quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

GUEST POST: MULHER QUE ESTUPROU UM HOMEM

A S. me enviou este email:

Minha história não deixa de ser uma história de machismo, e de extrema tolerância quanto ao estupro de homens. Sim, ele acontece, e aconteceu comigo.
Estou fazendo faculdade, e um tempo atrás eu e a minha turma viajamos juntos e ficamos todos hospedados no mesmo albergue.
Desde o começo, eu estava interessada em um dos meus colegas, alguns anos mais jovem. Ele tem namorada, e eu tenho namorado, mas ignorei tudo isso e botei na cabeça que tinha que ficar com ele. Minhas primeiras tentativas foram ainda durante as aulas, antes da viagem. Eu percebi que ele era daqueles tipos que dão mole e fazem piadinhas com todas as meninas, inclusive comigo, e como sou muito pró-ativa, apareci um dia na casa dele, com uma desculpa qualquer, apenas para ver se alguma coisa rolava. Conversamos por algum tempo e vi que aquela faceta de Don Juan dele sumiu quando estávamos juntos. Fiquei um pouco decepcionada, mas tudo bem, fui embora conformada.
Alguns dias depois tivemos uma conversinha picante pela internet. Fizemos sexo virtual, mas estávamos ambos bêbados (e sabíamos disso), e ele disse que não queria se lembrar disso no dia seguinte porque éramos colegas e comprometidos. Mas eu ignorei esse pedido e no dia seguinte apareci de novo na casa dele, deixando claro logo de cara que o meu propósito era o de transar com ele. 
Ele me recebeu muito bem, foi muito fofo e delicado, mas disse que não queria trair a namorada, que eu também deveria pensar nisso, que ele quer fazer as coisas direito e não queria estragar a amizade. Confesso que fiquei confusa mas ao mesmo tempo feliz por não ter levado um fora muito feio e vergonhoso. Nossa relação mudou depois disso, ficamos mais amigos, mais próximos e relaxados. Toda aquela tensão parecia ter ido embora.
Mas isso durou apenas até a nossa viagem. Tínhamos que passar alguns dias juntos, e eu já fui pensando em seduzi-lo. Na primeira noite em que ficamos todos bêbados, eu o segui até o banheiro do albergue durante uma festa (o banheiro era unissex) e, quando ele estava saindo, comecei a empurrá-lo para um dos toaletes. Ele repetia "não posso, não posso", e eu só dizia "pode sim". Resultado: entramos no banheiro, abri a calça dele e fizemos sexo. Ele deixou, mas logo depois parou e saiu do banheiro, visivelmente nervoso. Me disse que tinha que ir embora e desapareceu.
Me senti muito mal no dia seguinte, principalmente porque acompanho seu blog e sei exatamente que se fosse com o sexo oposto, isso seria um estupro e ponto. Contei para uma amiga feminista e ela disse que não foi estupro, mas nada me tira da cabeça que foi sim e que sou uma estupradora.
Já tive esse tipo de comportamento (mais agressivo, digamos assim) com outros parceiros, mas estava claro que eles gostavam de mim e estavam curtindo a situação. Essa foi a primeira vez que isso saiu do meu controle, e claro, não posso culpar a bebida, mas acho que estar alcoolizada ajudou para que isso aflorasse em mim.
Nos outros dias continuamos a nos falar e ele ficou incrivelmente carinhoso comigo. Como nunca foi. Uns dias depois ficamos bêbados novamente e dessa vez foi ele quem pediu para fazermos sexo. Fomos ao mesmo banheiro e fizemos tudo novamente, mas dessa vez consentido. E acabou tudo por aí. Voltamos para a nossa cidade e não se falou mais disso.
O problema é que eu continuo achando que fiz algo muito errado, que forcei alguém a fazer algo que não queria. Só porque ele é homem não significa que não possa ser estuprado. Pelo contrário, acho que homens têm a cultura do macho que faz com que sintam que eles precisam aceitar, que não podem reagir a um tipo de ataque desses, que serão frouxos se não fizerem isso. O pior é que tínhamos conversado e ele tinha deixado claro que isso não aconteceria, que não era o desejo dele, mas acabei forçando a barra, simplesmente porque não queria aceitar a rejeição. 
Lola, estou muito confusa. Todas as pessoas para as quais contei isso dizem que não foi estupro, mas no fundo eu sinto que foi, e me sinto péssima. Quero saber a sua opinião e a dxs leitorxs do blog, porque isso está me consumindo. Não sei exatamente como agir com ele, se devo pedir desculpas, tentar corrigir a situação de alguma forma. Estou totalmente sem ação e cada vez mais introspectiva, coisa que não sou.
Me ajude, por favor.

Minha resposta: Muito corajoso seu depoimento, S.
É, eu acho que você tem razão. Creio que foi estupro sim. Se algo muito parecido tivesse acontecido com uma mulher, a gente acharia que foi estupro, certo? Quer dizer, é difícil comparar, porque há uma falsa simetria. De modo geral, homens crescem ouvindo que têm que transar com qualquer coisa do sexo feminino que se mexa (ou até que não se mexa, caso de rapazes que decidem transar com mulheres que capotaram após beber demais). Se rejeitarem alguém, sua masculinidade será posta em dúvida. Quanto mais parceiras sexuais, melhor. 
E pra mulheres é bem diferente. Primeiro que estupro é um medo constante pra gente desde pequenas. Segundo que somos educadas a "nos valorizar" (argh, que termo horrível!), ou seja, a só "liberar" (argh! argh!) sexo pro rapaz certo, quando estivermos apaixonadas ou com o pé no altar. E um monte de mulheres quer fazer -- e faz -- sexo casual, sem compromisso, sem envolvimento amoroso, com um monte de caras. Mas somos severamente julgadas (às vezes pelos mesmos caras com que transamos!) por um comportamento que, no homem, é valorizado. Em outras palavras, é complicado simplesmente reverter a situação.
Mas isso não tira o fato que seu amigo não queria, que ele disse não, que ele já havia dito não antes, e que ele tinha motivos pra não querer transar contigo. A ereção não representa consentimento, a meu ver. Uma mulher pode ficar excitada mesmo sem consentir fazer sexo. Seu amigo até pode ser mais forte que você, mas adotar esse argumento da força não faz muito sentido. Muitos estupros acontecem sem ameaça física, só com ameaças verbais.
O estupro de homens existe, só que quase sempre os estupradores também são homens. Obviamente, pode ser uma situação tão horrível quanto o estupro de mulheres. Por ser muito mais incomum, homens que são vítimas de estupro têm dificuldade em procurar e encontrar ajuda. E, num caso como o seu, a maior parte das pessoas vai pensar que não foi estupro, porque "homem que é homem" sempre quer transar. Essa é uma visão machista. Tão machista quanto achar que mulher feia não é e nem pode ser estuprada, porque trata-se apenas de uma oportunidade de sexo pra ela.
Já é um passo positivo que você esteja arrependida e sentindo-se mal com isso tudo. Eu recomendo conversar com seu amigo e pedir muitas desculpas. Ele provavelmente vai dizer que não foi estupro, porque ele foi condicionado a pensar que homem não pode dizer não. E, se ele quiser encarar o que aconteceu como não-estupro, respeite sua decisão. Ele é a vítima. Ele é quem decide.
Se a conversa com ele não aliviar sua culpa, faça terapia. Eu não quero que você seja punida. Não te vejo como um perigo pra sociedade. Acredito que você nunca mais estuprará alguém de novo. Só espero que você e seu amigo possam se recuperar deste trauma.
E nem quero que você mude seu jeito de ser. É ótimo que mulheres tomem a iniciativa, que vão atrás de sexo (se bem que a opinião do seu namorado está faltando aqui -- espero que vocês tenham um relacionamento aberto). Mas sempre com consentimento.

215 comentários:

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Anônimo disse...

Foi estuprado nada, ele consentiu, senão não teria uma ereção.

Anônimo disse...

prestem atenção, se arrepender de ter transado, e diferente de estupro !

parem de banalizar, e tentar usar de forma politica ideologica algo serio !

Anônimo disse...

Esse é um tema delicado demais. Muitos homens vão ler isso e dizer ''nossa, se acontece comigo, eu vou ficar agradecido''. Mas sabe, não é assim... Ser induzido a algo que não quer fazer é MUITO traumatizante. Mesmo.

Já passei por isso. Já fui abusada, no ambiente de trabalho, inclusive, e posso afirmar que é algo terrível. Sugiro que a moça do caso converse com o rapaz e entrem em um acordo sobre a atitude dela. Espero que os dois fiquem bem.

Se fosse com uma mulher sendo abusada, a gente iria exigir que o abusador fosse responsabilizado. Mas sinceramente, não sei se essa moça deva ser responsabilizada judicialmente ou não. E de fato, me sinto mal por não ter uma opinião sobre essa parte =/

Anônimo disse...

E impossivel um homem ser estuprado por uma mulher, pelo simples motivo de o homem ser o agente ativo, penetrador !

O que ele pode sofre e atendado ao pudor, tanto de uma mulher, quanto de um gay, certa vez em uma casa noturna um gay encheu a mão na minhas parte intimas, isto foi atendado ao pudor, como eu sou homem, não existe lei que me proteja de forma especifica,seria inutil denunciar, então resolvi eu mesmo, digamos que este gay deve ter tomado muito caldinho de feijão rsrsrs

Binha disse...

Lola, seus comentários foram ótimos, concordo totalmente. Claro que é diferente para o homem, por causa do mesmo machismo de sempre, mas o cara não queria (e tem todo o direito de não querer)e a moça forçou a barra, como os homens costumam fazer conosco. Muito legal ela ter essa consciência. Também acho que seria bom ela conversar e pedir mil desculpas ao amigo.

Letícia M. disse...

Anônimo de 11:29, pelo amor! Se for pra falar alguma coisa, procure se informar antes sobre a mudança no código penal acerca do estupro. Assim, evita falar besteira!

Enfim, eu entendo que houve estupro, sim. Ele disse NÃO (não apenas uma vez, pelo que eu entendi) e a S. forçou a relação. O fato de ele ter tido ereção (por favor me corrijam se eu estiver errada) é puramente biológico; digo: uma reação do nosso corpo ao ser estimulado.

Vou fazer uma comparação... Desde já peço desculpas se ela for esdrúxula! O fato de ele ter tido ereção deve ser mais ou menos a mesma coisa de eu, hetero, ser estimulada sexualmente por uma outra mulher e ficar lubrificada (como ela não utilizou de força, mesmo pq presumo q ele seja mais forte q ela, usei a comparação).

Mas como a Lola já disse e o Anônimo de 11:26 também, eu acredito que a S. não represente perigo para a sociedade. É ré primária, tem consciência que fez o mal... Só a aconselho a fazer terapia, pra não ficar se martirizando com a culpa.

Conversa com ele, S., e siga sua vida!

Augusto disse...

Também há o estigma da palavra estupro que remete a algo MUITO negativo. Talvez não podemos chamar isso de estupro, e, sim, de assédio sexual. Estupro e assédio são errados, porém considero estupro quando há violência, grave ameaça ou falta de consciência. Isso, para mim, é assédio, pois ele tinha condição de dizer não. No momento em que ela o forçasse, o prendesse ou ameaçasse contar aos seus amigos ou sua namorada, isso poderia ser considerado estupro.

Para o Anônimo que disse "E impossivel um homem ser estuprado por uma mulher, pelo simples motivo de o homem ser o agente ativo, penetrador !".

A lei já mudou isso, não é necessário mais ser o agente ativo para estuprar alguém.

Anônimo disse...

Eu so vejo uma explicação para isto, vocês estão lendo muito as baboseiras extremistas que as feministas escrevem, e estão ficando paranoicas, o que o cidadão tece foi uma crise de consciência depois de ter transado, crise de consciência por estar em um relacionamento estável, e ter sido um canalha, ter desonrado sua conduta traindo sua companheira, mas passa longe de ter sido ( que ridículo estuprado !

Augusto disse...

Eu tive ereção quando fui estuprado, ele forçou a fazer coisas que eu não queria no sexo, eu pedi para ele parar, ele não parou e usou da força para continuar. FIM. Estupro.

Se ele só tivesse tentado tirar minha roupa e me tocar, assédio. Se ele transou contra a minha vontade, estupro.

Vivi disse...

Nossa, não sei exatamente o que pensar neste caso. Tendo a pensar que não foi estupro. Aqui, a falsa simetria é algo muito importante mesmo. Estupro, a meu ver, envolve necessariamente poder e a dominação que uma pessoa exerce sobre a outra forçando “o ato sexual”. E poder/dominação (física ou simbólica) é algo que a maioria das mulheres não tem (ou seja, assimétrico). A moça não teve uma atitude legal, ela insistiu muito e forçou a barra para que houvesse sexo, mas será que ela exerceu algum poder e dominação para o sexo se concretizar? Entendo que o poder/dominação não precisa ser a força física. Uma mulher com elevado poder social, uma chefe/presidente de algum lugar pode obrigar a um subalterno fazer “sexo” (neste caso estupro) com ela a partir de uma ameaça simbólica. Mas o caso da moça pareceu mais insistência mesmo. Ela agiu de forma brutal, mas o cara não pareceu ter tido medo ou se sentido dominado por esta forma brutal e por esta razão ter feito “sexo” com ela. O que ele disse “não posso, não posso” me pareceu mais o “não poder trair a namorada”, o que não significa “não quero”. E a insistência dela sim, neste caso, partindo do pensamento machista de que homem não pode recusar pode ter contribuído para o ato que ela finalmente conseguiu.
Por outro lado, se pensarmos que foi estupro também, ela não mereceria a mesma punição jurídica que qq um que comete esturo? Não importaria se ela é ou não um perigo para a sociedade, os crimes tem que ser julgados por eles mesmos, não? Situação complicada esta. Abraços!

Anônimo disse...

Ai, é complicadíssimo isso.
Como falaram ali, ele é o agente penetrador nesse caso. Então ele dificilmente sentirá a dor a humilhação que um estuprado penetrado sentiria, eu ACHO. Ênfase no ACHO.
Porém, não deixa de ser extrema filhadaputisse sua isso que você fez.

Aí depois ele foi carinhoso e ele mesmo propôs sexo, então acho que não foi algo tão traumatizante assim. De qualquer maneira, converse, peça desculpas, e não faça mais isso.

Esse negócio de consentir é complicado. Acho que existem muitos "gray areas". Tanto se fala de evitar transar com pessoa mito bêbada, mas eu já fiz isso várias vezes e adoro.

Outras que, vou admitir, não estava muito afim no começo, e acabei ficando excitada e foi ótimo também. Claro que tive muita sorte, porque nenhum dos meus parceiros se aproveitou das minhas fraquezas para me sobrepor fisicamente, nessas situações sempre pegaram leve e souberam me conduzir ao prazer, tanto que nunca me senti usada. Aliás, essas situações todas acabaram sendo muito excitantes, na verdade. E eram parceiros por quem eu sentia muito tesão.

Sei lá,é complicadíssimo pra mim admitir isso sendo feminista, e também sabendo que muito imbecil pode interpretar isso como passe livre pra abusar das bebinhas da festa. Mas é fato, existem muito mais gray areas do que gostaríamos de admitir. =(

Anônimo disse...

Algumas mulheres ja passaram a mão em mim sem meu consentimento, em alguns caso eu gostei de alguma forma confesso, mas na maioria, senti uma invasão, ja me chantagearam dizendo que se eu não fisese, iriam dizer para minha noiva "que fiz, que tentei força-la" isto e mais comum do que se pensa, mas como nossa cultura vende a imagem masculina como sendo um predador monstruoso, ou então o homem que se naga como sendo um frouxo, obvio que desencoraja denuncias,eu li um texto muito bom que resume bem o papel que o homem tem diante de violência, não so sexual, mas também física, e como se devêssemos muito a sociedade, portanto não temos o direto de reclamar de nada, o texto e este aqui :

" De um modo geral, a vida das mulheres é considerada mais valiosa que a vida dos homens. A repercussão social do assassinato de mulheres é sempre maior que a dos homens. Se algumas mulheres que são chacinadas violentados forem mortas, o fato será comentado nos próximos anos, enquanto as inúmeras chacinas e abusos de homens são rapidamente esquecidas após alguns dias.

O assassinato e uma bela mulher, e investigado( e deve-se) e divulgado pela mídia a exaustão, enquanto o assassinato de centenas de homens diariamente, e tratado como apenas estatística, ou seja, somos apenas utilitários descartáveis"

Mara disse...

Não consigo enxergar isso como estupro. Ele estava consciente, ele podia ter empurrado a moça ou levantado as calças, por que não o fez? Já fui rejeitada por um amigo em circunstâncias parecidas (ambos bêbados, eu forçando a barra e ele não querendo) e acredito ser muito possível a vítima se defender, principalmente pq homens costumam ser mais fortes que as mulheres.

Tem a questão da pressão emocional, sim. Que homem não pode rejeitar, que homem tem que querer sempre etc. Mas neste caso me pareceu que ele pode fazer uma escolha final, e a escolha dele foi pelo sexo.

Se fosse uma mulher nas mesmas circunstâncias (como a Lola ponderou muito bem, é difícil comparar, mas tentemos) eu seguiria achando que não era estupro. Veja bem, ele não disse NÃO QUERO, disse não posso. Me lembrou muito a história de uma leitora que transou com um amigo que não lhe atraía qdo ambos estavam bêbados e ficou se perguntando se foi ou não estuprada. Se aquele caso não foi estupro, acho que este aqui também não é.

Anônimo disse...

Não é estupro. Mas é assédio moral. Algo condenável, sem dúvida.

Já sofri isso também: a menina namorava, eu conhecia o namorado dela, não queria trepar com ela. Aí ela começou com coisas como "Tu não é homem!". Ou então me convidava pra tomar café. Eu dizia não. Ela respondia: "Como assim, não vai aceitar um café? É só um café!". Uma noite ela bebeu muito, vomitou etc. Cuidei dela, levei ela pra casa. Ela ficava pegando meu pênis. Tive algum trabalho para deitá-la na cama e ir embora.

Enfim, obviamente não fui estuprado. Mas obviamente fui assediado. Depois disso, deixei de falar com ela.

Acho que há um "entitlement" entre algumas mulheres. Mulheres que não conseguem ouvir não, que acham que são lindas, que são poderosas, que podem fazer o que querem, com quem quiserem, que o desejo das outras pessoas não é justificativa para que o desejo delas não seja realizado.

Anônimo disse...

Meu deus Lola, eu sinceramente tô meio enojada com a tua posição em relação a esse guest post. Eu costumo gostar muito do teu blog, mas achar "muito corajoso" o depoimento de alguém que cometeu estupro? Isso é nojento. Estupro é estupro, independente do contexto.

Gabriele Albuquerque Silva disse...

Muito delicada essa situação. Mas concordo que quando não há consentimento, existe sim uma espécie de violência sexual. O fato de a pessoa ter alguns sinais fisicos de excitação não quer dizer que ele consentiu, o corpo as vezes tem esse tipo de resposta automática e involuntária (muitas vítimas acabam passando por isso e sentindo-se terrivelmente culpadas por isso, inclusive crianças que sofreram abuso) mas o que vale é sempre o que é expresso, quando uma pessoa diz não é não. É uma situação complicada este seu lugar. Também concordo que seria bom para você ter uma conversa com ele, expressar o que você acha e sente, e ouvi-lo também, se ele quiser.

Radhra disse...

Agora a gente vai ver nesses comentários a profundidade do machismo em cada um, por que assumir estupro em mulher é fácil, agora em homem? Ah, claro que não, magina!

Tá dando nojo de ver esses comentários parciais e extremamente machistas só porque o alvo é um homem.

FOI ESTUPRO SIM!
E no meu entendimento você deveria procurar terapia para reavaliar sua posição e as medidas que lhe levaram a desconsiderar o NÃO de outro ser humano, COMO TODO ESTUPRADOR DEVERIA. Fazendo isso você desconsiderou tudo o que ele queria e significava (ser fiel à namorada - uma escolha q ele tinha feito, por exemplo), e num caso desse ele era SIM a parte "fraca", pois homem não pode negar sexo socialmente, sabemos disso.

