sábado, 12 de janeiro de 2013

GUEST POST: ESCOLA DE PRINCESAS, ADULTIZAÇÃO DE MENINAS

Foi uma coincidência: bem na semana que muitxs de vcs me enviaram links e pedidos pra falar de uma reportagem/propaganda sobre uma (desculpem a falta de rodeios) ridícula e patética escola de princesas em Uberlândia, eu estava no meio de um livro que estou amando: Cinderella Ate My Daughter (algo como Cinderela Devorou Minha Filha), de Peggy Orenstein. 
Prometo falar mais dele assim que acabar de lê-lo, mas dou aqui uma palhinha: Peggy, mãe de Daisy, uma menina com então 5 anos quando Peggy escreveu o livro (uns dois anos atrás), surpreendeu-se que todo mundo, por qualquer motivo, referia-se a sua filha como “princesa”. Traduzo um trecho:
“O que estava acontecendo? […] A caixa do supermercado invariavelmente cumprimentava Daisy com 'Olá, princesa'. A garçonete no lugar onde tomávamos café da manhã, uma hipster com piercing na língua e uma caveira tatuada no pescoço, chamava as panquecas de Daisy de 'sua refeição de princesa'; uma senhora simpática nos ofereceu um balão de graça, e aí disse, 'Aposto que sei qual é a sua cor favorita!',  e deu a Daisy um balão rosa ao invés de deixar que ela escolhesse por conta própria. Daí, logo depois do aniversário de 3 anos de Daisy, nossa dentista-pediatra cara apontou para a cadeira de dentista e perguntou: 'Você gostaria de sentar no meu trono especial de princesa para que eu possa fazer seus dentes brilharem?' 'Ah, pelamordedeus', eu reclamei, 'Você tem uma broca de princesa, também?' Ela olhou pra mim como se eu fosse a madrasta má”.
O livro é uma delícia e eu o recomendo fortemente. Foi um artigo que Peggy publicou no NYT que gerou polêmica e a inspirou a escrever Cinderella. Este artigo pode ser lido aqui (em inglês).
Pra variar, ando completamente sem tempo, e antes que eu pudesse pensar em falar sobre a tal escola de princesas de Uberlândia, o Robson, do blog Consciência, e colaborador de vários guest posts aqui neste espaço, me enviou o seu texto. Então vou deixar vocês com o post dele.
Aproveito também para indicar o post da Laena. Ela é de Uberlândia, tal qual a escola que está difamando sua cidade (certo, estou exagerando). Foi através do blog dela que fiquei sabendo da criação de uma página no Facebook, a Escola de Ogras. Algumas das imagens que usei aqui eu tirei de lá.
Eis o texto do Robson: 

No último dia 3, o MG TV da filial da Globo no Triângulo Mineiro passou uma reportagem totalmente elogiosa sobre uma "escola de princesas" em Uberlândia (MG). Menos detalhes do que nos interessariam foram passados na matéria, mas o que foi mencionado já nos convida a uma discussão sobre a socialização de crianças num papel de gênero determinado e a adultização de meninas que deveriam estar brincando -- ao invés de se maquiando como adultas. No curso, garotas entre 8 e 12 anos aprendem noções de como princesas de famílias reais se comportam -- ou, aliás, são obrigadas a se comportar -- à mesa, nos cuidados (muito precoces) com maquiagem, vestuário etc.
É bastante perceptível o teor de aculturação de crianças num papel de gênero que a sociedade patriarcal ocidental, desde a Europa medieval até hoje, espera de mulheres. A reportagem fala claramente de "cuidar da beleza", de serem meigas, usar maquiagem, arrumar quartos coloridos de rosa, sentar-se à mesa do jantar, entre outros aspectos que acostumam as pequenas garotas à ideia de que os princípios culturais das princesas de reinos europeus são bons para a sua "feminilidade".
Nisso a "escola de princesas" acaba reforçando que o papel da mulher é ser dócil e encantadora (ou seja, dentro dos padrões de beleza vigentes) para a inspiração dos homens, e se dedicar aos serviços domésticos -- embora o curso de férias das pequenas "princesas" também fale da filantropia sócio-humanitária empreendida por princesas da modernidade, algo que, no entanto, pode ser feito por qualquer pessoa, independentemente de status e classe social. Fora o engajamento filantrópico, não parece ensinar as meninas a se tornarem mulheres decididas, independentes e dispostas a mudar as raízes dos problemas do mundo  -- entre eles a divisão da sociedade em gêneros opostos e a própria diferenciação sociopolítica entre princesas moradoras de palácios e mulheres comuns.
Acaba passando assim, apesar da intenção da fundadora da escolinha de (tentar) realizar "sonhos de meninas" -- sonhos, diga-se de passagem, culturalmente induzidos e condicionados --, um incentivo ao comportamento submisso e ao conservadorismo social, no qual a filantropia aparece para aliviar os piores sintomas das injustiças e desigualdades sociais, mas nada pode fazer para curá-las e subverter a ordem injusta que as causa.
Crianças não deveriam ter preocupação nenhuma em obedecer a arbitrários padrões de beleza e papéis de gênero nem em atender a etiquetas comportamentais típicas de uma realidade incompatível com o seu tempo (século 21, época de hegemonia das repúblicas ditas democráticas, questionamento de tradições de desigualdade social e negação dos valores essenciais do Estado-nação) e espaço (Brasil, América Latina, distante das tradições das monarquias europeias). Atentar-se a esses costumes em tão tenra idade prejudica a infância e anula a vontade de ser criança e de se comportar como tal.
A fixação pela perpetuação cultural da tradição de admiração dos padrões de beleza, pela riqueza material, pelo comportamento das princesas e, acima de tudo, pela insistência em como meninas (e meninos) devem se comportar certamente são temas segmentados pelo senso comum. Portanto, merecem muita atenção dxs feministas e também dxs defensores dos direitos da criança e do adolescente.

107 comentários:

Juliana disse...

Certamente, não tão usando Merida, a última princesa da Disney como exemplo.

Anônimo disse...

Que bobagem. Se não gostam da forma como esse local ensina as crianças, simplesmente mantenham seus filhos longe de lá. Mas as pessoas têm o direito de educarem suas crianças da maneira que escolherem. Se alguém quiser que sua filha aprenda essas coisas, que aprenda.

plannerofthefuture disse...

"não parece ensinar as meninas a se tornarem mulheres decididas, independentes e dispostas a mudar as raízes dos problemas do mundo -- entre eles a divisão da sociedade em gêneros opostos e a própria diferenciação sociopolítica entre princesas moradoras de palácios e mulheres comuns" . Então, a "escola" precisa ser destruída simplesmente por não ter a mesma visão de mundo que a do escritor do texto? Do jeito que o texto está escrito, parece até que é uma instituição pública e de frequência obrigatória que quer ensinar isso aos alunos.

"Portanto, merecem muita atenção (...) dos direitos da criança e do adolescente". Claro, pois tudo o que não questiona os padrões-preconceituosos-da-sociedade-machista-preconceituosa-patriarcal-ocidental é uma violação aos direitos da criança, eu diria que é quase a mesma coisa que um espancamento, por isso é algo que deve ser imediatamente corrigido pelas instituições governamentais.

Anônimo disse...

"Acaba passando assim, apesar da intenção da fundadora da escolinha de (tentar) realizar "sonhos de meninas" -- sonhos, diga-se de passagem, culturalmente induzidos e condicionados (...)"

Então, se uma garota QUISER ir para a tal escolinha, isso é porque ela está sendo enganada. Trata-se da influência maligna do patriarcado na mente das pobres crianças. Porque, é claro, há todo um grupo obscuro de homens que dominam a mídia e usam filmes e seriados para construir a imagem de uma princesa como uma pessoa bela, educada, "ideal". Tudo com o objetivo de tornar as mulheres submissas, é óbvio.

Honestamente, é nisso que acreditam? Acordem! As pessoas produzem algo porque querem VENDER! Se há fogõezinhos, vassourinhas de brinquedo, filmes com princesas dóceis, e as bonecas são todas brancas e magras, é porquê tudo isso vende! Simples assim! Não é porquê alguém quer moldar a sociedade com esses produtos. Muito pelo contrário, é a população que dita como os produtos devem ser.

Anônimo disse...

"Brasil, América Latina, distante das tradições das monarquias europeias."

Bem, pelo menos no caso do Brasil, tivemos uma monarquia e uma corte extremamente influenciada pelos costumes da nobreza européia. Por exemplo, era comum que se falasse francês em meio a aristocracia brasileira da época, e olha que nós nem temos muitos laços com os franceses!

Anônimo disse...

Aiii, deixa a escolinha em paz!!! Eh tao fofo!!!

M. disse...

Até a Disney anda "desprincesando" as princesas (vide Mulan e Merida) e esse povo insistindo nessa ideia...

Anônimo disse...

Realmente existem consumidores para todo tipo de bosta!

Shey disse...

