terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

TÔ NO CLUBINHO!

Por que alegria de pobre dura tão pouco? Ontem fiquei com um sorriso de orelha a orelha, porque finalmente uma empresa de marketing me contatou. Calma, Bete, calma (gostei, Marla!), deixa eu explicar. Descobri, em novembro, muito por acaso, que os press screenings (exibições de filmes pros jornalistas) aqui em Detroit acontecem logo nos cinemas que eu mais frequento, em Birmingham, subúrbio de Detroit. Apesar da distância, é relativamente fácil chegar de ônibus a essas salas. Assim que descobri, tentei falar com gerentes, mandei emails, e nada. Como é duro falar com alguém em carne e osso por aqui! Só tem máquina atendendo telefone. Mais de um mês depois, uma boa alma decidiu responder uma das minhas mensagens, e me passou um outro número. Liguei várias vezes. Só no fim de janeiro consegui me comunicar com um humano. Expliquei a situação – que sou uma crítica de cinema do Brasil, temporariamente nos EUA, e que gostaria de ser convidada aos screenings. A mulher me enviou um email pedindo montes de dados, como circulação do jornal (mais ou menos 30 mil por dia do A Notícia), endereços, editoria, etc etc. Esta semana ela me disse que meu nome havia sido aprovado e iria ser incluído no Detroit Press List. Ueba! Tá, o que eu pensava? Pensava que as exibições seriam pela manhã, com sorte aos sábados, sempre em Birmingham, e que eu conseguiria levar o maridão sem que ninguém notasse. Não é bem assim. Logo em seguida chegou um outro email com a lista dos filmes que vão estrear aqui durante o mês. Eu tenho que comunicar quais desses filmes desejo ver. Enfim, há outras salas de cinema envolvidas (mais distantes; já fomos, e o transporte público até lá não é bom), geralmente as exibições são à noite, em dias de semana, e não sei se terei sucesso em entrar com o maridão escondido embaixo do meu casacão. E tem mais: quase sempre que vamos ao cinema, aproveitamos pra pegar dois filmes. Com os screenings vai ser bem a conta-gotas mesmo. Será que vale a pena?

Tem uma parte promissora, ainda a ser conferida: eu serei informada das entrevistas à imprensa que acontecerem por aqui. Desconheço se as campanhas de divulgação dos astros chegam a Detroit. Sei que o diretor e a roteirista de Juno deram coletivas aqui em dezembro, porque foi um carnaval, dessas coisas que seriam humilhantes pros críticos, se eles tivessem simancol. Por exemplo, um crítico babou em cima dos dois, não parou de falar que Juno era o filme mais lindo e maravilhoso e importante do século, que seria lembrado por gerações e gerações... Até o Jason Reitman e a Diablo Cody acharam que o carinha tava exagerando. Imagino que esse tipo de deslumbramento desenfreado deve acontecer o tempo todo, não só aqui em Detroit. Só fico pensando quem me faria perder o controle, pedir autógrafo, pular no cangote... Alguma sugestão?

12 comentários:

Liris Tribuzzi disse...

Que máximo, Lola!!!! Uma pena que tem tantas restrições... Mas que legal!!! Até eu me empolguei por aqui. Um dia quero chegar a mandar um email pra alguém afirmando que eu sou crítica de cinema. Meu sonho! (também é meu sonho ganhar um Oscar, mas isso é detalhes...)
Faz de tudo pra ir, é chiquérrimo!

Pedro P. disse...

hahaha, ta dificil acompanhar seu ritmo Lolinha, acordei tarde e só entrei na net de noite e já tem uns 3 posts novos, que bom :D.
Bom vc eu não sei, mas pela Angelina Jolie eu ficaria horas deitado numa praia na esperança de ficar pretão, quem sabe assim ela me adota :D. Africa - Brasil / Bahia ? Ahn . AQUI JOLIE!
Agora lembre-se Lolinha se vc for correr atrás de algum "idolo" por aí, deixa um pouco mais do que os olhos e nariz congelado visivel, hahaha esse povo é sensivel a perigo e para vc levar um tiro de um dos seguranças com aquele traje Serial Killer não ia demorar HEHEHE, bota o cachecol patriota por fora nessas horas...

Andrea Cristina disse...

