quinta-feira, 25 de junho de 2009

GUEST POST: O FEMINISMO NOS DEIXA PARANOICAS?

Amanda é jornalista, mestranda de geopolítica na Universidade Paris 8, e mora há dois anos em Paris, de onde escreve seu blog. Ela decidiu compartilhar comigo, e eu com vocês, as suas dúvidas sobre feminismo. Fica pra vocês responderem as dúvidas existenciais da Amanda, que não estão longe de ser as de todas nós. Aqui vai o guest post dela:

Lolinha, eu te conheço. E desde que comecei a ler seu blog, pensei, ei, não estou sozinha.
Minha primeira experiência machista foi dentro do carro, indo pra escola de carona com o marido da minha professora, que levava a gente todo dia. Eu falava sobre minhas competições de natação, quando ele perguntou irônico se eu não queria fazer futebol também, ja que era pra ficar bruta. A professora riu da piada e depois olhou para o marido em reprovação. Não foi nada demais, eu sei, mas pra mim, naquele momento, era como se eles estivessem ridicularizando tudo o que era importante pra mim. Eu não consegui responder como devia, e até hoje tenho essa cena entalada na minha garganta.
Daí passei a espalhar que as mulheres eram muito mais inteligentes que os homens, muito mais capazes. Só que eu não pensava assim. Achava simplesmente que homens e mulheres eram iguais, mas que se eu fosse direto ao extremo, talvez conseguisse equilibrar a realidade tão desequilibrada. Coisa de criança.
Na adolescência tomei outra postura, a de ignorar a existência do machismo e tratar a igualdade dos sexos como se fosse uma coisa normal e natural. Um casal se separava e eu perguntava, quem vai ficar com os filhos?; uma amiga dizia que ia ajudar na faxina de casa, e eu dizia, que legal que você ajuda seu pai a arrumar a casa; se um garoto ficava com várias garotas, eu chamava ele de puto. Mas essa atitude de negar o sexismo ja foi catalogada pela esperta Lolinha. E a sentença? Bom, ela não funciona.
Mas ao mesmo tempo, entendi que assumir uma postura feminista implica em não conseguir viver como antes. Um dos meus lazeres preferidos é assistir séries com meu namorado e agora eu vejo machismo em tudo e não consigo mais achar graça da metade das piadas que vejo na TV. Agora eu entendo porque dizem que as feministas não têm senso de humor, são chatas etc. Porque simplesmente a gente se dá conta de que o mundo é machista e passamos a não aceitar mais isso, mesmo nos menores detalhes. Mas ao mesmo tempo, se eu for contar para meu namorado tudo o que eu acho errado nas séries que a gente vê, vou estragar nosso momento de diversão.
E tenho medo também de deixar uma sensação de injustiça permanente tomar conta de mim, e eu passar a ver machismo onde não tem. Minha maior crítica aos judeus é que eles acham que tudo que acontece com eles é por culpa do anti-semitismo que reina no mundo. Eles matam crianças palestinas e há protestos no mundo? Anti-semitismo. Eles invadem o Líbano e arrasam as cidades, e o ocidente é contra? Anti-semitismo. Aqui na França existem casos de agressão todos os dias e ninguém fala, mas basta a vítima ser judia, opa, olha o anti-semitismo aí! É a mesma coisa para as mulheres. Às vezes, as coisas ruins que nos acontecem não têm nada a ver com o sexo, mas tenho medo de estar tao impregnada pela ideia de feminismo, que não consiga ver isso. Outro dia estava vendo um documentário sobre as desigualdades entre os sexos na França, e havia uma cena onde eles perguntavam pros alunos de uns 10 anos quais tinham sido suas médias finais. Duas meninas e um menino responderam a mesma nota, o equivalente a 8 no Brasil. Quando perguntados se a nota estava boa, as meninas responderam que não, que precisavam estudar mais, e os meninos respondiam que sim, estava bom. Daí o filme falava que as meninas desde pequenas são condicionadas a achar que nada do que elas fazem é bom e elas acabam tendo a auto-estima menor do que a dos meninos. Mas daí parei pra pensar: e se fosse ao contrario? Talvez o filme, que estava determinado a provar que existe sexismo na sociedade, diria “Olha lá, o menino tem ambição de tirar notas mais altas, enquanto as meninas se conformam com o pouco que tem”.
De uns tempos pra cá tenho visto machismo em tudo e não tenho certeza se é fundamentado ou não. Entrei numa onda de sempre avaliar as situações pelo seu caráter preconceituoso e tive a impressão de sempre andar em desvantagem. É uma sensação estranha, como se eu tivesse aberto os olhos pela primeira vez na minha vida (mesmo se eu sempre fui feminista desde criança) e visto as coisas com clareza. Mas ao mesmo tempo me pergunto se não estou ficando completamente paranoica. De um momento para o outro, passei a ter a impressão de estar sempre torcendo pro time que está perdendo.
Então, você acha que vale a pena viver num mundo onde sempre temos a impressão de torcer para o time que perde? Ou que talvez seja uma solução pessoal melhor aceitar os detalhes que antes eu não via e tentar mudar aos poucos a sociedade e ter uma vida “normal”?

60 comentários:

asnalfa disse...

Muito difícil de responder a pergunta, porque é chato generalizar casos. Prefiro dizer que as minorias devem ser respeitadas (principalmente em lei). Agora nao me perguntnem como...

Anônimo disse...

POis é... a sensação é a de se torcer para o time que perde.
Vou pensar melhor na minha resposta e volto depois pra não andar em círculos. No post da propaganda do carro eu escrevi uma resposta kilomètrica e apaguei o texto.Fatima/Laguna

Deborah disse...

Eu prefiro estar do lado do time que perde

E o motivo é o seguinte: Embora tenha nascido de cabelos lisos e branca -sempre temos de reconhecer as "facilidades" que o sistema social oferece ao "privilegiados"- sempre fui motivo de chacota.

Na escola é porque era gorda, na igreja era "a pecadora" (lá todos eram) e certa vez uma menina mais velha que eu (e desconhecida) torceu meu braço porque não foi com a minha cara, na rua também não paravam as provocações. E pra ajudar o meu avô (é, aquele mesmo que me molestou) mandava a minha irmã pequena e meu tio tirarem sarro de mim dentro de casa. Ou seja, eu não tinha sossego.

