segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A DESGRAÇA DA DICOTOMIA: PARE O PEDESTAL QUE EU QUERO DESCER

“Eu sabia o bastante para saber que a única coisa esperada de mim era que eu não me desgraçasse” (The Blind Assassin, Margaret Atwood, 2000, minha tradução).

Parece que essa frase do romance que estou lendo atualmente vem a calhar: o que se espera de nós, mulheres, é que, além de estarmos sempre belas e jovens, sejamos respeitáveis. Não podemos nos desgraçar. Prum homem se desgraçar é mais complicado. Ele precisa matar ou estuprar alguém ou, no mundo homofóbico em que vivemos, ser pego transando com outro homem. Pra nós mulheres é mais fácil: bastar usar um vestido curto na faculdade onde se estuda, num dia em que os alunos, entediados, farão qualquer coisa pra gazetear aula. Ou executar uma dança insinuante e deixar sua calcinha à mostra, ainda mais se você tiver uma profissão “respeitável”, professora. Ou senão transar com o próprio namorado e permitir que ele filme o ato. Quando vocês terminarem, ele, pra se vingar, divulgará as imagens na internet. Ele será visto com admiração pelos amigos, mas você, por ter tido o azar de nascer com uma vagina, provavelmente vai precisar mudar de nome, de cidade, e de profissão. Chato, né?
Quem se chocou com o episódio ocorrido na Uniban precisa refrescar a memória lendo esta matéria de mais de três anos atrás. Em maio de 2006 não foi um vestido que desgraçou a vida de uma moça, Francine, também de 20 anos, mesma idade de Geyse, a aluna da Uniban. A causa da desgraça foi terem aparecido no orkut fotos pornôs de Francine fazendo sexo com dois homens. Eis um trecho da matéria de 2006. Não dá uma incrível sensação de dejá-vu?
Francine foi à faculdade, a 30 quilômetros de Pompéia. A Fundação de Ensino Eurípides Soares da Rocha, a Univem, fica em Marília, pólo de quase 200 mil habitantes que recebe estudantes de toda a região centro-oeste de São Paulo. Antes de entrar, Rud de Moura, aluno de Administração que embarcara no mesmo ônibus, avisou: 'Seu nome está nos quatro cantos da faculdade. Você sabe que o ser humano é complicado. Se houver algum problema, conta comigo'. Francine respondeu que não devia nada a ninguém e se dirigiu à sala. Nas duas primeiras aulas, nada aconteceu. No intervalo, pouco depois das 21 horas, Francine não conseguiu sair. Cerca de 300 alunos aglomeravam-se pelos corredores. O professor Otávio Custódio de Lima bloqueou a porta para que não invadissem. Os universitários, boa parte deles do curso de Direito, queriam ver 'a vagaba da internet', xingá-la de 'prostituta', avisar que eram 'os próximos da fila', atirar preservativos, empunhar cartazes de 'tire aqui a sua senha'.
[...] Chamaram a polícia. 'Não saia de cabeça baixa. Você não deve nada a ninguém', disse Rud. Ele acompanhou Francine até a delegacia e avisou a mãe da estudante. Ela conseguiu deixar a sala e vencer as centenas de metros que a separavam do lado externo do prédio graças a bombas de gás pimenta atiradas pelos policiais para abrir espaço. 'Eu me senti pequenininha. Só via as bocas mexendo e mexendo. Não ouvia. Só queria sair dali', diz. Foi o segundo linchamento moral. Uma estudante disse a ÉPOCA, acreditando que assim minimizava a violência: 'Ela não seria linchada, ninguém ia agredi-la fisicamente. Se a polícia não chegasse, no máximo ficariam passando a mão na bunda dela'”.
Ah bom! Legal saber que Francine (ou Geyse) não seria literalmente apedrejada em praça pública. Só a apalpariam! E isso toda mulher já está acostumada!
A reportagem da Época de 2006 é boa, mas deixa um gosto extremamente moralista. Provavelmente porque o caso todo foi um desfile de moralismo, mas também porque a família de Francine (daquele tipo “tradicional” de cidadezinha do interior) é um poço de conservadorismo. É o pai que não consegue mais olhar pra filha após ver aquelas fotos; é a mãe que nunca tinha visto fotos assim antes; é a declaração que ela dá à jornalista: “Eu sempre falei para a Francine tomar muito cuidado para não cair na boca do povo, porque o dia que cair ninguém mais esquece”. Sabe, aquele lenga-lenga que o mais importante na vida de uma mulher é não se desgraçar. Esse patrulhamento conta com a eterna vigilância de outras mulheres, como mostra um outro pedaço da matéria:
'Eu mesma passei as fotos para várias pessoas. Ela é uma safada—e com aquela cara de santa. Eu não transaria com dois caras, não acho certo. Um homem até pode escorregar, uma mulher não', diz uma garota de Pompéia, de 21 anos, nível universitário. 'Agora está posando de vítima. Uma pessoa normal, que tem sua dignidade, não faz o que ela fez. A única solução para ela é sair da cidade.'
A colega de Francine a acha uma puta, apesar da cara de santa, e cabe a essa colega desmascará-la, mostrar o que Francine realmente é. A única novidade nesse caso de Pompeia é que um dos dois homens envolvidos nas fotos também foi prejudicado: perdeu o emprego. Isso porque ele era casado, e por ser filho de um vereador da cidade. Não por ter feito sexo, que sexo é uma atividade saudável, natural e prazerosa dos seres humanos—bom, ao menos dos seres humanos do sexo masculino.
Não sei o que aconteceu depois. Não encontrei outras notícias falando do caso, apenas esta, relatando que as fotos eram de fato uma montagem. O mais irônico é que alunos da Univem procuraram a diretoria perguntando se Francine não seria expulsa por ter manchado a imagem da faculdade. Ela que manchou, entende?! Espero que a Univem tenha aberto espaço para discussão entre os alunos, para que eles aprendessem que aquele tipo de comportamento que exibiram é simplesmente inaceitável.
Mas, claro, a pergunta que não quer calar é: faz alguma diferença se aquelas fotos eram ou não uma montagem (ou o tamanho do vestido de Geyse?)? Para a consciência de Francine e sua família, faz. Mas para a reação do pessoal de fora, faz? Uma mulher não pode transar com dois homens? É estranho que não possa ser tolerado justo aquilo que rapazes adolescentes (numa idade não muito distante da maioria dos universitários) veem em filmes pornôs, que eles seguem como cartilha e que geralmente é sua única fonte de educação sexual. Ou melhor, talvez até possa ser tolerado, mas só se for feito por putas, não por mulheres de família. Mulheres dignas, honestas, que se dão ao respeito, não transam com dois homens. Aliás, nem transam. Só para fins reprodutivos, para gerar o ápice da criação: um herdeiro homem.
Pô, é tão tênue assim a linha que separa essa nossa dicotomia feminina entre santas e putas? Basta usar um vestidinho ou ser fotografada transando pra cair na boca do povo? Homens não têm que escolher se são santos ou putos. Eles têm a liberdade sexual para transarem com quem quiserem (desde que seja do sexo feminino), e isso só será avaliado de forma positiva. Quanto mais parceiras, melhor.
Mas, e nós? Somos santas ou putas? Nem uma coisa nem outra, óbvio. Somos mulheres, que querem exercer sua sexualidade sem julgamentos, que gostam de sexo, que exigem os mesmos padrões de liberdade sexual que os homens têm. Até porque pros misóginos, mulher é tudo vaca mesmo (a menos que sejam as mães deles, aí são santas, pois pariram um ser tão iluminado). Mas também é repulsivo que sejamos colocadas num pedestal, porque esse pedestal tem preço. Pra ser santa, temos que ser mães ou virgens, e a gente deve poder se dar ao luxo de decidir não ser nem mãe nem virgem. E é facílimo cair desse pedestal. E quanto maior a altura, maior a queda.
Eu dispenso o pedestal. Dispenso estar sob constante avaliação. Eu quero que se espere um monte de realizações das meninas, não apenas que elas não se desgracem. Por sinal, essa desgraça não é minha, nem delas, nem nossa. É de quem insiste numa dicotomia estúpida, uma dicotomia que nunca teve razão de ser, mas que tem menos ainda no século 21.

