domingo, 17 de fevereiro de 2013

GUEST POST: MACHISMO DO MEU PAI NÃO ME DEIXOU DIRIGIR

Confesso que desde que cheguei a Fortaleza, três anos atrás, ainda não peguei no nosso carro. Em Joinville eu dirigia normalmente, mas aqui moro perto da universidade, vou andando, e o maridão precisa do carro muito mais do que eu, já que ele dá aula (de xadrez) em escolas um pouco mais distantes. 
Não sinto a menor falta de dirigir. Acho que não esqueci como se faz, mas o pessoal do trânsito daqui é muito buzinador. Eu ficaria nervosa e estressada. Sem falar que o portão da nossa garagem parece bem estreito, visto de longe...
Segue o guest post da Paola, que pelo jeito seria bem diferente se ela fosse um Paolo. Só peço que evitem comentários do tipo "classe média sofre". Pra Paola, o que aconteceu foi um problema real, que a marcou. Devemos respeitar isso. Quem quiser um guest post mais teórico e menos pessoal, leia o de ontem, do Ramiro (post que, inclusive, recebeu poucos comentários).
 
Gostaria de falar sobre um episódio de machismo que marcou a minha vida. Muitas pessoas acharão que é um acontecimento bobo talvez, pois não sofri violência física ou algo mais grave na minha vida (graças a Deus), mas é um fato que me marcou muito psicologicamente.
Eu, quando fiz 18 anos, estava super feliz, já que iria finalmente tirar a minha carteira de motorista. Quando chegou o momento, o meu pai perguntou porque que eu ia tirar a minha carta, já que eu não tinha carro. Ué, pensei que ele iria ser legal e me emprestar o dele, certo?
Ainda mais que na época ele tinha dois carros, a minha mãe não dirige e a única irmã que eu tenho é mais nova do que eu, ou seja, ainda não podia dirigir.
Minha mãe entrou na minha defesa e disse que na minha idade meu pai também não tinha carro, e que o meu avô emprestava pra ele. Ele não respondeu nada, e eu achei que o problema havia sido resolvido ali. Mas me enganei.
Gostaria de ressaltar que cresci numa família de classe média, mãe pedagoga e pai engenheiro elétrico. Meus pais sempre foram muito legais, não tenho o que reclamar mesmo! Mas quanto a essa questão, meu pai deixou bastante a desejar.
Com essa história, fui tirar a minha carta apenas com 21 anos.
Quando achei que as coisas iam finalmente acontecer, meu pai parece que ficou com medo da possibilidade de eu começar a dirigir e ser mais independente.
Ele vendeu um dos carros e ficou com um só. Usei o carro dele apenas uma vez, para treinar para a prova prática, e ele sem paciência e gritando comigo.
Depois disso, ele nunca mais me emprestou o carro, e vários amigos meus dirigiam e andavam de carro. Poxa, isso me deixava triste!
Eu perguntava pra ele porque ele não me emprestava, qual era o motivo, pois eu sou cuidadosa. Ele simplesmente não respondia, ou dizia que carro era uma coisa que não se emprestava e pronto. Além da minha mãe, alguns tios conversaram com ele dizendo que isso que ele estava fazendo não era legal, mas nada adiantou.
Devido a isso, não toquei mais nesse assunto. Decidi trabalhar e comprar meu próprio carro.
Comecei a fazer estágio, depois me formei, mas infelizmente a área em que me formei (Biblioteconomia), mesmo tendo estudado em uma universidade pública, é muito mal remunerada. Por isso, comprar o meu carro não era uma coisa assim tão fácil quanto imaginei no começo.
Por causa disso, quando me perguntavam se eu tinha carro ou dirigia, passei a responder que eu não dirigia porque tinha medo. Parentes e amigos sempre me perguntavam, e eu adotei essa estratégia. Eu não sei porquê, mas sentia muita vergonha dessa situação.
Imagino que meu pai não queria que as meninas fossem independentes e fossem aos lugares sozinhas de carro. Além de um machismo idiota, não consigo fazer ideia de outro motivo.
Quando comecei a namorar o meu marido, ele começou a me incentivar a pegar o carro de novo e ter prática. Ele dizia que eu precisava ir em frente e ser independente. Me motivou a atualizar a minha carta, que já estava vencida, e me deu aulas na auto escola para pegar a prática, pois apesar d'ele ser paciente, ele acha que pode ser bom eu fazer com uma pessoa desconhecida.
Ainda não fui fazer as aulas, pois devido a esse episódio passado, fico desanimada. E é um desânimo bem forte.
Hoje eu dia eu e maridusco temos condições de termos um carro pra ele e outro pra mim, mas apenas com o meu salário não. Acredito que o fato de eu não ter conseguido comprar um sozinha fez com que eu me sentisse pior. Fiquei uns cinco anos achando que no ano seguinte eu ia conseguir ter dinheiro suficiente pra isso, mas nunca consegui, mesmo economizando.
E não é status. Já fui fazer cursos e entrevistas de emprego em lugares bem longe, é uma coisa prática mesmo. Quem mora em São Paulo entenderá do que estou falando.
Com 30 anos, tenho fé que vou superar tudo isso e ainda vou conseguir dirigir normalmente. Espero que não demore muito.
Não vou permitir mais que o machismo me machuque ou domine a minha vida.

136 comentários:

Anônimo disse...

Paola, meus sentimentos, cada uma sabe como o machismo lhe afeta seu pai e um porco machista, espero que um dia você possa se emancipar totalmente dele tanto financeira quanto emocionalmente, e e manter distancia de um homem tão baixo e pequeno.

Claudia disse...

Ta bom, vou evitar o comentario CMS. Meu pai tambem nunca me deixou dirigir o carro dele, nem pra treinar pro exame. Nao pagou nenhuma aula da auto-escola. So comprei meu carro (bem velho) aos 26 anos, 6 anos depois de tirar carteira e de trabalhar muito pra juntar o dinheiro e ainda assim ter que financiar uma parte. Mas dai a traumatizar eh demais. Meu pai nao emprestaria o carro, eh um direito dele, eu nao empresto o meu pra ninguem hoje. Tem algo de errado em sentir vergonha porque o pai nao emprestou o carro.

Anônimo disse...

Poxa gente, vcs são muto rancorosas... vamos respeitar também.

O pai dela fez algo errado? Ao que me conste, o carro era dele, ele comprou com o dinheiro dele, portanto empresta ou não se quiser. Acho exagero chamá-lo de "porco machista" por causa disso. Bem que dizem que o comunismo e o feminismo andam juntos... essa mentalidade de querer o que é dos outros.

Se eu tiver um carro comprado com meu dinheiro, eu decido pra quem vou emprestar ou não. O pai dela, pelo que está escrito, disse que carro não se empresta pra ninguem. Ele não disse que carro não se empresta pra mulher. E se fosse um filho homem, poderia ter tido a mesma atitude. Na boa, vcs veem machismo em tudo.

cristinalasaitis disse...

Situação idêntica à minha.
A vontade de ter um carro soa para mim como uma importante forma de empoderamento: liberdade de ir e vir onde quiser e na hora que quiser. Ter esse direito negado por um pai machista é extremamente frustrante, especialmente quando você desconfia que, se fosse homem, a atitude seria diferente.

Tenho pensado em comprar um carro usado bem baratinho, mas a questão é que me viro bem com transporte público e realmente um carro é uma fonte de despesas e preocupações (mecânico, seguro, imposto, estacionamento, gasolina, peças, etc.) as quais posso viver sem, ao menos por enquanto.
Pensando conscientemente que comprar carro ainda não é, no meu caso, vantajoso, prefiro buscar outras formas de exercitar meus anseios de liberdade (viagens, por exemplo) e deixar essa vontade de ter um carro em suspenso.

Cris disse...

Pessoal, desclpem fugir do assunto. Mas queria chamar a atenção de vcs tambem para um assunto que ja foi mencionado aqui por outras comentaristas. Está me irritando muito um (vários) posts no facebook criticando mulheres que curtiram o carnaval e agora querem romantismo. Só uma dessas postagens, quando eu vi ontem, da página #orgulho de ser hetero, ja tinha mais de 36 mil compartilhamentos. Absurdooooooo.

Larissa disse...

Meu pai não deixava minha mãe dirigir. Ela só conseguiu tirar a carta dela depois de muita briga com ele, depois de muita humilhação, só lá com quase 40 anos. Ela ainda conseguiu comprar um carro com o trabalho dela. Mesmo assim, depois de tudo ele não deixava eu e meu irmão andar de carro com ela, pq ele dizia que mulher é burra, não sabe dirigir e ela ia acabar matando a gente. (Detalhe: meu pai era do tipo que fazia ultrapassagem por cima da calçada, saia cantando pneu, e dirigia da maneira mais brusca possível, ao contrário da minha mãe que sempre foi cuidadosa)

Bianca disse...

Behaviorismo pode explicar com clareza esse seu trauma, Paola.
Os traumas psicológicos afetam cada uma de uma maneira muito particular.
Ótimo você ter uma marido tão gentil, ele poderá lhe ajudar a superar esse triste episódio.

Patty Kirsche disse...

Olha, eu já conheci muitos homens (e mulheres) que realmente acreditam na incapacidade feminina para dirigir.

É engraçado, pq dirigir não é algo assim difícil, muita gente dirige todos os dias. Eu moro em São Paulo, um dos trânsitos mais agressivos do mundo. Posso garantir que não é necessária nenhuma superioridade intelectual específica para guiar um carro. Mas, culturalmente, existe uma forte associação entre carro e masculino. E por aí passam várias fantasias de autoafirmação masculina. Se uma pessoas dirige com cuidado, dirige como "mulher". E até o seguro pra mulheres é mais barato por conta da média de acidentes. O perfil do condutor infrator é homem até 30 anos, o que nossa sociedade convencionou chamar de "moleque".

Por aqui tem bastantes CTCs (centro de treinamento de condutores), são auto escolas pra treinamento de pessoas habilitadas. E adivinha? A maioria entre os alunos são mulheres. Mas não acho isso difícil de entender. As meninas crescem escutando que dirigir é coisa de homem e veêm o pai sempre dirigindo quando a mãe também está no veículo. Com um monte de gente sempre dizendo que não somos capazes de fazer isso, algumas de nós acreditam. Precisamos mudar essa cultura de colocar dirigir como um tabu pra meninas. Sem essa de "mulher tem dificuldade com manobra". Chega disso. Algumas pessoas precisam treinar mais, outras menos. E o melhor é nem dirigir com gente machista do lado. Tem gente que até se traumatiza.

SeekingWisdom disse...

Olá pessoal
Só para trazer mais informações, antecipando o mimimi "mulher no volante..."


Esse artigo fala de como os estereótipos negativos influenciam as habilidades de direção da mulher.
http://articles.economictimes.indiatimes.com/2008-03-25/news/27700195_1_stereotypes-simulation-drivers

Esse revela que mulheres diregem melhor sem o parceiro, indicando que a pressão psicológica é alta. Acredito que isso valha para pais ou outros chatos querendo dirigir para vc.
http://revista.webmotors.com.br/meu-carro-e-eu/coisa-de-homem/1334081812132

Essa reportagem fala do índice de acidentes, que é menor para as moças:
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/08/noticias/especiais/carros/2011/937930-mulher-e-volante--perigo-bem-distante.html

Paola, ficou pouco claro se a atitude do seu pai é devido a um machismo descabido ou a um materialismo descabido. Tem gente que não consegue emprestar nada e acaba colocando coisas acima de pessoas. Acredito que outras falas e atitudes dele possam ser importantes para determinar qual o maior motivador.

Abraços, Phillipe

Sara disse...

Minhas duas filhas foram totalmente desistimuladas a dirigir pelo pai, ele dizia coisas terriveis pra elas, que elas não eram capazes, q não haviam nascido pra isso, q mulher é assim mesmo e não sabe dirigir, tudo mas absolutamente tudo o q ele pode fazer pra que elas não dirigissem ele fez e mais um pouco.
A mais velha mesmo tendo ganhado um carro num programa de TV de perguntas e respostas, nem assim teve coragem, foi muito dificil pra ela criar coragem, e ela só conseguiu pq é muito dedicada no trabalho dela, e por ser executiva em uma grande empresa ela foi obrigada a ter q dirigir pra facilitar as visitas as plantas espalhadas por varias cidades aqui no Brasil e no mundo.
Mas até hje o trauma dela é tão grande com o pai, que ela sai escondida sem nem se despedir de ninguem pra q o pai não a veja saindo com seu carro, ela me disse q se sente muito mal qdo ele a vê dirigindo pq sabe q ele não confia na capacidade dela.
E por incrível q pareça apesar de ela dirigir em várias partes do mundo, um dia qdo seu pai a viu sair com o carro na garagem, ela deixou o carro morrer varias vezes, acho q ela se sente tão pressionada q acaba errando.
A mais nova até pediu para o pai ensina-la, pq os dois trabalham no mesmo lugar, e ele poderia perfeitamente ir ensinando até o trabalho, mas ele jamais se dispôs a isso, disse q não tinha paciência q ela não tinha jeito para dirigir.
Depois q elas tiraram a carta, eu mesma que treinei minhas duas filhas pra dirigir, gastei o mesmo tempo com as duas, elas aprenderam bem rápido, e considero q são boas motoristas.
Nos primeiros dias eu fiz uma placa de 60cm X 20cm e coloquei na trazeira do automovel com os dizeres "motorista em treinamento", para q os motoristas que viessem por traz não ficassem pressionando demais, e elas se sentissem mais seguras.
Deu tudo certo, hje elas provaram pra esse pai delas q são perfeitamente capazes, a mais velha dirige em qqr parte desse mundo, e mais nova esta no mesmo caminho, ja pega estrada pra todos os lugares.

Anônimo disse...

Não posso fazer comentário CMS porque além de ser um comentário besta, sou da classe média alta então quem sou eu para acusar de mimimi mas...
Está muito estranho esse texto. Com cara que faltou explicar alguma coisa. A acusação de machismo é baseada em "só pode ser isso, o que mais seria?". Muito fraco. Tantos motivos podem estar por trás dessa decisão dele. A outra que está mal explicada é a de não conseguir comprar um carro apesar de juntar dinheiro todo ano: compra um carro velho, pombas! Quer dizer que carro só pode ser novo? Esse é que deu vontade de acusar de mimimimimi....

Anônimo disse...

Um pai que empresta o carro é uma boa pessoa, mas um que não empresta não é necessariamente é mau.

O carro é dele, e ele faz o que quiser, incluindo deixar na garagem!

Lívia Ladeira disse...

