terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

GUEST POST: NÃO MEXA EM MULHER INCONSCIENTE

Na história original da Bela Adormecida, o príncipe a estupra

A R. me enviou este relato, que é tão comum quanto doloroso.

Olá, Lola. Li este guest post de uma leitora sobre o estuprador que não sabe que a estuprou e decidi contar meu caso também. Mas já digo de antemão que só faço isso porque me sinto relativamente bem resolvida com o caso, graças à terapia. Do contrário, eu não ia me arriscar a ter meu caso julgado por comentaristas, a ter minha dor diminuída. Eu sei que isso ocorrerá de qualquer maneira, mas tenho certeza do que passei, e é isso que importa.
Eu também fui estuprada. E meu estuprador não sabe que foi um estupro. Mas é possível que saiba que fez algo errado, embora não se arrependa.
Conheci o rapaz de vista no restaurante universitário, e o achei atraente. Pelas camisetas, descobri qual era seu curso e não foi difícil encontrá-lo nas redes sociais. Vi que tínhamos uma amiga em comum, e pedi a ela que nos apresentasse qualquer dia.
Foi num final de semestre. Eu tinha acabado de sair de uma prova, e estava indo a uma festa de despedida de um amigo que desistiu do curso. Encontrei a tal amiga em comum. Como o rapaz estava presente, ela nos apresentou. Ele me ofereceu uma bebida artesanal muito forte, comum nessas festas. Fiquei bastante alterada, nunca tinha tomado aquela bebida, mas conhecia sua fama.
Conversei com o rapaz quando a confraternização já estava no fim. 
Nesse momento a história começa a ficar um pouco confusa porque a bebida que eu tomei era muito forte, e eu apaguei alguns detalhes da memória. Acho que trocamos uns beijos, mas não lembro ao certo. Também lembro que aceitei uma carona. Aqui eu não posso falar com certeza, mas lembro bem da minha intenção: eu queria dormir em casa. Minha mãe iria chegar no outro dia de manhã. Não lembro se ele ofereceu me levar na minha casa, ou se me convidou pra ir para a república dele. Só sei que jamais pretendi dormir lá, no máximo passar um tempinho.
E lembro de ter entrado no carro, de ter outras pessoas junto. Eu devo até ter cochilado, porque não lembro do trajeto. A bebida tinha me derrubado. Lembro até que fiquei surpresa quando me vi chegando na garagem da república, não esperando estar lá. E aí vai ficando mais e mais obscuro, porque não me lembro como entrei lá, se as luzes estavam acesas... Eu estava embriagada de verdade! Lembro de ter entrado num quarto e trocado uns beijos, quase sem forças. E logo depois um apagão.
E aí eu acordo com a cabeça virada para o lado. Havia um computador ligado bem do meu lado, e a luz me incomodou. E quando eu olho para a frente, lá estava o cara! Foi aí que recobrei os sentidos; eu estava com a calça jeans e a calcinha abaixadas, e o cara estava me penetrando.
Tomei um susto, mas fiquei imóvel. não sabia o que fazer, achei surreal. E aí meio que me desliguei da cena. Parecido com que a A. do guest post falou, eu me desliguei do corpo. Nem sentia ele me penetrar.
Aquele quarto não deveria ser dele, porque logo apareceu um cara, e saímos de lá. Essa parte eu ainda lembro em flashes. Não lembro direito do que aconteceu no segundo quarto. Mas lembro ter pensado algo do tipo "putz, agora que comecei"...
A partir daí fiz sexo consentido com o cara. Muito bêbada ainda, mas sabia o que tava rolando. Acabei dormindo lá, e acordei com aquela sensação de ter levado um balde de água fria. Porque além de tudo durante a noite eu percebi que o cara era um mala, meio grosseiro às vezes. Não diria violento, mas rude, frio.
Fui embora de manhã, com uma ressaca absurda. Me lembro bem do meu primeiro xixi da manha: ardeu muito! Mas não dei muita bola pro fato. Fiquei com a sensação que tinha algo bem errado, mas não sabia nomear. Me sentia mal, mas não tinha raiva do cara nem nada. Me sentia mal comigo mesma.
Saí de ferias, e mais uma bomba: mesmo tomando pílula, minha menstruação estava atrasada três semanas. Foi quando cogitei que algo estava muito errado MESMO! Discutindo com minha melhor amiga, percebi que na parte que eu estava mais consciente, eu sabia ter usado camisinha. Mas na parte que aconteceu no primeiro quarto, não fazia ideia! Não lembrava de jeito nenhum. E a história se tornou ainda mais insuportável, porque eu podia estar grávida. Me senti extremamente impotente.
Fiz o teste de gravidez, que deu negativo. Dois dias depois minha menstruação desceu, e eu decidi não contar nada pro cara. Durante as férias até nos comunicamos pela internet, mas ele era frio. Achei que não valia a pena.
Essa história aconteceu em 2008. Eu descobri que o que sofri foi um estupro de vulnerável no seu blog, Lola, na postagem relativa à suspeita de estupro no BBB, em janeiro do ano passado. E não foi de imediato. Foi quase no centésimo comentário, com várias garotas contando histórias parecidas, e/ou dizendo como aquele tipo de coisa era naturalizada.
Meu mundo caiu por um tempo. Senti culpa, muita culpa. Principalmente por não ter reconhecido, por ter consentido fazer sexo com o cara depois, por nunca tê-lo denunciado. 
Talvez, no fundo, eu até soubesse que era um estupro, porque eu nunca havia contado para minha  melhor amiga o detalhe importantíssimo de ter acordado sem a parte debaixo da roupa. Assim que ela soube disso ela tipificou na hora como estupro de vulnerável. Mas não foi assim com outras pessoas.
Contei para algumas pessoas que eu achava confiáveis, e a maioria disse que "não era como eu pensava". Primeiro porque "o caso do BBB não era estupro" (isso antes da Monique sair da casa e fazer qualquer declaração a respeito), porque "ela se mexia no vídeo". Outros disseram que era um certo exagero, porque eu deixei depois. Ou que ia ser preciso assinar um contrato de consensualidade antes de transar. Coisas do tipo, acho que você já conhece bem.
Eu sofri TANTO com essas críticas... porque o que martelava na minha cabeça era: por que eu não reagi? Por que não o mandei parar? A culpa era minha, eu não demonstrei o suficiente que eu não queria. Aliás, será que eu não queria mesmo?
Aí foi preciso conversar com minha terapeuta pra perceber algumas coisas. Eu mentalizei muito minhas intenções no dia, embora fosse um passado distante e eu estivesse bêbada. Em nenhum momento eu tive intenção de transar com ele. Eu queria uns amassos e nada mais. Não tenho problema nenhum em transar na primeira noite, mas não estava a fim, não planejava, não tive tesão. Então em nenhuma hipótese aconteceu de eu consentir, mas não lembrar. Não podia consentir algo que eu não queria, mesmo bêbada. Isso é uma coisa que me atormentou um bocado, mas hoje tenho certeza e faz todo o sentido. Ainda mais pelo susto que levei quando vi o cara me penetrando.
E não se pode negar que embora eu tenha beijado o cara e tudo mais, houve um momento em que eu apaguei em cima de uma cama, e enquanto eu estava de olhos fechados, o cara tirou minha roupa. Com meu corpo inerte. Duvido muito que o cara achasse que uma desacordada estava "querendo". É por isso que eu acho que ele de certa forma saiba que agiu errado. Ou não, graças à cultura de estupro.
Na terapia descobri porque não neguei depois que retomei a consciência, e até consenti. Posso adiantar que já vem história de horror novamente.
Pelo menos dos 5 aos 7 anos (a época que eu lembro), fui abusada sexualmente por um parente de 12 anos. Nós ficávamos nus, e ele me pedia para masturbá-lo. Não com essas palavras. Não me lembro de tê-lo visto ter um orgasmo alguma vez. Não sabia pra que aquilo servia, só que não devia ser muito correto, porque não podia contar pra ninguém.
Minha terapeuta explicou que através desses abusos eu naturalizei agir passivamente frente a situações sexuais desconfortáveis. Porque pra mim, era importante não decepcionar meu parente tão querido, embora eu me sentisse mal. Então de certa forma eu desaprendi a dizer "não". Isso se refletiu diversas vezes na minha vida, como em passadas de mão indiscretas, e até em consentir fantasias do meu namorado que eu não curtia.
Hoje estou bem, tive um bom suporte emocional, vindo de alguns poucos amigos mais empático e do meu atual namorado. Ainda tenho pensamentos de como fazer o cara que me estuprou se sentir mal pelo que fez, mas não vejo como. Entrar na justiça não está nos meus planos, porque é um caso difícil de provar. Me contento em fazer a minha parte contando minha história.
Ninguém na minha família sabe. Sou filha, irmã, prima, neta de tanta gente, e nem passa pela cabeça deles as violências que passei. Pode ter um caso assim na sua família também. Ou com uma amiga de trabalho. Somos muitas, e a imensa maioria de nossos algozes estão impunes, fazendo mais e mais vítimas.
E o que se pode fazer? Educar! Falar pro seu amigo no bar que não é legal embebedar a garota pra ela ficar mais soltinha. Dizer pro seu filho que "não" quer dizer "não". E que não se mexe em pessoa inconsciente, a não ser pra ajudar. Parece tão óbvio, mas no nosso mundo doente infelizmente não é.

169 comentários:

med disse...

relato emocionante.

só uma coisa, que tem e não tem a ver com o relato.

pode ser considerado abuso, a relação com um parente de apenas 12 anos?

eu já tive 12 anos, já fiz a clássica brincadeira de médico, isto foi um abuso? pode ser considerado abuso mesmo sem ter nenhum componente explicito e consciente de poder envolvido?

Na minha família sexo não era assunto, e ninguem era machista, então diretamente não fui influenciado por uma sexualidade precoce ou machismo ...

é uma dúvida legitima

Grão da Noite disse...

A autora do texto pensa numa forma de fazer o estuprador tomar consciência de seus atos, mas acho provável que no caso dele uma simples conversa não seria suficiente (ela diz que o cara é frio e meio grosseiro... Meu pai também é assim, infelizmente...). Acho que pra esse rapaz só um processo penal mesmo. Como, pelo que é relatado, um processo criminal seria inviável (haveria uma dificuldade muito grande de se provar o que aconteceu, isso se o crime já não estiver prescrito), acho que a única opção é se conformar. Acredito que uma conversa com o estuprador não seria o bastante porque infelizmente as pessoas acreditam no que querem. Racionalizam, enxergam os fatos de uma forma que lhes seja conveniente, preferem distorcer a realidade, nem que enlouquecendo parcialmente, pra não sentir o peso do sentimento de culpa, que talvez não conseguissem de fato suportar. Já relatei isso num comentário noutro post. Minha mãe se casou com meu pai quando ela tinha 17 anos e ele 29. Em 1961. Ela era virgem, e na 1ª noite deles meu pai a embebedou com a intenção de fazer sexo com ela, como ele mesmo diz (achando muito engraçado... Argh!). Ela perdeu a virgindade dormindo. Foi estupro de vulnerável, apesar de ter acontecido entre pessoas casadas. Meu pai nunca aceitou nem vai aceitar essa tese do estupro. Ele prefere enxergar o acontecido da forma mais cômoda pra ele. Eram casados, na visão dele era uma obrigação conjugal minha mãe fazer sexo com ele. Na cabeça dele ele foi muito bonzinho, pois percebia que minha mãe estava muito acanhada. Com a bebida, ele poupou minha mãe do constrangimento. Quando fiz esse comentário os mascus fizeram muitos elogios ao meu pai. Pois é. Talvez façam de novo.

Márcio disse...

Pra moça do post:
Não existe conversa com estupradores,eles devem ser caçados enjaulados e castrados feitos os lixos que são.
Eu fui abusado por um tio muito próximo da família do meu pai e se não fosse eu tomar coragem e contar pros meus pais,eles estaria solto e abusando de mais crianças por aí.
Fora eu ele já tinha histórico de abuso de mais duas crianças e eles não param até serem presos ou mortos.

Sara disse...

anon 11.20hs eu tb tive muitas "brincadeiras" mais intimas quando era criança tanto com amigas como amigos e até alguns parentes, mas todos na mesma faixa etária minha, por volta dos 4 a 6 anos, e nunca senti q tenha sido abuso nem meu nem deles, alias pra ser sincera eu adorava essas brincadeiras, acho q eram uma descoberta tanto p mim como pra meus parceiros.
Mas no caso do post, a garota realmente estava sem condições de dar permissão.
E se esse cara teve condições de levar a garota pra casa dele, tirar suas roupas e transar com ela, não devia estar tão embriagado assim, e tinha noção do q fazia, e seria muito bom q os homens soubessem q isso é um abuso sim.

Patrícia Gomes disse...

Uma amiga diz que estrago as histórias infantis só pq falei que o autor de Alice era pedófilo...imagina qdo souber desta versão da Bela.

Fazer sexo com uma pessoa que não está participando é mais comum do que parece. Ocorre muito em casamentos, muito mesmo em casamentos cristãos. Outra amiga foi abusada pelo marido enquanto tomava remédio para dormir e só soube porque no dia seguinte ele disse que ela fosse fz exame pq podia estar grávida. Na segunda vez ela acordou e começou a gritar por socorro depois de tentar escapar dele e pedir/pedir/pedir que parasse. Separaram-se, mas não por isso. Nem ela acha que foi estuprada. Nem ele que foi o violador.

Cética disse...

Apavorante é saber que,boa parte dos homens (e mulheres)não consideram isso (e outras formas de abuso) como estupro/abuso,e sim,como sendo "doce" da menina/mulher,pra mim,homem que apoia essa tese (e defende com tanta veemência o acusado,quando se noticiam casos assim) está dizendo BEM CLARAMENTE;se eu tiver uma oportunidade,eu faço igual. Depois reclamam da frase clássica "todo homem é um estuprador em potencial" podem até não ser (e acredito nisso)mas, um número significativo faz uma FORÇA danada pra corroborar o dito.


Cética

Anônimo disse...

Se eu beber dirigir e atropelar alguém ? a culpa e da bebida ou minha ?

Eva disse...

"Se eu beber dirigir e atropelar alguém ? a culpa e da bebida ou minha ?"

Sua. Mas me explica onde no caso de estupro de vulnerável tá o volante, já que a vítima não escolheu conscientemente fazer nada e só teve uma "falha nos reflexos", geralmente elas estão em um estado em que sequer seriam capazes de dirigir, ir para qualquer lugar ou fazer qualquer coisa ativamente. Ou seja, falácia.

Tales Gubes disse...

O fim do post traz a mensagem que mais acredito atualmente: a resposta é educar. Enquanto nós homens tivermos permissão para fazer o que quisermos com relação à mulher e ao corpo feminino, enquanto os nossos prazeres forem a prioridade... Um estupro será só "frescura".

Há uma questão aí que me interessa sobremaneira, inclusive academicamente... As relações infantis. Entre crianças, não tanto entre adultos x crianças. Realmente não sei o que pensar sobre um garoto de 12 anos que é masturbado pela irmã/prima/vizinha (ou irmão, primo, sobrinho, o gênero não me parece ser necessariamente central nessa questão) de 7, 8, 10, 11...

Lucio Ferro disse...

Realmente histórias de abuso sexual são horríveis, uma grande amiga minha foi estuprada, sei muito bem os danos psíquicos causados pelo estupro e está longe de mim a idéia de defender estupradores. Mas à autora do texto: eu mesmo, que sou homem, ja fiz sexo com uma garota quando eu estava "apagado" e depois só me lembrava de flashes vagos(por sorte, uma namorada da época, depois de uma balada na segurança da minha própria casa). E bem... como presumo que as mulheres devam saber,é meio difícil para um homem transar desacordado, a não ser que ele esteja numa posição passiva, o que não era o caso... ou seja, eu estava ativo e mesmo assim inconsciente (fui estuprado? na hora nem liguei pra essa possibilidade). Perder a consciência não é a mesma coisa que desmaiar, se a autora recobrou a consciência e estava na cama do cara com as calças abaixadas isso não quer dizer necessariamente que um tarado arrancou sua roupa. As pessoas fazem coisas bem estúpidas quando estão bêbadas, todo mundo sabe disso. Rolou uma conversa com o cara a respeito do tema ou a primeira manifestação foi logo um "texto denúncia" na internet?

Lucio Ferro disse...

Ah, só outro detalhe: muitas mulheres são estupradas não apenas pela nossa cultura machista, mas como consequência de nossa cultura obscurantista em relação às drogas. Quando vc abusa de algo e é colocado em situação vulnerável, na boa, ser estuprado nem é o mais grave que pode te acontecer. As pessoas deveriam, homens e mulheres, saber utilizar drogas de modo mais seguro.

Claudini disse...

Lola, que interessante o post de hoje, pois foi justamente o que eu precisava ler pra manter fortes as minhas convicções. Sou de Florianópolis e hoje pela manhã encontraram uma garota seminua na Av. Rio Branco (vc que já morou aqui, sabe que é uma das principais avenidas da cidade). Foi encontrada pelos seguranças de uma boate e pelos amigos. No exame de corpo de delito, deu que ocorreu sim o ato sexual. Estava almoçando com meus pais na hora que passou isso na tv, e eu disse "que absurdo, que absurdo, eu fico puta com essas coisas"... E daí minha mãe soltou que ela também tem uma parcela de culpa, pq pode ter pegado carona com um cara que ela nem conhecia. Ela é de São Paulo. Falei que não interessa, que a culpa nesse caso nunca é da vítima, e sim de quem estupra; que ela pode estar bêbada mas isso não dá o direito de ninguém se meter com ela. É tão difícil se fazer entender, Lola! Meus pais disseram que a culpa é do estuprador mas que ela tem também uma culpa indiretamente. Eu acho um abuso, eu não acho que ela tenha culpa alguma, em nenhuma circunstância! Lendo o guest post eu fico ainda mais certa disso! É inegável que ele tirou a roupa da vítima sem que ela o ajudasse a fazer isso - ops, isso não seria um sinal de que ela não tá ok, de que ela não tá ali presente naquele momento?!
É o que dar ficar ensinando as meninas a não serem estupradas ao invés de ensinarem os guris as não estuprarem...

Anônimo disse...

Eu passei por isso também, fui estuprada quando estava dormindo em um ambiente seguro, em companhia de parentes, amigos de infância, era um pesque e pague com permissão para acampar, porém número limitado de pessoas devido a preservação ambiental. Havia restaurante, lanchonete, sala de jogos, rio, espaço para pesca, embarcações, enfim o proprietário residia com a família. Um local "seguro", pessoas "confiáveis" mas não impediu o ocorrido. Eu demorei muito para confiar novamente nas pessoas, inclusive parentes, me isolei durante muitos anos, evitava contato mais intimidade no local de trabalho e estudos, mas quando procurei ajuda profissional tudo mudou e hoje estou mais segura, mas continuo seletiva com amizades, pois o estuprador era um amigo de infância e a família dele ainda tem contato com a minha, inclusive visitam. Ele é o bom rapaz, livre de qualquer suspeita, inclusive quando contei para minha prima o ocorrido ela logo rebateu, dizendo ser impossível, mas quando foi testemunha quando o mesmo agrediu a namorada, veio se desculpar, mas tarde demais, haviam passado três anos. Eu mudei de cidade devido trabalho e tenho um companheiro que me mostrou que existem pessoas confiáveis.

Patty Kirsche disse...

No livro da Anne Rice também, a Bela é estuprada pelo príncipe a fim de ser acordada. E aí ela vira escrava dele. É um conto de fadas erótico que aborda BDSM. Às vezes eu me preocupo com a abordagem de estupro em material erótico, principalmente em pornografia direcionada ao público masculino.

História muito triste. Muitos estupros acontecem assim. Sabe, eu não acho que os caras são bobinhos e não sabem que cometeram estupro. Eu acho que eles sabem o quanto é difícil provar um estupro, o que é muito diferente. E quantos estupros acontecem quando o namorado insiste e a moça não tem coragem de lutar? Ele sabe que ninguém vai acreditar que foi estupro porque eles são um casal.

Anônimo disse...

Lamentável o que o bonitão fez. Mais uma vez, é um universitário. Isso parece ser prática comum no mundo universitário, não?

Fico em dúvida a respeito desses relatos sobre abusos feitos por crianças. Os meninos talvez seja educados para ser mais curiosos sexualmente, enquanto as meninas, não. Mas será que esses joguinhos infantis são assim tão perversos? Talvez sejam. Só acho que vale a pena nos perguntarmos sobre isso.

Anônimo disse...

Há que se precatar com a frase, que vem ganhando foros de truísmo, nos comentários do blogue: "a culpa nunca é da vítima".
Para que tal assertiva seja correta, temos que definir o que se entende por "culpa" e o que se entende por "vítima". Onde se alicerça o (seu) conceito de culpa: na filofia? na teologia? na Psicanálise? no Direito? Se neste, no Direito Penal? no Direito Civil? No Direito positivo (de determinado lugar e época)? Ou em um (qual?) Direito Natural?
O soldado de um regime ditatorial e racista que (por exemplo: nazismo), sob a ordem de seus superiores, esses, por sua vez, amparados em texto de lei, estupra uma mulher da raça "X", a qual ilegalmente adentrou em local a ela proibido (exemplo: no próprio quartel em que o soldado trabalhava) é culpado? Quem é a vítima?

Carol disse...

Ei, R. Fiquei emocionada com seu relato, também. Fico feliz que você já possa lidar com isso de uma forma saudável, que tenha conseguido ajuda de uma boa terapeuta e que tenha postado esse relato aqui no blog da Lola. Com certeza, muitas meninas (eu, inclusive!) vão escapar de situações como essa por causa da sua coragem de compartilhar sua história. Fico possessa só de imaginar alguém que venha te julgar de outro modo (pelo que você fez ou não fez diante da situação).

Obrigada!

Anônimo disse...



a mensagem perfeita é não estupre tome precauções para ninguém poder presumir que você estuprou e tome precauções para não ser estuprado...

Tempos horriveis os que vivemos...

Menina disse...

