segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

CRÍTICA: A CAÇA / Veja antes de tachar alguém de pedófilo

Antes da acusação

O dinamarquês A Caça, que ganhou a Palma de Ouro em Cannes e concorre ao Oscar de filme estrangeiro, é um excelente trabalho de Thomas Vinterberg (diretor do celebrado Festa de Família, outro que trata do tema de abuso sexual infantil). É também um filme profundamente incômodo (trailer aqui), ainda mais pra quem está acostumado a ler relatos de abuso. 
Caça começa mostrando a rotina de um professor de jardim de infância, Lucas (o ótimo Mads Mikkelsen, que faz Hannibal numa minissérie que não curti, e o vilão de Cassino Royale). Lucas é adorado pelas crianças, principalmente por Klara, uma menina de 5 anos, filha do seu melhor amigo. 
Klara é bem solitária, e seus pais não lhe dão a devida atenção. Um dia, o irmão adolescente e um amigo, rindo, mostram alguns segundos de uma cena de filme pornô pra ela, e mencionam que o pênis na cena está duro como um bastão. Ela fica abalada ao ver aquilo.
Pouco depois, vemos que ela embrulha um coração de presente pra Lucas, e que, no meio de uma brincadeira com várias crianças, ela se joga sobre ele e lhe dá um beijo na boca. Lucas faz o que qualquer bom educador faria: explica pra ela que beijinho na boca, nessa idade, é só com papai e mamãe, e pergunta se ela não gostaria de dar o presente que fez pra outra pessoa. Ela se sente rejeitada.
Naquela mesma tarde, ao falar amenidades com a diretora da escola, Klara diz que odeia Lucas, porque ele é tonto, feio, e tem um pênis. 
A diretora ri e responde: “Assim como seu pai e seu irmão e todos os homens.” E Klara: “É, mas o dele é levantado como um bastão”. A gente percebe que ela está repetindo as palavras que ouviu do amigo do irmão sobre o vídeo pornô, e vemos também que ela mente ao dizer que Lucas lhe deu um coração. 
O que você faria no lugar da diretora? É necessário acreditar na menina, não é? (se tem um filme em que você deve se imaginar na cabeça de cada personagem, praticar empatia, e perguntar “O que eu faria, no caso?”, é este). 
A diretora conta a Lucas o mínimo possível: não fala pra ele exatamente do que foi acusado nem por quem, o que torna qualquer chance de defesa muito difícil. Ela chama um psicólogo para entrevistar Klara. 
A menina está lacônica, não quer contar nada, como é frequente em casos de abuso. 
O psicólogo se precipita, após o silêncio de Klara, e pergunta, “É verdade que você viu o pipi de Lucas?” Ela balança a cabeça, dizendo que não. Ele insiste, até que ela confirma o que ele quer ouvir. 
O jardim de infância tem que notificar a polícia. A diretora afasta Lucas e pede aos pais que observem qualquer sintoma de abuso sexual nos seus filhos. A partir daí, vira uma Escola Base (um enorme caso de linchamento midiático e pré-julgamento ocorrido em São Paulo; em março o escândalo completa vinte anos). 
É revoltante, destroem a vida de Lucas. Claro que na vida real não é tão fácil. A gente não vê tudo montadinho como em A Caça, em que fica evidente que nada daquilo aconteceu.
Na vida real, casos de denúncias falsas como a do filme são raros (e neste texto falarei apenas de abuso sexual infantil, não de estupros contra pessoas adultas). 
Este site americano diz que as denúncias falsas ficam em no máximo 2%, embora alguns artigos afirmem que elas não são tão incomuns, especialmente em disputas pela custódia dos filhos. Memórias falsas podem ser implantadas sim, e, em ambientes de tensão, qualquer beijo, qualquer banho, pode ser interpretado como abuso.
Como diz Gabel, “O abuso sexual praticado contra a criança é uma das formas de maus-tratos que mais se ocultam: a criança tem medo de falar e, quando o faz, o adulto tem medo de ouvi-la”. 
A palavra da criança sempre deve ter importância, porque na maior parte das vezes, ela é tudo que se tem. Em geral não há indícios físicos nem testemunhas. 
Mas crianças mentem. É muito raro mentirem sobre abusos, mas também pode acontecer. (e compreender isso é totalmente diferente de pensar que toda denúncia é mentirosa).
Sem falar que o que nós entendemos por mentira não é o que a criança entende. Para a psicopedagoga Maluf, a criança de até 6 anos não consegue distinguir a mentira –- um engano intencional -– de seus jogos de faz-de-conta -- a fantasia. A realidade para uma criança é diferente do que é para um adulto.
Por isso, é um trabalho complicado aquele do psicólogx que tem que avaliar um abuso sexual infantil. O profissional tem que acreditar na vítima mesmo quando ela nega ou silencia o abuso. Ao mesmo tempo, ele não pode ter certeza que o abuso ocorreu. E nem conduzir a criança para que ela responda o que ele quer (que é o que ocorre em A Caça). 
Outra coisa complicada é... ser homem. Há poucos privilégios femininos, mas tocar e beijar uma criança sem ser vista como uma pervertida é um deles (se eu, que sou mulher, já fico cheia de dedos em encostar numa criança, imagino como deve ser pros homens).
Como entre 90% e 96% dos casos de abuso sexual infantil são cometidos por homens, quase sempre conhecidos da criança, a sociedade é ligeira em desconfiar de homens que trabalham com crianças. Em denúncias de abusos infantis, costumamos abrir mão muito rápido da presunção de inocência, um princípio básico de direitos humanos. Acreditar numa criança que denuncia abuso também é básico. 
Esses princípios não são irreconciliáveis. É preciso acreditar na vítima para se iniciar uma investigação justa. Mas também é preciso muita, muita cautela antes de tachar alguém de pedófilo. Porque, se você fosse acusadx de cometer esse crime hediondo, como acontece com Lucas no filme, você não iria querer ter o direito de ser julgado (e defendido) antes que todo mundo se voltasse contra você? Eu sei que eu gostaria.

97 comentários:

Adecio Moreira Jr. disse...

Lola. Caso já não tenha assistido, veja "Polissia". É um filme francês estarrecedor que, logo de cara, já mostra o cuidado necessário ao indagar uma criança que está relatando um abuso.

Abraço.

Professor aloprado disse...

Por isso larguei o magistério...

O meu sinal, foi uma vez que estava no mercadinho e uma aluna do Pré me viu e veio correndo me abraçar, a mãe ficou me olhando com cara de "quem é vc seu pervertido?". A menina falou q eu era o professor dela, então a mãe mostrou-se mais relaxada...mesmo assim ficou me medindo de cima em baixo.

Isso pq eu já notava que as mães sempre me olhavam torto na reunião de pais, cheguei a levar uma repreenda da diretora pq usava cavanhaque e cabelo comprido.... "não era bem visto entre as mães".

A questão do banheiro era complicada tb, mas nisso eu tinha bom senso de entender, se tinha algum problema com as meninas no banheiro, sempre havia outra professora pra entrar lá e resolver, (eu também não era sem noção).

Enfim, fui me ligando dessas coisas e desistir de dar aulas para crianças, o q eu gostava muito.

june_miller disse...

Olá Lola,

Eu não iria comentar este assunto, mas sei de um caso de falsa acusação de abuso sexual. Nem era de parte de uma disputa judicial (a mãe já tinha a guarda), mas de uma manobra vingativa de uma ex-esposa armagurada por seu marido a ter se apaixonado por outra mulher. A valência é que a o psicólogos e policiais conseguiram intervir antes que qualquer injustiça fosse feita e antes que a mãe tivesse tempo de trenar a filha. Acredite Lola, a ex-esposa já tinha aprontado muito com o ex-marido antes disso.

Falsas acusações existem Lola e tem que se ter muito cuidado antes de cometermos uma injustiça. Temos que prestar atenção não apenas na criança, mas principalmente nos adultos que a cercam. Eu sou feminista, mas tenho consciência que, embora as mulheres sejam as vítimas em muitas instâncias, nem sempre a ela o e que mulher sem caráter existe.

Anônimo disse...

Complicadíssimo.
Acho que se a criança fosse minha eu jamais iria pensar que ela estaria mentindo.

Outro privilégio feminino: poder trabalhar vestindo saia, vestido, bermuda e sandália, tudo isso sem parecer informal.

Caroles disse...

