quinta-feira, 18 de junho de 2015

DESCULPAS PARA QUESTIONAR PESSOAS TRANS

Antes de entrar na questão "Como uma branca se passar por negra é diferente do que faz uma pessoa trans?", que é o tema deste post, vamos a alguns updates sobre Rachel Dolezal (leia este post antes). 
Ela deixou a associação negra que presidia e seu emprego como professora de estudos africanos na universidade e deu várias entrevistas, negando ter mentido, e enrolou ao responder algumas questões. Disse, por exemplo, que não tem certeza de ser filha legítima de seus pais brancos, e continua se dizendo negra. Disse também que a primeira vez que ela se viu negra, ela tinha cinco anos.
Mas o que eu queria abordar foi a discussão que surgiu com o caso. Como Rachel veio logo depois da comoção em torno de Caitlyn Jenner (que havia sido o campeão olímpico  Bruce Jenner em 1976, e que recentemente anunciou a transição para Caitlyn), muita gente perguntou: por que a sociedade aceita (aceita mesmo? Sério? Jura?) que homens possam se identificar como mulheres, e mulheres como homens, mas não aceita que brancos possam se identificar como negros?
Melhor foto: Rachel dá aula de
"como ser negrx"
Existe a resposta óbvia: enquanto há muita gente em todo o mundo que não se identifica com o gênero que lhe foi designado ao nascer, e por isso "troca" de gênero, não há muitas pessoas brancas que se identifiquem como negras. Claro, brancos podem se identificar com a música negra, com a cultura negra, com a luta negra, mas isso é bem diferente de se ver como negro. 
Rachel em foto glamurosa de 2012
E, claro, identificar-se como negro no Brasil não é como identificar-se como negro nos EUA. Nos EUA, um país segregado ainda hoje, com pouca miscigenação, até negros de pele clara costumam se identificar (ou serem identificados) como negros. No Brasil, também um país racista, muitos negros de pele escura demoram a abandonar os eufemismos (pardo, mulato, moreno) e se declararem negros. É uma identidade também política.
Há um nome em inglês, passing, para fingir ser a raça que você não é. Só que isso geralmente se aplicava (porque hoje é mais raro) para os negros americanos de pele clara que podiam viver como brancos, frequentando os mesmos espaços, sem sofrer preconceito e discriminação racial.
Cartum satiriza sucesso de Caitlyn 
De toda forma, pessoas que normalmente podem ser chamadas de transfóbicas (pois, entre outras coisas, se recusam a tratar uma mulher trans por “ela”, por exemplo), estão aproveitando o escândalo para questionar a identidade de pessoas trans. “Se há algo que aprendemos da cobertura da mídia na última semana,” diz este artigo reaça, "é que nossa 'identidade' é o que conta, independentemente da realidade biológica”.
No início do mês, antes do mundo saber da existência de Rachel, o New York Times publicou um artigo “polêmico” (eu já adotaria o termo transfóbico) de uma feminista radical, “O que faz uma mulher?” O texto é uma revolta com a mídia por ter aceitado tão bem a transformação de Bruce Jenner em Caitlyn, e toda uma lavação de roupa para o público leigo ver a briga que radfems e ativistas trans têm travado em anos recentes. Num parágrafo, a autora diz (minha tradução):
“A retórica 'Eu nasci no corpo errado' […] é ofensiva e nos reduz aos nossos seios e vaginas coletivos. Imagine a reação se um jovem homem branco de repente declarasse que ele estava preso num corpo errado e, após usar produtos químicos para alterar sua pigmentação de pele e fazer permanente para ondular seu cabelo, esperasse ser aceito pela comunidade negra”.
A revista Salon respondeu, apontando as muitas falhas e preconceitos do artigo do NYT
Quem se opõe à existência de pessoas transsexuais as compara com qualquer coisa. Antes do aparecimento de Rachel, alguém, provavelmente contrário à identificação de Caitlyn como mulher, divulgou um artigo sobre algo bizarro que a enorme maioria de nós nunca ouviu falar. 
Parece que há pessoas que não se sentem bem sem ter alguma deficiência, alguma necessidade especial. Em inglês chama-se transableism (transcapacitismo?). 
É gente que gostaria de ser cega, ou “sente-se” surda. Alguns chegam ao extremo de cortar seu próprio braço ou pagar um médico para cirurgicamente remover uma perna e, assim, tornarem-se deficientes. Não preciso nem dizer que associações de pessoas com necessidades especiais “de verdade” (não é horrível ter que fiscalizar quem é ou não de verdade?) não aceitam muito bem esses “impostores”.
Tem quem prefira
chamar de euforia
de gênero
A maior parte de nós consideraria doente alguém que corta seu próprio braço de propósito, e muita gente está falando de Caitlyn e Rachel como se elas tivessem algum distúrbio de personalidade. Disforia de gênero (sentir-se desconfortável com o gênero que foi designado a você ao nascer) é algo documentado pela ciência. Já disforia de raça, não. 
Entre ativistas trans, há muitos que desejam fugir de qualquer patologização de sua condição (e vale lembrar que, quarenta anos atrás, homossexualidade também era vista como doença), e há aqueles que defendem que, sem a patologização, não haveria tratamento para mudança de sexo no SUS, por exemplo.
É complicado. Eu definitivamente não vejo pessoas trans como doentes, como gente que não sabe o que é, sequer como gente confusa com seu gênero. É gente que cedo (na infância ou adolescência) ou tarde (no caso de Caitlyn Jenner) se vê como mulher, ou como homem. E não faz isso para obter qualquer tipo de vantagem (aliás, é inacreditável ver radfems, que insistem que mulheres não têm privilégios, dizer que homens “viram” mulheres para ter privilégios -– quais, se eles não existem?).
Rachel e seu filho
Uma mulher trans e multirracial (só lembrando que nos EUA brasileiros não são considerados brancos) escreveu sobre a ridícula analogia um ano atrás, bem antes da comparação Rachel e Caitlyn. Primeiro ela diz que uma pessoa pode sim mudar de raça: “Raça é influenciada por traços biológicos, mas quais traços são importantes vai variar de região para região. A importância da raça é primordialmente social. E ter sua raça interpretada erroneamente ou mudada com o tempo é um fato comum da vida para muita gente”.
Caitlyn Jenner sendo produzida
para a famosa capa da Vanity Fair
Ela continua: “A razão principal pela qual esta falsa comparação está equivocada é porque é uma analogia com a coisa errada. Não é uma analogia com as experiências das pessoas trans, e sim uma analogia com a versão bicho-papão das pessoas trans criada por ativistas anti-trans. É apresentada como alguém que 'realmente é' de uma raça mas 'finge ser' de outra para algum ganho pessoal. O equivalente de gênero disso é o homem que finge ser mulher para poder entrar no banheiro feminino e atacar pessoas (algo que não tem registro de ter acontecido) [...]”.
Eu gostaria que mais pessoas trans escrevessem sobre isso, porque é uma forma de ensinar os leigos. Por mais estapafúrdia que seja a comparação, só chamar alguém de “transfóbico” (ou de racista, ou de misógino) e esperar que a discussão desapareça não muda o mundo. Não estou falando de educar trolls ou preconceituosos notórios -- esses não têm salvação mesmo. Mas quando um montão de gente ecoa uma besteira, deve-se aproveitar essa oportunidade de educação. 
Bruce Jenner na década
de 70 vendia sucrilhos
Até agora, vi pouca gente respondendo diretamente aos questionamentos de que se identificar com outra raça é igual a se identificar com outro gênero. Um texto na revista The Advocate (a mais famosa para e sobre assuntos LGBT) diz: “As afirmações dessa gente são ignorantes porque ser trans não é uma escolha, assim como ser gay ou ser negro não são. Ou você é ou não é. Por que alguém escolheria ser o alvo de ódio? […] Se Caitlyn Jenner tem algo a ver com a ideia do transracial, é que pessoas trans como ela têm tido suas identidades cooptadas para ganho pessoal, assim como os negros tiveram, seja para lucro, entretenimento, ou diversão maliciosa. Um exemplo com pessoas trans é o de atores cis (não trans) fazendo personagens trans em papéis que os satirizam” 
Este artigo afirma: “Comparar a vida dela com a de Caitlyn Jenner é um insulto à luta pessoal de Jenner. 'Não estou fazendo isso para ser interessante. Estou fazendo isso para viver', disse ela à revista Vanity Fair. [Rachel] Dozehal não está tentando sobreviver. Ela está meramente dando-se ao luxo à fantasia de ser 'outro'”. 
"Eu não mudei ou transi-
cionei. Só ajustei meu corpo
para que vc pudesse me ver
como sempre fui"
Outra Rachel explica por que não se deve comparar Rachel a Caitlyn: “Racismo e transfobia disfarçados de debate filosófico ainda são racismo e transfobia”. Concordo totalmente, mas a explicação seguinte não é tão convincente, até porque muita gente não concorda que identidade racial seja algo tão imutável assim: “De acordo com seus pais, Rachel Dolezal nasceu uma mulher branca. Se isso é verdade, ela sempre será uma mulher branca, e portanto nunca viverá a experiência de uma americana negra. Caitlyn Jenner, por outro lado, sempre foi uma mulher. Resumindo: Rachel tem fingido ser negra durante anos -– Caitlyn não está fingindo ser uma mulher porque ela sempre foi uma”.
Neste artigo o autor chama todos que estão fazendo essa comparação de idiotas conservadores, e cita estudos científicos que apontam que os cérebros das pessoas trans estão mais próximos do cérebro do gênero com o qual elas se identificam (enquanto os cérebros das pessoas de qualquer raça são iguais). Certo, mas e o que a gente faz com os estudos (inclusive alguns feministas) que dizem não existir diferenças nos cérebros de homens e mulheres? 
Uma vlogueira americana chamada Kat Blaque afirma que raça e gênero são construções sociais, mas gênero não é uma característica biológica passada pelos pais, enquanto raça é. Ela fala de si, pois é uma mulher trans negra: "Meu gênero mudou, mas minha raça sempre permanecerá a mesma. Rachel pode ir pra casa e desfazer seu permanente e lavar seu rosto, mas eu não posso remover o meu gênero, e isso é algo que não é definido pela minha maquiagem. [...]
"Como mulher trans, não gosto de ser comparada a alguém que é uma mentirosa. Eu não estou sendo desonesta por ser quem eu sou hoje. Quem eu sou hoje é a encarnação mais verdadeira de mim mesma."
E ela lembra o que deveria ser óbvio: fazer essa transição de homem para mulher não lhe trouxe qualquer vantagem, muito pelo contrário. Ela conclui: 
"Não há qualquer paralelo entre as histórias de Rachel e Caitlyn. Uma é uma história de enganação, em que a pessoa, mesmo confrontada com a verdade, a recusa. A outra é uma história de aceitar a verdade, e ser capaz de se amar o bastante para viver honestamente com as pessoas ao seu redor. Mesmo que você não concorde com as vidas das pessoas trans, ser capaz de vir a frente e dizer que esta é quem você é é uma afirmação de honestidade, e exige muita coragem. Este não é um mundo feito para pessoas trans, e apesar que o mesmo possa ser dito para homens e mulheres negras, para Rachel Dolezal, foi uma escolha. E pessoas trans não escolhem ser transgêneras."
Como diz esta matéria do NYT, é muito importante para as pessoas trans que o assunto esteja em evidência nos EUA, com toda a repercussão dada a Caitlyn Jenner, com o sucesso da atriz Laverne Cox (em Orange is the New Black) e da série Transparent. Apesar disso, os direitos e oportunidades que as pessoas trans têm conseguido ainda estão a anos-luz das conquistas de gays e lésbicas. É um outro mundo, em que trans precisam recorrer à prostituição por não terem chance de emprego, em que trans são brutalmente assassinadas. Não há como negar que trans são um grupo oprimido. 
Concordo muito com isto: “É mais fácil insistir que ser trans é uma forma de perversão, doença mental, ou um crime contra a 'natureza'. Sim, sim, entendo, você precisa, como diz Steve Deace, 'defender princípios básicos de macho e fêmea” porque... por que, exatamente? Esqueça as definições de fraude e trans e foque nessa questão. O que há na questão da identidade trans que irrita os conservadores?”
Chega de ver pessoas trans como fraudes. E chega de comparar a situação delas com o assunto mais quente do momento. 

