quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

GUEST POST: NÃO QUEIRAM MEDIR O QUANTO SOU MULHER

Como esta semana estamos falando muito em Visibilidade Trans, publico outro guest post sobre o tema, com um enfoque bem diferente. 
Este foi escrito por Hailey, que, assim como Daniela, também é uma ativista. Hailey é mulher trans*, tradutora em SP, e editora do blog Transfeminismo
Creio que esse relato sincero e corajoso da Hailey pode fazer inclusive com que  mulheres cis (ou seja, não trans) reflitam sobre a ditadura do que é "ser mulher" (e ser homem, evidentemente). Que sirva de exemplo para mostrar como o transfeminismo pode ser útil para qualquer feminista.

Gostaria de relatar minha experiência positiva com o feminismo, e posteriormente com o transfeminismo.
Há mais ou menos seis anos, iniciei o que muitas pessoas trans* [entenda o porquê do asterisco usado por algumas ativistas] chamam de transição, ou seja, passei a usar roupas e acessórios considerados femininos, deixei meu cabelo crescer, comecei a fazer as unhas e me depilar – comecei a fazer tudo o que é socialmente considerado feminino. De certa forma, nessa época eu achava que o “sacrifício” de ter que me arrumar todos os dias era o preço que eu deveria pagar por “querer ser mulher”. Usar saltos e sapatos desconfortáveis, menores, inclusive, que meu pé (eu calçava 40, mas comprava 39 por falta de opção), deixando-o cheio de calos; gastar um belo tempo e dinheiro (que eu não tinha) com cosméticos e produtos caros, maquiagem, cremes, perfumes, etc.
Somente alguns anos depois conheci o feminismo, e lentamente percebi o quanto essa cobrança me fazia mal. Mas no caso de nós, mulheres trans*, as coisas não são tão simples. Além da cobrança machista do ideal feminino, há outra cobrança. Para sermos “verdadeiramente” mulheres, devemos sacrificar todos os nossos “hábitos” masculinos. Caso contrário, seremos consideradas falsas, não transexuais o suficiente. Essa é a baliza que os profissionais da saúde utilizam para medir quem é mais ou menos transexual.
Não preciso dizer o quanto é ridículo, senão inútil, tentar medir transexualidade. Gênero é algo fluido e complexo, e obviamente não tem como ser medido sem cair em estereótipos (machistas).
Sinto que levei (e ainda levo) uma vida dupla. No consultório, tenho que mentir: dizer que sou heterossexual (quando sou bi); repetir a narrativa tradicional encontrada nos manuais (pseudo)científicos (como o discurso do “sempre me senti mulher”); mostrar “feminilidade” etc. Os critérios que esses ditos profissionais utilizam são os mais machistas possíveis: A mulher trans* de verdade é a mulher da década de 50: usa salto e maquiagem, roupas femininas, fala delicadamente e seu sonho é ter um marido macho para poder lhe fazer o jantar. E não estou exagerando.
Se as mulheres cisgêneras (não trans*) conquistaram, digamos, em partes, a recusa dessa imagem, nós mulheres trans* ainda estamos presas a um ideal ultramachista de mulher que, se não nos encaixarmos, teremos nossas identidades automaticamente invalidadas, nosso acesso à saúde negado, e nossa alteração do prenome e/ou sexo nos documentos também negados. Nossa existência está constantemente por um fio caso fizermos os gestos errados, caso digamos as palavras erradas, ou se contarmos alguma experiência que fuja minimamente do tradicional. É claro que existem exceções, mas esses têm sido os relatos de pessoas trans* ao longo de seus atendimentos nos hospitais das clínicas pelo Brasil (a socióloga Berenice Bento fez um amplo trabalho de campo nos HCs, o que resultou em bela pesquisa).
Após um tempo no feminismo, comecei a ler o que ativistas trans* dos EUA chamam de transfeminismo: um tipo de feminismo aplicado às questões trans*. Não consigo expressar o quanto me ajudou!
Com o transfeminismo aprendi a amar meu corpo, inclusive meu pênis (e perdi o medo/disforia de utilizar o termo pênis para se referir ao meu genital. Embora eu pessoalmente não tenha problemas em designar meu genital como pênis, não o considero “masculino”, e vale ressaltar aqui que muitas mulheres trans* não compartilham dessa visão e talvez se ofendam caso se insinue ou diga que elas têm um pênis. Como eu disse, as experiências são diversas e temos que respeitar sempre a experiência da pessoa trans* em questão); amar minha altura, meus pés grandes (para o padrão de mulher ideal), enfim, tudo o que socialmente é designado como “masculino” em mim e que corroboraria para me deslegitimar como mulher.
Aprendi que não preciso depilar minhas pernas para ser mulher, não preciso me portar como mulher (seja lá como for isso); preciso somente ser eu e me identificar como mulher. A categoria de mulher independe de (meus) genitais (e consequentemente de quaisquer cirurgias), pois eu sou apenas um tipo diferente de mulher -- assim como existem mulheres altas e baixas, gordas e magras, com seios maiores ou menores, enfim, com várias morfologias -- minha morfologia é somente uma a mais dentro do espectro que é ser mulher.
Sem a cobrança pela imagem da mulher perfeita, pude me livrar de vários desconfortos com meu corpo. Claro, não são todas as pessoas trans* que conseguem isso. Muitas irão fazer várias cirurgias, e essas não devem ser criticadas. Eu creio que cada um tem a capacidade para decidir como se sente melhor, se deseja ou não realizar alterações corporais. A minha experiência é apenas uma dentre as várias diferentes vivenciadas por pessoas trans*. Por isso, costumo dizer que não há uma narrativa legítima para ser trans* -- existem narrativaS.
Por fim, gostaria de reiterar o caráter fluido da transexualidade. Não há receita de bolo. Todxs somos diferentes. Encontraremos, certamente, as pessoas trans* mais alinhadas com a cisgeneridade (estrutura que designa quem é homem/mulher “de verdade”; a estrutura que confere originalidade aos corpos percebidos como "naturais”), e encontraremos aquelas que divergem da norma, assim como existem homens e mulheres cis que são muito diferentes do ideal machista de gênero (ainda bem!). Sendo cis ou trans*, pagaremos o preço do desvio. Mas vamos seguir lutando para subverter as categorias rígidas de gênero.

130 comentários:

Vanessa disse...

Sou cisgênero, mas nunca me encaxei muito bem no esteriótipo de mulher. Quando era criança e adolescente, minha família acreditava que eu era homossexual, pois nunca fiz o que meninas "devem" fazer. O choque lá em casa foi quando me revelei heterossexual. Não sou, nem nunca fui das feminilidades normais. Não pinto as unhas, não penso na roupa que vou colocar, não me arrumo para ninguém nem para nada além de mim mesma.
Estar fora do padrão pode ser um sofrimento, mas pode ser uma libertação gigantesca. Aceitar que essa diferença é parte integrante de quem se é tira um peso enorme dos ombros.

Não estou comparando a minha experiência com a de ninguém, sei que sou privilegiada, mas achei esse relato de liberdade desse padrão muito inspirador e confortante na minha própria diferença. Desculpem o egocentrismo.

Anônimo disse...

me esclareçam, uma mulher cisgênero sem a dita "feminilidade" sente atração por homens ?
Que tipo de homens ?
Como e para uma mulher feminista, que tem ciência que o padrão masculino nos oprime, sentir algum tipo de atração por homens ? isto não e icoerente ?

Sou Homossexual, e sempre tive curiosidades sobre estas coisas.

Caparroz disse...

Assisti o Fantástico no final de semana (27-01-2013) e vi a reportagem com a Lea T.
(Não é só por causa da dor física de sua recuperação que ela parece um pouco "arrependida" do que fez. Depois de conseguir com a cirurgia, o corpo feminino que tanto desejava, Lea percebe que emocionalmente, nem tudo mudou), essa fala foi que me chamou atenção: acredito que acretitava que após a operação, como num passe de mágica, se tornaria a "mulher" que ela imagina poder ser.
Acho legítimo que as pessoas procurem a felicidade.
Um abraço!

Anônimo disse...

anon 12.15:

- uma mulher cis sem a tal "feminilidade" PODE,sim, sentir atração por homens. nada impede. veja que escrevi "PODE", nada é regra.

- qualquer tipo de homem. que espelhe qualquer estereótipo que as pessoas imaginem. mas, como cada pessoa é única, classificar por tipos é complicado.

- homens também podem ser feministas. mulheres feministas que sentem desejo por homens podem, sim, namorar homens feministas. aliás, acho que é o único jeito, já que uma feminista não toleraria machismo em casa.

- não, incoerência nenhuma.

Carolina disse...

MARAVILHOSA!

Anônimo disse...

caparroz,

na entrevista dela pra marília gabriela, a lea t disse que a terapeuta dela disse que, antes de ela ser operada, ela teria que aprender a aceitar o corpo dela com o pênis. ou se aceitar com o pênis, algo assim. eu concordo com a autora do guest post. pênis não é algo masculino. existem mulheres com pênis. e talvez isso que a lea falou pra marília gabriela já tenha indicado que ela achava, sim, que "viraria mulher" com a operação.

creio que a principal mudança é dentro da cabeça. muita gente aposta na operação pra isso e tudo bem. mas, nesse caso específico, acho que até a terapeuta dela já sabia que ela apostava muito nessa operação pra ser mulher.e aí, nessa entrevista do fantástico, ela percebeu que era um "detalhe". eu não gostei do que a globo fez nessa entrevista, achei a lea ainda confusa.

de qualquer forma, na minha cabeça, a pessoa pode ter o formato que for (depilação, não depilação, pênis, vagina, etc) que o que ela sente ser é o que ela é. e é uma violência dizer o contrário.

Aninha disse...

Alguém entendeu o que o anônimo das 12h15 quis dizer?
Eu não entendi.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Anã das 12:15

O "Padrão de Masculinidade" não é opressivo por si só, e sim por ser imposto a pessoas que não o apreciam. Nada impede uma mulher feminista de sentir atração por diversos tipos de homens(de machões a efeminados) ou de gostar de "coisas de menina" como salto alto e espartilho. Bem como uma lésbica "machudinha" não é menos mulher e nem menos feminista que a primeira.

Por exemplo, quando eu era criança eu amava brócolis e quiabo, eu era pior que aquele molequinho da marca de suplemento. Muitas crianças odeiam brócolis e quiabo e veem a obrigação de ingerir esse tipo de alimento como opressão. Mas eu sempre amei brócolis e sem brócolis eu choro :3.


Em outras palavras...

c* e gosto, cada um tem o seu.

Natasha disse...

Comovente,que bom q conseguiu se livrar dos padrões machistas,pq não é fácil.
Uma amiga minha trabalha num salão de beleza e ouviu a seguinte perola de um imbecil machista que trabalha lá:
"Se uma mulher n estiver com as unhas pintadas,ela não é mulher e eu nunca ficaria com um tipo desses."

Asqueroso!!!

Pedro disse...

http://www.opovo.com.br/app/maisnoticias/saude/2013/01/30/noticiasaude,2997593/afp-mais-tarefas-domesticas-menos-relacoes-sexuais-para-os-homens.shtml Lola, veja essa matéria do O Povo, é tão ridícula que despensa apresentações.

Marcelly disse...

Anon das 12:15

eh um sistema que nos oprimi..o que não quer dizer que todos os homens do mundo vão nos oprimir...

e eu sou uma feminista com empatia...
tem homem que nem sabe que está sendo machista..e se ele o é..eu digo..e ele muda..poxa..que cara bacana pra se relacionar...
nos gostamos siiim de homem..só não do machismo...

Anônimo disse...

sou mulher nao cis e passei pelos mesmos absurdos medicos citados no texto. pra conseguir minha cirurgia, tive que repetir um discurso pronto e estereotipado, de que sempre brinquei de boneca, sempre brinquei com meninas e todo esse bla bla bla. sim, eu brinquei de boneca, brincava com meninas, mas tambem brinquei com comandos em açao, falcon, tive carrinho, joguei futebol no bairro com os meninos e tive uma infancia maravilhosa.

mas, infelizmente, o discurso medico e psicologico esta muito atrasado no que se refere às pessoas transexuais. a primeira vez que fiz um "teste de transexualidade" com uma psicologa, ela me "reprovou" numa das perguntas do questionario. a pergunta era:
- se vc pudesse nascer de novo, como animal, que animal seria?

- cavalo.

- mas por que?

- porque cavalo é um animal lindo, eu adoro cavalos.

resultado: cavalo é um animal que denota masculinidade. nao passei.

tempos depois refiz o teste e mudei o animal. dessa vez passei.