Escrevi sobre isso aqui: http://aqueladeborah.wordpress.com/2009/06/15/humilhacao-escolar

Então eu cansei porra! Cansei de ser humilhada, de gente meter o bedelho de como devo me portar, me vestir, me depilar ou não, usar salto ou não...

Já chorei inúmeras vezes ao olhar minha barriga no espelho e encolhendo ela imaginando como minha vida seria melhor se eu fosse magra. Porque eram essas as mensagens que me passavam: "Que rosto bonito, porque não emagrece?", "Será a menina mais cobiçada do colégio se emagrecer" e não existe referencial de mulher gorda e feliz na mídia. Gordas não tem tesão, não dançam, não trepam...

Escrevi sobre isso aqui http://aqueladeborah.wordpress.com/2009/04/01/barriga/

E por sentir na pele essas agressões todas na minha auto-estima, quando vejo uma propaganda só com brancos penso "Caramba, quantas meninas negras devem usar alisadores, clareadores de pele e escambau porque não tem referencial?" - rimou :P

Seriados "negros" por exemplo, conheço gente que acha estranho, mas pensa bem...a maioria dos seriados tem brancos no elenco todo. Pense nos ídolos adolescentes atuais: Hannah Montana, Jonas Brothers e os outros musicais da Disney. Todos brancos e loiros, e mesmo que tenha um casal negro na trama (a maioria deles tem filmes e seriados nas franquias), eles nunca são os preferidos do público, nunca são os galãs...

Não preciso lutar pelo time que "ganha" eles tem o mundo todo de apoio, inclusive o apoio para que humilhem quem não alcança o tal status de "vencedor".

Deborah disse...

Um colega de trabalho me disse que acha um absurdo crianças usarem maquiagem. Eu respondi que é difícil uma menina não querer usar uma, já que todo referencial de mídia e social caracteriza a "beleza" como o maior status de uma mulher.
Então as mulheres são chamadas de fúteis por gastar seu dinheiro e tempo com cosméticos e processos cirúrgicos. Quem lucra são as revistas masculinas que chamam essas celebridades instantâneas pra posarem nuas e serem cobiçadas, e as femininas que usam essa mesma celebridade pra vender idéias de mulher-ideal e alavancar a oferta de cosméticos anunciados.

Aí alguém pode falar que meninos brincam com bonecos fortões e nem por isso a maioria tem vigorexia, mas eles TEM referencial de homem poderoso e velho, a maioria dos políticos e homens "com poder" são calvos, de cabelos brancos e/ou feios. E com dinheiro eles podem ter a mulher-troféu.

http://aqueladeborah.wordpress.com/2009/06/23/vida-de-madame/

Deborah disse...

Sorry, soltei outro Ctrl + V acima :P

Patrick disse...

Ainda estamos muito distantes de uma sociedade sem machismo. Não considero sua postura paranóica. Você tem apenas uma mente bem treinada para enxergar a questão. Eventualmente você pode cometer um erro de avaliação, mas isso é algo que pode acontecer com qualquer pessoa em qualquer situação. Você não é obrigada a ser infalível para ser feminista.

Giovanni Gouveia disse...

Uma pessoa que está, realmente, sendo seguida por um delinqüente não pode se considerar paranóica. Da mesma forma, enxergar o machismo, e todas as outras formas de opressão, contidos em nossa sociedade não pode, em hipótese alguma, ser considerado paranóia.

Ale Picoli disse...

Eu me sinto exatamente assim. Felizmente, meu marido, que é realmente meu parceiro de vida e de pensamento, concorda e também fica indignado. Até hoje ele nunca me acusou de estar sendo paranóica ou ver pelo em ovo, ou de atrapalhar a diversão dele assistindo e discutindo com a TV :)
Realmente o mundo fica sem graça quando todas as piadas estão tirando sarro de você. Mas eu acredito em humor sem sexismo ou racismo. Só é mais difícil de achar.

Má disse...

Ola! Não acho q o feminismo deixa as pessoas paranóicas, mas acho que a palavra correta seria q deixa as pessoas críticas.Se existe paranóia neste meio? Pode ser que sim, mas duvido q no combate ao machismo, mais da metade seja paranóia. Aliás, acho q em alguns casos MUITO tênues onde talvez não há machismo uma feminista pode até confundir, mas isto seria paranóia? Dado que a sociedade de uma maneira GERAL é machista? Daí uns podem dizer q as feministas no geral "tentam encontrar algo onde não existe, ou achar q estamos todo o tempo contra elas". Ora, isto tb é duvidoso, pois numa sociedade com um PADRÃO de comportamento machista, um indivíduo não precisa INTENCIONALMENTE agir de maneira machista. Porque o GERAL, o NORMAL é exercer o machismo. Daí q é óbvio sabemos q não se trata de uma conspiração...Assim acho mais fácil encontrar o machismo em nossa sociedade do que encontrar o que é paranóia. Podemos até discutir o que não é machismo, mas quem utiliza disto, as vezes pode ser p desviar do debate...
Na verdade este feminismo pode ser subsituído por exploração do homem, do trabalho e qq outro tema fora do senso comum p ser visto como "paranóico". Se é? Acho pouco provável.
A palavra "paranóia" quando inserida num dabate não quer dizer nada, quando não se discute o que é machismo, e o porque q em tal caso é um "paranóia", recusro geralmente ignorado por quem usa de tal argumentação..

Vixi, ficou longo,,,
Abraços!!

astrocat disse...

ah, não poder mais ver qualquer série sem ficar irritada. eu sei como é isso. agora eu baixo as que eu quero ver.
o problema não é com você, por ser feminista. o problema é o mundo ser machista.

Priscilla disse...

Lola, que maravilha vc ceder lugar para reflexões que divergem das suas opiniões já escritas aqui. Maravilhoso, muita vontade de escrever sobre o assunto, pouco tempo, mas acho que o caminho, na minha opinião, é conviver em paz com as diferenças.

Eu acho que há muito preconceito e desigualdade em toda a parte. Mas como a Amanda diz, o exagero na vitimização pode levar à depressão. E à banalização.

Com a politização/organização de minorias deve ocorrer o empoderamento vítimas, empoderamento este que deve elevá-las à categoria de não-vitimas, sobretudo aos olhos delas mesmo.