196 comentários:

Anônimo disse...

São muitas perguntas.
Se cérebros de homens e mulheres são iguais e o que torna as pessoas “pertencentes a um gênero” é a socialização que conflito afinal as pessoas trans tem? Com o que elas se identificam? Por que veja, um menino nasce menino e é socializado menino mas se identifica como mulher, mas ai a gente fala ué mas não existe isso de mulher isso é construção então não tem com o que ele se identificar como sendo mulher.
É muito confuso isso para mim.
A longo prazo a aceitação da transgeneridade irá destruir muitas pautas femininas, irá reforçar conceitos que pareciam já ter sido vencidos.
Soraia

Odara disse...

Boa tarde a todas(os)!
Eu tenho acompanhado o blog há cerca de 6 meses. Já comentei em algumas ocasiões mas sempre como anônimo. Uma observação da Rê Bordosa ontem sobre a confusão desses comentários sem identificação me motivou a criar esse perfil.
Não tenho a coragem da Lola de me identificar completamente nesses tempos de ódio e intolerância mas acho que assim já é possível "dar a cara a tapa" nas discussões. Acredito que nossas opiniões são passíveis de mudança e tenho aprendido muito por aqui.
Sobre o post: tenho muita simpatia pela causa trans e acho mesmo um absurdo que utilizem qualquer assunto da moda para questionar sua legitimidade.
Mas em relação à questão da Raquel. ....eu fico pensando até que ponto tratasse mesmo de uma farsa.
Pelo que entendi no post anterior sobre o assunto, uma infância com 4 irmãos negros, um marido negro e filhos negros, acho que pode haver mais questões confusas para ela do que uma premeditada má fé.
Não sei. ... Há muitos casos de pessoas de pele branca, descendentes diretos de negros, que se identificam como negros.
Me pareceu mais ser um sentimento legítimo dela que apenas uma forma de se aproveitar das cotas.

Raven Deschain disse...

Assim como uma pessoa trans não escolhe ser trans, uma pessoa negra está impossibilitada, por qualquer meio, escolher ser uma pessoa branca. Mesmo isso é privilégio de "branco".

Ainda acho essa cretina uma fraude.

Anônimo disse...

A única doença que eu consegui enxergar no post é ser Radfem, já imaginou se junta as rads e os mascus? fim do mundo...

Anônimo disse...

São só AS trans que sofrem? Quando o assunto é transsexualidade, nunca vejo uma linha escrita sobre OS trans. Não só aqui no blog da Lola como em outros blogs feministas :(

B. disse...

"e cita estudos científicos que apontam que os cérebros das pessoas trans estão mais próximos do cérebro do gênero com o qual elas se identificam (enquanto os cérebros das pessoas de qualquer raça são iguais). Certo, mas e o que a gente faz com os estudos (inclusive alguns feministas) que dizem não existir diferenças nos cérebros de homens e mulheres? "


Essa é uma pergunta que NUNCA me sai da cabeça...

rdiniz disse...

Eu tenho as mesmas dúvidas da Soraia... Afinal, o que é ser mulher? Ser mulher não é nascer com vagina e útero, porque isso exclui as mulheres trans. Ser mulher definitivamente não é sentir atração pelo sexo oposto, porque exclui as mulheres lésbicas/bi. Ser mulher é gostar de rosa e de vestidos? Sério? Mas isso não são papeis de gênero impostos pela sociedade desde que estamos na barriga de nossas mães? Não lutamos por essa desconstrução? Se vivêssemos numa sociedade sem marcações e papeis de gênero, ou seja, num mundo em que não existisse corte de cabelo masculino ou feminino, onde roupas e maquiagens não fossem próprias de apenas um gênero, qual seria o conflito das pessoas trans? Com quem elas se identificariam? Faço essas perguntas com a melhor das intenções, de verdade! Alguém saberia me explicar? Me dá um nó na cabeça! E bom, como comentaram ali encima a invisibilidade dos homens trans parece bastante recorrente, né?

Mila disse...

Soraia,

Tenho essa mesma impressão. Antes, quando eu achava que gênero e sexualidade eram uma coisa só, acreditava que trans eram lésbicas/gays tão masculinos/femininos que decidiam realmente ser homens e mulheres. Daí conheci trans homossexuais e esse pensamento caiu por terra.
Depois de entrar em contato com teorias de gênero, teoria queer, acepção biológica etc, tenho muito mais dúvidas que certezas. Uma vez, aqui na caixa de comentários, uma radfem levantou uma questão interessante: se a identificação (ou parte dela) tem a ver com o comportamento esperado pelo gênero oposto, até que ponto isso não é influenciado justamente pelo patriarcado. Simplificando: quem disse que gostar de boneca, maquiagem e salto alto é necessariamente coisa de menina? E sobre as pessoas que são socializadas com o gênero oposto a vida inteira?

B. disse...

Tb tenho as mesmas duvidas da Soraia e rdiniz, e escrevo aqui com boas intenções tb.
Uma vez li na Superinteressante uma matéria sobre o que gerava a transexualidade, o que fazia uma pessoa se sentir de outro gênero. Umas das explicações era que os hormônios eram diferentes, tipo os homens trans tinham mais testosterona do que uma mulher cis, e uma mulher trans tinha mais estrogenio, e que isso fazia com que o homem trans gostasse de coisas masculinas, tipo carros e esporte (SIM, isso mesmo!!) e as mulheres trans gostavam mais de boneca (brincar de boneca) e maquiagem (!!!)

Uma outra vez, a Travesti Reflexiva falando sobre os hormônios femininos que ela toma, ok. Aí falou "Ah, hoje eu to chorosa, to emocional...são os hormônios né, muito estrogênio"

Gente, para, sério. Qual a necessidade disso? A gente sempre fala pra não relacionar mulher com "emoção irracional", xingamos os caras quando dizem "ih, ta de TPM", agora ela dizer isso, tudo bem?

Pergunta sincera, mesmo.

Anônimo disse...

Tb tenho as mesmas questões que as moças ali em cima.

O que tem me feito me aproximar cada vez mais do feminismo radical. E ser feminista radical não é ser transfóbica. Eu mesma não tenho problema nenhum de admitir que as pessoas trans sofrem MUITO. São um grupo extremamente discriminado e que precisam do apoio.

No mais tb não tenho problema em chamar alguém que se identifica como mulher como 'ELA'. Isso é ser educado e ter empatia. Sem problemas em chamar alguém pelo jeito que quer ser chamado.

O problema é quando pensamos a fundo na questão de gênero. Gênero é uma coisa inventada. Que possui diferentes papeis ao longo da história da humanidade e em diferentes partes do globo.

Então oque é ser mulher? Como alguém que nasceu com pênis pode se sentir uma pessoa que deveria ter nascido com vagina?? Isso seria admitir que existem diferenças biológicas nos cérebros das mulheres e dos homens. E que existem comportamentos típicos de mulheres e de homens. Oque não me parece ser verdade.

Tem um blog de uma mulher TRANS chamda Julia Luna que fala bastante sobre esses problemas de pensar em ser mulher como esteriótipos. Não sei se ela está inteiramente certa. Mas certamente sei que ela coloca questionamentos pertinentes. http://homemcommdemacho.blogspot.com.br/

Não é blog de ódio, nem transfobia nem nada, é só sobre a teoria queer Lola. Pode publicar sem medo.


Alice

Ilka disse...

O primeiro comentário da Soraia é bem pertinente e é sempre minha grande dúvida. O que é exatamente ser mulher? Ou ser homem? Para além do determinismo biológico. Se não é uma questão de roupas, hábitos, socialização e genitália, o que é então? teoricamente uma pessoa nascida com sexo biológico masculino pode se sentir mulher, independente de suas roupas, socialização e operação para mudança de sexo, o que seria se sentir mulher?
E por favor, não estou desconsiderando a transexualidade, apenas gostaria de entender mais, e não apenas ouvir de um lado "isso não existe" e do outro "você está sendo transfóbica".
Se alguém puder indicar alguma leitura eu agradeço, pois não consegui achar uma análise neutra, longe das paixões de ambas as posições.

Anônimo disse...

Eu entendo não querermos ser taxadas de emotivas irracionais e acho errado mesmo! Mas o estrogênio realmente aumenta a labilidade emocional...... Grávidas são um bom exemplo disso.

Mila disse...

Sem contar que no feminismo não dá pra jogar fora a questão biológica. Pessoas que nascem com aparelho reprodutor feminino vão ter questionamentos e dilemas próprios: aborto, planejamento familiar, menstruação etc que mulheres trans não vão ter. Sob o risco de não querer silenciar a mulher trans, em certos espaços esses assuntos não são debatidos. Mesma coisa com o guest post que eu escrevi sobre esportes. Há situações e espaços que a questão biológica é muito relevante.
Isso tudo ainda me confunde bastante, assim como outras moças que comentaram aqui no post, creio que é um assunto importante de debater (saudavelmente, sem ofensas ou xingamentos) no feminismo.

Anônimo disse...

Eu acho que o trans se identifica com a construção do outro gênero e com a biologia (tipo seios e vagina) por isso são tão caricatos nas roupas e fazem cirurgia.

