segunda-feira, 23 de abril de 2012

OS BRINQUEDOS EDUCATIVOS DE CADA GÊNERO

Menina ou menino? Ish, não dá pra saber!

Outro dia, no post sobre uma professora americana que tomou a iniciativa louvável de trabalhar gênero já com as crianças da primeira série, um leitor, o André, perguntou: “Quais seriam os benefícios que meu filho teria por brincar de boneca?”. Bom, falar de benefícios já tem um caráter muito utilitarista. Não sei quais seriam os benefícios que seu filho teria brincando de carrinho, por exemplo. Desconheço até que ponto as crianças “se beneficiam” de brincar de alguma coisa, a menos que você considere diversão um benefício (eu considero), e aí brincar de boneca e de carrinho dá na mesma — ambas podem ser divertidas. Mas o fato é que todo brinquedo é pedagógico, didático, educativo, no sentido que a criança aprende com ele (não só com ele, lógico) o seu papel no mundo, e aprende o que se espera dela e como deve se comportar. Convenhamos: não é nem um pouco de coincidência que as meninas sejam incentivadas a brincar de casinha, trocar fralda de bebê, e fazer comidinha. Na vida real, é o que se espera delas também — que elas se restrinjam ao ambiente doméstico. Isso tudo é visto como “coisa de menina” (e de mulher). E depois tem gente que fala que a situação tá mudando, porque tem marido “que ajuda” em casa!
Concordo mais com uma mãe britânica que, junto com a irmã, lançou a campanha Pinkstinks (rosa fede). Ela teve a ideia depois de ver suas duas filhas numa loja de brinquedos considerarem que animais de fazenda seriam “coisa de menino”. Para essa mãe, “estamos regredindo”. Acho que sim. Infelizmente, estamos mesmo. Na minha infância e adolescência as lojas não eram tão divididas por gênero. Rosa não era a cor oficial das garotas. Eu podia ter um caderno de escola “neutro”. Podia usar sandália sem salto. Não existia isso de meninas de 5, 8 anos se maquiarem antes de ir pra escola. Chapinha pra criança? Nem pensar. Cirurgia pra adolescentes com menos de 18 anos eram raríssimas. Hoje a idade média de cirurgias plásticas no Brasil é de 15 anos. Então sim, tá pior (e aqui noto um descompasso gigante entre o que muitas acadêmicas feministas por quem tenho o maior respeito pesquisam e escrevem sobre eliminação dos gêneros e o que se vê na vida real).
Nunca as crianças estiveram tão generizadas. Talvez isso se deva ao capitalismo estar cada vez mais voraz. Portanto, talvez compense do ponto de vista mercadológico lançar uma versão de Palavras Cruzadas ou Banco Imobiliário ou salgadinhos só para meninas. Talvez seja porque hoje consegue-se saber o sexo do bebê muito antes do nascimento. Então o bebê já é tratrado como menino ou menina ainda dentro do ventre. Quando nascer, a menina já encontrará o quarto decorado de rosa e estará pronta pra assumir seu lugar de “princesinha do papai”. O menino encontrará o quarto azul com motes esportivos e bélicos, e será preparado para protagonizar uma vida de aventuras — longe do ambiente doméstico, que isso é coisa de menina.
Uma americana fez um exercício formidável que eu gostaria que fosse feito aqui (alguém se habilita? Já tem estudo acadêmico?). Ela analisou uns trinta comerciais de TV que tentam vender brinquedos para meninos de 6 a 8 anos, e outros trinta para meninas da mesma idade, e anotou o vocabulário usado para comercializar cada produto. A lista original pode ser vista aqui. Como usei e continuo usando esses gráficos em algumas palestras, decidi traduzir as palavras. Deu mais ou menos isso para os brinquedos de meninas:Praticamente tudo relacionado à moda, estilo, aparência física, e maternidade. A palavra amor é a que a mais aparece nos comerciais, mas é só ver quem lhe faz companhia pra gente supor a que tipo de amor os publicitários se referem. Amor por consumir, né?
Este é o gráfico das palavras que mais aparecem nos comerciais pra meninos:O vocábulo mais repetido é batalha. Tem também poder, heróis, ação, derrotar, transformar, destruir etc. Amor e bebês não existem para garotos.
O Feminist Frequency também fez um vídeo em que analisa alguns desses comerciais. Concluiu que, pros meninos, estimula-se a competitividade e a agressividade, mas também a construção de coisas (nem que seja para destruí-las em seguida). Pras meninas, tudo gira em torno de prendas domésticas e da sua função decorativa. Aí a gente se pergunta por que há muito mais engenheiros que engenheiras, ou por que apenas 3% dos programadores de videogame são mulheres. Sério que com toda essa lavagem cerebral desde cedo ainda tem gente que acredita em “gosto pessoal” como fator determinante pras escolhas que fazemos na vida?
Não vou entrar na questão de que, num mundo mais humano, a propaganda para menores de 12 anos seria proibida (como é na Suécia). Ponto. Este é um assunto complexo que merece um post só pra isso, mas eu não canso de me admirar ao ver pessoas defendendo a total falta de regulamentação pro capitalismo, porque dizem — quem deve tomar as rédeas da situação e domar as crianças são os pais. Nem pensar em tornar a vida dos pais um tiquinho mais fácil? Por que fazer os pais competirem com indústrias poderosas que, só nos EUA, gastam 17 bilhões de dólares em estudos de como influenciar as crianças?
Mas, voltando ao questionamento do André sobre os benefícios do filho brincar com boneca, eu queria devolver a pergunta. Você vê algo de errado num mundo que relaciona todos os brinquedos pra meninos com poder, força bruta e guerra? Esses brinquedos, e toda a cultura de “menino não chora” em que seu filho está inserido, não guiam o modo como ele tentará resolver conflitos? E digamos que você dê o azar de ter uma filha. O que esses brinquedos ensinariam a ela? Por que brincar de boneca seria benéfico pras meninas, e não pros meninos? Que tipo de benefício têm as meninas aprendendo que é sua missão no mundo cuidar da casa? E meninos não namoram, se casam e têm filhos quando crescem?
Naquele mesmo post, um comentarista anônimo já veio com uma enorme certeza: “Se dar boneca pros meninos brincarem não é incitar o homossexualismo, então me digam o que é!”. Uau! Santa ignorância, Batman! O leitor confunde sexo biológico com orientação sexual. Bom, assim como meninas não se tornam lésbicas por brincarem de carrinho ou de espada, meninos não viram gays por, ugh!, tocarem numa boneca. E, como a gente vive num mundo em que as “incitações” à heterossexualidade são contínuas e gritantes, você não deve se preocupar. Fecho com Guacira Louro quando ela questiona: “Se a identidade heterossexual fosse, efetivamente, natural [...], por que haveria a necessidade de tanto empenho para garanti-la?” De fato, o medo que temos em combater a homofobia nas escolas (porque isso geraria toda uma multidão de gays e lésbicas!) é um sinal inequívoco da fragilidade da nossa heterossexualidade. Como é fraca a nossa identidade sexual se um menino brincar de boneca o “incitará” a ser gay!
A certeza homofóbica do leitor anônimo não tem muita salvação, mas a dúvida (vou acreditar que genuína) do André a respeito dos benefícios que seu filho teria por brincar de boneca pode ser ampliada: que benefícios teria o nosso mundo se as crianças pudessem crescer para ser tudo aquilo que quiserem ser, sem estar limitadas às amarras de seu gênero?

149 comentários:

Rodrigo disse...

Nunca entendi esse papo de que o muleke vai virar gay por brincar de boneca. Pessoal nao pensa nao? Se for pro muleke ser gay, acredito que as chances de ele 'virar gay' sejam muito maiores se ele brincar com aqueles guerreiros musculosos hahaha. Pelo menos eu, sendo gay, pensava assim. Adorava brincar com eles =D

Sara Marinho disse...

Acho que eu ignorava em parte a diferenciação sexista dos comerciais para crianças, me lembro que no meu aniversário de 10 anos eu chorei porque queria um carrinho de bombeiro (não queriam me dar não por dizer que era coisa de menino, mas porque o que eu queria era muito caro para o modestíssimo padrão financeiro que minha família tinha na época)

Clarinha disse...

Adorei o post, Lola. Eu que sou mãe penso nessas questões o tempo todo. Concordo que os governos deveriam facilitar a vida dos pais e proibir logo essas propagandas para menores de 12 anos. No nosso caso, meu filho assiste bem pouco à tv porque preferimos mostrar dvds a ele. Ele adora o Pocoio, por exemplo. A animação é ótima, mas tem clichês do tipo: o menino é azul e a menina é rosa (e ela é uma elefanta! Logo, poderia ser cinza, mas é rosa para evidenciar que é menina!). Enfim, há milhões de outros exemplos.

Tento oferecer brinquedos de todos os tipos a ele, inclusive bonecas, justamente para ele saber como é que se brinca de casinha. Como vc disse, ele um dia pode ser pai, não é? Na escolinha, ele brinca muito de reproduzir o cotidiano dos adultos, então, todo mundo vai ao supermercado fazer compras, todos fazem comidinha, todos trocam a fralda do bebê! Achei bem legal essas atividades.

Ao pai que não sabe dos benefícios que seu filho pode ter ao brincar de boneca, para mim, eu acho que abro um universo enorme de possibilidades ao mostrar ao meu filho que ele não precisa se encaixar em um padrão específico, ele não precisa gostar só de bola e carro. Ele pode gostar do que ele quiser, de quem ele quiser e fazer o que ele quiser. O importante é que seja uma pessoa honesta, generosa e de caráter. Acho que a pergunta, na verdade é outra, por que criar tantas amarras para o seu filho?

aiaiai disse...

Parabéns, sem mais!

Sara Marinho disse...

e realmente, a Lola abordou o fato de que propaganda para crianças menores de 12 anos deveria ser proibida, deveria mesmo, hoje, com quase 20 anos, é fácil lidar com o fato de que tenho um orçamento limitado(não tanto quanto aos 10) e portanto algumas coisas que eu quero muito eu não posso ter, mas é uma situação cruel quando se é criança, o carrinho de bombeiro que eu não ganhei (ganhei, alguns meses depois, um baratinho, que eu não gostei, queria um daqueles grandes e brilhantes rs) é um dos inumeros exemplos de brinquedos que eu via na televisão e não podia comprar, lembro bem tambem que quis muito um daqueles kits bestas da Xuxa, de fazer bijuterias, e que fiquei anos obcecada em ter um carrinho de controle remoto, mas para uma criança pobre, esse mundo de sonhos consumista da publicidade é quase um pesadelo, porque é inalcançavel.

nina disse...

Depois vem um monte de publicitário chato reclamando das especificações sobre propagandas pra criança. As propagandas ainda podem fazer um grande estrago, com as regras que tem hoje, imagina sem elas?

Anônimo disse...

Lola, pela primeira vez concordo com um post teu de cabo a rabo. Você analisou as potências econômicas em jogo, revindicou a tarefa de controles democráticos dessas forças e incitou a reflexão a respeito da potência normativa tanto da publicidade quanto do brincar. Contra o autoritarismo do capital precisa advir a multiplicidade do radicalismo. (Isabel)

Koppe disse...

"para uma criança pobre, esse mundo de sonhos consumista da publicidade é quase um pesadelo, porque é inalcançável"

Sem falar nos muitos que, numa certa idade, se cansam disso e resolvem arranjar um jeito de comprar o que querem mesmo da forma errada: entrando pro crime. É onde se mesclam o instinto competitivo/agressivo com a vontade/necessidade de consumir e ostentar.

Não que eu ache totalmente errado ensinar os meninos a terem alguma competitividade e agressividade, nós não estamos vivendo no mundinho perfeito dos Telettubies e ter certa quantidade de competitividade e agressividade é uma questão de sobrevivência. O que eu acho errado são duas coisas:
1) ensinar apenas isso, ou principalmente isso, deixando de lado ou subestimando outras características/valores mais importantes e mais necessários; e
2) ensinar isso apenas aos meninos, incentivando as meninas a serem passivas e indefesas, perfeitas vítimas no futuro.

Josiane Caetano disse...

Amei o post! Toda mãe e pai deveria lê-lo.Aqui em casa o brinquedo preferido da minha filha é a bola. Não vejo nada, absolutamente nada de errado que a bola vença as bonecas nas escolhas dos brinquedos dela.

André disse...

Se o André citado for eu, a dúvida é real.
Meu filho vai sofrer bullyng do restante da sociedade se brincar de boneca, e eu não quero que ele sofra, precisaria haver um ganho pessoal muito efetivo para compensar esse custo. Posso estar sendo utilitarista e egoísta, mas quem não é, quando se trata dos filhos?
E não me interessa apenas os ganhos sociais (que sei que existirão a longo prazo), não creio que a escola tenha legitimidade para usar um grupo de crianças como bucha de canhão para mudanças sociais.

Elvis disse...

Adorei o post.
Não sabia que na Suécia esse tipo de propaganda era proibida.

Acho difícil eu ter filho algum dia, mas sempre penso nessas coisas no caso de ter. Não gostaria que ele/a fosse tão influenciado da forma que vejo acontecendo, mas é complicado, propagandas voltadas pro público infantil estão cada vez mais presentes em todos os lugares, não só na tv.

Luara Tanuri disse...

Perfeito post, Lola. Compartilhado no meu face como sempre.

Adorei o comentário do Rodrigo sobre os musculosos querreiros...ri muito.

Lorena disse...

André,

vc não acha que as mudanças devem começar dentro de casa? Tem certeza que você não aceita a boneca por causa do preconceito externo, e não do interno?

Seu filho não vai sofrer com o bullying se souber que, na sua família, pra vc, sua esposa e etc, brincar de boneca é super normal, que vocês não o repreendem e incentivam que ele seja livre pra brincar do que quiser. Ele vai sofrer com o bullying se for inseguro, se não receber apoio dos pais e não souber lidar com a situação.

Lorena disse...

No mais, post perfeito Lola, perfeito mesmo. Concordo com tudo.

Anônimo disse...

