segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

CRÍTICA: AZUL É A COR MAIS QUENTE / A liberdade é azul

Não posso falar de um Azul que a galera já me pede pra falar de outro. Não, minto, já haviam pedido antes pra escrever sobre Azul é a Cor Mais Quente (veja o trailer legendado). 
Fui ver sem saber nada, só que era um filme francês sobre um caso de amor lésbico. Não sabia que durava três longas horas. Longas não necessariamente por serem chatas, mas porque o diretor franco-tunisiano Abdellatif Kechiche não quer saber de cortar. Qualquer diálogo besta, qualquer interação, é esticada a proporções épicas. Só eu que achei que dava pra contar a mesma história em duas horas, sem perder nada?
A história acompanha alguns anos da vida de Adèle, uma linda jovem de 15 anos. Vemos parte das suas aulas, um protesto estudantil de que ela participa, suas fofocas com as amigas. Ela namora rapidamente um rapaz da sua escola, um pouquinho mais velho, mas não está satisfeita -- quer algo a mais, sem saber o que é. 
Um dia, ela vê na rua uma moça de cabelo azul, Emma, e é amor à primeira vista. Elas se reencontram num bar lésbico e começam um relacionamento, que dura alguns anos. Vemos Adèle completar 18 anos, tornar-se professora. Vemos a carreira artística de Emma deslanchar. 
Vemos só um pouquinho de homofobia. Os pais de Adèle pensam que Emma a está ajudando com Filosofia, nunca que elas são amantes. O pior é quando as amigas de Adèle, ainda no ensino médio, veem Emma e suspeitam que Adèle é lésbica. E ela não se identifica como lésbica, não quer rótulos, está no início de suas descobertas. 
As amigas não aceitam essas respostas inconclusivas e decretam que, já que Adèle é lésbica, ela obviamente estará a fim de todas elas, um perigo. Espero que os homofóbicos, vendo essa cena, percebam como são ridículos (ainda mais depois que uma parte surpreendentemente enorme da população francesa saiu às ruas para lutar contra os direitos homossexuais!).

Diz a lenda que o diretor Kechiche ficou tão obcecado com sua jovem estrela que trocou o título do filme, baseado numa história em quadrinhos de Julie Maroh, Azul é uma Cor Quente, para A Vida de Adèle
Adèle Exarchopoulos é o nome da atriz. E aí se iniciam as polêmicas: tanto ela como Léa Seydoux (que faz Emma, e que já tem uma carreira mais consolidada), quanto boa parte da equipe técnica, se rebelaram contra o diretor. Adèle contou que ele a filmava até indo ao banheiro, e disse que não pretende trabalhar com ele novamente. Depois que Azul ganhou a Palma de Ouro em Cannes, as coisas parecem ter se ajeitado.
Então passemos ao que faz o filme ser tão falado: uma longa cena de sexo (uns sete minutos) bastante explícita entre duas mulheres, o que não é nada comum no cinema mainstream. De modo geral, eu acho cenas de sexo desnecessárias quando elas interrompem a narrativa. Mas não é o caso aqui. 
Afinal, se vemos toda a paquera que Adèle e Emma têm no bar, se vemos Adèle e seus pais comerem um prato inteiro de macarrão, se vemos toda a conversa sem graça entre Adèle e o namoradinho no ônibus, é óbvio ululante que veremos a transa inteira. Não tá interrompendo nada mesmo! 
E aí, o que eu achei dessa longa cena? Muitas coisas.
No final do ano, não sei se você lembra, a atriz Evan Rachel Wood reclamou da censura do sistema classificatório americano, que exigiu que uma cena de sexo oral numa mulher fosse cortada. Wood disse, e eu concordo, que o cinema não lida bem com o prazer feminino. Isso num filme com homem até no título (Charlie Countryman), em que Wood é uma mera coadjuvante. Daí, quando o cinema mostra sete minutos de prazer feminino, como no caso de Azul, a gente também reclama?! (a propósito, Azul recebeu a classificação mais proibitiva nos EUA, NC-17). 
Existe também toda uma questão acerca da orientação sexual das atrizes. Quase sempre, quem interpreta gays e lésbicas no cinema são astros héteros (Heath Ledger, Michael Douglas, Matt Damon, Annette Bening, boa parte do elenco de The L Word). 
Assim como, na questão da identidade de gênero, nos raríssimos momentos em que pessoas trans são focadas no cinema, quem as interpreta são atrizes cis (e fazem um belo trabalho: Hilary Swank em Garotos Não Choram, Felicity Huffman em Transamérica). É por isso que Laverne Cox vem chamando tanto a atenção na série Orange is the New Black -- por ser a primeira trans a interpretar uma trans! 
Pode parecer irrelevante, mas não é. Não é porque, pra começo de conversa, há pouquíssimos papéis para homossexuais e trans, e quando há, esses vão para atores e atrizes héteros e cis. A gente pode pensar em Shakespeare. Quantos protagonistas negros o grande Shake colocou nas quase quarenta peças que escreveu? Um: Otelo. Durante séculos, o papel foi feito por atores brancos com maquiagem que lhes escurecesse a pele. Um dos maiores Otelos de todos os tempos é Laurence Olivier. Hoje em dia, aliás, nos últimos cinquenta anos, não é mais aceitável que atores brancos façam Otelo. Por quê? Porque há um monte de grandes atores negros que podem muito bem fazer esse papel. E porque é considerado racista o uso de blackface hoje em dia (exceto pro pessoal de Zorra Total). 
Há pouquíssimos astros e estrelas hollywoodianas que saíram do armário. O motivo pra isso é a homofobia: considera-se que assumir-se homossexual limita a carreira. É aquele negócio: um cara pode interpretar um canibal serial killer que vem do espaço, mas, depois de se assumir gay, muita gente não vai conseguir acreditar no cara beijando uma mulher! 
Mas então, as duas atrizes de Azul são héteros. E, pelo que elas contam, as filmagens para aqueles 7 minutos de sexo caliente que aparece na tela levaram dez dias pra filmar. Dez dias em que as pobres atrizes tiveram que ficar nuas diante de uma equipe (e filmar sexo definitivamente não é tão prazeroso quanto fazer sexo. Como disse Michael Douglas ironicamente, na ocasião de Instinto Selvagem: "é um trabalho duro, mas alguém tem que fazê-lo"). Todos os relatos de Azul indicam que houve muita improvisação, em todas as cenas. Daí você coloca um diretor homem e hétero filmando duas atrizes hétero nuas numa cama e grita "Ação!" Humm... digamos que seria mais realista se pelo menos a atriz que faz Emma fosse lésbica?
Certo, eu não entendo absolutamente nada de sexo lésbico. Portanto, achei bacana a sequência do sexo. Pelo menos os caras homofóbicos que vivem repetindo que "sem pênis, não há sexo" terão dor de cabeça pra explicar o que Adèle e Emma fazem durante aqueles 7 minutos ofegantes. Manicure? Pilates? Sei lá, parece sexo pra mim. Achei bom que uma plateia não entendida possa assistir sexo lésbico (embora algumas pessoas tenham relatado risadas desconfortáveis e silêncios sepulcrais do público). 
Aí foram perguntar pra quem sabe: lésbicas. Pediram que elas comentassem a cena de sexo de Azul. Elas pareceram não gostar muito (favor abstrair a lésbica que é extremamente desrespeitosa com seu gato). Uma delas disse que ficou óbvio que se trata de duas atrizes hétero tentando fazer sexo para a câmera ("É, nunca vimos isso antes"). 
Outra protestou contra a mudança de posição sexual a cada dez segundos: "Pareceu um comercial para um produto de cozinha, mostrando todas as coisas que o produto pode fazer". É, se a gente considerar que é a primeira relação lésbica de Adèle, esse conhecimento todo que ela demonstra em cena soa um pouco exagerado. 
Vamos torcer para que diretoras lésbicas recebam dinheiro para fazer filmes pro cinema mainstream (e diretoras héteros também: dos 19 filmes em competição em Cannes 2013, só um havia sido dirigido por uma mulher). E que, quando diretoras lésbicas finalmente consigam realizar filmes com bom orçamento, elas façam obras mais ousadas que, por exemplo, Minhas Mães e Meu Pai.

