terça-feira, 14 de janeiro de 2014

GLOBO DE OURO, TERMÔMETRO PRO OSCAR

Se essas duas não ganharem o Oscar, será trapaça

Só algumas breves observações sobre a premiação do Globo de Ouro, que aconteceu no domingo. Pra começar, devo dizer que não vi a cerimônia e não sei quase nada sobre ela.
Só queria falar sobre os vencedores, já que eles servem de parâmetro pro Oscar (aliás, os indicados pro Oscar já saem na manhã desta quinta. Eu tô tentando correr atrás do prejuízo de não ter visto nada de filmes durante todo 2013). 
O melhor filme pro Oscar ficará mesmo entre esses dois: Trapaça e 12 Anos de Escravidão (veja trailer legendado), com resultado bem imprevisível (pelo menos a esta altura), e com Gravidade correndo por fora (alguém me explica por que Gravidade é tão especial? Juro que não entendi). 
Tinha gente achando que a Amy Adams, maravilhosa em Trapaça (veja trailer), sequer seria indicada pro Oscar de melhor atriz. Agora que ela recebeu o Globo de Ouro por melhor atuação em comédia/musical, imagino que a galera tenha mudado de ideia. Talvez Cate Blanchett continue sendo a favorita (por Blue Jasmine), mas ela já recebeu um Oscar (de coadjuvante) por Aviador. Amy terá a seu favor ser uma das protagonistas de um filme mais importante que Blue Jasmine, e que evidentemente não é uma comédia (embora tenha sido indicado ao Globo como tal). Se ela ficar fora das indicações do Oscar, será um escândalo. 
Quem deve sobrar é Meryl Streep. Eu vi Álbum de Família (trailer) e gostei bastante (a peça deve ser melhor que o filme, que precisou cortar várias cenas para ter uma duração de duas horas), e achei Meryl fantástica como sempre. Mas há quem considere sua interpretação histriônica e exagerada. Pra mim, todas as atuações de Álbum são estupendas, e se o Oscar tivesse a categoria de Melhor Elenco (deveria ter!), Álbum seria um candidato fortíssimo.
Porém, ainda falando em Trapaça, Jennifer Lawrence ganhou o Globo de atriz coadjuvante, o que, suponho, a deixe como favorita pro Oscar. Só que ela acabou de ganhar sua primeira (de muitas que virão) estatueta no ano passado. Sinal de que todo mundo a adora, dentro e fora da tela. 
Ela e Amy são a alma de Trapaça, e ambas estão fenomenais, mas agora eu fiquei pensando que o papel da esposa carente e irresponsável deveria ter ficado com uma atriz mais velha. Jennifer é nova demais (23 anos!), embora ela possa aparentar muito mais. Mas, enfim, minha torcida é por ela também. A estreante Lupita Nyong'o é linda e está ótima em 12 Anos de Escravidão, mas seu papel não tem a mesma força do de Jennifer em Trapaça
Neste final de semana eu vi Clube de Compras Dallas num tablet pequenininho. Pra variar, eu não sabia nada do filme (veja trailer), nem com quem era, e eu e o maridão ficamos tentando adivinhar quem era aquele ator bigodudo tão magrinho. Seria o Christian Bale? Lá pela metade eu reconheci o Matthew McConaughey, que andava por baixo em sua carreira (compare com quando o rapaz apareceu, na década de 90, com filmes como Tempo de Matar, Contato e Amistad). 
Na realidade, por pouco eu não deixei de ver Clube de Compras já no comecinho. Olhei pro maridão e perguntei: "É um filme sobre rodeios?" Só que em seguida alguém mencionou o Rock Hudson, então me toquei que seria um filme sobre Aids no começo da epidemia, nos anos 80. E gostei do drama, apesar do protagonista insuportável.
McConaughey está perfeito, quase irreconhecível com sei lá quantos quilos a menos. Tomara que ele ou Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão) ganhe. E que, se McConaughey ganhar, ele faça um discurso homenageando as vítimas da Aids e contra a homofobia. Seria pedir demais?
Porque eu vi o discurso de agradecimento de seu colega Jared Leto agora no Globo de Ouro, e vou te contar... O cara falou em depilação e em como aquela bundinha é dele mesmo! Êta egocentrismo! Jared está incrível como uma travesti que vira sócia do personagem de McConaughey em Clube de Compras. Juntos, os dois conseguirão um coquetel de remédios que pode atrasar a morte de vítimas da Aids. A personagem de Jared tem as melhores falas e é uma alma caridosa. Mais que humanizar o protagonista, ela humaniza o filme. Se não fosse ela, Clube de Compras seria muito mais difícil de assistir. Vou torcer por Jared no Oscar, mas pelamor, custa muito bolar um discurso mais empático?
Teve gente também que considerou homofóbico o discurso de agradecimento de Michael Douglas (pelo telefilme muito bacana Minha Vida com Liberace). Sinceramente, eu não achei, apesar do discurso não ter sido bom de jeito nenhum. 
Eu vi alguns discursos de agradecimento na internet e o que mais me chocou, pra falar a verdade, foi o Leonardo DiCaprio (que recebeu Globo de melhor ator em comédia por O Lobo de Wall Street, e ainda assim provavelmente ficará fora da disputa do Oscar) dizendo pro Scorsese que, no futuro, ele (Scorsese) será reconhecido como um dos grandes artistas do seu tempo. Hum, como assim, no futuro?! E a gente que pensava que o diretor já era visto como um dos gênios do cinema há uns bons quarenta anos...