59 comentários:

Larissa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Larissa disse...

Lendo o teu post de hoje, lembrei de um comentário da minha mãe na semana passada. Ela comentava comigo e com meu irmão, horrorizada, sobre uma declaração da Luana Piovani a um jornalista.
Teria a tal moça dito que milhares de homens já teriam 'brochado' com ela.
Eu não gosto da atriz, nem da pessoa, mas fiquei verdadeiramente irritada com o que minha mãe falou - "Como ela declara uma coisa dessas? Será que ela não imagina que pode ficar feio para ela? Será que ela falou mesmo isso e o jornalista deturpou tudo?".
Aquilo doeu em mim, porque via, dentro da minha própria casa, uma mulher condenando o modo de vida de outra, condenando a liberdade que a outra teve em se expressar sem se importar com o que os misóginos e as mulheres machistas pensariam.
A única coisa que eu perguntei à minha mãe foi - "E se essa história for mesmo verdade, o corpo não é dela, não é ela que paga as próprias contas? E mais, apesar de achar essa moça bem chatinha, o fato de ela ter ido para cama como vários homens diminui a dignidade dela?"
Tive o silêncio como resposta.
Ah, Lola... Essas coisas me deixam verdadeiramente indignadas.
Boa semana para você.

Masegui disse...

Texto belíssimo, Lolinha! Admirável! Espetacular! Extraordinário!, etc., etc....

aiaiai disse...

Muito oportuno esse post, Lola. Valeu.
Só para reforçar um ponto, vc fala em "ser mãe ou virgem" e eu fiquei pensando: melhor ainda se for as duas coisas, né? Mae e virgem, afinal só uma mulher mãe e virgem mereceu o respeito da santa igreja católica.

Mariana disse...

Lola, adorei esse post. Concordo com tudo que você colocou aí e queria inclusive contar algo que minha avó me contou: Quando ela era adolescente (tinha uns 17 anos), voltou pro colégio depois das férias e tinha uma colega encostada no muro com quem ninguém conversava, todo mundo olhava pra ela cochichando e rindo. Isso nos anos 50. Minha vó foi tentar descobrir o que era: A menina estava grávida. E todo mundo sabia quem era o pai, mas ninguém tava nem aí, tratavam o cara igual, já a guria foi excluída da sociedade e EXPULSA DA ESCOLA. Tudo bem que isso foi nos anos 50 mas...
Espero ansiosa pela sua resposta à minha pergunta no post anterior. Beijinhos.

cris disse...

quando leio essas coisas eu só consigo sentir raiva. fui criada numa família extremamente machista, mãe dizendo que 'pra homem não pega nada' e tive que fazer das tripas coração pra reverter o mal que essas palavras, marteladas à exaustão me causaram. hoje eu pago minhas contas, durmo com quem e com quantos quero e quero ver alguém vir botar o dedo no meu nariz. o problema é que eu tenho uma profissão 'respeitável', sou mãe e aí já viu. você tem que se fingir de santa, do contrário não sobrevive na selva. isso que aconteceu com essas meninas me revolta um monte e me dá uma sensação horrível de impotência. triste.

Alba Almeida disse...

Olá Lolíssima.

Como você torna tudo tão atrativo e que quanto maior o texto mais vontade se tem de ler.
A propósito, você assistiu o fantástico? (parece que houve um outro caso, em abril)
Beijos.

Andrea disse...

Lola, gostei muito desse post.

