quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O ESCÂNDALO DA MÉDICA NO AEROPORTO DE ARACAJU, E O NOSSO

A médica e a monstra.

Ai, ai, mais um barraco que a gente fica sabendo graças aos vídeos no YouTube e ao destaque dado pelos blogs. Eu vi o vídeo semana passada, achei um absurdo mas não ia falar nada. Porém, minha querida leitora Luma pediu pra que eu comentasse, e lá vou eu. Como você pode ver no vídeo (se não der pra vê-lo, vá no YouTube e escreva "escândalo aeroporto Aracaju", que aparece), uma jovem passageira fez um escândalo no check-in da Gol, no aeroporto de Aracaju, Sergipe. Isso foi no dia 26 de outubro. Ela e o marido iriam viajar em lua de mel para a Argentina, mas chegaram quando o embarque estava encerrado, entre sete e quinze minutos antes do avião decolar (as fontes variam). E os funcionários não os deixaram entrar. Revoltada, a moça surtou, pulou o balcão, sentou-se na esteira das bagagens, e chamou os funcionários (a maior parte negros) de cachorro, mortos de fome, e nêgo.
Mais tarde, um dos funcionários tentou entrar com queixa contra ela por crime de racismo, mas o delegado não aceitou, por falta de provas. Oi? Tinha um monte de testemunhas lá. Tem o vídeo. Pra mim, chamar alguém de nêgo parece ser racismo, sim. Por que o delegado não aceitou a queixa?
Depois descobriu-se que a moça é médica do serviço público de saúde, e que seu marido é policial federal.
Dá uma raiva danada ver o vídeo, que me lembrou um amigo, muito nervoso, que antes de fazer terapia, costumava dar piti nos aeroportos. Convenhamos: perder a calma num aeroporto não é algo difícil. Os voos atrasam ou lotam. Tem que se esperar horas (por isso que eu, francamente, prefiro ônibus pra qualquer viagem que dure até oito horas). Raramente os problemas são responsabilidade dos funcionários da empresa aérea. Acho até que dificilmente se pode culpar a empresa. Muitas vezes o problema é o mau tempo, que fecha os aeroportos. Mas todos nós temos compromissos e horários pra chegar (eu quase perdi meu concurso em Fortaleza, lembram?), o que deixa os nervos à flor da pele. Enfim, nessas horas esse meu amigo perdia a calma e gritava com os funcionários. Era embaraçoso. Até que sua filha adolescente, presenciando uma das cenas, explicou pra ele: “Pai, você tinha razão antes. Quando passou a gritar, perdeu a razão”. E é verdade: no que vai ajudar armar um barraco?
A reação da médica é típica de uma certa classe social que, contrariada, berra: “Você sabe com quem está falando?!”. É uma classe que não admite que não se dê um jeitinho pra resolver os seus problemas, já que ela está acima dos “mortos de fome”. Não tenho nenhum respeito por várias atitudes preconceituosas dessa classe (média e alta), da qual mais ou menos faço parte (pelo jeito, estatisticamente, estou mais pra C―renda familiar mensal até R$ 4,800―, e este comportamento é mais frequente nas A e B). É uma classe que não gosta do Brasil, ou até gosta das belezas naturais do país, “o problema são os brasileiros”, como costuma dizer. E lógico que numa afirmação dessas vem embutida uma enorme carga de elitismo e racismo.
Portanto, acho que a médica deveria ser processada por racismo. Acho que deveria ser obrigatório que ela fizesse terapia. E que seu crime fosse pago com serviço social e cestas básicas. Quero também que o delegado explique por que não aceitou a queixa do funcionário.
Mas agora vamos por o pé no freio, por favor. Pelo que ando lendo em alguns comentários, tanto em blogs quanto no YouTube, tem gente praticamente pedindo a pena de morte pra médica. E a chamam de mil e um palavrões, de mimada, patricinha, filhinha de papai, até os clássicos femininos (baranga, puta, vagaba etc). Um dos comentários dizia que o marido falhou porque tinha que ser másculo naquele momento e “ser firme” (incitação à violência doméstica, anyone?). Outro dizia que é assim mesmo, que quanto mais se estuda, mais ignorante se fica (vamos fechar todas as universidades, então, se estudo é tão ruim pra humanidade!). Outro queria desmerecer a moça não por causa dos insultos que disse, mas por ela provavelmente não ganhar mais que 2 mil por mês e, chute, nunca ter entrado num avião antes (ou seja, pela mensagem que captei, a médica nem seria rica o suficiente pra se comportar como tal). Mais um: que a médica deveria ser punida exemplarmente, porque manchou a imagem de Aracaju, de Sergipe, do Nordeste e de todo o Brasil (sério? Nossa imagem é tão frágil que basta um episódio individual pra manchá-la?). Outro: que ela deveria perder o emprego, porque, como médica do serviço público, lida com pobres e negros que ela tanto despreza. Esse argumento até tem lógica. A médica mostrou o seu preconceito contra a classe mais baixa. Só não concordo com a sentença: perder o emprego.
Não sei, talvez porque sou da paz, talvez porque sou ingênua, acredito na reabilitação das pessoas. Tenho certeza que essa médica se arrepende de como agiu. Entretanto, ela cometeu um crime, e deve pagar por ele. Como? Com prisão? Óbvio que não. As prisões estão sobrecarregadas e raramente reabilitam alguém (não só no Brasil; nos EUA também). Pelo contrário, em inúmeras vezes servem como escolas do crime. Portanto, prisão, no meu entender, é pra quem cometeu um crime muito grave e que representa um perigo para a sociedade. Perigo não só físico, mas também financeiro (quando a dona da Daslu não permanece presa, as chances d'ela sonegar impostos e fazer contrabando novamente são enormes. O mesmo vale para os políticos corruptos). Tá na hora da gente ter uma justiça um tiquinho cega, que não absolva os ricos e puna apenas os pobres. Mas usar essa médica como bode expiatório não melhora muita coisa. Imaginem que ela fosse estudante de uma faculdade particular. Ela chega na aula e 700 alunos a cercam e começam a gritar “Doida racista! Doida racista!”. Justifica? É isso que queremos?
Não vai ser linchando alguém que vamos ter paz. Adotar uma reação violenta nos faz tão violentos quanto o criminoso. E eu tô cansada de violência.

68 comentários:

Mei disse...

Falta de educação foi a única coisa que pensei quando vi/li tudo isso. Dinheiro, classe social, status, e o escambau não compram dignidade. Detesto barraco + gente mal educada...tenho vergonha, não ajudo e saio de perto. urgh.

Giovanni Gouveia disse...

Boa parte da minha família trabalha(ou) em companhia aérea, conheço uma ruma de gente de companhia aérea, e tod@s são unânimes em afirmar:
"Passageiro aéreo é a pior espécie de gente..."
Voar sempre foi coisa de elite (há algum tempo vem perdendo esse status com o barateamento das passagens), e (claro que sem generalizar) quem compra um bilhete aéreo sente-se como se fosse um semideus, ou um deus, acima de tudo e de todos, com todos os direitos e nenhuma obrigação (por exemplo chegar com uma hora de antecedência pra fazer o check-in).
Agressões a funcionários ocorrem sempre, e revides também.
A cordialidade não costuma freqüentar filas de check-in...