Creio ser este o sentido. Há ainda muito empoderamento para ser feito, mas é preciso admitir que muito já foi obtido no Ocidente.

Acredito que o excesso de vitimização pode criar uma barreira em torno de um grupo e deixá-lo "protegido" ou justificar não-críticas ou até mesmo novas violências contra outras minorias.

Veja bem, uma coisa é falar mal de um judeu/cristão/gay/mulher/homem por sua identidade, outra coisa é criticar as ações ou políticas que seus grupos empoderados praticam/apóiam.

Enfim, sou totalmente consciente de que existe ainda hoje o antissemitismo sim, que cada judeu em seu interior guarda na memória o trauma e dor de ser/ter sido objeto de ódio gratuito e milenar.

E que tem sim ainda razão para temer o ódio que com certeza ainda existe. Mas infelizmente tudo isso que é verdadeiro e real e terrível acaba justificando uma política externa que vitimiza outro grupo minoritário: os palestinos.

Acho que dá fazer construções utilizando cada exemplo de minoria, embora sejam menos dramáticas que no caso que citei.

Ou talvez tão dramáticas quanto, como o caso da URSS, que em nome da igualdade social que efetivamente instalou no país, bancou um regime totalitário, assassino e opressor.

Bom, ficou grande demais e deve estar bem confuso, mas vai assim mesmo. E deixo registrado aqui meu desejo profundo de que cada ser humano seja considerado digno de respeito, amor, e justiça, seja homem, mulher, árabe ou judeu, caucasiano, magro ou gordo, cigano, intelectual, inteligente, burro ou ignorante, quer viva em conformidade com as regras, quer seja transgressor. Acho que é esse o signficado de "direitos humanos", todos (e qualquer um) merecem dignidade, inclusive os assassinos, ladrões, cruéis, estupradores, etc. Eu acho que sim.

E por último, mas mais importante que tudo, fica meu desejo de que a vitimização de crianças seja mais comentada e combatida, até porque na minha opinião são elas as maiores vítimas, uma vez que dependem totalmente dos adultos e não podem defender-se sozinhas.
Abraço.

Um abraço

Andie disse...

Realmente, acho que o feminismo anda ficando cada vez mais dificil, porque existem muitas igualdades na superficie, direitos que nos foram garantidos, mas ao mesmo tempo somos tratadas pela midia como os velhos cliches de antigamente (e, de certo modo, a gente deixa).
Ano passado eu fui a uma conferencia, e assisti a uma banca de fodonas na area de Shakespeare discutirem o futuro das mulheres no meio academico. Elas criticaram muito o "double standard", por exemplo: muitos academicos hoje dizem que ser feminista (do ponto de vista literario) eh passado, que nao esta mais "na moda" e nao tem mais a mesma forca que ha 20, 30 anos atras.
Mas ai vem o problema: como que analises academicas feministas sao irrelevantes se ainda ha faculdades que nao querem contratar mulheres jovens e sem filhos com medo de "perde-las" para a licenca de maternidade? E porque essa pressao de que a gente tem que provar nao ser igual, mas ser mais inteligente, mais criativa, mais importante que os candidatos masculinos? Essa foi uma das perguntas feitas pela banca. Nao sei se tem resposta.
Mas acho que hoje em dia, a gente tem que escolher umas batalhas para "perder." Eu decidi ha algum tempo que, ao menos por enquanto, nao me importa se me chamam de "Ms." ou de "Miss" (o primeiro tem som de 'z' e eh neutro quanto a sua situacao civil). Nao acho que linguistica esta no topo da lista quando ainda temos tantas revistas, propagandas, e filmes sendo completamente machistas e (quase) ninguem falando nada. E quando falamos, somos marcadas como aquelas que, como voce disse, Amanda, veem feminismo em tudo.

Mari Biddle disse...

Eu penso que nao eh paranoia enxergar machismo em tudo. Eh uma questao de treinar o olhar para ver que as coisas tao muito erradas por aqui e que nos mulheres estamos no time que sempre ta perdendo. Eu tenho muito medo do que ainda esta por vir. Tenho medo de que meu filho seja um machistinha como o avo. Que tenha aquele comportamento que tanto me deprime. Eu percebo comportamento machista e/outros tipos de preconceitos com maior clareza de quando eu era adolescente, por exemplo. E nao consigo respirar e tentar seguir em frente sem ficar tao alarmada, irritada, bestificada. Me sinto super impotente muitas vezes de ter mulheres ao meu redor totalmente 'abduzidas' tanto como cria seus filhos tanto quando soltam as perolas machistas assim, da boca para fora, sem nem refletir sobre o que ta falando. Nao tem sentido manter o bom humor quando somos atacadas com piadas sexistas. E elas estao por todos os lados. Nao eh paranoia. Refletir sobre o machismo me deixa frustrada e infeliz mas pelo menos eu sei que existe monstros escondidos por todos os lados.

Thanatos disse...

bem, eu acho que é um pouco de paranóia sim.
Só soldados traumatizados vivem em um estado constante de alerta, e isso é um problema sério nas vidas deles.

Se não consegue mais aproveitar uma diversão com o namorado porque não consegue rir de algo que faça graça das mulheres, bem, quem está perdendo é você. O filme não muda, a mensagem esta lá, free speech e tudo aquilo.
De qualquer forma não é são viver a vida sempre procurando o perigo na forma de qualquer expressão de outros que te coloque de alguma forma não igualitária, seja você judeu, negro, mulher, gay, o o que for.

Luiz disse...

Humor e Crítica, feminista que seja, não são antônimos! Neste blog mesmo, já me diverti bastante com comentários inteligentes das meninas. Mas tenho de confessar: socialmente, sou mais recluso; e quando insistem em se aproximar com pérolas que não fazia questão de ouvir, me torno intolerante, intransigente e, muitas vezes, arrogante. São as minhas armas. A vida fica mais pesada? Ah!!! mas aí eu passo aqui.

Cris disse...

Oi Lola.
Sou feminista, mas levo na boa, de um jeito leve, sem paranóias.
Acho que não é tudo que pode ser explicado pela dicotomia feminismo/machismo.
Algumas músicas, propagandas, livros, tem um objetivo claro e tirar sarro, fazer gozação, não é um ataque de verdade.
"Perder a ternura jamais".
beijos

Má disse...