Anônimo disse...

Gente, eu não sou especialista em todas as possibilidades de resposta dessa pergunta levantada por vocês. Nem sou trans.

Mas acontece que gênero, por mais anti-natural que seja, existe. É um fato cultural que nós estamos tentando mudar, mas existe, não tem como negar isso.
Algumas pessoas gostam e se sentem perfeitamente confortáveis dentro dos papeis de gênero a que foram designadas, isso vai contra a teoria radical de que tudo é feminino é opressão. Quem nunca por si própria ou conhece pessoas que se sentem mais confiantes e poderosas quando colocam um salto, um decote, um batom ou algo assim? Todas essas coisas deveriam nos oprimir, mas tem quem tire força delas. Assim como tem quem se sinta mais confiante negando esses mesmo elementos.
A teoria queer em essência diz que todas as possibilidades de vivência de gênero são válidas, você pode estar de acordo com seu gênero de designação ao nascer, você pode não estar, você pode não querer ter gênero nenhum, etc... a vantagem dessa teoria é que ela reconhece que existe um mundo material e histórico e que ele não vai sumir de uma hora pra outra e não tem porquê fazer pessoas sofrerem gratuitamente por não aceitação.

Às vezes eu acho que algumas radicais tem medo que as trans "substituam" as mulheres cis no mundo ou que os homens passem a cobrar delas que performem gênero como fazem as trans, mas, assim, acho que faz quem quer e ninguém tá aqui pra ganhar biscoito de homem, cis ou trans. No momento acho que as mulheres trans não tem poder nenhum de pautar o gênero de ninguém, elas ainda tem muito chão pela frente só pra serem reconhecidas enquanto indivíduos sãos e autônomos.

Anônimo disse...

Entrevista publicada pelo Não me Kahlo com a Judith Butler sobre o assunto: http://www.naomekahlo.com/#!Judith-Butler-fala-das-TERFs-e-do-trabalho-de-Sheila-Jeffreys-e-Janice-Raymond/c1a1n/5565304d0cf24874175e33bc

Anônimo disse...

E tem a questão hormonal que é também muito importante!
Estrogênio realmente faz chorar! Eu já acompanhei um tratamento para engravidar e vi que é brava a coisa! !!
Testosterona realmente aumenta a agressividade e o desejo sexual (é o que acontece na menopausa ).
Agora vão me odiar.....mas fazer o que? Acontece.

Anônimo disse...

Não conheço nada mas, por essa explicação, gostei da teoria queer!!!

Anônimo disse...

O problema é exatamente esse anonimo das 16:25.

Usar salto, decote e batom não é coisa de mulher. Não há como de maneira objetiva ligar isso a vaginas ou gênero feminino.

Se a gente imaginasse um mundo onde não existem coisas de homem e de mulher, um homem ( XY) poderia usar tudo que ele quisesse, inclusive vestidos, batom, cabelo longo, voz fina e etc, SEM DEIXAR DE SER CONSIDERADO HOMEM (nascido com pênis) POR ISSO. Pq num mundo ideal não existiria coisa de mulher e de homem. Tudo seriam coisas de pessoas. Quem quiser usa chapéu de frufru rosa shok. Quem quiser usa roupa camuflada.

Quem quiser cospe no chão, quem quiser anda rebolando. SEM ISSO SER LIGADO A GÊNEROS.

Eu mesma nunca me identifiquei com gênero feminino. Dizia quando criança que queria ter nascido homem. Eu achava MUITO MELHOR SER HOMEM. Sempre pensei que tinha um azar monumental em ter nascido mulher.

Mas a verdade é que eu não me identificava com o papel de gênero feminino. Não em ser mulher biológica.


Alice.

lola aronovich disse...

Muito bons os comentários por enquanto, gente! Não posso contribuir porque tenho que escrever um artigo até amanhã. Mas muito interessantes os links que vcs deixaram, em especial a entrevista da Butler. Acho que deveria ser possível falar sobre tudo isso sem agressividade. Temos a mania de achar que só porque alguma coisa é uma construção social ela não existe, não é real. Ué, claro que é. Gênero e raça são construções sociais e totalmente existentes na nossa sociedade. Determinam muito da vida que levamos.

Anônimo disse...

Mas por que então muitos trans fazem cirurgia?

Anônimo disse...

Mas, Alice, aí você está dizendo que gênero não existe nem como fato cultural, mas ele existe. Usar salto, batom e decote não deveria ser coisa de mulher, só que você não vai de uma hora para outra mudar isso.
Acho que talvez essa seja a principal diferença entre o queer e o rad, no final a pluralidade de gêneros queer fatalmente evaporaria em uma cortina de fumaça, só que sem todo o dano individual que a estratégia rad causaria.
Mas são só conjecturas... até porque não sou trans e não sei como funciona a identificação com o gênero oposto.

Raven Deschain disse...

16:25, obrigada. Era isso que eu ia dizer. =)

Alice, mas é que a gente não vive num mundo ideal. No nosso mundo, existem papéis de gênero. E enquanto eles existem, eu não vejo nada de errado em transgeneridade.

Eu não sou "mulherzinha". Não uso salto, nem decote, nem vestido. Adoro coturno, falo palavrão, curto rock. Eu sei e reconheço que tem muita, mas muita coisa errada em papéis de gênero. Mas não dá pra usar esse argumento e desqualificar homens e mulheres que sentem que nasceram no gênero errado. Quem sou pra chanar o Danilo de Amanda e dizer: vc tá fingindo, eu tou vendo seus peitos. Além de uma cretinice tamanha, não compete a mim determinar como a pessoa deve se sentir.

Donatien Alphonse François disse...

Ilka

leia esse texto do Eli Vieira, talvez esclareça um pouco o assunto para você:


http://www.elivieira.com/2014/03/sobre-generos-e-deterministas-culturais.html

Eu não vejo transexualidade como doença ou como questão de construção social apenas, acredito que há algum componente neurológico, que ainda não foi totalmente explicado, é provável que uma mulher trans e uma mulher cis, tenham em comum o mesmo gênero, mas em corpos diferentes, sendo que o primeiro se convencionou chamar de masculino e o segundo de feminino, isso claro no caso de alguém que não fez mudanças externas. O drama das pessoas transsexuais tem também a questão da "passibilidade" em que as mais parecidas com mulheres cis, são mais "facilmente" aceitas e as que ainda denotam carasejamcteres masculinos sofram mais preconceito.

Fazendo uma analogia, o cérebro humano é como um Hardware e a mente um software bastante sofisticados, a socialização seria a programação que faz tudo funcionar como "deveria". Sem a socialização não seriamos sequer humanos, ainda que nossos corpos o fossem.

Mallagueta Pepper disse...

você precisa, como diz Steve Deace, 'defender princípios básicos de macho e fêmea” porque... por que, exatamente?

Minha "teoria" (só uma opinião pessoal minha, que fique claro) é que as pessoas defendem esses princípios de forma tão ferrenha porque é a primeira identidade que recebemos ao nascer. Tipo assim, quando a criança nasce, a primeira coisa que dizem a seu respeito é o sexo biológico. E junto com essa identificação, vem um mundo de regras sobre coisas como as cores que a criança poderá usar, seus brinquedos, brincadeiras, profissões, quais as roupas permitidas, suas atitudes, vida sexual, seu papel no mundo, etc. Se a gente parar pra pensar, praticamente toda a vida da pessoa é meio que definida a partir do seu sexo.

Acredito que as pessoas ficam muito hostis quando alguém questiona esses estereótipos de gênero porque elas sentem que estão ameaçando sua primeira identidade. Quer dizer, elas levaram uma vida inteira pra assimilar as regras pro seu sexo, o que pode/não pode, deve/não deve fazer, etc. Se moldou, condicionou sua mente e até seu corpo pra viver de acordo com essas regras. Aí, depois de tantos anos acreditando que isso e o correto, de repente mudam as regras.

E aí? Como fica sua identidade? O que ela será depois que os estereótipos de gênero acabarem? Qual será seu papel no mundo? Como ela deverá se comportar, vestir, sonhar, pensar? Pois é.

Não sei se é isso mesmo, mas não deixa de fazer sentido.

Anônimo disse...

Muito legais os link´s estou, lendo.
Acho que o medo de ser mal interpretado leva muitas vezes as pessoas a ficarem seguras nas meias palavras, não admitem que há mais dúvidas que respostas.
A Butler por exemplo, divaga mas não diz a que veio.
Afirmar que pessoas trans não passam pelos sofrimentos que mulheres nascidas mulheres passam ou falar que algumas feministas tem medo de terem suas reinvindicações caladas pela causa trans ou seus espaços ocupados não é o mesmo que afirmar que essas pessoas não devem ser reconhecidas e tratadas como desejam ser tratadas, esse melindre é que prejudica muito, mas ao mesmo tempo eu entendo isso porque por trás de movimentos e definições há pessoas com sentimentos.

Anônima 16:43 gostei bastante dessa frase - a principal diferença entre o queer e o rad, no final a pluralidade de gêneros queer fatalmente evaporaria em uma cortina de fumaça, só que sem todo o dano individual que a estratégia rad causaria. Vou pesquisar mais a respeito.
Acho que algo que precisa ser avaliado é que existe um backlash em andamento, e sim a discussão sobre gênero pode contribuir para isso o que é bastante irônico para falar o mínimo. Por que para a maioria da população textos acadêmicos e discussões não significam nada, o que norteia são as coisas subjetivas, veja o caso da Caitlyn Jenner que está fortemente sendo debatido e mostrado, e isso pode sim reforçar no inconsciente coletivo que existem coisas de mulher e coisas de homem, que ser feminina é importante, ou seja, um fato como esse tem muito mais peso que as discussões feministas.
Soraia

Anônimo disse...

Tb não vejo nada errado em transgêniridade Raven. Sem problemas, acho que cada um pode performar o papel de gênero que quiser. Inclusive como eu disse no primeiro comentário acho que as pessoas trans sofrem muito justamente pq elas vão contra o padrão que é imposto a cada gênero. Se não houvessem papéis de gêneros não haveria transfobia.

Aliás chamo mulheres trans no feminino com todo respeito.

Oque eu estou falando é além disso. É questionar os papéis de gênero.

É questionar toda a idéia de gênero mesmo. É associar isso com ser trans. Ninguém é trans se os papéis são inventados.

E ninguém é mulher. Oque é ser mulher? É uma construção social.

Enfim. É um assunto complexo eu acho . Gostaria de poder me expressar melhor.


Alice

Anônimo disse...

Minha opinião :

Mulher é a pessoa que possui cromossoma xx
Homem é quem possui xy

Os intersexuais são um caso a parte, já que possuem relação com o gene sry.