Li posts melhores do que este sobre o filme. Este, da Lettícia, fala sobre as polêmicas. Gostei muito deste também. E deste da Jussara. E este é o máximo. 

69 comentários:

pp disse...

Muito interessante, Lolinha! Fiquei com vontade de ver o filme.

Comentando séculos depois do post, fiquei surpresa com os comentários que você fez de Blue Jasmine. Achei que vc ia super se aprofundar em questões feministas, da mulher ser dependente do marido, do assédio no trabalho, etc. Mas acabou que vi que tinha de assistir a Um Bonde Chamado Desejo novamente.

Você já viu Álbum de Família (August: Osage County; me explica o título em português? Fez parecer um filminho chato)? Queria saber sua opinião também.

Beijos!!!

LeiDe Mamariquinha disse...

Nao vou assistir esse filme porque nao tenho paciencia pra melosidade mas acho muito bom que mais filmes desse tipo exista pra esses homofobicos ficarem a sair com rabinho entre as pernas.

Tenho uma prima lesbica ela vai adorar a dica.

E que mais mulheres estejam na direcao,por tras das cameras pq deve ser constragedor fazer esses tipos de cena pra misoginos diretores.

Beatriz Alencar disse...

Lola posso fazer uma sugestão de filme? Assista Frozen a nova animação da Disney. Além de ser ótima está sendo considerado um filme feminista. O motivo? As Princesas do filme Anna e Elsa são independentes. Anna e uma heroína que salva o mocinho várias vezes e ainda esmurra o vilão! A própria Disney no filme critica a ideia de príncipe encantado e mostra que a mulher não precisa de um casamento para ser feliz para sempre. Até o mito de que só o beijo do amado e capaz de salvar a princesa, a Disney desfaz e mostra que Anna e capaz de se salvar sozinha.
E realmente bastante inovador e com esse toque feminista você precisa conferir :)

luciane disse...

Gostei da sua opinião sobre A vida de Adele, Lola. Eu me identifiquei muito com a personagem Adele,ela é insegura, deslocada, ao mesmo tempo que os sentimentos parecem mais fortes que ela, por isso, particularmente esse é um dos meus filmes favoritos.
Nas cenas de sexo, as personagens me pareceram guiadas pelo desejo, não tem nada de melosidade, é cru, e isso é fantástico.
O detalhamento de Kechiche é extraordinário,é pra ser deliciado. É uma outra perspectiva, até mesmo do sexo que estamos acostumadas a ver em filmes voltados exclusivamente ao público lésbico. Com certeza não agrada um público superficial de "Imagine eu e você", ou que espera uma coisa melosa, sensível, feminina, etc.


Roxy Carmichael disse...

eu tb achei longo!
gostei muito da primeira parte quase uma hora ali fazendo parte do cotidiano de adele pré-emma é fantástico!entendo totalmente que é necessário todo esse tempo pra se envolver e testemunhar a transformação dela de adolescente em belíssima mulher. e claro que ela é linda, mas a beleza é potencializada por sua simplicidade em oposição ao dandismo esnobe de emma. adele vai da falta ao transbordamento à falta de novo. mas justamente essa segunda falta foi a parte que me cansou. não necessariamente por conta desse filme, mas por toda uma carga cultural que equipara amor/paixão a intensidade/tumulto/confronto/sofrimento, que particularmente, não me interessa.
a interpretação de adele é simplesmente deslumbrante em seus gestos e expressões mínimas. isso se deve obviamente ao talento da atriz, mas acredito que também à insistência de kechiche.
muito legal o debate sobre a representação. os heteros podem se transformar no que quiserem. e a versatilidade normalmente lhes rende um montão de prêmios. os gays e os negros ainda são bem estigmatizados. só podem ser gays e negros.

Carla Carniel disse...

Vi o vídeo com a reação das lésbicas antes de assistir ao filme, e já fui esperando ver os maiores absurdos em cena. No fim, detestei o filme, mas não achei a cena de sexo nada fora do real. Tive a impressão de que muitas das lésbicas que disseram que aquilo não era sexo lésbico têm algum tipo de manual sobre como o sexo deve ser. Não foi um estereótipo que os héteros têm do sexo lésbico. Foi simplesmente duas mulheres se dando prazer. Pra isso, acho que não existe certo e errado, né?
Fiquei muito mais incomodada com a falta de guardanapos na hora das refeições do que com o sexo...hahahaha

Anônimo disse...

por que tem que ser homossexual para fazer um papel de homossexual?
se for bom ator qualquer personagem convence,não importa a sexualidade.

se fosse o contrário dar a atores gays só papéis de gays,reclamariam também.

Anônimo disse...