é muito triste depender desses psicologos, psiquiatras e medicos preconceituosos e ultrapassados, que nos tratam como cobaias, como lixo. sofri diversas humilhaçoes no hospital que frequentei durante anos até conseguir o que eu queria.

heloisa

ps: peço desculpas à autora do texto, mas acho uma besteira esse asterisco junto da palavra trans. a vida ja é tao complicada, nao da pra simplificar?

Iago Aguiar disse...

Muito esclarecedor e inspirador, sem dúvidas é uma postura que deve ser tomada para além da questão da transexualidade . Maravilhado!!

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Cada depoimento de trans que eu vejo para conseguir o tratamento...


... Vejo que realmente foi mais rápido, simples, prático, saudável e respeitoso estudar Endocrinologia por mim mesma para me tratar by myself numa boa. ¬¬

Nivaldo Brás disse...

Situações são situações. Numa cidade vizinha a minha tinha um que estava tomando injeção de hormônios. Uma injeção por dia é o prescrito. Resolveu aplicar quatro por dia. Resultado: óbito. Aneurisma. Inclusive quando estudava magistério queria ir no banheiro feminino e ai surgia os problemas querendo ou não tinha bi**au. Era professor(a) de séries iniciais. Todos comentavam que é uma idade que tudo é interpretado a risca numa cabecinha em formação. Tenho uma conhecida que vive com outra inclusive criam um filho juntas. Converso com elas são super gente fina Mas, por favor, entendam eu não consigo assimilar essa espécie de relacionamento. Nem homem com homem nem mulher com mulher. E o problema que pessoas como nós somos taxados de preconceituosos entre outras coisas, se não gostamos, por lei não somos obrigados a gostar. Agora se eu digo que não gosto ou não aprovo, chegam ao cumulo de ameaçar, processar, se eu gosto de arroz não sou obrigado a gostar da berinjela. Tem que gostar na marra. Já cumpro meu papel não sendo ignorante e respeitando então que os trans também nos respeitem. Senão ficam dizendo por ai que todos que não gostam de trans, homo e similares o são escondidos. Vá a m***a quem falou isso. Respeito mas fico na minha. Converso... Mas sem intimidades. Longe de mim...Melhor.

lola aronovich disse...

Ai meu zeus... Deixo pra vcs responderem o Nivaldo, se quiserem. Só queria dizer que, se vc não quer ser taxado de preconceituoso, deixe de se expressar como um. Vc pode pensar a porcaria que quiser, mas, no momento em que comunica essa porcaria, vc está sujeito a julgamentos. E não se preocupe com o "Longe de mim, melhor". Pode ter certeza absoluta que gays, trans, e qualquer outra pessoa não preconceituosa também vai querer distância de vc.

Mirella disse...

Heloisa, tô só pensando com o que você disse... Sou mulher cis e numa entrevista de emprego respondi que gostaria de ser cavalo, também. Pela força, agilidade, beleza, várias coisas. Sempre curti os equinos.
Pelo visto não sou mais mulher, né. Absurdo este tipo de padrão psicológico que quem é trans* precisa exercer. Acho que uma pessoa adulta tem muito mais condições de afirmar quem é sem depender de um testezinho preconceituoso como este. Não consigo conceber a falta de respeito que você e a guest poster devem passar cotidianamente (e as pessoas trans de um modo geral).
Torço demais para que com esta semana de visibilidade mais pessoas adquiram consciência e esta violação do direito trans cesse.

Anônimo disse...

Existe feminista de direita?

Vanessa disse...

Sabe, Nivaldo, eu não sou preconceituosa, mas acho que gente que diz "longe de mim é melhor", por mim podia ter seu desejo atendido e ir para um lugar bem distante, sabe? Aí fica bem longe e pode destilar o seu ódio pelo diferente à vontade.
Se coloque no lugar de quem você diz que tem relacionamentos q não aceita. É fácil. Ninguém quer a sua aprovação. Você pode achar ruim o quanto quiser. A questão é que as pessoas não apenas acham ruim, elas constrangem, por exemplo, mulheres que se identicam como mulheres de entrar no banheiro feminino. De onde que conviver com alguém diferente é ruim para crianças em idade de formação de personalidade? Mude no seu discurso as palavras "homossexual", "lésbica", "transsexual", etc, para "negros" e você verá o quanto seu pensamento é ultrapassado. Você sabe que há 50 anos atrás os negros andavam de ônibus em lugares diferentes dos brancos, né? Sabe que é porque os brancos não queriam conviver com os negros, né? Você vê o absurdo? Espero que sim...

Aline disse...

Adorei o relato. Essa relação entre transexualidade e estereótipos (machistas) é algo que merece muita reflexão.

No filme "O céu sobre os ombros", uma das personagens fala justamente sobre como mulheres trans acabam "ficando atrás" das mulheres cis feministas por ainda perseguirem, em geral, um ideal machista de mulher. Algo assim.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Esse Nivaldo é troll. Alias, pelo pouco que eu entendi da porcaria que ele escreveu...

tinha um que estava tomando injeção de hormônios. Uma injeção por dia é o prescrito.

O prescrito para tratamentos hormonais MTF que utilizam-se somente de injetáveis é um por semana. Ainda assim, quase não se praticam mais tratamentos somente com injetáveis hoje em dia devido às complicações posológicas e flutuações hormonais bruscas.

Vai trollar o foro dos mascus que tu ganhas mais.

Anônimo disse...

nivaldo...

se vc quer distância, por que vc mesmo procura isso? tá aqui lendo o texto de uma, tá falando nisso, tá se preocupando demais pra quem diz simplesmente querer distância.

é muito simples. tão simples que beira o simplório: ninguém tá te obrigando a ser nada que vc não queira ser. mas por que o outro te incomoda tanto? seu vizinho cis te incomoda? então por que uma pessoa trans* ou gay ou lésbica te faz ter sentimentos tão fortes contra?

tem que ver isso aí.

dar direito (ou melhor, o direito já foi dado. só tem que existir de fato)a uns não tira nenhum seu.

Felipe Barreto disse...

Raziel:

“Nada impede uma mulher feminista de sentir atração por diversos tipos de homens(de machões a efeminados)”

Seria o mesmo que dizer:

“Nada impede que uma mulher judia sinta atracão por um nazista"

Se o homem é machão, logo, será considerado, pela feminista, dominador, patriarcal, escravocrata, machista, misógino, ou coisa que o valha.

Portanto, o feminismo da feminista impede que ela alimente qualquer atração por homens machões, sob o risco de invalidar as premissas da ideologia que ela segue, e entrar em contradição com o próprio pensamento. Se relacionar com machões então, fora de cogitação (pelo menos, é o que elas dizem).

Se a mulher feminista acredita que o homem machista é o artífice de todos os males que já assolaram as mulheres (e a humanidade), então como admitir a possibilidade dela se sentir atraída por esse tipo de homem? Masoquismo?

Anônimo disse...

hahaha, muito engraçado (no mau sentido) isso de ter que dizer "sempre brinquei de carrinho/boneca", sou um homem trans que passou sua infância brincando de ser princesa, arrumar as barbies e usou saia rodada até os 16 anos... e justamente por isso muita gente na família e em outros lugares fica tentando "cassar" a minha "carteirinha pro clube dos trans" rs
na minha humilde opinião o que identifica bem quem precisa de uma cirurgia é a tal disforia, de simplesmente não conseguir olhar o próprio corpo sem passar mal (pelo menos no meu caso é assim, sou pré-OP/hormônio e não consigo enxergar a mim mesmo do pescoço pra baixo e dos joelhos para cima)

Priscila disse...

Anônimo disse...
Existe feminista de direita?

30 de janeiro de 2013 13:56

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Claro que existe.

http://es.wikipedia.org/wiki/Feminismo_liberal
http://es.wikipedia.org/wiki/Feminismo_individualista
http://es.wikipedia.org/wiki/Anarquismo_feminista

Por exemplo. :)

Felipe Barreto disse...

Vanessa,

Ninguém é obrigado a se relacionar com quem quer que seja, isso é um direito Constitucional. Se a minha antipatia a determinados grupos for desenvolvida dentro da minha esfera privada de existência, eu tenho o direito inalienável de querer, longe de mim, gays, negros, flamenguistas, funkeiros, lésbicas, travestis, maconheiros, e quaisquer outros tipos de pessoas que não me agradem.

O que é condenável é tentar, por causa da minha antipatia a algum grupo, privá-lo de algum direito que seja legitimamente seu. Eu não posso impedi-lo de andar nas ruas, de votar, de se manifestar, de frequentar escolas ou universidades, de ter resguardada a sua dignidade, integridade física, vida e patrimônio, etc.

Mas, tenho o total direito de, na minha esfera privada, não dirigir a palavra a eles, não olhar na cara deles, não convidá-los para a minha casa, não criar vínculos de amizade com eles, etc.

lola aronovich disse...

E quem está querendo tirar o seu inalienável direito de ser preconceituoso e intolerante, Felipe? Vc convida quem quiser pra sua casa. Mas da porta da rua pra fora é diferente. Do jeito que vc fala, parece que há uma fila de gays, negros, travestis, maconheiros etc querendo ter qualquer tipo de relação com vc. Entenda apenas que, quando vc expressa essas palavras de ódio, vc não pode reclamar de ser taxado de preconceituoso, de machista, homofóbico, transfóbico, racista etc. De maneira geral: de qualquer pessoa inteligente te considerar um babaca total.

Leio Lola Leio disse...

Um dos "depoimentos" mais libertadores que já li! =)

Valéria Fernandes disse...

Hailey, Obrigada pelo seu relato. Muito inspirador mesmo. E legal você citar o trabalho da Bereice Bento, a tese dela é muito boa e foi a primeira coisa que li que ajudou a abrir um pouco a minha visão sobre a transsexualidade.

Leda Ferreira disse...

Gente... depois que li o comentário da Heloisa, fiquei pensando... se eu pudesse nascer um animal, nasceria chimpanzé... porque é um primata, como eu sou. Será que vai ter problema?

Vanessa disse...

Gente, eu fico com uma dor de ver gente pensando assim como o Nivaldo e o Felipe.

Como que a gente faz para demonstrar para essas pessoas o quão maldoso e terrível esse tipo de comportamento é? Como que se demonstra que esse tipo de pensamento causa mortes? Que são esses conceitos que causam constrangimento, tristeza, depressão e morte?

Olha só, Felipe:

Eu não gosto de pimentão. Não como pimentão.
Isso me faz melhor ou pior que alguém? Não. ok

Isso dá o direito a alguém não querer me olhar na cara ou me desrespeitar ou, ainda, me humilhar ou constranger? Não. ok

Eu escolhi? Não, só não gosto. ok

Eu estou prejudicando alguém? Não. ok

Por que ninguém discute isso? Porque é irrelevante.

Agora, por que o gosto de outras pessoas sobre, por exemplo sexualidade, é relevante?

Por que essa ou aquela pessoa se sentir homem, mulher, nenhum dos dois é alvo de discussão e precisa da sua aprovação? Não precisa! Não é relevante para você como aquela pessoa se identifica ou com quem ela se relaciona, portanto você NÃO tem o direito de desrespeitar ou constrager essa pessoa. A sua atitude de "não querer conviver" é discrimatória no passo em que está querendo retirar essa pessoas não apenas da sua casa, mas do seu convívio, como: na rua em que mora, no mercado em que faz compras, no hospital onde é atendido.

É o seguinte: ninguém quer que você goste ou aprove. É só respeitar. E respeitar é não querer privar as pessoas do seu direitos básicos.

Outra coisa, você não quer homossexual, negro, e outros tantos na sua casa? Eu não quero gente como você na minha.

Mas vou lutar pelo seu direito de dizer o que quiser e pelo direito de todo mundo de dizer o quão absurso é julgar pessoas por serem o que são sem prejudicar ninguém.

Veja bem, o seu comportamento e a pessoa que você demonstra ser são escrotos e prejudicam outras pessoas.

Felipe Barreto disse...

Lola,

Se eu for citar, terei que floodar a sua caixa de comentários.

A Vanessa parece ser o tipo de pessoa, muito comum hoje em dia, que acredita que todo mundo deve aceitar todo mundo, ser amigável, prestativo, gentil, e tratar as pessoas de forma igual, independentemente de suas preferências, opiniões, etc.

E, caso eu me recuse a ser assim com uma pessoa, porque ela é gay, lésbica, negra, o que for, acha que eu estou errado e que preciso mudar de comportamento.

O exemplo que ela citou do Apartheid social, que vigorou, de forma mais abominável, nos EUA e na África do Sul, corrobora o que eu digo.

No Apartheid, os direitos dos negros, na esfera pública, eram transgredidos. Direito de ir e vir, de possuir propriedade, de frequentar universidades, etc. Ela pega isso e traz como analogia, sendo que se trata de uma violação grave de direitos inalienáveis, na esfera pública.

São coisas completamente diferentes.