Gente, alguém me explica pq cargas d´água certos brasileiros têm essa tara toda por monarquia estilo europa? Primeiro têm aqueles descendentes da antiga família real brasileira que certos veículos de comunicação insistem em promover - como uma reportagem uma vez se referiu a um deles como "príncipe herdeiro do Brasil" (AHAHAHAHAH)- e agora tem essa palhaçada de mães ( e pais) plebéias com complexo de viralata querendo transformar a prole em princesinha?
Isso é perder a noção de ridículo.

nina disse...

A gente lê um texto bem bolado, com ideias pra se discutir e depois vê esses comentários... dá um desânimo.

dá vontade de chorar quando a gente vê que tantos ainda estão repetindo esse discurso de que se tem um produto é porque vende, sem ver o quadro geral e o círculo vicioso que é. O bom, pelo menos pra mim, é que não terei filhos. Não vou ter que me preocupar em quais escolas evitar.

Stéphanie disse...

Eu me vesti de princesa TODOS os dias da minha infância e sou feminista (inclusive usei uma tiara no meu aniversário de 18 anos, num bar)
Eu passo maquiagem TODOS os dias e sou feminista.
Eu pinto meu cabelo de loiro TODO mês e sou feminista.

Eu teria adorado frequentar esse curso de férias quando pequena, porque fazia parte do meu imaginário infantil. Meus pais sempre me chamaram de princesa, e ter aprendido a me comportar numa mesa de jantar, a me maquiar e a me vestir não me impediu de praticar muay thai, ler livros e falar o que eu penso, tirando minhas próprias conclusões sobre o mundo.

Equilíbrio, gente, equilíbrio!

Anônimo disse...

Queria que o Brasil ainda fosse monarquia.

Marli Carmen disse...

Nossa, quanto exagero!! Valorizam também um costume de longe esquecem de valorizar o que é NOSSO!
"Oi, minha Sereia!"- hehehehe
Bjs
http://marlicarmenescritora.blogspot.com.br/

Anônimo disse...

Robson, cuidado, não use a palavra aculturação. Os "antropólogo pira".

Gabriele Albuquerque Silva disse...

Até a Disney anda "desprincesando" as princesas (vide Mulan e Merida) e esse povo insistindo nessa ideia... [2]

André disse...

É meio que inevitável que as meninas sejam chamadas/qualificadas como princesa. Para minha filha eu procuro colocar um adendo, na maioria das vezes "princesa-guerreira".

PS: vai rolar alguma discussão sobre o Carrossel, Cirilo stalker, etc?

Claudia disse...

Sou de BH/MG e esse tipo de curso eh muito comum por aqui. Eu frequentei por 2 anos diretos, a cada 15 dias. Na minha epoca (15 anos atras) nao se chamava Escola de Princesas porque esse negocio de Disney eh meio recente. Mas era o local onde as meninas E MENINOS aprendiam etiqueta. Eu amei! E nao me sinto menos feminista por isso. Ao mesmo tempo que eu ia para a escola depois quando chegava em casa jogava video game (era louca por Street Fighter). Aprendi a me maquiar, mas tambem nocoes otimas sobre filantropia. O curso ensinava como arrumar uma casa e ate mesmo os meninos eram obrigados a arrumar a cama e a mesa. Se eu tiver filhos eles vao frequentar pelo menos para aprender etiqueta basica. Como disse a Stephanie ai em cima, EQUILIBRIO, GENTE, EQUILIBRIO!

Cética disse...

Pior coisa que, pode acontecer na vida de uma menina,é crescer com essa noção de que é uma "princesa" (o mundo deve serví-la e se for uma boa menina,o príncipe virá buscá-la)pq o mundo vai ensinar e o tombo vai ser grande.

Josiane Caetano disse...

Lola, não sei como você aguenta estes comentários anônimos doidos: se eles realmente acreditassem no que falam, não teriam medo de mostrar a cara e debateriam o assunto.
Sobre a escola de princesas: parece que para cada avanço do feminismo, aparece um elemento para o retrocesso. E esta escola é desnecessária: a maioria das igrejas, desde a infância de seus membros, já trabalham a noção de "pureza" da mulher nos ideias de " princesa" de contos de fadas ou a valorização da mulher modelo-machista dos anos 50.

Sofia disse...

Lola, eu super topo que criem uma escola ensinado as meninas a serem princesas como a Xena. Haha

Renata disse...

Sempre detestei ser chamada de princesa. O pior era quando alguém vinha me repreender por algo dizendo "Não é assim que uma princesa se comporta!"

Aff, que nojo. Sabe que até hoje, às vezes, quando sou atendida por algum homem (geralmente mais velho do que eu) em algum lugar, tipo padaria, o cidadão me chama assim?
Olho torto e digo "Prefiro ser plebéia".

Camila Fernandes disse...

Lola, eu vi essa notícia rodando no Facebook e compartilhei um belo livro da Ruth Rocha. Lembro de ter lido ainda pequena e achado o máximo. Chama "Procurando Firme" e, como a própria autora diz, "parece história para criança pequena mas não é". Aqui o texto integral (http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/literatura-infantil-ruth-rocha/procurando-firme.php) mas segue um trecho para você ver.

"- Esta é uma história de um príncipe e de uma princesa.
- Outra história de príncipe e princesa? Puxa vida! Não há quem agüente mais essas histórias! Dá um tempo!
- Espera um pouco, ô! Você não sabe ainda como a história é.
- Não é uma daquelas histórias chatíssimas, que a princesa fica a vida inteira esperando o príncipe encantado?
- Ah, vá, deixa eu contar. Depois você vê se gosta.
Era uma vez um castelo, com rei, rainha, príncipe, princesa, muralha, fosso em volta, ponte levadiça e um terrível dragão na frente da porta do castelo, que não deixava ninguém sair. Mas o príncipe, desde pequeno, estava sendo treinado para sair um dia do castelo e correr mundo, como todo príncipe que se preza faz. Ele tinha professor de tudo: professor de esgrima, que ensinava o príncipe a usar a espada; professor de berro. Enquanto isso a princesinha, irmã do príncipe, que era linda como os amores e tinha os olhos mais azuis que o azul do céu, e tinha os cabelos mais dourados do que as espigas do campo, se ocupava de ocupações principescas, quer dizer, a princesa tomava aulas de canto, de bordados, de tricô, de pintura em cerâmica. Naquele reino era muito bonito ter prendas. Saber fazer coisas que não servem pra nada, que é pra todos saberem que a pessoa é rica. Se ela estuda frivolitê, por exemplo, tá na cara que ela está só se distraindo, deixando o tempo passar...
- E pra que uma pessoa quer deixar o tempo passar?
- Bom, as pessoas em geral eu não sei. Agora, a princesa da nossa história estava deixando o tempo passar que é pra esperar um príncipe encantado que vinha derrotar o dragão e casar com ela. E tanto esperou que um dia apareceu em cima do muro do castelo um príncipe com cara de encantado que desceu por umas cordas, deu umas cutucadas no dragão e subiu pelas tranças da princesa, que estava fazendo força para parecer graciosa com aquele marmanjão subindo pelas tranças dela acima. Mas a princesa estava desapontada! Aquele não era o príncipe que ela estava esperando!
A princesa torceu o nariz. O pai e a mãe da princesa ficaram muito espantados, ainda quiseram consertar as coisas.
- Filhinha, filhinha, vai fazer uma baba-de-moça pro moço, vai...
- Ai, mãe, não vou não, não estou a fim de agradar esse moço. Acho ele muito chato...
Então o pai virou fera:
- Anda logo, menina, vai preparar um vatapazinho pro moço. Já e já!
- Olha aqui pai, eu até posso fazer vatapá, sarapatel, caruru, qualquer coisa, mas tire o cavalinho da chuva que com esse príncipe eu não vou casar.
E assim muitos príncipes vieram, muitos príncipes se foram. Linda Flor já nem jogava as traças pra eles subirem. Para falar a verdade, com grade susto dos pais, Linda Flor tinha cortado os cabelos e estava usando um penteado esquisitíssimo copiado de povos longínquos de Africolândia. Ela usava calças compridas, que nem o príncipe. Um dia, todo mundo no palácio levou um grande susto. No meio da manhã, na hora em que princesas delicadas ainda estão dormindo, ouviu-se o maior berro. E todos correram na direção de onde vinham os berros e que era lá em cima do castelo. O primeiro que chegou foi o rei. E ficou espantadíssimo quando viu a princesa, correndo de um lado pro outro, de espada na mão, dando aqueles gritos medonhos que ele tinha ouvido lá do outro lado do castelo.”

Laena Guilherme de Oliveira disse...

Lola, que orgulho ver meu post sendo citado aqui (*emoção level high* haha), mas o que me deixa feliz é que mais pessoas se indignaram com essa situação e se propuseram a escrever criticamente sobre o assunto. É um assunto, que ao meu ver, não dá pra passar por nós como se nada tivesse acontecendo. E infelizmente, ainda tem muita gente que continua pensando no raso e se deixando levar por uma situação dessas como se fosse "brincadeira"... enfim.. texto excelente esse do Robson que faz pensar e tira do lugar.
Ps: fiquei super curiosa com esse livro! vou procurá-lo para ler ;)

Unknown disse...

