segunda-feira, 23 de setembro de 2013

CRÍTICA: LOVELACE / A VIDA TRÁGICA DE LINDA, ATRIZ PORNÔ

Cena de Lovelace: equipe gravando Garganta Profunda

Eu não gosto de pornografia, nunca gostei, e nunca vi um filme pornô inteiro. O que eu fui mais longe foi Garganta Profunda, até hoje o pornô mais bem sucedido de todos os tempos, em termos de bilheteria. 
Ouvi falar de Garganta toda a minha vida (nasci em 67, o filme foi lançado em 72). Ainda criança, eu sabia que os adultos estavam indo ver um filme pornô, e que esse era um grande evento. As pessoas se sentiam cool por ver um filme pornô. 
Lembre-se que isso foi antes da invenção do videotape, e muito, muito antes do dvd e da internet, que mudaram a indústria do "entretenimento para adultos" para sempre. Nos anos 70, só salas específicas (e não muito limpas), frequentadas apenas por homens, passavam filmes pornôs. Portanto, era uma sensação que um filme pornô atraísse o público mainstream. 
E Garganta teve a sexta maior bilheteria nos EUA em 72. Outro sucesso pornô, Atrás da Porta Verde, foi número 4. Mas Garganta veio antes. E eles eram percebidos como parte da revolução sexual, ainda que fossem financiados por um grupo que não tivesse nada em comum com os hippies ou o amor livre -- a máfia. Aliás, um dos motivos pelos quais não dá pra saber quanta grana esses sucessos pornôs de fato arrecadaram é que a máfia usava seus cinemas para lavagem de dinheiro. Por muito tempo divulgou-se que Garganta tinha rendido 600 milhões de dólares. Hoje sabemos que está mais pra metade disso; ainda assim, uma montanha de dinheiro.
Quando tentei ver o filme, anos depois, em videocassete (não tenho certeza), achei Garganta tão bobinho que não consegui ir adiante. Claro, havia sexo explícito, mas também tinha diálogos risíveis e atuações medíocres (o que parece ser comum na indústria pornô). 
A história em si é incrível: uma moça frustrada descobre porque não é capaz de ter prazer sexual -- é porque seu clitóris fica na garganta. Então, pra que ela se satisfaça, só fazendo muito sexo oral. Quando ela tem orgasmo, fogos de artifício tomam conta da tela.
Apesar dessas tosquices todas, Garganta virou referência cultural (tipo: os jornalistas que investigaram o caso Watergate chamavam seu principal informante de "Garganta Profunda"). E sua estrela, Linda Lovelace, rapidamente foi alçada à condição de ícone. 
Em 2008, enquanto morava em Detroit, vi um documentário sobre ela e o filme. Agora, vi outro, muito bom, chamado The Real Linda Lovelace (interirinho aqui), e muito triste. E só estou falando nisso agora porque Lovelace está nos cinemas (veja o trailer). E, infelizmente, não é grande coisa, embora Amanda Seyfried, que faz Linda, esteja ótima (deve ser sua melhor atuação até hoje).  
A vida de Linda foi uma tragédia. Com 19 anos, ela engravidou sem querer e teve o bebê, que sua mãe repressora entregou para adoção (em Lovelace, a mãe é interpretada por Sharon Stone, que eu nem reconheci). Pouco depois, Linda sobreviveu a um terrível acidente de carro (sequer mencionado em Lovelace). Foi aí, enquanto se recuperava do acidente, que a deixou com um fígado em frangalhos, costelas e mandíbula quebradas, que ela conheceu Chuck Traynor, seis anos mais velho que ela.
Chuck merece um capítulo à parte. 
Chuck no doc The Real Linda
Em Lovelace, quem o interpreta é o sempre formidável Peter Sarsgaard (Plano de Voo, Educação), e mesmo que ele seja um personagem detestável, não é nada perto do Chuck de verdade. O documentário Real Linda o entrevista longamente, e, desculpe, não resta dúvida que ele tenha sido um ser humano desprezível. Deve ter sido a última entrevista que ele deu, pois morreu logo depois, três meses após a morte de Linda. 
Chuck e Marilyn Chambers
Chuck nega várias acusações de Linda, mas deixa bastante claro que batia nela. Ele fala isso com orgulho, além de dizer que Linda era muito burra (e olha que ela tinha acabado de morrer). O mais incrível é que, após ser largado por Linda, Chuck "descobriu" Marilyn Chambers, que viria a estrelar Atrás da Porta Verde. Ficaram juntos dez anos.
Chuck e Linda mais ou menos concordam com a versão que ele hipnotizava Linda, e que foi ele quem ensinou a ela a técnica de sexo oral que a consagrou, que consiste em suprimir o gag reflex (reflexo faríngeo que provoca ânsia de vômito) e colocar o pênis garganta adentro. 
Cena de Garganta Profunda
Parece ser a mesma técnica dos engolidores de espada. Todxs nós (alguns mais, outros menos) temos algo na garganta que nos impede de engasgar com objetos não mastigados que entrem no esôfago, como um pênis ou uma espada (é também o que as pessoas bulímicas acionam para poder vomitar). Controlar esse reflexo involuntário não deve ser nada fácil.
Linda e Chuck na vida real