Lola, por coincidência vi esse filme ontem! Queria ver Festa de Família, mas não encontrei pra baixar :/ (se alguém tiver o link, passe!)
O filme é bastante revoltante, a vida do cara desmorona, e o que me deixou mais espantada/triste/assustada é que a menina logo de cara volta atrás na história e diz que não aconteceu... mas ninguém acredita nela. Ok, crianças devem voltar atrás frequentemente em relatos de abuso, mas ela diz pra um monte de gente que tinha dito "something foolish" e que o Lucas não tinha feito nada, ela perguntava por ele, queria vê-lo, e ninguém em nenhum momento se questiona: será que foi só uma mentira que saiu de controle?
Enfim, filme muito bom e, de fato, incômodo.

RAQUEL LINK - me falaram que ia ter bolo disse...

Eu vi o filme e também gostei lola, realmente nos faz pensar, inclusive no caso do woody com a filha, afinal, uma filha perdida no meio de um divorcio complicado, um abraco mais apertado do pai pode virar muita coisa.

Mais ao mesmo tempo eu me preocupo esse tipo de filme, não faz meio que uma criticas as vitimas. tipo ' cuidado com mulheres/meninas que acusam estão mentindo' sabe? enfim fiquei com essa impressão.

Anônimo disse...

Eu sinto como se houvessem desproporcionalmente muito mais filmes/séries etc que mostram O cara legal sendo falsamente acusado de abuso sexual do que falando de abusos sexuais que realmente aconteceram (não são só uma vungancinha da criança/da mulher adulta má).

Lívia disse...

Além de Polissia, filme interessantíssimo indicado pelo Adecio, anômimo, por último, falou que são muito comuns filmes que retratam homens injustamente acusados de pedófilos: destacaria "Pecados Intimos", em que há um pedófilo que sai da prisão com pena cumprida e que, compreensivelmente, é visto como um pária na comunidade em que vive. O interessante é a análise mais aprofundada da reação das pessoas à sua presença e à sua ideia, seu sentimento de culpa e sua tentativa de viver uma vida "normal" e, mais perturbadoramente, as semelhanças entre ele e as outras pessoas que o condenam.

Anônimo disse...

Adecio Moreira Jr: vou pegar a dica, rs.
Caroles: eu tenho festa de família, daqui a pouco cato o torrent e te passo (aliás eu tb fui atrás dele depois d'a caça).

Lola, eu amo esse filme! Engraçado pq eu assisti duas vezes, mas tinha a impressão que o cara que conversa a primeira vez com a Klara era qualquer coisa menos psicólogo. Enfim, se é, tanto pior. Ele induz demais a menina. Chega a perguntar se sai alguma coisa do pênis dele. Ela acuada só faz balançar a cabeça. Penso que além das induções que foram feitas não só para Klara, mas para todxs os pais e crianças (e aí a gente vê como se criam sintomas psicológicos), além disso, também não deixaram a menina falar. Diversas vezes pela nega a situação, vai atrás do Lukas, mas não dão espaço para ela. Talvez se fosse na vida real eu achasse um absurdo deixar ela falar com o suposto abusador. Mas acho que tem que dar espaço para a expressão e sem a pretensão de respostas, pq aí a ansiedade dos adultos pode induzir a criança.
Eicram

Dora disse...

Fiquei interessada em ver o filme. Também acho que deve ser muito ruim ser falsamente acusada.

Entretanto, pensando um filme como um discurso político que se propaga e forma opiniões, espero que este filme não tenha um efeito conservador e sirva para pretextos do patriarcado em disseminar mais ainda a ideia de que não se pode confiar no discurso da vítima. Tipo, “esta mulher que disse ser estuprada pode estar mentindo, vc viu o filme A caça?”.
Porque entendo que há casos de falsa denúncia, mas isso é estatisticamente pouco, certo? Como feministas que lutamos contra a deslegitimação da vítima, temos que fazer o trabalho de contextualizar para as pessoas que estes casos são raros, certo? Beleza, a Lola fez isso, mas o filme faz isso?
Entendo na gravidade de ser acusado falsamente. Sempre fiquei imaginando nos EUA, onde a questão da pedofilia é super vigiada e nos casos de falsa acusação, deve ser duríssimo. Mas, como feminista eu pondero que a norma vigente é mais pessoas desacreditarem na vítima do que falsa acusação. Porém, será que as pessoas que virão este filme perceberão isso? Ou será usado como mais uma forma de fortalecer o discurso machista de duvidar na vítima?

Bom, não vi o filme, mas são
impressões que tive qndo ouvi falar dele.

Anônimo disse...

Caroles: http://laranjapsicodelicafilmes.blogspot.com.br/2013/03/festa-de-familia-1998.html

Esse blog é super bom e confiável. Também recomendo o 'submarino' do mesmo diretor, Vinteberg. De quem, aliás, virei fã.

Eicram

Dora disse...

Só para continuar. O que espero que filmes como estes não façam é o seguinte: criem a “falsa proporcionalidade” para reforçar a deslegitimação da vítima, fortalecendo o patriarcado.

Por exemplo. Nas novelas brasileiras é comum mostrarem mães “ruins”, alcoólatras, desequilibradas e que não cuidam muito dos filhos. Porém, estatisticamente, há mais casos de homens alcoólatras, que não cuidam dos filhos, que batem e por consequência “desequilibram” a família. Obviamente que há uma mãe desequilibrada, porém, uma minoria se comparado aos homens que fazem isso, levando em conta que tem mais homens abandonam a família e que são violentos do que o contrário. Neste universo de representação, pensando que é um discurso político e ideologizante a novela, é criada uma falsa proporcionalidade, onde surgem discursos e senso comum onde a mãe é a “megera”, a que “não cuida dos filhos”, e que é “desequilibrada”, reforçando o patriarcado. Claro que a arte, a novela e cinema não pode se furtar de mostrar várias facetas da realidade, mesmo a minoria. Entretanto, em muitos casos, esta arte não contextualiza que trata-se de uma situação minoritária, deixando subentender que isto é corriqueiro na sociedade e não o inverso, neste caso, sendo uma arte altamente conservadora e fortalecedora do patriarcado.

Não vi o filme então não posso opinar se este filme é isso. Como feminista, entretanto, me preocupa a recepção que este filme terá, pois não vivemos no vácuo, e sim dentro de uma estrutura patriarcal e com certos valores que já dão conta de deslegitimar a vítima.

Anônimo disse...

O filme de fato é perturbador, levanta uma série de questões importantes para refletirmos.

A criança sempre sofre uma série de abusos indiretos quando relata um abuso sofrido, ou (né, ahan, a moda agora é o 'suposto').

Nós adultos somos muito intrometidos, tomamos os depoimento dos pequenos com uma arrogância muito grande de que elas não sabem o que estão dizendo, bom, talvez de acordo com a idade a criança não externalize "tão bem" quanto um adulto, com sua linguagem por se formar, mas com certeza ela sabe o quanto está sofrendo com toda aquela situação. Sofrer é intuitivo.Emocional.

Podemos cair no erro também de já partimos para o campo do linchamento moral, e esquecermos da vítima, e nos focarmos muito mais no agressor (ou no 'suposto').Temos q ter sensibilidade e nos preocuparmos com a saúde emocional da criança.

Abstraindo ainda mais sobre o filme, fico pensando nos tais "justiceiros", imagina se a merda, digo, a moda. rsrsrs pega?

Periga de vermos mais casos como o do filme,onde tudo começa com um mal entendido e a vida de alguém é destruída para saciar a sede de demagogia alheia.

Sou totalmente contra justiça clandestina, evoluímos enquanto sociedade, para justamente garantir direitos fundamentais, como o de sermos julgadxs com direito a defesa e esclarecimento do ocorrido.Isso para o bem de todxs, pq não?

Ass: Marmota sem água potável.

Anônimo disse...

Há uma enorme diferença entre esse filme e o caso do Woody Allen. A menina que fez a acusação não tinha uma irmã que comprovadamente fez sexo co o acusado, que aliás era namorado de sua mãe. Mesma coisa com a Escola Base.

André disse...

1) Esse filme é apenas um filme, e filmes dramatizam os fatos narrados justamente para gerar os sentimentos planejados.
2) A vítima no filme tem 5 anos, DF tinha 7, isso faz muita diferença.
3) O Lukas não parece ter uma moralidade tão peculiar quanto a do WA.
4) É só um filme.

Anônimo disse...

Nossa, sem querer ofender ou levantar polêmica sobre o post recente sobre o woody, mas esse título parece saído de um blog mascu :s

Ana disse...

Lola e vc?Como vai ser a partir de agora depois de ver esse filme?
Quando alguma mulher ou jovem lhe enviar um email emocionado contando sobre como sofreram abusocom detalhes até,como sempre acontece,vc vai duvidar delas também ?Afinal essas pessoas podem estar mentindo assim como a filha do Woody Allen.
Vc se meteu numa situação e não está sabendo sair dela.

