terça-feira, 8 de junho de 2010

LEITOR REVOLTADO COM O CRISTIANISMO

Um leitor, o Tadeu, que parece jovem (a julgar pelo tom), me mandou um email:

Oi Lola, gostaria de expor os meus pontos de vista sobre deus e religião. Como posso acreditar em deus se o que se conta na bíblia é uma história totalmente sem sentido? Primeiro ele criou Adão e Eva, e antes disso o mundo e os anjos, e um desses anjos se tornou o diabo, segundo a bíblia. Aí deus diz pra Adão e Eva, não deves comer da árvore que está no meio do jardim, que é a árvore do conhecimento do que é bom e do que é ruim, que se comer da árvore positivamente morrereis. Aí vem o anjo que ele mesmo criou, que vivia no céu, e diz: pode comer, que no dia que comeres da árvore serás igual a deus, saberás o que é certo e o que é errado. Se deus sabe de todas as coisas, segundo a própria bíblia, por que não impediu o diabo de enganar Adão e Eva? Já que o diabo é criatura espiritual e tem muito poder, como dois humanos sem experiência e sozinhos poderiam ir contra uma criatura tão poderosa como o diabo? Agora a humanidade padece e o diabo continua aprontando sem ser incomodado, e querem que eu acredite que existe um deus todo poderoso capaz de fazer qualquer tipo de milagre? E ainda pra acabar vem a história do dilúvio, a destruição de Sodoma e Gomorra, e a história de cristo que veio, morreu e foi ressuscitado e fez vários milagres; é muito pra mim. Olha o sofrimento da humanidade, que sofre desde que o mundo é mundo, sendo que foi deus que iniciou tudo isso. E os milagres, você conhece algum amputado que voltou a ter seu órgão de volta? Algum cego de nascença que voltou a enxergar? E quando acontece uma tragédia e alguns se salvam se diz graças a deus, e quando morre todo mundo aí dizem que é porque já estava na hora. Francamente não sei como tem gente que gosta de se iludir, mas cada um é responsável por si mesmo, acredita no que quer acreditar. Dizem que deus é um deus de amor; como pode ter matado tanta gente só porque não quiseram fazer sua vontade, e vai matar muito mais, segundo a bíblia. Que amor é esse? Eu prefiro acreditar que não existe deus do que aceitar que existe um deus que diz dar o livre arbítrio e te mata se você não fizer a vontade dele. Sou ateu e vou morrer ateu, pelo menos tenho a consciência tranquila.

Ele não faz pergunta nenhuma, apenas desabafa. Acho que eu já estive aí no seu lugar, Tadeu, nisso de perguntar que deus é esse, como é que pode, como é que tanta gente acredita? Como já disse, aos 13 anos eu era tão católica que queria ser freira. Mas mesmo a minha alta religiosidade entrava em conflito com o meu feminismo, e também com o meu esquerdismo. Pro segundo caso ainda havia uma corrente (hoje bastante sepultada) que pregava a mudança, e o não-conformismo, a Teologia da Libertação. Mas, no caso do feminismo, eu achava realmente impossível querer direitos iguais para as mulheres e, ao mesmo tempo, chamar deus de pai, ver que só homem podia ser papa, que só padre podia rezar missa, que o senhor que é meu pastor de barba branca havia criado o homem a sua imagem e semelhança, e depois uma mulher pra lhe fazer companhia, assim, como um afterthought. Sinceramente, acho que todas as religiões que conheço colocam as mulheres em segundo plano. E mais: ajudam a manter a mulher no seu lugar. Então faz tempo que parei de acreditar.
E sinto-me muito livre hoje por não ter religião. Creio que a religião pode ser relaxante pra muita gente, porque fornece respostas a todos os enigmas. Eu apenas parei de me preocupar por não ter respostas as minhas perguntas. Não me importo mais em ter dúvidas. Só não quero essas respostas pré-fabricadas.

39 comentários:

Priscila disse...

Legal tocar no assunto... ontem mesmo li um artigo muito interessante: "A mulher e o monoteísmo". Analisa as três principais religiões no mundo, sob a perspectiva da mulher. Uma ótima fonte de pesquisa..

Beijo!!!

ah.. o link para o artigo:

http://www.pulsional.com.br/rev/178/2.pdf

Luma Perrete disse...

Eu acredito em Deus, mas não acredito na religião como uma instituição. Já frequentei igreja (evangélica, Assembléia de Deus) por causa da minha avó. Eu não gostava que ela fosse sozinha (principalmente à noite), então ia com ela, mas eu gostava de ir mais pra cantar. Mas de certa forma isso serviu pra que eu criasse uma certa aversão a ir para a igreja. O que eu via é que a maioria das pessoas está mais interessada na vida dos outros, em julgar os outros e em disseminar preconceitos e intolerância do que realmente ir para a igreja para servir a Deus ou o que for.

Também tenho dificuldade em aceitar a Bíblia como um livro sagrado. Acredito que ela nada mais é do que um apanhado de relatos históricos e de lendas editado por pessoas para servir a interesses próprios.