E acredito que você, e as feministas em geral, banalizam tanto a palavra "ódio", que, para vocês, qualquer coisa pode ser classificada como ódio.

Nao se trata de ódio, mas sim de antipatia. Você, como professora, sabe que não são sinônimos. O ódio deve ser evitado porque ele, com facilidade, pode desencadear agressões contra os direitos das pessoas odiadas. Mas a antipatia, não.

"Entenda apenas que, quando vc expressa essas palavras de ódio, vc não pode reclamar de ser taxado de preconceituoso, de machista, homofóbico, transfóbico, racista etc. De maneira geral: de qualquer pessoa inteligente te considerar um babaca total."

Eu me recusar a incluir, na minha esfera privada, pessoas e grupos que eu não aprovo, não me dá o direito de ofendê-los verbalmente, pois aí eu já estaria entrando na esfera pública de direitos deles.

Pelo mesmo motivo, as pessoas que desaprovam o meu comportamento de aversão a determinados grupos, não podem me ofender por isso, pois é um direito meu rejeitá-los, e isso não pode servir de desculpa para que sejam proferidas palavras ofensivas contra mim.

Julia disse...

Ai gente que legal!!!Adorei.Sou mulher cis e não critico quem faz a cirurgia não, mas sempre só de imaginar o povo tirando o pênis pra ficar mais mulher( o q é que isso seja), ficava triste... Imagina ter mais um jeito de gozar? Se eu tivesse um, não tiraria não!!!!Bjos!

Ramilla disse...

Acho que pra mim o conceito de gênero é um pouco confuso, pois não sei o que define "se sentir mulher" ou "se sentir homem".
Sobre essa "necessidade" de parecer mulher, a Raziel já conversou comigo (assim como outras mulheres trans) que é uma situação comum nos consultórios clínicos.

aiaiai disse...

Lindo relato Hailey!!! sejam cis ou trans* todas nós só queremos ser mulheres, cada uma do seu jeito!!!
eu sou mulher cis, hetero, mas não me encaixo de forma alguma ao padrão. Muita gente dúvida q eu seja hetero e que tenha tesão por homem. Mas, aparentemente, como eu tenho vagina o pessoal pelo menos não duvida que eu seja mulher. É uma loucura isso. E, eu também adoro cavalo.
Força (acho q vc nem precisa, mas sempre é bom uma dose extra)! Nós estamos juntas e, aos pouquinhos, vamos mudando as coisas.

Anônimo disse...

Eu gosto tanto desse blog mesmo não concordando com tudo que é escrito aqui, me tira da minha zona de conforto e me faz pensar em coisas que eu nunca imaginei.
Eu sou cisgênero (palavra que aprendi aqui!) e fiquei com vontade de entender melhor como pensam mulheres como a autora do post.

Eu queria entender como se dá essa identificação com o gênero feminino sem seguir as normas sociais que determinam como uma mulher deve ser. Perdão, de verdade, se eu usar algum termo errado, se eu o fizer, será por puro desconhecimento.

Fico com dificuldade de entender como se reconhecer mulher mantendo o pênis e a aparência "masculinizada". Porque, bem ou mal, nas relações sociais comuns, com pessoas do trabalho com as quais não se tem intimidade, por exemplo, não é por essa aparência que se define o gênero?

Eu realmente tenho dificuldade pra entender essa temática, até porque me falta repertório no assunto. Por isso deixei a pergunta, ainda que confusa. Não consigo compreender o conceito de "fluidez" do gênero. Escreve mais sobre isso pra gente, Lola? Ou se já tiver escrito e eu tiver perdido, me ajuda a buscar :)

Beijos,
Bia.

Moema L disse...

@Heloísa e @Mirella, também respondi cavalo só que em um teste vocacional. Disse porque acho o cavalo me passa sensação de liberdade e força.Não passou pela minha cabeça que numa entrevista de emprego poderia ser "mal visto".

Lembro de uma entrevista com o Léo Aquila em que ele disse que pensava em fazer a cirurgia mas que passou por exames psicológicos e ao reconhecer que tinha um lado masculino (ou no caso um lado que não seria condizente com o que eles queriam ouvir)disseram que ele não poderia fazer.Para mim soou como se ele não fosse mulher suficiente.

Não acho que isso é suficiente para dizer que uma pessoa pode ou não fazer uma cirurgia de troca de sexo. Achei muito estranho, afinal o que seria um lado masculino ou um lado feminino? Isso é suficiente para determinar se uma pessoa pode ou não fazer a cirurgia ?

obs: Ele não falou mais sobre o assunto, então não sei se tiveram outros motivos.

Anônimo disse...

Felipe disse:

"No Apartheid, os direitos dos negros, na esfera pública, eram transgredidos. Direito de ir e vir, de possuir propriedade, de frequentar universidades, etc. Ela pega isso e traz como analogia, sendo que se trata de uma violação grave de direitos inalienáveis, na esfera pública."

Gente, olha que interessante:

No patriarcado, os direitos das mulheres, na esfera pública, eram transgredidos. Direito de ir e vir, de possuir propriedade, de frequentar universidades, etc. (...) sendo que se trata de uma violação grave de direitos inalienáveis, na esfera pública.

Vanessa disse...

É eu sou do tipo terrível de pessoa que acha que o mundo seria melhor se fôssemos gentis com os outros.

O horror com pessoas como eu, né? Imagine um mundo em que as pessoas realmente respeitassem umas às outras.... Eu realmente tenho que mudar...

Mirella disse...

"A Vanessa parece ser o tipo de pessoa, muito comum hoje em dia, que acredita que todo mundo deve (...) tratar as pessoas de forma igual, independentemente de suas preferências, opiniões, etc."


Vanessa, sua praga! Ai ai ai, essa foi forte demais para não rir. É um absurdo gente que quer tratar os outros de forma igual. Realmente, o fim dos tempos. Agora entendo quando perguntam "onde é que esse mundo vai parar?".

Hailey disse...

Obrigada Valéria! Eu simpatizo MUITO com a Berê (fazendo a íntima asuihauis), principalmente porque quando vc a ouve falando ao vivo vc sente a energia que ela coloca nisso sabe, ela é acadêmica mas ela é ativista tb.
Infelizmente temos poucas pessoas falando sobre esses assuntos na academia, e as poucas que têm não são trans*. Eu defendo a conquista desses espaços pelas pessoas trans*, pois acho que está mais do que na hora de nós falarmos pelas nossas próprias identidades.

Sobre o depoimento do cavalo: realmente como eu disse basta vc falar uma coisa errada, ingenuamente inclusive, que tudo desaba. Quando eu virei vegetariana há um ano atrás, descobri que existia (existe) uma coisa tosca que associa masculinidade com carne, e que homens vegetarianos eram/são vistos como gays. imagina minha cara né, tipo até a COMIDA é generificada que tal rs.

@aiaiai Obrigada!, é tenso mesmo porque qualquer coisinha serve para deslegitimar a gente como "verdadeiro trans*". E as coisas estão enraizadas na própria comunidade trans* (assim como sabemos que o machismo está enraizado em muitas mulheres, sejam cis ou trans*). Outro dia vi uma comunidade de homens trans* nos moldes do "orgulho hétero" que era extramamente homofóbica e dizia que homens trans* gays não eram homens trans* "de verdade". Esse discurso está por todo lugar :(
E preciso de força sim, pode mandar sempre! auishiuash eu não tenho força infinita pra lidar com tudo, ninguém trans* tem...

Gabriel Nantes de Abreu disse...

"Pelo mesmo motivo, as pessoas que desaprovam o meu comportamento de aversão a determinados grupos, não podem me ofender por isso, pois é um direito meu rejeitá-los, e isso não pode servir de desculpa para que sejam proferidas palavras ofensivas contra mim."

Se você se comporta de maneira agressiva e é taxado de brigão você não pode reclamar disso, foi o seu comportamento que fez sua fama. Eu estaria te xingando se eu te comparasse a animais, ou usasse palavras duras contra você. Da mesma forma, taxar uma pessoa de homofóbica, classicista e sexista quando a mesma tem comportamentos homofóbicos, classicistas e sexistas.

Não é xingamento, é nomenclatura. Simples.

Se você conhece uma mulher que tem vários parceiros sexuais e a cahamde vadia/piranha/safada é xingamento mas se você diz que ela é sexualmente ativ não, pois ela é sexualmente ativa.

E sim, deixar de querer contato com uma pessoa por causa da sexualidade dela faz de você uma pessoa preconceituosa, se for uma pessoa homossexual, sim isso é homofobia.

Jéssica disse...

Tenho a exata mesma duvida da Bia...

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Felipe,

Estou com preguiça de destrinchar seu texto.
Mas irei por dois fatos à mesa, faça o que quiseres.


- Machão é diferente de machista. Machão é ter características masculinas acentuadas.

- Participo do meio BDSM, e conheço diversas mulheres feministas, militantes inclusive, que são submissas. Incluindo autodenominando-se "cadelas". A submissão delas não é opressiva por ser uma escolha delas e a dominação é feita de forma consensual. Os dominadores em geral são bem machões, e elas os amam.
E sim, inclusive existem homens heterossexuais dominadores que são extremamente feministas(inclusive um costumava frequentar aqui).

Anônimo disse...

Lola, nao sei se vc ja abordou isso aqui no blog, mas eu gostaria de dar uma sugestao: transfobia sofrida por mulheres cis.

Sou cis e sofri/sofro transfobia.

Entre outras situaçoes absurdas, ja tive inclusive que chamar policia e ser escoltada pra poder andar numa rua em Sao Paulo, porque uns vendedores ambulantes queriam levantar minha saia pra "dar uma conferida" se tinha o bilu bilu ou nao.

Muitas mulheres cis, além da misoginia e do machismo pura e simplesmente, também tem que aguentar a transfobia. Algumas delas trabalham na TV.

Ha homens que apenas se interessam por mim porque acham que sou trans.

Situacao tragicômica.

Emma

Anônimo disse...

Oi Lola! Só outra barbaridade que vi pelo facebook. Dessa vez coisa da globo: http://www.facebook.com/photo.php?fbid=395437163882603&set=a.346412782118375.80917.346411042118549&type=1&theater

roseanjos disse...

Gente, como pode? Esse Felipe é um nazista!!
Ele tem a cara de pau de dizer que não podemos chamá-lo de racista, sexista, homofóbico. Simplesmente por ele se achar melhor e temos que obedecê-lo?
Pegue o seu ódio disfarçado de antipatia e faça bom proveito dele, ser isole no seu mundinho mesquinho. "Gente" como você é muito pobre de espírito.

Que noooojo de ler um comentário desses. Não acredito que ainda existam coisas assim no mundo. CREDO!!! Assecla da Ku Klux Klan.

Lívia Pinheiro disse...

[+1] à pergunta da Bia. Aliás, faz tempo que eu tenho essa dúvida, mas nunca consegui sequer formular a pergunta (obrigada, Bia!).

E isso me leva também a duas coisas que a Jéssica disse no post anterior sobre o assunto transgeneridade: criticando que pessoas trans frequentemente se valem de estereótipos machistas binários para justificar a sua transgeneridade, e ao mesmo tempo se recusando a se aliar à causa trans porque uma lei não sei de onde decidiu que basta um homem se declarar trans para que possa ter acesso a banheiros, vestiários, dormitórios exclusivamente femininos. Embora eu compreenda o cerne de ambos os argumentos, vejo um problema muito sério no uso dos dois ao mesmo tempo, porque desse jeito a única opção que sobra é fingir que pessoas trans não existem e deixar tudo como está. E aí, comofas?

Bruxinha disse...

Ok, Felipe. Vc pode ter "antipatia" e escolher não ter pessoas trans em seu convívio, mas não pode se opor a que elas tenham os próprios direitos civis.

Sofia L.B. disse...

Que post bonito! :D

Esses dias eu estava pensando mto (talvez o melhor fosse "esses anos" huashuashau) numa coisa que sempre me incomodou. Veja bem, sou uma mulher cis, mas nunca usei mto roupas tão femininas assim, tenho MUITA, mas MUITA preguiça de maquiagem (e de ter que pagar por elas), quase nunca pinto as unhas... As roupas que visto mais habitualmente estão mais pra roqueira do que pro padrão florzinha e vestidos (embora, de vez em nunca, dê vontade e eu use).

A conclusão que eu acabei chegando foi que, quando eu era criança, eu formei essa imagem de que as personagens femininas roqueiras/"não-vestidinhos" faziam mais coisas que eu achava legais, elas pareciam mais fortes, mais capazes, mais livres pra mim. E embora eu sentisse que se esperava (a sociedade? meu pai? Nem sei bem quem) que eu fosse mais "feminina", eu queria ser era como aquelas personagens roqueiras, sabe?

