quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

GUEST POST: RELAÇÕES CLANDESTINAS

Todo mundo está falando da entrevista de Silas Malafaia a Marília Gabriela (é possível vê-la aqui), mas estou sem tempo e estômago pra ver o programa e escrever sobre ele. 
De toda forma, vocês já sabem o que este pastor evangélico, o terceiro mais rico do Brasil, segundo a Forbes, com fortuna avaliada em 300 milhões de reais, disse contra a homossexualidade. É o mesmo que ele sempre fala, e parece ser a base do seu sucesso. Sem o discurso homofóbico, ele teria tantos fiéis? Seria chamado pra entrevistas na TV? Assim como tantos outro, Malafaia fez seu nome em cima da homofobia, que ainda é um negócio próspero. 
Eu digo ainda porque não tem jeito das igrejas se intrometerem no Estado por muito mais tempo. Não tem como o Estado continuar negando direitos básicos a milhões de pessoas, baseando-se na sua orientação sexual. Isso é totalmente inconstitucional, como o judiciário vem demonstrando a cada julgamento. 
Não sei se algum dia vamos acabar com os preconceitos, mas um dos antídotos contra a homofobia é fazer com os heteros percebam que convivem diariamente com lésbicas, gays, e bissexuais, e que a orientação sexual de alguém não faz ninguém pior ou melhor. 
Este é um relato poético e comovente do A, que mostra como é ruim viver numa sociedade que não só te xinga desde a infância, como tampouco reconhece o seu amor como legítimo.

Hoje fui pegar meu marido na pós-graduação e ele disse a uma colega de classe, a quem demos carona, que somos irmãos. Não é a primeira vez que isso acontece. Para um colega de classe do mesmo curso ele disse uma vez que somos primos. Espero que o colega e a colega, bem como nós dois, nunca estejamos todos juntos numa mesma situação. A vida às vezes nos prega cada peça.
Mas desta vez me senti incomodado. Um cansaço de me esconder... Quando ele me liga e há alguém comigo no meu local de trabalho, minha chefe, minha colega, o faxineiro, não mando beijo e não raro sou bastante seco, para ser breve. Quando ele está trabalhando muitas vezes age da mesma forma. Não manda beijos. Fala comigo como se fôssemos apenas bons amigos.
Quando estamos só eu e ele às vezes falamos como crianças. Novela vira vevela. Banho vira bambam. Sovaco vira vavaco. Dormir vira mimir. Comida vira mimida. Sorvete, vêvete. Ivete, Vévete. Sobremesa, memesa. Perfume, fufume. Camisa, mimisa. Goiabada, babada. Chocolate, coiate... Mas, quando há alguém por perto, algum forasteiro no nosso mundo, tudo muda, e não sobra espaço sequer para mandar um beijo no final de uma conversa telefônica.
Os heteros não passam por esse tipo de problema. Podem mandar beijo um para o outro em qualquer despedida. A não ser que sejam amantes. Relações clandestinas. Acho que, dos heteros, os únicos que podem ter alguma ideia de como nós gays  de vez em quando agimos e às vezes nos sentimos são os amantes de pessoas já casadas.
Hoje me passar por irmão me incomodou profundamente. Não sei por quê. Eu já poderia estar acostumado com isso.
Cheguei em casa, vim para o computador, para passar o tempo e esperar a cerveja gelar. Depois de bebê-la veio uma vontade de chorar.
Estou me lembrando do tempo de escola. Sentava-me sempre próximo à porta. Nunca na primeira carteira. Perto demais do professor. Se ele ou ela me fizesse alguma pergunta? Era melhor me precatar.
Gostava de me sentar na segunda fila mais próxima da saída, na terceira carteira.
O final das aulas era anunciado por uma música religiosa. O colégio era católico. Parecia um clarinete tocando a música.
Quando era anunciado o final da última aula eu quase saia correndo. Não corria, mas ia na velocidade mais rápida que eu que podia logo abaixo da corrida. Será que aquilo era um trote? Talvez.
O trote do veadinho.
Já fui chamado de tanta coisa no meu tempo de colégio. Tanta coisa é exagero. "Gayroto criado por vó".
Havia um carinha, que era mais velho que eu uns quatro anos (era bonito e gostoso mas burrinho...), jogador do time de vôlei (o colégio em que estudava era forte nos esportes), que de vez em quando me chamava assim, "gayroto criado por vó".
Pior é que eu desejava aquele filho da p*ta. Estudamos na mesma sala durante anos. O desejei várias vezes, apesar de ele zombar de mim.
Quando eu já estava na universidade uma vez o vi num bar gay. Será que ele é ou era assim tão hipócrita? É muitíssimo possível.
Na hora de voltar pra casa adorava pegar os corredores ainda vazios. Era um colégio grande. Muitos alunos.
Eu sempre chegava cedo. Poucos colegas na sala. O ritual da invisibilidade era importante para mim.
Todo dia era assim. Chegava cedo e, quando tocava a musiquinha da hora de ir embora, saía andando na maior velocidade que podia.
Engraçado, no trabalho ainda é assim. Prefiro chegar quando tudo ainda está vazio de gente.
A diferença é só na hora da saída. Às vezes espero uns 10, 15 minutos para dar tempo de os outros irem embora e eu pegar os corredores desertos.
Por falar em deserto, me lembrei de O Deserto do Amor, romance de François Mauriac que li há muitos anos, ainda na universidade: "Não há um só amor, uma só amizade, que atravesse a nossa vida sem com ela contribuir para toda a eternidade".
Será que é verdade? Não sei por que estou me lembrando disso. Deve haver uma razão. Ou não.
Adoro espaços amplos e vazios. Vazios de gente.
Sinto-me muitíssimo bem quando vou ao cinema nos feriadões. É o meu programa favorito nos feriadões.
As ruas vazias de carros. O cinema tranquilo.
Quando eu era adolescente adorava passar despercebido. Hoje em dia, mesmo mais velho, ainda tenho uma enorme dificuldade para me deixar ser visto.
Eu e meu marido fizemos aniversário de três anos. Até queria me casar. Mesmo que me case, não vou pedir a licença-núpcias.
Como é que eu vou dizer a minha chefe? Chefinha querida, me casei semana passada, não convidei a senhora, embora tenha tido vontade, e vou passar uma semana sem vir trabalhar. É minha licença-núpcias.
Os heterossexuais não precisam se preocupar com essas coisas. A publicidade é a maior e a mais ampla possível.
Já o casamento de gays...
Meu sonho é me casar com dois tenores cantando "O dueto das flores" de Delibes.
A gordinha sou eu.

79 comentários:

Marli Belloni disse...

Ah, que coisa mais triste. Até quando? eu tinha uns 17 anos (isso foi há mais de 30 anos)quando vi uma cena tristíssima assim: dois namorados se despedindo, as mãos se tocando, longamente, sem se desgrudar, enquanto davam passos para se afastarem... um último contato, pois não podiam se beijar em frente ao (antigo) Mappin, no centro de São Paulo. Me tocou tão fundo! Eu, que dava amassos longuíssimos no meu namorado e é era tão criticada em casa, mas estava "no meu direito", como eu dizia na época. Então, é direito de todo ser humano expressar afetividade e devia estar na Constituição.

Anônimo disse...

Me solidarizo com as dores sofridas pelos preconceito e pela homofobia. Repugno a homofobia.
Agora, essa parte de não poder falar que nem criança em público... estou numa relação hetero e não falo assim em público! Até quando estamos no telefone e alguém está ouvindo, mantemos alguma formalidade. Acho tosco aqueles casais que falam de forma nhenhenhenhem na frente dos outros.

Val =^..^= disse...

Emocionante relato.. fez meu coração parar na garganta.
Entendo muito bem essa situação, tbm sou homossexual, mas minha esposa e eu fazemos questão de não esconder isso de ninguem, embora as vezes seja inevitavel..

Hoje de manha a esposa de um colega de trabalho estava aqui no escritorio, e entrou no assunto do carnaval. Perguntei se o local do qual ela falava era bom pra passar o carnaval, quando meu colega, seu amrido, respondeu:

"não!esse lugar é terrivel! tem um monte de veados! e eles andam de sunga (poxa, mas é uma praia!!!) e se beijam na boca!"

Falaram isso sabendo que eu sou lesbica. Não pude deixar barato. Com toda simpatia de quem concorda respondi:

"realmente, assim nao dá. eu tbm acho horrivel ver dois heteros abusados se beijando e se tocando em publico, principalmente quando a moça senta no colo do rapaz e se beijam. e se tiver uma criança olhando??"

Foi um santo remedio. os dois emudeceram e me deixaram com minha alma lavada. eles sentam no colinho para se beijar em publico.

Anônimo disse...