Só um detalhe: não é o capitalismo que tem generizado a infância,é o backlash( para quem não sabe ou nunca ouviu esta palavra: reação contrária ás conquistas femininas) que tem se fortalecido e se tornado mais explícito.

Sara disse...

Seu post da pouca margem a comentários Lola e esta irretocavel, assino em baixo palavra por palavra.
E como mãe de meninas nunca deixei de dar pra elas o que elas realmente queriam mesmo que no mercado fosse muito dificil de achar, minha filha mais velha detestava bonecas, mas adorava desde pequena brincar com quimica, eu ralava pra achar laboratórios de quimica pra ela, mas achava.
A outra gostava muito de carrinhos destes de meninos, tb sempre dei a ela o que ela queria, não o que a propaganda empurrava.
Agora o que percebo é que quem faz mais resistencia a isso são pais de meninos, o que deixa transparecer exatamente o que falaram aqui , que ha um medo ilógico de afetar a sexualidade do garoto.
Mais uma faceta do machismo mostrando as caras desde cedo na vida das pessoas.

Sonado disse...

Eu brincava de boneca com minhas primas...nunca ouvi minha noiva reclamando de minha masculinidade. Ao contrario, ela fica feliz em ter um noivo que gosta de debater problemas na relação antes que eles se tornem sérios, que é integralmente igualitário com atividades, sejam as contas, seja faxina, seja resolver problemas...
Brincadeiras tem grande finalidade pedagógica, algo que tem sido muito debatido nas licenciaturas, na psicologia e na pedagogia ultimamente. Tanto que tem vertentes inteiras de pensamentos educacionais voltados para isso.

Anônimo disse...

Eu e meu irmão quando pequenos tínhamos a vantagem de ter em casa brinquedos "de meninas" e " de meninos". Não tínhamos o problema de separar as coisas em casa, porque misturávamos tudo e criávamos uma "cidade gigante" no nosso quarto, com espaço para barbies e bonecos de ação controlados por qualquer um de nós.

No nosso condomínio era tudo muito separado, no entanto. Meninos jogando bola e meninas brincando de boneca ou restaurante.

Conseguimos ensinar o método da "cidade" pra meninas, mas meninos nunca se misturavam. Aí geralmente ficava um bando de meninas e meu irmão brincando. Ele participava até das brincadeiras de restaurante, introduzindo idéias que meninas normalmente não tinham (como papéis novos e caça de ingredientes, subindo em árvores e correndo por aí procurando plantas novas).

Acho que foi saudável para todos, pois no fim meu irmão fazia coisas que meninos não podiam fazer e nós meninas aprendíamos que a brincadeira do restaurante também podia ser uma aventura radical.

D.D disse...

Essa questão é extremamente complicada quando a gente vê isso de perto. Tenho um sobrinho de 2 anos que vive na minha casa, onde moro com a minha mãe e minha irmã, ou seja uma casa feminina. Meu irmão tem torrado a nossa paciência por deixar ele brincar com coisas da gente como cremes, panelas e afins, diz que a gente vai fazer ele virar gay, aff é muito chato isso, porque ele é quase um bebê e gosta de brincar com as coisas que ele vê a gente fazendo, ele me adora e vive no meu quarto fica me olhando quando me maquio, mas sei que é porque é interessante o rímel e as sombras coloridas, inclusive com elas que pintamos ele de coelhinho na páscoa, pra ele é uma brincadeira...sei que as coisas vão mudar, ele vai começa a entender que é um menino e as coisas que os meninos fazem... Da mesma forma que ele tem esse contato com o mudo feminino, ele cça largatixas porque parecem um mini jacaré, sobe em tudo que ele pode, brinca de carrinho... Meu irmão é só muito otário mesmo.

Marina disse...

Sensacional este post! Me faz ver q eu ainda tenho taaaaaaaaaaaaaaaaaaantas coisas para decidir antes de ter filhxs!huahauhauah

Ode disse...

Post bem interessante. Concordo com algumas coisas, discordo de outras. O problema, pra mim, não os brinquedos dos meninos, mas sim os das meninas.

Dar boneca pra menino... Sério, quando eu tiver os meus, não darei de jeito nenhum.

O problema são os brinquedos femininos. Eles não estimulam a competição, a independencia. Isso é um problema. Nada contra meninas ganharem Barbies, mas porque elas não podem ganhar soldados (inclusive "soldadas")? Porque elas não podem ser incentivadas a jogar Banco Imobiliário? E carrinhos? Depois as pessoas reclamam que as mulheres dirigem mal, mas na verdade, nós homens somos desde criança incentivados a saber dirigir, a saber como funciona cada parte de um carro. Nisso sim, eu concordo.

Drica Leal disse...

Perfeito o post, parabéns, Lola!

essas questões de gênero na infância precisam ser muito debatidas e divulgadas.

Já repararam que temos diversos programas de tv sobre educação infantil, mas NENHUM aborda essa questão de gênero entre os pequenos? Existe uma resistência enorme em levantar esse assunto na mídia e de uns tempos pra cá o modelo menino=azul/menina=rosa vem recrudescendo, não só a mídia, a publicidade, vejo os pais incentivando essa divisão mais e mais nas crianças, o que me preocupa muito. A questão é que por mais focadas na aparência e sexualizadas que sejam, as meninas em algum momento terão que adentrar no universo que nossa sociedade ainda considera "masculino": terão que encontrar uma carreira, ter uma profissão, afinal, o mundo hoje exige isso de homens e mulheres. Penso que quando chegar esse momento, essa geração de meninos e meninas tão opostos entrará em choque.

Anônimo disse...

Lola, esse comentário foi feito na reportagem sobre a panicat que raspou o cabelo ao vivo. Sei que a notícia não é exatamente importante, mas o comentário me chamou a atenção:

"(sic)É de dar pena,vêr a que ponto algumas mulheres se submetem a rídiculos feito êsse,depois vêm as falsas moralistas,pedirem respeito."

É triste essa generalização, mas eu gostaria de saber qual a sua opinião a respeito, se você tiver um tempinho...

Agradeço muito,
Beijos!
Bruna C.

Tuka Siqueira disse...

Se os meninos brincassem de bonecas, não teríamos por aí tantas crianças sem pai. Os homens fogem dos filhos da mesma maneira que os garotinhos fogem das bonecas.
Não vou generalizar é claro, mas é por aí. A mulher aceita "a sina" de ser mãe solteira enquanto o homeme exime-se da responsabilidade de ter gerado um filho antes do momento desejado. Alguns "arcam com as despesas" e acham que estão com isso cumprindo seus papéis de pais.

Abraços

Dária disse...

Isto me lembra aquele quadrinho em resposta aos argumentos homofóbicos, não sei se conheces Lola. Depois de vários foras, a última tirinha o cara diz "mas e se o mundo todo virar gay", e a resposta é algo do tipo: "mas este é seu medo? quanta auto-confiança hein?"

heheh se a pessoa não é gay, não acha que poderá virar gay assim, do nada, porque diabos ela acredita que gestos simples como dar uma boneca a um meninos... ou maiores como aprovar a adoção homoafetiva, podem influenciar a orientação sexual de alguem. É realmente algo estranho!

Adorei o texto.

Mirelle disse...

Fui visitar meu afilhado na ultima semana e levei de presente uma boneca negra. Os pais dele, talvez porque moram na Bélgica e estão mais acostumados, adoraram! O menino também, claro.

Gabriele Albuquerque Silva disse...

Excelente postagem, Lola. Eu já tive muitas discussões sobre isso, quando legendei um certo vídeo e coloquei no youtube (http://youtu.be/Lpp4Zt4caZY). Comentários muito ignorantes, tive que deletar vários pq simplesmente eram asquerosos.

Também acho que a situação está piorando. Trabalho em uma livraria, e às vezes fico chocada com alguns pais que vão comprar livros pros filhos... Tipo, histórias que, na minha opinião, são totalmente não-direcionadas a gênero, são vistas por alguns como "de menino", por exemplo, e querem por que querem levar um livro que fale só de princesas ou cor-de-rosa. Muito triste. Eu tento convencer que tanto meninos quanto meninas gostam do livro tal, alguns até repensam, mas outros são irredutíveis, se não tiver rosa não serve.

A Feminist Frequency tb fez uma ótima análise sobre as estratégias publicitárias da LEGO, recomendo tb esses vídeos. A LEGO começou como um brinquedo espetacular de incentivo à criatividade e sem sexismos. No entanto, no decorrer dos anos foi se tornando cada vez mais sexista até chegar ao ponto de lançar recentemente uma linha "pra meninas" que é totalmente estereotipada.

André disse...

Não acredito que as brincadeiras de boneca ajudem a formar donas de casa, ou mesmo boas mães. Eu nunca brinquei de boneca ou de casinha, mas sei cozinhar, lavar roupa, cuidar de casa e de criança. Por que? Porque minha esposa trabalhava, eu estava subempregado, não tínhamos dinheiro para empregadas e o serviço precisava ser feito. Trocar uma fralda é muito mais simples que dirigir um carro, é só querer que se aprende.

Koppe disse...

Lorena disse... "Seu filho não vai sofrer com o bullying se souber que, na sua família, pra vc, sua esposa e etc, brincar de boneca é super normal, que vocês não o repreendem e incentivam que ele seja livre pra brincar do que quiser. Ele vai sofrer com o bullying se for inseguro, se não receber apoio dos pais e não souber lidar com a situação."

Na verdade ele também vai sofrer bullying se não tiver as tão necessárias quantidades mínimas de agressividade e competitividade. Por isso que eu acredito que é necessário sim ensinar um pouco disso às crianças. Não demais a ponto de as crianças saírem provocando, agredindo gratuitamente e criando brigas, mas sim na quantia necessária para que saibam se defender e revidar, violentamente se necessário, sempre que forem agredidos(as).

E é esse o problema com os brinquedos "de menina", eles não ajudam nem os meninos e nem as meninas a se prepararem para o mundo que vão enfrentar lá fora nos, digamos, 20 primeiros anos de suas vidas. E por isso passam a impressão que o que eles ensinam não é tão útil a curto e médio prazo.

Anônimo disse...

Parabéns, vc ensinará seu filho a ser egoísta!

carolinapaiva disse...

A experiência de brincar já vale por si só. Não precisa ter uma finalidade utilitarista.
Sinceramente? Qual é o problema de meninos brincarem de casinha? Meu primo uma vez encasquetou que queria uma boneca bebê, ganhou a boneca e brincou com ela, ué. Não deixou de brincar de carrinhos ou de dinossauros por isso.
Maior bobagem é pautar as brincadeiras.
Se o filho não quer brincar de boneca ele não será forçado a isso, mas e se ele quiser? Vão impedir porque "não é coisa de homem"?

F. disse...

Eu simplesmente amava brincar com bonecas. Elas eram lindas, fofinhas, cheirosas pareciam mesmo bebês na minha cabeça e eu adoro bebês até hoje, as pequenas tipo moranguinho também eram lindas e andavam de pônei e tinham perfume. Acho que foram brincadeiras mto boas, eu brincava de ser adulta como toda criança gosta e isso é mto útil para o desenvolvimento. A diferença é que eu tbm tinha um ferrorama, uma flautinha, vários jogos, alguns carrinhos, bolas e tbm os brinquedos que a minha fazia com legumes e palitos de dente. Se os meninos sempre tiveram suas brincadeiras limitadas por preconceitos bobos, acho que para as meninas isso é quase uma novidade. E uma pena.

Anônimo disse...

Passando para divulgar um trabalho antigo, porém pouco conhecido.

Um especialista em clima com mestrado e doutorado na área de clima e geografia pela Universidade do Kansas percebeu que havia um padrão na distribuição da violência em relação a alguns indícios climáticos.

Ele traçou os eventos climáticos do planeta ao longo dos séculos e colocou uma data para o fim do matriarcado primitivo e o ínicio do patriarcado judaico como sendo algo ao redor de 4.000 A.C.

Esse trabalho foi publicado em um livro chamado Saharasia e apresentado no Congresso de Estudos Matriaracais.

Links:

http://www.second-congress-matriarchal-studies.com/DeMeo.html

http://www.orgonelab.org/saharasia.htm

O trabalho de DeMeo foi influenciado pelo legado do psicologo Wilhelm Reich, que fez oposição a linha de pensamento de Freud.

André disse...

Lorena,
É possível que exista uma parcela de preconceito interno, e também que o diabo seja menos feio que imaginamos. Mas quem quer pagar para ver?

Koppe,
Será? As pré-adolescentes são maiores e mais fortes que os pré-adolescentes da mesma idade. E muitas vezes fazem uso dessa vantagem física para impor suas vontades. Acho que o fundamental é estabelecer regras claras do que pode e do que não pode, e instâncias de apelação efetivas (prof., coordenadora, diretora, etc.).

Sara disse...

Engraçado como essa segregação traz uma falta de liberdade e expressão muito mais para os garotos do que para as garotas.
Já contei aqui, mas não me sai da memória um grupo de garotinhos na faixa de uns 6 a 8 anos, estavam em um grande supermercado na sessão de brinquedos, e no corredor onde eu estava dava pra escutar a algazarra que eles faziam, brincando com umas bonecas que estavam no mostruário, eles apertavam a barriguinha da boneca para que ela dissesse se algumas frases e fizesse movimentos, pareciam estar tão entretidos com as bonecas, mas bastou que eles me vissem se aproximando largaram a boneca com um arzinho de desprezo, com aquelas carinhas de culpados e começaram a mexer em brinquedos mais "viris" rrrssss, fiquei com pena deles, como é possível que crianças tão jovens já estejam sujeitas a preconceitos estúpidos como este.

Anônimo disse...

Fala sério Sara

Moleques brincando de bonecas!!

Com certeza eles vão simular estupro e violência doméstica. Olha o que você disse. Apertando a barriga para ouvir ela falar alguma coisa. Isso é o clássico machão socando a barriga da esposa para ela soltar um gemidinho.

A vantegem de brincar com armas, facas e videogames violentos é que eles aprendem a matar outros homens e deixam as mulheres em paz.

