segunda-feira, 8 de março de 2010

TROCA-SE ROSA POR SALÁRIO DECENTE

Não sou muito chegada a datas comemorativas, mas respeito o Dia Internacional da Mulher. Não que ele seja uma data pra distribuir rosas. É uma data de protesto. Foi no dia 8 de março de 1857 que um grupo de mulheres de uma fábrica de tecelagem em Nova York fez greve para reivindicar melhorias no trabalho. Para puni-las, os chefões as trancaram dentro da fábrica e tacaram fogo. 130 trabalhadoras morreram.
O 8 de março representa o Dia Internacional da Mulher desde 1975, mas não passa um ano sem que a gente ouça asneiras como “Todo dia é dia da mulher!” ou “Deveria haver um Dia Internacional do Homem”. Geralmente essas besteiras são proferidas pelas mesmas pessoas que creem que a Lei Maria da Penha discrimina os homens, e que é injusta, porque quem protege os machões, tadinhos? (essa gente não sabe que estatísticas existem e desconhece a realidade em que vive). Que são as mesmas pessoas que têm certeza de que, hoje, mulheres, negros, gays e outras minorias já conquistaram tudo que precisavam e que a verdadeira vítima do preconceito atual é o homem branco hétero de classe média. Tanta gente ignorante crê nessa falácia sem sentido que o brucutu Dourado foi eleito o símbolo do BBB 10 e vai ganhar um milhão e meio de reais. Por quê? Por ser perseguido pela ditadura do politicamente correto, o pobre.
Pra quem pensa que os maus tratos contra mulheres no trabalho são coisa do século 19, vale lembrar que Terra Fria, ótimo filme em que a Charlize Theron faz uma mineira atacada por seus colegas homens, se passa na década de 80. Ahn, 1980. Muitos homens não perdoam mulheres por ocuparem seus cargos. Não que elas de fato peguem seus cargos. É só que, como se sabe, a maquinaria fez diminuir os postos de trabalho. E a década de 80 foi pródiga em achatar salários. Mas vários operários, ao invés de se revoltarem contra o sistema, decidiram centrar seu ódio nas mulheres que, segundo eles, conquistaram vagas tradicionalmente masculinas. Susan Faludi conta em seu fabuloso Backlash: The Secret War Against American Women (Retrocesso: O Contra-Ataque na Guerra Não-Declarada contra as Mulheres) que era comum operários aparecerem em fábricas com faixas dizendo: “Salve um posto de trabalho. Mate uma mulher”. Eles viam as mulheres como rivais, nunca como companheiras.
E por que as mulheres passaram a querer ocupar funções até então negadas a elas? Porque puderam. Porque, no auge do feminismo americano, nos anos 70, o Congresso aprovou uma lei anti-discriminação. Ficou sendo proibido que empresas oferecessem cargos restritos para um dos sexos. Dezenas de empresas que não abriam suas portas para a mão de obra feminina receberam uma notificação que isso teria que mudar. Lembra que eu dizia que certos empregos, como professora de escola primária, vão parar nas mãos de mulheres justamente porque pagam mal? Eu estava chutando. Não tinha dados. Mas Susan Faludi comprova tudinho. A divisão do trabalho é fundamental para manter as coisas como elas são. É só pesquisar: quem ganha mais, um pedreiro ou uma cabeleireira? Um médico ou uma enfermeira? Um psiquiatra ou uma psicóloga? Um estilista de moda ou uma costureira? Um chef ou uma cozinheira? Pense nas profissões majoritariamente masculinas, e você verá que são essas as que pagam melhor. Agora pense nas profissões majoritariamente femininas ― o salário não costuma ser muito mais baixo? Não é coincidência que o emprego mais mal-remunerado na pirâmide social, o de empregada doméstica, seja todo ocupado por mulheres. Mulheres são reservadas para trabalhos que pagam menos mesmo. Isso explica porque na década de 80, nos EUA, houve uma explosão no número de mulheres motoristas de ônibus. Parecia uma conquista, mas, no fundo, de todas as categorias em que se dirige um veículo para sobreviver (taxista, caminhoneiro, motorista de limusine, piloto de avião etc), adivinhe qual é a categoria que paga menos? Motorista de ônibus. Foi bem essa fatia do mercado que coube às mulheres.
Não, não há uma conspiração para afastar as mulheres dos empregos com maior remuneração. Mas há um acordo tácito, uma certa mitologia popular, que prega que mulheres não precisam ganhar tão bem, já que quem sustenta a casa deve ser o homem. A mesma mitologia diz que mulheres não se realizam profissionalmente, apenas maternalmente. E que, como elas vão trabalhar menos porque terão filhos, elas merecem ganhar menos. Acontece que milhões de mulheres em todo o mundo sustentam sozinhas a família. Além das mães solteiras, calcula-se que menos da metade dos pais divorciados pagam pensão aos filhos, por exemplo. E mesmo entre mulheres que vivem com seus maridos, ganhar menos, em muitos casos, é uma forma de perpetuar a submissão.
Por isso, no Dia Internacional da Mulher, nós dispensamos as rosas de presente. Se nos deixarem ocupar cargos bem-remunerados, teremos dinheiro para comprar nossas próprias flores.

