domingo, 9 de fevereiro de 2014

COISAS PRA SE FALAR NUM DOMINGO

Lugar de feminista é na cozinha

Alguns informes diversos pra alegrar (e estragar) vosso domingo.
Convido vocês de Fortaleza para a minha primeira palestra este ano, no anfiteatro da Faculdade de Direito da UFC. Será nesta quarta, às 16 horas. Falarei sobre Corpo, Gênero e Sexualidade. Ellen Souza, militante feminista do Tambores de Safo, dividirá a mesa comigo. Apareçam lá! (me contaram que reaças locais estão organizando um rolêzinho pra marcar presença).
E está meio certo que no final do mês, dia 24 de fevereiro, pra ser mais exata, estarei na minha querida UFSC, onde fiz meu mestrado e doutorado. Vou participar de uma banca na defesa de mestrado do Filipe, de manhã, e estamos tentando organizar uma palestra aberta a todxs à tarde. Sei que nessa data a USFC ainda estará de férias, mas vocês apareceriam, né?
Ah sim, já estão abertas as inscrições pro meu curso de extensão "Discutindo Gênero através de Cinema e Literatura". Será às terças, das 11:30 às 13:30, a cada quinze dias, no campus Benfica, UFC. Todo mundo daqui de Fortaleza está convidado. É grátis e aberto à toda comunidade. Não precisa ser aluno da UFC. O curso faz parte do meu projeto de pesquisa. Daqui a dois anos, por aí, quero publicar um livro sobre o tema. Então, se vocês puderem me ajudar, trazendo ideias e discussões, seria maravilhoso. As aulas começam em março. Quem tiver interesse, por favor, mande email pra lolaescreva@gmail.com
Saiu uma reportagem na revista Época sobre feminismo no Brasil, e eu estou nela. Ainda não vi a revista impressa, só a versão online, e gostei bastante. Algumas pessoas reclamaram que quem abre a matéria é a ex-Femen Sara Winter, que não seria bem uma feminista. 
Maridão cortando cebola em Joinville.
Esta bela mesa, que aparece na matéria,
foi ele que fez.
Eu queria era falar da minha foto, que foi aquela lá de cima, que eu pus pra abrir o post. Jarbas, um fotógrafo freelance daqui de Fortaleza, veio aqui em casa na véspera de natal, se não me engano. Ele foi muito simpático e, apesar do meu desconforto (tem gente que tá acostumada a posar, eu não tô), tirou um monte de fotos. A maior parte foi do outro lado da minha cozinha, que não dá pra ver na foto. Tem uma mesa grande de vidro, que não estava limpa, e o pobre Jarbas teve que limpá-la um pouco antes. 
Depois ele me pediu pra pegar o laptop que estava na sala, que é do maridão e nunca havia entrado na cozinha na vida. Mais tarde descemos e Jarbas tirou fotos minhas dos dois lados da rua. Num dado momento, ele me pediu pra posar usando o tablet dele, o que foi um tanto humilhante porque eu não sei segurar um tablet naturalmente (e eu sou uma ativista digital, certo?).
Gostei da foto que escolheram, mas se eu soubesse que mostrariam meus pés, teria posado de... Moleca Comfort ou algo assim (eu tenho um Crocs também, mas não é confortável, o pé sua, escorrega). É que as outras retratadas pela matéria, todas lindas, estão tão chiques! 
Beijão pra Cynthia, que eu ainda não conheci pessoalmente, mas conheci virtualmente desde que comecei o blog. Conheci seu marido Túlio no 1o Encontro de Blogueiros Progressistas, em 2010, em SP, e ela foi tão gentil que pediu pra que ele me entregasse uma caixa de bombons. 
A gente se fala de vez em quando por email e twitter, e esses dias eu estava pensando que nunca brigamos. Já discordamos de um zilhão de coisas, mas sempre com respeito e sem essa imaturidade de "sua opinião é diferente da minha então seremos inimigas mortais". Infelizmente, muitas ativistas ainda não aprenderam a discordar.  
Mudando completamente de assunto.
E o prêmio "Pior Desculpa pra Mostrar Bunda de Mulher" da semana vai para... a campanha do Rio, Eu Amo, Eu Cuido, que decidiu, bastante arbitrariamente, que no Brasil a gente chama bituca de cigarro de... bunda. Vale a pena objetificar mulheres pra fazer propaganda por uma boa causa? 
(Parem de jogar guimbas no chão, gente! Aliás, aproveitem e parem de fumar. Ah, parem de jogar qualquer coisa no chão. Tipo chiclete. Poucas coisas na vida são mais nojentas que chiclete mastigado. E ouvi dizer que mata passarinho). O PETA podia responder essa pergunta. 
Depois das reclamações, o movimento Rio retirou a campanha, admitindo que a bituca "ficou em segundo plano no debate". Por que será, né?
Como o Conar vê ativistas
E por falar em propaganda, foi a hora do Conar pisar na guimba, lançando uma campanha desastrosa que simplesmente diz que ativistas de movimentos sociais protestam por qualquer besteira, e que o politicamente correto está destruindo a graça do mundo. Mais ou menos por aí. 
Num comercial, um casal reclama de racismo pro garçom que separou feijão e arroz. Noutro, um cara se zanga com um palhaço que se chama Peteleco, porque ele estaria fazendo apologia à violência. No final, a locução diz "Confie em quem entende". Porque obviamente o Conar entende muito de "reclamações justas", ao contrário dxs ativistas. 
Ahn, a gente já sabia que não podia confiar em você, Conar. Já faz tempo.
É mais um gol de placa da agência que, pelo menos a julgar pelos posts do meu blog, tem o mais longo histórico de propagandas preconceituosas: AlmapBBDO: Havaianas, Ruffles (que lançou salgadinhos pra meninas -- sabor cream cheese -- e pra meninos -- sabor barbecue -- e o Conar tem a coragem de achar que ativismo é que é ridículo), Volkswagen (que acha que dizer que mulher não sabe dirigir é uma ótima estratégia pra vender carro), Doritos, Boticário, e Marisa.
E, pra acabar, uma boa notícia: muito bacana o protesto sutil que o Google promoveu para se posicionar contra a homofobia na Rússia. 
Amanhã minhas aulas começam na faculdade! Agora sim as férias acabaram de vez. Estou meio em pânico com tudo que ainda preciso fazer. 
Por favor, compra meu livrinho? Só vendi três exemplares este mês!