Nem posso dizer como me sinto revoltada que exista alguém que "cientificamente" meça quem é mulher ou não com base nesses padrões engessados. E ainda mais alguém com tanto poder de influência na vida de outras pessoas...

Se serve de algum consolo, eu sou uma mulher cis, que nunca me identifiquei como homem, ou tive dúvidas do meu gênero - e provavelmente não passaria nesses testes.

Mas, de fato, acho que melhoraria mesmo se esses padrões explodissem.

p.s.: obrigada pela parte de explicar o asterisco do trans*, isso é algo que eu já queria saber há algum tempo mas estava sempre adiando. :)

___

Obrigada, Lola, pelo espaço no blog para comentários! Eu escrevo de vez em nunca, mas acabo mais desabafando do que comentando aqui... obrigada, significa mto pra mim :3

Moema L disse...

Antipatia você pode ter por quem quiser, só que a partir do momento que rejeita pessoas pelos motivos que citou você passa a ser chamado de homofóbico, racista, machista, preconceituoso... Não é xingamento é apenas o nome que corresponde a pessoas que pensam/agem assim.

Apaixonada por elas disse...

Esse Felipe é o clássico "Sou preconceituoso, mas fico ofendido quando me chamam assim..."

Renata* disse...

Tô curtindo muito o assunto =]
Sabe, eu não me sinto nem "homem" nem "mulher". Sei lá. Tenho seios e genitais de mulher, mas, não acho que isso me define. Tem dias que me sinto mais "feminina" e outros que estou mais "masculina", mas geralmente, não é nem um nem outro, então costumo ter um "visual" mais andrógino.

Acho estranho ter que usar as terminações "a" e "o" em algumas palavras.. fico confusa (como esse "confusa" agora, prefiriria que tivesse uma terminação assexuada, como no inglês)!!

Acho mó engraçado, às vezes, crianças na rua me olhando e perguntando pros pais "É um guri ou uma guria?!" hehehe
Um uma vez um piázinho disse "Achei que era homem, mas não tem gogó, então é mulher!!" huaheuahe

Que bom que meu namorado me aceita assim, do jeito que sou, sem tirar nem pôr! =]

Anônimo disse...

Olha só gente, mais um misógino, crimes de ódio contra mulheres:

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/01/homem-diz-que-assassinou-cinco-mulheres-em-sp-por-raiva.html

Maiza disse...

Lola, tenho acompanhado seu blog, e a palavra que melhor define certas coisas que leio é horror. Horror por perceber que o machismo é uma questão muito pior e muito mais nojenta e presente do que achei que fosse, e não que eu seja tola de não perceber. É tão surreal determinadas coisas que você denuncia, que me calo de tanta indignação. Sério, fico verdadeiramente em choque!!!
Então vim somar com vc com esse link, tão "inocente" que só vem para perpetuar e justificar tantas atrocidades, não é nada "aparentemente" demais, mas o que está por trás disso, no meu ver, é bem assustador...http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/01/homens-que-ajudam-nas-tarefas-de-casa-fazem-menos-sexo-diz-estudo.html

Grande abraço e força

Maiza

Nivaldo Brás disse...

Pessoal,calma, eu e o Felipe só estamos colocando nosso ponto de vista. Nós respeitamos, sim. Só que foge a regras que Deus definiu para as espécies e suas funções. Não pode ir contra a natureza. Foi o caso desse trans que comentei. Isso causou sua morte prematura aos 28 anos. Quantos morrem por situações que podiam evitar. Estão indo contra a natureza. Isso é uma rebeldia sem sentido onde no final todos sofrem. Deus esta errado? A natureza esta errada? Darwin esta errado? Se esta é a próxima evolução do ser humano...Socorro.

Laila disse...

A "conduta-padrão" que procuram para "classificar" (que palavra horrível!) a pessoa trans feminina é assim tão machista e determinista porque a sociedade ainda o é. Isto é, a mulher trans tem que usar saia rodada e salto alto e batom cor-de-rosa porque para o senso comum essa ainda é a visão da "mulher de verdade". A mulher que não age como Amélia é porque tem um "comportamento masculino". Mas, aparentemente, o tal "comportamento masculino" é tolerado nas mulheres cis (porque seria demais pra cabeça dos misóginos dizer que você não é mulher porque se comporta assim, apesar de ter uma vagina - e somente por isso), mas ainda não tolerado nas mulheres trans, que precisam afirmar seu gênero na sombra dos estereótipos milenares. O que, cá pra nós, é altamente paradoxal, já que as pessoas trans materializam justamente a quebra desses estereótipos. Mas vai entender, né?

Aninha disse...

Ixi, tava demorando para Deus aparecer por aqui...

Vanessa disse...

Agora sim, Nivaldo, ta sabendo argumentar, hein?!

Não tem argumento? Diz que Deus mandou, né amigão?

Ah, eu odeio uma galera ae. por que? Ah, me disseram q ta escrito em algum lugar por ae que é pra odiar.

Nivaldo, cê ta sabendo que a Bíblia proíbe o uso de tecidos de origem diferente? Que se o seu filho mentir para você, você pode matar ele na porrada? Então, fio, a Bíblie erra sim.

Luiza disse...

O Felipe pode espernear quanto for, que continuará sendo chamado de preconceituoso, intolerante, homofóbico, machista, porque é exatamente o que ele é.

Luciana disse...

"Nós respeitamos, sim. Só que foge a regras que Deus definiu para as espécies e suas funções. Não 'PODE' ir contra a natureza."


Ai, ai, deixa eu voltar pro meu café

Ju disse...

Esse Felipe Barreto é a escória da escória.
Ele é pior que todos os outros porque ele se leva a sério.

Leva pessoas a debaterem com ele. Leva pessoas a responderem suas perguntas quando ele deveria ficar no limbo pra ninguém ter que ouvir nem a respiração dele.

Não é como o Nivaldo Fanfarrão, que claramente está trollando, de quem a gente ri dos comentários nonsense e deixa falando sozinho.

Bane esse Felipe Barreto, Lola. Por favor.

Renata* disse...

"There are two types of male oysters, and one of them can change genders at will. And before man crawled out of the muck, maybe he had the same option. Maybe originally we were supposed to be able to switch genders, and being born with just one sex... is a mutation."

Gil Grissom - CSI Las Vegas

Simplesmente amei essa fala dele!

Kosd disse...

É contra a natureza, e todos sabem que pessoas de bem evitam tudo que não é natural, como celulares, a internet e encanamentos

Washington disse...

Boa noite. Descobri esse blog por acaso.

Bem, vou dar minha pequena contribuição para o debate **rs**.

Sou gay e uma transgênero que mantém o pênis é, no meu entender, uma transgênero do sexo masculino. Tenho aqui nas minhas mãos dois dicionários importantes da língua portuguesa: Aurélio (Brasil) e Porto Editora (Portugal) e ambos definem pênis (pénis em Portugal) como "órgão genital masculino".

Já perguntei a todas minhas amigas lésbicas se elas envolveriam com uma transgênero que não fosse operada e todas, sem exceção, disseram que não. Também existe os homens transexuais que, quase todos mantém seus órgãos sexuais femininos (já vi um fez um pênis com pele tirada de outras partes do corpo mas o procedimento ainda é caro). Mesmo que não tenha perguntado aos meus amigos gays, acredito que eles não envolveriam com um homem sem pênis (ou um homem com vagina, digamos assim). Aliás, nos meios gays masculinos há uma valorização exarcebada da questão do pênis, quase falocêntrica (uma das primeiras coisas que te perguntam em salas de bate-papo gay é quanto mede o dito-cujo **rs**) e é uma triste realidade. Quanto a mim, não sei se envolveria com um homem transexual (sei que alguns são gays ou bissexuais). Não é preconceito; sou homem e aprecio características igualmente masculinas em outro homem. Muitos homens trans são levemente afeminados e isso é um padrão que não me agrada.

Gosto muito da travesti Rogéria. Lembro de ter visto uma entrevista com ela em que a mesma dizia que lidava bem com seu lado "Astolfo Barroso" (seu nome de nascimento) e que se definia como travesti mesmo, sem medo de saber da sua ambiguidade. Mas isso que a autora do texto disse é verdade. Muitas travestis e transexuais aniquilam praticamente qualquer traço de masculinidade que possam ter um seus corpos e mentes. Agem como verdadeiras "ladies" ou "donzelas".

De qualquer forma, parabéns pelo blog e pretendo voltar aqui mais vezes.

Washington - Belo Horizonte-MG

Nah. disse...

Não me importo com a sexualidade das pessoas. Se é homossexual, trans, hétero. Não faz diferença pra mim, somos todos seres humanos, né?

Lívia Pinheiro disse...

Presentinho pro Nivaldo entender melhor a criação do deus que tanto adora: http://www.amazon.com/Biological-Exuberance-Homosexuality-Diversity-Stonewall/dp/031225377X

Não entende inglês? Aí vai um resumão: a homossexualidade já foi documentada em centenas de espécies, sendo muitas delas inclusive fora de situações de stress ou ausência de indivíduos de outro sexo. Tem bichos que simplesmente GOSTAM de transar (e às vezes formar parzinho) com outros do mesmo sexo. Em outras tantas, a mudança de sexo no decorrer da vida do bicho é REGRA, sendo que em algumas espécies ocorre de macho para fêmea (protandria), em outras de fêmea para macho (protoginia). Em outras não é regra, mas ocorre quando a densidade populacional de um dos sexos é muito menor que a do outro. Em outras, ainda, há mais de um gênero masculino (mais de um "tipo" de macho, um deles mais 'machão' e outro mais 'feminino'). Uma infinidade de espécies é hermafrodita. Em outras, só há fêmeas. O interssexualismo (ginandromorfismo) também ocorre com frequência.

Pronto. É essa a criação do seu deus. Quem sabe agora que vc foi informado disso e não pode mais alegar uma ignorância que dói, entra alguma coisa nessa cabeça, pelo menos para parar de passar vergonha tentando fingir que entende bulhufas de evolução e de biologia.

Aproveita e vê se para de tentar aplicar essa regra TOSCA de 'natural = bom', porque não é. Se isto não é argumento nem quando te convém, como vai ser com todas as evidências contra o que vc tanto gostaria que fosse verdade?

Anônimo disse...

ai meus deuses, haja paciencia.

ô moço do deus, o povo que morreu no incendio do sul tambem deve ter sido por falta de deus, né.

deixa eu tomar minha tarja preta que minha misandria ja ta atacando.

Anônimo disse...

Afff anônimo do 12:15...o melhor/pior é imaginar (eu tenho certeza) que vc se achou inteligente por ter escrito esse comentário.


Sério que vc achou o que vc escreveu lógico? Sério?
Pq é coisa do típico troll que acha que é o master da lógica.





Enfim...eu ia comentar um comentário meio umbiguista (mas acho que ele agrega alguma coisa):

Eu sou cis e hétero, mas por não ser o estereótipo de menina (dos anos 50) todo mundo sempre pensou que eu era homossexual. Todo mundo mesmo, família, amigos, professores.
E olha só que engraçado: eu não sou!

Quer dizer, é mta idiotice coletiva deduzir coisas aleatoreamente desse jeito.

Jacqueline disse...

Porque o povo de deus é tão chato? Nem cabe deus na conversa e esse povo tem uma certa... digamos, habilidade em introduzir deus na conversa, sem mais nem menos...

Anônimo disse...

"o discurso medico e psicologico esta muito atrasado no que se refere às pessoas transexuais. a primeira vez que fiz um "teste de transexualidade" com uma psicologa, ela me "reprovou" numa das perguntas do questionario. a pergunta era:
- se vc pudesse nascer de novo, como animal, que animal seria?

- cavalo.

- mas por que?

- porque cavalo é um animal lindo, eu adoro cavalos.

resultado: cavalo é um animal que denota masculinidade. nao passei."


Ok, só digo que é deprimente que se use psicologia charlatã de 1700 e nada em 2013. Tipo, COMOOOO?

Indignante.

Anônimo disse...

Lembro que chamaram meus pais na escola quando pintei uma tarefa em preto e branco porque era indício de depressão... Eu só tinha esquecido os lápis de cor em casa. :/

Anônimo disse...

Existe troll de esquerda? E mascu inteligente?

Amana disse...

Nossa, gente, você foi no ponto, Hailey!

Eu sempre tive muito desconforto com essa cobrança de que as mulheres trans sejam "mais femininas que as mulheres", como se fosse uma compensação. Como você disse muito bem, aquelas que desejam exercitar uma hiperfeminilidade estão no seu direito. Mas... se eu, como mulher cis, luto tanto para poder usar meu cabelo curto, não depilar obrigatoriamente, não ter q usar salto, maquiagem ou saia em qq lugar que eu vá, não ter que ser carinhosa, delicada ou gentil por obrigação... por que pensar que uma mulher trans tem que ser/fazer tudo isso?

