quinta-feira, 9 de setembro de 2010

BRASIL RESPONDE DIREITINHO À PESQUISA INTERNACIONAL

Uma pesquisa da Pew Global sobre igualdade de gênero realizada em 22 países nos meses de abril e maio revelou dados que, pra mim, são espantosos — no bom sentido. Checando os números desse levantamento com meu olhar Polyanna, devo constatar que o mundo mudou, ou ao menos mudou a percepção geral de que mulheres são cidadãs de segunda classe. Claro que eu poderia adotar um olhar mais crítico e enxergar o copo pela metade. Mas o que me deixa mais feliz é que as respostas dos entrevistados brasileiros batem com as do países mais ricos.
Olha só que ótimo: uma das perguntas da pesquisa era se as mulheres deveriam ter direitos iguais aos dos homens. No Brasil, 95% respondeu sim (mesma porcentagem da China e do Líbano, contra 97% nos EUA, 99% na França e Espanha, 89% no Japão, 79% no Paquistão, 60% no Egito e na Jordânia, e 45% na Nigéria). Até aí tudo bem, porque alguém precisaria ser um ogro pra defender a desigualdade. Para essa vasta massa de entrevistados que respondeu “sim”, a pergunta seguinte foi se a maioria das mudanças já havia sido efetuada, ou se mais mudanças eram necessárias. No Brasil, incríveis 84% optaram por mais mudanças, número que só perde pro Japão, onde 89% defenderam que muita coisa ainda precisa mudar. O país em que a maior parte dos que defendem direitos iguais crê que não há muita necessidade para mais mudanças é a Indonésia (58%). Esta questão das mudanças é importante. Eu lembro quando comecei a escrever pro jornal, doze anos atrás. Meu feminismo ficou evidente desde o início, o que levou meu editor a questionar: “Mas por que você é feminista? Tudo que vocês queriam já foi conquistado!”. Não vou nem falar do “vocês queriam” na afirmação, que denota que ele não queria. A gente ouve isso sempre: parem de lutar, abaixem essas armas, vocês já ganharam. Lógico que isso não é verdade, e qualquer estatística desmente que conseguimos a igualdade. Não só no Brasil mas em todo o mundo, o salário das mulheres ainda é menor que o dos homens (outro dia suecas queimaram dinheiro numa manifestação contra as diferenças salariais). Cuidar da casa e dos filhos ainda é considerado uma obrigação feminina. Esposas e namoradas ainda são vistas como propriedade do homem, e, consequentemente, continuam sendo espancadas e assassinadas por quem deveria amá-las. Mulheres ainda são minoria no Congresso, no Senado, e também no executivo — na política, enfim. Ainda há um padrão diferente para os gêneros no que se refere à questão sexual. Mesmo que a virgindade não seja mais sinônimo de decência, como era na minha adolescência, ainda achamos que um rapaz que tem várias parceiras é um garanhão digno de elogios, enquanto que, se uma moça decidir ter o mesmo comportamento, será uma vadia. E por aí vai. A lista do que precisa ser mudado é longa. E, se a gente acredita que as conquistas já foram obtidas, paramos de lutar. Por isso que é tão admirável que 84% dos brasileiros creiam que são necessárias mais transformações.
O Brasil também tem uma resposta comparável à dos países civilizados quando a pergunta é se as mulheres devem poder trabalhar fora de casa (96% no Brasil diz sim, 97% nos países desenvolvidos e na China. Na Argentina, esse número cai para 87%! O mais baixo é a Jordânia – 58% - e o Egito – 61%). Dããã, você pode pensar, com razão: é óbvio que mulher deve poder trabalhar fora! Quem vai dizer o contrário? Mas lembra daquelas pesquisas que perguntam “Você é racista”, e 90% dos entrevistas juram que não, de jeito nenhum? E aí quando a pergunta é “Você conhece alguém racista?”, a afirmativa vem em quase 100% dos casos? Então. Uma coisa é dizer da boca pra fora que sim, mulher pode trabalhar. Outra é testar essa afirmativa. Não é à toa que a pesquisa internacional pergunta: “Quando o emprego é escasso, homens deveriam ter mais direito a um emprego?”. 12% dos ingleses e espanhóis e 14% dos americanos concordaram com essa alternativa. Na Índia, 84%! Na China, 73%. Na Rússia, 47%. O Brasil até que se saiu bem: 37%. Um pensamento desses segue forte e esconde vários conceitos arraigados, como aquele que o homem deve ser o provedor da casa. O interessante é que, se analisarmos a resposta de mulheres e homens separadamente, veremos que, ao contrário do que prega aquela velha acusação de que “se a sociedade é machista, a culpa é das mulheres”, há muito mais homens defendendo prioridade de emprego pros homens do que mulheres. Um exemplo: no Egito, impressionantes 92% dos homens concordam que, durante uma crise, o que vale é o emprego do homem. 58% das mulheres pensa assim. É altíssimo ainda, mas tá longe da unanimidade dos 92%.
Outra questão fascinante que a pesquisa fez é “Quem tem uma vida melhor?”. Esta foi a pergunta que teve respostas mais variadas. O Brasil, surpreendentemente, está no time dos países que acham que os homens levam uma vida melhor (42% dos brasileiros responderam “os homens”, 30% “as mulheres”, 27% “os dois”), junto com a França (75% acham que são os homens), a Polônia (55%), Nigéria (46%), e os EUA (36%). Os países que dizem que a vida é igual pra ambos os gêneros são México (56%), Rússia (52%), China (49%), e Egito (46%), aquele país em que apenas 61% aceitam que a mulher trabalhe fora. Na Coreia do Sul e no Japão, mais gente pensa que a vida é melhor pra mulher (49% e 47%, respectivamente). Esta pergunta é importante, já que envolve a questão dos privilégios. O pessoal que grita “Não deveria haver Dia Internacional da Mulher! As mulheres estão em condições melhores que os homens!” costuma dizer também que as minorias em geral (mulheres, negros, gays) encontram-se num patamar muito superior ao do homem branco hétero, e que o verdadeiro discriminado hoje em dia, tadinho, é o bicho homem.
O lado bom dessa pesquisa internacional é que parece haver um consenso de que a mulher merece direitos iguais aos dos homens. O lado formidável é que, se a gente comparar as respostas brasileiras com as de outros países, chegaremos à conclusão de que o Brasil é menos machista do que esperávamos. Maravilha que, na teoria, o Brasil não seja um país machista. Que tal aplicar isso na prática?