Anônimo disse...

Será que a Caitlyn Jenner (ou a Laverne Cox) tem esse poder de definir o que é coisa de mulher?

Não vou entrar muito na discussão do "passar por", mas elas precisam desses elementos "femininos" para poder serem lidas como mulheres.

Mês passado a Ellen Degeneres lançou uma linha uma linhas de roupas "gender neutral", e apesar de muita gente não gostar dela por ser lésbica ou ter um estilo "masculinizado" talvez (homofobia), ninguém argumenta que ela não é uma mulher (e poderosa dentro do showbizz americano). A própria Butler se apresente com esse tipo de visual, continua sendo mulher.
Esse visual pode ser lido como um "estilo lésbica" hoje em dia, mas décadas atrás esse possibilidade nem existia (talvez em ensaios ousados com a Marlene Dietrich e olhe lá). É muito possível que a linha da Ellen seja um sucesso, mesmo fora do meio "lésbico". Então a gente tem que pensar que as coisas não são binárias e há espaço para entrar muita diversidade dentro daquilo que as pessoas consideram "normal", a ponto de o "normal" se tornar qualquer coisa. Pra mim esse seria o objetivo.

Marina G. disse...

Descobri seu blog hoje e estou muito feliz por tê-lo feito. Amei seu texto sobre os homens no feminismo, me senti representada! Muito obrigada pelas palavras de amor que você semeia em seus textos.
Sobre este em questão, não tinha pensado na possibilidade de uma pessoa não se identificar com sua raça, mas após a leitura não tenho dúvidas de que comparar isso com ser trans não faz o menor sentido. Mudanças diferentes tem particularidades diferentes e devemos tratar os desiguais na medida em que se desigualam.
Enfim, continuarei acompanhando seus posts.
Um beijo.

Anônimo disse...

Tudo pode ser questionado. Quem disse que não se pode questionar trans/generismo?

Anônimo disse...

Gênero... se essas babaquices de "Homem é assim, mulher é assado" não existissem, provavelmente todo mundo seria mais feliz. Cis e trans, homos e héteros, homens e mulheres. Eu sempre me pergunto, por que essa necessidade estúpida de colocar as pessoas em caixinhas? E ainda usar essas caixinhas ridiculamente limitadas e insignificantes na prática pra segregar e oprimir? Não saímos da idade das trevas, é isso? E o pior é que, na prática, não saímos não.

Anônimo disse...

que doentio querer ser deficiente, a pessoa deveria era ser grata por nascer ''normal'' e sem nenhum problema. uma palavra: psicologo.

R disse...

se fosse um negro com parentes brancos falando que se identfica como branco e fizesse um monte de coisas pra parecer branco: aaaain tadeeeeenho preso a padrões raciiiiiistaaaaas

manocu, viu?

Anônimo disse...

Por essa concepção, desaparece o conceito médico de delírio ou ideia deliróide. (Delírio = crença falsa).

Se eu acredito honestamente e profundamente que eu sou determinada coisa, logo, eu sou essa coisa.

Logo, seu acreditar honesta e firmemente que eu sou Napoleão Bonaparte ou Jesus Cristo, logo eu serei eles, e o mundo inteiro terá que reconhecer isso como um fato verdadeiro (ao invés de me mandarem para um hospício).

Well, well, well, sejam bem vindos ao Fantástico Mundo das Taras Ideológicas.

Anônimo disse...

"Tudo pode ser questionado. Quem disse que não se pode questionar trans/generismo?"

Transativistas querem que as pessoas aceitem passivamente as imposições de seus devaneios de gênero, sem questionar nada, nunca. Sempre soube que trans/generismo era um culto religioso cheio de dogmas e tabus, cujos infiéis e hereges sofrem ameaças (de morte, inclusive) e diversos outros tipos de ataques por não respeitá-los. Isso é tirania pura, tirania de delirados com desejos que nunca vão ser reais. Pessoas brancas não podem realmente se tornar negras (ou vice versa), muito menos ter a história de nascer negra nessa sociedade, assim como homens não podem se tornar mulheres (ou vice versa), muito menos ter a história de nascer fêmea nessa sociedade. Lidem com isso!

Anônimo disse...

Coisa de olhar a comunidade do facebook "aventuras na justiça social", onde viraram chacota permanente.

Anônimo disse...

Sempre soube que trans/generismo era um culto religioso cheio de dogmas e tabus, cujos infiéis e hereges sofrem ameaças

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=> Caraca !!!! Ele é idêntico ao feminismo atual então ...Tô besta.

Rê Bordosa disse...

Texto gigante, eu sei, só lamento. Aliás, não lamento não.


Parte01
Para começar, eu gostaria de colocar aqui algumas definições:

-Sexo ou "Gênero Biológico" - relação sexual; conjunto de características físicas, biológicas e funcionais que distinguem, macho de fêmea.

-Orientação sexual de uma pessoa indica por quais gêneros ela sente-se atraída, seja física, romântica e/ou emocionalmente. Ela pode ser assexual(nenhuma atração sexual), bissexual (atração pelos gêneros masculino e feminino), heterossexual(atração pelo gênero oposto), homossexual(atração pelo mesmo gênero).

-Papel Social de Gênero - é um conjunto de comportamentos associados com masculinidade e feminilidade, em um grupo ou sistema social.

-Expressão de Gênero - é como o indivíduo expressa seu gênero: corte de cabelo, roupas, entonação da voz e muitas outras formas.

-Identidade de Gênero - refere ao gênero em que a pessoa se identifica.

-Gênero - é todo o somatório das definições acima; resultado final de todos os aspectos acima citados para um indivíduo. Aquilo que um indivíduo essencialmente é.


Vou ilustrar o que penso sobre “feminismo versus transexualidade” com a parábola de uma mulher transexual chamada Ana e uma mulher cis chamada Maria:

Ana nasceu com genitais masculinos e foi logo classificada como “homem” e registrada no cartório como João (que é um nome aceito, na sociedade onde Ana nasceu, para pessoas que nascem com pênis). Logo na infância, quando começou a entender o mundo, percebeu que a sociedade a sua volta distinguia e classificava as pessoas a partir de seus genitais, atribuindo diferentes papeis e formas de tratamento.
Não foi dada a Ana a liberdade de se questionar “quem sou eu? O que é ser mulher ou homem? O que ter nascido com pênis me diferencia da outra pessoa ali que nasceu com vagina? O que é gênero? Meus genitais são suficientes para definir meu gênero? O que isso muda na minha realidade? Brincar de boneca/carrinho, vestir azul ou rosa deveria estar diretamente ligado aos meus genitais?”
Não mesmo. A sociedade não estava interessada na liberdade individual de Ana. Ela não deveria fazer suas escolhas, sua identidade e seu papel no mundo porque a sociedade já havia feito isso por ela.
Ana até tentou, mas nunca se sentiu confortável, nunca teve uma sensação de pertencimento àquela realidade. Achava João um nome ruim, que não combinava, porque não podia se chamar Ana? Dentro do “Papel Social de Gênero”, sempre se sentiu “Mulher”. O "Gênero Biológico" também lhe parecia inadequado… E pensava “porque diabos a natureza me deu um pênis e esses fios de barba no rosto se tudo que me deixaria feliz e que eu sinto que mereço é um corpo feminino”?

Apesar da sociedade dizer que Ana não devia se questionar, ela se questionou: “se meus genitais não estão compatíveis com quem eu sinto que sou, meu papel social de gênero também não, porque diabos tenho que ser homem? Que direito tem a sociedade de decidir sobre meu corpo e minha identidade?”
Foi aí que Ana chutou o balde e decidiu que sua felicidade e sua liberdade valiam mais. Se auto-proclamou Ana, não mais João e foi fazer tudo aquilo que sempre teve vontade, mas que diziam que era “coisa de mulher”.
E como expressar seu gênero? Como dizer a essa sociedade ditatorial “eu sou mulher”? Bem simples: se você vai comunicar uma mensagem a um brasileiro, você fala em português, se você vai comunicar algo a um americano, você fala em inglês, logo, se você vai comunicar a uma sociedade que é mulher, você usa dos símbolos que essa sociedade entenda como femininos: esmalte, batom, vestido, cabelo comprido…

Rê Bordosa disse...

Parte 02
Maria é uma mulher cis.
Durante toda a sua vida, a sociedade impôs a Maria o mesmo discurso baboseira que impôs à Ana. A sociedade também tinha planos e papéis determinados para Maria, ela concordando ou não.
Por ser mulher cis e não trans, Maria não passou pelos mesmos problemas de identidade de gênero que Ana, mas nem por isso a vida foi mais fácil pra ela, pois os tais planos da sociedade incluíam estupro, agressão e submissão.
Maria se questionou: “porque isso?” E seus opressores lhe responderam: porque seu gênero é feminino. “Porque você é mulher! Porque você nasceu com vagina.”
Desde então Maria resolveu chutar o balde também e lutar para desconstruir esse conceito de gênero que tanto a oprimia.

Um belo dia o caminho de Ana e Maria se cruzaram.
Maria ficou confusa com “aquele ser diferente” diante dela e fez exatamente o que a sociedade lhe ensinou a fazer diante das pessoas: definí-las.
Definição: nasceu com pênis, é homem! Se é homem e a norma vigente diz que homens devem oprimir as mulheres, logo ele é um opressor! Ele, apesar de homem, está se dizendo mulher, ou seja, comportamento suspeito, provavelmente uma tática pra nos oprimir. Ele está usando esmalte, batom, vestido, cabelo comprido e se dizendo mulher, eu sabia, era uma tática de opressão! Ele está se utilizando de estereótipos para definir mulher, isso é errado.
Com toda revolta, do fundo de sua alma, Maria grita para Ana:
-João! Piroco! Machista! Desgraçado! Você não é mulher! Você é uma caricatura! Inimigo disfarçado! Eu aqui, lutando contra essa sociedade opressora, tentando desconstruir gênero e você aí reforçando com seus estereótipos. Está me prestando um desserviço, seu canalha!

Maria ignora que Ana não é “seu inimigo” e sim outra vítima do mesmo sistema que a oprime.
Em seu ódio, ignora as razões da outra para usar apetrechos tidos como “de mulher”:
1 - Uma forma de afirmar seu gênero, se apropriando dos símbolos vigentes, subvertendo-os e jogando-os na cara do opressor.

Rê Bordosa disse...