31 comentários:

Adécio Moreira Jr. disse...

Oi, Lola!

Só queria fazer duas considerações sobre seu texto:

- "...eu reconheci o Matthew McConaughey, que andava por baixo em sua carreira". Como assim??? Somente nos últimos anos, Matthew chamou atenção atuando em "Magic Mike", "Mud", "The Paperboy", "Bernie", "Killer Joe"... o cara está na melhor fase de sua carreira há uns 4 anos.

- Sobre o discurso do DiCaprio, ele deve ter dito aquilo por achar que Scorsese vem sendo preterido demais nessas premiações, coisa que eu concordo.

Grande abraço!

Ana disse...

"alguém me explica por que Gravidade é tão especial?" Ok, vou tentar.
Gravidade é tão especial por, depois de tantos anos, apresentar um filme espacial sensacional. Já foi comparado ao 2001, Uma Odisseia no Espaço dezenas, se não centenas de vezes, e traz uma enorme beleza.
A qualidade dos efeitos especiais é indiscutível. A trilha sonora é espetacular, apesar de ouvir algumas pessoas dizerem que não deveria ter trilha, uma vez que a personagem principal declarar que gosta do silêncio. Ok, ela gosta, mas inegável o efeito que a trilha sonora dá ao filme. Ainda, o filme nos permite uma viagem não só naquele espaço que se mostra na tela do cinema, que suas câmeras captaram; nos permite uma viagem dentro de nós mesmos, dos medos, aflições e descobertas. Há uma observação muito interessante sobre o filme: pode-se dizer que ele mostra a evolução ao contrário. Ao invés de começar na água, ir para a terra e a conquista do espaço, ele faz isso na ordem inversa.
Ainda, há de se destacar a atuação da Sandra Bullock e a ideia interessante de o filme possuir dois personagens apenas, (Ok, seriam 3, mas o primeiro desaparece nos primeiros minutos), permitindo que a personagem mais inexperiente fique sozinha em uma infinitude. Uma cena que me toca muito é a que ela fica em posição fetal, e isso pode suscitar muitas interpretações diferentes.
Não conheço uma pessoa que tenha visto esse filme no cinema e não tenha saído, no mínimo, agoniada. Agoniada com as cenas, com a aflição da personagem, que acaba por nos influenciar. Mas essa agonia depois se dissipa e só sobra contemplação sobre essa obra.

Felipe disse...

Sinceramente, acho que essas premiações são puros jabás, além de quase nunca premiam quem realmente merece. Tudo isso é uma grande propaganda dos grandes estúdios, não perco meu tempo assistindo.

LeiDe Mamariquinha disse...

Gravidade ta em um mesmo patamar que Avatar por ex.Mas sendo gravidade muito melhor em minha opiniao.