Aqui em Natal/RN tem uma escola chamada "Escola Doméstica", que era um internato, hj escola regular, para moças aprenderem tudo isso do curso mais o ensino básico. A maioria das alunas com quem convivi eram frescas até o limite. Acho que se a escola fosse unissex, até que a ideia de aprender etiqueta e arrumar a casa ñ seria tão pérfida. Mas maquiagem para garotas de 8 anos?! Vc tá destruindo a infância das meninas!

Valéria Fernandes disse...

Tenho este livro. A leitura está interrompida faz algum tempo, mas ele é muito bom.

Mariana. disse...

Não tem nada demais, qual é. Não estão ensinando nada ilegal, não é obrigatório estar nesta escola então não tem nada de errado, vocês fazem muito barulho por nada, neste caso.

andrea saores disse...

"Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.

Então, a rã pulou para o seu colo e disse: Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei- me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre...

E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: Nem fo...den...do!"

Nana disse...

Mesmo hoje a Disney mudou seu conceito de princesa. Basta ver o comercial mais recente deles:

https://www.youtube.com/watch?v=qUGnu0gXtn4

Acho que a escola abordou de maneira meio torta a questão das etiqueta, associando isso a ser "princesa" - há todo um imaginário na palavra e uma coisa não tem de necessariamente ter a ver com a outra. Aprender costumes da realeza de outros países é pataquada. Escolas de etiqueta, porém, são super legais, porque além de aprender a pôr uma mesa você também aprende economia doméstica, pregar botões, a ter postura - coisas que deveriam ser ensinadas na escola por ter aplicação prática maior que muita coisa. E além do mais, são para ambos os sexos.

Quando eu tiver filhos (e espero ter uma menina - educar um menino para ser feminista deve ser um esforço imenso) espero mantê-los suficientemente longe de rótulos de gênero para que brinquem do que quiserem e não tenham frescuras "de menino/de menina". Mas ser uma princesinha rosa na infância, assim como ser uma patricinha rosa na idade adulta, não determina posições ideológicas, necessariamente.

Repetindo o que as demais disseram, equilíbrio, gente. Equilíbrio.

Mariana. disse...

gente, é um curso de etiqueta! acho válidíssimo saber distinguir os talheres de uma mesa.

Roxy Carmichael disse...

ô meu jesuisinho amado
toda vez a mesma coisa
uma reflexão sobre procedimentos estéticos: comentaristas que só olham pro proprio umbigo indignadas porque alguem fez UMA (umazinha!) reflexão sobre maquiagem, dentre milhões de conteúdos que incentivam o uso irreflexivo de cosméticos. pra quem diz que é princesa e é feminista: o que vcs querem, aplausos entusiasmados? se estivessem tão ok nessa lógica de "equilíbrio" de vcs, nao íam se dar o trabalho de gritar em alto e bom som: "ei, eu faço isso, mas eu sou feminista!" será que vcs conseguem entender que o mundo nao gira em torno de vcs e ainda que essas tradições possam ser resignificadas, é BEM importante pensar na simbologia delas?pq assim essa idéia de princesa tem a ver com uma ideia completamente irracional de monarquia, só pra começar. e na época da monarquia, mulheres nada mais eram do que mercadorias que eram intercambiadas entre homens. o mesmo com casamento. quer seguir essa palhaçada do seu noivo "pedir a sua mão pro seu pai", usar branco pra provar a sua "pureza" (mercadoria lacrada) e entrar na igreja com seu pai que vai te entregar pro outro homem, que é o seu marido, tudo bem problema é seu,vc é livre pra fazer as escolhas que quiser e depende da aprovação do conselho de feministas, agora não tentem ignorar tudo isso e jogar uma "roupagem feminista" pq não vai colar não.

Roxy Carmichael disse...

eu tb acho IMPORTANTÍSSIMO saber diferenciar um copo de vinho branco de um copo de vinho tinto quando temos milhões de famintos pelo mundo, quando vivemos num país com uma histórica desigualdade social, assim quando eu saio do restaurante carão onde eu soube diferenciar os copos e os talheres, dou uma moeda de cinco centavos e ainda faço a fina filantrópica...ainda bem que eu aprendi isso no curso de princesa! que vc tem que ter maneiras pra se diferenciar do povão, mas que é cool tb ajudar o povão dando esmola, jamais estudando processos historicos e contestando um sistema de castas e de privilégios que operam em pleno regime democratico e republicano...

Anônimo disse...

Mariana. disse...
gente, é um curso de etiqueta! acho válidíssimo saber distinguir os talheres de uma mesa.

Espero do fundo da alma que você esteja sendo irônica caso contrário por favor cala a boca.

Anya disse...

Adoro as princesas butthurt aparecendo no post "eu uso maquiagem e sou feminista","uso salto e sou feminista" WOW congratz quer seu troféu agora/depois ou só uma menção honrosa de que ser humano fantástico você é por se encaixar no padrão e porque alguém fez uma crítica as White feminists já aparecem em peso.

Sara disse...

simplesmente amei Andrea kkkkkk.....

Anônimo disse...

Adoro você Roxy! Tem muitas comentaristas ótimas aqui, mas concordo totalmente com tudo que Roxy disse, porque diabos alguém se incomoda em questionarmos algo tão sério como se tudo fosse "só uma brincadeira"? Para essas pessoas a vida é uma brincadeira? Talvez numa posição confortável financeiramente dê para ver dessa maneira, mas adotar todos os aspectos de uma época sombria da humanidade e passar essas coisas para as crianças como se fosse brincadeira, como se não tivesse nenhum motivo sério para se preocupar com elas brincando de adultas elitistas é um absurdo.
Qual o próximo passo, brincar de fazer a janta pro marido? Ops, fogões de brinquedo já existem. Só falta o curso de "esposinha". Que tristeza, não dá pra comprar livros bons para as crianças? Não dá para elas brincarem de algo mais natural e infantil?
Uma coisa é se opor a liberdade das pessoas, outra é questionar para onde elas estão caminhando sem enxergar. Ou os pais sabem de onde vem esse conceito de "princesa"? Acho que não. A menina vai estudar a história do mundo e duvido um pouco que ela continue achando linda essa história de princesas. Tem que ter uma certa falta de empatia pelas pessoas que sofreram tanto, especialmente as mulheres, que realmente eram mercadorias vivas. Não dá pra acreditar em todo perfil de internet, e é tão chato isso, ter gente desocupada a esse ponto, de ficar se passando por coisas que não existem só para dizer que "poderia existir". Eu diria que esses mascus são crianções, mas as crianças (geralmente) são tão puras.
E esse é o ponto, as crianças podem brincar do que quiser, para elas É só uma brincadeira, mas depende de nós adultos proporcionarmos coisas mais mentalmente saudáveis que esses resquicíos medievais.

Sara disse...

Posso até achar uma tremenda estupidez essa escolinha de princesas, mas mais lamentável ainda são as "feministas"q se acham no direito de cagar regras de como uma mulher feminista deva se comportar, vestir, falar, pensar etc etc....
Não da pra padronizar, alem do q cada uma de nós tem suas ideias do que é aceitavel ou não, portanto, é no mínimo injusto ficar ditando suas próprias regras sobre as outras.
Acreditando na igualdade deveria ser o nosso consenso, se a fulana quer se vestir de princesa ou de ogra, o problema é dela, isso não deveria invalida-la como alguem que deseja lutar pelo feminismo.

Sofia disse...

Parece que algumas pessoas são formadas em 'Como lançar argumentos simplistas em uma discussão'.

Então, o máximo que vossa senhoria tem a dizer é que 'vende porque tem quem compra'? Pelamor,né.

Lembro do martírio que era comprar material escolar. Todos os cadernos de boa qualidade disponíveis se encaixavam em dois grupos: de carros e super heróis ou princesas, Moranguinho e demais criaturinhas fofas. Eu perguntava se tinha algo mais "básico" com a mesma qualidade e a resposta sempre era negativa.

Nós incorporamos valores da nossa cultura. As meninas não nascem com vassourinhas grudadas nas mãos, é toda uma propaganda que transmite a mensagem de que isso é natural para elas. As mulheres da sua família que realizam todos (ou a maior parte) afazeres domésticos passa uma mensagem. Nem mesmo o rosa, cor da roupinhas que os pais escolhem para as meninas, é naturalmente algo que as agrade.O rosa já foi uma cor masculina. O fato dos brinquedos destinados a elas serem sempre rosas, exerce uma influência, mas não é natural a preferência feminina por essa cor.

A indústria trabalha com esteriótipos de gênero. É importante a desconstrução desses valores e a criação de outros modelos. Mas esse lance de "vende porque tem quem compra". Isso, sinceramente, parece argumento de quem não quer discutir o assunto porque "é assim que as coisas são".

Julia disse...

Desde criança, sempre detestei a imposição desse estereótipo e sempre tentei escapar dele. Quando adulta, a gota d'água pra mim foi escutar de outra mulher que "não ficava bem uma menina tão meiga, bonita e delicada" como eu falar "palavras feias". E quando vi esse vídeo, a única coisa que me veio na cabeça foi: para cães, adestradores, para mulheres, escola de princesas!