Pode não ser um trabalho perfeito, mas lésbicas reclamarem tanto dessa cena é dar um tiro no pé, porque já são tão poucos os filmes com coragem de mostrar relacionamentos homossexuais, e eles vão ter que aturar reclamações não só de conservadores como das próprias minorias? De modo geral, achei o filme muito respeitoso com as lésbicas.

"E que mais mulheres estejam na direcao,por tras das cameras pq deve ser constragedor fazer esses tipos de cena pra misoginos diretores."

Diretores misóginos geralmente também são diretores homofóbicos. Duvido que queiram fazer filmes como esse.

Roxy Carmichael disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dora disse...

(spoiler) Eu gostei do filme, achei delicado, singelo, que não estereotipa a homossexualidade (em minha humilde opinião de mulher hétero cis). Mostra a homossexual como pessoa plena, com todas suas emoções e sentimentos que humanos possuem.
A Adele é muito boa atriz mesmo. Porém, a boca 'sempre' aberta sensualizando achei meio over. A cara de parecer estar gozando qndo o colega de escola a beija na boate (sendo que ela nem gosta do cara) tb achei over.
Este lance de fetichizar as lésbicas pra hétero curtir pode acontecer, porém, o filme é tb mais que isso, ele é sobre o primeiro amor e etc.

Sobre o sexo, não posso dizer se lésbicas transam assim, mas posso dizer que a representação do sexo hétero no cinema tampouco é igualzinho ao da vida real que conheço e tb há muita troca-troca de posições.

Dora disse...

Oi Roxy, achei seu comentário interessante!

“simplicidade em oposição ao dandismo esnobe de emma”

Vc achou a Emma esnobe? Puxa, eu não achei. Mas fiquei pensando na oposição das duas bem interessante tb.

Emma e seu meio: intelectualizados, amantes da arte, preocupados em seguir um rumo da vida que te dê prazer independente da estabilidade econômica, livres, supostamente mais abertos para preconceitos, encoraja a Adele a não ficar presa ao amor por Emma e cozinhando e vivendo para ela.
(entretanto, este estilo de vida de Emma acontece tb, em parte, graças a sua origem de uma certa pequena burguesia intelectualizada e elitizada: a cena da Adele na casa da Emma deu para perceber muito isso, o papo sobre arte, sobre vinho (!),ostras etc. Porém acolhedor para a homossexualidade).

Adele e sua família:
simples, heteronormativa, que preza a estabilidade econômica e prática da vida, pouco interessada sobre assuntos intelectualizados, queria viver “para” Emma, não tinha assunto com os amigos da Emma.
(a oposição do jantar na casa de Adele é bem emblemática: come-se macarrão, pergunta o que vai fazer de prático na vida etc..)

Quando Emma diz a Adele para tentar escrever e Adele diz que só escreve pra si mesma e que é feliz desta maneira achei bacana. É um certo elitismo de Emma achar que professorinha seja ‘algo menor’. Porém, o mundo de Adele, querendo viver “para” Emma, servindo os amigos de Emma sem assunto achei um pouco triste tb..
Sei lá, tô pensando ainda. Mas o mundo das duas era muito diferente, dificilmente iria dar certo.
Talvez um homem machista iria se contentar com uma mulher bela que vive para vc. Uma mulher lésbica não rolou, queria mais que isso. Mas, achei que Emma tb foi bastante carinhosa com Adele, mesmo após o rompimento.

Anônimo disse...

Eu acho que esse blog aqui precisa dar mais espaço para pessoas trans.
É preciso mudar a mentalidade atrasada de muitas leitoras deste blog de que mulher é só quem nasce com vagina.

Andréia disse...

Não achei o filme grande coisa. É diferente, interessante e até bonito em algumas partes. Mas extremamente desconfortável em outras. E não estou falando da cena de sexo.

O angulo da câmera filmando a bunda de Adele enquanto ela dorme, a obsessão pela boca (linda) da protagonista e principalmente a cena da discussão do casal com direito a slut shaming foram pontos que me incomodaram.

Outra coisa, Adele é sonsa! Sinto empatia quando ela sofre com as colegas da escola no despertar da sua sexualidade. Mas me irrito quando, anos depois - já morando com Emma, ela ainda esconde sua orientação sexual.

Isso para mim soou como mais um gatilho para despertar o fetiche masculino, já que ela, em que pese viver um romance lésbico, em nenhum momento do filme se identifica como homossexual. Ou seja, jovem, linda, livre e possível para todos.

Marina disse...

SPOILER! E o que vcs acharam da cena do re-encontro das duas no bar?
Lésbicas se excitam ao terem suas mãos lambidas?
Mesmo com todo o esforço para captar a mensagem, só conseguia pensar no pênis do diretor!

Caroles disse...

Concordo com a Dora. O sexo hétero também não é retratado de forma muito fiel pelo cinema... e de qualquer maneira, eu não achei as cenas de Azul forçadas. Achei naturais. Eu gostei muito do filme, achei que não marcou o romance como LÉSBICO, é simplesmente amor jovem retratado. Talvez seja um pouco longo, mas não achei cansativo.
Lola, sei que tu não responde perguntas por aqui, mas já que tu mencionou no post: tu assistiu Orange is the new black? Que achou?

Anônimo disse...

E ainda vem esse Kechiche insinuar que as atrizes gostaram de fazer as cenas de sexo…

Amanda disse...

Eu não sei se concordo com a crítica sobre as atrizes serem hetéro e por isso não darem realidade na cena, até porque não fosse o tanto de textos falando disso eu nem saberia se as meninas na vida real são hetéro ou lésbicas e não me pareceria importante descobrir... acho que a crítica mais relevante está mesmo no voyerismo do diretor..

Caroles disse...

Ah, e Lola, tu vai escrever sobre Ninfomaníaca? Vou assistir essa semana, fiquei rindo da crítica da Veja que já começa dizendo algo tipo "em tempos de sexualidade amortecida pelas artistas sensuais e por manifestações feministas seminuas..." haha! Bom notar que se a sexualidade está amortecida (a minha não tá, mas se eles tão dizendo) é culpa das mulheres que estão muito sexualizadas e feministas e seminuas :P

lola aronovich disse...

