaram a fazer sentido para mim... Quando eu tinha uns 14 anos, vi-me surpreendido por um desejo sexual até então inexplicável por um menino de 4 anos, filho de uma vizinha nossa, no prédio onde morávamos (felizmente eles moravam no 1º andar e nós no último... Não éramos vizinhos de porta). Acho que só não o abusei porque nós, eu, não tinha proximidade com a mãe dele e com ele. Para que houvesse oportunidade para o abuso, eu teria que construir uma proximidade, uma intimidade, e creio que foi esse obstáculo que me conteve. Hoje me sinto extremamente desconfortável quando me lembro de que senti o desejo sexual doentio por aquele menino. Graças a Deus as circunstâncias não contribuíram para que eu desse vazão àquele impulso horrível. Mas eu sei que se o tivesse abusado, teria problemas emocionais seriíssimos. Quanto ao meu abusador, não sinto, ou acho que não sinto, nada por ele. Não percebo em mim rancor ou ódio. Na verdade, agradeço por ele ter me chantageado a não falar nada a ninguém. Se eu tivesse falado, meu pai ou meu irmão mais velho, que na época já tinha uns 17 anos e era muito apegado a mim, poderia ter buscado justiça com as próprias mãos. Poderia ter acontecido uma tragédia entre as duas famílias. Meu pai era militar e tinha arma e munição em casa. E era um sujeito de pavio curto. Não sei o quanto esse episódio perturbou minha sexualidade. Mas deve ter perturbado alguma coisa. Ou não teria sido tão desagradável para mim resgatar essa memória, durante a "Pulsation". E eu não teria bloqueado a recordação com tanta força.

Anônimo disse...

Eu vivo uma situação semelhante, no que diz respeito a conquistar o auto-equilíbrio durante os anos que se passaram após o abuso sofrido na infância. Só que no meu caso cheguei a contar para a minha família; mas devido a antigos problemas de relacionamento com a minha mãe e irmã, fui taxada de mimada e acusada de querer chamar a atenção. Fiquei extremante envergonhada, me calei e desde então não toquei mais no assunto com eles.
Também não procurei ajuda psicológica, mas busquei entender o que me aconteceu de diversas formas. Recorri a sessões espíritas, círculos de oração, rituais Wicca... Usei diversos artifícios para tentar apagar esse capitulo da minha vida - sem nunca contar o que aconteceu pra ninguém, era um segredo meu e das entidades sobrenaturais. Nada deu certo, como era de se esperar. Com o passar dos anos, após muitos questionamentos, decepções religiosas e rebeldia, me habituei – não encontrei outra forma de lidar com isso, além do “é isso, não da pra voltar no tempo e impedir, acostume-se”.
Assim como você, não faço a mínima ideia do que motivou meus abusadores e muito menos o que passou pela cabeça deles (flashes de um passado traumático, talvez) antes de fazer o que me fizeram. Porém, tenho absoluta certeza de que PESSOAS BOAS NÃO ABUSAM SEXUALMENTE/PSICOLOGCAMENTE DE NINGUÉM, ainda que sejam pais/mães de família, trabalhadores e que “tenham bom convívio social”- mesmo que também tenham sofrido algum tipo de violência quando criança.
Tenho quase certeza que o mal que os acomete é incurável, por isso considero incorreto ficarem soltos, principalmente se tratando de práticas ardilosas e obscuras como essas, onde a denuncia exige muita coragem da vitima. Por que não puni-los? Ainda mais diante de tantos casos onde um indivíduo abusa de diversas pessoas; e mesmo após descoberto, continua a atacar.
Mesmo fazendo parte da estatística, não sei se a solução está na prisão perpetua, ou na internação em hospitais psiquiátricos ou, para me encaixar no politicamente correto - direitos humanos e blá blá blá, no acompanhamento permanente de um psiquiatra que os medique e de um psicólogo que os lembre de que agredir/estuprar alguém não é legal. Sei lá, de verdade. Assim como você, não sei se essas burocracias pós-estupro me ajudariam muito nessa altura do campeonato. O que eu gostaria mesmo é que não tivesse acontecido, acho... que alguém tivesse dito pra eles que mulheres/garotas/meninas não gostam de ser forçadas.
Nunca falei tão abertamente sobre esse tema, sabe? Nem na internet... Não por ter vergonha de ter sido abusada quando tinha apenas 10 anos, mas por receio de ser estigmatizada. Vejo tanta pena quando o assunto é estupro – é como se você fosse obrigada a carregar o crime de outra pessoa nos ombros pelo resto da vida, enquanto o pervertido vive por ai, fazendo sei lá o que, como se nada tivesse acontecido. Não quero pena, o meu desejo é ninguém passe pelo que passei.
Enfim, escrevi demais.
Que seu castelo de cartas seja forte até o fim. Beijos.

