terça-feira, 28 de janeiro de 2014

GUEST POST: A AMEAÇA DO RETROCESSO ESPANHOL

Thays estudou Comunicação na USP e Economia na Espanha, onde vive há 13 anos. Ela trabalha numa multinacional de tecnologia e participa de alguns grupos laicos. Por isso, e por outras coisas, está ativa contra a lei que poderá significar um enorme retrocesso na questão do aborto no país. 

Todos sabíamos: mudar a Lei do Aborto aprovada pelo Partido Socialista em 2010 [que ampliou a possibilidade do aborto, permitindo que adolescentes entre 16 e 18 anos pudessem abortar, mesmo sem o consentimento dos pais] seria uma das únicas promessas de campanha que o Partido Popular tinha a firme convicção de cumprir. 
Manifestação a favor da revisão da lei
Todos sabíamos também que a questão do aborto na Espanha era um assunto resolvido e que a maioria da população estava satisfeita com a lei vigente, lei que basicamente reconhecia o direito ao aborto dentro de prazos concretos. Foi a primeira que garantiu à mulher, e só a ela, a decisão de abortar, e eliminou o conceito de "supuestos" (estupro, risco físico/psicológico para mãe) que Felipe Gonzalez aprovou em 1985.
O Ministro da Justiça, Luis Gallardón, apresentou há algumas semanas a proposta da nova lei do aborto. A lei é um ataque aos direitos constitucionais das mulheres pelas seguintes razões:
· elimina o aborto como direito da mulher. O problema da nova lei não é apenas limitar os casos onde o aborto é autorizado (risco físico / psicológico / estupro), mas estabelecer que apenas médicos (dois médicos diferentes do que fariam o aborto, e independentes) poderão decidir realmente se esses casos se cumprem. A mulher não decide nada que os médicos não autorizem primeiro. 
· a lei se chama "Lei de Proteção da Vida do Concebido" e iguala juridicamente o Concebido à Mulher. Ou seja, cabe ao Estado decidir (através dos médicos independentes) em caso de conflito de interesses entre as duas partes. Importante lembrar que a Constituição espanhola não reconhece "Concebido" como figura legal -- e somente a mulher está equiparada ao Concebido. 
· A lei obriga a mulher a um período de reflexão de pelo menos sete dias (depois da aprovação dos médicos) onde deverá pensar se quer abortar ou não. A mulher ainda será obrigada a ouvir de um representante do governo todas as alternativas que possui além do aborto. Atrasar o processo e evitar que as mulheres abortem é um dos objetivos mais evidentes da nova lei. 
Felizmente, nada foi aprovado ainda. Desde o anúncio da proposta em dezembro, o Partido Popular enfrenta manifestações em todas as cidades espanholas. Editoriais nos jornais, internet, grupos feministas, laicos, ONGs e até membros do PP deixaram claro que não apoiam a nova lei.
É importante que fique claro que estamos fazendo várias manifestações nas cidades grandes, mas ao mesmo tempo, várias pequenas prefeituras estão votando e publicando textos pedindo a revisão da proposta -- por exemplo, Santa María de Cayón e Castro Urdiales --, ambas com maioria do Partido Popular. O PP tem maioria no Parlamento, mas nunca esteve tão sozinho quanto nesse assunto. Até Marie Le Pen, nada suspeita de esquerdista, disse que não aprovaria uma lei tão radical. 
Se existe uma coisa admirável na Espanha é a capacidade de mobilização das pessoas. Mulheres e homens de todas as partes e idades, estamos todos juntos nessa luta. Amanhã haverá uma manifestação no Parlamento Europeu, e, nos dias 1 e 8 de fevereiro, manifestações em Madrid e outras partes do país [e da Europa]. 

Aqui ninguém se esconde. O preço político que muitos não querem pagar é o de apoiar uma lei que retira direitos das mulheres. Um exemplo dessa união é o vídeo criado pelo grupo “Decidir nos hace libres” (com versões em espanhol, inglês e francês). 
Tenho participado de várias iniciativas deles. É inspirador ver tantos grupos trabalhando juntos, ver artistas, escritorxs, cantorxs dando a cara e apoiando a nossa causa. Não sabemos se a a proposta será alterada ou não, mas sabemos perfeitamente quem está do nosso lado, do lado das mulheres. 
¡No pasarán!

Meu comentário: Se esta reforma for aprovada na Espanha, o país europeu, que legalizou o aborto em 1985, terá uma lei tão restritiva quanto o Brasil e outros países pobres da América Latina e da África. Seria um retrocesso de trinta anos!
Ontem o Ministério da Justiça espanhol fez mais uma declaração desastrosa: disse que uma lei mais restritiva para o aborto seria positiva para a economia, pois aumentaria a natalidade. É muita ingenuidade pensar que só porque um governo elimina o direito ao aborto, o aborto deixa de acontecer! 
Nos países onde o aborto é criminalizado, como aqui, ocorrem tantos abortos quanto em países onde ele é legalizado. A diferença é que onde o aborto é legalizado, as mulheres não morrem quando o realizam. Tanto que um dos gritos de guerra de pessoas pró-escolha é: "Anticoncepcionais para não abortar. Aborto legal para não morrer".
Percebam como a "Lei de Proteção ao Concebido" é parecida com o nosso Estatuto do Nascituro. Essas leis visam dar a um óvulo fecundado, a um concebido, a um nascituro, mais direitos que a uma mulher adulta. Só que aqui, onde mulheres não têm direito ao aborto em quase nenhum caso, querem tirar o direito em todos os casos. É a velha visão de que mulher é apenas uma incubadora de bebês. E, como tal, precisa ser vigiada (e punida) o tempo todo. 