63 comentários:

Ana Carolina Moreno disse...

Lola, o incêndio não foi num 8 de março... A Malu explica melhor essa confusão aqui http://www.trezentos.blog.br/?p=4253

Patrick disse...

A segunda faculdade que, aos trancos e barrancos, ainda estou fazendo, é o curso de Direito. Paguei a primeira disciplina de assistência jurídica, Prática I, e durante um semestre inteiro todos os atendimentos que fiz eram de mulheres solicitando o pagamento de pensão em nome dos filhos. Um único caso foi de um pai preocupado que queria evitar que a mãe de seu filho deixasse a cidade com ele em revelia ao acordo de guarda da criança.

Raiza disse...

Texto devidamente linkado ao twitter.

Mariana. disse...

Lola, meio off, mas vá lá:

Viu a frase do Bruno (goleiro do Flamengo) sobre a crise pessoal de outro jogador, o Adriano (também do flamengo)?

Não sei se a galera aqui acompanha, então vai um resumo dos acontecimentos.

O Adriano, excelente jogador, de tempos em tempos passa por uma crise. Já se enfiou numa favela e disse que ia largar tudo pra morar lá, chega atrasado ou falta metade dos compromissos que tem no time, bebe, vai para festas antes de jogos, etc.

A última crise foi com a mulher. Brigaram. Ele bebeu e o flamengo deu folga pra ele.

Aí, na coletiva, perguntaram ao Bruno sobre tudo isso e ele respondeu mais ou menos assim:

"Quem aqui que é casado e nunca brigou com a mulher? Discussão é necessaria as vezes... Quem é aqui que nunca até saiu na mão com a mulher? Em briga de marido e mulher ninguém se mete!".

Ou seja: homens podem espancar a mulher e, mesmo isso sendo caso de polícia, ninguém deve meter o bedelho.

Paula ZZT disse...

Lola, não consigo escrever muito agora, mas eu acho que a comparação tinha que ser entre mesma profissão, professores e professoras, médicos e médicas... não entre profissões somente.
Bjoks
paula
PS: Não gosto de receber parabéns pelo dia da mulher, como se eu tivesse conquistado meu sexo e não nascido com ele... parece que virou data comemorativa como aniversário e não meditativa...

Má disse...

Bom dia Lolinha!
Ótimo texto!
Vale lembrar, que estes salários baixos vão na contramão da Teoria do Capital Humano tão propagada pelos liberais né.A alta qualificação feminina tá aí p derrubarem estas mentiras.
Sendo assim, não há mais como justificarem o baixo salário das mulheres pela sua suposta desqualificação. Isto tudo sem esquecer que sua jornada de trabalho é sempre supeior, isto até mesmo a OIT postula. (http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201003041913_ABR_78798869&idtel=).

Um grande abraço p vc e espero um post seu sobre suas novas aulas, agora como professora universitária "possuída" , ufuu :)

Bruno Stern disse...

Mariana,

o Bruno(goleiro do Fla) ainda tem no seu currículo uma agressão a ex-namorada.

E segue o link para a pérola que esse rapaz soltou.

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Flamengo/0,,MUL1518834-9865,00-ANDRADE+E+BRUNO+ESCORREGAM+NA+HORA+DE+DEFENDER+O+QUEBRAQUEBRA+COM+ADRIANO.html

Fabiana disse...

Perfeito, Lola. Você consegue sintetizar muito bem os nossos sentimentos.

Fernanda disse...

Ei, Lola! Ei, gente!
Aqui no trabalho, olha como eles são fofos... Estão nos homenageando com manicure e pedicure de graça na empresa, e um maquiador. Que legal que eles são, não? Porque, afinal, é isso que a gente é: enfeite. E essa é nossa maior aspiração: fazer unha e maquiagem.
Estou me contendo para não mandar todos para a @$^&**&#$%.
Recebemos ainda um email no qual, entre outras pérolas, nos dão os parabéns por dar a vida por nossa família, por nos arrumarmos e nos perfumarmos e por amarmos incondicionalmente.
E há quem diga ainda que o feminismo venceu. Que somos iguais...
Meu primeiro reflexo é xingar todo mundo, mas eu gostaria mesmo apenas que as pessoas refletissem sobre o que elas estão reproduzindo.
Um abraço, gente!

Jux disse...

Loláxima!

Como disse a Marjorie no ano passado:

"…Enquanto isso não acontecer, meu querido, enfia esta rosa no digníssimo senhor seu CU".

Não queremos rosas, não queremos ser peças decorativas no mundo.

Queremos RESPEITO.

Queremos autonomia, Baralho!!! Somos seres pensantes e queremos ser vistas, entendidas e ouvidas como tal.