Eu sinceramente acho que o ser humano deve ser livre, tanto o homem como a mulher, pra transar com quantos quiserem. Seja 1, 2 ou 10, ao mesmo tempo. Mas a internet tá virando o dedo duro da cidade grande. Pior que vizinha fofoqueira.

E não sei vocês, mas as vezes tenho a impressão que os jovens estão mais preconceituosos hoje. Bem, os casos foram em uma faculdade né?

Mesmo nos tempos de pegar geral e ficar com 20 na noite. A diferença é que o beijo não é coletivo.

Mas eu acho que o problema continua sendo mesmo aquela velha vontade de acabar com a reputação da pessoa. Não vai com a cara e dai o que mais o povo gosta? O que mais pega nessa hora? Sexo. Afinal espalhar que a pessoa é uma grossa, mal-educada e insensível não dá ibope.

Não estou querendo dizer que é o caso dessa menina. Longe disso. O exemplo foi apenas porque não foi o caso aqui de alguem fazer um video enaltecendo as qualidades.

Isso me lembra aquele bando de jovens crentes que tocam violão na igreja. Quando você vai ver... vixi! Só insatisfação.

Bom feriado.

Má disse...

Oi Lolaa! Gostei deste post tb!!
Essa onda moralista direcionado especialmente p mulheres é triste mesmo.
O que dá p perceber, para além da barbárie ocorrida na Uniban são as reações igualmente moralistas.
Até os que condenam a inquisição ocorrida, partem de um julgamento totamenteequivocado: "qual era o comprimento da saia da menina?" "Não era tão curta assim!" "tem um monte de gente usando isso".
O que isso tem a ver com a violência que fizeram? Como o vestido da menina não era tãaoo curto assim foi exagero, mas e se fosse? E se ela fosse uma prostituta mesmo? Dai seria perdoável esta barbárie?
Me parece que o foco da discussão sempre vai p lado moralista mesmo.
Do qual desvia do problema que é o moralismo, o machismo a intolerância aceita pela violência em massa....
Me deixou extremamente triste isso.
Revela muita coisa esse episódio ao meu ver...

Abraços!!

Felipe Hautequestt disse...

Excelente post!
Lola, sabe o que eu queria que você comentasse? O que você pensa dessa tendência atual, inclusive dos próprios gays, de considerarem que parada gay não tem nenhum caráter político, que é só putaria ao ar livre.
Porque, assim, eu acho essa visão tão retrógrada e estranha, ainda mais vinda de nós gays... Parece até que parada gay só possui importância política se houver manifestantes revoltados, gritando palavras de ordem e levantando cartazes e bandeiras de protesto.
Se for "só" uma porção de gente feliz da vida, gays, heteros e todo mundo rindo, dançando, cantando, se beijando etc, oh! Não não não! Vejam só que péssima imagem estamos passando! Tsc tsc tsc! Isso não é luta contra o preconceito, é só putaria! etc etc.
Quer dizer, eu realmente não entendo essa postura. Acho tão fantástico ver os pais levando seus filhos a uma parada gay e todos se divertindo. Quem disse que luta por direitos precisa ser sempre uma coisa sisuda e mal-humorado?! Eu hein! Tô fora dessa!

PS. Falo isso porque ontem teve a parada aqui no Rio, né, lá em Copacabana, e eu li pelo menos umas 3 declarações no twitter de pessoas gays sendo desfavoráveis a ela.

Beijos!

clotilde zingali disse...

obrigada pela visita também! se eu souber de alguém eu te digo :)) um espaço muito bacana o seu :)) sobre meu nome...é italiano sim. emprestei do maridão :)) o meu mesmo é Andreotti. um beijo!

Renata disse...

Lola, eu não queria viver neste mundo cheio de machistas. mas eu gosto muito mais deste mundo porque tem você e o seu blog.

:)

November disse...

Post simplesmente genial.
Parabéns!

Bárbara Reis disse...

Tem uma frase que diz: 'Boas meninas vão para o céu, meninas más vão aonde quiserem...'

;]

Adoro essa frase... *-*

Não tenho cara de santa, tenho cara de 'séria', e também dispenso o pedestal. Sou livre, jovem, solteira... e fico com quantas pessoas eu quiser, do sexo que eu quiser, se eu quiser, e acho que ninguem paga as minhas contas para me cobrarem algo. Sou uma vaca por isso? Logo, acho que as pessoas deveriam fazer o mesmo.
Será que a vida deles é tão chata e monótona que eles precisam tanto cuidar da vida dos outros?
Há muitos anos atrás, eu parei pra pensar nos 'rótulos'... rotulamos e catalogamos tudo, fiz até um texto sobre, mas não lembro onde guardei. Temos necessidade de catalogar como 'normal' e 'anormal', e etc... como se fossemos vidros de compotas... bisexuais são muito julgados por não escolherem um lado... já dizia Renato Russo 'eu gosto de meninos e meninas, vai ver que é assim mesmo, e vai ser assim pra sempre'. Como você mesma disse, uma mulher não pode ser apenas 'uma mulher', sem ter de escolher entre ser santa e ser considerada uma 'vaca'... Até onde vai a nossa liberdade? Concordo com tudo o que você disse, Lolinha.

E detesto essa diferença gritante entre homens e mulheres. Mas que todos fingem que não estão vendo.

Eu acabei de assistir Hairspray, li sua critica, amei o filme.... e numa música um dos personagens diz 'negros e brancos são iguais'... homens e mulheres também, são feitos da mesma maneira... tudo farinha do mesmo saco, já diz o ditado. Outra frase do filme 'Por que não podemos ter a chance de vencer também?'

Beijo, beijo.

Caroll disse...

Perfeito....concordo plenamente!!!
Obrigada!

