terça-feira, 10 de setembro de 2013

GUEST POST: ALTERAÇÃO DO PL 122, UMA GRAVE EXCLUSÃO

Laerte, sempre genial (clique para ampliar)


A maior parte de nós conhece o PLC 122, que tramitou no Congresso um tempão, agora está no Senado, e que, se aprovado, criminalizará a homofobia. 
Mas sempre me chamou a atenção como as feministas, eu inclusa, não pontuavam como o projeto criminalizaria também a discriminação por gênero. Seria uma conquista tão importante, e a gente não falava nisso!
O pior é que agora temos que falar no passado, pois o novo substitutivo da lei removeu a parte da discriminação e preconceito por gênero e deixou apenas identidade de gênero. Não sei quem pediu essa alteração, se foi o movimento LGBT, mas é um tiro no pé. 
Num mundo ideal, "gênero" englobaria mulheres cis (que nasceram com vagina e nunca tiveram seu gênero questionado, sempre foram consideradas mulheres) e trans, porque não deveria haver diferença entre mulheres cis e trans (são todas mulheres, ora). 
E englobaria também a discriminação contra homens trans (em outras palavras, pessoas que nasceram mulheres e passaram a se identificar como homens). Homens cis héteros ficam de fora mesmo, já que leis anti-discriminação visam punir as discriminações praticadas contra os grupos tradicionalmente atingidos (negros, índios etc). Como grupos dominantes não são discriminados, seria ridículo fazer uma lei que protegesse os brancos, por exemplo.
Se o PL 122 dissesse apenas "gênero", existiria o risco real de que pessoas trans fossem excluídas. Se o projeto ficar como está agora, sem "gênero", só com "identidade de gênero", as mulheres cis é que ficam de fora. Compreendem a cilada?
Por outro lado, colocar na lei termos como cis e trans, que estão começando a ser usados na academia, e que ainda não são consenso nem entre ativistas, também pode ser improdutivo. Não sei se seria possível colocar apenas algumas definições específicas para cada termo, mas que contemplassem a todxs. Aliás, não sei dá pra agradar a todxs, mas eu queria uma lei que fosse o mais abrangente possível.
Foi uma advogada, Simone Andrea, que me alertou sobre esta grave mudança no PLC 122. Portanto, pedi a ela para que escrevesse um guest post sobre isso. Desde 1999, Simone defende a criminalização da discriminação contra as mulheres ("Um Caso de Omissão Inconstitucional"). Ela é autora de Direitos da Filha e Direitos Fundamentais da Mulher (Juruá, 2004) e deste blog.

Em 2006, a então Deputada Federal Iara Bernardi (PT) apresentou o Projeto de Lei 122/2006, que corrigia lacuna da Lei 7716/1989, a qual define como crime a discriminação ou preconceito. Para maior clareza, segue o art. 1º da Lei 7716/1989, que é a lei anti-discriminação que está em vigor hoje:
“Artigo 1º - Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.”  
Como se pode ver, a lacuna da lei é que ela não contemplava a discriminação ou preconceito contra as mulheres cis ou contra qualquer pessoa trans, e nem contra orientação sexual. Portanto, a deputada Bernardi apresentou uma alteração ao projeto:

"Art. 1º Esta Lei altera a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, e a Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, definindo os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero."

Exemplo da campanha conservadora
Acontece que o PLC (Projeto de Lei da Câmara) sofreu fortes resistências, esteve arquivado durante muito tempo e, desarquivado, chegou ao Senado, onde hoje tramita, e acabou alcunhado de “PL da Homofobia”.  Não é preciso dizer o quanto de oposição que tem encontrado, sobretudo das bancadas religiosas no Congresso. O texto original, proposto por Bernardi, foi alvo de substitutivos -– isto é, novos textos que, aproveitando a ideia original, nesta introduzem alterações -- de outros parlamentares.
Muito bem.
O mais novo substitutivo ao PLC 122/2006, sugerido pelo Conselho Nacional LGBT ao Senador Paulo Paim (PT), exclui do Projeto de Lei a punição da discriminação contra as mulheres cis!
Todos os textos das versões anteriores do PLC 122/2006 -- desde a versão original, de iniciativa da então Deputada Iara Bernardi, acima reproduzida, até o substitutivo apresentado pela Senadora Marta Suplicy (PT), passando pelo da Senadora Fátima Cleide (PT) -- faziam menção, na redação de seus artigos 1ºs, à discriminação ou preconceito de sexo ou gênero.
Esse novo texto só faz menção à "identidade de gênero": ou seja, só abarca a discriminação porventura sofrida por mulheres (e homens) trans, mas não por mulheres cis!
A discriminação ou preconceito de sexo ou gênero, praticada contra a mulher cis, não está contida na expressão "identidade de gênero", que restringe o âmbito de aplicação da lei, acaso venha a ser sancionada, tendo em vista o princípio da tipicidade cerrada vigente no Direito Penal.  
O que é “tipicidade cerrada”? Um ato, para ser criminoso, tem que se enquadrar perfeitamente na descrição de ato hipotético feita pela norma penal. Se a Lei 7716/89 só diz que é crime discriminar alguém em razão de raça, cor, etnia, religião e procedência nacional, estão fora da regra as discriminações motivadas por sexo. Não dá para enquadrá-las por analogia, por assimilação. 
Passo a demonstrar o que acabo de afirmar: o PL original incriminava o preconceito contra mulheres cis, contra homossexuais e contra transgêneros. Esta abrangência foi mantida nos substitutivos das senadoras Fátima Cleide e Marta Suplicy, cujos inícios seguem reproduzidos.

Início da versão da Senadora Fátima Cleide:  
Altera a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, e o § 3º do art. 140 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, para punir a discriminação ou preconceito de origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero, e dá outras providências.

Início da versão de Marta Suplicy:
Define os crimes resultantes de preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero, altera o Código Penal e dá outras providências.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º Esta Lei define crimes resultantes de preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.
Art. 2º Para efeito desta Lei, o termo sexo refere-se à distinção entre homens e mulheres; orientação sexual, à heterossexualidade, homossexualidade ou bissexualidade; e identidade de gênero, à transexualidade e à travestilidade."