Guilherme Menezes disse...

Os problemas são vários: falta de educação e racismo da médica, pessoas (não só o marido) omissas, ausência da polícia federal que deveria estar no aeroporto (bom, se o marido for mesmo policial federal, o corporativismo vem à tona)... Mas pena com "cesta básica" não resolve... Uma MULTA MUITO "PESADA" e retratação (ainda que falsa) ensinam a "viver" em sociedade. Agora, por que nõa quiseram resgistrar a queixa, bom, policiais estão acima de todos, né?

Giovanni Gouveia disse...

Em tempo, houve um flagrante de delito (racismo), a polícia teria obrigação de autuá-la e recolhê-la (crime inafiançável), mas, a exemplo da Lei Maria da Penha, esse crime tem sido desmerecido tanto pela polícia como pelo judiciário, que têm utilizado o eufemismo da Injúria que é um crime menor.
Olha aí o estudo da UnB
http://www.unb.br/noticias/unbagencia/cpmod.php?id=44649

Luma Perrete disse...

O funcionário foi na delegacia de grupos vulneráveis prestar queixa, já que não deram atenção pra ele na delegacia plantonista.

Eu acho que não tem nada que justifique você ser mal educado com alguém. Teve gente falando que era pra relevar, porque ela estava em uma situação de muito stress, mas os funcionários também estavam. Tem que ter muito sangue frio pra ouvir aquele monte de besteira e não fazer nada.

A dita "elite aracajuana" me dá vergonha às vezes. Esse comportamento que ela teve é mais comum do que se imagina.

aiaiai disse...

Bom, Lolinha, eu sou mais radical do que vc kkkk, acho que tem que aplicar a lei e, como disse o giovanni, racismo é crime inafiançavel, portanto, pelo menos umas horas de cadeia a moça deveria pegar.
Mas, concordo com vc que os comentários foram bastante absurdos.
lamentável

paloma disse...

Que horror, criminosa mesmo!
Ela usou o termo "nêgo" como um insulto, está óbvio, como se fosse a pior palavra que lhe ocorria naquele momento para qualificar o funcionário!
Mas eu fiquei aqui pensando no pobre do marido! Imagina! Casou e antes da lua-de-mel já descobriu a bomba que levou para casa! Coitado!

MANU disse...

ah lolinha...que coisa triste não é mesmo?é horrível ver uma coisa dessas assim em flagrante e não poder acreditar que é ficção.concordo com vc acho que ela deveria ser processada e deveria cumprir a pena trabalhando de graça pra os "mortos de fome" que ela tanto odeia ,quem sabe abriria alguma brecha na consciencia dessa estúpida descontrolada né?mas o que mais me chamou atenção foi a atitude do tal delegado...what the hell?ele tb deveria ser processado por omissão ao cumprimento da lei isso sim.triste.lolinha eu te mandei um email com meu endereço como vc pediu.recebeu?bjjjjj

Elaine disse...

Lola,
Em determinada parte do seu post você diz que é da paz e acredita na reabilitação das pessoas. Eu concordo com você. Claro que a moça errou, e vendo o vídeo dá mesmo uma raiva danada. Mas eu não a conheço e acho que não dá para julgar alguém baseado unicamente em um momento dessa pessoa. Claro que o episódio diz muito sobre ela, mas não diz tudo.
Apenas acho que deve sim haver punição. Nervosa e estressada ou não ela não pode sair fazendo isso por aí. Seja ela quem for, esposa de quem for. Nem ela nem ninguém, aliás.
Beijos.

Má disse...

Oi Lolaa!!
Acho ótimo hj em dia ter youtube etc e circular esses vídeos e ser pelo menos comentados nos blogs!
Pior que este kit-preconceito ( de classe, de cor, de orientação sexual, de gênero) se mostra mais nessas horas de situação limite mesmo né,,dá p ver como são as pessoas mesmo! Mostruosa!

Só não acho que "quem grita perde a razão". Acredito que as vezes precisamos gritar sim para ser ouvidos. O problemas dessa mulher não foi ela ter dado barraco, foi o conteúdo racista e elitista.
Por exemplo, só p ilustrar, em um hospital público há situações que vc precisa gritar p ser atendido ou dar barraco p que não te desprezem. Entre outras, por exemplo eu tb daria barraco se um homem vir falar coisas obscenas na rua, etc etc...

Bom, mas de qq maneira, gostaria que fossem mais divugados estes casos e punidos sim p mostrat que não pode ser tolerado esse tipo de atituide!
Uma coisa (ainda que detestável) é vc pensar isso, outra é achar que pode gritar isso em lugar público!
O combate pela pena acho que pode ser sim eficaz!

Beijão!

Giovanni Gouveia disse...

Elaine, e se, ao invés de agredir com palavras ela desse um único tiro no peito do funcionário?
Seria julgada por um único momento também, não era?

Rubens Oliveira disse...

NADA justifica o piti dela. Além do mais, ela chegou entre sete e quinze minutos antes do avião decolar.

Oi? TODO MUNDO SABE que o checking de voo internacional é de 2h antes do avião decolar.

Ela está errada em todos os aspectos e não existem justificativas.

Ponto final.

L. Archilla disse...

eu fico louca com essas coisas. sem dúvida, ela foi racista e devia pagar por isso como manda a lei (sendo presa). também acho que são nessas situações de estresse que o verdadeiro preconceito aparece, o fato de ela ter "perdido o controle" não justifica uma fala racista.

mas uma coisa que me chamou atenção, principalmente nos comentários do youtube, não foi os xingamentos misóginos, pois isso eu já esperava, mas a fala (que até apareceu aqui, em menor proporção) "coitado do homem, acabou de casar e já tem que passar por isso", "deve ter se arrependido", etc. gente, não conheço o casal e não tenho a menor ideia de como seja essa união, mas hoje em dia, tirando raras exceções, ninguém casa sem conhecer o futuro cônjuge. pode ser, sim, que ela tenha fingido ser uma pessoa sem nenhum preconceito e arrogância durante todo o namoro e noivado, mas é apenas uma hipótese remota. acho muito mais provável que o homem seja tão preconceituoso e elitista quanto ela, mas soube se controlar melhor. eu, como militante anti-preconceito que sou, se um namorado, pretendente, ou etc começa a demonstrar racismo, homofobia ou algo do tipo, pulo fora. pode ser lindo, inteligente, milionário, o que for - é uma questão de princípios. se o cara tolerou toda essa arrogância durante namoro E noivado, provavelmente também não é flor que se cheire. precisamos destreinar essa visão de que o homem está certo até que se prove o contrário.

Anônimo disse...