Essas histórias são interessantes. Me lembro de um caso, que eu nunca vi como abuso, mas pensando bem...
Minha vida é cheia de abusos, vocês sabem. Fui abusada por um primo de meu pai, por um ex-patrão(que foi muito violento) e por um ex-colega de trabalho. Mas esse caso... Bem vou contar:
Eu fui prestar vestibular no Rio de Janeiro e são 8 horas de viagem da minha cidade natal e o ônibus faz duas paradas antes de seguir para o Rio, em uma delas, entrou com rapaz e sentou ao meu lado. Um moço atraente. Conversamos uma pouco e já era próximo a meia noite e eu decidi dormir. Encostei na janela e algumas horas depois senti calor, e meio que abri os olhos, eu estava abraçada com o rapaz e ele com a mão do meu seio, por baixo da blusa!
Quando ele viu que eu acordei, começou a me beijar e meu já consciente, deixei. Lembro de ele ter um piercing na língua, era gelado. Eu comecei a sentir sono e dormi novamente. Acordei já próximo ao Rio, ainda escuro, ele me beijando e dando uns amassos. Eu confesso que gostei de ter ficado com ele, mesmo não tendo sido minha intenção e em alguns momentos estar semi-consciente. Ele perguntou várias vezes: "Você está acordada?".
Sei que ele mora na mesma cidade que eu moro agora, mas nunca mais o vi e nem lembro do nome dele.
Me senti muito culpada depois, pois eu tinha namorado na época e se eu não estivesse sonolenta, teria me negado a ficar com ele.
Nunca considerei como abuso, mesmo eu estando dormindo e ter consentido apenas depois de acordar.
Ironicamente, tenho até como lembrança boa. Ele não me maltratou, pelo contrário, senti prazer, e se eu fosse solteira não haveria problema nenhum.
Estou errada em não considerar isso abuso?

Anônimo disse...

Encher a cara,usar drogas,qualquer coisa que tire o controle de si mesmo é burrice,é facilitar demais para que uma pessoa nos faça mal.

Anônimo disse...

como existi homens canalhas nesse mundo q raiva!!!!é tão dificil entender q no corpo de uma pessoa só podemos fazer sexo ou toca-lo se a pessoa estiver em plena consciência disso e permitir!!!!

Anônimo disse...

Vcs viram essa entrevista?

http://www.youtube.com/watch?v=uKhgSHNE_Yo&feature=lb

Mto boa!

Fórmula de Bhaskara disse...

Bom, é uma pena ver que o estupro de vulnerável é tão comum, e ao mesmo tempo, há poucas punições aos criminosos que se valem disso.Eu estudei Direito (escrevo em maiúscula apenas para distinguir um curso) mas desde os bancos escolares eu já via que o direito penal só funciona na teoria, porque na prática os crimes de ordem econÔmica são mais severamente punidos do que os que ferem a honra e integridade física da mulher. E os crimes em que as vítimas preferenciais são as mulheres costumam ser silenciosos, sem testemunhas, quando muito, há vestígios corporais, mas mesmo assim há todo um sistema para desacreditar a mulher. Culturalmente é subentendido que prazer e autonomia sexual não são assuntos da mulher, que esta deve se preocupar apenas em agradar o homem comportando-se segundo as inúmeras e contraditórias regras que eles costumam achar-se no direito de impor sobre nós, e tem todo um sistema de educação sexual via filmes pornôs que estão aí pra ensinar que mulher é só 3 buracos pra meter,muito triste realmente.

Nah. disse...

Esse negócio de embebedar a mulher é muuito presente principalmente em festas. Em seriados e filmes também, vemos personagens masculinos brincarem com isso,como se a única coisa que importasse fosse transar, seja se for com ambas as partes conscientes ou não. Até em Friends já vi algumas piadinhas a respeito, maas... A gente tem que relevar porque os outros acham "frescura" da nossa parte perceber isso. "É apenas um seriado, uma piada". O problema é que a maioria das pessoas aí são influenciáveis, especialmente pela TV... Um comportamento tão idiota e abusivo sendo exposto de tal maneira que todo mundo acredita que é "normal", "casual", porque os personagens tratam assim...

SeekingWisdom disse...

R. minha solidariedade. É triste que a ausência de uma educação para a sexualidade e respeito do outro acabe levando a tantas histórias de horror. Acredito que seja um dos principais mecanismos da cultura de estupro, lunto com a culpabilização da vítima e banalização da violência.

Lucio Ferro, o que vc quer dizer por ativo? O que é ser passivo e ativo? Vc percebeu que R. disse que os traumas da infância a levaram a tomar atitudes passivas no que tange sexualidade? A situação que vc relata não é legal - ficar inconsciente durante o sexo - mas tem elementos diferentes importantes. Você estava com uma namorada e os dois ficaram bebados (e, imagino, que não foi uma ação premeditada). Acho ruim de todo jeito e se as pessoas fossem educadas para respeitar o limite do corpo do outro isso não teria acontecido assim. Vc n disse se consentiu o ato e ficou inconsciente durante, mas com certeza vc n estaria em condições de consentir.

No caso de R. os dois estavam alcoolizados, mas não me parece que a ação não tenha sido premeditada, pensando sobre a carona pra casa, acabar numa república, no quarto de outrém, despir alguém inerte.... esse cara teve duzentos sinais possíveis para entender que não estava fazendo algo correto. E não distorça as intenções da autora que deixou bem claro que deseja alertar para os elementos culturais que perpetuam essas tragédias. Ela nao está denunciando ninguém e, dado a quantidade de tempo e circunstânciass, possivelmente não irá.

Sobre a relação entre uso de drogas e estupro vou te mandar ir à merda (e imagino que muita gente também). Óbvio que as pessoas precisam ser educadas para exercer a responsabilidade mas que mundo é esse em que não posso cometer um deslize senão as pessoas ignoram qualquer direito sobre meu corpo?

Abraços galera, Phillipe

Rob disse...

Bom,eu fiquei encucado com um comentário aqui. Alguém disse que quando estamos bêbados podemos ficar alterados a ponto de tomar atitudes sem perceber.Será q a menina não mexeu nas próprias roupas sem perceber?
O cara tbm tinha bebido,será que no entender de bêbado dele ele não percebeu a alteração da menina e tomou o ato como um consentimento?Afinal a menina diz que há partes que ela mesma não se lembra e que certos acontecimentos são somente flashes na cabeça dela.Será que ela não se arrependeu?Afinal,mulheres não são a prova de erros.Não a estou julgando mal,muitas pessoas bebem tanto que não se lembram do que fizeram na noite passada.Homens e mulheres.Mas como disse um cara em outro post da Lola sobre estupro,as mulheres parecem ser mais sensíveis a esses acontecimentos.Será que ela está sendo justa em tomar tudo como estupro?Será que uma criança de 12 anos pode abusar sexualmente de outra.Hum,é para se pensar.

jacmila disse...

Olá Claudini
Tb moro em floripa e não estou encontrando a noticia q vc menciona no seu comentário (não vejo tv aberta) pra colocar na minha pg no facebook Machismo na Ilha da Magia. Se puder mande o link, obrigada.

Anônimo disse...

eu vivi uma situacao parecida com a sua na infancia, devia ter por volta de 9 ou 10 anos. um vizinho mais velho, adolescente, ja tinha pelos no corpo, me ensinou a masturba-lo na casa dele. e ele tinha orgasmo. e era o nosso segredo.

quanto ao seu caso, o cara foi um babaca, te estuprou, isso é claro. infelizmente, nos mulheres é que temos que estar alerta, tomar cuidado e nos proteger. uma das formas é nao bebendo, é estando sempre consciente. alcool nao faz nenhuma falta pra ninguem, a nao ser para os alcoolatras.

e quanto aos homens, bom, nao ha muito o que dizer. todo mundo sabe como eles sao e o que querem.

clarice

Anônimo disse...

Lola, só uma informaçãozinha: parece que sites de ódio e direitóides estão sendo boicotados por empresas da internet. O Olavo de Carvalho, recentemente, publicou um artigo mimimizando que o Google o classificou como perigoso, portador de malware. O mesmo aconteceu com avoiceformen.com, um site masculinista que faz apologia à violência contra mulheres foi classificado como grupo de ódio pelo Norton Antivírus.

Sara disse...

anon 15.46hs
tb achei maravilhosa entrevista com a Regina Navarro..

Ju disse...

Lucio Ferro, o SeekingWisdom já te mandou à merda (merecidamente).


Rob, me sinto livre pra fazer o mesmo com você que está querendo jogar a culpa na vítima com esse seu comentário. Va à merda! E pense sobre isso.

Priscila Boltão disse...

Obrigada por dividir sua história. Eu sinto muito q vc tenha passado por isso, mas eu me sinto melhor quando vejo alguem q passou pelo mesmo q eu e teve as mesmas duvidas - eu nao estava bebada no meu caso, mas sempre me pergunto se eu não devia ter sido mais clara ao dizer que não, resistido mais, lutado mais, se ele não achou que eu estava querendo - mesmo eu tendo dito que nao e ficando imovel quando ele continuou - enfim, eu sei lá. Só sei q é bom saber q a culpa nao é minha e sim dessa cultura.

Priscila disse...

Anon das 15:02

O culpado é o estuprador.

Ponto.

Não existe estupro justificável.

Anônimo disse...

Será que ela está sendo justa em tomar tudo como estupro?

Sim. Está.

Anônimo disse...

Um dia, quando criança, dormi com meu primo 2 anos mais velho, e me lembro de acordar sem blusa com ele mexendo na minha vagina. Até aí ok, achei que eramos crianças demais e não deveria me importar com isso.
Lendo agora esse relato, onde ela diz que o que aconteceu com ela quando menor refletia nos relacionamentos futuros, percebi que isso influenciou quem eu sou, sexualmente falando, hoje.
Não consigo falar não, cedo muito facilmente e diversas vezes fiz coisas que na verdade não queria.
Estou em choque.

Mariana disse...

Incrível como em posts sobre estupro sempre aparece homens de benZZzzz pra pôr em dúvida a palavra da vítima.
Me dá nojo esse sentimento de proteção que até mesmo caras que se consideram "legais" fazem pra proteger estupradores,espancadores e pedófilos.
Você podem irem se foder com um cactus porque ninguém precisa de imbecis misóginos nesse blog maravilhoso.

Anônimo disse...

R. (autora do post)

Anonimo das 11:20

Entendo sua duvida, pq eu tbm a tive. Ja passei por outros eventos qdo criança de exploração da minha sexualidade, mas com outras crianças de idade semelhante a minha.

Acho que nesse caso a diferença se deu pela diferença de idade (7 anos) e principalmente pq havia uma relação de dominação/superioridade. Eu fazia o que meu parente pedia pq n queria decepciona-lo, pq o amava. Ele pedia com jeito, dizia q n tinha nada demais.

Agora qdo são duas crianças brincando, sem esses elementos de coerção, não tem nada demais, pelo que eu entendi na terapia.

Anônimo disse...

Sempre a estorinha é mesma estão drogadas ,bêbadas e a culpa é do HOMEM.... quando é que vcs vão assumir realmente suas respectivas responsabilidades?

Rob disse...

Engraçado que vc pode ler o blog da Lola por anos.Apoiar o feminismo e conhecer outros blogs feministas por essa blogosfera afora.Mas se vc faz uma observação que não condiz com o script de um post vc é machistão malvadão estilo Doutrinador.Ah tá,brigado.

Anônimo disse...

Anônimo disse...
Será que ela está sendo justa em tomar tudo como estupro?

Sim. Está.

12 de fevereiro de 2013 18:23

High five máximo
Os machinho revoltz queriam que ela ficasse quietinha e perdoa-se o pobre estuprador.
White male tears /snif

Anônimo disse...

Anônimo disse...
Será que ela está sendo justa em tomar tudo como estupro?

Sim. Está.

12 de fevereiro de 2013 18:23

High five máximo
Os machinho revoltz queriam que ela ficasse quietinha e perdoa-se o pobre estuprador.
White male tears /snif

Beatriz disse...

Pra quem tem dúvida sobre abuso sexual entre crianças: quando eu tinha 10 anos fui abusada por um garoto de 11 que estudava comigo. Eu me lembro que durante um intervalo ele agarrou me braço e começou a me levar para a biblioteca. Quando perguntei o que ele estava fazendo, disse que eu iria beijá-lo "querendo ou não". Entrei em pânico e tentei correr, mas ele era mais forte que eu. Não quero entrar em mais detalhes, mas fiquei traumatizada. Aquele tinha sido o meu primeiro beijo e fiquwi me sentindo com culpa e vergonha.
Uma brincadeira que não é consentida deixa de ser uma brincadeira. Crianças não estão livres de serem cruéis. A gente tem que parar de teatá-las como se todas fossem anjinhos ingênuos.

Rob disse...

Alias,me mandaram a merda e me acusaram de jogar a culpa na vitima.Gostaria de saber Ju,culpa de que?

Anônimo disse...

Qe tal mandar esse relato para ele entender seu ponto de vista. Se ele tivero minimo de carater ira se sentir mal. Diga para ele nunc amais fazeroutra mulher se sentir assim.

R.B. disse...

extremamente inspirador, esclarecedor, nem sei, esse post, e o que está linkado tbm. Escrevi algo sobre e linkei no meu blog este teu post, Lola. Me blog é o http://escrevendopraviver.blogspot.com.br/

abraços!

MonaLisa disse...

Eu tbm fui estuprada por dois caras e tenho ódio disso.

Estava consciente e todos os detalhes estavam contra mim, era madrugada, ninguém sabia que eu sai, o porteiro do condominio ia ficar a favor deles, segundo eles me disseram.

Eu não conhecia o feminismo e não sabia que era estupro, mas por muito tempo pensei em matar eles de tanto ódio. Mas teria que matar o porteiro também. E acabar na cadeia por causa daqueles lixos.

Mas não contei pra ninguém, exatamente pra não aguentar lição de moral e o julgamento de um monte de idiotas.

E agora meu irmão deu pra ficar tentando me estuprar, mas eu contei e ainda ouvi que a culpa é minha, por causa dos shorts, por q ando de calcinha. Aff

Eu não vou me vestir pra não 'atiçar' ele. Mas qdo to sozinha com ele em casa, fico uma tesoura do lado e quando ouço ele andando, eu fico com a tesoura na mão e ele vê.

É triste, parece que nunca acaba esse ciclo. Qualquer homem pode ser um potencial estuprador. :(

Luiza disse...

Além da óbvia covardia de estuprar que está apagada, só eu percebo tendências à necrofilia nesses sujeitos?
Fazer sexo com quem está de olho fechado, dormindo ou apagado, sem se mexer... me lembra um cadáver.

Anônimo disse...

R. (autora do post)

preciso também achar um post (de alguma pagina feminista) que explica que os homens sabem muito bem quando uma parceira não esta consentindo, embora não esteja articulando isso em palavras.

A linguagem não-verbal e poderosa e eh compreendida nas mais diversas situações. E convenientemente ignorada em situações de estupro, quando eh exigido que as mulheres sejam mais claras, que gritem e arranhem de preferencia. Ao mesmo tempo que somos ensinadas a nunca recusar um homem de forma enfática, pq eh rude. Mais na linha do "não posso" do que "não quero".

Anônimo disse...

LOLA< MANDEI UM COMMENT COM MINHA CONTA GOOGLE. Por favor apague. Grata.

R.

lola aronovich disse...

R, eu vi que vc mandou dois comentários com sua conta Google, e não os publiquei. Consigo recuperar esta parte do seu comentário sem publicá-lo (o resto só consigo ler se publicá-lo, e não vou fazer isso).

R disse:
" R. (autora do post) Rob, eu so escrevi o post depois de muita reflexão (coisa de anos) e muitas, muitas sessões de terapia. Eu já consegui delimitar o que aconteceu de fato e o q pertence a zona cinza. E na parte em que a minha roupa foi retirada eu estava desacordada (tanto que acordei durante o ato). E acordei bastante assustada. Sei o que eh uma noite de sexo ruim também. Tive varias, as vezes alcoolizada. As vezes simplesmente com caras com quem a química não bateu, e se soubesse de antemão, não teria transado. Quem nunca? Mas eh totalmente diferente desse caso. Entendo que por mais completo que seja um relato, quem vê de fora não tem a dimensão total. Mas tem 1001 elementos de não consensualidade, e talvez ate de premeditação por parte do cara. E vc pode ser feminista e tudo mais, e suas duvidas n terem maldade nenhuma. Acredito nisso, tanto que estou te respondendo. Mas a sua atitude agora não se diferencia do senso-comum, que coloca a duvida ' sera que foi mesmo ' "...

Anônimo disse...

Concordo plenamente que o homem tem de ser educado, e a mulher tem de ser ensinada (exceto na condição de vulnerável) a ter coragem e insistir em dizer NÃO.
Eu fugi de um abuso aos seis (era precoce e bem instruída) e fiquei passiva em dois momentos outros momentos com homens abusivos (por fragilidade emocional). O sentimento de culpa e frustração por ter me permitido ser fraca me acompanhou muito tempo, ainda que, lendo sobre casos de violência eu considere que até tive sorte.

Anônimo disse...

R.

Obrigada Lola. Eu sempre estou logada e respondi no calor do momento.

Soh para completar a mensagem para o Rob.

O que eu quero dizer eh que em varias modalidades de estupro, inclusive no de vulnerável que inclui álcool e outras drogas, a unica coisa que a vitima pode dizer para deixar claro que ela não queria EH DIZER QUE ELA NÃO QUERIA, entende?

Eu sei disso mesmo estando bêbada e deixei claro no post.

Eu entendo as comentaristas furiosas com vc (embora eu n esteja). Eu não tive marcas no corpo, só algumas pequenas lacerações vaginais. Como mais eu poderia explicitar o que aconteceu? Eh diferente de eu mandar um texto pro blog da Lola contando um caso e perguntando "foi estupro?". Eu sei que foi, ninguém melhor que eu pode saber.

Claro que seria diferente no aspecto jurídico, seria difícil provar. E sou a favor da presunção da inocência para estupradores, pra qualquer um! So acho que tbm temos muito a avançar na condenação dos mesmos, que tente a acontecer soh no caso estuprador-no-beco-escuro.

Agora perceba que uma coisa eh prova no aspecto jurídico, outra eh dar apoio a uma vitima que conta sua historia num blog. No minimo devemos assumir que eh verdade e dar apoio. A sua duvida poderia me deixar mal, me fazer entrar em uma espiral de culpa e incerteza. Ja pensou nisso?

Soh que eu tive acompanhamento profissional e enviei pq tinha certeza que podiam vir 1000 trolls fazendo pirraça que eu n ia me abalar. Nao to dizendo que vc eh troll, ta? Soh to pedindo um pouco de empatia pq a próxima poderá ser uma vitima ainda em sofrimento.

Rob disse...

Bom,de certa forma foi mesmo essa a intenção,pois levo a internet como uma oportunidade de discussão.Se expus minhas perguntas em um tom grosseiro peço desculpas,e realmente,eu não estava lá para julgar,nem é essa minha intenção de qualquer forma.Sei que as feministas de todos os blogs, fóruns comunidades,estão cansadas de ouvir argumentos desrespeitosos para com as vitimas.Mais uma vez,peço desculpas se fui insensível. Na internet as palavras podem soar mal pq não se pode perceber o tom da voz das pessoas.

Liana hc disse...

"E que não se mexe em pessoa inconsciente, a não ser pra ajudar. Parece tão óbvio, mas no nosso mundo doente infelizmente não é."

Coisa tão óbvia e tanta gente tenta distorcer, relativizar, minimizar. Conheço tantas colegas que já passaram por isso. COMO CO-MO C O M O que alguém pode ver uma pessoa inconsciente, semi-inconsciente, passando mal, bêbada, drogada ou seja lá o que for e, sem nem cogitar ajudar, pensar "uhm, taí uma boa oportunidade para tirar uma casquinha...". Não vejo nada de inocente ou tolinho em quem faz isso. Pior ainda é se a pessoa tá ali incentivando a outra a beber, carregando pro carro, parando na casa de colega, botando na cama, baixando a roupa de alguém inconsciente, tira-bota, transporta a pessoa pra outro local feito boneca... até a consumação do ato o sujeito teve N, eneee, oportunidades de parar. O povo precisa dar um tempo com esse papo de "tadinho, ele não sabia o que fazia". Sabia sim, só era mais conveniente ignorar.

Anônimo disse...

Sawl - The Rebel


PARA Anônimo MISÓGINO das 19:19


Vou responder sua pergunta.
"quando é que vcs vão assumir realmente suas respectivas responsabilidades?"

PRIMEIRO: Quando uma mulher tá bêbada, drogada ou em outra ocasião vulnerável, a culpa NÃO é do homem...é do ESTUPRADOR!
Homem que obriga sexo seja por meio de coação, ameaça ou pela vítima NÃO ter como se defender, não é homem, é um rato covarde!
Quanto à sua pergunta, te respondo com outra, quando vc vai assumir SEU PRECONCEITO, SUA MISOGINIA?!

Vc é um cara imbecil, misógino, mais um que se não violenta ninguém, faz festa pra quem, comete este ato hediondo.
Você sr Anônimo, NÃO é homem, é um COVARDE!
Vc NÃO honra as calças que veste.
Repense sua falta de empatia e até mesmo seu ÓDIO não só pelas vítimas de violência sexual, mas, tb por todas as mulheres.
SUa mãe deve ter um baita DESGOSTO de ter dado à luz a um LIXO misógino como vc!

Sawl - Still Rebel

Ju disse...

"Sempre a estorinha é mesma estão drogadas ,bêbadas e a culpa é do HOMEM.... quando é que vcs vão assumir realmente suas respectivas responsabilidades?"

TRADUÇÃO

Não posso nem estuprar uma mulher bêbada/drogada/desarcodada mais que vão colocar a culpa em mim?
snif

Aline A. disse...

Lola, eu concordo com o anônimo das 20:41, que diz que precisamos educar as meninas a dizer não.
Um estudo australiano http://yesmeansyesblog.wordpress.com/2011/03/21/mythcommunication-its-not-that-they-dont-understand-they-just-dont-like-the-answer/ mostra que a “desculpa” mais utilizada por estupradores é que suas vítimas não disseram “não” diretamente. As mulheres não são ensinadas a recusar diretamente propostas sexuais, pois seriam consideradas mal-educadas. Então elas recusam de maneira mais educadinha, mas o cara finge que não entende e a estupra.

A maioria dos casos de estupro nada tem a ver com aquela história do cara com a touca ninja pulando de tras do muro. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro mostram que, dos 5.055 estupros notificados em 2011, grande parte foi perpetrada por amigos ou conhecidos (1.333 casos), pai (477 casos) ou padrasto (444 casos) (fonte: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2013/1/20/registros-de-estupro-crescem-no-brasil).

Um estudo (http://scholarship.law.duke.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1109&context=djglp) mostra que não existe uma correlação entre a roupa da vítima e o estupro (todas as fontes citadas estão no excelente artigo da Natasha no Bule Voador http://www.bulevoador.com.br/2013/01/evitando-o-estupro/#more-39002, leiam que vale a pena).

O que na verdade os estupradores SABEM é que, utilizando o discurso do senso comum sobre o estupro, é muito mais fácil que eles se livrem da acusação.

Sabe, Lola, com base sobre o que eu tenho lido sobre estupro recentemente (e eu estou lendo muita coisa), tenho pensado seriamente em fazer um manual para garotos (como não estuprar) e garotas (se prevenindo em situações de risco). A merda é que eu sou a rainha da procrastinação.