Quanto a religiões que não excluem as mulheres, acho que a única que vi foi a Wicca. Nela as mulheres são o centro da religião.

Bruno Stern disse...

Eu tive essa revolta com o cristianismo quando tinha uns 5 anos. Comparava acreditar em Deus a algo como acreditar em Papai Noel ou coelhinho da Páscoa.

Depois fiquei um pouco mais tolerante com as religiões (mas não com os religiosos).

Quando, por algum motivo social, preciso ir a uma Igreja Católica vejo um ritual medieval frequentado quase que inteiramente por pessoas hipócritas (que nome podemos dar a quem nunca frequenta a Igreja, "mora junto" e resolve que precisa da benção de um padre para se casar?).

Mas eu respeito bastante as pessoas que se identificam com uma crença e vivem de forma coerente ao que acreditam(por mais que a crença me pareça estúpida). Entendo que para essa pessoa a religião acaba dando a tranquilidade que ela precisa para viver.

L. Archilla disse...

nossa, isso é tão complexo... pra começar, vc pode interpretar a Bíblia de infinitas maneiras, aliás, vc pode interpretar cada uma das estórias dentro da Bíblia de infinitas maneiras. vc pode ver como vários contos contraditórios e surreais, como pode ver metáforas geniais, depende da interpretação. é como mitologia grega... vc pode ver o sentido da vida ali, ou pode falar: "ah, tá, q o cara fez um par de asas de cera, colou umas penas e saiu voando..."

quanto a ter gente medíocre dentro das igrejas, putz, me fala qual instituição não é constituída majoritariamente de gente medíocre. sério, nem os partidos de esquerda se salvam, e olha que eu sou PT desde criancinha. a humanidade é medíocre - e não vai ser uma religião (ou a falta dela)que vai mudar isso. seria muito legal se a maioria das pessoas de tal igreja (ou partido, ou grupo) fossem libertárias, abertas, grandes, mas, convenhamos... isso está longe de acontecer.

sei que não foi essa sua intenção, Lola, nem me pareceu a do leitor que te escreveu, mas acho um saco essa postura arrogante dos ateus, como se as pessoas-que-crêem-em-coisas, como diz o Alex Castro, fossem seres inferiores. óbvio, desde que isso não interfira em questões políticas e sociais. religião é uma coisa tão, mas TÃO particular, que chega a ser meio babaca ficar discutindo se é legal ser religioso ou não. é como discutir se amarelo é mais bonito que vermelho. pronto, falei.

aiaiai disse...

Não posso falar pelo alex, mas já do meu ponto de vista "as pessoas que acreditam em coisas" não são inferiores aos ateus...são pessoas que acreditam em coisas que eu, ateia, não acredito.
O problema começa quando "as pessoas que acreditam em coisas" começam a querer que eu acredite também ou - ainda pior - começam a debojar da minha descrença. Acontece muito. Outro dia mesmo uma dessas pessoas falou para mim: eu acho que ateus são as pessoas que mais acreditam em deus...eles acreditam tanto que acabam por querer afirmar que não acreditam.
Nesse ponto, eu dei uma gargalhada e disse que não discutia mais, pq é impossível discutir com gente idiota. Aí o cara disse: tá vendo, já tá me chamando de inferior, só pq não sou ateu...
dá para aguentar? kkkkkkkkkkk, so rindo!

Aproveito para indicar o livro do alex castro que tem esse conto sobre pessoas que acreditam em coisas...é baratinho e super bacana:

http://www.interney.net/blogs/lll/2010/06/05/o_que_voce_gosta_de_ouvir_me_perguntou_u/

L. Archilla disse...

exato, aiaiai. é um saco o crente querer converter o ateu, assim como o olhar de desprezo do ateu pro crente... enfim... é isso aí.

Luz! disse...

eu respeito bastante as religiões. se analisarmos a história da humanidade, veremos que sempre foi um fator cultural indissociável da sociedade.
eu já tive minha fase de me declarar atéia, mas hoje estou meio num "limbo". se penso racionalmente (já que estou habituada a uma visão mais materialista do mundo), costumo pender mais pro lado da descrença. no entanto, é inegável - PARA MIM - a manifestação de fatores que parecem estar um tanto fora do alcance, e um tanto fora de qq explicação racional.
eu, por exemplo, sou pesquisadora na área do candomblé. e tenho tido contato, pelo menos de ouvir falar, com fenômenos assim.
respeito a necessidade humana de se apegar a algo, de encontrar esteio em alguma coisa que lhe pareça superior, e não sei se ainda descobrirei dentro de mim alguma fé mais bem delimitada, ou se vou acabar mesmo retomando o caminho do ceticismo.
já sobre determinadas práticas de certas instituições religiosas, não posso dizer que devo lá muito respeito. a igreja está cercada de intolerância, preconceito, retrocesso e ignorância, e no que couber a mim combater esses valores, vou fazê-lo. é inadmissível o machismo, é inadmissível a homofobia, a perseguição contra as religiões de matriz africana (a que chamam de demoníacas) etc etc.
sou simpatizante do candomblé justamente por não se tratar de uma religião de caráter proselitista, que fica por aí importunando os outros e desrespeitando as demais crenças com a desculpa de que tem que engrossar o seu rebanho...
sobre a questão do machismo, mesmo o candomblé chamando a atenção pelo papel de destaque das lideranças, das ialorixás (a antropóloga norte-americana Ruth Landes, por exemplo, escreveu o livro Cidade das Mulheres, sustentando a tese de que trata-se de uma religião assentada sobre bases matriarcais e matrilineares), às vezes também noto uns pontos que me parecem subestimação, principalmente nos mitos que envolvem a relação entre os orixás. mas, ainda assim, não é das piores, já que a relação entre os sexos tem um caráter muito mais forte de complementariedade do que de supremacia.