Sério, reavalie urgentemente suas prioridades e posicionamentos sobre o consentimento alheio.

Outra coisa: ereção não é consentimento, ereção é uma reação física que inclusive ocorre muitas vezes de forma natural e espontânea.

Eu sou julgada por ser feminista por todos os homens com quem me relaciono, eles sempre dizem que "quando é conveniente, as feministas não são nadas igualitárias (são feministas até chegarem a conta, poe ex.)" e infelizmente isso que eu to vendo aqui. Muito, muito triste.

Foi a mesma coisa quando o Serra foi beijado na rua por uma desconhecida. Eu achei um horror, detesto aquele homem, mas achei idiota todas as minhas amigas rindo como se fosse engraçado um abuso dessa natureza, seja com quem for.

Acho que precisamos olhar mais pro nosso umbigo e ter mais igualdade e menos protecionismo feminino, já - antes que tudo se torne incoerente exatamente como somos acusadas de ser.

Anônimo disse...

Lola este guest, e fake, ta na cara, possivelmente um mascu querendo ficar de mimimi,

Anônimo disse...

Sinto muito, mais um caso como este não me traz nenhuma empatia, ate porque homem tem força física maior que mulher, então se ele não quisesse mesmo não teria acontecido, e pesa também os seculos de abusos e violências que sofremos nas mãos do patriarcado !

Anônimo disse...

Coragem a dela contar isso geralmente ela acusaria ele de estupro e voces partiriam em defesa dela por que na duvida a culpa é do homem(mascu) .

Mirella disse...

Concordo com a resposta da Lola e acho que seu depoimento é uma boa oportunidade de discutir uma questão que é frequentemente banalizada. Claro que homens podem ser estuprados. Infelizmente homens SÃO estuprados. Porém, a cultura machista ensina que nããão. O papel de gênero imposto ao homem é o de animal sexual insaciável e sem controle próprio - só ver nos casos de estupro de mulheres, tem sempre um idiota pra dizer que o homem é um leão indomável. E aí, essa defesa ferrenha de uma estupidez prejudica diversos homens que sofrem com todos os tipos de violência.
Vejamos bem, os homens sofrem tanto com isso que o primeiro relato de um homem estuprado não veio do próprio, e sim de quem cometeu.
E o show de apatia e indiferença com o sofrimento nos comentários já começou. Mascu é tudo lixo mesmo.

Hamanndah disse...

Ele foi estuprado, sim

Ela não agiu legal com ele. Tanto o homem quanto a mulher merecem ser respeitados no que diz respeito aos seus limites

Bjaum a todos

Stefanie disse...

Parabéns, Lola, por colocar esse assunto em pauta. Também penso que existe estupro masculino, que coeção e intimidação não deveriam ser formas de se "conseguir" sexo, mas reconheço que é muito mais difícil de provar. Como com prostitutas - o que não quer dizer que não aconteça...
Mas Lola, se prepara para a chuva de masculinista falando asneira. Coitados - não percebem que são suas próprias vítimas (e ainda tem os bestas que contam vantagem por bater em um gay. Aposto que se ele apalpasse uma menina ela seria uma histérica violenta se batesse nele... ¬¬ )

Vitor de Souza disse...

Para você ver, como são as coisas.
Embora eu apoie todo o movimento de igualdade de gênero, ai que você nota a diferença de tratamento de um gênero para o outro, inclusive entre as "feministas". Se fosse o cara mandando o relato dizendo que estava arrependido do ato, já estariam metralhando o cara, procurando o perfil dele no facebook,expondo o endereço, CPF, número de telefone.
Fora o fato que se ele tivesse traindo a namorada dele, ai pioraria um pouco mais a situação, dizendo que é um cafajeste enganador, e que não merece a namorada que tem do lado dele(espalhar moralidade, só quando convém). Como a própria Lola disse que foi a única coisa que concordei no post dela, não existe apenas o estupro por intermédio da força física.

Sofia L.B. disse...

Tb acho que foi um estupro...

Dizer que o homem por ser "ativo" não pode ser estuprado me lembra aquela do bispo que disse que mulher só sofre estupro se consentir (o que, no fundo, é dizer que não há estupro feminino). Ele chegou a comparar com a tampa de uma caneta. Sério.

A gente não é só um amontoado de partes do nosso corpo. O "não" que importa é o que vem da nossa mente, quando outra pessoa diz que "não quer", parecendo nervosa, insegura, a gente tem que acreditar nela, ué. De que outra forma podemos adivinhar que ela quer? (Quando disse "partes do corpo", não estava me referindo à linguagem corporal, e sim pq tem gente que acha que só as nossas genitálias que 'falam' se a gnt está consentindo ou não).

Tb acho que seja importante conversar com ele, e respeitá-lo sempre. Mesmo que ele tb diga que não houve nada demais, se isso te incomoda tanto, já me parece um bom motivo para (continuar a) repensar atitudes...

sabrina disse...

onde fica os direitos iguais,só pq é mulher n precisa ser punida?
ela mesmo disse q ja tinha esse comportamento agressivo,nada garante q n fara de novo.

mas devido ao machismo,acho q se o cara fosse denunciar ela n ia acontecer nada,pq n vão considerar estupro.

ate vi num seriado policial falando disso,o homem foi estuprado por 3 mulheres,ele denunciou e foi motivo de chacota,pq ninguem acha q homem pode ser estuprado por mulher.
e no fim elas foram presas,mas n pelo estupro,por outra coisa q agora n lembro.

sem falar da traição com o namorado.

Sara disse...

Eu não acredito q tenha sido um estupro, mas com toda a sinceridade essa moça foi bem inconveniente, apesar de que toda essa atitude e iniciativa dela pra mim é surpreendente, pq nunca vou conseguir fazer igual.
Não sei se por repressão, mas jamais tomaria uma iniciativa dessas.
Observo a natureza e tento me harmonizar com ela rrssss.

Junior disse...

Concordo com a opinião da Lola, foi estupro sim. Ereção não quer dizer consentimento, é algo que não pode ser controlado. Pode até ser que ele tenha embarcado no negócio depois que começou, mas ele já tinha deixado bem claro pra ela que não queria.

Priscila Boltão disse...

Mascus correndo aqui e mostrando que nem leram o texto direito.
Sim, foi estupro, mas é interessante que a S. reconheça e se arrependa. Quem dera isso acontecesse em casos onde o estuprador é do gênero masculino tb.... aliás, quem dera estupro nem acontecesse, mas aí já to sonhando alto.

Anônimo disse...

Anonimo das 11:29,
Ta sabendo legal o que eh estupro, hein?
Tanto homem qto mulher podem ser sujeito ativo do crime, da mesma forma pra vitima!

Anônimo disse...

Lola, eu super te adoro, mas, sinceramente, acho que você está adotando uma postura muito quetionável nesse caso. Concordo que seja errôneo estabelecer simetrias aqui. Mas, a partir do momento em que se interpreta os fatos como crime de estupro, não dá pra relevar a atitude da moça desse modo, especialmente considerando que se trata de um crime contra o qual lutamos com tanta veemência. Como sustentar que uma mulher que cometeu um crime sexual não merece ser punida? Não se está, assim, reafirmando papéis de gênero que queremos tanto derrubar?

Abraço, reflitamos.

Anônimo disse...

E nem existe mais atentado ao pudor! O estupro suprimiu esse tipo penal.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Tanto faz, são uns dois traidorezinhos boêmios sem vergonha na cara.
Se merecem.

lola aronovich disse...

Gente, eu tinha saído e agora vou sair de novo, mas vão comentando, que depois eu libero os coment. Mas tá fogo, hein? Desta vez os mascus, os grandes defensores dos homens, dizendo que imagina, isso não é estupro, homem só pode ser estuprado por outro homem, que isso é só o caso de um homem que mudou de opinião depois de transar (que é o mesmo jeito que mascus definem estupros em que a mulher é vítima -- ela consentiu, só mudou de ideia depois. Ou seja, na cabeça mascu estupros não existem, ou talvez existam, só na cadeia).
Por outro lado temos algumas pessoas querendo que a S. seja punida, e achando horrível minha opinião. Gente, entendam: neste caso a S. tem dúvida se foi estupro (se não ela não teria escrito o email), a vítima deve ter dúvida (e provavelmente acha que não foi estupro), não há um BO, não há um crime, se as partes envolvidas têm dúvidas se foi um crime. Num outro contexto (o cara escrevendo um guest post dizendo que acha que foi estuprado e perguntando o que ele pode fazer), eu estaria do lado dele. Mas não é o caso. Contexto é tudo, gente.

Anônimo disse...

Gente, se fosse uma menina no lugar do cara a gente sabe bem q isso é um estupro, só por q é homem e o cara deixou não faz disso menos estupro, ele fez uma coisa que não queria, sabe lá, ele deve ter pensado bem isso: vou ter que deixar ela fazer isso, ou o que vão pensar de mim? que não sou macho? Ao menos a menina tem noção do que fez, acho que ela deve desculpas a ele, no mínimo, tem q ver como ele se ente em relação a isso, se ele desejar denunciar ela, também não vai estar errado, não é?

Anônimo disse...

"Por outro lado, se pensarmos que foi estupro também, ela não mereceria a mesma punição jurídica que qq um que comete estupro? Não importaria se ela é ou não um perigo para a sociedade, os crimes tem que ser julgados por eles mesmos, não? Situação complicada esta."

Pensei a mesma coisa. Não dá para pedir punição severa pra um e passar a mão na cabeça de outro.

Eu acredito que tenha sido sim estupro. O rapaz disse não. Ela continuou.

Me pergunto, no caso de um rapaz que nunca tenha feito nada e força sexo, se não haveria punição judicial. Acredito que a pena recaia n@ cidad@, não no gênero.

Johan disse...

Sim, foi estupro.

Este tipo de caso é amis comum do que se imagina. Eu mesmo e vários amigos já passamos por situação de ser induzidos e chantageados por mulheres a fazer sexo.

A questão é que é uma acusação de pouca base. Se eu algum dia disser "ela me forçou a transar com ela", não há aceitação da minha fala. E sim, eu já cheguei a dizer com todas as palavras que fui forçado, sem obter qualquer tipo de apoio.

E aos que dizem que "o homem é mais forte e pode simplesmente empurrar a mulher e ir embora". Bem, usar de força física contra uma mulher não é opção.

Anônimo disse...

Lolinha, você diz que contexto é tudo, mas e a violência? E o atravessar o limite, burlar o direito do outro? Não é o mesmo?


Não está sendo assumida uma postura um tanto paternalista aqui? A de "ah, fez, tá arrependida, não faz mais"? Preciso te questionar, pq sou contra violação - de qualquer tipo - para qualquer gênero. É um absurdo!

Não é pelo fato do cara não reconhecer o estupro que ele não exista. É o caso da mulher que é estuprada pelo marido, que acha que não há crime, que é cumprimento das obrigações conjugais.

Não, não e não! Violência, tô fora.

Anônimo disse...

Eu só acho que não dá pra dizer que foi estupro e que a pessoa não merece ser punida pelo crime cometido. Não dá.

Eu particularmente não acho que foi estupro porque, pelo que a moça relata, não houve nenhum tipo de estratégia de dominação, isto é, não houve uso de força física, abuso psicológico, ameaça, etc. Houve sim assédio e essa moça deve se desculpar com seu amigo, e trabalhar para que nunca mais faça nada do tipo com ninguém.

Vivi disse...

Oi Lola, eu também acho que contexto é importante. No meu caso, eu mencionei que ela deveria ser punida (caso considerássemos que foi estupro, o que eu acho que não foi) por uma coerência e justiça. Nem acho que ela vai ser punida porque o cara tb não acha que foi estupro provavelmente. Mas caso fosse (estupro), mesmo que ela não seja punida de fato, como feministas deveríamos achar que ela “merece” ser punida como qualquer outro estuprador não? No seu texto- me desculpe- mas deu entender que ela não “merece” ser punida, independente se de fato será punida ou não, como se fosse sua opinião, já que ela não representa ameaça para a sociedade. Desculpe se estiver enganada. Bom, de qq maneira eu acho que não foi estupro como já apontei (não houve dominação/poder no ato), mas se fosse estupro, “merece” punição como qualquer outro a meu ver. Bom, e é difícil isso mesmo. Teremos que pensar em quais casos uma pessoa deveria ser punida. Se fosse o contrário, seria estupro? Se sim, merece ser punido? Ou haveriam estupros que merecem ser julgados e outros não?? Complicado tudo isso né. Não estou dizendo que “quero a punição” (mesmo pq não vejo estupro) , mas é importante pensar se estupradores devem ser julgados ou não a meu ver.
Beijos

Maya Falks disse...

As pessoas precisam parar com essa mania de achar que estupro é exclusivamente um cara agarrar uma mulher num beco escuro e fazer sexo com ela se debatendo imobilizada sob ele. Não é!
É pesado dizer que essa moça é uma estupradora, não a julgo assim, como não julgo estuprador um pateta que transou com sua ficante bêbada, mas o ato não deixa de ser estupro.

O cara gostou e quis mais, ótimo, isso ameniza tudo, mas o ato em si foi sim estupro - sexo feito sem o consentimentos de uma das partes é estupro, e o cara não consentiu.
Ter a ereção é uma resposta biológica, não necessariamente ele tem controle, especialmente alcoolizado, em que se perde o controle de várias coisas.

Enfim, concordo com a Lola que ela não é um perigo para a sociedade, nem a taxaria de "estupradora" mas o que ela fez pode sim ser considerado estupro.

Anônimo disse...

Os comentários de Raziel continuam péssimos. O "Guerreiro da Real" dentro dela continua muito vivo e no controle.

Anônimo disse...

Tenho um amigo que foi vítima de assédio (estupro) dos 4 aos 8 anos de idade por sua própria tia. Nunca contou para ninguém até notar que aquilo que tinha acontecido estava de alguma maneira atrapalhando a vida adulta dele. Com mais de 30 anos, resolveu fazer terapia, demorando 8 meses e várias consultas até se sentir à vontade para tocar no assunto "assédio". A terapeuta não deu a menor importância ao caso. E, ainda pior, ela dava consultas na saúde pública. O meu amigo não podia pagar pelas consultas naquele momento e as fez num posto de saúde pelo SUS. A terapeuta teve a capacidade de contar o que ele havia revelado em sigilo a todos os funcionários do posto de saúde onde as consultas eram realizadas. Ele não pôde mais ir lá, pois os atendentes, vigias, etc., olhavam para ele e cochichavam entre si, riam, gargalhavam. Ele disse que nunca mais voltará a um consultório de um psicólogo. Esta é a pressão social que caracteriza o estupro no caso relatado no Guest Post. O homem, ainda que tenha 8 anos apenas, deve cumprir o papel de homem. Ainda que não queira fazer sexo, deve fazer para não virar motivo de chacota. Certa vez não quis ficar com uma garota em uma festa porque ela estava bêbada. Mas ela não se esqueceu da minha recusa e durante muito tempo vários amigos meus acharam que eu era homossexual, pois a garota passou a espalhar que eu era homossexual. Ou o homem cumpre o seu "papel social" ou será motivo de risada principalmente pelas mulheres. E não acho isso machismo. Não considero machismo as risadas das mulheres lá do posto de saúde onde o meu amigo frequentou até virar motivo de piada. Considero misandria.

Anônimo disse...

Lola, honestamente suspeito que esse relato seja fake. Ainda assim, interessante levantar o tema.

Bruno S disse...

Apesar da conduta da moça ser de toda errada, não consigo ter certeza se configura um estupro e, aparentemente, a vítima não entende como tal.

O mais importante é o entendimento da S. de que agiu de forma como não gostaria que agissem com ela.

Mas é um debate que precisa ser feito, até porque geralmente não é dado aos homens o direito de dizer não (de acordo com nossa cultura machista de que temos que ser os caçadores).

Por outro lado me incomoda um certo slut shaming em relação à S por ela estar disposta a transas com o cara, mesmo tendo namorado.
O ponto do debate é uma violência sexual e as pessoas se sentem na necessidade de policiar a fidelidade da moça.

Anônimo disse...

lola aronovich
Por essa tua logica de sem BO sem crime voce esta confesando que os zilhoes de estupros que voces dizem que acontecem sem BO nao existem ,então parem de falar neles.

Ironia OFF : pra uma mulher ir numa delegacia da mulher prestar queixa de estupro é dificil por N motivos...mas pra um homem ir numa delegacia comum é 10 vezes pior acredite em mim... voce chama isso de machismo( jeito de agir dos machos) eu chamo de custumes anacronicos.

Anna disse...

SIM, foi estupro! Dizer o contrário é perpetuar a cultura do estupro.E o mínimo que você deveria fazer é pedir desculpas.

E aqueles que usam a desculpa da vitima está excitada, não se esqueçam que essa é uma das desculpas mais usadas pelos pedófilos!!

Milla.Prado disse...

Oi Lola,

Acho que neste caso foi estupro sim (houve uma "pressão" feita pela garota e por toda uma cultura machista para que o cara não recusasse transar com a menina, mesmo não querendo). E concordo com a Lola, o melhor é a garota conversar com o rapaz.

Mudando de assunto:

Lola você conhece este projeto ( http://www.everydaysexism.com/ ) ?

É um site criado para reunir relatos de sexismo.

Aqui tem uma página de uma entrevista com a criadora do do projeto ( http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2012/10/16/inglesa-cria-site-para-reunir-relatos-de-sexismo-recebe-oito-mil-posts-e-e-ameacada-de-morte.htm ).

Ela chegou a receber até ameaças de morte depois que criou o projeto.

Beijos,
Milla

Anna disse...

E ela não só o desrespeitou dessa vez mas sim todas as vezes que ele a rejeitou e ela ficava insistindo. Não muito diferente da mentalidade dos homens machistas que se a mulher rejeitou é porque não insistiram o bastante.

Ou se é contra a cultura do estupro ou não é! Não tem meio termo.

Mihaelo disse...

E a ativa foi ela, visto que ativo é quem toma a iniciativa e domina o ato!

Juba disse...

Quando uma mulher tem dúvidas se foi estuprada e não faz b.o., sua avaliacão é diferente, Lola. Em geral, concordo com você, mas hoje não.

E se fosse um homem querendo saber se estuprou?

Carolina Lucas Paiva disse...

Olha, ela forçou a barra sim, ela não deu ouvidos a recusa dele. Ele pode muito bem ter se sentido acuado, achado que não poderia negar o sexo por ser homem, etc. Teve gente aqui dizendo que não sente empatia, que poderia se defender e outras bobagens.
Gente, se ele não queria e se sentiu acuado/pressionado, é estupro. Existem vários tipos de violência, de impor sua vontade.
Agora, o difícil de analisar nesse caso é como a vítima se sentiu: se não consentiu, é estupro; se ele acabou consentindo no final, mesmo sem vontade, não é estupro, e se assemelha àquele último caso, onde a mulher consentiu com a relação mesmo sem ter vontade, devido a insistência do amigo.

A guest deve sim falar com ele sobre isso, perguntar sobre o que ele sentiu e, se for o caso, levar sim a situação à polícia. Se ele realmente não quiser fazer a denúncia, é seu dever moral pagar tratamento psicológico a ele, e fazer um você também, para evitar que faça isso novamente, para ter mais empatia pelos outros. Uma pessoa que não sente empatia é sim um risco para a sociedade.

Para os que vem aqui falar besteira, dizendo que feministas só lutam pelo o que as convém: não somos a favor de linchamento de estupradores, isso vai contra o garantismo penal e a ressocialização dos presos.
Caso a memória curta dessa gente tenha falhado: vejam um post recente da Lola sobre o assunto, já citado aqui, em que não achamos a conduta de um homem criminosa, apesar de insistente.
Vejam também as críticas feitas ao modo como um rapaz acusado de roubo e estupro foi tratado por uma repórter.
Parem de usar de um mito das "feminazis odiadoras de homens" e procurem se informar antes de falar bobagem. Quem acha que "homem não pode ser estuprado", que "mulher que estupra não precisa ser presa" e que "não sente empatia por homem que não se defende de estupro" estão sendo machistas, não feministas.