Laura disse...

uma coisa que eu queria pontuar é o discurso de que a pessoa é livre, pq ngm paga as suas contas - discurso presente aqui nos comments aqui do blog e tb nos comentários a favor da estudante da uniban. ora, a pessoa tem que ter o direito de ser livre mesmo diante de quem pague suas contas. é um argumento muito falho o do patrocínio, pq com ele vc perpetua, por exemplo, os preconceitos familiares. partindo desse argumento, vc acabaria legitimando o pai da estudante para estar no meio dos jovens, entoando o coro de `puta! puta!`, já que, segundo a menina, é o pai dela quem paga as suas contas.

beijo, lola!

Cátia disse...

Post genial! Obrigada, Lola!

Laura disse...

voltei pra deixar uma matéria da tpm.

http://revistatpm.uol.com.br/revista/74/reportagens/e-ai-gostosa.html

cris disse...

laura, eu não sei qual é a tua experiência familiar, mas na minha casa meu pai costumava dizer: enquanto comer do meu feijão, vai fazer o que *eu* acho certo. acho que na minha geração isso era muito comum, daí a gente enfatizar tanto o 'eu pago minhas contas e faço o que quiser'. claro que isso de pagar contas não deveria ser argumento pra ninguém humilhar e oprimir o outro [como, de resto, nenhum motivo deveria sê-lo], mas na prática a coisa é bem diferente. eu senti um sentimento misto de orgulho e libertação quando comecei a ganhar meu próprio dinheiro. bati cabeça, errei muitas vezes, acertei outras, mas ninguém podia me dizer o que fazer da minha vida. espero ter deixado claro meu ponto de vista. bjs!

aiaiai disse...

acho que a capacidade de se manter sem patrocínio é um fator de liberdade sim!
mesmo que eu considere horríveis as pessoas que subjulgam outras pelo poder da grana, tenho que dizer que também acho horrível quem não se banca e se deixa subjulgar.
Criança é criança, deve ser protegida e cuidada...mas adultos que buscam a liberdade deveriam também buscar a liberdade economica.
dai volto ao meu ponto favorito: as mulheres que hoje em dia acham que podem voltar para casa, para cuidar dos filhos e viver com a grana do marido...poder podem, mas não deviam.
Repito: a gente só deveria começar a pensar em algo assim, no dia em que for normal o homem ir cuidar dos filhos e a mulher ganhar a grana.
até lá, ainda temos muito a ralar para chegar em algo parecido com igualdade!

Bárbara Reis disse...

Concordo com a Cris, e com o 'aiaiai'...liberdade ecônomica é muito importante, sim. Até mesmo dentro de um casamento, acredito que cada um tem de ter o seu, conquistar o seu espaço, o respeito das suas escolhas... Claro, que... sendo dependente dos pais, também há como se ganhar liberdade, eu sempre fui livre dentro da minha 'prisão'... dentro dos meus limites. Sempre respeitei meus pais, e isso fez com que eles me respeitassem e confiassem em mim, logo mesmo quando eu dependia deles financeiramente, eu já era livre. A diferença está com o que fazer com essa 'liberdade'.

Se parar pra pensar... a 'liberdade' é uma ilusão. Sempre há algo que te limite.

Carla disse...

Ei, Lola. Acompanho seu blog "em segredo" e gosto muito do que vc escreve. Esse fato me surpreendeu tanto, tanto, que meu namorado anda dizendo: "mas vc não esquece a menina do vestido". Não esqueço pq isso fala de nós, não é algo isolado: fala de mim, dele, dos homens e das mulheres. Achei fantástico o post da Marjorie sobre isso em que ela coloca em questão o fato de chamarmos certas atitudes de "desumanas", como que nos isentando. Não estamos isentos e tudo isso é demasiadamente humano. Por isso é importante que nos questionemos constantemente. Enfim, gosto de seus questionamentos. E, aos poucos, começo a esquecer a "menina do vestido" - até o momento em que eu inventar de vestir algo curto e, quem sabe, me espantar com meu próprio pudor machista e desistir.

Carla disse...

Comentando o comentário do Felipe sobre a parada gay: concordo plenamente com vc. Essa ideia de revolução "carrancuda" é tão reacionária. A importância de algo não pode ser medida por um padrão de seriedade de atitudes e vestimentas que é, em verdade, um padrão burguês. É fantástico poder fazer revolução pelo riso, pela graça e pelo sexo. da mesma forma, riso, graça e sexo podem ser usados como instrumentos de dominação ou manutenção do status quo: as figuras da mulher sensual ou do gay em muitos programas de comédia mostram isso... As práticas não tem valor em si, é preciso perceber o contexto. A própria seriedade pode ser, em determinadas situações, falsa, danosa, moralista.

Rosa Lopes disse...

Lola, eu não pude ler todos os comentários, dei uma vista rasa e talvez alguém já tenha feito o mesmo questionamento ou respondido, mas lá vai: O que se faz quando essa dicotomia é estimulada pelas mulheres?
Eu até aceito um homem machista, mas uma mulher...

essas pessoas me inibem, que vergonha!!
Abraço a todos

Somnia Carvalho disse...

Lolíssima!

1o. alguem te chamava assim antes de mim? oyoyoy... eu achava que tinha sido a primeira porque chamo muita gente assim, mas vi uma leitora te chamando ai embaixo do mesmo jeito e enciumei! rs...

2o. simmm! sempre penso nessa linha estreitissima em ser santa e puta... pra falar verdade eu acho horrivel e tambem acho muito lindo de pensar que quase toda mulher tem essas duas faces... embora a gente sempre opte por mostrar mais uma delas... a que e melhor aceita, claro!

3o. eu mandei no seu email uma sugestao (sugesao mesmo... prepare se para odiar) de selinho ok? para o concurso...

fiz minha parte, se todo mundo fizer a sua... bla bla bla.. hahaha to brincando.. vou fazer outras tentativas caso essa ja nao passe no concurso de selinhos .. hihi

lola aronovich disse...