Lola, li seu comentário sobre o episódio do aeroporto e a conclusão que cheguei é de que apesar de no início do texto você "fingir" que foi contra a atitude da médica, no decorrer deixou claro que concorda e muito com o que a médica fez. Você deve ser amiga dessa médica ou até mesmo igual a ela , igual em relação à comportament, pois como você disse pertence à classe C.Pra você ela não deveria ser punida né? que pena que você usa seu blogg pra defender pessoas assim!!mas é como vc disse as pessoas que fazem o Brasil.

L. Archilla disse...

Senhooooor! ahahahah

se eu falasse com anônimo, perguntaria onde a Lola disse que ela NÃO TERIA QUE SER PUNIDA?

mas enfim, voltei pra escrever mais uma coisa que lembrei depois. sou contra a psicoterapia nesse caso, como punição, porque não costuma funcionar. quem procura a terapia é quem se sente incomodado, não quem incomoda. a terapia faz com que a gente amplie nossa visão sobre a situação que estamos vivendo, para que possamos sair ou lidar melhor com ela. pra médica, está tudo maravilhoso: ela perdeu a paciência, deu o piti, ofendeu todo mundo e saiu impune. uma terapia forçada, no caso dela, seria o equivalente a um sermão.

lola aronovich disse...

Pois é, Gio, eu sei disso de que pessoas que trabalham em aeroporto tem que aturar o pior tipo de comportamento. Tenho que confessar uma coisa, e é preconceito meu mesmo: não gosto de aeroportos, por causa das pessoas que os frequentam. Tem muita gente que anda com o nariz empinado. É preconceito meu, porque a maior parte dos passageiros, quero acreditar, não têm os mesmos pensamentos desta médica. Mas a gente sabe que tem muito dessa atitude do “vc sabe com quem está falando?”, que é absolutamente detestável.


Concordo, Guilherme, tem que ter uma multa muito pesada e serviços a prestar pra comunidade. Essa é uma coisa que eu sempre penso: em casos de corrupção, fala-se em punição (aliás, geralmente, em impunidade), mas raramente se fala da pessoa ter que devolver o dinheiro. Eu lembro de quando levei um amigo finlandês pra uma passeata pró-impeachment do Collor, em SP, e ele, que concordava com todos os nossos argumentos, não conseguia acreditar que ninguém falasse em ter que devolver o dinheiro. É um velho cosume brasileiro.

lola aronovich disse...

Luma, mas não é só a “elite aracajuana”. Esse tipo de “elite” tem em todo lugar. E não só no Brasil. Certamente a elite da Venezuela, do Equador, do Peru, é igualzinha. Qualquer país que tenha uma enorme desigualdade social tem elites assim. Não pense que é “privilégio” do Sergipe, não.


Má, tem essa vantagem dos celulares terem câmera e tudo poder ser registrado e parar no YouTube hoje em dia. Quer dizer, isso pode ser muito ruim, mas, neste caso, é bom. É bom que as pessoas vejam cenas como esta, porque elas não são nada raras. E sobre “gritar perder a razão”, concordo, é relativo. No caso de uma mulher ser apalpada acho que tem que armar barraco mesmo. Mas aí, sabe, é uma pessoa reagindo a um crime. É diferente de gritar num hospital público. Não sei, sei lá como eu agiria se precisasse de atendimento urgente pra alguém que eu amo e os funcionários não me dessem bola... Mas, como regra geral, acredito que armar barraco não é bom.

lola aronovich disse...

Rubens, concordo plenamente: nada justifica o piti dela. Ela esteve errada em 100% do vídeo.


Lauren, eu tb notei isso! Muita gente falando do marido... Tá até rolando um boato que ele vai pedir pra anular o casamento. Eu realmente não sei como funciona a dinâmica desse casal, se eles se conhecem faz tempo, ou casaram rápido. Mas é possível que o cara nunca tenha visto a moça num momento de grande tensão. Lógico que esses pensamentos dela se revelam em outras ocasiões (é difícil esconder). Inclusive, a gente pode imaginar em quem ela vota, porque, tirando o preconceito racial, é a mesma coisa que a elite dispara contra o Lula (bando de analfabeto etc) faz décadas...Mas vai ver que todo o convívio social desse casal é com pessoas que pensam igual. Vai ver que o marido pensa assim, só que se controla pra não revelar seus preconceitos. Note que, no vídeo, ele toma uma atitude assim que ela fala “Nêgo”. Ele está ciente que ela está sendo racista. É nessa hora que ele a interrompe, antes que ela fale mais besteira.

lola aronovich disse...

Anônimo, primeira vez aqui no blog? Não posso te dar as boas vindas, porque vc não tem nem coragem de assinar seu nome. Eu não participo de linchamentos. Não vou com a turba. Não preciso “fingir” que fui contra a atitude da médica. Praticamente todo post que escrevo mostra bem o meu ponto de vista sobre preconceitos. Só porque não defendo a pena de morte contra a médica não quer dizer que eu a esteja defendendo. E de onde vc tirou que ela é classe C? Classe C é renda familiar mensal entre 1000 e 4800 reais. Ela e o marido devem receber o dobro disso. Não é a minha classe social, e muito menos a minha atitude. Pessoas como vc também fazem o Brasil: pessoas que querem linchar as outras e não têm nem coragem de mostrar a cara.


Lau, pois é, às vezes eu penso se não deveria fazer como a maior parte dos blogs e não aceitar comentários anônimos... Mas eu falo em psicoterapia pra médica não como forma de punição, mas de reabilitação. Eu acho sim que a moça deve estar arrependida. Talvez não arrependida do que pense (o pensamento dela é construído a longo da vida inteira), mas de como agiu, de como revelou esses pensamentos. E fica mal pacas que ela trabalhe como médica em rede pública, tratando dos “mortos de fome” que ela tanto despreza. Quem sabe, depois disso, ela note que tem um problema, uma contradição enorme em sua vida. E não defendo que ela faça APENAS terapia. Considero essa a parte não-punitiva da sentença que ela deveria receber.

Anônimo disse...

Lolinha,se não podemos enviar ou se você acha covardia enviar post para seu blog como anônimo tire essa opção . Lembre-se tenho esse direito, mas vc não entende né? tens o perfil da médica! Quando me conhecer deverá fazer a mesma coisa que ela fez. Acho que você não entendeu disse quando falei da diferença sua e dela, disse que vc não é igual a ela pq você pertence à classe c como disse no seu texto mas igual no comportamento já que defende. Você disse que um episódio desse não mancharia a imagem de Aracaju, realmente posso até concordar mas atitudes como a sua de querer defender essa médica, ah isso sim mancha e envergonha a todos.
Olha só o que você disse: “Só não concordo com a sentença: perder o emprego.
Não sei, talvez porque sou da paz, talvez porque sou ingênua, acredito na reabilitação das pessoas. Tenho certeza que essa médica se arrepende de como agiu.”
O que é isso?claro que deve sim perder o emprego , ela é médica não tem equilíbrio psicológico para tratar pessoas humildes e negras, mas tratar pessoas como você ela pode sim.
Olha só outro comentário seu: “Portanto, prisão, no meu entender, é pra quem cometeu um crime muito grave e que representa um perigo para a sociedade.” Lolinha, racismo é crime inafiançável. E quem sabe o que essa moça poderia fazer caso o nível de estresse dela aumentasse?
Olha só o que você diz no final: “Mas usar essa médica como bode expiatório não melhora muita coisa.” Claro que temos que usar alguém como exemplo lolinha, é com omissão de pessoas como você que fazem crescer esse tipo de atitude .
Continuarei a ser anônimo para você, quem sabe quando você estiver civilizada eu posso te mandar meu MSN para conversarmos.
Beijos

MANU disse...

lolinha!vc não me respondeu!vc recebeu meu email?bj

Luiz disse...