A versão de Marta Suplicy tinha o mérito de apresentar definições para cada hipótese de discriminação. Assim, explicava, no seu art. 2º, que o termo sexo referia-se à distinção entre homens e mulheres; que a discriminação resultante de preconceito de identidade de gênero referia-se à transexualidade e à travestilidade.
Porém, tal versão já  continha sério defeito: desvinculava o PLC 122/2006 da alteração da Lei 7716/89, dando tratamento legal mais leve à discriminação contra as mulheres cis, homossexuais e transgêneros, como se fossem discriminações de menor importância e menor lesividade.
Segue, agora, o início da versão do senador Paulo Paim, que, conforme este sítio, teria sido sugerido pelo Conselho Nacional LGBT:

“SUBSTITUTIVO (PLC 122/2006)
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA.
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º  Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes de ódio e de intolerância, sendo estes os praticados por motivo de discriminação ou preconceito de identidade de gênero, orientação sexual, idade, deficiência ou por outro motivo assemelhado, indicativo de ódio ou intolerância.”

Em nenhuma passagem de seu texto o substitutivo proposto pelo Conselho LGBT e aceito pelo Senador Paulo Paim menciona a discriminação ou preconceito de sexo ou gênero. Assim, o substitutivo distorce totalmente a ideia contida no PLC 122/2006 e joga as mulheres cis para fora do PLC.
Trata-se de alteração sorrateira, feita sem nenhuma consideração pelas mulheres cis.
Como dito anteriormente, a expressão "identidade de gênero" limita o alcance da norma, que exige que a discriminação seja motivada só por esse fator -- "identidade de gênero" -- e não pelo gênero em si.  Tendo em vista a tipicidade cerrada do Direito Penal, juízes e tribunais irão aplicar a lei, acaso aprovado o PLC 122/2006, de modo a limitar a incidência de suas normas, de modo a excluir as discriminações praticadas contra as mulheres, quando não seja colocada em questão sua “identidade de gênero”.
Mais: essa nova redação é péssima, pois impõe elemento subjetivo ao tipo -- que inexistia nas versões anteriores. O que vem a ser um “elemento subjetivo do tipo”? Não basta a ação descrita na norma penal, no artigo de lei, é necessário que tenha sido praticada com uma intenção ou sentimento determinado. Assim, nos termos desse novo substitutivo, para ficar caracterizada a discriminação criminosa, praticada contra os grupos de que trata o PLC 122/2006, ela deverá ser motivada por "ódio ou intolerância", algo que a Lei 7716/89 não exige.
O substitutivo também contém o mesmo sério defeito da proposta apresentada por Marta Suplicy: o PLC 122/2006 não mais altera a Lei 7716/89, para corrigir suas lacunas e omissões, mas passa a dar às discriminações que são seu objeto um tratamento à parte, com regime próprio, distinto da Lei 7716/89! Isso é um erro crasso, além de má fé: não dá às discriminações objeto do PLC 122 o mesmo tratamento penal dado à discriminação baseada na raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, como se fossem menos graves.
A verdade é esta:  do jeito que ficou sua redação, o PLC 122/2006 deixou as mulheres cis de fora e não pode ser por nós apoiado. De jeito nenhum! Temos que exigir:
a) que  o PLC 122/2006 volte a alterar a redação da Lei 7716/89, para que todas as discriminações inconstitucionais tenham o mesmo regime legal;
b) que sua redação volte a contemplar a discriminação contra as mulheres cis, nos termos propostos por Iara Bernardi ou Fátima Cleide;
c) que seja suprimida a condição de ter a discriminação sido praticada em razão de "ódio ou intolerância".
Não é compatível com a Constituição (arts. 3º, IV;  5°, "caput", incs. I e XLI) que discriminar mulheres cis seja um insignificante penal, a ponto de não ser crime!
Penso que o  único caminho conforme a Constituição e a dignidade das mulheres cis é agir contra o texto desse substitutivo e pressionar, publicamente, o senador Paulo Paim a rejeitá-lo e a não apresentá-lo, pois trata-se de uma indesculpável traição contra as mulheres cis. 
Ainda cabe a nós discutir o texto que queremos, e que deve ser inclusivo. Em matérias nas quais não há consenso quanto a conceitos, ou quando estes são imprecisos ou incompletos, a lei procura ser o mais abrangente possível. Dou como exemplo o racismo: a lei não se contentou com o termo "raça"; inclui "cor" e "etnia". Falar apenas em "cor" seria muito restrito, pois um afrodescendente de pele mais clara poderia acabar desprotegido;  falar apenas em "raça" também seria inadequado, pois, na classificação tradicional (talvez já superada), há apenas quatro "raças";  então, cunhou-se "etnia" para abranger mais situações, assim como "procedência nacional".  
Alguém poderia alegar que o simples termo "raça" já é, em si, racista. Porém, a lei precisa ser pragmática, detalhar para alcançar. A lei precisa dialogar com o mundo dos fatos, que é onde se imaginam as diferenças e se praticam atos discriminatórios.

55 comentários:

Marina disse...

Mto bom o post Lola, mas tenho só um comentário nd a ver com o assunto em si...Não sei c vc viu esse filme, mas a montagem q vc colocou q diz "assim como a flor não escolhe sua cor.."etc é do filme Segredos de Sangue e (spoiler agora), é dita por uma psicopata (a moça q está na montagem), no momento em que observa um homem q ela acabou de cortar a garganta agonizar..enfim, acho válido te alertar para não vir algum babaca e utilizar isso como gancho pra desenvolver o argumento falacioso que co-relaciona homossexualidade com pedofilia e etc..

lola aronovich disse...

Vc tem toda razão, Marina. Não sei de onde peguei essa imagem, mas foi de alguma página do Facebook. Eu não tinha ideia do filme em questão e muito menos do contexto da cena. Obrigada por avisar. Já troquei a imagem.

Patty Kirsche disse...

Ai, que dureza, hein? Difícil criminalizar discriminação por gênero nesse país. Acho que é mais fácil passar uma lei que criminalize homofobia que misoginia. As pessoas veem discriminação de gays como algo maior, é óbvio que tem muito mais visibilidade que a discriminação de mulheres. Espero que arrumem isso. ¬¬

Ana Carolina disse...

O pior é ver um lampejo daquele discurso de "proteger a mulher cis é como proteger o branco no caso de racismo", que tá a um passinho de "a mulher cis não precisa de proteção" e "a mulher cis se iguala ao opressor"...

Anônimo disse...