Queremos ser livres da escravidão brutal da vaidade da mídia e da sociedade, que nos trata feito gansos-para-foie-gras, enfiando goela abaixo que temos que ser magra-jovem-branca-cabelos-lisos-sexy.

Queremos ser livres, queremos viver nossa sexualidade sem rótulos, julgamentos, clichês e afins.

Queremos dizer o que pensamos, sem que sejamos consideradas menos-mulher quando o fizermos de modo agressivo e alto e bom som.

Queremos usar azul, verde, e fugir da ditadura "meninas=rosa".

Queremos ser mulheres sem que isso obrigue a viver os dogmas impostos a nós: mulher = maternidade, mulher = família ou mulher = casamento.

Queremos escolher como viver nossas próprias vidas, queremos ser as ÚNICAS DONAS DE NOSSOS CORPOS. Não queremos ninguém nos violando, mutilando, podando, matando.

Queremos caminhar pelas ruas sem o medo de estupro ou do constrangimento de cantadas horrorosas (e eles ainda acham que a gente GOSTA!)

Queremos ser viver de verdade... só isso.

Será que é pedir muito???

Beijukka!

Roseane, disse...

Lola muito bom seu texto. E amei a forma como você terminou ele. Valeu!!!

Aline disse...

Muito reflexivo o seu texto. Já mandei para um monte de amiga.

Anônimo disse...

Lolaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Eu vou morrer de saudade se vc não voltar!
Ehhhhh amadinha! Não importa aonde vc esteja, desde que esteja bem com sua família, desde que a gente encontre-a na rede. Texto bommmmmmmmmmmmmm! A Jux tambem arrasou! Bjo daqui do litoral sul de SC. Fatima.

Jackson Filgueiras disse...

Perfeito.
Disse tudo.
(Mas ainda precisa ser dito muitas outras vezes, utilizando-se de vários outros argumentos, porque a má-vontade e a ignorância são muito arraigadas).

Luma Perrete disse...

Ótimo post, Lola. Já está sendo espalhado pelo Twitter =]

Cristiana Soares disse...

lola, faltou dizer que isso não acontece só nas "classes operárias". só que em outras classes a coisa é mais velada.

L. Archilla disse...

Lolinha, já que vc citou filmes, recomendo Polytechnique, filme canadense (ou francês, não lembro) sobre um massacre feminino numa renomada escola do Canadá.

Roberta disse...

Textos sempre diretos e claros.

Masegui disse...

Pro texto da Lolinha:

Clap, clap, clap, clap, clap, clap!

Pro comentário da Jux:

Clap, clap, clap, clap, clap, clap!

Mariana. disse...

Hein, gente..

Na minha caixa de emails de trabalho hoje eu só vi textos cor-de-rosa homenageando as mulheres (as palavras doces, flor, gentil, belas são constantes). Aí resolvi dar a minha contribuição.
Mandei um texto feminista.

Era um mix de textos da lola, da cíntia, da marjorie e de outros e outra. (dei créditos).

Aí um cara, que eu nem conheço, pois trabalho no ministério público e é inacreditável o número de servidores.
Enfim... Ele respondeu com cópia pra todo mundo meio que me dando razão (na verdade foi meio idiota o que ele falou "concordo com vc, o dia das mulheres é todos os dias". Não foi bem isso que eu falei, mas enfim). MAS pra mim, sem copiar a resposta pra mais ninguém, ele respondeu algo bem diferente: "meu Deus, quanta baboseira".

Hipócrita.

Mari Moscou disse...

Hmmm, Paula (e demais); a comparação não tem que ser feita entre a mesma profissão, porque dentro da mesma carreira (ex.: saúde/medicina) existem cargos diferentes. O que a Lola quer dizer (e que é o que @s sociólog@s do trabalho também dizem) é que as mulheres ocupam os cargos mais mal-remunerados. basta comparar uma classe de nivel superior de nfermagem e uma de medicina. Qual é mais difícil de entrar? Qual paga mais?

Na Educação quem trabalhou muito sobre desigualdade foi Pierre Bourdieu. Vale a pena procurar.

Prometo notícias do meu mestrado tbm, sobre as mulheres na carreira acadêmica, em breve no meu blog. :)

Rita disse...

Lola,

arrebentou no bolão, hein? Parabéns!

Linkei seu post no meu de hoje.

beijocas
Rita

Anônimo disse...

Bom texto, Lola, cheio de argumentações e exemplos!

Concordo com a Paula e não com a Mari a respeito de comparar profissões diferentes. A Mari tentou forçar, mas acho que não deu certo: claro que tem de comparar salários de homens e mulheres DENTRO DA MESMA PROFISSÃO. E quanto a entrar em Medicina/Enfermagem, a dificuldade é a mesma para homens e mulheres, não é? Ou o nosso vestibular é mais difícil que o deles? Gente, cuidado com as colocações parciais para que não haja desmerecimento de nossas reivindicações/colocações.