Sara disse...

Sei q vc só pode estar brincando anonim@ mas os garotos em questão pareciam é estar curtindo muito a brincadeira com as bonecas, não consegui ver o mínimo de maldade na atitude deles, pena que quando se viram descobertos mudaram de atitude para dissimular o interesse que estavam tendo em brincar com as bonecas.

Anônimo disse...

Pois André e quem mais pensa assim, tu acha que vale a pena reprimir teu filho a ponto de talvez fazê-lo infeliz devido a uma suposição tua?
E não tem como impedir alguém de ser gay, o que tu pode fazer, caso isso aconteça, é decidir se tu vai ser o pai que apoia ele quando ele mais precisa ou vai fazer parte da multidão que julga.
(Fernanda)

Luisa disse...

Tive uma criação neutra em relação a gênero. Não tive bonecas nem carrinhos, mas tive muitos livros, jogos (inclusive videogames), instrumentos musicais e outras coisas que incentivavam o raciocinio, a criatividade, a auto-suficiencia e, consequentemente, a auto-estima. Como resultado, nunca senti que existisse algo que eu não fosse capaz de fazer, nunca vi as coisas como "de mulher" ou "de homem".
Hoje trabalho em uma área onde praticamente só existem homens e sou uma das melhores. Acredito que tenham preconceito (e medo), mas eu me imponho de tal forma que não conseguem me atrapalhar.
Quando tiver filhos, é isso que vou ensinar pra eles: você pode fazer o que quiser, não aceite que alguém te diga o contrário e não colabore com a disseminação dessa mentalidade alienadora.

Lidiany CS disse...

Eu fui no Lebiscuit outro dia (uma rede de papelaria, presentes, coisas de cozinha) do NE comprar um presente pra uma sobrinha e só tinha coisa rosa.
Me recusei comprei uma miniatura de cachorro e um conjunto com garrafa, prato e colher pra escola! UASHAUS

Carol NLG disse...

Sabe, sobre brincadeiras eu acho que é um daqueles pontos em que menino sofre mais com o machismo que menina (quem disse que machismo só afeta mulheres?)

Eu, quando pequena, fui uma criança mega ativa. Corria, subia em árvore, jogava bola. No meu prédio éramos várias crianças, mas eu sempre gostei mais das brincadeiras dos meninos. Detestava brincar de casinha e boneca. Mas me dava uma arma na mão pra me ver brincando de tudo?

Lembro de um amiguinho nessa época. Certa vez ele foi em casa e acabamos brincando de casinha. Quando os pais dele souberam - ele pediu uma casinha igual, acho - foram brigar com meus pais, por deixarem o filho dele brincar disso! Nunca mais nos deixaram brincar juntos.

Eu, por outro lado, tinha kits de química, bolas, etc. Mesmo minhas barbies eram as barbies exploradoras, o que permitia que eu usasse elas nas brincadeiras com GI Joes dos meninos. E não, não me tornei lésbica por isso.

Anônimo disse...

Uma coisa me ocorreu: e se a questão não for que o menino também brinque de boneca e a menina também brinque de carrinho? E se a questão for justamente que as crianças cresçam brincando com narrativas tão miseráveis, do carrinho, da bonequinha, da batalha e do amor? Quer dizer, se a boneca e carrinho são uma divisão moldada pela estrutura de gênero, não é legal nem para meninos nem para meninas se inscrever em qualquer dos lados dessa divisão. Mas não consigo imaginar como seria possível isso. (Isabel)

Anônimo disse...

Recentemente eu estava numa festinha com a minha sobrinha (3 anos), ela no meu colo, brincando com 3 Barbies Sereias das primas, que estavam correndo. Pertinho dali tinha um menino (3 a 4 anos) só olhando e cochichando com a mãe.

A mãe incomodadíssima, respondia para o menino: "eu já disse que boneca é coisa de menina", "você tem que brincar é de bola, com os outros ali". Ela fazia uma expressão que me fez perceber que esse pedido do menino devia ser constante...

O menino insistiu até que a mãe disse que ia deixar ele só olhar a Barbie. Depois teria que devolver.

Emprestei a Barbie Sereia morena. Então o menino abriu o sorriso mais lindo de todos os tempos. Passou a mão no cabelo da boneca, olhinhos brilhando. Em menos de cinco segundos a mãe tomou a boneca e não se falou mais nisso.

Obviamente ela acha que pode "consertar" o filho do "defeito de fábrica" que ela acha que ele tem.

Todo mundo pra quem eu falei essa história disse "Viiiixe, coitado", "Nessa idade, já?", "Não tem pra onde correr, esse vai ser gay".

Mas eu só conseguia pensar naquele sorriso que mostrava todos os dentinhos de leite. Eu, se fosse a mãe, não teria força suficiente para estragar aquele sorriso tão grande, maior do que qualquer questão de gênero ou de preconceito.

*Cá com meus botões, eu acho que o menino é homossexual (essa história de "vai ser gay" é coisa de quem acredita que pode "consertar" isso). Mas não é brincar de boneca que torna o menino é gay. Aliás, ele não brinca, justamente porque a mãe acha que se cortar isso "de pequeno" ele vai crescer macho.

Eu acho é que a mãe está perdendo a chance de conhecer o filho dela desde pequeno. Está fechando os olhos... Com isso ela vai perder tanta coisa. Vai perder a chance de conhecer e se aproximar do filho o suficiente para criar uma futura relação de confiança e respeito (existe respeito quando um acha que o outro é errado/doente/imoral?).
E ela está perdendo principalmente os sorrisos, a manifestação da felicidade do filho.

Anônimo disse...

/\ Que lindo *-* E espero que a mãe dele se de conta do estrago que tá fazendo .-.

Linda disse...

André, eu vejo a escola como a base da formação da sociedade, sendo assim, acredito que é exatamente onde a mudança deve começar. Sobre os beneficios de seu filho brincar de boneca, eu te pergunto, você não acha que um dia ele vá ser pai? Qual é o problema dele saber o que é um bebe desde criança? Eu acho graça quando alguem vem dizer que cuidar de criança é da natureza feminina, é muita ingenuidade! Essa questão das brincadeiras, pra mim, é um fator determinante em como a pessoa vai ser quando adulto.

No mais Lola, ótimo texto! E que vontade de ir la na Suecia aprender com os Suecos!

André disse...

Fernanda,
O objetivo não é impedir que ele seja gay, é minimizar os pontos de atrito com a sociedade. Não vou proibí-lo de chegar perto das bonecas da irmã, mas não vou dar bonecas para ele brincar.
Linda,
Não é brincando de boneca que uma criança aprende a ser pai.

carolinapaiva disse...

André

Também não é brincando de carrinho ou de lutinha que se aprende a dirigir ou a se defender.
A questão é o faz-de-conta. Se a criança quiser, porque impedir? E se ele te pedisse uma boneca, por exemplo?
Meu primo fez isso, ganhou a boneca, brincou com ela, não sofreu bullying, nem atrito com a sociedade. E ai?

Flavia Vianna disse...

Lola, essa diferenciação peasda entre gêneros não ocorre só com brinquedos. Ocorre também com objetos de uso pessoal das crianças.

Ao dar minha última voltinha no shopping, percebi o quanto isso é também presente no vestuário infantil. Lembro que, quando era crinaça, usei poucas peças na cor rosa. Vendo as lojas de roupas para crianças e as seções de vestuário infantil, vejo como a imposição do "rosa para meninas" anda muito forte. Só vemos algo mais colorido nas peças de roupas para meninas acima dos 12 anos.

Sara Marinho disse...

Vi um pessoal aqui falando que acham os brinquedos de menina inuteis pois não ensinam a criança a ser agressiva
velho...
Então é certo ensinar uma criança a ser agressiva?Puta que pariu, as crianças tem que ser ensinadas a respeitar o próximo e a se opor a situações de injustiça e opressão, tem que ser ensinadas que tanta agressividade é errado. É claro que ninguem é santo, com zero de agressividade, e claro que não ter nenhuma agressividade tambem não é lá muito saudável, mas ser agressivo é algo que surge naturalmente com a convivência com outras pessoas, não deve ser estimulado, construido dentro das crianças.
Outra coisa, nada que um pai fizer vai impedir o filho de sofrer bulliyng na vida, só se levar os filhos para morar numa caverna isolada do mundo, convivência social traz bulliyng, quem nunca foi humilhado ao menos um pouquinho por coleguinhas na infancia?Tem limites do que é aceitavel, e do que cada um pode individualmente suportar, não deve estimulado, muito pelo contrário, pais e professores que verem crianças praticando ou sofrendo bullying devem conversar, talvez principalmente com o "agressor" para lhe mostrar que aquilo não é certo, mas bulliyng toda criança sofre, em maior ou menor grau, e em relaçao ao bulliyng normal que toda criança sofre, uma boa base familiar impede que seja prejudicial a ela, não importando qual brinquedo ela leva para escola, independente de seu gênero.

Stefanie disse...

Minha prima fez 3 anos há pouco tempo.
Fui à uma loja d brinquedos e fiquei perdida. Não havia brinquedos comerciais, baratos, e que não reforçassem de alguma forma a questão menina=passividade/beleza. Fiquei uns 40 minutos andando de um lado para o outro, confundindo os vendedores e acabando com a paciência do meu namorado, que tenta me apoiar, mas não entende porque "tudo para mim é um posicionamento".
No final comprei uma bola.
Uma grande bola transparente, cheia d'água e lantejoulas, que pulava e brilhava quando girávamos. Parecia muito mágica, mas mesmo assim os vendedores estranharam a compra.
Na festinha, entre carrinhos de boneca e mini cozinhas, minha prima correu atrás da bola todo o tempo.
Ok, eu posso dizer que venci, vai...

Ana disse...

(I)
@André:
“Meu filho vai sofrer bullyng do restante da sociedade se brincar de boneca, e eu não quero que ele sofra”

Então, tem que saber fazer pose de macho pra esconder que tem medo dos que os outros vão dizer?

Não, sério, eu estou tentando entender. O problema não é brincar de boneca, o problema é a reação dos outros. Então no fundo pode-se fazer tudo, desde que os outros não sejam contra. E isso é pra ser o modelo de homem?
Sei que soou ofensivo, mas, minha cabeça deu um nó.
Vamos supor que seu filho queria muito brincar de boneca. Você sabe que não faz diferença. Mas também sabe que tem gente preconceituosa no mundo. Aí ao invés de ensinar seu filho a bancar a opinião dele, sendo independente e corajoso, você ensina ele a se esconder.

É sério?

André, se você disser pra mim “falar é fácil”, eu vou concordar totalmente. Não sou homem e não tenho filhos, sou uma jovem que está muito confortável na frente de um notebook, jogando tempo fora. Não faço idéia do que é estar no teu lugar. Mas eu sofri bullying por bastante tempo e a minha experiência ensinou que existem três possibilidades:
a) ter colegas maravilhosos e compreensivos a vida toda;
b) ser um bully você mesmo;
c) ser forte.

Eu gosto muito da opção a), mas... eu também gosto da idéia do Papai Noel. Essas coisas são assim. Trágico, mas fazer o quê? Se a gente for pensar num mundo que não o dos Teletubbies, a desgraça vai estar lá esperando.

Bem, bullying não é uma coisa que acontece com garotos que brincam de boneca. Bullying é uma coisa que acontece com qualquer um que não opte pela letra b). E como imagino que você queria algo melhor pro seu filho além de ser um idiota que sobrevive da miséria dos outros, vamos apostar que ele vai ser o alvo, não o agressor.
E não se iluda, amigo: Se quiserem implicar com seu filho, vão achar um motivo, boneca ou não - Ele é inteligente demais, “burro” demais, bonito demais, feio demais, alto demais, baixo demais... Não existe lógica, logo; sinto informar-lhe, também não existe jeito efetivo de protegê-lo. É, ele vai ser o alvo.

E ficamos com a letra c): força. Tirar a boneca não vai resolver o problema. Fazer dele uma pessoa forte, se não resolver, vai pelo menos ajudar.

Agora, ninguém é forte se escondendo. Se ele aprender a pautar a vida dele na opinião dos outros, sempre fazendo o que quer que seja que o tire da linha de tiro, me desculpa: tudo o que ele vai ser é um covarde. E não estou falando de bonecas, como eu disse, bullying acontece por qualquer razão. Talvez os brinquedos de garota não te agradem e seja até mais cômodo pra ti fazer ele desistir da idéia, mas e quando não for isso? E se teu filho tiver as melhores notas e isso for suficiente (como aconteceu comigo)? Esse povo escroto que humilha os outros tem um humor imprevisível, qualquer coisa vai ser motivo. Vais dizer a ele que finja ser burro? Vais entregar o orgulho de ter o filho “mais inteligente” pra outro pai de mão beijada? Sempre que ele se destacar, ele vai ter que se fazer de invisível? Essa opção é tão ruim que nem coloquei nas possibilidades lá em cima.

Ana disse...

(II)

O melhor jeito de lidar com o bullying, seja ele qual for, é sendo forte – forte pra suportar qualquer agressão sabendo que ele não é anormal/idiota/whatever. Forte pra saber distinguir quais opiniões interessam e quais são só recalque/insegurança. Forte pra não depender do amém de ninguém. Forte o suficiente pra poder se sustentar sem ter que pisar no outros. Forte pra pedir ajuda quando precisar.
Nunca vai ser fácil, mas todos, homens e mulheres, passam por coisas ruins. Todo mundo tem que crescer, todo mundo tem que aprender a se virar.

Talvez não haja ganho em brincar de boneca e ser um alvo, mas Definitivamente não tem ganho nenhum em sobreviver sendo uma criatura que se anula pra fazer a vontade dos outros. Não dá pra fugir pra sempre. O melhor é se fortalecer.

E tem mais, ninguém devia se esconder. Ninguém devia se sujeitar a nenhum bully idiota e preconceituoso, porque todo mundo devia saber o quão ridículo o preconceito é. No dia em que ninguém vir nada demais num guri com uma Barbie na mão, o bullying não vai mais ter razão de ser – e vamos ficar na letra a).