Olá, voltei p comentar de novo ;)

Fiquei meio confusa agora..
O que significa dizer q uma feminista se torna "paranóica" ?
Pensava ser uma situação onde não há machismo e uma feminista achar que é machismo!
No entanto, em comentários q justificam a falta de senso de humor de feministas, parecem dizer q paranóia é quando em piadas que ridicularizam ou tiram sarro de alguma situação baseado na desigualdade de gênero a feminista achar isso machismo e não rir sendo como paranóia.
Agora não entendo mais,paranóia é ver onde não tem, ou não achar graça onde tem?
Se alguém souber me explicar agradeceria.
De novo, este tipo de raciocínio só me faz achar ainda mais que quem se utiliza de tal argumento quer é acabar com o debate, desviar o assunto.


Abraços Lola!

aiaiai disse...

A paranóia feminista pode ocorrer, mas não tem nada a ver com a suposta "paranóia" dos judeus.
Eu conheço muitos judeus que conseguem enxergar que o que o estado de israel faz não é paranóia, é chantagem.
Algumas mulheres também fazem chantagem, mas não acho que seja o caso da Lola ou da convidada dela, Amanda.

Mica disse...

Acho que paranóia é ver onde não tem...e também não saber ver diversão quando se faz graça da coisa, mas sem a intenção de ofender. Como piada de advogado que sempre é tratado como ladrão, e mesmo assim o povo conta, os advogados contam e se divertem. Mas se percebem que a coisa é séria, aí sim o caldo entorna.
Sei lá, acho que a paranóia é por aí.

asnalfa disse...

Eu ri disso....

http://www.youtube.com/watch?v=LG74gqd_8Ic

Carol disse...

O feminismo não é totalmente ruim, mas acho que às vezes tira nossa atenção de coisas que importam ainda mais.
Eu rio das piadas machistas e mais ainda das feministas! rs

m. disse...

adorei esse guest post! é assim mesmo que me sinto, sabe. situações como assistir um seriado que todo mundo ri, e ficar séria, nossa, como acontece! assim como escutar piadinhas e não ver graça nenhuma, pelo contrário, ter vontade de sair correndo em câmera lenta gritando "nããããão"... é. sempre me sinto "paranóica" também. mas sei que não é paranóia, sei que não sou eu que vejo demais, os outros é que não enxergam nada, ou porque não conseguem, ou porque não querem, né?

lola aronovich disse...

Então, aproveitando, já que meu comentário se aplica a quase todos os (ótimos) comentários de vcs. “Paranoia” é uma palavra, por si só, que carrega um juízo de valor. Como a Mica disse, é ver algo que não existe. E a gente SABE que o machismo existe. Não é invenção nossa. Mas eu acho interessante a gente conversar sobre isso. É diferente de chegar um carinha branco hétero, que não consegue se colocar no lugar dos outros, que não reconhece seu privilégio, e chamar a gente e todas as outras minorias de paranoicas. Porque, se vc fecha os olhos, se vc não quer ver, se vc é do time que reclama que o politicamente correto é uma ditadura cultural que chegou pra tirar o seu barato de contar piadas (coincidentemente, quase sempre piadas preconceituosas sobre minorias), vc vai achar paranoica qualquer reclamação. Afinal, pra vc o mundo é igual pra todos! As oportunidades são exatamente iguais e, sei lá, não vamos dizer isso em voz alta, mas se mulheres e negros recebem salários menores, é porque alguma limitação eles devem ter, né? É como aquele leitor meu do jornal que tem certeza que os gays não só têm direitos iguais aos héteros como ainda MANDAM no mundo... Essas pessoas não conseguem entender que sim, há uma diferença gritante um negro usar uma camiseta escrito “100% Negro” e um branco usar uma camiseta escrito “100% Branco”. Que uma coisa é um negro dizer a palavra “nigger”, ou uma mulher dizer a palavra “bitch”. É totalmente diferente. Só não vê isso quem crê que o sol nasceu pra todos e que as palavras são neutras. Que não existe um contexto. Pô, contexto é tudo. Portanto, eu acho que quem é feminista pode se perguntar de vez em quando “Não será que eu exagerei nisso? Será que nesse caso específico eu não vi pelo em ovo?”. Mas uma acusação de paranoia vinda de machistas, eu desprezo totalmente.
E acho que às vezes, quando for possível, é preciso que a gente se desligue um pouco do mundo. Não levar as coisas tão a sério mesmo. Porque é cansativo viver em estado de eterna vigilância. Às vezes eu sento pra assistir TV (ahn, NÃO. Faz séculos que não vejo TV. Mas eu acompanhei o Aprendiz inteirinho!), ou ler algo levinho, e tento desligar mesmo o cérebro. Nem sempre dá.

lola aronovich disse...

Gente, tô sem tempo pra responder comentários, mas vamulá!

Asn, mas a pergunta já generaliza, não acha?

Fatima, aguardo seu novo comentário. E que negócio é esse de escrever uma mensagem quilométrica e apagar? Sem querer ou de propósito?

lola aronovich disse...

Deborah, pois é, por algum motivo, e às vezes acho que nem é um motivo pessoal, de experiência própria, eu também sempre estive “do lado do time que perde”. Pra mim é o caminho natural. Talvez eu considere o “outro time” arrogante demais. Mas sabe o que é vc chegar em SP com oito ou nove anos, ve que todo mundo torcia pelo Corinthians e, por nenhum motivo específico, passar a torcer por um timinho que iria enfrentar o Corinthians? Acho que era o Ponte Preta. Eu não só torcia pelo Ponte Preta como fazia campanha contra o Corinthians. Só porque eu achava que o Corinthians tinha simpatizantes demais.
Que droga tudo isso que vc conta, Deborah! Eu teria muita raiva se tivesse tido um avô assim. Quer dizer, já é ruim o suficiente a pressão toda fora de casa, na escola, na rua, pra gente ter que se sentir num eterno campo de batalha dentro de casa tb. Péssimo! E isso do “Que rosto bonito, por que não emagrece?”, ha, eu não conheço UMA só moça gordinha que não tenha ouvido isso. Às vezes semanalmente!
Obrigada por compartilhar aqui as suas experiências, De. Que bom que a gente cresce, sobrevive, e, acho, depende menos da aprovação dos outros. Vc não tem essa impressão? É muito difícil dizer “Que se dane!” quando a gente é criança ou adolescente.