22 comentários:

Niemi Hyyrynen disse...

Oie ^^

primeiro comentário no blog e a primeira da postagem eu acho...rs.

Bom numeros não são lá muito confiáveis... vc exemplificou bem no caso das pessoas que não se acham racistas mas que conhecem um montão, obviamente tem algo errado nessa conta.

Mas minha mãe sempre disse que quem conta uma história nunca conta somente com a boca e sim com os olhos tb.

Bom, em teoria as pessoas procuram fazer bonito quando vão opniar, ahn, bom deixa estou sendo reduntante demais..

É fato que essa coisa de que os homens dizem "vc's já conquistaram o que queriam" muitos querem dizer que agente está chorando de barriga cheia agora, talvez seja pq eles nunca tenham sentido a mesma "fome".

E volta e meia, quando se diz em representação, principalmente política, para as mulheres fica o papel de árvore.

Mas eu vejo um futuro bom, justo, onde homens e mulheres são apenas antes de tudo seres humanos...

até lá toda verdade tem que ser aceita pela metade..mas com sorte ela se revela inteira.

:)

Niemi.

Lord Anderson disse...

Uma duvida.

Tem como saber quais as porcentagens de cada genero nas perguntas?

Quer dizer quantos homens responderam que acreditam levar uma vida melhor?

Wonderwoman disse...