"Homens cis héteros ficam de fora mesmo, já que leis anti-discriminação visam punir as discriminações praticadas contra os grupos tradicionalmente atingidos (negros, índios etc). Como grupos dominantes não são discriminados, seria ridículo fazer uma lei que protegesse os brancos, por exemplo."

Traduzindo:

Ela quer que homens não possam insultar ninguém, mas quer poder continuar insultando homens a vontade.
Uma gracinha essas feministas.

Anônimo disse...

Fico imaginando: os presídios já estão superlotados, não tem cadeia suficiente nem pra bandido. Prisão pra homofóbico então... vamos ter superlotação nos presídios. Pelo menos metade da população vai ser presa. Podem aprovar, pois isso JAMAIS vai ser cumprido. É inviável de ser cumprido.

Anônimo disse...

Que porra é esse cis? Cis até o que eu sei é um lápis:

http://www.microshopcomercial.com.br/images/GRD_13_Lapis_preto_redondo-CIS_HB.jpg

Sṍ podia ser feminista, mesmo pra criar essas expressões. Nunca dei tanta risada como aqui.

Anônimo disse...

Transexual é mulher, Lola? Ah, não. Parei de ler aqui mesmo. Transexual é homossexual.... Criminalizando a homofobia já está criminalizando a discriminação contra trans.

Natascha Weber disse...

Lola, eu não achei que identidade de genero exclui as mulheres cis. Pq elas tem a identidade de genero, que corresponde com o seu "sexo".... não?

lola aronovich disse...

Gente, assim vcs me confundem. Parem de escrever como anônimos e assinem seus nomes ou avatares ou whatever pra que eu saiba de que perspectiva vcs estão falando. Por exemplo, está claro que o anon das 12:25 é um mascu, mas e o das 12:31? Pode ser um mascu. Pode ser uma radfem. Pode ser simplesmente alguém que não sabe que identidade de gênero e orientação sexual são coisas totalmente diferentes.
Vamos supor que é só ignorância, não má fé. Sim, uma mulher transexual É mulher. É tão mulher quanto eu, que sou uma mulher cis. E se essa mulher trans é homossexual, bissexual, ou hétero, não faz nenhuma diferença. Ela continua sendo uma mulher. Se a mulher trans sente atração sexual por mulheres (trans ou cis, tanto faz), ela é lésbica. Se a mulher trans sente atração por homens (trans ou cis), ela é hétero. Se a mulher trans sente atração por homens e mulheres, ela é bissexual. Só é difícil de entender se vc não aceitar a ideia de que uma mulher trans É UMA MULHER.

lola aronovich disse...

E pô, foi por isso que incluí algumas ilustrações no meio do guest post: pra diferenciar gênero e orientação sexual. Deem uma olhada. Ninguém nasce sabendo essas coisas, mas é possível aprender.

Anônimo disse...

FEMINISMO PARA HOMENS, UM CURSO RÁPIDO (atenção - escrito por um homem):
http://papodehomem.com.br/feminismo/


Aprendam o que é feminismo de verdade para não ficar como o anônimo das 11:51 dizendo que as feministas insultam os homens.

Anônimo disse...

Anônimo das 12:26, já vi que completou ensino médio em supletivo, nunca ouviu falar de isomeria cis e trans. Vestibular então, deve ter passado em alguma uniesquina da vida. Saiu dando risada mas quem paga mico é você.

Amanda disse...

Anônimo das 12:31, esquema especial para você:

- Transexual mulher homossexual:
1. Nasceu homem biologicamente
2. Se identifica como pertencente ao gênero feminino
3. Sente atração por pessoas do mesmo gênero (ou seja, por mulheres)

- Transexual mulher heterossexual:
1. Nasceu homem biologicamente
2. Se identifica como pertencente ao gênero feminino
3. Sente atração por pessoas do gênero oposto (ou seja, por homens)

- Transexual homem homossexual:
1. Nasceu mulher biologicamente
2. Se identifica como pertencente ao gênero masculino
3. Sente atração por pessoas do mesmo gênero (ou seja, por homens)

- Transexual homem heterossexual:
1. Nasceu mulher biologicamente
2. Se identifica como pertencente ao gênero masculino
3. Sente atração por pessoas do gênero oposto (ou seja, por mulheres)

- Mulher cis heterossexual:
1. Nasceu mulher biologicamente
2. Se identifica como pertencente ao gênero feminino
3. Sente atração por pessoas do gênero oposto (ou seja, por homens)

- Mulher cis homossexual:
1. Nasceu mulher biologicamente
2. Se identifica como pertencente ao gênero feminino
3. Sente atração por pessoas do mesmo gênero (ou seja, por mulheres)

- Homem cis homossexual:
1. Nasceu homem biologicamente
2. Se identifica como pertencente ao gênero masculino
3. Sente atração por pessoas do mesmo gênero (ou seja, por homens)

- Homem cis heterossexual:
1. Nasceu homem biologicamente
2. Se identifica como pertencente ao gênero masculino
3. Sente atração por pessoas do gênero oposto (ou seja, por mulheres)


Agora perceba, se a lei criminaliza apenas a discriminação por identidade de gênero (que se refere a identificação da pessoa com seu sexo biológico ou com o gênero oposto, se a pessoa é CIS OU TRANS), isso não significa necessariamente que a lei estará criminalizando a discriminação contra gênero (que se refere a distinção homem/mulher).

Resumindo, se você discrimina um transexual, você está cometendo discriminação por identidade de gênero. Se uma mulher cis está no meio de vários transexuais e eles discriminam ela porque ela é cis, eles estão cometendo discriminação por identidade de gênero.

Mas se uma mulher é discriminada apenas porque é mulher, isso é discriminação por gênero, e não por identidade de gênero. A mesma coisa com um homem, se ele é discriminado apenas porque é homem, isso é discriminação por gênero, e não por identidade de gênero.

Portanto a lei regrediu ao retirar essa especificação da discriminação por gênero. Vira crime apenas a discriminação por ser transexual ou cis, e não discriminação por ser mulher ou homem. É isso que a autora do texto estava querendo dizer.

Unknown disse...

"e trans, porque não deveria haver diferença entre mulheres cis e trans (são todas mulheres, ora)."

não, não são.

transformar xx em xy é impossível,logo não são mulheres não importa como se sentem na cabeça.

Anônimo disse...