Patrick, concordo totalmente. Obrigada pelo apoio e por ter essa cabeça aberta e cheia de empatia que vc tem!

lola aronovich disse...

Gio, exato. É melhor “enxergar o delinquente” por excesso de vigilância do que ser pego desprevenido.

Ale, que bom que vc tem um companheiro assim. Às vezes eu fico revoltada com o meu por ele não ver as mesmas coisas que eu. Coisas que, pra mim, às vezes, parecem tão óbvias! Eu por ele não se indignar como eu. E sobre humor, de fato, cansa rir sempre das mesmas piadas e dos mesmos alvos...

lola aronovich disse...

Má, concordo. A palavra correta é “crítica”, “antenada”, não “paranoica” (eu tirei o acento por conta própria ou ele ainda existe?). Pois é, quem diz que feminista é paranoica pensa que o mundo inteiro é feminista, que mulheres têm o poder, que é tudo coisa da nossa imaginação fértil... Acho que um bom argumento pra quem diz que o feminismo é exagerado / inútil / mal-humorado etc é fazer a pessoa refletir um tiquinho sobre o machismo. Não que sejam opostos, mas custa lembrar essa pessoa que o machismo continua vivo e triunfante?


Astrocat, exatamente. Quais as séries que não te irritam?

lola aronovich disse...

Priscilla, lembro que este espaço às quintas dos guest posts está sempre aberto para pessoas que queiram falar de um determinado assunto (de preferência, claro, assuntos que não façam parte da minha vivência). Eu sempre aprendo muito com os guest posts. Muito boa a sua colocação, não tenho nem o que dizer.


Andie, é dureza, né? Não há dúvida que exista um double standard! Concordo contigo que não dá pra gente entrar em batalha por causa de tudo. Ms ou Miss é um bom exemplo. Quando me perguntavam nos EUA pra eu escolher um tratamento (no meu caso, Ms ou Mrs), eu sempre escolhia o neutro, Ms. Mas não vou fazer escândalo se alguém chegar me chamando de Mrs ou de Miss. É só que seria tão mais simples pra TODO MUNDO (inclusive os homens) se só existisse UM tratamento feminino, Ms. Como existe Mr, pô! Mas é um detalhe. E só o fato d'isso ser uma opção em tantos formulários já é uma vitória. Mas realmente não dá pra reclamar o tempo todo. A gente tem que escolher as batalhas sim.

lola aronovich disse...

Mari, eu tb fico horrorizada. Me doi muito quando eu reparo que um menino, uma criança, caminha pra imitar o mesmo padrão do pai ou do avô (ou da mãe, muitas vezes). Me doi ouvir mulheres reproduzindo pérolas machistas. Mas em geral eu não desisto nem me deprimo. Eu quero acreditar que a gente faz a diferença. Somos um grãozinho de poeira, mas fazemos.


Thanatos, of course you would! O filme muda sim. A mensagem também. Vc está ignorando o contexto. Nunca aconteceu de rever um filme algum tempo depois e perceber coisas que não tinha percebido antes? Mudar a sua opinião sobre o filme? Isso acontece porque a gente muda. Um pequeno exemplo. A primeira vez que vi a primeira temporada de Nip & Tuck (aquela série sobre dois cirurgiões plásticos), eu até achei coisas interessantes. Tentei relevar o machismo. Mas não consegui de jeito nenhum ver a segunda temporada. Vi dois ou três episódios e pensei “Ugh! Isso é asqueroso!”. Tenho certeza de que, se revesse a primeira temporada, eu não conseguiria fechar os olhos pra misoginia da série, presente desde o primeiro momento do primeiro episódio. Eu não tenho a cabeça pra ver Nip & Tuck e pensar, “Putz, that's entertainment!”.

Jen S disse...

Lola,

Eu estava no Orkut ontem na comunidade da Chapel (eu sou da classe de 2003) e estava passando pela lista procurando um amigo, quando vi seu nome. Nao sabia que voce tinha estudado la! haha Mas achei mto legal pq leio seu blog ha mto tempo e adoro seus posts, apesar de nao comentar mto (na verdade comentei pela primeira vez essa semana com o nome de JM colocando o link sobre o comercial do Bacardi). Enfim, legal saber que alguem de admiro se formou da mesma escola que eu. :)

Quanto ao post de hoje, tenho mtas das mesmas duvidas. Eu moro nos EUA hoje e aqui tem essa coisa de ser super politicamente correto, e da ate medo as vezes de falar alguma coisa errada sem querer, pq voce nunca sabe o que ofende alguem. E as vezes isso eh paranoia mesmo.

Ao mesmo tempo, depois que me mudei pra ca comecei a me concientizar cada vez mais sobre os direitos das mulheres e o que ela representa na sociedade. (Minha roommate na faculdade era uma Women's Studies major e tinhamos essas discussoes sempre).

Aprendi a ser mto mais critica com o que vejo hoje em relacao ao tratamento de mulheres, diferencas sociais, racismo etc. E mtas vezes volto pro Brasil e soh ouco "ah la vem ela super feminista"...pois eh sou sim. :)

Bom acho que nao tenho uma resposta ou conclusao... mas achei o post bem legal pq me identifiquei mto.

Um abraco,
Jen S.

Louis. disse...

paranóa é uma palavra muito forte para descrever a sua sensação. é normal que quando se consegue perceber os discursos embutidos nas frases corriqueiras se comece a analisar as situações por esse lado.

acho que é necessario um meio termo. não se pode brigar por tudo, nem reclamar de cada palavra descuidada que sai da boca das pessoas.