Larissa, não entendi o espanto da sua mãe com a declaração da Luana. Quer dizer, “milhares de homens” é figura de linguagem! Mas não ficou claro: sua mãe ficou indignada porque a Luana deu a entender que transou com montes de homens ou porque montes de homens brocham, mesmo com uma beldade como ela? Porque impotência masculina é meio tabu. Só os homens podem falar disso, e geralmente rindo dos outros...


Obrigada, Mario! Sabe que o CM tá em Vitória, jogando um torneio lá? Volta amanhã.

lola aronovich disse...

Aiaiai, tem razão, o certo seria ser mãe E virgem, o que é meio difícil. Eu tô relendo O Bebê de Rosemary pra poder escrever sobre livro e filme (adoro os dois), e é muito legal como quando uma mulher humana tem filho com o demo, a relação é carnal. Esse negócio de virgindade é coisa de deus...


Mariana, é, eu fico impressionada com essas coisas. Nos anos 50 eu entendo, mas o gritante é como tão pouca coisa mudou. Tem “double standard” direto pra sexualidade. O homem se safa com qualquer coisa, enquanto a mulher... Ah, vou responder a sua pergunta. A resposta tá ficando quilométrica, pra variar.

lola aronovich disse...

Cris, é muito difícil “apagar” a nossa criação. Não dá pra esquecer, só pra relevar. Mas o bom é que vc certamente não educa o seu filho da mesma forma que vc foi educada. E seu filho provavelmente vai seguir o seu exemplo quanto “constituir família” (ô termo horrível). Assim há uma ruptura.


Albinha, isso, incentiva mesmo pra que meus textos fiquem cada vez mais longos... Eles deram uma aumentada considerável de tamanho no último mês, não deram? Que absurdo!

lola aronovich disse...

Andrea, é verdade, a internet traz inúmeras vantagens, mas pra destruir reputações, hoje em dia, nada deve ser mais rápido e eficaz. E isso é péssimo. O problema é que a gente ainda tá na fase em que, pra se destruir a reputação de uma mulher, é preciso atacá-la no que se refere à sexualidade. Com homem não é assim, a menos que alguém espalhe que não sei quem é gay. Mas pra mulher, é só chamar de puta. Eu me revolto contra esse padrão desde a minha adolescência. Pô, mais de um quarto de século e tão pouco mudou?


Má, exato: quem dá a mínima pro comprimento da saia da menina? Se fosse um tiquinho mais curta justitificaria o linchamento? Eu lembro sempre de uma cena do Boogie Nights, um ótimo filme que conta um pouco da história da pornografia nos anos 70. Vc viu? Tem a personagem da Heather Graham, que faz uma atriz pornô que sempre faz suas cenas usando patins. E ela frequenta a universidade, e tem um colega que a reconhece, e passa a assediá-la, a humilhá-la. Enfim, não sei porquê, mas essa cena ficou comigo desde o primeiro post que li sobre o caso Uniban. Porque é aquele negócio: e se a Greisy fosse mesmo uma prostituta? O que isso tem a ver com qualquer coisa? Uma prostituta não tem o direito de estudar, de conversar, de viver? Toda mulher tem que ser aprovada pela TFP (Tradição, Família e Propriedade) pra poder cursar uma faculdade?

lola aronovich disse...

Felipe, ih, essa sua pergunta também exige uma resposta longa. Vou inclui-la na minha seção de “perguntas e respostas”, ok? Prometo!


Clotilde, ah, Clotilde Zingali fica mais sonoro e poético que Clotilde Andreoti. Mas os dois são bonitos! Legal, se souber de alguém pra comprar minha casa, avise, por favor!

lola aronovich disse...

Renata, ah, vc é muito fofa... Vc sabe que eu adoro o seu blog também. O seu senso de humor é bárbaro. Don't change, tá?


Obrigada, November!

lola aronovich disse...

Barbara, é, eu gosto dessa frase também das “good girls”. Tem uma coisa que vc diz que realmente não dá pra passar batida: só pessoas com vida muito chata e monótona pra se ocuparem tanto assim da vida dos outros, né? Tem essa expressão em inglês que se popularizou muito nos últimos tempos, “get a life”. Porque tudo indica que se vc tiver uma vida legal, não vai gastar seu tempo bisbilhotando a vida alheia. E esse tipo de comportamento a gente vê demais em cidades pequenas. Mas, pô, São Bernardo do Campo é a 20a maior cidade do país! Qual a desculpa?
Acho que a nossa liberdade aumenta muito com a idade. É duro ser livre quando se mora com os pais, quando se tem que seguir regras muito rígidas numa escola e faculdade. Não tem jeito, nossa liberdade realmente está ligada à liberdade financeira.


Caroll, obrigada!

lola aronovich disse...

Laura, concordo. Acho que devo fazer uma mini-careta involuntária quando leio isso de “pago minhas contas e não devo nada a ninguém”. Por mais que eu entenda perfeitamente o que as pessoas que usam esse argumento querem dizer, acho que ele deve ser abolido. Porque realmente passa a ideia de que quem não paga as contas não merece ser tratada com dignidade e respeito. E sim, como ainda é muito o homem que, como pai e marido, “paga as contas”, essa é uma visão patriarcal. Obrigada por apontar isso. E obrigada pela matéria da TPM, bastante boa (podia se aprofundar um pouco mais). Adorei as fotos da matéria!


Cátia, obrigada!

lola aronovich disse...

