terça-feira, 18 de maio de 2010

COMO GASTAMOS NOSSO RICO DINHEIRINHO

Este diagrama mostra como a família americana média gasta seu dinheiro (clique pra ampliar, ou veja o diagrama original aqui). Gostaria de conhecer os dados brasileiros, mas imagino que esses indicadores americanos sejam muito próximos aos dos brasileiros de classe média (quer dizer, mais classe B que C). É só substituir os valores em dólares por reais. Por exemplo, ano passado eu e o maridão gastamos um total de R$ 4.486 em supermercado, o que deu uma média de 374 por mês. Nessa categoria a gente inclui tudo que compra no super, até comida pra gato, sabonete, papel higiênico etc. O diagrama americano considera apenas comida – uma média de 3,465 dólares por ano. Se a gente separasse esses itens de limpeza e higiene pessoal dos de alimentação, acho que estaríamos por aí também. Mas não importa tanto como você decidir anotar seus gastos, desde que seja consistente. O que acho legal é separar as despesas com produtos comprados em supermercado/padaria/verdureira etc daqueles com comida fora de casa. Porque, convenhamos, em épocas difíceis de apertar os cintos a gente não vai parar de comer, mas pode cortar as saídas pra comer fora (que quase sempre são mais caras que fazer comida em casa). Com comida fora de casa, americano gasta 2,668 dólares por ano (ou 222 por mês). Eu e o maridão fomos mais comedidos em 2009: “apenas” R$ 1.236 no ano, ou 103 mensais. Durante nosso ano americano, entre julho de 2007 e agosto de 2008, gastamos 942 dólares com comida fora de casa. A gente se deliciava com comida chinesa mesmo, que custava 9 dólares para duas pessoas. Sinto saudades disso!
O diagrama americano considera que essa família média, que eles chamam de “unidade de consumo”, seja composta de 2,5 pessoas. O número de pessoas que recebe um salário é de 1,3. O salário médio dessa família de 2,5 pessoas é de 63,091 dólares, mas isso bruto, antes de pagar os impostos. Para essa família, a média de gastos por ano é de 49,638. Comparando o que americano gasta com o que americano ganha depois de pagar impostos, dá elas por elas. Isso explica por que o americano médio não tem poupança alguma. Pelo contrário, deve, em média, quase 9 mil dólares em cartão de crédito. É uma nação de endividados.
Não estou encontrando valores pra realidade brasileira. Só porcentagens. Segundo o IBGE, uma família brasileira gasta, em média, 35,70% em habitação, 20,75% em alimentação, 18,44% em transporte. Esses três itens (habitação, alimentação, transporte) são disparados os que mais pesam no orçamento dos brasileiros. Depois vem assistência à saúde (6,50%), vestuário (5,70%), educação (4,10%), e recreação e cultura (2,40%).
Esses números são bem parecidos com os dos americanos, que gastam 34,1% em habitação e 17,6% em transporte. A diferença está no que eles gastam em alimentação (juntando a comida dentro e fora de casa): somente 12,4%, contra quase 21% nossos. Isso faz com que “sobre” (modo de dizer) mais pra recreação. Americano gasta 2,700 dólares nisso por ano, a maior parte em ingressos pro cinema. Dá 5,4% dos gastos. 5,75% com assistência à saúde, 3,8% com vestuário, e 1,9% em educação.
Nem sei onde quero chegar com isso. Acho que é só meu fascínio por dinheiro e estatísticas. Só sei que acho os supermercados daqui de Fortaleza bem mais caros que os de Joinville... E que nossa média nunca mais será de 374 reais por mês em super, chuif.

16 comentários:

Carolina Pombo disse...

Oi Lola, seu post veio a calhar! Quero convidá-la e a seus leitores a frequentarem a nova página de meu blog: "Vamos falar mal deles!" Na qual quero expor empresas que não tem qualquer responsabilidade social e que se beneficiam de nosso consumo inconsciente! A primeira da lista é a Mattel, acompanhada da Sony e da Panasonic.

O link é: http://enquanto-esperamos.blogspot.com/p/vamos-falar-mal-deles.html

Obrigada!
Beijo

Bruno Stern disse...

