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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

CRÍTICA: PERSÉPOLIS / Antídoto pra Ratatouille

Mal tenho palavras pra descrever o quanto amei “Persépolis” (estréia amanhã no Brasil). Eu chorei feito um farrapinho humano, e só não chorei mais porque não queria inundar a linda sala do Detroit Film Theater, que fica dentro do Detroit Insitute of Arts. Se eu visse o filme em casa, sem reservas, seria um dilúvio, um novo “Babe, O Porquinho Atrapalhado” (meu recorde em lágrimas). “Persépolis” é realmente muito triste, de jeito nenhum um “feel good movie” como “Ratatouille” (vai ser uma árdua competição pra Melhor Animação, se bem que o do ratinho seja o favorito). Por mais que eu tenha gostado do camundongo culinário, não tem comparação. “Persépolis” consegue ser ao mesmo tempo um épico sobre a história recente do Irã, o cotidiano de uma menina e a situação dos estrangeiros na Europa. E nem dá pra dizer qual ângulo é mais fascinante. A história iraniana eu já conhecia, por cima. Um horror que tenham feito uma revolução e derrubado um tirano como o Xá pra pôr algo ainda pior no lugar como um aiatolá. Mas é novidade pra mim isso que, como não podem executar uma virgem, mandam um guarda casar com ela antes pra só depois do ato consumado matá-la. E lá pelo menos as mulheres ainda podem dirigir carros, ao contrário daquela “democracia” apoiada pelos EUA, a Arábia Saudita. Sei não, a gente vive aprendendo que deve respeitar diferenças culturais ao invés de querer ocidentalizá-las. No entanto, não tenho o menor respeito por toda uma religião que oprime tanto as mulheres. Como nesse ponto a direita cristã e os muçulmanos são parecidos!

O maridão, pra exemplificar como “Persépolis” é desolador, destacou que na Europa a vida não fica tanto melhor pra uma exilada. É verdade. Mesmo assim, o filme tem muito humor, como nas cenas em que a menina se transforma em mulher, e como ela decide lutar contra a depressão, ao som de “Eye of the Tiger” (usada em algum “Rocky”) com sotaque. É um belo filme em todos os sentidos, não só literalmente. Que os desenhos em preto e branco são de sonho não preciso nem dizer. Perto das animações que são feitas pra crianças nos EUA e vendidas como “pra toda a família”, “Persépolis” parece tão intensamente adulto! Eu nem o colocaria no mesmo gênero. Não consigo me lembrar de um desenho animado que tenha me deslumbrado mais. Em toda a minha vida.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

NÓS VAMOS INVADIR SUA PRAIA

“Não me indicaram pra melhor filme estrangeiro! Depois da minha gangue acabar com a cerimônia do Oscar, tenho algumas idéias sobre o que a gente pode fazer com quem não participar do maravilhoso bolão da Lolinha...”


Veja aqui como participar.

O Pedro que mandou a foto. “Persépolis” é o máximo!