Aiaiai, querida, vc tá muito radical! (acho o máximo EU falar isso pra alguém). Eu não condeno as mulheres que queiram abrir mão da carreira pra cuidar dos filhos. Mas é um acordo que traz muitos riscos. Casamento é um contrato comercial, não tem jeito. Tem o amor, o carinho, o sexo, o companheirismo etc, mas o lado comercial realmente deve ser muito bem discutido. E, se nesse contrato comercial, o casal concorda que é melhor que a mulher fique em casa pra cuidar dos filhos, ela não pode sair perdendo. Tem que estar amparada financeiramente. Lógico que eu gostaria de viver num mundo em que essa discussão fosse aberta, que o casal pensasse “Hum, quem vai ficar em casa e por quanto tempo? A mulher ou o homem?”. A gente tá muito longe disso ainda. E muita mulher sai perdendo...


Cris, pois é, mas é um argumento falho. Felizmente eu nunca tive que ouvir uma frase assim do meu pai! Porque é super autoritária, né? O que o pai acha certo pode muito bem ser completamente errado. Ou pode no mínimo estar aberto à discussão, independente de quem seja o provedor de feijão na casa. Mas, claro, que essa dominação patriarcal passa pelo ecônomico. E por isso dá um gostinho ótimo a gente ganhar o nosso próprio dinheiro. Um gostinho de liberdade mesmo. Acho que esse gostinho todo mundo sente quando começa a trabalhar (independente do gênero).

lola aronovich disse...

Barbara, pois é, mas se o casal optou por só o homem trabalhar, e a mulher cuidar dos filhos, há o estabelecimento de uma dependência econômica. Como quando a gente vive com os pais sem trabalhar. E, querendo ou não, isso influi no tratamento. Mas sim, mesmo a liberdade de quem “paga as contas” é relativa. Eu não tô falando coisa com coisa, tô?


Ah é, Carla? Que interessante! Agora o caso da Uniban vai ser usado como “cautionary tale” dos namorados pras namoradas! “Vc vai sair assim?! Não se esqueça o que aconteceu com a menina do vestido!”. No fundo, é uma droga como sempre precisamos pensar nas nossas roupas. Os homens só pegam a primeira coisa limpa no guarda-roupa. Mas a gente... Não pode ser muito curto porque a gente vai andar numa rua com pouca gente à noite. Mas também se for muito longo eu vou estar vestida de freira numa balada. Muito complicado. (por isso que eu me sinto bastante livre de me vestir sempre meio igual).
Obrigada pela resposta ao Felipe. Concordo contigo, mas preciso responder com mais espaço.

lola aronovich disse...

É uma droga mesmo, Rosa, que essa dicotomia seja estimulada também pelas mulheres. Não tem jeito não, existem tantas mulheres quanto homens machistas no mundo, porque somos “educados” pra ser assim. Tem que mudar o sistema todo. E, ao mesmo tempo, muito da mudança tem que ser individual, um por um. A gente tem que questionar sempre, fazer as pessoas pensarem, incomodar mesmo.


Somnia, não sei quem começou a me chamar de Lolíssima. Deve ter sido vc, aí a Albinha gostou, passou a usar também... E fica todo mundo escrevendo não sem quantas letras, e com acento, ainda por cima, quando um simples “Lolinha” é muito mais fácil. Ha, agora que eu vi que vc mudou sua fotinho! Vc tá posando de pantera de galochas? Muito sexy!
Sobre as nossas “duas faces”, aí é que tá: é muito maniqueísmo pensar dessa forma, como se tívessemos que escolher, como se só tívessemos essas duas faces, e ambas relacionadas a nossa sexualidade. Porque tudo parte daquela ideia de que um homem é mil coisas, um ser humano completo, enquanto a gente é... uma vagina. Pô, com todo respeito a minha vagina, eu sou muito mais que uma parte do meu corpo! (e é esquisito, porque homem é falocêntrico, e muitos agem como se o pênis fosse o centro do universo. Mas de uma forma positiva...).
Vc mandou o selinho? Iuupiii! Vou lá ver, obrigada!

Carla disse...

hahaha. Não, Lola, acho que expliquei errado. É que eu andei comentando com ele o quanto me irritou essa história da menina, e ele meio que não achou nada demais. Então ele diz, meio que espantado: "mas, Carla, vc não esquece isso, pq esse assutno é tão importante para vc?". E isso me fez pensar no porque de isso ser tão importante, o que me leva a pensar que é pq isso fala de preconceitos dos quais ainda não conseguimos nos livrar. tenho conversado muito com ele sobre esses assuntos, sobre como a mulher aparece na mídia, sobre propagandas (ele é publicitário). debatemos muito e é bom, mas realmente há assuntos e situações que me tocam mais do que a ele. ele vem com um "ah, mas não é pra tanto, esquece isso...".

Bárbara Reis disse...

Ta falando coisa com coisa sim. HAHAHA... Acho que liberdade é meio ilusório... não somos livres, mesmo depois da tão sonhada libertação do 'ninho'... é só olhar à nossa volta pra ver que somos controlados por um sistema... que é controlado por politicos... que são controlados pelos jogos de poder e de interesse... etc...etc...etc...

...

Lolinha, quando eu disse que eu te achei parecida com a Kathy Bates, foi por causa dos olhos e alguns traços do rosto, nada a ver com o personagem. HAHAHA... e sim, eu notei que ela também chamava Dolores, e ai eu achei muito mais parecida. HAHAHA...


Beijo

lola aronovich disse...

Queridas, só queria explicar uma partezinha do meu post que acho que ficou dúbia e pode dar margem a interpretações moralistas. É quando eu digo que não tem muita importância se as fotos de Francine transando com dois homens são ou não montagem, que faz diferença pra consciência dela e da mãe, mas não em relação à reação do pessoal de fora. E acho que essa palavra, “consciência”, é meio estranha. Porque dá a impressão que transar com dois homens seja um peso na consciência, e não é. O que quero dizer é que, independente do ato, é muito ruim a gente ser acusada de alguma coisa que não fez. Por isso que, nesse caso específico, é importante pra Francine e sua mãe (que é hiper conservadora) que seja montagem. Elas não entram na discussão do “e daí se Francine transou com dois caras?”. E elas são moralistas, provavelmente condenariam uma mulher que fizesse isso. Ao mesmo tempo, é direito de uma mulher NÃO transar com dois homens, nem achar nada de excitante em transar com dois. O que não é direito de ninguém é condenar alguém por isso. Não sei se me compliquei ainda mais...

