sábado, 27 de novembro de 2010

LARISSA, 15 ANOS, MORTA PELOS PAIS

Fiquei horrorizada com a notícia de uma menina de 15 anos que morreu após ser espancada pelos pais. O caso aconteceu na terça-feira em Cafelândia, cidade de apenas 16 mil habitantes no interior de SP, e ainda há versões conflitantes. O fato é que os pais de Larissa, evangélicos (mas convém não se fixar neste ponto pra não descambar em precoceito religioso — afinal, até parece que violência contra mulheres e crianças é exclusividade de alguma religião!), não queriam que a filha namorasse. Ela tinha um namoradinho de 14, da mesma escola, que conta que ela apanhava com frequência. No dia, a mãe bateu nela com uma cinta e, depois que o pai chegou, a violência continuou por parte dele com chutes na cabeça. Poucas horas depois, ela teve tremores, foi levada a um hospital, e morreu. A mãe foi internada em estado de choque. Primeiro foi divulgado que apenas o pai seria indiciado, e só por lesão corporal seguida de morte. Agora já se fala que a acusação de homicídio doloso (intencional) será para ambos. O delegado fez umas declarações meio absurdas, dizendo que foi uma fatalidade, que a menina pode ter se suicidado tomando shampoo (?!), que o pior castigo prum pai é perder a filha. O advogado de defesa, que já conseguiu tirar o pai da cadeia, negou os chutes na cabeça: “Ele disse que deu uns chutes no traseiro da garota apenas”. Chutes (no plural!) no traseiro pode, na cabeça não, é isso? Pra chutar o traseiro de alguém, a vítima precisa estar deitada, caída, indefesa. Como alguém pode chutar a própria filha?
A história é terrível demais. Lendo os comentário por aí, no entanto, vejo que todo mundo está revoltado. Tirando uma ou outra reação como a enquete que vi num blog, do tipo “Se você fosse um dos jurados, condenaria ou absolveria o pai?”, em geral o pessoal está indignado. Então torço para que este caso escabroso sirva pra alguma coisa, pra gerar reflexão e diálogo, pra fazer os pais pensarem. Primeiro que é mais um caso óbvio de machismo, ou alguém em sã consciência conseguiria imaginar pais batendo no filho por ele namorar?! Só se ele quisesse namorar um outro menino, aí sim. Mas os pais ficariam orgulhosos em ver seu filho de 15 anos namorando uma menina. É o que se espera dos garotos, né? Que pratiquem sua sexualidade. Já as garotas devem se manter dentro de casa, seguras (ahã), longe de predadores sexuais, podendo ser vigiadas pelos pais, já que desejo sexual feminino é algo pra ser combatido, sempre. Se filhos são vistos como propriedade dos pais, filhas são muito mais, numa sociedade patriarcal como a nossa. O corpo da garota não lhe pertence — pertence aos pais. E, quando crescer, se ela tiver um bom casamento, seu corpo pertencerá ao marido. É assim que as coisas são, certo? (como não se cansam de repetir os conformistas).
Mas aí eu fico pensando se o que causa essa reação condenatória das pessoas não são as circunstâncias. Olha só que pitoresco: cidadezinha do interior (em que a criminalidade é muito menor que em cidades grandes), menina namorando na praça com menino da mesma idade, tudo tão inocente! Quem pode se opor a esse cenário bucólico? E se a menina estivesse namorando um rapaz de 25 anos? E se eles tivessem sido flagrados num motel, não numa praça? E se ela usasse drogas? Um “corretivo” dos pais seria justificado nesses casos?
Vejo com desconfiança a reação das pessoas, porque elas costumam vibrar e aplaudir sempre que uma novela mostra um pai “decente” batendo na filha. E elas próprias batem. Claro que elas creem que têm ótimos motivos pra bater. Elas batem pra educar, não pra matar. Ahn, alguém acha que os pais de Larissa queriam realmente matá-la? Queriam “corrigi-la”, educá-la! Felizmente são poucos os pais que chutam a cabeça dos filhos, mas volto a repetir a pergunta: e chutar o traseiro tá ok? Pais vão dar palmadinhas (que eles, e só eles, acham que não doem) nos filhos até que idade? Porque passando dos dez, doze anos, fica até meio patético dar palmada no bumbum. Mas quem falou que todas aquelas “palmadinhas pedagógicas” dos últimos dez anos corrigiram a criatura? Ela continua errando, ora! E agora palmada não resolve mais. Entra o quê no lugar? Diálogo é que não é! Tapa no rosto? Soco? Não, soco não, que deixa marca. Cinta em que parte do corpo agora?
Foi feita uma experiência num bairro de classe média na África do Sul. Quando há barulho de bateria no meio da madrugada, vários vizinhos reclamam. Quando há barulho de briga doméstica, de um marido espancando a mulher que grita, desesperada, ninguém interfere. Em quase todo lugar do mundo é assim. Temos até um provérbio pra isso: em briga de marido e mulher não se mete a colher. Pois bem, com criança é pior. Imagina se alguém vai se intrometer na educação que os pais dão aos filhos? A criança pode chorar sem parar, a gente pode ouvir os golpes, e continuar pensando: “Alguma ela aprontou. Os pais sabem o que é bom pra ela”. Vizinhos não se metem por que eles mesmos fazem isso em casa.
E aí, quando o governo sugere uma nova mentalidade, uma lei que condene qualquer tipo de violência física contra uma criança (e não sei por que tanta gente considera que bater em mulher é covardia, mas em criança, desde que sejam os pais, não), vem uma gritaria da sociedade, pregando que o Estado quer se intrometer no seu direito sagrado de educar os filhos. Engraçado como a gente não vê essa gritaria pra parar de vez a violência doméstica, mas ela surge como reação a quem ousa tentar pará-la. Que tal adotar um novo grito de guerra: “Bater nunca mais”? Nem palmadinha, nem beliscão, nem tapa, nem cinta, nem chute no traseiro ou na cabeça. Substituir tudo isso por apenas amor e diálogo, é possível? Porque, francamente, pra mim soa tão ultrapassado bater nos filhos como proibir que uma menina de 15 anos namore numa pracinha. É muito, muito antigo. Um costume que deveria ter sido enterrado junto com nossos ancestrais.