Ótimo post. E no fim, a sugestão que você colocou fica ecoando sempre na minha cabeça, todos os dias.
A verdade é que, ainda que o resultado da pesquisa seja animador, "responder direitinho" nem sempre sobrevive a uma análise do comportamento "quando ninguém está vendo". Eu tenho certo medo de pesquisas com resultados assim tão favoráveis, se o que percebo na realidade é diferente.
Ser politicamente correto parece que ficou tão fácil hoje em dia, na teoria. Mas as práticas nas relações sociais não acompanham tanto assim a teoria.
Sei que não gosta de TV, mas já viu um programa (americano, mas passa na GNT acho) em que o apresentador faz uma espécie de pegadinha do politicamente correto? Não consegui abrir o youtube, mas depois posto aqui. Acho que se chama What would you do. E o episódio que me chocou em questão mostrava um rapaz e uma moça em um bar e, quando ela se distraia, ele "escorregava" algo na bebida dela. A reação de alguns homens, apoiando, foi de chocar.
Enfim, queria também dizer que fica difícil acreditar nisso quando, dia após dia, somos julgadas a partir de estereótipos, de análises de aparência e superficialidade. A mulher é bonita, é mãe, é dona de casa, é puta. "O que ela tem a dizer, ah, deixa pra lá".
Não sei se me fiz entender bem, é que estou bem incomodada com impressões que tive em algumas ultimas relações de trabalho e ainda não consegui colocar em ordem a revolta e os pensamentos.
Ótimo post, que vi graças ao Twitter! passarinho...

lola aronovich disse...

Em algumas tabelas da pesquisa divulgada, em inglês, a gente pode ver como responderam homens e mulheres em cada um dos 22 países. Por exemplo, nessa pergunta de “quem tem uma vida melhor”, o total no Brasil que disse “os homens” é de 42%. Se a gente olhar a resposta de cada gênero, 32% dos homens brasileiros responderam “os homens”, e 51% das mulheres brasileiras. Mas ainda assim, 32% dos homens brasileiros terem consciência dos seus privilégios é um número enorme. Um terço!
A França é que a se saiu melhor nessa questão. 75% dos franceses acham que homens têm vida melhor que mulheres. E a diferença nas respostas de cada gênero não é gritante: 69% dos homens franceses acreditam nisso, e 80% das mulheres francesas.

lola aronovich disse...

Niemi, obrigada pelo 1o comentário! Eu gostei muito da pesquisa. Acho que ela revela uma tendência de mudança, de percepção, que é muito positiva. E fiquei surpresa com as respostas brasileiras. Elas se equiparam bastante às dos países onde a igualdade de gênero é levada mais a sério. Desigualdade ainda existe em todo lugar, até na Suécia. Mas fico feliz em ver que os brasileiros se dão conta disso e achem que ainda tem muita coisa pra mudar.


Wonderwoman, pois é, o que vc diz é parecido com o que diz a Niemi, sobre “responder direitinho” não representar agir direitinho. Mas nisso eu acho que o machismo é muito parecido com o racismo, com a homofobia, e com outros preconceitos contra minorias. É aquele negócio de “Não sou machista”, aí faz ou fala uma bobagem machista e fica surpreso se alguém aponta que, ei, meu, isso que vc fez ou falou é machista. E a primeira resposta do sujeito é “Não pode ser! Eu não sou machista!”. Acredito na boa vontade do pessoal, sabe? Tanto dos homens quanto das mulheres. Acho que a maior parte percebe o preconceito e a discriminação como coisas negativas. Mas aí entra a falta de educação, de informação — el@s não sabem exatamente o que é machismo. A gente tem que fazer nosso serviço de formiguinha nessa conscientização.

Wonderwoman disse...

Lola,
também acredito na boa vontade na resposta da pesquisa. Acho mesmo que há uma intenção em mudar ou um reconhecimento de que a igualdade deve ser garantida.
Onde ainda me parece faltar muito chão é mesmo nisso que você ressaltar: a falta de percepção e auto-crítica. As práticas são tão repetidas e automáticas que mesmo aqueles que respondem positivamente a pesquisa, não conseguem por vezes perceber o machismo em seu comportamento.
O trabalho é diário e de formiguinha mesmo.
Agora, as vezes é bom, ser Pollyanna: o otimismo inocente é um bom combustível.
:)
Camilla

Vitor Ferreira disse...

A teoria é sempre diferente da prática. O Brasil ainda é muito sexista, patriarcal e preconceituoso.

Fernanda disse...

Mas sabe que é importante o "dizer direitinho" também?

Graças a isso, as novas gerações são menos contaminadas pelos preconceitos, já que esses não são ditos, ficam cada vez mais escondidos no fundo dos que ainda carregam aquilo dentro de si. Vejo isso muito com relação a preconceito racial. Meus pais, por exemplo, têm um fundinho de preconceito neles, mas minha mãe sempre se observou pra não falar sobre isso com os filhos, porque ela racionalmente não concorda. E deu certo. Nós ficamos quase que livres dessas noções no nosso subconsciente. Acho válido.