Esta deve ter sido a única coisa boa que Chuck fez por Linda, porque o resto... Quase desde o início do relacionamento, ele a obrigou a se prostituir. Além de espancá-la (é possível ver os machucados no corpo de Linda em Garganta), ele a ameaçava com um revólver. Antes do sucesso de Garganta, ele a forçou a fazer vários curtas pornôs de baixíssimo orçamento, um deles com um cachorro. Ele também promoveu um estupro coletivo, para que ela fosse violentada por cinco homens, em troca de dinheiro pra ele. 
Muita gente não acredita nessas acusações, já que é tão comum não acreditar na vítima, e já que Linda não parece estar sendo obrigada a nada durante Garganta. E também porque ela escreveu duas autobiografias contando como adorava sexo e como gostou de fazer o filme (em Lovelace, Chuck surge ditando um desses livros). Quando, em 1980, Linda decidiu lançar um terceiro livro, Ordeal (Provação), para desta vez narrar sua verdadeira história, um monte de editoras a recusaram. 
Cena ligeira em Lovelace
Finalmente, uma editora topou publicar, com uma condição -- que Linda passasse num detector de mentiras. Ela respondeu a um teste de onze horas, e passou. Assim, tornou-se uma ativista contra a indústria pornô e a violência doméstica. Começou a dar palestras (cobrava US$ 1,500 por palestra), e se aliou a feministas como Andrea Dworkin e Gloria Steinem. Linda dizia: "Quando você vê Garganta Profunda, vc está me vendo ser estuprada". 
Lovelace não está interessado nisso, pois só conta a vida de Linda até 1980. A produção chegou a contatar Demi Moore para interpretar Gloria Steinem, e depois ficou com Sarah Jessica Parker pro papel. Só que todas as suas cenas (que não deviam ser muitas) foram cortadas. É uma pena, porque dessa forma Lovelace se fixa quase que exclusivamente no relacionamento entre Linda e Chuck. 
E a vida de Linda foi mais trágica ainda. Ela se casou outras duas vezes e teve dois filhos, mas sempre enfrentou problemas de saúde. Em 87, precisou fazer uma mastectomia dupla para retirar os seios, contaminados pelo silicone que Chuck a forçou a colocar antes de Garganta. Durante a preparação para a mastectomia, os médicos perceberam que seu fígado não dava mais, consequência da transfusão de sangue após o acidente de carro de 69. 
Ela teve que se submeter a um transplante de fígado. Um só remédio para a não-rejeição do novo órgão custava 2,500 dólares por mês, que Linda não tinha como pagar. Afinal, tudo que Linda havia recebido pela super bilheteria de Garganta foi US$ 1,250 -- que foi direto pro bolso de Chuck.
Sem ter como pagar as contas, sem conseguir emprego por causa de sua fama/infâmia, Linda tentou ganhar um pouco de dinheiro vendendo produtos referentes à Garganta, como uma camiseta escrito "I made Linda Lovelace gag" (eu fiz LL engasgar). Juno Temple, que interpreta a melhor amiga de Linda em Lovelace, apareceu a uma premiere do filme vestindo essa camiseta -- o que, convenhamos, não soa muito respeitoso. 
Linda Lovelace em 1976
Linda morreu em 2002, num outro acidente de carro. Ela tinha apenas 53 anos. (Marilyn Chambers também morreu jovem, aos 56 anos, em 2009. Mas foi em casa, de problemas cardíacos). 
O documentário Real Linda vale mais que Lovelace, o filme. Talvez porque acredite mais em Linda, apesar de dar (muita) voz a Chuck. Não que Lovelace desacredite Linda. É só que deixa coisa demais de fora. Ainda assim, o formato é interessante. Na primeira parte, o filme apresenta quase uma gata-borralheira do pornô. Tudo é descoberta e entusiasmo (pelo menos até a prisão de Chuck), e o maior problema de Linda parece ser sua mãe dominadora.
Na segunda parte, várias cenas são retomadas, mostrando a "história verdadeira". Por exemplo, na primeira parte, vemos que num cômodo estão vários dos realizadores de Garganta, e eles ouvem o barulho vindo do quarto ao lado, onde estariam Linda e Chuck. Na segunda parte, nós vemos o que causa esse barulho -- é Chuck batendo em Linda. Isso condiz com o que a atriz narra em duas de suas biografias: de que todo mundo em Garganta sabia que ela era abusada pelo marido, e ninguém fazia nada. 
Outro exemplo: numa cena, vemos Hugh Hefner (interpretado por alguém bem mais bonito do que ele, James Franco) sendo gentil com Linda na famosa mansão dele. Quando a cena é retomada, ele exige sexo oral de Linda. E por aí vai. É toda uma série de abusos, sem dúvida, mas bem suavizados, se comparados à vida real. (Há um outro filme, Inferno, sendo feito sobre Linda. Este será com Lindsay Lohan). 
Creio que o maior valor de Lovelace esteja em mostrar um pouco os anos 70. Não deixa de ser um filme de época, assim como o (muito bom) Behind the Candelabra, que deu o Emmy pro Michael Douglas por sua fabulosa interpretação de Liberace. Será que Amanda Seyfried será lembrada nas indicações pro Oscar? Torço que sim. 
Adam Brody (também irreconhecível) e Amanda Seyfried em Lovelace