Anônimo das 12:07, no post ele não reclama "de não poder falar que nem criança em público". Ele procura demonstrar a intimidade e o afeto que existe em um relacionamento que não tem o direito de existir num mundo preconceituoso. O post me emocionou, tive vontade de chorar, mas não posso porque estou no trabalho. Eu espero que no futuro próximo a igreja não interfira mais nas decisões estatais mesmo. Quero lei que nos proteja da homofobia e da misoginia. E desejo de todo o meu coração que Silas Malafaia vá para o inferno de onde ele nunca deveria ter saído. Ele pode levar o Pondé junto. Ragusa

Fabiana Zardo disse...

Putaquepariu, viu? Ô mundo de merda que vivemos, no qual um casal que se ama tanto tem que se esconder.

Eu realmente não entendo como as pessoas conseguem ver nojeira no amor. É tão bonito perceber a cumplicidade entre um casal, não importa quem se sejam.

Desejo muita felicidade ao autor do guest post e mais ainda, paz de espírito e liberdade para ser quem você é. Você é um guerreiro!

Anônimo disse...

Não, anônimo... O que causa sofrimento nesse rapaz não é o fato de não poder falar de forma infantilizada com seu marido na frente dos outros. É ter tanta intimidade com ele, que chegam a falar assim quando estão sozinhos, e na presença de outras pessoas não poderem mandar sequer um beijo ao final de uma chamada.. É todo um contexto, no qual as coisas mais comuns dentro de um relacionamento hetero, não podem ser reproduzidas por se casal. Mundinho medíocre esse!


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Mas vamos fazer um bolão pra ver quanto tempo leva pra vir aqui um mimoso exalando homofobia e dizer "ai, não tenho nada contra, mas 'essa gente' tem mais é que ser discreta, pra não chocar'?

Mesmo com tanta coisa nesse mundo pra nos preocupar, o que ocupa nosso tempo deveria ser a sexualidade dos outros? Faizfavô!

Jairo disse...

Há muitos anos quando eu era adolescente e fanático religioso eu via programa do Malafaia na TV e já achava bastante exagerado. Me peguei tendo embrulhos no estômago, literalmente, ao ver essa entrevista dele na Marilia Gabriela.

Ele dizer que iria processar a revista por mentir sobre o patrimonio dele foi a coisa mais tranquila por mais que gritasse MENTIRA, LAVAGEM DE DINHEIRO, HIPOCRITA.

A fixação dele pelos homossexuais é algo que realmente deve encher o bolso dele pra ele se agarrar nisso com tanta força. Nem acho que seja ideologia dele isso ai. Já é uma parada doentia.

Tales Gubes disse...

Recentemente escrevi sobre algo parecido, sobre uma situação que me ocorreu há quatro dias. Estava com meu namorado em um shopping e duas alunas vieram me cumprimentar. Eu o apresentei como namorado? Não, na hora eu travei.

Por achar isso injusto com ele, com elas e comigo, mais tarde escrevi a respeito (e notifiquei as meninas via Facebook): http://foxguy.blogspot.com.br/2013/02/professor-tambem-namora.html (desculpe-me, não sei colocar links automáticos em comentários)

Anônimo disse...

...li com lágrimas nos olhos.
Deve ser muito difícil...

Muito injusto isso.
Meu marido tem um amigo gay que passa por coisa parecida. Fico indignada.

Espero, sinceramente, que isso mude logo. Espero que os meus filhos vivam num mundo menos cruel...

Te desejo o melhor.
FORÇA!

Júlia

Sara disse...

Adorei uma frase q a Marilia Gabriela disse a ele,
"Quem precisa ser orientado por pastor é porque a inteligência é de ovelha"

só não compartilhei no FB pq tenho amigos religiosos e q certamente se sentiriam ofendidos, mas não consigo evitar de achar a frase muito real.

melo.joyce disse...

Gosto muito dos guest posts aqui do blog. Ao ver a vida pelos olhos dos outros só me faz solidarizar mais ainda com quem escreve.
Obrigada por compartilhar sua história conosco. Força, vamos torcer e lutar para que essas situações parem de ocorrer!

Luana disse...

Poxa vida, eu e meu namorado moramos longe (eu Curitiba, ele São Paulo) e todo final de domingo é o dia que mais odiamos, pois é quando um de nós tem que voltar pra casa. Uma noite dessas, depois de ficarmos abraçados e de beijinhos por vários minutos na frente do ônibus, como sempre podemos fazer, entrei no ônibus, me sentei e vi um homem pelo vidro da frente, com o rosto vermelho e inchado, sorrindo chorando, dando tchau pra alguém. Olhei pra trás e vi que seu parceiro devolvia a exata mesma expressão (que eu e meu namorado conhecemos tão bem) pra ele. Puxa, foi tão lindo e ao mesmo tempo tão triste. Eles não puderam ficar abraçados e de beijinhos como eu e meu namorado, mas eles com certeza sentiam a mesma saudade e tristeza que nós sentimos e sabemos o quão horrível é.
Fiquei emocionada com eles naquele dia. Queria poder fazer com que eles se abraçassem e beijassem com carinho antes de se separar também.

parmeshwar disse...

quem acha que o Malafaia é enrustido dá um "oh, yeah!"

Moema L disse...

Que relato triste e emocionante...

Que merda de mundo é esse em nós vivemos? Como amar alguém pode ser visto como algo tão errado?

Eu realmente não entendo...

Lembro de um ano novo que quando deu meia noite vários casais héteros se beijaram, se abraçaram (amassaram)e o casal gay deu um abraço contido e ficaram alguns minutos segurando as mãos um do outro mais nada, achei tão injusto...todos podiam festejar e eles, que também eram um casal, tinham que se conter.

Desejo tudo de melhor para vocês...que a nossa sociedade evolua o suficiente para que você possa não só mandar um beijo no final da ligação, como dizer eu te amo a quem quiser e onde bem entender, sem precisar se preocupar.

Que próximos anos novos eu possa ver todos os casais se beijando e festejando...

Iara disse...

Foi estranho ler esse post porque justo na semana passada aconteceu uma coisa parecida...tenho vizinhos novos,são dois homens...Minha porta é quase grudada na deles,e pelo que tenho escutado são bem passionais...Brigam alto demais,depois estão dando risadas,como qualquer casal...e na semana passada peguei elevador com um deles,que estava sem chave e me perguntou se eu tinha visto o irmão dele...eu disse que eu não conhecia o irmão dele...ele disse que moravam juntos...enfim não sei o porquê mas na hora que escutei aquilo me deu uma profunda tristeza,pensei exatamente como a pessoa do post,pra que esconder assim?É muito triste isso,lembro daqueles livros sobre a segunda guerra mundial,onde os judeus eram obrigados a se esconder e negarem qualquer coisa....não acredito que ainda se vive assim no século XXI,pessoas se escondendo e pessoas com discursos criminosos como o Malafias soltos por aí...

Felipe disse...

Sou exatamente do mesmo jeito. Sempre tentei me esconder ao máximo, hoje colho os frutos disso: tenho 24 anos e sou terrivelmente tímido, não tenho amigos, tranquei minha faculdade na UNESP devido à quantidade enorme de seminários que tínhamos que apresentar. Hoje faço uma faculadde particular mediana e estudo para concursos, pois sou incapaz de me dar bem em uma entrevista de emprego (minha voz desaparece e viro a pessoa mais burra do mundo, apesar de sempre ter sido o melhor da sala).
As piadinhas ainda continuam, no estágio e na faculdade, claro que de maneira velada, mas eu percebo, e me machuca muito.
As gozações me marcaram tanto que me lembro de cada uma, detalhadamente. Eram humilhações tanto por parte de familiares (meu pai e avô materno) quanto por parte de colegas.
Não sei se algum dia serei feliz. Penso muito em suicídio, a única coisa que me impede é pensar no sofrimento que causaria à minha mãe.

Barbie Furtado disse...

Sabe o que mais me tocou? Não poder mandar beijo no final de uma conversa telefônica. Porque é o exemplo mais óbvio da sociedade machista que a gente vive. Porque lésbicas vão passar por todos as outras dificuldades que os relacionamentos homossexuais passam, mas sempre vão poder mandar beijo no telefone pra mulher ou pra namorada. Porque é a coisa mais normal do mundo pra gente, meninas héteros, falar com as amigas no telefone e se despedir com beijo. Mas a sociedade não aceita homem se despedindo com beijo no telefone, né? Me dá raiva :/

yulia2 disse...

malafaia.??? aquele que ia arrebentar o Haddad e arrebentou o serra??? sei
pastor caio fabio tem umas historinhas interessantes sobre ele

Bea disse...

Chorei copiosamente após ler esse texto. Ainda estou chorando.
Sou hétero, mas sinto uma empatia tão gigantesca, que me corrói e me deprime viver num mundo assim... E também me enoja um pastor, que não entendeu a mensagem de amor de Jesus, e que distorce tudo... Enfim... Espero que o mundo melhore em alguns anos, para que expressar o carinho não seja uma vergonha.
Desejo tudo de maravilho ao A. e desejo que o mundo em si melhore.