é importante discutir quando percebemos que podemos mudar um pouco a atitude do outro, quando temos confiança e uma relação mais próxima. do contrario só se prejudica a si mesmo, irritando-se e se privando de aproveitar os momentos, quando não, criando inimizades sem proposito algum.

quanto a parte do humor da televisão, thomas hobbes teorisa que o humor parte de uma sensação subita de superioridade frente a outra pessoa,ou situação. seguindo essa definição fica mais claro o porque de voce não ver humor em situações que ridicularizem mulheres, uma vez que voce entende a cena como depreciativa a todas elas, não a um tipo de mulher especifica.

esse tipo de humor funciona em outras mulheres por elas não se considerarem uma 'dessas' mulheres retratadas, sentindo-se assim superiores a elas.

eu gosto de separar as coisas, me colocar em outros lugares, talvez por ser criado para ser hétero, eu consiga achar humor que deprecie gays engraçados, mesmo sabendo que aquilo reforça esteriótipos e preconceitos.

ou talvez eu ache graça por me achar superior a pessoa tola que fez a piada. é, a segunda explica melhor.

but anyway, levar a vida menos a sério as vezes, é menos estressante.

lola aronovich disse...

Luiz, concordo. Conheço um monte de feministas com senso de humor. Só que é um humor diferente. Legal, passe aqui sempre!

Cris, concordo que nem tudo pode ser explicado pelo machismo e pela discriminação. A gente tem que discernir. Eu conheço gente de algumas minorias que sentem-se discriminadas sempre! Tiram uma nota baixa, é discrimanação! Mas não é. Embora eu continue com a nota que recebi na defesa do doutorado entalada na garganta, não acho, nem nunca achei, que aquilo foi machismo.

lola aronovich disse...

Má, boa pergunta. Acho que paranoia é ver onde não tem. Não rir da piada é um resultado dessa paranoia, de acordo com os donos do status quo. Tipo: a piada é hilária. Toda piada de loira burra é a coisa mais engraçada do mundo (eu gosto daquela do liquid paper na tela do computador, mas por que não contá-la com o protagonista sendo um loiro burro? Eles não existem?). Se a gente não ri, é porque não tem senso de humor. Ou porque é loira. Sei lá.


Aiai, concordo, há muitos judeus que se opõem ao que Israel faz. Chantagem é errado, sempre.

lola aronovich disse...

Mica, então, mas advogado contar piada de advogado é uma coisa. Sei lá quem são os “inimigos naturais” dos advogados, mas imagine que eles contem piadas de advogado. Aí a coisa muda de figura. Imagina que tem um blog anti-OAB que conte piada de advogado no meio de montes de acusações contra a profissão. Aí perde um pouco da graça. Contexto, de novo.


Asn, vi um minuto do vídeo que vc recomendou (não tenho tempo!). Qual é a graça?

lola aronovich disse...

Carol, eu não consigo desvencilhar o feminismo de outros movimentos de justiça social. Pra mim, eles caminham juntos.


M, eu me sinto assim (ficando séria enquanto tá todo mundo rindo) quando vejo alguns filmes. Algumas comédias românticas, sabe? Tipo “Se eu Fosse Você 2”. TUDO lá é puro clichê, e o público achando hilário. Eu não consigo.

lola aronovich disse...

Oi, Jen! Então, eu sou do Class of 86. Faz tempo... Não sei se vc conhece mais gente daquela turma. A gente teve o nosso class reunion de 20 anos em 2006, num hotel-fazenda no interior de SP, e foi muuuuito legal. Sinto saudades de todos os meus amigos. É tudo gente boa. Que eu saiba, eu estudei lá um tempão, entre 78 e 86. Acho! E tenho ótimas lembranças da escola. Tirando uma freira nazista que tive na sexta série. Sister Agatha. Ela traumatizou a turma inteira. Olha, é preciso talento pra fazer a turma toda chorar de humilhação. Ela conseguia, com todas as turmas.
É, não dá pra medir palavra por palavra do que a gente vai dizer, se não acaba não falando nada. Mas acho que, se a gente está dentro de uma mentalidade humanista, as chances de discriminar outras pessoas com a nossa linguagem diminuem consideravelmente. Comente sempre! E aí, onde vc mora nos States?


Louis, concordo, não dá pra brigar sempre e por tudo, porque se não a gente se estressa. Às vezes, quando as coisas desagradáveis acontecem numa sequência, eu coloco tudo no mesmo saco, digo que é uma conspiração internacional contra a Lolinha, e decido rir de tudo. Porque tem coisas que parecem propositais! Bom, é uma boa explicação essa do humor. Mas não creio que todo humor seja depreciativo, fazendo com que alguns sintam-se superiores. Eu gosto muito da hipótese do Mark Twain de que humor é igual à tragédia... depois de um tempo (humor is tragedy plus time).

bruna disse...

Lola, que saudades! Não pense que sumi, não. Eu ainda te leio diariamente. Mas troquei a visitação no blog pelo gReader e agora dá uma preguicinha de abrir a página pra comentar, hihih.
O que importa é o que me motivou a vir comentar hoje, que foi esse post. Fiquei chocada a cada palavra da Amanda, porque me identifiquei nelas. Há tempos que venho desenvolvendo esse pensamento feminista, por ler mais, conviver mais, conversar mais com gente da mesma opinião. Criei também esse hábito de enxergar os machismos e de interpretar as coisas de outra forma - mais realista. E, também, há tempos que me pergunto se fiquei paranóica!
Não sei as respostas, mas entendo que deixar de observar essa realidade (ainda que fosse possível), não seria a solução para essa visão/vida mais "leve"...
Não resolvo problema algum aqui, mas queria mostrar que sou mais uma. Mais uma mulher com vontades de justiça e igualdade.
Abraço!
Bruna

Amanda disse...

Pessoal, obrigada pelas respostas! Li todas com atenção e com certeza elas me ajudaram a ver tudo com mais clareza. E também é bom saber que tem gente com as mesmas duvidas que eu.

Mas acho que mesmo se eu quisesse, não poderia voltar a ver as coisas de outra maneira: a semente ja foi plantada.

So queria explicar melhor à Ale, que meu namorado não é machista. Alias, a posição dele é um pouco estranha para minha cabeça tupiniquim. Ele aceita a igualdade entre os sexos como algo banal e age em correspondência (é ele quem cozinha todo dia aqui em casa e faz a metade das outras tarefas domesticas). Mas por isso mesmo não concorda que o mundo seja mais duro para as mulheres. Deve ser porque ele é francês e as coisas por aqui estão mais evoluidas. Bom, mas prefiro assim do que aqueles homens que na teoria concordam com tudo, mas na hora do vamos ver preferem deixar a louça para as mulheres.