Aproveite sim Lola!!! Mesmo q seja um tanto contramão ir assistir aos filmes em horarios ruins e locais longes. Mas pelo menos vc terá a oportunidade de conhecer outras pessoas q tb gostam de cinema. E vc sabe q fazer contatos é muito importante no nosso meio.
Quanto a levar ou nao o maridão, vc tem a opção de nao levar, pq ele nem se dá ao luxo de vir prestigiar teu blog... uahuahuahuah BRincadeira!!!

=***

lola aronovich disse...

Liris, vc quer ganhar um Oscar?! Acho que é mais fácil ser crítica de cinema... Mas, sei lá, se a Diablo Cody talvez consiga... Não tô querendo te desencorajar, é só que deve ser muito difícil entrar nesse meio.
Ha ha, Pedro! Vc acha que eu entro nos recintos fechados vestida de serial killer? Aqui é assim: vc anda hiper vestido lá fora e, no momento que entra em qualquer lugar, mesmo que seja no ônibus, precisa fazer um strip tease urgente! Porque eu começo a suar... Imagina que legal eu fazer um strip tease na frente do Christian Bale ou do Clive Owen...

lola aronovich disse...

Vou tentar ir sim, Andrea! Quanto a levar o maridão, tem uma outra dificuldade. Sabia que ele tá dando aula de xadrez e português? Não muitas, mas tá, e já dá pra ganhar um dinheirinho! Algumas aulas dele são à noite. Mas o problema maior é se locomover a alguns desses lugares à noite, de ônibus... Até hoje me lembro quando eu e o maridão fomos a um lugar chamado Southfield. Tem um multiplex lá. Era domingo à tarde, e a gente não sabia que não tinha ônibus de volta. Esperamos 4 horas! (e táxi aqui tb não dá pra pegar, porque eles nao vem!). Tivemos que contar com a ótima vontade da Andie e do James pra irem nos buscar lá de carro. Se não a gente teria dormido na rua! (e ainda não tava frio). Imagina encarar uma aventura dessas no inverno... Não sou masoquista!

Liris Tribuzzi disse...

Já me conformei que é meio difícil ganhar um Oscar com um filme sobre tartarugas gigantes que destroem uma cidade ou sobre um cara que não acha um banheiro.

Silvio Cunha Pereira disse...

Sabe, Liris, que minha fantasia nunca foi ganhar um Oscar? Quero dizer, tenho fantasias como todo mundo, dessas de sentar no banheiro e sonhar em ser entrevistada, por exemplo (essa eh descrita em Truman Show?). Mas minha fantasia eh mais financeira. Escrever e/ou dirigir um filme hollywoodiano, ganhar esses milhoes de dolares que o pessoal ganha, conviver com alguns astros (os que estariam nos meus filmes), e depois sair dessa rapidinho e voltar a minha vida normal. Eu juro que so entraria nisso (se tivesse algum talento pra coisa) pela grana! Mas vc ja escreveu um roteiro sobre tartarugas gigantes?

lola aronovich disse...

Ai meu deus, de novo! Fui eu que escrevi o comentario acima, Liris, nao o maridao!

Liris Tribuzzi disse...

O Oscar é uma conseqüência da grana. rsrsrsrs.

No auge dos meus 12 anos, eu e minha prima chegamos a escrever uma história sobre isso (como eu me divertia inventando tudo aquilo). Inicialmente era pra ser uma trilogia, mas só tem os dois primeiros capítulos. Sabe o filme 'Malditas Aranhas'? É bem parecido, só que a gente não tinha visto o filme antes de ter a idéia. :D

lola aronovich disse...

Mas Tartarugas Ninja vcs tinham visto, ne? Ah, que coincidencia vc falar de "Malditas Aranhas"! Anteontem vi um episodio hilario de 30 Rock em que a loira eh interrogada pelo Alec Baldwin sobre a idade que tem. Ela diz que tem 28 anos, ele nao acredita, obvio, e comeca um batalhao de perguntas, tipo: "Em que filme vc perdeu a virgindade?" E ela, sem piscar: "Malditas Aranhas". Ele: "E em que Drive-in foi isso?" Ela: "O que eh um drive-in?" MUITO BOM!

lola aronovich disse...

Opa, Liris, confundi Malditas Aranhas com Aracnofobia! Sorry.

Andrea Cristina disse...

Caraca!!! Esperar 4 horas por um onibus é realmente muita coisa! Corajosos e persistentes vcs dois hein!!!

E ainda bem q vcs tem amigos por lá com quem vcs podem contar, viu!