O anfitrião, Neil Patrick Harris, quase um desconhecido pra mim, deixou bastante a desejar, mas não foi um fiasco como Seth MacFarlane ou David Letterman, os piores da história (seguidos de longe por James Franco).
Seu momento mais constrangedor foi quando ele improvisou e disse pra produtora Dana Perry, que usava um vestido com bolinhas (eu nem reparei), que era preciso "balls" (bolas, e também testículos) para usar aquela roupa. Foi péssimo, porque no seu discurso, ela tinha acabado de falar do filho que se suicidou, e porque, numa indústria que tem tão poucas mulheres por trás das câmeras, fazer uma piadinha sem graça dessas é... escroto.
Porém, no momento final, quando Neil abriu o envelope com suas previsões do que iria acontecer, ele acertou em cheio (isso foi armação ou o carinha realmente tinha noção de tudo?). De toda forma, duvido que ele volte a apresentar o Oscar. O consenso foi que não agradou.
Seu momento mais constrangedor foi quando ele improvisou e disse pra produtora Dana Perry, que usava um vestido com bolinhas (eu nem reparei), que era preciso "balls" (bolas, e também testículos) para usar aquela roupa. Foi péssimo, porque no seu discurso, ela tinha acabado de falar do filho que se suicidou, e porque, numa indústria que tem tão poucas mulheres por trás das câmeras, fazer uma piadinha sem graça dessas é... escroto.
Porém, no momento final, quando Neil abriu o envelope com suas previsões do que iria acontecer, ele acertou em cheio (isso foi armação ou o carinha realmente tinha noção de tudo?). De toda forma, duvido que ele volte a apresentar o Oscar. O consenso foi que não agradou.
As coisas realmente começaram a esquentar quando Patricia Arquette, favoritíssima, ganhou o Oscar de atriz coadjuvante por Boyhood (acabou sendo a única estatueta dada a um filme que, até pouco tempo, era favorito. Mas é uma questão de timing, não tem jeito: se a premiação tivesse sido duas semanas antes, Boyhood levaria os prêmios de filme, diretor e montagem. O tempo dele passou, e os votantes viram que o filme não era aquilo tudo não).
No início de seu agradecimento, Patricia leu um discurso chato. Mas aí completou com "É nossa vez de termos igualdade salarial de uma vez por todas!".
No início de seu agradecimento, Patricia leu um discurso chato. Mas aí completou com "É nossa vez de termos igualdade salarial de uma vez por todas!".
Mais importante do que o que ela falou, foi a reação de Meryl Streep e Jennifer Lopes, que gritaram e aplaudiram, entusiasmadíssimas. E foi lindo que a câmera captou isso e passou esse entusiasmo para um público de quase um bilhão de pessoas. Esse momento não será um marco pro feminismo, mas foi importante. Talvez sejam apenas migalhas, mas às vezes temos que nos contentar com migalhas.
E neste caso foi uma atriz que interpretou uma mãe solteira pedindo igualdade salarial pra todo mundo ver, sendo ovacionada pela estrela mais condecorada do cinema (e com todo um histórico feminista).
Esse ato foi o tapa na cara dos anti-feministas. Pra quem vive dizendo que o feminismo morreu, que ninguém leva o feminismo a sério, pra quem faz montagens e piadas grotescas com feministas, esses segundos (porque não durou mais que alguns segundos) valeram como um "Para de falar besteira e vai se ferrar, babaca!". Foi lindo.
E neste caso foi uma atriz que interpretou uma mãe solteira pedindo igualdade salarial pra todo mundo ver, sendo ovacionada pela estrela mais condecorada do cinema (e com todo um histórico feminista).
Esse ato foi o tapa na cara dos anti-feministas. Pra quem vive dizendo que o feminismo morreu, que ninguém leva o feminismo a sério, pra quem faz montagens e piadas grotescas com feministas, esses segundos (porque não durou mais que alguns segundos) valeram como um "Para de falar besteira e vai se ferrar, babaca!". Foi lindo.
Foi um instante feminista pra coroar toda a campanha do Ask Her More, criada por Reese Witherspoon e Amy Poehler. Reese, inclusive, fez um bonito discurso já no Red Carpet, afirmando "Somos mais do que nossos vestidos".