Felipe, fiquei sem palavras ao ler seu comentário... É triste demais isso... Espero que você passe em um excelente concurso e que supere sua timidez e seja muito feliz logo!

Anônimo disse...

Felipe (comentário das 14:31)
Estou começando a me entender melhor agora, aos 23 anos. Não sou muito tímida, mas venho percebendo como arrumei modos complexos e dolorosos de me esconder de mim mesma, e dos outros. Sentir atração por mulheres pra mim sempre foi impensável e inaceitável. Hoje entendo que talvez seja mesmo lésbica, mas mesmo estando em um ambiente teóricamente favorável (principalmente na minha faculdade, onde há niveis mais baixos de homofobia)isso ainda me parece impossível de aceitar em mim. O medo e aceitar isso pra mim mesma é tão enorme, que continuo fingindo que isso não acontece comigo na maior parte do tempo. Estou direcionando essa fala pra vc, por conta dos pensamentos suicidas que vc diz ter. eu os tenho há 10 anos ora mais fortes, ora menos fortes. quando consigo me aceitar um pouco mais, com a orientação sexual que tenho, vejo que a vontade de morrer diminui um pouco... quero dizer pra vc (e pra mim, pois preciso repetir isso pra mim mtas vezes ainda...) é que essa nossa vontade de não viver existe por conta dessa sociedade onde estamos... nao sei se tá fazendo sentido o que to falando, mas o que quero dizer é que o que somos não é ruim ou errado por si,nós apenas somos. não devemos deixar esse preconceito nos fazer perder a vontade de viver... a vida pode ser cruel, mas enquanto a gente não se aceita,e não confiamos em nós mesmos, ela fica mesmo insuportável. Força pra vc. Tente enconrtar pessoas que confia para conversar. Não resolve todas as angústias, mas ajuda muitas das vezes.

José Tarcísio Costa disse...

Bem vindos ao mundo de quase 100% dos gays. Parece tão trivial mas afeta e muito.

Falo por experiência própria de longa data. Faz 3 anos e meio que estou com meu namorado e não faz muito tempo que comecei a referir-me a ele como tal.

Antes era um amigo, um companheiro de apartamento, colega de curso e por aí vai. E cada vez que era obrigado a dizer isso, algo me rasgava por dentro de cima a baixo. Acho que uma pequena parte de mim morria cada vez.

Foi por isso que decidi não me submeter mais a isso. Antes que eu morra por completo. A luta é dura, mas é preciso lutar.

José Tarcísio Costa disse...

Isso me lembrou desse vídeo que vi uma vez num seminário sobre sexualidade...

http://www.youtube.com/watch?v=oR4Kej3nk3I

Anônimo disse...

Uma vez, eu - que sou homem - e meu companheiro estávamos na sala de espera de um consultório médico. Uma senhora idosa (acompanhada de uma mulher que aparentemente era sua filha) puxou assunto conosco e disse que éramos muito bonitos e que se formássemos uma dupla sertaneja faríamos muito sucesso. Perguntou se éramos irmãos, e dissemos que não. Depois, ela perguntou se éramos casados. Certamente ela queria saber se éramos casados, cada um com uma mulher. Eu respondi que sim e meu namorado disse que não, ao mesmo tempo. Acho que a filha dela entendeu que éramos um casal e que as respostas foram diferentes em função dele ter ficado meio constrangido, mas a senhora deve ter ficado meio perdida, achando que eu era casado e ele não.

Outra vez, meu namorado pediu pra eu buscar seus óculos em uma óptica. No caminho eu fiquei pensando o que iria dizer para quem me atendesse. Se diria que estava buscando os óculos do meu amigo, do meu irmão, ou do meu namorado mesmo. Na hora, acabei dizendo que estava lá pra buscar os óculos do , que havia ligado pra lá e dito que alguém passaria ali pra buscar. Depois contei isso pra ele e ele disse que havia dito pelo telefone que "o namorado dele iria buscar os óculos". Ou seja, a atendente sabia que era eu o namorado e eu fiquei me preocupando com o que dizer. A verdade é que por telefone é bem mais fácil, mas ao vivo ainda é difícil ser natural.

Anônimo disse...

Minha melhor amiga quer que a namorada dance com ela na festa de formatura, mas não sabe se vai poder sequer convidá-la porque a família simplesmente não aceita. Muito, muito triste. Enquanto eu posso me dar ao luxo de achar a tal dança uma coisa meio cafona e até rir disso, ela não pode convidar a namorada para a própria formatura.

Para o anônimo que falou que acha "tosco" casais que ficam de mimimi em público, a questão é exatamente essa. Eu também acho, ué. E não curto apelidinhos, para mim ou é diminutivo do nome, ou é "amor", mesmo. Aliás, nem em público nem a sós. Agora, a questão é que o autor do post não tem nem o direito de achar isso bobo, ou tosco, ou fofo. Ele não pode fazer isso em público. Ponto. Você, no caso, não faz isso porque preferiu assim. Ele e o namorado não fazem porque não podem. Entendeu a diferença gritante aqui?

Uma coisa que as pessoas parecem não se dar conta é do quando é importante ter espaços e um círculo social que aceite a sua relação. Não falo de boates ou bares gays, não. É você poder ir à festa de aniversário de um amigo junto com seu namorad@ e se abraçar, beijar e ficar de mãos dadas como todos os outros casais héteros da festa. É poder contar para um@ amig@ - mesmo que el@ seja hetero - a surpresa que você está planejando para o aniversário de namoro e pedir a opinião del@. Coisas bobas, sabe? Que a maioria dos casais heteros tem no dia-a-dia e não valoriza, mas que fazem uma falta enorme. Até ir a uma loja e escolher um presente e ter que dizer para o vendedor que é para a namorada, quando é para o namorado - e vice-versa.

A minha amiga, a da formatura, estava numa sex shop uma vez e a vendedora perguntando: "ah, é para usar com o namorado? Ele vai adorar! Esse óleo é o máximo". E minha amiga virou e disse, do jeito todo fofo dela ser: "não é namorado não, moça. É namorada". Não só eu ri com essa história quando ela me contou, como me deu um orgulho da minha amiga! Uma menina que eu vi se descobrir e se assumir, tão segura, fazendo tanta questão de mostrar isso, apesar da barra que ela enfrenta todo dia na própria. É muito amor, né? <3

Anônimo disse...

Eu tenho amigos, tanto gays como lésbicas que passam por isso e é lamentável, fruto da hipocrisia. Pessoas como o tal pastor de meia pataca e muitos de seus "fiéis" também são admiradores do Boçalnaro, nada é a toa. Querem colocar a vida das pessoas em uma prisão monitorada 24hs, posam de donos da "moral e bons costumes" e eles e seus admiradores e comparsas são os "donos da verdade" e qualquer posicionamento ou comportamento contra os "princípios" religiosos ou de conduta é tratado de forma ofensiva, agressiva, bruta e até mesmo criminosa, pois palavras também induzem a um crime e ainda com um discurso persuasivo como o deles e quem simpatiza com as idéias deles, quem for contra é lixo humano e por aí vai e depois quando chamados de homofóbicos, misóginos, dizem que é falta de argumento, mas como argumentar com pessoas com preconceitos enraizados? Não existe argumento, quem não pensa como eles só fica falando e nada diz ou então o argumento é fraco, é preciso concordar com eles, pois a posição é militarista e autoritária, quem não concorda ou diz amém é tratado com desrespeito.

Anônimo disse...

Amigos e amigas.

Vi a lástimável entrevista do Malafaia na Gabi na internet.
Que homem preonceituoso e infeliz!
Pra mim claro que ele é homofóbico mas ele usa o "útil ao agradável", vomita seus preconceitos pra ter mais fiéis homofóbicos e ignorantes em sua igreja.

Sei que o link abaixo não tem nada a ver com o tema do ótimo post(sou hétero, mas, me solidarizo com o rapaz que escreveu), mas, fiquei igualmente REVOLTADA!

Uma menina de apenas 9 anos no México deu a luz à uma criança. Independente de haver ou não legalização do aborto no México, os pais decidiram e ela deu à luz a "outra criança". O pai "estuprador" da criança recém-nascida é um adolescente de 17 anos que tá foragido.
Tirando o fato que quero que o encontrem e que ele(me perdoem os moralistas, mas tenho duas sobrinhas!) seja preso e morra dentro da cadeia, o que me deixou indignada foi o fato de vários comentaristas(incluindo mulheres) botando a culpa...na MENINA que foi vítima de estupro!
Supondo que o ato fosse "consensual" uma criança de 9 anos, ou melhor 8(foi quando ela engravidou) não sabe o que é sexo! Automaticamente uma relação com uam criança desta idade, é ESTUPRO!
Enfim, vejam a notícia, leiam os comentários(alguns inteligentes, outros ridículos e impregnados de misoginia) e tirem suas conclusões.


http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/02/menina-de-nove-anos-da-a-luz-no-oeste-do-mexico.html

Sawl

Anônimo disse...

