Mostrando postagens com marcador lista você está livre hoje deception. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lista você está livre hoje deception. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de dezembro de 2008

CRÍTICA: A LISTA / Só vá ver A Lista se você estiver absolutamente livre hoje

Não atenda, que enfearam legal o Ewan McGregor nessa cena.

Foi em abril, nos EUA, que vi Deception, que estreou ontem no Brasil, após dois adiamentos, com o título A Lista: Você Está Livre Hoje? Sinceramente, podiam ter adiado interminantemente. Ô filminho ruim! (veja o trailer). A parte boa é que estão no elenco o Ewan McGregor e o Hugh Jackman, recém escolhido “o homem mais sexy vivo”, e a trama promete muito sexo (não entre eles). Afinal, o conceito todo dessa tal de lista é que, se você é uma pessoa rica, você pode ligar pra alguém sem trocar nenhuma outra informação além da disponibilidade de horário. Aí você se encontra com essa pessoa, sem falar o nome nem nada, pra uma noitada. O Ewan, que faz um contador tímido que só conhecera biblicamente quatro moças em sua vida antes de descobrir o Hugh, se encanta com a oferta. Tudo que ele precisa é vestir um terno de 4 mil dólares, e pronto: fica mais feliz que pinto no lixo. Todo dia ele sai com uma mulher nova.
Até que ele se apaixona perdidamente pela Michelle Williams (de Brokeback Mountain, a viúva do Heath Ledger). Não dá pra entender direito o motivo de tanta paixão. Ele a vê numa estação de metrô e pá-pum, é amor à primeira vista. Só depois ficamos sabendo que ela é uma prostituta. Também não dá pra entender o grande poder do Hugh demonstrado no filme pra entrar nos lugares sem ser notado. No apê do Ewan. No escri. Nos meus sonhos?
Mas outras coisas a gente saca direitinho. Por exemplo, de cara dá pra ver que um sujeito simpático e boa pinta (apesar daquele cabelo repartido a la Hitler) como o Hugh não vai cair do céu. A gente sabe que ele tá tramando desde o primeiro instante que ele entra pela porta e diz “Hi”. Inclusive porque o filme se chama Decepção no original, né? E porque ele se diz advogado e tem um emprego que envolve fiscalizar grandes empresas. Ah, e a gente também nota que tá vendo um filme americano quando precisam colocar uma legenda “Madri, Espanha” na tela. Porque americano podia achar que Madri é no Iraque!
Aí chega mais pro fim e a situação fica realmente confusa. (Atenção: alguns spoiler genéricos). Quando as maletas cheias de dinheiro permanecem lá, no meio de uma praça, e a câmera mostra pássaros voando, eu tive de começar a rir em voz alta. Não fui a única no cinema. Porque gente, são 20 milhões de dólares! Mas a prostituta não tá nem aí pra grana, já que, como estamos cansados de saber, prostituta não liga pra essas coisas. Ela tá no ramo só pelo sexo e pelo amor. Existe alguma prostituta em Hollywood que não tenha um coração de ouro? Lógico, ela tem que se apaixonar pelo Ewan porque ele lhe deu um patinho de plástico. É compreensível. O Ewan, por sinal, também despreza os 20 milhões. Nessa hora eu pensei: ser americano deve ser tão legal (sei que o Ewan é escocês e o Hugh, australiano, mas aqui eles representam dois cidadãos born in USA). Ser americano é deixar 20 milhões de dólares pra trás porque o que importa mesmo é o amor. Amor por uma pessoa com quem você conviveu durante uns dez minutos, bem entendido.
Eu devia saber que o filme não seria bom. Você põe um contador e um advogado juntos, não vai sair boa coisa. Felizmente tem a prostituta com coração de ouro.