39 comentários:

Lu-Bau.Blog disse...

Fiquei chocada mesmo. Vão é apanhar legal no presídio. Vão ver como é gostoso apanhar, só que com motivos. E a filha deles não teve motivo.

Mari Biddle disse...

Eu fiquei tão chocada com a morte dela, Lola. Bem na semana da mobilização para o Fim da Violencia Contra a Mulher. Eu venho do interior e sempre digo que tenho muito medo de pai com ciúmes das filhas. Parece que eles querem sei lá, iniciar as filhas sexualmente. Parece coisa de pedófilo misturado com um controle absurdo sobre a sexualidade das meninas. Enquanto essa mentalidade de que os filhos são propriedade do pai, a violência intra muros não vai acabar. Não existe dose certa para vc medir o peso de sua mão sobre uma criança então, não comece a bater. Nem tente, né.

E esses delegados tão despreparados para lidar com esse tipo de violencia. Tão centradinhos na cultura machista onde eles foram criados. Uma pena pq cidades pequenas como Cafeilandia não vai ter um suporte pra defender criança como uma cidade grande.

Eu tenho uma duvida se o Estatuto da Criança e Adolescente. Na verdade e'uma pergunta- a Larissa com 15 anos é considerada criança pela Legislação brasileira?

Passamos a semana blogando sobre o fim da violencia contra a mulher e a morte da Larissa so' veio confirmar o machismo reinante na sociedade.

Uma lastima.

Nessa Guedes disse...