Feministas que só o são quando as convém estão sendo machistas, e devem ser questionadas pelo seu machismo,e não pelo seu feminismo. Usar dessas incongruências pessoais para deslegitimar todo um movimento (que é plural, ou seja, tem várias vertentes) é usar de má fé ou ignorância.

Anônimo disse...

Contexto é tudo Lola, mas e se no lugar de um cara pedindo apoio por se considerar vítima, tivéssemos aqui um cara arrependido de ter forçado e iniciado uma relação sexual com uma garota sem o consentimento dela??E essa S? Não por não ser monogâmica, mas por não respeitar quem faz essa escolha!Cretina...ainda vem cheia de mimimi e vcs apoiam!!Vá entender. E se fosse o namorado de vcs??

Mirella disse...

E, sei lá, fiquei mais preocupada com o estupro do que com a ~traição~.

Depende se ela tinha ou não um relacionamento aberto. Mas, honestamente, é uma questão menor do que o tema central do post.

E, na boa, o posicionamento da Lola tá sendo coerente com o que ela disse em outro guest post.
Quando uma moça enviou seu relato de que, numa noite de bebedeira, acabou transando com um amigo e não sabia se tinha dito "não", não sabia se tinha sido estuprada. E a linha geral daquele post foi: você não lembra o que aconteceu, não poderia levar a cabo uma denúncia de um crime que pode ter sofrido ou não. E isto em momento nenhum invalidou que o rapaz foi um idiota naquela ocasião.
Ninguém aqui sabe como o rapaz tá se sentindo. Por isto creio que seja a coisa mais importante conversar com ele e saber o outro lado, o lado da vítima. E respeitar fazer o que ele quiser e o que ele não quiser.


E acho que foi no mínimo fora da curva uma estupradora fazer um relato assim. Sério, gente, quantos estupradores mandaram e-mails inseguros e preocupados com suas vítimas aqui? Hein?


E sim, obviamente, terapia para a guest poster right away. Na verdade, pra todo mundo aqui e no mundo. Eu, como paciente, recomendo pra ontem.

Carolina Lucas Paiva disse...

E mais: tenho certeza de que se o guest poster fosse um homem, a Lola daria exatamente o mesmo conselho.

Anônimo disse...

"E nem quero que você mude seu jeito de ser. É ótimo que mulheres tomem a iniciativa, que vão atrás de sexo" Você diria isso a um homem que publicasse o mesmo texto?? Ah Sílvio, você está arrependido do que fez a sua amiga, então está tudo bem.

Nuba ofKau disse...


A maioria das pessoas (não aqui entre os comentaristas, no mundo mesmo) é limitada e não consegue perceber que a ereção não quer dizer nada. Também se uma mulher ficar excitada num momento de estupro/abuso isso não minimiza a agressão.

Aliás se uma mulher ficar excitada durante uma agressão a carga de "culpa" que os outros vão por nela é bem maior.

Nuba ofKau disse...

Putz...mtos trolls "penetradores" aqui. Que vida sexual e que capacidade de raciocínio pobre que eles tem.

SeekingWisdom disse...

Ei Lola, ei pessoas.
Acho que tem poucas opiniões masculinas excetuando mascus e uns pouco anônimos. N terminei de ler todos tb, sorry.
Na minha opinião com certeza foi estupro. E não, não é necessário submissão física para ser estupro (que tal todos consultarem o que a legislação diz a respeito). Acredito que S. pode ter tido um comportamento de dominação inclusive. Não conseguir negar, sair da situação é comum, lembram-se do post da moça que reagiu à violencia? O que mais me impressionou naquela ocasião foram os comentários de várias moças que sofreram abusos mas n conseguiram esboçar reação, é mais comum do que se imagina.
Mais uma coisa, não é assédio! Assédio sexual envolve constrangimento com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.
Confesso que a linha entre assédio e estupro não está bem definida para mim, fico imaginando nos casos onde alguém invade seu espaço pode ser um estupro ou apenas assédio, dependendo do contexto. Seria interessante fazer um debate sobre isso.
S., acho que vc deve conversar com o cara e explicar pra ele o porquê vc foi violenta (sim vc foi!!! Violencia nem sempre necessita força física), por mais difícil que seja admitir nossa postura errada. Ele pode até dizer q n foi estupro mas inconscientemente seu ato o perturbou e a conversa pode levá-lo a refletir.
Acho S. corajosa de relatar o caso sim. N sei se representa necessariamente um perigo, vou pensar q ela vai ponderar sobre buscar ou não ajuda.
Termino minha opinião, abraços
Phillipe

I_like_Dworkin disse...

(Lola, libera este ao invés do outro, o anterior tinha alguns erros de digitação, desculpe)

A autora do guest post foi muito errada na atitude dela com o rapaz, mas NÃO FOI estupro. Simplesmente porque existe sim padrão duplo em uma sociedade patriarcal. Chamar a autora de "estupradora omg" não serve de nada pra avançar questões sobre violência sexual, só alimentar o discurso masculinista, que afirma que homens sofrem violência também.

O fato é que, em uma sociedade patriarcal, não é possível que mulheres estuprem homens adultos. A sociedade atual é uma em que se acredita que as mulheres não possuem agência sobre a própria sexualidade. Quando uma mulher é "sexualmente dominante", por falta de outras referência, ela pode até acabar imitando o comportamento esperado de um homem, como foi o caso da autora do guest post. Ainda assim, ela não cometeu estupro, porque as implicações da atitude dela para com o rapaz não serão as mesmas do que se fosse um homem forçando uma mulher.

Ele não vai ser julgado, ou sofrer as mesmas implicações, que sofre uma mulher que foi estuprada. Ele provavelmente não vai ser "victim blamed".

Quando uma pessoa é socializada como certo gênero em nossa sociedade, essa pessoa irá estar sujeita às implicações de pertencer a esse gênero e, portanto, sua vivência e experiências serão diferentes do gênero oposto.

Dessa forma, em uma sociedade em que as mulheres estão mais sujeitas à violência e abuso cometido por homens, uma inversão de papéis completa, dentro do contexto patriarcal, não é possível.

Podemos dizer que poderia existir uma sociedade em que os homens tivessem os papéis hoje destinados as mulheres.

Porém, como a autora do GP e o amigo dela estão inseridos na sociedade patriarcal, por mais que ela tenha agido errado e tenha motivos pra se sentir mal, não foi estupro.

Ela não estava afirmando o poder histórico que o gênero dela possuí sobre o gênero dele através de um ato de invasão e desconsideração pelo corpo do outro. O gênero do amigo dela não é sistematicamente oprimido, ele não está sendo constantemente ameçado por esse tipo de violência. Por que homens não se preocupam com estupro em nossa sociedade? Obviamente não é porque é uma oportunidade de fazer sexo (nem vou discutir isso, é muito ridículo), mas porque homens não são estuprados por mulheres! Por mais que aconteça casos pontuais como esse, não há violência sistêmica contra os homens realizado pelas mulheres.

Os homens que sofrem violência sexual, geralmente são atacados por outro homem e porque ele foi considerado pelo estuprador como "menos homem", por exemplo, quando um gay é atacado por um bando de homofóbicos.

Estupro é parte do patriarcado, dessa forma acho complicado demais chamar a autora do GP de estupradora, quando em alguns posts atrás, em um guest post de uma moça que foi estuprada pelo amigo, foi dito a ela que ela não foi estuprada, só fez sexo sem vontade. (Por que não dizemos o mesmo para o rapaz dessa história aqui?)

As duas história são semelhantes, nos dois casos as supostas "vitimas" tornaram a fazer sexo com conscentimento depois.

Achei muito estranho que as mulheres fora tratadas como culpadas NOS DOIS casos.

Cadê a Andrea Dworkin quando precisamos dela?

Anônimo disse...

acho que se ele tivesse se sentido agredido, teria falado ou mudado de atitude depois.

ele é homem, provavelmente tem mais força fisica que uma mulher. se nao quisesse transar, nao transaria.

que estupro que nada.

Pedro Joffily disse...

Estupro não só penetração. Se a gente usar um termo abrangente, estupro é qualquer relação sexual (o que envolve ou não penetração) sem consentimento. Mas contexto social, não-violência e o contexto do ato atenuam muuuito ele. Que nem aquele post recente da mulher que não sabia se foi estuprada; não é um estuuuupro mesmo, mas foi uma invasão.

O chato dos comentários é quem acha que, ao reconhecer que homens são estuprados, a luta contra o estupro contra mulheres diminui. Meu deus, claro que não! Nós, feministas, cansamos de falar "Uma luta não impede a outra" quando alguém fala pra gente como as criancinhas da África precisam mais de ajuda do que as mulheres oprimidas aqui (e a pessoa nunca faz nada nem pela própria mãe, na maioria das vezes). Então, ajudar os poucos homens estuprados não significa abandonar a luta contra as milhares de mulheres estupradas!

Lutar contra a cultura de estupro é, predominantemente, apoiar as mulheres, que são muito mais violentadas, sexualizadas, objetificadas. Mas os homens também sofrem com o machismo. É o lance "homem sempre quer sexo". A luta contra a cultura de estupro também quer derrubar isso!

O engraçado é que, na raríssima hora em que o homem sofreu um prejuízo porque era homem (como esse estigma imbecil de o homem sempre querer sexo), os mascus, supostos ativistas dos direitos dos homens, falam que o homem não sofreu nada, e não falam nada sobre o tal estigma! Ridículo.

Kenny Guilherme disse...

Concordo com a Lola de que foi estupro sim. O fato do cara ter ereção na hora não muda nada. Quem nunca transou sem muita vontade só p/ agradar a parceira? Também não alteram as coisas o fato de depois eles terem transado com consentimento do cara. Que bom que a autora se arrependeu. Tbm concordo qdo a Lola diz que ela não oferece riscos à sociedade e que, se continuar se sentindo culpada mesmo após conversar com o cara, deverá fazer terapia.

Vivi, sua observação sobre estupro envolver casos de poder sobre a vítima é relevante, mas creio que no caso o "poder" que a autora teve sobre o cara foi o velho machismo, que ensina que homem não pode dizer não. O mesmo machismo que culpa a mulher que é estuprada e assim faz com que a maioria não denuncie.

Mas concordo com sua observação sobre, caso se admita que houve estupro, deva haver punição. E, ao mesmo tempo, não quero que a autora seja punida. É um caso muito complicado mesmo. Os comentários de quem acha que não foi estupro me fizeram titubear. Por ora, sigo achando que foi estupro, mas o assunto merece muita reflexão.

SeekingWisdom disse...

Lola, acho q vc deveria impedir postagens em anonimato, a não ser quando for extremamente justificado. Nem perco o tempo de responder anonimos mais, a grande maioria só quer provocar polêmica com opiniões falsas ou infundadas. Sei que os caras podem criar fakes mas é mais fácil descobrir fakes do que deduzir que o anonimo postando como uma femista maluca é um mascu.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Lola, algo me deixou curiosa...

Os mascus continuam postando coisas de baixo calão e ofensivas? Sei que tu aprovas umas coisas "controversas", mas não acredito que eles ainda continuem com trollagens baixas. Seria muita falta do que fazer.

isa disse...

S., o seu problema é com sua consciência. Adianta buscar o julgamento dos outros? Se você quer mesmo saber se ocorreu estupro, pergunte à namorada do cara, ela vai te dizer (acho que ela não vai dizer que você é estupradora, mas sim outra coisa).
Já te disseram várias vezes que não foi estupro e você acredita que sim porque sua consciência a está acusando.
Também acho que houve estupro, pois você se aproveitou de um contexto social em que homem não deve negar sexo e, assim, conseguiu fazer sexo com um homem que não queria fazer. Ele não queria fazer porque estava sem tesão em você, porque tinha uma namorada e tinha prometido ser fiel a ela... não interessa, ele não queria fazer, tanto que o sexo rolou daquele jeito forçado e provavelmente foi ruim. Então foi estupro. Depois ele mesmo voltou pra fazer sexo... porque gostou? porque era só uma barreira que ele tinha conseguido ultrapassar e fidelidade não tá mesmo com nada?
Ainda assim você e eu acreditamos que foi estupro.
E agora? O que você vai fazer com isso? Não acho que devemos passar a mão na sua cabeça porque se fosse um guest post de um estuprador não faríamos isso. "Tadinho, não faça mais isso, tá bom?"...
Acho que as pessoas podem, sim, se "regenerar", mas que, mesmo assim, devem pagar por seus atos por uma questão de respeito aos danos causados aos outros. Já pensou o sofrimento da namorada do cara quando souber o que ocorreu? Já pensou o sofrimento dele em comprometer um relacionamento significativo? Sem falar no seu namorado.
Você sabe que praticou estupro, acredita nisso. E agora? Vai fazer o quê?
Um B.O. em que você é a autora?
Vai pedir desculpas ao seu namorado, ao homem com quem transou e à namorada dele? Em terapias de recuperação, pedir desculpas aos prejudicados é um exercício frequente. Não necessariamente porque vão te desculpar, mas porque podem te odiar e você vai ter que arcar com essa culpa. É um exercício de responsabilização, uma penalização. O que você quer fazer? O que você pode fazer com o que fez?
Para eximir sua culpa, dedique-se à divulgação do estupro masculino, como já fez aqui e esclareceu muitas pessoas. Faça terapia, peça desculpas ao cara, à namorada dele e ao seu namorado, essas coisas que os terapeutas nos mandam fazer quando estamos saindo das drogas. As pessoas reagem, nos odeiam, mas é o preço que pagamos por as termos machucado (ou traído).
Você deve ser nova, mas já aprendeu a não brincar com a vontade dos outros. Que bom! Tem muita mulher velha que ainda tem ego de criança e faz isso que você fez só pra não se sentir indesejada e provar para si que consegue transar com quem quiser.
Pelo menos você é uma pessoa com consciência, alguém que consideraríamos "recuperável". Em todo caso, nós sempre devemos pagar por nossos atos.
Não tem essa de "Vá, filha, e não peques mais". A gente sempre paga, principalmente com a consciência.

Ana disse...

(I)

[Vão me achar dura demais, mas estou respondendo com sinceridade. Se escrevesse alguma coisa diferente, estaria mentindo. Vou me desculpar já agora se tiver lido/entendido qualquer coisa errado, às vezes acontece. Qualquer coisa, só me deem um toque.]

Pra mim, claro como a água, foi estupro.

O rapaz disse "não" - E não me refiro apenas ao espisódio do banheiro em si, me refiro também a todas as outras vezes em que ele deixou claro que não queria. O rapaz disse "não" Inúmeras vezes. E pelo o que entendi, com exceção da conversa virtual e do banheiro, eles estavam sóbrios e funcionais no resto tempo, portanto S. era plenamente capaz de entender que ele não queria. Aliás, pelo próprio texto dela fica claro pra mim que ela sabia muito bem que ele não queria, só que como ela estava determinada a transar com o cara, passou por cima da vontade dele (a vontade de não fazer sexo E a vontade de ser fiel à namorada).

Quando ele pediu pra deixar a conversa virtual pra trás (coisa que foi resultado de uma bebedeira), S. ignorou e apareceu na casa dele. Se fosse uma garota dando um fora num cara, e ele aparecesse no dia seguinte na casa dela 'deixando claro o próposito de transar com ela', acho que a palavra "stalker" já estaria aparecendo por aqui.

Sério, posso estar exagerando, mas a meu ver, se fosse um cara tendo esse tipo de comportamento a condenação seria imediata. Falando por mim, se isso tivesse acontecido com uma mulher eu não teria dúvidas; e o negócio é, me Recuso a pensar de maneira diferente só porque os gêneros foram invertidos. Eu não teria tanta condescência com S. se ela fosse um cara que ignorou todos os sinais negativos de uma garota, cercando-a até conseguir o que queria, como ela fez. Então porque eu vou passar a mão na cabeça dela? Não consigo, gente, não dá.

Essa deve ser a primeira vez que discordo da Lola, porque "corajosa" não é exatamente como eu vejo S. Certo, ela teve a decência de fazer um exame de consciência e buscar ajuda. Agora, se eu acho isso corajoso? Não tenho tanta certeza. Avaliar bem se a outra pessoa quer mesmo estar com a gente é o básico que devemos aos outros, e isso Antes das coisas acontecerem. Ela já está atrasada. Pra mim, é o mínimo do mínimo. O ideal mesmo era ter se controlado - E sim, acho que ela teve oportunidade de fazer isso. Talvez não na hora em que ela, bêbada, forçou barra no banheiro; mas em outros momentos.

Ok, na conversa pela net, ambos estavam sob efeito da bebida. Na noite do banheiro, ambos estavam sob efeito de bebida de novo. Acho que dá pra argumentar que talvez nessas duas ocasiões, a própria S. não soubesse o que estava fazendo (como foi argumentado aqui, posts atrás, que o carinha que forçou a barra pra ter sexo com a amiga estava bêbado e provavelmente não fez por mal).

Mas e o resto? O cara diz que quer esquecer, S. vai pra casa dele atrás de sexo. O cara é educado, argumenta, explica porquê não quer. Ela desiste? Nah, quando chega a tal viagem ela já vai "pensando em seduzi-lo" (palavras da própria). Esse tempo todo foi a bebida em ação? Disse e repito, me parece que ela tinha condições de entender as coisas (e ela mesma diz que não dá pra culpar o álcool).

Kenny Guilherme disse...

Em tempo: minha dúvida reside nas possíveis atitudes que o cara poderia tomar para evitar fazer sexo com ela. Não tem a ver com o argumento tosco de 'teve ereção não é estupro'. Mas, sei lá, ficar procurando alternativas para o comportamento do cara não soa como discurso para culpar a vítima?

Ana disse...

(II)
(II)

S., mesmo que você estivesse bêbada em alguns momentos, mesmo que você não tenha tido má intenção, mesmo que o cara não se sinta uma vítima, mesmo que você não tenha batido nele, mesmo que agora você esteja arrependida, e mesmo que eu goste de saber que você tem olhar crítico sobre o assunto, eu tenho que dizer: você atropelou a vontade desse cara de todas as maneiras possíveis porque você queria porque queria transar com ele. Pra mim, foi estupro. Não foi só uma noite ruim, há um histórico aqui que eu não consigo deixar de levar em conta. Ele disse "não", você tinha capacidade de entender a mensagem, e mesmo assim foi em frente. É um problema. É um grande, enorme, problema.

Todo mundo pode dar umas investidas, mas ouvir "não" e ignorar? É exatamente o que tentamos evitar.

S., não te desejo mal. Mas acho que você precisa fazer alguma coisa, rever teu comportamento, conversar com o rapaz, procurar uma ajuda se não conseguir parar com essa postura. Mesmo que no final não seja estupro, me preocupa seriamente o que pode acontecer se você continuar agindo assim. Você foi, no melhor cenário, extremamente egoísta.

--


Gente, "não se defendeu", "não se sente uma vítima", "não foi agredido" não são argumentos pra determinar quem é vítima ou não. Isso é extremamente relativo, especialmente no caso de um homem, que a gente sabe que foi ensinado que "homens devem aceitar sexo" (e talvez até que "homem não pode ser estuprado" como muitos vieram recitar aqui). E mesmo com mulheres, quantas não gritam/batem no agressor? Quantas não veem o que aconteceu como estupro, vindo a se dar conta do que houve só depois?

Estou com a Lola que quem decide é ele e se ele achar que não foi nada, então não foi. Mas sinceramente, esses argumentos não são suficiente.

Anônimo disse...