Para R.: força, irmã. E sim, todas nós (até as validadoras) somos irmãs.

Lillian Cardoso disse...

Mais uma vez esse assunto é destaque no blog, e acho de extrema importância que ele seja abordado com frequência. As pessoas acham que estupro é só aquilo que acontece entre um estuprador violento e uma senhora idosa nos becos escuros da cidade, quando na verdade, acredito que o estupro de vulnerável seja o tipo de estupro mais comum a acontecer por aí. Justamente porque ninguém encara como estupro. Porque existe o maldito ditado que diz "c# de bêbado não tem dono".

Estupro de vulnerável é estupro e está claro como água no Código Penal. Não há o que discutir; há o que evitar. Muitos questionaram a bebedeira da garota, tentando defender o estuprador dizendo que "ela se colocou em situação de risco". Pois saibam que esse é o mesmíssimo pensamento do policial canadense que gerou a marcha das vadias {"garotas são estupradas porque se vestem com roupa curta"). Na cultura do estupro, há sempre algum motivo para defender o estuprador e culpar a vítima. "Quem mandou beber demais e não zelar pela própria integridade?", "ela estava com roupa curta demais", "ela estava rebolando a bunda e pedindo pra ser estuprada". Isso tem que acabar. Estupro é estupro e a culpa é de quem estupra.

No mais, sei que algumas pessoas não gostam do Papo de Homem, mas achei esse texto do Alex de Castro a respeito do estupro de vulnerável excelente. A mensagem dele é simples e clara: "na dúvida, não estupre - mesmo que no age da euforia a garota pareça ter consentido". Vale a leitura:
http://papodehomem.com.br/estupro/

Anônimo disse...

Vamos ver se vc não censura meu comentário dessa vez...De novo: se eu estiver dormindo e uma mulher me der um beijo, é estupro?

Anônimo disse...

"Sempre a estorinha é mesma estão drogadas ,bêbadas e a culpa é do HOMEM.... quando é que vcs vão assumir realmente suas respectivas responsabilidades?"

Aproveito a deixa do mancebo e pergunto aos homens que frequentam o blog da Lola:

- Quando os homens assumirão as responsabilidades pela violência que praticam contra as mulheres?

As mulheres têm sido responsabilizadas pelos problemas do mundo há milênios. As mulheres têm sido responsabilizadas pela violência de que são vítimas há milênios.

Homens não são racionais? Homens não são capazes de escolher as ações que realizam?

Afinal, quando os homens assumirão suas responsabilidades? Quando assumirão as responsabilidades por optarem pelo uso da violência?

O rapaz fez uma escolha. Ele sabia o que estava fazendo e o que queria quando levou a garota para a república e não para a casa dela. Ele escolheu cometer uma violência. Como todos os outros homens de relatos semelhantes ao da moça do post. Todos esses homens escolheram a violência sexual. Todos sabiam exatamente o que estavam fazendo.

Parafraseando o mancebo anônimo:

É sempre a mesma estorinha: cometem a violência e depois querem responsabilizar a mulher. É de uma hombridade a toda prova!

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Nossa, e eu me achava "barra pesada" por servir bebidas leves à pretendentezinhas para quebrar o gelo. O_o

Uma vez uma namorada minha ficou passando mal pelo álcool, convenci ela a se alimentar para evitar hipoglicemia, beber liquido para evitar desidratação e ir deitar pois ela estava cansada. Eu ajudei ela a se deitar, Arrumei ela para ficar lindinha, cobri ela, dei um beijinho de boa noite e dormi no chão mesmo, já que bebida nos deixa tontas e enjoadas quando deitamos, ela não se sentiria bem na conchinha e não consigo mimir sem ser na conchinha e não resistiria a abraçá-la u.u

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Não consigo ver muita diferença entre deixar uma guria inconsciente com um porre, dardo tranquilizante ou alcool. O último não é mais que uma forma ineficiente do famigerado "Boa noite, Cinderela".

Se alguém deixa alguém bêbado para estuprar, acho que além do estupro, deveria ser julgado por ministrar substância entorpecente afim de tirar a consciência da pessoa.


Alias, uma dica para as meninas: Tenham consigo pílulas de cafeína. Qualquer farmácia de manipulação as faz por preços mínimos e 120mg é o suficiente. Quando sentirem que a bebida está deixando-as em uma situação de forte vulnerabilidade, usem a cafeína como emergência e procurem se alimentar apropriadamente enquanto bebem para evitar hipoglicemia, que também é um problema sério.

Anônimo disse...

Se eu te acuso de um crime você é inocente até eu provar o contrario ou você é culpada até que você prove o contrario ?

Anônimo disse...

gente, é obvio que um estuprador é fruto da sua criação, da cultura do estupro, da sociedade machista, mas nao é por isso que a gente tem que passar a mao na cabeça deles e dar uma segunda chance. poxa, errou? tadinho, na proxima ele aprende a NAO ENFIAR O PAU NUMA PESSOA DESACORDADA. ah, pelamordedeus, viu? qualquer retardado mental sabe q é pra deixar pessoas que estao dormindo em paz (e ajudar pessoas q estao passando mal a recuperar os sentidos). nao forcem a barra, TODO ESTUPRADOR SABE QUE É ESTUPRADOR. ele pode nao querer assumir e usar essa palavra, mas ele SABE.

e concordo com a beatriz: crianças que abusam sexualmente de outras SABEM que estao erradas, do contrario nao fariam isso ESCONDIDAS. brincadeira só tem graça quando os 2 estão gostando, se uma criança força outra a fazer algo, já é um abuso. mesmo que ela nao possa responder legalmente por aquilo, já é MORALMENTE errado e repreensivel. jamais vou entender quem tenta por panos quentes para aliviar o lado do estuprador. eu nunca abusei de ninguem, nunca toquei em ninguem contra a vontade, jamais faria isso, jamais passou pela minha cabeça, jamais tive duvidas se meus atos foram abusivos e estavam errados. sempre agi corretamente, respeitando os outros. se eu consegui, qualquer um consegue.

Anônimo disse...

Aprendi que não se deve aceitar bebida de homens desconhecidos na balada, ta ai mais uma afirmação.

Lucio Ferro disse...

Que interessante o pessoal me mandando à merda por eu dizer que as pessoas devem ser responsáveis em relação ao uso de drogas. De repente vocês acham uma boa as pessoas (homens e mulheres) se drogarem até desmaiarem e depois reclamarem de abusos (sejam de homens ou mulheres, de natureza sexual ou não). Gostaria que algum de vocês que estão me insultando explicassem o que há de errado na minha opinião, ainda mais considerando que costumo usar todo tipo de droga que tenho vontade, já passei por poucas e boas situações de fragilidade devido a abusos e estou compartilhando um conhecimento, advindo de experiência, que pode ajudar muita gente. Não estou partindo de uma visão idealizada de mundo como muita gente aqui... também gostaria de viver em um mundo em pudéssemos confiar cegamente em todos à nossa volta, mas infelizmente no mundo em que vivemos isso ainda não é possível. Eu mesmo já quase morri estilo Jimmy Hendrix, se não tivesse um amigo de verdade por perto pra me ajudar. Estou afirmando que essa questão vai muito além do sexismo.

SeekingWisdom perguntou:
" que mundo é esse em que não posso cometer um deslize senão as pessoas ignoram qualquer direito sobre meu corpo?"

Chama-se mundo real, e infelizmente ele é um dado com o qual temos que lidar até o momento em que formos capazes de construir uma sociedade sem machismo. Não adianta ficar só protestando contra as manifestações da cultura machista esperando uma boa fé que não existe na sociedade. Claro que as meninas podem ignorar minha colocação e literalmente SE FODER de forma aleatória na mão de todo tipo de crápula que anda por aí, mas eu preferiria que não.

Quanto à parte do meu relato comparado ao da autora, não pretendia entrar em detalhes gráficos, em nome da discrição, mas já que percebo certa confusão (e até especulação) quanto ao que eu disse, vamos esclarecer:

SeekingWisdom perguntou:
"o que vc quer dizer por ativo? O que é ser passivo e ativo?"

Você interpretou o que eu disse como se tivesse alguma profundidade psicológica, mas eu estou falando simplesmente de "comer" ou "dar", mesmo (com o perdão de quem possa se sentir ofendido com os termos) como se diz entre os gays. Quis dizer que é difícil um cara comer alguém se ele estiver desacordado, mas que é possível um cara comer alguém mesmo se ele estiver inconsciente. Assim como é impossível uma mulher tirar a roupa desacordada, mas é possível ela tirar a roupa enquanto está inconsciente. Simples assim. Discorda? Argumente ao invés de me mandar à merda.

Moral da história:
As pessoas fazem as coisas mais estúpidas do mundo quando estão profundamente chapadas e muitas vezes nem dependem das ações de outras pessoas para se dar mal.

Dica: Evitem se drogar até o nível da inconsciência, meninos e meninas. E isso inclui álcool.

Anônimo disse...

Eu sinto lendo texto que ela ainda se senti culpada, nao foi sua culpa! O cara ja tinha a intençao de te estuprar. Nao importa se vc bebeu muito ou nao. E tem mas ensinar a mulher falar NAO tudo bem, e quando falamos NAO e o cara nos da uma porrada na cara?? Temos que ensinar as todos o respeito com o proximo, nao so a mulher.
abraços

Dayane disse...

Lola, eu não gosto muito dessa coisa que estão fazendo de trazer para o literal as histórias dos contos de fadas, pq elas não representam o mundo real e elas foram distorcidas pela Disney.
Quem estuda psicologia analítica, cm eu, sabe que na verdade, os contos de fadas são alegorias sobre a nossa psique, o nosso inconsciente. cada pessoa tem um papel importante na história, cada elemento representa uma função cerebral etc, coisas complicadas de expressar agora.
No caso de A bela adormecida, a Bela representa a Anima, a polaridade ligada a intuição e a afetividade, mais comum em mulheres por fatores sociais, cm a criação,etc. Quando a anima não está bem sustentada e bem preparada,ela cai em armadilhas e permanece adormecida, assim cm ela pode perder-se em devaneios e tornar-se passiva. O príncipe no caso representa o Animus, a polaridade mais assertiva e agressiva. Uma pessoa que tem apenas a Anima desenvolvida, seja homem ou mulher, está propensa a cair em fantasias, o Animus desperta para a consciência, a Anima representa o inconsciente. O p´rincipe, no caso, enfrenta muitos desafios e lutas, que representaria a nossa luta interior para nos redescobrirmos e voltarmos a integrar nossas duas partes, a Anima e o Animus. O beijo seria o desperatr do inconsciente para a aconsciência, a união das duas polaridades.
Bem, essa é a leitura psicológica, podemos ter leituras sociais e etc.
Mas ainda assim, acho pesado de mais acusar uma pessoa de estupro por ter te dado um selinho enquanto vc dorme. Estupro é uma acusão grave de mais para ser levada dessa forma.

Quanto a garota do post, só posso me solidariezar.Graças a Deus que hj ela está bem e espero que continue com a terapia, que só fará a ajudá-la muito.

SeekingWisdom disse...

Ei pessoal, alguns comentários
Rob, vc leu o comment que eu fiz pouco acima do seu? Quando os dois estão embreagados tem q observar se houve premeditação e observando os fatos do relato, houve. E olha, vc n se torna uma pessoa diferente quando está bêbado - como diz a lenda - se vc tiver educação para respeitar o limite dos outros vc vai interpretar todos os 1001 sinais de que a coisa não estava certa direito.

Monalisa, n deu pra entender detalhes do seu caso, mas saiba que se vc era menor de idade o crime só prescreve 5 anos após vc completar 18 anos (alguém me corrija se isso estiver errado, mas tenho quase certeza). Vai do teu desejo. Sei que as provas físicas são difíceis, mas há outros elementos importantes que podem servir de prova (se vc tivesse o testemunho do porteiro babaca, por exemplo).

Sawl, ótima resposta ao troll.

Aline, acho ótimo o que vc disse, só queria adicionar que é necessário educar crianças (sem distinção de gênero) para uma vida sexual saudável. Meninos também sofrem violência sexual e também podem ter os traumas de um abuso. Outra coisa é que as brincadeiras de criança podem chegar nesse lado e nem sempre elas são despretenciosas e isentas de violência. Assim, acho que todxs devem ser ensinados, desde a infância, a respeitar o limite do corpo do outro e a saber impor os limites do próprio corpo.

Abraços, Phillipe

Rosana disse...

Eu só acho perigoso a forma como algumas pessoas estão tendendo a adotar um determinismo com relação a este assunto. Pessoas que tiveram uma experiência até boa por terem sido "pegos de surpresa" e não tinham duvidas de que tinha sido algo nada mais que inusitado agora perguntando PROS OUTROS: "fui estuprada???"
Ué. como assim você não sabe se foi estruprada? não se sentiu constrangida, envergonhada, desrespeitada, machucada física e psicologicamente? Você não pode perguntar PRAS OUTRAS PESSOAS se você foi -ou se sentiu- agredida. Isso parte exclusivamente de você, não se pode adotar a mentalidade de rebanho pra lidar com um assunto tão sensível e pessoal. Você não precisa adotar a postura de vítima só porquê disseram que você deveria, ou porquê alguém determinou que assim o fosse.
Uma coisa é ter toda aquela mágoa por ter feito algo com o qual não concordava, de ter sido forçada, mas não ter a consciência de como chamar isso. Quando você se conscientiza do que pode ser chamado de estrupro, imediatamente você se identifica. Outra coisa é ter tido uma experiência que você considerou boa até hoje, mas porquê alguém falou que o homem é bicho mau e que você DEVE se sentir estuprada, você desiste de tudo em que acreditou até hoje.
Não concordo com a ovelhaterapia. Quando adotamos a mentalidade de rebanho, descartamos o senso crítico... e isso nunca é bom para nenhum movimento, perde a fundamentação.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Lucio Ferro,

Curte drogas, é? Papo de Psiconauta para Psiconauta ;)

Se eu exagero no alcool e perco a consciência: A culpa é minha.

Se eu misturo alcool com efedrina(sim, eu já fiz isso =S), tenho um ataque psicótico e não apenas xingo minha amiga, como o faço como um animal sem inteligência(ainda bem, ela tem problemas psicológicos e um mindfuck cruel e inteligente destruiria ela): A culpa também é MINHA.

Se eu encho meu rabinho de anfetaminas e faço atos sobrehumanos que me ferem, durmo por 16h após seu efeito e perco um compromisso: A culpa também é minha.

Se eu uso ecstasy, tenho uma desidratação por não beber água: A culpa também é minha. (Esse eu nunca fiz =P)


Mas se por QUALQUER razão eu perco a consciência, e algum infeliz enfia o pau em mim, NÃO, a culpa NÃO é minha, a culpa é do FDP Sem Costumes!!!
Se eu vou para uma festinha de amigos e encho a cara, a última coisa que eu deveria me preocupar em uma sociedade civilizada é se serei estuprada se exagerar, concorda?

MonaLisa disse...

SeekingWisdom

Já faz quase 10 anos. Eu tinha 15 e eles 14 e 17 anos.

Mas depois tbm não queria que ficassem privando de sair ou ficassem me vigiando.

Carol NLG disse...

Lucio Ferro,

vamos lá. Pela sua lógica, ao beber demais a pessoa se torna totalmente responsável por tudo que é feito à ela, certo?

Então, na sua lógica, se alguém beber demais, pegar um taxi pra ir pra casa, for assaltado no taxi e deixado no canto da rodovia, na verdade a pessoa não foi assaltada. Doou o dinheiro pro taxista. Não é isso?

Ou, um caso que eu acompanhei na época da faculdade: pessoa bebeu demais, mulher convenceu o sujeito a "vender" o carro pra ela em troca de 50 reais. A própria mulher ficou fazendo o cara beber, talvez já com essa intenção. Era um carro que valeria coisa de R$ 25.000 em situações normais. Quando ele voltou a si, deu queixa como roubo, e ganhou. A mulher foi condenada por fraude. Pela sua lógica, não devia ter sido condenada a nada, o cara teria vendido o carro por vontade própria?

Coloco esses exemplos porque percebo que, muitas vezes, as pessoas tem mais empatia em crimes contra o patrimônio que em crimes contra a pessoa!

Lucio Ferro disse...

Raziel, legal camarada psiconauta, concordo plenamente... mas em nenhum momento eu estou colocando ou tirando a culpa sobre alguém, estou simplesmente dizendo que existe uma dimensão em alguns casos de estupro que as pessoas ignoram, que é a do abuso de drogas tanto do estuprador como da vítima, e que muitas vezes essa situação poderia ser evitada com um pouco de prudência qualquer uma das partes. Como evitarmos isso individualmente? Só prestando solidariedade às vítimas e protestando sobre o fato de que vivemos em um mundo triste onde "cu de bêbado não tem dono"? Imagine quantos machistas estupradores estão lendo os comentários sobre esse relato e a partir de hoje jamais estuprarão uma mulher. Meu palpite é: zero. Então como nada que eu possa comentar aqui afetará machistas estupradores, que não imagino gastando seu tempo lendo blogs desse tipo, fica uma dica sobre uso de drogas, pras meninas deixarem de vacilar, porque esse tipo de tragédia não tem a ver apenas com machismo, mas com vários outros problemas graves de nossa sociedade. Prefiro que as pessoas desenvolvam uma perspectiva feminista sem necessariamente serem estupradas.

Anônimo disse...

Dayane, acho que vc não abriu o link que a Lola postou. Na história original de a Bela Adormecida consta que o príncipe a encontra desacordada e, ao invés do beijo, ele a estupra!!!A bela adormecida engravida desse ato e dá a luz a gêmeos e só recobra a consciência depois que um deles confundir o dedo com o mamilo e acaba por retirar a substância entorpecente que haviam dado para a bela. Logo depois, o príncipe retorna ao mesmo local para ter sexo com a bela, imaginando que ela estivesse ainda desacordada...Que príncipe mais oportunista, não?!!Daí a gente pode concluir que a cultura de estupro vem de tempos longínquos, pois o mesmo texto afirma que essas estórias advém da tradição oral, sendo transmitidas de geração em geração.

Abçs! Patrícia

Gabriela disse...

Nada a ver com o post mas eu não podia deixar de comentar isso aqui.

Loira é burra?
Mulher não possui a mesma capacidade intelectual q o homem?

Viva o fim dos estereótipos!
Adolescente de 16 anos tem QI maior que o de Albert Einsten

http://br.noticias.yahoo.com/adolescente-de-16-anos-tem-qi-maior-que-o-de-albert-einsten-212357252.html

Anônimo disse...

Carol NLG


Se entorpecer no meio de estranhos é o mesmo que se entorpecer no meio da savana africana...
Se um leão te comer a culpa vai ser dele ,mas convenhamos vai ser bem melhor pra TI se isso não acontecer.

Anônimo disse...

Lucio,

a questão proposta pela Lola é de porque alguns homens acreditam que é lícito fazer sexo nesta situação. Do ponto de vista da vítima já falamos muito. E do ponto de vista do estuprador? Este é o ponto que gostaríamos de ver tratado aqui. Sempre falamos muito da vítima. Chegou o momento de falarmos sobre o agressor e sobre a agressão. Estás disposto a isto?


Larissa disse...

Se entorpecer no meio de estranhos é o mesmo que se entorpecer no meio da savana africana...
Se um leão te comer a culpa vai ser dele ,mas convenhamos vai ser bem melhor pra TI se isso não acontecer.

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Já foi-se o tempo em que seres humanos eram considerados seres racionais.

SeekingWisdom disse...

Lucio Ferro,
desculpe o termo chulo, mas esse tipo de argumento é extremamente frequente para casos de estupro. Acho que Raziel e a Carol NGL te deram bons argumentos. Queria adicionar uma coisa. Faz parte do privilégio masculino poder beber e se drogar sem o risco eminente de um estupro. Independente do estado a culpa nunca é da vítima e também meio que respondendo ao anom 15:02 culpa no sentido de atribuir uma relação causal entre se entorpecer e ser abusado.
Sobre ativo e passivo não é que interpretei errado, é que esses termos são passíveis de outras leituras no feminismo, bem como aquela história de só entender como sexo penetração. Nem foi um ponto, no entanto, sorry.
Como eu disse no primeiro comment, eu acredito que as pessoas devam ser educadas para exercer responsabilidade, ou seja, medir riscos, previnir-se, até aí blz. Não acho que as pessoas não tenham direito de 'sair da casinha' de vez em quando e gostaria que as pessoas procurassem ambientes e companhias que permitam isso acontecer sem riscos à sua integridade. Quem quer usar drogas meu conselho é o mesmo. Avalie local e companhias.
Não estou fazendo apologia, mas tampouco subjugo outros aos meus padrões morais.

Anom 15:02, sob qual perspectiva vc quer abordar a definição de culpa colocando ela sobre a vítima legal de um estupro? O Estado é responsável pelas ações de seus subordinados, mas esses subordinados não ficam isentos de responsabilidade - exceto quando o livre arbitrio foi impedido.

Abraços, Phillipe

Camila disse...

Li todos os comentários até agora e ninguém comentou o seguinte fato:

O ato sexual entre vítima e estuprador foi INTERROMPIDO.

Mesmo assim a *vítima* permitiu que o *estupro* continuasse. Não bastasse isso, a *vítima* manteve contato com o *estuprador* e deu a impressão de não ter gostado do fato de que ele foi *frio* durante a conversa.

Alguém pode por favor me explicar essa dinâmica?

Se estiver errada por favor me corrijam e me forneçam fontes (se possível) mas onde já se viu a vítima deixar o estupro se consumar e manter contato com o estuprador por pura e espontânea vontade?

O nó dentro da minha cabeça está dífícil de ser desatado.



Dayane disse...

Não vi mesmo esse link, anônimo, obriago por me avisar!
Ainda assim, cm eu disse, os contos de fadas tem várias leituras. Tem essa leitura que disse, da psicologia analítica, onde é analisado um beijo mesmo, não um estupro. Mas pode ser que tenha essa versão da história,com certeza, pois cm vc disse, se analisramos pelo conto de tradição oral, os contos de fadas (que nem eram de fadas antes, isso de ter fada, bruxa, príncipe e princesa veio muito depois, antes eram pessoas reais) eram contos de moral e de alerta. Chapeuzinho vermelho era estuprada e comia a carne da avó, bebeia seu sangue cm se fosse vinho. João e Maria tbm eram devorados pela velha má, nada era adocicado cm depois foi.
Mas uma coisa que estudamos muito na psicologia analítica é a questão arquetípica, ou seja: a mesma história pode aparecer em diversas culturas que nunca tiveram contato!Nesse caso, pode haver essas duas versão de A bela adormecida, uma feita para contos de moral, e uma que é alegoria psiquica.Para vc ter uma ideia, o mito grego de Perséfone , o mito africano de Euá e a história de Rapunzel tratam do mesmo arquetipo, o mesmo personagem!Muda-se apenas os nomes e molda-se com a cultura na qual a história é inserida, mas a estrutura da história é a mesma.
Mas poxa, que bizarra essa versão!