Ana/ RJ

Anônimo disse...

"Eu sinto como se houvessem desproporcionalmente muito mais filmes/séries etc que mostram O cara legal sendo falsamente acusado de abuso sexual do que falando de abusos sexuais que realmente aconteceram (não são só uma vungancinha da criança/da mulher adulta má)."

Eita, em que mundo você vive?

Anônimo disse...

Em um caso desses, ter a carreira e a vida social arruinada nem são o pior que pode acontecer... Linchamentos (literais) são relativamente comuns nessas situações.

Anônimo disse...

"Há uma enorme diferença entre esse filme e o caso do Woody Allen. A menina que fez a acusação não tinha uma irmã que comprovadamente fez sexo co o acusado, que aliás era namorado de sua mãe. Mesma coisa com a Escola Base."

Fez sexo consensual e quando era maior de idade. E?

Anônimo disse...

É, Lola. Resolveu assumir a defesa do Woody Allen mesmo, hein?

Falsas acusações de estupro e abuso possuem a mesma estatística de falsa comunicação de outros crimes que é de 3%. Mas né? Para defender cineastas, tem gente culpando a vítima.

Erisson disse...

Assisti no ano passado e fiquei pensando como um caso assim é complicado. A vítima pode está falando a verdade ou mentindo. E nem sempre vai ser possível comprovar se o abuso foi cometido. E infelizmente pode ocorrer casos assim na vida real.

Anônimo disse...

iusomi?
Este blog já foi muito melhor

lola aronovich disse...

"Iusomi"? É, desculpe eu viver na ilusão de que só dá pra mudar o mundo mudando também os homens. Sinto muito por achar que o feminismo não é benéfico pras mulheres, mas também pros homens.


Anon das 2:23 (que pode ser a mesma das 2:27 e de outros comentários -- coragem pra criticar assinando seu nome vc não tem, né?), o que este post tem a ver com defender o Woody Allen? Favor notar que nem menciono o cineasta no post. Eu vi o filme antes do escândalo Woody/Farrow ressurgir. Não posso escrever sobre o filme, assim como também não deveria ter escrito sobre o escândalo, se não for pra dar uma opinião padrão? Vc acha que o filme também foi feito pra defender o Woody?

lola aronovich disse...

Ana, o filme não mudou a minha vida. Eu já sabia que acusações falsas de abuso existiam. Vc não? Vc realmente acha que não existem? Presunção de inocência sempre foi um princípio que respeitei, porque sempre defendi os direitos humanos. Não muda nada, porque continuo recebendo emails emocionados de pessoas que foram estupradas. E eu continuo fazendo o que sempre fiz: acreditando totalmente nelas, dando o apoio que eu posso dar, que não é muito, pedindo pra pessoa pensar em denunciar. Mas eu não entro em linchamentos midiáticos. Nunca entrei. No caso da Escola Base, em 94, não existia internet, senão teria sido um escândalo ainda maior. Mas eu fiz questão de acompanhar o mínimo possível as notícias sobre o caso, porque eu não entro em linchamentos. Ó, de novo, pra vc: aprenda a discordar.


Oi, anon das 1:58? Um título como "Veja antes de tachar alguém de pedófilo" parece saído de um blog mascu? Acho que vc não conhece muito bem este blog (que costuma pesar 50 vezes antes de chamar alguém de pedófilo) e muito menos blogs mascus, que chamam pessoas (principalmente mulheres, mas homens de esquerda que eles odeiam, também) de pedófilas sem a menor cerimônia. Inclusive, eles ME chamam de pedófila, por eu ter publicado um guest post de uma moça que disse que, oooooohhhhhh, crianças se masturbam. Vc já teve um arquivo anônimo com seu nome completo em que vc é tachada de pedófila? Não? Eu já. Aliás, ele ainda está por aí.

Anônimo disse...

Lola, eu trabalho em sigilo, então não posso dizer como sei deste tipo de informação, mas gostaria de avisar/informar a todos, que falsas acusações de abuso sexual de crianças, em caso de separação litigiosa, são quase a regra. Quase TODOS os processos litigiosos de guarda falam de abuso sexual...é MUITO comum que as mães tentem usar isso contra os pais. As alegações são as mais diversas, já que o limite é tênue entre um pai e seu filho(a). Vários processos falam de tomar banho com a criança, ir ao banheiro, limpar a crianças, colocar supositório, entre outras coisas...e basta acriança dizer que não estava gostando daquilo ou que foi forçada para alguns psis entenderem como abuso sexual. É uma confusão. O número de processos contra psicólogos por falso laudo de abuso sexual, nesses casos, é imenso. Vale lembrar que numa briga pela guarda dos filhos, a maior parte das pessoas vai usar todas as armas que tem....

Fernanda disse...

Ô Lola, tô sendo preciosista demais se disser que o The Hunt não ganhou a palma de ouro? Quem ganhou foi o diretor, Thomas Vinterberg, mas o melhor filme ficou com Amour, do Haneke.

Comecei lendo o post e tomei um susto quando li aue ele tinha ganhado a palma de ouro, pensei: meu Deus cumé que eu não sabia disso? Hehehe.

Agora vou terminar de ler o post.

So uma coisa: gosto é mesmo igual bunda, graças a Deus, cada um com a sua: acho simplesmente HORRIVEL o filme Polisse (Polissia). Nossa, que filme sem medida, sem saber a que veio, com uma imensa necessidade de chocar (so por chcoar mesmo), quer falar de tudo e não fala de nada, com um final totalmente incoerente... detestei. Hehehehe, como eu disse, gosto, cada um com o seu, né?

Amanda disse...

Acho que o filme parece ser muito bom mesmo. Mas concordo com quem falou que de forma geral parece existir muito mais filmes abordando a trama de um cara legal q foi acusado injustamente do que retratando um caso real de abuso (sendo q estes são a maioria esmagadora, importantíssimo lembrar sempre e sempre.) Também me preocupo que seja usado como argumento em qq caso de suposto abuso. Tipo: "tá vendo como as meninas desde criancinhas já inventam histórinhas com o único intuíto de f*der com a vida dos homens de bem??" E sim, acho bem possível de alguém falar isso.
A questão no fime me parece é q a investigação foi feita de maneira equivocada e afobada. Porém qdo surge um caso desses eu sempre vou sentir mais necessidade de empatizar com a criança do que com um homem adulto.

E pra quem tá comparando com o caso do Woody Allen, eu não acho justo. No caso W.A/Dylan a conduta do suposto abusador é bem contraditória né... Alguém já viu essa declração que ele deu pra uma revista em 76??
“Tenho a cabeça aberta sobre sexo. Eu não estou acima de qualquer suspeita, quando muito, estou abaixo delas. Digo, se eu fosse pego num ninho de amor com 15 garotas de 12 anos de idade amanhã, as pessoas iam pensar, é, eu sempre soube disso a respeito dele“. É mais dificil acreditar num cara que fala essas coisa né?? pra mim pelos menos é!

André disse...

Anônimo 14:55,

Que tipo de separação litigiosa você está falando? Não seria um recorte muito específico, por exemplo separações litigiosas em que o pai queira ficar com a criança para, entre outros motivos, não pagar pensão. Tenho dois parentes que trabalham nessa área e é novidade para mim ser tão comum esse tipo de acusação, mesmo porque é mais comum o pai não querer ficar com o filho. Além disso, até onde eu sei, as acusações partem de um dos cônjuges (o pai acusado de maus tratos ou abuso, e a mãe acusada de má conduta moral e abandono), o quanto é comum que crianças de sete anos acusem o pai de abuso?

Aumildy Ex Uberanty disse...

Pois é neh dona lola e algumas de suas fãs me xingarem de "arrogante" é como dizer q mereci a violência (guest post vizinhos q se acham donos da rua)Detalhe importante: não me conhecem pessoalmente e o post só foi aceito pq dona lola foi agredida por vizinhos e seu relato no tal post é bem mais extenso, só q ela sofreu e eu mereci por ser. supostamente, arrogante. Pra quê fui usar a palavra "exuberante" neh, atiçou o despeito kkk
Feminismo de luluzinhas

lola aronovich disse...

Não tá sendo preciosista não, Fernanda. Obrigada por avisar. Vou retirar essa informação. Juro que li em algum lugar que o filme ganhou a Palma e o Mads ganhou melhor ator.
Sobre POLISSIA, assim que o Adecio indicou, eu vi o trailer, e pareceu tratar meio humoristicamente demais um tema tão sério. Mas vou ver o filme sim.