Poh,colocar a mulher la em pose fetal la foi bem inspirador,esses tipos de cena filosofais,origem da humanidade so colocam homem começando por aquela figuras nojentas de evoluçao dos libros de ciencia

Pra melhor filme concerteza devia ganhar,nao vi os outros mas pra melhir filme prevejo que é o melhor ou se nao nos tecnicos e roteiro

donadio disse...

Na linha do Felipe, este quadrinho...

http://www.viruscomix.com/page482.html

Vale a pena rir.

Anônimo disse...

Lola, que tristeza. http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/oficial-%C3%A9-preso-pelo-desaparecimento-de-12-meninas-para-explora%C3%A7%C3%A3o-sexual

O cara está envolvido em pelo menos 17 sequestros de meninas para exploração sexual e tráfico de órgãos, pegou 4 anos que foram convertidos a prestação de serviços comunitários. O juiz é o mesmo que condenou o morador de rua a cinco anos por ocasião dos protestos no RJ.

Vitor Ferreira disse...

Lola, tinha acabado de postar no meu blog sobre o evento:
http://vitormcz.blogspot.com/2014/01/globo-de-ouro-2014.html

Amy Adams tem ficado de fora de todos os prêmios. Do SAG, do critics choice... Só entrou no Globo de Ouro porque dividem categorias. Talvez a vitória no globo dê uma levantada nas suas chances, mas ela é azarão até pra ser indicada no momento.

Quanto a Jennifer, acho confete demais. Too much too soon. E ela tem feito papéis pra mulheres pelo menos 10 anos mais velhas, tanto nesse quanto em Silver Linings, que eu acho bem melhor que Trapaça, que eu achei um Scorsese diet, Tarantino fat-free.

Livia Siqueira disse...

Lola, teria sido bacana vc ter assistido à cerimônia para comentar os (muitos) toques feministas na apresentação e nos discursos de agradecimento. Tina Fey e Amy Poehler (que tascou uns beijos no Bono rsrs) arrasaram novamente.

Mariana disse...

Lola, que pena que você não assistiu. Sou grande fã da Amy Poehler (sempre te digo no twitter pra assistir a Parks and Recreation) e da Tina Fey, as apresentadoras do Globo de Ouro deste ano, que já apresentaram ano passado e estarão no próximo.

Gosto não só por serem engraçadas, mas especialmente por serem feministas.

Aqui as piadas delas da noite. 1 e 4 foram as melhores: http://metro.co.uk/2014/01/13/13-of-tina-fey-and-amy-poehlers-best-jokes-from-the-golden-globes-2014-4260576/

tamis disse...

Não lembro do discurso do Michael Douglas, e do Jared Leto não prestei atenção. Agora além de chocada com o Leonardo ganhando Globo de Ouro, a verdade é que o Scorsese é apreciado por nós, mas parece que a Academia não curte muito ele não. O coitado ganhou Oscar de melhor filme por Os Infiltrados, que não é de longe, o melhor filme dele. Se bem que eu tenho essa teoria que o Leo só vai ganhar um Oscar quando tiver bem velho, e mais por "respeito a carreira" que por um filme realmente bom. A gente vê a Academia fazendo isso sempre. Mas que foi sensacional Amy Adams, Amy Poehler, DiCaprio e Cuarón ganhando prêmios, os mais underdogs da competição.

Anônimo disse...

Off-Topic

Lola, pq em páginas como o Terra, sempre tem notícias de professor(a)s no EUA que são expulsas da escola por fazerem sexo com menores? Nunca tem reportagens com professores homens?

Tipo, não to defendendo pedofilia nem nada, (credo!) mas isso me instiga muito, tem alguma mensagem subliminar ai? Pq nessas matérias sempre fica parecendo que a professora é uma pervetida que corrompe os alunos e que sofrem de distúrbios e tals

quase sempre tb, essas mesmas mulheres se arrependem e viram religiosas.

Tava pensando nisso...

Helena disse...