O complicado é que, pelos comentários, tanto as mulheres estão condicionadas a negar que foi estupro, quanto os homens a admitir que um homem possa ser estuprado. Talvez ele simplesmente continue amigo dela pelo fato de ser homem e de acreditar que uma mulher que força a barra é simplesmente uma mulher de iniciativa. Ele, condicionado pelo machismo da sociedade, se recusa a acreditar que foi vítima, porque acha que é impossível um homem ser vítima ainda que ele sinta algum desejo. Pelo visto ele sentia algo por ela, mas não queria concretizar. Talvez um dia ele respondesse às iniciativas dela, mas no momento ele não queria e ponto. Se fosse o contrário, a S. certamente teria chorado, se sentido violada, abusada, estuprada, e perdido a confiança no amigo que forçou a barra, ainda que ela sentisse algum desejo por ele. Quantas vezes falamos aqui que o "não" é o limite? Que se você consente em beijar um cara, tirar a roupa, mas desiste de transar e ele força, passa a ser estupro? Concordo com a Lola sim, a S. estuprou o cara. E por ser feminista, ela reconhece isso (as machistas achariam que ele não pôde resistir a seus encantos e que não há homem fiel mesmo), e o cara, sendo homem e condicionado a ser macho, nunca vai se ver como vítima pelo fato de ele sentir algo pela S. que ia além da amizade. Só que ele disse não, várias vezes...

Sofia

Laurinha (Mulher modernex) disse...

O começo do post me fez pensar nesses "Don Juans" que existem por aí, frutos da sociedade machista.
Quem nunca teve conhecidos/colegas/parentes/amigos que mesmo namorando ou casado, canta toda mulher que aparece na sua frente, mas aí se a mulher ficar a fim e resolver aceitar, ele sai correndo?
Acho isso é fruto de dois pensamentos machistas. Primeiro o de que homem que é homem tem que estar sempre correndo atrás de alguma mulher, somando mulheres na sua coleção, mesmo que nem esteja a fim ou que já tenha um relacionamento. Segundo o de que mulheres não gostam muito de sexo.
Aí o cara não está a fim ou não quer trair, mas fica cantando outras achando que está cumprindo seu papel de macho e que não tem perigo de nenhuma aceitar, afinal mulher não curte sexo por sexo, e quando a cantada cola, ele até se assusta.
Enfim, passou isso pela minha cabeça, não sei se ficou claro, rs.
Quanto ao assunto do post, acho que a Lola já disse tudo. Pra mim ficou claro que o cara não queria, por não estar a fim ou por não querer trair a namorada, mas deixou rolar, por estar bêbado demais ou por esses pensamentos de que como homem, não poderia recusar.

Anônimo disse...

Concordo com Radhra.

Se ele disse 'não posso' ou 'não quero', não interessa. Não importa o motivo. Não é não!

Quer dizer então que se uma mulher for fisicamente forte ela não corre risco de ser estuprada por um homem fisicamente mais fraco?

Ele a rejeitou e ela não aceitou isso. Ele não estava em dúvida. Por isso acho que foi estupro sim.

Ele provavelmente vai achar que não foi justamente pq homem é criado para achar que não pode negar. Isso mostra claramente como o machismo também é uma violência contra o homem.

Ana disse...

@Raziel
"Tanto faz, são uns dois traidorezinhos boêmios sem vergonha na cara.
Se merecem."

Raziel, que baita surpresa logo você me sair com um argumento desses. Quero dizer, na maioria das vezes você é mais compreensiva, pelo o que tenho visto.

Olha só o que você escreveu... 'tanto faz' se o cara foi estuprado ou não, porque né, eles traíram os parceiros.

Eu tenho alergia a traição também, mas, sério???

Desde quando ser boêmio/trair uma relação faz estupro ser algo que 'tanto faz'???????????? Olha, eu sou tremendamente avessa à boemia, ao álcool e à traição, mas puxa vida, achei esse comentário horroso.

Tô surpresa de um jeito muito ruim.

Anônimo disse...

Só copiar esse trechinho que a Lola escreveu dois posts antes e reverter a situação já mostra o que aconteceu:
"É muito fácil limpar a barra dos homens ao pensar que quem estupra é um monstro. Porque não é. É um cara que pode ser muito simpático em outras oportunidades, mas que aprendeu que “forçar a barra” não é estupro. Aprendeu que quando a mulher diz “não” ela só está se fazendo de difícil. "

Sofia

Camila disse...

Se a gente segue a lógica que sexo sem consentimento é estupro, se o cara disse com todas as letras "não quero" diversas vezes e mesmo assim a mulher forçou a barra, isso configura sim estupro, certo?
Dizer que o homem não pode negar sexo não é o mesmo que legitimar pensamentos como "a carne é fraca" e "ele não conseguiu se controlar" e afins?
Se em outra ocasião ele cobrasse sexo dela, como se ela tivesse obrigação de transar sempre que ele quisesse afinal foi "ela que começou" a história, isso seria mais facilmente aceito como estrupo, certo?

june_miller disse...

Vá para a polícia e confesse, guria. Se está arrependida mesmo, arque com as consequencias. Seja mulher e assuma a responsabilidade. Estupro não é menos pior por ter sido cometido por uma muilher. Não é questão de ser "perigo para a sociedade" é questão de justiça. O que essa jovem cometeu foi um crime grave, não pode passar a mão na cabeça, Lola. Foi um crime.

É esse tipo de "double-standards" que dá má nome as feministas.

Augusto disse...

"Eu particularmente não acho que foi estupro porque, pelo que a moça relata, não houve nenhum tipo de estratégia de dominação, isto é, não houve uso de força física, abuso psicológico, ameaça, etc. Houve sim assédio e essa moça deve se desculpar com seu amigo, e trabalhar para que nunca mais faça nada do tipo com ninguém."

Disse tudo. TUDO. A nomenclatura é o de menos. Mas o que ela fez não pode ser comparado a um ato violento, pois o contexto e o modo que ela agiu atenuam a gravidade do problema. Sendo estupro ou não,continua sendo um ato inconveniente da mulher que deveria ser punido. Quando eu digo que deve ser punido, não significa que passará a ficar presa na cadeia. Mas, sim, fará trabalhos comunitários etc. Não acho que esse tipo de delito deva ser punido com carcere privado.

Anônimo disse...

suckingwisdom, nao tem ninguem querendo provocar polemica. polemico é o post em si.

sinto muito se nem todos concordam com sua visao sobre o tema.

ah, e vc nao é obrigada a responder aos anonimos.




Magrelinha disse...

Para mim houve estupro, e ponto. O pau ficar ereto nao tem nada a ver com consentimento e sim com biologia.

E me incomoda muito a cafagestagem de algumas mulheres que fazem mal as outras, afinal, a namorada desse rapaz nunca quis ter o namorado estuprado e nem ser traída. O problema é que se o rapaz consentisse, muitas "feministas" denunciariam o machismo da traída que chamaria a amante de piranha (e com razao) ao invés de denunciar a falta de empatia entre as mulheres, que faz com que umas cagem para as outras. Óbvio que a responsabilidade maior é de quem está na relaçao, mas o fato de algumas pessoas cagarem para o sentimento das outras e só quererem saber do próprio prazer é muito frio e estúpido. Pessoas nada confiáveis.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Ana

Para mim, QUALQUER tipo de traição é imperdoável(inclusive fora do mundo dos relacionamentos) e quem trai deveria ser posto numa jaula como no zoológico e com grades bem fechadas para não correr risco da criatura arremessar fezes nos seres civilizados.
O fato é: Ele ao invés de dar um fora na garota de uma vez, ficou de joguinho-inho e até no final fez por vontade própria.
Ambos são sem caráter.
E se quer saber, a mulher foi mais sem caráter que ele, além de estuprar, também cometeu traição.

De fato, sobre o estupro ocorrido, se houvesse como, eu até iria querer que ela fosse processada por atentado violento ao pudor(aka estupro não-vaginal) e sofresse as sanções previstas em lei, mas apenas por uma questão de justiça.

Quem trai(em qualquer sentido), é menos que humano.

Anônimo disse...

O Rafinha Bastos com piada de estupro gerou mais revolta do que esse caso onde o estupro foi real.

Será que se invertêssemos os papéis o texto terminaria com "eu não quero que você seja punido"?

Cris disse...

O que este post revela pra mim: a maior parte das pessoas que lêem, postam e comentam neste blog (não só machistas, mas TAMBÉM feministas) sofrem muito com culpa cristã. E isso não combina nem um pouco com a moral libertária que a maioria aqui pretende ter.

Parece que o pessoal tá se preocupando muito mais em analisar e detectar estupros e alimentar traumas do que em curtir a vida, mesmo com todas as complexidades, ambiguidades, arrpendimentos e superações que ela implica. Beijos a todos e todas.

Anônimo disse...

Na minha opinião foi estupro, e vejo o fato de ele ter ido procurar ela de novo como ele tentando seguir o que a sociedade manda (querer sempre transar, por ser homem), querendo "compensar" (pra si mesmo) por não ter feito isso no dia do estupro.

Carolina Lucas Paiva disse...

@Ana

Concordo contigo, ela é stalker. O que me preocupa nesses casos é a falta de empatia, é ela achar que poderia sim passar por cima da vontade dele.
A única dúvida que tenho é em relação ao consentimento. Que ele não queria fazer nada com ela é bem óbvio pelo relato, mas, assim como no relato anterior (da mulher que transou com o amigo sem ter vontade), não dá para saber se no final ele acabou consentindo ou não. Eu acho que ele não consentiu, assim como também acho complicado ele assumir para si mesmo e para os outros que foi estuprado.

Anônimo disse...

Razial, na boa, vai viver um pouco e deixa esse moralismo monogâmico de lado. Do jeito que você fala é como se o caso da Karina Veiga (caso ela tenha de fato traído o namorado) tenha sido justificável.

Brasil, país do "sexo" e do moralismo religioso.

Radhra disse...

Gente, por favor, parem de misturar as coisas: uma coisa é julgar o ato crimonoso, outra a moral das pessoas.

Eles terem traído não é crime, o estupro sim. Ponto final. Moral e bons costumes vem da cabeça de cada um, crime é um fato.

Agora, sobre se deveria haver punição eu concordo que sim, porém no sistema machista que vivemos eu duvido que uma vítima homem consiga ser realmente levada a sério (e obviamente não vai querer, lembrem-se que quem fica marcado pelo estupro é a vítima de qualquer gênero, é ele que vai virar piada e a quem toda a sociedade vai pisotear e colocar a masculinidade em dúvida). Duvido até mesmo que a moça estupradora seja levada a sério se quiser "se entregar" na delegacia.

Então a punição é merecida? Sim. Seria justo, como em qualquer caso de estupro.
Provável? Não, como - infelizmente - na maioria dos casos de estupro.

Agora, uma coisa é o ato e outra é a pessoa. Traição, iniciativa no sexo, recusa na rejeição, etc nada disso deveria ser confundido com o ato do estupro em si, nada disso é crime.

Falando de moral, o corpo da S. é dela e ela usa ele como bem entender, independente de seus outros compromissos e relações.

Apesar de eu achar que o ato relatado merece sim punição como crime, entendo que o fato de ela expor incômodo com isso indica uma chance menor de ocorrer de novo.

Anônimo disse...

Isso não é estupro. Aliás, pela lei, isso não levaria a nada. Houve apenas insistência pela parte dela, mas ele também ficou lá, sem fazer nada. Isso se chama erro. Ele provavelmente se arrependeu, mas se fez de novo foi porque gostou do erro. Também concordo para pararem de banalizar. A cultura do estupro é podre e nojenta, mas nem tudo pode ser considerado estupro, devemos usar nossa distinção com alta seriedade. (Não nego que podem existir mulheres que estupram homens, seja cis* ou nao, mas nesse caso não creio que houve estupro, apenas um cara que não queria e acabou cedendo à pressão, mas se fez de novo, existe mais sentimentos envolvidos.)

Sara disse...

a julgar pelos últimos comentários deveriamos juntar todos os q traem em uma campo de futebol (bem talvez não caibam todos) e promover um apedrejamento publico o q acham??? bem vindos ao talibam tupiniquim....

lola aronovich disse...

A quem pergunta se o caso fosse inverso (se quem me escrevesse fosse um homem perguntando se estuprou uma moça e dizendo-se arrependido), meu tratamento seria que ele não deve ser punido, minha resposta é SIM. Apesar das falsas simetrias, creio que minha resposta seria a mesma dada a S. Tanto que neste post eu publiquei o relato de um leitor que, por puro terrorismo psicológico, assediava mulheres sozinhas de madrugada. O que ele fazia era lamentável, mas ele refletiu e viu como estava errado. Acho admirável que ele tenha chegado a esta conclusão.
Antes de receber este email da S, recebi o email de um leitor, gay, que contou, corroído pela culpa, de quando abusou sexualmente de dois parentes (um menino e uma menina) mais novos que ele. Só não publiquei o relato até agora porque parece que as vítimas também leem meu blog. Mas, assim como sinto pelas vítimas, também sinto pelo rapaz.
Ah, então qualquer estuprador pode estuprar, e depois é só mandar um email arrependido pra este blog, e tudo bem? Não, não é bem assim. Primeiro que estamos falando de um caso em que a estupradora e a vítima nem têm certeza se houve estupro. Não há um boletim de ocorrência nem nada. Segundo que eu não sou um júri ou juíza pra determinar quem será punido e quantos anos de prisão receberá.
A Cris disse que muitxs de nós confundimos crime e moralidade, e concordo com ela. Outra coisa é que vejo que muitxs de vcs têm uma sede de vingança incrível, e pra mim punição não é vingança. Condenação, cadeia, não é só cerceamento da liberdade como punição e como afastamento de um indivíduo perigoso do convívio com a sociedade. Isso faz parte, mas o principal é a reabilitação. É que essa pessoa não cometa mais crimes contra ninguém.
Não vejo a S. como uma estupradora serial, vcs veem?

yulia2 disse...

" De um modo geral, a vida das mulheres é considerada mais valiosa que a vida dos homens. A repercussão social do assassinato de mulheres é sempre maior que a dos homens. Se algumas mulheres que são chacinadas violentados forem mortas, o fato será comentado nos próximos anos, enquanto as inúmeras chacinas e abusos de homens são rapidamente esquecidas após alguns dias.

O assassinato e uma bela mulher, e investigado( e deve-se) e divulgado pela mídia a exaustão, enquanto o assassinato de centenas de homens diariamente, e tratado como apenas estatística, ou seja, somos apenas utilitários descartáveis"
________________

qual a fonte desse texto?
algum blog masculinista?

Anônimo disse...

Bem, posto anonimamente por não querer me expor aqui. Sou homem e sinto que já fui estuprado por mulheres duas vezes. Sinceramente, acho babaquice considerar ereção sinal de consentimento. Eu tenho ereção todo dia ao acordar. Isso é sinal de excitação? A fisiologia masculina também é complexa, minhas caras. Prova disso é um cara brochar. Nem sempre a cabeça de cima tá junto com a cabeça de baixo. Enfim, numa das vezes estava bêbado em um carro e uma amiga ficou me bolinando sendo que eu insisti muito para que ela parasse. Não estava afim mesmo. E ela forçou. Em outro caso, uma segunda amiga chegou em minha casa, e já foi me agarrando sem eu nem poder fazer nada. Vocês falam de força. Vocês realmente acham que é deboa eu, como homem, mesmo em defesa, usar força contra uma mulher? Na hora que tudo acontece ficamos sem reação. Me senti horrível depois. Ela me obrigou a transar sem camisinha e tive uma ejaculação absolutamente dissociada de orgasmo. Ou vão dizer que não sabem que isso existe também? Pois é, nem sempre ejacular é gostar/ter orgasmo. Enfim, nunca mais aceitei isso. E muito demorou até entender ambos os casos como abusos que sofri.

Vivi disse...

Pessoal, tô achando a discussão ótima! Mas ainda achando que não foi estupro.
Kenny guilherme: entendi seu ponto, mas ainda acho que o que vc diz do

"poder" que a autora teve sobre o cara foi o velho machismo, que ensina que homem não pode dizer não"

Acho que isto não pode ser considerado dominação. Se ela utilizou isso foi um jogo baixíssimo, mas não há uma situação onde ela detem o poder e o cara numa posição de submissão. Certamente é uma pressão, mas não uma dominação. Não há violência, nem simbólica muito menos física.
Temos que tomar cuidado do que consideramos violência e pressão, são muito distintas!
Estupro é algo muito serio e devemos pensar com seridade tais assuntos para reflexão.

Fiquei pensando na pessoa (i like dworkin) qe disse que não pode haver estupro de mulheres contra homens numa sociedade patriarcal. Achei interessante a análise e me pegou pra pensar.Mas ainda sim fico com o exemplo de uma chefe que obriga um subalterno a fazer "sexo".
Por outro lado, se pensarmos que não há racismo de branco contra negro (o que pode ter é preconceito), porque racismo é uma opressão historico-scialmente construída de um povo contra outro, me peguei fazendo a comparaçãocom o caso de estupro.
Se estupro é a dominação de um forte cotra o fraco, até faz sentido pensar que não há estupro de mulher contra homem..
Mas sei lá...acho que este caso é bom para uma boa reflexão-não leviana- de todos!
abraços

Renata disse...

Puxa, tô eu no tutube ouvindo uma musiquinha.. e olho a propaganda: "Cabelos tão bonitos que eles vão te cantar."

Que nojo que me deu.
É da Palmolive. "Novo Palmolive Naturals Renovação Pós-Química"

Vontade de gritar com a pessoa babaca que escolheu essa frase.

Radhra disse...

@Lola

*Primeiro que estamos falando de um caso em que a estupradora e a vítima nem têm certeza se houve estupro. Não há um boletim de ocorrência nem nada. Segundo que eu não sou um júri ou juíza pra determinar quem será punido e quantos anos de prisão receberá.*

- Os motivos pelos quais a estupradora e o estuprador "não tem certeza" se foi estupro são culturalmente arraigados, mas acho que entendemos que ele disse não e ela continuou.

Milhares e milhares de violências todo dia passam impunemente sem boletins de ocorrência e isso não faz deles atos menos violentos. Prestar queixa e assumir culpa é sempre uma opção dos envolvidos, claro, mas também entendo que movimentos feministas tentam dar a essas vítimas (ou agressor, nesse caso) força para avaliar a situação e ir atrás do que sua consciência mandar, se assim quiser.

Comigo mesmo, eu sinto que não considerar isso uma violência simplesmente porque as vítimas decidiram que essa seria a melhor forma de lidar com isso é jogar para debaixo do tapete muito do que lutamos pra mostrar.
Mas enfim, a decisão é sempre deles, mesmo que cada um tenha sua própria opinião.

Deixar um ato desse impune é, ao meu ver, ignorar e fingir que não existiu uma violência que já é bastante escondida pela sociedade.

Agora, o que na minha opinião não deveria ficar impune é o ato, não a pessoa.
Sede de vingança é uma coisa que não gera resultado nenhum, reavaliação do ato praticado sim.




*Não vejo a S. como uma estupradora serial, vcs veem?*

Sim, vejo, inclusive demonstrado no texto:

"Já tive esse tipo de comportamento (mais agressivo, digamos assim) com outros parceiros, mas estava claro que eles gostavam de mim e estavam curtindo a situação."

Ah, então se o cara era parceiro dela, gostava dela ou "estava gostando da situação sim" tudo bem?

NÃO!

Esse tipo de pensamento invalida todo o discurso feminista de que ESTUPRO é ESTUPRO
-mesmo no casamento,
-mesmo se a vítima já tiver relações,
-mesmo se antes ela estava a fim antes

Isso poderia muito bem ser um ciclo que continua, não entendo porque isso não seria serial.

Se a S. indicou isso no próprio texto é evidente uma necessidade de reavaliação do posicionamento quanto ao consentimento e quando ao NÃO de qualquer ser humano (como indiquei no meu primeiro comentário) para que esse tipo de atitude não ocorra mais, reavaliação esta que pode estar ocorrendo neste exato momento justamente por meio desse blog.

Anônimo disse...

Sou homem e sim foi estupro.
Ela é uma estupradora.
Ele falou não e ela ignorou.

Arrependeu-se, mas estuprou.

Se fosse um homem na mesma situação e falando que arrependeu-se seria julgado pelos seus atos.

Ela deve assumir pelos seus atos, mesmo que não exista processo, BO, etc. E pedir desculpas. Não dá para esconder o sol com a peneira.

ZeNinguem disse...

Eu vejo como serial, justamente pela conduta dela.