Natascha,
a identidade de gênero de uma mulher cis não ofende a norma. Ela não é discriminada porque sua identidade de gênero é transgressora, mas porque seu gênero não é aceito em certos lugares. Por exemplo, uma mesma empresa pode não aceitar uma mulher cis para trabalhar como segurança, mas a aceitará como secretária. Isso é discriminação de gênero. De outra forma, como ela poderia argumentar que está sendo discriminada, se há pessoas do seu gênero na empresa em cargos até melhor remunerados?

Essa empresa não vai aceitar uma mulher trans em cargo nenhum, ou vai praticar assédio moral dizendo que ela não encontra trabalho nenhum fora dali. Isso é discriminação de identidade de gênero.
Um bar que não atende uma mulher sozinha discrimina o gênero (isso já existiu muito onde moro; era uma forma de discriminar prostitutas e, por extensão, todas as mulheres).
Um bar que atende uma mulher sozinha, mas não atende uma travesti, discrimina a identidade de gênero.

Anônimo disse...

Não sei se concordo com esse ponto de vista, identidade de gênero já compreende gênero, alguém pode ser discriminado na sua identidade de gênero por acharem que essa pessoa não pertence ao gênero pela qual ela se identifica (como no caso da transfobia) ou por acharem que essa pessoa por ter determinada identidade de gênero deve ser tratada de forma diferente (como no caso do machismo). O texto da lei dizendo "gênero, identidade de gênero" dá a ideia de serem conceitos diferentes, quando na verdade são a mesma coisa, mas existe "identidade de gênero" para frisar que gênero não é só cis. Vou esperar mais pontos de vistas com outros argumentos =)

E Lola, se der pra não aceitar os comentários transfóbicos, nossa sáude agradece.

Anônimo disse...

Lola, vc está enganada. Travesti é só um gay vaidoso. Por que um cara vai querer se vestir como mulher, tomar hormônios e fazer uma vagina artificial no lugar do pênis? Porque é um homossexual, mas um homossexual vaidoso. Não tem como um homem se transformar em mulher, ou uma mulher se transformar em homem. É tudo vaidade.

Leonardo disse...

Pra quem não entendeu e ficou fazendo piadinha, cis é apenas sinônimo de "não-transexual", é apenas o oposto de transexual. Pra não ficar escrevendo "não-transexual" o tempo todo, nós utilizamos o termo cis.

Cis e trans são termos opostos, utilizados inclusive na química como um comentarista acima falou.
Do mesmo modo que temos in e ex (interior, exterior), hiper e hipo (hipertensão, hipotensão), inter e intra (substância intercelular, substância intracelular), etc, desse mesmo modo nós temos cis e trans (cisgênero, transgênero, cissexual, transexual, ou pra quem gosta de ciências naturais como eu, temos as gorduras cis, gorduras trans, face cis do complexo de golgi, face trans do complexo de golgi, isomeria cis, isomeria trans, etc).

Não tem nada de engraçado ou absurdo nisso.

Anônimo disse...

Anon de 12:58, você acha que está ajudando com um comentário assim? Você tbm está pagando mico.. Porque se fosse questão de terminar ensino médio sem supletivo e fazer vestibular seria tudo muito simples. Enfim, é chato entrar aqui e ver alguns comentários deprimentes assim

''E Lola, se der pra não aceitar os comentários transfóbicos, nossa sáude agradece.''
+1

Uma coisa são pessoas que estão confusas com o texto, com as terminologias, outra coisa são comentários tipo do anon de 12:31, do Unknown..

Ana Costa disse...

Será que vale a pena explicar para Anônimo das 13:46, de novo, que:
1- Travesti não é necessariamente gay, não precisa tomar hormônios e nem fazer uma "vagina artificial no lugar do pênis"
2- Uma transexual, se tomar hormônios e fizer "uma vagina artificial no lugar do pênis" será trans homossexual se tiver preferência sexual por mulheres e será transexual heterossexual se preferir homens.

Leandro disse...

É um direito básico de indivíduos terem a liberdade para demonstrar exatamente quais são suas preferências. Trata-se de um elemento básico dos direitos de propriedade. Se os indivíduos não tiverem esse direito, então um importante elemento da liberdade está irremediavelmente perdido. Sendo assim, faz-se necessário ser claro e direto: é mais do que óbvio que qualquer ato de discriminação da parte de indivíduos — porém, é claro, não da parte do estado — é um direito nato, pois trata-se do direito à liberdade.

Como disse o Walter Block: quem discorda disso, por consequência lógica, teria de, por exemplo, impor a bissexualidade para todos. a bissexualidade coerciva é a implicação lógica de qualquer movimento antidiscriminação. Por quê? Ora, homens heterossexuais desprezivelmente discriminam nada menos que metade da raça humana como indigna de ser sua parceira de cama/sexo/casamento: ou seja, todos os outros homens. Tampouco podem as mulheres heterossexuais alegar inocência frente a essa terrível acusação; elas, também, repudiam metade dos seres humanos nesse aspecto. E quanto aos homossexuais masculinos? Podem eles rechaçar essa acusação mortal? Não, eles também se recusam a ter qualquer coisa com todas as fêmeas nesse contexto. Similarmente, as lésbicas, também evitam manter relações amorosas/sexuais com qualquer tipo de homem — de novo, metade da raça humana está sendo discriminada. Portanto, os bissexuais, e somente os bissexuais, estão livres de tal acusação. Somente eles são totalmente inocentes de incorrer em qualquer discriminação desse tipo. Eles são as únicas pessoas decentes em todo o espectro sexual; apenas eles se abstêm de incorrer em prática tão abjeta. Além disso, vamos aqui desconsiderar o fato de que bissexuais também fazem comparações individuais. Sendo assim, não só a bissexualidade compulsória deveria ser imposta, deveríamos impor também o poliamor compulsório. Não podemos discriminar nenhum grupo, nenhuma característica, nenhuma raça, nenhuma etnia, nenhuma cor no amor. Sendo assim, devemos ter relacionamento romântico/sexual com negras(os), brancas(os), asiática(os), loiras(os), ruivas(os), também tem que inclir em seu relacionamento pessoas de olhos claros, olhos castanhos, olhos azuis, etc. Não pode excluir também gorda(o), magra(o), altas(os), baixas(os). Somente os bissexuais e os(as) polígamos(as) (o polígamo(a) que inclui todas raças, etnias e características em seu harém) estão livres de tal acusação. Somente eles são totalmente inocentes de incorrer em qualquer discriminação desse tipo. Eles são as únicas pessoas decentes em todo o espectro sexual; apenas eles se abstêm de incorrer em prática tão abjeta. estão livres de tal acusação. Somente eles são totalmente inocentes de incorrer em qualquer discriminação desse tipo. Eles são as únicas pessoas decentes em todo o espectro sexual; apenas eles se abstêm de incorrer em prática tão abjeta. Logo, se nós realmente nos opomos à discriminação de questões referentes ao amor, então todos nós temos de abraçar a bissexualidade e o poliamor (sem discriminação de raça, cor de pelo, cor dos olhos). Pois, se não o fizermos voluntariamente, a implicação lógica é que devemos ser forçados a fazê-lo. Afinal, recusar-se a aceitar essa conclusão significa aprovar não apenas tacitamente, mas também ativamente, práticas discriminatórias — certamente uma das piores coisas dentro do arsenal do politicamente correto.