Anônimo disse...

Já sofri abusos antes dos 9 anos; não lembro bem com que idade foi, sei que era antes dos nove. Foi um parente tmb, quase abusei de minha prima quando eu estava com 10 anos(única vez que passei perto disso). Creio que a ideia de contar para os pais que foi abusado é algo impensável para uma criança que entende a vergonha que o ato significa, ainda mais quando é um parente. Já cheguei a ver coisas bizarras na net por volta dos 16, 17 anos(gore, zoo, 4chan etc.) Voltei ao normal e bani essas coisas da minha vida(tirando o pornô normal). Não consigo ficar sem sexo ou pornografia. sou o único anormal nesse sentido entre meus amigos, porém nunca saberei se essa coisa me afetou ou não. Por ser homem, criado pra ser "forte" provavelmente não sofri nem 10% que uma mulher sofre nesses casos. Porém a entendo, acho. Pobre guria.

Ana Carolina disse...

Não existe preto-no-branco na vida, nunca, até quando "bem" e "mal" parecem óbvios.

É uma situação difícil, mas qual situação de abuso não é difícil? Não existe gabarito, resposta certa, nada.

Anônimo disse...

Olá, eu sou a A.

Primeiramente, obrigada, Lola, pela atenção. E obrigada também a todxs que se solidarizam e me entendem de alguma forma. É muito importante me sentir compreendida, isso nunca foi uma realidade para mim.

Só para esclarecer um ponto: eu contei para minha irmã mais velha na época; ela meio que falou para ele parar, ele parou, e ficou por isso mesmo. Uns três anos depois, minha irmã, impulsionada por uma briga que teve com ele, me forçou a contar para minha mãe. Enfim, só para dizer que elas duas sabiam. E que tentaram e tentam até hoje ignorar o acontecido. Fico pensando que essa hipocrisia toda é um mecanismo de defesa, né. Ninguém deve querer enfrentar a realidade de ter um filho ou um irmão desses. E a nossa família já era suficientemente zoada, e elas vêm tentando ter uma vida normal, na medida do possível. E como eu fui uma criança/uma adolescente aparentemente normal, pouco rebelde, etc., elas devem ter imaginado que estava tudo bem, que poderiam passar a vida toda evitando essa vergonha. Na verdade, eu sinto que fui meio que condicionada a me calar, tanto que ainda hoje falar sobre determinadas coisas me é algo extremamente difícil. Mas eu tenho uma relação até boa com elas. Nunca vou me esquecer disso, mas, sabe?, a vida é complicada, nem sempre as pessoas conseguem agir da maneira correta. Vez ou outra eu me sinto mal por conviver com elas normalmente, mas eu não posso ficar me cobrando, sabe? Tenho já muito a carregar.

Bem, eu espero que todxs nós, que sofremos esse tipo de violência, consigamos quebrar o ciclo do abuso e alcançar alguma estabilidade, enxergar algo de bom nas pessoas e no mundo, ter algo em que acreditar. Eu penso que apesar de tudo consegui viver uma vida melhor que a dele. Já estou quase na idade que ele tinha quando morreu e tenho uma vida relativamente boa. Ele nunca teve o que eu tenho, isso é bem desconcertante.

Anônimo disse...

Achei esse guest post extremamente confuso. De início pelo o que ela diz, parece que ela não contou do abuso a ninguém, mas lá pelo final ela se mostra ressentida por ninguém da família não ter tocado no assunto,o que leva a crer que ela contou. Sendo que ela também disse que vai esperar o pai morrer para poder contar a família. Não entendi mesmo.

Jennifer disse...

Eu tb sofri abuso sexual na infância.
E...
Pena de morte no Brasil é meu maior sonho... só isso resume meu sentimento.

Anônimo disse...

"E pensei enquanto lia que ela deveria ter matado o estuprador ao invés de cometer suicídio."

"Eu penso sim e falo mesmo: Estuprador deveria ter um cabo de vassoura enfiado no rabo e depois morrer."

"Pena de morte no Brasil é meu maior sonho... só isso resume meu sentimento."

Com uma mentalidade dessas, vocês deviam se juntar com o Olavo de Carvalho, Bolsonaro e Padre Paulo Ricardo ao redor de uma fogueira e cantar Kumbaya juntos.

Anna Milani disse...