Oi, gente, voltei agora à tarde de Águas Belas, depois de três dias maravilhosos de praia!
Caroles, eu devo ter visto os seis ou sete primeiros episódios da primeira temporada de Orange is the New Black. Ainda é cedo pra ter alguma opinião mais definitiva... Gostei da série, e vou continuar vendo mais um pouco, mas não estou adorando, não. É legalzinha.
Agora, uma que vi a primeira temporada (por recomendação de vcs), ADOREI, e recomendo, é MASTERS OF SEX. Vou ver se arranjo um tempinho pra falar sobre ela.
E vou ver se pra amanhã consigo falar sobre o Globo de Ouro. Eu FALEI que a Amy Adams tem chance, não falei? É claro que tem! Amy! Amy!

Juliana disse...

Aigente que sacanagem! a Lola faz um post sobre um filme, aí o povo pede pra ela falar de Azul. Ela fala sobre Azul e a maioria dos comentários é:"Lola,e filmesérie tal, vc pode escreveroufalarsobre" rsrsrs
Eu ainda não vi Azul,mas o lance de tres horas me desanimou...

Guilherme Melo disse...

Vi há 2 dias o Ninfomaníaca e confesso que a primeira coisa que pensei quando saí do filme foi: "não vejo a hora de ler a opinião da Lola".

Sobre o "Azul é a cor mais quente", concordo com os excessos do filme de modo geral (em todos as cenas, não apenas nas de sexo). Cenas muito longas e quase (disse QUASE) entendiantes.

Sobre o sexo lésbico, eu obviamente também não sou ninguém para falar sobre o assunto.

Queria apenas ressaltar um ponto que acho importantíssimo (se alguém já comentou, desculpe, confesso que não li todos os coments):

Sexo é uma coisa extremamente íntima, individual. Não acredito que exista um "modelo" de sexo lésbico (assim como não existe de sexo gay masculino ou de sexo hétero).

Eu, confesso, nunca me identifiquei com cena alguma de sexo em filmes (sempre acho forçadas em algum ponto ou em outro, e na maioria das vezes até constrangedoras). Mas não acho que isso seja, necessariamente, por algum ERRO. Na maioria das vezes, simplesmente não me identifico.

Obviamente é possível se cometer erros grosseiros, como seria, por exemplo, focar nos objetos fálicos (que, pelo percebo dos comentários sobre o assunto, não é o que acontece).

Acredito que foi um grande avanço o filme não cometer este erro e, na minha visão leiga, também achei a cena bacana. Porém, é evidente que poderia ter ido além com, pelo menos, uma das atrizes sendo lésbica.

No mais, achei muito bom o post e o vídeo com a reação às cenas.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Ainda não vi o filme. Confesso que sua crítica mais me desanimou que animou. Tenho um certo problema com tramas muito lentas e detalhadas.
Li sobre a polêmica com o diretor e me pareceu tudo muito confuso. Mas me lembrou um pouco o filme "A garota", que mostra a fixação que Hitchcock tinha com suas protagonistas. Aliás, outro filme que daria uma ótima crítica viu, Lola? rs
Sobre diretores héteros querendo representar o sexo homossexual através do que ele acha que é, sem perguntar antes pros praticantes, pra ver se bate, infelizmente não é novidade. Mostra uma certa arrogância.

André disse...

Mais importante que uma ou as duas atrizes serem lésbicas de fato, seria importante que as pessoas nos filmes fossem um pouco mais reais e não tão absurdamente bonitas. Pra mim não faz muito sentido tentar fazer uma história que pareça real com pessoas que parecem saídas do photoshop.

Guilherme Melo disse...

ah, mas só para deixar claro para quem talvez tenha se desanimado (temos o costume de ressaltar os pontos ruis e esquecer de elogiar):

apesar das críticas, achei o filme sensacional! Em vários momentos me identifiquei com a personagem durante o processo de descoberta da sexualidade (e isso me parece bastante raro em filmes) e com o medo de "perder" a própria identidade nesse processo.

Além disso, toca em pontos importantíssimos sobre a relação com a família nesse processo (apesar de que forma bem discreta - esperava um pouco mais num filme de 3 horas).

Mas enfim, acho que é um filme que vale MUITO assistir.

Roxy Carmichael disse...

dora:
nem achei que adéle "vive" pra emma. adele só não tinha pretensões artísticas, ao menos, o que tradicionalmente se considera artístico. talvez porque ELA própria fosse a obra de arte. e não tô falando de ela ser a musa. mas justamente por ela apresentar tantos matizes em tantos gestos mínimos e máximos, por ela se entregar tanto e com tamanha honestidade e intensidade aos seus sentimentos. a contradição é que a definição de dandy passa justamente pelo ser como obra de arte, coisa que a emma dandy estava muito, mas muito longe de ser, na sua racionalidade instrumental disfarçada de erudição. acho incrível que a personagem da classe trabalhadora em seus sentimentos contidos e sua postura de ouvir mais do que falar acabe involuntariamente denunciando o vazio dos artistas pertencentes ao mundinho tão clichê e tão esnobe da emma.
concordo totalmente dora que esse comportamento da emma é elitista. mas insisto não acho que adele estivesse vivendo em função. era a forma dela de demonstrar o quanto se importava. a forma da emma era transformar adele em musa. a forma da adele era cozinhar "com açúcar, com afeto".

andréia: assim, esse filme é baseado num quadrinho de uma escritora LÉSBICA que quis retratar justamente essa diferença de engajamento no movimento lgbt característico da emma e não característico da adele. o que faz todo o sentido quando ainda acrescentamos o fator classe social. de forma que se isso foi gatilho pra fetiche masculino, credite isso à autora LÉSBICA.

Roxy Carmichael disse...

tenho achado muito interessante a repercussão de ninfomaníaca no brasil e no estrangeiro:
enquanto os estrangeiros e os respectivos vira-latas nacionais enxergaram um filme adulto, complexo, sombrio e profundo sobre a sexualidade (no caso brasileiro isso seria um grande valor em oposição ao "politicamente correto"), os brasileiros acharam que o filme apresenta uma das visões mais infantis, caretas, frígidas e cristãs sobre o sexo (cheia de culpa católica).
eu sempre tive lá as minhas duvidas sobre esse estereótipo do amante latino, da mulher brasileira, dos povos do sul do equador como mais versados nessa arte em oposição aos gringos do norte, frios, desajeitados em sua ultra-racionalidade, mas esse episódio de divergência crítica com respeito ao filme, me faz pensar que de repente tem algum fundamento.

Roxy Carmichael disse...

eu assisti e achei cons-tran-ge-dor
e isso não tem absolutamente nada a ver com a cenas de sexo, e sim com o cristianismo disfarçado de provocação. aliás é o filme mais cristão que já vi, desde "a árvore da vida".