21 comentários:

Anônimo disse...

Esse comercial da conar do palhaço passou dois segundos atrás na tv e pensei justamente no seu blog :)

Nem um pouco ridículo isso de "Confie em quem entende" quando a gente vê a situação atual da TV, q parece terra de ngm

RavenClaw~ disse...

Nueeessa Lola. Tá linda na revista. Eu tinha visto o doodle do google (haha) e comentei cazamiga que pra mim era a bandeira gay. E elas disseram: capaz, ahloka... E taí! Sabia. Nunca erro. Huashuax

Edson disse...

Quando vi o comercial do Conar tbm não gostei e lembrei de vc.

O Conar considera as reclamações sobre machismo, racismo e tantas outras coisas como exageros de gente chata.

#Conarnãonosrepresenta!

Musicista Feminista disse...

Conar acha que tomo mundo é palhaço e as reclamações são à toa. Obrigada por perder tempo com um vídeo irrelevante, Conar! Ajudou muito!

Patty Kirsche disse...

O Conar é um órgão administrado por homens brancos héteros e ricos cuja função é controlar propagandas feitas por homens brancos héteros e ricos. Certamente entende tudo de direitos de minorias e é totalmente isento. ¬¬

Anônimo disse...

Quando vi no facebook, fiquei me perguntando se em algum lugar do país alguém chama bituca ou toco de cigarro de "bunda"...
Quanto ao Conar, se eles estão precisando fazer propaganda sobre eles próprios sinal que devem estar bem desacreditados.

Julia disse...

G-zuis, passada com a cara de pau desse povo do Conar.
Eles são incompetentes, isso sim.

E eu amei esse doodle do google. Além da mensagem que passa é lindo!

César Marques disse...

Lola,

É só um questionamento meio off-topic. Com relação ao post de 2009 que você linkou sobre suas divagações confusas a respeito do comercial do Doritos envolvendo a música do Village People.

Você foi acusada de não enxergar homofobia óbvia no comercial (segundo alguns comentaristas) e, em um de seus comentários você disse que era contra a criminaliação da homofobia (perdoe-me se interpretei errado).

O que eu gostaria de saber é qual é o seu posicionamento hoje, quase 5 anos depois? Afinal, o comercial foi homofóbico ou não? Desculpe a incoveniência e a "ressurreição" desse post tão antigo...

lola aronovich disse...