39 comentários:

Valéria Gomes disse...

Como pode um cara ser tão babaca e ainda conseguir se olhar no espelho? Nossa Lola, esse seu post só fez
aumentar o meu ódio aos homens.

Lu disse...

O livro da Gloria Steinem, "Memórias da Transgressão", conta com um capítulo sobre a Linda Lovelace. A história dela é tristíssima..

Anônimo disse...

Claro que eu não acreidto, e sem provas. Não há nenhuma prova de que ela foi obrigada. Se devemos acreditar nas acusações, então tá. Vamos acusar a Lola de algum crime e já prendê-la. Queria ver se ela ia gostar de ser algemada e presa, sm ter cometido crime nenhum, apenas por calúnias.

Nadja Pereira disse...

Vale lembrar que as feministas usaram ela no movimento contra a pornografia, mas depois a colocaram de lado - o que a fez cair em desgraça novamente na indústria. Aliás, tem uma entrevista em que a feminista não a deixa falar de forma alguma. Em seguida, o diretor diz que ela sentia a necessidade de ter alguém dizendo o que ela deveria fazer; uma pessoa vinda de um lar desestruturado e facilmente manipulável. É fato, mas a vida desta moça é uma tristeza sem fim. Neste fim de semana eu assisti "Inside Deep Throat" e vi também um outro lado da história. A irmã dela disse que só não matou Chuck antes porque não o encontrou, porque ele só acabou com a vida de Linda.

Hamanndah disse...

Valeria, odeie os machistas e os homens violentos...os homens como Silvio da Lola, Lord, Patrick, Sakinha sao nossos companheiros de luta e sao homens que amamos. Nao os misture com os lixos, como este ex de Linda. Existem muitos homens legais. Seja otimista e nao generalize. Nao de combustivel para os blogs mascus, cujos blogueiros nojentos vem aqui para pegar este tipo de comentario seu para tentar mostrar que o blog de Lola e nos somos misandricas. Abaixo o machismo e os homens machistas, nao os nossos parceiros aliados.