Ela levou sorte de encontrar pessoas as quais estavam com vontade, mas ela força a barra, ignora o não, insiste, 'stalkeia', todas condutas que em homens são execraveis. Só pelo fato dela ser mulher estes comportamentos deveria ser ignorado?

yulia2 disse...

O engraçado é que, na raríssima hora em que o homem sofreu um prejuízo porque era homem (como esse estigma imbecil de o homem sempre querer sexo), os mascus, supostos ativistas dos direitos dos homens, falam que o homem não sofreu nada, e não falam nada sobre o tal estigma! Ridículo[2]

masculinistas cara....

não são para levar a sério!

Anônimo disse...

Quanto mais leio os comentários, mais confusa fico.
Sinceramente, acho que não dá pra afirmar se foi estupro ou não sem ouvir o lado da vítima.
Seria interessante conhecer o ponto de vista do rapaz, saber o que ele sentiu na hora (nojo? vergonha? tesão?) e o que ele sente agora.
Pela versão relatada aqui, fica parecendo um estupro mesmo. Mas não consigo deixar de pensar que talvez o rapaz tenha uma versão diferente dos fatos. Complicadíssima essa situação.
Só posso afirmar à moça uma coisa com certeza: Resolva essa questão com ele! Só ele te dará a resposta que vc precisa. O que as suas amigas, a Lola e todo mundo que comenta por aqui fala pode até ajudar, mas a resposta definitiva só o seu amigo tem.
Boa sorte S.

luiza disse...

eu acho que tem vários masculinistas comentando aqui, só que como eles estão concordando que isso foi estupro, estão passando despercebidos. Mas é só prestar atenção no teor misógino de certos comentários.

Eu concordo com a Vivi e a fã da Dworkin. Não podemos pegar o caso a valor de face, no contexto patriarcal fica muito complicado falar que uma mulher estuprou um homem, cometeu violência doméstica, etc. Justamente porque não faz parte de uma exploração sistemática.

Quando a violência envolve duas pessoas do mesmo sexo, já muda um pouco, porque é uma questão de heteronormatividade.

Raziel von Sophia Imbuzeiro disse...

Partindo para a questão do estupro(desprezando o quão vil foi o ato de trair dos dois lados), pode-se tirar duas conclusões:

1- Ocorreu estupro em sua definição estrita: Sexo sem consentimento.

2- Não é algo que venha a valer um litígio, principalmente porque não houveram traumas ou danos. Puni-la de acordo com a lei seria extremamente desproporcional, uma vez que o dano foi pequeno demais e simplesmente não valeria a pena causar danos maiores a ele.

Mas sim, guest poster, tu és uma estupradora.

Anon das 18:35

"Razial, na boa, vai viver um pouco e deixa esse moralismo monogâmico de lado."

Primeiro: Eu deixei claro que é traição em qualquer campo, não apenas amoroso.

Segundo: Não possuo absolutamente nenhum "moralismo monogâmico", inclusive minha primeira namorada vivia um casamento aberto e o namoro só acabou porque o marido dela ficou butthurt com minhas poesias.

Kriss Fox disse...

Quanta bobagem!

O homem tem ereção matinal e não quer dizer que seja "tesão"!!!

Desde que se diga NÃO, é NÃO!

Se as mulheres não respeitam os homens, que respeito ela pode exigir?

L disse...

Oi. Eu sou a moça que mandou o guest post "No movimento estudantil também tem história de horror" e queria dizer que me perturba profundamente o argumento de que o cara não deve ter sentido-se violado por ela porque procurou sexo com ela depois. Eu continuei andando com o grupo de amigxs do homem que me estuprou e ansiava que ele fizesse qualquer tipo de contato comigo. Eu queria que ele agisse de modo "normal" (ou seja, quisesse ter uma relação comigo em algum nível) para não ser "anormal" o que tivesse acontecido conosco. Eu queria acreditar que "estava tudo bem".
Talvez o rapaz que a S estuprou tenha tido o mesmo sentimento, ao insistir que ela fizesse sexo com ele, achando que isso fosse consertar as coisas dentro dele. O fato de ter se afastado dela depois só me dá mais forças para acreditar nessa teoria.
Abraços

Anônimo disse...

Engraçados como brotam guests posts aqui, todo dia tem uma R., S., D. A Lola foi abençoada por Deus com vários visitantes contando histórias exatamente do jeito que ela queria ouvir. Parece até um milagre como sempre aparece a história certa pra comentar o assunto certo.

lola aronovich disse...

Pois é, anônimo das 21:17, eu tenho uma criatividade ilimitada para inventar todos esses guest posts. São histórias tão diferentes, e todas vêm da minha mente fértil. Sabe, é um insulto a essas pessoas (que, ao contrário de vcs mascus, têm por que insistirem no anonimato) que vc sugira que elas são invenções, ou, como outras pessoas falaram, que são fakes. Esses casos são muito reais. E sim, sou abençoada (e muito grata) que tanta gente confie em mim e procure o meu blog para compartilhar suas histórias. Porque os guest posts nos ensinam muito, e aumentam o escopo do blog. São outras vozes, outras experiências, outras opiniões. E todas muito válidas.

SeekingWisdom disse...

Discordo veementemente de I_like_Dworkin nesse caso.

Qualquer ato libidinoso sem o consentimento da contraparte é estupro, a lei é clara. O estupro ocorreu quando S. não respeitou a vontade do parceiro.

Verdade que o ato pode ter implicações diferentes na situação oposta, incluindo violencia fisica e tal. Contudo, no caso oposto pode n acontecer nada disso. Um cara poderia forçar sexo com a parceira e ela, apesar de inicialmente negar, sentir prazer e não encarar a ação, no conjunto, como violencia. Seria estupro ainda sim.

Ou seja, as implicações do estupro vão variar conforme o contexto (houve violencia fisica, verbal, humilhações, etc, etc) mas o ato em si não muda de nome pela inversão de papéis.
Como alguém bem lembrou, em casos de pedofilia pode acontecer o mesmo e ter consequencias gravíssimas para a vítima.

Quanto à penalização a Lola está certa em apontar a sede de vingança de alguns aqui. Oras, concordo que o ato foi grave, mas quem é capaz de JULGAR isso não somos nós e sim as partes envolvidas. Acho que, se for o caso, S. deve se responsabilizar por quaisquer danos psicológicos causados ao parceiro, reparação moral.

Pequenas histórias cotidianas disse...

Olha, eu tou bem em dúvida mesmo, sabe? Eu acho assediar errado, Isos é certo. A moça do post assediou seriamente o rapaz. Acho que existe uma diferença entre toma de tomar a iniciativa e assediar.Assediar é insistir e tomar a iniciativa pela primeira vez de forma agressiva. Por outro lado, eu acho mesmo que a moça deve conversar com o rapaz e perguntar o que foi aquele momento pra ele, sabe? Pq assim, ele pode ter dito não em vários momentos e mesmo no tal momento, mas ao mesmo tempo, depois de dizer isso ele pode ter querido. E sei que depois ele ficou nervoso. Mas, esse nervosismo, será que não era culpa por ter querido e ter namorada? Como ele agiu no momento? Beijou a moça, agarrou ela? A tocou? Acho que isso pode dar melhores sinais que a simples ereção (que realmente, pode acontecer em muitos casos de estupro). Por favor, não entendam que eu acho que homens não podem ser agredidos sexualmente por mulheres. Acredito que sim mesmo. Só fico em dúvida nessa situação. Posso dizer por mim mesma.. em umas duas situações, eu me esquivei de situações assim por alguns momentos antes de transar com alguém (por culpa cristã), mas no fim eu disse sim. Posso ter me arrependido por os caras serem babacas, mas não me senti estuprada.. e sim arrependida. Por favor, mascus, não entendam que dizemos não querendo dizer sim, só para provocar. Foram duas situações bem específicas, ok? Outras vezes que disse não era não mesmo e graças a deusa smepre fui atendida.

André disse...

Como assim a mulher não tem poder? Experimente um homem recusar a fazer sexo e a preterida espalhar o fato. Os homens são pressionados socialmente a nunca recusar sexo, uma mulher que aproveita dessa situação está exercendo um papel de poder.

lucas fábio disse...

lola, leio sempre seu blog e quase sempre concordo com vc. mas, dessa vez, discordo totalmente. não houve coação física ou moral nessa situação. independentemente da ereção, ele poderia não ter transado. ser impetuosamente convencido a algo e depois se arrepender não é o mesmo que ser física ou moralmente coagido. estupro é um crime com pena mínima de 6 anos de reclusão. e é uma pena justa. não é um conceito que deve ser banalizado.

Raposa disse...


Não tenho tanta certeza se essa moça aí não faria de novo,só prq está arrependida.

Pelo que li,ela tem o típico pensamento egocêntrico de um estuprador 'mais grave',digamos assim.Não conseguiu suportar um não de um cara,e teve que apelar pra joga-lo num banheiro.
Se o relato for real em todos os detalhes,essa moça é tão egocêntrica que chega a trair pra ter seus próprios desejos realizados.
E concordo com a Raziel com relação ao namoro.Traição não é uma atitude perdoável,e é uma quebra da própria palavra dada,a quebra de uma promessa feita (isso julgando que ela iniciou um namoro monogâmico...mas assumo que é,por algumas passagens no texto).
S. traiu um alguém (e mesmo se não fosse namorado,que fosse qualquer um que ela tivesse prometido algo) só prq não conseguiu lidar com a rejeição de um homem.

Marina Rodrigues disse...

Gente, por que é tão difícil assim de enxergar os fatos quando a situação está invertida? Não somos nós as primeiras a afirmar que "Um estupro, na maioria das vezes, não acontece num beco escuro de noite - que o estuprador geralmente é um amigo ou um familiar - ou que estupro não é composto só pelo ato físico, mas também por toda a pressão/violência psicológica por trás dele"? Então, não foi diferente com esse cara! Ele foi estuprado sim, não só pela menina, mas por toda uma sociedade que meteu na cabeça dele que se ele não fizesse sexo com ela, ele não seria "macho o suficiente". Tenho certeza que ele deve ter se sentindo tão mal quanto nós, quando saímos com um cara e nos sentimos na obrigação de transar com ele depois do encontro. Digo mais, acho que ele ainda está sendo estuprado por todxs aqueles que dizem que por ele ter tido uma ereção, ele consentiu. Isso é um absurdo!

Lívia Carvalho disse...

Apenas uma sensação... mas esse depoimento me soa fake, bem fake.

ZeNinguem disse...

É inusitado ver que algumas mulheres duvidam da veracidade do relato.

Ao mesmo tempo quando é um relato de uma mulher acontece o contrário ...

Empatia com a vitima unilateral

Anônimo disse...

Homem estuprado por uma mulher ?
E uma das coisas mais estupidas que eu ja li na vida !

Fórmula de Bhaskara disse...

Também me soou fake, mas vamos considerar que seja um depoimento verdadeiro:concordo com algum (ns) que disse(ram) que estupro é crime, e como tal , o conceito deve ser melhor delimitado, senão tudo vira estupro. Há fatos que podem perfeitamente ser considerados infrações penais que atentem contra a liberdade sexual (atentado, assédio, sevícias sexuais, etc.)No caso do rapaz, pra mim ele sofreu um assédio e achou melhor se deixar usar pra resolver a situação e deixar a menina ir embora satisfeita, e já que havia uma ereção (e provavelmente um orgasmo), ninguém saiu fisicamente ferido daí. Eu sou mulher, então eu não sei se quando um homem tem ereção, boa parte do racional dele se esvai,também não sei se uma penetração forçada vai fazer o pênis dele doer tanto quanto uma vagina (ou ânus) doeria na mesma situação, e tenho que fazer um esforço tremendo pra imaginar um rapaz que seja tão indefeso ao ponto de não conseguir empurrar uma moça de cima dele e sair correndo. Olha eu já levei não de rapazes e com certeza se eu insistisse levaria um empurrão / bronca / daqueles. Mas recomendo à menina com ares de dominadora (autora do post): vá e converse com ele, sexo é mesmo complicado, vamos ao ato e levamos toda as neuras e complicações, vai ver ele não curtia essa tara de ser dominado, daí se sentiu ofendido naquele momento,mas posteriormente acabou gostando, tanto que repetiu do jeito dele (carinhoso) pra desfazer a sensação ruim da primeira transa.

ViniciusMendes disse...

Ela queria ficar com ele pq sentia tesão nele ou pq queria reafirmar pra ela mesma a dominância sexual que tinha? O que era mais importante pra ela, eles sentirem prazer ou ela resolver as próprias inseguranças em relação a recusa? O fato dele ser comprometido tornava a situação mais interessante, já que ela estaria provando a própria superioridade?

Foram essas as coisas que eu me perguntei lendo o texto e os comentários... E tudo isso cai em relações de poder. Se estupro não é sexo, é demonstração de força, e se os motivos dela não foram tesão, mas necessidade de se afirmar enquanto superior e irrecusável, se ela usou do contexto social pra coagir o rapaz, isso tudo aos meus olhos torna isso um estupro.

E eu não sei, e nunca vou saber totalmente, como o estupro afeta emocionalmente uma mulher. Mas já tendo transado por questões de forçação de barra e já ter expulsado um rapaz que tava afim de mim de casa pq ele insistia quando eu não queria, eu posso dizer que pra um homem, uma relação forçada mesmo com alguem que dê tesão não é a sensação mais gostosa do mundo... Tá possivelmente entre as piores.

ZeNinguem disse...

Quer dizer que se não há relação explicita de poder não é estupro ?

Quer dizer que se ele não reage, é o mesmo que sinal verde para o estupro ?

Quer dizer que se não doi, está liberado o estupro ?

Obrigar, passar por cima do não e sonhar com o arrependimento depois isenta homem ou mulher de culpa ?

É inusitado que várias mulheres fiquem relativizando a situação quando é uma mulher que estuprou.

E por último se uma mulher sofre assedio (não violento), tem o NÂO ignorado, e o sexo não é feito de forma a demonstrar poder sobre ela, então de acordo com inumeras opiniões não é estupro ?

Pq um homem falando não e sendo ignorado é tão diferente de uma mulher falando não e sendo ignorada ?

Anônimo disse...

As pessoas que não estão acreditando na história só podem acreditar no mito de que mulheres não gostam de sexo.

Para lhes dar um ponto de confirmação:
Sou mulher e já cogitei estuprar um cara que havia me rejeitado, mas que confiou em mim e estava sozinho comigo no meu quarto. Também já cogitei abusar de amigos que estavam bêbados ou dormindo.

Mas nunca fiz NADA contra a vontade de nenhum parceiro ou amigo meu, motivo? Eu me forço a lembrar que o que eu estava pensando em fazer é estupro, e me controlo.

Essa é outra utilidade de se definir esse tipo de ato como estupro: Faz a pessoa pensar melhor antes de fazer.

Helena disse...

"Eu não quero que você seja punida. Não te vejo como um perigo pra sociedade. Acredito que você nunca mais estuprará alguém de novo. Só espero que você e seu amigo possam se recuperar deste trauma."

Lola, eu gosto do seu blog, mas se o post fosse de um homem em dúvida se estuprou uma amiga você NUNCA diria isso. Dois pesos e duas medidas não rola, né?
Há alguns dias você chamou de perigoso e bizarro um cara que sentia muito ciúme do passado da namorada e agora passa a mão na cabeça da moça que forçou sexo com o amigo? Por favor.

Gabriel disse...

Não acho que estupro tenha nada a ver com ereção. Mas devemos considerar também que estupro é você fazer sexo "mediante violência ou grave ameaça".

Se a menina tivesse dito "vamos fazer sexo se não vou contar para sua namorada", é uma situação. Se ele tivesse bêbado em um semi inconsciente, sem condições de manifestar sua vontade, seria uma situação.

Mas, sei lá, qual foi a violência ou grave ameaça que ela fez? Uma pessoa não precisa concordar com os juízos e valores morais da outra, ela só não pode forçar a outra a fazer algo que a outra não quer.

No relato: "não, não posso" foi seguido de "deixou abrir minha calça". Não com violência (física ou verbal), não com ameaça, e, ao que consta, o cara estava 'consciente' (tanto que depois que fez isso se sentiu bastante culpado e foi embora).

Podemos discutir se isto foi machismo, no sentido de ter se aproveitado do papel social de macho para constrangê-lo a fazer o que a menina queria que ele fizesse, e eu concordaria neste termo, e acho que toda a argumentação da Lola me levou a justamente a reforçar este entendimento.

Estas questões são complicadas, porque tem muita coisa além da linguagem verbal e do contexto. Uma coisa é alguém (mais fraco) dizer não, e o mais forte fazer algo (independente do sexo, tem mulher mais forte que homem sim). Outra coisa é alguém (mais forte) dizer não, mas deixar o mais fraco fazer algo. A violência (objetiva e subjetiva) é bastante diferente, e acho que se aplica nesse caso.

P.S.: acho meio complicado as pessoas que chegam aqui com certeza absolutíssima de que foi ou não foi, dando a resposta a priori, sem desenvolver o argumento, para um caso que não nem perto de ser simples... acho que devemos estar prontos para discutir estas questões de forma bastante energica, mas dispostos a discutir...

Abs,
Gabriel

Vivi disse...

Marina Rodrigues; “Gente, por que é tão difícil assim de enxergar os fatos quando a situação está invertida?”

Marina, eu acho que não dá para simplesmente inverter a relação, uma vez que se trata de uma relação assimétrica/desigual. Historicamente e socialmente (e em certa medida fisicamente) a mulher não tem o mesmo poder do homem, por isso que não dá para, neste caso, inverter a situação para analisar. Vivemos no patriarcado.

Zé Ninguém disse;
“É inusitado que várias mulheres fiquem relativizando a situação quando é uma mulher que estuprou”

Eu não acho isso uma relativização, acho que é contextualização. Contextualização de que estupro é um crime (hediondo?) que se insere numa estrutura onde homens e mulheres são tratados como desiguais. Onde o peso de 6-7 mil anos de patriarcado deixam suas marcas em todas as relações sociais, por isso que não há como “neutralizar” o gênero (analisar o caso sem levar em consideração se é homem ou mulher o agente agressor), ou inverter a relação para se analisar um estupro.

Leio Lola Leio disse...

Foi estupro.
Homens têm ereção ao acordar.
Uma ereção não significa disposição consentida para o sexo.
Estão aí os medicamentos que promovem a ereção para comprovar isso, que a coisa toda pode ser tão somente reação física.
O paralelo com o estupro feminino é sim legítimo.
Acho que a autora do texto faria bem a si mesma se fizesse terapia e se conseguisse conversar com o cara sobre isso. No meu caso seria muito mais difícil a segunda atitude que a primeira.

Leio Lola Leio disse...

Imagina a cabeça de uma moça que foi estuprada e penetrada nessa ocasião (a lei atualmente faz distinção quanto a isso), se em algum momento, a vagina dela chegou a ficar lubrificada (e olha que a vagina pode ficar lubrificada em ocasiões nada excitantes, eu digo isso por experiência própria), essa moça terá então que contar para si mesma que não foi estupro, por mais que ela tenha se sentido invadida e vítima de violência, ela não pode reclamar porque ficou lubrificada e, portanto consentiu?! Não, não e não!
A moça do exemplo hipotético que elaborei foi estuprada sim e o rapaz da história da postagem também foi!

Anônimo disse...

Olha, não sei se _nesse_ caso faz tanta diferença afirmar se foi estupro ou não estupro.

A menina agiu como UMA IDIOTA sem tamanho! Gente, que coisa mais fora de realidade.

Fale com seu amigo. Faça terapia, se livre da culpa e NUNCA MAIS FAÇA ISSO.

Eu mesma já me joguei seminua num amigo e ele falou que não tava afim, que não tinha certeza. Fazer o que minha gente, só porque não quer trepar comigo naquele dia é gay? Claro que não.

Respeitei e ponto.

Anônimo disse...

No estupro, ainda que não haja violência (no sentido "porrada"), quase sempre há o espectro da violência. O medo, enfim.
Isso porque na ampla maioria das vezes a mulher é mais fraca fisicamente que o homem.