Aproveitando que o Testosterona perdeu o patrocínio da MTV(toma Edu Testosterona!) amigos e amigas, ajudem a denunciar a página do facebook abaixo:


http://www.facebook.com/CabraMacho.Oficial

Misoginia, discriminação e ridicularização das mulheres, Um post mais preonceituoso que outro.


Abraço


Sawl

Pedro disse...

Não vou julgar o casal em questão, porque vai saber que motivos eles têm pra esconder o relacionamento dos outros (medo de hostilidade no trabalho? família? medo de se mostrar sem máscaras?), mas falando por mim, eu jamais viveria um relacionamento assim, às escondidas. Sou gay, não um criminoso. Vivo em 2013, não em 1913. Precisamos "stand up for ourselves" (nos impor e exigir respeito, prefiro essa ideia expressa em inglês) porque se não as coisas não evoluem.

Lorena disse...

Me identifiquei mto com os posts e com a maioria dos comentários, pq eu tb ainda passo muito por isso, principalmente no trabalho. Engraçado que na rua, nos restaurantes, nos bares, eu e a minha esposa agimos como um casal, sempre, mãos dadas e tudo mais. Mas no trabalho, não consegui ser eu mesma. Queria muito ter conseguido, ter enfrentado meus receios e ter assumido meu relacionamento... Mas não o fiz quando entrei (por medo de não conseguir a vaga - isso existe, e muito) e nunca corrigi a impressão das pessoas sobre mim. E foi assim que a minha esposa passou a ser minha "amiga", com quem divido apartamento. Sou naturalmente uma pessoa fechada, mas essa mentira me força a ser ainda mais fechada, o que é péssimo. É triste também não poder participar das conversas sobre relacionamentos (porque me recuso a mentir sobre ter um namorado, já acho que aí é demais pra mim, nunca menti sobre isso), observar e tomar cuidado sempre com o que estou falando, não poder me referir à mulher que amo como ela realmente merece, como nosso relacionamento merece.... Enfim, é complicado e é triste, muito triste. Mas, por mais vontade que eu tenha de parar com a farsa, os comentários homofóbicos que ouço dos colegas acabam me inibindo ainda mais. E eu deixo tudo como está, me prometendo que, da próxima, no próximo emprego, não farei mais isso.

Luana,

a gente passava muito por isso que você relatou, por tb sermos de cidades (e estados) diferentes. Era péssimo!! Até que resolvemos mandar todo mundo às favas (pra não dizer algo pior) e hj nos beijamos, sim, em rodoviárias e aeroportos, em cada despedida. Pelo menos isso nos permitimos. E, vou te dizer, já recebemos vários olhares estranhos... Mas, pelo menos até agora, foram só olhares.

Pedro disse...

Gente, me expliquem o porquê de vocês esconderem sua sexualidade dos outros. É medo pela família ou o quê? Porque no meu caso, meus pais são pessoas maravilhosas, me aceitam e me amam como eu sou, e eu não vejo motivo para que eu me esconda da sociedade. Já beijei homens no shopping, no meio da rua, no cinema, em restaurantes etc. Faço o que tenho vontade e pronto. Por mais que as pessoas sejam homofóbicas, nós não estamos no Irã. Custa tanto "stand up for yourselves" como eu disse no outro comentário? É tão difícil assim? E não sou só eu, tenho um casal de amigos que se comporta do mesmo jeito.

Carla Mariano disse...

Acredito muito em equilíbrio e energia positiva. Sabendo da raiva, nojo e revolta que eu sentiria ao assistir a entrevista desse Ogro Malafaia, eu me abdiquei desse sentimento ruim, que com certeza me deixaria abalada, visto que eu não suporto intolerância, seja de que tipo for.
Eu fico tão feliz ao passear em locais onde a liberdade é mais tolerada.. Aqui em Sampa tem o Shopping Frei Caneca.. Lá as pessoas são livres para andar com seus animais de estimação, bem como livres para andar de mãos dadas com seus parceiros, independente de sua sexualidade... Vou com meu esposo, somos héteros e não nos importamos em ver as trocas de carinho.. Temos amigos comuns que são gays, já fomos em festas, por sinal divertidíssimas, e foi super positivo,eu não consigo entender sabe... Fico triste com tanto preconceito, de verdade.

A. disse...

Sou mulher e estou no meu primeiro relacionamento homossexual.
Meus amigos todos sabem quem eu sou e que eu tenho uma namorada.
Ainda assim, não é simples responder às perguntas das pessoas que sempre supõem que eu seja hétero.
Minha garganta sempre trava nessas situações e eu a apresento pelo nome. Não consigo dizer que ela é minha namorada, mas eu não quero, de forma alguma, mentir sobre nosso relacionamento.
Se eu fosse confrontada eu seria obrigada a admitir que ela é minha namorada.
Desejo coragem para o autor do relato. Viver se escondendo não é nada agradável.

Liana hc disse...

O Dueto das Flores é lindo demais. Sempre me emociono.

Vejo conhecidos que eu sei que são homossexuais passando pela mesma coisa, tendo que mentir, disfarçar, se privar de um simples ato de afeto quando estão em público... Isso me entristece. Não estão fazendo nada de errado, mas são punidos mesmo assim. Normalmente sou paciente com o tempo das coisas, sei que existe um processo para a mudança, que as coisas não se realizam da noite pro dia, mas nessas horas tenho pressa. A quem ama não deveria ser pedido calma e discrição, enquanto quem agride tem todo o tempo do mundo pra continuar disseminando a pequenez do seu pensamento. Queria estalar os dedos e toda essa situação não passar de uma lembrança vaga, mas a realidade está aí e é preciso muito jogo de cintura, apoio e ânimo para continuar a ser e fazer a mudança que a gente quer no mundo.

Junior disse...

Essa questão de esconder, existe saída. Não se esconda. Eu acho que viver no armário, se esconder apenas contribui para que existe AINDA mais homophobia.

Sou gay e vivo um relacionamento. Meu companheiro mora comigo. Minha família sabe. Meus vizinhos sabem. No meu trabalho, todos sabem. Indiquei meu marido para trabalhar na mesma empresa e ele foi contratado. Existe vida fora do armário.

Unknown disse...

Lola vc esta de parabéns com esse post.
Não devemos dar trela para esse pastor nojento. A cada discussão ele grita e fala mais impropérios, não consegue falar civilizadamente
Talvez trazendo um pouco de empatia pela dor do outro poderemos mudar alguma coisa.
Sempre entro no seu blog

Clarice disse...

apesar de triste, foi um relato bonito

Verô! disse...

Posso fazer uma pequena correção? O dueto das Flores ("Sous le dôme épais") da ópera Lakmé de Léo Delibes é interpretado por uma soprano (Lakmé) e uma mezzo-soprano (Mallika), não por tenores ;)

Enfim, eu me identifiquei com o texto. Sou lésbica e houve um tempo em que estive no armário, sei bem o que significa esconder um relacionamento, chamar de "amiga" a sua namorada, ter medo de manifestar em público o mais singelo ato de afeto...

Rose disse...

Difícil viver num mundo onde uma moça beijar outra em público é motivo de nojo e repulsa, onde um homem abraçar e beijar outro em público é ofensivo demais e, nos dois casos, há pessoas dispostas a separa-los, ofende-los e até agredi-los. Essas pessoas viram a cara se veem um moço agredindo uma moça porque...Não tem nada com isso.

Nojinho desse povo.

Anônimo disse...

A, me comovi com a sua história. Embora eu não seja lésbica, também vivo uma relação que a sociedade não aceita. Nas relações heterossexuais não são apenas os amantes que vivem nessa situação.

Sou casada e entre eu e meu marido existem quase 30 anos de diferença. Eu tenho 25 e ele tem 52. Embora nossa relação não seja "ilícita" (nem ele tem outra pessoa e nem eu), a sociedade fecha a cara para a gente. No início tentávamos ser discretos quando saíamos juntos, mas com o tempo isso foi ficando impossível e decidimos tacar o foda-se. Já ouvimos piadinhas na rua. Garçom em restaurante já questionou se eu era filha dele ou outra coisa. Os olhares tortos são tantos que até já me acostumei, nem reparo mais.