Nigel disse...

"Fora o engajamento filantrópico, não parece ensinar as meninas a se tornarem mulheres decididas, independentes e dispostas a mudar as raízes dos problemas do mundo -- entre eles a divisão da sociedade em gêneros opostos e a própria diferenciação sociopolítica entre princesas moradoras de palácios e mulheres comuns."

Hum, um comentário muito interessante. O título fala sobre "adultização de meninas". Também se fala que crianças deviam é ocupar o tempo brincando. Mas ensinar garotas sobre a divisão da sociedade em gêneros opostos e a diferenciação sociopolítica entre a nobreza e a plebe de épocas passadas também não seria uma forma de adultizá-las? Não que isso seja inválido, mas honestamente, eu acho que a maioria das garotas iria se divertir mais na tal escolinha de princesas do que ouvindo palestras sobre divisão de gênero, misoginia, patriarcado, Backlash, culpabilização de vítimas de estupro, etc.

Karina disse...

Como disseram acima você lê um bom texto e vai ler os comentário e então dá um puta desânimo. Só um adendo e que tbm já fizeram, aculturação não existe, o que existe é a inserção de outra cultura em outra.

Em nenhum momento o autor disse que as meninas que frequentam essa escola não serão feministas, decididas e afins. O texto é sobre os valores, a ideia que é perpassada num curso desse e o valor que está por traz de um curso como esse. Por mais que a Disney produza novos modelos de princesas, o modelo que foi construído historicamente e que está no imaginário comum até hoje é o de princesa enquanto símbolo máximo da feminilidade que por sua vez se traduz como submissa, hétero, frágil, indefesa, a espera do príncipe encantada, dentro dos padrões de beleza, fútil, rica e dentre outras coisas e portanto são esses mesmos valores que estão sendo perpetuados. As meninas podem se desvincilhar disso e se tornarem o oposto disso? É claro, mas isso não muda o fato desses valores estarem sendo transmitido.

E algumas disseram acima que fizeram cursos semelhantes e depois iam brincar na rua, jogar vídeo game , não generalizem um caso particular,não é pq com vcs foram assim que com as outras crianças tbm serão, não podemos prever o quanto essa preocupação com beleza e bons costumes afetarão - e mesmo se afetarão - a essas crianças, ao meu ver elas não deveriam estar preocupadas com isso, quanto mais sendo estimuladas a isso.

E sobre "é só diversão, não gosta não coloca o filho". Não dá pra banalizar e reduzir as coisas sendo que tudo, mesmo uma piada ou uma escola é produzida a partir de valores e por conseguinte os refletem. Então temos que problematizar tudo que pode vir a perpetuar valores que de algum modo perpetuam a opressão.

Anônimo disse...

@Sofia, aí que está. Se há mais cadernos com carros ou princesas, é porque a maioria quer comprar produtos desse estilo. Você acha que se boa parte dos consumidores procurasse um caderno mais básico, como você fez, a indústria não se adaptaria? Ela seria obrigada a mudar.

Quanto ao rosa, eu não acho que seja uma construção totalmente cultural. Historicamente, o rosa tem sido favorecido por mulheres e garotas em culturas tão diferentes quanto EUA, Japão e Egito. Apesar de haverem épocas em que não havia qualquer preconceito com homens vestindo rosa, essa cor sempre teve alguma associação com o feminino. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto de Neurociência da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, essa preferência indicaria uma característica evolutiva obtida a partir de milhares de anos coletando frutos de tons avermelhados: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1842330-EI1827,00.html

Anônimo disse...

"Espero do fundo da alma que você esteja sendo irônica caso contrário por favor cala a boca."

Ok, vamos esclarecer algo: que direito você tem de mandá-la calar a boca? Se você discordar de uma idéia, ela deve ser silenciada? Por quê você pode mandar alguém se calar e ela não pode nem mostrar alguma opinião?

SUPER-ANÔNIMO disse...

Viva a monarquia brasileira! Tenho fé que um dia, talvez daqui a muito tempo, mas um dia ela irá voltar. Algumas vantagens do regime monárquico: http://www.promonarquiabrasil.blogspot.com.br/

lola aronovich disse...

Ai, Nigel, pelamor, hein? A codificação rosa das meninas é algo muito recente. Quando eu era criança e adolescente (décadas de 60/70/80) o rosa já era associado a meninas, mas nem de longe que tudo que as meninas usavam precisava ser rosa. Já escrevi sobre isso. E psicologia evolucionista pra justificar os motivos capitalistas de ter cor pra meninas... Não, não faça isso. Pega mal.


Gente, ninguém está querendo fechar a escola de princesas. Mas temos todo o direito de criticá-la e de apontar que é péssimo para a sociedade essa divisão exagerada por gêneros, e esse condicionamento a que meninas (e meninos também, mas um outro tipo de condicionamento) são expostos.
E Roxy, eu te adoro!

Inaie disse...

Minha filha vivia vestida de princesa - e eu sempre deixei. Agora resolveu pintar o quarto de preto - deixei também. Aqui em casa, cada um é o que quer, desde que seja bom carater!

Anônimo disse...

Concordo com a Stéphanie, ser feminista significa poder escolher o que vc QUISER. Que saco isso viu. Maquiagem é ruim, salto alto é ruim...é ruim no sentido de ser algo forçado, agora se uma pessoa se diz feminista e gosta de tudo isso, mais poder para ela.

Anônimo disse...

@SUPER-ANÔNIMO, não dá para acreditar que você está defendendo um regime absolutista, em que o povo praticamente não tem voz! Deixa de ser sem-noção, cara!

Anônimo disse...

Eu também acho válido discutir sobre porque as princesas são pacifas, etc, discutir as coisas que oprimem, mas ser feminista é acima de tudo poder escolher o que vc quiser. Eu leio muito blog feminista em inglês e eles parecem já ter ''adotado'' essa medida mais do que aqui. Sempre temos posts beirando a ironia falando de saltos e maquiagem, como se ''respeita'' quem usa mas como é péssimo e blablabla. Acho que a Lola tinha que trabalhar nisso. Me considero feminista por todos os motivos de respeito, de odiar o machismo, de temer a violência e o estupro, mas gosto SIM de me arrumar, de usar maquiagem, de usar salto e isso não desvaloriza meu feminismo ou a minha luta. Vamos largar a ideia de feminista é suja, mal amada e peluda? Ou na versão menos misógina daqui ''ah sou tão desligada e nem me preocupo em usar salto, sou superior a vc bjs''

Obrigada.

Jéssica disse...

Nãooooooooooooo
Nãooooooooooooo

A história das frutas vermelhas! De novo! Como alguém acredita nessa merda?!

Sério que por TODO o continente da África haviam frutas vermelhas? Sério que uma fruta ser vermelha indica que ela não é venenosa, aponto de "Coma frutas vermelhas" ter ido parar supostamente na genética?

Hey, até cerca de 1950 rosa era uma cor MÁSCULA e azul que era virgindade, pureza e blábláblá.

E ao redor de 1900 as crianças usavam branco, e usavam a mesma roupa, geralmente vestidos, independente de sexo.

A divisão rosa/azul surgiu para as empresas poderem vender mais, porque os pais teriam sempre que comprar dois tipos de brinquedos diferentes, caso tivessem filhos com sexos diferentes.

E um adendo, mulheres das cavernas não eram "seres inuteis" que só coletavam e cuidavam da prole, como essas pesquisas fazem parecer, foram elAs que descobriram/inventaram a agricultura (e dizem que também a pescaria, mas não tenho certeza dessa parte).

Ronaldo disse...

Nigel, você seriamente pensa que, porque as mulheres da pré-história colhiam frutas vermelhas, o rosa se tornou a cor preferida das garotinhas milhares de anos depois?

Isso é ridículo. Daqui a pouco você vai aparecer com algum estudo dizendo que os braços das mulheres são anatomicamente mais capacitados a manusear uma vassoura do que a dirigir, devido aos movimentos que as mulheres-das-cavernas faziam, ou outra baboseira do gênero...

Luiza disse...

Tá.

"É só uma brincadeirinha, as meninas vão aprender maquiagem, coisa básica!"

E depois essas mesmas pessoas vão dizer que temos que lutar para mudar a sociedade que desde cedo oprime e força as meninas a se comportarem feito adultas.

E até pessoas com distúrbios cognitivos conseguem se portar com relativa educação à mesa. É só os pais ensinarem, não precisa de escola de etiqueta pra isso.

Enfim, essa escola é mais uma caça-níquel se aproveitando de pais que consideram as filhas princesas.

Roxy, você também merece um beijo na boca!

Sara disse...

um contraponto a essa escolinha de princesas....

http://revistatpm.uol.com.br//so-no-site/notas/rock-e-para-sua-filha.html

respeitar a diversidade é muito mais legal....

lola aronovich disse...