Dora disse...

Oi Roxy..Puxa, onde vc achou que a Emma tem uma "racionalidade instrumental disfarçada de erudição"?. Não consegui captar isso. Achei ela doce.
Eles são artistas, vivem disso, portanto conversam sobre isso, achei mais que natural. Se rem gente afetada no meio? Caro que tem, mas não vi esta postura na Emma. A Adele por exemplo, tão diferente do povo do meio da Emma da festa, mas nem por isso eles a esnobaram, eu não senti este esnobismo que vc fala.
Sobre a questão da classe eu tb acho que é muito fácil uma pessoa de origem burguesa dizer para o outro " pq vc não vive de arte"?. E certamente a classe é o limite de pensamento para a artista Emma.
Por outro lado, apesar da inocência de Adele, vejo sim ela como passiva e querendo se entregar para a vida de Emma, o que a Emma, ao criticar a postura serviçal de Adele (na festa) tenta empoderá-la.

Caroles disse...

Roxy, tu não curtiu Ninfomaníaca, então?

Anônimo disse...

Lola, é bem offtopic, mas gostaria de sua opinião sobre as ações da PM e dos shoppings de SP no ''rolezinho''.

Anônimo disse...

Lola, por que tem uma imagem do filme "O Amante" (L'amant) de 1992 no post? É a terceira imagem de cima p/ baixo...

Julia disse...

Eba, Masters of Sex! Eu recomendei aqui pra você, Lola.

Orange is the new black eu também assisto e amo, mas Masters é primorosa e muito feminista.

Quanto a Azul é a cor mais quente, não tenho mais vontade de assistir depois de toda essa polêmica e da própria autora dizer que não gostou do resultado.

"Diretores misóginos geralmente também são diretores homofóbicos. Duvido que queiram fazer filmes como esse."

Não quando tem duas atrizes linda se pegando, né?

garotinha disse...

Eu adorei o filme apesar das 3 horas, mas não gostei tanto da cena de sexo entre as duas, alguns momentos me pareceu um sexo fantasioso, daqueles que os homens loucos por ver duas mulheres transando gostariam de ver, foi bem exagerado pro meu gosto, mas, não conheço todos os tipso de mulheres para saber se alguma delas curte fazer assim. Sobre filmes de diretoras, com temáticas femininas e sexualidade, gostaria de indicar dois: Turn Me On, Dammit! (Jannicke Systad Jacobsen) e "Joven y Alocada" (da Chilena Marialy Rivas) Gostaria de te ler falando sobre os dois Lola.

Abraço

Sthefany Feminista disse...

lola,voce precisa dar logo sua opinião pra gente saber o que deve pensar sobre o filme.

Ta-chan disse...

Sthefany Feminista disse...

"lola,voce precisa dar logo sua opinião pra gente saber o que deve pensar sobre o filme."

Adoro ler a opinião da Lola sobre os filmes, mas eu não preciso dela pra saber o que pensar não!Pensa sozinha e depois pede a opinião, ai vc vai ter uma ideia mais ampla.

Acho que não vou assistir o Azul é a Cor Mais Quente, não me chamou a atenção...Mas vou ver o Ninfomaníaca apesar do publico tosco que o filme tem atraído.

LeiDe Mamariquinha disse...

Se caso venha assistir esse do von trier ninfomaniaca vou assistir em casa mesmo.Cruzes de pagar pra assistir um filme desse cara.

B. disse...

"Diretores misóginos geralmente também são diretores homofóbicos. Duvido que queiram fazer filmes como esse."

Não quando tem duas atrizes linda se pegando, né?

Bah, Julia, vc pegou um bom ponto. Uma coisa que vejo nos homofóbicos é que o único caso em que eles "perdoam" é quando são duas mulheres bonitas.

Dois homens- "ai, essas bichinhas"
Duas mulheres= depende
Duas mulheres feias= eca, etc..
Duas "gatas"= amo, amo, amo.

Não suporto gente homofóbica.

Juba disse...

Lolinha no cinema! Estava com saudades

Mauro disse...

"Não quando tem duas atrizes linda se pegando, né?"

Esse é um ponto interessante... De fato lésbicas são um fetiche para muitos homens héteros. Fica a sugestão para um post, Lola: o uso de sexo lésbico apenas como atrativo para machos (talvez você até já tenha escrito algo sobre isso, mas agora tô sem tempo para procurar)...

No entanto, há muitas mulheres que sentem algum tipo de atração por relações entre homossexuais masculinos. Quem aqui gostar de mangás, animes e coisa do tipo sabe que Yaoi (gênero dedicado a romance entre dois homens) é consumido principalmente por (e feito com foco em) mulheres.

Roxy Carmichael disse...

caroles:

eu achei ninfo beeeeeeem careta. poderia ter sido escrito por um padre, se também não fosse muito infantil. acho que quem escreveu foi um coroinha. uma visão tão adolescente da sexualidade feminina. tenho a impressão que von trier só trepou com a esposa em toda a vida, o que nem seria um problema, se ele não se arriscasse a falar sobre a sexualidade feminina, poderia falar no máximo da mulher dele pq assim ele parece não fazer a menor ideia do que ele ta falando naquele filme.
dois spoilerzinhos bem inofensivos:
a personagem ninfo SEQUER gosta de sexo e ela repete que se sente a pior pessoa do mundo (pelo que eu entendi única e exclusivamente por fazer sexo desvinculado do amor) a cada 3 minutos. lars von trier utiliza recursos tão baixos, tão superficiais, tão exagerados que chega a ser quase cômico, pra justificar essa visão da protagonista como a pior quenga do mundo, fria, oportunista, quando na real ela nem é! uns dileminhas morais elaborados por um menino de 10 anos, que faz com que programa "você decide" (lembra desse dos anos 90?) pareça realmente um calhamaço de filosofia muita profunda.

pô dora
eu achei:
os amigos dela em nenhum momento se interessam em conversar mais do que cinco minutos com adele, em conhecer um pouco o universo dela, em ouvi-la. só a entendem como um objeto inspira a verve "artística" da emma. o único é aquele ator que era o mais vulgarzinho do grupo super "sofisticado" do mundinho das artes. será que esses mundos realmente são assim tão incompatíveis? só se for pros artistas esnobes e egocêntricos...que acham que todos devem ouvi-los e jamais eles devem ouvir alguém. a emma tava o tempo todo preocupadíssima em fazer uma exposição, sequer tinha tempo pra outras coisas. ou não queria ter tempo. tudo bem que artista tem que ganhar dinheiro também, mas pq então aquele discursinho hipócrita de condenar pragmatismo da adele, ainda que sutilmente, e "incentivar ela a se expressar"? como se todo mundo fosse obrigado a se expressar artisticamente.