Laura disse...

hey, meninas!

tb ouvi as mesmas coisas em casa. e concordo com vcs que liberdade econômica é importante, óbvio, vivemos num capitalismo, assegurado até pela constituição. a partir da liberdade econômica, se consegue outras, não há dúvida. não é isso que está em questão. se vcs observarem, o meu ponto não destoa do de vcs, nao está do lado oposto. o que eu chamei atenção é que esse argumento nao deveria condicionar a liberdade e a dignidade humanas.

lola, deixei link da tpm principalmente pelas fotos!

Larissa disse...

Ah, Lola... A indignação foi pelo fato de, supostamente, a Luana ter admitido que já dormiu com muitos homens. rs
Ou seja, minha mãe ficou chocada porque "moça de respeito" não por aí fazendo sexo com vários homens diferentes. Tem de se guardar para um só - o marido.

Ariadne Helena disse...

Oi!

Encontrei seu blog por acaso e fuçando nas matérias descobri-me fã de suas opiniões. Estou adentrando o seu mundo, Lola, e estou me questionando sobre assuntos que, naturalmente, ficam adormecidos em nosso cérebro graças à sociedade cotidiana.

Para ser sincera, não tenho uma opinião correta sobre seu post. Sempre fui, por vontade própria, alguém que se dava ao respeito, então é difícil exprimir uma opinião sincera sobre o tema. Mas ainda assim, não deixo de admirar o brilhantismo de seu post e suas opiniões que tem tudo para mudar o mundo!

Bjoks!
Até +! ^^

Anônimo disse...

Este caso da aluna da Uniban me fez lembrar de uma outra história, a de um trabalhador humilde do PR q teve sua audiência cancelada pelo juiz pelo fato de estar usando chinelos no tribunal... Uma estupidez tremenda, obviamente.

Claro q os casos são bem diferentes. Mas ambos demonstram o peso q a aparência tem na sociedade. É o julgar (e condenar!) pelo q se veste, pelo q se aparenta ser, é julgar o q se aparenta fazer. E por mais deceptivo q este critério seja, a impressão q tenho é q a coisa toda está indo cada vez mais por aí mesmo... Quem não se enquadra nos "padrões", quem não finge ser o q se espera ou, pior, quem não tem como se encaixar no "socialmente aceitável", resta encarar a turba enlouquecida ou o desprezo do juiz pelos seus pés descalsos no tribunal. Ai de nós.

Parabéns pelo post. Uma pena q pouquíssimos homens tenham se manifestado.

abs
Renata

Cris Prates disse...

Estava na sala de espera do consultório do médico de Danton quando comecei a ler uma revista "Capricho". Deu-me tristeza de lembrar como é difícil ser adolescente e ainda por cima menina. Havia uma sessão em que as meninas postavam seus problemas buscando uma solução, mas estava "repaginado". Fizeram como um diálogo entre as meninas. A dúvida era fazer tudo o que o namorado pedia...A menina sentia-se desconfortável em fazer sexo oral, mas não sabia se dizia NÂO ou SIM ao namorado. Se dissesse sim ele poderia pensar que ela era fácil ou muito experiente, ou ainda se sentisse livre para pedir outras coisas. E se ela dissesse não, ele poderia ficar com raiva e não só terminar com ela como sair espalhando que eles transavam...
Que horror!
E o pior é pensar que isso está longe de ser um problema adolescente...

Michelle disse...

preguiça de ler tds os comentários, mas oq eu vejo e muito, infelizmente, é q as próprias mulheres criam e educam homens pra pensarem assim, pq elas próprias pensam q existe mulher pra casar e mulher pra zuar! qnas vezes já vi mães ensinando os filhos q mulher gosta é de pênis, q eles têm q namorar várias, e por aí vai, um absurdo... acho q tem q partir da mãe, em primeiro lugar, mudar essa visão ultrapassada e ridícula da sociedade sobre as mulheres, ou ela depois q teve um menino se transformou em um ser assexuado e acéfalo? eu tô pra parir um menino e com certeza vou fazer oq estiver ao meu alcance pra q ele pense diferente do q a maioria e trate as mulheres pelo menos com um mínimo de respeito e sem pré-julgamentos, afinal, todo homem nasceu de uma MULHER!

Rita disse...

Oi, Lola

Post excelente, parabéns. Também fui criada em família moralista e cheia de regras e tabus do tipo "menina não pode". Para mim, o grande desafio é criar meu casal de filhos de forma diferente, passando-lhes noções de igualdade e respeito às diversidades. É um exercício diário, contra a corrente da nossa sociedade... mas sou uma otimista. E conto com a parceria fundamental de meu marido que segue firme comigo no propósito de dar a um filho as mesmas liberdades e responsabilidades que damos ao outro. Quem viver, verá.

Abçs,
Rita

Bárbara Araújo Machado. disse...

Oi, Lola! Tem um tempão que eu não comento aqui, mas é porque estou sempre lendo com pressa, nessa vida corrida... Acho que esse foi um dos seus melhores posts dos últimos tempos. Eu tenho pensando muito sobre essa dicotomia, porque é o assunto da minha monografia. É essencial a gente explicitar o quão besta é essa exigência de rotular o perfil da mulher como uma coisa ou outra, meio como um selo de controle de qualidade, que revela se o produto tá perfeitinho pra ficar conservado na prateleira ou se estragou de vez e tem mais é que ser jogado fora. Muito bom, Lola. Esse é o melhor blog do mundo! Hahaha Beijos!

lola aronovich disse...

