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sexta-feira, 15 de maio de 2009

CRÍTICA: STAR TREK / Nova geração, a resenha

Kirk, McCoy, Spock. Ao centro, terráquea anônima de minissaia.

Reparei que tem muita gente entusiasmada com a reconstrução que o J.J. Abrams, criador de Lost e Cloverfield, fez de Jornada nas Estrelas. Não apenas o público aprovou, como a crítica especializada também (o Metacritic, que reúne os principais críticos americanos, dá média 83 pro filme, uma nota altíssima). Quanto a mim, gostei muito... das partes que assisti, que não foram muitas. É que eu dormi no cinema. Não por demérito do filme, apenas porque estava exausta. Será que, se eu não tivesse dormido, saberia o que escrever sobre Star Trek? Não sei a resposta. O que sei é que realmente não tenho muito a dizer. Portanto, unindo o útil ao agradável (ou o inútil ao desagradável, como queira), vou aproveitar as aulas que estou dando no estágio da sexta série e ensinar aos leigos como (não) se escreve uma resenha crítica.
Pra começo de conversa, uma resenha é um resumo crítico sobre alguma manifestação cultural (filme, livro, peça de teatro, concerto de música, disco - isso existe ainda?). O que muita gente faz errado ao resenhar alguma coisa é exagerar no resumo e economizar na crítica. Ou seja, contar demais a história e não dar a sua opinião, que é a razão pela qual alguém está lendo o seu texto. Resumo dá pra ler no release da obra, né? Não se preocupe que não existe a menor chance d'eu contar demais a trama de Star Trek (eu dormi). Pelo que entendi, o filme mostra a origem dos heroicos integrantes da nave Enterprise. Tem um roteiro que privilegia o desenvolvimento dos personagens, muito mais que uma história. Acho um atestado à qualidade do filme e ao poder do mito que até eu, que estou longe de ser uma Trekkie, reconheci a maior parte das figurinhas carimbadas.
Uma resenha deve falar da interpretação dos atores, e disso eu me sinto plenamente capacitada pra falar. Ouvi algumas leitoras mencionarem algumas atuações, e tudo que posso pensar é: o quê?! A Winona Ryder e o Eric Bana estão no filme?! Meu, eu não os reconheceria em cem mil anos! Felizmente, reconheci o Tyler Perry como um chefão da Federação (é que sempre achei o Tyler um charme). Mas eu só tinha olhos pro Bruce Greenwood, que faz o Capitão Pike. Deve ser uma indicação da minha idade avançada que ultimamente eu tenha muito mais interesse em atores de meia idade que em púberes como o Chris Pine, que faz o Capitão Kirk, o garanhão das galáxias. Nesse ritmo, daqui a pouco vou me sentir atraída pelo William Shatner.
Continuando a minha demonstração de como é importante ser sério e profundo ao escrever uma resenha, devo dizer que o carinha que faz o novo Spock, o Zachary Quinto (li que ele é o Sylar de Heroes, o que pra mim é romulanês), ainda não aprendeu direito o sinal de sua terra. Sabe, aquele sinal dos dois dedos juntos, deixando um V no meio? Confesso que me senti um pouco ridícula fazendo o gesto no cinema, mas tava escuro e ninguém viu. Eu consigo fazer o sinal por causa do meu cérebro espetacular, se bem que só depois de muita concentração. Não é natural, como é pro Spock do Leonard Nimoy, que parece que nasceu sabendo. Mas o Zachary é talentoso e vai aprender.
Todo filme tem um tema, e as resenhas devem tentar identificá-lo. Algumas pessoas andam reclamando do teor liberal de Star Trek. Tipo assim: uma federação que controla o universo, como a ONU, é pintada como positiva, a nave tem gente de todas as raças e nacionalidades, e ninguém impede alienígenas ilegais (illegal aliens) de entrar num determinado planeta. Em outras palavras, um pesadelo pro americano conservador médio. Eu nem percebi tudo isso. Claro, a mensagem de tolerância e integração entre os povos é uma constante da série (Kirk sempre faz sexo interracial, desta vez com uma ET verde). Mas pra mim o tema pode ser que, no ano 2230, as terráqueas continuarão usando microssaias e sendo meramente decorativas enquanto homens totalmente vestidos saem por aí combatendo a escória do universo. Quer dizer, eu até entendo: a série original é de 1966, pré-feminismo, quando aeromoças eram despedidas das companhias aéreas ao completar 30 anos. Mas que soa estranho ver todas as fêmeas da Entrerprise usarem roupinha mais apropriada à mansão do Hugh Hefner, ah, isso soa.
Críticas de filme também podem mencionar os efeitos especiais, se bem que isso é meio que chover no molhado (o mínimo que uma produção de dezenas de milhões de dólares pode ter é efeitos de ponta). Em Star Trek, eu adorei ver um planeta inteiro de 6 bilhões de pessoas ser destruído em segundos. Lembrou o projeto de ciências que eu acompanhava na minha época de escola, com vulcões. Massa!
Essa gíria eu vi quando estava preparando a aula pra dar pros alunos fofinhos da sexta série e fui tentar buscar uns adjetivos pra legal. Não encontrei nada de muito útil: bacana, supimpa, e da hora. Chuchu beleza eu não recomendo, porque revela a sua idade. E tem o irado. Essa foi uma enorme revelação pra mim. Então um dos tops de buscas que o Google traz pra cá, “mensagens iradas”, não se refere à ira dos fãs de Senhor dos Anéis contra a minha pessoinha? Ahhhh...
Prova cabal de que eu e a tripulação da Entreprise definitivamente somos de outra época. Mas pelo menos eu sei escrever resenhas. Cof cof. Não repare na tosse. Algum pozinho intergaláctico deve ter entrado na minha traqueia de terráquea.