Helena Marenz disse...

sexo lesbico eh maravilhoso! Penso que no filme eles exageraram na interpretacao de uma garota inexperiente, com tanto conhecimento de causa, rs. Ainda assim, prefiro isto aqueles filmes onde colocam duas modelos cheias de nojinho e garras vermelhas, contorcendo-se pra masturbacao de marmanjo.

Anônimo disse...

"a personagem ninfo SEQUER gosta de sexo e ela repete que se sente a pior pessoa do mundo (pelo que eu entendi única e exclusivamente por fazer sexo desvinculado do amor) a cada 3 minutos"

A ninfomania (ou satiríase, em homens) é uma transtorno sexual real, um comportamento compulsivo em relação ao sexo. Muitas pessoas com essa condição não "gostam" mais de sexo do que uma pessoa normal, apenas têm dificuldade em conter seus impulsos, e suas ações descuidadas muitas vezes têm consequências muito ruins para a vida delas... Sentimento de culpa é comum nesses casos.

Caroles disse...

Roxy:
Quinta vou ver o filme, tô bem curiosa!

Ah, e vou assistir essa série que vocês falaram, Masters of Sex!

Anônimo disse...

Verdade, anônimo de cima. Ninfomaníaca sente até prazer, mas não tem orgasmo. E sente uma culpa imensa, como se estivesse escrito na testa que se é uma pessoa criminosa, nojenta. Por esse motivo é que quero ver o filme... Aquela ideia de que ninfomaníaca é uma mulher com apetite sexual acima da média não se encaixa. Ninfomania é compulsão e faz a pessoa sofrer, é uma doença fruto de pensamentos intrusivos recorrentes.

Anônimo disse...

"No entanto, há muitas mulheres que sentem algum tipo de atração por relações entre homossexuais masculinos."

Eu sei que existe essa categoria de mangá, mas nunca tive contato. Mas eu acho muito excitante relações entre homossexuais masculinos (sou mulher hétero).

Mas esse "fetiche" foi sendo construído com o tempo e é muito diferente da relação que homens héteros tem com lésbicas. O meu fetiche é visto como anormal. Os vídeos pornôs gays não são feitos pra mim (como os lésbicos são feitos para homens héteros), embora muitas vezes os ache melhores que os hétero.

Eu nunca pensei em me intrometer no meio e ser "a solução do problema deles" como muitos homens héteros geralmente pensam que são a solução do problema das lésbicas.

Pode ser que eu seja apenas modesta e outras mulheres com o mesmo fetiche tenham essa fantasia, mas existe uma relação de poder diferente aí. A sexualidade masculina não é vista como feita para servir mulheres como acontece com o aposto.

Flávia disse...

Adorei sua crítica Lola, inclusive acho uma pena você não ter tempo de ver mais filmes e comentá-los.

Assisti ao filme e li a HQ que inspirou o filme e tem muitas diferenças, mas gostei da visão tanto do diretor Abdellatif Kechiche quanto da escritora Julie Maroh.

Amei o filme e considero o melhor que eu vi esse ano, ele tem tantas coisas que podem ser analisadas e referências sociopolíticas e culturais que se eu começar a comentar vira um texto enorme. E não posso deixar de elogiar a Adèle Exarchopoulos que entregou uma das melhores atuações do ano e foi esquecida nas premiações.

LeiDe Mamariquinha disse...

''pensam que são a solução do problema das lésbicas''

Por isso nao é a toa lesbofobia ta ligado com misoginia

Coitada da minha prima,sinto muita empatia por Ela,Ela é muito irma pra mim e sei ja vi de perto o que Ela tem que passar desde a lesbofobia que condena,rechaça como fazem com os gays masculinos a esse tipo ai da fetichizaçao pelos misoginos.

Marcia Alvim disse...

Verdade Dora,

Muito legal seu comentário sobre a diferença cultural/social entre as duas. Acredito que hábitos e objetivos parecidos facilitam a conquista de um relacionamento com companheirismo e cumplicidade; diferente de muitas "uniões" que se arrastam numa relação servil deprimente; também gostei de como foi abordado a descoberta do primeiro amor. Obrigada pelo post, Lola !

Joy disse...

Gostei da sua critica lola e sinceramente? gostei do filme um pouco extremista e com certeza muita coisa daria pra resumir. Mas o que me chamou muito a atenção foi a proporção que esse filme tomou. td bem que muita gente simplesmente vai dizer que se trata apenas de um filme lesbico sem muito sentido. acho que a sua critica pode ajudar mtas pessoas preguiçosas a se inteirarem mais do assunto. obg pelo post lola. bjos a todas meninas!

Roxy Carmichael disse...

que fique BEM claro que o filme não é um registro sobre os problemas causados pela compulsão pelo sexo. é um estudo sobre a sexualidade feminina em seu paroxismo, em que ele escolheu a metáfora da ninfomania.
então estão lá todos os clichês masculinistas e infantis sobre mulheres e sexo: elas fazem isso não por gostar, mas por obter favores (como um ridículo saquinho de chocolates), elas devem ser punidas com violência quando utilizam o sexo pra fins não relacionados à reprodução ou ao amor por APENAS um homem, seja física (como sugere no começo do filme que será explicado na segunda parte do filme) seja psicologicamente, atormentada pela culpa, por se sentir uma verdadeira pária e um mal APENAS por sua frieza e independência (que veja só é característica amplamente celebrada e até inspirada no comportamento masculino).

Sara disse...

Beatriz Alencar concordo com vc , vi o FROZEN e tb achei q a abordagem dele foi feminista, o que eu acho ótimo pra crianças tirarem aquela ideia fixa que é passada nos contos infantis, q a princesa precisa de um principe q dê sentido a sua vida e a salve.
São duas irmãs muito independentes com historias diferentes, que tem um final feliz mas sem principe como protagonista.

Adrieli souto disse...