Roberta disse...

Lola,compartilho da sua linha de pensamento e a do Tadeu :)
Tbm sou atéia e vou morrer atéia.

cronicasurbanas disse...

E aí eu me lembrei dessa aqui
abraços
Mônica

ana isabel disse...

Bem, eu não gosto de me meter em polemicas, mas não poderia deixar de comentar.
Para mim, a religão é uma coisa que eu "sinto". È maior que uma Igreja. Já me decepcionei muito com pessoas dentro da Igreja (até mesmo padres e freiras). Não gosto de alguns coisas que dizem como que a mulher e especialmente a mãe não deve trabalhar fora. Mas isso não abala a minha fé.
A fé não me dá todas as respostas. Certa vez fiquei braba com um ateu que me viu chorando a morte de uma amiga que dizia coisas como "Para você é facil, você tem sua fé, voce acredita que vai encontrar ela um dia." Como se eu não pudesse ficar triste por ter fé.
Podia comentar outras coisas, mas vamos ver como segue o debate.

Guilherme disse...

Para mim a religião é algo que muitas pessoas buscam por não acreditarem (ou não querer acreditar) na sua realidade, especialmente quando esta não é das melhores.
Historicamente vemos que a imagem de um ser superior (no caso, Deus) era utilizada por reis e governantes para que o povo os temesse e respeitasse, na minha visão foi aí que surgiram as religiões. Até hoje vemos muitos religiosos dizendo que devemos "temer Deus", que não devemos pecar para não presenciar a "fúria de Deus". Oras, é um ser tão maravilhoso e perfeito, tão amoroso, e eu devo mesmo é ter medo?
Deus também é tão humilde que todos devem amar a ele sob todas as outras coisas?
Sobre os fatos inexplicáveis que ocorrem no mundo, são simplesmente acontecimentos não explicados, nunca será possível explicar tudo o que ocorre no universo.
Agora, finalizando (porque eu poderia questionar e falar muito mais), prefiro acreditar em fatos comprovados e estudados cientificamente do que num livro que sabe-se lá quem escreveu e no qual só se vê historinhas sem nenhum fundamento e sem nenhuma comprovação.
E quando alguém vem me dizer que eu deveria acreditar eu simplesmente digo: "Não é Deus que controla tudo? Vai ver é ele que não quer que eu acredite"

Joana vK. disse...

Eu sou filha de pastor luterano e cresci dentro de uma Igreja, mas não acho errado ou o fim do mundo ser ateu.

Com meu pai eu aprendi a acreditar num Deus mais amoroso, não esse que todo mundo fala que vai te castigar se vc não seguir seus mandamentos e tal... Não sei se é a visão mais particular do meu pai ou do Luteranismo em si, mas de qualquer forma é como eu vejo.

Com meu pai tb aprendi que todas essas histórias da bíblia, que foram citadas pelo Tadeu, não são pra ser levadas ao pé da letra... são apenas alegorias, assim como os mitos. Servem pra te ensinar alguma coisa.

Mas enfim, meu pai que entende muito bem de teologia etc...

Tenho vários amigos/ professores ateus, minha mãe sempre é cheia de dúvidas e meus irmãos tb não são mto propensos a acreditar nessas coisas todas da Igreja - isso pq meu pai é pastor, imagina se não fosse!
A gente se respeita mto bem, e acho que o que mais importa não é a religião que o sujeito segue ou se não segue, a questão é deixar o respeito prevalecer!

tai disse...

Desde pequena minha mãe me fala sobre Deus, mas nunca acreditei de verdade. Não sei se é porque sou muito racional, mas vejo a religião como uma forma de não temer a morte, de prever o que vai acontecer e tornar isso mais fácil de encarar. Conheço poucas pessoas em que não vejo esse medo reger a fé. Mas não falo nada com certeza, porque esse assunto é, pra mim, muito delicado... Não sou uma atéia convicta, mas se for pra dizer o que acho, pra mim deus não existe mesmo, não.

Cris disse...