Acho que tem algo de errado em julgar os traumas dos outros, Cláuda. Cagar regra sobre o que pode ou não traumatizar alguém é meio sem lógica, você não acha? Ainda mais desconsiderar a história da Paola porque a sua foi diferente. O relato dela é muito válido e a coragem de compartilhar para ajudar quem possa ler devem ser levados em conta

Patty Kirsche disse...

@Claudia: Acho que toda a questão está em torno de que os pais têm mais dificuldade de emprestar o carro para filhas. Nunca conheci um rapaz que tenha sido tolhido dessa forma pelos pais. Pelo contrário, muitos até começam menores. Conheci rapaz de 16 anos que pegava o carro dos pais.

E quanto a traumas, cada pessoa reage de uma forma. Eu conheço uma mulher que ficou traumatizada porque o marido foi impaciente ao sair com ela dirigindo. Conheci pessoas (a maioria mulheres) com as mais diferentes dificuldades para dirigir. Pessoas inseguras costumam ter baixa tolerência a críticas, e a culutra machista enraíza insegurança nas mulheres.

Carlos disse...

O teu "problema" é simples... caso algum homem machista te recuse de emprestar o carro, diga a ele:

- Se eu bater o carro, eu pago os prejuízos.

Digo isso levando em consideração que as mulheres "sofrem" acidentes de carro em baixa velocidade.

Agora mesmo assim, esse homem machista te recusar o carro, significa que ele NUNCA VAI TE EMPRESTAR.

Anônimo disse...

Só pra reforçar o machismo que existe nesse quesito, mulher e direção: quando comecei a trabalhar onde estou atualmente, eu não tinha carro e dependia muito de carona dos colegas; o tempo passou e eu comprei meu próprio carro; numa ocasião em que eu dava a carona, um dos colegas disse: "Nossa, como vc dirige bem!"... Eu justifiquei que aprendi cedo, antes dos 18 e tal. Depois a ficha caiu: se fosse um guri, certamente ele não faria a mesma afirmativa, certo? Eis o machismo "nosso" de cada dia....

CSM disse...

o que me incomoda é essa ideia de "preciso ter um carro para ser livre". Uma caralhada de gente pensa assim e depois fica reclamando de multa, IPVA, trânsito caótico, preço da gasolina... não me parece uma liberdade muito vantajosa.

Dona do Sexo -Bonobo rules,Jaçanã forever disse...

o que me traumatiza muito é linguagem misogina,quem fala homem age como misogino


acabei de ver isso num canal de orgao publico e precisei desabafar

Orgao publico deveria ser o primeiro a dar exemplo.

Anônimo disse...

Na minha família sempre houve esse tipo de machismo.
Minha mãe e suas duas irmãs não dirigem, mas seus quatro irmãos, surpresa, dirigem sim. Desde pequenos meu avô ensinava os filhos a dirigir, colocando no colo, deixando brincar com o carro, já as filhas não recebiam esse tratamento, portanto, não é de surpreender que a única que tirou carteira, minha mãe, tenha tido dificuldades.
Enquanto meus tios fizeram as aulas de auto-escola e o teste com tranquilidade, pois já tinham prática em dirigir carro, minha mãe foi para a auto-escola sem saber nada e contra a vontade dos pais, e as auto-escolas não ensinam muita coisa. Mesmo assim ela foi aprovada no seu primeiro exame.
O machismo porém, partiu da minha avó, que disse que não ia andar em um carro dirigido por mulher.
Minha mãe então me chamou para sair com ela, eu tinha então 12 anos, por azar ela resolveu sair no feriado de 08 de dezembro, dia da Nossa Senhora Imaculada e se viu presa no meio de uma procissão, não sei em outros lugares, mas em Recife há várias procissões nesse dia. Ela, que já estava insegura, ficou tão nervosa com medo de machucar alguém que apagou o carro várias vezes. Ao chegar em casa ela chorava copiosamente, e desde então nunca mais dirigiu.
Quando perguntei a razão ela disse que minha avó estava certa, carro era coisa de homem.
Ilka

yulia2 disse...

é , sei como é, até hoje não sei dirigir e estou longe de ter um carro...
meu pai me dava algumas aulas no carro dele, mas depois ele começou a inventar desculpas e compromissos para não me dar mais aulas.

Leo disse...

A sua realidade está um pouco longe da minha. O único carro da família é do meu pai e ainda é beeeem antiguinho o coitado. Meu curso na universidade diploma como licenciatura, então as previsões de retorno financeiro a curto e médio prazo não são suficientes para comprar um carro. Eu tive um pouco de dificuldade de entender inicialmente a dimensão do problema (já que vivemos em contextos diferentes), mas depois de um pouco de reflexão foi possível compreender.
Pode não ter ficado escrachado na sua situação, mas existe uma machismo nada velado quando se trata de mulheres no volante. Elas sempre são diminuídas, tratadas como seres inferiores e tachadas de serem incapazes de possuir coordenação motora suficiente para dirigir. Eu como homem nunca senti esse preconceito. De qualquer maneira, com um pouco de empatia, é fácil perceber como é difícil e humilhante ter que passar por uma situação ridícula dessas.
E por fim, o que tenho para dizer é: não hesite e siga em frente. É muito bom ter uma marido que ofereça suporte e que te apoia para crescer e seguir em frente.

http://cadernos-da-belgica.blogspot.com.br/ disse...

Não achei CMS, simpatizo com a autora, todas sabemos como o machismo influencia nessa questão de dirigir. Eu dirijo muito pouco, evito o tanto que posso, um pouco por causa da falta de respeito dos outros motoristas (que é multiplicada em 10 vezes se você for mulher) e outra porque, se posso fazer alguma coisa sem o carro, sempre vou optar por fazer (a pé, de ônibus, de taxi que seja), odeio o endeuzamento do carro hoje em dia e não quero pactuar com isso. De qualquer modo, solidarizo e entendo a autora do texto, muitas mulheres no Brasil sabem o que é isso. Eu digo no Brasil porque realmente é diferente de país para país.

Quanto ao texto de ontem eu li e gostei muito mesmo, inclusive compartilhei no facebook, só não deixei comentário porque nem sempre deixo mesmo, terminei de ler, tinha alguma coisa para fazer e pensei em comentar mais tarde...e voilà, não fiz, uma pena, agora me arrependi porque queria que o autor soubesse que aquele texto foi importantíssimo para mim, tinha acabado de ter um desentendimento bobo no facebook, bobo não, por causa de machismo feio de um conhecido, ousei dizer que a besteira que ele tinha colocado era extremamente machista e ele ficou ofendido....Ele ficou ofendido! Daí eu me perguntei se valia a pena entrar nessas questões ali no facebook e etc e tal e então dei de cara com o texto dele. Meu exemplo é super bobo, isso não é exatamente fatalismo, é mais um desânimo...Ainda assim me parece que é melhor reagir.
Abraço
Leila

yulia2 disse...

o problema é mais do que emprestar ou não um carro... antes do meu pai parar de me dar aulas, eu fiz uma manobra com o carro que ele não gostou, me pareceu mais ciúme do carro do que qualquer outra coisa...
depois desse dia ele inventou mil desculpas para não me dar aulas..
agora eu tenho que pagar auto escola fora comprar um carro, que aliás é um absurdo, NÃO EXISTE carro popular no brasil!

suelen disse...

pelo visto tem vários tipos de machismo,o do meu pai era do tipo em q tarefa de casa é pra mulher e meu irmão n precisava fazer nada só pq tem um pênis.

tem aqueles q acham q a filha deve morrer virgem enquanto os filhos vivem no bordel,sobre isso meu pai tb nunca disse nada.

mas ele me disse q seu eu quisesse pagava aulas para eu aprender a dirigir.
eu n quis,tenho pavor até quando to no carro em q alguem ta dirigindo e vem um ônibus ou caminhão gigantesco do nosso lado,me dá um nervoso!

e quando ta descendo uma ladeira,tenho a sensação que o carro vai direto,sem conseguir freiar.

imagina se fosse eu no volante? para evitar q eu tenha um treco na rua e mate alguém atropelado,prefiro andar de õnibus mesmo.

yulia2 disse...

as vezes nossos maiores inimigos estão na nossa familia

Anônimo disse...

Não posso dizer que vi machismo nesse caso, apesar de ser possível que haja. Afinal, a guria do post não tem irmãos pra confirmar se o real motivo é o sexismo. Acho equivocado concluir algo só por não conseguir ver outra explicação.

Dito isso, acho que o pai, ou qualquer outra pessoa, tem o direito de escolher pra quem emprestar o carro, caso queira fazê-lo. Afinal, foi ele quem pagou pelo automóvel e é ele quem paga a revisão, vistoria, IPVA, etc.

Tem coisa que eu não empresto pra ninguém, como, por exemplo, meu PSP (ele tem um valor quase sentimental xD rs). Algumas pessoas (homens e mulheres) se apegam ao carro, principalmente pq, hoje em dia, ter carro está supervalorizado. Tem quem prefira até deixar de pagar escola boa pro filho pra ter um.

De qualquer forma, torço pra que a dona do post supere tudo isso e consiga dirigir sem medo. ;)

PS.: Nunca entendi essa (falta de) lógica em pressupor que mulheres não são boas motoristas. A maioria dos "barbeiros" que conheço são homens. Já cansei de ver meninos de uns 18~24 anos dirigindo bêbados e/ou se gabando por fazerem racha na rua. Agora só aceito carona de conhecidos em casos de emergência.

Anônimo disse...

Eu entendo como é. Na verdade nem é só pelo carro, mas pela falta de confiança que o pai tem.
Eu não posso reclamar do meu pai que me ensinou a dirigir desde meus 15 anos e sempre me emprestou o carro dele (mesmo depois que eu raspei estacionando). Mas ele sempre foi bem machista em várias outras situações e acho que seria diferente se eu não fosse filha única.
Por outro lado, tenho uma amiga fisioterapeuta recém formada que tem que ir em vários clientes pela cidade e não pode usar o carro da família. O pai dela vai trabalhar todos os dias de carro sendo que ele mora a três quadras do lugar.

Anônimo disse...

Meu pai era vendedor de carro, mas faleceu quando eu e meu irmão éramos pequenos. Minha mãe só foi ter um carro quando eu tinha 20 anos. Aí ninguém em casa dirigiu até aquele momento, e eu só fui tirar carta quando comecei a trabalhar longe da minha casa. De qualquer jeito, por mais que minha mãe ache que eu não vou dirigir tão bem quanto meu irmão ( e olhe que é ele que corre que nem um louco, e sou eu que pego rodovia todo dia), ache que eu tenho que perguntar pra ele sobre qualquer problema (pq homem que entende de carro, mesmo ele não entendendo lhufas de mecânica), se não fosse por ela eu não teria o carro que tenho hj, não conseguiria comprar só com o meu salário,então não a culpo pelo machismo introjetado, mesmo com ele ela ainda me deu um voto de confiança. De resto, reprovei algumas vezes na prova por nervosismo mesmo (sim, aquele machismo introjetado que temos de que mulher não sabe dirigir, além de um instrutor que me assediava e me deixava mais nervosa ainda), mas nada que dirigir bastante pra ficar mais calma. Força aí, e boa sorte na direção.

Aline disse...

Fico feliz em saber que minha história foi bem diferente... Meu pai pagou a carteira de motorista do meu irmão assim que ele fez 18 anos... Quando eu fiz 18, não me deu a carteira, mas por motivos de força maior eheheh, porque diferente do meu irmão que não estava estudando na época, ele estava pagando minha faculdade... E depois a minha e do meu irmão que voltou a estudar, aí não coube no orçamento eheheh... e a carteira é relativamente cara aqui no RS... Quando comecei a trabalhar, era meu primeiro plano, mas queria comprar algo muito importante pra mim na época... Então, apesar de querer muito a CNH, decidi primeiro comprar a outra coisa pq seria importante tanto pra meu trabalho como pra minha facul... Aos 20 anos finalmente consegui tirar minha habilitação, peguei meu dinheiro, fui na auto escola e paguei à vista para não acabar deixando para depois de novo... Mas antes disso, meu pai já queria me ensinar a dirigir... Eu que não quis... E quando comecei as aulas todos os dias queria que eu pegasse o carro para treinar eheheheh... Mas eu não costumava pegar o carro hehehehe... Depois que passei na prova prática e veio minha tão almejada CNH, foi tranquilo... às vezes nem quero sair e ele já diz "pega o carro e vai dar um volta nem que seja" hauahuahuahuh... às vezes ele vai num lugar, eu mesma vou dirigindo... E quando quero sair com meus amigos na noite, para a balada ou um barzinho, tranquilo tbm... Meu pai é muito tranquilo comigo, nada machista digamos, e me orgulho muito disso... Quando os meninos fazem aquelas piadinhas toscas de "medo do sogrão" ahahaha, eu do risada, não da piada, da cara deles.... O pai nunca se mete nos meus relacionamentos... E até disse pra mãe que eu tava certa em não querer um ex pq figurinha repetida não completa álbum ahuahuahuahauh... nem sei no meio da sociedade machista ehehe, de onde ele tira essas ideias ehehe... mas fico muito feliz mesmo... amo muito meu pai... mas... nem tudo são flores ehehehe, pq às vezes ele faz aqueles comentários malditos no trânsito "só pode que uma mulher ta dirigindo" qndo vê alguma imprudência... Mas aí eu questiono se ele tem noção dos índices e digo "olha bem pai, é um homem" ahahaha... temos lá nossos conflitos, mas para comigo, meu pai não é machista... =D

Anônimo disse...

Eu era super corajosa e tinha muita vontade de dirigir, cheguei a fazer auto-escola, mas na hora de fazer a prova prática desisti. Muito medo de falhar :( Acontece que meu pai nunca estimulou que as filhas dirigissem, dizia que carro é uma "arma" e o trânsito uma selva. Na verdade eu sei a causa desse meu medo de dirigir,mas não consigo superar. Cheguei a dirigir com meu pai ao lado e foi terrível. Fiz tudo certinho, mas quando fui sair do posto de gasolina o carro "estancou". Ouvi ele falar que eu era péssima ao volante e que nunca emprestaria o carro pra mim. Fiquei muito triste e acreditei... Que besteira! Meu pai errou ao falar essas bobagens, ele mesmo estancou o carro várias vezes. Hoje, 14 anos depois, ele se arrepende de não ter estimulado as filhas (as duas mais novas dirigem e as outras duas, que ouviram mais, não). Pretendo buscar uma auto-escola especial para pessoas traumatizadas, preciso aprender com alguém bem paciente :) Eu e meu namorado temos um carro e ele quer muito que eu tire a carteira e possa usá-lo durante a semana, seria ótimo poder ir ao trabalho e gastar a metade do tempo no trânsito.