Leandro disse...

Discriminação é algo que todo o mundo pratica o tempo todo. A todo momento de sua vida você discrimina alguém por algum motivo (seja pelas idéias ou pelo comportamento desta pessoa). Você escolhe aqueles que você considera melhor e exlui os outros. E isto se aplica nas relações amorosas, num evento, numa festa, etc. A todo momento discriminamos. Pense na última festa que você deu. Algumas pessoas você não convidou simplesmente porque você não as tolera, por várias razões. E algumas outras você não convidou simplesmente por saber que elas não se dão bem com um determinado grupo, que foi convidado. E outras você queria convidar, mas não pôde, porque você tinha de reduzir a lista em algum lugar. Agora, imagine que o governo indique um planejador de festas que diz que você vai poder convidar quem você quiser, desde que uma condição seja seguida: você não pode deixar de convidar alguém baseando-se na cor do cabelo. Pode ser que você nunca tenha imaginado pensar nesse critério. Mas agora você tem de segui-lo. E aí você percebe que não tem nenhum ruivo na sua festa, para seu desespero. E se esse fato for tomado como uma evidência de que você está discriminando? Será que vão pensar isso? Você não tem como saber ao certo. Você pensa de novo: mesmo que não haja nenhum ruivo na festa, você certamente não deixou de convidar algum por causa da cor do seu cabelo. Existem outros fatores, muitos outros fatores para mencionar. De qualquer forma, como é possível o planejador de festas do estado saber ao certo quais são as suas motivações? Não é assombroso imaginar que uma agência governamental teria a presunção de ler a sua mente, conhecer seu coração e discernir suas mais recônditas emoções e motivações? Na verdade, isso é totalitário.

Anônimo disse...

fiz o ensino médio em colégio particular e também nunca vi esse termo CIS e n fiz faculdade.

agora vão discriminar pelo nível escolar é? anon de 12:58 quem pagou mico agora foi vc.
como sempre querem respeito mas saem distribuindo preconceito,patético.

Luiz Prata disse...

E-mail do senador, disponível na página do Senado: paulopaim@senador.gov.br.

Leitora disse...

Anônimo do "travesti é um gay vaidoso":

Se travesti fosse só um homossexual vaidoso, me explica porque existem travestis que gostam de se relacionar com mulheres? Sim, eles existem, já vi até documentário sobre isso. Eles são travestis heterossexuais, e não homossexuais. Pesquisa um pouco mais sobre travestis heterossexuais que cai por terra abaixo sua teoria.

lola aronovich disse...

Ahn, gente, o blog é meu, então eu aprovo os comentários que eu quiser. Eu considero caixa de comentários um fórum de debates e também de aprendizagem, então muitas vezes aprovo comentários ignorantes na esperança que alguém vai rebatê-los -- que é o que costuma acontecer, graças a zeus. Até junho do ano passado o blog não tinha nenhuma moderação (TODOS os coment eram aprovados). Só tive que adotar alguma política porque os trolls exageram (e mais na QUANTIDADE que na QUALIDADE dos coment). Ter alguns comentários misóginos e machistas não faz do blog um blog misógino ou machista. A mesma coisa com comentários transfóbicos. Mesmo com coment racistas. Sinto se minha percepção da caixa de comentários no meu blog é diferente da de outras pessoas. Eu não me meto na caixa de comentários dos outros blogs. Eu não xingo a autora de um blog baseada nos comentários que ela aprova ou deixa de aprovar.

Anônimo disse...

Haja cadeia pra prender todos que se enquadrarem nesse projeto aí. Metade da população vai presa e outra metade trabalha pra sustentar. Tomara que essa loucura não seja aprovada.e não e questão de ser preconceituoso, mas não da pra criminalizar tudo. Penalização não es solução.

Anônimo disse...

Sawl - The Rebel

Lola querida.
Quero postar um link sobre uma ABERRAÇÃO que aconteceu com uma pobre menina do Iêmen que está ganhando(este é o único ponto positivo do crime que ela sofreu) repercussão internacional:
http://oglobo.globo.com/mundo/menina-de-oito-anos-morre-apos-lua-de-mel-com-marido-de-40-9902004

Como um homem adulto pode ser tão CANALHA, SÓRDIDO e MALDITO pra "fazer sexo" com uma criança de apenas 8 anos!!!!!
Claro que eles alegam ser "lei", "casamento", mas, pra qualquer pessoa normal o que acontece em certos países é PEDOFILIA ABENÇOADA PELO ESTADO!!!
Malditos! O padrasto que vendeu a criança, a mãe que não fez NADA pra proteger a filha, e o doente moral PDP que "casou" com uma criança pra satisfazer os desejos sórdidos e doentes dele!!!!
Enfim, até quando as Nações Unidas vão ficar sem fazer NADA em relação aos países asiáticos, africanos e do Oriente que castram e estupram crianças sob a aparente "legalidade matrimonial"?!!
Sei que nosso país tem muitas tragédias ocorridas pelo machismo, mas, em certos países ser mulher é uma maldição, é melhor ser bicho do que ser uma pessoa do sexo feminino nestes países!
Estas pessoas que são responsáveis pela castração e "casamento" de crianças com adultos deviam morrer da pior forma!
Aqui fica minha revolta.
Abraço.

Sawl - The Rebel

Anônimo disse...