O peso maior da alimentação na cesta de consumo é um sintoma de que se trata de uma população mais pobre.
Gasta-se mais com a subsistência e menos com "luxo"(lazer).

Provavelmente se você abrir os dados do IBGE por nível de renda, veremos que o peso da alimentação cairá bastante nos níveis de renda mais altos.

Mica disse...

Lolinha, mandei um e-mail para você. Espero que tenha enviado para o endereço certo.

Bela disse...

é impressionante que o pessoal aqui seja tão endividado mesmo, vivendo de paycheck. a impressão que dá é que não existe educação financeira nenhuma nenhuma, todo mundo já está tão acostumado com isso de ter várias cartões e ir rolando várias dívidas =O (e a gente está indo pelo péssimo caminho de copiar tudo que se faz aqui, coisas boas e coisas ruins)

Giovanni Gouveia disse...

Lola eu adoro esse blog, e suas colocações sempre acertadas.
Mas quando você fala sobre isso eu fico muito irado...
Para de me chamar de perdulário, garota ;)

(a piadinha foi só pra relaxar, o mês tá uma pedreira pra mim)

Bruno Stern disse...

Complementando,

sobre a questão do endividamento, ele não é necessariamente ruim. É um instrumento de antecipação do consumo.

Um indicador interessante seria o de quanto é gasto com o pagamento de juros na renda mensal. E devemos lembrar que juros de cartão nos EUA não são como os de cá.

Junior disse...

O mais interessante pra mim foi o custo médio de 1% apenas com educação.

Masegui disse...

"Chora menina!" Bem feito! isso é que dá ser munheca de samambaia!

(Coitado do CM, deve sofrer horrores nas suas mãos!)

Adriana Karnal disse...

assim caminha a humanidade...

marielms disse...

Buááá, só 2% com leitura! Espero que um pouco seja por causa dos bons precos de revistas e pocket books vendidos por lá.
Aqui na Suécia eu imagino que o que não se gaste com educacão e saúde (o que eles pagam bem com impostos) e mais um pouco seja gasto em bebida alcoólica. Sao caríssimas (controladas pelo governo) e eles parecem já ter o gasto garantido no orcamento. rsrs

Gisela disse...

Ai, céus, quase nada a ver com o post: me dá esse gatinho da foto?!

Marcos Vinicius Gomes disse...

Do jeito que estão as coisas até pensar custa...imagine a dor de cabeça que os nefelibatas estão tendo com o mundo atual, suas incoerências, fim de ideologias, etc. Tome Doril.E isso faz a felicidade da fraquinha indústria farmacêutica. Aliás, alguém sabe os gastos médios com medicamentos do brasileiro médio?

Renata de Oliveira disse...

Lola,
nada a ver com o post, mas dá uma olhada nessa notícia...
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4437235-EI6594,00-Cartaz+com+beijo+homossexual+provoca+polemica+em+Minas.html

Caraca, a TFM ataca novamente...

Abs

Geovana disse...

Lola, pensando nessa porcentagem de gastos com alimentação eu questiono o quanto disso é realmente gasto com alimentos e não com bobagens, explico refrigerante e outras guloseimas. Isso me faz lembrar a minha última ida ao supermercado me surpreendi com uma família de três pessoas, apenas uma criança, um carrinho com os alimentos e um segundo carrinho pequeno levado pela criança com toda a sorte de bobagens possíveis. Nada mais do que o consumismo superestimando o valor desses gastos.

Caso me esqueçam disse...

lola, depois de ler um post antigo em que voce dizia que anotava todos os gastos, eu passei a fazer o mesmo com meu namorido e agora temos graficos e detalhes sobre nossas contas dos ultimos meses. ate auqndo dou esmola, eu anoto hehehe

nao sei ainda sobre o beneficio geral disso, mas posso ao menos dizer que evito comprar muita coisa dispensavel (como brincos, coisa que eu adoro) porque sei que vai ficar gravado na lista depois. hohoho e, no final das contas, sei que soh com isso ja economizamos muito! :F

Gabixi disse...

Quando tu moro nos eua, nao teve vontade de ficar morando la? o que achou pior e melhor dos EUA em geral?