Fórmula de Bhaskara disse...

Quando li o trecho que a autora menciona que o pai dela na única vez que pegou o carro gritou com ela, parece que me vi com o meu, logo que comecei a dirigir fiquei aproximadamente um mês indo ao trabalho e tendo meu pai como instrutor, foi penoso porque ele me esculachava demais, ficava me aterrorizando e eu acabava ficando mais nervosa do que o necessário, mas ele de um modo geral é um cara impaciente e bastante materialista (cuidado! vai bater o carro! olha o motoqueiro!! etc), então é provável que com meu irmão (que não pode dirigir por problemas de sáude) ele faria o mesmo. Bem, um belo dia, dei um basta, disse que iria pro meu trabalho só, que não precisava ele ir me acompanhando já que ele estava muito cansado, e assim eu fui e voltei por vários e vários meses, já dirijo direto há 3 anos, enfim, me libertei! E são essas as nossas pequenas vitórias do dia a dia :)

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Não podemos negar que existe sim muito machismo em relação à mulheres no volante, mas sem querer bancar a "advogada do diabo" e já bancando, rs, a autora do guest post tem certeza que foi por machismo? Será que se fosse um filho homem ele não teria a mesma atitude? É machismo ou "egoísmo" com aquilo que é seu?
Eu comprei o meu carro há pouco tempo, não foi fácil, e confesso que sou desse time do "é meu, não gosto que ninguém mais dirija", porque se acontecer alguma coisa, sei que vou ficar chateada. Se eu bater meu carro, vou ficar chateada. Se um parente bater meu carro, vou ficar ainda mais, rs.

Anônimo disse...

Vejo que tive sorte com meu pai! Além de incentivar sempre que eu dirigisse, me presenteou com um carro aos 17 anos (!!!) e aos 18 ainda trocou por um zero! Alias, volta e meia ele aparece aqui em casa para ensinar minha filha de 15 anos a começar a dirigir, e faz isso com uma Mercedes. Ps.: nao estou querendo aparecer de rica, nem metida, nem nada, gente. Se foi esse o tom que pareceu, me desculpo.

Anônimo disse...

Comigo aconteceu uma situação parecida, mas meu pai ainda foi bem menos rígido que o seu. Meu irmão começou a dirigir aos 14 anos (somos gemeos) e desde então passei a depender dele pra quase tudo, se quisesse comprar um salgado na rua, tinha que contar com sua boa vontade pra ir me deixar, pois meus pais estavam quase sempre "muito cansados pra ir". Aos 18, essa situação me cansou e pedi para entrar pra autoescola, meus pais deixaram. Na mesma época, meu irmão ia estudar fora e seriamos só eu e meus pais em casa, acho que isso os influenciou a me deixar dirigir, talvez se meu irmão estivesse aqui eu ainda não soubesse, mas enfim... pouco depois de tirar a carteira, ainda sem prática, tbm fui dirigir com meu pai e ele foi super impaciente e grosseiro, fiquei mega nervosa então encostei o carro no meio do nosso trajeto e pedi que ele fosse dirigindo. Desde então passei a evitar andar no carro, e ele parecia achar ótimo e nunca me encorajou a tentar, minha mãe é que sempre disse que eu deveria perder o medo e praticar. Ele nunca me "proibiu", mas não incentivou, entende? Achava melhor que eu dependesse dele pra ir pros lugares e dizia pros outros que eu não gostava de dirigir (eu gostava, só tinha medo!). Apenas beeem recentemente, depois de mais de um ano de habilitada, meu namorado me ajudou bastante e se dispôs a dirigir comigo e ir me orientando (na verdade ele sempre quis me ajudar, eu que ficava arrumando desculpas)... Agora já dirijo até bem, só preciso praticar mais mesmo. Meu pai não demonstra insatisfação, mas mesmo assim não gosto de dirigir se ele estiver no carro, não quero que ele coloque novamente essas amarras invisíveis em mim!
Gabriela.

Vivi disse...

Fugindo um pouco do post, mas nem tanto.
Faz uns posts que vejo gente falando que não pode fazer comentário "classe media sofre" porque faz parte da classe média, porque a Lola também o é e tal tal.
Gente, quando alguém diz "classe média sofre" como crítica, não está diretamente acusando TODA pessoa que economicamente pertencente a classe média. Mas está criticando “certo comportamento” que “parte” da classe média tem.
Muitas pessoas são da classe média e não têm comportamentos “classe média sofre”. “CMS” é mais um “tipo de postura e visão de mundo”, que não percebe seu privilégio e chora/reclama injustamente de coisas que a maior parte da população nem sonha em ter/poder/fazer. Por isso “classe média sofre” como ironia.
Sendo assim, vamos parar de falar que só por alguém ser classe média não pode criticar o comportamento “classe média sofre”. Acho a sacada e a crítica deste tipo de comportamento super válida e não podemos inviabilizá-las só por achar que a pessoa, por ser tb desta classe, não poder ser critico. E isso vale para várias discussões aqui. Classe média pode criticar tb CMS, homem tb pode criticar machismo idem.
abraço

Paulo disse...

Concordo com o Anônimo das 12.51

Ronaldo disse...

"o que me traumatiza muito é linguagem misogina,quem fala homem age como misogino"

Como assim?

Marcelle disse...

Minhas simpatias para a autora do post.
Eu tambem so fui dirigir ha pouco tempo.
Quando era jovem meu padrasto disse que eu nao tinha jeito no volante. Mais tard um namorado tambem.
Como eu morava em um local proximo ao,trabalho e com farta conducao, nem me importei mais.
Mas ao vir morar na Nova Zelandia, vi que precisava aprender urgentemente.
Meu marido me incentivou a dirigir, mas fiz aulas com uma instrutora inglesa e muito gente boa, que me fez perder o medo.
Meu marido me deu umas poucas broncas quando estava na carta de aprendiz. Quando comentei com minha instrutora ela me deu uns conselhos de fazer rir.
Sei que da ultima vez que ele deu pitaco, parei o carro no acostamento e disse :
- Pode descer ou dirigir, escolhe. Mas se escolher dirigir vou fazer o mesmo com voce, pois agora sei das leis de transito e percebo as cagadas que voce faz.
Nunca mais ele falou nada.

Grazielle Nascimento disse...

A minha história é parecida mas o destrecho é diferente: estava com 17 anos e disse que queria dirigir e meu pai disse: p/ quê se vc não tem carro? e eu respondi: ué o senhor não tem dois? Pego um e levo o pessoal aqui de casa. Ele: Não, vc não. Como estagiava na época, pensei: vou juntar um dinheiro para fazer a auto escola, quero vê eu não dirigir. Chegou um momento, que meu pai ficou doente e não tinha ninguém para leva-lo e busca-lo, acho que deixou ele bem pensativo.Com 18, tirei a carteira e o próprio disse para dirigir e levar minha mãe ao trabalho para treinar, segundo ele só a prática que te faz um verdadeiro motorista. Hoje, com 22, meu pai diz que sou uma boa motorista e que confia em mim.

Anônimo disse...

O machismo aqui em casa é da minha mãe, disfarçado com a desculpa de "ter medo q algo aconteça comigo".
Tirar a habilitação de moto foi um sufoco, era terrorismo todo o dia: "fulano foi decapitado", "beltrano morreu embaixo de um ônibus"... após comprar quase todos os equipamentos de proteção e ter a moto em vista, uma Ninjinha linda usada, veio o ultimato: ou a moto ou vc sai de casa. Sou profa e é sabido q a gente ganha pouco, mesmo sendo formada em universidade pública, não tenho como morar sozinha; hj sou como um passarinho sem asas. Acabou a empolgação, animação e tudo o q havia de bom.
Agora estou tirando a de carro. Gosto de carros antigos e esportivos; a guerra começou: minha mãe não quer q eu compre um carro como Opala, Vectra, Astra, Maverick... quer q eu tenha um Uno, um Ka... =/ (Venderia uma rim pra ter, mas se eu quero, e daí??)
Pro meu irmão, qdo tinha 18 anos: tudo (hj ele já tem sua família), pra mim - q tenho 30 - sobra apenas chateação e cobranças. Começarei a fazer as coisas escondida.
Agindo desse jeito muitos pais e mães afastam a confiança de seus filhos e filhas =/
É um saco, se eu ganhasse o dobro já daria pra morar sozinha, pelo menos, mas sem minha motoca, o q não adianta em nada...

Anônimo disse...

rsrsrsrsrsr
Ri demais quando li o post, sabe por quê? meu pai me disse a mesma coisa.
Ele disse: "deixa pra tirar quando comprar um carro". Ele tbem tinha 2 carros na garagem, já deu um carro pro meu irmão (menor que eu 6 anos). Com 3 filhos pra criar, vou comprar um quando? pior é quando eu peço o carro emprestado pro meu marido dirigir (que tem carteira), ou ele inventa uma desculpa ou empresta emburrado. E eu sempre peço pra motivos relevantes, como ir fazer uma prova, levar meus filhos até uma festinha...
Juliana

Anônimo disse...

Bem que dizem que o comunismo e o feminismo andam juntos...

"Bem que dizem" é outro jeito de falar "eu só sei pensar usando o senso comum". Parabéens por ser mais um ser não pensante e concordar com estereótipos.

Anônimo disse...

não consegui ver machismo no post... faço 21 anos em breve e não tirei cnh (também por não ter dinheiro, haha), mas de qualquer forma quando completei 18 anos meu pai tentou algumas vezes me ensinar a dirigir, deixou eu usar o carro dele, absolutamente tranquilo, mesmo sabendo que eu sou extremamente descoordenada e sem nenhuma noção espacial (até hoje eu tenho problemas em identificar esquerda e direita, vejam só que legal). JÁ A MINHA MÃE, que dirige desde os 14 anos todo tipo de veículo - moto, carro, caminhão e sei lá mais eu o que - desde que me conheço por gente disse que NUNCA ia me deixar pegar o carro dela, porque é dela, ela sabe o quanto custou, porque eu nunca ia dirigir tão bem quanto ela, blablablá. enquanto meus pais foram casados (o que durou uns 15 anos, se não me engano) meu pai sempre deixou minha mãe usar o carro dele, inclusive ir na carona enquanto ela dirigia. ela nunca deixou meu pai usar o carro dela e nunca andou de carona com ele, porque segundo ela, ela é a única pessoa competente que conhece pra dirigir. particularmente eu acredito que isso é egoísmo e arrogância, e me parece ser o caso do pai da autora do post, também.

bruna

Lívia Pinheiro disse...

Eu tenho uma certa dificuldade de entender muitas das coisas que são colocadas como "classe média sofre". Provavelmente porque estou incluída nela, mas talvez também porque haja algo não lá muito razoável nos exemplos de CMS. Muitos deles me parecem de fato reclamações válidas, mas só porque são reclamações que em geral vêm da CM, viram piada. Exemplo:

http://24.media.tumblr.com/a00fff398fb5a302134527cebdaa022c/tumblr_mi0he45qDK1qirrtjo1_1280.jpg

Ficar dias sem conseguir dormir e ter um bem depredado são coisinhas à toa, né? Com as quais só os privilegiados da CM sofrem. Só pode reclamar se vc não tiver dinheiro para se mudar durante a muvuca na porta da sua casa ou se não puder fugir pra casa de um parente. E se tem 5 mil pra consertar o carro depredado, então tá consertado, tá reclamando do que, né?

Entretanto, esse post eu achei sim total CMS, porque eu já senti incômodo de meus pais não terem pagado a carteira de motorista pra mim, quando os pais de todos os meus amigos o fizeram. Hoje vejo o quanto esse incômodo foi estúpido e egoísta (CMS), dadas as condições financeiras da família na época.

Por razões óbvias não tenho como opinar sobre as razões do pai da autora. Mas eu provavelmente pensaria a mesma coisa do meu pai, caso não tivesse havido o exemplo dele podando o meu irmão mais velho antes de mim. Fora que tem muita gente que tem um ciúme doentio do carro. De fato não está claro que foi machismo pelo relato.

Paula disse...

lá em casa foi ao contrário: meu pai tava doido pra me colocar para dirigir, eu não era muito a fim... acabei fazendo a auto- escola empurrada. Quando eu tirei a carteira, ele disse que o carro mais velho da familia (um Fiesta 98) ficaria pra mim..
eu dei umas batidas bestas no meu primeiro ano, depois nunca mais. Meu pai achou normal, já que eu era principiante... e como foi no carro velho, o conserto não saiu caro...

mas eu acho que o caso da autora em questão não me pareceu machismo. o cara não falou nada pelo fato de ela ser mulher ou algo a respeito.. ele tinha medo de um(a) principiante pegando no carro dele e possivelmente dando prejuízo.. o que é normal para ambos os sexos..

Ana Carolina disse...

Taí um assunto que me incomoda bastante, porque tenho 27 anos, não sei dirigir e perdi minhas duas pautas (a primeira porque a auto-escola quis me dar o golpe, vá lá). Da segunda vez que tentei, ano passado, eu tinha crises de pânico na aula de direção, minha pauta venceu sem que o instrutor me liberasse para a prova, porque ele NÃO me liberaria para prova daquela forma. Eu me sinto velhíssima sem saber dirigir, humilhada, até porque dirigir é algo que todo mundo faz, né?

E meu pai nunca me apoiou, sempre foi omisso. No fim do ano, encontrou com uma prima, mais nova que eu, e a perguntou se ela já dirigia na estrada. Eu o questionei: "quer dizer que então que as outras pessoas você estimula, mas em relação a mim você se omite? E não venha com esse papo de 'não vou te dar carro', pq não quero carro nenhum vindo de você, quero a CNH mesmo que nunca tenha um carro na vida". Ele ao menos pediu desculpas, mas vamos ver se esse ano junto dinheiro de novo e se dessa vez consigo finalmente romper meu bloqueio...

Mariana disse...

O texto não me parece "classe média sofre", mas não é lá muito claro sobre o machismo do pai da autora. Não consegui entender se ele não empresta o carro por achar que ela, sendo mulher, não sabe dirigir; ou se não empresta porque não gosta de emprestar pra ninguém de qualquer maneira. É óbvio e gritante que existe muito machismo contra mulheres que dirigem ou querem dirigir (basta ver os comentários), mas não dá pra saber se é esse o problema por trás do trauma da autora.

Eu tenho uma amiga que tinha verdadeiro pânico em dirigir. Há pouco tempo, ela saiu de casa e se viu na necessidade de comprar um carro pra trabalhar e só se curou com terapia dedicada a esse problema. Existem locais especializados em terapia pra gente que tem bloqueio pra dirigir, a autora bem podia procurar um desses. Fato que devem existir alguns em São Paulo, já que muita gente depende do carro pra se deslocar.

