Mostrando postagens com marcador oscar 2015. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador oscar 2015. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

UM OSCAR QUE DEU GOSTO

Discurso feminista no Oscar: Jesus aprovou

Foi bonita a festa do Oscar, pá. Fiquei contente.
O anfitrião, Neil Patrick Harris, quase um desconhecido pra mim, deixou bastante a desejar, mas não foi um fiasco como Seth MacFarlane ou David Letterman, os piores da história (seguidos de longe por James Franco). 
Seu momento mais constrangedor foi quando ele improvisou e disse pra produtora Dana Perry, que usava um vestido com bolinhas (eu nem reparei), que era preciso "balls" (bolas, e também testículos) para usar aquela roupa. Foi péssimo, porque no seu discurso, ela tinha acabado de falar do filho que se suicidou, e porque, numa indústria que tem tão poucas mulheres por trás das câmeras, fazer uma piadinha sem graça dessas é... escroto. 
Porém, no momento final, quando Neil abriu o envelope com suas previsões do que iria acontecer, ele acertou em cheio (isso foi armação ou o carinha realmente tinha noção de tudo?). De toda forma, duvido que ele volte a apresentar o Oscar. O consenso foi que não agradou.
As coisas realmente começaram a esquentar quando Patricia Arquette, favoritíssima, ganhou o Oscar de atriz coadjuvante por Boyhood (acabou sendo a única estatueta dada a um filme que, até pouco tempo, era favorito. Mas é uma questão de timing, não tem jeito: se a premiação tivesse sido duas semanas antes, Boyhood levaria os prêmios de filme, diretor e montagem. O tempo dele passou, e os votantes viram que o filme não era aquilo tudo não). 
No início de seu agradecimento, Patricia leu um discurso chato. Mas aí completou com "É nossa vez de termos igualdade salarial de uma vez por todas!".
Mais importante do que o que ela falou, foi a reação de Meryl Streep e Jennifer Lopes, que gritaram e aplaudiram, entusiasmadíssimas. E foi lindo que a câmera captou isso e passou esse entusiasmo para um público de quase um bilhão de pessoas. Esse momento não será um marco pro feminismo, mas foi importante. Talvez sejam apenas migalhas, mas às vezes temos que nos contentar com migalhas. 