Ariadne, seja benvinda ao “meu mundo”, como vc disse! Espero que vc explore mais o meu blog, participe nos comentários, e não fique de mal se alguma opinião minha não bater com a sua ou com a de outras leitoras. Porque é impossível concordar em 100%! Abração, apareça sempre!



Renata, eu não consigo entender esse negócio de roupa. Não pode entrar sem gravata, com chinelo, com bermuda...Não ligo a mínima pra roupa. Ouviu que no Supremo uma mulher só pôde entrar usando calça faz pouquíssimos anos? Era proibido. Só saia!

lola aronovich disse...

Putz, Cris, imagino que o único propósito de uma Capricho, além de vender, seja criar leitoras para as Novas e Claudias da vida... Faz muito tempo que não leio essas revistas, mas elas reproduzem demais o status quo. O objetivo não é fazer pensar.


Michelle, realmente, temos que criar nossos filhos de maneira diferente, pra romper um ciclo que está aí. Boa sorte com seu menino, não é fácil mesmo, mas confio em vc!

lola aronovich disse...

Rita, casal de filhos pra criar? Deve ser dureza. Mas que bom que vc e seu marido estão juntos nos mesmos propósitos. Espero que consigam criar pessoas boas e sem preconceitos!


Barbara, faz um tempão mesmo que vc não aparece aqui! Ô, se o tema da sua monografia é sobre a dicotomia, bem que vc podia explorar mais o assunto. Escreve um guest post pra mim sobre isso, vai! Please, please, please! O meu conhecimento disso é puramente superficial. Gostaria muito que vc aprofundasse o tema...

Marussia de Andrade Guedes disse...

Lola, concordo com você em tudo, mas acho que não devemos nos colocar sempre como vítimas. Aqui, em Fortaleza, circularam umas fotos da prefeita fazendo sexo oral. Não sabemos se era ela ou não. Parece bastante. Fiquei sabendo que ela colocou a polícia federal para investigar o caso. E eu pergunto: para que tanto? Se fosse verdade eu diria: fui eu sim, faço sexo oral sim, quem não faz? Achei que fazia algo privado, mas não se pode contar com o bom caráter de todos. Se não fosse verdade eu diria: não fui eu, quem quiser acreditar acredite, para mim não faz diferença. Só ia ficar torcendo para ter saido bem nas imagens. É lógico que, como candidata a cargo público, ela pagaria um preço por esta postura. Mas tem de haver as heroínas. A liberdade, para muitas mulheres, custará caro. Mas vale pagar o preço. Acho que as mulheres aceitam os rótulos. Como você mesma disse, elas mesmas fazem questão de serem guardiãs da moral e dos bons costumes. Temos que, nós mesmas, conquistar nossa liberdade e não esperar por concessões do sexo masculino.
Somos putas? Então só tem putas aqui! E ai? Vai escolher quem?
Vai chegar o dia em que eles não terão opção. Mas depende de nós!
http://www.marussiaguedes.blogspot.com/

Carla disse...

http://www.corporativismofeminino.com/2009/05/campanha-nao-finja-orgasmo.html

Danielle disse...

Boa noite, Lola! Primeira vez aqui e adorei o conteúdo do blog. Recomendaram-me que lesse esse seu texto sobre o acontecido na Uniban e nele você consegue traduzir a perplexidade de muitas de nós. Um evento lastimável, mas infelizmente mas comum do que a maioria gostaria.
Também li os textos sobre o seu quase-linchamento na época do curso de pedagogia e são ótimos. Além de senso de humor, falta bom-senso a muita gente.

Um abraço,
Danielle

Giovanni Gouveia disse...

Engraçado, qudno eu entrei na universidade descobri um mundo de liberdades, pra homens e mulheres (ou garotos e garotas), tempo em que pessoas pensavam e discutiam idéias, ciência, filosofia, arte, educação...
Discutíamos como superar as desigualdades, os preconceitos, os atrasos sociais. Discutíamos feminismo, socialismo, aborto, ditadura, política...
Sexualidade era algo parecido com beber água, ninguém vive dizendo "eita velho, hoje foi massa, bebi três litros dágua", como também não dizia "fulaninh@ é um@ put@, vive trepando"...
QUIÉUQETÁACONTECENDO?
Ao mesmo tempo que as pessoas estão descobrindo o sexo mais cedo, estão negando esse mesmo sexo, apenas como coisa proibida, suja, indigna, mas também são sujeitos dessa coisa proibida, suja indigna...
Isso é mais doido que Aufhebung hegeliana

Marussia de Andrade Guedes disse...

Lola, pode responder como quiser. Adorarei conhecer você.

Bárbara Araújo Machado. disse...

Poxa, Lola, ainda estou muito no começo da estrada! Mas prometo que, quando tiver um material bacana, faço sim! =)

Bárbara disse...

Cris Prates, eu também já li várias dessas revistas Capricho e não gostei nem um pouco do material. Ela é tão superficial e fútil...

iaiá disse...

a sociedade ainda vai demorar um bocado de tempo pra sair desse atoleiro sexista, para não usar a palavra machista. tantos anos e o preconceito esta aí, velado.
pior é ver que apesar de tudo feito por tantas mulheres maravilhosas, tem gente que parece estar andando para trás, é que vejo quando uma mulher chama outra de puta só porque o vestido é justo e saia é curta...

Meg disse...

Más notícias, Lola. A Geyse foi EXPULSA da UNIBAN. http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,uniban-expulsa-aluna-assediada-por-usar-vestido-curto-em-aula,462814,0.htm
Isso só carimba o sexismo nojento que as pessoas têm e a mania de julgar a todo mundo. Eu sinto o mesmo que você mas não sei me expressar direito. Como você comentaria a expulsão? Acho que vais acabar postando de novo no blog sobre o caso UNIBAN. Continuamos na luta...