E Lola, desculpe, mas você escorregou num porquê (digo isso porque outro dia fiz um comentário a respeito de correção ao escrever e você disse que não tinha problemas com os porquês... Mas não me leve a mal, tá?) Marciane.

Teresa Silva disse...

Beijo Lola!

aiaiai disse...

parabens lolinha, não pelo dia, mas por ser uma das mulheres que age para mudar a realidade de dominação e submissão.
O dia em que conquistarmos a igualdade vai ser maravilhoso, para mulheres e homens!

off topic: parece que vc arrumou uma troll revisora kkkkkkkkkkkkkk

homem sensivel disse...

o texto está errado, as mulheres sao muit mais valorizadas que os homens em profissoes femininas,como por exemplo, faxineira e atriz porno. e os homens sao mais valorizados em profissoes masculinas como medicos e advogados.

vickie disse...

Lola. Na minha modesta opiniao, cabe as mulheres educar melhor os seus filhos homens. Tem que ensinar desde garotinho:1. respeitar as mulheres (assim como: Quando a garota diz Nao, meu filho, eh nao, ta?) 2. a fazer TAMBEM trabalho de casa (ajudar a pobre coitada da mae pra mais tarde ajudar a esposa em casa)3. nao engravidar as namoradas (fez filho, tem que assumir). Eu fiz isso, criei meu filho sozinha e dei pra mulher dele o melhor dos maridos. Talvez assim, quem sabe, a situacao das mulheres melhora um pouquinho...

Glória Maria Vieira disse...

Eu tbm tô lendo esse livro, Lola! Poxa, cada linha é uma informação! É um livro (backlash) altamente rico e relator! Você é uma mulher admirada por mim, saiba disso!:*

Júlio César disse...

...rindo com o comentário do homem sensível sobre as profissões de menino e profissões de menina...

Anônimo disse...

Acho que cabe tanto a mulher quanto ao homem a educação dos filhos, vickie.
Pai e mãe tem responsabilidades iguais na educação inclusive quando isso tem a ver com ensinar igualdade de gênero.
Ok,eu entendo que provavelmente as mulheres falam mais sobre isso pq a luta é nossa, mas não cabe só a nós.

Ana disse...

Parabéns a todas as mulheres.
Acho que esse dia deva servir de debate para nós melhorarmos cada vez mais nossa situação no trabalho, em casa, no mundo.
E meninas, não se esqueçam: nossos filhos serão os homens de amanhã. Precisamos ensiná-los desde cedo que mulher deve se tratada com respeito...
Beijos a todas!

Umrae disse...

Excelente, excelente! Penso exatamente a mesma coisa. Azeda-me o dia receber uma rosa com um cartãozinho meloso quando passei nesta mesma empresa por uma situação em que um colega de mesmo cargo, com cerca de 2,5 anos a menos de tempo de empresa e desempenho consideravelmente pior ganhava cerca de R$ 300,00 a mais. Éramos 3 com a mesma função na época. A outra funcionária, competente por sinal e com poucos meses de empresa a menos que ele, ganhava ainda R$ 200,00 a menos que eu (apenas um detalhe: ela é negra. Preconceito da empresa ou paranóia minha?). Infelizmente, não tínhamos como comprovar que se tratava de preconceito, uma vez que a empresa não possuia qualquer indicador para avaliar os funcionários.
Depois quando fico de mau humor enquanto ficam todos passando pelo setor e cumprimentando como se fosse uma data festiva, no mínimo pensam que é TPM...

Marússia Guedes disse...

Lola, realmente devemos comparar os ganhos numa mesma profissão. Sabe Lola, eu me considero feminista por querer que as mulheres conquistem sua liberdade e igualdade mas não por transformá-las em vítimas. Ainda há lugares em que as mulheres são realmente vítimas, lugares onde as mulheres nem recebem educação formal. Mas no ocidente não podemos mais vitimizar a mulher. Será os homens reservam as profissões menos remuneradas para as mulheres ou elas é que as procuram? Temos que questionar isto. Lola você merece receber pedidos de autógrafos, seu blog é muito importante. Espero encontrar você e dizer: você é a Lola? Eu sou a marússia e sou sua fã!

Liana disse...

excelente post (não, não estou sendo irônica)

Roberta disse...

Como li e ouvi bobagens hoje, do tipo, dia da mulher, descontos em anticoncepcionais e absorventes...

Roberta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Draco Bahamut disse...

Sinto muito mas não concordo. Eu me considero um masculinista (que é diferente de machista) e acho o dia internacional da mulher irrelevante se não houver um dia internacional do homem. Não porque as mulheres não mereçam um dia delas ou um marco para lembrar de sua luta. Mas porque o homem tem de ter um dia para repensar seu papel na sociedade. Já que há ainda tanta desigualdade no mercado de trabalho a resolução disso tem de ser feita pelos dois sexos juntos e não por antagonizar um ao outro. Eu posso dizer que cresci numa geração que já considerava a mulher igual ao homem e nunca oprimi ninguém e me sinto mal pela pregação unânime da vilania masculina.