O pior é que existem pessoas que se dizem contra o preconceito, contra a homofobia, contra tudo, mas tem preconceito com casais com diferença de idade. Os clichês são muitos. Tenho certeza que muitas pessoas pensam que ele deixou uma esposa em casa para ficar comigo. Que ele é tarado e eu sou uma vadia interesseira que está com ele por grana, e esses estereótipos que a sociedade tanto repete. Mal sabem que ele não traiu/abandonou ninguém para ficar comigo, e que se eu fosse interesseira certamente iria atrás de alguém rico (o que ele está longe de ser).

Coincidentemente temos muitos amigos gays e adoramos frequentar bares GLS. São um dos poucos lugares que não nos olham torto, e tb temos a chance de dividir nossas experiências e angústias. Da mesma forma que gays, lésbicas e bissexuais sofrem por amar quem amam, o mesmo acontece conosco. Nos simpatizamos muito pela causa GLBTT pq nos identificamos com ela.

Mas de qualquer forma acho que tivemos sorte. Com a exceção de alguns primos mascus que não gostam da nossa relação ("quem é esse coroa que está comendo a minha priminha?!"), a minha família nos aceitou muito bem. Isso incluindo minha mãe, meu pai, minha avó, tios e tias. A família dele nem tanto, mas não atrapalha e nem se mete. Nossos amigos nos adoram e respeitam. E ainda temos algumas facilidades que os gays não tem, pois enquanto o preconceito contra nós é só social, pelo menos podemos nos casar, ser incluídos no plano de saúde, etc.

Torcemos muito para que vcs tenham os mesmos direitos que nós, que a sociedade entenda que os direitos civis não devem estar atrelados a dogmas religiosos, e que o Estado deve ser laico DE VERDADE! Tb queremos que o preconceito acabe, e que tanto eu e meu marido como vc e o seu, possamos nos beijar em público sem que isso seja considerado um tabu, afinal, é só amor.

Ps: Pq vcs não tacam o foda-se e param de se esconder? Entendo que vcs tenham suas razões, mas se escondendo estão fazendo exatamente o que a sociedade quer.

~Lisa

Nivaldo Brás disse...

Que continuem clandestinas.

suelen disse...

nunca vou entender tanto ódio pelos gays.

muito triste o que o homem do texto disse,eu tenho uma prima que é lésbica e agora ela já assumiu para todo mundo,até no trabalho mas ela não gosta de beijar em pública,ainda se sente incomodada.

o preconceito é tanto que se vc diz que n tem nada contra eles e que acha normal,pensam que vc tb é,quer dizer,se a pessoa n é preconceituosa é pq é gay.

várias vezes já olharam estranho para mim,jogaram indiretas,só pq eu disse que acho normal a homossexualidade.

sempre falam que gay se beijando na rua é safadeza mas como são muito hipócritas esquecem que heteros fazem isso direto.
eu n tenho nada contra as pessoas se beijarem na rua,mas tem algumas que n tem um pingo de bom senso,se agarram de um jeito que da pra ver que se pudessem transavam ali mesmo,na frente de todo mundo.

como podem achar amor tão errado e nojento só pq é por uma pessoa do mesmo sexo?

Já vi o filme imagine você e eu,é muito bom,muito lindo as duas personagens juntas.
brokeback moutain tb,o sofrimento dos dois que se amavam e n podia se assumirem por causa do maldito preconceito.

e outro que fiquei chocada foi o filme meninos não choram,uma história real,onde a garota é estuprada para aprender a virar mulher e no final é assassinada ,tudo pq é lésbica.

Edson M. disse...

"Sou exatamente do mesmo jeito. Sempre tentei me esconder ao máximo, hoje colho os frutos disso: tenho 24 anos e sou terrivelmente tímido, não tenho amigos, tranquei minha faculdade na UNESP devido à quantidade enorme de seminários que tínhamos que apresentar. Hoje faço uma faculadde particular mediana e estudo para concursos, pois sou incapaz de me dar bem em uma entrevista de emprego (minha voz desaparece e viro a pessoa mais burra do mundo, apesar de sempre ter sido o melhor da sala).
As piadinhas ainda continuam, no estágio e na faculdade, claro que de maneira velada, mas eu percebo, e me machuca muito.
As gozações me marcaram tanto que me lembro de cada uma, detalhadamente. Eram humilhações tanto por parte de familiares (meu pai e avô materno) quanto por parte de colegas.
Não sei se algum dia serei feliz. Penso muito em suicídio, a única coisa que me impede é pensar no sofrimento que causaria à minha mãe."

Felipe me abraça pq me identifiquei com teu comentário!

Luiz Prata disse...

É uma pena que ter que se esconder, ter que se anular parcialmente dessa forma.
Essa homofobia velada é absurda, algo que deveria estar ultrapassado há séculos, mas infelizmente ainda vigora.
Espero que um dia o autor do guest post e outros na mesma situação consigam se assumir publicamente sem medo.
_______________

@Verô:
Coincidentemente ou não, esse trecho de Lakme foi usado para cenas lésbicas em pelo menos dois filmes:
"Fome de Viver", quando a personagem de Catherine Deneuve seduz a de Susan Sarandon;
"Ouvi as Sereias Cantando", da cineasta canadense Patrícia Rozema.

Ariane disse...

Chorei.:(

Luiz Prata disse...

Vídeo sobre o tema que acho importante compartilhar, com uma mensagem positiva:
It Gets Better
http://www.youtube.com/watch?v=QyG-6GORuzc

Rosanna Andrade disse...

Lola, nada a ver com o post, mas eh bem relevante.

http://www.bulevoador.com.br/2013/01/evitando-o-estupro/

Esse texto trata de um estudo q praticamente desenha como a cultura de estupro forma estupradores impunes.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Eu fico muito preocupada com essa ditadura hetero. Afinal, eu quero que minhas filhas vivam em um lar lesbiano amazonico grego tradicional, o que elas vão pensar que legalizarem o casamento hetero? Se heteros começarem a se pegar por ai?
Elas vão começar a pensar que heterossexualismo é normal!!!

Outro dia eu vi um homem e uma mulher juntos! Deve ser o Fim do Mundo, só pode. A Economia mundial irá falir, acontecerá a Terceira Guerra Mundial! Heterossexualismo é tão repulsivo quanto casamento interracial.

Alguém tem que fazer alguma coisa!

Abaixo o Heterossexualismo =P... Afinal, no dos outros é refresco ¬¬

Anônimo disse...

Silas Malafaia já tratou de escrever uma resposta ao vídeo do Eli Vieira. Cheio de falácias, claro.

http://livrenocaos.blogspot.com.br

Gabriela Barbosa disse...

Um recado para o autor do texto:

Liberte-se! Não se esconda mais! Faça um favor a você mesmo!


Beijos!

Anônimo disse...

Não desista, Felipe. Imagino o quanto seja difícil, mas cada pessoa bacana que deixa a vida é uma vitória para os preconceituosos de plantão.

Anônimo disse...

As vezes as pessoas pensam que toda a biblia ou os cristãos, ou mesmo a sociedade estão contra si mesmo sem ser realidade.
Eu sou "evangelica", e meu amigo é um homossexual, eu conheço ele desde a quinta serie, eu vou deixar de ama-lo ou respeita-lo por isso? Não! Jamais, ele continua sendo a pessoa que eu jogava volei toda terça por 4 anos. Mas eu vou concordar com o jeito que ele escolheu viver? Não! Por que? Segundo a biblia (que eu creio, com muito amor. Obrigada) homossexualismo é um pecado mortal que resulta como sempre no inferno, ai está. Eu acredito no inferno, e eu não quero ver alguem que eu amo como um irmão ardendo lá pela eternidade, parece piegas mas é verdade. Sei que parece estranho, mas só quem já sentiu o espirito santo vai entender. Ele é uma força tão grande, mas tão grande que só quem já foi tocado por Ele entende.
Quando nós estavamos no colégio, sempre me perguntavam se o Alan era gay eu sempre respondia que não bobagem ele só era mais hum, animado. Mas quando ele se revelou as pessoas sempre olhavam para ele diferente, ele era catolico imagina o Ba fa fa daquelas beatas recalcadas? E foi pior ainda quando ele resolveu se tornar travesti. É dificil pra ele essa situação com todo o constrangimento que trás e quem derá fosse só de vez em quando. Mas também é dificil pra mim ver ele sofrendo dessa maneira, e meio que me obrigando a jogar meus principios no lixo, porque eu sou uma homofobica, porque eu não entendo nada e blá blá blá. Ele só não entende que eu não quero ver ele sofrer, eu jamais iria contra os principios dele, quando ele resolveu virar travesti eu não disse que aprovava mais que eu estava aqui caso ele precisasse. Mas uma coisa que eu sempre fico muito orgulhosa é da coragem que ele teve afinal o colégio foi um inferno, mesmo assim ele ergueu a cabeça e disse Esse sou eu, quem quiser gosta, se não gosta sinto muito problema seu. Não sei se meu conselho é de alguma valia, mas acredito que se alguem te ama de verdade vai ficar do seu lado, e q vc não devia se esconder porque assim parece que ser homossexual é uma coisa tão errada sabe? Claro, que quem sou eu pra falar já que muitas vezes sou preconceituosa pra caralho. Só acho que viver uma mentira nunca leva a felicidade completa.
Como mudar a cabeça de uma sociedade se temos medo de sermos nós mesmos?