Ah, alguém falou de PECADOS ÍNTIMOS. Adoro esse filme. Também é ótimo pra se falar sobre pedofilia. Já escrevi bastante sobre o filme.
Crítica aqui, na época que o filme foi lançado.
Beleza é superestimada, diz um cara lindo.
Minhas cenas favoritas de Pecados Íntimos
Por que o filme é melhor que o livro
Outro filme marcante sobre pedofilia é HAPPINESS, com o Philip Seymour Hoffman (cujo personagem não tem nada a ver com pedofilia, mas é um nojentão do mesmo jeito; o pedófilo no filme é o Dylan Baker, que faz um psiquiatra. O filme é muito, muito perturbador. Pouca gente conhece porque é um filme independente). Eu ia escrever sobre ele, mas nunca escrevi. E merece, é ótimo mesmo.


Anônimo disse...

Olá Lola!
Estou para te escrever há um tempo, contando meu caso, mas na correria não pude.
Comigo aconteceu sim um caso de abuso quando eu tinha 5 anos. Estou conseguindo falar dele, agora 20 anos depois.
Descobrimos que o pedófilo repetiu o feito outras vezes, mas todas há algum tempo. Hoje, distante, não sei se ele ainda o faz.

Eu queria poder denunciá-lo e manda-lo para uma bela prisão (antes que meus pais façam justiça com as próprias mãos)... mas depois de TANTO tempo, isso é possível? Afinal, a realidade é bem diferente do filme...

Obrigada!
Abraços

Marina P disse...

Não vi o filme, mas quero falar algumas coisas:

- Anônimo das 14:55
Já vi várias falsas denúncias em casos de separação mesmo e muitos casos de alienação parental mas dizer que são a regra, pela minha experiência, é extremamente inexato. Como você não pode falar de como teve acesso a essa informação (eu esperava estatísticas, artigos científicos muito bem embasafos, etc.), tenho dificuldade em acreditar mas, como eu disse, a minha experiência é outra e as informações que eu tenho não passaram por tratamento científico.

- Eu tenho uma amiga que poderia ter sido acusada de pedofilia, não fosse a atitude extremamente delicada e cuidadosa dos pais da criança. Minha amiga era professora e é homossexual. Ela é abertamente "masculina" (não sei como descrever de outra forma, mas acho terrível que uma mulher que não siga o padrão de vestimenta e maneirismos ligados à ideia de feminilidade seja chamada "masculina". Uso o termo porque ela usa e não a incomoda). Pois bem, uma de suas alunas, uma menina de 11 anos, ficou apaixonadinha por ela e começou a escrever em seu diário sobre como a professora estava "correspondendo" a essa paixão. Ela escrevia coisas como "hoje ela me olhou de um jeito diferente" ou "ela é carinhosa comigo e encostou o braço no meu na hora do recreio". Os pais dessa criança (que não são homofóbicos) foram falar com a minha amiga, levaram o diário e ela ficou assustadíssima e apavorada diante da possibilidade de ser vista como pedófila. Ela simplesmente tratava essa aluna como tratava todas as outras crianças: com afeto e respeito esperados de uma professora. O caso não foi notificado pela escola, pois foi resolvido entre os pais e minha amiga. Chegou-se à conclusão de que a menina poderia ser gay ou bi e de que ela estava entendendo errado um afeto que era inocente e natural. Essa é uma situação muito delicada e tenho certeza de que muitas pessoas agiriam de forma diferente, exigiriam uma investigação, etc. Eu mesma, não sei o que faria. Como os pais da aluna não levaram essa situação à direção da escola, não houve notificação, mas se tivessem falado com a diretoria e se ficasse entendido que habia motivos para suspeita, o caso teria sido notificado e a bida da minha amiga teria sido profundamente afetada... É complicado e tenho pensado bastante nesse tema.

Vou acompanhar a discussão.

lola aronovich disse...

Anon das 15:38, pelo que sei, o crime de estupro hoje leva 30 anos pra prescrever. Escrevi sobre isso aqui. Hoje a contagem pro tempo de prescrição começa só quando a vítima faz 18 anos.

Juba disse...

Lola, vc pode não ter citado o Woody, mas com esse título vc queria que os leitores pensassem o quê?

Tenho minhas dúvidas inclusive quanto à possibilidade de implantação. Sim, sei que existem estudos, mas da mesma forma existem estudos analisando casos de SIDS que anos depois se comprovaram infanticídios e não SIDS, mas que foram largamente aceitos na época.

Se tem algo mais difícil que ser mulher, é ser criança, o elo mais fraco da "cadeia alimentar".

Anônimo disse...

Óbvio que não e certo pré julgar ninguém. Mas eu fico co o pé atrás quando vejo um homem de muito carinho sim, sinto muito. Principalmente se a criança for menina,possivelmente instinto de protecao, todo mundo sabe que homem mais descontrolado sexualmente falando, basta ver que os casos na sociedade, não me deixam mentir.

Anônimo disse...

para as pessoas que falam na estatística de 3% de denuncias falsas, alguem tem os dados estatísticos sobre reincidencia no caso de pedofilia? Não precisam ser no brasil, reincidencia tanto na situação de que o culpado cumpriu pena e saiu da prisão, como no caso de múltiplos estupros antes de ser pego.

Agradeço

Anônimo disse...

Lola, sem nada a ver com pedofilia, mas com estupro, indico o ótimo 'ACUSADOS', filme de 88 com a Jodie Foster. Hoje talvez esteja datado para os americanos, mas para nós brasileiros é tristemente atual.

jacmila disse...

A Caça vai mais além: expõe a horripilante disposição das pessoas para o linchamento do outro. E esses pais não estavam atentos aos efeitos do consumo de pornografia do filho mas se empenham em trucidar o acusado, q antes era até amigo deles.
Como disse Sartre: o inferno são os outros

Anônimo disse...

Olha, eu ainda não vi o filme, mas não acho que ele colabore para criar uma "justificativa", uma "defesa" dos abusadores. Eu gosto muito do diretor e do cuidado que ele tem ao abordar temas tão complexos. Ele já produziu Festen (Festa em Família) que fala sobre o abuso de forma muito, muito tocante, e significativa. A Caça, que eu ainda não vi, parece que vem é acrescentar mais conteúdo à discussão em torno do tema, de forma madura e responsável.

Agora, claro que tem gente doida e bizarra no mundo, que distorce qualquer argumento para se adequar ao ponto de vista dele. Mas esses são os mesmo que dizem coisas estúpidas como "o corpo da mulher pode se livrar de uma gravidez, se for mesmo estupro", né? Não dá para contar com o bom senso dessa galera, de jeito nenhum.

Caroles disse...

Obrigada pelo link, Anônimo!

Também me pergunto se esse tipo de filme reforça a ideia de que muitos estupros/abusos são falsos e tal. É importante perceber que é só um filme, não a realidade, mas nem todo mundo tem esse discernimento, como bem sabemos.

Vi alguém falando que em casos judiciais é mt comum a mãe falar que o pai abusa sexualmente dos filhos... será? Se sim, é muito triste, principalmente considerando o número de pessoas que de fato é estupradx/abusadx e não tem apoio nem da mãe nem do pai... Acho que deve sim ser mais difícil lidar com crianças quando se é homem, as pessoas são muito desconfiadas, até com quem conhecem bem... Mas eu nunca vivi isso, pois sempre tive um pai muito carinhoso e que me abraçava, me beijava, me fazia cócegas, e com quem eu tomava banho quando era criança, e ele depois me secava e me vestia, e nunca vi problema nisso, e nem ninguém que eu conheça... mas depois de crescer e falar com amigxs descobri que isso não é comum, nem outras coisas que na minha família sempre foram normais, tipo andar pelado dentro de casa (inclusive meus pais). Eu fico feliz de ter crescido em um ambiente em que o homem - meu pai - tinha liberdade pra agir com a gente como isso mesmo, um pai amoroso, sem medos ou cuidados. Agora, imagino se minha mãe resolvesse dizer que ele tinha abusado de nós quando eles se divorciaram... Realmente, não faltariam "provas", se me perguntassem se eu já tinha visto meu pai pelado eu diria sim, se me perguntassem se eu já tinha tomado banho com ele eu diria sim, se me perguntassem se eu dormia com ele eu diria sim... :/ de fato parece muito fácil implantar esse tipo de dúvida na cabeça dos outros - e na de uma criança também. No filme tem uma hora que a Karla diz pro Lucas "eles falaram que você fez coisas feias comigo" :/ nem ela sabe mais no que acreditar...

solteira convicta disse...