Madrecita disse...

acho realmente que cada um tem seu papel na sociedade e ser feminista é tão ruim quanto ser machista...somos diferentes, nem melhores nem piores e temos de aceitar este fato e pra mim é tudo de bom, acho que é um jogo de compensações o famoso concavo e convexo, a mulher é especial tanto quanto o homem...vive la diference!

Marcos disse...

Vai falar de paranóia quando a Burger King faz um anúncio desses?

http://gawker.com/5301856/eating-a-burger-king-super-seven-incher-is-just-like-giving-a-blow-job

Greta disse...

Eu acho que o que deixa as pessoas paranóicas é o excesso de zelo, quando tudo passa a ser olhado e classificado pela ótica maniqueísta da dualidade bem x mal, direitistas x esquerdistas, feministas x machistas, etc.
O mundo não é somente preto e branco, existem centenas, talvez minhares de outras cores. Então, acho que o que importa é encontrar o ponto de equilíbrio.
Tem gente que acha que militar é fazer contraponto e soprar apito sempre que vê ou suspeita de alguma coisa errada no mundo, porém se eu for gritar e bater o pé sempre que vejo alguma coisa que acho errada, feia, suja, etc., vou ficar só por conta disso e não fazer mais nada na minha vida. Aliás, eu nem vou ter mais vida.
Assim eu estabeleço um "limite de tolerância" e procuro seguí-lo, se esse limite é desrespeitado, então eu protesto, sopro apito, reclamo, etc. No mais, eu tolero e procuro aceitar, porque, no fundo, ninguém é perfeito.

Anônimo disse...

Tentando ser objetiva:
1)acho que o feminismo não nos deixa paranóicas mas uma idéia fixa pode nos desviar das demais.
2)o feminismo não nos deixa paranóicas mas já me deixou deprimida em mais de uma ocasião.
Tipo assim: não quero mais brincar porque vc é quem ganha sempre. E por decreto.
3)no início do meu casamento dei as melhores idéias para fazermos uma mesa de tênis (ping-pong) pra nossa casa.Comprei todos os materiais e no final de semana, pelas 10 da noite já cansados (com martelo, furadeira, parafusos, tábuas, ajoelhados sobre a enorme placa de duratex ou similar, não lembro), surgiu um impasse e eu encontrei a solução. Super feliz olhei pro engenheiro e expliquei a sequencia da ação. O maridão(conforme diria Lola) teve a desfaçatez de me olhar profundamente, assim cara-a-cara e dizer: Tudo bem! Mas quem manda aqui sou, certo?
Acho que ali eu compreendi o que é o homem do meu tempo. Tenho um humor assim de sair da cama C A N T A N D O literalmente,
por isto estou rindo até hoje e ele faceiro da vida. Porque pro homem importa mais é que os outros achem que ele manda, sacumé?
Então tá!
4) Tenho muitas amigas que não sabem que sou feminista, deusolivre, elas acham que isto vai afastar os seus homens. Então tá! Conheço marido que faz terrorismo contra feministas, são uns bostas, morrem de medo de mulher que tem argumentação.
5) Lola eu apaguei a opinião kilométrica a que me referi, daqui, mas guardei para analisar.
6) Meninas que estão na ativa, aqui vai um conselho da professora Fazuda: Se vc tem profissão, tem tesão e se curte, até o machista vai lavar uma loucinha pra vc de vez em quando! O bicho hômi é a coisa mais carente e cachorra que existe, e pra lidar com eles precisa energia, autoconfiança e muito carinho. Eles se rendem, quando são inteligentes. Fatima.

Alessandro R. C. disse...

Lola, eu gostaria muito que vc escrevesse um post para homenagear o Michael Jackson. Beijo!

astrocat disse...

Lola, estas são as séries que eu gosto (ou que irritam in a good way): Mad Men. Big Love. Project Runway, pra quem gosta de moda. Good Eats, pra quem gosta de cozinhar. E tem a série de três episódios da BBC chamada Tippin the Velvet, que eu to recomendando para os amigos GLS. Gosto de baixar os documentários da BBC também, sobre ciência, arte, etc. São muito bons e divertidos!

lola aronovich disse...

Gente, machismo e feminismo não são antônimos! Não são “a outra face da mesma moeda” nem a pau. Machismo é discriminar as mulheres, negando-lhes direitos básicos que deveriam ser de todo cidadão, ou olhar pras mulheres apenas como vaginas ambulantes, prontas para cumprir sua única função. Feminismo NÃO é discriminar os homens, ou dizer que mulheres são melhores que homens, ou pregar a morte dos homens, ou querer castrá-los. É apenas lutar por direitos iguais pras mulheres. Feminismo é luta pela cidadania. Machismo é preconceito. Feminismo nada contra a maré, porque a sociedade patriarcal é extremamente machista. Machismo apenas segue a corrente. Machismo é a condição dominante, vigente. Feminismo é lutar contra esse sistema. Não é difícil de entender, e não vejo maniqueísmo algum nisso. Num mundo ideal, TODO MUNDO deveria ser feminista, ué. Assim como todo mundo deveria ser anti-preconceitos.

Vivi disse...

Gente... que delícia, após uns dias "fora da vida real" (por motivos pessoais e impertinentes a esse momento) ler um post tão acalantador e que nos coloca em constante questionamento, mas que principalmente, me instiga a expressar minha opinião.
Confesso que não li as postagens anteriores ainda, por falta de tempo, mas uma fato CONCRETO e que não há dúvidas... é que vivemos em uma sociedade machista.
Lembro-me da época da graduação, quando tive a possibilidade de fazer um estudo rápido e escrever um artigo em relação a temática gênero. E foi super imaturo naquele momento, pois com certeza hoje ele seria construído de maneira diferente, só que não sem as mesmas bases e alicerces!
Por isso que o livro do Engels... A origem da família, da propriedade privada e do Estado... me foi algo muito ilustrativo e importante, pois me possibilitou uma compreensão da construção da subordinação social da mulher - a qual é reproduzida, reforçada e aprofundada COTIDIANAMENTE no decorrer do desenvolvimento histórico!!! E ainda dá até pra recomendar uma literatura de extrema importância que é a Zuleika Alambert ou a Safioti.
Mas, enfim... não sei se a proposta desse post era essa. Só sei que NÃO podemos concordar e muito menos aceitar a SUBJUGAÇÃO de um ser social pelo outro... seja pela diferença de sexo, de etnia, de nacionalidade... Mas sim, compreendermos que somos diferentes... e nós mulheres dos homens, mas que isso não significa que esta diferença possa significar DOMINAÇÃO!
Fico por aqui, por enquanto... e aproveito pra ler os comentários anteriores... deixando a mensagem de que a sociedade nem SEMPRE foi assim, e também não precisa continuar a ser... portanto, enquanto construtores da história e da sociedade, temos - coletivamente (enquanto classe) - como TRANSFORMAR essa realidade.
Um beijo grande!