Eu sou uma completa outsider nesse assunto: tenho 26 anos e nunca fiz auto-escola ou sequer liguei um carro. Não é por medo, acho que meu caso é mais por preguiça e pão-durice (gosto muito de viajar, então, como não sou rica, tinha que escolher entre os carros ou as viagens). Não vou mentir que morria de vontade de aprender quando morava no Rio e sofria no ônibus lotado, mas a preguiça sempre falou mais alto. Não acho que enfrentaria machismo na minha família caso quisesse, meu avô ensinou minha mãe e minha a tia a dirigir desde novas e minha mãe acha o FIM eu não me interessar, já que ela ama dirigir. Meu pai, por outro lado, não dirige, heresia das heresias contra o modelo vigente de masculinidade.

ofilmedatarde disse...

Eu me identifico bastante com esse post. Tirei carteira há uns 9 anos, mas nunca consegui dirigir realmente, mesmo morando em cidade pequena. Agora eu moro em Belo Horizonte, um carro faz bastante falta, e meu marido me estimulou a tomar umas aulas numa dessas escolas pra quem já tem carteira. O que eu acabei observando lá foi muito interessante, realmente faz a gente perceber o machismo que fica meio disfarçado. A maior parte das pessoas que estavam lá eram mulheres, e nos grupos de ajuda ( sim, as escola tinha isso, que era muito legal)elas contavam histórias de como o medo de dirigir era associado à postura de maridos, pais, até filhos. De homens que começaram a tratar mal essas mulheres quando elas começaram a dirigir e adquirir independência. Tanto colocando defeito em tudo o que elas faziam como cerceando o carro simplesmente, assim que percebiam que elas não precisavam mais deles.Eu fiquei bastante assustada com esses relatos. Pra completar, em algumas das aulas práticas presenciei homens xingando mulheres no trânsito com bastante ódio, repetindo palavrões, mandando pra cozinha, essas coisas. E o resto da rua aplaudindo! Hoje eu melhorei muito, mas ainda não estou tão segura quanto gostaria. Só de pensar em alguém dizendo essas coisas pra mim eu entro em pânico.

Leio Lola Leio disse...

Acho engraçado como muitas vezes os pais podem agir de maneira a evitar que o filho faça o que ele não quer, mas o tiro sai pela culatra. Por exemplo, a atitude insistente da minha mãe (machista) tentar controlar minha vida/ escolhas e inclusive me privar de dinheiro ou espaço dentro de casa para que eu não fizesse aquilo que ela não queria que eu fizesse (embora fosse a minha vontade fazê-lo, por exemplo, quando quis estudar teatro, ou quando quis namorar determinado sujeito), foi justamente o combustível para que eu me emancipasse o quanto antes. Eu me emancipei cedo, sem condições alguma saí de casa e passei muitos problemas, desemprego, tive que abandonar a faculdade, morei em lugares complicados, com pessoas complicadas... Tudo sem respaldo familiar.
Mas, no fim das contas, aos 27 anos, vejo que foi MUITO bom para mim tudo o que aconteceu, aprendi muito sobre mim e os outros, sobre me relacionar com as pessoas, sobre a lógica das empresas privadas e como essa lógica afeta as relações interpessoais de quem trabalha num lugar cuja mais valia é o mais importante. Enfim, hoje eu dou conta da minha vida e sou um braço direito para minha mãe (ainda machista rs) e para os meus familiares e chego a pensar que o cenário desfavorável da minha juventude foi inspirador para o meu inconformismo.

MonaLisa disse...

Minha mãe também não me deixa dirigir o carro dela, mas deixa o meu irmão.

Apesar de eu ficar puta da vida, ela me dá bons motivos. Quando ela era casada com meu pai, ele bebia e dirigia e destruiu varios carros dela. Então ela não comprou mais nenhum carro, só uma biz. Depois que se separaram ela voltou a comprar carro. Mas como eu também bebo, ela diz que vou fazer igual ele.

A biz eu tenho passe livre. Mas mesmo pra trabalhar ou ir ao médico, ou com chuva, eu que vá de biz na chuva ou a pé, de onibus. Se tiver chovendo muito e eu precisar sair, ela me leva e vai falando um monte de merda, que gasta o carro, gasolina, pneu, bla bla bla.

Que enfie no cú.

Renato disse...

O que diabos machismo tem a ver com isso? Tem uma cacetada de pai que não empresta carro pro filhO também. Ele nem mencionou nada ofensivo, só não quis emprestar uma propriedade privada DELE.

MonaLisa disse...

Detalhe: a facul que meu irmão faz, é a 3 quadras de casa e minha mãe ainda empresta o carro pra ele não tomar chuva.

Eu tenho habilitação D e não reprovei em nenhuma prova e ele reprovou na baliza.

Moema L disse...

Meu pai também nunca me incentivou muito não, na verdade quando soube, que eu estava tendo aulas com a minha mãe, ele ficou super bravo, disse que ela não devia me emprestar o carro.Como o carro era dela, ela continuo me ensinando.

Só não tirei a carta ainda porque não consigo conciliar o curso teórico e o trabalho.

Admito que tenho medo, não de dirigir em si e sim dos xingamentos que eu posso vir a ouvir no transito, isso me deixa um pouco nervosa e apreensiva.

Jéssica disse...

O problema que vejo com os comentarios acusando de CMS e' que eles vem muito mais como menosprezo da dor alheia do que como critica.

E sendo ou nao machismo o caso do post, e' inegavel que mulheres sofrem um machismo gigantesco em relaçao a dirigir, e acho bem mais provavel que tenha sido machismo do que egoismo generico.

Luana disse...

esses dias, saindo do trabalho, um moleque do meu trabalho, deve ter menos de 20 anos, tava entrando quando eu saía, e falando algo sobre reprovação pros caras que estavam fumando lá fora.
fui saindo e fui pro carro (do meu pai, o carro velho aqui de casa que ele usava até há pouco mas liberou pa mim depois que comprou um outro carro melhor. meu pai é bacana nesse quesito), que estava estacionado bem na frente da saída, de onde eles fumavam. aí um queridão lá falou para o reprovando, que logo descobri, era reprovando da prova do detran: "orra cara, até ela sabe dirigir! mandou mal!".
sério, muito babaca. o tal do machismo nosso de cada dia. fechei a cara na hora em que ele disse aquilo, entrei no carro xingando-o e nunca olho na cara desse babaca.

é muito difícil para os homens perceberem as pequenas coisas com as quais estamos acostumadas, é bacana ver como meu namorado aprendeu muito comigo e com a Lola querida aqui!
só mais um exemplo de uma pequena coisa "normal": toco bateria, violão, ukulele, gosto muito de música, e recentemente estive trocando meu set de bateria. eu e meu namorado fomos à algumas lojas de instrumentos procurar algumas coisas que eu precisava, em todas as lojas os atendentes iam falar direto com meu namorado, até chegar no cúmulo de uma loja em que chamei o atendente que estava passando a menos de um metro de nós e o cara simplesmente não moveu uma pestana, continuou andando reto.
só que a gente tá acostumada com essas merdas. meu namorado fica bobo com essas coisas.

Jean Cássio Lima disse...

Incrível é pensar que há quem diga que o movimento feminista é besteira. Quando leio depoimentos como o da Paola fico indignado. Eu sou homem, aos 20 anos ainda não tenho minha carteira de motorista, mas meu pai vive me incentivando a começar os trâmites para tirar a carteira e quando eu era criança tentou me ensinar a dirigir várias vezes (apesar do meu descaso). Meus amigos sempre pegam o carro de seus pais e isso é algo corriqueiro. Porém, refletir sobre como um acontecimento pode deixar traumas na vida de uma pessoa pelo simples fato de ser mulher os reaças parecem não ser capazes de fazer. A empatia tem que estar muito baixa pra se dizer que esse não é um caso sério.

Anônimo disse...

MAIS OFF TOPIC DO QUE MUDAR O ASSUNTO DE ÁGUA PARA VINHO

http://euescolhifornicar.com/post/43342535966#disqus_thread

Lola, vc viu?! Fé na humanidade restaurada!

Marina P disse...

A impressão que eu tive do relato é de que a coisa toda aconteceu de forma relativamente sutil ou pouco clara. Acho que é machismo sim, mas talvez não seja pelo fato de achar que mulher dirige mal, talvez tenha um grande incômodo do seu pai de ter que compartilhar alguma coisa que é dele e que até aquele momento só ele usava com outra pessoa, principalmente uma filha. Sabe aquela coisa do homem supostamente bacana, supostamente moderno que chega em casa e faz as coisas dele, participa um pouco da vida em família e coisa e tal mas na hora do vamos ver espera que nada na vida dele seja alterado porque ele gosta das coisas daquele jeito dele e pronto?

Como você explica que não tinha nada de que reclamar dos seus pais, fiquei com essa impressão de que seu pai é como o de muitas amigas minhas: aparentemente gentil, aparentemente simpático mas bem machista na hora em que alguém pisa no calo dele. E o pior: prefere não dar explicação alguma sobre os motivos dele a dizer o que está entalado na garganta dele que é que não empresta o carro pra você porque está, no mínimo, incomodado com o fato de se relacionar com você de igual pra igual em algum aspecto da vida dele (duas pessoas adultas que sabem dirigir). A relação de poder antiga, de ser o único em casa que dirige e que decide sobre os carros (você mesma falou que os dois carros eram DELE e não dos seus pais - o que incluiria a sua mãe como dona dos carros) deixa de existir se de repente ele tem que compartilhar alguma coisa e admitir que agora você dirige. Quando você cresceu e ele percebeu que estava perdendo controle sobre você ele usou a última cartada: dizer que você não tem carro e ele tem e, portanto, ele pode mais que você.

Discordo dos comentários em que as pessoas falam que o carro é dele e ele tem direito de não emprestar pra ninguém e esse foi o motivo dele não emprestar o carro dele pra vc. Eu acho sim que ele tem o direito de nunca te emprestar alguma coisa que é dele - embora isso seja muito egoísta - mas o problema aqui é que desde quando você mencionou que ia tirar carteira ele perguntou porque você ia tirar a carta já que não tinha carro. Ué, eu e muuuuita gente que conheço fizemos a carteira de motorista sem ter carro próprio e recebemos apoio de nossos pais! Amigos e amigas meus cujos pais não tinham nem bicicleta - que dirá carro - falaram aos pais que iam tirar a carta aos 18 anos e foram incentivados.Você não. Você não teve apoio algum, pelo contrário,seu pai te fez uma pergunta ridícula (afinal nem ele tinha carro quando tirou carteira) e foi extremamente irônico. Ele estava irritado com o fato de você querer tirar carteira ou de imaginar que poderia pegar o carro dele emprestado... e ele me parece ter sido tão covarde a ponto de não ter nem bancado o que ele sentia porque, afinal de contas, de alguma maneira ele devia perceber que soaria muito machista!

Enfim.... fico feliz que a Lola tenha pedido à pessoas pra evitar comentários tipo CMS, porque o machismo se infiltra na vida da gente das formas mais sutis e insidiosas. Quando ele está claro, a gente briga, se defende, etc. mas quando está assim meio disfarçado, muitas vezes a gente se cala e é aí que ele ganha força, né?

Olha, te dou toda força pra voltar a dirigir. Algumas pessoas acabam tendo fobia de dirigir e fazem terapia pra isso. Algumas auto-escolas têm até psicólogos pensando em alunos como você.

Tudo de bom!

Marina P disse...

'O pai dela, pelo que está escrito, disse que carro não se empresta pra ninguem. Ele não disse que carro não se empresta pra mulher. "

No relato ela disse que o pai emprestava o carro para vários amigos dele mas não para ela.

Anônimo disse...

"Caso sério" de quê? de machismo? Acho que não, hem. E nem é questão de empatia baixa, é questão de bom senso mesmo. Eu sou mulher, tenho 22 anos, não dirijo e, apesar de meu pai e minha mãe terem cada um seu carro próprio, os dois já disseram pra mim que, quando eu tirar minha carteira, eles não vão me empretar o carro, a não ser que a situação seja urgente ou muito grave. Ok, né. Quanto a isso, não acho que eu esteja na posição de reclamar. O que não dá é sair taxando tudo de machismo. Ai vocês.

Inajara Nunes disse...

A mesma coisa acontece comigo. E meu pai é sociologo e se diz feminista. Eu tenho 23 anos,m vou fazer 24 e não tenho minha carteira, nem sei dirigir. meu pais nao me empresta o carro, nem quer em ajudar a pagar o processo do detran.

Anônimo disse...

Nao acho q a recusa tenha sido em razao do machismo....Na vdd,fico incomodada de ver o uso de conceitos serios da luta das mulheres por mais igualdade(como os defendidos pelo feminismo) em um relato sobre a disputa de um carro.Desde quando exigir que a pessoa sustente os desejos materiais que quer ter eh machismo?

lola aronovich disse...

Acho incrível que tem um monte de mulheres deixando depoimentos semelhantes ao da autora do guest post, que todo mundo sabe que existe um preconceito muito grande contra "mulher no volante" (perigo constante, diz o ditado), e ainda assim venha gente dizer que não vê machismo...
Fico lembrando de um meme que eu vi. Ele dizia: o chato não é eu ver machismo em tudo. O chato é vc não ver.

Marina P disse...

Vim me retratar;acabei de reler o texto e percebo que ela não escreveu que seu pai emprestava o carro para os amigos,mas sim que ela tinha amigos que diriam. Li correndo da primeira vez, sorry. De qualquer maneira, mantenho minha argumentação.

"(...) ele nunca mais me emprestou o carro, e vários amigos meus dirigiam e andavam de carro."

Mari Andrade disse...

Puts, esse deveria ser o meu guest post!!!
Incrível como as histórias se repetem.
Só que diferente da história da Paola, minha mãe, que também foi impedida de dirigir pelo meu pai, não abriu a boca pra me defender. Eu já tinha 18 anos, e meu irmão que é mais novo do que eu dirigia desde os 12 anos. Hoje tenho habilitação, moro com meus pais e sou avalista do carro dele, e tanto ele quanto a minha mãe já me negaram o carro quando precisei para ir trabalhar (moro na Baixada Santista e trabalho em Osasco). Nunca vou esquecer a festa que foi em casa quando meu irmão, que tinha 12 anos, pegou o fusca do meu escondido e gastou um tanque de gasolina dando voltas pela cidade, mostrando que tinha aprendido a dirigir. E o todos os empecilhos que meu pai criou para me desestimular a dirigir.