Inclusive por isso que acho tão nocivas figuras como o Dourado (ex bbb) que podem dar a noção de que é certo ter preconceito.

Meio confuso, mas deu para entender?

Acho que, quanto mais o politicamente correto imperar na fala, mais ele se tornará realidade nas ações e nas mentes das pessoas.

;)

Geovana disse...

Olá Lola, que bom ouvir essas novas notícias!! Realmente analisando minha curta experiência de vida, já que tenho apenas 22 anos, acredito sim que esses números são realistas e que as coisas tem mudado e seguem mudando. Agora essa questão de responder direitinho e agir diferente, ou mesmo não se reconhecer machista e ter atitudes machistas é muito comum. Entre pessoas da minha idade eu noto muito isso e acredito que isso é sinônimo de quão internalizado está o machismo em nossa sociedade. Os homens agem sem pensar pq em grande maioria não foram ensinados a pensar diferente e por isso não conseguem enxergar a situação das mulheres. Sempre que tenho oportunidade questiono e 'se fosse um homem nessa situação??' E a resposta sempre começa com 'a mais seria diferente..', pois então é nessa diferença que mora a desigualdade de gênero. Questionar, fazer pensar, já faz com que as pessoas a nossa volta comecem a refletir sobre isso e quem tem uma amiga, colega de estudo, de trabalho feminista a volta acaba aprendendo o outro lado da moeda. bjs

primeirocego disse...

Uau, fiquei impressionado também com as respostas. Claro que tem essa diferença enorme que já falaram aí entre o que a pessoa diz e o que ela faz, mas pelo menos essas respostas mostram que no Brasil as pessoas acham que existe machismo e acham que está errado, só falta perceberem o que fazem para mantê-lo.

@Lola: Você escreveu ali que o "Brasil também tem uma resposta comparável à dos países civilizados..." (logo abaixo da imagem da mulher sem cabeça e o homem chutando). Isso foi uma ironia que não percebi, ou escapou a palavra, ou você acha que Espanha, EUA, França, etc. são civilizados e o Brasil não?

@Fernanda: Dizer direitinho acho que é importante sim, porque o preconceito escancarado costuma ser mais violento que o por baixo dos panos, mas não falar sobre preconceito não é o bastante para que os filhos fiquem livres dele, porque eles o aprendem fora de casa em suas outras interações sociais e aí ele fica meio inconsciente, porque não é discutido. O que acho que dá certo é conversar abertamente sobre preconceito.
P.S.: Já viu esse vídeo?

primeirocego disse...

Ué, não saiu o link do vídeo. Era esse: http://www.youtube.com/watch?v=9P7jnQihWKY

lola aronovich disse...

Gente, dá pra ver o vídeo com o debate da MTV. Já atualizei o post passado e deixei lá o link pro vídeo. Quem não viu, veja, please, e volte pra comentar!

joshua disse...
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joshua disse...
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Laurinha (Mulher modernex) disse...

Lola, até que não me surpreendi com a pesquisa. Realmente, se a gente sair por aí perguntando, todo mundo é contra o machismo, racismo, a favor da igualdade... mas são as mesmas pessoas que podem dar uma resposta ultra preconceituosa pra outra pergunta ou fazer uma piadinha machista no minuto seguinte.

Às vezes eu tenho a impressão que muitos nem entendem o que é ser machista em exemplos práticos ou até entendem e concordam, mas como ninguém gosta de ser visto como preconceituoso ou tem resistência de rever seus atos ou suas opiniões, acabam tendo palavras e ações contraditórias...