Obrigada por colocar em palavras mais do que autorizadas e sábias tudo isso!!!

Ah, li esse textinho ontem e acho que tem tudo a ver: http://www.mariliacoutinho.com/todo-mundo-e-trans/

beijos pra ti e pra Lolinha :)

Anônimo disse...

Oi? Você controla por quem se sente atraído? E desde quando machão e machista são sinônimos?

Anônimo disse...

Ai, Lolinda, assim até parece que a gente ainda não descobriu que os trolls ou se acham a última coca-cola do deserto ou a frigideira velha.

Anônimo disse...

ass arthur + 1 verme...
oi a todxs,vou dizer que me sinto como algo mais estranho ainda,tipo não me sinto humano,afinal nossa especie mata,tortura e abusa de seus semelhantes! falando sério,sou mizantropo assumido( antropo é de humanidade não de homen) me odeio,odeio a humanidade e nossos erros e instintos,por isso não me concidero humano! pra mim deviam evitar clascificações,cada um faz oque quer e ninguem liga! melhor ne?

Anônimo disse...

Comparar com animal não humano em muitos casos é elogio... #ficaadica

Nuba ofKau disse...

Infelizmente esse é um dos testes sérios pra "classificar" um trans MTF http://transsexual.org/cogiati/index.php?lang=es

"pergunta 1 - Describe tu relación con las matemáticas.

Solo uso las matemáticas cuando no puedo evitarlo.

Soy bastante hábil con las matemáticas.

Las matemáticas son difíciles muchas veces. No es mi materia preferida.

Odio las matemáticas! Son tediosas e insoportables para mi.

Las matemáticas son útiles y divertidas. Me agradan los cálculos matemáticos."



pseudociencia maravilhosa de que as mulheres se entediam com matemática e se divertem é com maquiagem e hinos de torcida ¬¬

Até que "tudo bem*" o machismão, mas isso ser ciência é triste.


*Tudo bem nada, claro.

Anônimo disse...

Será que um meme do Felipe da KKK emplaca como o do Fábio do mingau?

Anônimo disse...

Quem aposta em "homens que também trabalham em casa tem menos necessidade de mentir sobre a quantidade de relações sexuais que mantém"?

Anônimo disse...

Como diabos Darwin entrou nesse comentário? Quanto você ( não) estudou zoologia para classificar trans* como não natural? Se o nosso conceito de respeito fosse minimamente semelhante ao de vocês... Bom, aí você já saberia como o trans* aparece naturalmente entre os lobos...

Anônimo disse...

Por isso que acho que isso de gênero é apenas invenção, máscara...
Se não existem características, papéis, roupas, comportamentos (...) específicos para homem e mulher, então como podem existir gêneros?
Como eu posso me sentir uma mulher se se isso nem tem um significado exato?
Acho que o que existem são apenas sexos, e pessoas que por gostar de determinadas coisas acabam pendendo pra determinado papel (chato) que a sociedade criou: homem ou mulher.

Gabrielly

adriana machado disse...

"A Vanessa parece ser o tipo de pessoa, muito comum hoje em dia, que acredita que todo mundo deve (...) tratar as pessoas de forma igual, independentemente de suas preferências, opiniões, etc."

Me custa a acreditar que existe pessoas como o Felipe que acha que devemos fazer distinção com as pessoas...

É claro que devemos tratar as pessoas assim Felipe...Educação,cordialidade,respeito e gentileza cabem em qualquer lugar...

O mundo seria um lugar muito melhor se as pessoas começassem a enxergar somente o ser humano,indiferente do credo,cor,sexo e qualquer outra denominação que só serve para alimentar ainda mais a mente das pessoas ignorantes.

Jéssica disse...

@Gabrielly

Penso o mesmo, mas na unica vez que comentei que genero era uma invencao social para pessoas trans fui atacada, porque interpretaram como se eu estivesse dizendo que a identidade deles nao existia, mas ao mesmo tempo dizer que isso existe ofende quem eu sou, e' complicado...

Anônimo disse...

A Gabrielly escreveu o que iria escrever agora! :O

Eu vou até um pouco além, como ficaria a questão da identidade de gênero em trans se a sociedade fosse assim (sem definir papéis de gênero pra ninguém)?
-----
Eu sou biologicamente mulher, mas eu poderia dizer que me "identifico" como homem por coincidir boa parte dos meus gostos com o que a sociedade machista diz que são "coisas de homem" e recusar a maioria das coisas "de mulher", inclusive meu corpo. Mas aí quando me apaixono, me apaixono por pessoas, independente de gênero. Mas desejo sexual - pelo menos até o momento rs - só por homens. E aí sociedade? :P

Acho que somos todos plurais demais pra ficarmos confinados a papéis.

Dree disse...

Para o cara da "a natureza fez assim" e "Darwin estava errado?"( e pra quem se interessar), indico um livro que estou lendo e é muito bom mesmo!
Uma matéria sobre ele, e sobre a autora trans*.
http://super.abril.com.br/ciencia/arco-iris-zoologico-445079.shtml

E a página do livro no skoob, já que saiu no Brasil com nome diferente:
http://www.skoob.com.br/livro/132253

Sobre o post, fiquei maravilhada, nunca tinha pensado sobre essa exigência feita aos trans, embora eu mesma já tenha feito isso, conheço dois trans e no primeiro me incomodava que ela não fosse "feminina" o suficiente e no segundo que ele não mudasse seu nome. Nunca pensei que estivesse tendo postura preconceituosa, por isso acho o trabalho de blogueirxs feministas tão importante.
Também estou de certa forma em período de transição, aprendendo, saindo de um casulo machista para descobrir todas as minhas possibilidades.
E, não entendo o medo que certas pessoas tem de um mundo em que todos se respeitam e cada um cuida da própria vida, sem interferir nas escolhas dos outros! Me parece tão bom um mundo assim.
E para o homofóbico que não curte fazer amizade com trans* e afins, só digo que a luta feminista é também por ele, pois com certeza ele esta perdendo a oportunidade maravilhosa de conhecer pessoas lindas e inteligentes e de crescer como pessoa, por causa de um preconceito idiota.

Priscila disse...

Anônimo disse...
Existe troll de esquerda? E mascu inteligente?

30 DE JANEIRO DE 2013 22:45

-------------

Troll de esquerda até que existe.

Anônimo disse...

Lola, veja isso:
http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/afp/2013/01/30/homens-fazem-menos-sexo-quando-ajudam-mais-nas-tarefas-domesticas.htm

Fala sério, acho que esses pesquisadores querem que a mulher passe mais algumas décadas em frente ao fogão...

Anônimo disse...

http://nytsyn.br.msn.com/videos/default2.aspx?videoid=a78370c2-6839-2bf5-f1ca-337af9f65aea

Evangélicos financiam programas anti-gay na África.

Depois, numa notícia qualquer sobre os direitos dos LGBT eles dizem que os ativistas deveriam se preocupar com a fome na África.
Tipo, mas nem os ativistas deles quando vão pra África se preocupam com a fome, neh!

Liana hc disse...

"Quem aposta em "homens que também trabalham em casa tem menos necessidade de mentir sobre a quantidade de relações sexuais que mantém"?"

hahaha pensei a mesma coisa. essas pesquisas são a maior furada.

-

Bacana os posts da Hailey e da Daniela. Há algum tempo tenho lido sobre transfeminismo e uma vez me deparei com esses tais "testes de transexualidade" e achei uma coisa totalmente sem sentido. É absurdo que isso ainda seja endossado no meio médico.

Felipe Barreto disse...

Vanessa,

“Como que a gente faz para demonstrar para essas pessoas o quão maldoso e terrível esse tipo de comportamento é? Como que se demonstra que esse tipo de pensamento causa mortes? Que são esses conceitos que causam constrangimento, tristeza, depressão e morte?”

Aqui você está confundindo antipatia com ódio. Eu mesmo disse, em um comentário anterior, que:

“O ódio deve ser evitado porque ele, com facilidade, pode desencadear agressões contra os direitos das pessoas odiadas. Mas a antipatia, não.”

Devemos evitar o ódio entre os diferentes grupos sociais porque ele é perigoso. Mas a antipatia aos grupos, não. O ódio é um sentimento que impele as pessoas a realizarem ações virulentas contra o objeto do seu ódio, e isso pode acarretar transgressões aos direitos mais elementares de grupos humanos, que são, perante a lei, iguais.

Já a antipatia, impele as pessoas a simplesmente evitarem o contato ou o cultivo de relações com as outras. A antipatia na transgride os direitos fundamentais de ninguém. A antipatia vive, e deixa viver.

Eu tenho um vizinho que, há mais de 5 anos, temos uma antipatia mútua um pelo outro. E eu nunca prejudiquei ele em nada, e ele nunca me prejudicou em nada. Ele vive a vida dele, e eu vivo a minha.

Enquanto o meu preconceito não se transformar em ódio, ou desencadear ações objetivas de transgressão aos direitos elementares de outros seres humanos, eu posso ser preconceituoso o quanto quiser, é um direito meu, como homem livre.

“Por que essa ou aquela pessoa se sentir homem, mulher, nenhum dos dois é alvo de discussão e precisa da sua aprovação? Não precisa! Não é relevante para você como aquela pessoa se identifica ou com quem ela se relaciona, portanto você NÃO tem o direito de desrespeitar ou constrager essa pessoa. A sua atitude de "não querer conviver" é discrimatória no passo em que está querendo retirar essa pessoas não apenas da sua casa, mas do seu convívio, como: na rua em que mora, no mercado em que faz compras, no hospital onde é atendido.”

Negativo. Você não entendeu nada do que eu disse.
Em hipótese nenhuma, eu disse que era legítimo invadir a esfera de direitos, públicos ou privados, de outros seres humanos, por motivos discriminatórios. Eu disse que era legítimo que EU excluísse determinados grupos ou pessoas da MINHA esfera privada de direitos.

Eu posso evitar que um homossexual entre na minha casa, pois isso é um direito privado meu, como indivíduo livre. Mas não posso, de maneira nenhum, impedir que um homossexual compre uma casa ao lado da minha, e more nela. Ele, como cidadão brasileiro, tem o direito de morar onde ele bem entender, e o bairro é público, não é um local privado.

Da mesma forma, eu não poderia evitar que um homossexual freqüentasse o mercado do bairro, a menos que eu fosse o dono do mercado. Mas,(atente para isso, que é importante), mesmo que eu quisesse que o homossexual se retirasse d meu mercado, eu jamais poderia tentar fazer isso ofendendo-o, humilhando-o, tratando-o de forma vexatória, pois ele é um ser humano. Um ser humano que eu não pretendo criar laços e vínculos, mas é um ser humano que possui os mesmos direitos que eu (na esfera pública).

Igualmente aconteceria caso o homossexual precisasse de um hospital. Se eu, por exemplo, sou um médico da rede pública, que possui antipatia por homossexuais, e, no meu plantão, chega até mim um homossexual acidentado, precisando de atendimento, eu JAMAIS poderia deixar de atendê-lo, pois ele, o homossexual, é um cidadão brasileiro que tem direito a assistência médica, como qualquer outro, e eu, naquele momento, não estou ali como um indivíduo particular que possui antipatia por homossexuais, estou ali como um médico que deve atender todo e qualquer paciente que precise de amparo.

Portanto, a minha atitude de repudiar contato e convívio só é legítima na minha esfera privada de existência, como indivíduo particular.

Felipe Barreto disse...

Vanessa,

"É o seguinte: ninguém quer que você goste ou aprove. É só respeitar. E respeitar é não querer privar as pessoas do seu direitos básicos."

Mas é isso que eu venho insistentemente dizendo.

“Outra coisa, você não quer homossexual, negro, e outros tantos na sua casa? Eu não quero gente como você na minha”

Exatamente, agora você parece que enfim compreendeu. Você tem o direito de, na sua esfera particular de existência, se recusar a conviver ou a se relacionar, ou mesmo a se comunicar, com quem você quiser.

“Mas vou lutar pelo seu direito de dizer o que quiser e pelo direito de todo mundo de dizer o quão absurso é julgar pessoas por serem o que são sem prejudicar ninguém”

Na minha esfera privada de existência, eu julgo o quanto eu quiser, e se parece absurdo para o resto da humanidade, azar o dela, eu sou um homem livre, que possui direitos individuais assegurados por lei.

Eu não tenho nada contra gays, lésbicas, negros, ou travestis, e eu já disse isso aqui no blog, noutro post. Mas, quem quiser ter, na sua esfera privada de existência, preconceito ou antipatia por algum, ou mais de um, desses grupos, tem o total direito de assim proceder.

“Veja bem, o seu comportamento e a pessoa que você demonstra ser são escrotos e prejudicam outras pessoas.”