55 comentários:

José Tarcísio Costa disse...

Inclusive, treze ativistas e políticas francesas escreveram uma carta aberta a Gallardón:

http://sociedad.elpais.com/sociedad/2014/01/24/actualidad/1390593147_707054.html


Fabio B disse...

VIVA ESPAÑA!

Acompanho a um bom tempo a situação na Espanha. Obviamente os espanhóis tem urgência em querer mudar a lei aprovada em 2010.

Recomendo que leiam os números da Espanha antes de tentar qualquer tipo de comentário.

http://www.hazteoir.org/sites/default/files/adjuntos/ipf_el_aborto_en_espana_hoy_1985_2012.pdf

Desde 1985 até 2012 aumentou em 150% o número de abortos o que prova que a lei de liberação não diminui como alguns querem acreditar.

Lola, este imagem de católicos, representando a Marcha da Vida na Espanha é bem tendenciosa não?

Desde 2010 existem protestos por lá. Seguem imagens sem manipulações:

https://scontent-b-iad.xx.fbcdn.net/hphotos-prn2/t1/q77/s720x720/1475818_508424505923128_1766141320_n.jpg

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=533260873439491&set=pb.221966714568910.-2207520000.1390940390.&type=3&src=https%3A%2F%2Fscontent-b-iad.xx.fbcdn.net%2Fhphotos-prn2%2F1606434_533260873439491_1861614591_o.jpg&smallsrc=https%3A%2F%2Fscontent-b-iad.xx.fbcdn.net%2Fhphotos-prn1%2F1538714_533260873439491_1861614591_n.jpg&size=1000%2C673


https://www.facebook.com/photo.php?fbid=533260873439491&set=pb.221966714568910.-2207520000.1390940390.&type=3&src=https%3A%2F%2Fscontent-b-iad.xx.fbcdn.net%2Fhphotos-prn2%2F1606434_533260873439491_1861614591_o.jpg&smallsrc=https%3A%2F%2Fscontent-b-iad.xx.fbcdn.net%2Fhphotos-prn1%2F1538714_533260873439491_1861614591_n.jpg&size=1000%2C673






Anônimo disse...

Acho engraçado que feministas esquerdistas defendem ferrenhamente o aborto (que eu to poco me fudendo) como direito de decidir sobre o próprio útero e tal e que o estado não deve se meter. mas ao decidir sobre sua própria carteira, decidir sobre sua própria empresa, ficar com seu próprio dinheiro, decidir sobre andar armado, liberdade de contratar em questão de família, de trabalho, e civis, e tantas outras liberdades, de repente o estado passa a ter direito de se mete em tudo. Não faz sentido. Eu quero que o estado pare de se meter EM TUDO, tanto no que a solução dada por ele me agrada, como no que a solução dada por ele não me agrada (odeio drogas e drogados, por exemplo, mas ainda assim defendo o direito deelas serem vendidas e utilizadas, odeio esquerdismo, mas defendo o direito de vocês o serem e divulgarem, etc). Isso é coerência.

Paula disse...

que imbecis! Na Espanha seria sópegar um trem/ônibus para a França ou para Portugal e problema resolvido...

é o que fazem na Irlanda, onde o aborto é proibido: as moças (classe média) vão para a Inglaterra e fazem abortos seguros e legais...

só que na Espanha seria ainda mais barato por terra... cada uma..

Anônimo disse...

@Paula:

E as mulheres pobres? Como ficam?

Sara disse...

Se a ideia por traz dessas leis contra o aborto é aumentar a natalidade, ao contrario do que vc disse Lola, creio q estão conseguindo.
No começo do mês uma amiga veio pedir ajudar para abortar, disse que tomava os anticoncepcionais, mas tomou antibióticos fortes e esses teriam prejudicado o efeito do anticoncepcional, na verdade não sei se isso pode ocorrer, mas o fato é que ela não desejava a gravides.
Eu não soube como ajuda-la, indiquei esses remédios q vendem na internet tipo citotec, mas ela teve medo, pois disse que seria perigoso ser enganada, disse q escutou relatos de gente q da esse tipo de golpe.
Pedi até ajuda de uma amiga, cujo marido é médico para saber se havia alguma clinica pra indicar.
Mas não tive resultados, parece q todos tem medo, o que realmente empurra a mulher nessa situação para o desespero e acabar procurando métodos mais perigosos ainda q muitas vezes podem lhe custar a vida (q pelo jeito não tem valor nenhum pra esses lixos de pro vida), ou por não encontrar nenhum tipo de ajuda, acabar tendo o filho que não desejava ter, contribuindo dessa forma para o desejado aumento da natalidade.
Não vi mais essa menina, q é amiga de uma de minhas filhas, mas creio q ela ira acabar tendo esse filho, mesmo contra sua vontade.
Me senti impotente para ajuda-la, pois realmente desconheço como fazer isso.
Mas continuo achando um absurdo q a mulher não tenha um direito tão básico como esse.
Espero q na Espanha essa lei deprimente não passe, e que um dia no mundo inteiro a mulher possa ter autonomia sobre seu corpo.