Acho que a questão hoje em dia nem é mais se mulheres devem ou não trabalhar fora. Acho que na nossa sociedade machista, o que está estabelecido atualmente é que mulheres devem trabalhar fora e ainda sim serem as únicas ou maiores responsáveis pelas tarefas domésticas; e aí no fim das contas é mais trabalho pra mulher, mulher se sentindo culpada porque tem que se dar bem em tudo e o homem não se sentindo mais o machão por ser o único a botar dinheiro dentro de casa, mas se sentindo o machão por ter uma mulher que trabalha o dia todo e ainda chega em casa e faz tudo, enquanto ele vai pro bar ou pro futebol com os amigos... Acho que o machista em si, é no fundo um esperto, Lola, que já aprendeu a pegar algumas conquistas feministas e as incorporar ao machismo de alguma forma que possa ser melhor pra eles. Se muitas mulheres não tomarem cuidado, daqui há pouco já estão trabalhando mais que todos eles e ainda reproduzindo o discurso que homem é superior a mulher e que eles devem ser servidos por nós, porque o discurso machista, pra mim, no fundo não é nada mais que essa idéia.

Dáfni disse...

Lola,

Eu concordo com o comentário da Niemi. Acho que pesquisa, em geral, é respondida como se o sujeito fosse "o politicamente correto". Gostaria de estar errada neste meu pessimismo, mas vejo que não.

Tenho prestado mais atenção às ações das pessoas no cotidiano e realmente acho que estamos longe ainda. Está certo que eu moro numa cidade do interiorrr, onde as pessoas são mais conservadoras, em geral. Mas o Brasil é feito na sua maioria dessas cidades, né? Então, há muito o que se fazer...

Beijos

Koppe disse...

Aos poucos as coisas vão melhorando. A estrada pela frente ainda é longa, e provavelmente a nossa geração não vai viver o bastante pra ver o fim dela. Que pelo menos avancemos a nossa parte. Acredito que igualdade não deve ser apenas uma palavra bonita na nossa bandeira, mas sim um ideal a ser buscado.

Pili disse...

Oi lola,
por favor, escreve sobre o estatuto do nascituro. Pode acreditar que é urgente (aliás, não sei se tem algo mais urgente na lei brasileira nesse momento)
Pra introduzir o assunto:
http://www.fpabramo.org.br/artigos-e-boletins/artigos/na-contramao-da-historia-%E2%80%93-estatuto-do-nascituro

Marussia de Andrade Guedes disse...

uuuu

Marussia de Andrade Guedes disse...
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Marussia de Andrade Guedes disse...

É realmente legal que as pessoas reconheçam que muito ainda deve mudar. Mas, sinceramente, não vejo as mulheres lutando por mudanças. Lola eu adoro o que você escreve. Não discordo uma vírgula das suas opiniões políticas. Mas em relação ao feminismo pensamos diferente num ponto: não considero a mulher uma vítima. Se a mulher é considerada propriedade dos homens, é por elas se considerarem assim. Muitas até se orgulham disso. Se há poucas mulheres na política, é por elas se interessarem pouco por política. No meu meio, raramente vejo uma mulher conversar sobre política. Não parece que estamos em ano eleitoral. Não parece que estamos para eleger a primeira mulher para presidência da república. É incrível! O silêncio é total. As mulheres temem serem chamadas de putas. Não deveriam temer. Deveriam dizer: se ser livre é ser puta, então somos putas sim! Querem? Ótimo. Não querem? Os que não querem não valem! Mas o que vemos é que as mulheres morrem de medo de serem consideradas putas. Abrem mão de uma vida sexual mais intensa ou mentem sobre o número de parceiros. As revistas femininas, até hoje, orientam não revelar sua vida sexual, se ela for picante. È claro que num país de religião mulçumana, onde as mulheres nem recebem educação, não podemos cobrar muito. Mas este não é o caso do Brasil. Com relação ao racismo nas novelas, acho que há progressos. Cada vez mais vemos pessoas negras no topo da pirâmide ou se relacionando com pessoas brancas sem que a questão do racismo seja abordada, ou melhor, sem que o racismo seja o problema que os aflija. Eu acho que isto é um avanço. Mas é claro que ainda não há a situação ideal.

L. M. de Souza disse...

não confio nessas pesquisas de salário, a gente nunca sabe os parâmetros. Você devia ler 'tábula rasa' do steven pinker. há poucas mulheres na política porque muitas delas simplesmente não se interessam por isso, não porque os homens não as querem lá, acho. Da mesma forma que há poucas mulheres mecânicas ou pedreiras. É o tipo de serviço que elas não querem fazer, assim como há poucos homens que cuidam de crianças, idosos ou sao professores no ensino básico.