Não, a minha antipatia não é motivo para que eu prejudique os outros. Apenas o ódio é perigoso, como eu já mostrei.


Gabriel,

“Se você se comporta de maneira agressiva e é taxado de brigão você não pode reclamar disso, foi o seu comportamento que fez sua fama. Eu estaria te xingando se eu te comparasse a animais, ou usasse palavras duras contra você. Da mesma forma, taxar uma pessoa de homofóbica, classicista e sexista quando a mesma tem comportamentos homofóbicos, classicistas e sexistas.

Não é xingamento, é nomenclatura. Simples.”

Cara, nem sempre o que a gente é, justifica uma ofensa direta e pública contra nós. Se um cara é gay, eu não vou, em público, ficar fazendo gozação com ele, dizendo que ele queima a rosquinha, que ele dá a bunda, que ele é uma bichinha, ou coisa parecida. Ele pode até fazer essas coisas, mas não é da minha conta.

Eu posso até criticar o comportamento, do ponto de vista geral, mas não me parece razoável ficar ofendendo e criticando uma pessoa, em particular, por causa desse comportamento. Ela que viva a vida dela como bem quiser.

No nosso ordenamento jurídico, o indivíduo é, ao mesmo tempo, parte integrante da massa (herança socialista) e sujeito individual, isolado, privado (herança liberal). Como indivíduo isolado, eu posso fazer tudo e qualquer coisa que diga respeito a minha vida privada e particular; o meu limite é quando eu transgrido os direitos, privados ou públicos, de outros seres humanos.

Se você dirige a mim uma acusação de racismo, pelo fato de eu simplesmente evitar me relacionar ou me comunicar com negros, a sua ofensa terá grandes chances de se transformar em calúnia, porque, se você estiver se referindo ao racismo histórico, estará mentindo. O racismo histórico justificava a superioridade do branco sobre o negro, e essa superioridade legitimava que o branco transgredisse direitos básicos e elementares dos negros.

A minha simples atitude de evitar que o negro se relacione comigo, na minha esfera privada, de forma nenhuma priva o negro de seus direitos fundamentais, pois nós continuaremos nos relacionando, de forma igual, na esfera pública; e eu jamais terei o direito de tratá-lo, nessa esfera pública, como um inferior, da forma que os negros eram tratados no passado.

Da mesma forma, se você me acusa de “Homofobia”, se essa acusação significar que você está me acusando de ser um sujeito que odeia gays, que luta contra os direitos dos gays, que agride os gays, etc, também será uma acusação caluniosa. O simples fato de eu evitar, na minha esfera privada, me relacionar com gays, não quer dizer que eu os odeio ou os quero mortos.

Portanto, calúnias são calúnias, jamais simples nomenclaturas.

Felipe Barreto disse...

adriana machado,

“Me custa a acreditar que existe pessoas como o Felipe que acha que devemos fazer distinção com as pessoas.”

Não ponha palavras na minha boca. Eu não disse que não devemos tratar as pessoas de forma igual, seja na esfera pública ou na privada. Eu disse que quem quiser, na sua esfera privada de existência, tratar as pessoas de forma desigual, por qualquer motivo, tem o direito de fazê-lo.

“O mundo seria um lugar muito melhor se as pessoas começassem a enxergar somente o ser humano,indiferente do credo,cor,sexo e qualquer outra denominação que só serve para alimentar ainda mais a mente das pessoas ignorantes”

Na esfera pública de direitos, isso é uma obrigação. Na esfera particular de direitos, é uma opção.

Anônimo disse...

lola, vc viu isso? interessante que o mesmo canal que cria uma personagem caricata como a valéria do zorra toal tambem da espaço pra uma historia sem preconceito e sem caricatice

http://tvg.globo.com/programas/louco-por-elas/O-Programa/noticia/2013/01/ela-e-ele-veruska-explica-por-que-abandonou-leo-e-reconquista-a-familia.html

Gabriel Nantes de Abreu disse...

Felipe Barreto

Praticamente tudo que você escreveu está completamente errado então em vez de fazer um post gigante comentando cada atrocidade vou responder em linhas gerais.

1 - Dono de estabelecimento LEGALIZADO não tem o direito de retirar ninguém na loja com base em preconceitos pessoais(independente de qual seja) pois toda a empresa apresenta uma função social além da comercial e uma loja tem a função social de atender às pessoas respeitando os preceitos legislativos que impedem a discriminação.

2 - Um homofóbico não é SÓ quem agride gays e luta contra os direitos dele, é qualquer pessoa que segregue de qualquer maneira homossexais de heterossexuais, se você escolhe não ter vinculos com uma pessoa por ser gay você é homofóbico SIM!

3 - Em nenhum momento eu falei que te denunciaria à justiça, apenas que tenho todo direito de dizer que você é homofóbico/racista levando em conta o seu comparamento, você diz que te caluniei? Então o queixoso QUE É VOCÊ é que tem que ir procurar à justiça, e na minha defesa alego que você mesmo disse que pessoalmente não se relacionaria com pessoas negras ou homossexuais, você não iria preso muito menos eu responderia por calúnia pois eu teria como provar minha afirmação! Assim como funciona em casos de veiculos de afirmação quie fazem uma acusação contra alguém, eu posso falar o que quiser desde que eu tenha como provar, e eu tenho como provar.

4 - Ainda que de fato você não exerça comportamentos que afetem negros e homossexuais diretamente tanto como pessoas como cidadãos eu ainda tenho como papel de cidadão o direito de alertar negros e homossexuais sobre o perigo de conviver com você devido a suas características racistas e homofóbicas.

Gabriel Nantes de Abreu disse...

Daqui a pouco os reaças vão dizer que não tenho aracnofobia só porque tenho pavor de aranhas e não suporto a presença delas.
Só vou ser aracnofóbico se odiar, caçar e sair botando fogo em todas as aranhas que encontro pela frente.

Cara, nem sei mais se é desonestidade intelectual ou as pessoas realmente acreditam nisso...

Liana hc disse...

Felipe Barreto,

O preconceito admitido com "educação" ainda é preconceito.

Isso tem a ver com o modo como se percebe as pessoas, e não somente com as ações sociais e políticas resultantes dessa visão de mundo.

Sabe, usar de eufemismos não vai te livrar dessa.

Ódio não se manifesta somente como explosões de violência física ou sob forma de coerção estruturada no meio em que vivemos. Isso é só a parte mais visível. O preconceito mesmo quando se restringe à esfera particular (seja lá o que for que isso realmente signifique, já que nossas ações particulares também são parte integrante do social), ainda é preconceito.

LC disse...

Felipe, acho que o seu problema é rotular demais, ao menos admita que isso é uma rotulação e na minha concepção, rotulações são estúpidas

Quero dizer, tudo bem exigir o seu direito de "não se relacionar com gays", mas uma pessoa que "optar" por "não se relacionar com negros" pode ser considerada racista?

Eu diria que sim porque apesar de não prejudicar a pessoa diretamente, revela que a pessoa que "optou" pelo "não-relacionamento" classifica as pessoas de acordo com características sem valor

Não vou exigir que você se relacione comigo, gay, a menos que você seja o cara mais foda do mundo e eu esteja perdendo alguma coisa né?

Mirella disse...

"Eu disse que quem quiser, na sua esfera privada de existência, tratar as pessoas de forma desigual, por qualquer motivo, tem o direito de fazê-lo."


Felipe, o que significa tratar alguém de forma desigual na esfera privada de existência?





ahahahhaah ai Felipe, sempre me divirto com você. Ainda mais com você se levando super a sério.

Anônimo disse...

Lola, não acha que seria legal se reservasse um dia da semana toda semana, como terça ou quarta por exemplo, para falar de pessoas trans e de transfeminismo? Fica a ideia!

Nivaldo Brás disse...

Por favor leiam essa reportagem no site da bol.

http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2013/01/31/cao-abandonado-por-ser-gay-sera-sacrificado.jhtm

Felipe Barreto disse...

Gabriel de Abreu,

“Praticamente tudo que você escreveu está completamente errado então em vez de fazer um post gigante comentando cada atrocidade vou responder em linhas gerais.”

Hahahahahahahahaha

Atrocidades? Eu ri.

Quer dizer que se eu me recusar a me relacionar com gays, estou cometendo uma atrocidade? Essa sua acusação ganhou o prêmio de maior pérola que eu já li nessas caixas de comentários. Parabéns.

Daqui a pouco, você vai me dizer que se eu me recusar a transar com gays, estarei cometendo outra atrocidade.

E as pessoas que espancam, humilham e xingam os gays, cometem o que? Você deve ter que formular uma nova palavra para caracterizá-los, pois se para você, a minha escolha de não me relacionar privadamente com gays é uma atrocidade, então atitudes que fomentem a transgressão dos direitos individuais e sociais dos gays, não sei o que pode ser.

1. É verdade, você está certo. Mas o meu objetivo com o exemplo não foi esse. Foi mostrar que, caso uma pessoa queira se dirigir a um gay, estando ela em sua casa, em sua empresa, entre familiares etc, ela não pode tratá-lo de forma vexatória ou humilhante, apenas porque nutre antipatia por gays. Se ele humilhar um gay, estará transgredindo a esfera de direitos do homossexual, e, por isso, cometendo ato condenável.

2. Incorreto. Evitar ter contato com gays não me torna homofóbico. Se analisarmos a palavra, ela é composta pelo termo “fobia”, portanto, denota aversão intensa, ou mesmo ódio. Apenas quem humilha os gays, priva os gays de direitos, nega a sua humanidade etc, podem ser enquadrados como homofóbicos.

3. E eu não te acusei de calúnia. Eu citei um exemplo, uma situação hipotética, na qual uma pessoa pode ser acusada de calúnia caso ofenda uma outra daquilo que ela não é. Imagine se eu vou me preocupar com o que tu me acusas por aqui. As tuas acusações são deveras insignificantes para mim.

4. Mentira, e isso caberia um processo por calúnia e difamação, pois você estaria cometendo um ato de pré-julgamento contra mim, violando o meu direito de presunção de inocência, e me acusando de ser um sujeito perigoso para a sociedade, sem materialidade, sem provas, sem justificativa.

Felipe Barreto disse...

Liana,

"O preconceito admitido com "educação" ainda é preconceito.

Isso tem a ver com o modo como se percebe as pessoas, e não somente com as ações sociais e políticas resultantes dessa visão de mundo.

Sabe, usar de eufemismos não vai te livrar dessa."

Você não tem preconceitos? Problema teu. Quem tiver, pode vivê-los livremente, desde que não prejudique os direitos das outras pessoas.

E eu não preciso criar atenuantes para me livrar de nada, simplesmente porque eu não me encontro em nenhum risco, seja moral ou jurídico.

"O preconceito mesmo quando se restringe à esfera particular (seja lá o que for que isso realmente signifique, já que nossas ações particulares também são parte integrante do social), ainda é preconceito."

Nesse caso, é um preconceito aceitável.

Felipe Barreto disse...

LC,

“Felipe, acho que o seu problema é rotular demais, ao menos admita que isso é uma rotulação e na minha concepção, rotulações são estúpidas”

Se eu rotulo ou não rotulo, e se essas rotulação são ou não estúpidas, enquanto elas estiverem produzindo efeitos na minha esfera particular e privada, isso será problema meu, e não teu.

"Quero dizer, tudo bem exigir o seu direito de "não se relacionar com gays", mas uma pessoa que "optar" por "não se relacionar com negros" pode ser considerada racista?"

Se você estiver tendo como paradigma o racismo histórico, não, não pode.

"Eu diria que sim porque apesar de não prejudicar a pessoa diretamente, revela que a pessoa que "optou" pelo "não-relacionamento" classifica as pessoas de acordo com características sem valor"

Claro que não. O valor de uma pessoa não é mensurado de acordo com o grau de proximidade que eu pretendo criar com ela. O valor de uma pessoa é invariável e imperecível, e independe de como eu irei tratá-la na minha esfera privada de existência. Uma pessoa tem tanto valor para mim, que eu, em hipótese nenhuma, atentaria contra os direitos dela.

"Não vou exigir que você se relacione comigo, gay, a menos que você seja o cara mais foda do mundo e eu esteja perdendo alguma coisa né?"

Se eu for o cara mais foda do mundo, e não quiser te ter dentro do meu círculo de amizades, azar o teu. Vai viver a tua vida.

Felipe Barreto disse...

Mirella,

“Felipe, o que significa tratar alguém de forma desigual na esfera privada de existência?”

É auto-explicativo.

Significa que, no âmbito das minhas relações privadas, eu posso discriminar as pessoas a vontade.