Então acho que há diferença pela própria constituição física de homens e mulheres.

De forma que o que caracteriza o estupro para mim nesse caso é o fato de que ***a vítima estava embriagada***.

Se ele estivesse sóbrio, acharia difícil alegar que não consentiu, considerando que bastava empurrar a mulher e ir embora. Salvo, é claro, a hipótese de ela ser mais forte do que ele, o que é atípico.



Vivi disse...

Vinicius Mendes, achei bem legal o que vc disse.
“E tudo isso cai em relações de poder. Se estupro não é sexo, é demonstração de força, e se os motivos dela não foram tesão, mas necessidade de se afirmar enquanto superior e irrecusável, se ela usou do contexto social pra coagir o rapaz, isso tudo aos meus olhos torna isso um estupro.”
Também acho que pode haver a necessidade de S. se afirmar com um poder para conseguir sexo com o cara (típico de estuprador) . Mas mesmo assim, como vc colocou, ela “coagiu” o rapaz ao sexo, e não “dominou” o rapaz. A S. querer um poder e tentar se afirmar diante do homem não faz dela, de fato, uma detentora do poder. Querer não é poder (rs). Por isso que não acho que foi estupro.

E tb acho relevante diferenciar –devido a carga histórica- o sofrimento de uma vítima/mulher estuprada com o que vc sentiu (não acho que pode se comparar ,me desculpe). Pelos relatos e pesquisas, muitas de nós preferimos morrer ao ser estuprada. È uma das coisas mais terríveis que pode acontecer com uma mulher. Isto não é figurativo, é real. Medo/trauma/nojo/peso por toda a vida/consequências por tudo o que vc for viver depois daquilo/influencia nas relações sexuais e amorosas futuras etcetcetc...

Anônimo disse...


Muitos homens estupram nessa condição de embriaguês, sem violência (droga, estupro é violência, eu quero dizer sem "porrada" e sem impedir que a vítima saia do local, deve haver alguma forma de expressar isso melhor).
Não vejo diferença para esse caso.
Se virmos, então temos que considerar que também não é estupro transar com mulher bêbada, o que não é nada desejável.

Leio Lola Leio disse...

I_like_Dworkin, parece que vivemos em planetas diferentes, onde todos os homens são mais fortes que as mulheres. Eu olho ao redor, na sala de onde escrevo essas linhas e já suponho quais mulheres seguramente são mais fortes que alguns homens que aqui se encontram. Parece que você nunca se deparou com um homem embriagado na rua, totalmente vulnerável e exposto a qualquer violência (inclusive sexual), ou mesmo ter os seus bolsos furtados, sapatos e coisas do tipo.
Acho que você nunca deve ter ouvido o relato de um homem, como já ouvi de amigos, contando que se sentiu usado, se sentiu um lixo depois de ter ficado com uma mulher, que estava muito bêbado, que não queria ter transado com ela, mas que simplesmente travou na hora e no dia seguinte está totalmente constrangido de falar com ela, pois ele tinha total convicção de que se não tivesse bebido tanto, não teria permitido que a situação chegasse àquele ponto. Enfim. Dados de realidade são fundamentais nas discussões que permeiam esse blog.
Vou repetir o que já foi dito: um dos argumentos do pedófilo é que a criança estava tendo ereção, portanto estava consentindo de livre vontade e gostando daquilo que estava fazendo e não seria violência.

Elisa disse...

Concordo com a Helena, a coisa tem sido tratada como 2 pesos e 2 medidas, eu também me lembrei do post do sujeito com ciumes do passado da namorada, em que ele foi chamado de 'perigoso'. Posso estar errada, mas a autora do post é tão ou mais 'perigosa' que o cara do outro post. Ela stalkeou, não aceitou a rejeição, ignorou o sentimento de fidelidade do cara para com a namorada e forçou sexo quando ele não queria e estava bebado(dizer que 'não posso' não tem a mesma relevancia que 'não quero' é relativizar demais, só porque a autora é mulher, se fosse um homem que ignorasse o 'não posso', ele seria execrado aqui). Ela estuprou sim, e se ela não é um perigo para a sociedade, o infeliz do autor do outro guest post também não é, e foi tratado de forma bem pior aqui.

Anônimo disse...

ZeNinguem disse...
Quer dizer que se não há relação explicita de poder não é estupro ?

Quer dizer que se ele não reage, é o mesmo que sinal verde para o estupro ?

Quer dizer que se não doi, está liberado o estupro ?

Obrigar, passar por cima do não e sonhar com o arrependimento depois isenta homem ou mulher de culpa ?

É inusitado que várias mulheres fiquem relativizando a situação quando é uma mulher que estuprou.

E por último se uma mulher sofre assedio (não violento), tem o NÂO ignorado, e o sexo não é feito de forma a demonstrar poder sobre ela, então de acordo com inumeras opiniões não é estupro ?

Pq um homem falando não e sendo ignorado é tão diferente de uma mulher falando não e sendo ignorada ? ZéNinguem disse tudo!


Ainda achei engraçado os comentáriso "mas se ele não queria deveria ter feito isso, isso e aquilo" não é EXATAMENTE assim que Machistas agem diante do estupro de mulheres?

Bruna B. disse...

Estupro: Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso


Houve violência?
Houve ameaça?
Se não houve, o ocorrido não se encaixa na tipificação de estupro, mas sim na de abuso, que é realizado mediante coação e/ou fraude.

Gisele Fontes Gato disse...

De tudo que li, tenho a dizer: sim, pela atual legislação, após a última alteração, sim, foi estupro. A questão toda se centra no não. A pessoa pode enviar milhões de outros sinais dizendo sim, mas se a palavra utilizada é não, o outro deve parar. Os famosos sinais de que queria dizer sim são resultado de considerações subjetivas, que podem, inclusive, estar prejudicadas pelos efeitos do álcool.

No Neimeir disse...

Sim isso é estrupo, qualquer toque se seja, no corpo de outra pessoa sem o consentimento da pessoa é um abuso. E só porque teve a ereção não quer dizer que foi porque ele realmente queria. Se existe uma mulher se esfregando em você, é obvio que você vai ter a ereção, é o instinto masculino de procriar.
Dizer que não é estrupo só mostra o quão machista tu é.

Letícia disse...

Não considero esse tipo de caso estupro. Nem se a "vítma" fosse uma mulher, não consideraria. Pela que ela descreveu, o cara estava num empasse: a mente dele não queria pois ele tinha namorada, por isso a negação no começo. Mas o corpo queria, então ele ficou excitado e se deixou levar. Quando lembrou da namorada se arrependu e saiu correndo. Se ele realmente não quisesse, não teria feito não teria feito sexo virtual com ela.
Parem de banalizar o estupro, gente. Agora essa menina vai ficar com esse fantasma na cabeça até sei lá quando.

Anônimo disse...

O q define estupro é a falta de consentimento. E é absolutamente impossível, nesse caso em específico, saber se houve ou não consentimento sem perguntar para a (suposta) vítima.

Concordo com o q a Lola disse às 19:08 em gênero, número e grau.

Tbm acho completamente revoltante o slut shaming q mtos estão fazendo. Ninguém tem nada a ver com o relacionamento dela, monogâmico ou não.

Letícia disse...

Como já disseram, isso foi no máximo um assédio sexual, o qual ele acabou aceitando. Mas estupro é OUTRA coisa.

Rodrigo Weber disse...

Ai a galera diz "Não foi estupro, foi abuso sexual." Então tudo bem né? A menina não estuprou, só abusou sexualmente do menino. É bom que se pense assim quando um menino abusar sexualmente de uma menina. Digam: Que bobagem, nem foi estupro.

Como se fosse menos pior ¬¬

Rodrigo Weber disse...

Adorei a resposta da Lola, mas concordo com o comentário da Helena, não pode passar a mão na garota que estupra e condenar um garoto por ser ciumento. Vamos ser justos aqui, por favor. Ainda mais num dos maiores blogges feministas do país.

Letícia disse...

Nese caso não seria necessário o cara usar da violência contra ela, se ele realmente não quisesse, era só dizer um não mais firme, dar uma empurrada de leve pra ela entender que ele realmente não queria. Ela não iria se machucar com isso, a menos que fosse feita de vidro.

Ela não o ameaçou nem físicamente, nem psicológicamente, nem o fez de maneira subentendida. Se ele a penetrou, foi porque quiz. Ele não estava amarrado ou coisa do tipo, podia empurrar ela pro lado e sair andando.

Agora, quem é VOCÊ, Lola, pra afirmar que foi estupro, se a vítma acha que não foi? Obviamente, se ele tivesse ficado minimamente chateado com ela, não teria sido simpático com ela e muito menos transado com ela de novo. E não venha dizer que isso é culpa da sociedade machista, porque esse caso é bem diferente. Se ele fosse machista, teria chamado ela de puta por ter se oferecido pra ele e nem olharia mais pra ela.

É muita irresponsabilidade sua colocar essa preocupação na cabeça da menina. A atitude dela foi errada por ter forçado a barra, mas estupro já é demais. A única pessoa que pode decidir se foi estupro ou não é a vítima, não você. Sinceramente, acho que você deveria se abster de dar opinião nesses casos.

Luana disse...

estupro não consiste apenas na penetração... mas acho q o cara não deve ter se sentido "estuprado" pq culturalmente não existe essa consciência por parte do homem de ter sido violado, invadido, agredido ou subjugado quando se trata da investida de uma mulher. O comportamento dele após o ato deve ter se dado mais pelo arrependimento de ter cedido mesmo tendo uma namorada. Aliás, q guria escrota essa hein? O cara não tá a fim, o cara é comprometido, e ainda sim ela fica na cola. Se o cara tb fosse gente já dava uma cortada ligeira pra ela ficar ligada. Infelizmente não existe fórmula pra isso. Acho q discutir o assunto já é um ótimo começo. Postagem muitíssimo interessante essa ...

ViniciusMendes disse...

@Letícia

Espero que você tenha consciência que se inverter os gêneros do seu texto, você estaria repetindo todo o discurso que viabiliza o estupro como um crime menor na nossa sociedade.

E não quero nem pensar em qual seria a reação das leitoras do blog se um homem tentasse recusar esses avanços com mais violência.

Bruna B. disse...

Tchurminha, parem de taxar a ação como estupro, porque NÃO FOI ESTUPRO. A lei é bem clara, praticar sexo ou qualquer ato libidinoso mediante coação ou fraude é ABUSO SEXUAL.
Estupro é crime HEDIONDO, vocês têm um pouco de noção do quão grave é taxar um abuso como estupro?


Bruna B. disse...

ViniciusMendes

Lamento, mas a lei também não pode ser distorcida para corroborar com o que você acredita. Estupro é uma coisa, violação mediante fraude e abuso sexual são coisas completamente diferentes.

Eu sou feminista, mas acho inadmissível que a maioria dos comentaristas esteja ignorando o que a lei diz.
Dizer que esse acontecimento é estupro abre precedentes pra julgar e condenar por um crime hediondo um homem que passou a mão em uma mulher. A definição de estupro engloba atos libidinosos, se desconsiderarmos que ela é configurada através de violência, qualquer toque libidinoso em que não haja consentimento expresso pode ser qualificado como crime hediondo. É isso o que vocês querem?

Bruna B. disse...

Lamentável ver tanta gente advogando sem conhecer lhufas de direito penal.
É como se um vendedor de carros fosse dar pitaco em cirurgia cardíaca sem ler um único livro de anatomia antes.

none disse...

*Legalmente* não é estupro:
"Estupro
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso:"
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm
------------

Pode ter havido constrangimento, mas não houve violência nem grave ameaça.

*Legalmente* não é assédio sexual:
"Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função."

Não é situação de constrangimento pelo uso de hierarquia.

*Legalmente* também não é assédio moral. A lei paulista 12.250/2006, define assim:
"Considera-se assédio moral para os fins da presente lei, toda ação, gesto ou palavra, praticada de forma repetitiva por agente, servidor, empregado, ou qualquer pessoa que, abusando da autoridade que lhe confere suas funções, tenha por objetivo ou efeito atingir a auto-estima e a autodeterminação do servidor, com danos ao ambiente de trabalho, ao serviço prestado ao público e ao próprio usuário, bem como à evolução, à carreira e à estabilidade funcionais do servidor, especialmente: Citado por 2

I - determinando o cumprimento de atribuições estranhas ou de atividades incompatíveis com o cargo que ocupa, ou em condições e prazos inexeqüíveis;

II - designando para o exercício de funções triviais o exercente de funções técnicas, especializadas, ou aquelas para as quais, de qualquer forma, exijam treinamento e conhecimento específicos;

III - apropriando-se do crédito de idéias, propostas, projetos ou de qualquer trabalho de outrem.

Parágrafo único - Considera-se também assédio moral as ações, gestos e palavras que impliquem:

1 - em desprezo, ignorância ou humilhação ao servidor, que o isolem de contatos com seus superiores hierárquicos e com outros servidores, sujeitando-o a receber informações, atribuições, tarefas e outras atividades somente através de terceiros;

2 - na sonegação de informações que sejam necessárias ao desempenho de suas funções ou úteis a sua vida funcional;

3 - na divulgação de rumores e comentários maliciosos, bem como na prática de críticas reiteradas ou na de subestimação de esforços, que atinjam a dignidade do servidor;

4 - na exposição do servidor a efeitos físicos ou mentais adversos, em prejuízo de seu desenvolvimento pessoal e profissional."
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/159760/lei-contra-o-assedio-moral-lei-12250-06-sao-paulo-sp
------------

Pode ser moralmente condenável. Mas *legalmente* não é um ato punível de modo algum. (A menos que tenha havido algum dano psicológico ou material - passou alguma doença venérea, p.e.)

[]s,

Roberto Takata

SeekingWisdom disse...

Pessoal,
houve violência. Violência nem sempre vem acompanhado de submissão, de uso de força física. A invasão do espaço íntimo é uma forma de violência, ele não consentiu, deveria parar ali. Não necessariamente as vítimas esboçam reação e tenho certeza que vocês sabem disso. Ele tinha capacidade/força física para reagir? Sim. Ele n ter feito muda o crime - atenção para a culpibilização da vítima.
Realmente seria importante ouvir mais detalhes ou o relato dele para encaixar os fatos e determinar o caso. Para mim, da forma como foi descrito, ele disse não, ela violou o espaço íntimo dele sem permissão e a partir daí, não interessa se ele gostou ou não - houve estupro.
Assim como as pessoas pedem para não banalizar estupro falando que isso não é o caso eu peço para não banalizarem no sentido oposto. De novo, o dano/estrago causado depende de como ele recebeu mas minha opinião sobre o caso é sólida - disse não, caia fora.

Vejam esse video:
http://www.youtube.com/watch?v=aXE6ZWht0sc

Faz parte de uma campanha contra violência onde eles inverteram a situação comum do forçar a barra. Legal né, acredito que aqui o caso é similar, mas ele n conseguiu impor sua vontade.

ZeNinguem disse...

As 'desculpas' e contextualizações sobre o caso seriam inaceitáveis no caso de um homens ignorando o Não.

Chamar o caso de apenas 'abuso', ou ainda achar que ele banaliza o estupro é algo que seria inaceitável se fosse um homem ignorando o Não.

Veremos se no próximo guest post, que uma mulher revelar que foi abusada ou estuprada, haverão tantos defensores ao atacante.

Seria melhor se não houvesse estupradores, mas eles existem e eles devem ser punidos, independente de sexo, até pode relativar alguns aspectos, mas nunca deve-se passar a mão na cabeça ou usar de eufemismos para suas violencias.

Mirella disse...

esse post me deu um desânimo absurdo.
Uma galera imensa contribuindo para perpetuar um discurso de cultura de estupro.


Acho que o ViniciusMendes analisou muito bem a relação de poder que caracteriza como estupro o caso do post.

A Ana complementou certeira com o fato de S. ser uma tremenda stalker.

Continuo achando um fator positivo a guest poster ter se preocupado com o fato. Isso não é passar a mão na cabeça, na minha opinião.
E, ademais, qualquer julgamento mais profundo depende 100% de como a vítima, o rapaz, se sentiu.

Conforme a L comentou ali em cima, também concordo que o fato do rapaz agir normalmente depois, inclusive tê-la procurado depois, foi uma tentativa de normalizar uma situação que ele não soube como processar. Justamente por ninguém achar que uma mulher pode estuprar um homem. E é aí que vejo toda a importância deste post: como é que um homem passa por uma situação assim e como ele se sente?

E, por fim, concordo com Carolina Paiva, quando ela diz que não somos a favos do linchamento de estupradores, que também citou como um caso simétrico a guest poster que não sabia se havia sido estuprada.


É uma situação bem complicada, mas de qualquer forma falta o principal: ponto de vista da vítima. Todo o resto não passa de adivinhação.


S., terapia urgente para você aprender a ouvir "não" e a respeitar a integridade dos outros, para dizer o mínimo.

roseanjos disse...

Por que quando a mulher não está afim e o homem força a barra até ela ceder é estupro e quando um homem declara de forma explícita que não quer, não pode, tenta evitar o ato de forma, só cedendo após a forçar a barra não é estupro?

Espera aí gente, um peso duas medidas? É essa igualdade de gêneros pela qual lutamos?

A ação foi sim abusiva, invasiva e desrespeitosa. É uma violência forçar uma pessoa fazer o que não quer.
Quantas mulheres convivem com seus estupradores após o crime como se nada tivesse acontecido? Está mais que claro foi estupro.

Cris Bottaro disse...

Bem, concordo com a Lola, foi estupro sim, ela ignorou o não muitas vezes, ela foi na casa dele duas vezes (relatado no texto), uma logo que colocou na cabeça que "tinha que ficar com ele" e outra depois dele ter dito que não queria tocar no assunto do sexo virtual. Ele tratou ela bem, porém deixou claro que não queria transar com ela, e não importa o motivo, se era ou não pela namorada dele, os motivos dele dizer não são dele e devem ser respeitados. Depois, já na viagem ela vai pensando em como seduzi-lo, putz....o cara já tinha dito não, precisava fazer mais o quê?? Então ela empurra ele no banheiro, mesmo ele dizendo não (notem bem, ela mesmo diz que o empurrou, é claro não acredito que tenha sido uma demonstração de força física, mas de algo doentio....) e então eles transam e o cara sai rapidamente e nervoso... vamos provar que queremos igualdade e inverter o gênero... é claro que foi estupro, e tentar justificar perante algumas atitudes dele é culpar sim a vítima, e se ele sentiu-se constrangido por estar em um banheiro unissex durante uma festa? E ficou com medo da exposição... e acabou cedendo??? Isso acontece muito com as mulheres... "ceder para não piorar a situação", seja por medo da violência ou da exposição....O fato dele ter saído rapidamente depois do ato, para mim me lembra relato de algumas mulheres que depois de violentadas correm para tomar um banho, querem sair de perto do agressor, sentem nojo do próprio corpo.... e por fim o fato dele tê-la procurado novamente para fazer sexo não prova nada, e como disse L. talvez até para negar o que tenha acontecido, como uma forma de não sentir-se usado.... Ok, concordo que vivemos numa sociedade patriarcal e portanto machista, mas nossa luta é por justiça e igualdade.... se não por outra coisa, mas simplesmente por coerência, sim foi estupro.
E sim acho que ela é um risco para a sociedade, ela já teve esse tipo de atitude antes, e como ela mesma disse, dessa vez perdeu o controle, ou seja, parece que essa incapacidade de aceitar um não tem vindo num crescente, então assusta sim... como alguém que não respeita o não, que não conhece limites para seus desejos, que desrespeita e persegue não é perigosa para a sociedade???? É claro que não acredito que esse rapaz, mesmo tendo sido estuprado vai relatar queixa.... na nossa sociedade ele seria ridicularizado... O fato dela estar repensando as próprias atitudes, para mim não significa nada, tá cheio de estuprador que depois de saciar seus sórdidos desejos se diz arrependido e garante que não vai fazer novamente, até é claro, a próxima vez... Creio que mulheres estuprarem homens seja raro, talvez mais raro ainda seja os homens sentirem-se estuprados...mas enfim, toda vez que a voz de um ser humano não é ouvida é lamentável... Só posso desejar que ela procure ajuda urgente.