Concordo c a Lola. No, infelizmente, ha pessoas preconceituosas e pessoalmente não tem como "excluir" alguem da vida. Temos q ter uma conversa abrangente com coisas boas e ruins p nossa sanidade pq as pessoas sao assim.

Helen Pinho disse...

Lola ler alguns comentários doe na alma, deve doer na tua também. Tens toda razão a aprovação é tua e o blog é teu. Não adianta aprovar também só os comentários de apoio, a realidade não é assim. Inclusive tava conversando sobre a "suba no telhado do blog" e uma ideia, que foi aplicada em outros blogs, é tirar os comentários, se perde muita coisa (boa) mas também muita incomodação.

Priscila disse...

Lola, sem falar que se você bloqueasse comentários que não falam o que você queria ouvir você estaria agindo igual os mascus e preconceituosos.

Justo que você aprove a maioria e não te julgo pelo que idiotas aqui possam escrever.

Continue com seu trabalho!

Beatriz Correa disse...

Lola, OFF-TOPIC (mais ou menos)

http://cirandamaterna.blogspot.com.br/2013/09/mulher-tem-que-ser-bonita-ate-fazendo.html

Uma garota de um grupo de mulheres em que participo no facebook me mandou esse link. Absurdamente emocionante, fala da maneira de como as meninas são educadas como modelos do patriarcado.

Convido todxs a lerem.

aiaiai disse...

sinceramente, pessoal, a questão é grave mas não acredito que o senador paulo paim teve a intenção de excluir as mulheres cis. acho que ele não conhece a diferença entre os termos (é difícil mesmo p quem não milita nessa causa) e foi mal assessorado. mandei o texto por tuiter para ele. espero que responda. o tuiter dele é
@paulopaim

Thaís B disse...

Leandro

Se você não sabe a diferença entre respeito e preconceito, para de tentar se fazer de culto e vai ler algo que preste.
Ah, vai aprender a ter empatia também, aposto que você iria amar e respeitar muito se alguém te xingasse por uma característica sua que você não decidiu te-la.
Não sei porque vou dar murro em ponta de faca, mas gente que destila preconceito e hipocrisia se fazendo de inteligente é o cúmulo da canalhice.

Anônimo disse...

Don't feed the trolls, but...
E quem pensa assim não pode ser transformado em ser humano não importando como se sinta na sua cabeça.

Anônimo das 11:51 disse...

O legal de a homofobia virar crime é que certamente a transfobia virá no reboque aí metade das feministas vai pro xilindró.


Sawl - The Rebel:

É apenas a diversidade cultural. Todas as culturas são boas. Relativismo é lindo.

Bia disse...

Lola, vc já viu essa barbaridade?
http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questoes-de-genero/265-generos-em-noticias/20947-menina-de-oito-anos-morre-no-iemen-em-lua-de-mel-com-marido-de-40
O que acha?
E o pior é que infelizmente, não é a primeira vez que algo assim acontece por aquelas bandas, e os políticos locais ainda utilizam motivos religiosos pra defender essa prática.
Sem generalizações, mas por essas e outras fico feliz de não ter religião.

Anônimo disse...

Vc viram a estudante do RJ que está sendo acusada de ser Black Block por ter postado mensagens feministas na`rede? Será que é tão subversivo assim?

A garota vai pedir asilo político em outros países.

Anônimo disse...

Sawl - the Rebel

PARA Anônimo ridículo das 21:34.

Um adulto fazer sexo com uma CRIANÇA é qualquer lugar do Mundo é
P-E-D-O-F-I-L-I-A!!
A diferença é que países miseráveis da África, Ásia e Oriente Médio eles usam a "desculpa cultural" e a "desculpa religiosa" pra LEGALIZAR a pedofilia, vc me entendeu agora?!
Um adulto abusar de uma criança, infelizmente tem em qualquer lugar do Mundo, incluindo países ricos de Primeiro Mundo, mas, estes países miseráveis a pedofilia é legalizada através do casamento.
Com certeza sua declaração é d eum sujeito que não tem filhos(as)!!
Sinceramente não sei porque vc justificou e ainda lançou o sarcástico "Relativismo é lindo", porque tomou as dores dos pedófilos?

Se sente um, sente atração anormal por crianças? No caso da resposta for SIM, corra para um psiquiatra o mais rápido possível e tenha vergonha do que escreveu!!!!!!!!!!

Sawl - the Rebel

Caroles disse...

Por que é tão difícil pra algumas pessoas entenderem que elas não tem direito de ser preconceituosas porque isso interfere na vida alheia? Sério, preguiça de viver.

Anônimo disse...

Post muito bom e esclarecedor, Lola! Não comento muito mas sigo seu blog sempre... é que lendo os comentários agora me veio uma questão: daonde será que vem essa chuva de mascus?

André disse...

Se a discriminação por gênero voltar ao PLC os homens também estarão cobertos pela nova lei, quer as feministas queiram ou não. Não vejo como isso pode ser ruim, a única consequência é que o gênero menos discriminado vai fazer pouco uso da lei.

André disse...

Uma lei anti-homofobia pune o crime ou a intenção? No caso do pai e filho que apanharam por serem confundidos com homossexuais a intenção do crime foi homofóbica, mas por as vítimas não serem homossexuais em que crime se enquadraria? Seria abrangido pelo PLC 122?

Liana hc disse...

Ih Lola, essa questão de semântica é dose, viu. Dá pra ficar dando voltas nisso sem chegar a lugar algum. Ao que parece não tem nenhum termo "perfeito" ou que pelo menos seja consenso. Mas para fins práticos e didáticos, eu acho válido diferenciar "identidade" de "identidade de gênero". E me preocupa o texto dessa lei porque uma coisa é um grupo de militantes e acadêmicos discutindo o assunto, outra é se uma determinada lei vai ser entendida e aplicada, e ter efeito prático na vida das pessoas contempladas por ela. E se há margem para dúvidas, essa lei pode não pegar. Talvez o melhor caminho (que não é perfeito) seja nomear esses grupos individualmente, mesmo correndo o risco de deixar algum de fora. E sem tranformar suas causas em coisa menor, diante de discriminações "tradicionais" como o racismo.