Má disse...

Gente, estive lendo os comentários, mas acho que esse de "comparar a mesma profissão" necessita de ressalvas.
Comparando a mesma profissão então será que "geralmente" as mulheres tem o mesmo rendimento? Não entendi muito estas colocações..
Como comparar a mesma profissão com tantas variáveis? Tempo de serviço, tipo de empresa, plano de carreira sem levar em consideração que até no processo seletivo do setor privado não se pode garantir uma eqüidade na hora de contratação?
O que quero dizer com tudo isso é que na comparação de salários, uma análise mais macroeconômica está aí para demonstarar as desigualdades salariais. Não adianta tentar compararar as mesmas profissões em um nível micro, a não ser como ilustração de outra estatística..
Daí a realidade está aí para provar que as mulhers estudam mais, trabalham mais e ganham menos, ponto.
Segue aí um estudo do IBGE que só repete o que sempre ocorreu.

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/Mulher_Mercado_Trabalho_Perg_Resp.pdf

Através disso se ainda tem alguém que diga que elas escolheram certas profissões mal remuneradas livremente, dáí sim só posso dizer que é cegueira ou má-fé..

Abraço Lola!

Má disse...

Opa..o link do estudo estava incompleto..desculpe,,

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/Mulher_Mercado_Trabalho_Perg_Resp.pdf

Má disse...

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/Mulher_Mercado_Trabalho_Perg_Resp.pdf

Uiiii Lolinha, não estou conseguindo linkar...;(
QQ coisa apaga p mim....(é a pesquisa dp IBGE sobre as mulheres no mercado de trabalho divulgada hoje mesmo...)

Al disse...

Virei seu fã, só isso a declarar.

aiaiai disse...

e tem mais uma coisa que esqueci de colocar no comentário anterior:

esse negócio de dar flor morta é o fim, coisa mais século passado. acho nojento, um desperdício de terra, energia, trabalho, tudo para dar umas flores que vão morrer na sua frente até vc jogar eles no lixo.
eca!
pensem limpo!

Anônimo disse...

Lola, mais uma vez, concordo plenamente com você, mas me sinto obrigada a parabenizá-la, hoje e sempre, pela mulher incrível que você é!! Muito obrigada por ser esse modelo para mim.. ^^

Máh Belikova

Samira disse...

Muito bom o texto, Lola.

fernanda: onde eu trabalho tb: Cabelereiro... vai ter também workshop de dança do Ventre. Eu vou gostar mesmo quando for um workshop sobre investimentos, ou carreira.Acho q isto me faria sentir valorizada como profissional, não como enfeite.Mas se chegassemos lá,tv nem precisasse mais deste dia.

Quanto a discussão de como comparar os salários, lí hoje esta reportagem e acho que ela contribui para esta questão:

http://delas.ig.com.br/comportamento/por+que+eu+estudo+e+trabalho+mais+mas+ganho+menos/n1237551633812.html

Os dois tipos de comparação tem objetivos diferentes. Pensando em nível mais amplo, de entender o mercado de trabalho da mulher na prática, acredito que o mais adequado é comparar conforme a pesquisa: carteira assinada, emprego público, etc. Porque temos que lembrar que nem todas as escolhas estão disponíveis para todas as mulheres, por algumas questões levantadas pela reportagem e por outras que cansamos de discutir aqui. Me lembro de uma professora que eu conhecí que queria ser médica, passou no vestibular, mas o pai não deixou ela fazer pq teria q dormir fora de casa quando fosse dar plantão!!

Samira disse...

não saiu o link direito, mas tá no ig hoje: porque eu estudo e trabalho mais e ganho menos,ou qq coisa assim.

olhodopombo disse...

a Gisele Budchen ganha mais do que todos os modelos homens que existem,,,,,

Liliane disse...

Lola,
Hoje participei pela primeira vez de uma mobilização do dia internacional da mulher! E agora lendo o seu post lembrei-me indignada de uma construtora no Recife que paga melhor ajudantes de pedreiro do que Arquitetos! Lembro ainda que em Pernambuco a maioria esmagadora é de mulheres na Universidade de Arquitetura, na minha turma de cinqüenta alunos só tinham 15 rapazes, por que "homem que gosta de construção faz engenharia, arquitetura é coisa para mulher ou bicha" como cansei de escutar...

fabiii disse...

lola

vim aqui ja sabendo que teria um excelente texto sobre o 8 de março. nao me enganei!!

lola, te amo, tu eh a minha idola!!!

crizalyd disse...

Bom, o comentário da Má sobre a jornada de trabalho superior não é valido, pq a própria fonte explica que em média a jornada de trabalho das mulheres só é maior pq passam mais tempo em trabalho doméstico:

"As mulheres têm uma jornada total semanal de 57,1 horas, contando com 34,8 horas semanais de trabalho e mais 20,9 horas de atividades domésticas.