Grão da Noite disse...

Não tem nada a ver com o post, mas, como tem muito a ver com vários outros posts, resolvi colocar aqui.

The Nu Project:

Doei 10 dólares.

A fine-art book featuring non-models photographed in their homes sharing their personal spaces and unique beauty. thenuproject.com
Launched: Feb 7, 2013
Funding ends: Mar 9, 2013
Remind Me
Six years ago, Matt started The Nu Project (thenuproject.com) with the idea that women of all shapes and sizes deserve to be photographed beautifully as fine art nudes. His subjects, called un-models, were volunteers through word-of-mouth or Craigslist--they came with their stories, their successes and failures, their scars, their survival of abusive relationships, their tales of triumph over body image--and he photographed them. These days the collection continues to grow; over 150 women (some with their partners) have participated as un-models, most in their own homes.

The Nu Project attempts to redefine beauty.

We want to celebrate the women who have opened their doors and shared their stories in skin and scars and hair. We want to make a printed book collection, because we believe that art lives in homes and not on hard drives.

In order to make this hard-cover 10x12, 100 page book, we need to raise $30,000 to produce 1200 books.

To make a pledge to The Nu Project book, click the green “Back This Project” button. You will be asked to enter your pledge amount and select a reward. Then, you will go through and must complete the Amazon checkout process. (One important note: Amazon payments will bill your card only if the project reaches its goal. If the project is successfully funded, your card will be charged when the book reaches its funding deadline.) The book is expected to be published this fall and will ship shortly afterwards.

Please consider sharing this project with your social media network or/send it to a friend. If you have any creative idea on how to promote this project, feel free to do so or send us a message. ALSO! If you're interested in being a participant, please head over to The Nu Project page to sign up there.

RISKS AND CHALLENGES Learn about accountability on Kickstarter

We have funded this project ourselves for the last six years, because we're committed to it and the difference that it makes in the lives of the participants and the people who see the images. We have seen the project evolve and we're energized to meet any challenges that arise.

http://www.kickstarter.com/projects/917772751/the-nu-project-fine-art-book-beauty-in-every-body

André disse...

Carol NLG,

E se bêbado não se lembra se o taxista o roubou e abandonou na estrada, ou se ele pediu para dar um rolê na cidade até o taxímetro zerar a grana? E se o taxista levar o bebum em casa certinho, eu ainda posso falar que ele foi imprudente pois não conhece todos os taxistas da cidade?

Uma pessoa embebedar a outra para fins escusos é crime. Mas e se o casal bebeu junto e ela pediu para ele por fogo no carro porque estava frio? Por mais que ele se sinta iludido, ela tem que indenizá-lo?

Dayane disse...

Querendo fazer uma pergunta sincera agora, é algo que sempre tenho pensado Lola:
Vamos supor que há um casal, casados ou não,mas um casal.Um casal que se dá muito bem e tudo o mais. Aí, ás vezes, enquanto a mulher dorme ou o marido, um faz práticas sexuais com o outro, mesmo o outro etando dormindo. Esse outro acorda, vê o que está acontecendo e leva numa boa. Isso seria estupro?
Lembro que já li nessas revistas femininas, essas coisas de dar dicas pra esquentar a relação, falando pras mulheres acordarem seua pareceiros fazendo oral nele, ou então os masturbando,mas isso com eles ainda insconscientes e isso não é levado cm estupro,tanto que é veiculado.Tvm já vi bersões masculinas tbm, dizendo pra acordar a namorada com um oral,mas confesso que com penetração eu nunca vi.
lembro de um episódio tbm de Eu, a patroa e as crinaças onde a mulher resolve fazer greve de sexo e proibe o marido de chegar perto. Aí um dia ela acorda e fala "Michael!Pq eu acordei sem minha camisola hj?" e ele diz "Engraçado,que eu tbm acordei sem minha cueca!",ela simplesmente ri e diz "A gente não tinha combinado de não ter sexo?", mas isso parece não afeta-la em absoluto.
Quando a pessoa não se sente abusada, é considerado ainda assim estupro?

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Lucio Ferro,

Mas ai que está, obviamente, devemos infelizmente ter cuidado com a maldade alheia, isso todo mundo sabe, mas não dá para ficar alerta o tempo inteiro.
O que se combate aqui, bem como é algo que o Feminismo combate, é justamente pensamentos como "cu de bêbado não tem dono", que isso, bem como um conjunto de outros fatores, é o que chamamos de "Cultura de Estupro".
A Cultura de Estupro não é uma lenda dramática que inventamos que todo homem é estuprador, não. A Cultura de Estupro são pequenas sutilezas da sociedade, pequenos "cacoetes mentais" que legitimam ou glamourizam a Cultura de Estupro. A Cultura de Estupro não é apenas algo inerente aos homens, mas também às mulheres(existe muita mulher mais machista que muito mascu). Exemplos de elementos da Cultura de Estupro:

- Mulheres que mesmo interessadas se fazem de difíceis esperando muitas vezes que o Homem avance mesmo que na brutalidade, afim de que ela não pareça "fácil". Ou seja, mulheres em que o "não" nem sempre é "não".

- Ficantes, namorados ou maridos que acham que amassos é uma promessa de sexo logo logo e que se acham no direito de fazer de qualquer jeito.

- O Costume de embebedar mulheres a níveis extremamente altos afim levá-las para a cama. Sendo isso justificável.

- A reação muitas vezes inconsciente que temos de culpar a vítima ou mesmo duvidar de sua acusação tentando defender um homem que muitas vezes nem conhecemos. Alias, tu já viu crime onde a vítima é culpada? O Homem que estupra é culpado, e se foi realmente estupro, quem deve decidir são os tribunais e não coleguinhas de palpite ou delegados.

- Um hábito cultural inconsciente de querer "dominar" a mulher na sedução ou conquista e a mulher de inconscientemente se sentir obrigada a ser dominada. (Não falo aqui de BDSM, que é consensual e consciente).

- Piadismos sem graça que quase sempre caem não apenas para baixo calão, mas para referências de estupro e sodomia.


Enfim, essas e outras coisas, bastante sutis, é o que chamamos de Cultura de Estupro e é algo que as Feministas combatem. Deverias te sentir bem por nossa luta contra isso, pois a cultura de estupro também atrapalha os homens:

Eu sempre fui boazinha, atenciosa, carinhosa, muito romântica, amorosa e dedicada. Enfim, gosto de cuidar.
Eis a opinião mesmo que indireta das meninas..

Quando eu era homem: Ai meu Deus, um desses psicopatas dominadores que se fazem de bonzinhos!

Agora que sou mulher: Que Gatinha Linda e Querida! O que uma Gatinha tão linda faz sozinha?! Quero adotar :3 (já ouvi muito disso quando solteira, e até por mulheres "hetero". Sendo que agora tenho Dona e não ouço mais das outras :3)...
E sim, sou Mulher Trans ^_^


Perceba todo um mecanismo perverso e sutil cujo o objetivo não é nem manter uma "supremacia masculina", e sim manter a supremacia e benefícios de uns 10% dos homens, os chamados Alfas. E como não só aflige as mulheres, como também os homens. E o pior: É algo inconsciente e difícil da vista destreinada perceber.

O Foco do Feminismo quando o assunto é estupro é combater isso.

Claro, que eu acho que deveria haver promoção de redução de danos, em especial ensinar as mulheres a mascararem os efeitos da intoxicação alcoólica rapidamente(como bem postei sobre a Cafeína). Porém, infelizmente, boa parte dos militantes tem baixo conhecimento em biologia e química e por isso não promovem esse método de defesa.

Por fim, não fique "cismado" quando o pessoal aqui te atacar, infelizmente todo movimento tendo a assumir uma "mentalidade de rebanho", ainda mais na net. E outros são trolls de quinta categoria querendo poluir o debate mesmo.

Anônimo disse...

SeekingWisdom disse...
Lucio Ferro,
desculpe o termo chulo, mas esse tipo de argumento é extremamente frequente para casos de estupro. Acho que Raziel e a Carol NGL te deram bons argumentos. Queria adicionar uma coisa. Faz parte do privilégio masculino poder beber e se drogar sem o risco eminente de um estupro....

Lembre do ditado "Cú de bêbado não tem dono" ou seja se um homem beber e for abusado a culpa é dele... Você esta querendo ver sexismo onde não existe .

SeekingWisdom disse...

Anonimo 13:35
Não disse que homens não são abusados, mas eu tenho plena consciência de que posso beber e andar na rua sozinho à noite com muito mais liberdade que qualquer mulher.

Anônimo disse...

camila, ela afirma que o inicio do ato sexual nao foi consentido, tanto q o cara nem usou camisinha. depois q ela acorda, ela consente, e usa preservativo.

o fato de DEPOIS ela ter consentido, nao diminui o fato de q o cara a estuprou. ou seja, se por acaso ela nao tivesse consentido depois, o ato sexual q foi interrompido seria estupro.

o problema aí é q a vontade dela MUDOU, mas a do sujeito NAO. ele estava disposto a transar com ela, estando ela acordada ou dormindo, pra ele TANTO FAZ.

o cara tem mentalidade de estuprador e precisar ser conscientizado sobre isso, ainda q legalmente ela nao pretenda fazer nada já q consentiu continuar o sexo após o estupro

ajudei?

Anônimo disse...

a duvida da dayane é interessante. eu diria q um casal q ta acostumado a transar pode acordar o outro com toques intimos, com o INTUITO de acorda-lo pra q o outro consinta o resto. é preciso q role uma intimidade muito grande entre eles, né, pra q role esse feeling de aquilo vai agradar o outro. o ideal é q eles tenham conversado sobre isso antes.

claro q isso nao autorizaria q o parceiro acordado resolvesse fazer algo q o OUTRO geralmente nao consentiria se estivesse acordado, muito menos algo q possa machucar o parceiro (levando em conta q certos atos exigem q o outro esteja relaxado e lubrificado, por exemplo)

GLStoque disse...

"Quando a pessoa não se sente abusada, é considerado ainda assim estupro?"

Achei essa pergunta muito pertinente. E creio que ela pode resumir grande parte ou todas as partes dessa imensa discussão. Mesmo sem ser respondida.

Qual é o foco dessa pergunta?

A vítima.

Quem decide se foi abuso ou não?

A vítima.

Quem deve ser defendida, apoiada, amparada, acudida?

A vítima.

De quem é a história que estamos compartilhando?

Da vítima.

...logo, porque ainda existem pessoal que querem defender o estuprador? E discutir os anseios, as vontades e os sentimentos do estuprador? E ainda, julgar a vítima?

O estuprado já foi definido. O vítima também.

Agora é cada um no seu papel. O estuprador deve ser julgado. E a vítima apoiada. Ponto.

Quando um estuprador vier aqui, contar sua história de estupramento. Será que alguém vai simpatizar com ele?

A empatia é para vítima. Não pro algoz.

Camila disse...

Obrigada Anônimo(a) pela atenção e resposta.

A sua explicação foi sim esclarecedora do ponto de vista de que a vontade da vítima mudou mas a do cara não.

Porém a minha opinião sobre este relato é de que a vítima se equivocou quando usou o termo estupro pois é difícil afirmar se ele de fato se aproveitou do estado vulnerável ou se as atitudes dela o levaram a transar com ela pois:

1. Ela estava afim do cara e quis ser apresentada por ele.
2. Ela o encontrou na festa, aceitou beber o que lhe foi oferecida mesmo conhecendo a fama de tal bebida ser forte.
3. Ela lembra trocar uns beijos - o que pode ter dado a entender que ela estava afim. Ela afirma também ter vontade de passar um tempinho na república - o que dá a entender que até então ela não foi forçada a nada.
4. De novo ela menciona os beijos trocados - não forçados.

Não estou justificando a atitude dele nem tentando condenar a vítima, mas estupro é um termo muito forte e precisamos tomar cuidado se não a coisa vira banalização.

Como ela mesmo afirma, tem muitas coisas que foram apagadas da mente dela, ou seja, e se na hora da troca dos beijos o cara perguntou se ela queria transar e ela disse sim? Ela lembra se o cara estava bebado ou não? Li de novo o relato e isso não é mencionado.

Outra hipótese a ser considerada: E se depois do *estupro*, estupro consumado e conversas durante o verão, o estuprador se mostrasse um cara adorável, vítima e estuprador se entendessem e começado uma relação tipo namorado e namorada? Será que o ponto de vista seria o mesmo?

Já li muitos relatos de estupro aqui e em outros sites, e acho que nesse relato pois não dá pra saber veridicamente se o ato sexual começou ou não sem consentimento pois houve uma continuidade.

Outras falhas no relato: a vítima diz que quando percebeu que estava sendo penetrada ela tomou um susto, ficou imóvel e se desligou de seu corpo, ou seja, *percebeu* que algo estava errado e ainda sim, com a maior atitude já-que-está-no-inferno-abraça-o-capeta, ela autorizou o estuprador a continuar o *estupro*.

Na primeira parte a *vítima* não está mentalmente capaz de julgar seus atos e sofre o estupro; e na segunda parte - ainda embriagada - se torna capaz de identificar o estupro e consentir o sexo?

Conclusão: Um mal entendido e um erro das duas partes. Não estupro.

1. Ela por dar a entender que estava afim e (provávelmente) dar algum sinal mal interpretado por ele. Afinal, não sabemos como foi a conversa entre os dois muito menos as mensagens corporais antes dela alcançar o nível de embriaguez.

2. Ele obviamente por não se segurar e seguir em frente mesmo sabendo que ela estava bebada.

O fato dele ter sido frio com ela posteriormente não pode ser totalmente considerado uma atitude vinda do *estupro*. Sabemos bem que hoje em dia os homens saem com as mulheres e tchau, o famoso uma noite e nada mais.

SeekingWisdom disse...

Camilla
Vc entende o que significa estupro de vulnerável???????
Pois então, alguém bêbado não está em condições de consentir.
Alguém com deficiência mental não tem condições de consentir.
Crianças não tem condições de consentir.
Seu discurso é o Pai Nosso e Ave Maria da culpabilização da vítima, sinto lhe informar.
Mesmo que a vítima conceda após ter sido violada inicialmente houve estupro. Consentimento é algo muito banalizado e não o estupro. Como a autora do guest disse ela identificou que parte de suas atitudes foi influenciada por um trauma que a levou a ser passiva no que tange relacionamentos sexuais (leia: não saber impor limites para o corpo, permitir que o ato de violência se consuma). Isso não diminui a violência do estupro sofrido e tenho certeza que L. pode dar mais detalhes.
Att, Phillipe

GLStoque disse...

Camila,

"Não estou justificando a atitude dele nem tentando condenar a vítima"

É exatamente isso que você está tentando fazer.

"Na primeira parte a *vítima* não está mentalmente capaz de julgar seus atos e sofre o estupro; e na segunda parte - ainda embriagada - se torna capaz de identificar o estupro e consentir o sexo?"

Sim, exatamente. Quando ela disse ser capaz de consentir, ela consentiu. Quando não estava capaz de consentir, foi estupro.

Se ela não consegue, ela não pode consentir.

"Um mal entendido e um erro das duas partes."

Só se for o seu mal entendimento. Seu erro. E o do estuprador.

Não é porque ele ACHOU que ela queria, que ela queria.

Se ela diz que foi estupro. Foi estupro.

Anônimo disse...

Eu tenho uma dúvida:

Acho o fim culpabilizar a vitima de estupro, seja por que motivo for, como muitos já falaram aqui.

Mas tenho uma filha adolescente, vai fazer 16 anos, idade de começar a sair, beber, essas coisas. Infelizmente há homens que se aproveitam da situação para cometer atos tais como estupro se a mulher está vulnerável. Tenho medo de que aconteça com ela.

O fato de eu pedir que ela tome cuidado, não beba muito, não saia com estranhos, e outros clichês, pode servir para alimentar a cultura do estupro? Mesmo que eu explique que a vitima nunca é culpada, mas ainda assim é bom ela se precaver?

Se sim, como devo ensiná-la a se proteger?

Anônimo disse...

R. (autora do guest post)

Camila

O Anonimo das 14:35 esclareceu algumas coisas. Eu considero estupro a penetração enquanto eu estava desacordada, e que se estendeu enquanto eu n demonstrei nenhuma reação. Depois eu considero sexo consensual (ruim, mas consensual).

Eu soh discordo que eu tenha mudado de ideia qto a fazer sexo com o cara... pq eu praticamente liguei o foda-se. Eu nem sabia que, apos ter começado, eu pudesse parar. Eu não identifiquei o abuso na ocasião, soh mto depois qdo vim a saber o que era um estupro de vulnerável. Eu sabia que havia algo errado, mas achava que eu tinha tido azar, não que fosse vitima de um crime.


Claro que o fato de ter permitido que o cara continuasse foi uma fonte de dor de cabeça p mim depois de tudo. (Alias, ate na época, pq eu nunca soube se o cara usou camisinha naquele intervalo). Nao eh uma atitude esperada a priori, concordo com vc. Foi minha terapeuta que linkou essa historia com anos de abuso que eu sofri na infância + um monte de concessões desconfortáveis (porem, não se tratavam de estupro) que fiz a parceiros sexuais. Dentro desse contexto, de criança abusada, não soh eh possível entender minha atitude, como ela eh ate comum. Depois que tomei consciência disso, achei similaridades entre meu relato e tantos outros na internet a fora. Eh mais comum do que se pensa.

E ate hoje eu me policio p saber ate q ponto qdo faco coisas p agradar meu parceiro, isso eh uma coisa saudável e ate q ponto eu estou caindo de novo na minha inabilidade em dizer não frente a situações de abuso. Eu me considero em tratamento nessa questão.

(continua...)

Anônimo disse...

(cont.)


Quanto as coisas que vc enumerou

"1. Ela estava afim do cara e quis ser apresentada por ele.
2. Ela o encontrou na festa, aceitou beber o que lhe foi oferecida mesmo conhecendo a fama de tal bebida ser forte.
3. Ela lembra trocar uns beijos - o que pode ter dado a entender que ela estava afim. Ela afirma também ter vontade de passar um tempinho na república - o que dá a entender que até então ela não foi forçada a nada.
4. De novo ela menciona os beijos trocados - não forçados."

Pode ser que pra boa parte da sociedade isso seja sinal de sexo, mas pra mim nunca foi. Nesse quesito eu fui bem educada: eu posso masturbar o cara, falar com todas as letras q eu quero transar. Se eu desistir um segundo antes eu estou no meu pleno direito. E se caricias intimas (q nem ocorreram q eu me lembre) não indicam necessariamente inclinação p sexo, imagine beijos.

Fora que n mencionei, mas eram beijos desajeitados, de quem n conseguia parar a cabeça na vertical. Eu não andava bem, ele me apoiou nos bracos o tempo todo qdo entramos na republica. Nao acho isso sinal de consensualidade!

Ainda havia mais um detalhe que n mencionei: eu estava BEM interessada no cara. Ele era muito parecido com um ex meu, e eu tenho queda por aquele tipo físico/ de rosto. Na época, eu dividia caras p transar na primeira noite e deixar p la (e não, nunca fiquei magoadinha por n me ligarem no dia seguinte) e caras p investir. E como tem a regrinha que quem da na primeira noite eh puta, caras q eu queria umas coisinhas a mais (ficar mais vezes) eu deixava p transar na segunda noite ou adiante. KKK
Olha eu n comentei isso antes pq eh uma coisa q definitivamente n combina com minha personalidade. Eu sempre fui mto liberada sexualmente, e soh tinha essa regrinha boba por influencia de terceiros (amigas q diziam q eu ia perder a chance de conhecer um bom namorado e tal). O feminismo me tirou dessa, e estou muito melhor assim.

Mas concluindo, esse era um cara que eu botei a etiqueta "não transar na primeira noite". Eu fiquei d olho nele semanas... Por essas e meu perfil psicologico eu n acho que teria transado com ele, mesmo alcoolizada. Como eu disse antes, eu estou acostumada a beber e me conheço. Nunca tive grandes amnesias nem fiz coisas q não quisesse, como acontece com algumas pessoas. E jah teve ocasiões que bebi MAIS do que naquele dia (inclusive ja provei do mesmo drink outras 2 vezes) e nada chegou perto disso.

(cont)

Anônimo disse...

R.


Outra coisa, nem acho grande coisa eu acusar de estupro uma pessoa que ninguém sabe quem eh, sobre quem eu n forneci nem a primeira letra do nome. Nao ha como ele ser prejudicado por isso, pq nao tem como ele ser identificado. Sobre grosseria e frieza, ja tive parceiros piores que ele (excetuando o estupro, claro). Nunca fui de guardar magoa destes. Nao eh essa a questao.

Tanto nao guardei magoa do cara na epoca que nos continuamos tendo contato por um tempo (mas n ficamos novamente), pouco depois parti pra outra e conheci meu atual namorado. Nos afastamos, mas naturalmente pq soh tínhamos uma amiga em comum mesmo. Na época que eu descobri do que se tratava, o cara estava fazendo estagio em outra cidade (dei uma sondada). Eu ainda tinha os contatos dele em redes sociais e soh. Nunca falei com ele sobre isso, embora tenha pensado em faze-lo. Nao o fiz pq me convenci que alguém q fez o q ele fez jamais sentiria culpa ou arrependimento.

No mais, acredito que se vc fosse homem e tivesse as mesmas ideias que vc enumerou sobre possíveis sinais de consensualidade, vc fatalmente estupraria alguém, sem nem saber que estaria fazendo um mal. Também vi relatos, inclusive nessa própria caixa de comentários, de mulheres que não beberam ou se drogaram, que foram abusadas, se sentiram abusadas mas não pararam o estuprador. Isso tbm ja foi guest post aqui na Lola.

E novamente eu invoco a necessidade urgente de se ensinar as mulheres a serem mais assertivas quando não gostarem de algo. No meu caso eh mais difícil pq eu sou sobrevivente de abuso, mas mesmo p quem n passou por isso temos a cultura nos falando o tempo todo para darmos foras delicados. Falando de friendzone, sobre caras simplesmente merecerem nossos corpos por serem gentis.

E por ultimo, mas n menos importante. Supondo que eu ja tivesse essa bagagem de hoje, e me deparasse com a mesma cena, de acordar com alguém me estuprando (naquela sexata situação, bem entendido). Eu sinceramente n sei se agiria muito diferente. Eu estava num local estranho, que eu n conhecia o trajeto p chegar lah, de madrugada, numa republica onde soh moram homens. Homens que estavam no carro comigo, me viram naquele estado (eu inclusive acredito que dormi no trajeto) e nem cogitaram dar um toque pro colega. As vezes eu acho que um NAO mais enfático ali poderia resultar numa violência ainda mais grave, quem sabe uma agressão. Nao sei se isso ficou no meu inconsciente na hora, e secontribuiu p que eu n agisse, mas eh uma coisa q eu questiono hoje.