Eu posso me recusar a me comunicar verbalmente com um gay; posso me recusar a receber um travesti em minha residência; posso escolher ajudar, financeiramente, uma creche, ao invés de ajudar uma instituição que cuida de aidéticos, onde existam muitos gays; posso me retirar de um local público quando um negro se aproximar desse local; posso me recusar a ter amigos negros; posso me recusar a ter filhos com negros; posso me recusar a me casar com negros; posso me recusar a ouvir uma música tocada por um gay; posso me recusar a comprar na loja de um judeu; e assim por diante.

Enquanto eu estiver sendo antipático com esses grupos na minha esfera privada, terei plena liberdade de assim proceder.

Esse meu raciocínio me leva a crer que qualquer atitude que prejudique o direito dos gays de se relacionarem com outros gays, é abusiva e ilegítima, pois os gays, na esfera privada de direitos deles, podem se relacionar, sexualmente ou afetivamente, com quem eles quiserem.

Liame disse...

A pergunta a q sempre voltamos: o q é ser mulher e o q é ser homem? Na boa, eu já tô me definindo como andrógina e caguei pra gênero (desculpe meu mau português)

Lillian Cardoso disse...

Simplesmente sensacional esse artigo. Eu nunca havia pensado na questão da relação entre e o feminismo e as trans*. Mas é triste pensar que a cobrança pelo padrão de feminilidade imposto pela sociedade é ainda mais intensa em relação às trans - como se a essência do feminino se limitasse a esses padrões. Quer dizer, eu sou analista de sistemas, adoro matemática, uma das minhas bandas preferidas é o Sepultura, se eu fosse um animal, seria um Leão, e meu diretor preferido é o Quentin Tarantino. Como eu tenho seios e vagina, ninguém questiona minha feminilidade mesmo com um cérebro tão "masculino". Agora, uma trans com essas mesmas preferências corre o risco de não ser considerada "mulher de verdade" e até de ser barrada para uma eventual cirurgia de mudança de sexo. Triste.

E caro Felipe... se você conhece só um pouquinho de História, sabe que não existe nada de mandamento divino no ódio às minorias. Tudo é uma questão puramente sócio-política. O dominante subjuga o dominado e começa a inventar teorias e filosofias malucas a seu respeito, para diminuí-lo. Foi/é assim com negros, índios, mulheres, homossexuais, judeus, chineses no Japão, armênios na Turquia, hispãnicos nos EUA, "bárbaros" em Roma.... enfim, eu poderia fazer uma lista da história do ódio da humanidade. Você se acha no direito de querer distância de grupos que você claramente considera inferiores. Se um dia você precisar morar na Noruega, Suíça ou em vários outros países europeus, você corre o risco de ser taxado de "macaco". de "inferior", de "escória da sociedade", e de tudo o que você pensa dos grupos que odeia. Há pessoas que até não vão desrespeitá-lo em público, mas vão querer distância sua na esfera privada. Você vai sentir na pele o que as pessoas de quem você quer distância sente. E vai entender que o preconceito e a discriminação são meros mecanismos para reforçar dominância em assuntos políticos sociais, sem nada ter a ver com "natureza" ou "religião". Pense nisso.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Nuba of Kau,


Interessante esse teste! Irei fazer!

* após meia hora de vista irritada com a maldita cor rosa choque do site e com as perguntas escrotas *


- Por favor, testezinho Cogiati, diga logo qual meu nível de feminilidade!!!

- Não mais que 60 (Androginy)!!!

- Não mais que 60?! Mas isso é um engano!!! Esse testezinho em php(como qualquer coisa em php), deve estar QUEBRADO!!!!


Se fosse em Ruby on Rails, teria dado um resultado decente! ¬¬

Anônimo disse...

Uau, se para nós, "biologicamente mulheres" (homo ou bissexuais),já é difícil lidar com os os padrões de comportamento que nos são impostos(tipo "mulherzinha", "delicadinha"), imagine para quem é trans: você precisa lidar com todo tipo de estereótipo, tanto os impostos à homens quanto à mulheres! E eu nunca tinha parado para pensar nisso!

Texto perfeito, super bem escrito. Esta frase ficou perfeita:

"A categoria de mulher independe de (meus) genitais (e consequentemente de quaisquer cirurgias), pois eu sou apenas um tipo diferente de mulher - assim como existem mulheres altas e baixas, gordas e magras, com seios maiores ou menores, enfim, com várias morfologias - minha morfologia é somente uma a mais dentro do espectro que é ser mulher. "

ena disse...

texto muito bom!

pergunta: se o gênero é um conjunto de características físicas e comportamentais construídas de acordo com o padrão social, para uma pessoa mudar de gênero ela precisa se enquadrar no padrão oposto ao que lhe é imposto. A definição de mulher corresponde ao estereótipo feminino enquanto a definição de homem é o estereótipo masculino. Portanto, pra ser mulher, é preciso ser feminina e pra ser homem é preciso ser masculino.
Por que reivindicar o título "mulher" enquanto não se tem interesse na feminilidade e em todos os seus desdobramentos?

Precisamos entender que n significa nada ser mulher, nada além dos estereótipos de gênero. A mesma coisa com o gênero masculino. N é melhor deixar tudo isso de lado e ser apenas uma pessoa?

N quero acusar os transsexuais, mas as vezes percebo um comportamento muito binarista........

Anônimo disse...

Transfobia é misoginia, assim como a homofobia também é. O ódio é perpetuado rotineiramente contra as mulheres (contra mulheres que ajustam-se com a feminilidade e especialmente contra aquelas que não), e também contra homens que são percebidos como sendo feminilizados de alguma forma. É tudo sobre perpetuar o ódio contra a classe das fêmeas. Mas só porque alguns homens recebem o ódio misógino de outros homens não significa que eles são mulheres e não significa que eles não são criados e internalizados com privilégio de classe masculina. Homens feminilizados ainda possuem maior poder, com relação às relações de poder da classe sexual, que qualquer mulher.

Quando os machos são importunados por parecerem ou se comportarem ‘como uma mulher’/de modo ‘feminino’, isso é devido a misoginia, ou seja, o ódio às mulheres e tudo o que é associado com as mulheres. É porque os machos não devem reduzir-se ao nível das fêmeas, ocupando o papel ‘feminino’. Mas não, vamos dar aos machos um nome especial por isso, porque tudo é pior quando acontece com eles.

Anônimo disse...

Só dizer que esse discurso do "não gosto então ignoro" não é tão simples assim. Por exemplo, nos Eua se eu, dono (100%) da minha empresa, decidir não contratar alguém por motivo de raça/religião e em algumas instancias, sexualidade, posso ser processado se provado. Ou mesmo se eu me recusar à prestar um serviço à alguém.


E o seu txt é otimo, os padrões são péssimos. Na minha visão não existe masculino nem feminino, existe sim um comportamente ideal criado pela sociedade para esses papéis, e mtos não se encaixam.
Ps: Isso me lembra que seria interessante falar dos androgenos- pessoas que não se identificam com o masculino nem com o feminino, sendo um "3" sexo.

Sphynx disse...

De gêneros eu pouco entendo. Não sinto que tenho muito o que comentar em posts sobre transexualidade. Mas não faz diferença. Prefiro abstrair tudo isso e considerar que toda a diversidade são caminhos válidos para a felicidade, para a pessoa se sentir bem consigo, pouco me importa se existe um cérebro masculino e um cérebro feminino, se as diferenças são uma fronteira biológica ou social, enfim. Acho um grande estorvo discursos que usam a ciência, que supostamente serve para buscar o bem-estar humano, justamente como meio de boicotá-lo com falatórios do tipo "primeiro encontrem todas as explicações biológicas atestando que homossexualidade, bissexualidade, transexualidade e qualquer outro padrão podem existir nesse mundo, e depois podemos começar a pensar na liberdade e nos direitos dessas pessoas, enquanto isso tá valendo discriminar, é até melhor todos fingirem ser heteros e cis, só pra garantir".

Felipe Barreto disse...

Lillian Cardoso,

1. Trouxe a tona o argumento religioso, algo que não tem nada a ver com a questão.

2. Confundiu antipatia com ódio, erro que foi cometido diversas vezes anteriormente, por outros comentadores.

3. Da mesma forma que a Vanessa, associou a minha recusa em me relacionar privadamente com certos grupos, algo comparável a atos de transgressão aos diretos fundamentais desses grupos.

4. Os noruegueses, os suíços, e os demais povos europeus (ou de qualquer outro continente) não têm obrigação nenhuma de aceitar um imigrante, ou qualquer outra pessoa, nas suas esferas privadas de existência. Eles têm que respeitar a humanidade do imigrante e só, nada além disso.

Conclusão: O seu texto está, da primeira palavra ao último ponto, completamente equivocado.

Anônimo disse...

Anônimo das 06:08,

Moça, você é transfóbica. Uma mulher trans é tão mulher quanto uma cis!

Anônimo disse...

Voltei ao texto do Nivaldo e fui inserindo o "negro" onde cabia. Incrível como fiquei horrorizada com o sentido.No texto dele fica aparentemente aceitável.E olha que sou feminista e totalmente a favor dos glbts.

Anônimo disse...

Só hoje lendo esse post porque estou a toa e procurando o que ler aqui. Não li anteontem porque achava que esse assunto não tinha a ver comigo. Tem tudo a ver.Maravilhoso!

Gabriel Nantes de Abreu disse...

"2. Incorreto. Evitar ter contato com gays não me torna homofóbico. Se analisarmos a palavra, ela é composta pelo termo “fobia”, portanto, denota aversão intensa, ou mesmo ódio. Apenas quem humilha os gays, priva os gays de direitos, nega a sua humanidade etc, podem ser enquadrados como homofóbicos."

Tudo que você escreveu está errado. pra começar, enquadra-se alguém quando esta comete um crime,e homofobia não é crime no nosso país,o que é crime é a discriminação de uma pessoa como no caso citado anteriormente, ou seja, o preconceito toma caráter pessoal e não de genero como deveria ser. E fobia tem a ver com medo e não com ódio, se você sente qualquer tipo de aversão por homossexuais já que você quer tomar tudo ao pé da letra.

3. E eu não te acusei de calúnia. Eu citei um exemplo, uma situação hipotética, na qual uma pessoa pode ser acusada de calúnia caso ofenda uma outra daquilo que ela não é. Imagine se eu vou me preocupar com o que tu me acusas por aqui. As tuas acusações são deveras insignificantes para mim.

Assim como o que você faz na sua esfera privada(SIC) é insignificante para todos nós nesse blog, na situação hipotética que você criou, a discriminação seria visível uma vez que a sexualidade seria o único motivo pelo qual você não iria se relacionar com essas pessoas, logo se esse ser hipotético que não é você(RISOS) processasse alguém por chama-lo de homofóbico perderia a ação pois seria possível provar a índole do sujeito através de testemunhas o máximo que você poderia pedir seria uma medida cautelar impedindo que no futuro essa pessoa volte a fazer qualquer tipo de comentário a seu respeito o que é bem difícil mas possível de conseguir.

4. Mentira, e isso caberia um processo por calúnia e difamação, pois você estaria cometendo um ato de pré-julgamento contra mim, violando o meu direito de presunção de inocência, e me acusando de ser um sujeito perigoso para a sociedade, sem materialidade, sem provas, sem justificativa.

Não é um pré-julgamento porque a sua homofobia é perceptivel através de testemunhas, não existe presunção de inocência quando não há crime logo isso não tem nada a ver, há materialidade pois testemunhas são provas caso fossem necessárias, e há a justificativa pois eu desejo o bem estar (Físico e moral) de pessoas ao meu redor inclusive dos homossexuais.

Gabriel Nantes de Abreu disse...

"Quer dizer que se eu me recusar a me relacionar com gays, estou cometendo uma atrocidade? Essa sua acusação ganhou o prêmio de maior pérola que eu já li nessas caixas de comentários. Parabéns. "

Agora entendi. Você é analfabeto funcional por isso os seus posts são claros de alguém que lê uma informação ou uma lei e tira as próprias conclusões sem nenhuma lógica. A atrocidade são suas repsostas absurdas, e sem nehum embasamento jurídico, histórico ou social.

Te sugiro começar entendendo os conceitos de esfera pública e privada de verdade, e entendendo em que momentos elas acabam se tornando uma só, mas percebendo que você não cosnegue nem entender o que as pessoas escrevem numa caixa de blog, nem valeria a pena.

Anônimo disse...

"Uma mulher trans é tão mulher quanto uma cis!"

Mulheres trans não são fêmeas, não enfrentam os mesmos problemas daquelas que nasceram em corpos femininos e foram criadas desde então para serem mulheres. Transição nenhuma do mundo apaga o histórico de alguém que nasceu macho e foi criado para ser um homem, com todos os direitos e privilégios imbutidos nisso.

Nenhum homem pode ter um histórico de nascer e situar-se em qualquer cultura como uma mulher. Pode ter um histórico de desejar ser mulher e agir como mulher, mas essa é a história de alguém que deseja ser uma mulher, não de quem é mulher... Nenhuma transição pode conferir a história de nascer fêmea nessa sociedade.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Enquanto pessoal fica de preconceito e conversinha contra as trans, em especial as transmulheres, eu vi algo LINDO.