Ai, Lolinha... Li esse texto e lembrei na hora da minha mãe me batendo quando eu era criança, e me dizendo que ela entendia porque tinham pais que matavam os filhos. Me arrepia só de relembrar. Imagina o terrorismo que era na época; e todo mundo fala dela como uma mãe superamorosa e protetora - huumf, não sabem da metade!
Temos que pôr um fim nisso. Hoje em dia, como estou adulta, quando discuto com meus pais e mostro que tenho uma opinião contrária a deles sobre qualquer coisa, eles ficam sem saber o que fazer, e a primeira reação do meu pai é bufar ou ensaiar um tapa (que morre no meio do caminho, porque né, é muito feio ele vir bater na filha de 20 anos).
Triste, triste.

http://garotacocacola.com.br

Mari Biddle disse...

Coisa que me irrita profundamente - gente procurando o motivo para tamanha violencia.

Cris Prates disse...

Estou muito chateada por ler essa história. Bater até matar? Até onde vai isso?

Nathália. disse...

Foi um dos textos mais feministas que já vi na minha vida, e foi LINDO!
Sobre o argumento de que o maior sofrimento de um pai é perder o filho... Sim, isso acontece. Há casos em que o juiz deixa de aplicar a pena porque o pai/mãe já sofreu o suficiente (ex: um pai que dirige o carro com um filho e sem querer bate o carro e o guri morre. Óbvio que o cara não queria matar o filho, ele já está desolado com a morte do filho, não é preciso uma condenação penal pra fazer isso). Agora, num caso onde os pais praticam lesão corporal como esse... a história do sofrimento não cola. Igualmente acho viajante o homicídio dolodo, faria mais sentido lesão corporal seguida de morte mesmo, que basicamente foi o que (aparentemente) aconteceu.

Nathália. disse...

P.s.: É bem capaz que a mãe da guria, quando presa, apanhe no presídio por isso.
Já o pai eu não sei, não sei como andam as coisas nos presídios masculinos, mas posso procurar saber.

Mariana disse...

Um dos casos de violência mais terríveis que eu já li. Tem tudo nele: machismo (tô com a Mari Biddle, suspeito que esse pai tinha ciúme sexual da filha), autoritarismo parental, fanatismo, violência desmedida... Uma história de horror contra uma menina de 15 anos que não fez nada além do que várias adolescentes dessa idade fazem!

Normalmente não desejo o mal de ninguém, mas esses "pais" vão viver o resto dos anos assombrados por essa monstruosidade que cometeram. A ONU diz que a pior dor sentimental que uma pessoa pode sentir é a perda de um filho. Pois esses "pais" vão sentir um peso muito maior do que esse, já que são os responsáveis pela sua maior dor. Que eles ardam no mármore da cadeia e de suas consciências!

Lu-Bau.Blog disse...

Também tive esta impressão de ciúme sexual. Sim, tem crianças que são terríveis, que a vontade mesmo é de dar uma surra, mas surra não educa, muito pelo contrário, quanto mais bate a criança pior fica. Mas a criança se apronta, dá show não se deve falar, coitadinho, é só uma criança, porque cria a criança sem a noção de limite, mas isto não é dado com tapas, surras e chutes.

Shiryu de Dragão disse...

Teve o caso de uma menina que morreu pq nao recebeu doação de sangue por causa dos pais que são Testemunhas de Jeová e o médico tambem! Incrivel coincidencia!! Realmente, religião é um bullshit!

Flovi disse...

Também choquei. Sempre que vejo casos de violências de pais com filhas eu me lembro do filme 'The Virgin Suicides', que mostra isso de forma bem chocante mesmo. E é mesmo lamentável que tal evento tenha ocorrido justo na semana de luta contra a violência da mulher. Só nos prova o quão longe estamos de chegar a ter respeito.

marcela disse...

A Lola traduziu em palavras tudo o que eu senti com essa história. Acho uma covardia qualquer pessoa que tenha coragem de bater em uma criança, em uma pessoa mais fraca, em um idoso, ou em uma mulher.