Anônimo disse...

Não existe banalização do estupro. O que existe é uma cultura do estupro.

Luci

Aline A. disse...

Camila, na boa, você só está repetindo um monte de lugar comum. Serião. Aos fatos: uma pessoa bêbada não pode consentir, porque a capacidade de decisão dela está comprometida (não vou nem entrar no mérito de outras situações de estupro de vulnerável). E o pior, esse discurso (foi um mal-entendido) é utilizado por estupradores para fugir de condenações penais.
Por favor, leia o seguinte link:
Não é que os homens não entendam uma recusa onde a frase "não quero" não foi dita, alguns simplesmente resolvem não aceitar a recusa e estuprar porque sabem que se for dito "foi um mal-entendido", é muito mais provável que as pessoas acreditem nele e não na vítima. Isso é cultura do estupro.
Quando vc fala em mal entendido entre os dois, seu subtexto é que a vítima não sabe o que está falando, e consequentemente vc paternaliza e infantiliza todas nós, que estamos sujeitas a passar por situação parecida em algum momento.
Quanto à banalização do estupro, o que o banaliza não são as pessoas chamarem ele pelo que ele é. O que banaliza o estupro são as estatísticas que mostram que é o crime com mais subnotificações em qualquer país no planeta, o que faz que as sobreviventes relutem em denunciar, por saber que serão submetidas a outras violências, desta vez perpetradas pelo Estado e a sociedade. o estupro é o único crime em que as vítimas são julgadas com muito mais rigor que os bandidos. Para exemplificar, no Reino Unido, em 2007,ocorreram 85 mil estupros reportados, e apenas 800 condenações, ou seja, em um país onde o sistema jurídico é muito mais sofisticado que o nosso, menos de 1% dos estupradores são condenados (fonte: British Crime Survey). Um homem não conseguir compreender o que uma garota passa nessa situação, pra mim, normal. Mas nós precisamos de sisterhood por aqui, urgentemente.

Anônimo disse...

Uma ''amiga'' do Facebook contou num post no seu mural, aos risos, da briga de um rapaz com sua companheira e de que, certa vez, o cara a embebedou para poder fazer sexo anal com ela.
Que graça tem nisso, gente?

Anônimo disse...

R.

Anonimo das 17:26

Visto que vivemos em um mundo cão, essas atitudes podem proteger sua filha sim. Considero um paliativo, e serve um pouco para estupro de vulnerável. Digo um pouco pq deixar sair com estranhos não ajuda muito. Depois do ocorrido jah li um sem numero de casos, e eh muito mais comum que este tipo de crime seja cometido por pessoas de extrema confiança da vitima (que não era meu caso).

Acho que a unica coisa que pode ajudar a evitar um estupro de vulnerável por alcool eh não se embriagar demais. Ou por exemplo, ter uma rede de amigos se ajudando mutamente e tomando de conta dos alcoolizados da vez.

Mas infelizmente isso não a protege de tudo, e nem da maioria dos casos. Ela pode ser estuprada pelo namorado/marido que se acha no direito de ter sexo quando bem entende. Ou por um chefe que ameaça acabar com sua carreira se ela não ceder, ou seja, pode ser vitima de chantagem. Lembre-se que nesses casos eh COMUM nunca acreditar na mulher.

Ou vc pode pegar a mesma faixa etária da sua filha e lembrar do caso da banda New Hit, quando as meninas foram estupradas por seus ídolos quando foram pegar autógrafos. Tem como evitar isso? Sim, proíba sua filha de ir em qualquer show, ou melhor, nunca a deixe desacompanhada de um responsável. Percebe onde eu quero chegar?

No meu outro caso, eu fui abusada sistematicamente por um parente de 12 anos que tomava conta de mim quando meus pais n podiam. E quem vai desconfiar de uma pessoa de 12 anos?

Eu empatizo com a sua preocupação mas não acho que vc pode fazer algo para reduzir de forma realmente significativa a chance de uma violência dessas acontecer com a sua filha (nao que vc n deva conversar com ela sobre isso). Estupro eh cultural, eh ferramenta de demonstração de poder, e os casos não vão diminuir sem uma mudança de mentalidade da sociedade.

Alias, veja que curioso este dado do Canada:

http://prazamiga.com/2013/01/28/nao-seja-aquele-cara/

E recomendo tbm o post que alguém já comentou por aqui:

http://www.bulevoador.com.br/2013/01/evitando-o-estupro/

Felipe Barreto disse...

A Luci acabou de nos iluminar com uma bela aula de lógica.

"Não existe banalização do estupro. O que existe é uma cultura do estupro."

Seria o mesmo que dizer:

Nao existe banalização da violência. O que existe é uma cultura da violência.

Na cabeça da Luci, uma coisa não está visceralmente ligada a outra.

Anônimo disse...

R.

Lola, me permita destacar algumas passagens do texto que linkei que podem ajudar a esclarecer as duvidas da Camila:

"Afinal, se uma mulher está se comportando de uma forma que parece indicar interesse em sexo, é possível que o homem interprete tais sinais de forma errada, certo? Aceitar ir para a casa de um homem após um encontro, aceitar ir para o motel com um desconhecido após uma noite de beijos e carícias, aceitar uma carona de um colega de trabalho após meses de flerte…todos estes são comportamentos que aprendemos a interpretar como indicadores de disposição para uma relação sexual. Não é difícil de acreditar que falta de comunicação leve um homem a iniciar o contato sexual, presumindo que a mulher assim o deseja, e que ela em nenhum momento diga “não”, levando a um trágico mal-entendido no qual uma mulher se sente estuprada sem que o parceiro tenha tido a intenção de estuprá-la, certo? Na verdade, se torna cada vez mais difícil de acreditar quanto mais a gente se lembra de como a comunicação humana funciona.
[...] Estudos de “análise de conversação” conduzidos por Ktizinger e Frith no Reino Unido e O’Bryne, Hansen e Rapley na Austrália demonstraram dois fatos muito importantes a ser levados em consideração quando se discute alegações de “mal-entendido” e “falta de comunicação” culminando em estupro. Uma é a de que mulheres são ensinadas a não recusar diretamente propostas sexuais ou românticas. [...]A segunda é a de que os homens participantes do estudo eram perfeitamente capazes de entender tais respostas, juntamente com os sinais não-verbais que as acompanham (hesitação, silêncio, etc.) como recusas. O estudo de O’Bryne, Hansen e Rapley é particularmente interessante por demonstrar que, quando perguntados sobre como eles percebem a falta de interesse de uma mulher em fazer sexo ao final de um encontro, nenhum dos exemplos fornecidos pelos participantes icnluiu uma recusa explícita. É também digno de nota o fato de que estes homens declararam que, quando eles recusam sexo, também recorrem a frases que, embora mais diretas do que as femininas, também não contém a palavra “não” ou a expressão “não quero fazer sexo com você”, revelando que recusas diretas não são consideradas necessárias por eles para expressar/compreender a falta de interesse sexual."

O texto inteiro eh muito bom, alias!

lola aronovich disse...

R, por favor, sinta-se à vontade para explicar o que quiser aqui. É o seu post!


Felipe, o único "iluminado" aqui é vc! Vá procurar sua turma, mascutroll!

Anônimo disse...

camila,

1. Ela estava afim do cara e quis ser apresentada por ele. - isso nao significa consentimento para transar e muito menos naquele momento

2. Ela o encontrou na festa, aceitou beber o que lhe foi oferecida mesmo conhecendo a fama de tal bebida ser forte. - beber nao é crime, desmaiar de tao bebada nao autoriza sexo com ninguem. se um homem desmaia de bebado, com rarissimas exceções, ninguem vai violar o corpo dele

3. Ela lembra trocar uns beijos - o que pode ter dado a entender que ela estava afim. Ela afirma também ter vontade de passar um tempinho na república - o que dá a entender que até então ela não foi forçada a nada. afim de dar uns beijos, afim de dar uns amassos, afim de fazer oq ela quisesse ENQUANTO ELA ESTIVESSE ACORDADA E PLENAMENTE CONSCIENTE. e ela diz q a propria ida para republica e os beijos foram algo meio a contragosto, em q ela simplesmente se deixou levar por ter uma postura passiva resultado de um possivel trauma de infancia

e se na hora da troca dos beijos o cara perguntou se ela queria transar e ela disse sim? se ela tivesse vontade de transar, nao teria se sentido violentada ao acordar com ele penetrando ela. ela diz com todas as letras q nao sentia vontade de transar com ele naquele momento, ainda q ela nao tenha dito isso PARA ELE por traumas, por nao ter uma educaçao feminista na epoca, etc

e se o estuprador se mostrasse um cara adorável, vítima e estuprador se entendessem e começado uma relação tipo namorado e namorada? Será que o ponto de vista seria o mesmo? talvez ela nao tivesse percebido o abuso, talvez sim, talvez perdoasse, talvez nao. nada disso altera o fato de q existiu um abuso. se ela estivesse com ele, talvez uma conversa resolvesse, talvez nao.

tenho quase certeza q teve um outro guest post aqui em q o cara percebeu q havia abusado de uma amiga e depois tinha procurado ela para pedir desculpas (nao se assumindo um estuprador, com todas as letras, pq eles morrem de medo de serem criminalmente responsabilizados, mas dizendo q tinha feito "tudo errado")

tomou um susto, ficou imóvel e se desligou de seu corpo, ou seja, *percebeu* que algo estava errado e ainda sim, com a maior atitude já-que-está-no-inferno-abraça-o-capeta, ela autorizou o estuprador a continuar ela ficou paralisada. em que planeta isso significa consentimento? vc nunca paralisou por ter medo? por nao saber como reagir a uma agressao? as pessoas paralisam, isso é normal. se vc é xingado na rua out of the blue, o mais comum é vc nao conseguir revidar, por nao estar pronto praquilo. ser xingado é um trauma bem menor e tem essa capacidade, imagina um abuso sexual? ainda por cima ela estava com medo por estar num lugar q ele nao sabia onde era, cheio de outros homens e tal

Lucio Ferro disse...

Bom, gente, não tenho mais nada a acrescentar. Agradeço aos que se dignaram a discutir. Mas realmente, lamento por minha visão de mundo soar tão machista para vocês, pois realmente o que eu não estava precisando era ouvir uma aulinha sobre tudo que eu já sei sobre cultura do estupro entremeada por ofensas. Ao que parece o feminismo em país católico está mais preocupado em discutir "culpa" em situações obscuras de extrema estupidez como a relatada pela autora, do que em acabar com os estupros. O que gostaria que entendessem é que o que tudo que eu disse aqui não é a minha lógica (nunca estuprei ninguém e, ironicamente, segundo os critérios apresentados pela autora, já fui estuprado por uma mulher como expus acima), é a lógica do mundão, com a qual não concordo, a qual não legitimo, mas cujo conhecimento serviria às mulheres para poderem se defender melhor. Reconhecer que essa lógica é real e que temos que nos posicionar diante dela para além da retórica (que é onde para esse discurso todo sobre culpa), seria o primeiro passo para derrotá-la. Fiquei com a impressão que as pessoas aqui estão mais preocupadas em quem tem a superioridade moral na situação (como se isso fosse reduzir a dor de um estupro) do que realmente na preservação das pessoas. Péssimo espaço para o debate, ótimo espaço para choramingar e reafirmar idéias que todos já conhecem, sem penetração alguma nos meios em que este debate faria alguma diferença social, impermeável a idéias fora de um certo cânone datado, em suma: solidariedade e valor terapêutico. Tomara que sirva pelo menos de alento à próxima mulher que seja estuprada em um momento de humana estupidez. O que importa é que ela saiba: a culpa é do outro.

Anônimo disse...

Há 15 dias atrás passei pela mesma situação... Conheci um cara "amigo do amigo", bebemos bastante, demos uns beijos e fui pra casa dele. Apaguei e acordei sem roupa e com o cara me penetrando... A diferença? Pedi pra ele parar q eu não queria, q ele tava me machucando (começou a morder meu pescoço), isso tudo aos prantos! E quem disse q ele parou??? Quando terminou, vesti minhas calças e fui embora dizendo q ele não tinha o direito de encostar em mim só pq eu estava na casa dele, muito menos comigo apagada. Ele só repetia "já vai embora, amor? tava tão bom...". No mesmo dia a noite (o estupro foi pela manhã), eu fui à delegacia e fiz um B.O. Não me arrependo, mas não é ada fácil também (ainda o encontrei por acaso na sexta de carnaval). Agora tenho q ter sangue de barata pq sei q ainda vou encontrá-lo algumas vezes e não poderei nem quebrar seus dentes... Ele ainda não sabe de nada, chego a ter medo de quando ele souber, mas a minha consciência está LIMPA! Uma formiga não muda o mundo, mas se juntarmos um montão conseguiremos muito mais!

Mariana T.

Anônimo disse...

Lucio, a questão eh que a maneira que vc elabora o problema não apenas eh machista ou contra a corrente feminista. O problema eh q ela não funciona, n protege as mulheres. E não eh somente o feminismo q diz isso, mas pesquisas, como as que eu indiquei no link do bule voador.

Eu entendo que o seu pensamento parece obvio pq justamente vc esta inserido na cultura. Claro, se vc n beber, vc n sera estuprado/a bêbado, mas poderá ser de inúmeras outras formas. E outra, seu caso especifico poderia ser estupro se vc se sentisse abusado. Vc n se sente, mesmo conhecendo tudo isso, portanto não foi. Nao alegue que meus critérios dizem isso pq n dizem.

Agora veja os trechos a seguir, retirados do estudo que foi analisado no texto do bule voador:

"Tais mitos sobre estupros são muito úteis para estupradores. Eles fornecem um roteiro de como agir para não ser condenados pela agressão. Basta examimar um estudo recente conduzido na Universidade de Leicester, na Inglaterra, que demonstrou que homens tem mais facilidade de admitir que estuprariam quando a vítima hipotética usa saia curta, bebe álcool e é extrovertida.[...]
O estudo não mediu incidências reais de estupro entre a população (se medisse, veria que existem indícios de uma correlação negativa entre roupas “sensuais” e estupro, pois muitos agressores dão preferência a mulheres com baixa autoestima, e sensualidade costuma ser interpretada como sinal de autoconfiança). O que ele mediu foi a facilidade com que os homens estudados admitiam a disposição de recorrer á coerção sexual (medida em vários níveis, sendo 1 ser convidado para a casa da mulher e 27 o que é entendido como estupro propriamente dito). [...] Estes homens passaram a vida inteira ouvindo que certas mulheres são ao menos parcialmente responsáveis por seus estupros. E aprenderam a lição: certos estupros são mais aceitáveis."

Pelo que eu entendi o seu questionamento foi: ja q o mundo eh uma merda mesmo, o que fazer para de fato proteger as mulheres, nesse minuto?

A reposta parece vir do Canada, no outro link que eu mostrei. Eles conseguiram reduzir em 10% os estupros em 2011:

http://prazamiga.com/2013/01/28/nao-seja-aquele-cara/

"Voltando à Vancouver, a campanha não pedia para mulheres beberem menos ou usarem roupas mais longas, só pedia para que os caras ‘não fossem aquele cara’.[...]As campanhas foram veiculadas em bares e lugares que vendem bebidas alcoólicas."

E uma das imagens da campanha era a seguinte:

http://prazamiga.com/wp-content/uploads/2013/01/web-crime-side.jpeg

Uma mulher desacordada e a frase "Soh pq ela não esta dizendo não..."

Entao, não se trata de retorica, ou de teorias. Temos talvez milênios de educação para mulheres ensinando a não serem estupradas, incluindo a sua dica de nao ficar desacordada a toa por ai. E o que funcionou de fato no Canada recentemente (e de forma bem expressiva) foi focar no comportamento do estuprador.

Nao adianta vir reclamar de incoerência, vitimização e cânone datado por parte das feministas, se vc sistematicamente ignora os dados.

Se estiver com a mente livre de preconceitos, leia esse texto. Os links das pesquisas estão todos no site. E ai, se ainda discordar, mostre estudos que apontam o contrario, senão eu eh q vou te acusar de não querer proteger as pessoas a custa de uma ideia.

http://www.bulevoador.com.br/2013/01/evitando-o-estupro/

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Mariana

Cara, meus parabéns p vc. Quem me dera ter tido essa atitude na época. Minha sincera admiração por sua coragem!

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Comentaristas em geral

Vcs são lindos! Obrigada pelas mensagens...

Cora disse...

interessante a sua lógica, lucio.

“Rolou uma conversa com o cara a respeito do tema ou a primeira manifestação foi logo um "texto denúncia" na internet?”

se vc tivesse realmente lido o relato da R., teria percebido q o fato ocorreu em 2008 e q ela está em tratamento, então esta sua fala se mostra grosseira e insensível, por isso a mandada à merda foi mais q merecida. pena vc não ter percebido a pisada de bola. faço coro aos q te mandaram à merda por esta fala inconveniente.

“Eu mesmo já quase morri estilo Jimmy Hendrix, se não tivesse um amigo de verdade por perto pra me ajudar.”

sorte q vc teve o apoio do amigo. já pensou como seria doloroso pra vc se, ao invés de ajudá-lo, o amigo pensasse um pouco e decidisse q seria uma boa oportunidade para uma transa?

“Não adianta ficar só protestando contra as manifestações da cultura machista esperando uma boa fé que não existe na sociedade.”

td q a gente quer é q se comece a pensar essa cultura machista e o q faremos para modificá-la. mas por enquanto, já estamos no lucro qdo se admite q o machismo existe. na maior parte das vezes, galera simplesmente nega essa realidade.

pra isso, precisamos falar sobre o estuprador. já está mais ou menos esclarecido pq as vítimas são atacadas e td q elas devem fazer para evitar o estupro.

a questão então é: por que, em pleno século xxi, homens ainda acham lícito fazer sexo com uma quase desconhecida inconsciente ou adormecida?

por que namorados, especialmente de adolescentes, acham lícito forçar o sexo usando chantagens de vários tipos?

por que, junto com esses “hábitos” masculinos, está sempre presente o fantasma do julgamento moral feminino? é isso q faz as vítimas sentirem-se culpadas e é isso q faz com q a credibilidade da vítima seja posta sempre em dúvida em casos como o relatado no post.

“Imagine quantos machistas estupradores estão lendo os comentários sobre esse relato e a partir de hoje jamais estuprarão uma mulher. Meu palpite é: zero. Então como nada que eu possa comentar aqui afetará machistas estupradores, que não imagino gastando seu tempo lendo blogs desse tipo, fica uma dica sobre uso de drogas, pras meninas deixarem de vacilar, porque esse tipo de tragédia não tem a ver apenas com machismo, mas com vários outros problemas graves de nossa sociedade.”

de fato, enqto não for ABSOLUTAMENTE VERGONHOSO E CONDENÁVEL agir como o cara agiu, nada vai mudar. enqto tudo o q for dito sobre casos assim for dito sobre a vítima, nada vai mudar. enqto o julgamento for da vítima, nada vai mudar.

o nome do cara tem q aparecer. o caso tem q ser relatado como vergonhoso, absurdo, inadmissível. campanhas alertando sobre a ação DELES. são os caras q agem assim q devem se sentir mal e não as vítimas. são eles q devem ser julgados moralmente, não a vítima. eles devem passar por constrangimentos, não a vítima. eles estão errados, não a vítima.

talvez isso iniciasse alguma mudança.

mas, por enqto, é td muito cômodo para esses caras.

“Reconhecer que essa lógica é real e que temos que nos posicionar diante dela para além da retórica (que é onde para esse discurso todo sobre culpa), seria o primeiro passo para derrotá-la.”

e q novo posicionamento vc propôs, lucio? olhando meio por cima (confesso q li td meio superficialmente), vc não me pareceu trazer outras perspectiva para este caso.

ao contrário. fez o comum: questionar se realmente foi uma violência e procurar minimizar o ocorrido em função do álcool.

“Péssimo espaço para o debate, ótimo espaço para choramingar e reafirmar idéias que todos já conhecem, sem penetração alguma nos meios em que este debate faria alguma diferença social, impermeável a idéias fora de um certo cânone datado, em suma: solidariedade e valor terapêutico.”

depois de vc mesmo choramingar um pouquinho, qual ideia alternativa vc trouxe para este debate?

eu gostaria de um outro posicionamento. vc, enqto homem, o q teria pra dizer sobre o comportamento DELE?

como diminuir estes casos, tão frequentes, olhando pela perspectiva masculina?

eu adoraria ler novas abordagens sobre o tema.

Aline A. disse...

Mas Lúcio, vc fala lá em cima em deixar de vacilar, em não beber, em não se colocar em situações de risco. Tudo bem, entendo seu ponto. Aí as garotas param de beber. Mas estupros continuarão a acontecer. Estupros acontecem em situações onde não existe bebida. E aí? Paramos de sair de casa? Mas grande parte dos estupros acontece dentro de casa. O que faremos? Vamos nos colocar sob a tutela de alguém que nos proteja de uma situação que ninguém te protege?

SeekingWisdom disse...

Lucio Ferro,
já ouviu falar sobre a burrice, no sentido filosófico? Segue:

http://www.youtube.com/watch?v=xEqbkoDY0RE

é o que vc está sendo, no momento, sobre a questão da cultura de estupro. Não estou dizendo que em determinados momentos o seu discurso não foi recebido com racionalidade todas as vezes, mas ele foi contestado em vários momentos por comentaristas depois que vc explicou melhor sua intenção com ele.

Ao receber toda essa informação e simplesmente não refletir, vc está sendo burro.
Não sei se comentários de blogs são os melhores lugares para informação mas procure algum material adicional sobre cultura de estupro e culpabilização de vítimas e o porquê de ela não contribuir para diminuir os casos de estupro. A R. mandou alguns links.
Abraços, Phillipe.

Cora disse...

anon 2158,

fantástico saber q uma mudança de abordagem dá resultados tão rápido!!

é como sempre dissemos: o foco das campanhas tem q estar no agressor. é o comportamento agressivo q deve ser condenado socialmente e solucionado.

q os índices melhorem ainda mais por lá, e q possamos mudar nossa forma de tratar a violência contra a mulher no brasil.

.
.

Mariana,

força, garota! a ação deve ser imediata mesmo.

Cora disse...

o iluminado!

Ju disse...

Mariana T., muita admiração pela sua coragem também!
Muita força pra vc. Esse cara tem que ser preso.

Anônimo disse...

R.

Cora, eu bem que gostaria de fazer o nome do cara aparecer.