Sobre separações litigiosas e falsas acusações: conversando com um mestre de obras q "abriu o coração", disse q dava duro no trabalho e qdo chegava em casa a mulher fumando maconha e indo pra balada cazamiga e metendo chifres nele. Disse q entrou na justiça e obteve a guarda do filho q agora não tem nem a mãe nem o pai q continua trabalhando o dia todo. Quem saiu mais prejudicado? a criança óbvio

Ana Carolina disse...

Sobre processos contra pedófilos na idade adulta: na esfera criminal a prescrição é de 30 anos após a maioridade, mas no cível é de 3 após a maioridade (prazo dos danos morais).

Atentem-se para isso, porque tive em mãos um caso terrível e que acabou mais ainda comigo por ser no cível e pelo processo já estar prescrito (entraram com a ação 4 anos depois que a menina era maior de idade)

lola aronovich disse...

Então, gente, acho que vcs têm que ver o filme. Ele não contextualiza dizendo que casos de falsas denúncias são raros, mas ele também não faz qualquer tipo de propaganda "Tá vendo? Tá cheio de denúncia falsa!" Ele foca num homem que foi injustamente acusado, e na reação das pessoas a sua volta. O filme deixa muitas coisas no ar. A gente não vê seus depoimentos na polícia. A gente vê Klara falando com a diretora, vê a conversa dela com o psicólogo, depois com seus pais, mas não vê nada das outras crianças que passam a acusá-lo. A gente fica sabendo muito, muito por cima que (SPOILER SPOILER SPOILER) todas mencionam um porão, e que a casa de Lucas não tem porão. Isso é o que o salva, pelo jeito (e a mesma coisa que alguém mencionou sobre a Escola Base). Eu achei um filme muito equilibrado.
Agora, óbvio que vai ter gente usando o filme pra desqualificar toda e qualquer denúncia de estupro. É ridícula a lógica de algumas pessoas: existem denúncias falsas de abuso, logo, todas as denúncias são falsas. É como algumas comentaristas fazem aqui: eu não acredito em um caso de abuso sexual, logo, eu não acredito em nenhum caso de abuso sexual.
Eu citei o HAPPINESS num outro comentário, um filme muito perturbador, que fala (entre outros temas) de um pedófilo detestável que estupra dois dos coleguinhas de seu filho. O cara é detestável, mas é humano -- ele ama seu filho, por exemplo. HAPPINESS não se concentra no horror da pedofilia. Quando perguntaram por que pro Todd Solondz, roteirista e diretor do filme, ele respondeu que não queria fazer um filme sobre como a pedofilia é horrível, porque todo mundo sabe disso. Concordo com ele. É justamente isso que eu quero dizer quando digo que sou contra escrever textos óbvios (tipo: texto dizendo como eu estou chocada e revoltada com algo chocante e revoltante que aconteceu).

lola aronovich disse...

ACUSADOS é um ótimo filme, anon das 16:20. É um filme feminista. E muito chocante. Eu revi outro dia (quer dizer, outro ano. Acho que foi no ano passado). A Kelly McGillis realmente está pouco à vontade no papel da advogada (e ela foi estuprada na vida real). Mas Jodie está fantástica, como sempre. Mereceu o Oscar.
E tem o SILÊNCIO DE MELINDA, já viram? Ótimo também.

Ah, lembrei também de TOWELHEAD, bom e esquisito.

Recomendo muito um Polanski antigo, de 1965, Repulsa ao Sexo.

Anônimo disse...

Este filme está na minha lista, vou ver. Achei que faltou crítica sobre o filme, atuação, direção, essas coisas, focando o artigo mais na história.
Realmente é um perigo as falsas acusações, e sim, elas existem, e pesam muito contra homens,quando me casei minha esposa tem um filho e nunca sequer tirei a camisa perto dele até recentemente quando ele ficou maior, justamente porque não queria dar nenhuma chance para insinuações falsas, especialmente porque minha mulher e o ex dela disputavam a guarda do menino.

Anônimo disse...

Falsas denúncias de pedofilia são raras?

Pois no Brasilzão elas beiram os 80%:

http://extra.globo.com/noticias/rio/nas-varas-de-familia-da-capital-falsas-denuncias-de-abuso-sexual-podem-chegar-80-dos-registros-5035713.html

Sacerdotisa de JAH disse...

Meu irmão tem amigos na AVFM-BR, uma organização que luta pelos direitos de homens e meninos, tais como os de não ser julgado ao chegar perto de criança; Tenho um primo que estudou a vida toda para ser professor de criancinha, e nunca conseguiu emprego por causa de ser homem, coitado. Hoje ele trabalha no telemarketing, foi o que ele conseguiu. O Pessoal da AVFM-BR está louco por ti, Lola, tá todo mundo aplaudindo esse post de pé. Acho que se a confusão lá se acalmar, podes ver a receber um agradecimento formal.

lola aronovich disse...

Sacerdotisa, não se iluda: mascus me odeiam. Eu sou a única feminista que eles conhecem, e eles dizem que meu blog é misândrico e tal. Mas não tem o menor indício de ódio aqui no blog, nem a eles (eu só rio deles), muito menos aos homens de forma geral. Mascus não estão muito interessados em problemas masculinos (e certamente ter que tomar cuidado ao chegar perto de uma criança -- incluindo aí sua própria filha ou flho -- é um problemão masculino). Tudo que eles querem é falar mal das mulheres. Eles não falam de alienação parental para conseguir fazer com que mais pais consigam a guarda dos filhos. Falam, nas raríssimas vezes que falam, para "provar" como mulheres são megeras.
Eu acompanho um pouquinho os sites mascus dos EUA, e eles não são nada diferentes dos daqui. Portanto, realmente duvido muito que algum mascu me aplauda alguma vez na vida.
Mas, né, nem tudo é privilégio masculino. A forma como a relação homem/crianças é vista pela sociedade é prejudicial ao homem... e a toda a sociedade.
Eu luto pro que é certo pra mim. Eu tive um pai maravilhoso e carinhoso, que andava nu na minha frente e dos meus irmãos, mesmo quando éramos adultos. Com a gente, ele podia ser o que era -- uma pessoa muito carinhosa, até grudenta, com todo o respeito, e carente. Eu me sinto mal ao pensar que, dependendo do moralismo de quem observa, um pai fantástico como o meu poderia ser considerado suspeito.

Ana Clara disse...

Pra que não viu, Mads Mikkelsen está genial em Die Tür/A Porta.

Ronaldo disse...

"Falsas denúncias de pedofilia são raras?

Pois no Brasilzão elas beiram os 80%:

http://extra.globo.com/noticias/rio/nas-varas-de-familia-da-capital-falsas-denuncias-de-abuso-sexual-podem-chegar-80-dos-registros-5035713.html"

Uau. Essa acabou com o meu dia.

RavenClaw~ disse...

Ow Jacmilla. Fui lá ler teu guestpost de novo e bateu a curiosidade... Q q rolou? Vc se mudou, mandou matar, q couve? =)

RavenClaw~ disse...

Sobre o post. Vou ver o filme, obrigada Lola. Adoro o Hannibal *-*. Concordo com quem disse aí encima que o mais comum é vermos filmes ou séries onde o cara, gente fina, foi acusado injustamente. Seria bom ver da perspectiva contrária só pra variar.

RavenClaw~ disse...

Mais uma coisa. Tenho muuuito medo de homem nesse sentido (mea culpa, eu sei). Não deixo meu filho ir no colo nem dos mejs irmãos. Se vejo pré escola em que tem professor homem acho esquisito. Bom, meu pai foi ótimo. Quem me abusou foi outro. Então tenho medo.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Não sei se alguém já lembrou, mas outro filme interessante sobre abuso infantil é Dúvida, apesar que nele a vítima seria um menino de uns doze anos.
Não sei se lembro direito, mas me parece que a dúvida persiste até o fim do filme. E Meryl Streep, maravilhosa, pra variar.

Mila disse...

Ao ler o post também me indaguei "o que eu faria?". A princípio, minha postura (quando vejo casos de abuso especialmente contra crianças) é sempre acreditar no relato da vítima.
Esses dias, no entorno do DF, uma garota de 12 anos acusou um homem de estupro. Mais tarde, foi noticiado que a mãe usou a menina para se vingar deste homem (não me lembro se foi por dinheiro, ou se ele havia desprezado a mãe da garota).
No jornalismo, o que nos é orientado é usar "suposto" ou "vítima diz que...". Confesso que isso me deixa um pouco incomodada por que quando alguém é roubado, não se age da mesma forma, porém, até entendo por questões legais mesmo.

Outra coisa: alguém sabe me informar se divulgaram algum laudo psicológico das crianças que disseram ter sofrido o abuso? Foi causado pq?

Anônimo disse...

Eu não sei de onde tiraram que é mais comum filme sobre falsa acusação do que o contrario!