Paula disse...

Anon das 20:09

as irlandesas pobres, assim como as brasileiras, estão f**das e mal pagas...

mas as espanholas não: um trem para qualquer um dos paises, saindo de Madrid (que fica bem no centro da Espanha), custa 60 Euros. Eu calculo que na França e em Portugal um aborto custe uns 250 Euros. Para padroes europeus (lá tem gente na pindaíba, mas miserável não tem), isso é pagável mesmo para uma estudante que se sustente..
logo, essa lei não vai impedir ninguem de abortar legalmente e com segurança... vai só dar mais trabalho e fazer com que as mulheres tenham mais prejuízo financeiro..

Patty Kirsche disse...

#medo

Guilherme disse...

Na espanha o aborto e a principal causa de mortalidade infantil,la se faz aborto ate por causa de labio leporino.ele pode ser feito livremente ate 14 semanas,mesmo que o fato de um feto ter apenas 12 semanas fosse uma justificativa para o aborto,o caso nao se aplica aqui.No fundo o numero de semanas que se faz um aborto não importa para os abortistas,neste mesmo blog tem um post que defende uma senadora no texas que quer implantar uma lei de aborto para ate 5 meses,na inglaterra e possivel fazer o aborto ate 6 meses.

Lygia disse...

Sara, é verdade sim. Os antibióticos em geral são um dos tipos de medicamento que interfere com a eficácia da pílula anticoncepcional, tanto pelo mecanismo de ação (interfere com mecanismos de metabolismo do anticoncepcional) quanto pela diarréia que a maioria deles provoca.

Quanto ao texto, lamentável a possibilidade desse retrocesso...

Julia disse...

Mas esse Fabio B é um urubu, todo post sobre aborto ele aparece.

Imagino que os espanhóis tenham mesmo essa urgência..
Os espanhóis, no masculino só mesmo.

Anônimo disse...

Pra mim essa lei e bem válida e não vejo como um retrocesso, mas sim como uma conscientização.
E olha que li o testo todo e pela atual lei meninas de 16 a 18 anos podem fazer aborto sem consentimento dos responsáveis, olha a questão de facilitar a vida de pessoas querem ter responsabilidade sobre os seus atos. Que essas lei seja aprovada e que sejam assumidos as consequências das ações e outra coisa li num outro post que o cara que se envolver nao tem o direito de saber sobre o passado da mulher, inconsebível, do momento em diante que uma pessoa entra na vida da outra ela tem o total direito de saber sobre a vida da outra se a intenção for um compromisso sério e isso de acordo com a o que a pessoa pensa (no casos seus conceitos) se aquela pessoa com quem está serve ou nao para um relacionamento saudável.

Anônimo disse...

Mais absurdo ainda é achar que uma alta taxa de natalidade é garantia de um futuro brilhante de uma nação.
Se fosse assim, Niger, Uganda e Mali - que tem as maiores taxas de natalidade do mundo - seriam o paraíso na terra!!!

Eu vejo tudo e não morro!!
;/

Jane Doe

Cricket disse...

"Nos países onde o aborto é criminalizado, como aqui, ocorrem tantos abortos quanto em países onde ele é legalizado. A diferença é que onde o aborto é legalizado, as mulheres não morrem quando o realizam."

Engraçado! A legislação sul-africana relacionada ao aborto é uma das mais liberais do mundo, e lá, após a aprovação dessa prática, houve um aumento gigantesco tanto no número de abortos quanto no número de mortes maternas. De acordo com a OMS, o país com o índice de mortalidade materna mais baixo na América do Sul é o Chile, que em sua constituição protege a vida em gestação. O país com o índice mais elevado é a Guiana, com um índice de mortalidade materna 30 vezes mais elevado do que no Chile. A Guiana permite o aborto sem quase nenhuma restrição desde 1995. Mundialmente, o país com o índice mais baixo de morte materna é a Irlanda, uma nação que proíbe o aborto.

Parece que a realidade discorda de você.

Cora disse...

acredito que exista uma pressão pelo aumento da natalidade, sim. uma pressão antiga, aliás. e o meio de fazer isso seria incentivar a maternidade de formas menos impositivas, incluindo a mulher em sua totalidade no mundo público, por exemplo. seria deixar de ver a maternidade como um evento que limita a vida feminina. pois é espantoso como as mulheres reduziram o número de filhos a partir do momento em que controlar a gravidez se tornou possível com os métodos contraceptivos mais eficazes.

mas, controlar a mulher é sempre muito mais fácil. proibi-se a maternidade quando ela não é "interessante". força-se a maternidade, quando ela é "interessante". em alguns países muçulmanos, o estado "orienta" que a mulher tenha pelo menos três filhos, sendo o ideal que tivesse cinco. afinal, precisam de pessoas para sustentar e disseminar a religião.

se existem mulheres que optam pela interrupção da gravidez, é porque elas NÃO DESEJAM TER O FILHO!!! como que a solução pra isso seria impedi-la de fazer a interrupção? por que ocorrem essas interrupções? quais as motivações? por que as mulheres não querem ter filhos? quem são as mulheres que interrompem a gravidez? mas isso não interessa a ninguém. o que interessa é apenas apelar pro emocional e usar a força. as mulheres que não desejam ter o filho continuarão não desejando. mas, elas que se phodam, as pobres, principalmente, as mais vulneráveis, principalmente. pois aquelas que não desejarem e puderem interromper, continuarão fazendo. aquelas (e aqueles) que fazem seleção, continuarão fazendo. os meios de lidar com isso são outros.