Ei Lola, e sobre o tweet da Mia Farrow durante a homenagem ao woody allen? Sobre ele ter se casado com a filha adotada E ser acusado de ter estuprado outra filha adotada.. .Acho que daria um post legal falando sobre se dá para separar o autor da obra, como estavam discutindo nos comentários uns dias atrás do Nelson Rodrigues. Sei que a Nádia não curte o cara: http://www.cartacapital.com.br/blogs/feminismo-pra-que/e-se-woody-allen-fosse-um-serial-killer-6038.html
Gostaria de ouvir sua opiniao também!
beijo!

Anônimo disse...

Ai Lola quem diria que você também é tão influenciável.Até você babando ovo pra Jennifer Lawrence?Superestimada demais.Dizer que a Lupita Nyong'o tem interpretação inferior foi patético.
Sempre assim,racismo.Fica tranquila,a loira com certeza vai levar a estatueta e a negra vai ficar na vontade.

lola aronovich disse...

Respondendo algumas colocações bem rapidinho...

Adécio, sobre o Matthew McConaughey, reconheço que não vi esses filmes que vc mencionou. Mas não dá pra comparar os últimos anos de sua carreira (em que ele estava fazendo série pra TV, o que costuma ser um sinal de menor prestígio) com a década de 90, quando ele apareceu. Na ocasião, ele foi comparado pela crítica a um novo Marlon Brando, um novo Paul Newman. E esse hype durou alguns anos. Aí ele foi escolhendo papéis errados, e nunca ninguém mais disse que ele era um grande ator. Agora, com Dallas Buyers Club, esta é sua chance de sua carreira renascer.
Sobre o discurso do DiCpaprio, sim, imagino que foi isso que ele quis dizer, mas ficou esquisito...


Ana, obrigada pela explicação. Talvez, se eu tivesse visto Gravidade no cinema, teria tido todas essas sensações que vc descreveu. Eu gostei do filme, só não entendi o que ele tem de mais. Concordo com tudo que vc diz, mas achei a história simples demais. E li gente dizendo que é tudo metafórico, que a história não se passa no espaço, e sim na mente da personagem da Sandra Bullock, que está aprendendo a lidar com a perda. Hmm... Só assim pra trama ser um pouquinho mais profunda.

lola aronovich disse...

Vitorzinho, mon amour, não entendo como os críticos podem aplaudir TRAPAÇA sem aplaudir a Amy Adams (e a Jennifer Lawrence). As duas são as almas do filme. Amy será indicada a melhor atriz e aí o jogo começa do zero, será ela contra a Cate Blanchett. Vai depender muito da campanha de cada filme, por isso acredito que a Amy, por estar num filme mais importante, pode se sair bem. E todo mundo gosta dela (da Cate também, claro, mas Cate já tem um Oscar, e a persona das duas é diferente, Amy é "the girl next door", não é uma beldade, e sim uma atriz que foi vista como bobinha e "cute" durante anos, e passou a ousar em papéis cada vez mais audaciosos. Isso vai valer pontos, pode apostar. E até o fato d'ela ser azarão pode ajudar: everybody loves a dark horse.
Sobre a Jennifer, pra mim ela merece todos os confetes. Ela é ótima. Mas concordo, tanto sua personagem em Trapaça quanto em Silver Lining deveriam ir pra atrizes uns dez anos mais velhas. Não vou ficar nada chateada se o Oscar de coadjuvante for pra Lupita. E tem a Oprah também, né? Não vi o filme com ela ainda.

lola aronovich disse...

Livia e Mariana, pois é, adoro as duas (Amy Poehler e Tina Fey), e fiquei muito feliz que Amy Poehler ganhou pra melhor atriz de séries, pelo ótimo Parks and Recreation (recomendo pra todo mundo). Mas não deu pra ver o Golden Globes porque eu estava em Águas Belas, sem TV a cabo, e com uma péssima conexão de internet. Elas seriam ótimas apresentadoras do Oscar, mas já estão contratadas pelo Globo de Ouro por mais um tempo. Aliás, estava pensando nisso esses dias: essxs humoristas que apresentam essas cerimônias ganham dinheiro, ou só prestígio (e sofrimento quando tudo dá errado, vide James Franco e o tal do cara no ano passado)?