Vou concordar com a L. Archilla quando diz qeu religião e fé são coisas muito pessoais.
Eu acredito em Deus, vivo minha fé em todas as esferas da minha vida, tenho um relacionamento com um Deus que é só amor, mas como eu disse, isso é meu! Se eu puder compratilhar isso com mais algumas pessoas, se pudermos crescer juntos/as nisso, ótimo!
Mas é compartilhar, não impor!
Assim como eu não quero que me imponham o ateísmo, ou pior que me olhem com um olhar de "peninha" como quem diz...tão inteligente para algumas coisas e acredita em Deus.
Respeito é a palavra de ordem! De cá pra lá e de lá pra cá!

Quanto as pessoas dentro das religiões, aprovo várias e reprovo outras tantas. Assim como no PT (partido no qual milito), assim como no MST, assim como em qualquer instituição.

Laurinha (Mulher modernex) disse...

Engraçado, eu fui criada por uma família bastante católica, era obrigada a frequentar igreja, mas nunca vi a menor utilidade naquilo. Eu nunca tive a menor influência pra não ser religiosa, mas pra preocupação da minha família, não teve jeito, rs...
Essa parte então que o garoto fala sobre as coisas darem certo e falarem que foi Deus e as coisas darem errado e é porque tinha que ser assim, sempre me irritou... Quando passei no vestibular é porque Deus quis, quando não consegui tirar carteira de motorista, é porque não acredito em Deus e não rezo, segundo a minha família... Dá pra entender? rs...
Hoje em dia me considero agnóstica, não digo que sou atéia, porque não tenho certeza de nada e nem quero ter. Não quero afirmar o que existe e nem o que não existe. São coisas que simplesmente cortei da minha vida e não me fazem a menor falta.
Respeito quem tem uma religião, mas também exijo que me respeitem por não ter... Aliás, conheço muita gente religiosa que é legal, mas também conheço muita gente atéia e agnóstica, que tem o caráter melhor e mais compaixão pelo próximo que muito religioso que tem por aí e que só sabe espalhar intolerância, preconceito e ficar cagando regras pra vida dos outros...

Abçs Lola!!!

Umrae disse...

Entendo que foi mais algo como um desabafo, mas
acho que não faz muito sentido tentar interpretar os livros sagrados de uma perspectiva literal, uma vez que todos eles falam por meio de simbolismos e parábolas.
Quanto aos valores contidos em cada um deles, é necessário lembrar que eles foram escritos por seres humanos, dentro de um contexto social, que, obviamente afeta os textos.
Acho que é necessário dissociar as duas coisas: a possibilidade, a idéia de uma entidade superior, responsável por tudo aquilo que é atemporal, e as regras e convenções criadas pelos dirigentes humanos das igrejas das principais religiões.
Fé é uma coisa extremamente particular. Quanto a valores das igrejas, eles têm uma coisa em comum com a ciência: podem ser usados para o bem, para melhorar a vida das comunidades, ou para o mal, para defender interesses egoístas.
Sou agnóstica. Não exatamente por escolha, como se um dia eu tivesse olhado uma lista e decidido; nossa, de agora em diante vou ser agnóstica! Não se escolhe exatamente ter fé ou não em uma coisa. Não se escolhe que o que a vida mostre seja insuficiente para concluir que um lado ou outro está certo. Só uma coisa é fato: valores morais independem disso. Esteja certo quem estiver sobre vida após a morte, entidades superiores e afins, a busca da convivência pacífica em sociedade e a noção de que afetamos este planeta já deveria ser motivo suficiente para procurar viver de forma ética e ajudar as demais pessoas.
Por último, só porque parece que ultimamente há uma certa "caça-às bruxas" culpando as pessoas religiosas por uma série de males da humanidade, como machismo, homofobia e etc, reitero o comentário da L. Archilla: "acho um saco essa postura arrogante dos ateus, como se as pessoas-que-crêem-em-coisas, como diz o Alex Castro, fossem seres inferiores." Não vejo diferença entre isso e o preconceito dos fundamentalistas religiosos que acham que todo mundo que pensa diferente merece a punição eterna. É ridículo rotular os religiosos todos de ignorantes, de gente que que gosta de ser enganada, assim como usar coisas escritas há milhares de anos no velho testamento para culpar o catolicismo por coisas como machismo e homofobia. A raíz desses problemas está em fatores sociais, não de fé. Se a Bíblia fosse o motivo disso, o divórcio também não teria sido permitido, a escravidão não teria sido abolida, etc. O que é mais comum é que ela seja utilizada como desculpa por quem se recusa a aceitar os direitos alheios.
Já escutei desaforos de gente religiosa por ser agnóstica, mas olha só, já escutei desaforos de ateus também, principalmente me acusando de ser covarde (segundo alguns, eu não queria admitir o ateísmo porque tinha medo do que as pessoas iriam dizer, segundo outros, eu estava "me enganado" para não precisar admitir "o óbvio"...).
Há religiosos bons e maus, como há ateus e agnósticos também. Como eu disse, valores morais (para o bem ou para o mal) independem de religião.
Queria que não houvesse tanta gente que "tem certeza" do que é melhor para os outros...