Gente, mas que saco! NINGUÉM aqui tá dizendo o que uma feminista pode ou não fazer. Feminista que quiser usar maquiagem, ué, usa, alguém aqui criticou? Dizer que não usa é criticar? Criticamos a IMPOSIÇÃO de usar maquiagem. Salto alto é ruim mesmo, não tem o que negar, qualquer ortopedista e podólogo diz isso, mas quem quiser usar salto alto que use. Ninguém aqui está criticando escolhas INDIVIDUAIS. Estamos criticando padrões de uma sociedade. E, sério, acho que dá pra usar maquiagem e salto alto e mesmo assim achar ruim que meninas de 4, 8 anos usem maquiagem e salto alto, não?
Putz, gente, esperar esse tipo de comentário de mascu é uma coisa. Mas feminista não conseguir ver que a crítica não é individual, e sim uma crítica a imposições da sociedade, é dose...

lola aronovich disse...

Ish, não foi o Nigel que falou a abobrinha do "rosa pra meninas é natural, tá provado pelos psicólogos evolucionistas que gostam de frutinhas vermelhas". Foi um anônimo. O Nigel só disse que a gente gostaria de sentar as meninas que frequentam a escola de princesas (e qualquer outra menina) pra palestras sobre gênero, patriarcado, misoginia e estupro. Ahã. Foi exatamente isso que o post disse. Que ser contra uma escola de princesas é idêntico a ser a favor de uma escola de doutrinação feminista pra meninas. Não querer uma coisa equivale a querer uma outra coisa -- esse é o pensamento mascu, que não permite grandes abstrações.
Eu morro e não vejo tudo.

SUPER-ANÔNIMO disse...

Anônimo das 18:01, eu obviamente estava falando da monarquia parlamentarista. Aliás, o que não foi democrático foi o GOLPE MILITAR que derrubou a monarquia brasileira e instaurou a república, já que a maior parte da população da época apoiava o regime.

Caroles disse...

Eu tenho sentimentos conflitantes por contos de fadas/princesas... Eu vejo tudo que há de errado neles, mas eu AMO! haha eu cresci assistindo clássicos Disney e eu aaamo as princesas, não consigo evitar.

feministaeu disse...

"Os resultados, que estão publicados na revista Current Biology, indicaram que, para a escala azul-amarelo, homens e mulheres preferiram o azul."

Engraçado, eu consigo pensar em várias frutas amarelas, mas frutas azuis...ajudem aê, mascus!

Luci

Beatriz disse...

Lanço aqui a pergunta de 1 milhão de dólares: e se um menino quiser entrar na escola, pode?

Priscilla Franco disse...

Ainda não tenho filhos, mas refleti sobre a escola me imaginando mãe de uma menina, e ela não me preocupou nem um pouco. As histórias das princesinhas estão envoltas em uma atmosfera lúdica em que tudo é possível, vem daí o fascínio. Claro que existem milhares de lições de moral embutidas ali. Claro que muitas delas acabam defendendo certos aspectos do patriarcado. Mas elas fazem parte da cultura, foram escritas em outro contexto, e é isso que eu vou fazer questão de mostrar para a minha futura princesinha/guerreira/mutante (ou qualquer outro personagem lúdico com que ela se identificar). Pretendo fazer isso tão logo ela tenha o mínimo de maturidade para entender. Não dá para evitar que nossos filhos tenham contato com influências que não são assim tão positivas. O que dá para fazer é mostrar sempre o outro lado, dar informação suficiente para que eles possam discernir, e não tentar fazer isso por eles. Para mim, determinar que a minha filha goste de rosa é tão prejudicial para a sua formação quanto determinar que ela deteste essa cor. Se eu deixaria que minha filha participasse de uma escola assim? Com certeza. Pra mim tudo aquilo ali não passou de uma grande brincadeira. Elas não se maquiavam para seduzir o príncipe, mas para tomar chá com as amigas. Elas não usavam vestido para ficarem sedutoras, mas porque é assim que as princesas se vestem. Aquelas mesmas princesas que comem maçãs envenenadas e perdem o sapatinho de cristal... Então não vejo adultização nisso: elas não querem ser adultas, querem ser princesas. Tão logo a minha filha chegasse em casa, eu ofereceria outros temas para brincar. Simples assim.
O problema então não está na escola, que aliás, não passa de uma colônia de férias em que deve ser entediante participar mais de uma vez. Só se torna um problema quando os pais resolvem levar a brincadeira a sério, e trazem esses valores para a educação de suas filhas...

Eva disse...

"A ESCOLA DE PRINCESAS foi criada para levar ao coração de meninas, valores e princípios morais e sociais que as ajudarão a conduzir sua vida com graça, sabedoria e discernimento. (...) Podemos aprender a aplicar os atributos de caráter e comportamento de Princesa em tudo o que fazemos na vida. É sobre a tratar a todos com bondade e generosidade, ter valores e princípios imutáveis independentes de modismos"

AHAM, quem estudou ao menos um poquiiiinho de história sabe que o que MENOS tem na história da realeza são valores sólidos e bondade, não?

Está na hora desse pessoal rever seus conceitos sobre a nobreza...

Priscila disse...

Anônimo das 12:30,

e você acha que essas coisas vendem por quê, hein? Porque as meninas já nascem gostando delas?

Ronaldo disse...

Putz, desculpa aí, Nigel. Eu só vi o comentário da Lola e me confundi.

Anônimo disse...

Que nojo.
Estéphanie: seu exemplo pessoal NãO interessa. Aqui discutimos questões sociais, que extrapolam a individualidade. Isso vale p/ tod@s que insistem nesses cometários.
Vc tem toda razão Lola, isso é cansativo, as pessoas tomarem as discussões para si, como se fossem o centro do universo. Vamos crescer? Vivemos em sociedade e sim nosso desejo é moldado nas relações intersubjetivas, como por exemplo, nas relações na escola, que aliás é uma fase pouco importante né... (isso foi ironia p/ os tendem a interpretar tudo no concreto). Vamos pensar nas consequências que esse tipo de educação p meninas geram por favor? Crianças precisam brincar e não ter cobranças em relação a um ideal que elas nem podem compreender bem ainda, principalmente se esse ideal for um modelo tão repressor da individualidade. Certo? Ragusa



Priscila disse...

A Jéssica já comentou sobre a questão do rosa ter sido primeiro associado à masculinidade, mas achei um texto tão legal no Cracked sobre o assunto que preciso compartilhar:

http://www.cracked.com/article_19780_5-gender-stereotypes-that-used-to-be-exact-opposite.html

Tomo a liberdade de transcrever um parágrafo aqui:

Luckily, all our gender issues were heartily resolved by the 1910s, when it was decided that we'd assign colors to each "team": blue was for girls and pink was for boys. No, that's not a typo: A 1918 editorial from Earnshaw's Infants' Department stated that pink was "a more decided and stronger color ... more suitable for the boy; while blue, which is more delicate and dainty, is prettier for the girl." It makes sense: Pink is the color of a nice, raw, manly steak, or the blood of your enemies splattered on a white uniform.

Ou seja, claro que todos os outros estereótipos de gênero persistiram, mas o das cores se inverteu completamente.

O texto também desmonta outros estereótipos, como aquele que associa o choro com a feminilidade - again, já foi exatamente o contrário - e o do "espaço" do homem e da mulher na sociedade. Vale a pena ir lá ver mesmo que você não seja um mascutroll.

Sara disse...

Uma de minhas filhas desde bebe ja fazia suas escolhas, nem eu nem o pai delas tivemos nenhuma influência em suas preferências.
Eu sempre acreditei q ela era muito mais influenciada pela midia, principalmente TV do q por mim.
Ela cansou de usar roupas e ter atitudes que jamais eu passei a ela.
Adorava dançar boquinha da garrafa, seu traje normal era uma fantasia de princesa, qualquer uma, ela tinha todas, pois implorava por elas como presente, são raras as fotos da infancia dela em q ela não esteja usando esse tipo de fantasia, tb gostava de ganhar perucas, pois ela quase não tinha cabelos quando criança.
Quando ela entrou na adolescencia resolveu q queria ser gotica, e faltou pouco para q ela pintasse até seu quarto de preto, pq as roupas, unhas e acessórios eram todos dessa cor.
Ela foi passando por muitas fases, e eu cheguei a temer q nunca ela iria se interessar pelo feminismo, mas isso não aconteceu hje ela se interessa e participa.
Embora eu nem sempre ficasse satisfeita com as escolhas dela, sempre as respeitei.
Como alguem ja disse por aqui é muito dificil tirar a influência da midia de nossos filhos, eu não fui apatica, tentei passar os valores q eu considero corretos, mas nunca impus nada, acredito q a individualidade de cada um deva ser respeitada.

Claudia disse...

Ah, Lola, o que mais se ve nos COMENTARIOS dos seus posts eh o que as feminista podem ou nao fazer. Nao vejo isso nos seus posts de forma alguma, mas sempre vem um monte de gente falar que eh feminista e nao usa maquiagem, que nao quer ser mae, que nao usa salto, bla bla, bla. Parece que vira regra e qualquer pessoa que esteja fora nao pode participar do "grupinho". Ate parece que o feminismo eh um clube fechado, que precisamos passar por provas para entrar. A Sara comentou no ultimo post sobre o FB, que tentou entrar para alguns grupos, mas que "a carteirinha de feminista só sera dada se a pessoa for assim assado" (frase retirada do comentario dela). E eh a minha impressao tambem, parece que temos que ter sempre as mesmas opinioes senao nao somos consideradas feministas (veja as pessoas mandando as outras se calarem ai em cima).