Já os homens, segundo a OIT, têm uma jornada total de 52,3 horas semanais, sendo 42,7 horas de jornada de trabalho e 9,2 horas semanais de atividades domésticas."

Não to dizendo que trabalho doméstico não é trabalho de verdade, to só dizendo que é difícil esperar que as mulheres ganhem EM MÉDIA um salário igual ao dos homens se passam MENOS TEMPO EXERCENDO TRABALHO REMUNERADO. O trabalho doméstico não é remunerado e infelizmente ainda é feito na maior parte pelas mulheres.

Na verdade, é muito raro encontrar mulheres ganhando menos do que homens se estão NO MESMO LOCAL DE TRABALHO E EXERCENDO O MESMO CARGO. As pesquisas dizem que as mulheres ganham EM MÉDIA menos do que os homens, mas isso não quer dizer que o mesmo cargo numa mesma empresa pague menos a mulheres. Médias consideram várias empresas e lugares diferentes, não é uma comparação válida para vc afirmar o que afirmou (a menos que vc mostre uma fonte confiável).

Já sobre as mulheres ocuparem as profissões que menos pagam, isso é uma escolha. Foda-se a sociedade, uma mulher só vira professora de primário se quiser fazer isso, ninguém a obriga (por mais difíceis que possam ser as condições dela, pra virar professora de primário ela precisa de mais qualificação do que outras profissões que pagam mais). Como vc mesma disse, elas estão se qualificando o suficiente pra conseguir algo melhor. É melhor motivar as mulheres a lutarem pelo que querem do que tentar acabar com o preconceito na sociedade. Ele só vai acabar quando as mulheres se imporem e mostrarem que são tão boas quanto os homens em qualquer coisa. Vc poderia começar fazendo o seu marido te ajudar no trabalho doméstico, pq se o seu marido não faz nada em casa, vejo que vc é uma ferreira com espeto de madeira em casa. Eu, pelo menos, admiro muito mulheres que se impoem e vão fazer o que gostam, ou o que querem, ao invés de se conformarem com um emprego meia-boca, com ter que fazer todo o serviço doméstico, e que ainda ficam reclamando da sociedade.

Por isso, mulheres, não se sujeitem à sociedade, vcs são donas de suas próprias vidas e podem fazer o que quiserem, só depende de vcs, acreditem em vcs e busquem sua felicidade!

Desculpa se o meu comentário ficou muito longo ou confuso, é pq eu fiz uma resposta pra esse post e pro post "EU QUERO UMA PEDREIRA!" duma só vez.

Gabriel Araujo

Anônimo disse...

Aiaiai, fiquei chateada por ter sido chamada de troll por você. O motivo por que eu escrevi aquilo já expliquei em comentário anterior, mas parece que você não entendeu. Que pena!

Ma, você continua querendo forçar a barra! Por favor, assim nossos argumentos ficam muito fracos! Temos que argumentar com inteligência, e não ficar forçando a barra, sendo parciais...

Gabriel, você me dá licença para assinar embaixo do que você escreveu? Adorei. Marciane

Gaúcho disse...

Concordo em parte com a Vickie, já vi muitas mães ensinando coisa que não presta pros filhos. Tenho uma vizinha que faz a filha ajudar bastante no serviço da casa, enquanto o filho não é cobrado em nada e tem o dia todo livre. O "em parte" é porque educar não é trabalho só da mãe, é do pai também, então o que ela disse deve se estender a pais & mães.

Já o comentário da Jux... por que a Lola não transforma num guest post?

Renata Minami: disse...

Existe sim o Dia Internacional do Homem, dia 19 de Novembro, para os desinformados.

Somnia Carvalho disse...

Lolinha,

eu adorei saber o porque da data comemorativa aqui com voce hoje! infelizmente minha ignorancia ia ate ai, eu nao sabia de onde vinha o 8 de marco... nao sei se aprendi um e esqueci totalmente ou se nunca aprendi.

brigada!
beijos

karina disse...

"Já sobre as mulheres ocuparem as profissões que menos pagam, isso é uma escolha. Foda-se a sociedade, uma mulher só vira professora de primário se quiser fazer isso"

frases como esta desconsideram contextos historicos, sociologicos e carecem, no minimo, de algum nivel de comparação (as coisas são como são em todo e qualquer lugar? em todo e qualquer tempo?) se não, se hà um padrão em contextos especificos, hà, sim, um papel desempenhado pela estrutura social que não reflete simplesmente escolhas individuais. Tecla na qual sou obrigada a bater durente todo o semestre de todos os cursos de sociologia que dei.

Quanto à educação de filhos, é super clichê dizer que educação é feita com exemplos (de pai e de mãe). Mas é verdade. Se meu filho é cuidado tanto pelo pai quanto por mim, ele entende que este papel é tanto do pai quanto da mãe. Mais do que natural ele brincar de boneca, dar banho, vestir, dar bronca e por a boneca pra dormir. Sogro acha o fim do mundo, meu pai acha o fim do mundo, no trabalho nem comento isso, que colega também vai achar o fim do mundo. Eu acho o màximo o fato de nosso exemplo ser absorvido desta forma pelo petit.