Parte 03
2 - Porque gosta, oras. Se não faz sentindo julgar uma mulher cis por usar esmalte por exemplo, porque julgar uma trans? Até porque, feminismo sempre defendeu que as mulheres não devem ser julgadas pela aparência.
Ao chamar Ana de piroco, Maria não está desconstruindo gênero, está reforçando, por dar tanta enfase aos genitais e dizer que genitais definem quem uma pessoa é na vida.
Além do mais, está sendo desumana, cruel, incapaz de entender o contexto e a realidade do outro. Ela está tentando privar uma pessoa da sua liberdade individual, do seu direito de se auto-definir. Está sendo hipócrita e agindo da mesma forma que seu opressor, apenas porque o simples fato da trans existir parece estar atrapalhando uma ideologia que lhe interessa.
Se você não acha certo que os outros te definam, o que te dá o direito de definir os outros?
A idéia de desconstruir gênero não é ruim, mas porque não começar desconstruindo a partir das bases, das indústrias da beleza, dos políticos conservadores e dos meios de televisão? Porque atacar o mais fraco, o excluído, o marginalisado? Será que o feminismo precisa ser covarde para se impor? Precisa atacar minorias para se afirmar forte? Evidente que não.
Transexuais só se utilizam de “símbolos de feminilidade do opressor”, como maquiagem e vestido porque esse é um padrão vigente. Daqui a uns anos, quando conseguirmos desconstruir esses símbolos, talvez tenhamos uma sociedade mais andrógena, e como reflexo disso, as transexuais também serão mais andrógenas.
Sejamos inteligentes: vamos combater a causa e não o efeito. Vamos parar de bater em quem ta apanhando e nos juntar para combater os valentões.

Anônimo disse...

Na verdade não existe realmente esse negócio de cis nem de trans.

Porque não existe identidade de gênero, o que existe é a opressão de gênero que nos enfiam goela abaixo pela socialização que recebemos desde o momento que identificam que somos do sexo feminino.

Já os machos são socializados para dominar e serem servidos, respeitados e obedecidos. Por isso que todo mundo deve acreditar (principalmente as mulheres, que são criadas para se submeter, agradar e aceitar) qualquer coisas que eles dizem, até que eles são mulheres.

Anônimo disse...

Todo mundo ergue as mãos e abaixa as calças que chegou a polícia da conformidade de gênero.

Rê Bordosa disse...

Anônimo 15:24,

Realmente se fala pouco de homens trans.
No meu texto falei de mulher trans, justamente por ser o maior alvo de preconceito e radicalismo.
Homens trans costumam ser ignorados pelas feministas radicais, por serem considerados "traidoras da causa" ou simplesmente uma realidade inconveniente.

Rê Bordosa disse...

"o que define uma trans como mulher"?

E o que define uma cis como mulher? Será que nossos genitais tem tanto poder assim de definir quem somos? Se não concordamos que a sociedade continue nos definindo e definindo nossos papeis com base nos genitais, porque então insistimos em definir trans pelos seus genitais?

Genitais definem o que é mulher? Papel social de gênero define o que é mulher? Orientação sexual define quem é mulher?
Se analisarmos cada uma dessas definições de maneira separada, nada disso é suficiente para nos definir ou ao nosso gênero, mas tudo isso, somado a uma série de outros fatores e vivências define nossa identidade.

O que a identidade do outro interfere na minha identidade?
Se nos perguntássemos "quem sou eu?" ao invés de desviar nossas incertezas a cerca de nós mesmos perguntando/afirmando "o que é o outro?", talvez seriamos mais livres e mais felizes.
Deixemos que as pessoas sejam o gênero que descobrirem que são em suas reflexões.

Anônimo disse...

Ou alguém a ser convertido, Rê.

Jac disse...

Eu tenho que discordar de muita coisa que a Lola escreveu nesse post. Eu já havia questionado sobre as diferenças entre o caso Rachel e as trans e continuo sem respostas.

Tanto "ser negro" quanto "ser mulher" são rótulos definidos no seu nascimento com base nos seus aspectos físicos.

Não estou questionando sobre as trans. Mas questiono sobre a situação da Rachel. Não vejo a situação dela como farsa de má fé. O que ela teria a ganhar se passando por negra em uma sociedade racista? Não é como se ela não fosse conseguir um emprego por ser branca ou como se ser branca não fosse o padrão de beleza vigente.

Tudo o que estão falando sobre como ela é uma farsa eu posso ver claramente se aplicando ao um contexto transfóbico. Por exemplo, esse trecho (sobre o tal transableism, na verdade):

"A maior parte de nós consideraria doente alguém que corta seu próprio braço de propósito, e muita gente está falando de Caitlyn e Rachel como se elas tivessem algum distúrbio de personalidade."

Algumas pessoas podem cortar seu próprio braço, outras cortam sua genitais para adequar seu corpo.

E da mesma forma que uma mulher trans é uma mulher desde que nasceu, embora tenham a identificado como homem, porque uma mulher negra não é negra, embora a identifiquem como branca. E quando nos perguntamos isso, caímos nas perguntas "o que é ser mulher?", "o que é ser negra?". É nossa aparência? É nossa condição de nascimento (genitalias, genética)? É nossa cultura?

Anônimo disse...

Só uma coisa, a respeito de uma das fotos, Rachel não pode ensinar a ser negrx e sim como ser negrA. Porque é essa a experiência que ela tem e é isso que ela por vontade própria sentiu na pele. Ela pode ter convívio com homens negros mas ela não sabe como é ser um. Homens e mulheres negros não sao a mesma coisa só porque são negros, até porque a sociedade dá a cada um um papel diferente.

Anônimo disse...

Quem tá falando que genero define personalidade aqui é você. Existem dois tipos de aparelho reprodutivo na espécie humana e pra diferenciar deram nomes. Quem nasce com vagina é chamado mulher e quem nasce com pênis é chamado homem, só isso. Se você diz que suas ideias te tornam mulher você exclui quem pensa diferente, se você diz que a sua cultura te torna mulher, bom, isso não faz sentido nenhum, se você diz que suas experiências te tornam mulher você excluí todo mundo que não passou pelas experiências que você define e inclui os homens que passaram por isso. Mulher não é um título, não é um mérito, é uma classificação biológica. Não precisa virar mulher para, como Catlyn respondeu na entrevista, usar esmalte, não ha nada de errado com homem usar esmalte e não faz dele menos homem como foi implícito com essa declaração. Qual a utilidade de lutar pela desconstrução de papel de gênero vigente só pra inventar o seu próprio? Se você não sabe o que te faz mulher é porque você reconhece que ser mulher não significa nada diferente do que ser homem, e está a dois passos de ser abolicionista mesmo sem saber.

Anônimo disse...

Se mulher é só uma definição puramente biológica e gênero não existe na prática, encerremos o feminismo.

Anônimo disse...

O feminismo luta exatamente pra isso ser reconhecido, pra que parem de tratar uma característica biológica como definição de identidade

Raven Deschain disse...

Acontece que ser negra é aparência, anônima. É cor da pele. Pelo menos no Brasil, eu sou identificada como "mulata", "parda", negra, o cacete que for, mas meu filho é lido como branco. Meu filho. Eu pari. Tem negritude nos genes. Mas não na cara.

Já pessoas trans não. Ou pelo menos nunca ouvi falar que dna definisse identidade de gênero.

Raven Deschain disse...

E a Rachel não pode ensinar nada pq é branca. Nem como ser negra, nem como ser negro. Ela não tem essa vivência. Sério, me surpreende e desogosta que a comunidade negra americana, em geral tão 'radical', aceite isso de boa. Sério? Se uma polaca de zóio azul viesse me ensinar a ser negra eu ia mandar ela catar coquinhos.

E essa discussão é uma besteira. É uma falácia gigantesca comparar o caso dela com o de qualquer pessoa trans. É tipo comparar passarinho com elefante.

Rê Bordosa disse...

Anônimo 19:50,

Abolicionista em que sentido?

Se for abolicionista, no sentido de achar que as pessoas são livres pra se auto-definirem, para não serem segregadas, para fazerem o que quiserem (desde que não atentem contra a liberdade de outrem)... E para serem tratadas pelo gênero e nome que escolherem, para serem tratadas com respeito e não serem chamadas de "vadias", "pirocos", "crioulos".... Sim eu sou abolicionista.

Mas se abolicionista significa que me achar "uma super heroína de quadrinhos" maniqueísta, que vai libertar as pobres mulheres da opressão de todos homens malvados (incluindo na definição de malvados as mulheres trans), que na minha luta por abolição justifica tudo, até agir com violência contra minorias, e conquistar minha liberdade e auto-determinação privando outros da liberdade e auto-determinação deles... Não sou abolicionista não.

Anônimo disse...

Por favor, defina identidade de gênero e, se puder, me explique como isso difere de construção social de papel de gênero?

Anônimo disse...

Caitlyn Jenner não descobriu ser mulher depois de velha, vá se informar. A questão é bem mais antiga, ela apenas não tinha coragem pra se assumir antes.

Anônimo disse...

Lógico que há uma diferença entre os dois casos: Bruce Jenner é do sexo masculino e, portanto, é bajulado, enquanto Rachel Dolezal é do sexo feminino e está se passando por uma pessoa negra, o que homens também podem ser... por isso que tããaaao ofensivo, dããa.

Rê Bordosa disse...

"Vive defendendo o orgulho negro e a negritude. Mas na hora de abrir as pernas, preferiu um branco.

Típica coerência de social justice warrior ..."

Sério mesmo, anônimo? Cê jura?
Então por essa sua lógica, feminista tem que ser lésbica ou celibatária ou então é hipócrita?

Quem luta pela igualdade entre brancos e negros luta pelo ideal de que brancos e negros são iguais. Se são iguais, na hora de escolher parceiro, cor da pele não deve ser critério.
E argumentar com esse papinho de "abrir as pernas" além de não fazer sentido é tosco pra caralho!

Rê Bordosa disse...

Tem hora que dá vontade de desligar o PC e ir fazer outra coisa, pq argumentar com esse nível de preconceito é contraproducente. Tem gente que parece que ta com a cabeça enfiada na bunda!

Anônimo disse...

Situação atual: Feministas dizem há décadas (incluindo Simone de Beauvoir) que gênero é construção social, que o que determina uma mulher não são as características tradicionalmente atribuídas a nós. Lola mesma já escreveu no passado vários posts relacionados a isso. Não sei se ela mudou de ideia...

Pois bem, as ativistas transexuais dizem exatamente o contrário do que feministas dizem. Dizem que gênero existe, que a mulher tem certas características psicológicas, neurológicas, que fazem dela uma mulher e por possuírem essas características é que são mulheres.

São dois tipos de pensamentos exatamente opostos. Não tem como uma pessoa concordar com as duas ao mesmo tempo. É a mesma coisa que se declarar vegetariano e dizer que é importante comer carne.