... Só um pensamento longo.

Ana.

Anônimo disse...

André, mas justamente, não estamos dizendo pra ti ficar oferecendo bonecas ou qualquer outra coisa. E sim, caso teu filho sinta curiosidade ele não seja repreendido por gostar de brincar com esses brinquedos ditos "femininos". Na minha opinião, ser repreendido pelos pais é bem mais danoso do que por um coleguinha qualquer. E essa questão do bullying também tem que ser tratada desde pequeno, o errado e que deve ser consertado é a criança desmerecer as outras por ser diferente ao invés de obrigarmos nossos filhos a se enquadrarem.
(Fernanda)

Ci menoni disse...

Aplausos!
Poxa, este texto diz tudo que sempre pensei. Sempre achei que faziam ( ainda fazem), lavagem cerebral nas mulheres desde de pequenas. Eu desde pequena,quebrava as bonecas que ganhava, achava mais interessante,subir em árvores, brincar de lutinha, dominó etc...(Para os maldosos, de lésbica não tenho nada)
Ficava pensando, por que só me dão boneca?
Cheguei a conclusão na adolescência, que é para doutrinar a mulher para ser mãe e dona de casa.

André disse...

Sara Marinho e Ana,
Usar óculos também gera bullyng, mas não usar prejudica o aprendizado. Nesse caso há um benefício claro. E no caso da boneca?

LisAnaHD disse...

ai, Ci menoni, e vc precisava quebrar as bonecas? rs... rs... me lembro do meu irmão arrancando a cabeça da minha boneca... e eu nunca aprendi a subir em árvores... nem pular muro... e até hoje gosto de bonecas, apesar de não ter tido muitas... mas enfrentar parto nunca me animou... é tão mais fácil pegar a criança prontinha num orfanato, de preferência já treinada fora das fraldas... já ter tirado o sono de outra mulher... eu acho.

aiaiai disse...

André,

o teu argumento é igual ao que usavam para dizer q os casais não deviam se separar na década de 70. "Ah, mas os filhos vão sofrer. Mulher desquitada não tem condições de criar uma criança..." Muitas mulheres e muitos homens mantiveram casamentos infelizes para que os filhos não sofressem com o preconceito...

Alguns outros casais bancaram a mudança e, mesmo sofrendo preconceito - eles e seus filhos - resolveram q ser feliz era mais importante que se importar com os outros. Hoje, a separação é comum e as crianças nem sofrem mais preconceito (continua sendo sofrido, já que qq separação é triste, mas não pelo q os outros falam).

Em todas as épocas tabus foram quebrados por pessoas inteligentes e que preferiam viver suas próprias vidas ao invés de se pautar pelo que os outros vão falar. pense nisso.

M disse...

Gabriele Albuquerque Silva

Já tinha visto o video que vc legendou, a menina é uma fofura e está coberta de razão.

aiaiai disse...

E, André, não estou falando da boca pra fora: sou mãe de um menino e foi ele que me fez ser ainda mais libertária e feminista. Foi criando ele que eu percebi o quanto os homens perdem por causa do machismo e que o feminismo seria bom para ele e para os homens da geração dele.
qd ele era bem pequeno ganhou um mickey e me pediu uma minie para poder brincar com os dois, como no desenho. Eu dei. Muitas pessoas, inclusive o meu pai, disseram que eu estava maluca em dar uma "boneca" para o meu filho...Eu disse que eles é que estavam.

Meu filho hoje tem 14 anos e eu continuo estimulando ele a fazer o que quer sem ligar para o que os outros pensem. Atualmente, quero mesmo que ele não ligue nem para o que eu penso. Só assim vai ser uma pessoa completa. É difícil, dá trabalho, traz algum sofrimento, mas viver é melhor do que não viver, né?

Anônimo disse...

'E, André, não estou falando da boca pra fora: sou mãe de um menino e foi ele que me fez ser ainda mais libertária e feminista'

putz, não acredito que li isso.Vê se se informa antes de falar de libertária sem nem saber o que é.
A última coisa que um libertário vai defender na vida é mais poder pro governo.

André disse...

Fernanda e Aiaiai,
Sempre estimulei meu filho a pensar por ele mesmo e não fazer tudo o que os amigos fazem apenas porque todo mundo faz. Mas não é certo uma professora dizer que é normal menino brincar de boneca, porque o mundo não vê dessa forma, isso vai ter uma consequência. Será que essa professora conhece o ambiente em que cada um dos alunos vivem? Será que eles tem maturidade para refletirem sobre as consequências de suas escolhas?

Carla disse...

Excelente post! Agora, pobre anônimo/a ignorante... Melhor ele/ela nunca dar uma incerta na escolinha do filho pequeno, então. Mal sabe essa pessoa que, quando brinquedos de todos os jeitos estão disponíveis, meninas brincam de trem, meninos se vestem de princesas e por aí vai. Palavra de professora.

carolinapaiva disse...

André

E qual seria o benefício para meninas ao brincarem de boneca então?
Você não acha que o ato de brincar em si seja um benefício?
.
Sobre o bullying: não adianta sofrer por antecipação. Você pode até impedir que seu filho brinque de boneca, mas vai impedi-lo de fazer mais o quê?
- Tirar boas notas?
- Gostar de tal desenho?
- Vestir tais tipos de roupa?
- Usar certo corte de cabelo?
- Praticar tal esporte?
- Cantar?
- Dançar?
- Atuar?
- Desenhar?

O bullying existe por qualquer coisa.
Eu já fui zoada por não usar determinadas roupas, ou ter bugigangas da moda;
Já fui zoada por ter pêlos nos braços;
Já fui zoada pelo meu cabelo;
Já fui zoada por gostar de Toy Story;
Já fui zoada por não ir a festas;
Etc.

Anônimo disse...

ué, andré. mas o ideal é q a professora faça isso mesmo. q ela tente mudar aquele determinado grupo, ja q individualmente n temos controle sobre oq é ensinado às crianças em casa. na escola elas tem q aprender a respeitar as diferenças, a experimentar, a serem tolerantes. ensina-los a se segregarem, a serem vistos como "sexos opostos", incentivar rivalidades, ensinar a serem egoístas e competitivos, nada disso é bom.

uma certa dose de agressividade é necessária? olha, eu diria que é importante saber se defender. mas se todos não educarmos nossos filhos pra serem agressivos, a tendência é q a agressividade diminua.

eu costumava a achar q eram agressivos apenas os filhos de pais ausentes ou violentos. mas oq eu vejo são pais supostamente preocupados com o bem estar das crianças, incentivando-as a tirarem vantagem dos outros, a resolverem seus assuntos com agressividade, a serem mesquinhas.

LOVE MAKES A FAMILY disse...

Às vezes eu tenho a impressão que as pessoas estão regredindo. Na minha infância a cor não definia tanto o gênero como agora. Eu concordo com você, Lola, o aumento do consumo fez todo este arranjo de gênero. Tá, sempre houve esta diferenciação: menina: boneca, menino: carrinho.
Eu brinquei toda a minha infância com os brinquedos dos meus irmãos ( sempre preferia os deles, pois achava mais divertido), meus irmãos brincavam com os meus, pois a gente brincava de casinha também. Eu sou lésbica ( ei, brinquei de boneca também), eles não são gays ( eles brincaram de boneca e tantos outros brinquedos de menina, inclusive o divertido elásticos...Quem lembra a moda dos anos 80? Eles eram melhores do que eu, snif...).
Sim, nunca havia escutado que isso é de menina, isso é de menina, até que veio ageração dos sobrinhos e tudo me assustou: excesso de barbies, carrinhos motorizados e violentos, bonecos monstruosos, roupas caretas...super caretas...Enfim, a criatividade ficou no passado, acho.
Eu tento desconstruir isso e dou brinquedos sem olhar o gênero as crianças. Já dei uma cozinha para um filho de uma amiga. Ele amou! Os pais olharam-me com espanto. Se ele brincou? Acredito que não,mas dei porque eu havia percebido que ele curtiu a cozinha de uma amiguinha, filha de em amigo ( e para esta menina, já dei carros e uma bicicleta azul, modelo considerado masculino).
Tudo está na cabeça louca dos adultos. Tudo mesmo! E o Brasil parece que nada sempre na idiotice dos reacionários. Medo das próximas gerações, como eu JÁ tenho muito desta.

André disse...

Carolinapaiva,
Para as meninas, brincar de boneca tem o benefício de brincar sem gerar consequências negativas.
Para os meninos só vai aumentar essa lista.

Renan disse...

Acho que se o que você visa é o bem-estar do seu filho diante da sociedade, "proteger" ele da repressão social através da repressão em casa vai desvalidar completamente o empenho. Teremos mais um adulto enjaulado na própria insegurança. Se é que sua real vontade é mesmo de não vê-lo alvo, né, pois é muito comum os pais confundirem instinto de proteção com receio que seu próprio ego seja atingido, através do filho, por viver dentro de uma crosta preconceituosa. Enfim, dar essa liberdade à criança, deixando claro que não há nada errado em transitar entre brinquedos e certificar isso fortificando a confiança absoluta que as crianças tem na palavra do pais é a melhor maneira de garantir futuros ganhos pessoais a partir da paz interior que teu filho terá em poder ser apenas quem ele é. E, de preferência, ser muito amado por isso.

Anônimo disse...

Daqui a pouco vão fazer como na Suécia: inventar uma expressão que indefina se é menina ou menino. Segundo o guest post sobre os flertes na Suécia:

“Para finalizar, fiquei sabendo de uma escola onde a igualdade é levada mais a cabo ainda, o que gerou e ainda gera uma certa controvérsia por aqui. Nos subúrbios de Estocolmo existe uma escola chamada "Egalia" onde os professores evitam ao máximo "influenciar" a definição do gênero nos seus alunos. Nas palavras de um professor [ou professora?], Jenny Johnsson: "A sociedade espera que as meninas sejam sempre agradáveis e bonitas e os meninos viris e desinibidos. A Egalia lhes dá uma fantástica oportunidade de ser quem eles querem ser." Isso vai desde o espaço físico ao vocabulário utilizado. Em sueco han significa ele e hon significa ela; entretanto, nessa escola, foi inventado um novo termo, hen, que não existe oficialmente na língua sueca, pra ser usado em determinadas ocasiões. A diretora da escola Lotta Rajallin disse que esse termo é empregado em algumas situações como por exemplo quando um bombeiro, eletricista, policial etc vem visitar a escola. As crianças não sabem se será um profissional homem ou mulher, então a escola dizez "Hen vem amanhã nos visitar", o que, segundo Rajallin, aumenta a perspectiva das crianças. Por que dizer "ele" ou "ela" quando não se sabe o sexo da pessoa que virá?”
http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2012/03/guest-post-como-sao-os-flertes-na.html

Aliás, em alguns países como o Canadá, chegam ao absurdo de proibir os homens de urinar em pé:
http://blogs.vancouversun.com/2011/10/12/vancouver-restaurant-bans-men-from-peeing-standing-up/

Pelo visto é isso q a Lola quer.

Anônimo disse...

Muito bom o post...liberdade, simples assim.

carolinapaiva disse...

André

A solução é justamente desmitificar essa visão de "boneca=brinquedo me menina".
E isso do bullying não é algo certo. O meu primo tem até hoje sua bonequinha e é "popular" no colégio dele.
Além disso, ele brincava de tudo comigo. Como ele mora em outra cidade, não trazia muitos brinquedos para cá (Porto Alegre). Eu tinha lego, carrinhos, dinossauros e bonequinhos de ação, mas também tinha muitas bonecas e miniaturas de casinha.
Ele não fazia distinção entre os brinquedos e ficou chateado quando eu doei meus brinquedos.
.
Acho que a palavra-chave é tratar a brincadeira com naturalidade. Se você acha que a brincadeira de boneca não é interessante para seu filho, não dê bonecas para ele brincar, simples. O problema é proibir a criança SEMPRE de brincar com o que ela quer.
O problema seria proibir o menino que quer brincar de boneca. Isso, a meu ver, é tão prejudicial quanto o bullying.
.
Brincar de boneca é normal sim, só que a sociedade é machista.

Renan disse...

André! Na boa, o que te faz focar tanto na questão do que teu filho vai sofrer do lado de fora da casa?
Nós simplesmente recebemos julgamentos o tempo todo. Por mais "normais" que muitos forçam parecer. O que nos diferencia é nossa capacidade de lidar com esses julgamentos contínuos e muito da formação da BOA auto-estima (que ajuda!) começa na infância. A confiança e amor que o pai e a mãe passam pro completo exercício de ser quem se é. Fazer o que se querer e prosperar. E caberia aos pais terem culhões pra estarem ao lado da criança pra ensiná-la que vivemos sim numa sociedade preconceituosa e tachativa e que se vierem incomodar nem tudo o que for dito pra ela deve ser admitido/encarado como verdade. Aproveita tua posição de pai e cria um cidadão consciente e seguro pra fazer o que quiser (Claro, sempre moralmente correto. Que não prejudique ninguém e tudo mais). Não podemos prever o que vem da rua, mas podemos formar filhos capazes de lidar com o que quer que seja pela liberdade (e futura felicidade) deles

Marcelo disse...

Eu sou um exemplo. Eu fui criado no ambiente heteronormativo onde eu brincava de carrinho e soldadinhos.
Hoje eu tenho paixao por automoveis e militaria em geral. Acredito que o anbiente em que fui criado foi otimo pra mim e pro meu desenvolvimento.

Nunca fui chegado a bonecas, maquiagem etc

Anônimo disse...

"Não vou entrar na questão de que, num mundo mais humano, a propaganda para menores de 12 anos seria proibida (como é na Suécia)." - E as mulheres suecas deixaram de se maquiar, de correr atrás de cirurgia estética?

André disse...