Eu me tornei feminista, em primeiro lugar, por não tolerar a violência doméstica. Foi esse argumento tão forte de que as mulheres e meninas são as maiores vítimas da violência em todas as suas formas (violência sexual e espancamento - estatísticamente a maioria esmagadora das vítimas é uma mulher e as justificativas são quase sempre machistas) que me levou ao feminismo: É inaceitável que, em tantos casos, as mulheres e meninas estejam mais seguras na rua do que em suas próprias casas.


No caso de Larissa, fiquei chocada com as palavras do delegado: "Foi uma fatalidade", "a pior dor para um pai é a morte de sua filha" , "Ela pode ter se matado com shampoo!!!!" - Mas, ao mesmo tempo, já era de se esperar: quantas e quantas mulheres vítimas do machismo sofrem caladas nesse momento? Apenas quando o pior acontece - como a morte dessa menina - é que surgem as vozes de defesa . E, mesmo assim, as justificativas para as monstruosidades cometidas contra elas sempre aparecem.

Claro, meninos também são vítimas da violência. Mas eu queria saber um único caso de um menino que apanhou do pai por namorar aos 15 anos????



Enfim, a história de Larissa é dolorosa demais. E não vai ser capa de revista. Não criará grandes debates. Não terá protesto internacional (nem nacional). Larissa será esquecida e talvez o monstro que tirou sua vida de forma cruel seja absolvido porque, afinal de contas, ele só estava fazendo seu trabalho de pai - e de macho defendendo a "honra" da família.

E ela estava apenas namorando na pracinha.

Por trás das notícias disse...

Se fosse menino, será que teria apanhado por estar namorando?
Esta pergunta me remete a outra: Se homem engravidasse, não seria legalizado o aborto?

Roberta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Roberta disse...

Mari Biddle,na idade de 15 anos não é mais considerada criança e sim adolescente.Mas mesmo assim esta sob a proteção do ECA.
E Lola,quando li sobre esse caso nem acreditei direito,é simplismente muito medieval que pais proibam suas filhas de namorar!

mundomel disse...

Eu acho um absurdo pessoas defenderem até hoje essa educação baseada em punição. Será que já não foi mais que provado que isso não funciona? Será que os juízes e jurados não entendem que isso é tortura? Que esses pais têm que ser presos? Nossa, fico revoltada toda vez que leio uma coisa como essa.

Leila Silva disse...

É uma notícia que realmente deixou todo mundo chocado, ou quase todo mundo. Eu me pergunto o que se passa na cabeça desses pais.
Eu tinha uns tios muito esquisitos, que maltratavam as minhas primas tanto física quanto psicologicamente, ninguém interferia nunca porque era o pai, né?
Fora isso acho que todo mundo já foi testemunha dos vizinhos maltrando os filhos (ou a mulher). Está passando da hora de reagirmos.
Abraço

me poupe! disse...

Lola, lendo essa historia, me lembro da minha vizinha. Ela e as filhas começaram a frequentar uma nova igreja evangelica, e ai um pastor dessa igreja interessou-se pela menina de 15 anos e pediu á mãe(!) se poderia namorar com ela, sem levar em consideração se a garota queria(!). A mãe fez festa, pq o pastor é filho de um industrial, mas a garota pouco se interessou pelo rapaz, então quando ela disse que iria terminar, o que a mãe fez? Deu uma surra que deixou a menina toda marcada, e gritou para quem quisesse ouvir que se ela não namorasse com esse rapaz (rico), que ela não namoraria mais ninguém, que a vida dela viraria um inferno e que ela levaria uma surra igual todos os dias....

Rafael Luz disse...