Masculinista ainda indignado disse...

"Acho incrível que tem um monte de mulheres deixando depoimentos semelhantes ao da autora do guest post, que todo mundo sabe que existe um preconceito muito grande contra "mulher no volante" (perigo constante, diz o ditado), e ainda assim venha gente dizer que não vê machismo...
Fico lembrando de um meme que eu vi. Ele dizia: o chato não é eu ver machismo em tudo. O chato é vc não ver."

Ahhhhhhhhhh claro. Tem um ditado. tem um preconceito social contra mulheres no volante (não vou entrar no mérito sobre ele estar ou não fundamentado porque não tenho dados sobre o assunto) e então magicamente SEMPRE vai ser em razão do preconceito.

Veja a porra do post: IMAGINO QUE seja machismo.

COmo se não houvesse nenhuma outra razão. Agora funciona assim:

1 - existe preconceito
2 - sou contra esse preconceito
3 - entao esse fato porque PODE se encaixar, é culpa do preconceito.

É muito comum, só não ve quem não quer, pais não emprestarem o carro para os filhos. Eu mesmo, homem, branco, heterossexual, regularmente habilitado, não sou de beber, sempre fui responsável, e meu pai ainda assim nao empresta o carro para mim.

Tá na hora de repensar esse vitimismo mimimi

Anônimo disse...

Eu ganhei um carro aos 18 anos e só fui sair com ele um ano depois.Pegar rodovias ?Nunca. A pressão psicológica era grande, que eu poderia morrer, que era perigoso, entre outros.Bjs Mi.

lola aronovich disse...

Ô mascu ainda indignado, no primeiro comentário seu, que eu não publiquei (ou melhor, publiquei mas, depois de lê-lo inteiro, deletei), vc assina como "mascu educadamente indignado". Não tem nada de educado na sua indignação. Vai ver que chamar alguém de escrota, burra, mimada, vitimista etc etc seja educado nas bandas onde vc vive, mas aqui não é. E se vier de mimimi deletou meu post cadê a liberdade de expressão mimi já vou logo deletando os outros também. Tolerância zero pra mascutrolls.

Cora disse...


Existe sim muito machismo em relação à mulher motorista. O homem pode fazer a barbeiragem q for: levar o portão no peito, deixar o carro morrer, fazer curva acima da velocidade segura, atropelar lombada, frear de forma seca no farol, furar farol vermelho, mudar de faixa sem acionar a seta, fechar outro motorista, bater na traseira... e NUNCA ouvirá “tinha que ser homem”. Homens e mulheres podem ser bons e maus motoristas, mas somente a mulher será humilhada se fizer algo errado (e pior, será humilhada se fizer tudo certo tb, tipo “até ela dirige...”).

Quando fiz minha CNH o meu instrutor era um cavalo, imensamente grosseiro. Batemos boca várias vezes pq eu não levo desaforo de homem pra casa. Contratei o mínimo de aulas necessárias para ir pro exame e foram todas elas terríveis, com aquele estúpido me destratando e a gente brigando. Não sei qual a idéia do cara e nem se ele fazia isso com todo mundo ou apenas com mulheres. Na época nem tava ligada em feminismo, nem nada, mas jamais admiti q homem gritasse comigo. Hoje, daria uma investigada pra saber se ele era um cavalo com todo mundo. Meu pai é um cara super do bem, nunca podou nenhum dos filhos, sempre nos apoiando em TUDO q a gente quisesse fazer. NUNCA gritou comigo. Daí q, se nem meu pai gritava comigo, não era um outro homem que faria isso. Depois eu ri muito, pq ele tinha certeza q eu não passaria na prova. A cara q ele fez qdo eu fui aprovada foi impagável. Mas na época eu achei q era um problema só de nós dois mesmo, pq eu era respondona qdo ele era estúpido e a gente se deu muito mal.

Em casa nunca fomos proibidas de fazer nada por sermos mulheres. Minha mãe sempre dirigiu, meu pai tb. Nem sempre tivemos carro, mas meu pai e minha mãe são super tranquilos e não ligam de emprestar pra quem quer q seja. Carro é um meio de transporte pra eles e pra td mundo em casa, então ninguém tem essas neuras de “ninguém põe a mão”. Quebrou, conserta. É assim. Então nunca pensei q não fosse capaz ou não pudesse dirigir. Meus pais sempre disseram que pegaria o carro com 18 anos.

Dirigir não tem nada demais, é um processo puramente mecânico q, depois do treinamento, fica automático. A pressão psicológica (e o terrorismo) é q torna o ato complicado e impede muitos de dirigir, principalmente mulheres, q precisam lidar com esses mitos idiotas (e é muito pior qdo a própria família alimenta os mitos).

E tem outra coisa q precisa ficar claro: mulheres podem cometer erros. Acho terrível essa cobrança (interna, inclusive) de sermos perfeitas sempre. Como os homens, mulheres tb têm direito ao erro.

Eu gosto de dirigir, mas não gosto de manter um carro. Já falei sobre isso aqui uma vez. Acho um estorvo. Então, no dia-a-dia prefiro outros meios de transporte, especialmente em são paulo (uso uma combinação de ônibus, metrô e táxi, dependendo pra onde estou indo). Eu moro perto do trabalho, faço parte do trajeto a pé (gosto muito, o caminho é super agradável e seguro) e uso o ônibus pra outra parte, pois preciso atravessar o rio. O tempo no ônibus é curto e se não fosse o detalhe do rio, faria td a pé ou de bicicleta.

Uso o carro eventualmente, só qdo ele realmente se faz necessário (preciso pras viagens). E prefiro dar carona, do que pegar carona.

Até entendo a associação de carro com liberdade, pois dá mesmo pra ir pra td canto, especialmente em viagens, se a gente estiver de carro. Mas acho terrível q precisemos TER um carro. Pra mim seria ótimo se pudéssemos alugar um apenas quando ele fosse imprescindível.

Dirigir é legal. Ter (e manter) carro é um saco.

E esses mitos idiotas sobre mulher e direção são apenas formas de controle. Mais uma maneira de manter mulheres sempre receosas e dependentes. Mas servem pra avaliar amizades, ficantes e namorados. Soltou qq pérola dessas? Indicação de boçalidade. Pra ficar de sobreaviso ou mandar passear logo, pra evitar chateação futura.

O machismo só vai acabar se TODA E QUALQUER atitude machista for prontamente rechaçada.

Mauro Macabro disse...

Me lembrei quando tirei a carta e minha mãe não queria que eu dirigisse o carro dela e agora tenho o meu,kkk. Tipo provavelmente é machismo, mas pode ser outro motivo.
Minha mãe odeia que eu dirija o carro dela, tanto que tive que insistir muito pra ela me dar umas aulas com o carro e só depois que eu bombei no primeiro exame ela aceitou.
Hoje dirijo bem(só bati num caminhão uma vez, lol) e não empresto meu carro pra ninguém.

Cora disse...


mascus têm uma limitação intelectual que não possibilita a compreensão de que os posts são apenas um gatilho pro debate.

dá dó, mas fazer o quê, né? o problema é de ordem física.

agora, só nascendo de novo.

Lilian Soares do Nascimento disse...

Nunca tive problemas com isso, ainda bem. Só me irritam mto quando me dizem: nossa "você dirige muito bem pra uma mulher!" ou ainda: "Até parece um homem dirigindo!"

O problema desse estereótipos é de fácil identificação: quando uma mulher motorista erra, é porque mulher dirige mal, todas nós levamos a fama e não apenas e tão somente a fulaninha em si. Agora, quando algum homem motorista erra, a ala masculina não leva a fama por causa disso. É apenas aquele ciclano específico que é um 'barbeiro'.

Ridículo.

Ana disse...

Não tenho muito a acrescentar sobre o machismo absurdo que tantas mulheres sofrem quando o assunto é direção.
Mas queria dizer alguma coisa sobre as pessoas que afirmam que não é machismo, é apenas "o carro é dele, ele empresta se quiser". Gente, que coisa feia. Um carro não é um bibelo, é um meio de transporte, um objeto de utilidade que deveria servir à toda a familia. Acho ridícula essa postura possessiva, materialista e egoísta. Esse culto a um bem que deveria ser utilitário é tão nefasto quanto patético.

lola aronovich disse...

Outra coisa que me incomoda na reação de alguns rapazes e umas poucas moças (fora o "não é machismo, vcs veem machismo em tudo!") é o "o carro é do pai, ele empresta pra quem quiser". Vcs devem viver num mundo individualista pra caramba se veem algo que é do pai como algo só dele, não da família, dos filhos. Não sei se é porque tive um pai maravilhoso, mas com ele não existia isso de "é meu, meu, meu". Ele vivia em função dos filhos, porque, para eles, nós éramos a coisa mais importante da vida dele. E é isso que eu ouço de pais e mães. Não conheço muitos pais e mães egoístas que são incapazes de emprestar e dividir suas coisas com os filhos. E estou falando de emprestar o carro, não de dar. E não estou falando de fazer algo ilegal. Claro que se o filho de 16 anos quiser o carro, a resposta deve ser não. Mas pro de 18 com carteira, se há dois carros na garagem, se o jovem promete que digirirá com cuidado, sem correr, sem beber, por que não?

Carolina Lucas Paiva disse...

Mesmo que no caso do guest post não tenha ficado claro se a motivação do pai foi ou não machista, é FATO que o machismo rola solto nessa área. É só ler os comentários.

Enfim, meu caso é bem diferente. Não sinto a menor vontade de dirigir e não tenho essa necessidade. Espero nunca precisar de um carro, logo é bem improvável que eu more em algum lugar onde o transporte público seja de má qualidade.
Não acho certo essa cultura de glorificação do carro, e não acho que uma cidade se qualifique pelo número crescente de carros entupindo as ruas. Como não acrescentar mais um carro nesse trânsito que temos, não me vejo dirigindo tão cedo (talvez nunca, caso não tenha real necessidade).

Como também não há perspectivas de alguém me emprestar um carro (aqui em casa só meu padrasto dirige e ele precisa do carro a sua disposição 24h por dia, e eu também não me sentiria bem dirigindo o carro dele) ainda não tirei carta e tenho 21 anos.

Agora, mesmo se eu tivesse vontade de dirigir, o ranço machista de que "mulher no volante, perigo constante" é bem agressivo. Se você errar alguma coisa, não é por ser principiante, é por ser mulher. Eu, tendo pavio curto, certamente não conseguiria engolir os sapos e me estressaria. Enfim, não vejo nada bom em dirigir.

Anônimo disse...

Meu pai tem uma pistola ponto 40, eu sempre quis/quero usá-la (aulas de tiro), porém ele nunca permite. Isso é machismo...ou não?

Tereza

SLS disse...

Tem muita gente nos comentários acusando a autora do post de fazer mimimi de classe média, e eu acho isso muito injusto pelo fato de já ter passado pelo que ela passou e saber o quanto isso machuca a gente.
Meu pai não me ajudou com um tostão sequer quando fiz auto-escola, aos meus 19 anos. Paguei tudo com a bolsa de monitoria que eu tinha na faculdade, e mais uma ajuda da minha mãe. E sim, era machismo, porque somos de classe média e ele tinha condições de ajudar, mas não queria mesmo era que eu ficasse independente. Carro para mim, que morava num bairro razoavelmente distante, era sinônimo de liberdade, por poder ir e vir a qualquer lugar a qualquer hora, o que fica muito mais complicado quando se depende de ônibus ou muito mais caro quando se usa táxi.
Meu primeiro carro também foi chorado: meu pai relutou o máximo que pôde para ajudar, e só concordou quando minha mãe tirou dinheiro da poupança dela e pagou metade daquele carrinho velho (tão querido!) para mim.
Demorou mais um mês para ele me deixar dirigir sozinha, e ele me fazia tanto medo que eu tinha pequenas crises de ansiedade toda vez que pegava o carro. Essa tensão demorou a passar, e só quem já sentiu isso sabe como é sofrido.
Ainda tinha toda a falação na cabeça quando ele pagava gasolina ou IPVA para mim (eu ainda estudava e não podia manter o carro sozinha). Novamente, era a tentativa de controle, porque o dinheiro não mesmo problema para ele. A gasolina era só a desculpa para implicar porque eu estava "saindo demais". Isso tudo só acabou quando me formei e passei a não depender financeiramente dele.
Então, Paola, fica aqui a minha solidariedade com você e o desejo que isso passe, como passou para mim, e que você tenha tanta alegria ao dirigir como eu tenho.

Ju disse...

Pois é. Quando tinha 18 anos pedi para o meu pai, toda animada, para ele me ensinar a dirigir e ele se fingiu de surdo. Falou nada. Não pedi uma segunda vez. Não quer? fo.da.se

Se ele me falasse algumas das coisas que vcs relataram aqui nunca mais olhava na cara dele.


Sobre o fato da maioria das pessoas nessas escolas para aprender a dirigir serem mulheres, além das coisas que vcs já citaram, tbm tem o fato de que muitos caras que já estão com a CNH não vão pensar que precisam de reforço ou de mais aulas, afinal eles já tem CNH, são praticamente o Schumacher..

Dai disse...

Nossa, eu só comprei meu próprio carro aos 34 anos, financiado, depois que passei em concurso e consegui o primeiro emprego estável em minha vida. Zero trauma, viu. Meu pai nunca emprestou carro nem me incentivou a dirigir. E eu por mim nunca dirigiria, não fosse as contingências de meu trabalho que me forçam.
Gosto mesmo é de andar de transporte coletivo, acho que qualidade de vida mesmo seria viver num país em que o transporte público fosse eficaz e acessível a todas as pessoas.
Ter uma tonelada de lata para me gabar e chamar de minha, congestionando o tráfego e poluindo o ar das cidades nunca foi um sonho meu. Não quero ser descortês, mas somo a minha experiência a das demais pessoas, apenas para ampliar a reflexão.

Anônimo disse...

Ah, eu acho errado isso aí de tirar a carteira e os pais bancarem carro, bancarem gasolina.. tirei carteira e minha mãe quis dar um carro pra mim eu disse que não. Ia ter quando pudesse comprar um.

Thiago Angelo disse...

Meu nome é Thiago, tenho 21 anos, e meu pai nunca me emprestou o carro, No máximo me deixava dirigir com ele do lado e num bairro tranquilo, quando eu estava tirando a carteira de motorista. Tirei a carteira faz 10 meses e ele NUNCA me emprestou o carro dele. Se eu fosse mulher poderia falar que ele é machista? Como eu sou homem vou falar que ele é o que? Obs: Fico meio puto pq ele não empresta, mas não brigo nem fico de mimimi pq sei que é direito dele me emprestar ou não, já que o carro é dele.