Carolinapaiva,
Brincadeira de boneca não teria nada de errado, mas como a sociedade é machista então acaba não sendo normal. Que bom que no caso do seu primo foi tudo bem, que bom que no meu caso eu não precisei me preocupar com isso.
Renan,
A questão não é se ele vai sofrer ou não, o sofrimento é inevitável. A questão é se eu vou facilitar ou dificultar esse sofrimento, seja educando-o para ser forte ou para não entrar em lutas que ele não está preparado para enfrentar. Outro ponto é a legitimidade de uma professora, isoladamente, querer implementar uma revolução cultural.

J.P.Guéron disse...

Muito bom, 'Lola'.
Entretanto, senti um incômodo quando você falou da proibição de propagandas para crianças. Será que pensar a questão do "consumismo infantil" pela via do proibicionismo (proibição da propaganda para menores de 12 anos) não é uma forma simplista de abordar o problema? Não defendo a ausência de regulamentação e nem concordo que a responsabilidade pela criança, nesse aspecto, seja delegada exclusivamente aos pais.

Mas será que quando defendes a proibição de propagandas voltadas para crianças você não estaria corroborando, em parte, com aquela ideia de que uma certa "boa-essência" infantil deve ser resguardada das "mazelas" sociais (consumismo, belicismo, racismo e etc)?

Compreendo que construir regulamentações é diferente da proibição (tentar banir a existência). Que tal se parássemos para pensar outros critérios e caminhos para a publicidade voltada para crianças ao invés de querer vetá-la de forma radical?

carolinapaiva disse...

André

O papel de professor também é o questionamento. Creio que ela quis provocar uma reflexão nos alunos. Tal atitude é (ou deveria ser) comum em sala de aula.
Questionar o machismo é fundamental. Se resignar a ele é que é preocupante, que traz maior sofrimento.

Mari disse...

Adorei o post, há algum tempo acompanho o blog, e esta é a primeira vez que comento, talvez porque esta questão me incomode profundamente. Acho muita hipocresia termos uma série de leis de proteção a criança,e nada ser feito em relação as propagandas. Considero esse bombardeamento, essa incitação ao consumismo um tipo horrível de agressão a criança, porque passa uma série de valores que eu não desejo. Uma agressão, ponto.
Tenho um sobrinho, e vejo como os adultos tratam a questão dos brinquedos. Quando ele tinha 1 ano (um ano!), ele ganhou um Mickey baby de pelúcia. Algum problema? Acreditem, o pai da criança viu um problema. Pediu a pessoa que deu o presente não dar mais esse "tipo" de coisa ao filho porque, sabe, não queria que o filho virasse gay. Pelo visto, o rato americano já não é prova de masculinidade suficiente.(!)
Esse mesmo sobrinho, tem uma prima da idade dele, e quando estão juntos, ele também brinca de casinha com ela, inclusive fingindo que está lavando roupa, etc. Quando via isso, dava graças que o pai ogro dele não estava por perto para brigar com ele.
No entanto, semana passada, novo episódio. A despeito de todos os temores do pai, meu sobrinho(agora com 3 anos) gosta de futebol, e estava feliz porque tinha conhecido o estádio e visto um jogador de futebol X (vou chamar de X), que é o ídolo dele. É de se pensar que isso seria prova de masculinidade suficiente, mas não, nunca é. Alguém da família perguntou para o menino " E aí, você viu o X, ele é bonito". O menino, coitado respondeu que tinha visto e ele era bonito.
Mas, todos sabemos que homem que é homem, ou menino que é menino, não acha outro do mesmo gênero bonito. Por isso uma outra tia dele gritou, bem agressiva: "Que é isso menino, vc não é homem não? Homem não acha outro homem bonito, não!"
E assim vamos tornando as pessoas em seres humanos preconceituosos, de mente fechada, etc. Isso ~me lembra o que alguém, Ode, falou aqui: "Dar boneca pra menino... Sério, quando eu tiver os meus, não darei de jeito nenhum".
É verdade. Vamos todos dar brinquedos cada vez mais agressivos, e somente isso, a meninos e a meninas, afinal, não há comportamentos agressivos suficientes por aí.
Sério. Acho que a questão é de gênero, mas vai mais além. Até quando vamos dar as crianças brinquedos na forma de armas , soldados, e todo tipo de parafernália estimulante de violência, de guerra, de militarismo? E quando formos dar livros, ainda escolhemos aqueles do tipo "Os maiores guerreiros do mundo", " As maiores guerras", etc. Quando fui dar um livro a esse meu sobrinbho, foi uma verdadeira luta. Não queria dar nenhum desses temas, mas também não podia dar outras coisas, por causa do pai dele.... Enfim, me peguei pensando que talvez um livro de animais de fazenda não fossem másculos o suficiente para o pai da criança, vai saber? Acabei escolhendo um que mostrava a vida de um pequeno dragão roxo, esperando que fosse considerado, se não de "menino", neutro, e ninguém me atirasse pedras por isso.

Ana disse...

@André
“Usar óculos também gera bullyng, mas não usar prejudica o aprendizado. Nesse caso há um benefício claro. E no caso da boneca?”
“O objetivo é minimizar os pontos de atrito com a sociedade”
“Mas não é certo uma professora dizer que é normal menino brincar de boneca, porque o mundo não vê dessa forma, isso vai ter uma consequência.”

André, afinal de contas, o seu problema é com a boneca e o aprendizado ou com a opinião dos outros?

Eu ainda estou tentando computar o “o mundo não vê dessa forma”. Desculpa amigo, mas foi o horror, o horror... estou tentando elaborar uma resposta e nem sei por onde começo.

Alguém me ajuda?!

@Renan
estou batendo palmas pro teu comentário!

Anônimo disse...

"O que esses brinquedos ensinariam a ela? Por que brincar de boneca seria benéfico pras meninas, e não pros meninos? Que tipo de benefício têm as meninas aprendendo que é sua missão no mundo cuidar da casa? E meninos não namoram, se casam e têm filhos quando crescem?" - Sim, mas os meninos aqdo crescem ñ desenvolvem os seios e nem alagam os quadris. Uma pergunta, Lola: vc já observou a anatomia masculina? Já observou a anatomia feminina? Já reparou na diferença. Já para pensar pq a menina desenvolve as "mamas"? Obviamente ñ é para ficar se mostrando e satisfazer fetiche de americano. Elas desenvolvem as mamas para cumprir o seu papel MATERNO de AMAMENTAR. Por que a mulher tem quadris largos? Para excitar os homens? Para ficar se mostrando pros marmanjos passar a mão? Óbvio q ñ. Isso é assim para podem carregar o bebê qdo grávida e facilitar a saida do bebê qdo o filho nasce. Ou seja, toda a anatomia feminina serve exatamente para facilitar a mulher no seu papel materno. É por isso q as meminas brincam de boneca.

Mari disse...

Ah, bom, agora que o Anônimo já esclareceu o papel feiminino (colocar bebês no mundo), em uma profunda análise do corpo da mulher, eu posso dormir feliz...

Isabel SFF disse...

esse é um dos principais motivos que me fazem desistir de ter filh@s: ficaria muito triste de observar o poder da influência da mídia e da sociedade. se é difícil me proteger dela, hoje que sou adulta, imagino proteger o desenvolvimento de uma criança.

quando eu era criança (início dos anos 90), havia alguma liberdade. eu nunca fui "princesinha", brincava com bonecas, mas também com outras coisas (sou apaixonada até hoje por Lego!), brincava na rua. meus pais me davam tanta liberdade que eu fiz aulinhas de dança, de luta... tudo que eu quis. mas hoje eu realmente acho que está mais difícil proteger as crianças desses papéis de gênero impostos desde cedo - e a tendência, na minha opinião, é piorar, pois ninguém tem coragem para mexer com quem mais promove isso: as indústrias de todos os tipos, através de sua propaganda maciçamente direcionada para as crianças. basta ver como qualquer tentativa de regulamentar a propaganda para essa faixa etária é recebida aos gritos de "censura!"

Ana disse...

"Ou seja, toda a anatomia feminina serve exatamente para facilitar a mulher no seu papel materno. É por isso q as meminas brincam de boneca."

Ok, vamos falar de anatomia.

Sabe aquilo que os homens têm no meio das pernas? Vou te contar um segredo: naõ serve só pra fazer xixi. Lá tem material genético. Esse material, adivinha só, é usado pra gerar bebês. Quando isso acontece dizemos que o homem é pai. Pai de um bebê que tem exatamente 50% do material genético da mãe e 50% de material genético do pai, assim, igualzinho na mesma proporção. Ou seja, se a mulher tem papel materno, o homem tem um papel igual, paterno. Daí, porque só a mulher brincaria de boneca se AMBOS SÃO PAIS?

Tá bom ou você quer que eu desenhe?

doisedois disse...

Aqui na Alemanha, onde moro, existe uma iniciativa muito legal que inclusive vai acontecer nesta quinta-feira: o Girls' Day. É um dia em que faculdades, centros técnicos, centros de treinamento, universidades, etc. abrem suas portas para que meninas dos 10 anos em diante visitem e conheçam uma ampla gama de profissões fora do espectro tradicional de gênero. Na minha faculdade descreveram o dia como "o dia em que a gente mostra para as meninas que elas podem ser o que quiserem"

Estudo numa faculdade de artes e hoje as oficinas de coisas como marcenaria, corte a laser, eletrônica e programação estavam em polvorosa com os preparativos!

Aqui tem mais informação sobre este dia:

http://www.girls-day.de/Girls_Day_Info/English_Information

aiaiai disse...

caramba...andré, para de olhar pro seu umbigo e pro do seu filho. Estamos falando em quebrar tabus, destruir as "caixinhas" q aprisionam as pessoas, fazer um esforço para a sociedade evoluir para a igualdade. A escola tem que ter um papel importante nisso, afinal é lá que a gente recebe informação, né?
Se todas as escolas começarem a tratar meninos e meninas como seres humanos iguais e com iguais potenciais de desenvolvimento, então, daqui a alguns anos, todos esses preconceitos serão coisa do passado, como o preconceito contra mães desquitadas, forte na década de 70, hoje parece absurdo.
Agora, se todo mundo ficar querendo manter tudo como está, não vai mudar. Afinal, vc quer mudança ou não? Ou vc só quer proteger o seu filho?
E se ele for gay? Não vai ser melhor que ele viva em um mundo no qual todo mundo pode ser o que quiser? Ou vc quer que ele, se acaso for gay, apanhe na rua dos outros meninos q aprenderam que se não é hetero merece morrer???
Pensa!

LisAnaHD disse...

esse empenho toda na diversidade de cor é apenas para dar lucro à indústria de tinta... tudo o mais é manipulação.

Ana disse...

A impressão que eu tenho é que todo esse cenário sexista é fruto de milhões de Andrés, pais atormentados, completamente apavorados da mais remota possibilidade do filho ser visto como “não normal”.
Não é nem que eles tenham tanto apego pelo sexismo. É só que, OH MEU DEUS, o que eu vou fazer se o vizinho achar que meu filho é um maricas? No fundo ninguém realmente liga, mas estão todos mortos de medo da opinião uns dos outros!

Quer saber? Tem que ser muito, muito macho pra brincar de boneca.

É um paradoxo pra mim. Ser homem virou sinônimo de fazer o que os outros querem. Simplesmente abaixar a cabeça e dançar conforme a música. Não é importante ter autonomia, é importante fazer "o que o mundo vê como normal". Independentemente de "o mundo" estar certo ou não!

O pior é de tudo é que "o mundo"... somos nós!

Não faz sentido! Não faz sentido!

doisedois disse...

Ah, e também tem o Boys' Day, que eu não conhecia provavelmente porque já estudo numa área bem masculina. É o mesmo esquema do Girls' Day: incentivar meninos a se interessarem por profissões em áreas que têm pouca participação masculina

http://www.boys-day.de/Boys_Day_Info/English_information

Luiz Prata disse...

André,
a professora do seu filho está certíssima e cumprindo bem a função dela, ajudando a combater o preconceito desde já e fazendo a parte dela para melhorar o "mundo" do qual você tanto reclama. Ou seja, a julgar pelas suas palavras, você e ela afinal estão do mesmo lado.
Em vez de reclamar, ajude e faça a sua parte. Pense no que os outros disseram aqui. Não pense nos comentários como uma "guerra". Até onde eu entendi, você, a aiaiai, a carolinapaiva, eu, a Ana, a doisedois, a Lola e outros estamos todos do mesmo lado, queremos um mundo melhor e sem machismo. Antes de rejeitar sugestões e comentários, reflita de alma desarmada. E nem precisa responder de forma imediata, apenas pense a respeito.

Aleska disse...

Essa semana mesmo conversei com uma menina que não viu Cavaleiros do Zodíaco na infancia porque era coisa de menino. Ela achava que só lésbicas viam esse desenho ou meninas que fossem brutas. Bom eu nunca fui bruta,mas adorava esse anime.Aliais eu era a tipica menina vaidosa. Outro exemplo foi nas lojas americanas. Uma menininha tinha ido com a mãe escolher uma lancheira para a escola, infelizmente ela gostou de uma que era azul e era do desenho patati patata. A mãe foi logo dizendo que era coisa de menino, e não era porque fosse mais caro, pois não era. Acho que o maior problema nem seja a industria de brinquedos, mas o pensamento dos pais. Só que pra desconstruir essa tradição de pensamento acredito que vamos ter que tocar em aspectos muito enraizados na sociedade. Um deles é a religião, pois ela é contra as relações homossexuais, alegando que não foi algo criado por Deus e que não cumpre o papel que Ele teria designado aos gêneros. O outro, é precisamente a obrigação de papeis e lugares sociais. Mas de uma coisa eu discordo de vc, acho que a situação melhorou para nós sim. Não porque o homem está dividindo as tarefas domésticas agora, mas porque com o processo desencadeado pelo feminismo, a cada dia reconfiguramos a ideia de Homem Moderno, e isso muda as relações humanas.

Anônimo disse...

"Ou seja, se a mulher tem papel materno, o homem tem um papel igual, paterno." - Igual? Imagine só, homem amamentando o bebê no peito. hahaha!
O papel paterno do homem é colocar comida na mesa e dar segurança à família. Eqto o papel da mulher é cuidar dos filhos eqto crianças, pois, como vimos, toda a anatomia feminina serve exatamente para ela cumprir o seu papel materno de cuidar das crianças.