Por favor, citem os filmes ao invés de afirmarem sem fontes.

Paula Santana disse...

Falem o que quiser, mas quando eu vejo um homem sozinho com uma criança meu coração já aperta, eh inevitável! Não são os 2% de acusações falsas que me assustam, são os 98% das acusações que estão certas! E não acho que seja neurose não, todxs já sabemos como são sempre desacreditadas as vitimas de abuso, principalmente quando quem os cometeu eh uma pessoa famosa, conhecida pelo publico. Principalmente quando envolve uma criança, quem tem que provar que esta certo eh quem esta sendo acusado. E sorry, acho que deve haver sim um julgamento justo, mas para mim o acusado sera SEMPRE o culpado ate que ELE prove o contrario.

Fernanda disse...

Com relação ao filme A Caça, ja tinha comentado em outro post: o sinal maior, na minha opinião de leiga, é a Klara não sentir repulsa pelo Thomas em nenhum momento. Ao contrario, apesar da confusão mental ela continua afetuosa com ele. Não sei se isso funcionaria desta forma na vida real, ja que de tanto insistirem que ele foi mal, a criança pode acabar acreditando e criando medo. Enfim, estou divagando, não tenho o menor embasamento pra dizer. A unica coisa que me parece obvia é justamente o comportamento contrario: quando a criança cria repulsa (vindo dela e so dela), os pais devem ficar de olho. Não so em casos de abuso, mas mesmo de maus tratos, por exemplo.

Lola, o Polissia, na minha opinião, é um apanhado totalmente superficial de fatos diversos (faits divers) que a diretora decidiu colar. Não vejo nenhum aprofundamento, nenhum embasamento, os temas são tratados na superficie mais evidente de todas, mas sem a intenção "documentaria"; na verdade, se propõe a ser um filme super cabeça, forte, pesado, e para chocar; mas não ha o menor indicio de estudo, de um real comprometimento com o tema. O filme, alias, é de uma histeria so: do começo ao fim, os personagens SO gritam. Não tem nuance, não tem variação: é simplesmente o retrato de policias estressados com uma rotina pesada. Parece novela da Gloria Perez, que quer tratar 67 polêmicas ao mesmo tempo, sem se aprofundar em nenhuma. A Maiwenn é considerada uma diretora bem mediocre e o filme foi bastante criticado na França. O proprio personagem dela é totalmente desncessario, não se sabe a que ele veio; e no final, nossa, mudança total e completa de tema. Como se no final de Top Gun um avião atingisse as torres gêmeas. Você fica olhando pra tela boquiaberto assim: oi?

Enfim, ja tinha dito que detestei, agora so expliquei melhor minhas razões.

Leila disse...

Meio off topic, mas há muitxs comentaristas falando sobre alienação parental. Acho que algumas pessoas não têm noção do que é uma criança de 7 anos. Até os 5, 6 anos, até posso concordar, mas "plantar memórias falsas" em uma criança de 7 anos, é algo simplesmente irreal. Manipulação é possível até com adultos, então, não discuto. Porém essas acusações que sempre pintam a mulher separada como uma megera, louca, manipuladora e vingativa, são tão, mas tão machistas...
Lola, sei que o seu público é de pessoas mais jovens, talvez por isso haja poucas mulheres separadas que já passaram por acusações desse tipo. Eu sou uma. Sou até hoje acusada de ser a culpada por meu filho recusar uma convivência mais estreita com o pai. Eles saem juntos, fazem diversas atividades juntos, mas meu filho não aceita JAMAIS dormir na casa do pai. E eu sou a "culpada"! Quando eu comento sobre isso, as pessoas logo expressam direta ou indiretamente a suspeita de abuso. Eu conheço o homem com quem fui casada, e não tenho nenhum motivo para acreditar nisso. Meu filho jamais expressou qualquer coisa que sugerisse essa questão. Acho que o problema é outro, é de confiança mesmo. E eu não posso fazer NADA quanto a isso! E sou acusada de ser a culpada! Quando, na verdade, sou a maior interessada em que meu filho tivesse maior convivência com o pai! Não tenho fins de semana livres, não tenho férias, não tenho nunca uma noite livre para mim.
Então, vejo com muita tristeza essas acusações contra as mulheres separadas. Acho que deveríamos nos perguntar por que os filhos muitas vezes se distanciam dos pais. Será que não são os pais que se distanciam dos filhos? Será que não são eles que têm atitudes que os afastam? Que levam uma vida onde os filhos não têm ou não sentem que têm um espaço seguro?
Gostaria muito de saber a opinião de algum filho de pais separados que passou por isso...

Anônimo disse...

(Nome: Eicram - quando coloco no final me tratam como anônimx)

Lembrei do filme “Não Tenha Medo”, do diretor espanhol Montxo Armendáriz, não é um caso de 'suposto' abuso. Mas acho interessante por mostrar como a vulnerabilidade emocional e social pode fazer com que o abusado 'precise' do abusador. Não se trata de uma vulnerabilidade econômica - que geralmente lembramos -, mas emocional e social no sentido de laços sociais/familiares.

jacmila disse...

RavenClaw~
ah brigadão por querer saber quecouve, "mandou matar" kkkkkkkk
Eles msmos tão se matando com álcool e cigarro, pena q é devagar e depois de policia e audiências tão bem quietinhos. Não mudei nem vou mudar,tõ até construindo outra casinha bem humildy aki do lado. A arroganty aki tá óoooootima, acho q não é só dona lola q pode usufruir dessa conquista capitalista=a propriedade privada neahm

jacmila disse...

Mulher pedófila: essa estória é uma das mais loucas

http://en.wikipedia.org/wiki/Mary_Kay_Letourneau

Anônimo disse...

Muito triste saber que eu "faço parte" da escoria da raça humana, simplesmente por ter nascido com um penís.

Priscila Simões disse...

Olá Lola, sou fã do seu trabalho, acho que já escrevi algo assim pra você antes, mas realmente acredito que seu blog tem um papel muito educativo.
Quando li esse post recordei de um caso em Manaus em que um homem foi preso acusado de estupro, ficou três anos na cadeia, foi estuprado, contraiu hiv e foi liberado depois de três anos por ser inocente.
Hoje ele luta pra ganhar uma indenização do Estado.

http://noticias.r7.com/cidades/homem-preso-injustamente-luta-por-indenizacao-apos-contrair-hiv-em-estupro-no-presidio-10012014

Anônimo disse...

Assisti o filme hoje (mais por causa do Mads) e gostei bastante também! é sempre bom assistir filmes não americanos porque o ritmo é tão diferente..

Achei a menininha q faz a Klara a cara da Anna paquin, especialmente nessa foto q vc postou em q ela olha da porta e a gente olha a janelinha nos dentes, pensei imediatamente na sookie

Anônimo disse...

calma ai lola,se fosse mentira tal acusação ,hoje já crescida com 28 anos já teria percebido o que fizeram com sua mente.Ficar remuendo uma mentira por 21 anos,como se fosse verdade é o mesmo q dizer que o ser humano não amdurece com o passar do tempo, é logico que com 7 anos a gente tem uma mentalidade infantil mas com 28 a coisa é bem diferente.

Maria Fernanda Lamim disse...

Querida, nao sou mae , mas trabalho com criancas pequenas ha 16 anos. O comportamento do seu filhote sugere que nao ha nada errado.com o pai, mas sim com o.espaco da casa dele. Ha mais alguem que mora la? Pode ser ate mesmo.um vizinho ou amigo que visita com frequencia. Talvez ate um cachorro...ou aconteceu algo que possa te-lo assustafo por la? Criancas pequenas tem medo de muitas coisas, e nem sempre conseguem expressar isso de orma clara. Conversr com o pai dele e veja se vcs conseguem jogar uma "luz".em cima drsse comportamento. Boa sorte! :)

RavenClaw~ disse...

Ah Jacmilla. Eu tenho uns vizinhos aqui que dá vontade de mandar matar. Huashuas

Anônimo disse...

Ai, pronto! Começou o the males tears.

Fernanda disse...

Não conhecia o caso Escola Base.

Assisti o video do link no post, e procurei ainda outras reportagens.

Porém, fiquei ressabiada com uma coisa: essas reportagens têm o foco quase exclusivamente sobre os acusados injustamente. O cretino do delegado não se pronuncia mais a respeito; surgiu um americano pedofilo vizinho da escola mas que não tinha fotos das crianças alunas; e eu fiquei aqui, roendo as unhas, tentando entender essa historia. O que eu queria mesmo saber é: como COMEÇOU essa loucura? Como assim duas mãe foram à policia fazer essa denuncia? Baseada em quê? O que gerou a desconfiança? E depois de provada a inocência das pessoas, essas mãe não foram procuradas, ouvidas, não houve a menos uma retratação da parte delas???