Eu discordo algumas coisas do seu post.
Não acho que em duas horas daria para entender o filme da mesma forma. Acho que só entende o filme quem o assiste prestando bem atenção nas falas pois é isso que dá sentido ao filme todo. Acho que foram necessárias todas as cenas sim, o titulo original do filme é " A Vida de Adele", ele mostra totalmente o cotidiano, como ela dorme, como ela arruma o cabelo, como ela come e até mesmo como troca de calça quando quer ficar um pouco mais sensual.
Quanto as cenas, vi vários comentários sobre também. A maioria negativos, dizendo que a cena foi pensada nos homens, que aquilo é o que os homens imaginam e tem fantasias. Não tenho fundamentos para opinar, então fico quieta.
Achei o filme incrível, a história é muito boa e quando assisti a primeira vez estava sozinha e chorei ao final.
Não conhecia seu blog, vou ler mais ;)

Anônimo disse...

Comentário a ser aprovável

Anônimo disse...

pp, eu vi Álbum de Família (August: Osage County; me explica o título em português? II) ontem e adorei. Claro que o fato de eu ser uma psi sistêmica contribui, mas ainda assim acho que vale a pena ver :D

Eicram

Amana disse...

Olás!!


Curti o post, e tenho q te agradecer por ter passado a dica desse do "Fizemos foi carnaval. Excelente.

[spoiler]
Uma ou duas coisas sobre o filme.
Achei a Emma bem esnobe, sim. Aliás, tive que rir dela falando de Sartre no parque. Super "intelec-caô", como diz um amigo meu. Boa foi a resposta de Adèle, citando Bob Marley, hehehe.
Achei muito sensível a relação de A. com a profissão, com as crianças na escola. Acho que tem um crítica sutil a um "seleto" grupo descolado francês, queer, super-escolarizado, que "sabe quem é Klimt". Depois daquele jantar com os amigos de E., duas coisas ficam evidentes, pelo menos pra mim: que os mundos das duas são muito diferentes (talvez uma diferença intransponível) e que Emma está tendo ou começa a ter um caso com a amiga grávida.

E sobre isso, uma percepção que eu e uma amiga feminista tivemos: que papel escroto fez a E. ao dar aquele chilique com A. ao vê-la beijando o colega! Chamá-la de vadia, de putinha, e colocá-la pra fora de casa foi super... machista!
Claro, ciúmes muitas vezes nos acometem terrivelmente, mas pô... cadê a Emma descolada e de vanguarda nessa hora?

Achei interessante da intimidade criada com a personagem. Certamente a câmera força isso. E não foi totalmente confortável pra mim, não.

Gostei muito do filme e saí cheia de questões. Por isso foi ótimo ler o post q vc sugeriu, pra dar uma "sacudida" na minha leitura. Ah, e não achei longo, não!

beijos!

Bianca Marques disse...

Lola Parabéns pelo Blog, esse foi o primeiro post que eu li e eu achei totalmente estruturado em argumentos claros. Sobre as pessoas que insistem em argumentar negativamente sobre o filme, todos temos que entender uma coisa: temos que cuidar de nossas próprias vidas, e assim assistir o que nos convêm, não gostou do tema, ninguém está te obrigando a assistir, temos que presar por um país com mais cultura, sobre a cena de sexo, sendo lésbica as cenas estão muito próximas da realidade. E não ouve exagero ao meu ver, pois ele mostrou as oportunidades.

Unknown disse...

que papel escroto fez a E. ao dar aquele chilique com A. ao vê-la beijando o colega!

Desculpa mas não concordo com isso, como vc não iria dar chilique quando a mulher que vc ama e vive junto a anos, chega na sua casa estaciona umas casas antes com alguém, beija daquele jeito, vc pergunta, ela mente, depois confessa que vinha dormindo já 2 ou 3 vezes com ele e que só confessou pq foi pega (vai saber quanto tempo ela poderia ter continuado) Sério???? Não concordo com o botar pra fora, esperaria ela se ajeitar, mas pra mim esse é uma das piores traições que existe, pq quando vc faz uma bobagem e se arrepende tudo bem, mas quando continua e ainda dissimula, sinceramente, minha visão é muito diferente.
Sempre enxerguei uma Emma muito carinhosa e compreensiva com a suposta "inocência da Adele, o que vc chama de esnobismo dela citando Sartre, eu enxergo como troca de conhecimento, e o fato de ela achar graça na falta do mesmo em Adele um charme, nunca vi ela cobrando nada pra Adele forçadamente, vi ela querendo que sua companheira crescesse e saísse do ostracismo e apatia que ela vivia, Emma queria que a Adele fosse mais que a própria Adele queria ser, isso pra mim é amor, que a imaturidade da companheira não enxergou, acho que o crescimento de Adele foi no fim, quando ela entendeu que perdeu o amor da vida dela por erro, e que naquela hora era momento de virar a página e crescer.

Leon disse...

O comentário sobre Shakespeare foi extremamente equivocado. Quantos negros viviam na Inglaterra dos anos 1500 ?

Ralf ► disse...

Desculpa Lola, mas não foi a população francesa. Foi um grupo de radicais católicos de extrema direita.

Maria Valéria disse...

Gostei do filme,mas achei desnecessariamente longo.
Poderia passar a mesma impressão se durasse 1:30 h.
Quanto as cenas de sexo : nunca gostei de cenas de sexo exageradas ou muito explícitas.Nem de sexo hetero,nem de homo, sempre achei que ha maneiras mais sutis e mais bonitas de se mostrar o sexo sem cair no óbvio.
Porém, ao ler essa critica aqui :http://www.cinemaemcena.com.br/plus/modulos/filme/ver.php?cdfilme=13350
( Pablo Vilaça , site cinema em cena ), achei muito bonita a justificativa que ele da pra dizer por que a cena de sexo de 10 minutos cabe dentro do contexto do filme.

No mais, adorei o penteado que a ' Adele' usa durante a maior parte do filme- preso e meio bagunçado em cima - queria ter um cabelo assim -:) !!!

Anônimo disse...

adorei as cena explicida delas ..... bjo para as duas ........

Taila Rabello disse...

Eu amei o filme, as atrizes são sensacionais, to apaixonada por elas, minha opinião é que elas combinam até na vida real, assisti o filme com a minha mulher e foi indescritível, melhor filme lésbico que ja vi na vida. Bem contracenado, Maravilhosas. Se eu pudesse, estar perto delas agora nossa eu ia elogia-las tanto :)

Fabi disse...