A violência contra a criança é só mais um desdobramento desse perverso sistema patriarcal, a dominação masculina. É por isso que a luta das mulheres pela igualdade de gênero é algo que não visa apenas o benefício das mulheres, mas sim de toda a sociedade. Combater a violência contra todos os tipos de minorias (mulheres, LGBT's, idosos, crianças etc.) requer uma nova forma de se relacionar, de se pensar uma sociedade, que seja mais igualitária, mais justa. E não é preconceito frisar que a família era religiosa, pois, por experiência própria, sei que famílias radicalmente ligadas à religião cristã, cujo fundamento é patriarcal, se acham no direito de punir os filhos e esposas com a força física, sendo muitas vezes incentivadas e protegidas por seus líderes. Ótimo texto, Lola!

Guilherme Rambo disse...

Me perdoem os religiosos, mas o que esses pais fizeram foi cumprir o que diz a bíblia (aquele livro de onde vem toda a moral dos crentes). A bíblia manda espancar filh@s desobedientes. “Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno.” (Provérbios 23:13,14)

Guilherme Rambo disse...

........

Filodox disse...

Não sei se as pessoas que opinaram aqui têm filhos.

Eu tinha uma cabeça em relação à educação de filhos antes de tê-los e outra depois.

Falar de educação de filhos sem tê-los é como falar de relacionamento quem nunca nem namorou.

Bem, eu e minha esposa batíamos, sim, mas isso nunca agradou a nenhum de nós.

Depois que veio a Lei da Palmada, aporveitamos para aplicar a Lei, já que bater realmente não funcionava e queríamos parar com esta atitude violenta.

Era o incentivo que faltava, se bem que iríamos parar independente de Lei. Era algo em que nós acreditamos: conversar e não espancar.

Pois bem, o comportamento de nossa filha piorou MUITO, agora que ela sabe que não apanha mesmo. Ela inclusive faz coisas que arriscam a própria vida, pois não tem noção das coisas.

Muitas vezes ameaçamos: vamos voltar a te bater! apesar de que não vamos não.

O negócio é que a palmada realmente não funciona, mas conversar está funcionando menos.

Substituímos as palmadas por castigo, tipo: sem televisão, sem video game, sem computador, ou então castigo no quarto.

Ela é impossível. É terrível, e não sabemos mais o que fazer para ajustar o comportamento dela.

Ter uma filha é pior do que ter um filho na questão da educação sexual.

Não por machismo, mas porque se a guria engravidar, vai sobrar para os pais dela, e não para os pais no menino, que, sendo ambos menores de idade, ele não está obrigado a nada, e ainda que tivesse, o pior fica com a menina que tem que sofrer todas as dores de uma gravidez e todos os preconceitos por ser menos de idade.

Desta forma, não acho que a preocupação com a menina seja por machismo, mas por precaução ante o que pode acontecer.

Mas esta preocupação pode ser diminuída coma educação sexual.

Façar sobre os métodos contraceptivos, etc.

O problema é que camisinhas furam, diu não protege contra dst.

A solução é combinar camisinha com anticoncepcional.

Porém, os anticoncepcionais fazem tanto mal à saúde, que fica difícil para um pai começar a comprar anticoncepcional para uma filha ainda adolescente, com o corpo ainda em formação.

Vocês mulheres que tomam anticoncepcional devem saber disso.

Não é algo saudável.

Filodox disse...

Eu não tenho ainda que me preocupar com a sexualidade da minha filha porque ela é muito pequena ainda e espero que mais para frente eu tenha uma mente mais aberta.

Hoje já explico para ela que o racismo é errado, como postei no meu blog um post contra o racismo.

Explico para ela que às vezes tem menino que gosta de menino e menina que gosta de menina, mas isso muito de passagem, pois ainda não é memento para entrar em detalhes.

Quanto à sexualidade, quando for a hora, teremos eu e minha mulher que termos muita inspiração. Não é fácil, e por favor, não me julguem aqueles que não têm filhas.

Se alguém aqui tem filhas e soube lidar com isso, por favor, me respondam pois ainda estou no escuro, procurando uma luz.