a mulher, ao longo da história da humanidade sempre lidou com gestações não desejadas. SEMPRE. e nunca teve acesso a meios seguros de fazer isso. ou porque eles simplesmente não existiam ou porque foram impedidas de fazê-lo. o que eu acho grave é que nós, humanidade, ainda não conseguimos admitir que um filho não é uma dádiva dos céus, não é um milagre, como querem que seja. um filho é o desejo da mulher. mas reconhecer isso é demais pra todo mundo. engraçado é que quando a mulher deseja ter o filho, mas os outros não, ela é impedida de fazê-lo.

o que eles custam a admitir é que a mulher, muitas vezes, simplesmente não quer colocar mais uma pessoa no mundo. ou pelo menos não naquele momento. no meu entender, não há justificativa nenhuma para proibir a interrupção da gravidez até a décima segunda semana de gestação, quando essa interrupção é menos perigosa para a mulher.

querem aumentar a taxa de natalidade? existem outros meios. já disse isso inúmeras vezes: o direito ao abortamento seguro deve estar garantido por lei, mesmo que nenhuma mulher no mundo interrompa uma gravidez.

existem muitas pessoas já nascidas morrendo por motivos torpes. desnutrição, falta de atendimento médico, falta de medicamentos, doenças provocadas por falta de saneamento básico, violência, fome, guerras... cuidemos delas. há muito a ser feito por quem já está neste mundo, inclusive pelas mulheres que precisam interromper uma gestação não desejada.

Hugo disse...

"Mais absurdo ainda é achar que uma alta taxa de natalidade é garantia de um futuro brilhante de uma nação.
Se fosse assim, Niger, Uganda e Mali - que tem as maiores taxas de natalidade do mundo - seriam o paraíso na terra!!!"

Faz sentido que eles queiram aumentar a população. A economia européia vem sofrendo com a baixa natalidade deles, que gera um aumento no número de idosos e uma diminuição na força de trabalho. No entanto, isso é obviamente apenas um motivo secundário para essa lei dinossáurica. O que eles querem é proteger fetos mesmo.

Cora disse...

para alguns homens, parece que só o passado da mulher pode ser condenável.

eu acho que devemos sim saber sobre o passado de nossos parceiros.

pra mulher, então... é fundamental saber o passado do companheiro. muitas estariam vivas se tivessem informações sobre isso.

por exemplo, quantas adolescentes o homem engravidou por recusar o uso do preservativo? informação super relevante.

Helen Pinho disse...

Ataques diretos a liberdade! Muita gente não percebe, mas isso não é somente sobre aborto, uma leis dessas ou análogas a ela, como a Lei do Nascituro no Brasil, tornam nós mulheres menos cidadãs que os homens e hoje é usado no caso do aborto, mas amanhã o que não teremos direito de decidir?

Cora disse...

o espantoso é o tanto de mulher que decide interromper uma gestação, um procedimento em nada agradável e que é, em si, também uma forma de violência. por que tantas mulheres decidem pela interrupção? esse é um dado interessante. obrigá-las a gestar não resolve essa questão.

e proteger a vida em gestação não entra em conflito com o direito de decidir. a partir do momento em que a mulher decide pela gestação, esta deve sim ser protegida, já que protegida está a pessoa, no caso a mulher. proteger a mulher é proteger a vida em gestação, já que a gestação não existe sem a mulher.

Cora disse...


Helen,

amanhã controlar-se-á o acesso aos métodos contraceptivos. depois de amanhã, restrições no mercado de trabalho. é assim que funciona a máquina do tempo. voltemos ao passado.

é duro reconhecer, mas a humanidade é uma experiência que não deu certo.

Anônimo disse...

Putz, Cora!
Falou tudo e mais ainda!
"é duro reconhecer, mas a humanidade é uma experiência que não deu certo."

Alec disse...

Esse restrição do aborto foi mais um ato de desespero do governo espanhol, já que a taxa de natalidade lá está caindo drasticamente.

Marina disse...

Fabio B, vc já parou pra pensar que na verdade foi o número de abortos registrados que subiu??Ou vc naum sabe que quando uma prática é ilegal, dificilmente ela entra para os registros oficias??Dããã!

Marina disse...

Ooo Cricket, pára de falar merda cara!!Kedê fontes????
Toma essa aqui pra vc ficar quetinho -- http://www.unfpa.org/webdav/site/global/shared/documents/publications/2012/Trends_in_maternal_mortality_A4-1.pdf

Bruno disse...

Essas feministas são fodas! Quando a questão é sobre o abordo e o que fazem com o próprio útero defendem a liberdade de escolhas das mulheres.

Agora quando é com relação a liberdade dos homens em liberar ou não espermatozoides na relação sexual(vide pílula masculina), se posicionam contra. kkkk

Marina disse...

Guilherme, o que vc falou não faz o menor sentido..Mortalidade infantil não se dá por abortos, uma vez que não se aborta uma criança e sim um feto..tsc tsc tsc..Tirando que a mortalidade infantil na Espanha vem caindo continuamente desde 1950, ou seja, a aprovação da lei legalizando o aborto, em 1985, não teve nenhum impacto neste estatística (obviamente, mas né..tem que explicar) Faz download da tabela aê meu filho!http://esa.un.org/unpd/wpp/Excel-Data/mortality.htm

Marina disse...