Esse Anônimo não é anônimo coisa nenhuma, ele se chama Burrice Tacanha Precário de Mais.

Masegui disse...

Lola,

O link que você passou não funciona, o vídeo foi removido. Mas dá pra opinar com base no que você narrou:
A mulher deve ser punida, claro. Acho prisão forte demais, num caso desses, mas uma multa bem pesada e unm tempo de serviços comunitários ia muito bem.
A propósito, tenho um enorme desprezo por essa "gente do nariz empinado" que acha que o mundo gira em torno deles.

Masegui disse...

Lolinha,

Pelo visto essa pessoa anônima não vai entender... desenha pra ela, vai!

lola aronovich disse...

Anônimo, vc não respondeu: é sua primeira vez aqui no blog? Porque se você ler praticamente qualquer outro post entre os, sei lá, 1500 que escrevi, você verá que sua acusação de que eu sou igual à médica não faz o menor sentido. Alia's, volta e meia vem alguém aqui no blog dizer que eu tenho preconceito contra médicos, contra classe média, contra ricos etc etc.
E quem disse que eu quero falar no MSM contigo? Como se fosse uma HONRA pra mim falar com alguém tão intolerante e agressiva como vc, que ainda por cima se esconde por trás do anonimato. Além do mais, deus me livre te conhecer pessoalmente e me comportar que nem a médica. Eu provavelmente passaria a gritar “Povo bando de analfabeto” e “Morta de fome” só de olhar pra vc, é isso? Ponha a mão na consciência, Anônimo. Vc não tá dizendo coisa com coisa. Primeiro diz que eu FINJO ser contra a atitude da médica. É, eu escrevo um blog com atualização diária pra FINGIR coisas, não pra expressar as minhas opiniões. Depois vc diz que eu devo ser amiga da médica. Eu não tenho muitos amigos médicos, e não tenho nenhum amigo de Sergipe, porque infelizmente nunca estive lá (isso vai mudar em breve, espero!). Mas, se eu fosse amigona pessoal da médica, por que eu escreveria um post sobre o assunto? Não seria melhor simplesmente não falar nada, não divulgar um vídeo que faz a moça ficar tão mal na fita?
O cúmulo seu preconceito é vc dizer “quando vc estiver civilizada”. Vc divide a população entre civilizados (quem pensa exatamente como vc) e bárbaros? E o seu jeito de argumentar faz parte da civilização?


Manu, eu respondi o seu email! Não recebeu?


Luiz, é, bom, deve ter nome pra isso.

Sheryda Lopes disse...

Lola, concordo com vc com a questão de não se responder com violência também, mas confesso que esse sentimento é muito fragilizado quando se trata de violência contra as mulheres e estupro. É muito difícil para mim acreditar na reabilitação de homens que batem em suas esposas ou estupram mulheres e crianças. Tenho sentimentos muito ruins em relação a essas pessoas, um completo repúdio. Mas não acho isso bom. Não dá para perpetuar o ciclo.

lola aronovich disse...

Mario, renovei o link. Acabei de ver o vídeo no YouTube, e ele está funcionando: http://www.youtube.com/watch?v=g9604HtwrR8
Mas eles tiram... Aí é só escrever de novo algo como "aeroporto aracaju escândalo" que aparece.
Não tenho muita paciência pra discutir com anônimo que já vem com 30 pedras na mão. Inclusive eu tenho uma leve suspeita de quem essa anônima pode ser...

Teresa Silva disse...

Nos comentários dessa história li que a Gol proíbe os funcionários de processarem os passageiros que os maltratam, ameaçando de demissão. Não duvido disso, mas o funcionário não a denunciou por racismo?

Por que, ao contrário da garota da UNIBAN, os jornais e a TV não foram investigar mais essa história, buscando depoimentos dos funcionários e da chiliquenta? Será que por que foi em Aracaju, não em São Paulo? Ou é mesmo verdade que a imprensa não dá destaque a crimes de racismo?

Tenho pena dos funcionários de companhias aéreas nos aeroportos desde aquela história do caos aéreo (Acabou por milagre? Não ouvi mais nada a respeito). Vejo que os guichês são muito abertos e os deixam vulneráveis a agressões físicas e a invasões como a dessa chiliquenta. Por que não fazem guichês como os das rodoviárias, com paredes de vidro para proteger os funcionários?

Quanto ao boato de que o marido quer a anulação do casamento por descobriu com quem tinha se casado: tem uma autora de um livro sobre psicopatas, Mentes perigosas, que ensina como identificar um. Entre as dicas, ela diz que é um psicopata quem dá súbitos ataques de fúria gritando, ofendendo e agredindo as pessoas ao redor. Faz sentido?

Anônimo disse...

Pois é Lolinha é a minha primeira vez...e última!!!bjs e continue "sendo da paz, talvez ingênua e acreditando na reabilitação das pessoas. "

lola aronovich disse...

Putz, Shery, eu também. Não tenho nenhuma compaixão por homens que estupram, batem na mulher, são cruéis contra animais, etc. E acho que deve haver um caráter punitivo nas sentenças, lógico. Mas, ao mesmo tempo, eu faço de tudo pra acreditar que as pessoas podem mudar. Que a reabilitação é possível. Que uma prisão não deve ser apenas um lugar pra punir o criminoso e mantê-lo longe da sociedade, mas também um local de reabilitação. Acho que todos nós (menos os que são a favor da pena de morte, que é uma sentença que comprovadamente não funciona, não abaixa a criminalidade) gostaríamos que um criminoso saísse da prisão melhor do que entrou. Mas é o contrário que acontece. O criminoso sai pior. É por isso que nossas prisões são ineficazes. No caráter punitivo ninguém duvida que elas funcionam—deve ser um inferno viver numa prisão. Mas no caratér de reabilitação, fracasso total.
No caso de pedófilos é super complicado, porque são pessoas doentes, e pelo jeito isso não tem cura. Os estudos indicam que um pedófilo dificilmente “deixa” de ser pedófilo. Nesses casos, não vejo outro jeito do que manter o criminoso longe da sociedade pra sempre, ou no mínimo longe de crianças, depois que ele paga a sua pena. No caso de serial killers e serial rapists, não tem muito o que fazer. Não tem reabilitação. Tem que proteger a sociedade em primeiro lugar, e o jeito é manter esse pessoal preso.
Mas casos de homens que batem em mulher têm reabilitação, sim. Tá cheio de grupos de apoios pra esses homens, e esses grupos conseguem transformá-los. Acho que o mesmo é possível no caso de pessoas racistas, como o desta médica.