Alguém me ajuda com esses detalhes!!! Fiquei de madrugada ontem assistindo aqueles videos horriveis da vida daquelas pessoas sendo destruidas... nossa, que banzo que me deu.

donadio disse...

Em relação aos "2% das denúncias de estupro são falsas", parece ser meramente uma dessas coisas goebelsianas, que de tanto serem repetidas acabam tomando ares de verdade.

Este artigo

http://oratorasaurus.tumblr.com/post/52772925958/two-percent-false-rape-claim-the-truth-behind-it

dá uma boa desmontada nesse mito.

Segundo o FBI, apenas 40% das pessoas detidas sob acusação de estupro são processadas. Obviamente, isso significa que a polícia somente consegue montar um caso suficientemente convincente contra o acusado, a ponto de poder ser encaminhado para a promotoria, em 40% dos casos. É claro que isso não quer dizer que 60% das denúncias são falsas; mas é claro que 60% das denúncias não são suficientemente bem embasadas para motivar um processo. Na melhor das hipóteses, supondo que realmente apenas 2% das denúncias são comprovadamente falsas - e que todas as denúncias que são encaminhadas à promotoria são verdadeiras - teríamos 58% de casos duvidosos. Mas nem isso se sustenta: em 25% dos casos em que foi feito exame de DNA, verificou-se que o esperma não pertencia ao acusado.

RavenClaw~ disse...

Mas Donadio e quando não tem esperma ou outra evidência física?

Musicista Feminista disse...

Faço licenciatura em música, e na minha sala de estágio tinha 7 homens e somente eu de mulher. Quando os pais e mães chegavam para trazer os filhos ficavam olhando "o que esses caras estão fazendo aqui?
Tem também aquela ideia de que educação infantil é apenas "cuidar da criança", e na nossa sociedade machista homens não deveriam "cuidar" ou dar aula pra elas.

Musicista Feminista disse...

É engraçado que muitos homens acham que tem que ficar contra as mulheres para lutar contra nossos "privilégios". Deveriam se juntar, e não separar mais ainda. Acho um absurdo as mulheres da rodoviária da minha cidade terem bermuda no verão como uniforme e os homens não. Lutem pra isso ao invés de mimimi que só a gente pode ficar sem passar calor no verão.

lola aronovich disse...

Gente, um leitor me mandou um email indicando um excelente documentário sobre um caso escandaloso de abuso sexual infantil que envolveu toda uma família nos EUA. Aí eu me lembrei que assisti ao doc e escrevi sobre ele enquanto morava nos EUA, em 2008 (período em que vi mais filmes em toda a minha vida). Vale muito a pena.

donadio disse...

"Porém, fiquei ressabiada com uma coisa: essas reportagens têm o foco quase exclusivamente sobre os acusados injustamente. O cretino do delegado não se pronuncia mais a respeito; surgiu um americano pedofilo vizinho da escola mas que não tinha fotos das crianças alunas; e eu fiquei aqui, roendo as unhas, tentando entender essa historia. O que eu queria mesmo saber é: como COMEÇOU essa loucura? Como assim duas mãe foram à policia fazer essa denuncia? Baseada em quê? O que gerou a desconfiança? E depois de provada a inocência das pessoas, essas mãe não foram procuradas, ouvidas, não houve a menos uma retratação da parte delas???"

O delegado parece não ter sofrido conseqüências; as denunciantes foram processadas pelos acusados, mas eu não sei em que isso deu (elas jogaram a culpa na polícia e na imprensa, é claro). No processo movido pelas vítimas da falsa acusação, consta um trecho de um laudo psicológico a respeito de uma das acusadoras, Lúcia Eiko Tanoue Chang:

D. Lúcia pareceu ser uma pessoa que fantasia muito, até mesmo como mecanismo de defesa inconsciente. Pelo que foi observado no discurso da mãe, para algumas coisas naturais no processo de desenvolvimento infantil, a mesma trata as questões com muitas fantasias e temores, ao que parece, por tratá-lo de forma muito infantilizada, como se tivesse medo de perder o seu lugar para o mesmo. Narrou com muito exagero o fato da criança se acariciar durante o banho. Segundo ela, por exemplo, Felipe introduzia o dedo no ânus, ou acariciava o “pipi”, muito provavelmente as fantasias, ou conflitos mau elaborados à nível da sua sexualidade ela projeta na criança, criando toda uma história, ao que parece muito fantasiosa. Pela dificuldade de administrar sua relação afetiva e sexual com seu cônjuge, a mesma faz o movimento de manipulação com, esta criança que a satisfaz de alguma forma à nível de suas fantasias. Questiona todos os atos e gestos da criança, não admitindo que estes sejam próprios do desenvolvimento de sua sexualidade.

Da parte dela, portanto, parece que a denúncia se origina da ignorância a respeito da sexualidade infantil, negação da mesma, talvez medo patológico das manifestações de sexualidade do filho dela, que para ela precisavam ser explicadas pela intervenção de terceiros, uma vez que a criança teria de ser "puro", "inocente", etc.

Unknown disse...

Lola, no seu texto tem o seguinte comentário: "O profissional tem que acreditar na vítima mesmo quando ela nega ou silencia o abuso. Ao mesmo tempo, ele não pode ter certeza que o abuso ocorreu." Eu trabalhei numa Vara de Crime contra criança e Adolescente" e posso lhe afirmar que o trabalho do núcleo psicossocial ligado à essa Vara é seguro e confiável. Conversei com eles porque eu tinha essa mesma ideia, mas eles explicaram que não confiam no depoimento da criança, ele é considerado, mas o que vai ser indicativo real é o comportamento dela nas dinâmicas, nas brincadeira... A preocupação deles é que a criança pode mentir de forma convincente depois de orientada por um adulto...

Anônimo disse...

Sou a anonima que falou sobre as acusações em casos de separação litigiosa. Sim, é comum mesmo. E sim, quem acusa é sempre mãe e nunca a criança. Só que a criança passa por entrevistas...Já vi psicólogo perguntando se o pai demorou muito trocando a fralda...gente, demorar muito para uma criança depende...se ela estava brincando ou entretida e teve que parar para trocar fralda, demorou uma eternidade...

Tem um caso famoso, nos EUA que a criança estava com assaduras severas por causa de uma infecção intestinal e a mãe levou no hospital correndo para dizer que foi abuso. E todo mundo acreditou...ela não queria que entrevistassem a criança alegando que seria traumático, mas o pai acabou conseguindo na justiça que fosse feita entrevista, e quando a criança relatou que estava com diarréia, o povo ficou cabreiro..mas poderia não ter relatado esse detalhe, porque não é isso que vai ser perguntado... É um assunto muito delicado...

Fernanda disse...

Oi Donadio, obrigada. O texto ta bem mal escrito mas deu pra entender a personalidade delirante da mulher.

Cara, que cagada imensa...

Ana Clara disse...

Nossa, teve um caso bem tenso em Joinville-SC uns anos atrás.
Na época se comentou muito. Uma menina foi encontrada morta afogada no terreno de uma igreja. Parece que quando uma pessoa morre afogada, o inchaço provocado pela água pode romper vasos sanguíneos, inclusive no ânus. Resumindo, um pedreiro que estava fazendo uma obra na igreja chegou a ser preso e condenado em júri pelo estupro e homicídio da menina, mas felizmente o TJSC reformou a decisão.

http://www.portaldecanoinhas.com.br/noticias/7634

Anônimo disse...

Sobre a Escola Base, os acusados injustamente até hj não tiveram a devida justiça. http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/12/caso-escola-base-rede-globo-e-condenada-pagar-r-135-milhao.html


Isso nos ensina a ter muito cuidado com esses linchamentos públicos e com os alardes da imprensa.

Anônimo disse...

Não entendi o porquê desse post depois do post do Woddy Allen, é pra gente perdoar ele, é isso?
Lígia.

Vivi disse...

Leila, conheço um casal separado que tem 3 filhos. Os dois maiores preferiram morar com o pai, o menor de 12 não. Não gosta nem de dormir na casa do pai. Suspeita de abuso nunca passou na cabeça de ninguém. A explicação que dão é que ele é mais apegado a mãe e pronto. Não quer se separar dela. Isso é comum em crianças pequenas não? Eu sou filha de pais separados desde os 7 anos. Mas quem saiu de casa foi minha mãe. Quando voltei a visitar meu pai e passar fins de semana lá eu estava voltando pra casa em que sempre morei. Havia um "elemento" estranho lá, minha madrasta, mas eu tinha a minha irmã comigo, como um apoio. Se eu estivesse numa casa estranha, com uma pessoa estranha, e sem minha irmã, acho que não iria passar os fds na casa do meu pai tão confortavelmente.