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Já que estamos aqui para chorar as pitangas.. Bem, vou contar de meus relacionamentos "excêntricos", rs.

Todos os relacionamentos que eu tive foram relacionamentos BDSM e D/s, em que eu era a parte submissa(Mascu Escravo de b..ceta... LITERALMENTE =P). Eu sempre tive orgulho de minha submissão, e não tinha vergonha de usar coleira, sair com a Dona puxada pela guia da coleira, transformar minhas páginas de redes sociais em "templo" à minha "Deusa Rainha", essas coisas.

Era raro mexerem com a gente na rua, geralmente alguém brincava mas a gente ria. Mas era chato que não faltava gente querendo me "ajudar!
Eu não queria e nem precisava de ajuda! Tirando a maioria dos términos que foram traumáticos para mim, eu me sentia bem encoleirada e a Dona antes de tudo era minha amiga! Mas quando eu aparecia com marcas e hematomas queriam me convencer de todo o modo que eu estava sofrendo abuso e ainda xingavam minha namorada/Dona se achando os "salvadores da pátria". (mal sabiam que eu quem tinha conseguido a vara para ela :P )
Quando eu estava no ensino médio, tive uma namorada/Dona de SP, mas mesmo eu vivendo no RJ, costumava ir pra escola usando a coleirinha como forma de respeito e carinho a ela. Não era nada demais: Era uma coleira rocker com rebites e um pingentezinho com a primeira letrinha do nome dela. Nunca deu em nada até que algum espírito de porco disse para a diretoria do que se tratava, quiserem me proibir de usar a Coleira! ¬¬
Mas eu usava assim mesmo, se desse problema eu tirava, ai o diretor ou o burocrata qualquer dava as costas e eu botava de novo! ^_^

Atualmente uma Dominadora me adotou, estamos muito felizes, nos amando MUITO mesmo que de longe. Trata-se de um sentimento que eu jamais senti em toda a minha vida. E já temos a certeza que ela não vai esconder de ninguém que namora uma menina trans(alias, ela contou pra todo mundo já \o/) e nem eu esconderei que sou Escrava dela, e inclusive usarei a Coleirinha no trabalho doa a quem doer e se perguntarem direi que minha namorada pôs em mim porque ela é minha DONA. u.u

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Anon das 23:02


Por favor, me diga, em qual lugar do Novo Testamento é dito que homossexualidade é pecado?

Mihaelo disse...

A história da civilização humana desde o surgimento do estado e da propriedade é a da disputa pelas riquezas socialmente produzidas, mas individualmente apropriadas gerando a concentração de riquezas nas mãos de uma minoria.
Neste tipo de civilização, a religião é fundamental para a sobrevivência da exploração do homem pelo homem. No passado a mortalidade infantil era gigantesca, já que não existiam vacinas nem saneamento ou hábitos de higiene e a mortalidade masculina adulta era muito altíssimo devido às guerras constantes e a feminina devido aos partos anuais e à falta de higiene que levavam a alta taxa de mortalidade materna.O homossexualismo então seria uma desgraça pois reduziria ainda mais a taxa de reposição de seres humanos, que como observamos era baixíssima até há dois séculos.
Fica explicado aí a origem do tabu do homossexualismo e a apropriação por parte das religiões deste.
E todas as religiões são um negócio que visa ao lucro máximo como em qualquer empresa.Ora, se a maioria da humanidade é homofóbica, seria uma estultícia os empresários da fé não aproveitarem este filão para alavancar seus negócios. Isto comprova que o DINHEIRO é um deus, pois ele realmente conduz as ações de quase todos os seres humanos.

Cyberia disse...

Rosanna Andrade, eu li o link que você postou http://www.bulevoador.com.br/2013/01/evitando-o-estupro/

Poxa, MUITO bom!

Dorothe disse...

Sabe, preguiça desse moço.

Ele gosta de ser invisível (até onde isso é ele e até onde isso é a homossexualidade dele?) e por isso ficou na posição de amante (escondendo o relacionamento)

Ou seja, ele gosta de ser invisível e continua sendo invisível.

Sai desse casulo!

Sabe o que é pior? Tenho amiga mulher, branca, hetero, que é igualzinha! Eu falo: sai desse casulo, e ela responde: que casulo?

Tanta gente se escondendo de si mesmo dentro de si mesmo e sem saber como sair.

Não tem como se libertar disso não? E parar de se preocupar como que os outros pensam?

(so seu sexo, do seu sapato, do seu cabelo, da sua atitude ao desligar o telefone, da sua marmita, da sua bolsa, etc.etc.etc.etc.etc.etc.)

Eu morro de dó. Ou, falando de outro jeito, tenho muita empatia. Eu já estive em vários casulos e consegui me livertar, e sou muito mais feliz.

Mas ver os outros consertando casulo me dá uma preguiça.

Bom, a única diferença é que o cara pode apanhar na rua por pegar na mão de outro cara. Mas eu sempre vivi com a possibilidade de ser estuprada na rua por ser mulher também... então, viva o patriarcado de merda

Anônimo disse...

O único erro que vejo foi comparar a opinião publica de um negro livre na africa com um negro escravo no America...Os negros que foram para os eua ja eram escravos e se não tivessem sido comprados seriam escravos na africa. alias ainda tem escravidão classica por lá.

Vanessa disse...

Anônimo das 23:02:

Eu creio nos Deuses Antigos, os infinitos. Você pode encontrar mais informações nos livros sagrados de R.R. Martin, o nome é A Guerra dos Tronos. Você vai ser condenado ao Deus afogado por crer nessas imundícies, mas veja eu respeito você, e te amo, mas sei o quanto você é podre e repulsivo. Agora, eu preciso aceitar o seu estilo de vida? NÃO!!! Porque no meu livro, que por sinal é bem maior que o seu, bem mais legal e bem mais bonito (:P), diz que está errado!

Você percebe o quanto isso é ridículo? Você percebe que eu é errado eu falar assim de você? E portanto é errado você falar assim de qualquer pessoa? Você, eu e todo mundo tem o direito de acreditar no que quiser. Mas se eu acredito no Coelho da Páscoa e te digo que você será morta por uma avalanche de chocolate porque você não acredita e não haje como EU quero, eu estou sendo fundamentalista e estou te julgando e fazendo pressão para que você mude.

Se o teu deus é o desse livrinho preto, ok. Viva muito feliz com ele. Mas NUNCA use-o para manipular, constranger ou pressionar outras pessoas. Mantenha a sua escolha no seu âmbito pessoal. Contranger os outros não é um direito seu.

Adélia disse...

Parte 1 - Vivo a mesma situação do autor do guest post; a diferença é que sou mulher e que não consegui simplesmente dizer a todos no trabalho que sou solteira. Eu digo que "moro junto", sem mencionar nome,sem usar pronomes masculinos ou femininos para me referir à "pessoa" com quem vivo ou qualquer coisa que leve meus colegas a pensarem que é com um homem ou mulher. Todo mundo deduz que sou casada com um homem mesmo assim. Isso me levou a viver em uma situação em que algumas pessoas acham que tenho um marido e outras não sabem bem se sou lésbica. Por causa disso acabei sendo capaz de compartilhar alguns aspectos da minha vida, o que ajudou a diminuir a sensação de isolamento por um lado mas me fez me sentir muito mal por outro (porque não é essa situação que eu queria viver MESMO).

Atualmente é impossível eu falar abertamente sobre a minha orientação afetivo-sexual devido ao tipo de trabalho que eu faço e ao tipo de pessoa com que trabalho. A cidade em que moro é tradicionalíssima e eu sou psicóloga infantil; os pacientes têm essa ideia de que a minha vida pessoal é um "exemplo" e isso não pode incluir para quase todos eles o fato de eu ser gay. Basicamente, se eu for claramente aberta a respeito do meu relacionamento, a notícia circula e deixo de ter pacientes para atender e, consequentemente, dinheiro pra pagar minhas contas. Já vi um amigo psicólogo perder 85% dos pacientes nessa cidade pelo mesmo motivo.