De minha parte, o q eu ja fiz foi detonar o cara p outras mulheres que pudessem se interessar por ele. N detalhando, mas dizendo q fiquei com ele e ele n eh de confiança. Sisterhood mesmo. Nao fiz isso mtas vezes pq depois que tive consciencia do abuso nossos mundos se afastaram (me formei e tal).
Maaas... no fim do ano passado contei p uma amiga que inclusive ja ficou c ele. Ela contou do perfil dele. Ele eh um cara que na frente dos amigos soh quer aparecer com meninas tipo modelo, mas que qdo ngm ta vendo n escolhe tanto. (P constar, nem eu nem minha amiga somos TOP, diria que somos comuns).
E qdo me ouviu fez uma cara pessima e disse q n duvida, pq sabe de umas historias feias com ele no meio tbm, mas n quis me dar detalhes.

Soh que eu acho que se eu assumisse a historia, eu ia sair bem mais queimada que ele. Como uma histérica, mal-amada, mentirosa, ressentida por levar um fora. Eh improvável q alguém acredite, ainda mais com as peculiaridades do caso. Fora que eu jah passei pela experiencia de pessoas próximas e queridas simplesmente me acusarem de exagero.

Eu tbm me preocupo com meu outro abusador, principalmente se ele ainda abusar de crianças. Mas eu n sei se ele conta como pedófilo pq tinha 12 anos. As vezes especulo se alguém fez isso com ele e ele simplesmente reproduziu.
E ai ainda eh bem mais difícil pq denuncia-lo eh desmoronar minha própria família. E sim, eu tenho afeto por ele. Um monte de sentimentos contraditórios, mas que estão aqui.

As vezes eu acho que tocar em nomes eh carregar um peso, um julgamento que eu provavelmente nao posso carregar. Por isso admiro tanto quem consegue fazer.

O que eu vi que estava a meu alcance era contar minha historia anonimamente. Alias, vi em algum post perdido na Lola que a organização da marcha das vadias de alguma cidade (n lembro qual) esta em busca de historias de abuso. Eu adoraria dividir isso com elas. Se alguém souber qual eh o grupo e puder linkar eu agradeço.

Anônimo disse...

Como muitos já disseram por aqui, estupro não depende da roupa, da idade, se é dia ou é noite, do nível alcoólico ou se é uma estundante ou garota de programa numa rua.

Mas, definitivamente EU não vejo o motivo, causa ou razão de uma pessoas beber até cair com um desconhecido ou com uma amigo de infância. Não vejo, é sério.

Pode ser um pensamento machista, conservador de direita, podem me chamar de validadora e tudo mais. Talvez seja pelo fato de ter convivido numa familía destruída pelo álcool, mas não consigo imaginar o porquê de alguém em sã consciência se reduza a isso.

Desculpem-me pelo desabafo!

Anônimo disse...

Acabei de ver isso e estou sem palavras. Uma notícia sobre um estupro de uma garota de 14 anos. O cara foi preso. E nos comentários, isso:


"guys like this should be getting the life sentences, i hate hearing about these coward attacks why do that when you can pay for sex ! Horrible"

E 33 likes. TRINTA E TRÊS!


Fora esse outro comentário aqui, que eu não estou certa do que significa, mas se for o que estou pensando.. Alguém pode esclarecer o que uma "gender re-allocation"??


"How about forcible gender re-allocation for him?"


Fonte:
http://www.dailymail.co.uk/news/article-2278277/David-Edgerton-Schoolgirl-14-sent-messages-family-Facebook-begging-help-raped.html

Anônimo disse...

Boromir Felipe Barreto, vê se me erra.

Luci

Mirella disse...

anon das 17:26:

Olha, infelizmente vivemos num mundo em que é necessário saber que existem pessoas criminosas, ignorantes, mal intencionadas. Mas acredito que o mais importante seja você mostrar que ela terá em casa todo o apoio do mundo. Incentive que ela se imponha quando quiser e quando não quiser. Dê uma boa educação sexual a ela, sem clichês, sem tabus, tenha o diálogo totalmente aberto a ela. Você e sua filha se sentirão mais seguras se estiverem bem informadas. Talvez seja legal matriculá-la em alguma aula de defesa pessoal, apresentá-la ao blog da Lola - para que ela entenda um pouco o mundo em que vive. Não tenho filhos e estou bem longe disso, mas é o que eu gostaria que minha mãe tivesse feito comigo (e em parte, ela fez sim): me empoderado. Dê a ela as armas para gritar NÃO bem alto e esteja do lado dela.

Anônimo disse...

Essa parte da mensagem é para a Lola:

Lola, todos os dias deixo meus livros de lado e corro pra ler seu blog, leio todos os seus posts sem excessão, assim como os comentários, as réplicas dos autores, etc. Com alguns posts ou guest posts eu choro, me emociono, fico com raiva, me pego ainda mais a causa, tenho vontade de sair dando uns petelecos nesses homens (e até algumas mulheres) imbecis com seus comentarios cheios de intolerancia e preconceito.

Sou mãe, esposa, irmã, filha e mulher, de verdade sou ao meu modo militante do feminismo e apesar de não tirar a blusa na rua, não participar de mamaços, nem pintar o rosto e cartazes e ir as ruas gritar eu tento ao máximo absorver e repassar esse conceito de que nós mulheres não podemos ser tratadas como lixo por homens que se acham socialmente, culturalmente ou financeiramente melhor do que nos.

Afinal sem as mulheres eles não seriam muita coisa na vida, pq tá pra nascer (em pencas, sei que eles existem, mas não em pencas como as especies femeninas) homem que cuida de casa, de filhos, trabalha fora, anda no saltinho, na make, com bolsa grande, sacola ecobag de compras, bolsa do filho, faz janta, faz monografia, dá um sorriso e no final do dia ainda dorme com o maridinho que só fez trabalhar e reclamar do transito ou da conferencia chaterrima com o diretor de marketing.

Eu sou feminista do meu modo, sei o que posso fazer para mudar meu pequeno universo que envolve algumas amigas, irmã, filha, quem sabe com essa sementinha pequenina que planto todos os dias eu já nao faça a diferença e consiga que 2, 3, 5 mulheres não caiam na artimanha de homens aproveitadores, crueis, mesquinhos, machoes.

continua

Anônimo disse...

continuando

Lola, pq eu escrevi tudo isso? Pq eu gosto muito do seu trabalho, das coisas que voce escreve, vc parece ser uma pessoa divertida, carismatica, querida, muito inteligente, digna, honesta, leal, essa é a ideia que vc me passa em cada letra que leio no seu blog. Por isso, se voce me permite uma critica de quem lê tudo o que vc escreve, por favor, tenha mais cautela ao postar guest posts. Alguns são DIVINOS, esclarecedores, somam muito, dividem muita informação, acrescentam de verdade e muitos e muitos permitem uma discusão honesta, verdadeira, com exposições claras, sem tantas ofensas "intelectuais" nas entrelinhas dos comentaristas, alguns guest posts são legitimos em tudo, até em nos fazer perceber que o mundo tá uma merda mesmo, com machos ou sem eles, que as coisas estão indo para um buraco bem grande e a gente tá mesmo é de mãos atadas para a maioria delas, me sinto pequena e com a voz rouca diante de algumas coisas que as pessoas relatam, e vou vivendo minha vida tentando fazer minha parte, tentando mudar pelo menos a visao de mundo de quem eu conheço, de quem eu tenho que proteger.

Lola, esses ultimos guest posts estão muito chatos. De verdade, não tenho um décimo da sua inteligencia, pq eu me vendi ao sistema maternal e rasguei os diplomas pra viver no ninho de mamãe 24h x 7 dias da semana. Lola, teu blog ta virando um muro das lamentações de gente com reclamações sem pé nem cabeça, vide o post anterior de uma mãe/hotel. Eu tenho dois filhos e o que nao me falta é bom senso, são educadissimos, nao falam alto, respeitosos, nao abrem a geladeira na casa da avó, e eles nao tem ainda 6 anos. De boa, acho que vc anda publicando uns guests meio sem dar muita atençao ao que seu publico realmente quer ler, vc é o diferencial nessa merda toda de internet que nao tem nada de bom pra oferecer, falo isso com todo carinho do mundo. Nao transforme teu blog em um muro de lamentações, sei que cada dia que passa chega mais e mais pessoas aqui, e outras tb se vão, eu nao me importo muito com a qtd de publico que determinado canal tem, mas sim na credibilidade e legitimidade que ele tem, e de verdade isso tá minando pra mim por aqui. Chega a ser chato algumas coisas.

Vc perdeu um gancho OTIMO para falar sobre a saida do Papa e delegou a um guest post chato, sem embasamento nenhum, desculpa, nao tenho religiao alguma, mas eu achei tao furreco o que a pessoa escreveu, tanta e tanta coisa pra se falar sobre isso, sobre o Papa ter sido da Juventude Hitlerista, puxar ganchos e ganchos de um bom papo sobre, coisa que VOCE com esse toque inteligente, carismatico e magnifico teria feito com maestria.

Nao dedique tanto teu espaço a pessoas com ideias rasas e tao bobas sobre fatos tao importantes ou sobre coisas do cotidiano que se bem esclarecidas, bem discutidas, bem escritas podem trazer um conforto pra alguem que vive uma realidade bem diferente de voces que podem escrever livre leves e soltas para tantas e tantas mulheres como eu que esperam isso de alguem como VOCE!

Te admiro, vou continuar lendo sempre, te acho muito mais do que uma gordinha bonita e inteligente, te vejo como a luz no fim desse tunel esmerdolado de homens e mulheres tb tão babacas e tao cegos para nossa realidade. Posso pedir como admiradora pra voce pensar nisso com carinho?! Se nada mudar continuarei a ler o blog claro, mas somente os teus posts, que sao sem duvida alguma um manjar dos Deuses pra mim, aqui aprendo muito.

continua

Anônimo disse...

continuando

Lola agora essa parte da minha mensagem vai pra essa moça do guest post.

Menina, vou te falar como mãe, mulher e talvez com um resquicio de moça que ainda tenho. Acho que vc é uma menina muito linda e muito inteligente a ponto de abrir seu coraçao e escrever tua historia aqui, mesmo sem mostrar teu nome, teu rosto, dá pra sentir que vc colocou no seu texto muito de voce. Mas, posso te falar uma coisa? Nao me interprete mal por favor, que como mãe de uma menina eu não quero isso pra ninguem. Menina onde vc tava com a cabeça de pegar carona com um cara que vc tinha acabado de conhecer? Olha filha nao importa que vc estudava no mesmo campus dele, nao importa, nao é preciso ter PhD em nada pra saber que nos dias de hoje com tanta violencia gratuita, onde uma mãe bate num bebe de 8 meses ate ele morrer, onde um pai esfaqueia e estupra uma filha de 6 anos, menina, com tanta violencia por ai que vc tem acesso a informaçao, nao me venha dizer que nao tem, que vc é uma moça muito articulada e inteligente, dá pra perceber até pela forma como voce constroi cada frase, como é possivel uma universitária, uma moça que estudou tanto pra chegar ate um banco de faculdade, sucumbir e ser traida por seus desejos de um amasso e nada mais e pegar carona com um completo estranho?

Menina, isso não isenta a TOTAL CULPA DELE, pq a culpa foi dele SIM! Nao é pq vc pegou uma carona que ele TINHA QUE TE ESTUPRAR! NUNCA! Mas menina, entenda so o que o meu coraçao me diz, se voce nao tivesse facilitado o caminho para isso acontecer TALVEZ nao teria acontecido, entende o que quero dizer? Nao estou te culpando do ato dele, estou te dizendo o seguinte, se eu nunca pular de paraquedas a possibilidade de eu me estatelar no chao a uma altura de 10 mil pés em queda livre é nula. Tá eu sei que é uma logica de dona de casa, bem simples, mas é assim que vejo o mundo e me defendo de todos os males, eu nao saio de casa a noite pra pegar um cinema, tenho medo de sequestro, de assalto, tenho meus filhos pra criar, sinto que que com isso fomento a insegurança e quem sabe a violencia, mas é meu modo de me proteger.

continua

Anônimo disse...

continuando

Menina, falo isso pq se tua mãe ia te encontrar no dia seguinte pq em algum momento vc que tem algo a perder, uma mãe, uma familia, alguem que te ama não pensou duas vezes e falou: PERAI, EU SOU MAIS QUE UM TESAO DO MOMENTO, E ESSE CARA NÃO É TUDO ISSO NÃO, PRA EU ME ARRISCAR E ENTRAR NO CARRO DELE Voce deveria ter pensando um pouco, mesmo estando bebada, eu sei o que estou fazendo e nao vou entrar no carro dele nao, nao o conheço, a violencia ta ai pra quem quiser ver e eu nao vou virar estatistica nao, eu vou pra casa, vou pegar um taxi e outro dia melhor, eu vejo qual é desse menino! Entende?

Entende menina? Nada justifica o que ele fez, NADA. Mas, na boa, eu acho que vc traiu o principio básico de ser mulher: vc nao se valorizou, voce nao viu o qt era mais que ele, vc simplesmente foi. Faltou amor proprio em vc, e acho que isso é uma ferida enorme que vc tem no seu coraçao que vai demandar mais anos e anos de terapia pra fechar viu. Procure a ponta dela, vai curando aos poucos, essa falta de amor proprio fez vc cometer seu segundo erro agora como feminista: voce nao tentou se defender, nem na hora, nem depois, nem depois do depois, nao se acorda com um homem entre as pernas e nao se grita minha querida, nao importa, não é possivel que numa republica de homens não tenha uma só alma que nao tenha sido bem educada, claro que poderia ter sido pior ou nao, quem sabe? vc nem tentou!

Talvez, eu digo sem muita certeza voce sairia de la com um "vai sua vagabunda", uns tapas quem sabe, um murro, quem sabe o que esses merdas sao capazes, mas será que ele teria te matado? DUVIDO menina, duvido hein... voce deveria ter pelo menos tentando sair de la, pegar um taxi entrar na primeira delegacia e denunciar o filho da puta que te estuprou, o que te bateu, o que te xingou e até quem te ajudou a se vestir. Nao ter se entregado mais, ter ido para outro quarto, essa foi sua deixa menina, pq nao saiu de la, pulou a janela, quebrou o braço, sabe a historia do luta ou fuga? se vc nao podia lutar, pq nao tentou fugir, é um pricipio basico dos humanos! Se acomodar numa situaçao incomoda nao é natural, pense nisso para tudo que for viver na sua vida, ate no sapato que te apertar o pé!

Nao importa, me perdoe menina, mas vc foi omissa com vc mesma, vc deveria ter tentando se defender, o que vc sente hoje é rancor, por nao ter feito nada, por nao ter falado NADA, e nao esse rancor nao é contra ele somente, é contra voce e sua paralisia do momento, vc é mais forte que isso, eu acho. Te garanto que nao vai ter terapia no mundo que vai te recuperar disso pq a ferida que ele cutucou, começou la atras na sua infancia, pq vc sempre deixou ela ali sempre pulsando, sempre doendo e nunca fez nada pra se defender, começe a mudar isso, hein?! Que tal? Falo com carinho de verdade!

continua

Anônimo disse...

continuando

Erga tua cabeça, nao busque em foruns e comentarios como esse meu a cura para tua ferida, a cura tá em voce mesma, se valorize mais, nunca esqueça o que te aconteceu, reviva sim cada momento, veja onde vc errou, onde o cretino achou uma oportunidade pra te possuir dessa forma e a evite viver novamente.

Falo com todo o carinho do mundo, como mãe e mulher, queria poder conversar mais com voce, te dar um abraço e dizer que a culpa do estupro nao foi sua, mas que de alguma forma voce abriu essa porta, nao me entenda mal, nao digo em nenhum momento que a culpa é sua, nao é, mas voce deveria ter se defendido melhor, ter buscado justiça, feito um BO e principalmente nao ter dado papo para um moleque que acabou de conhecer.

Vou sempre pensar em voce com carinho, espero que encontre as respostas que tanto busca. Que encontre sua forma de justiça, que se valorize mais, que se entenda mais, que se sinta mais mulher, mais inteligente e acima de qq menino bonito. Voce é mais que isso, acredite em voce, eu acredito.

Fique bem, fique bem.

Um grande abraço a todos que comentaram aqui, voces sao muito firmes, inteligentes so precisavam ser um pouco mais respeitosos (nao que eu tenha sido, pq falei uns palavroes ai) mas digo respeitoso no sentido de respeitar a visao de mundo de algumas pessoas, as vezes isso é edificante. De qq forma tb aprendo muito com alguns comentarios e comentaristas e isso é bem válido.


Um grande abraço.

Cora disse...

por favor R.,

não se sinta pressionada ou agredida pelo q eu disse. não foi esta a minha intenção. eu não estava me referindo à sua história em particular.

só estava dizendo ao lucio q quem deve se sentir mal, ter a consciência perturbada e cuidar do comportamento é quem comete a violência e não o agredido.

é sempre muito doloroso pra mim saber q mulheres agredidas sofrem com a culpa, o julgamento, a falta de solidariedade, a falta de apoio, a desconfiança, enqto o agressor não se importa, não é cobrado e nem julgado por seu comportamento. enqto o agressor pode se sentir confortável alegando q desconhece q cometeu um abuso. ele não desconhece. ele apenas não se importa.

eu sempre fico muito revoltada com isso, pois é uma inversão absurda de valores.

e agora vc diz q ele participou de outras histórias de horror. é claro. quem comete uma violência raramente não a repete. e já q não há cobrança social nenhuma pra q ele mude, ele continuará agredindo. a cobrança tá td em cima da vítima.

mais uma vez, inversão total de valores, de prioridades. o protegido é o agressor, não a vítima.

de qualquer forma, gostaria de dizer q não me reportei à vc diretamente, pois li os comentários sem a atenção q procuro dedicar a eles, por conta de umas trapalhadas cotidianas mesmo (tô no meio de uma confusão danada), sem muito tempo, mas não consigo evitar o blog da Lola, rs.

vi, meio rapidamente, q muitas pessoas te apoiaram e disseram pra vc o q eu diria, por isso me abstive. entendo perfeitamente suas escolhas, suas ações. imagino como deve ser doloroso passar pelo q vc passou e não ter respaldo pra falar sobre isso, para responsabilizar o agressor. vc não precisa mesmo se justificar, ok?

é q não aguentei a conversa mole do lucio no último comentário, e acabei retomando as falas dele e só as falas dele. outras pessoas devem ter respondido, eu nem ia dizer nada, mas a fala dele, se achando injustiçado ainda... a vítima incompreendida do debate... putz!!

eu tinha q dizer alguma coisa.

vc se chateou, me desculpe. não foi mesmo minha intenção.

reforçando, respeito muito a decisão de td mulher em relação aos encaminhamentos q faz em situações dolorosas. qdo está em meu alcance, apoio. não julgo. mesmo. de verdade. em hipótese alguma entenda minha fala como julgamento ou cobrança. isso jamais passou pela minha cabeça.

apoio total ao sisterhood. temos q nos proteger e ajudar mutuamente.

aliás, tá passando da hora de vários mitos a respeito do feminino serem abandonados, não?

muita força, muita força mesmo, pra vc.

e nunca mais repita q não é top. todo ser humano merece ser tratado com respeito e consideração. acho abominável q algumas pessoas se permitam destratar outras apenas por conta da aparência. essa frivolidade é um insulto q deveria entrar na conta dos defeitos de caráter mais vergonhosos e ser um alerta para q nos afastemos de pessoas assim imediatamente.

Cora disse...

falas interessantes no final.

a Mirella, como sempre, pondo o dedo na ferida.

“Olha, infelizmente vivemos num mundo em que é necessário saber que existem pessoas criminosas, ignorantes, mal intencionadas. Mas acredito que o mais importante seja você mostrar que ela terá em casa todo o apoio do mundo. Incentive que ela se imponha quando quiser e quando não quiser. Dê uma boa educação sexual a ela, sem clichês, sem tabus, tenha o diálogo totalmente aberto a ela. Você e sua filha se sentirão mais seguras se estiverem bem informadas. Talvez seja legal matriculá-la em alguma aula de defesa pessoal, apresentá-la ao blog da Lola - para que ela entenda um pouco o mundo em que vive. Não tenho filhos e estou bem longe disso, mas é o que eu gostaria que minha mãe tivesse feito comigo (e em parte, ela fez sim): me empoderado. Dê a ela as armas para gritar NÃO bem alto e esteja do lado dela.”

Destaco:

“Incentive que ela se imponha quando quiser e quando não quiser. Dê uma boa educação sexual a ela, sem clichês, sem tabus, tenha o diálogo totalmente aberto a ela. Você e sua filha se sentirão mais seguras se estiverem bem informadas.”

E, principalmente:

“Dê a ela as armas para gritar NÃO bem alto e esteja do lado dela.”

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e aí, logo abaixo, uma anônima escreve assim:

“Nao estou te culpando do ato dele, estou te dizendo o seguinte, se eu nunca pular de paraquedas a possibilidade de eu me estatelar no chao a uma altura de 10 mil pés em queda livre é nula.”

e mais isso:

“Nao importa, me perdoe menina, mas vc foi omissa com vc mesma, vc deveria ter tentando se defender, o que vc sente hoje é rancor, por nao ter feito nada, por nao ter falado NADA, e nao esse rancor nao é contra ele somente, é contra voce e sua paralisia do momento, vc é mais forte que isso, eu acho. Te garanto que nao vai ter terapia no mundo que vai te recuperar disso pq a ferida que ele cutucou, começou la atras na sua infancia, pq vc sempre deixou ela ali sempre pulsando, sempre doendo e nunca fez nada pra se defender, começe a mudar isso, hein?! Que tal? Falo com carinho de verdade!”

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perceberam?

a Mirella reconhece q a educação q as meninas recebem é uma educação QUE TIRA A FORÇA da mulher, q mina a autoestima feminina e, portanto fragiliza e expõe mulheres ao abuso.

a proposta dela é q a mulher seja empoderada, tornada agente, que se fortaleça.

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enqto a anônima pretende q a educação permaneça fragilizadora, mas, ao mesmo tempo, cobra da mulher q ela tenha uma força q lhe foi tirada pela educação. e não reconhece isso.

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eu espero, sinceramente, q a anônima reflita e eduque sua filha para q ela possa de fato se defender e não se esconder.

e eduque seu filho para q nenhuma mulher precise se defender dele. ou mesmo temê-lo.

somos ensinadas, com raras exceções, a nos esconder e a desconfiar dos homens.

isso tem q acabar.

mas a mãe preocupada quer q este tipo de educação se perpetue.

o foco da fala da mãe preocupada deveria estar na educação do filho. como ensiná-lo a respeitar uma mulher enqto ser humano q tem o corpo tão inviolável qto o dele?

mas ela está educando a filha para temer e o filho para ser temido.

fechando o círculo vicioso da violência de gênero.

Anônimo disse...

"Mas, na boa, eu acho que vc traiu o principio básico de ser mulher: vc nao se valorizou, voce nao viu o qt era mais que ele, vc simplesmente foi."