Anônimo disse...

Lola obrigado por admitir que, também, podemos ser inocentes, que não somos todos estupradores ou abusadores, que também podemos ser decentes e honestos!

José.

Anônimo disse...

Fernanda aqui.

Assisti a caça em 2012 e desde então gera debates calorosos entre eu e a amiga que viu comigo. Pra mim, o ponto crucial é a irresponsabilidade do psicólogo e da diretora. Eles que deveriam cuidar da situação e detonam tudo. Sei que eu permaneceria ao lado da vítima até o fim. Sem linchamento, mas sem vista grossa.
Amo dúvida justamente por isso, a Meryl diz que tem dúvidas, mas isso nunca a impediu de tentar proteger a vítima. (Off: do Phillip Seymour Hoffman e o autor sabiam se o abuso ocorrera, para que ele pudesse construir o personagem com mais profundidade. Fantásticos, Hoffman e Meryl).
Agora, Lola, curto seu blog, mas não insulte a inteligência de seus leitores tentando fugir da raia. É claro que é significativo você publicar esse post no calor da discussão gerada pelo do Woody Allen. Se seus posts fossem assim tão independentes não haveria link para posts antigos no meio deles. Você afirmou aí em algum comentário que não acredita em um caso de abuso. Imagino que seja o da Dylan. Pra mim, uma figura pública feminista afirmar isso num espaço público configura falta de empatia. E aí você joga todas as suas fichas na tentativa de defender seu ponto de vista ao invés de ouvir críticas construtivas de mulheres parceiras. Admitir que errou um pouquinho às vezes é necessário e faz bem.
Por exemplo, fui uma das que te apoiou na dúvida do fim do blog ano passado, mas até hoje não me conformo que você não entendeu o problema daquele post (ausência de tw e impunidade do cara).

donadio disse...

"Mas Donadio e quando não tem esperma ou outra evidência física?"

Em geral tem, mas também tem a prova testemunhal, antecedentes, etc.

Agora, se não existe prova nenhuma, apenas o depoimento da suposta vítima, o que se há de fazer? Presumir que o acusado é culpado? Isso não pode dar certo, vai é servir para por preto, pobre e puta na cadeia, como sempre.

RavenClaw~ disse...

Sim. Concordo com vc. Justamente por isso que acredito na estatística de 2%. Pq investigadores (mesmo sabendo que é verdade) não podem sair por aí prendendo qualquer um sem provas. E é aí que nem todl mundo é processado. O que não faz sentido lra mim é acreditar que só porque não foi processado criminalmente não é culpado. A gente sabe que não é assim. Impunidade é a coisa mais comum.

Anônimo disse...

Meu nome é Caio, Lola, já que está tão preocupada com meu nome, o tal anônimo que nunca se identifica. Costumo escrever do trabalho e às vezes esqueço de assinar.

Sim, existem as falsas acusações de estupro e abuso. Deixem de relativizar isso, dizendo que as estatísticas de "apenas" 3% estarem erradas. Se fossem 50%, os outros 50% que estão falando a verdade estariam desacreditados?

Mas você Lola, e muitos aqui, têm se esforçado tanto para defender Woody Allen que não tem como não ler esse post sem achar que você saiu em defesa dele. De novo. E usando a presunção de inocência como escudo.

Retirem o nome Woody Allen da equação. Peguem tudo o que aconteceu, inclusive o que a vítima falou em sua carta e julguem sem saber quem é.

Dou minha cara a tapa, mas aposto que você seria a primeira a acreditar na vítima.

Anônimo disse...

Não entendi, José. Normalmente vocês são sempre vistos como inocentes. Mas tem sempre uma vadia que é culpada ou uma criança criativa que inventa histórias..

roberto quintas disse...

Lola, a pedofilia tornou-se a paranóia do nosso mundo. A Policia do Politicamente Correto está por aí, clássicos como Lolita de Vladimir Nabokov não veriam a luz do dia. Que tal algum texto sobre a falsa idéia dos "adultos" de que criança/adolescente é um ser assexuado?

Unknown disse...

a sociedade vive e sempre viveu em conflito. As pessoas, insatisfeitas com suas vidas, precisam buscar culpados para suas frutrações. O que vemos no filme, é a mentira fabricada por uma criança, mas que convence os adultos que se fazem de cegos. Veja que a própria diretora da escola admite que a criança tem imaginação fertil, mas fica mais fácil encontrar culpados e acreditar no que a criança diz. O fato de nao ter dado chance para Lucas explicar, seria um fator decisivo para inocenta-lo, mas as pessoas se recusam a enxergar, preferem tocar suas hipócritas vidas, assim como a comemoração de Natal é cheio de hipocrisias.

Anônimo disse...

Anon das 15:38, apesar de o que a Lola disse ("pelo que sei, o crime de estupro hoje leva 30 anos pra prescrever. Escrevi sobre isso aqui. Hoje a contagem pro tempo de prescrição começa só quando a vítima faz 18 anos") não estar incorreto, o prazo decadencial é diferente e começa a correr quando a vítima completa dezoito anos: ela tem seis meses para denunciar. Se tu já tem 25 anos esse prazo já se esgotou há muito tempo.

Anônimo disse...

Se uma criança é abusa não deixaria marcas e sequelas que poderiam ser comprovadas com uma perícia? No caso uma biópsia na menina.

Anônimo disse...

E agora tem promotor em Florianopolis usando desse filme para inocentar pedófilos! Um absurdo, pois o que mais ocorre é o pedofilo continuar solto por ai....cuidem bem seus filhos e filhas!!!

2Game.com.br disse...

Oi, lola!
Primeira vez que entro em seu site, acabei de assistir ao filme na Globo. Gostei muito dele e, em pesquisa no Google, encontrei seu site.
Muito bom o texto sobre tal assunto, diante disso, resolvi ler os comentários e percebi que não posso retornar ao site por conta dos visitantes. Primeiro: me parece que não aceitam que homens leiam o site rsrs.
Outra, que se você comenta sobre o filme e ele dá um ponto de perdão aos homens de bem, seus seguidores lhe taxam... Muitos deles estão disturpando o conceito de feminismo...

De já, um abraço e parabéns pelos textos. Tentarei ler alguns sem olhar os comentários.

Anônimo disse...

Ei, Lola, como vai?

Seu blog é muito bom! O único defeito são os comentaristas, que primam por dizer coisas que não tem nada a ver com o assunto proposto. Não todos, é claro, só alguns. E esse defeito não é culpa da blogueira, claro que não. Eu fui violentada quando criança, por meu querido avô, por meu lindo tio, por meu grande pai. Um dia, uma titia querida minha, a Maria, entrou no quarto e, viu meu avô em cima de mim. Eu estava com o vestidinho levantado e, ele se esfregava no meu corpinho de criança. Ele não estava nú, eu o odiava e, odeio até hoje; aliás, odeio todos eles. O resultado do flagra foi essa minha titia me olhar de soslaio, pelo resto da minha vidinha, até culminar com meu desterro para um sítio no interior, que pertencia a outra titia minha. Eu estava com uns 14 anos, na época. Lá fiquei, desterrada, sem escola, sem educação de nenhuma espécie, como um bicho selvagem. Mas, meu cérebro pensava e eu não aceitava aquilo, de jeito nenhum. Eu esperei completar 18 anos e, saí de lá, sem nada, sem dinheiro, sem dentes na boca, sem formação nenhuma. E fui enfrentar a vida. Com muita luta, fui melhorando minha condição. Mas, com muita luta! Hoje, tenho 60 anos e, ainda sofro com estas odiosas e terríveis lembranças. Escrevo aqui, com lágrimas nos olhos, com um misto de raiva de mim mesma, por não ter conseguido agir de outra forma, tipo, ter fugido de casa antes, por exemplo. Com tudo isso, queria dizer que, acho muito melhor pecar pelo excesso, do que pela omissão. Todos os adultos, falsamente acusados, que me perdoem. Que busquem seus direitos loucamente, até provarem sua inocência. Eu sei que os inocentes conseguem provar a inocência! Eu sei que sim! O que não posso e, não consigo admitir, é que se deixe de lado a afirmação de uma criança. Que a justiça trate de melhorar seu modo de operar, nesses casos. Que nós, humanos, corramos atrás dos juristas, dos juízes, da polícia, para que melhorem seu modo de trabalhar, para não causarem tantos males. Mas, que nunca uma criança deixe de ser ouvida!

Sonia Maria