Siena disse...

Alguém por favor cria uma escola das feministas?
La a gente ensina o papel da mulher na sociedade, a descriminação q sofremos, a mal do machismo e o q podemos e devemos fazer para mudar essa realidade.

Não tem uma empresária feminista com dinheiro sobrando ai não?

Juliana disse...

Enquanto isso as campanhas anti-homofobia nas escolas são super criticadas...tsc tsc tsc
Uma escola para princesas é uma inutilidade pública total, põe a filha lá quem quiser mas pelo menos admita que aquilo lá não serve pra poha nenhuma.
Nem pela parte da etiqueta é válido, quantas pessoas tem o "privilégio" de comer em uma mesa com vários talheres diferentes?
A maioria plebéia, não. Etiqueta é para um grupinho seleto, o certo é que todos tenham EDUCAÇÃO.
Nossa mundo tá muito ruim e as crianças expostas demais para perderem tempo com futilidades.
Entre a princesa boazinha, passiva e indefesa e a guerreira valente, destemida e decidida, fico com a última.

Nêmesis disse...

E vieram citar essa porcaria de pesquisa aqui, pra mim? PQP! Eu já vi reportagem semelhante (e mais completa) na BBC. É sério que querem usar ciência pra provar preconceito?

Se o rosa é, naturalmente, ligado à feminilidade, então por que diabos era uma cor masculina?
A única coisa que essa pesquisa (que está muito da incompleta) serve para provar é que anos de marketing empurrando a cor rosa para as meninas surtiu efeito. Repetindo: o rosa era uma cor masculina.

A questão dos cadernos é semelhante. As meninas não nascem gostando de Moranguinho, fadas ou o escambau. Essas coisas são empurradas para as crianças todos os dias, nos comerciais de seus desenhos animados favoritos, nas caixas dos brinquedos, nas mensagens que são transmitidas por todos os lados. É importante trabalhar essa questão e mostrar outros modelos, porque é impossível que as meninas não tenham contato com isso.

Isso me lembrou os vídeos da Anita, do Feminist Frequency, sobre o Lego. Apoio totalmente um post sobre isso, Lola. =)

Anônimo disse...

acho válidíssimo saber distinguir os talheres de uma mesa.

uhauhauhauha se isso foi uma ironia, eu concordo. é realmente importantíssimo, de suma importância xD

Anônimo disse...

nada como uma dose de tradicional família mineira (vale pra qualquer lugar do interior, do norte ao sul) pra me fazer rir

Anônimo disse...

uma menção honrosa de que ser humano fantástico você é por se encaixar no padrão e porque alguém fez uma crítica as White feminists já aparecem em peso.

you can say that again, i couldn't agree more

Anônimo disse...

pois é, jessica, esses psico evo são tão pirados que nem percebem que oq eles falam não condiz com a história recente. você tem toda razão sobre as roupas, os meninos no começo do século XX usavam camisolas que hoje seriam consideradas femininas, meu avô tem fotos vestido assim e meu tio mais velho também

e sobre o azul representar pureza eu nao sabia, mas faz todo o sentido: basta ver a cor que costumam representar o manto de virgem maria (azul claro), e a cor que costumam representar a roupa de figuras masculinas na igreja (vermelho)

lola aronovich disse...

Claudia, entendo que algumas pessoas se sintam assim, mas acho que há comentários isolados do que uma feminista deve ou não fazer ou ser. Só comentários isolados. Creio que a maior parte das pessoas que comentam aqui (tirando os trolls) pensa algo parecido ao que eu penso, que é "viva e deixe viver", que é que cada feminista (e cada pessoa) deve fazer suas próprias escolhas, e que não há interesse em criticar comportamentos individuais, só imposições ou comportamentos da sociedade. Eu e muita gente dispensamos totalmente essas regras que pra ser feminista precisa ser isso ou aquilo. Não existe clubinho feminista, nem carteirinha de feminista, nem feminista na porta dizendo quem entra e quem não entra.
Cada feminista deve fazer suas próprias escolhas. Mas, obviamente, nem todas as escolhas são feministas. Uma feminista tem toda a liberdade de, sei lá, adotar o sobrenome do marido quando casar. Mas essa não é uma atitude feminista, a meu ver. E eu vou criticar essa imposição da sociedade em fazer com que mulheres adotem o sobrenome do marido. Mas nem em mil anos vou apontar o dedo no nariz de uma feminista (ou de qualquer mulher) e dizer "AHHH! Vc adotou o sobrenome do marido, sua traíra do movimento!".

Juliana Borges disse...

Acho importante que cada criança independente do sexo faça suas escolhas de acordo com a propria individualidade e não visando o q os pais ou a sociedade impõem.
Tenho uma afilhada que sofre com isso com os pais. A menina tem 3 anos e não gosta de absolutamente nada relacionado a princesas, rosa, bonecas, vestidos, etc.
Seus pedidos sempre são guitarrinhas, baterias, carrinhos, video games.
Quando uma tia lhe deu um vestido, ela disse na lata que não usava vestidos e q queria uma calça jeans.
Quando perguntam qual pricnesa ela é, responde que é o Ben 10.
Eu acho isso incrível, a capacidade de uma criança tão pequena de fazer suas escolhas, de ter sua individualidade sem se ater aos caprichos da mídia e não ser influenciada pela sociedade machista.
Mas é uma pena que seus pais não pensem assim, e apesar das minhas inúmeras conversas tentando convencê-los de q isso é normal, eles não aceitam. E a criança q sofre com isso.
Como uma vez na festinha a fantasia q teve na escola, ela queria mto ir de homem-aranha. Compraram a fantasia do homem-aranha e uma de princesa com a intenção de convence-la a ir de princesa.
No final das contas, ela não cedeu a pressão dos pais, não se vestiu de princesa, e os pais preferiram não levar a menina na festinha pra brincar do q deixa-la ir de homem-aranha.
A mãe fica brava quando ela escolhe uma estampa de camiseta do batman ao invés de uma bailarina, quando ela escolhe uma bola ao inves de uma boneca. E eu me pergunto o porquê disso, sendo q ela devia ficar feliz por sua filha ter opinião em meio a tantas crianças levadas pela mídia...

Sara disse...

Lola é por esses seus posicionamentos que tanta gente te adora e te segue, vc seria uma exelente lider sabia??

Lays, mãe e tudo o mais. disse...

Eu tinha visto esta matéria e meu sentimento foi o de torcer que o apocalipse realmente acontecesse.

Primeiro, não sou contra as pessoas aprenderem noções de educação. Educação, veja bem. Não etiqueta, que nada mais é do que um monte de normas inventadas para que a elite tradicional se diferenciasse tanto da plebe quanto dos "novos-ricos".

Segunda, o grande problema é a normatização das crianças no papel de "princesa". Ok, podemos dizer que existem muitos tipos de princesa, mas essa escola ensina justamente o modelo "princesinha na torre esperando o príncipe".

E no fim, se formos ver, não são as meninas que escolheram. As meninas tiveram essa fantasia alimentada pelas suas mãe, que por sua vez foram alimentadas pelo contexto em um ciclo que não vai terminar tão cedo... desanima.

Lays, mãe e tudo o mais. disse...

Eu tinha visto esta matéria e meu sentimento foi o de torcer que o apocalipse realmente acontecesse.

Primeiro, não sou contra as pessoas aprenderem noções de educação. Educação, veja bem. Não etiqueta, que nada mais é do que um monte de normas inventadas para que a elite tradicional se diferenciasse tanto da plebe quanto dos "novos-ricos".

Segunda, o grande problema é a normatização das crianças no papel de "princesa". Ok, podemos dizer que existem muitos tipos de princesa, mas essa escola ensina justamente o modelo "princesinha na torre esperando o príncipe".

E no fim, se formos ver, não são as meninas que escolheram. As meninas tiveram essa fantasia alimentada pelas suas mãe, que por sua vez foram alimentadas pelo contexto em um ciclo que não vai terminar tão cedo... desanima.

Dree disse...

Quanto ao fato de o rosa ser a cor das meninas naturalmente, tenho que lembrar que nem mesmo as princesas disney originais vestem rosa, a Branca de neve usa amarelo, azul e detalhes vermelhos, a Cinderela, usa só azul e a Bela (da fera) usa amarelo, ou seja a ditadura do rosa e tão recente que nem nos meados do início das animações da disney foi usado o rosa ditatorial nas princesas.
Pra quem acha que essa onda de princesa não é prejudicial, vou deixar um trecho de um poema, retirado de um livro que minha filha, de um ano, ganhou:

Eu amo ser princesa, adoro ser princesa, adoro não me preocupar e nunca me esforçar (...)E quando eu digo que quero "assim", insisto até o fim, se peço algo pra comer me servem com prazer, meu servo sempre a dispor, por que? porque eu mereço. (...) Eu tenho os melhores criados, quem não quer ter um vestido assim?, quem não quer ser igual a mim? E ser fina como eu sou?(...)Eu amo ser princesa , eu amo ser princesa, ninguém vai contestar eu nasci para reinar(...)