É Anônimo das 00:53..e c vc fizer sexo sem camisinha, ou a camisinha estourar, e pegar qualquer DST, também não deve ter tratamento, pq afinal, vc tem q ser responsabilizado por seus atos!Ninguém mandou confiar em camisinhas!huahuahuahauha
Esses reaças ainda me matam...de rir!

Marina disse...

Bruno, te desafio a me mostrar uma feminista contra a pílula anticoncepcional masculina!Umazinha só!
Mascus, vcs naum cansam de repetir (e acreditar) em mentiras óbvias???

Cora disse...


Marina,

o que eles não entendem é que ponderar sobre o que aconteceu e decidir pela interrupção da gravidez também é se responsabilizar pelos seus atos.

lola aronovich disse...

Bruno, normalmente eu não aceito comentários com mentiras, como o seu. Mas aceitei só pra poder provar que vc ou é mentiroso ou está muito mal-informado. Entendo que vc seja um mascu, mas nem por isso deve acreditar nas mentiras que os mascus espalham.
Fica aqui o desafio da Marina: me apresente uma feminista que seja contra a pílula anticoncepcional masculina.
Deixe o link pra algum artigo NÃO-MASCU que fale que as feministas foram/são contra o anticoncepcional masculino. O Elisimar Coutinho (único que mascus citam) já foi desmentido faz tempo... E ficou tão mal pros mascus que vcs mesmos pararam de divulgar essa lenda urbana.

Cora disse...


a única coisa que feministas conseguiram com total sucesso foi barrar a pílula anticoncepcional masculina. e isso tudo na calada da noite, sem nenhuma mobilização pelo mundo. sem passeatas. sem pressão política. sem debates. sem contestação. UAU!! não sei porque todas as demais reivindicações feministas precisam de tanta luta! basta fazer o mesmo que fizeram pra barrar a pílula masculina. é tiro e queda!!

Anônimo disse...

Eu nunca entendo quando ouço um "tem que ter responsabilidade sobre os seus atos", quer dizer, se eu não vejo o menor problema em abortar até a 12ª semana de gestação, por que não posso lidar com as consequências dos meus atos desse modo?

Cricket disse...

"Ooo Cricket, pára de falar merda cara!!Kedê fontes????"

Sobre a África do Sul:
http://www.mccl-go.org/pdf/SAfrica%20WhitePaper%20hi-res.pdf

e

http://www.johnstonsarchive.net/policy/abortion/ab-southafrica.html

Sobre o Chile:
http://www.lifesitenews.com/news/archive//ldn/2010/feb/10021207

Parece que quem falou merda foi você.

Fabio B disse...

Marina disse...
Fabio B, vc já parou pra pensar que na verdade foi o número de abortos registrados que subiu??Ou vc naum sabe que quando uma prática é ilegal, dificilmente ela entra para os registros oficias??Dããã!


Marina o aborto é liberado com restrições desde 1985 e os números são os abortos oficialmente registrados.

Desde 1985 já existe o aborto "por risco psicológico da mãe" e as mulheres usavam, de certa forma, de uma fraude para abortar por qualquer motivo. Em 2010 legalizou -se esta fraude e acrescentou outras adendos.

De 1985 até 2009 o aborto só subiu. Os abortos registrados mesmo. E de 2010 até 2013 também.

Então o Dããã! seria para vc certo??? Mas não...

O Dããã segundo o uso que você deu reflete algum tipo de retardadismo mental. Você o usa quando alguém fala uma "besteira" tão grande que só pode se tratar de um retardado ou alguém com problemas mentais.

Algumas crianças emitem este som por não ter a fala desenvolvida.

Na Espanha o aborto por mal formação do feto é normal. Pesquise sobre o assunto. Possivelmente, se continuar assim eles não terão mais atletas para-olímpicos no futuro.

E a síndrome de down??

Bem já que você é inteligente e gosta de ler deixo este artigo abaixo para aumentar seus conhecimentos do que acontece hoje na Espanha e em outros países onde a cultura da morte se instaurou.

Boa leitura.

Abstract
In this article, we try to reflext an avident fact: since the last 20 years, the percentage of births of Down Sindrome in Spain is decreasing. This fact is so silenciated in the mass media, that we can call "the silent dissapearance". But this is a bit of a more big problem more preocupated: the rejection of our society against the disabled people. For this, first, we present the facts, and then we will make a bioethical reflexión about the meaning of the rejection of disabled people, a serious fact that contradict the human responsability for others.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22548661
http://aebioetica.org/revistas/2012/23/77/111.pdf

Renata disse...

Ahhh como que queria que tivesse pílula masculina!
Meu namorado também espera que logo essa porcaria exista pra gente poder ficar mais relax.
Eu sou cheia das alergias e não posso usar nenhum tipo =/

--
Teve um cidadão ai falando que aborto conta como mortalidade infantil! haueuhehuahueahueahuea
Ai gente..
--

Será que num próximo protesto por aqui não tem como levar uns cartazes de apoio à Espanha?

Anônimo disse...

Ainda não vi respostas ao meu comentário de 28 de janeiro de 2014 19:40... Ah é, é porque não há!