Kinho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Kinho disse...

Muito bom o post, Lola...
Só não concordo em uma coisa:
"Sinceramente, acho que todas as religiões que conheço colocam as mulheres em segundo plano. E mais: ajudam a manter a mulher no seu lugar."
Conheço uma religião onde é essencial a presença da mulher, para haver o equilibrio. A religião é a Wicca. Bem, pra começar ela não possui somente um Deus omnipresente, ela possui uma deusa e um deus [ Nessa religião são reverenciadas duas deidades principais, representadas em equilíbrio: a Deusa (representada pela Lua e pela Terra, aspecto feminino) e o Deus Cornífero, seu consorte (simbolizado através do Sol e dos Animais, aspecto masculino)].
Inclusive, antigamente, somente mulheres podiam ser consideradas sacerdotisas.
Se alguém quiser saber mais, no menu desse blog << http://magiaeespiritualidade.blogspot.com/ >> explica tudo sobre a religião..

Beijos e até mais...

Ulisses Adirt disse...

Ótima forma de encarar, Lola, e ótima forma de aconselhar.

Ah, só uma coisinha extra, como curiosidade: eu sei que existem controvérsias, mas vale citar a Papisa Joana (João VIII, se não me engano) como uma "papa" mulher.

Koppe disse...

Joana vK. disse... "o que mais importa não é a religião que o sujeito segue ou se não segue, a questão é deixar o respeito prevalecer"

Perfeito!


Também concordo com a L.Archilla. Não é da minha conta se a igreja católica não permite mulheres sacerdotes ou se as igrejas evangélicas levam 10% do salário dos fiéis. Isso é problema deles, e cada ginete deve saber o cavalo que monta. Mas quando envolve questões políticas e sociais, aí passa a ser assunto de todos. Como quando a igreja tenta pressionar o governo para atrapalhar a distribuição de anticoncepcionais, ou se meter nas discussões das leis sobre aborto.

Sobre a Wicca, foi a religião que eu mais me identifiquei. A crença na Terra como mãe de todos nós, o respeito a toda forma de vida, o incentivo a respeitar as outras crenças e não fazer proselitismo, etc, tudo isso de certa forma eu já acreditava antes mas não sabia bem por que. Mas não faço parte de coven e não pratico rituais, então não me considero como wiccan.

B. disse...

Isso me lembra um fato engraçado que me ocorreu esses dias... Uma professora perguntou o seguinte:
-Quem é ateu aqui?
Aí eu e mais duas pessoas levantamos a mão; foi então que ela veio com essa pergunta:
-Mas no que vocês acreditam?

Ela tava realmente indignada que a gente pudesse viver sem acreditar em algo. Quer dizer, eu acredito. Acredito nos ideais da esquerda, do feminismo etc. Mas nem dentro dessa linha, deixo de ter uma visão crítica. Agora imagina acreditar em dogmas que não se renovam nunca; como se a humanidade fosse sempre a mesma.

Marussia de Andrade Guedes disse...

Não sei se Tadeu é jovem ou não. Tenho 37 anos e quando falo sobre religião uso o mesmo tom que Tadeu usou. Lendo seu texto só posso concluir que Tadeu é inteligente. Os ateus são intelectualmente superiores sim. As diversas crenças são tão pueris, tão tolas, que é impossível não pensar assim. E acho também que lutar contra as religiões deveria ser obrigação de toda feminista. As religiões sempre foram e continuam sendo altamente danosas para as mulheres. Muito mais danosas do que esta famosa ditadura da beleza que tanto é criticada pelas feministas.Não entendo o fato de as feministas não enxergarem isto. Todas as religiões tratam as mulheres como seres inferiores e impedem que elas sejam sexualmente livres. E ponham uma coisa na cabeça: enquanto as mulheres não conquistarem a plena liberdade sexual não haverá igualdade entre os sexos!

Koppe disse...

Fico de orelha em pé toda vez que alguém fala em superioridade e inferioridade entre seres humanos; acho que o Ateísmo tembém pode gerar pessoas fanáticas...

Dáfni disse...

É, o Tadeu tem razão. Esse Deus do amor não passa de um velho muito do ranzinza e vingativo.

Talvez o novo testamento fosse uma tentativa de mudar um pouco essa carranca de Deus. Seu filho só pregou o amor ao próximo e às criaturas. Mas aí como é que se livrariam do antigo testamento???

Uma religião que prefere deixar as pessoas morrerem de Aids a aconselhá-las a usar camisinha não pode ser levada a sério. Aliás, estou pra ver uma que possa ser levada a sério.

Beijos

P.S.: eu também era carola quando criança e queria ser freira. Então conheço bem o cristianismo!

Adwilhans disse...