Mas coitadas das mulheres pra em pleno século XXI achar que já tem direito de terem suas crenças, suas teorias, sem serem hostilizadas, muitas vezes pelas próprias companheiras... Atualmente, se não conseguem te enfiar guela abaixo a teoria dos gêneros (feministas incluídas nessa luta!!!), absurdo!, você é transfóbica, preconceituosa, ignorante, queima na fogueira...
Foda-se a sua teoria, foda-se o que você acredita, foda-se o feminismo, foda-se a construção social, foda-se Simone de Beauvoir. Foda-se o fato de que é óbvio, evidente, que você não quer que trans sejam agredidas, prostituídas, mal-tratadas.

Se uma pessoa batizada João quer ser chamada de Maria e tratada pelo artigo feminino, direito dela, vou fazê-lo, mas se ela me perguntar se eu acho que ela é mulher, vou ter que dizer: "Não, não acho. Não acredito em ideologia de gênero. Feministas lutam há décadas pela abolição do que você defende. Te respeito, mas discordo totalmente de você."

E se isso pra vocês é ser transfóbica ou o que for, então, ok, sou e serei. Não é uma ofensa que vai me fazer mudar de ideia ou me calar. Já fomos silenciadas muito tempo pelo patriarcado pra agora aceitarmos sermos silenciadas pelas nossas próprias companheiras feministas.

Se vocês veem transfobia na minha fala, eu do meu lado vejo é um traço de misoginia em quem se declara feminista, mas quer enfiar goela abaixo de feministas exatamente o contrário do que elas acreditam.


Anônimo disse...

Sério mesmo, anônimo? Cê jura?
Então por essa sua lógica, feminista tem que ser lésbica ou celibatária ou então é hipócrita?

Quem luta pela igualdade entre brancos e negros luta pelo ideal de que brancos e negros são iguais. Se são iguais, na hora de escolher parceiro, cor da pele não deve ser critério.

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Comparação esdrúxula. A mulher não escolhe ser lésbica ou hétero. Mas escolhe os parceiros.

Aham, sei. É só uma questão de "gosto" que negras, quando podem, preferem homens brancos a negros.

Repito, coerencia de social justice warrior ....

Raven Deschain disse...

Rê, já disse. Nem esquente. Esse nível de baixaria eu ignoro. O que é foda é não saber se é "feminista" ou mascu dizendo um absurdo desses... mas enfim.

Anon, eu não! Tá no post, milhões de blogs falam disso, a Rê já postou nos comentários, se tu não leu, ema-ema-ema. Como já disse, não pari ngm dessa caixa de comentários. Se virem.

Rê Bordosa disse...

Anônimo 20:23,

"Se uma pessoa batizada João quer ser chamada de Maria e tratada pelo artigo feminino, direito dela, vou fazê-lo, mas se ela me perguntar se eu acho que ela é mulher, vou ter que dizer: Não, não acho. Não acredito em ideologia de gênero."

Dificilmente uma transexual vêm até uma feminista perguntar "você me acha mulher?"
Porque elas não dependem da opinião das feministas para ser o que são. Mas frequentemente as Radfems vão a público espalhar a mensagem "pirocos, farçantes, vocês não são mulheres".

Rê Bordosa disse...

Eu tento, Raven, mas meus olhos ardem de ler tanta merda... E como a merda ta no meio do debate, me sinto na obrigação de ler para debater... Eu tenho que perder essa mania.

Panthro disse...

Por que as pessoas se importam minimamente em como outras pessoas se definem? Serião, no que isso impacta a vida de vocês?

Anônimo disse...

Rê Bordosa

Sim, todo mundo tem que ser livre pra se auto definir, mas não pra definir os outros, não pra definir um grupo inteiro só pra se inserir nele.E essa demonização de gente que não acredita em identidade de genero como gente que quer matar todas as trans, vamo parar né, que ta ficando feio. Se alguém quer ser chamado de Aline, chamamos a pessoa de Aline, se quer se chamado de Matheus, chamamos de Matheus, se gosta de batom, damos um batom no aniversario e se gosta de futebol damos uma chuteira, ponto final. Mas se alguém com olho verde quer convencer os outros que tem olho violeta não tem como aceitar, e ninguém diz que essa pessoa merece morrer, só não acredita no que ela fala e tenta fazer ela perceber que os olhos dela são verdes. Negar a realidade não faz bem pra ninguém.

lola aronovich disse...

Rê Bordosa e Raven, mil desculpas pelas ofensas que andam postando aqui contra vcs. Quando estou na frente do computador trabalhando, entro aqui de hora em hora, para ler os comentários e deletar os mais agressivos. Mas durante esse tempo eles ficam expostos. Eu poderia acionar a moderação dos comentários, mas atrapalha um pouco o diálogo (se bem que essas agressões atrapalham mais ainda).
Tirando esses energúmenos e energúmenas, a discussão está boa.

Anônimo disse...

É mesmo Rê? Que bom... Pena que na prática não está sendo assim.
Pois o que mais tem atualmente em redes sociais é uma cruzada de ativistas trans (não digo que é todo mundo) torrando a paciência de feministas, desrespeitando, desvirtuando discussões e demonizando feministas por discordarem deles.
Parece que mudar o que a gente pensa é o grande ponto de honra pra algumas pessoas. E isso com o apoio de algumas feministas.
Enquanto isso, o mundo não está se tornando um lugar melhor pra ninguém.

Raven Deschain disse...

Que isso Lola? A culpa não é tua. Trabalha aí, mulher! Hua hua bjon!

radscum disse...

Nossa, peloamordadeusa, esse post da Lola é revoltante! Vai demorar pra eu dar minha opinião sobre ele. Por enquanto só posso dizer que concordo totalmente com a anon das 20:23 exceto o trecho que a Rê Bordosa copiou. Feministas liberais não veem trans como mulher, elas FINGEM que veem. A diferença de radfems e gente seguidora do Lola wing of feminism é que as radicais não são hipócritas, as liberais fingem acreditar, mas sabem que só de olhar pra cara de uma trans você sabe que não nasceu macho. Olhem o comentário da Raven ali em cima:

"Quem sou pra chanar o Danilo de Amanda e dizer: vc tá fingindo, eu tou vendo seus peitos. Além de uma cretinice tamanha, não compete a mim determinar como a pessoa deve se sentir."

Qual a grande diferença entre essa parte do comentário da Raven com o da anon das 20:23? Ambas respeitam a pessoa sentir e se declarar o que quiserem e ambas reconhecem que estão vendo que a pessoa não é do sexo que pensa ser? A única diferença que vi é que a radfem é honesta e que a Raven é falsa. hahahahaha

Rê Bordosa disse...

Uma trans está definindo um grupo inteeeeeiro quando se diz mulher ou só a ela mesma? Você acredita mesmo que existe uma grande conspiração transexual para definir o significado de mulher só para dominar e ditar às mulheres com vagina o que elas devem ser? Pelo menos a maioria das trans que eu conheço, sequer estão por dentro dessas discussões filosóficas, tão lá ralando, se auto-declarando e vivendo suas vidas.
Quando a ideologia de "desconstrução de gênero" apareceu, as mulheres trans já estavam aí ha muito tempo, fazendo o que sempre fizeram.

"E essa demonização de gente que não acredita em identidade de genero como gente que quer matar todas as trans, vamo parar né"
Não é demonização. Basta observar as caixas de comentários pra ver o nível de ódio e preconceito. MATAR as trans diretamente, com as próprias mãos eu não diria, mas sim, alimentar o ódio e o preconceito por elas, ódio esse que as mata todos os dias. Transexuais sempre tiveram no patriarcado um forte opressor, agora vão ser oprimidas pelo feminismo também?

radscum disse...

correção: ali em "ambas reconhecem que estão vendo que a pessoa não é do sexo que pensa ser" era pra ter um (.) no final e não (?)

Rê Bordosa disse...

Lola, não precisa se preocupar, imagina. Pessoas que usam o anonimato pra xingar as outras de "feia, boba, chata e cara de mamão" merecem algum crédito? Nenhum, né?! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

Há coisas no transexualismo que eu não posso aceitar, como por exemplo, o uso de banheiro feminino por mulheres trans que não fizeram cirurgia. Se esse transexual possui o pênis e fica entrando em banheiro feminino abre SIM brechas para os homens entrarem e que estupros aconteçam . Se uma pessoa é porta certo orgão sexual, entre em um banheiro com o seu proprio orgão. Se você tem algum proplema em entrar em banheiros com pessoas que portam o mesmo orgão que o seu, não interfira no banheiro dos que portam um orgão diferente. As pessoas que possuem vagina não querem ter medo de serem estupradas ao usarem o banheiro.

Raven Deschain disse...

NÃO FALEI? HUA HUA

Lá vai ela de novo! Ela quer meu corpo nu, gente!

Anônimo disse...

Está vendo o seu pensamento, Rê?
Se a pessoa não concorda com ideologia de gênero, pra você, ela está fazendo discurso de ódio, preconceito...
Grande parte das feministas (não são só radicais) não concordam com ideologia de gênero.
Mas criticar teorias feministas pra você não é preconceito, nem demonização...
Curioso...

Panthro disse...

E se ser mulher é uma construção social, o que impede que uma pessoa que nasceu com um pênis seja uma mulher? Não vejo contradição, vejo reafirmação.

Quanto à biologia, acredito que a percepção de si mesmo não seja determinada pelo restante do corpo, mas pelo cérebro. Eu faço uma imagem de mim com pernas. Se perder minhas pernas vou continuar fazendo uma imagem de mim com pernas. Vou inclusive sentir dor em minhas pernas que não existem. E isso não tem nada a ver com estar fingindo ou ser doido. As minhas pernas não existem mais, mas continuam mapeadas no meu cérebro.

Existe uma marcação no cérebro pra percepção de gênero? Mais ou menos. Tudo indica que existe em um certo nível, sim, em todas as sociedades. Mas o mais interessante: Ela faz com que você se identifique com os gêneros existentes na sociedade. Assim, sociedades em que existe um terceiro gênero têm pessoas que se identificam com o terceiro gênero. Nas outras não.

Isso parece similar a diversas outras coisas que não são exatamente biológicas ou sociais. O melhor exemplo é a língua. Existe um instinto da linguagem, tanto que todos os bebês tentam se comunicar verbalmente e mesmo as irmãs indianas que se perderam no mato e foram criadas por lobos se comunicavam através de vocalizações e gemidos. Mas a língua também é social. Ninguém nasce falando latim atualmente, porque nenhuma sociedade fala latim.

Panthro disse...