Musicista Feminista disse...

É aquilo que eu digo sempre, eles estão preocupados com a vida do feto, quer dizer punhado de células pq isso tem base religiosa. Onde estão essas mesmas pessoas protestando com toda essa vontade contra a violência no parto, a falta de vaga nas creches e a educação?

Anônimo disse...

Marina centenas de cientistas descordam de voce,segue o texto:Em 1971 o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA pediu a mais de duzentos cientistas, entre os mais prestigiados especialistas americanos, que elaborassem um relatório sobre o desenvolvimento embrionário. Esse documento diz o seguinte:
“Desde a concepção a criança (1) é um organismo complexo, dinâmico e em rápido crescimento. Na sequência de um processo natural e contínuo o zigoto irá, em aproximadamente nove meses, desenvolver-se até aos triliões de células do bebé recém-nascido. O fim natural do espermatozóide e do óvulo é a morte, a menos que a fertilização ocorra. No momento da fertilização um novo e único ser é criado, o qual, embora recebendo metade dos seus cromossomas de cada um dos progenitores, é completamente diferente deles”. (Amicus Curiae, 1971 Motion and Brief Amicus Curiae of Certain Physicians, Professors and Fellows of the American College of Obstetrics and Gyneco1ogy, Supreme Court of the United States, October Term, 1971, No. 70-18, Roe v. Wade, and No. 70-40, Doe v. Bolton.)
Em 1981 o Senado dos EUA estudou a chamada Human Life Bill. Para o efeito ouviu durante oito dias os maiores especialistas do mundo na questão (americanos e não só). Ao todo foram feitos cinquenta e sete depoimentos. No final, o relatório oficial dizia o seguinte:

“Médicos, biólogos e outros cientistas concordam em que a concepção marca o início da vida de um ser humano – um ser que está vivo e que é membro da nossa espécie. Há uma esmagadora concordância sobre este ponto num sem-número de publicações de ciência médica e biológica.” (Report. Subcommittee on Separation ofPowers to Senate Judiciary Committee 5-158. 97th Congress. 1st Session 1981. p. 7.) Veja que esses cientistas se referem ao feto como criança,quando uma mulher gravida perde o bebe,nenhum medico diz "infelizmente voce perdeu o feto" e sim "infelizmente voce perdeu o bebe".

Cora disse...


o que você não percebe, fabio, é que o problema é justamente esse! muitas mulheres simplesmente não querem ter filhos!! muitas mulheres estão escolhendo interromper a gestação!! e isso ocorre no mundo todo!! inclusive nos lugares em que o aborto é proibido. e por quê? o que tá acontecendo que tá fazendo com que as mulheres optem por um procedimento que é em si uma violência? em tese, as mulheres são malucas pra ter filho. no entanto, sempre que podem escolher, evitam a gravidez. e sempre foi assim. as mulheres, ao longo da história, nunca tiveram essa escolha. ou as índias escolheram gerar os filhos dos colonizadores? ou as escravizadas escolheram gerar os filhos dos senhores? ou as mulheres capturadas nos conflitos escolheram gerar os filhos dos vencedores? a gravidez nunca foi escolha. ela acontecia. e quando é, e a mulher escolhe não ser mãe, as pessoas ficam chocadas. como pode um ser que ama tanto o filho nascido, escolher não ter filho? o problema todo é esse. é esse conflito aparente que as pessoas não aceitam.

estou de pleno acordo em procurar diminuir o número de abortamentos, só não concordo com a solução proposta, simplesmente por ela não ser uma solução. proibir não resolve questão alguma e você sabe disso.

você está tão preocupado com o embrião, que esquece da única pessoa que pode salvá-lo de fato: a mulher gestante. é nela que você deve pensar, pois é ela que age. se alguém pode salvar o embrião, esse alguém é a mulher gestante.

em relação aos atletas paraolímpicos, já falei sobre isso com você em outras ocasiões. acho baixo você usá-los dessa forma. até porque grande parte dos atletas são lesionados da medula ou amputados. nasceram saudáveis e sofreram acidentes. e depois, tem muitas pessoas com problemas genéticos que lutam muito para terem filho. fazem aconselhamento genético e lutam pelo direito de terem filhos naturais. muitas pessoas com deficiência lutam igualmente para romperem preconceitos e poderem gerar filhos naturais. não os use para seus propósitos. é desonesto.

a decisão pela ivg, enquanto permanecer pessoal, deve ser garantida a todos, independente do motivo, até a décima segunda semana de gestação. qualquer outra questão relacionada a isso, deve ser tartada conforme sua especificidade. existe preconceito fortíssimo contra portadores d síndromes genéticas. lutemos para derrubar esses preconceitos. só assim um casal ou uma mulher que receba esse diagnóstico pode decidir levar adiante a gestação sem medo do filho ser discriminado ou não ter assistência médica/educacional no futuro. simplesmente proibir a ivg não é solução pra isso e não resolverá o problema.

Cora disse...


todas as questões levantadas pelo fábio já foram respondidas em outros posts sobre o assunto. é sempre a mesma história. se houver interesse por parte de novos leitores do blog, basta consultar outros posts da Lola sobre ivg.

Cora disse...


duro é aguentar a maldade travestida de bondade desse tal de fabio.

lola aronovich disse...