E neste caso foi uma atriz que interpretou uma mãe solteira pedindo igualdade salarial pra todo mundo ver, sendo ovacionada pela estrela mais condecorada do cinema (e com todo um histórico feminista). 
Esse ato foi o tapa na cara dos anti-feministas. Pra quem vive dizendo que o feminismo morreu, que ninguém leva o feminismo a sério, pra quem faz montagens e piadas grotescas com feministas, esses segundos (porque não durou mais que alguns segundos) valeram como um "Para de falar besteira e vai se ferrar, babaca!". Foi lindo.
Foi um instante feminista pra coroar toda a campanha do Ask Her More, criada por Reese Witherspoon e Amy Poehler. Reese, inclusive, fez um bonito discurso já no Red Carpet, afirmando "Somos mais do que nossos vestidos". 
E a famigerada ManiCam (nunca tinha ouvido falar nessa atrocidade), um "cenário" para que as estrelas (apenas as atrizes; os atores podiam falar de seus projetos) mostrassem suas unhas e anéis, foi aposentada. 
Enquanto isso, aqui no Brasil, pessoas não muito inteligentes ficaram entediadas com o desfile de celebridades, e passaram a fazer montagens com fotos minhas. Juro! Essa galera da 4a Série B é meio imatura. Essas pessoas problemáticas, retuitadas pelo humorista mais medíocre do Brasil, quiçá do mundo, inventaram que eu só assisto o Oscar pra poder falar mal das atrizes (porque elas se depilam!). 
Tipo, eu adoro o Oscar a ponto de organizar um bolão há 27 anos, e é evidente que não assisto o Oscar pra ver vestidos, porque não dou a mínima pra moda (mas essa sou eu, não quer dizer que feministas não possam gostar de comentar vestidos). E imagina se vou falar mal de alguma atriz pela roupa que veste (quem faz isso são eles, não eu). 
A 4a Série B Inventou também que não gostei de Birdman por se centrar na crise de um homem branco. Birdman foi meu preferido entre os oito que disputavam melhor filme. Bem, quem faz stand-up bullying não tem a menor preocupação com a verdade mesmo. 
O que foi maravilhoso é que, com o discurso da Patricia, essa gentinha se calou rapidamente. Deve ter sido uma noite difícil pros reaças. Além de discurso feminista, também teve discurso anti-racismo e anti-homofobia, e um mexicano ainda levou melhor diretor. 
Logo após o discurso engajado de Patricia veio o primeiro standing-ovation (auditório inteiro aplaudindo de pé), para um número musical emocionante com "Glory", canção original de Selma. 
A academia caprichou,  não se pode negar. Como resposta por ter sido chamada de racista, convocou celebridades negras para apresentar praticamente todos os prêmios (como disse alguém na minha timeline, vimos mais negros numa noite do que em um ano de Rede Globo). 
E, para esse número, recriou a famosa cena da ponte no palco, o que comoveu muita gente.
David Oyelowo chora, comovido
Quando veio a entrega do prêmio para melhor canção, não tinha pra ninguém. 
"Glory" ganhou fácil, e os músicos Common e John Legend reforçaram no discurso o que já estava na música -- de que o racismo nos EUA não acabou nos anos 60, com o movimento por direitos civis, que a luta continua. Legend resumiu: hoje os EUA tem mais negros no sistema correcional do que tinha escravos em 1850. Uma declaração dessas obviamente provoca urticária nos reaças, que só conseguem responder com mais racismo:
Quando vi que seria entregue a estatueta de melhor roteiro adaptado, onde o favoritismo era de Jogo da Imitação (que tem um gay como protagonista), eu tuitei:
Dito e feito. 
Subiu ao palco um rapaz que parecia ser adolescente, que discursou que tentou se matar quando tinha 16 anos por se sentir esquisito, e agora estava aqui, ganhando prêmio. Disse ele: "Continue estranho, continue diferente" (mais tarde, Graham Moore afirmou à imprensa que ele não é gay, mas não importa -- todo mundo interpretou sua fala como uma homenagem à campanha "It gets better").
E finalmente, a vitória de Alejandro G. Iñarritu, segundo mexicano a ganhar o Oscar (ano passado foi a vez de Alfonso Cuaron). 
Infelizmente, quem foi escalado para entregar o prêmio, Sean Penn, não conseguiu deixar sua babaquice de lado. Talvez por ser amigo pessoal de Alejandro, Sean não viu que suas palavras teriam alcance gigantesco: "Quem deu a este fdp um green card?"
Sean foi pichado sem dó por meio mundo. Pelas feministas, que lembraram de quando ele torturou Madonna; pelos direitistas, que odeiam Sean por ser de esquerda; e pela comunidade hispânica nos EUA, que não considerou nada divertido o chiste de não dar green cards a um imigrante. Foi uma maneira desastrada de fechar a noite.
Apesar disso, vamos admitir que a cerimônia foi incrível, vai. Claro que fazer um evento socialmente consciente não redime a Academia de ser racista e machista, mas só vi jornalista homem e branco dizendo que a cerimônia foi chata. Por coincidência, esses caras nem mencionaram os discursos engajados. Por que será, né? 
Enquete do blog, respondida por
1062  pessoas: 1) Boyhood, 2)
Selma, 3) Nenhum (vocês, hein),
4) Gde Hotel Budapeste, 5) Teoria
de Tudo, 6) Birdman, 7) Jogo,
8) Whiplash, 9) Sniper
E por que será que, quando um homem branco agradecia, ele falava sobre si e sua família, mas quando mulheres ou negros agradeciam, eles eram capazes de olhar para além do seu umbigo? (É justamente por isso que Hollywood, e todo o cinema no mundo, precisa de maior diversidade).
Ok, você pode argumentar, a Lolinha só adorou o Oscar 2015 porque ela ganhou o bolão. Pode ser verdade. Eu não sei como estaria meu ânimo se eu não tivesse ido tão bem. Mas que fez um bem danado ganhar o bolão, depois de tantos anos, logo numa edição cheia de discursos revolucionários, isso fez.
Tive muita sorte com as apostas. Por exemplo, coloquei Whiplash como vencedor de uma das categorias de som apenas por se tratar de um musical. Coloquei Grande Hotel Budapeste pra maquiagem sem nenhuma confiança. 
Elementar que a Lolinha iria voltar
a ganhar o bolão do Oscar
Eu ia apostar no filme com efeitos especiais (nunca em Foxcatcher, porque achei aquele narigão do Steve Carell malfeito), mas, por impulso, troquei por Budapeste. A mesma coisa com trilha sonora. Eu queria apostar no Desplat, que havia sido indicado tantas vezes sem nunca ter vencido, mas, pro azar dele, ele foi nomeado por dois filmes, o que poderia anular suas chances, e dar a vitória pra Teoria de Tudo. Nem acreditei quando Desplat levou por Budapeste.
Quando vi, estava com 12 em 12. Um pouco depois, abri vantagem de dois pontos sobre os segundos colocados, e quando vi que eles haviam apostado em Boyhood pra melhor filme, percebi que iria ganhar o bolão. Mesmo assim, torci por Michael Keaton (apesar de ter apostado no Eddie Redmayne). 
Rindo sozinha
Bati meu recorde, que era de 17 acertos (mas em 2004, um ano em que trapaceei, digamos: joguei todas as fichas num filme que não vi e odiei, a terceira parte de Senhor dos Anéis). Ano passado, teve um monte de gente que fez 20 em 20, tanto no bolão pago quanto no não pago. Desta vez, eu ganhei sozinha. O Rafael, que ganhou o bolão grátis, fez 17. 
E este post já está mais longo que as 3,5 horas da cerimônia do Oscar. Meu querido Júlio César, que participa do bolão há séculos, e que organiza essa bagaça toda, me mandou um email na manhã de segunda, junto com as tabelas: "Espero que você entre novamente numa sequência de vários anos sem ganhar". 
Pode ficar esperando, Julio! Agora eu peguei o gostinho. Será que o Oscar também pegou o gosto de lembrar das minorias?