Rosana disse...

Acho engraçado como as pessoas classificam certas restrições como "pode sofrer por isso" ou "NÃO PODE sofrer por isso" tão logo monetarizam o a restrição.
"moro na roça e meu marido nao empresta o cavalo",
"moro na cidade e meu marido nao me deixa pegar ônibus sozinha",
"moro num condominio e meu marido nao me empresta o carro",
"moro no bairro chique tal e meu marido nao me empresta o iate"....

Parece que quanto maior o poder aquisitivo, mais vergonhoso parece ser reclamar de um problema que poderia se repetir em outras esferas, quando o problema nao é o tipo do veículo ou o valor dele, e sim o fato de que houve uma restrição baseada em uma premissa completamente preconceituosa, vinda de um senso-comum abobalhado e infundado... e que vai sim fazer esta pessoa se sentir inferior, incapaz, tolhida de sua capacidade.

GLStoque disse...

Se há uma coisa que aprendi aqui é que argumentos INDIVIDUAIS não funcionam para discussões GERAIS.

Logo, o fato de você dizer que seu pai não lhe empresta o carro por você ser homem (âmbito individual), NÃO SIGNIFICA que não haja machismo dos pais para com suas filhas na questão de emprestar o carro (âmbito geral).

E antes que venha o contra-argumento, sim, a situação da 'postadora' é individual e foi utilizada para levantar a questão geral.

O que é diferente de encerrar a discussão comparando o caso dela com o seu.

Ariane disse...

Meu pai é um cara que tem várias atitudes machistas. Com a minha mãe. Comigo, ele é um pai feminista. Vai entender.

Ele que teve a ideia de meu namorado dormir lá em casa pra me fazer companhia quando eles não estão. Ele que me incentivou a estudar, me ensina a investir em ações e a ser uma mulher independente. E, embora eu tenha demorado mais do que meu irmão (que ganhou carro aos 18), eu ganhei o meu quando me formei na faculdade. E eu encaro um pouco esse lance de eu ter demorado mais pra ganhar como machismo, mas, vamos lá, com um pai tão liberal em tantas coisas, talvez eu estivesse sendo meio injusta com ele. Meu irmão não valorizou o carro quando ganhou o dele, e era sempre ele discurso que ele usava quando eu perguntava por que não iria ganhar meu carro.

Concordo com alguns comentários que falam que é meio exagerado ter um trauma disso. Tem que diminuir isso e enfrentar, sabe! E eu sei muito bem do que eu falo quando digo sobre enfrentar os medos. Eu morro de medo de viajar de avião. Fico suando frio, nervosa, totalmente apavorada, tenho que me controlar muito pra não ter uma crise de pânico dentro de um avião. Mas eu enfrento. Pelo menos uma vez por mês, já que meu namorado mora 600km distante de mim.

O que eu quero dizer com isso é: não aumente os seus traumas. Enfrente os seus medos. Vai ser difícil? Vai, demais. Talvez vc precise da ajuda de uma psicóloga (já marquei uma pra mim, pra não sofrer mais tanto quando precisar viajar de avião). Mas vc vai se sentir a mulher mais poderosa do mundo quando dominar o seu medo e mostrar pra todo mundo do que vc é capaz.

Bjs e boa sorte!

Ariane disse...

"E estou falando de emprestar o carro, não de dar. E não estou falando de fazer algo ilegal. Claro que se o filho de 16 anos quiser o carro, a resposta deve ser não. Mas pro de 18 com carteira, se há dois carros na garagem, se o jovem promete que digirirá com cuidado, sem correr, sem beber, por que não?"

Lola, desculpa, mas tipo, vc não tem filhos. Não quero desqualificar vc de jeito nenhum (até pq tbm não tenho filhos), mas ninguém está pensando sobre esse lance de os pais não emprestarem o carro como uma forma de proteção. Meus pais nunca emprestaram os carros deles pra mim. É, cada um deles tem um, e minha mãe nunca emprestou o dela também. Mas já dirigi os carros deles com eles junto. Acho que tem situações que é uma forma de proteger o filho.

Sooraya disse...

Não é um comentário CMS, muitíssimo pelo contrário. A moça não está aqui reclamando "oh pobre de mim papai não me bancou". A questão é outra, tanto mais séria pq é cotidiana e muitas vezes passa desapercebida.

O pai, do alto de todo o seu machismo e possessividade (não vamos esquecer dela)deliberadamente se recusou apoiar (não falo nem em emprestar o carro), ao ponto de vender um dos carros da família.

Outro pto importante. O carro não é do pai, mesmo que só ele dirija. O carro que é comprado com o apoio de todos pertence à família. (mas pq será que muitos homens enchem a boca pra dizer MEU carro e não NOSSO carro?).

Leio Lola Leio disse...

O fato de o pai da moça ter se recusado a emprestar o carro e não ter sequer se disposto a discutir o fato com a filha é absolutamente autoritário e machista. Ele ter permanecido em silêncio quando ela questionou não significou respeito, pelo contrário. Foi como se ela fosse tão inferior a ele, que ele não perderia seu tempo argumentando com ela. São muitas as pessoas que agem desse modo autoritário na vida, tratando os demais (filhos, subordinados, porteiro, cobrador do ônibus) como se lhe fossem inferiores. Uma leitura atenta ao post, mesmo que a pessoa não se disponha a identificar o machismo, pode perceber como o autoritarismo está evidente.

Anônimo disse...

O meu pai é bem machista, mas, nessa questão de dirigir, ele não é nem um pouco. Ele sempre me incentivou a dirigir, fala pra eu pegar o carro dele e sair, mas sou eu quem tem medo. Tenho carteira e só saí com o carro duas vezes.

Leila disse...

Olá,

Gostei muito do comentário da Cora sobre TER um carro e todas as responsabilidades que temos que assumir junto. Os jovens muitas vezes não pensam nisso, isso também pode ser um problema para os pais, fazer compreender que o custo não será só o da máguina, vem um monte de coisas junto com isso. Tem até um episódio do Todo mundo odeia o Chris sobre isso, como carro nos Estados Unidos custa muito barato o Chris que trabalha, economiza e compra um só que depois se vê escravo daquele emaranhado e o pai dele só diz: pois é!
Cora, não sei se você já ouviu falar, mas no Canadá e na Europa existe um sistema que é mais ou menos como uma cooperativa (esqueci o nome), você paga uma taxa e terá um carro disponível, entra no sistema, vê os pontos onde existe carro disponível para você e diz onde o deixará. Meus amigos que usam dizem que é muito prático. Na França tem gente que usa até a estação de trem, por exemplo, de lá toma o trem e vai para o trabalho. Parece que nem sempre sai barato, mas é mais prático pra muita gente. Enfim, estão se criando alternativas e isso é bom.
Leila

Paola disse...

Olá, eu sou a dona do post...
Agradeço imensamente à todas a mensagens de apoio e de todas as pessoas q me compreenderam, vc nem imaginam o qto essas opiniões foram importantes pra mim....
Na minha família, sempre fomos acostumados a dividirmos as coisas, não dando chance para atitudes egoístas... Então quem diz que o carro é dele e ele empresta SE quiser, eu sempre imaginei q o carro fosse um bem da família inteira, e não apenas dele.
Quem diz q eu pertenço à CMS e estou de mimimi pq eu deveria comprar um carro usado, a minha pergunta é: vc sabe se eu tenho condições de comprar um carro usado com o meu salário?
Dar soluções para as outras pessoas é mto fácil, não é mesmo?

Anônimo disse...

É simples dizer se é machismo ou não: ele agiria assim se ela fosse homem? Nós sabemos que não.

Se isso traumatiza ou não depende de cada um lidar com o machismo sofrido diariamente e não cabe a ninguém mais julgar.

Leio Lola Leio disse...

Quando eu fui tirar carta, eu já estava trabalhando e paguei o curso. Assim como aconteceu com a Cora, meu instrutor era péssimo, fazia comentários machistas e era absolutamente invasivo. Tive a impressão de que ele ficava dizendo o tempo todo que eu não iria passar porque queria que eu comprasse a habilitação, mas eu sempre respondia às provocações, às vezes de um modo mais ríspido, porque ele era bastante inconveniente.
Quando chegou a data da prova prática, o instrutor disse que eu não passaria e que outro sujeito que também iria fazer a prova certamente passaria. Aconteceu justamente o contrário, para a surpresa do instrutor e de alguns de meus familiares (já contei em outros comentários que minha família é absolutamente machista e que sou a filha do meio entre dois irmãos homens). Depois, algumas amigas que também fizeram o cfc na auto escola em que fiz comentaram que o tal instrutor tinha sido um escroto com elas também e por isso eu percebi que o cara não era assim só comigo, mas que era a postura dele mesmo inadequada. Uma delas me contou que ele chegou a criticar a maneira como ela se vestia!

Anônimo disse...

Também tive uma história bem parecida. No meu caso como tenho dois irmãos não fico na hipótese: foi diferente com eles.
Eu sou 4 anos mais velha que meu irmão do meio e ele dirige o carro do meu pai desde os 14 anos (sim, mesmo ele não tendo carteira meu pai liberava o carro para lugares próximos da nossa casa). Com meu irmão mais novo foi um pouco diferente, mas com 18 anos ele tirou a carteira e tb tinha o direito de pegar o carro. Quando eu pedia ele dizia que o carro estava quebrado ou que eu iria estragar alguma coisa, ou que o carro era muito difícil de dirigir. O problema é que essas insinuações, desconfianças e proibições vão minando a segurança em dirigir. Além do que, como tudo na vida dirigir é treino e se não se treina não se aprende e uma coisa leva a outra. Essa é apenas mais uma face do machismo, uma face bem sutil, onde as mulheres são levadas a crer que não são capazes de dirigir, quando as estatísticas todas provam que o maior número de acidentes tem como motorista um homem.

Carol NLG disse...

Só um comentário pra todo mundo que está dizendo que os pais não quiseram ensinar a dirigir:

não deveriam mesmo. Homem ou mulher. É contra a lei. A lei é errada? Nem acho. Mas independente, é a lei.

Eu só tenho irmãs, e acho que meu pai é bem feminista. Com nenhuma de nós ele levou pra ensinar a dirigir antes dos 18. Ele pagou auto-escola, porque podia, mas carro mesmo, só quando a gente pudesse manter. Afinal, não é só comprar. Tem gasolina, manutenção, seguro, IPVA. E isso tudo vai somando.

Mirella disse...

Bom, felizmente nunca passei por nada do tipo. Minha mãe sempre, sempre, sempreeeee me incentivou a tirar carta e dirigir o carro dela, porém EU é que nunca quis. Detesto dirigir, não tenho saco, concentração, prefiro ir a pé, de táxi, metrô ou o que seja. Tirei minha carta provisória e ela venceu em 2010, até hoje não retirei a definitiva.
Felizmente, minha liberdade não está condicionada ao carro. Durante a semana, fico em Sampa, moro ao lado do metrô e são só quatro estações até meu trabalho. Do metrô até bater o ponto no trabalho levei 27 minutos hoje, sendo que levo dez minutos de dentro de casa até o metrô, acho um tempo razoável para gastar só R$3,00. Com carro ia gastar gasolina + estacionamento. Thanks, but no thanks.
Só fico "presa" em casa quando vou para a casa da minha mãe no interior, que é uma chácara afastada da cidade. Mas fico só de sábado para domingo e detesto sair de casa, então não faz a menor falta. Não peço para ela me levar a lugar nenhum, não me faz falta.

Honestamente, detesto carro e não me vejo nunca comprando um. Não tenho condições de manter um carro - digo manter no sentido de ter uma folga boa para isso, sem precisar ficar chorando para encher o tanque e pagar IPVA. Sai muito mais barato pegar táxi quando to com preguiça, e no fim do dia quem precisa comprar pneu, levar na oficina e encher o tanque não sou eu. Em compensação, quando pego carona divido o estacionamento, pedágio etc.
E meu namorado é mais ou menos como eu, apesar de ter a carteira em dia, quase não dirige, e não dirige muito bem, justamente pela falta de prática. Nos viramos bem sem carro, heuehu.

Cora disse...

Leila,

uma vez vi um stand no shopping eldorado aqui em são paulo, a ideia parecia ser mais ou menos essa q vc relata, mas eu não pude parar pra ver melhor e, qdo voltei ao shopping séculos depois, hehehe, não tinha mais nada lá.

uma vez fui cotar numa locadora para uma viagem, mas ficava muito acima do q eu poderia gastar só com transporte, aí deixei pra lá.

mas eu acredito q o futuro é esse mesmo. é impossível q todos tenham carro e o usem direto.

aqui mesmo, no brasil, já vale a pena alugar carro por um dia ou dois em cidades maiores. o custo de manutenção de um carro é muito alto, a encheção de saco de ficar procurando lugar pra estacionar ou pagando os olhos da cara em estacionamento (pelo menos em são paulo) é dose, mil vezes pagar um táxi ou usar metrô/ônibus. mas eu reconheço q sou privilegiada, pois moro em bairro bem servido de linhas de ônibus (tenho muitas alternativas) e ainda é perto do trabalho (dá pra fazer parte do trajeto a pé).

carro, por enqto, só pra viajar mesmo. ainda acho bacana pegar a estrada e poder fazer o caminho q quiser.

Anônimo disse...

meus pais sempre me emprestaram o carro... minha mãe me ensinou a dirigir quando eu tinha 15 anos... desde pequena eu sempre fui fascinada por carros. dirijo muito bem. pego estrada direto, desde os 19 anos.
talvez, se tivesse tido uma educação machista, eu fosse insegura e não dirigiria tão bem.

Anônimo disse...

Lola, meu primeiro comentário estava no celular e não pude escrever o quanto gostaria. Em relação ao post, apesar de ter ganhado o carro aos 18 anos,depois de 10 anos precisei vender e ficar sem automóvel, porém, nem mesmo meu pai ou irmão emprestaram o carro para mim, assim como diversas pessoas que ajudava durante toda época que tive também não me deram carona, ao contrário, já ouvi absurdos que tiveram que ir embora no melhor da festa porque eu ia embora (com o meu carro), sendo que no primeiro momento deve satisfazer as minhas necessidades. Acho sim um tanto quanto egoísta, mas não podemos culpar as pessoas por tal atitude, já que eu também poderia nunca ter emprestado o meu e nem ajudado outras pessoas. Agora, vou te falar, deve fazer um ano que estou sem automóvel, mas com dinheiro na poupança suficiente para comprar um à vista, porém tenho outra prioridade. Não sinto falta até o momento, mas sabe o que fico indignada? Que o carro perante ao olhos das pessoas é mais que um meio de transporte, um conforto, é sinônimo de status e no começo me incomodava muito os questionamentos de qual seria meu próximo carro ou quando iria comprar outro carro, entre outros. Atualmente, digo com todas as letras: - NÃO QUERO E NÃO PRECISO DE CARRO TÃO CEDO! Beijos Mi

Sara disse...