E a famigerada ManiCam (nunca tinha ouvido falar nessa atrocidade), um "cenário" para que as estrelas (apenas as atrizes; os atores podiam falar de seus projetos) mostrassem suas unhas e anéis, foi aposentada.
E a famigerada ManiCam (nunca tinha ouvido falar nessa atrocidade), um "cenário" para que as estrelas (apenas as atrizes; os atores podiam falar de seus projetos) mostrassem suas unhas e anéis, foi aposentada.
Enquanto isso, aqui no Brasil, pessoas não muito inteligentes ficaram entediadas com o desfile de celebridades, e passaram a fazer montagens com fotos minhas. Juro! Essa galera da 4a Série B é meio imatura. Essas pessoas problemáticas, retuitadas pelo humorista mais medíocre do Brasil, quiçá do mundo, inventaram que eu só assisto o Oscar pra poder falar mal das atrizes (porque elas se depilam!).
Tipo, eu adoro o Oscar a ponto de organizar um bolão há 27 anos, e é evidente que não assisto o Oscar pra ver vestidos, porque não dou a mínima pra moda (mas essa sou eu, não quer dizer que feministas não possam gostar de comentar vestidos). E imagina se vou falar mal de alguma atriz pela roupa que veste (quem faz isso são eles, não eu).
A 4a Série B Inventou também que não gostei de Birdman por se centrar na crise de um homem branco. Birdman foi meu preferido entre os oito que disputavam melhor filme. Bem, quem faz stand-up bullying não tem a menor preocupação com a verdade mesmo.
Tipo, eu adoro o Oscar a ponto de organizar um bolão há 27 anos, e é evidente que não assisto o Oscar pra ver vestidos, porque não dou a mínima pra moda (mas essa sou eu, não quer dizer que feministas não possam gostar de comentar vestidos). E imagina se vou falar mal de alguma atriz pela roupa que veste (quem faz isso são eles, não eu).
A 4a Série B Inventou também que não gostei de Birdman por se centrar na crise de um homem branco. Birdman foi meu preferido entre os oito que disputavam melhor filme. Bem, quem faz stand-up bullying não tem a menor preocupação com a verdade mesmo.
O que foi maravilhoso é que, com o discurso da Patricia, essa gentinha se calou rapidamente. Deve ter sido uma noite difícil pros reaças. Além de discurso feminista, também teve discurso anti-racismo e anti-homofobia, e um mexicano ainda levou melhor diretor.
Logo após o discurso engajado de Patricia veio o primeiro standing-ovation (auditório inteiro aplaudindo de pé), para um número musical emocionante com "Glory", canção original de Selma.
A academia caprichou, não se pode negar. Como resposta por ter sido chamada de racista, convocou celebridades negras para apresentar praticamente todos os prêmios (como disse alguém na minha timeline, vimos mais negros numa noite do que em um ano de Rede Globo).
E, para esse número, recriou a famosa cena da ponte no palco, o que comoveu muita gente.
Quando veio a entrega do prêmio para melhor canção, não tinha pra ninguém.
"Glory" ganhou fácil, e os músicos Common e John Legend reforçaram no discurso o que já estava na música -- de que o racismo nos EUA não acabou nos anos 60, com o movimento por direitos civis, que a luta continua. Legend resumiu: hoje os EUA tem mais negros no sistema correcional do que tinha escravos em 1850. Uma declaração dessas obviamente provoca urticária nos reaças, que só conseguem responder com mais racismo:
A academia caprichou, não se pode negar. Como resposta por ter sido chamada de racista, convocou celebridades negras para apresentar praticamente todos os prêmios (como disse alguém na minha timeline, vimos mais negros numa noite do que em um ano de Rede Globo). E, para esse número, recriou a famosa cena da ponte no palco, o que comoveu muita gente.
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| David Oyelowo chora, comovido |
"Glory" ganhou fácil, e os músicos Common e John Legend reforçaram no discurso o que já estava na música -- de que o racismo nos EUA não acabou nos anos 60, com o movimento por direitos civis, que a luta continua. Legend resumiu: hoje os EUA tem mais negros no sistema correcional do que tinha escravos em 1850. Uma declaração dessas obviamente provoca urticária nos reaças, que só conseguem responder com mais racismo:
Quando vi que seria entregue a estatueta de melhor roteiro adaptado, onde o favoritismo era de Jogo da Imitação (que tem um gay como protagonista), eu tuitei:
Dito e feito.