Tenho amigas na cidade em que nasci (uma metrópole) que estão "fora do armário" mas as minhas circunstâncias são muito diferentes. Em alguns comentários perguntaram porque alguns de nós homossexuais escondemos a nossa sexualidade e só o que eu posso dizer é que tenho me perguntado isso nos últimos anos também. Acho que não dá pra julgar as pessoas que não conseguem ser francas a respeito disso. Quando eu tinha 18, 22, 25 anos, eu achava que todo mundo tinha que se assumir e quando via pessoas que levavam uma vida como a a minha eu não entendia direito. Hoje eu sei que a adolescência passa, a faculdade passa e a gente tem que trabalhar e viver num mundo em que as pessoas parecem cada vez menos tolerantes. Uma coisa era ser gay aos 18 anos (eu beijava em público, por exemplo) e outra MUITO DIFERENTE tem sido ser gay com 30 anos. Sei também que a vida das pessoas é diferente: quando eu morava no Rio ser lésbica assumida era uma coisa; mas no interiozão de um estado machista do sul seria outra BEEEEM diferente!

Temos amigos próximos que sabem que somos gay e nossas famílias nos apóiam e são muito carinhosas. No trabalho algumas poucas pessoas que se tornaram amigos pessoais sabem também. Nosso relacionamento é, provavelmente, um dos mais saudáveis e alegres que conheço (vamos pra 8 anos de casamento e já superamos doenças, falta de grana, brigas e mais um monte de coisas juntas). Aprendemos a não nos beijar em público e nos despedimos com olhares fundos e compridos, mas cheio de amor, carinho e cumplicidade. Não falamos de forma infnatil quando estamos juntas, mas percebo que somos mais afetivas do que a maior parte dos casais hetero que conheço, provavelmente para compensar todo o tempo que passamos em público sem poder ter contato físico.

Adélia disse...

Parte 2 - De vez em quando eu penso na minha vida e me bate um desespero e uma frustração muito grandes. Eu me sinto vivendo uma mentira. É horrível quando um colega de trabalho me pergunta do meu marido ou quando tem confraternização de fim de ano e todo mundo vai com a família e eu não vou. Dói muito e me sinto covarde. Talvez eu seja covarde mesmo, sei lá... mas o fato é que sou uma pessoa boa, tentando melhorar e ser feliz apesar das minhas falhas. E isso de alguma maneira me acalma.

Nem todo mundo está numa posição em que pode dar a cara a tapa e falar "eu sou gay mesmo, e daí?!" e isso não é feio. Feio é existir tanto preconceito. Acho importante a gente culpar o bandido que assalta alguém numa noite escura, e não a pessoa que estava andando numa noite escura e foi assaltada! Assim como uma mulher que é estuprada e acaba sendo julgada pela sua vida sexual pregressa na hora de fazer uma denúncia, estou me sentindo julgada e responsabilizada por um preconceito que é dos outros só porque eu escolhi me proteger de uma série de violências! Eu luto outras GRANDES, imensas batalhas e tento compreender quem não faz a mesma coisa.

Beatriz Luiza disse...

Divulguei no facebook, e deixo aqui o mesmo recado que deixei lá:
vamos combater a Homofobia do jeito certo: ao invés de atacar o pastor-óbvio-evangélico e sua cretina opinião, ataque o SEU CHEFE, a SUA FAMÍLIA, os SEUS AMIGOS e os SEUS CONHECIDOS que se posicionarem de maneira preconceituosa diante da homossexualidade, porque esse não é um preconceito que tá só na cabeça desse pastor, tá também na cabeça da sociedade.

Ia disse...

ohhh Lola, Preconceito é uma merda, não adianta qual o tamanho ou a lesão que ele pode causar no nosso coração. As pessoas são crueis, e abstrair é o exercício mais difícil do mundo.Não sofro diretamente com homossexualismo, mas tenho pessoas que amo que são, e sofro por elas, por que sei que elas tb se chateiam com muita coisa durante o dia. Sofro preconceitos de ser baixinha, de ser mulher, de ser loira, de ser paulista, nada se compara. Mas todo preconceito é uma merda e atraso de vida. Seja forte tenha fé somente em Deus e siga seu coração

Luís Eduardo disse...

Infelizmente o problema da união homo-afetiva (odeio esses pleonasmos para agradar direitista, mas acaba virando vício de linguagem) é que diminuem o real estado atual. Se alguém quiser comparar ele com o estado dos negros americanos (principalmente do sul) até a década de 60, ou as mulheres, antes da legalização do voto, está mais que certo.

Não irei me ater ao preconceito social (ele diminui com o tempo), mas sim ao fato do nosso "estado democrático" instituir esse preconceito. Assim como os negros americanos que não tinha direitos civis e as mulheres sem direito a voto, os gays simplesmente são "menos cidadão" pela constituição brasileira, pois, mesmo arcando com todas obrigações (impostos e leis), lhe é tirado os direitos que vem com o casamento igualitário.

É o que eu chamo de "todos são iguais, mas...": "todos são iguais, mas não negros não tem direito civil", "todos são iguais, mas mulheres não podem votar", "todos são iguais, mas gays não podem se casar".

É uma vergonha nós ainda seguirmos com isso e vir gente levantando a bandeira "pró-preconceito", como diria Myrian Rios "eu não posso mais demitir um empregado meu porque a orientação sexual não é de acordo com a minha [...] mas não sou preconceituosa" (fica difícil acreditar que esse ser realmente nota o que está falando).

Anônimo disse...

Apesar de não viver algo parecido, me identifiquei com o post porque sei que posso passar por essa situação.

Minha família é católica e conservadora, meus amigos são do tipo: olha, eu não tenho nada contra os homos, maaaaas... Como é que eu vou dizer pra eles que eu me sinto atraída por mulheres? Que imagino minha vida ao lado de uma mulher? Não dá! Nem sei o que vou fazer em relação a isso. Ninguém desconfia...

Não me considero lésbica, ainda estou confusa, mas eu sei perfeitamente que sempre tive desejos por mulheres. Aliás, quando eu tinha 16 anos, foi que eu percebi que já tinha me apaixonado por professoras e tinha ficado a fim de várias meninas. Sei disfarçar muito bem, mas é muito chato estar ao lado das minhas amigas e elas comentarem: “olha, fulano é bonitinho, vc viu, M.?” Não, eu não vi (estava olhando pra bela moça que acabou de passar). Nem posso dizer pra elas o que sinto. :(

Duvido muito que minha atração por mulheres irá desaparecer, e nem quero que desapareça, sabe? Não é doença!

Enquanto dependo dos meus pais, torço muito pra não me envolver com uma mulher. Covarde? Eu sei... Mas eu vou fazer o quê?

Enfim... Desejo ao autor do post toda força pra encarar essa situação.

Tomara que nossa sociedade seja mais compreensiva daqui pra frente.

Grão da Noite disse...

À medida que lia esse texto ia pensando, "Nossa, eu poderia escrever meu nome em baixo". E não é que eu poderia mesmo (rs). Fui eu que escrevi. Faz é tempo. Obrigado por ter publicado :). Ah, sobre o vídeo do Silas Malafaia: além de abominável, achei-o homicida. Muitas pessoas, principalmente muito jovens, cometem suicídio por causa da homofobia. Quem não acredita basta assistir a este vídeo muito comovente: http://www.youtube.com/watch?v=m1C0WgjHYfo . Desmentindo as mentiras que o Silas Malafaia contou, um vídeo que "está bombando" no Facebook: http://www.youtube.com/watch?v=3wx3fdnOEos.

yulia2 disse...

queriam que assistissem esse video, ele acaba como malacraia!

por favor vejam!!!

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=3wx3fdnOEos#!

yulia2 disse...

Esse vídeo só não acaba com malacraia, como também acaba com a tal psico evo....

Grão da Noite disse...

Gostei que meu texto tenha sido usado como resposta às baboseiras que Malafaia disse. Nem preciso dizer que o acho uma das criaturas mais asquerosas na face da Terra. Acredito que em pouco tempo ele estará no rol dos que disseram coisas ridículas. Ele já está, mas muitas pessoas ainda concordam com ele. Muitas sentirão vergonha por um dia ter concordado com ele. Enfim, em breve Malafaia estará no rol das pessoas unanimemente consideradas ridículas. Como não sou tão velho assim, acho que estarei vivo quando esse tempo chegar. Outra coisa é que não sou enrustido. Não escondo nem nego pra mim mesmo que sou gay, como alguém disse num comentário. Também não me acho preguiçoso por não romper casulo, até porque não há nenhum casulo a ser rompido (não sou enrustido, não estou no armário, num casulo ou em algo parecido). Assumir socialmente minha homossexualidade é assunto exclusivamente meu e acho muito irritante ser criticado por pessoas que não têm nenhum conhecimento das minhas dores. Omito e evito falar que sou gay não só por causa do presente e do futuro, pois, sim, posso ser prejudicado, agora ou mais na frente, se assumir minha orietação sexual pra todo mundo. Mas, principalmente, omito e evito falar que sou gay para estranhos ao meu círculo de convivência mais íntima por conta do meu passado, por puro receio de ver situações sofridas se repetirem.

Ju disse...