E sobre o que vai ser aceito ou não na caixa de comentários, acho que isso é uma coisa muito pessoal. Não vejo porque associar a totalidade (ou uma parte dela) das opiniões expressas na caixa de comentários com a visão pessoal da pessoa que é dona do blog. Até porque seria algo meio esquizofrênico considerando que aqui a gente lê de tudo um pouco. Acho válido não restringir os comentários para só aqueles que concordam ou que dão opiniões "neutras". Mas aí vai de cada um, nem todo mundo vai ter a mesma tolerância para com todas as situações.

donadio disse...

"Lola, vc está enganada. Travesti é só um gay vaidoso. Por que um cara vai querer se vestir como mulher, tomar hormônios e fazer uma vagina artificial no lugar do pênis?"

É você que está enganado. Um travesti não é alguém que vai fazer uma vagina artificial no lugar do pênis (isso é um(a) transexual); um travesti é alguém que quer ter um pênis e uma série de características sexuais femininas, orgânicas (seios, quadris largos) ou meramente culturais (usar saias, batom, cabelos longos, etc.) No dizer da Rogéria: "mas eu não quero ser mulher... e nem quero ser homem, quero ser o que sou".

E, sim, existem mulheres transexuais que são lésbicas, isto é, pessoas nascidas homens, mas que se operaram para ser mulheres, ou querem fazê-lo, mas são sexualmente atraídas primariamente por mulheres. E existem travestis heterossexuais, isto é, homens que desejam ter características sexuais femininas, mas não desejam se transformar em mulheres, e que se sentem sexualmente atraídos primariamente por mulheres.

Anônimo disse...

Naquele interessante link "mullher cis"

"...Existem pessoas, através de diversas épocas e em diversas culturais, que tinham pênis e se identificavam como mulheres. Existem pessoas, através de diversas épocas e diversas culturas, que tinham vulvas e se identificavam como homens. Esse fato simples, mas difícil de aceitar, joga por terra a ideia de que um pênis, uma vulva, ou qualquer característica sexual secundária (como seios) sejam em essência masculinas ou femininas."

O fato de uma pessoa não se identificar com a realidade de seu corpo "joga por terra" a realidade desse corpo? Putz, então um sujeito que se sente o Napoleão Bonaparte deve ser tratado como tal, já que o que ele sente ser vale mais do que ele realmente é.

Esse teoria queer é muito bizarra, é mais uma tentativa de dar uma roupagem pseudo-cientifica a um fetiche sexual. Nada contra fetiches, mas essa politização da vida sexual é ridícula.

Anônimo disse...

André,

Homofobia não é "agressão à homossexuais" e sim agressão POR ser ou POR ACHAR que a vítima é homossexual. Por exemplo, uma agressão contra um homossexual numa discussão acalorada de bar sobre religião ou política, não seria homofobia, mas uma agressão a um cabeludo magrelo heterossexual na rua por achar que é "viado", é homofobia.

Helen Pinho disse...

Sim porque se compreender homem ou mulher é a mesma coisa que se compreender napoleão bonaparte ¬¬

anônimo entendido de teorias bizarras pseudo-científicas.

Anônimo disse...

Ana Carolina disse...
O pior é ver um lampejo daquele discurso de "proteger a mulher cis é como proteger o branco no caso de racismo", que tá a um passinho de "a mulher cis não precisa de proteção" e "a mulher cis se iguala ao opressor"...
10 DE SETEMBRO DE 2013 11:38



ALELUIA, AS FEMINISTAS ESTAO ACORDANDO PARA O SEQUESTRO. ATE QUE ENFIM!!! achei que só as radfem tavam vendo o discursinho desses grupos que invadiram o feminismo pra negar que exista patriarcado, misoginia, e culpar as mulheres por todos os males do mundo sob a argumentaçao de transfobia. até que enfim!!!

a maioria das mulheres NÃO TEM identidade de gênero, isso nao existe, o gênero é imposto a todos, homens e mulheres. o gênero feminino é subjugado ao masculino, pq é assim que o patriarcado funciona. temos que lutar para libertação das mulheres, e parar com essa bobagem de dizer que mulheres ESCOLHERAM o gênero feminino.

L. G. Alves disse...

Respeito todos estes trans,mas dizer que é mulher aí é demais. Serão sempre fakes, mas devem ser respeitados e terem seus direitos como qualquer hetero. Nem sabia disso de "mulheres cis", haha Para mim só existe mulher e um exemplo sou eu. Nasci mulher e tenho tudo que uma mulher possui. O fake nunca será uma mulher de verdade, aceite isso ou não, mas apoio que queira mudar, se isso o faz feliz.

Art Carden disse...

Várias cidades do mundo já aprovaram decretos que tornam ilegal empresas e firmas deixarem de contratar empregados por causa de sua orientação sexual. Em muitos casos, principalmente nos EUA, toda a discussão inevitavelmente descamba para o debate acerca da moralidade da homossexualidade. Mas independente de qual seja a discussão do momento, normalmente assume-se que o estado pode intervir em favor de determinados grupos a fim de corrigir toda a injustiça da discriminação. Porém todo o debate sobre discriminação, em grande medida, ignora o cerne da questão, a saber: se é justo, moral e apropriado utilizar de força para corrigir as perversas e excêntricas crenças de terceiros. Concentremo-nos nisso.

Comecemos pelo lado do consumidor. Como consumidor, sou livre para me entregar a quaisquer preferências pelas quais esteja disposto a pagar. E se eu for um intolerante fanático, os objetos de minha ignorância — desde que não seja brutalidade física, obviamente — não podem fazer absolutamente nada, em termos jurídicos, contra mim. Se eu tenho algum preconceito contra a raça ou a religião dos proprietários de um restaurante étnico local, sou perfeitamente livre para utilizar os serviços de outros restaurantes. Eu não sou obrigado a comer em um restaurante indiano, mexicano ou vietnamita, e os proprietários desses estabelecimentos não têm a opção de me obrigar a ser cliente de seus negócios.

O direito legal de processar pessoas pelo crime de pensamento funciona somente em uma direção. Aos restaurantes não é dado o direito de se recusarem a me servir caso não gostem de minha raça ou religião. Tem algo incoerente aqui. Se eu sou um fanático, sou livre para praticar meu fanatismo recusando-me a dar meu dinheiro em troca dos bens e serviços daqueles de quem não gosto. Porém eles não podem se dar ao mesmo luxo: eles não podem se recusar a oferecer seus bens e serviços em troca do meu dinheiro.