Anderson disse...

Só para completar oq a Lola disse, a outra face do machismo seria o femismo, a ideia de que a sociedade teria que ser matriarcal, apenas com mulheres em posições de poder, sejam as politicas , economicas, religiosas (uma Deusa Mãe que só aceitari sacerdotizas pq como só as mulheres podem ter filhos ,só elas podem ter uma comunhão verdadeira com a divindade), etc,etc...

Ou seja, a troca de uma opressão por outra.

E qualquer um que não seja mau-intencionado sabe (ou ao menos tem como descobrir) que não é isso pelo que as feministas lutam.

Greta disse...

lola aronovich disse...
"Gente, machismo e feminismo não são antônimos! "
---------------
Podem até não ser, Lola, porém isso não impede que a maioria das pessoas encare esses conceitos através de uma interpretação maniqueísta.

Anônimo disse...

Pois é.Passar a criticar o mundo é perder muito da "diversão" sim,pois esta muitas vezes reflete os valores doentes que se esta contestando.

Lúcia Soares disse...

Assino junto com a MADRECITA.
Falou tudo.

Anônimo disse...

Lola, me identifiquei com o relato da sua amiga que levou um "tapa na cara" do marido da professora. Cresci até certa idade desconhecendo a desigualdade de direitos entre os sexos. Para mim, meninos e meninas eram diferentes apenas porque os primeiros tinham pintinho, e a gente tinha perereca. (Ainda bem que a bunda é igual pra todo mundo, senão imagine como seria pior se a bunda masculina fosse rachada na horizontal, por exemplo). Foi um trauma para mim quando me deparei e sofri com o machismo pela primeira vez... Depois vivi uma série de "episódios bobos" que ficavam martelando na minha cabeça, como quando jogava bola com os meus irmãos e os amiguinhos deles. Eu era a única do time que podia fazer gol de mão, por ser menina. E já aos 15 anos, certo dia meu pai me pediu ajuda para arrumar uma pilha de jornais e revistas. Me sentei no chão, com as pernas abertas, puxei as tralhas pra junto de mim e comecei a separá-las... Meu pai me deu uma bronca! E olha que eu estava de calça jeans!!! Me sentara daquela maneira apenas por julgar mais confortável etc... É duro, Lola.
Às vezes dá tante preguiça, né? :-(
Abraços,
Luciana.

Cris disse...

O mundo é realmente machista e vc começa a ficar paranóica se não conseguir relaxar pra vida.

Uma vez comecei um papo sobre machismo com meu prof de teatro e com outros alunos. E prof disse, nós tb temos a pressao de ser sempre viril e tal... É verdade, todos sofrem pressão, ainda que eu ache q as mulheres mais q os homens, os negros mais q os brancos, os judeus mais que os católicos e assim por diante.

A grande sabedoria está em saber plantar sementes no seu cotidiano, sem deixar de ver a beleza da vida e sem perder a alegria de viver. Porque mudar o mundo nós não iremos ou, sendo muito otimista, não veremos as mudanças. bjs

Mila disse...

Aaah, isso também é uma fase.

Sara disse...

Tenho 13 anos e há dois anos começei a dar mais importancia ao meus "estatuto" na sociedade, e sim tambem vejo machismo em todo o lado ,basicamente revi-me neste post e acho que nao ha problema nenhum em dares importancia as mais pequenas coisas que ves na tv, é reprovando essas pequenas coisas que escondem machismo por tras que as mulheres terão a verdadeira igualdae para com os homens.Gostei de ver que alguem pensa como eu! :)

Éris disse...

Não acho que seja paranóia se vier de alguém que acha que machismo não existe ou que feministas vieram para destruir a felicidade dos homens e mulheres do mundo. Essas pessoas são ignorantes demais.
Eu sempre me coloquei ao lado da minoria também, mesmo sendo branca e 'normal', mas nunca gostei da forma que as pessoas tratavam as outras somente por serem diferentes, mesmo que a mim nunca tenham agredido diretamente, achava que era covardia humilhar ou maltratar alguém que estava em minoria e a troca de nada, principalmente, pois nunca tive esses preconceitos de cor, religiao, etnia, cultura, dinheiro, sexo, escolha sexual... para mim todos sempre foram iguais.

Anônimo disse...

you have a wonderful site!

Anônimo disse...
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Juliana disse...

Eu por exemplo quase não assisto tv pq parece que simplesmente quase 100% da programação não é dirigida a nós,ou nos ofende de alguma maneira.A propaganda publicitária então nem se fala né, é como se mulher não consumisse nada,fosse sempre um obejeto escravo da beleza e dos homens.Eu tb deixei falar com muita gente pq quando ouço qualquer conotação machista paro de falar com a pessoa,o que mais me deprime é que o machismo vem de mulheres também.

Vinícius A. Mendonça disse...

A paranoia pode ser uma etapa para a militância feminista, seria um preço a pagar pela militância.
Porém é interessante se fazer a auto-critica sobre a efetividade do mesmo, pois as vezes tomamos certos caminhos que podem ser menos potentes como poderia ser. No caso do extremismo da paranoia, muitas vezes vende-se uma imagem que, mulheres não-feministas acham que deva ser este o caminho a seguir.
Lembrando que, na verdade existe uma ideologia fundamental por traz desses estereótipos consequentes de uma luta de uma perspectiva individual que muitas vezes não é revelada.
O problema que eu vejo na verdade não é da paranoia em si, mas da imagem que é repassada como se fosse a conduta ideal para a luta feminista.

A auto critica se torna necessária justamente por isso, por ser um assunto complexo subjetivo demais, as demandas e a perspectiva pessoal tem que ser mutável o tempo todo, e não eternizada como muitas vezes acontece.