Olha, esse comentário anônimo enorme sem o mínimo de empatia me deixou com o queixo caído.

Slut shaming pesadíssimo travestido de "carinho".

Luci

Mariana T. disse...

Triste e lindo seu relato, estamos todxs com vc! ♥ Muito amor na sua vida.

Unknown disse...

Luci, concordo com você. Esse comentário enorme da leitora que afirma estar dizendo tudo com "muito carinho" é um slut shaming óbvio. Foi um dos comentários mais passivo-agressivos que já li por aqui.

Wal

GLStoque disse...

Ficou chocada com a 'anônima' super mãe de super post.

"Mas, na boa, eu acho que vc traiu o principio básico de ser mulher: vc nao se valorizou, voce nao viu o qt era mais que ele, vc simplesmente foi."

Que tipo de comentário é esse?

Sério, 'anônima/super mãe/super comentário', não adianta você dizer que não está colocando a culpa nela e continuar colocando a culpa nela.

PS: E quase confundi seu comentário com o da Mirella. Ainda bem que vi a tempo. Achei que alguém tivesse enlouquecido.

E quero registrar que não gostei nada de você chamar o espaço que a Lola disponibiliza de 'muro das lamentações'. Como assim? Isso é uma atitude nobre.

Quem tem espaço na mídia, deveria disponibilizá-lo as pessoas que não tem para que as coisas sejam postas na mesa.

Caso contrário, fica tudo escondido e ninguém debate nada.

Pense nisso.

GLStoque disse...

Off, mas tá valendo.

Lola,
não sei se você se lembra, mas há algum tempo disse (em algum comentário)que iria escrever sobre a Gaiola das Popozudas e te mandar algum material.

Enfim, criei um blog para falar sobre 'aprender a cantar' e nesse processo vou analisar letras de músicas. Inspirado pelo post sobre 'EVERY BREATH YOU TAKE' farei análise com temática feminista.

Dê uma olhadinha depois: http://www.naonsta.com.br/2013/02/isso-e-feminismo-ta-gaiola-das.html

Anônimo disse...

Foi a primeira e ultima vez que comentei no teu blog Lola, acho que as pessoas andam muito céticas sobre os reais sentimentos das pessoas, as mulheres então nem se fala, duras e céticas, me chamar de "super mãe" de forma tao perjorativa me fez cair em lagrimas, ainda mais pq deixei tanta coisa nessa vida pra me dedicar em tempo integral aos meus filhos, quero que eles saibam seu lugar no mundo e que meu filho respeite todos os seres nao somente as mulheres, mas TODOS, é isso que tento passar pra ele no nosso dia a dia simples.

Serio mesmo que foi essa impressao que eu passei? Nao era isso que eu queria ter passado nao, a minha mensagem como mulher simples sem muito conhecimento nem muitos e muitos estudos era de que ela deveria ter tentado se defender, na hora, ou depois, que elea tinha que tomar cuidado com quem anda, acho que sou muito simplista mesmo, e nao tenho argumentos pra discutir com pessoas tao inteligentes.

Só isso, mas pelo jeito fui mal interpretada. Outro dia li uma moça aqui falando que foi postar um comentario num forum mascu e foi duramente criticada, agora eu entendo o que ela sentiu, me senti horrivel, nao sou esse tipo de pessoa nao. Tive empatia pela menina sim, mas se voces esperavam um comentario do tipo: poxa que pena vc foi estuprada, que triste, coitada de voce. Eu nao o faria mesmo pq eu nao me sinto bem chamando uma pessoa de coitada, nao sei como ela vai receber isso, eu nao gostaria que falassem isso pra mim, acho feio.

Fiquei desapontada de ser tratada com tamanha violencia nas palavras por pessoas que pregam uma rede de ajuda entre mulheres, ajuda essa que poderia ser feita de outra forma, tentar falar melhor sobre o assunto, trazer mais informaçoes para nós mulheres, mais ajuda pra entender esse emaranhado de ideias e ideais do feminismo que as vezes me confunde.

De certa forma me sinti muito afetada ate por esse termo que usaram ai em ingles e eu nem sei o que significa. Eu falei com carinho sim, pq acreditem como mãe tenho esse sentimento aflorado, e me coloco no lugar da mãe dessa menina, nao queria isso pra nenhuma moça no mundo. Falei com carinho sim, seria bom talvez as pessoas acreditarem que há seres humanos com esse tipo de sentimento ainda no mundo e nem de perto foi minha intençao falar o contrario, sou humana, posso ter falado de forma errada, mas sim, sinto empatia pela menina e se fosse possivel a ajudaria, mas nao foi isso que as pessoas viram. Uma pena.

Fiquem bem. Beijo Lola, nao quis ofende-la nunca, nunca faria isso, não é da minha indole, sou uma pessoa do bem, ainda que com pouco conhecimento de causa.

Anônimo disse...

"Slut Shaming é qualquer forma de tentar controlar a sexualidade da mulher, sua autonomia e seu corpo."

Há vários exemplos nesse blog ótimo http://euescolhifornicar.com/

Empatia é a capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa imaginando-se nas mesmas circunstâncias. Você não mostrou empatia com a autora do guest post, você apenas disse como agiria diferente.

"Fiquei desapontada de ser tratada com tamanha violencia nas palavras por pessoas que pregam uma rede de ajuda entre mulheres,.."

Não houve violência nas palavras de ninguém.

Luci

Anônimo disse...

R.

Meninas, eu agradeço a defesa mas acho que poderíamos ser mais gentis com quem assume não ter conhecimento de causa. A anonima das 16:29 me parece uma pessoa bem intencionada, então não vamos espantar uma aliada que o feminismo poderia ter.

Anonima das 16:29

Vou tentar te explicar pq vc causou tanta comoção, alem de algumas colocações q vc fez sobre a historia.

Primeiro: Slut Shaming é qualquer forma de tentar controlar a sexualidade da mulher, sua autonomia e seu corpo.
Nao eh vergonha nenhuma n saber um termo em inglês, principalmente qdo ele soh eh difundido praticamente dentro de um movimento.

Vc fez isso - sem saber, pq aih que esta o segredo - qdo disse que eu deveria ter me valorizado, não ter cedido, etc. Essa coisa de "se valorizar", 99,9% das vezes soh se exige de mulher, e ou tem haver com a mulher evitar fazer sexo/ter menos parceiros sexuais (p. exemplo, não transar no primeiro encontro, soh transar apaixonada e por aih vai), ou tem haver com o tamanho da roupa que essa mulher usa. Quanto menos roupa, menos essa mulher se valorizaria.
Entenda, o feminismo hoje bate de frente com essas ideias, e quer aboli-las. Queremos que o valor de uma pessoa n tenha nada a ver com suas roupas ou sua vida sexual. Então não vai pegar bem mesmo vc vir num blog feminista e aconselhar alguém a "se valorizar mais".

Segundo, vc alega que eu sai com um completo desconhecido, e não eh bem assim. Tudo bem que eu tivesse acabado de conhecer o rapaz, mas ai a gente tem que analisar as peculiaridades da minha faculdade.

Ela fica em uma cidade universitária, e ao redor dela tem muitas republicas. Lah, se vc n conhece uma pessoa, algum amigo seu conhece. Eh praticamente impossível esconder uma mancada por muito tempo, as noticias correm rápido.

Naquela ocasião, eu peguei o copo de bebida que o rapaz me deu e fui pra outra festa, que era despedida de um grande amigo meu. Eu soh reencontrei o cara qdo eu sai dessa festa (e passei na frente da que ele estava). Eu n vou saber o horário certo, mas c ctza passava das 2h da manha. A minha republica n era longe, mas eh NATURAL e esperado que eu aceitasse uma carona, afinal o que eh mais seguro: pegar uma carona com conhecido de amigos seus, que te viram com ele, ou ir sozinha pra casa correndo o risco de ser assaltada? Nao se esqueça que as pessoas sempre aconselham mulheres a n andar sozinhas a noite, então, p os conselhos comuns, eu ate tomei a atitude certa. E eu n sabia q iam me levar p outro lugar.

Fora que esse seu argumento eh perigoso. Vc fala p uma garota n andar com estranhos. Mas e aih, o que vc diz p a autora de um outro post, que foi estuprada por um grande amigo? Se nao me engano ela estava sofrendo pq seu cachorro morreu, o amigo foi na casa dela anima-la, levou bebidas e a estuprou. Aih, o q vc falaria? N confie em amigos? Daqui a pouco vamos ter que segregar as mulheres de todo e qualquer homem, pq todos seriam um estuprador em potencial. E não eh isso que a gente quer. Alem disso essa abordagem não funciona: estudos mostram que a maioria dos estupradores conhecia a vitima. A maior parte dos estupros acontece dentro de casa.

Anônimo disse...

R.

Anonima das 16:49

Agora qto a me livrar do cara qdo percebi o q tava acontecendo: na boa, leia o post de novo, sabe. Eu ja me martirizei o bastante por isso ateh entender. Eu não fui criada p dizer não, eu n sabia q podia parar no meio de uma transa (q falta o feminismo me fez!), eu não sabia onde eu estava, eu tive medo. Paralisar eh suuuper comum em situações de medo. Fora o outro detalhe importante, eu fui uma criança abusada e o mais comum nesses casos eh a pessoa ser reincidente em abusos. Eu vivo em alerta com meu próprio namorado pq eu nunca sei direito se eu faco uma coisa (sexualmente falando) que ele goste, e se essa coisa vai me machucar, me lembrar dos meus traumas. Eu namoro faz 4 anos e meio, e por 3 anos eu vivi me machucando sem perceber. O único sinal que eu tinha eh que havia dias que eu o queria bem longe de mim, sem saber pq. E isso se chama inconsciente, que eh abordado justamente na psicologia. Foi na terapia que eu fui descobrir esse monte de fantasmas e cuidar deles.

Então, n espere que um conselho "vc devia ter fugido" fosse funcionar para mim naquela hora, ja que, eu APRENDI a ser abusada mesmo. Eu jah fui abusada varias vezes antes (em casos menos graves)... com 14 anos um pai de um amigo meu acariciou minhas pernas enquanto eu dormia no banco da frente do carro dele. Eu acordei e não consegui me defender, paralisei e fingi que ainda dormia. Quando cheguei no meu destino, ele ainda passou a mão nos meus peitos, e eu não consegui fazer NADA, a n ser chorar na hora que ele foi embora.

Nao tem como vc esperar que uma pessoa com o meu histórico, e ate aquele momento, nenhuma assistência profissional agisse diferente. Eh por isso que as pessoas ficaram bravas com suas colocações, pq elas foram simplistas.

Eu ja estou muito melhor agora, obrigada, com mais de um ano de terapia. Eu escrevi minha historia para que mais pessoas aprendessem com ela. Claro que nos queremos que as mulheres sejam emponderadas e saibam dizer nao para um abuso. Mas ao contrario do q vc pensa (e eh normal, todas fomos criadas assim) dizer para mulheres n andarem com estranhos, n ficarem sozinhas na rua, ou cuidarem do que vestem não evita estupros e não as empondera, soh as torna frágeis e medrosas.

De toda forma, agradeço seu carinho. Da pra perceber que suas palavras foram de boa intenção.

Anônimo disse...

R.

Cora

Nao se preocupe que eu n me senti pressionada por vc para denunciar ou algo assim. Como eu jah te conheço dos comentários eu sei que vc n pediria isso p uma sobrevivente de abuso.

Mas essa duvida eh muito comum, e fatalmente em toda postagem alguém levanta a questão: pq n foi a policia? Então eu aproveitei o seu gancho p esclarecer e evidenciar p as pessoas em geral que levar o caso adiante e a publico pode ser muito pesado, e ao mesmo tempo, dizer que quem faz isso eh mto corajoso e merece todo o apoio do mundo. Que os questionamentos venham da policia e da justiça, que eh o papel deles, n de quem devia dar amparo.

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Alguém comentou por ai que ainda percebe algo de culpa ou sofrimento da minha parte. Eu diria que, tirando os reflexos na minha sexualidade que eu ainda trabalho, o pior jah passou. O que as vezes acontece, especialmente qdo relembro o assunto (como agora), eh uma sensação de vazio, que eu imediatamente quero preencher com ativismo. Eu não aceito que ngm mais passe por isso, então qualquer questionamento bem intencionado eu vou responder, foi pra isso q eu escrevi, p começar. Então, eu vou continuar nesse meu trabalho de formiguinha, pra curar de vez todas minhas feridas.

SeekingWisdom disse...

Olá pessoal

Sra anônima, li seu comment pela manhã e fiquei sem jeito de responder. Isso pq percebi, pela suas palavras, de que tipo de pessoa ele vem - uma mãe amável, preocupada e carinhosa. Lembra minha própria mãe.

Eu entendo perfeitamente o conselho que você dá para R. só que ele realmente é a cartilha: ensine a mulher a temer. Olha, não sei quando foi, mas a primeira vez que fui confrontado com a lógica desse argumento não entendi. Acho que foi no blog da Lola, há muitos meses. Achei sem noção, não entendia o porquê de ensinar alguém a se precaver era entrar na lógica da culpabilização e da violência de gênero. Demorou algum tempo para mim começar a entender esses conceitos, mas agora penso diferente.
Xs comentaristas apontaram o porquê dos erros, mas eu entendo que os termos super-mãe te magoaram, acho que elxs tb. O termo em inglês é de fato incomum e sinto muito pela dificuldade em adaptar a linguagem. Slut (Vadia) shaming (humilhação) é o ato de julgar o estupro partindo das ações inapropriadas (e quais seriam depende da noção moral de cada um. Ex beber, entrar no carro de um desconhecido e tudo mais...) da vítima. Esse ato focado no comportamento da vítima acaba justificando a ação do estuprador, ou pelo menos tira o foco e o julgamento das ações dele. Afinal, o estuprador também é uma pessoa, ele também é humano e essas pessoas deveriam ser educadas para não estuprar.
Eu sei que vc deve pensar, mas todo mundo sabe que estuprar é errado! E é aí que está enganada, não sabem. Já presenciei situações que eram estupro e eu não me dava conta dessa violência.

A resposta da Mirella realmente é o que devemos aprender sobre estupro e violência sexual. Precisamos ser ensinadxs a dizer não, a conhecer o nosso corpo, saber impor os limites do nosso corpo e saber respeitar o limite do corpo dos outros.
O contraponto da Cora tinha esse objetivo, mostra qual a lógica por trás das duas linhas argumentativas: a da Mirella empodera, ensina a impor limites.
A tua, ensina a temer as situações de risco.

Olha, minha mãe é muito igual, rs. Ela tem muito medo de sair na rua, não bebe fora de casa, desconfia de tudo e de todos. Ela transmite o tempo todo suas preocupações sobre a gente sair e como o mundo lá fora é perigoso e tudo mais. Vou ser sincero, isso não impediu que eu conhecesse a violência e isso não me ensinou a reagir.

Então, de coração, te peço para pensar um pouco em cima do comentário dos leitores e entender a crítica sobre o discurso (não é pessoal!)

Queria adicionar só mais uma coisa. Sobre os guests, bom a Lola quem coordena, mas não é verdade que eles são ruins. O de crianças em hotel, por exemplo, é importante pois revela um padrão de comportamento social importante - as pessoas não sabem administrar problemas no espaço público.

Abraços, Phillipe

Cora disse...

R.,

feliz e aliviada ao ler seu comentário. vc é uma guerreira. muito bacana sua resposta à mãe anônima.

tudo de bom pra vc.

.
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GLStoque,

creio q foi meu comentário q te induziu ao erro. Mirella jamais diria aquilo q a mãe anônima falou.

eu quis comparar duas falas opostas em relação à educação de meninas.

a Mirella reconhece e defende q o empoderamento das mulheres é um aspecto muito importante pra diminuirmos a violência de gênero.

a mãe anônima pretende “proteger” mulheres tornando-as frágeis e indefesas, enfim, mantendo o senso comum equivocado sobre o assunto.

e eu tb não gostei do “muro das lamentações”. concordo com vc. os posts são apenas meios para q os debates aconteçam. estou com o tempo bem curto mesmo e não acompanhei o debate sobre as crianças, mas pelo número de comentários dá pra ver q foi bem movimentado. quer dizer, muita coisa interessante deve ter surgido ali, num post q a anônima rotulou como “de lamentação”.

os debates são tão ou mais interessantes q os posts. aliás, o propósito dos posts é justamente fomentar o debate. e a Lola faz isso como poucas. o espaço dela é muito bem frequentado. eu sempre aprendo muito aqui.

Anônimo disse...

Gostei muito do que o menino Phellipe escreveu, não tinha entendi até então onde eu estava errando, agora eu consigo ter uma ideia mais clara do que fiz e faço de errado. Entendi que defendo sempre evitar os riscos, qd na verdade o mais acertivo seria ensinar a por limites. Acho que como mãe muito presente e ativa na vida dos filhos eu fico meio cega e viceral, penso sempre em protege-los, acho que é muito forte nas mães esse sentimento de "toma cuidado menino", "leva o casaco", "não bebe", essas coisas, fui criada assim, e acho que acabo passando isso para os meninos, mas foi bem esclarecedor o que vc explicou colocando meu comentario e comparando com da menina Milena, agora eu entendi. Viu, nao falei por maldade nao, so que eu tinha uma linha de raciocinio diferente, tb nao estava entendendo o que vcs estavam falando, foi dificil pra mim entender, nao por ser limitada intelecualmente, mas por nao ter todo esse conhecimento da causa que vc's tem e saber diferenciar as palavras, situaçoes, ate conhecem esses termos que eu nem sabia o que era, e nossa, nunca jamais queria ter sido interpretada assim. Nao foi minha intençao.

Agradeço muito o Phellipe por sua generosidade comigo, obrigada pela paciencia em me explicar esse ponto de vista, com certeza acrescentou muito e vai mudar meu modo de educar meus Pequenos, com certeza vou pensar muito sobre o que vc falou e vou começar a por em pratica isso aqui em casa, de impor limites, de nao temer situaçoes e sim saber se defender.

E tb queria agradecer a menina R. que entendeu que nao é que nao tive empatia por ela, claro que tive, tive muita, so nao tinha pensado na palavra empatia como fala Luci, acho que sou muito ignorante mesmo.

Eu tive foi uma empatia de mãe, uma preocupaçao, um jeito diferente de ver a coisa toda, "ahh se ela nao tivesse ido"....foi meu jeito de pensar...errado mas foi.

Se fosse minha filha acho que eu ja tinha morrido só de ver ela chorar uma unica vez por conta de um monstro desse calibre, acho que eu ja tinha matado com meus proprios punhos esse menino, tinha mesmo, parece violento, mas só quem ama muito sabe que ver um filho passar por isso é doloroso demais, ja passei por isso e qs morri ao ver um filho meu triste por conta de intolerancia, doi muito, muito mesmo, imagina por conta de violencia, deve ser sufocante e avassalador pra familia toda.

Tive sim viu menina, te desejo de coraçao que voce melhore cada dia mais, e encontre paz, sei que ela demora a chegar, mas vai chegar, acredite viu, acredite. Fique bem.

Beijo grande pra voces, fiquem bem, obrigada.

Unknown disse...

Mãe preocupada... Minha própria mãe passou a vida repetindo o seu discurso. "Valorize-se", "evite"... E foi algo extremamente negativo para mim. Não vejo seu discurso com a empatia do Phellipe, confesso. Sou mulher e fui diretamente atingida em razão desse discurso que culpabiliza a vítima. E, como minha mãe, você apela para a piedade dos ouvintes/leitores. "Não entendo, sou ignorante, sinto carinho, aviso porque sou amiga", etc. Se o objetivo é discutir, não vamos levar a discussão para o nível pessoal. Não ê preciso apelar para a simpatia dos leitores. Vamos discutir ideias. Essa é a minha sugestão.

Wal

Anônimo disse...

"As Audre Lorde said, “Your silence will not protect you”. Neither will denial."

Gostei muito desse texto aqui falando basicamente o mesmo que a autora do guest post ilustrou com a sua experiência pessoal e também fazendo uma ligação com o estupro coletivo de uma mulher na India e a reação na mídia ocidental.

Está em inglês: http://sandracharlottereichert.wordpress.com/2013/02/09/intimate-enemies/

Luci

Mirella disse...

Nossa, rendeu aqui rs


e acabou que, no principal, faltou falar com a guest poster R.
Acho sempre legal quando a pessoa acompanha o post de sua história.
R., fico feliz demais que você esteja em tratamento e conseguindo superar esses acontecimentos que você relatou. Desejo que você continue e esteja cada vez melhor. Não sei muito o que dizer, apenas estou te mandando um enorme abraço virtual. Seu relato foi muito poderoso e com certeza irá ajudar muitas outras mulheres.



Mãe dos comentários, isso é a única coisa que alguém pode pedir para você: eduque seus filhos para respeitarem qualquer mulher, independente de estado etílico, civil, social, roupas ou o que seja; eduque suas filhas para serem donas de si. Já vai ajudar a próxima geração a evitar histórias como a que a R. compartilhou.

Dayane disse...

Obrigada pelos comentários que me responderam, meninas!Gostei muito!

Anônimo disse...

essas feministas...
ok se um cara agarra uma mulher bebada sem condições dedizer não e faz sexo com ela é abuso...
mas se for a mulher bebada que agarrar o cara como fica ? a ela não pode ser culpada pelo ato por estar embriagada...
Então se eu sair bebado de carro e atropelar a culpa não é minha pois estou embriagado e isso me isenta dos atos que cometi ?

Camila disse...

Parte I

Primeiramente gostaria de agradecer todos os que tentaram me ajudar com certas dúvidas e debateram comigo sem ofensas; a minha intenção aqui não é sair apontando culpados, estou simplesmente tentando entender e não me equivocar quando o assunto é estupro – porque afinal parece-me que só tentam entender o lado feminino da história e esquecem que os adolescentes e homens também são filhos, irmãos e às vezes vítimas. Eu tento entender o lado masculino da história porque tenho um irmão, e como mulher posso ter as chances de engravidar e vir a ser mãe de um homem. Portanto, gostaria de saber como se portar diante um problema como esse.
E não, meu irmão nunca cometeu tal ato pois meus pais sempre o insinaram não só a respeitar mulheres mas também evitar situações onde rolam muita bebida (ele foi insinado também a não aceitar bebida de ninguém). Gostaria de dizer que em hipótese alguma eu julguei a vítima ou o estuprador pois não os conheço pessoalmente; as minhas opiniões são baseadas na situação onde estão envolvidos festa universitária e bebidas. Espero que a autora do texto pense não pense que a estou condenando pessoalmente. A minha opinião ainda é formada de acordo com minhas experiências e com o que tenho lido sobre o assunto.
Gostaria de dizer também que não tenho “mente de estuprador”. A pessoa dizer que se eu fosse homem com certeza seria estuprador deve ser muito experiente em estudos humanos pra fazer tal afirmação.