domingo, 22 de fevereiro de 2015

CERIMÔNIA DO OSCAR 2015

Julianne Moore nos SAG Awards no final de janeiro

Se Julianne Moore não levar o Oscar de melhor atriz esta noite, eu como o bolão! (o bolão pago, que só tem três folhas impressas -- se você ainda não sabe as apostas do bolão, os links estão todos aqui).
Bom, é hoje! Daqui a pouquinho. Algumas pessoas me enviaram links pra ver o Oscar. Algum deve funcionar, pelamor! Este, este, este, este e este.
Fiquei sabendo agora que há uma campanha para fazer o Red Carpet um pouquinho mais feminista. É o "Ask Better Questions" (Faça Perguntas Melhores) e "Ask Her More" ((Pergunte Mais), que consiste em não resumir a aparição das atrizes apenas a sua aparência. Porque a gente sabe que as perguntas "Quem fez a sua roupa?"não são feitas pros atores. E tampouco se pede a eles que deem uma voltinha pra que o material possa ser apreciado. 
(Pelo pouco que vi até agora, não há a menor chance do pessoal parar de fazer essas perguntas, já que a indústria da moda é uma das maiores interessadas na cerimônia do Oscar. Vão perguntar "O que você está vestindo?" pros atores também, vai vendo). 
Bom, abri este post pra vocês poderem comentar o acompanhamento do bolão, se quiserem. Vou deixar a moderação desativada, pra ficar mais rápido. 
Boa sorte!