Anônimo disse...

Sawl


Essa moça, Linda lovelace teve a infelicidade de encontrar em sua curta vida esse LIXO que se denominava "homem" chamado Chuck Traynor.
Ainda não sei se verei no cinema ou se espero chegar em dvd o filme Lovelace.

Sei que não tem a ver com este post, mas, achei impressionante a coragem, o caráter e a fibra de uma grande mulher canadense que está ajudando mulheres somalianas mesmo tendo sido sequestrada, vítima de tortura e estupro neste misógino e miserável país, como também, achei impressionante(no sentido RUIM) o nível de comentários de trolls machistas pseudo-homens que ficaram debochando e questionando o caráter da moça(um homenzinho ridículo chamado Stokbant chegou ao cúmulo da misoginia de dizer que não teria acontecido esse horror com ela, se ela estivesse em casa "lavando a louça", como se isso fosse algo indigno e que muitos homens não fazem! Babaca!) !!!
O link é esse:
http://epoca.globo.com/vida/noticia/2013/09/sobrevivi-460-dias-em-cativeiro-diz-sequestrada-em-zona-de-conflito.html

Enfim, século XXI, e vemos certos níveis de comportamento não tão distantes do nada prezado e nada digno sr Traynor!!!


Sawl - The Rebel

Anônimo disse...

Pornô mainstream é um porre mesmo, e ainda vi um sujeito falando, que querem "cada vez mais sujo", e que ele se arrepende de ter entrado nesse ramo(ele apenas cuidava da arte audiovisual) porque com tudo o que ele via, ele não conseguia imaginar as mulheres como pessoas normais, qualquer uma que ele visse, ele já imaginava ela como as atrizes atuando.

Só Femdom Amador(ou semiprofissional) que presta. Enfim, produções pequenas. Quando estúdio grande vai fazer "superprodução" de femdom, fica tão forçado que vira comédia.

Lu_ud disse...

Anon 14:33,
qual parte de "11 horas seguidas de entrevista num detector de mentiras" voce nao entendeu?

Edson disse...

Uma crítica de filme! Fiquei emocionado aqui! Quase lacrimejei! (Zueira! rsrsrs).

Que triste a história da Linda Lovelace! Não vou assistir esse filme não, só se cair nas minhas mãos!

Ráisa Mendes disse...

Uma leitora mencionou o livro "Memórias da Transgressão", fui procurar ele na net e vi que tem para baixar.

Vai o link aê
http://brasil.indymedia.org/media/2007/06//385841.pdf

Parece ser bem interessante!

WICKED WOMAN disse...

Valéria Gomes, não tem pq ter ódio dos homens já que não são todos que tem a mesma postura do ex da Linda.

Anônimo disse...

em casos mirabolantes como esse eu duvido mesmo a menos q tem provas.
quer dizer q o mundo inteiro sabia dos abusos mas ninguém fez nada?

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Me incomoda muito (e acho que grande parte de nós mulheres) a ideia de uma "habilidade sexual" que só vai trazer prazer para o outro.
Li o artigo da Gloria Steinem e me pareceu que a Linda era oferecida aos homens, pelo marido, como uma prostituta de alguma espécie de "freak show".
E aí os homens estão lá se divertindo e gozando com algo que para a mulher que está fazendo não tem a menor graça.
Aí criaram um roteiro totalmente fantástico pra dar a ideia de que ela também se divertia com aquilo, unicamente porque além do prazer sexual físico, também faria bem para o ego dos homens que a atividade também estaria sendo satisfatória pra ela.
É muito triste quando toda a coisa é feita pelo homem, para o homem e a mulher só está ali, como simples acessório, vítima de violência física e psicológica por parte do marido.

Anônimo disse...

E eu achando que minha vida era ruim.

Mariana Klafke disse...