E mais interessante: Existe um período no qual você é capaz de aprender novas fonemas. Passado esse período, se você não foi exposto a eles, você se torna incapaz de OUVIR a diferença entre eles. Por isso que um japonês que não tenha sido exposto a ao fonema /l/ quando criança nunca vai ser capaz de falar sem sotaque. Ou um espanhol vai ser capaz de diferenciar entre la b grande e la v pequeña pelo som. Se você tentar aprender russo vai ver como é difícil tentar reproduzir fonemas que não existem na sua língua. A melhor forma de se fazer isso é dissecando o movimento e tentando aprender a fazê-lo ao invés de ouvir o som e INSTINTIVAMENTE reproduzi-lo.

Some-se a isso o fato de aos 3 anos de idade as pessoas perderem 90% das sinapses, fenômeno conhecido como a primeira poda sináptica (existe outra poda similar na adolescência). Isso faz com que a velocidade de processamento fique muito maior, embora se perda plasticidade. é como uma especialização do cérebro, reduzindo suas possibilidades mas te dando velocidade de tomada de decisão. É similar ao que ocorre (em uma escala muito menor) quando você aprende a andar de bicicleta: Você para de pensar sobre o que está fazendo e se torna automático. Deixa de ser consciente.

Além disso, quando se disseca o cérebro de homens e mulheres cis e homens trans se percebe que o cérebro de homens trans é mais similar em termos de anatomia estrutural ao cérebro de mulheres cis, sobretudo em áreas do sistema límbico. Sistema límbico que está associado ao sentido de self mais básico e processamento de emoções.

Do ponto de vista da psicologia, desde o início da técnica sempre se observou períodos determinantes na vida do sujeito. Todos os estudiosos dividiram o desenvolvimento humano em fases que, não coincidentemente, batem com as mesmas fases observadas pela neurociência. Enquanto Freud fala de fase genital e síndrome da castração, temos a primeira poda. E quando ele fala do fechamento do complexo de Édipo, temos a segunda poda.

Junte tudo isso e a resposta é: Sim, tudo indica que existe uma determinação biológica de sexo. E ela é cerebral. E sim, como todo o resto do desenvolvimento cerebral ela é influenciada pelas relações sociais. E não, não existe plasticidade infinita, existem fases que uma vez ultrapassadas não podem mais voltar atrás. E, sim, embora na maior parte das vezes o sexo genital vai ser idêntico ao sexo cerebral, nem sempre isso acontece. O corpo só é uma máquina milagrosa e perfeita pra quem nunca estudou biologia. Existem infinitas formas de dar merda.

Mas é claro que mesmo com tudo isso que eu disse (e que é tudo documentado em pesquisas, quem se interessar eu posso ir atrás da bibliografia - mas já adianto que vai ser difícil porque eu leio muito sobre neurociência e pra achar onde foi que eu li cada coisa vai demorar, mas eu consigo. Se tiverem pressa, falam sobre a pode sináptica até na Wikipedia), vai ter gente que PREFERE acreditar que não existe transexualidade, só existem homens se passando por mulheres (e mulheres se passando por homem - Aliás, se é pra conseguir vantagens sociais, não teríamos muito mais trans FtM do que o contrário?). Mas isso acontece não porque vocês tenham argumentos ou embasamento científico ou de qualquer outro tipo. É porque vocês se SENTEM assim. É irracional. Como todo preconceito.

Anônimo disse...

Que preguiça desse seu sensacionalismo, Rê Bordosa. Não, não acredito que exista uma conspiração trans pra definir controlar as mulheres, acredito que há uma sociedade manipuladora conspirando pra definir o que uma mulher TEM que fazer pra ser válida pra se aproveitar dela, e as trans vão lá e absorvem tudo isso, sem se preocupar com da onde isso veio. E sim, se vai se definir mulher, tem que ter uma definição do que é mulher,logo, tem que ter uma definição também do que não é mulher, ou seja, excluindo pessoas do grupo.

Panthro disse...

E pelo amor de Deus, gente, de onde vem essa fixação por estupro em banheiro? É porque estão com as calças arriadas? Porque ABSOLUTAMENTE NADA impede um estuprador de entrar em um banheiro feminino além de uma convenção social. E se vocês acham que um ESTUPRADOR respeita convenções sociais, não existe salvação pra vocês. Podem entregar o cérebro pra ciência estudar que vocês estão vivendo muito bem sem ele.

lola aronovich disse...

Raven, querida, parece que todo mundo quer seu corpo nu! (eu dispenso, obrigada).


Vcs viram que, segundo a Radscum, eu tenho meu próprio wing of feminism? Estou me sentindo muito importante agora.

Anônimo disse...

E esse fantástico mundo de que quem não concorda com você é irracional, ignorante, não tem argumentos, é preconceituoso... ai que, sono.



Anônimo disse...

Mulher trans nunca vai poder ser mulher porque todas as células do corpo dela vão ser xy ( cromossomas masculino e com muitos genes a menos em relação aos femininos) e uma mulher se define biologicamente por portar xx. É a classificação básica dos sexos. Em relação a banheiros e lugares onde somente seres com xx podem entrar, que as trans criem seus proprios lugares. Ou entrem nos lugares onde as pessoas do seu proprio cromossoma sexual podem entrar. Porque tanta fixação de trans de entrarem em lugares femininos ? As mulheres passaram a historia da humanidade inteira marginalizadas. Se eles nascessem no afeganistão ou irã, duvido que trocariam de sexo, mesmo que nesses paises seja permitido.

Anônimo disse...

Anon das 20:25, por acaso coerência pra você é: mulheres devem dar pra quem quiser comê-las, mesmo que seja um mascu nojento, não podem escolher pra quem dão. Homens podem escolher à vontade quem comer, inclusive sendo racistas (do jeito que acusou as mulheres de ser) e só querer brancas e loiras. Que, pra ele, não tem o direito de recusá-los. É isso?

Anon das 20:48 enfia uma 9 mm no rabo e gira até esvaziar o pente todo. Não é a linda e suculenta rola que você quer desesperadamente, mas já quebra um galho, seu e de quem não merece ler suas patéticas tentativas de ser engraçadinho.

lola aronovich disse...

Pô, anon das 21:01, quem vai ficar na porta do banheiro feminino pedindo pra mulher trans abaixar as calças ou levantar o vestido pra mostrar se fez cirurgia ou não? Desculpe, mas não te parece uma exigência meio ridícula? Assim como ninguém vai ver a sua vagina num banheiro, ninguém vai ver o pênis de uma mulher trans não operada. E não precisa ter pênis pra estuprar, certo? O que existe de estupro causado por garrafa, cabo de vassoura, etc não é pouco. Gente, vamos entender: mulheres trans não querem entrar num banheiro feminino para estuprar. Elas querem ir ao banheiro feminino para não serem estupradas. Porque é perigoso pra elas ir ao banheiro masculino. Arrisco dizer -- e olha só que pensamento arriscado, porque não tenho base -- que é mais perigoso pra uma mulher trans ir a um banheiro masculino que pra uma mulher cis ir a um banheiro masculino. Agora, sinceramente, se uma mulher trans estiver no mesmo banheiro público que eu, não vou dar a mínima. Se um homem trans estiver no mesmo banheiro que eu, idem.

Anônimo disse...

Os homens trans que não fizeam cirurgia entram em banheiros masculinos ou essa parte vai também para o banheiro feminino?

radscum disse...

Explique-se, Raven, não disfarça nem tenta fugir não. Você e mais 100% das feministas liberais são tão "transfóbicas" quanto radicais. Depois desse post da Lola, tô só observando a misoginia internalizada dela e de outras desse blog. Quero me controlar e sumir daqui, fingir que não estou vendo a misoginia no blog feminista mais visitado do Brasil. Saiam desse feminismo colonizado aí e vão estudar.

Há muito livro bom em português.

O mais abrangente livro feminista radical no brasil: "A Mulher Inteira" (continuação de A mulher eunuco) da Germaine Greer.
"A Dialética do Sexo" - Shulamith Firestone
"Política Sexual" - Kate Millett
"A Guerra Contra as Mulheres" - Marilyn French
"Mulheres" também da Marilyn French.
"Anatomia da Liberdade" - Robin Morgan
"Memórias da Transgressão" - Gloria Steinem

Em inglês recomendo: Andrea Dworkin, Alice Walker, Susan Brownmiller, Gerda Lerner, Anne Koedt, Adrienne Rich, Marilyn Frye, Carol Hanisch, Catharine MacKinnon...

Anônimo disse...

Lola, não é nem questão de abaixar as calças (que seria até simples), tem que fazer um exame cromossômico!

Anônimo disse...

Acaba que todo mundo entra no banheiro feminino para não ser estuprado. Os homens cis que tem medo de serem estuprados também vão poder entrar? Aff

Anônimo disse...

"Mas isso acontece não porque vocês tenham argumentos ou embasamento científico ou de qualquer outro tipo. É porque vocês se SENTEM assim. É irracional. Como todo preconceito."

Típico comentário de quem foi socializado como homem (machista) dizendo pra um grupo de mulheres que se elas não concordam com ele é porque são irracionais, emocionais, blábláblá.


E estou me direcionando a outras feministas, porque com gente que fala assim, nem vale a pena dirigir a palavra.

Anônimo disse...

Gente, já viram o absurdo do G1. Estão insultando de todas as formas a ex de um jogador do vasco que a agrediu e vazou video de revenge porn.



http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/06/bernardo-sera-indiciado-por-agressao-e-vazamento-de-video-diz-delegada.html

Anônimo disse...

Sou a favor da criação de banheiros,cadeias entre outros para os transexuais, para que eles não sejam estuprados por homens e nem estuprem mulheres.

Panthro disse...

"Mulher trans nunca vai poder ser mulher porque todas as células do corpo dela vão ser xy ( cromossomas masculino e com muitos genes a menos em relação aos femininos) e uma mulher se define biologicamente por portar xx. É a classificação básica dos sexos."
Bom, já evoluiu em relação a portar vagina (Sex As a Weapon, como diria a Pat Benatar). Agora, tudo o que você precisa é descobrir quais são os seus cromossomos pra saber seu sexo, o que qualquer exame de DNA faz. Eu, por exemplo, acabei de descobrir que não sei mais se sou homem ou mulher, embora eu sempre tivesse achado que eu era homem. Isso que eu chamo de jogar mais dúvida na discussão.

- Ai que bobo ele, são os cromossomos que fazem os pênis e as vaginas.
Mais ou menos, pequeno gafanhoto. Lembra que eu disse que tudo sempre pode dar errado? Olha aqui um exemplo: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302005000100012

"Em relação a banheiros e lugares onde somente seres com xx podem entrar, que as trans criem seus proprios lugares. Ou entrem nos lugares onde as pessoas do seu proprio cromossoma sexual podem entrar. Porque tanta fixação de trans de entrarem em lugares femininos ?"
Ai que burra, dá zero pra ela. Filha, presta atenção: Você tem medo que homens te estuprem se entrarem no banheiro feminino, né? O que vocês acham que eles fazem com uma trans no banheiro masculino? Dão flores? Isso é falta de imaginação ou falta de empatia?