sábado, 21 de fevereiro de 2015

TODAS AS TABELAS DO BOLÃO DO OSCAR 2015

- Vamos ver aqui o que a Lolinha colocou pra melhor figurino

Olá, pessoas do meu coração! Este é um post para passar pra vocês todas as tabelas com o bolão do Oscar. 
Foram 209 participantes no bolão grátis, e 15 no pago (vocês parecem ser ainda mais pão duros miseráveis do que eu). A boa notícia é que não há apostas iguais no bolão pago. Todo mundo chutou alguma coisinha diferente. Certezas mesmo, só a Julianne Moore pra melhor atriz (até que enfim!), J.K. Simmons pra ator coadjuvante (a estatueta é quase dele, mas vai que o Edward Norton alcança no último segundo -- que foi na quarta, quando a votação da Academia acabou), e Patricia Arquette pra atriz coadjuvante.
Pra ator, Eddie Redmayne é o favorito sim, mas ninguém ficaria tão espantado se Michael Keaton levasse essa. Ele tem o dobro da idade de Eddie, nunca sequer havia sido indicado ao Oscar, e sua ótima atuação em Birdman é um retorno triunfal depois de mais de duas décadas de fracassos. Eu torço muito por ele (mas apostei no Redmayne, porque sou covarde. No bolão grátis eu pus o Michael). 
Pra variar, quem vai decidir os vencedores do bolão serão categorias como edição de som e trilha sonora. Porém, este ano não há um franco favorito nem pra melhor filme, nem pra melhor diretor. Iñarritu ou Linklater? Birdman ou Boyhood? Vamos ter fortes emoções até o último minuto do bolão! 
E o compositor francês Alexandre Desplat, hein? Ele já foi indicado oito vezes pra trilha sonora, e nunca ganhou. Este ano, dois de seus trabalhos foram indicados: as trilhas de Grande Hotel Budapeste e O Jogo da Imitação. Será que as duas indicações dividirão os votos, e aí A Teoria de Tudo ganha? Torço por ele também.
Quase um Júlio César
Pra vocês poderem acompanhar tudinho, eis o que o super Júlio César me enviou. Aqui você encontra a tabela do bolão grátis, prontinha pra imprimir. E aqui a planilha, também do bolão grátis. 
Pro bolão pago, aqui está a tabela pra impressão, e aqui a planilha. 
Amanhã é a cerimônia! Ainda teremos horário de verão? (Aqui no nordeste não tem, mas o resto do país fica uma hora na frente, muito desagradável). Deixem links nos comentários de onde podemos ver o Oscar online, porque óbvio que na Globo não dá pra confiar mesmo (a emissora geralmente inicia a transmissão uns 40 minutos depois). 
Se você quiser passar aqui no bloguinho durante o Oscar, estarei aqui, comentando alguma coisa, e no Twitter. Mas, acima de tudo, de olho nas tabelas!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

OS FILMES QUE MAIS GOSTEI DO OSCAR

Estatuetas recebem últimos retoques para a cerimônia de domingo

Finalmente fiz as apostas nos dois bolões do Oscar, ontem à noite, sem nenhuma confiança, muita coisa na base do chute mesmo. Você já fez?
E finalmente acabei de ver todos os oito indicados a melhor filme. Eu os colocaria assim, na ordem do filme que mais gostei pro que menos gostei:
1 - Birdman
2 - Selma
3 - Sniper Americano
4 - Boyhood
5 - A Teoria de Tudo
6 - Whiplash
7 - Grande Hotel Budapeste
8 - Jogo da Imitação