Anônimo disse...

Eu concordo com você quanto a pedir a cabeça da moça e os palavrões. Não vai ser decendo ao nível dela que a justiça será feita. Nos EUA ela seria séria candidata a passar por um Anger Management (viu o filme com o Adam Sadler????), aqui... é esperar para ver os próximos capítulos. De uma coisa tenho certeza... ela É preconceituosa... toda a filmagem mostra que ela já estava acostumada a fazer birra. Ficar sentada nas esteiras não ia resolver... no máximo ela seria jogada em outra aeronave como peso morto... ehehehehehhe... não pude resistir. Só uma pessoa com sério distúrbio psiquiátrico para não entender que é impossível (pelo menos para os mortais comuns) chegar ao aeroporto 11 minutos antes do vôo, com malas que precisam ser despachadas, e embarcar. Rogo que ela procure um tratamento médico!

Bárbara Reis disse...

Não deu pra ver o video. E me deu preguiça de procurar. Concordo com você, Lola, ela dever ser punida sim, com serviços sociais e o delegado também.
Quanto ao nivel de escolaridade dela, acho que o que vale numa pessoa é caráter. Pode ter estudado em Harvard, sem caráter ela não é nada. Não adianta julga-la pela formação, e sim pela atitude dela. Pessoas assim me cansam... me dão preguiça. Ainda mais, porque meu pai é assim. Segunda, no feriado, eu reclamei dos comentários racistas dele, e ele falou: - Não sou racista, só não gosto de preto.
'¬¬
Quando eu era mais nova, ele viu um rapaz negro e disse: - Se você me aparecer com um desse em casa, já sabe.

Ou seja, esse tipo de coisa me causa fadiga de discutir com pessoas assim...


Beijão, Lola!

Mei disse...

Eu revi o video e...argh. A "fofa" chega 15 minutos antes pra um voo internacional e ainda quer embarcar. O_O Alocka! E é racista, grossa e merece sim uma gailoinha...ou trabalhar com os "mortos de fome" pro resto da vida.

Mariana N. disse...

No mínimo ela sempre foi chiliquenta mesmo. Eu sei porque eu sou meio assim (não a ponto de sair xingando todo mundo, mas eu fico um bom tempo praguejando quando não consigo o que eu quero). Isso aí é só com terapia, comigo funcionou.

Alba Almeida disse...

Olá, Lolíssima

Isso é o que pode chamar de “SER LIXO”, a que ponto chega uma pessoa?? O pior de tudo é que ela certamente estará atendendo a pacientes, “pobres e mortos de fome” daqui uns dias. Tão grave quanto, é o fato do policial,(o qual) pagamos seu salário, ter se OMITIDO.
Faltou LIMITES pra ELA,... Para o policial, o LIMITE foi o marido dela ser seu COLEGUINHA!!!
Beijos lolíssima.

Marivone disse...

Olha, eu estou buscando, de todas as formas, procedimentos administrativos contra ela no Serviço Público estadual e municipal.

Ela agiu de forma incompatível com o Serviço Público de forma clara e evidente. Dentro de um consultório, ninguém sabe como ela trata esses 'nêgos' e 'mortos de fome'. É muito cruel obrigar 'nêgos' e 'mortos de fome' a se consultarem com ela, já que não têem outra alternativa a não ser o Serviço Público.

Se ela tivesse uma clínica particular, a história seria outra. Daí bastava os negros não mais irem lá, mas no Serviço Público a história é outra. Ela deve ser aptar a lidar com todas as pessoas de todas as formas e ela, claramente, não tem condições de fazer isso.

Agora, sobre as formas como estão se referindo a ela... Concordo com você sobre o excesso, embora não modere meu blog. Mas, como disse o advogado dela, as pessoas devem exercer sua liberdade de expressão, como ela fez. Se ela se incoma, que busque a Justiça contra as pessoa que a estão injuriando.

Eu mencionei o salário dela em meu blog. O fiz para demonstrar que ela, embora possa vir a receber o mesmo salário que o supervisor da GOL - ele não era balconista ou atendente, ele é o supervisor da GOL no aeroporto de Sergipe - acredita piamente que o 'nêgo' recebe menos que ela. O meu objetivo não era justificar a atitude dela (até pelo fato de conhecer pessoas verdadeiramente ricas, filhas de governadores que não agem assim de forma alguma, nem diferenciam as pessoas, pra dizer a verdade).

Ela é incompatível com o Serviço Público. Se as pessoas reclamam tanto do Serviço Público é por deixarmos que ela seja dominado por pessoas da índole da médica.

Por fim, sobre manchar o Brasil. Não é pelo fato de nossa imagem ser ruim que a gente deve pisar em cima, não acha? Formamos um país recém-chegado ao Estado Democrático de Direito, que está aprendendo agora a manusear uma constituição corretamente...

Atitudes de repúdio como as que estamos vendo são das melhores para demonstrar que o Brasil está aprendendo a ser mais forte.

faixa-preta disse...

Mininha mimada.
O Marido já sabe o que vem pela frente.
O CRM-SE deve tomar providências ela não tem condições psicológicas de ser medica. Seus pacientes correm sérios riscos. Imagina se um paciente contraria sues interesses no consultório, onde não ha filmadoras de plantão. Ela precisa de um bom corretivo e tratamento psicológico. Os médicos sergipanos são sérios não merecem ter uma colega como esta que envergonha a classe.

Roberta Sá de S. disse...

Verdade, como uma médica poderia se comportar desta forma. Ela me pareceu uma criança gente, quando briga com a mãe/pai/irmão. Só que ela esqueceu que não estava dentro de casa. É lamentável o que os funcionários de aeroportos têm de aguentar.

Dånut disse...

"Por que não fazem guichês como os das rodoviárias, com paredes de vidro para proteger os funcionários?"


Porque ser violento é coisa de pobre. Tu acha que algum rico faria uma coisa dessas?







Nunca tinha parado pra pensar que tem essa diferença entre os dois. É mesmo... Bem que poderia ser assim no aeroporto... (claro, tem as malas, mas não é por isso que é todo aberto...)

Andréia Freire disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Andréia Freire disse...

Olá, Lola!

Tenho certeza que você vai gostar dessa iniciativa para a inclusão de portadores de deficiência. É um grupo de teatro que tem uma peça sobre o assunto e usa o humor para passar a mensagem.

O link de onde eu vi:

http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2009/11/04/um-espetaculo-realmente-para-todos/

E um video sobre o grupo:

http://www.youtube.com/watch?v=S4KbmVCeLxQ

Rita disse...

Oi, Lola

Só agora tive tempo de passar por aqui hoje.. ufa, os ânimos andaram exaltados por aqui, hein? Bom, que posso falar, depois que tanto já foi dito... Preconceito de toda natureza é sempre perigoso, né? Mas ninguém está imune, não nos enganemos. O que podemos fazer é insistir nas tentativas de ampliar nossas visões e nossos contatos com o que é diferente, estrangeiro, alheio (não importa se em rodoviárias ou aeroportos) e olhar sempre com muita atenção para aquilo que nos parece óbvio. Porque o óbvio também é criação humana, certo? Nossa, o que será que bebi? E quem foi que disse que só é possível filosofar em alemão??

