sábado, 16 de fevereiro de 2008

CRÍTICA: A MORTE DE GEORGE W. BUSH / Bom demais pra ser verdade

O Assassinato de Bush (ou A Morte de George W. Bush) me decepcionou. Não, não o ato em si, que seria a única coisa capaz de levantar a popularidade do presidente americano mais impopular de todos os tempos (ou pelo menos desde que inventaram as pesquisas de opinião), mas o documentário de mentirinha que trata desse cenário fictício. A idéia do filme é provocante, sem dúvida. Porém, a execução não passa disso. Se me falassem, “Fizeram um filme sobre o Bush sendo baleado”, meu fascínio seria o mesmo que depois de ver o documentário. Ele é meio fraquinho. A montagem é boa, os protestos em Chicago parecem reais, e foi instigante ouvir alguns slogans como “Hey, Bush, what do you say? / How many kids did you kill today?” (“E aí, Bush, o que você diz? Quantas crianças você matou hoje?”). Mas o filme tenta ao máximo não ofender ninguém – o que não adiantou, já que as distribuidoras americanas recusaram-se a exibi-lo no cinema -, e não tem nada de humor. Quero dizer, nem numa cena como a que os médicos dizem que Bush recebeu dois tiros e será operado, mas que a perspectiva é boa porque o coração dele é mais forte que o das pessoas de sua idade? Uma frase dessas não deveria gerar nem uma gargalhadinha? Não, porque o tom é de respeito total. Quando Bush é enterrado como um grande estadista, o filme não faz nenhum esforço pra contradizer a asneira. E a gente realmente precisa de um documentário pra saber que as liberdades pessoais nos EUA estão comprometidas e que os muçulmanos são sempre os principais suspeitos? Sem falar na ironia suprema: de que adianta liquidar o Bush, se seu subsituto será o... Dick Cheney?!

8 comentários:

Daniel disse...

Lembra que eu perguntei se vc tava acompanhando o Festival de Berlim? Recebeu meu e-mail?
Tropa de Elite ganhou o Urso de Ouro

lola aronovich disse...

Pois é, Dan! Acabei de voltar ao computador agora. Que maravilha Tropa de Elite ganhar o Urso de Ouro! O maridão já tinha visto no Estadao (mas eu nao). Muito bom!

Bia Mathias disse...

Que decepção o filme!! Para fazer um filme desses com a intenção de não ofender ninguém seria melhor nem ter feito!!!
Lola, quem é o carinha que fez esse filme? Só digo uma coisa: já pensou se o Michael Moore tivesse feito esse filme??? rsrs
Um outro assunto que me surgiu agora que você pode comentar no seu blog é que vira e mexe vemos na TV que algum pirado entrou armado em uma escola/faculdade e saiu atirando em todo mundo, depois de tantos casos parece que não é feito nada sobre e para evitar novos casos como este!!!
Abraços.

Veriana Ribeiro disse...

concordo totalmente com a bia, me parece um desperdicio fazer um filme desse sem ter a pretensão de ofender... Como se o simples fato de matar o presidente não fosse o bastante. Quer dizer, se já escolheu esse tema q certamente vai ofender o governo, pq n fazer algo interessante?

lola aronovich disse...

É, Bia, pensei exatamente a mesma coisa que vc: e se o Michael Moore tivesse feito o filme? Pelo menos seria engraçado. E é isso mesmo, Veriana, quem escolhe um tema desses deveria saber que vai ofender automaticamente muita, muita gente. A direita cristã não apenas não vai chegar perto dos cinemas, como vai boicotar, atacar, querer censura e tudo mais. Um filme com esse tema é só pro pessoal mais de esquerda. É realmente "preaching to the choir", como se diz. Aí vc tenta fazer um filme "neutro", sem humor, pra não ofender ninguém? Não dá!
Bia, esse assunto dos atiradores nas universidades é muito interessante sim. Vou falar sobre ele. Se eu demorar vc cobra!

lola aronovich disse...

Ai, gente, adoraria responder os comentarios de vcs AGORA, mas nao vai dar. Ja ja vou ao cinema. Ontem fiquei mais de 4 horas num cinema, vendo os indicados aos curtas. Depois eu falo mais. Vou tentar colocar um post agora, antes de sair. Juro que depois respondo a todos!

Alex disse...

Ow, ainda estou com muita vontade de ver o filme. Mas que pena saber que ele tenta não ofender e ser respeiroso com Bush. Pra que exatamente?

lola aronovich disse...

É pra ver mesmo, Alex. Tá passando aí em Curitiba? Imagino que o empenho todo pra não ofender ninguém foi por medo de ser considerado um "nasty film" e, assim, sofrer boicote. O problema é que sofreu boicote de qualquer jeito. Mesmo deixando de agradar o seu público-alvo, que é gente que gostaria de ver um nasty film sobre a morte do Bush. De preferência engraçado.