Voltando às palmadas...

Aqueles que não tem filhos não sabem como é.

Muitas vezes ficamos tão nervosos, que quase partimos para a agressão.
Porém, sempre que batíamos, não era para aliviar nossa raiva... mas para tentar corrigir algo de grave que ela fazia.

Hoje ela faz muito pior, apronta o tempo todo e não sabemos mais.

Dá vontade de contratar a supernanny para ver se ela tem uma solução, pois não queremos mesmo bater mais.

Agora uma coisa é certa, bater é um crime. Muitos pais perdem a noção e é muito fáciol acontecer isso.

Nunca demos uma surra homérica em nossa filha, nunca a marcamos.

Se a palmada corretiva é errado, a cintada ou no populacho, a porrada é muito mais errado ainda.

Bater de mão aberta no bumbum é condenável, socar e chutar a criança é imperdoável.

E a Lola tem razão quando fala que bater no bumbum de um adolescente é ridículo.

Quando uma criança vira adolescente, vira revoltadinha.
Bater só piora.

Felizmente, se você fez um bom trabalho de educação, a criança chegará a este ponto com alguma racionalidade, o que tornará os diálogos mais produtivos.

Porém, adolescente sempre acha que está com a razão (não estou generalizando, estou falando da maioria, segundo não só minhas experiências pessoais, mas a estudos de psicólogos especializados no assunto).

É difícil, muito difícil falar sobre este assunto e considero leviandade falar sem conhecimento de causa.

Obviamente, ninguém precisa ter filhos para falar do crime que é o espancamento de uma criança ou adolescente.

O que aconteceu com esta menina do interior foi um crime terrível.

E para este crime, qualquer um pode denunciar através do DISQUE 100.

Portanto, se qualquer um de vocês assistirem ou souberem ou ouvirem um espancamento de seus vizinhos, denuncie anonimamente pelo disque 100 que a polícia vai lá junto com um assistente social apurar os fatos.

O troço funciona, pelo que ouvi dizer, então, não custa nada, LIGUEM!!!!!!!!!!!!!

Filodox disse...

IMPORTANTE:

“A maioria das vítimas são meninas. Geralmente, 62% das vítimas são meninas. No caso específico de violência ou exploração sexual, 83% das vítimas são meninas”, revela Leila Paiva.

“Parentes próximos e vizinhos acabam tendo a notícia muito mais rápido do que o poder público. Por isso, eles são um forte instrumento de denúncia. Denunciando e não se calando, eles fazem com que esses casos cheguem à esfera”, explica a coordenadora nacional do Disque 100, Leila Paiva.


E logo equipes estão nas ruas por todo o país verificando. Já estava anoitecendo quando os conselheiros tutelares do Rio de Janeiro encontraram um endereço. Uma vizinha confirmou a denúncia: a mãe que deixava sozinhas as crianças de 3, 5 e 7 anos.


“Eles ficam com a cabeça para fora e falam que estão com fome. Ficamos com pena e damos pão”, contou a vizinha.


A matéria completa pode ser lida aqui:

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1595224-15605,00.html

Laetitia disse...

Imaginei mesmo que vc comentaria essa notícia. Pelo jeito, suas impressões foram as mesmas que as minhas.

Eu nunca apanhei dos meus pais. Aliás, nunca apanhei nem bati em ninguém. Não acredito que o ser humano, no estágio evolutivo em que se encontra, ainda tenha necessidade de resolver qualquer conflito de uma maneira tão grosseira, tão arcaica.

Isso que vc falou a respeito de vizinhos não intervirem em brigas "pessoais" é pura verdade! A única que fez isso alguma vez, que eu saiba, fui eu mesma. Certo dia fui acordada pelos gritos da filha do vizinho, que levava uma sova por ter cometido o crime de sair à noite sem avisar e aparecer de volta de manhã. Ok, irrita, eu nunca desapareceria de vista, morando com meus pais, por consideração a eles. Não ia gostar que ficassem preocupados. Mas, claro, quando me meti na história, tive depois que aturar meu pai defendendo a surra. Aí descobri o que eu já deveria saber: nunca apanhei porque sempre "andei na linha". Experimentasse eu sumir de madrugada...