Não sei a escola referida é assim, mas não duvido muito.
Depois dessa não dá pra achar que essa onda de princesinhas não é nada demais, é difícil passar outros valores quando tudo ao redor passa valores tão opressivos disfarçados de atitudes de realeza.

Li disse...

o robson realmente escreve bem, ótimo post!

Aninha disse...

Poxa, Lola, eu achava que só eu no Universo não curtia esse negócio de ganhar o nome do marido!

O fofo do meu noivo, além de não achar que tem que por o nome em mim, já disse que nossos filhotes terão o meu sobrenome, porque é incomum e se um dias eles quiserem publicar artigos, vai ser melhor \o/

Mas vou falar, essa discussão tá chata para cacete. Gente, ninguém quer queimar a escola e tirar a guarda dos pais das meninas matriculadas. E ninguém liga a mínima se uma mulher se veste de princesa, vampira ou pepino. A crítica é impor a crianças um determinado padrão, ensinando que é errado ser de outro modo. Ainda mais porque sabemos que poucas de nós crescerão e manterão o padrão Disney de princesa (magra, alta, pele linda, voz doce, cabelo fenomenal, uma série de talentos, príncipe lindo e apaixonado)

Cética disse...

"Etiqueta" por etiqueta,ensino a minha sobrinha a falar obrigada e por favor e etc... ,sem que pra isso eu precise incutir,na cabeça dela, a ideia de que isso a torna uma princesa.Tenho calafrios quando alguém a chama assim,não quero isso pra ela,não quero vê-la crescer nesse mundo completamente hostil às mulheres,achando que é especial, ou que,por ter determinado comportamento,isso a faz melhor que as outras meninas (validadoras oi?.

Anônimo disse...

e o q vc me diz desta opinião sobre as mulheres????
http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/o-desejo-da-outra/2013/01/12/

Anônimo disse...

mas oq seria educação? educação pra mim é instruir-se, aprender a pensar, aprender a fazer algo.

os chamados "bons modos" em geral estão muito mais próximos da cagação de regras de etiqueta do que do respeito ao espaço do próximo.

a menina ali disse q é ótimo saber distinguir talheres, quer dizer... oq ela considera falta de educação certamente não é falta de educação para mim.

por exemplo, não colocar a mão nos genitais, no nariz e na bunda é rude pq nao é higienico tocar os outros ou em em objetos em que outras pessoas tocarão depois, com as maos sujas ou mal cheirosas; arrotar ou peidar é rude pq o cheiro incomoda; evacuar, urinar e masturbar-se, obviamente tb sao proibidos. assim como se convem que vc se higienize o suficiente para nao cheirar mal, nem ter mau halito (a quantidade de banhos e os métodos já são problema seu). igualmente rude é gritar para se fazer ouvir numa discussao. e obviamente tocar outras pessoas sem o consentimento delas. isso tudo geralmente é ensinado pelos pais em casa, nao é preciso uma escola de princesas para aprender.

e oq mais? nessas escolas ensinam a respeitar os argumentos alheios? a contra-argumentar de forma lógica? a nao ridicularizar alguem pela aparencia, vestimenta, ou qualquer coisa superflua do tipo? a tratar as pessoas com a cortesia que gostariamos de ser tratados?

eu tenho uma amiga que é muito fina, sabem. nasceu riquinha e aprendeu diversas regras estúpidas sobre como se diferenciar do povo. mas ela é grossa e mal educada. incapaz de sorrir para estranhos, está sempre com cara de nojo para as pessoas. ela tb nao sabe pedir as coisas, dá ordens. num tom de voz baixo e polido, como ensinaram, mas ainda assim, nem parece q o outro lado é um ser humano.

quando eventualmente alguem nao a paparica, nao acata tudo oq ela diz, ou a critica, ela se sente atacada, desrespeitada, ainda que a criatura nao tenha faltado com respeito a ela.

enfim, minha amiga tem complexo de princesa e se acha superior às pessoas. e é isso q essas escolas ensinam.

Anônimo disse...

Ensinar a queimar sutias e que os homens são seres hostis ou se vestir de princesa e não enxergar os homens como perpetuadores do patriarcado maligno...

Na real todo mundo quer impor a propria visão de mundo nos outros em especial nos filh@s...

Anônimo disse...

Pois é Lola, vc falou em sobrenome e eu me toquei...
Me casei aos 21 anos e não queria de jeito nenhum adotar o sobrenome do meu marido.No dia que fomos ao cartório, a escrivã perguntou diretamente pra mim: quer mudar seu sobrenome?( ela me olhou nos olhos... e parecia não querer saber a opinião de mais ninguém...devia ser feminista...); eu disse que não , que queria manter o mesmo. Na mesma hora os familiares se revoltaram , me pressionaram e eu recuei...Hoje tenho tanta raiva de mim mesma por não ter sido firme ...odeio o sobrenome que não é meu, que me foi imposto, meio que emprestado e que a qualquer momento pode ser tomado...

Shey disse...

Falando em Ruth Rocha, ela é diva, gente:


Essa história dela é uma das lembranças mais gostosas da infância:


"Gabriela E Teresinha"

http://www.blogintest.com.br/2011/10/voce-gosta-historias-infantis.html

Mihaelo disse...

Anônimo das 17:35

as frutas avermelhadas então comprovariam que as mulheres prehistóricas eram marxistas,maragatas dos quatros costados e coloradas milhares de anos antes do surgimento do movimento marxista e da fundação do Partido Libertador e do Sport Clube Internacional!!!(hhahahahahahahahah)
Mas aqui no Rio Grande todas as mulheres e os homens também, só preferem vermelho ou azul!
No Jornal da UFRGS deste mês tem uma reportagem sobre a esquina maldita, que era um local em frente ao Campus Central onde havia vários bares onde se reuniam militantes contra a ditadura.A foto de um desses bares,o Alaska, feita no final dos anos 60 mostra somente homens, alguns de terno e gravata. É incrível que apesar de já haver algumas poucas mulheres na Universidade, elas não frequentavam os bares, pois isto era considerado uma atividade tipicamente masculina.
As Casas dos Estudantes até 1980 não aceitavam mulheres, o que fazia com que mulher interiorana que não fosse rica para pagar aluguel de apartamento tendo que conseguir fiador(algo extremamente difícil) não pudesse cursar a UFRGS!
Na publicidade da VW publicada na revista Realidade em 1972 está escrito:"Por isso, o Fusca é o primeiro carro de um homem." Estava dado como um fato da realidade social da época que mulheres não compravam e dirigiam autos.
Ou seja os estereótipos de que mulheres, negros,índígenas ou homossexuais não podem fazer algo estão intimamente relacionados ao controle da economia e à posse de riquezas, a um "apartheid" social como se percebe através desses exemplos.
Há milhares de crianças abandonadas nos abrigos e um número muito maior de casais querendo adotar. Apesar disso a maioria das crianças jamais são adotadas por que elas não se encaixam no padrão consensual de nossa sociedade, isto é de ter até 2 anos, ser menina e branca. Fazer visitas uma ou duas vezes ao ano para levar brinquedos e doces a estas crianças não resolve os problemas de solidão e abandono destes abrigados. A caridade é um mero paliativo social para se dizer que está ajudando, mas sem realmente acabar com a miséria, a pobreza e a injustiça social que geram esses abandonos. Portanto princesas são ultrareacionárias!!!!
É assim com este viés discriminatório social que as pessoas podem ser enquadradas e mantidas nos seus lugares.

Camila disse...

Sabe que pior do saber do absurdo da existência de uma escola como essa é ler alguns comentários de pessoas que não vêem problemas em educar nossas meninas assim...

Renan Barboza disse...

Oi, Lola. Parece estranho, mas a Rede Globo está exibindo uma novela interessantíssima chamada Lado a Lado, que está tocando em questões feministas e raciais de extrema relevância. o "Blogueiras feministas", inclusive, no post http://blogueirasfeministas.com/2013/01/estupro-em-lado-a-lado-aula-de-feminismo-e-boa-dramaturgia/ comenta a sequência em que uma das protagonistas, Laura, sofre uma tentativa de estupro pelo simples fato de ser divorciada. Assunto surpreendente, sobretudo porque estamos falando de uma novela das seis. Verifiquei que a autoria é de uma dupla de novos autores, Claudia Lage e João Ximenes Braga. E, por coincidência, a Claudia é autora de um grande romance que eu já havia lido , chamado "Mundos de Eufrásia", que fala de Eufrásia Teixeira Leite, uma das maiores empresárias da história do Brasil em pleno século XIX. Dê uma olhada nesse post das "Blogueiras feministas". Vale a pena.