Já foi dito que "questões complicadas criam leis ruins", e leis contra a discriminação são um ótimo exemplo disso. Eis uma área em que o pragmatismo deve dar lugar aos princípios.

Art Carden disse...

Em seu livro Fair Play, o economista Steven Landsburg expressa isso de maneira eloquente em uma passagem sobre a importância dos direitos, da tolerância e do pluralismo (p.92):

“ Você e eu desaprovamos a intolerância. Mas a virtude privada da tolerância e a virtude pública do pluralismo requerem que aceitemos coisas que não necessariamente aprovamos. Tolerância significa aceitar o fato de que o juízo de valor das outras pessoas pode ser muito diferente do seu. Pluralismo significa abster-se de utilizar o poder político como um meio de 'corrigir' esses valores.

A ideia de tolerar a intolerância pode soar paradoxal, mas o mesmo também se aplica a várias outras boas ideias — como a liberdade de expressão para os defensores da censura. Com efeito, a liberdade de expressão tem muito em comum com a tolerância: não significam nada a menos que sejam igualmente aplicadas àqueles que nos aplaudem e àqueles que nos ofendem visceralmente.

A tolerância é algo enobrecedor — e é por isso que devemos ensiná-la aos nossos filhos. Já o pluralismo é um seguro contra a tirania — e é por isso que temos de exigi-lo do governo. Defender mesmo a mais odiosa das minorias é algo moralmente certo e politicamente prudente.”


Exigir que o governo purifique os corações e mentes de terceiros abre uma caixa de Pandora, nos joga em um terreno completamente instável e estimula todos os tipos de clichês banais. Eu realmente espero que as pessoas achem moralmente repugnante qualquer tipo de discriminação baseada em raça, religião, orientação sexual, deficiências físicas e outros critérios arbitrários. Entretanto, essa minha desaprovação quanto a atitude de outrem não me dá o direito de utilizar a força para corrigir suas visões deturpadas. Aliás, o tiro pode sair pela culatra. Todo decreto antidiscriminação inevitavelmente gera aquela mentalidade inerentemente discriminatória do "nós contra eles".

O que nos leva a outro ponto de crucial importância. Se eu dou a um governo o poder de obrigar você a aceitar meus valores, também estou dando a ele o poder de me obrigar a aceitar os seus valores em algum momento futuro. Um exemplo prático: qualquer governo com o poder de confiscar o dinheiro de um ateu para entregá-lo à minha igreja é também um governo que tem o poder de confiscar o meu dinheiro para entregá-lo a organizações abortistas. Quando utilizamos de força para restringir a liberdade de terceiros, estamos colocando a nossa própria liberdade em perigo.

O poder de coerção governamental é uma faca de dois gumes: dar ao estado o poder de fazer coisas das quais você gosta necessariamente significa dar ao estado o poder de fazer coisas das quais você não gosta; e dar ao estado o poder de restringir comportamentos que você desaprova significa dar ao estado o poder de restringir comportamentos que você aprova. A única maneira correta de mudar corações e mentes não é através da coerção. É através da persuasão.

Anônimo disse...

PQP, mas vamos lá.

"O fato de uma pessoa não se identificar com a realidade de seu corpo "joga por terra" a realidade desse corpo? Putz, então um sujeito que se sente o Napoleão Bonaparte deve ser tratado como tal, já que o que ele sente ser vale mais do que ele realmente é."

O texto quer dizer que órgão sexual não define gênero, é só parar pra pensar nas pessoas interssexuais (antigamente conhecidas como hermafroditas) ou ler um pouco a respeito de transsexualidade no resto do reino animal ou entender um pouco de biologia ou ter uma mínima empatia por outros seres humanos que dá pra entender...

"Esse teoria queer é muito bizarra, é mais uma tentativa de dar uma roupagem pseudo-cientifica a um fetiche sexual. Nada contra fetiches, mas essa politização da vida sexual é ridícula."

E desde quando gênero influencia sexualidade, meu bem? Olha a heteronormatividade batendo.

"ALELUIA, AS FEMINISTAS ESTAO ACORDANDO PARA O SEQUESTRO. ATE QUE ENFIM!!! achei que só as radfem tavam vendo o discursinho desses grupos que invadiram o feminismo pra negar que exista patriarcado, misoginia, e culpar as mulheres por todos os males do mundo sob a argumentaçao de transfobia. até que enfim!!!"

Nem tão ao céu nem tanto à terra. Se bem que elogiou radfems então já nem precisamos levar a sério.

"Respeito todos estes trans,mas dizer que é mulher aí é demais. Serão sempre fakes, mas devem ser respeitados e terem seus direitos como qualquer hetero."

Pois saiba que seu comentário foi extremamente desrespeitoso. E ser hetero ou não não tem relação com transsexualidade. Você está fazendo a mesma associação de trans serem gays, quando que gênero e sexualidade são conceitos distintos.

"Nem sabia disso de "mulheres cis", haha Para mim só existe mulher e um exemplo sou eu. Nasci mulher e tenho tudo que uma mulher possui. O fake nunca será uma mulher de verdade, aceite isso ou não, mas apoio que queira mudar, se isso o faz feliz."

Por mais incrível que possa parecer, a tua opinião não é necessariamente a verdade do mundo. Mulheres (e homens) trans existem e são tão legítimas quanto eu e você.

~
Gente, vamos nos informar mais né? internet está aí ao alcance de todos, pesquisem termos como transsexualidade, identidade de gênero, qual a diferença entre gênero e sexualidade, enfim. São conceitos difíceis de entender porque somos ensinados a ignorar sua existência. Assim como no caso do machismo, homofobia e racismo (e etc.), precisamos nos preparar para pensar de uma forma diferente da qual estamos acostumados, o famoso "fora da caixinha". Enquanto fechamos nossos olhos pois o assunto "não nos diz respeito", pessoas trans estão morrendo.

Anna disse...

Em posts em q se fala de transexualidade sempre transbordam comentários preconceituosos por aqui de feministas, é impressionante. E o anon acima disse tudo.. Enquanto tem gente q passa pra escrever ''Respeito todos estes trans,mas dizer que é mulher aí é demais. Serão sempre fakes, mas devem ser respeitados e terem seus direitos como qualquer hetero. Nem sabia disso de "mulheres cis", haha'' há mulheres e homens trans morrendo.. Enfim, ignorância não é nada para se orgulhar.