Anônimo disse...

"André disse...
Não acredito que as brincadeiras de boneca ajudem a formar donas de casa, ou mesmo boas mães. Eu nunca brinquei de boneca ou de casinha, mas sei cozinhar, lavar roupa, cuidar de casa e de criança. Por que? Porque minha esposa trabalhava, eu estava subempregado, não tínhamos dinheiro para empregadas e o serviço precisava ser feito. Trocar uma fralda é muito mais simples que dirigir um carro, é só querer que se aprende."


André, analise esse seu comentário. Perceba que, provavelmente, vc só cuidou dos serviços domésticos e de seus filhos porque vc estava subempregado e sua esposa trabalhava, talvez até ela ganhasse mais que vc nessa época, não sei. Mas o que eu quero dizer é que os homens, maridos, enfim, só dividem ou fazem trabalhos domésticos justamente na ausência da esposa, quando esta tem que trabalhar fora para sustentar a família e a renda familiar não permite ter uma empregada em casa.

Será que vc teria dividido o trabalho doméstico com sua esposa se vcs tivessem renda suficiente para pagar uma empregada?

O que é que acontece com as mulheres em nossos dias? Elas têm que trabalhar fora para se sustentar e dividir as contas com os maridos, mas infelizmente, elas ainda são obrigadas a trabalharem em casa também e cuidarem dos filhos, pois seus maridos ainda acham que esses trabalhos são exclusivos delas. Quando me casei, meu ex-marido me disse que se eu quisesse uma empregada ou diarista, eu teria que pagar o salário dela (detalhe: eu ganhava um salário mínimo na época e ele era empresário, dono de 3 lojas de móveis modulados) e ainda por cima, brigava comigo quando ele achava que eu tinha passado mal as camisas dele, dizia que eu não queria aprender a passar ferro, porque eu queria era ficar em casa sem fazer nada. Resultado: com dois meses de casamento, pedi o divórcio. Ele imediatamente contratou uma diarista quando eu saí de casa, e se ele não pudesse pagar uma, ele teria voltado pra casa da mãe, só pra não ter que fazer serviços domésticos.

Esse foi só um exemplo de uma educação sexista. Mas é o retrato fiel do que acontece no Brasil. No máximo, os maridos "ajudam" suas mulheres. Se os homens aprendessem desde crianças que o serviço de casa tem que ser feito por eles TAMBÉM, o retrato seria bem diferente.

J. disse...

Talvez interesse para alguém esse artigo (ou pra você, Lola!): "Relações de gênero nas brincadeiras de meninos e meninas na educação infantil"

http://mail.fae.unicamp.br/~proposicoes/textos/42-dossie-fincod.pdf

Ana disse...

Teu raciocínio é ridículo.

Não é função de um pai cuidar das crianças porque ele não tem seios? Risível.

50% do DNA da mãe, 50% do DNA do pai.
Ambos são pais. Ambos cuidam. Ambos amam. Ambos são responsáveis. Tô me lixando pra qual corpo tem os peitos.

Meninos se tornam homens, homens se tornam pais tanto quanto mulheres se tornam mães. Ridículo dizer que um garoto não pode ter uma boneca porque ele nunca vai parir.

E as mães solteiras que trabalham e dão segurança e comida a seus filhos? E os pais solteiros (sim, eles existem!) que cuidam das crianças?

Mas é claro que você não vai dar o braço a torcer... Nem sei porque eu perco meu tempo.

Anônimo disse...

e uma mãe cuidar do filho se ela não tem pênis ... rs... rs...
P. Niko

LisAnaHD disse...

deixemos de lado os brinquedos e as brincadeiras... de mal gosto.

aprendamos sobre Jacobina, BA
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacobina

Rose disse...

André,
Esse comercial ilustra sua preocupação e possivelmente, suas atitudes.
http://www.youtube.com/watch?v=DvThFFbd2U8&feature=fvsr

yulia2 disse...

lavagem cerebral que eles fazem não adianta nada! ta cheio de cara, cheio de homem que brincou de comandos em ação na infancia e hoje paga as GP pra (inverter os papéis...)e tudo casado com filho, viu?

yulia2 disse...

tem que ser muito imbecil , cretino ao extremo e idiota.... para acreditar que menino brincar de boneca vai ser gay....

Vivi disse...

Além de achar que as pessoas estão regredindo, pelo que sei, essa obsessão por cor de rosa, no caso das meninas vejo que é muito do Brasil, apesar de saber que ocorre em outros países também. Pelo que sei, na Europa não é tanto assim, na Japão também as coisas de meninas são mais coloridas..Apesar de talvez esta tendência começar pegar?
Acho muito, mas MUITO feio este mundo monocolor, esteticamente falando. Rncipalmente cor de rosa é horrível para o meu gosto.
Entretanto, outra coisa que sempre me pergunto, é que acho esses brinquedos extremamente empobrecedores do ponto de vista criativo, além de sexista, e do estímulo para o consumo, claro. É feito exatamente para tornarem as crianças burras, pouco criativas, ou seja, para reproduzir crianças, que em seus futuros serão trabalhadores que saibam obedecer. Não sei, mas tenho minhas dúvidas se a galera rica mesmo, elite mesmo dá essa educação pra seus filhos, filhos estes que serão futuros líderes, criativos e bla blá....Longe de ser um elogio aos ricos, mas este empobrecimento intelectual das crianças é uma tríade, ao meu ver em machismo-consumisno-criação de futuros trabalhadores que só saibam obedecer, pois foram crianças com pouco estímulo criativo e intelectual.

Luciana Guerra disse...

Muito bom este post! Foi um dos que me deixou mais orgulhosa de voce em um tempao, Lolinha! ^.^

Anônimo disse...

"ta cheio de cara, cheio de homem que brincou de comandos em ação na infancia e hoje paga as GP pra (inverter os papéis...)" - Errado. O homem paga as GP por PRAZER SEXUAL e para FORTALECER seu Papel DOMINANTE.

Celua disse...

Alguém já viu esse vídeo? De uma garotinha muito linda e inteligente questionando por que meninas têm que ter princesas e coisas rosas enquanto os meninos têm super heróis e brinquedos de todas as outras cores.
http://www.youtube.com/watch?v=Lpp4Zt4caZY

Sara Marinho disse...

Qual o benefício para um garoto brincar de boneca André?Não sei, que tal aprender que nem tudo na vida tem que ser competição?Que ele pode jogar um video game de luta, brincar de carrinho, disputar uma corrida, e depois pegar um "bebezinho" no braço e dar carinho para ele, que é legal jogar bola, brincar com cards, fingir ser algum guerreiro de desenho, mas que tambem é legal abraçar as pessoas, fingir que cozinha (sou uma péssima cozinheira, mas saber cozinhar é algo interessante para ambos os sexos), ou mesmo brincar com a Barbie sereia, que ele pode mostrar seu lado competitivo, mas que tambem pode demonstrar sentimentos, gostar de bebês, achar divertido algumas tarefas domésticas, imaginar um mundo mágico submarino de sereias bonitas,simular casamentos e namoros entre os binecos(meninos tambem crescem e tem relacionamentos, como as meninas) e principalmente, que a vida não deve ser levada por estereotipos de gênero, ou de qualquer tipo, que é bom e saudável viver uma vida sem preconceitos, que visões hegemônicas não são necessariamente certas, que ele e uma menina são igualmente capazes, que podem ser igualmente competitivos, mas tambem amorosos. Enfim, eu acho que são muitas vantagens André.

Shoujofan disse...

Eu não cresci em um ambiente livre da imposição de papéis de gênero (*porque, a rigor, ele não existe*), mas tive uma mãe que mesmo não sendo feminista (*ela certamente não se vê como tal*) era muito crítica da separação de meninos e meninas nas brincadeiras e da segregação dos brinquedos. E ela terminou se impondo algumas encucações do meu pai. Eu também tive meus carrinhos e aviões, meu irmão teve suas bonecas (*e não somente comandos em ação*). Ele não é homossexual e acredito que será um pai tão presente quanto o que tivemos, que não se furtava de ser afetuoso, que cozinhava muito bem e sabia cuidar de crianças com desenvoltura. Ele poderia até abandonar certas tarefas para a minha mãe, mas as executava muito bem. Nas suas limitações, ambos foram bons exemplos para mim.

Mas acredito que tivemos um retrocesso em relação aos brinquedos e brincadeiras. Tudo se tornou muito gendrado e o rosa e o lilás ficaram marcados como cores femininas, como se sinalizassem para os meninos “Afastem-se!”. Porque são as coisas (*ditas*) femininas que rebaixam e emasculam os homens em uma sociedade patriarcal. E, ao mesmo tempo, toda essa cultura de princesas da Disney tende a moldar meninas cada vez mais preocupadas com sua aparência, com a forma como os outros as vêem. Eu curto as princesas da Disney (*e meu irmão, também*), mas fico imaginando o estrago que esta cultura em que meninas recebem coisas rosa e são bombardeadas com brinquedos que pouco estimulam a criação ou são adestramento para as prendas domésticas e meninos são apresentados à brinquedos que cada vez mais apelam para o caráter agressivo, muito mais que para o criativo e o cooperativo. É assustador. Há a pia de louça suja das princesas (*e ser princesa não é se livrar disso?*), a bonequinha que não somente fala, mas come e faz cocô de verdade... Sinceramente? Não me imagino criança fascinada em limpar cocô de quem quer que seja...

Enfim, para quem quiser eu recomendo um livro que estou lendo agora, Cinderella Ate My Daughter: Dispatches from the Front Lines of the New Girlie-Girl Culture de Peggy Orenstein (http://bit.ly/J6biXm), que discute aquilo que a Lola colocou no post e muito mais. E a autora citou outro livro que me parece bem interessante: Pink Brain, Blue Brain: How Small Differences Grow Into Troublesome Gaps -- And What We Can Do about It de Lise Eliot (http://bit.ly/JQBoid). Esse, eu não comprei ainda. Está na minha lista.

Eduardo Marques disse...

Ainda é tempo de postar isto: http://modan.blogs.nytimes.com/2007/09/04/queen-of-the-scottish-fairies/
?

É a história de um menino que gostava de usar saia e brincar de boneca.

Jessica disse...

Sigo seu blog ha pouco tempo, um ou dois meses, e nunca comento. Mas dessa vez não pude deixar de indicar esse blog para você dar uma olhada : http://raisingmyrainbow.com/
Talvez ja até conheça, é o blog de uma mãe americana cujo filho de cinco ou seis anos é "transgender", nasceu menino, não vê a si proprio como menina, mas gosta de brincar de Barbie, usar saia de paetês cor-de-rosa e fazer balé. A mãe decidiu não reprimir as vontades da criança e lidar com isso do melhor modo possivel. Gostei muito de como ela escreve, ela não pretende pregar que detém a verdade absoluta, justamente escreve e procura comentarios alheios para ajuda-la com suas duvidas.
Esse blog mexeu bastante comigo, estou totalmente de acordo com os principios de tolerância que essa mãe ensina aos seus filhos (o mais velho de 8 anos é considerado "normal" digamos assim) e o amor imenso que ela demonstra pelo pequeno. Certos episodios que ela relata são verdadeiras lições de vida. Nada ali me chocou, sempre fui contra essas imposições da sociedade que estipulam a boneca para a menina e o carrinho para o menino. Mas muitas vezes me perguntei onde estava o limite entre a tolerância da mãe e as "manhas" da criança. Sera que comprar aquelas barbies para ele não é um estimulo? Mas se for, onde esta o problema?
Ainda não sei ao certo o que pensar sobre esse tipo de educação, muitas vezes me perguntei como agiria se fosse comigo (tenho 21 anos e não penso em filhos agora) e não chego à conclusão nenhuma. A unica conclusão ao meu ver é que, não somente nesse assunto mas em geral, não podemos dar palpites do que É certo ou errado sem antes termos vivenciado aquilo.
Gosto muito do seu blog por ele não impôr verdades e sim incentivar a reflexão :)

Cynthia disse...

Acho que é mais difícil para pais de meninos do que de meninas. Eu tenho uma filha e posso dar a ela tanto bonecas como carrinhos sem que as pessoas achem e falem que eu quero transformar minha filha em um gay. Ela tem brinquedos de "gêneros" diferentes e se diverte com todos. Como ela fica em período integral na creche (só tem dois anos) não assiste televisão com comerciais, só os programas que eu e meu marido gravamos para ela sem comerciais. Acho que isso ajuda. A ideia é tentar manter assim pelo menos até ela completar cinco anos.

Marcelo disse...

Eu acho que a mae é super masculina, tipo pereirão, mecaninca, de bigode, brigona e casca grossa.

E por outro lado o pai é um doce, le a revista 'faça facil', faz as unhas da mao e do pe, usa cremes anti idade etc.

A criaça tem que ser assim tambem, isso vem naturalmente na familia.

Ana Cecília disse...

Olha, deveria ser proibida propaganda para menores de 12 anos. Tenho um filho de quase 4 anos e é insuportável concorrer com o bombardeio de "produtos". Desde muito cedo meu filho se interessou pelos carros. E de repente, vieram os heróis. Como eu mesma amava os heróis quando era pequena, achei legal. Claro que quando eu era pequena tinha uma paixão platônica pelo Christopher Reeve e meu pai me levava 3, 4 vezes ao cinema para vê-lo (eu tinha uns 4 anos também) mas... anyway.

Ana Cecília disse...

...Eu nunca gostei de brincar de bonecas, casinha, nada disso. Não sei porquê. Eu gostava de jogos, e meus filhos, rs, eram geralmente ursos, mas sempre havia uma história (eu era retirante com aquele bando de filhos, etc) Eu gostava de filmes, fatasia e jogos de tabuleiro. Nunca usei rosa, mas não sei até que ponto eu escolhia. A única coisa que me lembro é que queria uma roupa da BatGirl e quando ganhei, não vieram as curvas. Aí sim, foi frustrante. Eu me lembro de desde sempre querer ter peitos, mas não me lembro de ser algo como uma lavagem cerebral, e sim de ver que minha mãe não tinha e o meu pavor dos meus não crescerem também. Dito e feito. Coloquei silicone aos 20 anos, muito antes da moda atual, eu escondia que havia colocado e tinha vergonha de dizer que não havia "grown them myself". Esse sim, foi um complexo grande.