Lola, querida, você poderia confirmar o recebimento de meus e-mails? Tomarei o silêncio como resposta.. hehe

Ah, complete a frase: Amar é... (passa lá).
Bjs,

Rita

Mariana. disse...

Lola, não gosto das suas generalizações, de não gostar da classe alta e ponto. É injusto você não gostar de tanta gente que ainda não conheceu. Enfim.. apesar disso, gosto do blog, muito. Sempre recomendo a leitura e concrdo com a maioria dos seus posicionamentos.

Eu vi o vídeo. A moça foi mal educada, é verdade. Eu ficaria com raiva de chegar ANTES do vôo sair e não poder entrar. Mas minha reação seria diversa, sem dúvida. E eu tentaria conversar, 'dar um jeitinho' (não entenda como suborno, por favor).

Dizer que alguém é negro, por si só, não é racismo. "tá vendo aquela moça negra ali? então, ela é a responsável pelo atendimento". Isso não é racismo. Mas claro, não foi nessas circunstâncias que o fato em tela ocorreu. A moça usou 'nego' juntamente com outras palavras ofensivas. Seu intuito, ao meu ver, era portanto, ofender, como se ser negro fosse de algum modo ofensivo. Quanto a pena desse crime inafiançavel, é prisão mesmo. De 1 a três anos E multa. Na teoria, o processo NÃO é respondido em liberdade caso se trate de flagrante delito.

Se a moçinha deve ser ré primária, a dosimetria da pena seria a mínima, e então a prisão seria convertida em algo diferente, podendo ser inclusive cestas básicas (q é o que geralmente acontece).

Enfim, é triste constatar que uns e outros são favorecidos por autoridades como o delegado, que deveria ser o primieiro a identificar um crime, independende de quem é o investigado. Isso é tão vergonhoso quanto o racismo em si, e infelizmente ambos ainda acontecem...

Marússia de Andrade Guedes disse...

Como sempre, não há muito o que acrescentar no seu texto. Você tem uma capacidade de análise fantástica. Só vou dizer que a classe médica é muito preconceituosa sim. Digo isso porque sou médica. Pensando sobre este fato, hoje, acredito que os cursos universitários, pelo menos das áreas da saúde e ciências exatas, preparam os alunos apenas tecnicamente. Os alunos terminam
esses cursos sem nenhum nível intelectual, filosófico, desprovidos de senso crítico e humanismo. Há exceções, mas são poucas. Então a atitude dessa médica não é surpresa para mim. Para você ter uma idéia, na campanha para presidente, circulavam, nos hospitais, panfletos cujo conteúdo era: a mão
do Lula, com apenas quatro dedos e
aquele sinal de trânsito proibitivo.
Pode? Médico com preconceito contra deficientes físicos? É uma vergonha!

Marússia de Andrade Guedes disse...

Lola, parece que pensamos de maneira muito semelhante. Depois de fazer o comentário acima, vi que você tinha feito suposta correlação entre o preconceito racial demonstrado pela médica e o preconceito contra o Lula. Vi isso num comentário seu. Que bom ter encontrado seu blog!

aiaiai disse...

Oi Lola,

Achei um blog maravilhoso e quero compartilhar com vocês. Eles fazem a tradução (muito boa e com explicações super legais) das tirinhas do Jesus & Mo.
Mesmo para quem sabe inglês é uma delícia:
http://jesusandmotraduzidas.wordpress.com/

dannah5 disse...

Vi uma mae em um blog perguntando se isso nao era falta de surra digo por parte dos pais. Eu acho q foi falta de exemplo, isso ai eh reflexo de uma educação racista, elitista e cheia de preconceitos. Ninguem nasce assim, somos livros em branco o que vai depois ser escrito eh em parte o que os pais exemplificam.

Eu ate entendo a frustração dela, mas ninguem pode ser culpado pelos nossos erros. Isso vai muito de caracter. Tem um casal de amigos nossos que veio do Espirito Santo nos visitar, e a viagem foi otima, as crianças se divertiram um monte, eles tbm, acabou que a esposa errou o horario da viagem e perdeu o vôo. Agora vc imagina, eles com duas crianças, domingo a noite perderam o voo de todos. Ao inves de ficarem p da vida, achamos uma empresa de onibus que tinha passagem no mesmo dia eles pegaram e ficou tudo numa boa. Claro que ficaram aborrecidos pq perderam o aviao, mas temos que aprender a assumir nossos erros e lidar com as consequencias. Como sao pessoas educadas e justas, nao tinham do q reclamar e nem ia adiantar chorar o leite derramado.

Acaba que muitas vezes em uma situação de stress vc ve a indole das pessoas aflorando e se surpreende. Eu nao duvido que ela esteja arrependida, mas nao acho q seja pelo que disse e sim por ter sido exposta e se aquele marido nao anular o casamento, eh q realmente de certa forma ele concorda com a maneira dela de pensar pq casamento ja eh uma relaçao dificil, imagina começando assim, desse jeito. Nao da pra dizer que ela eh um amor de pessoa e questiono se ela eh uma boa profissional, sera q ela da o mesmo cuidado para negros e brancos? ricos e pobres?

Eh no minimo uma situaçao vergonhosa pra todos os envolvidos!

beijocas

Bruna disse...

Se encontrasse algun dia o "anônimo" que postou as observações contra a médica e a lola,gostaria de perguntar se ele tem plena certeza de que não possui algum tipo de preconceito, ou ainda, de que em momento algum de sua vida poderia externá-lo? Se respondesse que não tem nenhum tipo de preconceito, o chamaria de mentiroso, pois ficou claro em suas observações a aversão que demonstra ter para com a elite! Se dissesse que jamais ofenderia a ningúem em sua vida não importando o mau momento pelo qual estivesse passando, o chamaria de infantil pois não conhece a si mesmo o suficiente para afirmar tal coisa...
A verdade é que educamos nossos filhos do modo que fomos educados,há sempre um discurso preconceituoso imbutido, encoberto que para alguns basta um copo de cerveja, uma situação de estresse ou ameaça á nossa vaidade para que sejam trazidas à superfície.
Julgar e atirar pedras, depois de respirar(para os não asmáticos,claro) é a coisa mais fácil que existe na face da terra, difícil é se colocar no lugar do outro e ponderar acusações e críticas.
É lógico que a médica errou, entretanto entendo que a punição da ridicularização do vexame, exposto a todos em vídeo, aliado á prestação de serviços e retratação pública sejam suficientes para que pense duas vezes antes de repetir tais insultos novamente...
Quanto ao preconceito que amesma evidenciou ter, me parece ser tarde demais para corrigir, não seria uma terapia que surtiria efeito, a própria escolha profissional já indica o modo como foi educada, valores e prioridades já estão intrínsecos como carne e unha.
Digo mais, ninguém ,inclusive eu, encontra-se em posição favorável o suficiente para criticar tão duramente a quem quer que seja, visto que o único tipo de preconceito existente não é somente o racial ou elitista, sendo assim, ninguém está livre deste mal e de em algum momento externá-lo ofendendo a uma outra pessoa...
O que fazer então? Penso que para o adulto não tem mais solução mas punição, para que assim suas línguas permaneçam sempre em suas respectivas bocas. A solução está nas nossas crianças ("Ensina a criança o caminho que ela deve andar..."-Trecho bíblico)se educarmos bem nossos filhos extinguindo frases como: este não que é FEIO! Aquele não que é VELHO!
esta profissão é ruim ganha mal e vai ser POBRE a vida inteira... e se as trocarmos por valores que vão além de aparências ou poder aquisitivo, certamente não teremos no futuro que punir nossos adultos!!!

iaeeee disse...