Camila disse...

Parte II

Enfim, ainda acho que tudo pode ter sido somente um mal entendido – não estou AFIRMANDO. Digo isso porque tentei me colocar dos dois lados, e acho sim que a responsabilidade – neste cenário - seja mútua. O cara por ter iniciado o ato (sabe-se lá se ele estava bebado ou se a menina deu algum sinal verde ou não) e a menina por me confundir a partir do momento que autorizou que o ato sexual tivesse continuidade e por ter mantido o contato depois, e por dar a impressão que ficou chateada porque o cara foi frio – o que me fez ficar pensando se a menina teria parado pra pensar em estupro ou não caso os dois tivessem hoje um relacionamento.
Preciso também esclarecer o meu ponto de vista sobre a banalização do estupro. Não podemos esquecer que hoje em dia não existem SÓ homens cafajestes – existem mulheres com más intenções sim. Sabemos de mulheres que engravidam pensando em prender o parceiro; sabemos de mulheres que ameaçam homens dizendo que vão alegar estupro se o cara não continuar com elas, ou como por exemplo essa mulher aqui que acusou o cara de estupro pois não gostou do sexo com ele (http://www.newschannel5.com/story/20251444/woman-files-false-rape-claim-because-she-didnt-enjoy-it). Essa é a banalização a qual me refiro, pelo menos nos EUA, qualquer coisinha é motivo de estupro. Se bobear, dentro de um ônibus, se o motorista frear de repente e um cara cair em cima de uma mulher, ela vai dizer que foi abuso sexual. Até mesmo no metro, na hora do empurra-empurra; como um homem pode avitar ser acusado de abuso sexual quando encoxa uma mulher sem querer enquanto mil tenta entrar ao mesmo tempo no horário de pico? Enfim, são coisas que estou tentanto compreender.
Agora, o fato de pensar que culpa foi da *vítima* também é simplesmente baseado no que passamos atualmente na sociedade. Antes de mais nada quero deixar claro que sei que mais importante acima de tudo é educar os homens para que respeitem as mulheres e não estuprem (com o sonho de que a sociedade seja melhor nas próximas gerações), mas enquanto vívemos nessa porcaria de sociedade porque não aprender a nos precaver? Porque não evitar situações que convidem os homens a fazer o que bem entendem?
Por exemplo, vivemos num país cheio de violência. Todos que dirigem evitam situações de risco certo? Não deixam pertences no carro, nem bolsas à vista para que ladrões não sejam convidados; quando viajamos somos aconselhados a deixar alguma luz acesa para que pensem que alguém está em casa; quando estamos em casa trancamos todas as portas possíveis; criançãs são ensinadas a não aceitar nem conversar com estranhos; mulheres são instruidas a não aceitar bebida de estranhos e andar segurando a bolsa na frente. Não existem certos lugares de uma cidade onde dizem que não é bom andar por causa de ladrões ou pessoas drogadas? Então, é esse tipo de prevenção que nos ajuda a sobreviver em cidades violentas.

Camila disse...

Parte III

Creio que o primeiro passo hoje – já que é complicado e quase impossível mudar a sociedade de um dia pro outro – é não dar mais sopa para possíveis predadores. Assim como pais estão aprendendo a monitorar os seus filhos pela internet para não cair em mãos de pedófilos, ensinando idosos a não dar informações pessoais pra ninguém para que golpes sejam dados etc... porque não instruir as mulheres a não criar certas situações? Por exemplo, se é de comum conhecimento que em festas universitárias rolam muitas bebibas e é onde mais ocorrem estupros, porque as mulheres insistem em beber até passar mal? Porque aceitam bebidas feitas durante a festa sem saber por quem foi feito e sem saber se colocaram algo na bebida ou não? Lógico que beber é um direito, mas porque não pegar a própria bebida e dar preferência a bebidas enlalatadas e fechadas? Se você é fraca para bebidas, a idéia seria nem consumir a primeira dose. O que me assusta é que a maioria de estupro que ocorrem nessas festas são entre pessoas conhecidas e amigos. Um exemplo atual é o caso do estupro coletivo em Ohio; a menina de 15 anos estava completamente desacordada, a menina não era conhecida mas a amiga que a levou a festa sim. A culpa é dos caras que a estupraram? Absolutamente, mas a irresponsabilidade é dela também de quebrar a lei e beber. E não adianta me dizer que adolescente não sabe o que faz porque sabe sim; se os mesmos não soubessem a diferença entre o certo e o errado não fumariam e beberiam escondido, não transariam escondido, não pegariam o carro dos pais escondido entre outros (o motivo pelo qual acho o estupro estatutório um absurdo) pois existem pais que aceitam que suas filhas de 15 anos por exemplo namorem com caras de 30; ai a adolescente engravida e pronto, vão lá acusar o cara de estupro - fala sério. Então dizer que as meninas de 15 e 16 anos são ingênuas pra mim não cola.
Enfim, acho que é dever dos homens pararem de achar que podem fazer o que bem entendem com as mulheres, mas cabe a nós também nos proteger e parar de facilitar o ataque de predadores sexuais.

Mirella disse...

Camila,


Olha, tava escrevendo um comentário debatendo numa boa, mas depois de você dizer que a garota de 16 anos que foi estuprada não é boba e não falar NADA dos estupradores, já deixou claro como sua mente funciona. Não vai dar para debater com quem diz uma coisa dessas. E para quem quer tantas satisfações sobre o caso, poderia ter lido o que a própria guest poster comentou e quem sabe entender um pouco melhor, em vez de ser "confundida" por ela.

Nossa, que nojo.

Camila disse...

Mirella,

Entendo e aceito sua opinião, mas você distorceu o que eu disse. O meu comentário de meninas de 15 e 16 anos está relacionado com o estupro estatutório, onde o sexo até onde eu sei é CONSENSUAL. E eu tenho minha opinião formada pois uma prima minha namorou um cara muito mais velho com o consentimento dos pais; quando ela engravidou e o cara não quis saber eles pensaram em denúnciar o rapaz alegando estupro estatutório. Eu particulamente acho um absurdo sendo que a mãe sabia que os dois transavam.

Me responda se nesse caso isso pode ser considerado estupro? Acho que não, pois os dois namoravam a mais de um ano. E depois de quase 3 anos separados, os dois voltaram a ficar juntos. Conclusão, se os pais tivessem denúnciado ele pos estupro de menor olha o vexame que teriam passado. Enfim, são casos e casos.

Na minha cabeça existe uma grande diferença entre estupro - forçado ou de vulnerável - e estupro estatutório onde o sexo é consentido. E a minha opinião é que adolescentes sabem muito bem o que estão fazendo.

Você pode não gostar da minha opinião, mas dizer que deixei claro como minha mente funciona não tem como. Eu tenho tentado entender sim todos os diferente casos de estupro. E em sua maioria são homens que usam de força ou se aproveitam da vulnerabilidade, idade ou estado mental das vítimas.

E eu não falo do estuprador no caso porque não tem o que discutir. Ele é culpado e ponto pois até que se prove o contrário ele pode ter sido ou não culpado.

Mas o que eu ainda acho é que é crucial as mulheres evitarem facilitar a vida daqueles que tem a intenção de estuprar. Afinal, já que não podemos mudar a sociede, temos que nos adaptar a ela. Como a mãe que escreveu nos comentários; já que não podemos evitar bebidas, festas etc... como fazer para previnir, entendeu?

Anônimo disse...

Eu já passei por uma situação semelhante, mas ao contrário da autora do post, embora tenham se passado quase 3 anos, talvez ainda não esteja bem resolvida com essa história, e talvez tenha me marcado bem mais do que imagino. Eu ainda não gosto de falar dos detalhes, mesmo não me identificando. Na época fiquei muito mal, me senti invadida, humilhada... cheguei a sair de casa pra ir na delegacia mas recuei, por medo, por estar sozinha, por um monte de sentimentos confusos. Eu só quis apagar essa história da minha mente, mas sempre que leio algo semelhante, eu recordo do quão grave foi aquilo que passei, duas "amigas" que estavam comigo na ocasião não consideraram que foi um estupro, talvez tenham achado que eu estava louca por pensar aquilo. Talvez algum dia eu consiga contar essa história com todos os detalhes, da forma que até hoje jamais tive coragem de fazer.

Cora disse...

“Por exemplo, se é de comum conhecimento que em festas universitárias rolam muitas bebidas e é onde mais ocorrem estupros, porque as mulheres insistem em beber até passar mal?”

“Porque aceitam bebidas feitas durante a festa sem saber por quem foi feito e sem saber se colocaram algo na bebida ou não?”

Eu perguntaria:

Por que é tão comum que homens universitários utilizem bebida para estuprar? Por que é tão frequente (comum!) a ocorrência de estupro em festas universitárias?

Por que homens colocam algo na bebida de mulheres?

Por que homens insistem em estuprar mulheres, muitas vezes amigas ou colegas de curso/universidade, quando elas estão desacordadas ou inconscientes?

Da mesma forma que a garota escolheu beber, os caras escolheram cometer uma violência sexual. Por que questionamos apenas a escolha da garota beber e nem passa pela nossa cabeça questionar por que diabos um colega ou amigo acha tudo bem fazer sexo com a colega ou amiga desacordada?

“Um exemplo atual é o caso do estupro coletivo em Ohio; a menina de 15 anos estava completamente desacordada, a menina não era conhecida mas a amiga que a levou a festa sim. A culpa é dos caras que a estupraram? Absolutamente, mas a irresponsabilidade é dela também de quebrar a lei e beber. E não adianta me dizer que adolescente não sabe o que faz porque sabe sim; [...]”

Por que vários adolescentes acharam que estava tudo certo estuprar uma garota de 15 anos?

A garota sabe que é errado beber. Os caras sabem que é errado estuprar.

Beber causa danos à garota: intoxicação alcoólica, dor de cabeça, náuseas. É uma violência que ela provoca nela mesma apenas.

Estuprar (e ainda mais um estupro coletivo!!!!!!!!!!!) é uma violência absurda, abjeta, chocante, que se faz ao outro. Muito mais errado. Muito mais danoso. E além de tudo, um CRIME!!!!!!!!!!!

Mesmo assim vamos falar sobre a garota?

Nada de questionar o que leva garotos a estuprarem?

Nada de questionar o que leva um cara a iniciar o ato sexual com uma colega desacordada?

(É claro q ela ficou chocada com a frieza dele. Se um cara faz “sexo” nessas circunstâncias, o mínimo que se espera é que o infeliz demonstre algum interesse no estado de espírito da parceira. Ser frio só reforçou o quanto ele não estava nem um pouco preocupado ou incomodado com as próprias ações. Ele é um BOÇAL e a frieza em tratar do acontecido só confirmou a sua BOÇALIDADE.)

De fato não podemos mudar a sociedade em poucos dias ou anos. Mas bater na mesma tecla há milênios não tem ajudado. Mulheres devem fazer de tudo para evitarem ser violentadas. E mesmo assim, a violência sexual faz parte da história da humanidade. Talvez esteja passando da hora dos homens pensarem um pouquinho na sua responsabilidade em cometer o abuso. Ou será demais pedir aos homens que reflitam um pouco sobre isso? Ou será demais pedir aos homens que assumam as responsabilidades pelas violências que eles escolhem cometer?

Mas o que eu ainda acho é que é crucial os homens pararem de dificultar a vida daquelas que tem a intenção de se divertir entre amigos e colegas. Acho que é crucial que os homens parem de cometer violência sexual contra colegas, amigas e namoradas.

Cora disse...

ah!

e sobre os namoros de adolescentes com trintões babões e boçais com a anuência da família, é mais comum do que se imagina. tem muita família doida pra se livrar da filha e empurrando a pobre pra cima de qualquer boçal que aparece.

o cara é adulto e sabe muito bem como evitar a gravidez. um trintão que namora meninas de 14, 15, 16 anos quer apenas uma mulher boba, apaixonada e que não consiga se impor e exigir camisinha, por exemplo.

a gravidez decorrente é, SIM, muito mais responsabilidade dele do que dela. ELE É O ADULTO DA SITUAÇÃO. ele deveria, se não fosse BOÇAL, cuidar da namorada muito jovem para ter noção das consequências de uma gravidez. se ele REALMENTE se preocupasse e amasse a garota, a protegeria de uma gravidez não planejada. mas o que se vê é que, invariavelmente, o cara simplesmente DÁ NO PÉ.

pode crer, todos os casos que já vi de gravidez adolescente, o cara se manda antes do bebê nascer e quem se phode é a menina. desamparada inclusive pela família.

querer responsabilizar meninas tão jovens e desorientadas assim é muita falta de percepção do que ocorre de fato na sociedade.

SeekingWisdom disse...

Olá pessoal
É Mirella, estava mais para seu time mas aí a Cora resolveu contrapor o que impossível de contraponto e cá estou eu.

Camilla, mesmo depois de tanta gente explicando como essa lógica é falha vc teima em voltar aos mesmos argumentos. O video de Ghiraldelli é uma boa pedida pra vc também porque vc está empacada quando o assunto é estupro.


http://www.youtube.com/watch?v=xEqbkoDY0RE

Vou adicionar só mais um pedaço de informação

"Banalização é algo que teve sua imagem desgastada, ou algo de importância que se tornou menos importante pela exaustão da repetição sobre um determinado assunto. "A banalização da violência", por exemplo, pode expressar que, de tão comum, algo tão sério acabou virando algo rotineiro.

Banalização (banalizar + ção) é o substantivo construído a partir do verbo banalizar (banal + i + zar), que indica a ação de tornar banal (comum, curriqueiro, costumeiro, aceitável facilmente, incorporável...), com origem na forma francesa arcaica "ban-". Qualquer associação com a fruta banana é um absurdo injustificável linguisticamante"

Ok, sabemos o que é banalização agora, não parece ser o que vc pensa. Vc diz que o crime de estupro está sendo avaliado de maneira leviana e que os pobres homens, tadinhos, estão sendo falsamente acusados.
Primeiro que o princípio de presunção da inocência está simplesmente sendo pisoteado pela sua idéia de que acusação=condenação, segundo que, bom, vou deixar a imagem falar:

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=389545031136225&set=a.363391877084874.84369.363385410418854&type=1&relevant_count=1

Como vc pode perceber claramente a grande maioria dos casos de estupros sequer são denunciados!!
Aí vc vem dizer pra mim pra pensar no pobre homem acusado injustamente?? Vc está pensando nas mulheres violentadas que não denunciam? Vc percebe que está sendo conivente com toda uma cultura de culpar a vítima pela violência prepretada contra ela?
Quando eu olho esse gráfico penso:

NOSSA! COMO O ESTUPRO É BANALIZADO!!

Como pode uma sociedade permitir tamanha atrocidade. Como pode haver tantos casos de estupro não reportados? Vítimas traumatizadas por uma vida!
Se depois disso tudo ainda não for capaz de repensar seu discurso pulo fora.

N quis ser desrespeitoso, mas vc tem q entender que seu discurso é violento tb. Abraços, Phillipe

Ju disse...

O discurso da Camila é igualzinho a de um mascu, gente. Que coincidência.
Mas eu nunca vi mascu mulher. Será que já existe?

AngieB disse...

Querida R, sinto muito que voce tenha passado por isso; e fiquei muito contente com sua força em diversas ocasioes dizer que sabia mto bem o que tinha lhe acontecido, e sabia que teria que aguentar alguns "trolls" a duvidarem.

[Esse conto da Bela Adormecida, como varios outros, é um atraso para nossa vida... Pode-se mudar varias coisas, mas ainda é um conto antigo que se preserva a mensagem de submissao e objetificaçao feminina... Precisamos de novos contos... Brave da Pixar me da esperanças]

E achei interessante, tirando os trolls de sempre que "nao estao julgando a vitima" (e claramente estao) ou "nao estao culpando apenas a vitima" (e claramente estao), a mae anonima acreditar que estava dando seu apoio em uma melhor maneira feminista e escorregar feio... E com isso, achei otimo a R. e SeekingWisdom terem paciencia em explicar pq o discurso dela nao era feminista, ou pq ele teria uma reaçao adversa daquela que ela esperava... Ao menos, eu percebi que ela tinha uma intençao muito diferente da Camila e do Lucio Ferro.
Eu sei que qdo alguem erra o "basico" dá vontade de arrancar todos os cabelos; mas muitas vezes as pessoas nao percebem o que estao errando e pq é tao grave. E ter uma atitude de como se tem com os trolls nao ajuda, mas afasta alguem que tinha no final as mesmas intençoes contra o patriarcado.
Nao teve aqui mesmo um post que falou sobre mesmo sendo sabendo muito do feminismo, as vezes nao conseguimos aplica-lo na nossa vida?Cometemos erros pessoais tb?
Mesmo sendo um saco a trolagem, o backlash, a cartilha moralista e religiosa, as piadinhas,a repetiçao, os estigmas, os cliches...bla bla... Tem-se que ter paciencia para se observar e diferenciar as vozes e intençoes.

Mirella disse...

"Um exemplo atual é o caso do estupro coletivo em Ohio; a menina de 15 anos estava completamente desacordada, a menina não era conhecida mas a amiga que a levou a festa sim. A culpa é dos caras que a estupraram? Absolutamente, mas a irresponsabilidade é dela também de quebrar a lei e beber. E não adianta me dizer que adolescente não sabe o que faz porque sabe sim"


Camila, copiei o que você disse, sem alterar uma linha, somente o grifo é meu.

Foi o que você disse, logo, é o que você pensa. Se você se incomodou com o fato de eu explicitar que é assim que você pensa sim, talvez devesse mudar a sua maneira de pensar, em vez de justificar a violência das suas palavras.

Se você quer entender, estudar, ótimo, mas não fale com esse tom prepotente como se estivesse fazendo um grande favor à humanidade. Você não é uma pessoa melhor só por dizer que está tentando entender algo enquanto mantém suas falas machistas.

E sabe esse comportamento de culpar a vítima pela violência que sofreu? Não vai impedir de pessoas fazerem o mesmo com você.

GLStoque disse...

Cora,

Valeu aí pela atenção. Obrigado. Também aprendo muito aqui. A Lola é fantástica e o blog, nem se fala. Um dia conto para ela o que ela já fez por mim.

márcia figueiredo disse...

Relato impressionante. Vale lembrar, também, que esse efeito provocado pela bebida pode ser por ter sido adicionado algum medicamento entorpecente. Nenhuma bebida provoca essa reação, a não ser em altas doses, o que parece não ter sido o caso, pois a autora do texto não cita ter bebido demais. Vale a pena conferir. Essas coisas não podem ficar impunes. Isso é crime, com certeza.

Anônimo disse...

"Apavorante é saber que,boa parte dos homens (e mulheres)não consideram isso (e outras formas de abuso) como estupro/abuso,e sim,como sendo "doce" da menina/mulher,pra mim,homem que apoia essa tese (e defende com tanta veemência o acusado,quando se noticiam casos assim) está dizendo BEM CLARAMENTE;se eu tiver uma oportunidade,eu faço igual. Depois reclamam da frase clássica "todo homem é um estuprador em potencial" podem até não ser (e acredito nisso)mas, um número significativo faz uma FORÇA danada pra corroborar o dito."


Mas ai entra o caso de que, a maioria deles não considera isso estupro, logo não podem ser taxados de potencial estuprador, a pessoa só pode ser julgada no fato quando o conhece... e isto é óbvio...

Marcelo T. disse...

"História muito triste. Muitos estupros acontecem assim. Sabe, eu não acho que os caras são bobinhos e não sabem que cometeram estupro. Eu acho que eles sabem o quanto é difícil provar um estupro, o que é muito diferente. E quantos estupros acontecem quando o namorado insiste e a moça não tem coragem de lutar? Ele sabe que ninguém vai acreditar que foi estupro porque eles são um casal."

Não pense dessa maneira, até porque realmente existem pessoas que não pensam igual a você, a palavra é conscientização!

Marcelo T. disse...

"Lucio Ferro, o SeekingWisdom já te mandou à merda (merecidamente).


Rob, me sinto livre pra fazer o mesmo com você que está querendo jogar a culpa na vítima com esse seu comentário. Va à merda! E pense sobre isso."


Ju. ataque o argumento e não o argumentador...

Anônimo disse...

"E vc pode ser feminista e tudo mais, e suas duvidas n terem maldade nenhuma. Acredito nisso, tanto que estou te respondendo. Mas a sua atitude agora não se diferencia do senso-comum, que coloca a duvida ' sera que foi mesmo ' "..."

Ele tem o direto de ter a dúvida, esclarecendo você está sendo uma pessoa que traz conscientização, afinal ninguém nasce sabendo..

Anônimo disse...

"Se alguém deixa alguém bêbado para estuprar, acho que além do estupro, deveria ser julgado por ministrar substância entorpecente afim de tirar a consciência da pessoa."


Eu não defendo o estupro, mas ninguém deixa ninguém bebado, a pessoa pega o copo e leva-o até sua boca.

Marcelo T. disse...

"Dica: Evitem se drogar até o nível da inconsciência, meninos e meninas. E isso inclui álcool."

Apoiado totalmente!

Marcelo T. disse...

"Aline, acho ótimo o que vc disse, só queria adicionar que é necessário educar crianças (sem distinção de gênero) para uma vida sexual saudável. Meninos também sofrem violência sexual e também podem ter os traumas de um abuso. Outra coisa é que as brincadeiras de criança podem chegar nesse lado e nem sempre elas são despretenciosas e isentas de violência. Assim, acho que todxs devem ser ensinados, desde a infância, a respeitar o limite do corpo do outro e a saber impor os limites do próprio corpo."


Perfeito, não só os meninos fazem isso!

Marcelo T. disse...

"Ou, um caso que eu acompanhei na época da faculdade: pessoa bebeu demais, mulher convenceu o sujeito a "vender" o carro pra ela em troca de 50 reais. A própria mulher ficou fazendo o cara beber, talvez já com essa intenção. Era um carro que valeria coisa de R$ 25.000 em situações normais. Quando ele voltou a si, deu queixa como roubo, e ganhou. A mulher foi condenada por fraude. Pela sua lógica, não devia ter sido condenada a nada, o cara teria vendido o carro por vontade própria?"


A mulher foi infeliz, mas não forçou o cara a beber...

Anônimo disse...

"Queria adicionar uma coisa. Faz parte do privilégio masculino poder beber e se drogar sem o risco eminente de um estupro"


Beber e se drogar, tanto mulher e homem pode, o que ele quis dizer foi sobre a questão de ficar inconsciente e outra pode até não ser estuprado mas o homem corre outros riscos...

Clara disse...

Enquanto o foco da culpa do estupro estiver na conduta prévia e licita da vítima e não na vilania criminosa do(s) estuprador(es), muito trabalho terá que ser feito para evoluir a mais desprezível parcela da sociedade.