Era com o Fábio que vc passava horas discutindo em outros posts, Cora? Eu deixo os comentários dele porque comparado com outros reaças, mascus e trolls (inclusive uns que são xará dele, como o do mingau), ele é até educado. Quer dizer, reconheço que meus critérios de comparação não estão bons. Mas fico super feliz que vc tenha voltado a comentar, Corinha!

Anônimo disse...

Lola se soube que o mini troll do Twitter @WRealista teve a conta suspensa ?

Cora disse...


ai Lola, nem me lembre daquelas discussões ridículas! mas não era com ele não. ele não fica replicando muito. ele acha que publicar os links no seu blog é importante. depois disso ele logo se manda e volta no próximo post sobre ivg. eu já comentei alguns desses pontos que ele sempre levanta, mas quando mencionei os debates anteriores, estava pensando nas outras comentadoras, como a Mirella e a Roxy, se não me engano, entre outras. acho inclusive, que as duas dialogavam mais com ele (mas minha memória não é boa, se estiver enganada, que Mirella e Roxy me perdoem!). essa história dos atletas paraolímpicos, pra mim é dos piores argumentos. acho tão baixo ele usar essas pessoas da forma como ele faz!! não sei o que é pior, os mascus do mundo da fantasia ou esses lobos em pele de cordeiro. mas publique sim, Lola. faz parte, né? é até bom para as pessoas conhecerem a estratégia dessa gente.

eu dei um tempo nos comentários, pois tava abusando demais. tô melhorando, acho. andei um pouco por outras bandas e tentarei ser mais objetiva por aqui. não estava comentando, mas lia sempre.

obrigada pelo carinho =D

Marina disse...

Cricket,
Vc não leu a própria referência (tendenciosa) q vc citou da África do Sul – “Much of the increase in maternal mortality is attributable to the prevalence of HIV”.
Esse mesmo artigo diz que o aborto é causa de somente 4,9% da morte materna (período entre 2005 a 2007, pq será que selecionou só essa faixa de tempo e depois concluiu que a lei, de 1997(!!) teve algum impacto na morte materna...tendencioso?Máágina!). E ainda, desse %, 25,7% são ocasionadas por aborto inseguros...Ou seja meu amigo, a morte materna, no período estipulado, teve muito mais a ver com outras condições, citadas inclusive no artigo (“the top five causes of maternal mortality in South Africa are non-pregnancy-related infections (mainly due to AIDS), hypertension, obstetric hemorrhage, pregnancy-related sepsis and preexisting maternal disease”) do que com a legalização do aborto..
Próxima referência ---
Essa referência demonstra o que eu quis dizer pro Fabio B..quando uma prática antes considerada ilegal se torna legalizada, o que aumenta são os registros oficias desta prática, antes inexistentes, e não a prática em si. É muito desleal citar somente a % e falar que o número de aborto aumentou!

Sua referência do Chile deu pau, meu querido..não posso refutar!
Hunn..concluindo...Vc falou merda..2 vezes!

Marina disse...

Fabio B, a parte da discussão que vc fez do meu "Dããã"(huahuhauahuahau) e as conclusões que vc chegou são unicamente suas, não minhas.
Agora, a referência que vc colocou só mostra que o nascimento de pessoas com down diminuiu, não que o aborto de fetos com down aumentou..Vc quer discutir o capacitismo ou direitos reprodutivos??Vc tah fazendo uma confusão ae meu filho!

Marina disse...

Anônimo das 22:15..um texto de 1971..Sério msm??

Marina disse...

Cora, concordo com absolutamente td q vc disse!Haja paciência!

Rosanna Andrade disse...

Nós te amamos, Cora!

Guilherme disse...

Marina,o anonimo das 22:15 sou eu,acabei esquecendo de escrever o nome.sao dois textos,um de 1971 e outro de 1981.qual o problema?43 e 33 anos atras,relativamente recente.não me consta que os cientistas tenham mudado sua posiçao,e como eu disse em outro comentario,desde o seculo 19 os cientistas ja diziam isso.Os abortistas procuram se informar sobre o aborto e o começo da vida humana lendo blogs pro-aborto como esse,os abortistas tem o costume de fabricar numeros e propagar desinformaçao,basta voce ver a alegaçao de que no brasil sao feitos um milhao de abortos,quando na verdade os dados do sus demonstram que o numero e muito menor.Quanto ao que escrevi sobre mortalidade infantil,realmente na fonte que eu usei,eu li mortalidade infantil,quando na verdade o texto diz apenas mortalidade.os dados são de um relatorio do Instituto de Politica Familiar intitulado "O aborto na Espanha: 21 anos depois (1985-2006)".

Guilherme disse...

A afirmaçao sobre a mortalidade na espanha e do presidente do Instituto de Politica Familiar Eduardo Hertfelder:"o aborto se converteu na principal causa de mortalidade na Espanha".