Que coisa! Concordo com tudo que você falou Lola, ela errou, é fato. Mas falar que ela está errada porque quer dar, é vadia, baranga, etc, é errado. Ela foi racista, ponto final.

E pelamordedeus manchar a imagem de Aracaju? A auto- estima dos brasileiros é baixa, parece que piora por aqui... heheh.

Isso acontece em todo lugar, dá até tédio. Enfim.

iaeeee disse...

Ahhh e dica: Aqui a gente fala 'de Sergipe' e ' de Aracaju' e não ' do Sergipe' e ' 'do Aracaju'. Só um toquezinho, porque fica estranho de ler, sabe? hehe

iaeeee disse...

sabe, lola? vi esse vídeo com duas amigas minhas em situações diferentes, as duas não se escandalizaram com fato do racismo, do preconceito da elite, e sim da mulher estar reclamando de querer ir para a lua de mel...

'' ela tá doida pra dar''

sabe? e 90% da população vai achar isso, ver por esse prisma. Acho que é um problema social, as pessoas estão cegas, precisam analisar profundamente o problema,> A mulher não deve ser prese porque é ' uma vaca q tá doida pra dar' e sim porque foi racista, certo? Porque isso é tão difícl de entender? Tipo, ' estar doida pra dar' por acaso é crime? Que coisa! Cada dia eu vou me surpreendendo mais com as coisas que vejo por aí.

Enfim, agradeço à pessoas como você que se preocupam em 'contar as estórias direitinho'. Quem sabe um dia o mundo melhora, né?

Abração.

Line Joseph disse...

Eu estou completamente envergonhada com o ocorrido,Ela como uma Médica deveria dar exmplo, ela estava totalmente descontrolada.
Eu espero que haja uma penalidade sobre Ela, e acho que tbm rolou racismo sim...

Ju Moreira disse...

Só uma observação...

"Engraçado" é que aqueles que falam "que é assim mesmo, que quanto mais se estuda, mais ignorante se fica " são os mesmos que devem chamar Lula de analfabeto (pq nao cursou uma universidade). O q diriamos de FHC, por exemplo, "intelectual ignorante" ou "ignorante intelectual"?! :s

Qto a médica escandalosa, é desprezível sua atitude. Tão desprezivel qto a do delegado que se negou a aceitar a queixa.

John disse...

É condenável a reação da moça, mas o fato de ela ser médica, classe A,B,C,D ou qualquer outra letra do alfabeto, não tem muito a ver com isso. Gente desequilibrada há em todas as classes, de todas as cores e portando todo tipo de diploma. Dizer que este é um comportamento típico da classe X é em si preconceituoso. Afirma-se isso com base em quais estatísticas?? Há outra possibilidade que não se foi sequer levantada: qual era a situação psicológica da pessoa? Há muitos médicos estressados, pois precisam ter dois ou três empregos. Não se sabe qual era a situação dela antes dessa viagem: há quanto tempo estava sem férias, que tipo de médica ela é? Que tipos de pacientes atende? Pode ser uma pessoa no limite. Não acho que seja possível afirmar muita coisa baseado nesse vídeo, mas apenas que a reação dela foi deplorável. Li o post antes de ver o vídeo. Esperava algo muito pior. Não acho que o fato de ela ter chamado o funcionário de "nego" uma vez pudesse ser o suficiente para instaurar delito flagrante. Ela o ofendeu? Ofendeu. Chamou-o de "esse nego". Isso por si só não é ofensa. Não acrescentou nenhum adjetivo, como normalmente se faz. Penso que ela deve sim ser punida, mas não é caso para prisão. Outra coisa, não temos informações sobre o tempo de atraso dela. O avião ainda não tinha saído. É bem provável que se ela fosse alguém famoso, teriam dado um "jeitinho".

Lenita disse...

Domingo a tarde, chuva fina, busco minha filha que termina a prova do ENADE. Lembre-me de você. Talvez não exista nenhuma relação entre o ENADE e sua coluna, assim como não deveria existir entre a médica de Aracaju e tal “elite” a que se refere.
Conforme prevíamos, a tal prova serve de teste de doutrinação.
E não é que uma das questões falava sobre essa “elite” brasileira, tema que recorrente nas campanhas políticas do PT?
Uma prova que seria para avaliar as universidades, o conhecimento dos alunos, na verdade quer descobrir se há ou não doutrinação socialista/petista.
Como ter respeito por um governo que utiliza tantas artimanhas?
Nunca soube de fato, quem faz parte dessa “elite”, da qual você se refere.
Há quase oito anos a “elite” petista se lambuza de poder, de dinheiro e de ambição.
Seriam eles?
Seríamos nós, a classe trabalhadora que conquista o direito de obter conforto?
Quem é essa “elite”?
No imaginário popular, “elite” é quem detém o comando das instituições.
Eu não tenho respeito por pessoas como nosso presidente que vangloria-se da ignorância que propositalmente deixa transparecer.
E nem creio que ele seja assim tão ignorante, porque este desejo de perpetuação no poder, foi um projeto muito bem arquitetado por ele e seus companheiros, enfim pela “elite” petista.
Talvez, tenhamos a tríplice aliança governando nossa América.
Afinal, Lula, Chaves, Evo, formam o trio “Farinha do Mesmo Saco.
E pessoas como você, Lola, estão a serviço desses senhores para doutrinar a população.
Assim como a fulana de Aracaju não representa nenhuma classe social, porque qualquer pessoa descompensada agiria daquela forma tão grosseira.
Caetano Veloso expressou sua opinião, livre, mas isso não o torna inimigo do governo.
Você escreve bem, mas, por favor, continue a falar de filmes, de viagens, de estudos, de pessoas.
Tenho 55 anos e espero viver o tempo que ainda me é destinado, sem ver a balcanização do meu país.
Um abraço
Lenita Angela Juttel Castro
tia_lenita@hotmail.com

Marcos Vinicius Gomes disse...

