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quinta-feira, 18 de maio de 2017

PRECISAMOS TOMAR AS RUAS PARA SALVAR A DEMOCRACIA: DIRETAS JÁ!

Ontem um colunista do Globo revelou que os donos do frigorífico JBS 
(coxinhas passaram anos espalhando a mentira descarada de que o filho do Lula era o dono da Friboi) têm gravações em que Temer pede para que o silêncio de Eduardo Cunha seja mantido a qualquer custo e em que Aécio Neves implora aos empresários dois milhões de reais.
Pronto. A República (quase) caiu. Foi uma das noites mais eletrizantes do Twitter. Eu me senti como se tivesse voltado no tempo, como se estivesse em 1989 conversando sobre política na Praça Ramos, em São Paulo. Não dá pra pensar em outra coisa que não seja política. 
Mas olha, Temer não vai cair sozinho. Não creio que ele renunciará. Ele já é extremamente impopular. O que acontece se ele não sair? Ficará mais impopular? Mas claro que a vontade do povo não decide nada neste governo ilegítimo e golpista. Temer é uma marionete colocada pela elite para aprovar todas as medidas que tiram direitos da população (aquelas que quando você vê a grande mídia, ela sempre diz "as reformas que o Brasil precisa" -- parece um mantra). 
Já conseguiu aprovar um monte até agora, a custo de muita corrupção (que a mídia chama de "agrados à base governista") e da aliança com o Congresso mais conservador (e ladrão) da nossa história. Vale lembrar que foi esse Congresso que tirou Dilma e pôs Temer no lugar no espetáculo degradante que todo mundo viu em abril de 2016.
Anteontem mesmo o Estadão publicou um editorial vergonhoso, "O legado de Temer", em que elogia o golpista por compreender "as circunstâncias excepcionais que o levaram ao poder" (chama-se golpe, Estadão!) e ter "a exata dimensão do papel que a História lhe reservou" (o de aprovar "medidas essenciais que precisam ser adotadas pelo governo para a correção dos rumos nacionais"). E termina: "Ao assumir o governo sob condições de penúria, caberá a Michel Temer concluir a construção do que chamou de 'ponte para o futuro' e nele figurar como um presidente histórico, e não apenas acidental". 
Este editorial é uma das mostras de que a direita brasileira nunca esteve preocupada com o combate à corrupção. Tudo que queria era tirar um governo democraticamente eleito que não estava conseguindo tirar nas urnas para poder consolidar seus planos de entregar o país pro capital (principalmente o estrangeiro). 
E eis que ontem já tínhamos o Bonner no Jornal Nacional chamando Temer de "ex-presidente". 
A outra gravação em áudio (ainda não divulgada) tem cerca de 30 minutos e é todinha sobre o nosso quase presidente, aquele que por muito pouco não ganhou em 2014, que não aceitou o resultado das urnas, e que semana passada estava comemorando "um ano de um novo governo":
O senador e presidente nacional do PSDB pediu R$ 2 milhões para pagar a sua defesa no Lava Jato. 
Na gravação, o empresário da JBS perguntou a Aécio quem pegaria o dinheiro, e o senador respondeu: "Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu". Fred, primo de Aécio e coordenador da sua campanha em 2014, recolheu quatro malas com R$ 500 mil cada uma. A Polícia Federal tem a filmagem de uma dessas entregas. Fred então passou a grana para o secretário parlamentar de Zezé Perrella, amigo, senador da base de Aécio e pai do sujeito em que foi encontrado o helicóptero com 450 quilos de cocaína em 2013, em Minas.
Hoje o STF afastou Aécio do Senado (ontem, ao ver as notícias na TV, no plenário, o ex-candidato ficou lívido e saiu de fininho). Sua irmã e assessora, Andrea Neves, que já estava com passagens compradas para viajar para a Inglaterra, foi presa hoje em Brumadinho, MG. O primo Fred também. Como disse um tuiteiro, hoje é Natal em Belo Horizonte.
E também deve ter sido o dia de inúmeros coxinhas removerem os adesivos do carro e aposentarem as camisetas de "A culpa não é minha, Eu votei no Aécio". Cá pra mim, tenho certeza que, num segundo turno entre Dilma e Aécio hoje, os reaças continuariam votando no Aécio. Eles não estão nem aí pra corrupção. Nunca vou me esquecer da campanha de 2014, em que coxinhas comparavam Aécio (positivamente!) com o milionário ladrão, viciado em drogas e espancador de mulher de O Lobo de Wall Street
Voltando a Fora Temer, porque Aécio é uma distração neste momento (o que importa é que ele vá preso e suma da vída pública), um pedido de impeachment de Temer já foi protocolado ontem mesmo pelo deputado Alessandro Molon (Rede-RJ). E já há um abaixo-assinado com mais de 300 mil assinaturas (desde ontem). 
Se (quando) Temer cair, pela Constituição (aquela que foi rasgada em pedacinhos com o golpe 2016), assumiria por 30 dias o presidente da Câmara, até que fosse realizada uma eleição indireta. Acontece que Rodrigo Maia (DEM-RJ) responde a dois inquéritos no STF pela Lava Jato. 
Se ele não pode assumir, vem o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) -- que também está sendo investigado. Nas eleições indiretas, há duas votações secretas. Uma escolhe o presidente; a outra, o vice. Pode ser qualquer pessoa com mais de 35 anos e com ficha limpa. Tem que ter 50% mais um dos votos para se eleger. Daí os eleitos pelo Congresso mais reaça e corrupto da nossa história ficam no poder até o fim de 2018.
Tem quem diga que haverá mobilização coxinha dentro do Congresso para que o nome seja FHC. Tem também quem garanta que a elite vai querer entregar a presidência à ministra do STF Carmen Lúcia. O certo é que quem lançou a bomba foi uma organização com histórico golpista, a Globo, que tem seus interesses próprios (que não são os seus ou os meus, já que não somos bilionários ou oligarcas). Portanto, muito cuidado! É óbvio que a mídia e todos os envolvidos no novo escândalo vão defender eleições indiretas. Não gostam do povo, nem confiam nele. 
Não podemos aceitar isso de jeito nenhum. Este Congresso não tem moral para eleger alguém. Queremos eleições diretas para presidente já. Queremos também eleições gerais (para deputados e senadores) e anulação de todas as cafajestagens aprovadas pelo Congresso e esse governo ilegítimo durante o último ano. 
A Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo marcaram várias manifestações (que começaram ontem e vão pelo menos até domingo). No manifesto, as duas frentes escreveram: "Só o voto popular pode resolver essa imensa crise política, resgatar a democracia e credibilidade na principal instituição brasileira. Qualquer outra saída será golpe dentro do próprio golpe". 
Duvido que Temer renuncie. Pra cair, a gente precisa balançar. Só ocupando as ruas. Vamos, pessoal! Este é um momento histórico em que precisamos agir pra salvar nosso país, nossa democracia.