Ana Cecília disse...

Uma coisa que me deixava chateada eram os contos de fadas. Sempre fui nariguda e nos contos de fadas, as bruxas eram as narigudas. Nunca houve uma princesa nariguda. Mas também, nunca me incomodou o suficiente para mudar. As crianças um pouco mais novas que eu (tenho 35) amargaram com uma praga chamada XUXA. Esta sim, foi a precursora de uma padronização hedionda que vivemos agora. Era um programa imbecil: "Pula! Pula! Estátua!" feito por uma "periguete" dos bailes de Carnaval do Scala que passava o programa todo falando "Pede pro papai comprar". LEmbro que minha infância televisiva acabou quando essa mulher estreou na Globo (na minha cidade não pegava Manchete)Eu sempre assisti programas da Cultura. Hoje em dia eu gosto de alguns desenhos educativos do Discovery Kids, mas os próprios desenhos são convertidos massivamente em produtos de todos os gêneros. Mas nada pior do que o Cartoon Netwoork. São nada menos do que 9 minutos de intervalo (Não estou brincando). 9 minutos cronometrados por mim em gravações que fiz do Ben 10 (praga) pro meu filho para PULAR os comerciais. É tão criminoso, mas tão criminoso. Eu sentei e chorei quando constatei isso. O que fazer? Eu nunca dei Coca-cola pro meu filho. Ele voltou da escola um dia com Coca cola na mamadeira com 1 ano e 8 meses!!!! A partir de então, foi sim, a primeira marca que ele aprendeu "COCOLA"!!! (quando via o caminhão) Juro por Deus e eu, que sou formada em Publicidade e abomino(hoje sou tradutora) , sei que é a marca mais cara e de maior "penetração". Só pude, também, sentar e chorar. Ainda consegui manter ele longe de : QUeRO UM:"MClanche Feliz!" por algum tempo. ONtem na escolinha dele havia uma feira de livros. Esses mesmos, livros "FASHION" cheios de ilustrações atrativas e NADA, mais nada. Todo o comércio voltado para crianças estabelece que elas não pensem, não criem só com um giz de cêra na mão. Está tudo pronto, mastigado, feito, dito, imposto. As mochilas da escola, as festas de aniversário, videogames, fantasias (outro dia meu filho encontrou um menino vestido de Lanterna Verde em um restaurante e travaram uma batalha silenciosa entre mesas, meu filho jogando teias (invisíveis) de Homem Aranha e o garoto, totalmente equipado, acendendo seu anel verde). Eu estou grávida de 7 meses de outro menino. Eu pensava comigo: Eu não sei ser mãe de menina, pois teria de acordar mais cedo só para fazer tranças para ir para a escola. Eu não sei arrumar o meu cabelo!!! Eu hoje em dia tenho UMA BOLSA, e a uso até gastar para comprar outra. Como eu conseguiria impedir o consumismo de uma filha? Essas eram as minhas dúvidas. Meu marido é um bom pai! "Ele ajuda em casa, rs" Ele parece sim, ter brincado de boneca pela dedicação com meu filho, desde quando bebê. Sempre deu banhos, trocou fraldas etc, 50% mesmo, pois eu sempre exigi e ele sempre gostou. Hoje em dia o trabalho dele tomou proporções muito maiores que o meu, E o que eu vou fazer? Ele é advogado, eu sou tradutora, as chances de eu ganhar o que ele ganha são mínimas, mesmo com todo o esforço do mundo, babá, escola integral. infelizmente além do machismo, temos de lutar contra a desvalorização COMPLETA do trabalho intelectual. Afinal, ninguém dá valor pra quem pensa, só para quem CONSOME.

Ana Cecília disse...

Depois de postar meu comentário, li os outros. O PROBLEMA acho que está em dramatizar coisas banais. Boneca, boneco. É tão chato? A graça da brincadeira acaba em dois minutos. O único boneco que eu já gostei era do Schwarzennegger, do Comando para Matar, que era um filme que eu adorava, hahahaha.

Anônimo disse...

Cynthia disse...
Acho que é mais difícil para pais de meninos do que de meninas.
24 de abril de 2012 07:04

Minha experiência em lidar com crianças prova que em tudo é mais fácil lidar com meninos, desde pequenos. Prefiro lidar com 12 meninos digamos de 5 anos do que com 3 meninas da mesma idade. Não estou dizendo que não gosto de meninas. Apenas meninos é mais fácil, bem mais fácil. O problema é que as mães dãos aos meninos uma regalia negada às meninas e daí os meninos se transformam nos mascus da vida.

Atualmente fica mais difícil ainda pq as crinças, desde a tenra idade passam o dia todo sendo criadas em creches... antes, crianças que viam o pai somente no jantar, agora tb são privadas da companhia da mãe o dia todo tb. Isso afeta a formação da criança.

A mulher que decide ser mãe já em idade formada deveria tb pensar que o papel da mulher que opta por ser mãe, é estar em casa cuidando dos filhos pelo menos meio período. A mulher tem todo o direito de ser independente e competir profissionalmente com o homem porém se assim for a opção deixe a maternidade de lado.

black dahlia disse...

isso me lembra o meu sobrinho,

ele não tinha nenhum boneco de comandos em ação para brincar, foi no quarto da prima dele, pegou as bonecas barbie dele e começou uma luta entre as bonecas, tipo brincando de luta de UFC entre elas.
No final das contas, esse lance dos brinquedos não quer dizer nada, pois os garotos tem brincadeiras próprias de seu gênero e as meninas, as delas.
Não dá para se desconstruir instintos.

black dahlia disse...

brincar de porrada com barbies, deve ser maneirão, pois a boneca é toda articulada, e você poderia imaginar uns golpes de kung fu.Rsrsrsrsrsrsrs

black dahlia disse...

brincar de UFC com barbie, o moleque é foda, HAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHA

Branca disse...

"ele não tinha nenhum boneco de comandos em ação para brincar, foi no quarto da prima dele, pegou as bonecas barbie dele e começou uma luta entre as bonecas, tipo brincando de luta de UFC entre elas.
No final das contas, esse lance dos brinquedos não quer dizer nada, pois os garotos tem brincadeiras próprias de seu gênero e as meninas, as delas.
Não dá para se desconstruir instintos."

Pois é. Li sobre uma mulher que, mãe de um menino e uma menina gêmeos, decidiu que os criaria com o mínimo de refrências de gênero possíveis. Vestia os dois igual, de todas as cores, dava os mesmos brinquedos, etc. E aí um dia, ao entrar no quarto pra ver como estavam, viu a menina (então com 3 ou 4 anos) com um carro de brinquedo nos braços, embalando-o e dizendo: "Tudo bem, carrinho... não chore."

*pausa para ataques de fofura (meus)*

Então, só por esses exemplos é uma idiotice tentar separar os brinquedos. A criança vai brincar com o que tiver, do jeito que quiser, sem importar se é rosa, preto ou verde-limão. As crianças não seguem lógicas do estilo "quero isso porque é de menina"; isso é inculcado. O que eles dizem é "quero isso porque é bonito/porque se mexe assim e assado/ porque é de controla remoto".

black dahlia disse...

Branca, é isso mesmo.E ao meu ver esse lance de desconstrução de gêneros através dos brinquedos que meninos e meninas usam , não tem nada a ver.E também achei fofo a garotinha embalando o carrinho...agora deu um nó no coração... bjs

Branca disse...

Não, Black Dahlia, é o contrário XD Porque quando você ouve uma menina dizer que quer o Pequeno Pônei Pinkie Pie ou o Scrabbles da foto do artigo "porque é rosa", é que houve uma manipulação aí. Igual que um menino não quer essas coisas "porque rosa é de menina". Isso não é natural, algum adulto (ou mensagens vindas do ambiente, como tv e internet) lhes disse isso. E isso precisa sim ser reconsiderado por nós, adultos, em relação às crianças.

Porque elas realmente não ligam. Sinceramente, com 2 anos meus brinquedos favoritos eram as latas de conserva da despensa e os guaches e giz de cera. Mas se alguém tivesse me dado barbies, talvez fossem barbies. É aquilo a que somos expostos.

black dahlia disse...

Sim, concordo em parte com o que você disse.Mas acho que no final, é aquilo que nós falamos anteriormente: a criança vai brincar com o que tiver, independente de cores e se é de menino ou menina.É claro que se a propaganda oferecer aquele carrinho de controle remoto, os garotos irão pirar e encher o saco dos pais para ganhar.Mas o mesmo ocorrerá com as meninas, nesse caso.
Agora, os meninos se reconhecem muito mais nos bonecos de comandos em ação que nas barbies, que são mais delicadas.E isso não tem a ver com virilidade, não, mas a capacidade de a criança se reconhecer naquele brinquedo e usar sua imaginação.Puxa, giz de cera e gauche? você gostava de desenhar bastante quando criança? virou artista plástica? acho bacana pessoas que desenvolvem um lado artístico.Bjs

Anônimo disse...

'Sinceramente, com 2 anos meus brinquedos favoritos eram as latas de conserva da despensa e os guaches e giz de cera. Mas se alguém tivesse me dado barbies...'

Louvem a grande Branca, a unidade de medida de toda a humanidade.Se ela ACHA que ela ia ser assim, todo o resto do mundo também tem que ser.

Branca disse...

Ai, Anônimo, a seguinte parte, que disse que "TALVEZ fossem barbies", explica que não tenho certeza de nada, e que só estou falando o que FOI? Depois de ter uma renca de gente falando de sua infância e brinquedos favoritos, você vem pegar no meu pé? É muita falta do que fazer...

E Black Dahlia, sim terminei como artista plástica XD Mas não estabeleço relação de causa com isso não...

black dahlia disse...

Caramba...que legal, Branca.Arte amplia a mente, meus melhores amigos são artistas plásticos.

Escultura, pintura? bjs

Lucas disse...

Curiosamente hoje, quando li o teu artigo, um dos artigos do Cracked trata sobre a mudança que ocorreu em alguns esteriótipos de gênero com o tempo.

http://www.cracked.com/article_19780_5-gender-stereotypes-that-used-to-be-exact-opposite.html

Sara disse...

Anonimo das 12.18hs, pq não o homem abrir mão do seu trabalho , ou como vc sugeriu meio periodo para se dedicar a cuidar de seus filhos?
Os homens tem tanta capacidade como as mulheres para fazerem isso.
O feminismo luta justamente para que chegue um dia em que tanto o homem ou mulher se assim decidirem, possam cuidar de seus filhos, e que esse papel não seja imposto só as mulheres.

Cristiane disse...

Ideal mesmo, seria uma redução da jornada de trabalho para ambos os sexos, sem prejuízo de seus salários, para que pudessem ficar mais tempo com seus filhos. Licença maternidade e paternidade por igual período... ai ai Brasilécia...rsrs

Priscila disse...

Adorei o posto, Lola. Adoro refletir com o que leio aqui. É sempre muito enriquecedor.
Me lembrei de fatos da minha infância que determinaram quem sou hoje. Um deles foi ter consciência dessa separação do que é "de menino" e o que é "de menina". Na minha infância, adorava assistir desenhos "de menino", com lutas, viagens, aventuras etc. E um dia, influenciada por propagandas, pedi para minha mãe comprar um boneco do personagem do desenho. Chegando lá, mostrei qual deles queria, mas o atendente da loja, um rapaz, perguntou se era para mim, e parece ter se surpreendido com a resposta afirmativa. Logo tratou de me mostrar as bonecas no lindo corredor cor de rosa. Minha mãe apoiou a opinião do vendedor, não vendo motivos para eu ter o boneco, pq afinal, o boneco não vinha com fraudas, mamadeira ou roupinhas, pelo contrário, vinha com espadas e armaduras. O que uma garotinha ia querer com isso? Me senti envergonhada e acabei levando a Barbie.
Seu post falou tudo o que sempre me questionei, adorei!

Letícia Naísa disse...

Nossa, meu namorado me mandou um vídeo essa semana exatamente sobre esse assunto que indico muito, dei risada e refleti bastante:

http://thatguywiththeglasses.com/videolinks/team-nchick/nostalgia-chick/34984-baby-whatever-nostalgic-baby-dolls

eu cresci brincando de barbie e carrinho de controle remoto, não sou lésbica hoje - mesmo que fosse, não acho que um carrinho de plástico na infância teria influenciado em alguma coisa - e acho ridícula essa diferenciação de gênero da hora de escolher um brinquedo.

as crianças têm que ter liberdade para brincar!

Anônimo disse...

'eu não canso de me admirar ao ver pessoas defendendo a total falta de regulamentação pro capitalismo, porque — dizem — quem deve tomar as rédeas da situação e domar as crianças são os pais. Nem pensar em tornar a vida dos pais um tiquinho mais fácil?'

E desde quando todos os pais pensam igual? Nem que o governo padronize a propaganda pra agradar a maioria, isso sempre vai ser contra uma minoria.É a arrogância típica da esquerda de querer saber o que é melhor pra minha vida mais do que eu mesmo.

Anônimo disse...

Creci brincando de bonecas, jogos, videogames e carrinhos. Na minha rua meninos e meninas brincavam juntos, tanto de carrinhos de rolimã, quanto de casinha. Me lembro até que na época, patins eram exclusivos para meninas e skates para meninos e nós resolvemos trocar. Os meninos ficaram com os nossos patins e nós com os skates. Foi muito divertido.

Anônimo disse...

Ops. Erro de digitação - CRESCI

Cynthia disse...

Para o anônimo que me respondeu às 1a:18hs.
Acho que você não entendeu o que eu disse. Eu disse que na escolha de brinquedos é mais fácil para pais de meninas do que de meninos. Não que meninos e meninas não tenham que ter acesso a todo tipo de brinquedo.
E sobre a facilidade de lidar com as crianças depende muito da criança e não do gênero da criança.
E por último, porque você acha que a mulher que trabalha em tempo integral deve abrir mão da maternidade?