Roxy Carmichael disse...

ok, vou desenhar:
vamos supor que as mesmas pessoas que foram pra escolinha de princesas ou que colocariam as filhas lá tivessem um filho homem, e certo dia, na hora do almoço da família brasileira, estão todos sentados à mesa, e sandra anemberg anuncia mais uma relevante reportagem no jornal hoje: escola de machões para meninos que estão perdendo a masculinidade num mundo que tenta fazer com que eles sejam cada vez mais femininos. o empresário mascu dono da escola relata o que é ensinado na escola: ensinamos que os machões como clint eastwood, stallone e van diesel não choram, que eles PRECISAM resolver tudo na base da violencia, ou seja se pediu pra passar o sal e a pessoa fez cara feia, tem que cobrir de porrada, para isso os meninos pequenos machões assistem todas as lutas do UFC. mostramos pros meninos que é importante que eles tenham músculos e por isso eles tem sessões diárias de musculação, claro, tudo adequado ao peso da criança! temos também um curso de pequenos empreendedores que ensina que os meninos precisam ter o próprio negócio porque só assim, com muito dinheiro e sem patrão, eles vão conseguir ficar com as meninas, e quanto mais meninas melhor!
o que vc faz:
a) é um curso de empreendedorismo! e eu acho MUITO importante o meu filho aprender desde cedo a ser empreendedor! quem tá dizendo que um curso assim é prejudicial tá fazendo muito barulho por nada!
b)olha, eu não vejo problema se o meu filho aprender a ser violento, a não compartilhar as emoções, a pensar que mulheres são interesseiras, mas quando ele chega em casa eu explico pra ele que ser machão não é legal (realmente muito producente). porque afinal o mundo do stallone é o mundo da fantasia, claro que tem violencia, mas assim é pura fantasia!
c)eu acho que o meu filho pode aprender tudo isso pq é legal ou é muito válido, e no futuro, tenho CERTEZA ABSOLUTA que ele será um menino muito gentil, que não resolve tudo na violência, que sabe falar dos próprios problemas, porque meu marido viu todos os filmes do stallone e hj é um amor de pessoa. ou seja, não é pq ele fez um curso machista que ele será um machista, ele pode ter aprendido a resolver tudo, absolutamente tudo na porrada, mas ser um feminista!acho que precisamos ser equilibrados!agora o que vcs querem? fechar a escola? dizer que não é legal ensinar a violencia aos nossos filhos?cara, quanta perda de tempo!
d)pra que raios eu vou matricular o meu filho num curso que explica o passo a passo de como ser um babaca machista?

Anônimo disse...

Vão fazer algo melhor das suas vidas... Sei lá, catar frutinhas vermelhas.

Priscila disse...

Anon 14:09

Vai fazer algo melhor da vossa vida... sei lá, catar coquinho.

Anônimo disse...

O problema dos comentários é que ninguém quer pensar parece. Lê o belo texto da Lola e vem escrevendo só o superficial, sobre a escola, sendo que o foco nem é a escola em si, mas as tradições que são passadas meninas e que nunca mudam. Que horas as pessoas irão querer acompanhar o século 21??

Liana hc disse...

Sempre achei interessante ver como uma determinada camada da sociedade é representada a grande detentora dos valores morais e éticos, dignos até de serem matéria de cursinho para "educar" crianças. Afinal, não existe escolinha/cursinho que represente supostos valores de outras camadas sociais mais baixas (que no entender de muita gente está associado a algo negativo, ainda que inconscientemente). Então acho um baita classismo.

Os responsáveis pelas crianças só as matriculam se quiserem, quem não aprova pode ignorar o (des)serviço prestado pela empresa. O que também não impede que o contexto social ali representado receba críticas.

Anônimo disse...

Adultização de meninas? Então está ok para mulheres, adultas, esse padrão de comportamento debilóide da "princesa" que espera pelo "príncipe" que dará sentido à sua existência em troca de (tentar) ser sempre linda, magra e jovem ("feminina"), fazer serviços domésticos para ele e lhe dar "herdeiros"? Me lembra aquela mesma ideologia liberal que de um lado diz condenar a prostituição de meninas menores de idade, mas por outro lado acha ok essa exploração logo que essas mesmas meninas completam 18 anos.

Anônimo disse...

O que eles continuam a chamar de virilidade não é nada mais do que o infantilismo dos homens e feminilidade o infantilismo das mulheres.

— Tiqqun, Materiais Preliminares Para uma Teoria da Jovem-Garota, página 30.

Mirella disse...

Por que tem gente que se dói tanto quando uma reflexão é proposta?


Que saco. Ninguém disse que uma mulher adulta não pode escolher usar maquiagem. A questão é o número imenso de mulheres que fazem isto para seguir o padrão. São ~princesas~ e feministas? Nossa, parabéns. Acho que agora o feminismo não tem mais razão de existir.
Sem paciência.
Só lendo o comentário das 15:49 da Roxy já tá bom. Um doiszão enorme ali.

Moema L disse...

@ Roxy Carmichael

Adorei seu comentário. Alternativa D com certeza.

Se agente for pensar os mascus nem tem uma escola como esse e olha como são.


Eu nunca gostei de princesas, de verdade, eu achava elas bonitas mas as histórias eram tão entediantes. minha mãe acabava inventando outras histórias, todas cheias de aventura uma coisa meio peter pan só que o peter seria uma menina (eu).

Moema L disse...

@ Roxy Carmichael

Estava lendo seus outros comentarios, ainda não tinha lido, simplesmente adorei.
quero saber onde ficam as linhas pontilhadas para que eu assine em baixo.

Raíssa disse...

Isso de meninas "sonharem" em ser princesas é mega relativo e vai muito do q colocam na sua cabeça.
Na minha infância meus pais nunca me deram bonecas bebês, nem barbies, eu escolhia minhas próprias roupas (e se eu tivesse uma ou duas roupas rosas era muito pq eu amava vermelho, roxo e laranja), panelinhas eu só tinha pq eu pedi pq eu adorava brincar de comidinha misturando folhas, agua e barro, meu pais deixavam eu me sujar. Eles me davam vários livros e gibis, eu não tinha nenhum de princesas propriamente dito e nunca tinha sentido falta até q um dia alguem de fora me deu um livrão só com esses contos de princesas, minha mãe e minha tia torceram o nariz pq achavam que todo aquele mundo "princesa style" não era uma coisa tão legal pra mim, mas eu achei as ilustrações bonitas, li, e só, nunca tive essa pilha princesa. Meus pais não estavam tentando me fazer não gostar dessas coisas, eles me deixaram livre pra gostar ou não, mas eles sabiam q eu era uma criança e se eles me apresentassem aquilo como "o certo" eu ia pensar que era mesmo.

Anônimo disse...

Ué, esse blog é o quê? Basta ver os comentários acima para perceber que Lola já espalhou sua teoria feminazi entre as incaltas. Ser feminista agora é cult.

Anônimo disse...

Plágio!!!
Não deu os devidos créditos!!!
E claro vai "moderar" meu comentário.
Não te sigo +.
by http://acertodecontas.blog.br/artigos/escola-de-princesas-papeis-de-genero-e-adultizacao-de-meninas/

Cora disse...



caramba, Roxy!

só agora parei pra ler este post e os comentários.

e o seu...

...foi PERFEITO!

você desenha absolutamente bem.

o seu comentário é a demonstração mais q perfeita do q significa essa escola e a ideologia q ela pretende perpetuar.

subscrevo mil vezes!

um abraço.

Anônimo disse...

Qual o problema das meninas brincarem de princesas???? Aprenderem a arrumar a cama e a mesa??? O que tem de mais nisso??? Quando eu era pequena adorava brincar de casinha e me vestia de princesa e adorava "tomar chá da tarde" com as bonecas...
Não entendo pq esse "feminismo" julga até as brincadeiras de crianças!!! Pq lavar a roupa e fazer comida para o marido te torna algo ruim???? Pq uma menina sonhar em ser uma princesa é algo tão maléfico?????? Pq vcs não vão arrumar a casa, fazer janta, e sentir a alegria que é ver sua família comendo feliz!!!!!! Realmente... é mto mais legal ficar reclamando de td!! ¬¬

Priscila disse...

Realmente, anonimo das 15:05, entendo por que voce acha mais legal ficar reclamando de tudo.

Do comeco ao fim do seu comentario, voce so fez isso.

Tati_Strange disse...

Passando apenas para dar minha humilde opinião, acharia interessante lerem também esse post, a qual identifiquei-me:

http://reinodemorango.blogspot.com.br/2013/02/pergunte-ichigo-princesa-ser-ou-nao-ser.html

***
Sobre a escola citada:

A escola pode ter seus excessos? Pode.
Pode ter sido uma má ideia com uma boa intenção? Pode.

Se a menina quer frequentar a escola por vontade própria, não vejo problemas dela frequentar.

Tudo depende da educação que ela recebe dentro E fora da escola. Pessoas podem ser princesas e príncipes em sua própria definição, em seu próprio contexto e com seu próprio equilíbrio.

Talvez, ao invés de repudiar tal ideia, as pessoas pudessem buscar nela um exemplo de dar + opções para as crianças de terem algo diferente em suas vidas, seja lá o que for.

O importante e esquecido muitas vezes é o respeito e o bom senso. Como já disseram antes, o importante é buscar o equilíbrio, sem extremismos de qualquer um dos lados. ^^

Tenham um bom dia!