Não creio que nenhum seja um grande filme, e nenhum é ruim. Mas certamente o que me interessou menos (eu até dei uma cochiladinha) foi Jogo da Imitação. 
Boyhood é bonito e sensível, mas também é longo, e chega uma hora que cansa. 
Repare que, tirando A Teoria de Tudo, em que a ex-esposa de Stephen Hawking, Jane Wilde, é (quase?) tão protagonista quanto ele, todos os outros têm uma perspectiva quase que unicamente masculina (o último filme vencedor do Oscar que teve uma protagonista mulher foi Menina de Ouro, de 2005, pra você ter uma ideia).
Retiro o que havia pensado e dito de Hotel Budapeste. Não é pretensioso, é até fofinho. Deve ser a produção do Wes Anderson que mais gostei até hoje. Só não vou me lembrar dele na semana que vem.
Vcs estão demorando pra votar na gente no bolão do Oscar, hein?
Você deve estar estranhando eu ter colocado Sniper ali, em terceiro. 
Eu nem teria visto o filme se ele não estivesse no Oscar. Não sou grande fã de filmes de guerra, e menos ainda sobre a Guerra do Iraque. É óbvio que Sniper, dirigido pelo reaça Clint Eastwood, iria glorificar a capacidade bélica dos EUA. Porém, o filme realmente é bom. e me deixou apreensiva e ansiosa durante toda a duração. E, pior, torcendo pelo atirador. Vê se eu tenho qualquer simpatia por atiradores!
É aquele negócio: gostei pacas do filme, não gostei da mensagem (que, se você se esforçar muito pode ser interpretada como anti-guerra, porque trata de distúrbios mentais causados pelas guerras; só que infelizmente o final do filme depõe contra essa interpretação). 
Posso dizer o mesmo de Whiplash. O filme é super envolvente e animado, com uma atuação esplêndida do J. K. Simmons, favorito ao Oscar de melhor coadjuvante. Mas a mensagem é aquela babaquice capitalista que diz que bullying é bom pra construir caráter, sabe? 
A mensagem é que um professor detestável, que fará assédio moral contigo, que até te estapeará em público, é a melhor coisa que pode acontecer a um aluno. Eu discordo totalmente disso. Isso de que competição é mais importante que cooperação, que individualismo é superior à coletividade, é algo muito americano. E não me convence, ainda mais quando estamos falando de uma orquestra, pô!
Vc não vai participar do Bolão, motherf*cker?!
Mas voltando a Sniper. Ele vem explodindo na bilheteria (pesquisas mostram que nacionalistas do Tea Party que nunca vão ao cinema estão marcando presença nas sessões, como fizeram com A Paixão de Cristo), e é o filme mais rentável de todos que o velhinho incansável Clint (já com 84 anos) dirigiu. 
Ele canoniza Chris Kyle, um atirador que, na vida real, nas mesas de bar, onde bebia pra caramba, contava aos amigos que havia atirado e matado dois caras que tentaram roubar seu caminhão (sem ser indiciado pela polícia), que havia dado uma surra no ex-governador de Minneapolis, ex-lutador e ex-veterano, porque ele criticou a Guerra do Iraque (ele está processando e já provou que o que Chris disse pra aumentar as vendas do seu livro nunca aconteceu), e o pior: que ele e outro atirador estiveram em Nova Orleans logo após o furacão Katrina, ficaram em cima de um estádio, e lá atiraram e mataram cerca de trinta "depredadores", que não estavam respeitando a propriedade privada no meio da maior catástrofe da história da cidade. 
O bebê mais fake a já aparecer numa grande produção
É provável que nada disso tenha ocorrido, mas Chris ter contado vantagem com situações tão sérias demonstram que ele não era o carinha humilde e bacana que o filme aponta.
Pra piorar ainda mais, decidiram lançar Sniper no mesmo fim de semana em que se comemora o dia de Martin Luther King, ícone na luta contra o racismo e a segregação nos EUA, e morto em 1968 por um... sniper. Pega mal, vai! 
Selma conta um fato histórico, uma caminhada que vai dessa cidade no Alabama, até Montgomery, para pressionar os políticos para que os negros tivessem direito a voto (uma excelente cena inicial com a Oprah Winfrey mostra como eram tratados os negros que queriam se registrar para votar, isso um século depois da Guerra Civil e do fim da escravidão!).
Selma é de revoltar qualquer pessoa que defende direitos humanos e igualdade. E, apesar do filme tratar de um fato real ocorrido cinquenta anos atrás, o racismo ainda está longe de acabar. Muitos negros americanos afirmam que "Ferguson é a nova Selma". Quem fez a canção "Glory", indicada ao Oscar, fez esta conexão. 
E o elenco de Selma compareceu à premiere do filme em NY usando camisetas de "Não consigo respirar", em protesto à morte de Eric Garner, um negro assassinado pela polícia (aliás, a primeira música do Pussy Riot em inglês também é sobre isso). 
Aí fui ver a discussão sobre Selma no IMDB e fiquei atordoada. Tá cheio de racista lá difamando a vida do Martin Luther King, como se a missão na Terra desses reaças fosse acabar com um legado. Fazia tempo que eu não lia atrocidades tão racistas (e ignorantes), como um cara jurando que a segregação racial nas escolas se deu por conta da higiene (negros não cheiram bem, segundo ele). E dezenas de debates sobre quem seria o maior herói americano, o vencedor do prêmio Nobel da Paz Martin Luther King ou o atirador Chris Kyle. 
E fazia tempo que eu não via dois filmes polarizarem tanto as opiniões. Selma é adorado pelos progressistas e odiado pelos conservadores, e Sniper é adorado pelos conservadores e odiado pelos progressistas. A resposta a "Quem merece mais honras, King ou Kyle?" (ou mesmo a formulação de uma pergunta tão absurda) já diz muito sobre quem é quem.
Hmm, este filme ou aquele outro do superherói?
Pessoas queridas, pra participar do bolão do Oscar, só até às 23:59 h de hoje (horário de Brasília). Por favor, participem! Pro bolão grátis é fácil e rápido, basta colocar seus chutes  aqui, mais nada. Deve levar uns 3 minutinhos, se tanto. 
Não deixe de participar!
Pro bolão pago, faça suas apostas aqui, e pague R$ 20 pra uma das minhas duas contas -- Banco do Brasil, agência 3653-6, cc 32853-7, ou Santander, agência 3508, cc 010772760, ou pelo PayPal, e mande um comprovante pra mim (lolaescreva@gmail.com) e pro Júlio (jcaoalves@gmail.com). Tem que pagar ainda hoje. Amanhã, a gente manda as tabelas com as apostas de todo mundo pra você poder acompanhar a cerimônia no domingo torcendo pra ganhar o bolão.