Leio sempre o blog, mas nunca tinha comentado. Estou comentando pra dizer que fico chocada com o quanto as pessoas se preocupam em defender agressor e duvidar de vítima. Vontade de chorar de raiva e impotência, sabe? Fico pensando que se acontecer comigo, alguém vai duvidar também. Como assim, gente, alguém vir aqui comentar que acha muito estranho a história de que todo mundo sabia dos abusos que Linda sofria e ninguém fazia nada?! QUANTA GENTE sofre abusos a olhos vistos e ninguém faz nada?! Imagina ainda no caso da Linda, que era prostituta e atriz pornô. Quanta gente não interviu justificando provavelmente que ela tinha uma profissão de risco, em que se expunha mesmo a este tipo de coisa?! Por favor, gente, um mínimo de raciocínio antes de abrir a boca ou ativar os dedinhos.

(Lola, aproveito pra dizer que adoro te ler!)

Anônimo disse...

Ok, ela teve uma vida realmente trágica, e, com certeza, foi sacaneada por muita gente, incluindo claro o crápula do seu marido.
Mas daí a achar que ela é uma Madre Teresa de Calcutá, peralá, gente.
Ela sempre soube com quem se metia, tirou seu proveito e grana durante algum tempo, não era muito diferente da turma com quem andava.
Isso não justifica agressões ou exploração, mas não vamos transformar ela numa pobre menininha que não sabia de nada na mão de homens malvados.

Anônimo disse...

Anônimo disse...
em casos mirabolantes como esse eu duvido mesmo a menos q tem provas.
quer dizer q o mundo inteiro sabia dos abusos mas ninguém fez nada?

23 de setembro de 2013 20:30

É piada né??
Pergunta para seus amigos, familia e até vizinhos se eles algum dia ouviram ou sabiam de alguma mulher que apanhava ou ainda apanha do marido. Se a resposta for sim, pergunta o que eles fizeram algo para impedir ou se denunciaram?! E pense um pouquinho sobre a redoma de arco-íris que vc vive!
A cada minuto 5 mulheres são espancadas pelos seus companheiros e os vizinhos/amigos/familiares, sabem e ouvem tudo e nada fazem, pois o patriarcado sempre nos ensinou (cof cof...) que "em briga de marido e mulher, não se mete a colher".
E ai isso te soa mirabolante também?

@dddrocha disse...

Anônimo das 09:42

Ninguém tá transformando a Linda numa santa. Onde tá lendo isso? É da mesma caixa de comentários que estamos falando?
É a mesma história, a pessoa é incapaz de sentir empatia pela vítima, faz questão de dizer que ela "sabia" com quem estava se metendo. É incapaz de lembrar que vítimas de abusos dificilmente reagem, lutam ou demonstram resistência.

Vitor Ferreira disse...

Lola, eu fui da plateia teste desse filme aqui em San Francisco há mais de um ano atras. Pelo que voce descreve, nao mudaram a estrutura do filme, que muda o tom do narrativa completamente de uma metade para a outra. Mas na versao que vi as cenas com a Sarah Jessica não foram cortadas, mas nao eram muitas nao. Eram so umas duas ou tres nos 10 ultimos minutos de filme. E mostravam o acidente de carro tambem. Acho que talvez o publico reclamou de o filme ser longo demais.

Vitor Ferreira disse...

Quanto a Seyfried ser indicada, acho pouco provavel.

Anônimo disse...

Você só esqueceu de mencionar que, antes de morrer, Linda Lovelace afirmava ter sido explorada pela indústria do feminismo tanto quanto foi explorada pela indústria pornográfica.

lola aronovich disse...

Ha ha, anon, "industria do feminismo"! Essa foi boa! Sim, vamos comparar a exploracao que ela sofreu pela industria porno (so em termos monetarios: o filme que ela fez rendeu US$ 300 milhoes, dos quais ela recebeu 1,250, que foram direto pros bolsos do marido abusivo -- por sinal, os realizadores do filme SABIAM que o marido era abusivo.
O feminismo certamente usou Linda como porta-voz contra a pornografia. E feministas como Gloria Steinem e Andrea Dworkin foram das poucas que acreditaram em Linda. Pouca gente acredita na vítima...


