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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

CRÍTICA: ARQUIVO X / Trilha sonora pro Bush: musiquinha do Arquivo X

- Será que o público também tá fazendo careta?

O bacana de escrever sobre Arquivo X: Eu Quero Acreditar é que não preciso resumir a trama. Afinal, os fãs da série vão conhecê-la muito melhor que eu, e os não-fãs não devem estar interessados. Basta dizer que aqueles dois agentes do FBI daquela série que terminou há seis anos são chamados pra resolver um mistério.
Pra mostrar que o filme tem senso de humor, a musiquinha (aqueles acordes famosos) é usada três vezes: nos créditos iniciais, nos créditos finais, e lá pelo meio, quando Mulder e Scully estão
num corredor do FBI e vêem uma foto do Bush. Toca a musiquinha. As quatro pessoas que estavam na sessão comigo riram. Do lado da foto do Bush há um quadro do J. Edgar Hoover, ex-chefão da agência (essa ninguém riu. Acho que não entenderam). Mas essa referência e mais as dezenas de linhas dos dois ex-agentes dizendo “eu não pertenço aqui”, “não vou voltar de jeito nenhum”, “eles é que têm que me pedir desculpas”, me deixaram com a impressão que o filme é totalmente contra o FBI (ao contrário de Silêncio dos Inocentes). Por falar em diálogos, eles deviam ser enxugados. Há palavras demais manifestando dúvidas. Quando alguém diz: “Você não precisa ficar aqui”, pensei que estivesse se referindo a minha estada no cinema.

Mas o problema maior é a Scully, feita pela Gillian Anderson. Ô mulherzinha chata! Ela não tem um pingo de humor e está sempre com a mesma cara meia cadavérica, dependendo do ângulo - boca entreaberta e pinta de quem vai se desmanchar em lágrimas. O Mulder (David Duchovny) ao menos faz alguma piadinha e se leva menos a sério. E o que um menininho doente tem a ver com qualquer coisa da trama? Esses momentos, que focam exclusivamente na insuportável da Scully, não estão minimamente relacionados com o resto. É só pra revelar como a agente é uma excelente médica e uma pessoa que se preocupa com os outros. Tá, juro que eu já sabia disso tudo. Próxima! Toda vez que essas cenas apareciam, eu ouvia o barulho do filme indo pra UTI. Sabe aquela maquininha que mede as funções vitais de um paciente? Eu ouvia o troço apitar Pi pi pi pi sempre que o garotinho olhava pra Scully. E pensava: cadê o Patch Adams pra animar aquele clima de velório? Nunca na minha vida imaginei que sentiria saudade do Patch Adams!

Aliás, alguém me explica como médicos, padres e freiras trabalham juntos no mesmo hospital. Pra igreja tem que jogar tudo na mão de Deus, e cientistas não costumam ser muito religiosos. O filme tenta tocar nessas questões de fé, mas é bastante incompetente. Em compensação, entendi perfeitamente a parte em que algum agente entra onde os russos realizam cirurgias ilegais e gritam: “Alguém aqui fala em inglês?!”, e ninguém se manifesta. Foi assim comigo em Moscou. Igualzinho, só que eu tava desarmada na ocasião. E vocês que viram o filme com legendas, colaborem: eu ouvi errado ou tem uma hora em que o Mulder berra pra um sujeito “Costure o pescoço dela de volta!”? Porque se é isso mesmo que ele diz, bem, é um diálogo pra entrar na galeria dos clássicos.

A cena mais interessante é uma em que Mulder e Scully estão na mesma cama casal. Mas o filme não dá a menor pista de como eles chegaram lá, ou do que veio antes. Alguma nave espacial jogou os dois lá? Agora, não sei se este é um spoiler ou se fará você desistir de vez de ver o bagulho. Preciso contar: o Mulder aparece mais de 25 minutos com uma barba. Assim que a Scully lhe diz “Essa barba espeta!”, ele corre pro banheiro cortá-la (a barba, não a Scully). Isso prova que não houve absolutamente nada entre eles, certo?

No fundo, Eu Quero Acreditar parece apenas um episódio mais compridinho da série. Sem dúvida é superior ao trailer. Há até uma discussão se um órgão governamental deveria empregar um médium que, ainda por cima, é um padre pedófilo. Não é um mau filme, mas a prova viva de que ele não é memorável é que vi o troço há algumas horas e não me lembro de mais nada. Imagina do que me lembrarei dentro de alguns anos. Bom, tanto quanto me lembro do filme de 98. Era uma vez dois agentes do FBI que se sentiam atraídos um pelo outro mas nunca rolava sexo...

quarta-feira, 23 de julho de 2008

CRI-CRÍTICA DE TRAILER: ARQUIVO X – EU QUERO ACREDITAR

Crítica do filme aqui.
O título parece uma piada no estilo “eu ajeito e você chuta”. Ele tá pronto pra toda es
pécie de gracinha. Sim, eu também quero acreditar que o filme que estréia no mundo esta sexta não seja tão hediondo quanto o trailer. Sim, eu quero acreditar que os fãs ainda têm interesse em ir ao cinema prestigiar uma série que pediu a conta há seis anos. Sim, eu também quero acreditar que essas bobagens metafísicas e extraterrestres deixem de interferir no amor entre Mulder e Scully. Aliás, eu quero acreditar que alguém ainda conheça esses nomes, sem ter que procurá-los na internet. Eu tive que fazer uma busquinha, mas eu sou uma velhinha caquética com apagões de memória, e nunca fui fã da série. Agora, o que me espanta é que outro velhinho caquético – o maridão –, que não perdia um só episódio na TV aberta, que imitava a musiquinha, e que vivia repetindo o chavão “A truta tá lá fora” (versão brasileira nerd pra “the truth is out there”), me disse que não estava muito entusiasmado. Suponho que a série tenha fãs mais empolgados, como a Mica? Eu vi vários episódios e o primeiro filme, de 1998, e eles não eram ruins. Mas não me peça pra recordar qualquer cena ou personagem porque será impossível. Lembro apenas que tinha um Mulder e... como é o nome da outra mesmo? Eu também nunca sabia quem era quem.
Mas o David Duchovny é uma gracinha, e a Gillian Anderson é, ahn, ruiva, e juntos ele formavam um casal com bastante tensão sexual que por algum motivo nunca dava samba. No trailer vemos um beijo tão rápido que mais parece um selinho. Será que agora a coisa anda? Só isso não é suficiente pra aguentar um padre que fica falando “Você tem que acreditar!” e “Está aqui!” umas quinhentas vezes num espaço de dois minutos. Isso da polícia/FBI depender das visões de um vidente já tá meio batido desde o ótimo A Hora da Zona Morta, que é de 83. E essa musiquinha sacra já tava em A Profecia. A dúvida é: vão apresentar alguma novidade ou será tudo um requentado nos implorando pra ter muita, muita fé? Nota 1.