Cora disse...


não existem abortistas. existem defensoras do direito de decidir. seriam abortistas pessoas que defendessem a realização de abortos. não é o caso, nem aqui e nem em nenhum lugar que eu frequento. defendemos o direito de decidir e, decidindo pela interrupção da gestação, o direito de ter um atendimento médico adequado.

acho essa discussão sobre o início da vida uma bobagem que só serve pra mascarar o fato de que é completamente lógico que uma mulher decida sobre a manutenção ou não da gestação que ocorre em seu corpo. da mesma forma que é completamente lógico que ela decida quando essa gestação acontecerá, ainda que, infelizmente, a maior parte das gestações aconteça sem planejamento.

a vida teve um único início, há bilhões de anos e, desde então, é ininterrupta. tudo está vivo. células, gametas, zigoto, embrião, feto...

a formação de um novo ser humano se inicia na fecundação. o zigoto formado é a primeira célula. a partir daí, ocorrerá multiplicação celular, diferenciação celular e o organismo tomará forma. processo que dura cerca de 40 semanas (partos ocorrem normalmente a partir da 37ª semana).

a gestação propriamente dita só se inicia a partir da nidação, o que ocorre entre 10 e 14 dias após a fecundação (que ocorre no meio do ciclo menstrual). e só a partir da nidação inicia-se a formação da placenta, cordão umbilical e saco amniótico. o primeiro terço da gestação (cerca de 12 semanas) corresponde à embriogênese. é neste período que ocorre a maioria dos abortamentos naturais, justamente por ser um momento em que o embrião se implanta no útero e desenvolve as estruturas que garantirão sua ligação com o organismo materno. se algo não se forma adequadamente, o desenvolvimento não pode continuar (evidentemente existem abortamentos naturais tardios, por outros motivos). por isso, é também este o limite sugerido para a realização da ivg na maioria dos países.

a partir da 12ª semana tem início a fase de desenvolvimento fetal. um feto, mesmo imaturo, é capaz de sobreviver fora do organismo materno a partir de um dado momento. sem assistência nenhuma, a partir da 34ª semana, aproximadamente. contando com assistência hospitalar, entre a 24ª e a 34ª semana. quanto mais imaturo, mais recursos serão necessários para garantir a sobrevivência. recentemente houve um caso de feto de 21 semanas que conseguiu sobreviver. por outro lado, ocorrem casos em que fetos a termo não conseguem fazê-lo.

a questão, então, não é quando começa da vida. a questão, como esclareceu a Renata no post anterior, é que há uma confusão entre o conceito de vida e o de pessoa. nem tudo que é vida humana é pessoa. pra gente existir de fato para o mundo, precisamos necessariamente nascer, vir à luz (bonita expressão, aliás). então, no feto há uma expectativa de pessoa, ainda que a vida seja, evidentemente, humana. grosso modo, isso justificaria a interrupção da gestação em qualquer momento. no entanto, como existe a possibilidade da sobrevivência pós parto antes de completarem-se as 40 semanas, limita-se a possibilidade da ivg à 12ª semana, na embriogênese, isso na maior parte dos países que permitem a ivg (mas há países em que o limite é a 13ª, 14ª, 18ª, 20ª até 24ª semana). o período considerado de abortamento natural vai até a 20ª-22ª semana (fetos de até 500g). a partir daí, diz-se parto prematuro.

Cora disse...


ogrigada, Rosanna! é bacana saber que somos queridos =DD

estava com saudades de todos aqui!! eu não estava lendo os comentários, porque aí a gente não resiste, né? tava lendo só os posts =P

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Marina,

eu tinha escrito um comentário melhor do que este aí, mas sei lá o que fiz que voltei pra página inicial e perdi tudo, hehehe. mas acho que disse mais ou menos o que pretendia.

e é legal dar uma olhada nos textos que eles indicam, sim, porque muitas vezes eles distorcem o que os autores dizem. e o bacana é que aqui na Lola sempre tem alguém cheia de energia e perspicácia pra fazer isso e rebater esse pessoal. desta vez é você, hehehe!!

o post da Renata (anterior a este) também tá ótimo. ela disse coisas excelentes lá, tanto no texto quanto nos comentários. pra favoritar.

e o fabio diz sempre as mesmas coisas, por isso indiquei os outros posts sobre o assunto pra quem tá chegando agora aqui.

muita força pra você, Marina!

Marina disse...

Cora, falou td e falou bonito!!!!
Não sabia que o Fabio sempre comentava as mesmas coisas..Enfim, tomara que um dia ele finalmente entenda!
Força pra tds nós, pq não é fácil viu!huahauha

Guilherme disse...

Cora,e interessante como alguns defensores do aborto,ou da legalizaçao dele se voce preferir,costumam trocar certas palavras para camuflar a defesa de um absurdo,assim aborto passa a ser meramente interrupçao da gestaçao.Nao existe o direito de tirar a vida do proprio filho,repito o que eu disse em um outro comentario,a mulher tem direito sobre o seu corpo,mas o corpo da mulher e formado por tres partes,cabeça tronco e membros,a criança,ou feto se voce preferir, nao faz parte do corpo da mulher,e nao me venha dizer que o feto nao e um ser humano,foi voce quem disse "acho essa discussão sobre o início da vida uma bobagem".Seu longo texto que começa falando sobre a fecundaçao e termina falando sobre um feto de 21 semanas que conseguiu sobreviver fora do utero so demonstra que e dificil um feto sobreviver fora do utero,nada alem disso.Por fim voce diz que para ser considerado uma pessoa e nescessario nascer,pois fora do utero ele nao tem como sobreviver.O que uma coisa tem haver com a outra?Todos nos somos dependentes de algo ou alguem,nem por isso deixamos de ser pessoas.Nao pretendo continuar essa discussao neste post,nao ha muito mais a se dizer,passe bem.