Vitorzinho, eu lembro de ter visto a Sarah Jessica Parker em algum lugar! Sera que foi num trailer lancado antes? É uma pena como personagens interessantes como Gloria Steinem foram eliminados ou reduzidos a um cameo (a Chloe Sevigni e o Wes Bentley aparecem durante quantos segundos?). É dificil Amanda ser indicada. Mas nao impossivel! Depende de como esta sendo o ano pra outras atrizes... Eu nao to acompanhando absolutamente nada, entao nao sei. E vc, ta vendo tudo?

lucio disse...

"todo mundo é inocente até que se prove o contrário"

isso n serve para as feministas,qualquer coisa que uma mulher diga é verdade e n precisa de provas.
então se ela disse q foi abusada é a mais pura verdade...

lola aronovich disse...

Ai, Lucio, vc nao leu o post, ne? Linda fez teste de 11 horas com detector de mentiras. E passou. Tudo documentado. Além disso, da pra ver os machucados no corpo nela em Garganta Profunda. Vc nao chamaria isso de prova, nao?
Mas isso nao é um julgamento. Linda está morta ha 11 anos, Chuck também. Ela nunca o denunciou enquanto estiveram juntos. Logo, o cara tao bacana que vc esta defendendo so passou uns dias na prisao por coisas como exploracao da prostituicao.
Vcs mascus sempre correm pra defender os homens agressores. E geralmente sao os PIORES caras!

Vitor Ferreira disse...

Lola, aparentemente as favoritas sao Sandra Bullock por Gravity, Cate Blanchette por Blue Jasmine e Meryl Streep por August. Com essa concorrencia, ela ja eh carta fora do baralho. E o filme ser fraco a enfraquece mais ainda.

Anônimo disse...

''Chuck nega várias acusações de Linda, mas deixa bastante claro que batia nela. Ele fala isso com orgulho, além de dizer que Linda era muito burra (e olha que ela tinha acabado de morrer).''

O próprio homem confessa que batia na mulher e vcs ainda não acreditam?

peres disse...

Nesta vida ninguem e obrigado a fazer o que nao deseja principalmente nos EUA onde as leis sao extremamente severas e nada tolerantes porem na vida muitas vezes sofremos consequencias das nossas proprias opcoes e atos

Diego Dias disse...

Só digo uma coisa. Este filme foi feito no USA na década de 70, e antigamente o país era racista e machista, ao ponto de ter ambientes só para negros e só para brancos.

Recentemente vi uns filmes de pornografia com sexo violento na mulher. Eu achava que era tudo armado, que a atriz é profissional, pois realmente tem muitas atrizes e estúdios sérios, que fazem isso. Mas você pode ver claramente a diferença entre uma atriz que está fazendo porque quer, em uma filmagem profissional, com câmeras profissionais, e um vídeo amador de uma câmera com filmagem de apenas um ângulo, sem edições profissionais, com mulheres sendo torturadas, sofrendo, quase chorando, e querendo fugir e sendo obrigadas a ficar. Provavelmente são enganadas, achando que é apenas um filme porno comum, e lá são humilhadas, apanham. Há tipo de torturas que não deixam marcas. Enforcamento leve com as mãos, tapas com o braço na cabeça. E torturas psicológicas.

Vocês que acusam a mulher, espero que fiquem felizes, quando sentirem na pele o quanto o mundo é cruel, quando vier uma pessoa e fizer algum mal a vocês. Como o caso dos bandidos que roubaram um carro, e arrastaram uma criança viva presa por um cinto de segurança pela estrada, até que ela morresse, e viram e nem pararam o carro. E quando tentaram avisar eles, um dos bandidos disse "Isso ae é um Judas que nós colocamos aqui!" Malditos, que defendem gente ruim, é de vocês que eu não tenho pena, quando acontecem algo ruim com vocês, ou quando tiverem o azar de se encontrarem comigo eu em um dia de mau humor.

Sou contra fazer crueldade com pessoas boas, mas sou a favor de ser cruel com pessoas ruins.

Anônimo disse...

Eu não defendo uma mulher fraca mentalmente. Capaz de se sujeitar a isso e continuar ao lado de um homem que a maltrate assim e a obrigue fazer o que quer, tem mesmo que apanhar da vida. Sinto muito, gente coitadinha já basta metade do planeta...

Myrian Almeida disse...

Apoiado o comentário de Mariana Klafke...