ReSilver disse...

Matou a pau, Lola!
Meu filho não tem bonecas, mas tem muitos bichinhos de pelúcia e adora todos. E tem um montaréu de carrinhos também! Só nunca admiti armas, nem as pistolas d'água -- que, oras, são pistolas também. Os bichinhos de pelúcia dele têm nome e ele dorme agarrado a um diferente por noite. Alguns ele ganhou quando eu ainda estava grávida e são adorados até hoje. Quando ele achou algumas de suas roupinhas de bebê na gaveta, pegou para vesti-las nos bichinhos. Seus amigos meninos não têm o mesmo comportamento, mas nenhum discrimina meu filho por isso. Pelo menos não aos seis-sete anos.
Eu faço um esforço enorme pra não entrar na onda "isso é de menina, isso é de menino" com ele, mas tem outra coisa: morro de medo do garoto ter preferências não compartilhadas e ser discriminado por isso. Sou mãe solteira e a figura masculina da vida dele, o avô, faleceu há um ano. Ele não tem referências de gênero -- e isso nem é lá tão ruim, porque todos eram machistas -- mas pode complicar a vida dele fora de casa. E, como não há manual, vou tentando acertar, sabendo que vou cometer alguns erros, mas desejando tomar as decisões e atitudes que forem melhores para ele.
Quanto à proibição da publicidade para crianças, acho que deviam baixar o cacete geral, não pode e pronto. Democracia não é vale tudo, é respeito por todos. E explorar crianças como consumidores é um desrespeito à infância.

EneidaMelo disse...

Esse problema atinge as roupinhas, inclusive de bebês. Porque, certamente, vestir uma menina com um body que tenha um carrinho azul vai fazer com que ela vire lésbica. E claro uma borboleta no body faria um menino virar gay...

Taís Vinha disse...

Ótimo texto, Lola! Os jogos simbólicos ajudam a criança a entender o mundo adulto e organizar o mundinho delas. Não devemos reprimi-los. Pelo contrário! Devemos proporcionar um ambiente tranquilo e livre de julgamento para que as crianças manifestem seus desejos, dúvidas e inseguranças na forma de brincadeiras. Agora, uma polêmica: da mesma forma que uma boneca ou maquiagem (brincar de salãozinho) não faz um menino ou gay, não acredito tb que brincar com armas transforme nossos pequenos em adultos violentos. É tudo jogo simbólico e um jeito saudável dos pequenos processarem o que vêem no mundo adulto. Por mais que os protejamos, é inevitável que a violência os alcance. E temos que permitir que eles possam tb processá-la da forma deles: fazendo o jogo simbólico. Bjs!

Isabella disse...

Amei o texto! E concordo muito com a Taís, acima. Queria acrescentar que privá- los do jogo simbólico, privá-los desse mundo de elaborações, é privá-los de crescer!

Carol Prestes disse...

Entre as crianças(meninos e meninas) que eu cuido aqui no meu daycare, as bonecas e os triciclos são os brinquedos favoritos, seguidos de potes/colheres de pau/areia que viram comidinha ou baquetas e tambores de bateria.

Penso que quando os brinquedos estão à disposição sem segmentação ou não há direcionamento por parte dos adultos (pra mim, a pior influência), meninos e meninas se interessam igualmente por todos.

Outro detalhe que contribui para a não-generização dos brinquedos é a simplicidade: quanto mais detalhes e recursos para ser um brinquedo-que-brinca-sozinho, menos a criança precisa imaginar e ali já está pronto o brinquedo e a brincadeira, levando-os a não se sentir muito à vontade. Por outro lado, quanto mais simples o brinquedo - gravetos do meu quintal viram tudo que se possa imaginar - mais atrativo para as crianças. E não o contrário, como a maioria das pessoas pensa, comprando brinquedos que fazem tudo sozinho - e custam uma fortuna. Quem nunca viu uma criança que gosta mais do embrulho que do presente??? É pra repensar muita coisa...ótimo texto!

Silvia disse...

Excelente post, ótimos comentários! Publicado aqui também para animar ainda mais o debate:

https://www.facebook.com/InfanciaLivredeConsumismo/posts/338861036179950

Lara disse...

Ótimo post!!!!
Uma bagunçada por dentro nas pseudos-certezas que temos. Adoro.

Não sei se alguém já te indicou, mas existe um vídeo feito por um programa de tv regional, se não me engano de Goias, que trata sobre a questão de meninos poderem ou não brincar de boneca. Mas o interessante nisso é que o vídeo coloca o microfone na mão das crianças, e as perguntas são realizadas para elas e por elas.

O link é esse: http://www.youtube.com/watch?v=heCKfR83kQI&feature=colike

Eu gostei muito do vídeo, dá um fundinho de esperança acalentador.

Até+,
Lara.

Viviane disse...

Aplausos de pé ao post!

Anônimo disse...

Adorei!

Anônimo disse...

Adorei, Lola! Faz muita falta discutir esse assunto, a maioria das pessoas costumam comprar a ideia do rosa e do azul sem se questionar. Conheço um comercial que dialoga com seu post: http://www.youtube.com/watch?v=DvThFFbd2U8

Bjos!

Lili

Anônimo disse...

Lembro que só consegui brincar com os LEGOS do meu primo umas duas vezes. Fiquei encantada com aquele brinquedo, eu podia construir várias coisas!!!! Mas minha mãe nem tchum, no aniversário ela me deu um conjunto de sala de jantar da Barbie.

Anônimo disse...

Mermão esse Rodrigo disse que é mais facil o cara virar gay brincando com boneco guerreiro? Hahaha essa é a coisa mais ridicula que eu ja escutei na vida! Então quer dizer que todo menino que comprava os brinquedos do desenho que assistia e depois ficava brincando imitando o desenho tava mais propenho a virar gay do que um boy que ficava brincando com o ken de barbie? Fala serio né...

Anônimo disse...

Sou mulher e hetéro, e confiante nas minhas escolhas. Nunca gostei muito da cor ROSA. Quando criança, e minha mãe quis me pôr no balé, bati o pé e não fui, mas sim pro caratê, onde pratiquei até a faixa verde, artes marcias era o que gostava e gosto até hj. Boneca é outra coisa clichê pra meninas, que nunca gostei, não achava graça alguma nelas! Preferia jogos de todos os tipos...de tabuleiro, da memória, video games, etc. E bonequinhos pra montar, colecionar. Revistas em quadrinhos, albúns de figurinhas, adorava super heróis...
Acho rídiculo essa diferenciação de gêneros de cores e brinquedos pras crianças. Quando tiver meus filhos será assim, eles usarão todas as cores, as que quiserem. E brinquedos educativos e divertidos.

Anônimo disse...

Cara Lola,

Apesar de quase 1 ano de publicado, seu comentario continua caindo como luva frente aos desafios da infância atual.
Resolvi comentar seu texto porque vivo as duas realidades.Primeiro, meus filhos tem acesso extremamente limitado a televisão. 2. Tenho uma fílha que é a personificação da sindrome de cinderela. Sonha com principe e tudo ! Brinca de trocar fralda, passar roupa e de casinha aos 10 anos, ouseja; bem infantil para a realidade de hoje. E tenho um filho de quase 9. Um menino que não tem tendência alguma ao homossexualismo ( mesmo porque isto não seria problema), que ganhou uma boneca de nós, (pai e mãe) quando tinha 18 meses. Nem por isto ele deixou de subir em 'arvores, brincar de carrinho ou andar de skate. A diferença é que o Gabriel é uma criança que tem apego e interesse pelo outro. Brincar de boneca, colocou este menino na posição do pai. Das responsabilidades e dificuldades de cuidar de alguem. Da mesma forma que o fez sensível despertou nele o interesse por atividades que a irma fazia e vice versa. Juntos eles faziam aula de dança, musica, esgrima e atletismo na escola. Porem isto foi enquanto não morávamos no Brasil. Hoje meu filho sofre bulling na escola porque pensa diferente. Ele aoraria fazer dança, mas não o faz porque para as crianças do seu convivio, menino não dança! As aulas extracurriculares no seu colegio como esporte, dança e canto parece que são separadas por gênero de forma natural , não imposta, pois é com nossos preconceitos que decidimos que aulas nossos filhos podem/ devem ou não fazer. No entanto percebo que não há na escola deles, (que é fantastica) por sinal); ou outra qualquer que eu tenha conhecimento na minha cidade; que demonstre a sensibilidade de promover o direito a "SER HUMANO". Pois amar e cuidar de um filho, mesmo que em forma de boneca, dancar e cantar com amigos ou membros da familia ou comunodade é um direito da sua personalidade e não uma escolha de gênero. Sinto muito pelo meu filho, pois ele só tem oito anos, tem uma "namoradinha" de 7 e sofre entristecido com a falta de sensibilidade dos amigos da sua turma. É importante ressaltar que na minha experiência pessoal, o brincar de boneca, não afeminou meu filho e que tão pouco jogar futebol, fez com que minha filha não fosse para os jogos com coroa de princesa na testa. Mas fez sim com que eles enxergassem muito cedo que o preconceito existe. Que nós julgamos os outros o tempo todo sem medir o que estamos ensinado e o porque estamos ensinando com nossas atitudes.
Este ano eu estou me matriculando numa escola de dança. Vamos fazer sapateado eu, meu filho e minha filha porque eu não quero que meu filho perca a alegria de dançar! Eu não quero que ele deixe de fazer aquilo que gosta porque os outros não são capazes disto. Então, André, a decisão do que seu filho será, não é sua. Ele nasce com o genero definido não pela genitália que carrega, mas pelo que ele é. É claro que o ambiente e a sociedade terão influencia drastica nas escolhas da vida "social" de cada um. Mas cabe a nós pais nos despojarmos dos nossos próprios preconceitos e tentarmos fazer dos nossos filhos indivíduos capazes de fazer escolhas que tragam alegria. Pois a vida fora do nosso aconchego, já é dura o suficiente. O importante é criar mecanismos para você crescer e ser capaz de criar pessoas felizes apesar das dificuldades que a vida nos impõe ao longo da nossa existência.

Cheers,
Paola

Anônimo disse...

Sensação atual: Menina de 6 anos, B-girl Terra, arrasando numa competição de break dance para crianças. Vale a pena ver até o fim do vídeo, inspiração para meninas! e é incrível ver uma criança girando com a cabeça..rs

Há vários vídeos dela nessa competição, aqui está um:
(ela está de cinza com listras rosa)
http://www.youtube.com/watch?v=d-gCEMGeZ7g

Joane Farias Nogueira disse...

Esse post parece ter sido escrito para mim...kkk!
Sério! Essa semana tá fogo. Eu nunca estive tão chateada com essas coisas todas. Briguei com meu namorado essa semana por algo assim. Ele diz que crianças aprendem brincando, que seria bom para as meninas não tomarem raiva de serviço doméstico.Mas será que meu filho vai querer brincar de casinha? Ele diz que vale para os dois gêneros, mas acho isso irritante. É como fazer um homem passar a ser chamado de vadia também só para eu me sentir menos irritada por uma mulher ser chamada assim. Não ameniza nada. Só consegue me deixar mais frustrada. Sinceramente, continuo dizendo que se for por minha conta, não dou brinquedos de casinha,fogãozinho e etc e não vou deixar que alguém os dê para as minhas filhas. Não é SÓ por raiva, mas é para não fazer essa distinção besta entre menino e menina! Posso concordar que rosa é bonitinho para as meninas, azul combina com homens, mas o contrário também acontece.

Leticia disse...

André,

"Brincadeira de boneca não teria nada de errado, mas como a sociedade é machista então acaba não sendo normal"

É justamente esse o problema: o machismo é uma construção social que oprime até mesmo crianças pequenas que nem entendem ainda o que é gênero ou porque boneca é "de menina" e carrinho é "de menino". E dizer "aaah, eu não vou dar boneca pro meu filho brincar, pra ele não sofrer bullying" é simplesmente reforçar essa opressão e esse preconceito.

Nenhuma criança nasce achando que menino brincar de boneca = motivo de bullying. Isso elas aprendem com os pais, com a família, com a sociedade. Se uma criança provoca outra com esse pretexto, é porque ela aprendeu em algum lugar que brincar de boneca é coisa de menino, e menino que faz isso é gay, e ser gay é uma coisa ruim. Olha só quantos estereótipos e preconceitos bestas de uma só vez. Mas é exatamente isso que você vai estar ensinando ao seu filho se não deixar ele brincar de boneca (se ele quiser e pedir, claro) porque a "sociedade" diz que é feio. E, pior ainda, ao invés de ensiná-lo que ele pode ser o que quiser, brincar com o que quiser e mudar a realidade em que ele vive (quebrando esse preconceito boboca), você só reforça esse machismo, contribuindo pra restringir a liberdade do seu filho e perpetuando o preconceito - porque ele provavelmente vai ensinar isso pro filho dele também, e nada nunca vai mudar. Tá vendo como é uma cultura que se auto-alimenta e auto-reproduz? Se ninguém tiver a coragem de quebrar o ciclo, ele vai continuar pra sempre.

Você pode ensinar seu filho a ser livre e ter essa coragem, mostrar que ele não precisa se conformar com as restrições e rótulo que a sociedade impõe a ele, ou a simplesmente se submeter a estrutura desigual da sociedade pra "não sofrer" - assim mesmo, entre aspas, porque ele pode até não sofrer bullying, mas vai sofrer outras consequências do machismo ao longo da vida.

E, quanto ao questionamento de "o que ele ganha brincando de boneca?", a mesma pergunta pode ser feita para vários outros brinquedo "de menino". O que ele ganha brincando de carrinho? Essa brincadeira não facilita em nada na hora de aprender a dirigir, por exemplo. Do mesmo jeito que você não precisou brincar de casinha pra aprender a cuidar da casa quando adulto, brincar de carrinho não vai facilitar em nada na hora dele aprender a dirigir.