Curioso como qualquer posicionamento acerca da fé, inclusive o ateísmo, pode levar a radicalismos e classificações. Sou ateu, apesar de ter sido criado num ambiente evangélico (minha família toda é da Congregação Cristã no Brasil, uma igreja altamente conservadora no tocante aos costumes) e viver atualmente com uma esposa que acredita em alguns valores católicos (embora não seja propriamente uma praticante). Mesmo assim, acho o fim da picada quando alguém se diz superior ao crente (crente = quem crê, não necessariamente evangélico) com base em uma leitura literal e simplória da Bíblica, como se esta fosse um manual de conduta para o século XXI ou se suas narrativas fossem retratos fiéis dos fatos; nenhum crente razoavelmente esclarecido crê nisso, mas sim nos valores e ensinamentos advindos da análise, contextualização e compreensão dos vários escritos que, reunidos de forma absolutamente assistemática por outros humanos imperfeitos, compõem o que chamamos hoje de "textos sagrados do Cristianismo". Creio que o mesmo vale, com ressalvas e adaptações, para qualquer livro sagrado de qualquer religião. A intolerância é, realmente, o grande mal da discussão sobre fé e/ou religião, pra não dizer que é um SACO.

Prity disse...

Volta e meia o assunto não-religião volta aqui no blog hehe.
O Tadeu me pareceu bem triste e revoltado para alguém que não se importa. Eu, já fui católica, mas não questionava nada. Quando comecei a questionar e conheci o protestantismo, que cria na bíblia e no contexto histórico, eu pude compreender muitas coisas. Todo mundo fala em lavagem cerebral, mas antes de ficar criticando, eu fui bem a fundo, lendo, pesquisando, e principalmente orando, mas, independente da religião,serve para quem acredita em Deus. Eu não fiquei me revoltando a toa e criticando, porque sempre acreditei que Deus existia,acho um absurdo acreditar que houve uma grande explosão e houve vida, meio assim do nada, e não crer sequer que exista um Deus, com toda a beleza e complexidade que nossa vida traz, mas respeito quem acredita, isso era entendimento meu,quero deixar claro, e fui pesquisar para entender melhor as diversas perguntas cruciais, como "porque as pessoas sofrem?" "Deus mata?". Eu entendi.
A maioria das minhas perguntas eram muito parecidas, senão iguais ao do Tadeu. Gostei da recepção que tive na igreja quando cheguei duvidando de tudo e todos. Obtive respostas, mas isso depende de ler, pesquisar e ter fé. E nada me respondeu melhor áquelas perguntas, do que as respostas das minhas orações.
Um beijo.

Giovanni Gouveia disse...

Fui criado no catolicismo, estudei em colégio de padre (também quis ser um, mas gostei mais de sexo...), aos vinte me rebelei, aos 30 voltei...
Sempre soube que não iria convencer ninguém da minha fé, como também fico extremamente irritado quando alguém tenta me demover de minha fé.
Não acho que sou melhor nem pior do que ninguém, mas, por essa minha fé eu tento construir um mundo melhor, não por esperar uma recompensa ao final, mas porque fui bem catequizado por padres (e um bispo muito lindo chamado D. Hélder Câmara) dessa linha, dita sepultada, da Igreja católica, para quem a fé é como a cruz, de mim para Deus (vertical) e de mim para meus irmãos (horizontal).
Milito na esquerda desde meus quinze anos de idade por causa do que eu aprendi na Igreja.
Não acho que a igreja seja infalível (fosse assim não teria sido Ratzinger o eleito ;P), mas também vejo várias virtudes nela, principalmente porque Igreja não é clero, mas, como diz sua etimologia, Assembléia, é povo

Guilherme disse...

A questão da beleza do universo e das criaturas, belezas naturais, etc também não precisa ter nada de divino. Está tudo (ou ao menos quase tudo) cientificamente explicado e comprovado, diferente da teoria criacionista que está apenas escrita mas que não se pode provar.
Sobre a pergunta que a professora da 'B.' fez, eu sempre respondo "eu acredito em mim".

Marussia de Andrade Guedes disse...

Não falei que os ateus são seres humanos superiores, falei que são intelectualmente superiores. Mas acho que as chances de um ateu ser uma pessoa melhor são maiores já que só em não compactuar com as religiões e seus arsenais de maldades e preconceitos já é um bom começo! Mas acho que devo rever minha opinião sobre a superioridade intelectual dos ateus, já que os ateus que fizeram comentários aqui não conseguem enxergar que, ainda hoje, as pessoas acreditam literalmente nos livros sagrados. É só lembrar como vivem os mulçumanos com seus homens-bomba e suas mulheres de burca, ou dos judeus que até hoje respeitam as mais ridículas tradições e vivem numa guerra constante com os palestinos por acreditarem que sua terra é sagrada. Lembrem também dos cristãos que até hoje acreditam ser possível ter um filho sem nunca ter estado com um homem ou ter feito inseminação artificial. A lista é interminável. Um ateu não tê-la decorada realmente não é prova de superioridade intelectual.

Claudia disse...