Carol NLG concordo inteiramente com vc, eu só treinei minhas filhas DEPOIS q elas ja tinham a carteira e DEFINITIVA, e no próprio carro delas, pq sabia q se elas pegassem antes disso e por inexperiência somassem muitos pontos e multas poderiam perder a CH.
E mais concordo com o q vc falou tb sobre ser capaz de sustentar um carro (o q convenhamos não é barato).
Tenho condições de dar carros pra elas, mas decidi não dar e acreditem elas concordaram comigo.
A mais velha comprou o carro dela e paga todas as suas despesas, a mais nova eu dei um carro usado para saldar uma divida q eu tinha com ela, mas ela só quiz o carro qdo pode ganhar o suficiente para custear as despesas q um carro da.

Leila disse...

Ah, o que eu queria ter acrescentado ao meu comentário anterior era justamente isso que a Carol colocou, ensinar a dirigir não é função do pai ou da mãe, me parece que é ilegal...antes até era possível, mas hoje pode ser bem arriscado. A filha de um amigo meu estava insistindo que ele fizesse isso por ela, ele se recusou, está pagando auto escola, disse que paga quantas horas for necessário, mas não vai dirigir com ela antes que ela tenha a carteira. Essa mesma moça faz muita pressão para que o pai lhe dê um carro, disse que o merece porque passou em duas universidades públicas, sempre com total apoio do pai...enfim, eu acho errado, a postura dela é de uma menina mimada. Ela não vai precisar de carro, a universidade é muito perto, fácil de ir de ônibus e ela não trabalha e parece que nem pretende. Cada caso é um caso, sei que o irmão dela tem carro e que o pai 'ajudou' a comprar, como ele 'ajudou' o irmão a comprar disse que também vai 'ajudá-la' assim que ela puder arcar com uma parte. Quanto ao carro dele ele não quer emprestar, eu não sei bem o porquê, acho que tem uma história de seguro, ele não é do tipo extremamente apegado ao seu carro.

Anônimo disse...

Mas, gente do céu, ficar reclamando do teu pai não vai ajudar em nada. E, além disso, ter carro não tá com nada.

Vai de bicicleta, vai de táxi, vai de trem, vai de ônibus, vai de carona, vai a pé. É muito mais barato do que ter carro.

Ligar independência a possuir carro é uma tremenda falácia, que muito me admira ler num blog feminista.

No teu caso, tua dependência em relação a teu pai e teu marido se ampliou e fixou no automóvel. Precisar do incentivo deles mostra o quanto você está se posicionando de maneira passiva nessas relações, esperando que eles decidam o que você pode ou não pode fazer. E depois eles é que são machistas.

Oras, para com isso! Te mexe, mulher! Atitude!

Bruno S disse...

Relação com carro é sempre uma boa fonte para exemplos machistas.

Como "belo" subproduto disso, produzimos homens que são bastante agressivos e imprudentes no volante de um lado e do outro produzimos mulheres com medo de dirigir ou dirigindo cheias de insegurança.

Outro ponto que acho legal levantar é essa ênfase no "carro do pai", como uma propriedade que não pode ser compartilhada.

Numa família hipotética em que os pais botém renda e os filhos ainda não se estabeleceram profissionalmente, foram os pais que compraram casa, televisão, geladeira, aparelho de som, fogão, sofá, camas e automóvel. Fora o carro, todos os demais itens são vistos como coletivos.

-b. disse...

Eu sou homem, aprendi a dirigir super cedo, quando comecei a namorar a minha parceira ela praticamente não dirigia, eu sempre a incentivei, pedia para ela dirigir o carro sempre que o trânsito estava leve (ela tinha medo, não fazia sentido jogá-la no trânsito pesado) e hoje, 5 anos depois ela dirigie super bem.

Na verdade ela dirige muito melhor do que eu, sem nenhuma competição mesmo. Tenho muito orgulho dela dirigir tão bem.

Renato disse...

Sério, leiam o post. É esse tipo de coisa que acaba com o movimento. Eu acho que estou me tornando feminista pouco a pouco, porém ler essas coisas fazem despertar meu pensamento arcaico que "feminismo é besteira".

Bater o pé e ficar "traumatizada" porque o pai não empresta o carro e ainda culpar o machismo por causa disso?

André disse...

Os examinadores costumam ser mais condescendentes com as mulheres, talvez na vã esperança de algum favor sexual.

Marcelly disse...

mudando de assunto...fui eu toda linda no site do Kinder ovo...demonstrar meu repudio pela novidade de fazer kinder ovo separado pra meninos emeninas..ai quando vc tenta entrar em contato..sofalta eles te pedirem a senha do banco..pedem todos os seus dados..e te obrigam a receber os e-mails de divulgação..

tem erronão..vou pro facebook...


alias..ando denunciando vaaariascoisas no face..e eels estao apagando..edizendo que nao passam nossos dados prosdonos das pags...\0/bora denunciar..

blogdomensalao disse...

Olá Lola.

Eu tenho um blog no qual publiquei ainda hoje a tradução de um paper de psicologia demonstrando como o desempenho de mulheres pode ser prejudicado quando é acionada a sua identidade de gênero mesmo que de forma implícita. Em outras palavras, ao lembrar uma mulher que ela é mulher pode-se fazer com que ela diminua seu desempenho nas atividades em que existe um esteriótipo afirmando que elas são ruins. E isso acontece mesmo quando não é dito explicitamente que existe tal esteriótipo, basta lembrar que são mulheres e ativar sua identidade feminina.

O experimento testou o desempenho de mulheres em provas de matemática, mas pode ser facilmente extrapolado para o caso da direção, pois também existe um esteriótipo de que mulheres dirigem mal.

O link para meu post é este aqui: http://blogdomensalao.wordpress.com/2013/02/18/suscetibilidade-ao-estereotipo-enfase-na-identidade-e-mudancas-no-desempenho-quantitativo/ Espero que goste!

Anônimo disse...

Eu entendendo a autora do post porque sou tenho uma irmão mais velha e um irmão do meio. Meu irmão sempre foi incentivado a dirigir, desde criança. Minha irmã mais velha, mesmo tendo manifestado interesse, não foi incentivada da mesma forma. Eu também não. Na verdade, meus pais até nos desestimula. Minha irmã já tem 27 anos e ainda não sabe dirigir. Eu com 23 pretendo tirar minha carta nesse ano. Quanto a incentivo financeiro, com isso eu não conto, sempre gostei de pagar minhas próprias coisas. POrém, também não quero que fiquem me desestimulando (prevejo brigas). No meu caso, é impossível dizer que não é machismo, pois tenho um irmão e uma irmã, então tenho motivos concretos pra comprovar.

Fabiana C disse...

Pra mim é meio obvio que existe machismo nessa questão de dirigir, pois os meninos desde cedo ganham carrinhos de brinquedo e são incentivados a conhecer sobre veículos e aprender a dirigir ainda garotos. As meninas geralmente quando decidem dirigir, tem que começar do zero nas auto-escolas, o que dá muito insegurança. Meu caso é assim, gostaria muito de dirigir, mas acho que é um bixo de 7 cabeças pois nunca foi 'apresentada' aos controles do carro, painel e mecânica pelo meu pai, ao contrário do meu irmão que hoje dirige carro e moto. Não que seja culpa dele o fato de eu não dirigir, mas tive menos oportunidades e incentivo por ser menina, isso é muuito claro. Acho que o caso dela vai além de materialismo do pai, existe sim um machismo implícito, uma tentativa de controle ou uma desconfiança pelo fato de ela ser mulher.

Veronica disse...

O meu caso foi bem pior: meu pai faz tudo pra me impedir de dirigir, simplesmente pq o meu primeiro carro é um modelo zero km, comprado a vista com o meu dinheiro. No dia em que eu cheguei com o carro, ele tomou um porre e disse q nunca conseguiu ter um. Resultado, sinto uma culpa terrível por ter podido comprar um carro zero e quase morro toda vez q olho pro carro. São palavras, olhares, coisas o tempo todo que machucam e me fazem querer desistir, vender o carro, esquecer essa história de dirigir. E não consigo tipo, sei lá, pedir ajuda, procurar um psicólogo.

Kenny Guilherme disse...

Discordo de quem disse que o carro é do pai e ele empresta pra quem bem entender. Puxa, não dá pra ser legal com um filho, é pedir demais? Muito mala esse pai!
Embora o dito cujo em nenhum momento tenha dito que não emprestaria o carro pq era para a filhA, não tenho dúvidas de que se fosse um filhO a situação seria bem diferente. Nos acusam de ver machismo em tudo, mas por que será que vemos? Ah sim, pq vivemos numa sociedade machista, então ele está em tudo mesmo, não ver é que é problema.
Na minha casa não foi muito diferente. Eu tirei minha carteira com 19 anos. Minha irmã tem 27 e até hj não tirou. Nosso pai custeou 1/3 das despesas da minha CNH. Mas, para minha irmã, ele sempre diz que não tem dinheiro. Acaso?

paula disse...

Veronica, procure ajuda sim, pois essa culpa que vc está sentindo é muito ridícula e injusta! Seu pai deveria ficar feliz por seu sucesso, mas se ele se sentiu tão mal por vc ter algo que ele não tem, apenas demonstra uma fraqueza emocional dele, pela qual vc não pode pagar!

Quanto às moças que se sentem inseguras para dirigir pq teriam sido vítimas do machismo, aprendam a se fortalecer e a superar isso... Eu trabalho numa área predominantemente de homens, e me virei para começar a carreira. E sabe como consegui? Consegui ao não usar o machismo (que sei que existe) como desculpa para meus fracasso. A gente tem que fortalecer a mente e seguir em frente!

André disse...

Bruno S.

Televisão, carro, bicicleta, etc. nem sempre são considerados da família, nem sempre por machismo.

Mariana. disse...

Então.

Eu tenho 23 anos e também tirei minha carteira bem tarde, por comodismo.

Minha irmã, quatro anos mais velha, tirou aos 19 e meu irmão, quatro anos mais novo, tirou a dele assim que fez 18 anos.

Meu pai sempre falou "não quero ngm aqui em casa que não saiba dirigir", mas a verdade é que meus pais sempre fizeram tudo pela gente: enquanto nós não tínhamos nosso próprio carro, eles sempre nos levaram e buscaram pra tudo o que é lugar.

Logo que eu passei no vestibular, aos 17, tinha planos de tirar carta, mesmo sabendo que não teria um carro disponível pra mim na maior parte do tempo. Só que logo comecei a namorar e meu namorado é um querido igual meus pais: me levava pra casa todos os dias, e talz. Aí acomodei, não tirei carta.

Depois que tirei a minha, meu pai nunca me negou carro, mas eu não gosto de pedir. Eu vejo que ele não curte emprestar, porque é dele, não porque ele é machista.

Meu namorado, ao contrário: ficou 2 meses fora, num curso e deixou o carro cgm, que tinha acabado de tirar carteira.

Eu acho que seu pai não foi machista, é só que ele é zeloso. Carro é caro. Eu consegui comprar o meu, pagando um consórcio que comecei a pagar no início da faculdade.

Claro que é um bem caro, mas acho que se vc se dispor a comprar um carro barato, e tiver paciência para esperar a "sorte" do consórcio (já que não há como dar um lance), logo vc tá com o seu aí :)

Dai disse...

E eu voltei a esse post de ontem pq achei que meu comentário ficou ambíguo. Claro que eu reconheço o machismo na atitude do pai da comentarista. Não estou questionando isto. Todas sofremos com discriminações semelhantes a esta, basta nascer mulher, embora não seja traumático para muitas algo tão trivial (sobretudo para quem anda de ônibus desde criança). O que questionei é que, no meu entendimento, uma vida libertária talvez passe bem longe da aquisição de grande bens capitalistas (intrínsecos ao machismo e aos ritos de iniciação à masculinidade), pois isto só reforça sua estrutura. E pergunto: admitir que ter um carro é uma via direta para uma vida independente não seria ser cúmplice do machismo? E do seu braço-mor, o capitalismo? É muito mais desafiador lutar por um mundo em que carros fossem tão obsoletos quanto o machismo. Eu acho.

Mariana. disse...

Eu acho que a frustração da autora do post é muito mais por ela nunca ter tido independência financeira (antes dependia do pai e agora do marido - pq apesar de trabalhar, não quer dizer que isso nos permitiria manter o padrão de vida que tem só com o seu trabalho) e, consequentemente, dinheiro para comprar o próprio carro e vingar o machismo que, na minha opinião, só existiu na cabeça dela.

Você, autora, nem sequer tem um irmão para comparar os tratamentos. A única coisa machista na sua história foi o fato de que sua mãe discordou do seu pai quanto a emprestar o carro, e a vontade que prevaleceu foi a dele, como se ele fosse mais dono das coisas do que ela (e não é).

Os pais podem não emprestar o carro para os filhos por vários motivos. Minha irmã é uma ótima motorista e logo que tirou a carta (paga pelos meus pais), pode pegar o carro. Meu irmão também. Eu sou mais lentinha pra essa coisa de direção (esquerda e direita me confundem) e todo mundo sabe disso (embora nunca insinuaram que minha falta de habilidade se relacione com o fato de eu ser mulher) e meus pais demoraram pra ter confiança em me deixar usar o carro. É um bem caro, tá certo zelar SIM.

Não pense que é só porque vc tem uma carta que sabe dirigir. Os motoristas amadurecem, melhoram. Eu sou prova viva disso.

Ju disse...

Carol NLG, você está absolutamente certa. Aprender a dirigir só em escolas. Deveria ser assim, mas não é. Aqui está cheio de casos de leitoras cujos irmãos aprenderam a dirigir com 12, 14 anos. Com o apoio do pai. E quantas aqui receberem como resposta a um pedido de "me ensina a dirigir?" um "não minha filha, vc tem que aprender numa escola, com um instrutor, tudo certinho"? Poucas.

Ju disse...

Ah, já ouvi falar que na Itália é bem séria essa coisa de assédio por parte de intrutores de auto-escola.
Parece que é muito comum por lá.

Anônimo disse...

Não era machismo, Paola. O seu pai simplesmente não confiava em você. Vera Alves

masculinista ainda indginado. disse...