Ô Anônimo das 19:21: Você não deve ter lido nada. Nem o texto, nem o meu comentário e o das outras pessoas. Por isso, nem adianta argumentar.

Cão do Mato disse...

Ai, ai ,ai...Sabe o que eu acho esquisito na maioria das feministas (e de liberais, em geral)? São todxs contra a pena de morte, contra a redução da maioridade penal, a favor da legalização da maconha e do aborto, consideram nosso sistema carcerário desumano, são a favor de penas alternativas para crimes de menor potencial ofensivo...Mas quando chega o assunto "estupro", vivem dizendo que o cara "merece um cabo de vassoura enfiado no rabo" (justiça pelas próprias mãos), "merece morrer" (pena de morte), merece ir para o sistema carcerário (aquele que elxs mesmxs dizem ser "desumano") para virarem (sic) a namoradinha do pessoal e ver o que é bom prá tosse. Acham que um marmanjo de 17 anos, 11 meses e 29 dias que comete um crime hediondo não merece ser julgado como adulto, mas um babaca que encoxa uma mulher no metrô é "estuprador" e deve ser julgado, condenado e apenado como tal...Pessoal, um pouco de coerência não faz mal a ninguém.

lola aronovich disse...

Ai, ai... Já perceberam como o blog fica cheio de comentários mascus nos feriados? Isso porque mascu não tem amigos, não tem namorada, não tem família, não tem diversão, não tem vida. Aí vem trollar blog feminista pra falar as mesmas asneiras de sempre.
Cão do Mato, ficamos assim: antes que vc continue falando mentiras sobre o que a "maioria das feministas" pensam e defendem, me aponte uma só linha de algum post no meu blog em que EU defendo a pena de morte, castração pro estuprador, prisão perpétua, estupro na cadeia como retaliação etc etc. Só uma linha, por favor. Não precisa ser duas. Se vc não encontrar, deixe algum link pra post de alguma outra feminista (não mascu se passando por mulher feminista) que defenda isso. Esse tipo de violência anti-direitos humanos não é maioria de jeito nenhum entre feministas, nem em caixas de comentários de blogs feministas. Me mostre uma feminista querendo que estuprador vire "namoradinha na cadeia"! Vai ser difícil, viu, porque o próprio termo é de um machismo atroz. Então até que vc possa provar a estupidez que está dizendo, vc não comenta mais aqui no blog, ok?

Julia disse...

Cão Sarnento e anon das 19:21. Vocês leram a noticia que eu linkei? A mulher se matou porque o estuprador foi inocentado.

ELA.SE.JOGOU.DO.TELHADO.DE.UM.SHOPPING.DEPOIS.QUE.SAIU.A.SENTENÇA

E ele estuprou 3. Agora tá solto pra estuprar outras.

Assim, eu sempre acho melhor matar o estuprador do que cometer suicídio. Só acho. Não quero ofender ninguém. Quem acha mais legal a vitima se matar porque o estuprador ficou impune LEVANTE A MÃO E DIGA ISSO EM VOZ ALTA.

Anna Milani disse...

Ei, "Cão do mato". Pare de generalizar. Isso é como EU penso, você não leu o post? Posso não ser uma vítima, mas conheço alguém que foi. E era alguém bem próximo de mim, fica difícil eu não imaginar barbaridades.

Eu não estou comentando aqui pra mentir. Eu gostaria muito, muito mesmo de torturar e matar esse desgraçado em particular. Foi complicado, e ele tá na cadeia, mas eu ainda ODEIO ele.

E mais: você não sabe o que aconteceu, então que direito tem de julgar minha opinião?

Julia disse...

Exatamente. Quem pensam que são pra vir aqui dar lição de moral? Cobrar coerência? Quem foi vitima de abuso e quer que o estuprador morra tem que se justificar, ser coerente?
Parecem o cara que veio aqui perguntar qual o drama das mulheres com estupro.. Como se ser estuprada não fosse nada de mais.

Tem gente que se mata depois. Sempre a vitima, claro.

Anônimo disse...

Nem sempre a vítima se mata depois. A mídia brasileira não reporta suicídios ou situações de suicídio em tempo real. Pessoas se suicidam toda hora e se muitas delas o fazem por não conseguir lidar com seus impulsos criminosos nunca vamos saber. Nem todo abusador, estuprador, pedófilo é psicopata, você sabe.

Jerry disse...

Não consigo ver uma vítima de estupro humanizando seu estuprador. Para mim, é muito difícil ver isso.
Não há nada de humano em quem faz isso, é movido puramente por instinto e deixou seu lado humano de fora. Então, não sou eu que vou devolvê-lo ao monstro em questão.