Estava a pesquisar sobre exercícios físicos(de aeróbica à calistenia), e nisso resolvi ver se não haviam recomendações específicas às mulheres trans, pois um guia de exercício disse que mulheres que não usassem testosterona poderiam fazer musculação sem se preocuparem em desenvolverem músculos e fiquei intrigada.

Nisso pesquisei sobre exercícios físicos e MTF, e acabei por entrar em sites de marombeiros gringos e esses caras "saúde" haviam mulheres trans perguntando sobre dicas de exercícios e os caras dando as dicas na maior educação, de aeróbica, calistenia etc.

Fiquei surpresa. Se fosse em algum site de fisiculturismo brasileiro me pergunto se a gentileza seria a mesma.

Felipe Barreto disse...

Gabriel Abreu,

“pra começar, enquadra-se alguém quando esta comete um crime,e homofobia não é crime no nosso país,o que é crime é a discriminação de uma pessoa como no caso citado anteriormente, ou seja, o preconceito toma caráter pessoal e não de genero como deveria ser.”

O que você entende por homofobia, evidentemente que não é crime, e nem poderá ser, sob o risco de se produzir uma norma jurídica absurdamente injustificada. Mas as atitudes de homofobia que acarretem prejuízos a vida, a liberdade, ou a quaisquer outros direitos fundamentais dos gays, serão crimes, não pela homofobia em si, mas sim pelo que ela desencadeou.

E a discriminação só será crime se for praticada contra os direitos fundamentais dos discriminados. As atitudes as quais eu me referi, não acarretam nenhum prejuízo a nenhum direito dessas pessoas, pois são atitudes que dizem respeito as minhas escolhas pessoais e privadas, como individuo isolado. E se não há violação de direitos, não há o que litigar na justiça.

Eu não quero me casar com negras, isso é uma discriminação, me obrigue a me casar com negras. Eu não quero comprar em uma loja de judeus, estou discriminando os judeus, me obrigue a aplicar o meu dinheiro em lojas judias. Eu não quero que negros freqüentem a minha casa, me obrigue a aceitar negros em minha residência. Eu não quero ter amigos homossexuais, me obrigue a ter amigos gays. Eu não quero dar esmolas a um mendigo negro, porque ele é negro, logo, estou discriminando-o, me obrigue a dar esmolas para ele. Se eu for adotar uma criança, não aceitarei adotar crianças negras, me obrigue a adotá-las. Eu posso escolher não ler o livro de um autor que é travesti, me obrigue a lê-lo.

Você vai conseguir que a justiça me obrigue a ter atitudes contrárias a estas, na minha esfera privada de existência? Não, não vai.

Eu não concordo com nada disso, te digo sinceramente. Mas acontece que a minha concordância ou discordância não deve invadir a esfera pessoal e privada de nenhum indivíduo livre. Cada um vive a sua vida privada e pessoal, da forma como bem entender.

Você tem dificuldade de entender isso porque possui formação ideológica marxista-leninista. Para você, esquerdopata, o indivíduo não existe. Ele só existe como parte integrante da massa, da coletividade. E, por isso, ele deve ser obrigado a fazer tudo o que a massa quer que ele faça. Você jamais compreenderá o sentido de direito individual, pois um esquerdopata compreender isso, é algo tão inconcebível quanto um homem compreender o verdadeiro sentido da maternidade.

“E fobia tem a ver com medo e não com ódio, se você sente qualquer tipo de aversão por homossexuais já que você quer tomar tudo ao pé da letra.”

Se homofobia se refere às pessoas que têm medo de homossexuais, logo, é impossível imputar qualquer responsabilidade criminal a um cidadão por esse motivo. Se eu nutro medo por algum grupo social específico, de maneira nenhuma isso significa que eu sou perigoso para esse grupo.

Você mesmo me fez o favor de confirmar isso, quando disse que:

"Daqui a pouco os reaças vão dizer que não tenho aracnofobia só porque tenho pavor de aranhas e não suporto a presença delas.
Só vou ser aracnofóbico se odiar, caçar e sair botando fogo em todas as aranhas que encontro pela frente."

Ora, se o teu medo de aranhas não constitui um risco para a vida e para a integridade física das aranhas, porque elas deveriam se preocupar com você?

Além do mais, esse termo é tão absurdo que nenhum sujeito sensato o levaria a sério. Olha só o que ele denota: “alguém que não gosta de gays, tem medo deles!”

Então quer dizer que se eu não gostar de mulheres promíscuas, é porque eu tenho medo delas. Se eu não gostar de feministas, é porque eu tenho medo delas. Se eu não gostar de religiosos, é porque eu tenho medo deles. Se eu não gostar de crianças pequenas, é porque eu morro de medo de criancinhas.

Felipe Barreto disse...

Gabriel Abreu,

“Assim como o que você faz na sua esfera privada(SIC) é insignificante para todos nós nesse blog, na situação hipotética que você criou, a discriminação seria visível uma vez que a sexualidade seria o único motivo pelo qual você não iria se relacionar com essas pessoas, logo se esse ser hipotético que não é você(RISOS) processasse alguém por chama-lo de homofóbico perderia a ação pois seria possível provar a índole do sujeito através de testemunhas o máximo que você poderia pedir seria uma medida cautelar impedindo que no futuro essa pessoa volte a fazer qualquer tipo de comentário a seu respeito o que é bem difícil mas possível de conseguir.”

Essa passagem do seu comentário, provavelmente é a mais idiota de todas.

Você disse, noutro comentário, que poderia dizer, publicamente, que o fato de eu não me relacionar, privadamente, com negros e homossexuais, me torna um sujeito perigoso, uma espécie de delinqüente em potencial. Uma calúnia, das mais vis e torpes possíveis.

Me explica aí, por gentileza, baseado em que você afirmaria que eu sou um perigo para os negros e para os homossexuais? Porque eu não os convido a minha casa? Porque eu não me comunico com eles? Porque eu me recuso a nutrir amizade com eles? Você quer mesmo me dizer que as minhas omissões atipáticas a esses grupos, necessariamente, desencadearão ações objetivas de transgressão aos direitos mais elementares deles?

“seria possível provar a índole do sujeito através de testemunhas”

Hahahahahaha

Claro, vá até a polícia, na companhia das tuas testemunhas, e diga para o delegado: “é o seguinte, tem um cara lá na minha rua, que não tem amigos negros, porque diz que não gosta de negros. Ele nunca namorou uma negra, e diz que jamais irá namorar uma. Ele não permite, em hipótese nenhuma, que um negro ou que um gay entre na casa dele, porque ele não gosta de gays e de negros. O senhor precisa prendê-lo, pois ele é um risco a integridade física e a vida de todos os negros e gays do Brasil!”

Ou, ainda, você pode fundamentar uma querela judicial requerendo alguma indenização ou punição ao sujeito, utilizando as mesmas justificativas como motivação da ação. O teu advogado vai rir da tua cara.

“Não é um pré-julgamento porque a sua homofobia é perceptivel através de testemunhas, não existe presunção de inocência quando não há crime logo isso não tem nada a ver, há materialidade pois testemunhas são provas caso fossem necessárias, e há a justificativa pois eu desejo o bem estar (Físico e moral) de pessoas ao meu redor inclusive dos homossexuais.”

Não confunda alhos com bugalhos. O que é perceptível é a minha recusa em me relacionar, dentro da minha esfera individual, privada, com pessoas negras ou homossexuais. A sua acusação de que eu sou um risco para esses grupos, isso jamais será perceptível enquanto eu não praticar ações objetivas que concorram para promover a violação dos direitos e garantias fundamentais, físicas ou morais, desses grupos. Portanto, você realizou sim um ato de pré-julgamento, embasado em seus preconceitos e em suas suposições. Uma calúnia das mais insanas e irresponsáveis.

Sobre as suas testemunhas, eu já deixei bem claro a importância delas.

Anônimo disse...

Felipe Barreto que não consegue enxergar um palmo além do próprio umbigo:

Lamento ter que te informar, mas você não é o centro do universo e o mundo não se resume a você nem aos seus problemas.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Felipe Barreto,

Travestis são do gênero feminino e devem ser reconhecidas e dirigidas como tal...
"UmA travesti", "AutorA travesti", "A Travesti", etc. E não, isso não é correção política, é gramática.


Agora volta pra peleja que está divertida.


"Brace yourselves: Mimimi contra se dirigir às travestis como mulheres is coming"

Anônimo disse...

Felipe Barreto e demais masculinistas vão se sentir representados:

http://25.media.tumblr.com/2a67489bf4fd50415a7f44e1ccd5e21d/tumblr_mg2gt85Qbw1r9tjqbo1_400.jpg
http://25.media.tumblr.com/a6e41659d369e3404f8586d4a3c312ce/tumblr_mg2gt85Qbw1r9tjqbo2_400.jpg
http://25.media.tumblr.com/336940e2193f125493057bfbbc0a81a1/tumblr_mg2gt85Qbw1r9tjqbo3_400.jpg
http://24.media.tumblr.com/78f3ab19ba21bb20a19d71ca443bcd0f/tumblr_mg2gt85Qbw1r9tjqbo4_400.jpg
http://24.media.tumblr.com/1695d8d5aa8e6e9024b74a78c9ed34b2/tumblr_mg2gt85Qbw1r9tjqbo5_400.jpg
http://24.media.tumblr.com/acb9b78dd3800ed22936c2146c870068/tumblr_mg2gt85Qbw1r9tjqbo6_400.jpg

Anônimo disse...

mulher = fêmea = discurso de macho.

ou seria melhor dizer discurso machista?










Anônimo disse...

mulher ser uma ideia na cabeça de um homem ou um sentimento que ele possa ter nem de longe é coisa de macho (ou de machista, como preferir), não?

inversões patriarcais, a gente se vê por aqui.

Rosanna Andrade disse...

Fiz o teste q linkaram e sabia q ia dar merda. Sou mulher cis, me relaciono majoritariamente com homens (embora eventualmente tbm tenha atracao por mulheres), sempre fui melhor nas exatas, embora tbm gostasse de escrever. Vejam o resultado:

Seu valor é o resultado de COGIATI: -45 O que significa que você cai nas seguintes categorias:
COGIATI classificação TRÊS, >>>>>>>>>andrógino<<<<<<<<<<<<<
O que isto significa é que você tenha classificado COGIATI sua identidade de gênero interna para ser essencialmente andrógino sexual, masculino e feminino, ao mesmo tempo, ou possivelmente nenhum. Em algumas culturas, o indivíduo considerado história séria do terceiro sexo, independente do masculino e do feminino. Seus problemas de gênero são intrínsecos ao seu ser e maneira mais clara para encontrar a sua felicidade é você se comportar expressando ambos os sexos, como você o sente.
Ações sugeridas:
Sua situação é um pouco complicada em nossa sociedade, mas não muito, dependendo da sua localização geográfica. Sugestões para o seu caso não é muito complicada:
Se você sentir qualquer insatisfação com sua expressão de gênero, sempre um pouco de aconselhamento pode ser de boa ajuda. O objetivo principal é para que você possa desfrutar de suas expressões de gênero livre de qualquer vergonha e resolver qualquer dúvida que possa ter.
Como um ser andrógino, ambos os sexos, e ambos os sexos são naturais para a sua expressão. A polarização permanente em qualquer direcção infelicidade produto. É recomendado que você assume passar por uma completa transformação sexual. Você deve encontrar um valor parcial de transformação se você sente atração mais feminina. Você é mais como um transexual que um transexual. É recomendado que você reconhece que seus problemas de gênero são reais, mas ação extrema sobre eles deve ser tomada com cautela.
Se você não tiver feito isso, considere entrar em qualquer grupo dedicado a variedades de gênero de jogos. Literalmente, há todo um mundo de pessoas que compartilham seus interesses. Há também muitas publicações, artigos e atividades onde expandirte mais em suas expressões de género.
Obrigado por usar a identidade de gênero e transexualidade inventário combinado.


Acredito que fui classificada como "androgina" pq o teste pressupoe que quem responde eh uma mulher transexual (varias perguntas dao entender isso), e por varias vezes eu respondi que n tinha grandes problemas com identidade de genero (essa era a opcao mais proxima de alguem cis). Dava p perceber claramente o carater sexista das perguntas: nas que se referiam a raciocinio logico/ matematica eu respondi o esperado para um "cerebro masculino", embora tenha puxado para um "cerebro feminino" em questoes como leitura, escrita e relacoes interpessoais.

Meus pesames p quem faz um teste como esse para realmente ser entendida/tratada clinicamente como trans*. Muito triste mesmo.