"Nivaldo Brás" eu não já mandei você trocar esse nick? O que vc tá esperando?

Liana hc disse...

Acho péssima essa pressão para que as pessoas "se assumam". Cada um sabe de si. O máximo que podemos fazer é apoiar quem decide tornar pública a sua homossexualidade. Não somos nós que iremos arcar com as consequências (tanto psicológicas quanto na vida prática) dessa exposição. Então criticar quem não faz me parece sem sentido.

Grão da Noite disse...

Um vídeo da Maria Berenice Dias rebatendo os (Mala)faias e as (Mala)fetes: https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=BsgOG6YkXRk#! .

Grão da Noite disse...

Vídeo de Benjamin Teixeira de Aguiar, palestrante e médium de Aracaju, Sergipe, acredito que no Brasil o único líder religioso que é homossexual assumido: https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=wgh7uCyORbk

Grão da Noite disse...

Este vídeo também esclarece sobre a normalidade das relações homoafetivas. Infelizmente os que mais precisam assistir a vídeos assim, os homofóbicos, não os verão, até porque relutam intensamente. Como seu blog tem um alcance muito grande entre jovens, porém, acho importante postar vídeos que esclarecem que a homossexualidade não é doença, nem traço de caráter. Pode haver muitos adolescentes evangélicos, ou imersos em famílias evangélicas, jovens que sofrem com a culpa que a homofobia provoca, acessando seu blog. Eles precisam de vídeos assim. Vídeos como esses podem até salvar vidas, pois há adolescentes que tentam se suicidar por causa da homofobia. Alguns infelizmente conseguem atingir seu objetivo, em momentos de dor e desespero íntimos. Eis o vídeo. É um debate travado entre um repórter, um médico e uma psicóloga. São todos de Aracaju, Sergipe: https://www.youtube.com/watch?NR=1&v=2QkhW5qomrk&feature=endscreen .

Sphynx disse...

"As Relações Clandestinas". Um bom título para um livro (de ficção ou não) tratando desse tema tão interessante e humano. Tivesse eu a arte e o engenho, escreveria este livro, hehe.

Eu até relevo o Malafaia porque, dando uma olhada em discussões sobre o assunto, nos últimos dois dias li besteiras muito maiores do que as que ele mesmo disse. No fundo ele é só um espertão que se aproveita de um pessoal que já era ignorante, mente fechada e preconceituoso independentemente dele, não raro até mais que ele.

Ver um mercenário proferindo discursos de ódio com argumentos protocientíficos na mídia é ruim. Mas muito pior ainda é ver gente perto de nós concordando com ele, nos nossos trabalhos, faculdades, redes sociais, redes sociais ou onde for. Felizmente, do meu convívio, foram muito poucos.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Tava por passatempo essa tarde dando uma olhada em sites de joalherias e vendo as alianças...


... Nenhuma oferecia par de alianças femininas ou par de alianças masculinas.


Just sayan

Wendell dos Reis Veloso disse...

Olha eu sei que falar de fora é muito fácil, pois não vivo uma relação de casamento e não sei, ao certo, como seria estar em uma. Entretanto, acho que posso contribuir com a minha experiência. Fiz ensino médio técnico em eletrônica e após a conclusão estagiei e trabalhei numa grande empresa, onde mulheres somente eram presentes no setor administrativo. Então imaginem eu,gay óbvio, que fui muito "zoado" à época do colégio, em um ambiente de engenheiros e técnicos, com todos querendo se mostrar mais macho do que os outros. Foi uma experiência horrível. Nunca fui frontalmente atacado, mas é claro que todos tinham conhecimento da homossexualidade, a qual eu tentava, com todas as forças, camuflar. Sempre tive a impressão de estar pagando mico, sabe? Sempre achei que eles sabiam e que por trás falavam e riam de mim. E quer saber? Acho mesmo que é assim. Quando decidi largar o emprego para fazer o que sempre tive vontade: graduação em história, decidi que não iria passar mais por isso. No meu caso, conclui que esperar o tão aclamado momento certo pra ser aberto quanto a minha condição sexual era uma maneira de postergar isto indefinidamente, pois quando eu me encontrasse novamente empregado não iria fazê-lo para a manutenção daquele emprego, etc. Conclusão, cheguei na Universidade onde me graduei com o intuito de não mais usar de subterfúgios pra tentar camulhar minha condição sexual. É claro que não dava bom dia e após o aperto de mão dizia: "olha eu sou gay, tá?!" Mas, por exemplo, quando os homens comentavam sobre mulheres (e por vezes eu senti que era apenas para ver o que eu falaria) eu dizia que era bonita, legal e etc, mas que quem chamava aminha atenção mesmo era o fulano. Acredita que perdi colegas? Muitos não falavam comigo direito mais, entretanto eu sabia que eu não tinha problema nenhum, eles é que tinham, eram homofóbicos. E assim foi. Atualmente curso o mestrado em História Medieval aqui no RJ e já fui abertamente discriminado por um professor de uma das disciplinas obrigatórias, além de escutar piadas pelo tema a que me dedico estudar: a importância do regramento sexual no projeto político de poder do hoje Santo Agostinho. Alguma semelhança com os dias atuais? Rá! Todas! E digo isso quando me apresento nos eventos, e já olho adiante no aguardo dos risinhos que são, infelizmente, certeiros. De igual maneira faço nas instituições onde leciono. Quando me convidam para às confraternizações, sempre pergunto se o convite é extensivo ao meu namorado (quando estou namorando ... rs) e alguns me olham assustados, mas decidi que não ia mais me tratar como uma pessoa de segunda classe, muitos já o fazem por mim. Não julgo quem opta por uma vida mais "discreta", mas pra mim não era possível mais.

Lola, adoro o seu blog, aprendo muito. TODOS JUNTOS NUMA SÓ LUTA!!!

Corrector Antie disse...

Nossa, como eu tenho preguiça das pessoas que ficam pressionando todo mundo a se assumir publicamente. Tem quinhentos motivos para algumas pessoas não se assumirem, e isso diz respeito a elas e somente elas.

Podem tentar ignorar, mas a verdade é que ainda é, em muitos lugares, perigoso se assumir. Pessoas ainda são espancadas e até mortas simplesmente porque amam alguém do mesmo sexo.

Bea disse...

Acabei de ver esse vídeo no youtube. Vídeo Educativo Gay Americano.

http://www.youtube.com/watch?v=NQhJ9sJB_dc

Grão da Noite disse...

Luto em curso. E luto do verbo lutar.
30.11.2013.

Embora o período de sofrimento mais agudo tenha sido breve – durou a primeira semana após o término – , e eu tenha me percebido mais resiliente do que supunha ser, surpreendendo até a mim mesmo. Apesar de eu não ter caído em depressão, e de ter continuado e de estar continuando com condições de levar minha vida adiante, com todas as miudezas do seu cotidiano, de vez em quando ainda dói.

Nalguns dias mais, noutros menos, nalguns com mais frequência, noutros, com menos frequência...

Dói a ausência dele. De vez em quando ainda pego o celular, com a esperança de encontrar nele uma chamada perdida, uma mensagem, e dói não encontrar nada.

Dói ir ao supermercado e passar pelas gôndolas onde eu antes buscava as coisas de que ele gosta. Às vezes a dor enche meus olhos d’água, que luto por não deixar precipitar, e geralmente me saio bem na contenção.

Dói abrir meu e-mail e nunca encontrar nada vindo dele.

Dói quando escuto uma música ou outra, que fala de amores desfeitos ou de saudade.

Dói o pensamento de que, daqui a dez anos, talvez não reste outra coisa deste sentimento senão lembranças vazias de saudade e de afeto (às vezes tenho certeza de que este sentimento vai morrer, às vezes tenho dúvida, e dói tanto a certeza quanto a dúvida).

Às vezes, casualmente, encontro escrita, ou ouço na boca de alguém, alguma palavra ou expressão que usávamos um com o outro (ele me chamava de “Vida Minha”, “Meu Gandão”, entre outras coisas; eu o chamava de “Bebê Dengoso”. “Momô” era recíproco), e é doloroso...

É aquela dor da garganta embargada, das lágrimas que descem poucas, mas lentas, quentes, pesadas, como que sulcando a pele.

Quando elas secam, sinto-me tão mais velho, felizmente apenas por dentro.

Dói de manhã. Dói de tarde. Dói de noite. Dói quando deito para dormir. Dói quando acordo. Dói de repente, sem que eu queira, sem que eu peça, sem que eu impeça.

Dói de pouquinho em pouquinho, dói a qualquer momento, como um telefone que toca de inopino.

Não é um doer de dor insuportável. Mas dói.

Agora que percebi que hoje é 30 de novembro. Hoje faz 4 meses do término, um número redondo.

Eis a razão por que hoje está doendo mais do que de costume.