Tamis, boa explicação! Será que o DiCaprio, ao falar aquilo sobre o Scorsese, quis dar uma indireta sobre como ele, DiCaprio, é visto pelo Oscar? Será que o DiCaprio, apesar de ser um grande ator, só vai ganhar Oscar depois de velhinho? Não pode ser! Cedo ou tarde ele será reconhecido.

Julia disse...

Você viu Killer Joe, Lola?

O Matthew McConaughey está fantástico. Nunca soube que ele era tão bom ator assim. Mas o filme é bem misógino, não apenas o personagem do Matthew, que é um psicopata misógino, mas o filme em si. E que nome difícil de escrever, meu deus.

lola aronovich disse...

Anon das 17:28, parece que isso de professora se envolver com aluno menor de idade acontece muito nos EUA, a julgar pelo volume de notícias desse tipo... O que consigo ver é que as mulheres são sempre tratadas como desequilibradas. As notícias tentam passar que não foi algo meramente sexual, e sim emocional, um envolvimento romântico. E, claro, que pro aluno envolvido, foi uma grande oportunidade de sexo. Raramente acompanho o que acontece depois com essas professoras, então não sei se se arrependem e viram religiosas. Mas, se eu tivesse que chutar, diria que elas sofreram abuso sexual na infância.


Anon das 8:02, não sabia que preferir a interpretação da Jennifer Lawrence à da Lupita Nyong'o era racismo. Mas eu estava falando dos papéis de cada uma mesmo, não da interpretação. Eu acho o papel da personagem da Jennifer mais forte (apesar de desprezível) e mais importante pra trama de Trapaça que o papel da personagem da Lupita em 12 Anos de Escravidão. Mas essa não é uma verdade absoluta, é só minha opinião. Pode discordar. Sem acusações de racismo...

lola aronovich disse...

Putz, Helena, vc quer ver o circo pegar fogo, né? Os ânimos ficam muito exaltados quando se fala de Woody Allen e Polanski. Até quando elogio o Nelson Rodrigues, que nunca cometeu crime nenhum, tem uma galera que quer me queimar na fogueira como herege. Eu teria que escrever um looooongo post pra falar do Woody Allen. Quem acompanhou o escândalo todo em 1992 (como eu acompanhei -- todo dia tinha notícia fresquinha nos jornais, e era nos jornais sérios mesmo, não só nas revistas de fofocas) sabe que tudo foi super complicado e que pouca coisa foi comprovada. Todo dia tinha uma acusação nova. Foi impressionante, e nem Woody nem Mia se saíram bem. Por isso, sou contra chamar Woody Allen de pedófilo, já que ele não foi acusado formalmente, e muito menos condenado, por ter abusado sexualmente da sua filha adotiva, Dylan. O que sabemos com certeza que ele fez -- tirar fotos íntimas de Soon-Yi e ter um caso com ela -- é moralmente errado e totalmente anti-ético, com potencial pra destruir toda uma família (o que de fato aconteceu), mas não é crime. Soon-Yi tinha 19 anos e não era filha dele (é filha adotiva de Mia e André Previn), nem filha adotiva de Woody, nem enteada (Woody e Mia moravam em apartamentos separados). E, pra quem pensava que era um mero caso de sedução (or worse), ele e Soon-Yi estão juntos desde então, desde 92. E acho muito estranho desqualificarem Soon-Yi, dizendo que ela tem problemas cognitivos (uma declaração capacitista, digamos). Quem viu um documentário de 97 sobre Woody, WILD MAN BLUES, percebe que Soon-Yi, além de ser muito inteligente, não é nenhuma vítima. Ela zoa da cara dele, manda nele... Enfim, eu adoro o Woody como cineasta, mas nunca gostei dele como pessoa (quer dizer, não o conheço, mas sua persona não é agradável -- é um cara neurótico, egocêntrico, inseguro, personagem que ele interpretou dezenas de vezes). E sim, eu acho que dá pra separar persona da obra. Claro que se a celebridade que faz algo de errado não tem uma obra significativa, desprezá-la é muito mais fácil. Mas isso de "John Lennon foi um péssimo pai e marido então odeio os Beatles" não é pra mim. E, pior ainda: isso de "puxa, vc adora os Beatles apesar de Lennon ter sido um pulha, então vc não pode ser feminista" definitivamente não é pra mim.