A referida médica fez um 'meaculpa' numa entrevista à tv sergipana que está no Youtube. Fiz uma análise rápida sobre seu discurso e percebi que estava muito artificial, meio que técnico, visto que a priori um pedido de desculpas é muito mais emocional do que racional.Ela disse que está disposta a conversar com o rapaz agredido desde que ele esteja aberto à conversa.Como se o trauma pudesse ser sanado com um simples pedido de desculpa. Ninguém queria que ela chorasse, se descabelando. E evidente que ninguém quer que ela seja absolvida perante pela lei por ter pedido desculpas (mesmo que de costas). O racismo (qualquer que seja) é crime sem fiança além de lamentável e este episódio poderia servir para um debate mais apurado sobre esta chaga secular que ronda o nosso país...Ali houve de tudo, racismo (ela não usou o 'nego' com o contexto afetuoso comum no nordeste), discriminação social, dano ao patrimônio público. O rapaz da companhía aérea tem, apesar do constrangimento, condições de se defender, de superar na medida do possível a humilhação. Mas quantas crianças e jovens são vítimas de racismo e discriminação e que crescem com o truma de serem segregados numa sociedade verticalizada e excludente como a brasileira?

aiaiai disse...

kkkkk, parafraseando um outro comentarista, no outro post: eu morro e não vejo de tudo kkkkk o tal do john entra aqui para dizer que a moça não é racista porque é da elite, já que no brasil todo mundo é racista kkkkkkkk

mas é isso que a gente fala o tempo todo.
O problema john não é esse, o problema é que se ela não fosse da elite o delegado não tinha livrado a cara dela. Se fosse uma pobre fazendo escandalo para que os médicos do serviço público atendessem o filho dela, pode ter certeza que iriam encarcerar, antes mesmo de atender ao filho doente.

depois uma suposta tia lenita vem reclamar que a elite petista está a destruir o país. kkkkkk
nada mal para um final de domingo!

Lenita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Não há dúvida de que o ela fez foi indesculpável. Deveria responder criminalmente. Mas acho que outras considerações são cabíveis.
Se o vídeo mostra um ato terrível, sua realização não é muito melhor. O que temos aqui é um crime, amigos. Essa mulher foi gravada, sem seu consentimento, especificamente para ser exposta publicamente na internet. Não é muito diferente dos vídeos de sexo dos ex-namorados não.
Isso é ilegal no Brasil, assim como deve ser na maior parte do planeta. É, certamente, antiético em qualquer planeta. Ela se encontrava em um local público, mas é óbvio que há diferença entre ser vista por 20, 30 pessoas e estar exposta ao voyerismo moral de milhares. E com a ajuda deste blog. Se acredita em recuperação, a primeira coisa que Lola deveria fazer é retirar qualquer indicação que permitisse identificar o vídeo na Internet.
Acho lamentável também a caracterização de elite, não vejo como um tipo de preconceito possa ser melhor do que outro.

Anônimo disse...

Qual o nome desta médica^?

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

Essa médica, se posso chamar isso de médica,é daquele tempo que médico era considerado pessoa importante. Acho que o CRM tem que cassar o diploma dela, porque me pareceu ser uma pessoa uma pessoa compretamente psictica´e não pode exercer a profição.

Anônimo disse...

Conhaço muita gente analfabeta que tem muito mais educação do que ela. Na verdade me pareceu ser uma psicopata.Acho que o Conselho Regional de Medicina teria que cassar o diploma dela.

Anônimo disse...

Èssa médica é uma besta, que pensa porque é médica pode sair ofendendo as pessoas.

Devathai disse...

Oi Lola, nossa eu não tinha ficado sabendo dessa história. Eu confesso que sou barraqueira-mimada por natureza. E me envergonho disso. Acho que a melhor coisa que me aconteceu foi ter vindo morar aqui na Índia, onde eu tenho a minha paciência testada a cada dia. Então não dá pra eu ficar com meus pitis, e acaba que estou melhorando muito nesse aspecto. Acho que a melhor punição pra pessoas como eu, rsrsrs, é ter que viver aqui. É incrível como eu venho melhorando, me colocando mesmo no lugar de outras pessoas. Mas isso não quer dizer que eu nunca tenha dado meus pitizinhos aqui. Só que vc passa por tantas situações de estresse profundo e indignação, que vc aprende que nem vale a pena o desgaste de se irritar =D

No mais, eu concordo com o que o John disse aí acima:

'É condenável a reação da moça, mas o fato de ela ser médica, classe A,B,C,D ou qualquer outra letra do alfabeto, não tem muito a ver com isso. Gente desequilibrada há em todas as classes, de todas as cores e portando todo tipo de diploma.'

Primeiro, porque eu era da classe C. Segundo, porque trabalhava em uma escola pública que atendia a classe D e os pitis que as mães e pais davam na porta da escola eram memoráveis. Sempre alguém se exaltava, principalmente se nós déssemos um relatório de notas baixas aos filhos deles. Também trabalhei em uma escola de classe A e os pitis eram os mesmos. Tinha uma amiga, médica, que trabalhava como plantonista em um posto público de saúde e ela também sofria horrores com os pitis da dita classe D.

Daí podemos argumentar que as pessoas menos privilegiadas têm o direito de armar barraco, porque são desprivilegiadas, com um nível menor de educação. Pode ser. No entanto, eu acredito que ao sermos expostos a certas situações de estresse, a questão da classe vai influenciar bem menos que a questão do seu auto-controle e da sua capacidade de relevar ou não certas coisas.

Anônimo disse...

Coitado desse marido, que bomba. Barraqueira, sem educação. Como bem já comentaram, imaginem os pacientes dessa pessoa como devem se sentir, pois não respeita pobres nem negros. Ela tem que mudar é de profissão. Pena que as pessoas estudam tanto, mas não aprendem o essencial. Codialidade, educação, caridade, humanidade e humildade.

Anônimo disse...

Você se diz uma "pessoa da paz"… porém nesse post você esta excitando à violência, e também sendo racista, com essa frase, aqui:… "É uma classe que não gosta do Brasil, ou até gosta das belezas naturais do país, “o problema são os brasileiros". "

Como você pode fazer essa classificação... e uma afirmação dessa?!!!

lola aronovich disse...

Anônimo, ou eu não entendi a sua crítica, ou vc tem alguns problemas com interpretação de texto. O que eu disse foi isso:

" A reação da médica é típica de uma certa classe social que, contrariada, berra: “Você sabe com quem está falando?!”. É uma classe que não admite que não se dê um jeitinho pra resolver os seus problemas, já que ela está acima dos “mortos de fome”. Não tenho nenhum respeito por várias atitudes preconceituosas dessa classe (média e alta), da qual mais ou menos faço parte (pelo jeito, estatisticamente, estou mais pra C―renda familiar mensal até R$ 4,800―, e este comportamento é mais frequente nas A e B). É uma classe que não gosta do Brasil, ou até gosta das belezas naturais do país, “o problema são os brasileiros”, como costuma dizer. E lógico que numa afirmação dessas vem embutida uma enorme carga de elitismo e racismo. "

Anônimo, estou criticando a classe média, ou parte dela, por essas colocações que eu afirmo serem elitistas e racistas.
Mas qual classificação estou fazendo? Que parte da classe média fala essas coisas? Estou incitando ódio contra quem? Contra a classe média?
Leia de novo o post, devagar, porque o que vc está dizendo não faz muito sentido.