Excelente post.

karina disse...

So pra completar o comentàrio acima, não são escolhas individuais, ou caracteristicas individuais que fazem com que meu pai, meu sogro e meus colegas acham que meu filho brincar de boneca o diminui (afinal, não tem forma mais eficiente de humilhação do que um menino fazendo coisa "de menina", de "mulherzinha"). Não é por acaso que as pessoas pensam assim, e não é o acaso ou escolhas individuais que faz com que homens não sejam professores primàrios.

Má disse...

Olá Gabriel, vamos lá.
"Bom, o comentário da Má sobre a jornada de trabalho superior não é valido".
Não é o meu comentário, a fonte mesma demonstra que a "jornada" de trabalho feminina é maior, e sim que a mulher ganha menos.Claro que nessa jornada é considerado o trabalho doméstico, trata-se da reprodução social, base do próprio funcionamento da economia.
Mas no caso dos salário, não creio mesmo que a comparação seja neste cálculo direto que vc fez. Pois tradicionalmente as mulheres ocupam distintos cargos, e o modelo liberal prega que a "escolardade" que eleva o salário, não diretamente as horas trabalhadas. Neste sentido, o aumento da escolaridade feminia não se traduziu em uma melhoria dos salários proporcionalmente. Ainda que mesmo na questão das horas remuneradas, no dado que vc citou, o número de horas trabalhadas a menos das mulheres e sua respectiva porcentagem também não condiz com a proporção do salário recebido a menos que os homens (pois as mulheres trabalhariam em torno de 89% de horas que os homens, mas recebem 72.3% do salário dos homens.)
Acho que estas pespequisas, de caráter abrangente e com vários condicionantes servem para demonstrar que as mulheres são mais precarizadas sim, tanto que reafirmo minha leitura que recebem menos, trabalham mais, são qualificadas e menos regulamentadas. Creio que temos que fazer uma leitura ampla destes dados e outras questões que cercam os problemas de gênero, e naõ este recorte que vc citou.


Pois mesmo que não sendo intencional, quando diante de tantos dados, pesquisas e histórico de desigualdade, levantar apenas este dado que vc levantou sem as interferências dá a entender que as mulheres ganham menos pois trabaham menos,ponto, sendo esta a sua leitura.
Então parece que a questão salaraial estaria resolvida, pois não entendo onde querem chegar só com este dado, ou quando dizem "tem que comparar a mesma profissão".
Comparando a mesma profissão o salário é o mesmo então? Então onde estariam a diferença? De verdade que fico me perguntando, então se nessas leituras haveriam uma diferença salarial, ou não? Ou depende?

Aii Lolinha, fico triste que com tantos estudos, dados e estatísticas aí p demonstrarem ainda vem gente com estas leituras parciais. Quando leio isso, dá a entender que basta que as mulehre mudem de profissão, que depende unicamente de nossa vontade, de nossa educação na família etc..
É tudo muito individualizado mesmo..

Abraços e desculpe ficar longo!

Omar Talih disse...

1)Era uma vez uma linda moça que perguntou a um lindo rapaz:
- Você quer casar comigo?
Ele respondeu: NÃO!
E a moça viveu feliz para sempre, foi viajar, fez compras, conheceu muitos outros rapazes, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava nada, bebia cerveja com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela..
O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou, ficou sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma MUL HER.
FIM!!!

2)Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: - Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre...
E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a p rincesa sorria e pensava:
- Nem fo....den...do!FIM!!!

(Luís Fernando Veríssimo)


Creio que isto é a minha resposta.
Achei esses contos do Veríssimo no blog "Bucomania".

Anônimo disse...

isso que da mulher querer trabalhar fora de casa. Minha mulher não queria passar muito tempo na cozinha. Não tive dúvidas, mandei colocar o fogão na sala.

crizalyd disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
crizalyd disse...

Má, realmente, as mulheres ganham menos por hora de trabalho, numa média geral. Mas como a própria Lola disse, mulheres costumam exercer profissões menos remuneradas. A maioria dos médicos é de homens, e a maioria dos enfermeiros é de mulheres. Não dá pra querer que enfermeiras ganhem tão bem quanto médicos. Se os homens costumam exercer profissões mais bem remuneradas, é natural as pesquisas mostrem que eles ganhem mais, afinal, não estão considerando cargos e profissões específicos...

Agora, não dá pra dizer que um homem e uma mulher igualmente graduados e qualificados, ocupando o mesmo cargo na mesma empresa vão ganhar salários diferentes. Se vc tem provas de que isso acontece, mostre, e discutiremos o porquê. Cargos com comissão não contam, pq obviamente depende de cada um.