Mariana disse...

Tinha lido que chamaram a Tina e Fey pro Oscar, mas recusaram. Estou lendo agora o livro da Tina, A poderosa chefona (esqueci o nome em inglês), e é bemaia engraçado do que pensei. Chorei de rir num capítulo em que ela conta como foi a lua de mel num cruzeiro.

S. disse...

Lola, a TV americana deixou de ser o refúgio dxs profissionais em fim de carreira. Tanto que inúmeros grandes nomes do cinema estão usufruindo das possibilidades desse espaço. Atualmente, a TV americana vive sua época de ouro, enquanto o cinema - no modelo atual que prioriza blockbusters - está em crise. Spielberg, Lucas e outros nomes envolvidos com o mercado de grandes produções já estão soprando suas previsões sobre o fim do cinema tal como conhecemos, "ou muda ou morre", dizem. É por essa razão que muitos profissionais de elevado padrão estão recebendo espaço em grandes redes (HBO, AMC, Showtime, Fx, entres outras redes de televisão aberta ou fechada), além de outras mídias. É o caso do Netflix, que superou em quantidade o número de assinaturas da HBO (maior e mais qualificada rede de televisão paga). E em termos de qualidade das produções, não deixa nada a desejar. É só analisar as ótimas séries: House of Cards (Kevin Space, Robin W. Direção de David Fincher) e Orange The New Black. Outra coisa, esta época de ouro permite dizer que, filme de baixo orçamento (ou independente) agora se chama filme para tv. Olhando as produções dos últimos anos tanto de séries, filmes e minisséries é possível compreender o que leva a atual tv americana ser chamada de refúgio das mentes criativas do cinema americano. Assim, eu prefiro acreditar que ainda é cedo para determinar a morte do cinema. Ainda há uma certa Lola, a TV americana deixou de ser o refúgio dos atores/atrizes em fim de carreira. Tanto que inúmeros grandes nomes do cinema estão usufruindo das possibilidades desse espaço. Atualmente, a TV americana vive sua época de ouro, enquanto o cinema - no modelo atual, que prioriza blockbusters - está em crise. Spielberg, Lucas e outros nomes envolvidos com o mercado de grandes produções já estão soltando suas previsões sobre o fim do cinema tal como conhecemos, "ou muda ou morre", dizem. É por essa razão que muitos profissionais de elevado padrão estão recebendo espaço em grandes redes (HBO, AMC, Showtime, Fx, entres outras redes de televisão aberta ou fechada), além de outras mídias. É o caso do Netflix, que superou em quantidade o número de assinaturas da HBO (maior e mais qualificada rede de televisão paga). E em termos de qualidade das produções, não deixa nada a desejar. É só analisar as ótimas séries: House of Cards ( Kevin Space, Robin W. e dirigida por David Fincher) e Orange The New Black. Outra coisa, esta de época de ouro permite dizer que, filme de baixo orçamento (ou independente) agora se chama filme para tv. Olhando as produções dos últimos anos tanto de séries, filmes e minisséries é possível compreender o que leva a atual tv americana ser chamada de refúgio das mentes criativas do cinema americano. Eu prefiro acreditar que ainda é cedo para determinar a morte do cinema. Mas realmente a tv americana - pelo menos, as redes fechadas - já são bem superior ao cinema, em termos de qualidade. Perdão pelo comentário longo e repetitivo. Estou escrevendo pelo celular, fica difícil revisar. Principalmente, depois desses filmes que estão marcando a temporada de ouro. Mas realmente a tv americana já é bem superior ao cinema em termos de qualidade e inovação.
Perdão pelo comentário longo e repetitivo. Estou escrevendo pelo celular, fica difícil revisar.
Abraços de um leitor antigo que comenta pela primeira vez.

Vitor Ferreira disse...

Lola, esse pessoa que apresenta premiações ganha milhões pra isso. Já ganham milhares só pra apresentar um prêmio, quanto mais a festa inteira.
Talvez o Globo de Ouro pague menos que os outros.