Anônimo disse...

Sinceramente, não vi como estupro, nem como assédio... nem se trocasse os gêneros dos envolvidos... "não posso" é diferente de "não quero", gente... e o fato de ter saído nervoso, desaparecido, tem muito mais a ver (na minha humilde opinião) com o fato de ele ter se sentido culpado por ter traído do que com qualquer outra coisa.

Jéssica disse...

Sinceramente me irrita estarem usando o argumento "homens são mais fortes que mulheres" nesse caso. Um homem médio é cerca de 20% mais forte que uma mulher, VINTE POR CENTO, não é o dobro ou o triplo! O fato da maioria das mulheres apanharem calada é muito mais cultural, pois são ensinadas a aguentar caladas, são ensinadas que nunca venceriam um homem, besteiras!

Eu mesma sou mais forte que a boa parte dos homens que conheço ou no minimo tão forte quanto, e tenho apenas 1.65 de altura, e algumas das pessoas mais fortes que já conheci foram mulheres.

Propagar esse mito só ajuda o machismo.

Anônimo disse...

As pessoas tem que aprender a dizer NÃO em alto e bom som quando não querem algo!
As pessoas tem que aprender que quando estão drogadas ou alcoolizadas(coma alcolico é outra coisa) aprovam coisas que não aprovariam sobrias!

Dayse disse...

Gente, como assim? Quantas vezes já li "Não é não". NÃO É NÃO vale pros dois gêneros, o que vi aqui, em alguns comentários, é uma repetição de todo um discurso que tentamos abolir.

Ficam falando que era só ele ter dito um não mais eloquente, mas quantos nãos são necessários? Aparentemente só um pouquinho a mais do número que ele disse.

Tidus disse...

Foi estupro sim, não é porquê ele teve ereção que consentiu, muitas mulheres estupradas sentem-se excitadas e isso não deixa de ser estupro.

Acontece que o homem por conta de sua testosterona e por questõs sociais, é condicionado a querer fazer sexo com qualquer mulher e a todo instante, por isso ele acabou cedendo, ao contrário da mulher, que por ter muito maior controle sexual (devido a seus hormonios) sairia gritando, ou chutaria o saco dele, ou chamaria a policia, enfim...

Tatiane Prado disse...

Claro que foi um estupro. Houve prática de sexo contra a vontade de alguém. Obviamente a reação do homem será diferente da reação da mulher, só não percebe isso quem se nega a ver a realidade e se apega a questões ideais fingindo que as mudanças necessárias já ocorreram. A repercussão do caso tem outras proporções sendo uma mulher violando um homem, mas o princípio de falta de respeito é o mesmo. O feminismo jamais deve ser o oposto do machismo, por isso mesmo não gosto dessa denominação. Muito embora, querida S., vc também é vítima da sociedade machista qie não se conforma com um não de um homem. Vc jamais deve ser punida por isso, como já está sendo por seus próprios princípios. Peça mil desculpas a ele e exponha seu arrependimento. Certamente, tudo ficará bem. Abraços.

Hamanndah disse...

Sei que a Lola condenou o estupro que a moça exerceu sobre o rapaz, mas faltou mais severidade

Homens e mulheres que estupram devem ser julgados com severidade

Concordo com vc, Vinicius, estupro é crime, seja lá quem for quem tenha cometido

Bjs a todos(as)

Anônimo disse...

Olha, não cheguei ao ponto da S., mas já me senti mal por tentar forçar a barra com amigos. Geralmente, depois de beber. Do tipo começar a passar a mão na coxa. Na maioria das vezes, os dois estavam afim. Mas já teve uma ou duas vezes que insisti. Mas lá pelo segundo não, eu parava. Entretanto, na outra manhã, acordava com sensação de ter feito algo errado. De ter cometido uma agressão. Pedi desculpas e fui perdoada. Assim, como já aconteceu o contrário, amigos bêbados que insistiram, mas depois do terceiro não pararam.

Sei, que me identifiquei com o relato. Mas não sei ainda o que considerar. Abuso teve. E acredito sim que mulheres possam estuprar homens.

Mas nesse caso, não sei até que ponto o não dele tenha sido pela moral. O que também não justifica o não-respeito a sua vontade.

Anônimo disse...

http://24.media.tumblr.com/tumblr_mekxylTw3d1ryahxto1_500.png
Don't be THAT girl

André disse...

Espero que nos próximos relatos de horror seja possível relativizar a situação, procurar brechas na lei, afirmar que a vítima nem sofreu muito, etc. sem ser chamado de mascuzão.

me poupe! disse...

Ola S., acho q foi estupro sim... Realmente vejo o Não como limite, ele disse não, vc não o respeitou... SE fosse o contrário, vc estaria chocada e arrasada. Vc não respeitou seu amigo, a namorada dele e nem seu namorado, caso vcs vivam um relacionameno fechado e isso não é legal... Acho q é importante vc respeitar os limites alheios para q vc propria não venha a ser vítima do seu proprio comportamento...

Elvis disse...

Aconteceu algo parecido com um amigo meu. Uma amiga foi na casa dele quando ele estava sozinho e já foi "atacando" ele. Ele é gay e não queria ficar com ela, mas também não queria "dar pinta" pois não é assumido, ele me disse que teve ereção, mas a mãe dele chegou e a menina parou.

Pra mim é estupro sim! E tenho minhas dúvidas se isso é tão incomum assim. Uma vez também uma menina tentou beijar a força um amigo meu no ônibus (este é hetero). E fica aquela coisa mesmo, como se todo homem tivesse obrigação de "pegar" qualquer mulher que lhe "dê mole".

Dom de Oliveira disse...

Gente, muitas pessoas estão alheias ao que seja um estupro na atual lei brasileira.

Se você tentar beijar alguém sem o consentimento do outro, hoje, por lei, é estupro. Isso vale para homem e para mulher.

E se for condenado, vai para a cadeia. Simples assim.

Na minha opinião, um completo absurdo esta banalização do estupro que a lei trouxe!

Juba disse...

Também discordo de que ela não seja um risco para a sociedade. Não foi um momento de descontrole, foi tudo calculado e ela mesma disse ser reincidente nesse tipo de comportamento.

Por mais que a relação entre gêneros seja desigual, me sinto muito decepcionada com pesos e medidas tão diferentes.

Anônimo disse...

Eu conheci um garoto que foi seduzido por uma professora e fez sexo na casa dela. Muitas pessoas souberam, ele foi tido como um herói, pessoas paravam para cumprimentá-lo. Mas isso deixou ele traumatizado, ele ficou muito mal com isso. Quando chegou aos 16 anos entrou em depressão profunda e sentia-se culpado.

Quando o caso foi relatado a uma psicóloga, a professora tratou de sair da cidade porque a familia ficou sabendo e espalhou. Esse garoto que agora tem 22 anos, eu soube que não consegue arrumar um emprego e largou a faculdade.

ViniciusMendes disse...

@Bruna B.

Considerando que a minoria ta discutindo aqui que punição ela deveria receber, acredito que seja uma discussão muito mais linguística, sociológica e ideológica do que necessariamente jurídica.

O fato é, a menos que eu tenha entendido errado, pro movimento feminista fazer sexo sem consentimento é estupro, e essa definição não é jurídica, e sim ideológica. A moça pressionou um rapaz bêbado a fazer sexo contra a vontade dele, sem ele permitir, ao ponto que ele realmente largou ela e foi embora todo nervoso. Se invertêssemos o gênero, como isso seria encarado?

Aline A. disse...

Ai, Lola, vou dar meus dois tostões sobre o assunto: eu acho que foi violação sexual mediante fraude.
Agora, como disse a Bruna B., tem umas teorias meio fora da realidade do direito. E o pior, acho que as leis são feitas pra gente não entender mesmo. Eu sou leiga no assunto, mas gosto de ler, então o que eu entendi com a leitura da nova lei foi o seguinte (e é uma interpretação pessoal, se eu estiver falando besteira, por favor, alguém me corrija):
1 – os crimes contra a liberdade sexual são: estupro (isso inclui o antigo atentado violento ao pudor); violação sexual mediante fraude (onde não há violência, mas de alguma forma o perpetrador impede que a vontade da vítima se manifeste); assédio sexual (onde há relação de hierarquia profissional, e a vítima sempre é @ subordinad@);
2 – o crime de estupro é de ação pública condicionada à representação, ou seja, é necessária a representação do delito pela vítima (ir na delegacia, fazer o B.O.). Isso pode ser feito até seis meses depois que se conhece o autor. A lesão corporal leve é elemento integrante do tipo penal (para se configurar estupro). Por ser crime hediondo, o autor não tem direito à progressão da pena; os outros dois tipos penais não são hediondos, portanto o autor tem direito à progressão da pena (a mínima é seis anos e a máxima é de oito). Existe jurisprudência recente (2012) no STJ onde a palavra da vítima, junto com outros elementos probatórios , é levada em conta;
3 – existem os qualificadores (agravantes) do estupro: se houve lesão corporal grave, ou se a vítima é maior de 14 anos e menor de 18, a pena mínima é de oito anos e a máxima é de doze anos; se o estupro resulta em morte, a pena é de doze a trinta anos;
4 – se um cara estupra (faz cópula vaginal e anal) e obriga a mulher a também fazer sexo oral ou a fazer uma felação, ele não responde por três crimes; o que há é a continuidade delitiva, onde aplica-se a pena mais alta dos três crimes cometidos, acrescida de um sexto a dois terços da pena.
5 – o estupro de vulnerável não é crime contra a liberdade sexual, é crime sexual. E de ação penal pública incondicionada, ou seja, independe de representação da vítima.
Bem, esse é o meu entendimento. Bjs.

Bruna B. disse...

Roberto Takata

Legalmente, é abuso sexual mediante coação ou fraude.
O que a lei diz: Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima.

Bruna B. disse...

Gente, sim, a relação foi abusiva, desrespeitosa, e criminosa. Eu não neguei o crime em momento nenhum. Mas acontece que vocês estão cometendo um erro na tipificação e tentando agravar o quadro.
É como se alguém cometesse tentativa de homicídio (um crime grave) e vocês quisessem que elx fosse condenadx por homicídio (um crime gravíssimo).

Lamento por quem quer o couro da moça, mas em nenhum tribunal ela seria condenada por estupro, mas sim por abuso.
E sim, coação é um tipo de violência moral, mas não o tipo de violência que nossa justiça condena.
Se não concordamos com a lei, é válido que tentemos mudá-la em vez de distorcê-la.



Vinícius

O feminismo fala em cultura de estupro. E cultura de estupro engloba estupro, abuso, assédio e até cantadas de rua.


Abuso sexual e violação mediante fraude: Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima. (Vejam se o guest post não se encaixa aqui). Pena de 2 a 6 anos.

Estupro: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. Pena de 6 a 10 anos.

Estupro de vulnerável: Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos. Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. Pena de 8 a 12 anos.



Sinto muito pelo rapaz que sofreu o abuso e espero que a moça converse com ele a esse respeito, colocando todas as cartas na mesa e explicando que vivemos em uma cultura que não quer permitir ao homem se sentir abusado ou violado. Que, a partir disso, ele possa tomar a melhor decisão e que ela seja punida, caso a vítima decida denunciar.

Bruna B. disse...

"Se invertêssemos o gênero, como isso seria encarado?"

Veja bem, se ela fosse violenta com o rapaz e fizesse alguma ameaça eu seria a primeira a esbravejar que foi estupro.
Se ele estivesse inconsciente ou bêbado a ponto de não conseguir raciocinar/reagir/consentir eu também diria que foi estupro (e estupro de vulnerável, cuja pena é maior ainda).

E repito: se vocês consideram essa lei muito branda, sempre é válido lutar para que ela mude. Eu não me incomodarei e até lutarei com vcs.

Pra moça do guest post faltou o que falta em todo estuprador: o respeito pela vontade, pela autonomia, de outro ser humano. Faltou ver ele como pessoa, como ser humano. Ela o utilizou como um meio para atingir algo, como um objeto; E juro que vou torcer pra que ela seja punida de alguma forma.

Anônimo disse...

Se eu te convidar para passear e de fato o passeio acontecer existem 3 hipoteses

1a voce queria

2a voce aceitou(concentiu)passear

3a Eu te intimidei com ameaça ou força pra voce ir passear

as feministas querem que se considera a 2 como sendo 3

ViniciusMendes disse...

@Bruna B.

Pessoalmente eu não acho a lei branda, mas não é como se minha opinião contasse, não faço parte do grupo que mais sofre com isso. E concordo com você que nesse caso uma pena por estupro seria pesada demais pro ocorrido.

Mas é aquilo que eu disse, não acho que o questionamento da moça era necessariamente jurídico. E dentro do que sempre é discutido por aqui, e pelo que eu entendi, dentro do que uma parte do movimento feminista considera estupro, foi exatamente o que houve.

Enfim... a discussão tá dando voltas...

Anônimo disse...

Olha... nem tanto ao sol, nem tanto à lua. Eu não creio que tenha sido um estupro, na medida em que ela não o amarrou, ameaçou, não o atacou quando ele estava desacordado, etc. Nem sequer ficou sóbria para se aproveitar da embriaguez dele! Ela pode ter forçado a barra, seduzido e assediado, mas ele teve condição de dizer não! A gente também precisa assumir responsabilidade pelos nossos atos. Ele não queria, não achava certo, mas fez. Por que? Só ele sabe. Se é porque foi condicionado, blablablafeministablablablamachista, ele é quem sabe, mas isso definitivamente não é culpa dela.

Letícia disse...

Gente, como a Bruna B. explicou e explicou de novo, PERANTE A LEI BRAILEIRA, foi ABUSO SEXUAL, não estupro. São crimes diferentes, com punições diferentes. Não houve ameaça nem violência, NÃO foi estupro. Botem isso na cabeça de vocês. Não da pra julgar se ocorreu um crime ou não baseado em puro achismo, tem que ver o que está na lei, isso é o que importa, entendem? Como a Bruna disse, ela não seria condenada por estupro em tribunal nenhum do Brasil. Houve sim, um crime, mas muito menos grave do que estupro. Se fosse uma mulher no lugar da vítma, também não seria estupro.

Anônimo disse...

Fernanda:
Realmente, acho que não foi estupro (nesse caso não falo aqui que homens não podem sofrer estupro, sofrem sim), pq ele procurou novamente ela outro dia. Que tipo de pessoa q sofre um estupro quer novamente isso?! pensemos assim.
Mas sim, ela cometeu ASSÉDIO SEXUAL, e que feio isso heim, cadê o respeito pelo teu relacionamento? Caso ele não seja um relacionamento aberto. E cadê o respeito pelo próximo? No caso pelo cara e quem ele namora. Sexo é bom, é. Mas acho que não devemos agir por impulso e essa pessoa já fez isso outras vezes. Então ela dessa vez ficou com peso na consciência?
E no caso do cara, acho que ele não queria mesmo. disse não mais de uma vez pelo q ela descreve na situação. A princípio não queria, não sabemos ao certo se era por peso na consciência de trair a namorada, pq realmente não acha certo trair e na hora aconteceu (mas se fosse isso, não achar certo ele não teria procurado ela novamente) ou por pressão mesmo que uma sociedade machista exerce em cima de todos nós (no caso dos homens em não negar sexo, não poder dizer não, não poder brochar, ser pegador, etc...). E quer saber, acho os dois uns sem vergonhas. hahaha Sério, Se não tem relacionamento aberto não faz, e se gosta de transar com mais um (a) ou outro (a) por aí não namora então, ainda mais se vais ficar arrependido/a depois com o que fez, seja assediar alguém, trair ou não saber dizer não. A carne é fraca? Pode até ser, mas antes dela ser fraca, nós temos racionalidade e podemos pensar nas consequências, meninos e meninas. ;)

Anônimo disse...

Fernanda: Pq não tem a opção like aqui nos blogs?! ou comentar embaixo, arghh. ótimos comentários da Bruna e letícia. Abuso sexual sim. Coloquei assédio no outro comentário, mas foi abuso tbm.

Anônimo disse...

Perguntou a ele como se sente?

Jana disse...

"Não vejo a S. como uma estupradora serial, vcs veem?"
Sim, vejo. Sendo homem ou mulher, acho preocupante que a pessoa diga que já havia tido comportamento semelhante. E nao é só por isso que acho que o comportamento pode se repetir, é porque ela nao fez nada em uma noite, numa única bebedeira, em um momento "ah perdi as estribeiras". Ela perseguiu o rapaz por muito tempo, pra refletir precisava mesmo chegar a esse ponto? Acho isso meio parecido com a fé cristã, eu peco, não seguro meus "instintos"(perseguir um cara mesmo depois de receber claros nãoS é instinto?) e depois me arrependo e ta beleza. Provável que tenha problema com auto estima, precisa se sentir desejada(mesmo a revelia)pra achar que não é a bostinha que é. Não sei se esse tipo de pessoa tem recuperação, não. Vai ficar sempre nessa lenga lenga "ai, mas eu estava tão a fim dele" que nada mais importa... Gente egoísta desse jeito me dá calafrios. Sou muito bem resolvida sexualmente, mas meu cérebro não vai passear quando sinto tesão. O de alguém aqui vai?

Anônimo disse...

"Cris disse...

O que este post revela pra mim: a maior parte das pessoas que lêem, postam e comentam neste blog (não só machistas, mas TAMBÉM feministas) sofrem muito com culpa cristã. E isso não combina nem um pouco com a moral libertária que a maioria aqui pretende ter.

Parece que o pessoal tá se preocupando muito mais em analisar e detectar estupros e alimentar traumas do que em curtir a vida, mesmo com todas as complexidades, ambiguidades, arrpendimentos e superações que ela implica. Beijos a todos e todas."

É por causa de pessoas como essas que ninguem respeita mais os seus parceiras traições de todos os tipos e sem sentido.
Como eu posso namorar alguem se eu posso estar do lado de uma pessoa com esse pensamento que acha que suas vontades estão acima da desgraça de qualguer pessoa? Eu seria traido no primeiro deia de namoro.

Anônimo disse...

Mulheres reclamam tando do machismo mas são as primeiras a espalhar que o cara é gay se ele lhe negar sexo.

Anônimo disse...

Foi estupro sim esse caso dessa moça. Eu mesmo(homem) já fugi de vários estupros deste tipo, elas acham que é só chegar no homem e abrir as pernas pra ele. Mas como sabemos, isso é um fruto podre da nossa asquerosa sociedade que inventou padrões pra homens e mulheres, e que agora crescidos têm muita dificuldade de nos libertarmos destes falsos padrões.

Anônimo disse...

Este é um tema complexo... Não posso dizer se é estupro ou não pois eu não sei o ponto do rapaz e nem sou especialista em direito,por tanto não afirmarei,mas há algumas coisas que gostaria de afirmar...
1concordo plenamente com a jessica,existem mulheres bem mais fortes que homens,e digo mais,que prova vcs tem que s não é mais forte que o rapaz?
2mulheres podem sim estuprar homens,afinal como ja diceram, a ereção não esta ligada a mente!
3a s é indiscutivelmente uma stalker e uma pessoa perigosa,afinal ela ignorou o cara e tentou se apossar dele por muito tempo. s prescisa de terapia...não sei se é estupro(embora eu esteja inclinado a acreditar que foi) ,mas afirmo que a s é perigosa...

ass arthur +1 verme

SeekingWisdom disse...

Lola, acho q seria interessante convidar alguém com experiencia na área jurídica para fazer um guest sobre a lei 12015 de 2009. Tem muita gente interpretando ela de maneira precipitada.
Posso estar errado sobre mas violação sexual mediante fraude é quando há consentimento da vítima por ela ter sido enganada. Exemplo: Um lider religioso dizer a fiéis que só terão graça X se transarem com ele.

Fraude para o direito penal!
Fraude é o crime ou ofensa de deliberadamente enganar outros com o propósito de prejudicá-los, usualmente para obter propriedade ou serviços dele ou dela injustamente. Fraude pode ser efetuada através de auxílio de objetos falsificados.