Ursula Burgos disse...

Este caso tem feito muita gente pensar, o que, independente das reais motivações, já é bom. Tenho duas filhas pequenas e pretendo seguir educando-as na base do diálogo, e acho que cada vez mais as gerações vêm fazendo assim.

Sardenta disse...

Lola, fiquei aterrorizada com a morte dela. Lembrei de vários amigos e colegas que apanharam dos pais e que hoje tem sérios problemas com segurança, autoestima, são perfeccionistas ao extremo... A lista é tão grande, que nem cabe aqui. Fico pensando se essa menina tivesse sobrevivido, o que ela iria carregar durante toda sua vida? Pra mim, tbm é uma morte lenta. Sempre achei um absurdo bater em crianças e conheço muita gente que tem filhos maravilhosos e nunca sequer levantaram a mão para eles. Acontece, que diálogo requer paciência e nem todo mundo que vai ser mãe ou pai tem essa paciência.

Atena disse...

Que bom que você falou no assunto. Estou grávida de primeira viagem e freqüentando um fórum de mães e pais que fala sobre praticamente tudo desse universo.

Fico indignada por lá de ver que a maioria das mães é favorável às palmadas, que acham que a lei em questão é um abuso, uma interferência no âmbito privado, e que quem não tem filhos 'não entende'.

Sei sim que o sangue sobe às vezes e acho que seria mais honesto de todos reconhecer que a palmada acaba sendo sempre por irritação, por nervosismo e perda do controle, do que para 'educar'. Pior, tenho horror quando citam a bíblia para justificar a pancada. Mesmo porque nem os mais religiosos seguem tudo aquilo que está escrito na bíblia, especialmente as passagens relacionadas a costumes da época em que foi escrita. Mas justificam a violência contra os filhos usando a bíblia só porque lhes convém.

Eu não posso dizer que nunca vou bater, que nunca vou perder a cabeça um dia. Mas eu posso dizer com certeza, de que tenho a plena consciência de jamais usarei a palmada como 'método educativo', porque não é.

É preciso buscar conhecimento e muita paciência, e também ter humildade pra recussar o 'mais fácil' e buscar uma forma de criação não baseada naquela que se teve dos pais, mas em algo mais humanista, mais moderno, mais de acordo com o respeito que estamos aprendendo a dar às crianças, o que de modo algum deve ser confundido com permissividade ou falta de direcionamento.

Quanto ao caso da garota em si, infelizmente acredito que foi uma extrapolação dessa mentalidade fechada e preguiçosa. Tenho certeza de que estão pagando por isso desde já, mas espero que a justiça também os puna exemplarmente.

Pedro M. disse...

Eu até acredito no arrependimento dos pais dessa menina, mas de qualquer jeito merecem cadeia SIM! Já era! Tá feito! Tem que pagar pelo crime!
Nesses últimos dias soube de uma outra garota que foi queimada pelo namorado, a outra que perdeu um pedaço da orelha... Enfim, Fico indignado com esse tipo de notícia e mais indignado ainda com quem acredita que mulheres não são vítimas do machismo.

FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER!

Por trás das notícias disse...