Marussia: cuidado, novamente, com a generalização. Há, de fato pessoas que interpretam os livros sagrados literalmente, mas não são todas, e nem sequer maioria. São pessoas que viveram em condições inadequadas de educação (veja bem, de educação, não financeiras / sociais), que foram manipuladas, ameaçadas e privadas de diversos instrumentos para construção do conhecimento com base na lógica, para que acabassem nessa condição. E a culpa é de quem? De uns tantos líderes desonestos, que usaram a religião para o mal, para defender seus próprios interesses.
Até aí, além da religião, são usados para manipular pessoas a mídia, as falácias científicas, a "opinião pública", o falso "senso de dever com a pátria" e mais um bilhão de coisas que não tem nada a ver com religião, e que conduzem ao mesmo tipo de ignorância, preconceitos, violência, etc.
Qual a diferença entre um homem-bomba e um fuzileiro que mata civis inocentes em outro país porque acha que está "defendendo os ideias de sua pátria"?
Ateus são pessoas 100% à prova de manipulação e enganos? De jeito nenhum, eu não sou, você não é, ninguém é.
Logo o argumento de superioridade intelectual me parece mal fundamentado.
Além disso, há outra generalização com relação à crença. As 3 grandes religiões não são as únicas do mundo. A definição que diz que deus é uma figura paternalista rígida e vingativa não é a única que existe.
A verdade é que as possibilidades são infinitas, e nossa capacidade de compreender o universo e descobrir as verdades por trás dele é muito pequena para que seja justo impor a descrença generalizada aos demais, tanto quanto é injusto menosprezá-los ou maltratá-los por não acreditar nas mesmas visões não passíveis de comprovação que se tenha do transcendente.

Carlos disse...

Silas Malafaia agora quer 1 bilhão

http://www.youtube.com/watch?v=nGKmXxXBYUo&feature=player_embedded

Isaac disse...

Esse assunto está sempre tão permeado de generalizações, que fica difícil chegar a alguma conclusão.

Falar sobre superioridade dos ateus é muita ingenuidade. Pode-se chegar a essa conclusão (ser ateu: e admitindo que é uma conclusão) pelos motivos errados. Alguém pode se declarar ateu porque perdeu os pais, porque acha que a vida é injusta, ou porque tropeçou no meio-fio. Sâo fatos que não esclarecem em nada a existência ou não de uma divindade superior.

E virou uma pseudo-moda se declarar ateu por motivos como "livros sagrados", dilúvios e adão e eva. Mas tem tanto ateu que acredita em horóscopo, energia dos cristais, homeopatia e acupuntura - e olha que esses dois últimos são reconhecidos pelo Conselho Nacional de Medicina!

Ninguém te provou que homeopatia funciona, vc "acredita", vc "só ouviu falar" e "leu na bula", e acha que religião é uma coisa idiota só pq as pessoas "acreditam", "ouviram falar" e "leram em um livro".

Isaac disse...

Ah, só complementando um pouco -
mulheres ficam em segundo plano nas maiores religiões do planeta sim, mas pelo menos na já citada Wicca e no espiritismo não vejo essa distinção.

Mais importante: Deus e religião são duas coisas distintas - pois existem religiões sem deuses.

E sou ateu por motivos próprios, mas já me treinei para não impor a minha visão sobre outros. Existem pessoas muito inteligentes religiosas, e vice-versa, isso que queria deixar claro aqui. O preconceito surge não do ataque à inteligência, mas sim da dificuldade de aceitar as idéias alheias ("o outro").

olhodopombo disse...

Que importancia tem se um acredita e outro não?
O que muda na vida de alguem ficar analisando se esse ou aquele é ateu ou crente?
A religião foi criada para controlar a massa humana...
E quem quiser que se submeta a elas ou não.....

Adwilhans disse...

Marussia, a noção de que alguém é "intelectualmente superior", seja lá o que vc quer dizer com isso, só por causa do que acredita ou não, é uma das maiores falácias que já ouvi sobre fé e/ou religião. Como bem pontuado pelo Isaac, mesmo em temas em que se acredita haver prova científica, há muito de fé - simplesmente porque as "provas" são muito mais "indícios" que provas, propriamente. Um exemplo claro é a Teoria do Big Bang, que se chama "teoria" justamente porque não pode ser provada; trata-se da "teoria" mais aceita pelos estudiosos, mas não é a única e tampouco a única com fundamentos científicos relevantes; como exemplos dissonantes da posição hegemônica, tem-se a teoria inflacionária (http://pt.wikilingue.com/es/Teoria_inflacion%C3%A1ria) e a teoria da cosmologia de branas (http://pt.wikilingue.com/es/Cosmolog%C3%ADa_de_branas), isso para citar só duas com boa aceitação científica. Ou seja, mesmo na ciência há muito de fé; será que nós, ateus, somos mesmo "intelectualmente superiores" só porque não acreditamos em Deus(es/as), embora acreditemos em outras coisas? E ressalto: acreditar em Deus(es/as) nada tem a ver com acreditar em religiões ou na Bíblia (ou outros textos sagrados). Acho a ideia de prevalência de um posicionamento pueril e perigosa, pois pode "justificar" abusos por parte dos "iluminados", "esclarecidos", "eleitos".