Acredito que as pessoas atribuem violencia apenas como emprego de força física para atacar ou defender, ignorando as outras formas de violencia, de cunho psicológico. Para mim houve violência sim. Gostaria de saber como o direito penal avalia a quetão.

Estupro de vulnerável, até onde sei, n tem nada a ver com o grau alcoólico da pessoa e sim relação com a idade (vítima menor que 14 anos).

Acredito que o texto resultante poderia servir de referência para avaliar essas questões com maior clareza. Li alguns textos que fizeram uma leitura dessa lei e, segundo a interpretação desses, é estupro. Que tal entrar em contato com a Delegada Renata Lima - Li excelentes textos dela no Blogueiras Feministas.
Bjs!

Alex disse...

Muitíssimo interessante o post.

Lívia Carvalho disse...

[1]

Essa história tá muito estranha.

Parece uma história montada pra provar o discurso de muitos anti-feministas de que "viu? Mulher também estupra homem! Por que essa atenção especial ao estupro que o homem comente contra a mulher?". Vejo muitos vídeos e textos anti-feministas na internet, e esse é um discurso comum entre eles: homens são tão abusados quanto mulheres, o Estado e a cultura criam leis e buscam proteger a mulher quando, na realidade, homens são tão vítimas quanto mulheres etc.

Não tem como saber com certeza, óbvio, mas vou enumerar aqui alguns indícios que me levam à sensação de que essa história é fake:

1. A história já começa com o ponto que está tentando ser provado: "Minha história não deixa de ser uma história (...) de extrema tolerância quanto ao estupro de homens.". Espera: se você é leitor(a) do blog da Lola, sabe que só tem dois tipos de gente por aqui: feministas/simpatizantes do feminismo ou anti-feministas/mascus. Feministas leitores(as) do blog da Lola sabem muito bem que estupro é errado em qualquer circunstância, seja contra homens ou mulheres - nenhum()a feminista acredita que exista algum tipo de "tolerência quanto ao estupro de homens"... se você acredita nisso, me leva a acreditar que você pertence ao segundo grupo, onde esse discurso é bastante comum. Outra coisa: você está em um grande conflito se estuprou ou não estuprou alguém, e a sua primeira preocupação é dizer que "o estupro de homens é muito tolerado"??? hein?

2. A menina da história aparece de surpresa na casa dele 2 vezes com o objetivo claro de transar. Olha: sim, mulheres gostam tanto de sexo quanto homens. Sim, é possível que uma menina faça isso - mas é pouco comum. Estatisticamente, não é impossível, mas é pouco provável - não são muitas as meninas que aparecem de surpresa na casa de um menino pra transar - e com insistência. Esse elemento da história, sozinho, não prova nada - mas os elementos pouco prováveis vão se acumulando...

3. Depois de ser rejeitada duas vezes, a menina vai para a viagem "com o objetivo de seduzi-lo". Gente, sério: quantas meninas vocês conhecem que fariam isso? De novo: não é impossível, mas estatisticamente é incomum. Já entre os homens, esse comportamento de insistir depois de várias rejeições é BASTANTE comum, coisa que todo mundo já ouvi falar ou já viu acontecer, muitas vezes.

Lívia Carvalho disse...

[2]

4. "...eu o segui até o banheiro do albergue durante uma festa (o banheiro era unissex)" Por que esse cuidado de esclarecer que o banheiro era unissex? Quem costuma se hospedar em albergues sabe que os banheiros quase sempre são unissex e, além disso, nada impede que a história pudesse ter acontecido num banheiro masculino (fazer sexo no banheiro seria arriscado em qualquer um dos casos). Então, por que essa preocupação em garantir que a história seja crível? Seria um medo de que quem lesse a história pudesse duvidar da veracidade da história? Que motivo alguém que está CONFESSANDO um crime tem pra temer que os outros não acreditem na sua história? Afinal, se os outros não acreditam que você cometeu um crime, isso não te absolve? De novo: isso não prova nada, mas é estranho.

5. O cara tá bêbado, não tá afim - mas tem uma ereção e transa com ela. Ahhh gente, pára. Tudo bem, ereção é uma reação física que É POSSÍVEL de acontecer, mesmo o cara não tando afim - é possível, mas pouco comum. Agora: o cara tava bêbado. TODO MUNDO que tem uma vida sexual ativa e já teve vários parceiros sabe que é bem mais difícil o cara ter uma ereção quando tá bêbado - junte a isso o fato de ele não estar afim, e ó: ce jura que o cara teve uma ereção e TRANSOU com ela? É impossível? Não. Mas é o 5o elemento de baixíssima probabilidade que acontece num mesmo relato.

6. "...acompanho seu blog e sei exatamente que se fosse com o sexo oposto, isso seria um estupro e ponto." "Contei para uma amiga feminista e ela disse que não foi estupro" - mais uma vez, aparece a idéia que se está querendo provar no texto: feministas não tolerariam o estupro de mulheres, sob qualquer circustância, mas são "extremamente tolerantes" com o estupro de homens. O texto repete isso pela segunda e terceira vez, indicando que esse texto se trata muito mais de uma argumentação do que de um relato, de alguém contando inocentemente a sua história.

7. "Só porque ele é homem não significa que não possa ser estuprado." - mais uma vez, a argumentação aparecendo.

8. "Todas as pessoas para as quais contei isso dizem que não foi estupro." ahhhhhh pára, né. As mulheres, em sua maioria, não costumam conversar sobre sexo umas com as outras - é possível? Claro que é. Tem mulheres que conversam sobre sexo com as amigas? Tem. Mas são poucas, o que, de novo, torna a história estatiscamente pouco provável. A menina ESTUPROU um cara, TRAIU o namorado, com um cara DA TURMA DELA que TINHA NAMORADA, e saiu contando pra várias pessoas? Não, gente, isso seria muito incomum. E se fosse só UM elemento incomum nessa história... mas são vários.

9. "Quero saber a sua opinião e a dxs leitorxs do blog" - Só feministas usam o termo "dxs leitorxs". Só que dificilmente uma feminista se referiria à "extrema tolerância quanto ao estupro de homens" - quem é feminista, se informa, acompanha relatos de pessoas que sofreram violência sexual sabe que estupro é um crime grave, seja contra homens ou mulheres, e que "tolerância quanto ao estupro de homens" não existe. A visão de que feministas seriam tolerantes com a violência sofrida pelo homem é uma mentira que anti-feministas contam (vejo direto na internet) - mas qualquer feminista sabe que isso não é verdade. Bom, se a pessoa que escreveu esse relato não é feminista, o que a leva a usar o termo "dxs leitorxs"? Ganhar a simpatia da Lola para que ela publicasse o relato? Se passar por feminista pra mostrar que: ó, feministas também estupram? Muito estranho.

Qualquer homem que viesse aqui contando que sofreu qualquer tipo de abuso ou violência sexual teria meu total apoio e compaixão. Mas desculpa: essa história tá MUITO estranha.

jamilla disse...

Ah, então homem também podem ser vítimas de estupro por uma mulher? Então onde estão as bandeiras, os cartazes, as passeatas e as femem com os peitos de fora? Onde estão as mulheres politicamente engajadas pressionando por políticas públicas contra esse tipo de abuso?
Ninguém?

Vocês são é um bando de hipócritas vitimistas! Trocassem o "ela" por "ele" e teríamos um festival de comentários pedindo sangue. Mas como foi contra um "macho opressor", não foi nada demais...

Igualdade é isso aí! Só que não...

lola aronovich disse...

Livia, o relato é verdadeiro. Troquei mais de um email com a autora. Inclusive, depois de eu pedir autorização pra publicá-lo, e ela conceder, ela mudou de ideia e pediu para que eu não o publicasse, porque ela estava com medo de ser incriminada. Ela temia que, se alguém quisesse seu nome para que fosse incriminada, eu seria forçada a fornecê-lo. Não sei por que a insistência de tanta gente sobre o relato não ser real. Como se algo assim não fosse possível...
Ademais, eu edito todos os guest posts que publico. Corrijo uma ou outra coisinha, tiro trechos repetitivos, peço esclarecimentos para trechos confusos, suprimo alguns pontos que serão polêmicos demais e tirarão o foco do tema central, e, em caso de leitorxs que querem se manter anônimos, altero ou suprimo detalhes que talvez pudessem identificá-lxs. Etc etc etc. Isso de "dxs leitorxs" fui eu que incluí, não a autora.


Jamilla, vai catar coquinho. Só publiquei este comentário trollento porque vc teve a coragem de se identificar. Vc podia dar a mão a um homem honrado e sair andando por aí...

Francis Leech disse...

Isso não foi um estupro porque o sexo não tem a mesma conotação invasiva para os homens que tem para as mulheres. Esse cara, no máximo queria só seduzir pela internet e a coisa tomou proporções maiores que as esperadas, já que ele parecia não ter reais intenções de trair a namorada. Se ele não quisesse transar com a mina, ele poderia parar a qualquer momento, ele tinha força física pra isso. E outra, no futuro eu aposto um milhão de dólares que ele vai contar essa história numa mesa de bar pra exaltar a própria virilidade porque afinal UMA MULHER PRATICAMENTE PEGOU ELE A FORÇA E ISSO É LEGAL PRA CARALHO! Prestenção, gente! heheheheh

Gilgamesh disse...

Só algo sobre o novo conceito de estupro no CP. Estupro se define como "Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: (Redação dada pela Lei nº 12.015 , de 2009) Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos." E agora um pedaço do texto: " quando ele estava saindo, comecei a empurrá-lo para um dos toaletes. Ele repetia "não posso, não posso", e eu só dizia "pode sim". Resultado: entramos no banheiro, abri a calça dele e fizemos sexo. Ele deixou, mas logo depois parou e saiu do banheiro, visivelmente nervoso. Me disse que tinha que ir embora e desapareceu. ". Agora considerem os empurrões, a pressão da menina dizendo que ele "podia sim", o nervosismo do garoto e o fato de primeiro resistir e logo depois ceder é a descrição de um estupro justamente como está no artito 213. Ela força, pressiona, assusta e usa o garoto como objeto. Sinceramente, vamos pensar isso ao contrário. Vamos pensar que o garoto empurra a menina para o banheiro, diz que ela pode sim transar com ele. Ela resiste, mas depois deixa. A menina sai do banheiro nervosa e vai embora. Gente, isso não seria estupro? Pensem, por favor, nas consequências dos argumentos usados aqui. Se nós queremos igualdade, nós devemos entender que a reciprocidade de direitos e deveres também deverá ser um objetivo feminista.

Gilgamesh disse...

Francis, é a prova de uma feminista com argumentos machistas...

Lívia Carvalho disse...

Lola, desculpa, eu não acho impossível, mas realmente achei a história esquisita.
Se você diz que trocou diversos e-mails com ela e confirma que a história é verdadeira, eu acredito.

Abs

SeekingWisdom disse...

Sobre estupro de vulnerável eu estava errado, qq pessoa q n tem condições de se defender é considerada vulnerável, alguém desmaiado pela bebida inclusive.
Ainda considero importante uma leitura mais profissional da lei...
Enfim, ainda acho que é estupro.

Anônimo disse...

SeekingWisdom15

"Posso estar errado sobre mas violação sexual mediante fraude é quando há consentimento da vítima por ela ter sido enganada. Exemplo: Um lider religioso dizer a fiéis que só terão graça X se transarem com ele."


O crime também é tipificado quando existe coação, ou seja, a lei é bem clara quando fala em 'meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima'.

Anônimo disse...

Corajoso esse relato. Confesso que já tive vontade de abusar de um homem, e conheço quem já o fez.
Não fiz, pq sou muito orgulhosa e não conseguiria conviver com o fato de precisar de coação para ter sexo com alguém. Eu me sentiria um lixo, uma perdedora. E também por ele. Digo também, porque na hora eu não pensei em como ele se sentiria.

Penkala disse...

tenho medo de falar uma bobagem aqui, logo eu que acho que estupro é estupro sempre, mas eu penso numa coisa: não é que a S. tenha sido menos agressiva nem menos abusiva quando fez isso, mas não seria o caso de chamar isso de "assédio violento"? não acredito que ereção indique exatamente que o cara queira, embora ache que isso é diferente pra homens e mulheres (mulher pode gozar no estupro por simples reação à mecânica, mas pro cara ter uma ereção À FORÇA seria necessário algum trabalho manual ali que poderia inviabilizar qualquer coisa)... mas se o sujeito fizesse força pra sair daquela situação, insistisse em não querer, ela iria FAZER À FORÇA?
considerando que ela não ameaçou (moral ou fisicamente) e não usou de força maior pra "consumar" tudo, me parece que ele "aceitou contrariado". isso é ruim, mas não chega a ser o mesmo que um estupro (e nem estou considerando a diferença entre a relação que mulheres e homens tem com o estupro).
e minha confusão é justamente porque A INTENÇÃO dela era a mesma (forçar pra ele aceitar), mas será que se ele FORÇASSE pra não acontecer (como acontece num estupro comum de mulher, a não ser que ela esteja impossibilitada de reagir ou seja ameaçada caso reaja) ela ia continuar?
ele ia sair humilhado, talvez, e se sentir violado e agredido, mas não seria estupro.
sério, acho que isso ainda é complicado igualar (e olha que eu sou contra "atentado violento ao pudor" pra classificar estupro de homem, especialmente quando um homem é estuprado por outro homem). o trauma é grande, sim. ele sofreu abuso, sim, e deve ter se sentido mal, sim. ela foi violenta e abusada, sim. mas estupro?

Anônimo disse...

vc deveria pesquisar sobre as alterações do capítulo referente aos crimes contra a liberdade sexual, já que tudo isso que vc falou não faz mais sentido há uns 3 anos.

Kadu Vido disse...

Lola, para as leitoras que acham que não foi estupro, para você e quem mais achar que ela não merece punição e para quem estiver em dúvida acerca de qualquer um dos pontos, tem uma solução simples.

Pega o texto, reescreve tirando tudo que possa indicar o sexo deles dois e relê. O resumo é este, meio porcamente escrito:

"Os dois colegas estudavam juntos, e flertaram um pouco. Ambos estavam comprometidos, e um deles declarou expressamente que não queria levar adiante por esse motivo. Numa festa, os dois beberam além da conta e foram juntos para o banheiro. A pessoa que não estava afim declarou que não queria, mas a outra levou a transa adiante mesmo assim. Depois, os dois fizeram as pazes e transaram de novo."

O sexo dos dois não é relevante. O fato de eles terem feito as pazes e transado de novo não é relevante. O que aconteceu naquele banheiro foi um estupro. E toda feminista sabe na ponta da língua o que estupradores merecem. Esse caso só é especial porque as pessoas tem dificuldade de empatizar com o rapaz: as mulheres porque ele é um homem, e os homens porque ele recusou sexo (ABSURDO!)

A ÚNICA assimetria é que uma penetração forçada machuca muito mais uma mulher do que um homem. Isso pode e deve ser levado em consideração no julgamento, mas não é esse o critério que define estupro.

E as garotas que acham relevante que ela não tenha como penetrá-lo, imaginem-se arrastadas para o banheiro por uma lésbica e forçadas a fazer oral. Acho que assim vai parecer menos relevante.

Anônimo disse...

"Eu não quero que você seja punida. Não te vejo como um perigo pra sociedade. Acredito que você nunca mais estuprará alguém de novo. Só espero que você e seu amigo possam se recuperar deste trauma."

A questão é: se fosse um homem corajoso que resolveu se abrir com você e assumisse um estupro, você teria a mesma reação? Diria que NÃO DESEJA QUE SEJA PUNIDO? Ou consideramos a assimetria, ou não. Fazê-lo de maneira a manter a mulher como vítima INDEPENDENTE do fato de ser ela o algoz, é uma deslizada feia no que considerava um blog feminista bem sensato e coerente.
Espero, sinceramente, que você não entenda que todxs xs estupradorxs precisam apenas de terapia para curar seus traumas.

Anônimo disse...

Estupro não tem por obrigatoriedade a penetração. E bem, para os que acreditam que não foi estupro devido a ereção peniana, saibam que ela acontece até mesmo em procedimentos de saúde como quando higienizam o pênis para passar um cateter e coletar urina direto da bexiga....

Sérgio disse...

Sou visitante ocasional do site, e como sempre pego os tópicos que acho interessante quando eles já esfriaram, mas dessa vez resolvi comentar mesmo assim...
Vi que tem muitas pessoas duvidando que uma história dessas pode ser real, mas aconteceu algo parecido comigo quando transei pela primeira vez (nomes foram alterados):
Sou homem heterossexual, tenho 30 anos e fui criado em uma família cristã, em uma cidade interiorana, com educação bastante repressora em termos de sexualidade. Aos 19 anos fui morar em um pensionato para estudantes em uma cidade maior para fazer cursinho para o vestibular. O pensionato tinha 4 andares, os dois inferiores para as meninas e para as zeladoras (para que pudessem vigiar as meninas). Claudinha morava no mesmo pensionato e teve uma educação bem mais livre, eu era bastante amigo dela, mas não me sentia nenhum pouco atraído. Naquela idade eu já não concordava com essa conversa de sexo só depois do casamento, mas não sei se por uma pressão da educação recebida, ou se por uma aptidão pessoal, eu queria que minha 1ª vez fosse com uma garota que eu estivesse namorando, e de quem eu gostasse muito.
Um dia desses voltando de madrugada, depois de uma das primeiras bebedeiras da minha vida, a Claudinha estava no corredor. Fiquei conversando com ela enquanto os outros subiram para os seus quartos, e assim que os outros subiram ela me agarrou e tentou me levar para o quarto dela, e enquanto estávamos na porta apareceu uma zeladora, que a princípio me deu um esporro, mas logo percebeu que não era eu quem estava forçando a barra:
- Claudinha, larga o Sérgio, ele não tá bem.
- Eu sei, ele tá bebado, é meu amigo e eu vou tomar conta dele.
A zeladora saiu rindo e fez pouco caso da situação. Entramos no quarto e ela me deu uma escova de dentes e me mandou usá-la:
- Você quer que eu use sua escova?
- Ora Sérgio, deixe de ser viadinho, você não quer ficar com um bafo desses né?
Nessa hora eu percebi o que estava acontecendo, contei a ela que eu era virgem e que não queria que fosse naquela hora.
- Virgem, hahaha... Você é gay mesmo?
Até então eu não sabia, mas já tinha sido rotulado como gay,e embora eu não seja homofóbico, esse rótulo pesa bastante. Eu não tinha a menor intenção de transar com ela, mas naquela hora ficou claro como seria no dia seguinte se eu saísse dali sem dar a ela o que ela queria.
Deitei de costas e pedi a ela a camisinha, era a única coisa que eu sabia exatamente como funcionava, depois ela veio por cima e se serviu à vontade. Foi a pior transa da minha vida.
Para aquelas que duvidam que a ereção possa acontecer mesmo sem que você esteja a fim, saibam que ela é uma reação fisiológica, acontece até quando você não quer, e muitas vezes pode ser constrangedora.
Vi outro comentário sobre alcool, que dificulta a ereção, mas isso não é verdade, ou pelo menos não absoluta, no meu caso exacerba.
Verdade seja dita, ela não queria só sexo, ficou tomando conta de mim até o dia seguinte, mas eu estava muito desconfortável com aquilo.
Até hoje eu não me sinto estuprado "de verdade", acho só que não foi legal. A qualquer momento eu poderia tê-la empurrado, ou se eu simplesmente tivesse dobrado os joelhos contra o peito, ela não conseguiria fazer nada. Talvez tivesse um pouco de dificuldades de abrir a porta para sair, e de subir as escadas, mas certamente acho que ela não conseguiria sexo se eu tivesse reagido fisicamente, motivo pelo qual eu não acredito na tese de estupro da mulher contra o homem, a não ser que o cara esteja realmente imobilizado, o que é uma possibilidade bastante remota.
O que certamente aconteceu comigo foi assédio, o que eu não considero estupro. Eu tinha medo do que iriam dizer, de ser motivo de piada e de permanecer rotulado como homossexual.
(-continua-)

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