Eu vi o filme da Oprah e não gostei. Arrastado, banal, não impacta. Ela está bem, mas nada que salte aos olhos. O filme recebeu umas indicações a prêmios pelo lobby, mas não sei se tem força pra chegar no Oscar.

Quanto a J-Law, sei lá, acho que dar mais prêmio a ela me parece reafirmar os valores da indústria. Esse papel dela em Trapaça eu não engoli por um minuto sequer porque ela é jovem demais pra ter aquela bagagem toda. Aquele diálogo dela no banheiro com a Amy Adams, ela parecia que era uma personagem de Bugsy Malone.

Anônimo disse...

Lola, falando no Oscar, você viu o filme brasileiro "Uma História de Amor e Fúria", que está entre os pré selecionados para o premio de melhor animação? Vi ontem e achei bem interessante, queria saber sua opinião.

Mari Marcondes disse...

Bravo bravo bravo <3

Andreya Seiffert disse...

não entendi bem uma coisa lola: você vai dar o benefício da dúvida para todos os estupradores ou é só pro woody allen mesmo?

donadio disse...

"Mas isso de "John Lennon foi um péssimo pai e marido então odeio os Beatles" não é pra mim."

É, isso é uma coisa muito doida.

Quando olho para esta imagem - http://www.fumdham.org.br/fotos/pintura01.jpg - eu acho linda. Mas não tenho nenhuma idéia a respeito da vida do pintor: ele pode ter sido um completo canalha, machista, pedófilo, assassino, psicopata. Considerando a época em que a pintura foi feita, nunca vamos saber a respeito. Então minha apreciação da obra tem de ser uma incógnita? Tenho de dizer, não sei se é bonita, por que não sei se o pintor era um cara legal ou um patife?

Ou digamos que eu ache o Shakespeare um grande dramaturgo, e de repente arqueólogos descobrem o diário secreto do William, e descobrimos que ele era um pulha. O que era lindo até ontem vai ter de virar feio?

É o estalinismo estético em toda sua glória.

Anônimo disse...

Andreya Seiffert desculpe me intrometer em uma pergunta que foi feita diretamente à autora, mas como eu também gosto dos filmes do Allen e também sou feminista peço a sua ajuda: O Woody Allen é estuprador? Ele de fato estuprou alguém?VocÊ tem certeza? Ah, claro e como ter certeza né meu bem?! é claro que é possível e desejável que se separe a vida privada da obra de qualquer artista, seja diretor, ator, músico, pintor, escritor. Gente acorda, o que pode fazer vocês meterem a mão no fogo por alguém? Nada. Por isso mesmo o valor da obra é o valor da obra e não do autor. Todos os artistas anteriores ao séc. XIX? Pulhas!Picasso?Pulha!Monteiro Lobato? Pulha! Lennon foi mau pai? E alguém lá sabe se as mulheres as quais admiramos por obras e contribuições com o movimento feminista são boas pessoas quando estão no papel de sei lá, empregadoras, mães, filhas? Ah, o pessoal deveria se unir e pra resenhar revistas de fofocas.:-P Lucíola Cheia do Saco Pires.

Helena disse...

Putz, é verdade hahaha. Tem assuntos que são muito delicados mesmo. Mas obrigada por responder, eu gosto normalmente dos posts da Nádia mas achei que dessa vez ela foi um pouco mais emocional...

Anônimo disse...

Emocional não. O caso é de estupro e pedofilia... não é se ele foi "mau pai e marido". Isso é subjetivo.

Pablo disse...

“É tão absurdo dizer que um homem não pode amar a mesma mulher toda a vida, quanto dizer que um violinista precisa de diversos violinos para tocar a mesma música.”

Honoré de Balzac

Elisa disse...

É um caso de estupro e pedofilia cuja vitima se pronunciou (e continua se pronunciando), os parentes idem, são pessoas que ainda sofrem com uma situação que não foi resolvida. E a maioria das pessoas desqualifica o sofrimento da vitima com o argumento de que ele não foi julgado. Não acho que exista carteirinha feminista e não estou desqualificando a opinião de ninguém, mas se fosse alguém menos "genial", sera que estas mesmas pessoas não acreditariam mais na menininha, que tinha 7 anos quando o denunciou???