Não julgo você como uma traidora ou como algo assim,mas não deixar de pensar que vc quer qualquer motivo para aliviar o que ele te fez. "Ok! Se ele foi abusado, então, ele tem um motivo para me fazer o que fez."

É difícil, mas aceite que talvez não haja motivo algum. Talvez seu irmão fosse mesmo abusador por ser abusador.
Sei que vc disse que se sente violada outra vez quando alguém questiona sobre suas reações, mas a verdade é que quem te violentou não fui eu, foi seu irmão.

Que bom que vc não quer ficar como vítima o resto da vida, mas não dá para ignorar a monstruosidade do que seu irmão fez. E nessa idade, ele já tinha consciência de tudo.

Jerry disse...


Sei que ele era seu irmão, e vc talvez esteja tentando não macular a imagem dele,mas ele era mesmo um perigo para a sociedade. E nem vc descarta que possa ter acontecido com outras.

Joane Farias Nogueira

Anônimo disse...

Acho q como dito acima falta coerência sim. Querem humanizar tudo mas na hora de falar de um estuprador o discurso muda na hora.

Julia disse...

Aí você tem que ver cada pessoa por si e analisar a coerência dela. Eu tenho minhas próprias opiniões. O estuprador tem que ser denunciado e preso.
Mas se ele foi julgado e inocentado e não há mais nada a fazer a não ser viver com a certeza da impunidade dele é melhor matá-lo do que se jogar de um telhado.

Estou levando em conta que isso possa diminuir o desespero/sofrimento da vítima porque uma pessoa que se suicida está em desespero.

E sempre que leio que uma vítima de estupro se matou (não lembro do nome de nenhuma agora mas são muitas) sempre pensei: por que não matou o estuprador ao invés de si mesma?
Sempre.

Então eu sou coerente sim.

Sara disse...

Assim como a autora do post, tb considero abusivo pessoas que querem ditar regras de como devemos reagir a uma violência q sofremos, só mesmo quem vive uma violência machista sabe o q esta passando e como lidar com ela.
Adorei a citação que foi feita sobre
Natascha Kampusch, por tudo q soube sobre essa mulher, tenho profunda admiração por ela, e creio firmemente que se ela não tivesse agido com a inteligência e sensatez q agiu na situação trágica q viveu, ela não estaria viva hoje.
Li parte de uma crítica sobre o livro q ela escreveu, q define bem como ela soube lidar a violência q sofreu.

"A forma como Natascha expõe sua opinião sobre a síndrome de Estocolmo é digna de ser analisada por especialistas da psiquiatria. A verdade é que é difícil para as pessoas aceitarem que um ser humano possa ter algum tipo de relacionamento com alguém que o humilha e agride constantemente, entretanto nos esquecemos da influencia que as pessoas têm sobre as outras. O fato de Natascha ter construído um tipo de relacionamento com seu sequestrador não me surpreende, nem repugna, porque sei e ela também sabe que sua sobrevivência estava ligada intimamente a como ela se portava com ele. De certa forma, Natascha aprendeu a conviver com a dor e a manipulá-lo quando preciso, e a isto se deve este livro. Se ela tivesse sido mais sensível e menos racional, ela ainda estaria presa ou morta, e em conseqüência jamais dividira sua história com o mundo."

Tb ja sofri muita violência machista, e se tivesse escutado o senso comum e os conselhos vazios e inúteis que recebi e recebo ainda, certamente ja estaria morta.

Anônimo disse...

Coerência nesse sentido é o quê? Estupro não foi nada e que o homem coitadinho é vitima da mulher ou da menina? Se enxerga homem. A vitima literalmente morre em parte porque hà um trauma severo que anula algo, a mulher é presa a lembrança sempre vem e você acha incoerente a vitima querer que ud tarado nogento e sem moral desapareça da face da terra? Sô podia ser um cão para pensar que nem você.

donadio disse...

"Estuprador deveria ter um cabo de vassoura enfiado no rabo e depois morrer. O que eu ouço/leio quando argumento isso?

'Hurr Durr, feminazi, prega o extermínio de homens'
"

Então ouça/leia algo diferente:

Isso se chama "cultura do estupro". Para você, o estupro é algo válido quando é castigo. E se é válido em algumas ocasiões... por que não em outras?

Estuprar o estuprador não acaba com o estupro. Só aumenta o número de casos de estupro.

Anônimo disse...

Eu sempre achei muito salutar dar um cacete em quem é pego no ato, mas na hora do ato e não depois seja que ato for. Tipo assim bateu, levou.