Li alguns comentários acima, e concordo com boa parte deles. Assisti o filme por, pelo menos, 4 vezes!
Assisti duas vezes com a legenda, e duas sem. Como eram poucas falas, consegui lembrar das falas e associar a cena. Quando assisti ao filme sem a legenda pude observar mto mais detalhes, como o cenário, a trilha sonora (que em boa parte é o silêncio), e o mais importante os gestos e olhares trocados.
Vi um comentário acima em que dizia ser importante observar as falas das personagens, pois ali estaria o sentido do filme. Ouso discordar! Na terceira vez que assisti o filme pude perceber que mais do que nas falas, é no silêncio que elas demonstram os sentimentos.
Adele sempre com um olhar perdido, mas que a partir do meio do filme passa a ter "firmeza" quando olha para Emma, e somente para Emma, no mais, continua perdido. Emma, por sua vez (e diferente do que li acima), tem um olhar certo, observa o que lhe atrai.. percebi um olhar e um sorriso doce, que me traduziram como o momento em que estava apaixonada por Adele!
A ausência de trilha sonora ressalta os gestos e a delicadeza dos olhares!
Tanto é que o amor (a principio de Adele) nasce através de um olhar ao atravessar a rua. O que também percebo em Emma, como nas cenas que se passam no banco embaixo das arvores, Adele anota seu telefone enquanto Emma observa sua face. O mesmo ocorre no campo, na cena do primeiro beijo, há uma longa troca de olhares!
Todavia, este olhar, principalmente de Emma, se perde no decorrer do filme, ficando evidente um desgaste no relacionamento quando amigos de Emma são convidados para uma comemoração em sua casa. Aqui, Emma já não lança seu olhar doce.
Na primeira vez que assisti ao filme tive uma sensação de inacabado: como o final é não ter final? E por isso assisti de novo.
E quando assisti novamente, percebi que, na cena final, o rapaz que sai atras de Adele vai na direção contrária propositalmente, pois o filme é cheio de mensagens subliminares, e neste caso acho que a intenção foi NÃO deixar a entender que o rapaz poderia ficar com Adele.
Pelo contrário, cheguei a conclusão (talvez equivocada, rs)de que a relação de Adele e Emma é, de fato,inacabada. Aquela coisa, sempre que se reencontrarem saíra faíscas, até finalmente ficarem juntas e, talvez, quebrarem a cara de novo.
Acredito nisso porque, ao contrario das cenas em que os amigos de Emma foram em sua casa em diante, e que a partir dali Emma já não lançava seu olhar doce e de desejo sobre Adele, não ocorre no reencontro entre as duas.
Durante o reencontro de ambas num bar/café, nota-se que Emma tem um olhar mto terno, assim como no início do filme. Além disso, me pareceu que Emma "culpa" (apesar de elogiar a atual companheira) em manter o relacionamento com Lise na filha desta, deixando claro a forte ligação que possui com a criança, bem como, quando questionado sobre a felicidade sexual, Emma faz uma cara de incontentamento, limitando-se a dizer que "não sabe". A ligação sexual entre as duas também fica claro, Adele
deixa evidente seu interesse sexual, e Emma não a resiste. Apesar de dizer que já não ama Adele, ela diz isso com o olhar baixo e choroso, tirando aquela certeza que ela transmite pelo olhar em todas as outras cenas.
Esse lance do olhar também notei na ultima cena, quando Adele vai a exposição e encontra Emma com outra mulher que lhe questiona sobre um aluno, Emma permanece com seu olhar doce (como no início do filme)em Adele - e isso me pareceu evidente, já que neste momento, apesar de rápido, a câmera fecha no rosto de Emma que esta com o olhar voltado para canto do rosto e cabelos de Adele, e Adele a olha de canto, retribuindo o "carinho".
Finalizando, interpretei o final como uma convivência que não deu certo, mas que o amor e, principalmente, a paixão e o desejo, entre as personagens permanece, ficando aquele gosto de "este filme continua", seja de fato em filme ou em nossa imaginação!
No mais, o cenário e fotografia são lindos. As atrizes, MARAVILHOSAS! rs

Bjs

rebeka disse...

Fabi você conseguiu descrever exatamente tudo o que eu tbm achei do filme. Ao ler o que vc escreveu quase confundi com alguma anotações minhas. Parabéns pels profunda interpretação.
O filme foi maravilhoso, e espero realmente o " este filme continua" assinado Rebeka da Justa

Lilian disse...

Estava eu vendo este filme novamente no netflix e fui procurar umas dúvidas sobre ele e cai por aqui. Gostei bastante da crítica, principalmente sua opinião sobre a necessidade de mostrar aqueles 7 minutos de sexo, não tinha visto por esse lado. Sobre sua dúvida sobre se sexo lésbico é ou não daquele jeito, bem, sou lesbica e posso dizer que aquela cena para mim foi tão real que até agora que procurei saber eu achava que a cena de fato tinha sido de sexo explícito. Obviamente a credibilidade da cena irá divergir mesmo entre lésbicas, se casais heterossexuais não fazem sexo da mesma forma um dos outros, homossexuais também não. Pra mim e para varias amigas gays a cena foi bastante real com uma cena de sexo lésbico intenso. O único exagero que talvez eu possa concordar é a "experiencia" da Adele, porém não impossível. Enfim, gostei do filme mas também acho que podia ter 2 horas e não três... ah, e ainda não me conformo que essas atrizes não tiveram experiencias lésbicas reais para poder protagonizar aquela cena.

Cesar Fernandez D disse...

Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma garota de 15 anos que divide sua rotina entre completar o ensino médio e dar aulas de francês para crianças. Determinado dia, ela conhece Emma (Léa Seydoux), uma artista plástica de cabelos azuis. As duas começam a se conhecer e dão início a um relacionamento intenso. ginecologo consulta medico pediatra medico doctor dermatologo veterinario veterinario ask to consulta abogado abogado abogado abogado abogado psicologo doctor psicologo abogado abogado O filme tem em sua longa duração um dos seus pontos positivos. Suas quase três horas ajudam o espectador a conhecer detalhadamente sua protagonista. Quando Adèle conhece Emma, nós já temos uma boa ideia da fase de vida em que se encontra a primeira. Sem saber o que quer, ela faz aquilo que se espera de uma garota de 15 anos. Conversa com as amigas, flerta com garotos etc. Até o dia em que conhece o novo

Anônimo disse...

Não sei se as atrizes gostaram de transar, só sei que fiquei extremamente excitada ao ver as cenas de sexo apesar de ser hetero .

Anônimo disse...

Um dos melhores filmes que já vi. Sou lesbica e as cenas são deliciosas, intensas, reais. Filme perfeito.

Anônimo disse...

Tb fiquei muito excitada. sou lesbica. Cenas intensas.