César, é uma boa pergunta. O comercial do Doritos de 2009 está aqui (incrível como os links morrem), e claro que eu tive que revê-lo pra poder me lembrar de um comercial de 5 anos atrás. Então, continuo com a mesma opinião: o comercial, pra mim, é cretino e ridículo (como assim, não se deve dividir nada com amigos, só Doritos? Então amigo é pra quê, se vc não pode nem dançar perto deles?), mas não necessariamente homofóbico. Não tem nada no cara que o determina como gay. Só a música, YMCA, não é suficiente, a meu ver, pra dizer que ele é gay. Eu conheço um monte de hétero (eu inclusa) que adora Village People. Foi um grupo que evidentemente começou atendendo um nicho gay, mas que virou mainstream muito rápido. E o pior é que héteros são tão sem gaydar que eu e muita gente nem reparamos que era gay. (Já falei, né, que eu já pensei em fazer trabalho acadêmico sobre "subtexto gay em músicas de discoteca". Tipo, SUBTEXTO, como se tivesse algo escondido, e não escancarado, em músicas como "I will survive").
Sbore a criminalização da homofobia, sim, mudei de opinião. Naquela época eu não tinha opinião muito formada sobre o assunto, hoje tenho: sou a favor. Acho que seria muito benéfico pra sociedade como um todo.

Caroles disse...

Quando eu vi esse comercial da Conar fiquei chocada! Claro, eles ENTENDEM MUITO, por isso tem tanta propaganda merda na TV. Esses dias no intervalo da novela eu olhei pra minha irmã e perguntei: tu notou que todos os comerciais que acabamos de assistir eram machistas? Alguns mais ~inocentes~ tipo "mulher demora muito pra se arrumar né? hihi" até os clássicos e perigosos que tratam mulheres como um pedaço de carne. Tá foda!

RAQUEL LINK - me falaram que ia ter bolo disse...

LOLA, posso tah meio paranoica, mais essa frase do comercial, deixa pra quem entende, não parece meio ditadorial? não reclame, fique quieto, não se faça ouvir? fiquei até com medo.

temos o direito de sempre que achar um comercial inapropriado nos fazer ouvir e ponto. ninguém deve julgar se posso falar ou não.

Anônimo disse...

http://ensaiosdegenero.wordpress.com/2014/01/26/genero-e-educacao-um-paradoxo-atras-do-outro/

Elaine Pinto disse...

Raquel, não acho paranoia não. É exatamente isso o que essa campanha me passa: cala a boca, nós sabemos mais do que vocês, blá blá blá. Temos o direito de reclamar e eles, o dever de investigar. Achava que uma premissa tão simples não precisaria ser explicada aos digníssimos integrantes do CONAR.

Elaine Pinto disse...

Ah, Lola, não reclama do chinelo não... Eu tenho um igualzinho e adoro! Nada mais apropriado para esse nosso país tropical.

Anônimo disse...

"LOLA, posso tah meio paranoica, mais essa frase do comercial, deixa pra quem entende, não parece meio ditadorial? não reclame, fique quieto, não se faça ouvir? fiquei até com medo.

temos o direito de sempre que achar um comercial inapropriado nos fazer ouvir e ponto. ninguém deve julgar se posso falar ou não." [2]

Anônimo disse...

Seria interessante se houvesse reclamações no Conar sobre a própria propaganda do Conar! Rs

Helen Pinho disse...

A campanha das bundas, minha única pergunta é: como essa bosta foi aprovada?! Esses profissionais deveriam ser responsabilizados e punidos com o reembolso aos cofres públicos.

--

Super a favor de denunciar a propagando do CONAR para o CONAR. Onde já se viu "deixe com quem entende", se o trabalho estivesse sendo bem feito não teríamos tantos comerciais machistas, agresivos, totalmente inapropriados como os comerciais para o público infantil, e se eles entendessem tanto e o trabalho fosse sério eles nunca fariam comercial desvalorizando e desligitimando as denuncias.

Helen Pinho disse...

gente vamos encher esses vídeos do conar de "não curti" e denunciem também ao youtube. ridículo um orgão regulamentador "brincar" com questões sociais seríssimas e ainda tentar ridicularizar e intimidar os ativistas.

Anônimo disse...

Lola, gostaria q vc fizesse um post sobre mulheres que moram sozinhas, seja por opção ou por outros motivos e os preconceitos que sofrem por isso, inclusive dos 'mascus' e até mesmo das próprias mulheres.

Helen Pinho disse...

comprei minha revista agora, só para guardar já que li online (: lola tua foto tá ótima! super despojada. só lamento que a matéria comece com a sara, assim como é dela a foto na chamada da capa, mas enfim ela é pop. no exemplar também tem uma entrevista sobre prostituição, que ainda não li, mas parece interessante.

@dddrocha disse...

Pôxa Lola, que foto mais cuti... adorei.
Quero comprar a revista, estava viajando e fiquei sem tempo de acessar o feedly e só agora estou me atualizando.
Ontem que vi essa propaganda do Conar pela primeira vez, achei horrível, fiquei indignada e até comentei no twitter, meu marido e eu estávamos vendo tv e a decepção foi geral. Aquilo não pode continuar sendo veiculado, por favor!