Estamos neste momento debatendo dois departamentos, que podem se transversalizar e se somar, como no caso em questão. A educação da pancada e a violência contra a mulher.
Se você não for capaz de produzir argumentos suficientes para convencer uma criança, tendo que chegar a bater nela, reflita, pois há algo muito errado, tanto na sua capacidade intelectual quanto na relação de confiança e referência que você construiu com seu/sua filho/filha. Sim, é dificil. Demanda tempo, paciência, desprendimento, aprendizado... mas você a ama não?
Outra questão, ou departamento, como coloquei, é a violência contra a mulher. A Larissa apanhou porque teve uma educação calcada na bofetada mas, sobretudo, apanhou porque era menina. Era do sexo feminino. Apanhou por causa do machismo. Porque namorar, sentir prazer, ficar é coisa de puta. Ou de macho.
Homem galinha = pegador, garanhão
Mulher galinha = puta
Boi = homem traído pela mulher que é uma puta
Vaca = puta
Puto = homossexual(no RS) ou homem que se prostitui
Puta = Puta

Tanko disse...

Laetitia, na minha casa era a mesma coisa, ninguém me batia porque eu não "aprontava", especialmente quando adolescente. O que não significava que não fosse ameaçada de vez em quando.

Drianis disse...

Lola, não sei se vc viu a conclusão desse caso... Triste e lamentável http://www.pirajui.net/informacoes/noticias/539-cafelandia-inquerito-conclui-que-larissa-se-matou.html

Exame inconclusivo por falta de coleta adequada do material. Tá, vão agora culpar o perito. Pura mentira, pura patifaria.

Luciana disse...

Estava buscando uma imagem pra add ao meu post e acabei achando seu blog. Gostei muito. Parabéns!

Florzinha disse...

Acho muito interessante qdo as pessoas reclamam que o Estado está se metendo na educação de sua prole, mas na verdade essas crianças não têm nenhum tipo de disciplina em casa, muitas chegam na escola sem ter a mínima noção de respeito ao outro. E é isso que bater em crianças faz, mostra o quanto alguns pais e mães não têm o mínimo respeito pelos filhos. Se por acaso, uma criança, na rua, me xingar e eu der um tapa nela qual será a reação das pessoas?? Será que elas vão pensar que eu estou tentando educá-la ou que eu sou uma pessoa louca que agride criancinhas???

anne disse...

Violência existe independente de religião. Todos os dias acontecem casos de homicídios praticados por marginais usando terço,e nem por isso a mídia noticia dizendo: e eram católicos.
Esse é um caso lamentável e deve ser punido com rigor.

Paula Mariá disse...

Lola, estou cada dia mais convencida de que crianças são uma minoria oprimida tanto quanto as mulheres. E recebem atenção menor ainda, pois sua condição é passageira. Mas são tremendamente oprimidas.

Todo mundo diz que são bonitinhas, uma gracinha, demonstram o maior apreço, mas acaba aí. A criança não tem o direito de ser tratada com dignidade e respeito, não pode expressar suas vontades nem opiniões, não tem o direito a voz. São uma gracinha, contanto que se mantenham caladas.

E é por essa mentalidade que o Estado precisa interferir constantemente pelas crianças. Porque elas simplesmente não são vistas como seres humanos. São tratadas com inferioridade e como propriedade dos pais.

Karol Paiva disse...

Só se ele quisesse namorar um outro menino, aí sim.

juro que não entendi... Então se o filho for homossexual vamos matá-lo?!

Leth R. disse...

é hj em dia a maioria dos pais e mães falam ke naum precisa + ter dialogoé na base da porada eu com a minha propia experiencia de tanto apanha penço se ke a pessoa ke bate naum sabe ke pode acaba prejudicando a vida de uma criança em varias partes como até o sentimental de uma pessoa ke naumtem como se defender isso pode ser uma maneira para elels de educar mas naum é o jeito certo

Anônimo disse...

Passei pelo mesmo que a Larissa, com a mesma idade e o mesmo motivo a única diferença é que eu posso contar minha história, e, ela infelizmente não pode contar a sua. Hoje, 5 anos depois, vejo que o mais triste é a violência psicologica feita pelos meus pais, que depois de me baterem tanto ainda fizeram com que eu me sentisse culpada por ter apanhado. Tenho nojo de "pais" que fazem isso.

Adna Rosa