Subiu ao palco um rapaz que parecia ser adolescente, que discursou que tentou se matar quando tinha 16 anos por se sentir esquisito, e agora estava aqui, ganhando prêmio. Disse ele: "Continue estranho, continue diferente" (mais tarde, Graham Moore afirmou à imprensa que ele não é gay, mas não importa -- todo mundo interpretou sua fala como uma homenagem à campanha "It gets better").
E finalmente, a vitória de Alejandro G. Iñarritu, segundo mexicano a ganhar o Oscar (ano passado foi a vez de Alfonso Cuaron).
Subiu ao palco um rapaz que parecia ser adolescente, que discursou que tentou se matar quando tinha 16 anos por se sentir esquisito, e agora estava aqui, ganhando prêmio. Disse ele: "Continue estranho, continue diferente" (mais tarde, Graham Moore afirmou à imprensa que ele não é gay, mas não importa -- todo mundo interpretou sua fala como uma homenagem à campanha "It gets better").
E finalmente, a vitória de Alejandro G. Iñarritu, segundo mexicano a ganhar o Oscar (ano passado foi a vez de Alfonso Cuaron).
Infelizmente, quem foi escalado para entregar o prêmio, Sean Penn, não conseguiu deixar sua babaquice de lado. Talvez por ser amigo pessoal de Alejandro, Sean não viu que suas palavras teriam alcance gigantesco: "Quem deu a este fdp um green card?"
Sean foi pichado sem dó por meio mundo. Pelas feministas, que lembraram de quando ele torturou Madonna; pelos direitistas, que odeiam Sean por ser de esquerda; e pela comunidade hispânica nos EUA, que não considerou nada divertido o chiste de não dar green cards a um imigrante. Foi uma maneira desastrada de fechar a noite.
Apesar disso, vamos admitir que a cerimônia foi incrível, vai. Claro que fazer um evento socialmente consciente não redime a Academia de ser racista e machista, mas só vi jornalista homem e branco dizendo que a cerimônia foi chata. Por coincidência, esses caras nem mencionaram os discursos engajados. Por que será, né?
E por que será que, quando um homem branco agradecia, ele falava sobre si e sua família, mas quando mulheres ou negros agradeciam, eles eram capazes de olhar para além do seu umbigo? (É justamente por isso que Hollywood, e todo o cinema no mundo, precisa de maior diversidade).
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| Enquete do blog, respondida por 1062 pessoas: 1) Boyhood, 2) Selma, 3) Nenhum (vocês, hein), 4) Gde Hotel Budapeste, 5) Teoria de Tudo, 6) Birdman, 7) Jogo, 8) Whiplash, 9) Sniper |
Ok, você pode argumentar, a Lolinha só adorou o Oscar 2015 porque ela ganhou o bolão. Pode ser verdade. Eu não sei como estaria meu ânimo se eu não tivesse ido tão bem. Mas que fez um bem danado ganhar o bolão, depois de tantos anos, logo numa edição cheia de discursos revolucionários, isso fez.
Tive muita sorte com as apostas. Por exemplo, coloquei Whiplash como vencedor de uma das categorias de som apenas por se tratar de um musical. Coloquei Grande Hotel Budapeste pra maquiagem sem nenhuma confiança. ![]() |
| Elementar que a Lolinha iria voltar a ganhar o bolão do Oscar |
Quando vi, estava com 12 em 12. Um pouco depois, abri vantagem de dois pontos sobre os segundos colocados, e quando vi que eles haviam apostado em Boyhood pra melhor filme, percebi que iria ganhar o bolão. Mesmo assim, torci por Michael Keaton (apesar de ter apostado no Eddie Redmayne).
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| Rindo sozinha |
E este post já está mais longo que as 3,5 horas da cerimônia do Oscar. Meu querido Júlio César, que participa do bolão há séculos, e que organiza essa bagaça toda, me mandou um email na manhã de segunda, junto com as tabelas: "Espero que você entre novamente numa sequência de vários anos sem ganhar".
Pode ficar esperando, Julio! Agora eu peguei o gostinho. Será que o Oscar também pegou o gosto de lembrar das minorias?


























