Giovanni Gouveia disse...

Como diria o velho Shake, pela boca de Hamlet:

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia..."

E isso serve pros dois lados.

João disse...

Gente, alguém ali em cima disse que os ateus são mais inteligentes e que as religiões são todas iguais e ruins porque em todas elas a mulher é inferior ao homem, e que só haverá igualdade entre os sexos quando a mulher tiver plena liberdade sexual. Eu li certo? E ela se considera do grupo dos "superiores intelectualmente". Gulp!

Peço licença ao Adwilhans e ao Isaac para assinar embaixo do que escreveram. Brilhantes!

Márcia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Márcia disse...

Eita, eita...

Fui criada frequentando uma igreja batista. Sempre fazia perguntas intrigantes. E, claro, as pessoas não gostavam de mim, aquela menina chata que faz perguntas que ninguém sabe responder, ora, mas que menina sem fé. Rs...

Sério, eu tinha as melhores intenções do mundo, queria entender aquela coisa maravilhosa que meu pai dizia sentir.
Um dia entendi que aquela coisa maravilhosa era amor e que estava nele, no meu pai. Se a gente substituir a palavra Deus por amor, no que se refere às coisas positivas que se fala sobre Deus, percebe-se que não há distinção. Passei a acreditar que, no dia em que tudo me faltar, preciso acreditar no amor, que me parece ser a única coisa que nos dignifica.

Deus? Sei lá... O amor, por incrível que pareça, é mais concreto. Ou seja, SENTIR a vida é o que vale. Ponto, simples assim. Então as coisas começaram a parecer mais fáceis.

Ah, sim, minha mãe foi muito legal quando me respondia que, pra Deus, não havia distinção entre homens e mulheres, apesar dos humanos tolerarem apenas os pecados dos homens. Ela falava que o mundo era muito injusto, mas Deus não, que essa coisa de mulher inferior não existia, que as tarefas imputadas às mulheres não eram inferiores para ela, mesmo que as pessoas assim as considerassem.

Minha Mãe. Dona de casa. Sempre quis estudar, crescer. Meu avô proibiu. Ainda foi longe demais, até a 4a serie. Apesar da revolta com o pai, sabe reconhecer-lhe as limitações. Homem do campo. Acredita que o que ele fez o fez pensando ser o melhor. Ela não se sente inferior por ser dona de casa, mas sabe que é considerada inferior por muitos por isso. Mas uma coisa cresci a ouvindo falar, e isso era bárbaro: se alguém me diz que algo é verde e se eu TÔ VENDO que é azul, morro dizendo que é azul. Teimosa como minha vó Iaiá e minha bisa Mãe Ló. Bem, eu tive a quem "puxar"...

Foi difícil perceber que, mesmo se rendendo a sociedade em relação ao papel que teve que desempenhar, não sendo dona de muitas de suas vontades por não ter independência financeira, minha mãe nunca se sentiu inferior e sempre falou o que pensava, pra desespero de meu pai (rs...) que sempre a considerou uma rebelde e uma pessoa complicada. Ah, claro, eu sou mais rebelde e complicada ainda, pois, diferente de minha mãe, não me rendi ao papel social que a mulher TEM que desempenhar.

Sim, sim, sim, é difícil acreditar nesse Deus que é a imagem e semelhança do homem (sexo masculino). Mas pelo que minha mãe dizia sobre Deus, ele ia se tornando na minha cabecinha de menina adolescente (quando as perguntas eram mais efusivas) um SER ASSEXUADO. Fui sempre formando minha idéia própria de Deus, até perceber que eu acreditava num ente que só existia na minha cabeça e que o resto do mundo (ao menos a grande maioria) acreditava nele de uma forma diferente. Então me parecia fazer muito sentido quando ouvia que Deus era fruto da imaginação humana. O Deus que eu formara na minha mente, era um Deus à minha imagem e semelhança. Não com aspectos físicos femininos, mas comportamentais femininos. Não era um Deus de guerra, não era um Deus intolerante, não era um Deus imperativo. Era um Deus de amor, e com certeza não era esse Deus que conduzia a humanidade. Comecei a perceber que Deus habitava em mim em certo sentido, como projeção de meus valores, ele era um ser em quem eu deveria me espelhar, ela era a projeção da pessoa perfeita cujos valores e virtudes eram os que eu considerava. Acabei achando fascinante a invenção humana de Deus, esse ser que é o projeto dos valores que engrandecemos. Aliás, acabei achando fascinante essa capacidade de invenção, de certo modo, divinizando, tornando sagrado, o que consideramos virtudes. Nesse sentido, todo mundo tem um Deus dentro de si, não tem? Aquilo que te norteia, fortalece e anima?