Karina, sobre as profissões que as mulheres escolhem, concordo com vc de que há uma bagagem histórico-cultural influenciando. Mas isso não define o que a mulher vai fazer. Ela define o que ela vai ser e fazer, e não é a sociedade que vai impedi-la. Tenho duas amigas que fazem engenharia civil na Unicamp. É uma área tradicionalmente masculina, mas isso não as impediu de lutarem pelo que queriam e seguirem esse caminho. Ambas tiveram bolsa de 100% no cursinho e estudavam em escola pública. As pessoas ficavam as chamando de pedreiras e tdo mais, mas isso não as desmotivou. Elas serão engenheiras, mas porque tiveram determinação pra correr atrás disso. Mesma coisa com qualquer profissão que uma mulher queira exercer. Então, repito: uma mulher só será professora primária se quiser. Ninguém obriga uma mulher a ser professora primária, principalmente no Brasil, onde os professores ganham tão mal. Se os pais fossem escolher uma profissão e obrigar uma filha a segui-la, com certeza não seria essa.

Então, concordo que há sim uma influência da sociedade. As pessoas sempre pegam no pé e tentam te desestimular. Mas ngm pode tirar a sua liberdade pra escolher o que vai ser. O problema é que muitas de vcs se conformam só com reclamar da sociedade. Você dá aulas em curso sociologia e não na educação primária porque vc quis e foi atrás disso, não é?

Então, desfrutem da sua liberdade de escolha, da sua liberdade de ação, enfrentem quem quer que seja pelo que vcs querem. Persigam os seus sonhos e não se conformem com menos, não se conformem com empregos mal remunerados que não as satisfazem.

Gabriel Araujo

Bela disse...

lola, queria vir aqui antes, mas nao tive tempo. ia perguntar qual e a sua opiniao sobre dia das mulheres - eu acho que eh uma bobagem que acaba reforcando os preconceitos, mas deve ter algo de bom, nao? senao as minorias nao lutavam por um dia pra elas? sei la. bjs!

karina disse...

Ok, Gabriel. Pessoas fazem, pessoas escolhem, pessoas lutam. Concordo com você, não se trata de uma determinação. Trata-se de um certo estado de coisas mais geral, mais estrutural, de uma certa organização da vida e do mundo que se manifesta de forma mais ou menos forte conforme o grupo, ou seja, nem todos estão sujeitos a um estado de coisas coletivo do mesmo modo ou na mesma intensidade. Minha situação é diferente da situação da menina que trabalha desde sempre como empregada doméstica. Este estado de coisas geral que chamamos de organização patriarcalista da sociedade me afeta, mas não da mesma forma em que afeta esta menina. Ninguém obriga uma mulher a ser professora primària. Mas as escolhas colocadas diante dela podem não ser muito variadas. Uma das formas de limitação destas escolhas é a restrição dos papéis que desempenhamos na sociedade em geral e em nossos grupos. Algumas profissões são femininas por remeter ao restrito papel feminino de cuidadora de crianças , por exemplo. Por isto dei o exemplo (tosco, eu sei, mas é so um exemplo) da revolta gerada pela idéia de o meu filho brincar com bonecas, ele quebra esta expectativa de papéis. Outra coisa, é que não se trata de as pessoas pegarem no seu pé, pura e simplesmente (o que o proprio exemplo dado por mim daria a entender), mas sim da forma como somos socializadas, do que se espera de nos, e, principalmente, das opções que são colocadas diante de nos. Você menciona exemplos de suas amigas, mas devemos nos lembrar que somos afetadas de modo distinto. Não acho que nos conformamos so em reclamar da sociedade, não. Acho que a maior parte de nos batalha um bocado pra não se conformar a tantas restrições. Agora, você està certo em uma coisa, sabe ? no Brasil nossa luta é quase individual, pessoas lutam. Não hà claramente uma identidade feminina ou feminista como na França, por exemplo, que é onde vivo atualmente. Com isto o que temos é a ausência de movimentos sociais feministas ou a existência de movimentos muito enfraquecidos. Os temas que a Lola discute aqui não têm força em uma arena social e politica mais ampla, apesar de serem das coisas mais pertinentes e urgentes a serem discutidas. A coisa é individual e focalizada e mulhers são pouco organizadas como grupo no Brasil.

Valeu, obrigada por me responder.

Camila Strongren disse...

Olha só que coisa! Estava lendo algumas postagens aleatórias e cheguei nessa, e tenho o costume de ler os comentários também, e li o comentário da Mariana falando sobre uma declaração do goleiro bruno:

"Aí, na coletiva, perguntaram ao Bruno sobre tudo isso e ele respondeu mais ou menos assim:

"Quem aqui que é casado e nunca brigou com a mulher? Discussão é necessaria as vezes... Quem é aqui que nunca até saiu na mão com a mulher? Em briga de marido e mulher ninguém se mete!"."

Então, pra gente que diz que essas pequenas atitudes domésticas não tem nada demais, taí a prova. Ele achava que não tinha nada demais o companheiro de clube bater em uma mulher, como não teve nada demais ele matar uma mulher grávida de um filho dele