"A mesma coisa acontece comigo. E meu pai é sociologo e se diz feminista. Eu tenho 23 anos,m vou fazer 24 e não tenho minha carteira, nem sei dirigir. meu pais nao me empresta o carro, nem quer em ajudar a pagar o processo do detran."

A moça acha que os pais estão errados em não querer pagar carta pra ela ou emrpestar o carro?

Ora, queria ver se fosse 1 mil reais dela, se ela sairia dando fácil assim. Queria ver se fossem 30 mil reais dela, se ela largaria na mão de qualquer um. Porque se ela não consegue pagar a própria carta, imagina assumir a conta se bater o carro?

Faça-me o favor, quanto mimo em um só post. Se a autora publicar meu post anterior, leia-o e pare de frescura! Não é exigindo direitos só porque nasceu que se chega em algum lugar. Parece que a geração atual (faço parte dela) acha que a vida já deveria começar com tudo encaminhado como se tivéssemos quarenta anos. Muito dificilmente algúem os 20 anos vai ganhar 10 mil por meês ter um casa e um imóvel.

99% das pessoas que tem isso ralaram muuuuuito para chegar lá, e esperaram muuuuito tempo. Porque você acha que merece isso "de graça", sem esforço?

E claro, a culpa é do machismo!

Olhe pra dentro de um ônibus e veja quantos homens tem lá. Isso é culpa do machismo também?

Leio Lola Leio disse...

Algum anônimo comentou o seguinte: "Ligar independência a possuir carro é uma tremenda falácia, que muito me admira ler num blog feminista."

Discordo.

A questão não é ter o carro, mas PODER ter o carro.
Hoje eu posso ter um carro, mas escolhi não tê-lo, porque posso ir a pé ao trabalho e à faculdade, o que é um baita privilégio nos dias de hoje.
Mas, poder escolher tê-lo ou não é uma forma de ser independente financeiramente e penso que isso é importante para a maioria das pessoas (homens ou mulheres), mas ao meu redor eu convivo com muito mais homens emancipados que mulheres. A maioria das minhas amigas só saíram da casa dos pais depois de terem se casado. Já os amigos, alguns moram sozinhos ou em repúblicas e trabalham para pagar as próprias contas ou vivem desse modo às custas dos pais (ou seja, permanecem dependentes financeiramente, mas já habitam outro espaço que não a casa dos pais), eles não precisaram "casar" ou fazer faculdade em outra cidade pra sair de casa, ao contrário da maioria de minhas conhecidas.
Acho que há uma questão de gênero nisso que disse e no Guest Post.
O pai poderia se recusar a emprestar o carro, como alguns já disseram, mas ele sequer se propor a discutir o fato, dizer seus motivos para negar o carro à filha, essa postura dele é autoritária e machista.

Nivaldo Brás disse...

Ô ÔÔÔÔ lola por que me corta do Blog. Tem gente que fala coisas mais horrendas e você publica. Isso é preconceito. Só falei que o pai dela não confia nela. Ela critica o pai, mas tem um pai. Isso é importante que um carro. Agora ela esta bem grandinha, para essas lamentações. Até aquele momento precisava do pai, e até hoje talvez. Quantos pais dão porrada em vez de sermões. Pô!

Cleonice Machado disse...

Ainda sobre a questão do sexismo envolvendo o setor automobilístico, acho importante ressaltar que precisamos intensificar as estratégias para combatermos as piadas envolvendo mulheres e trânsito.

Algumas pessoas dizem que eu não tenho senso de humor, então eu digo que se não rir de piadas que têm o intuito de denegrirem/rebaixam mulheres que dirigem for não ter senso de humor, assumo, com prazer, as consequências da minha opção.

Hoje vi, pela segunda vez, uma mulher compartilhando a seguinte imagem no facebook: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=460174714037481&set=a.268870336501254.75349.268865573168397&type=1&theater.

Olha, nós, feministas, falamos, à exaustão, sobre isso. Tentamos dizer às mulheres que quando elas riem de piadas sexistas, elas precisam ter em mente que os homens não estão rindo com elas, estão rindo delas. Mas parece que ainda não conseguimos a atenção de algumas (e a culpa disso é de todo um processo histórico castrador ao qual às mulheres foram - e ainda são - submetidas).

Por isso, mesmo ficando triste com a atitude das mulheres que compartilharam essa piada, eu acho que isso não é motivo para chorarmos, é motivo para lutarmos ainda mais.

Anônimo disse...

"só pode ser isso, o que mais seria?"

Sério mesmo que a sua acusação de machismo se explica assim????

Quando eu tinha 18 anos eu tb queria tirar carta e dirigir o carro do meu pai, mas eu sempre vi que isso não ia acontecer.
Meu irmão que é mais velho e já tinha carta de motorista implorava para meu pai emprestar o carro e a resposta era sempre NÃO, houve até um episódio em que meu irmão precisava tirar o carro da garagem, meu pai tirou a chave do carro da mão dele e foi lá tirar o dito cujo.

Eu via isso como um ciumes pelo que era dele, um excesso de zelo, um medo, mas nunca como machismo.

Por fim não tirei minha carta com 18 anos, e não morri por isso, e nunca culpei meu pai.
Fui tirar carta com 23, comprei meu primeiro carro com muito trabalho mesmo e não gosto de dirigir - não por medo ou pelo o que o meu pai "fez" - não gosto da atividade, da rotina.
E não empresto meu carro para ninguém, por excesso de zelo mesmo!!!

Só para constar, sou mulher e acredito que estamos usando termos errados para situações erradas.

Anônimo disse...

Eu não tenho pai e minha mãe sempre foi empregada doméstica. Consegui comprar um carro sozinho ano passado, aos 26 anos. A primeira instância, parece que o problema dela foi menor do que o meu. Mas a verdade é que os problemas mudam de tamanho de acordo com os olhos das pessoas.

Mônica disse...

Lendo este post, assim como vários outros aqui no blog da Lola, me vem forte a ideia de que, além de tudo, as mulheres são "criadas" para nunca reagir...

(Teve um post muito legal uns tempos atrás sobre reação e acharia legal que tivessem mais).

Como toda mulher, sofri muito abuso e opressão durante a minha vida. Mas tenho a impressão de que, como sempre tive mais disposição para reagir, sofri menos do que a maioria das mulheres sofre...

Meu pai é muito chato com carro. É meio machista e muito possessivo. Mas eu não demorei muito para começar a "enfrentá-lo" quando o assunto era direção.

Ao longo do tempo, nossa relação nesse quesito foi melhorando muito. Hoje eu considero que ela é boa.

Porque, para mim, dirigir sempre foi (instintivamente) uma questão muito importante e eu não ia deixar a impaciência, o machismo ou o ciuminho que o meu pai tinha do carro me tirar a libeerdade e autonomia que dirigir poderia me proporcionar. Confesso que foi difícil algumas vezes, mas decidi que eu não ia me deixar vencer.

Eu sei que cada caso é um caso e eu não tenho a receita para acabar com o machismo, nem tenho essa pretensão. Sei também que revidar pode ser muito perigoso, então não acho que essa atitude pode ser tomada em todos os momentos, nem recomendo a ninguém se arriscar.

Mas acho que deveríamos discutir mais o assunto porque é muito importante aprendermos a não deixar que nosso epaço, nossos direitos, nossa voz sejam tirados nas relações que travamos cotidianamente, mesmo nas pequenas coisas... E isso é muito difícil porque, como meninas, fomos ensinadas a ser sempre quietinhas, obedientes, educadinhas o que nos torna muito vulneráveis a que invadam o nosso espaço sem que saibamos reagir.



Talita disse...

Pai não emprestar o carro pra filha é um caso bem clássico de machismo, pois quase sempre eles emprestam para os filhos, na minha família foi asim... (pode ser que o pai em questão também não emprestasse se tivesse filhos e isso nunca vamos saber!)
Mulheres sofrem um machismo absurdo em relação a dirigir. Quanto ao trauma, cada um sabe onde o calo lhe aperta não é mesmo? Mas com tantas histórias pesadas que vemos isso realmente pode soar como CMS, fico em dúvida, e sinto pena da moça se prender na vida por tão pouco... liberte-se!

Agora, o que me chamou atenção tanto no texto quanto em alguns cometários que relatam casos parecidos, é a exigência de que os pais disponibilizem seus carros pr@s filh@s! Isso é muito CLASSE MÉDIA SOFRE! Querer apoio é uma coisa (muito sensata por sinal),mas exigir suporte material que nada tem a ver com o essencial???

Talita disse...

Lendo os outros comentários, me deparei com a Lola falando do egoísmo dos pais, deles terem que dividir tudo com os filhos... acho essa visão bem complicada. Alias, é um dos motivos mais fortes pra eu me negar a ser mãe. Essa idéia dos pais escravos das vontades e necessidade dos filhos, sem direito a individualidade alguma...

Que tal incentivar a menina a ser autônoma e independente, ao invés de passar a depender da figura de outro homem (marido)? Incentiva-la a superar? Dar um "foda-se" bem grande pro pai, como alguém comentou acima!
Que tal dizer que vivemos num sistema onde a maioria imensa das pessoas não tem e nunca terão acesso a esse tipo de bem material e seguem suas vidas mesmo assim?

O que eu vejo são incentivos a clamores pra privilégios de classe, acho que as prioridades tão meio invertidas!

Anônimo disse...

Amiga! Isso é machismo e ponto. Dirigir é um ato mecânico e ponto.Você foi oprimida pelo seu pai, mas releve e se liberte desse medo, desse trauma.

Fernanda disse...

Ola!
Também sofri com um pai assim.Quando eu pedia para ele me ensinar a dirigir, ele dizia q eu não tinha capacidade.Até teve uma vez em que ele foi me ensinar a dirigir, mas foi horrível.Mas não desisti.Provei pra ele que eu tinha capacidade, tirei a carteira, passando de primeira. Tudo bem que ele não largava o carro muito pra mim, até concordo pois o carro era dele.Mas a situação mudou depois que eu casei. Meu pai comprou um carro novo e o outro que ele tinha ele falou que queria que continuasse na família. Meu marido e eu compramos o carro e a situação inverteu, agora é meu marido que não me deixa dirigir. Já não bastava meu pai não me deixar dirigir e agora que o carro é meu e do meu marido (pois compramos junto)ele não quer me deixar dirigir. Já fazem seis anos que sofro com isso e até ja briguei com meu marido por causa disso. E sem querer dizer, dirijo muito bem. Maldito apego pelo carro, que raiva.

Guilherme Madeira disse...

Esse assunto certamente não diz respeito somente às mulheres. São poucas pessoas neste País, mas existem indivíduos que deixaram para tirar a carteira de habilitação bem depois dos 18 anos. Fui um deles.
Os motivos são os mais diversos: falta de dinheiro, falta de tempo disponível em função de trabalho/faculdade/outros projetos, medo ou insegurança em encarar o volante. Me enquadrei em todos esses fatores, após minha “chegada à maioridade”. Tenho 31 anos, e somente agora é que estou em fase de habilitação. Tentei seis provas de direção e ainda não consegui. Completarei 32 anos em outubro. Não tenho filhos. Moro somente com minha esposa.

Anônimo disse...

Eu me identifico com diversos comentários. O meu pai nunca me apoiou a tirar a carteira...eu odiava pedir dinheiro pois ele era muito mão de vaca! Foi um custo para ele pagar auto escola para minha irma...e existia machismo sim! Eu vi as raivas que minha irma passou...então quando fiz 18 anos nem toquei no assunto!

Como cada um reage aos traumas de forma diferente...eu passei a não ter interesse algum por carro. Mesmo depois que comecei a trabalhar não entrei na auto escola . So com 29 anos que fui entrar na auto escola e o motivo foi a enchecao de saco das pessoas...vivia escutando " Nossa vc e tao independente e não tem carteira"...Um dia me irritei e respondi..."uma coisa nao tem nada a ver com a outra...afinal tem gente que tem carteira e depende do carro do marido! Minha independência se relaciona a eu mesma pagar minhas contas, fazer minhas viagens e decidir os meus destinos!

Com plena experiencia...digo que nao e facil ter um pai machista! Viver provando que vc pode ser tao bom quanto um homem nao e facil...ainda mais quando tem que provar para o seu pai.

E digo mais...nesse contexto o machismo em tirar a carteira e o de menos...entao na subestime o depoimento da moca!

Anônimo disse...

Rir para não chorar !
Primeiramente, quem não tem habilitação não pode, pela lei, dirigir em hipótese alguma. Para treinar existe autoescola !

Segundo: se até os 18 anos todos sobreviveram sem dirigir, não vão morrer sem o privilégio desse fetiche.
É preciso lembrar que carro é meio de transporte (como tantos outros) e afastar essa visão pequeno burguesa que vê essa mercadoria como símbolo de status.

Mas o pior é colocar a questão em uma perspectiva de gênero.

O carro ja se popularizoue para atender a necessidade de expansão do mercado, e já que a mulher agora está inserida no mercado de trabalho e tem renda, nada melhor do que reforçar antagonismo e ampliar o mercado de consumo fazendo-as consumir...mesmo que as vias de circulação estejam saturadas.

A própria inclusão da mulher no mercado de trabalho não tem nada de emancipador. Ao contrário, com a mulher amplia-se o exército de mao de obra reduzindo salários de modo geral e aumenta-se a parcela consumidora...

Enfim, a mulher conseguiu sua liberdade e seu papel . Ser operária-consumidora como o homem !

www.vozesdoverbo.blogspot.com

ademirs27 disse...

Vocês que falam contra não sabem oq e isso.Só quem tem pai machista sabe.Sou homem e os velhos são preconceituosos invejosos idiotas. Meu pai implica toda noite q chego, pois segundo ele e preciso soltar a embraiagem e deixar o carro parado solto pra não '' estragar''. Acreditam q ele falou pró mecânico q ele não devia bater tão forte o capô q ia estragar? Vcs nem imaginam como ele dirige, fica fazendo movimentos de 5 min no guidão enquanto dirige ta louco

Anônimo disse...

19:05, é melhor ser uma operária-consumidora do que uma escrava-esposa que é cosntantemente estuprada e explorada pelo marido. A entrada da mulher no mercado de trabalho tem sim muito de emancipador para ns, mas óbvio que para um homem deve ser ruim perder sua escrava sexual.

Anônimo disse...

19:05, com a mulher no mercado de trabalho, a taxa de natalidade diminui e ao longo dos anos o "exército de mão de obra" dimimui. Acho que você está voando na maionese, mas não se preocupe, sempre vai existir uma evangélica tonta para você escravizar....quer dizer, casar.