Adelma disse...

Olá! Gostaria de saber onde posso encontrar o documentário The Real Linda Lovelace legendado?

Grata

Francinara Sousa disse...

que idiota...dizer que mulher é fraca.... fdp, seu babaca otário, tomara que vc desencarne e volte como uma mulher, pra saber como é e o que é SER MULHER. existem mulheres que apanham, pedem ajuda, mas não têm dinheiro e nem pra onde ir, com crianças e o que mais houver. pode ter sido escolha no inicio, mas muitos homens, assim como muitas mulheres também, usam máscaras,e só mostram o seu verdadeiro eu quando já estão casados, juntos ou o que for. Quantas mulheres largam seus maridos agressores, denunciam, fazem B.O., entram com pedido de medida restritiva, e não adianta nada!!! o cara vem e mata a mulher... mundo preconceituoso e machista esse. Não é fácil nem falar sobre um filme baseado em fatos reais, que vem um serzinho se achando o senhor da razão e critica. um não, vários!!!
Respeitem a opinião de quem assistiu e pesquisou para falar do filme. Ah, e tudo ocorrendoo nos anos 70!!! acorda!! Se é dificil hj, imagina naquela época.

Wellington Conegundes da Silva disse...

Acabei de ver o Lovelace e gostei muito como ele contrapõe o que se tornou culto do pop e o que de fato ocorreu para que essa cultura pudesse acontecer. Essa abordagem contribuiu pra potencializar toda a violência que veria em seguida, pois a primeira parte é muito cor de rosa e quem um pouco de senso sabe que pornografia não é algo suave..., pois é uma violação de intimidade muito grande e que marca muito a vida de uma pessoa. O lance sobre o filme não ter sido tão incisivo em relação á critica as pessoas que ele retrata, como o dono da revista pornô, se dá muito na dificulde de se filmar biografias e como o estúdio teme processos, mas a critica a como o próprio sempre foi canalha é claro. E criticar o cafetão das coelhas é chover no molhado, esses dias eu vi uma biografia dele e os depoimentos dele sobre a vida são ridículos e de como é um completo vazio cercado por luxo e mentira. Finalizando, se os atores de um modo geral recebem muito pouco sobre o que contribuem, isso deve ser mais pesado em relação as atrizees pornôs.

Anônimo disse...

A indústria pornográfica estraga a vida de muitos, não só dos atores, mas também de quem assiste.E o dono da playboy que força mulheres de 20 e poucos anos a transar com ele para se tornar uma coelhinha playboy. Infelizmente dificilmente essa indústria repugnante, que torna as pessoas frias, e cria narcisista radicais e misóginos.

H.C. Michele disse...

Você quis dizer: “Nessa vida mulheres são muito frequentemente obrigadas a fazer o que não desejam, seja através de abusos físicos, psicológicos, ameaças ou até mesmo sutis manipulações muitas vezes ignoradas, especialmente nos EUA onde as leis são tão maravilhosamente bem cumpridas e tolerantes como no Brasil - ou seja, manipuladas para favorecer quem tem mais poder. Portanto, na vida sofremos as consequencias das nossas "escolhas" - ou falta delas - e atos que parecem que foram tomados com consciência e autonomia que na verdade não correspondem com o que realmente queríamos.”
Um pouco de empatia seria legal, migo.

daly disse...

Quem não acredita q as mulheres se submetem a inúmeras coisas repugnantes somente por medo nunca soube na real o que esse sentimento provoca e após passar por inúmeras situações ainda tem a vergonha de se expor para sociedade.

_Aline_ *_* disse...

O livro dela não foi traduzido em Português?
Queria muito ler

Tabatha Hadyel disse...

Bom artigo. Acabei de ver o filem. Vou ver o documentário, obrigada pelas informações adicionais.

Genilda Oliveira disse...

que ela agora tenha paz...e triste saber a quanto vai a maldade e pre conceito do ser humano...afinal ela tentou uma oportunidade de emprego traticional e nao consequiu por ter feito filme porno...se existe ceu e inferno pra onde essas pessoas que negaram oportunidades a essa mulher estao agora...pessoas que talvez se diziam cristaos e tementes a deus...