Quanto a criar um banheiro para trans, eu não seria nada contra, porque sou uma pessoa prática e uma banheiro só pra trans é um banheiro menos usado e, portanto, mais limpo. Mas do ponto de vista ideológico, todas as razões que você teria pra ter um vagão de metrô só pra mulheres (ou uma área do culto só pra mulheres ou uma escola só pra mulheres) é o mesmo que elas têm. Não é bacana ser segregado.

"As mulheres passaram a historia da humanidade inteira marginalizadas. Se eles nascessem no afeganistão ou irã, duvido que trocariam de sexo, mesmo que nesses paises seja permitido."
Só que não, né? http://www.gaystarnews.com/article/iran-performed-over-1000-gender-reassignment-operations-four-years041212

Esse que é o problema. É muita desinformação. É muito achismo. E muito, muito pouca empatia. Como você disse, as mulheres passaram a história da humanidade inteira sendo marginalizadas. E continuam sendo. E você está contribuindo pra isso. Meus parabéns por perpetuar uma tradição tão longa. Seus antepassados se orgulham de você passar a tocha adiante.

Anônimo disse...

Teu wing of feminism é o liberal, Lola!

Panthro disse...

Lola, pra uma mulher trans no Brasil é perigoso sair na rua. Elas morrem todos os dias. Odeiam elas simplesmente por existir. Eu sou gay e me odeiam também, mas como as pessoas são neuróticas, normalmente fingem que eu não sou gay e seguem a vida. A ponto de eu falar do meu namorado e as pessoas OUVIREM namorada. Pessoas são dementes. Mas pra trans é mais complicado. As que deram sortes de terem pais esclarecidos e começaram a se tratar novas não têm problemas. As que passaram pela puberdade sem apoio ficam com sequelas físicas e emocionais pesadas. E ao invés das pessoas se colocarem no lugar delas, ficam querendo verificar se elas fizeram uma cirurgia pra poder usar um banheiro!

Gente, eu nasci com uma má-formação que fazia com que eu pisasse num nervo do meu pé. Eu sentia dor todas as vezes que ficava de pé. Era pra eu fazer a cirurgia com 18 anos, assim que parasse de crescer, pra parar de sentir dor. Mas, como todas as cirurgias, ia ter uma recuperação difícil, porque iam ter que serrar o meu calcanhar. Existia o risco de eu nunca mais andar. E hoje eu perdi parte da sensibilidade na pele do pé porque um nervo morreu na cirurgia. Sabendo de todos esses riscos, eu aguentei até os 28 anos, com medo de fazer a cirurgia. E sentindo dor todas as vezes que ficava em pé.

E vocês falando de "obrigação de fazer cirurgia". Imagina que cobrassem de vocês a obrigação de uma cirurgia. Porra, é foda.

Anônimo disse...

A pessoa diz que gênero é uma construção social depois diz que é impossível alguém ter um gênero que foi construído contrário àquele designado no nascimento... essas teorias radicais não fazem o menor sentido.

Fabiano disse...

Eu não tenho dificuldade em enxergar "as trans" como mulheres e "os trans" como homens.

Sobre as críticas em relação às trans, quanto a necessidade de usar os sinais daquilo que no imaginário popular estão ligados ao feminino -maquiagem, depilação, cabelos longos, corpos cheios de curvas, salto alto etc, eu imagino que isso possa ser um mecanismo de defesa. São
esses sinais que as possibilitam que o mundo as veja como elas próprias se vêem : como mulheres.

Penso que esse é um entre vários motivos de tantos conflitos entre radfems e trans: enquanto as primeiras têm ojeriza a esses sinais, para as trans são sua tábua de salvação que dão a elas alguma chance de ser aceitas como elas se enxergam.
Esses dois grupos como água e óleo. É impossível se misturarem. As suas diferenças são irreconciliáveis.

Anônimo disse...

"Pelo menos a maioria das trans que eu conheço, sequer estão por dentro dessas discussões filosóficas, tão lá ralando, se auto-declarando e vivendo suas vidas."

Que ótimo. Apoio demais as que fazem isso, com certeza são pessoas ótimas e batalhadoras.
Tomara que as que não saem de blogs e fóruns feministas sigam esse ótimo exemplo no lugar de ficar destilando machismo, arrogância e querendo enfiar sua ideologia guela abaixo das pessoas e fazendo feministas de bode expiatório dos seus problemas...

Esse aí de cima podia seguir esse exemplo...

Anônimo disse...

Acontece que mulher trans não é biologicamente uma mulher, e mesmo fazendo um milhão de cirurgias e tomando hormonios, ainda vai ser biologicamente homem. Não me vejo contribuindo para a marginalização da mulher ao querer que mulheres tenham segurança em lugares proprios para elas. Eu sou muito a favor que trans tenham lugares so para trans, do contrário, que não coloquem a segurança da mulher em risco.

Anônimo disse...

Se são irreconciliáveis, Fabiano, não é por esse motivo, as rads não condenam mulheres que usma batom, salto, etc., muitas delas usam. O problema parece ser o pênis mesmo.

Inclusive, o feminismo radical é extremamente falocêntrico, é o que mais coloca a mulher em relação ao homem e, curiosamente, é o que mais têm páginas na internet dedicada à "escrachar" homens e falar de homem. Vai entender...

Panthro disse...

Não, não tem nada a ver com concordar comigo ou não. Tem a ver com todo o consenso da comunidade científica, com anos de pesquisa de diversas pessoas sendo trocados por um "eu acho que". E quando eu falo de se sentir não tem a ver com ser mulher ou não. Todos os humanos sentem. E todos os humanos são emocionais. mas só alguns humanos conseguem ir além das próprias emoções e analisar os fatos, mesmo que eles indiquem algo diferente do que você se sentia originalmente. E, de novo, isso não tem nada a ver com ser homem ou ser mulher. Tem a ver com ser racional. Coisa que tanto homens quanto mulheres são capazes. Quando querem.

Quando não querem, dá merda. Exemplos não faltam, mas tem um que eu gosto muito: Papers científicos idênticos tinham mais chance de serem aceitos quando tinham o nome de um homem (e sobrenomes europeus). Fizeram com currículos e nomes de negros e o resultado foi o mesmo. Isso não é consciente. É totalmente irracional. Como todos os preconceitos.

lola aronovich disse...

Por favor, Radscum, faça o que tem vontade, ou seja: controle-se e suma daqui. A gente apoia! Minha recomendação de leituras é mais completa que a sua, e ainda tem alguns links.


Anon das 21:30, tem razão! Cada pessoa (ou só as usual suspects?) vão precisar fazer exame cromossômico antes de entrar num banheiro público! Mas e o que acontece com as mulheres trans operadas?

Anônimo disse...

Imaginem quanto homem vai querer se passar por mulher na cadeia quando as trans poderem ir para a ala feminina ao invés da masculina. Vai ser uma beleza, em vez de ser estuprado pelos pesos, vai poder estuprar as presas. Sinceramente não, isso não pode acontecer de jeito nenhum.

Anônimo disse...

Não existe uma essência feminina eterna e imutável, as diferenças no cérebro de mulheres não são uma sentença que obriga a pessoa a ser dócil e usar maquiagem.

Aí vira uma questão de:

1- A pessoa diz que se sente mulher por que se identifica (ou sempre identificou)com esteriótipos de gênero ( delicada, gosta de homem etc) e eu respondo que isso não define uma mulher. O feminismo luta contra isso!

2- Então a pessoa diz que nada define uma mulher (características sexuais secundárias, capacidade de parir, hormônios) então pode se considerar uma. Tá? Mas por que você quer tomar hormônios? Fazer cirurgias plásticas? Mudar a voz? Se nada define e impede por que voce não pode simplismente viver como um HOMEM andrógino?

E isso de "transracialismo" não está no DSM5 não é argumento. Podem muito bem colocar ué

Fabiano disse...

Não disse que são irreconciliáveis por esse motivo. Esse é apenas um dos vários pontos em que radfems e trans estão em polos opostos sobre o que é ser uma mulher.

Anônimo disse...

vai todo mundo pro banheiro feminino porque não quer ser estuprade então ? Virou acampamento de refugiado, vai todo mundo fica la agarradinho com medo ao inves de ir pra cima dos omi ?

Anônimo disse...

Ai, Lola, não me coloca nessa situação difícil. Uma diz que pode ser se fez redesignação, mas outra diz que é cromossomo. Não sei, na dúvida faz um banheiro só pra trans que fez redesignação, outro para trans sem redesignação, outro pra mulheres xx, outro pra homens xy, outro xxy, outro pra xxy, outro pra xxx...

Panthro disse...

Vocês sabem que se sentir mulher e usar maquiagem são duas coisas totalmente distintas, né? Tem um monte de mulher que se sente mulher, nasceu com vagina e nunca usou maquiagem. Mas não é por não usar maquiagem que ela não se percebe mulher. E se um dia ela miraculosamente acordasse com um pênis, não ia se sentir homem por causa disso. Ou vocês acham que aquele cara que teve o pênis cortado pela ex-esposa virou mulher porque perdeu o pênis?

Sério, é muito fixação em pênis! E o pior é que o Freud explica MESMO!

Panthro disse...

He, banheiro feminino campo de refugiado foi o melhor!

Panthro disse...

É verdade, tinha esquecido das trissomias dos pares sexuais! E aí, gente? Quatro sexos?

Anônimo disse...

Acho que essa caixa de comentários é uma boa demonstração do que está acontecendo.

Não tem jeito. São ideologias diferentes. Não tem como se juntar.

Não tô indo em espaço lgbt nenhum pra impor o que eu penso...

Mas o que tem de trans batendo o pezinho (com ou sem salto) ai o que eu penso é que é verdade, é que é ciência, é que é comprovado, vocês tem que concordar comigo e você é feia e burra, cada vez que a gente não usa a palavra cis ou quer discutir sobre aborto, menstruação, gravidez e querem que a gente use uma expressão americana pra avisar antes porque alguns ficam traumatizados. Enfim... Tá complicado.



Anônimo disse...

E ai, Panthro, pagou um grau do caralho por ter passado naquele concursalheco da Petrobras.
Tá com muito tempo livre, né, é por isto que estas empresas públicas estão caindo aos pedaços.
hahahahahaha.

Mulher Cis disse...

Quem é que está dizendo que vamos se estupradas pelas trans? N é óbvio que estupradores vão se aproveitar disso? Já acontece sendo proibido a entrada deles no banheiro, basta o verme dizer que é mulher, por uma saia e pronto.
Elas n podem correr o risco de serem estupradas mas a gente sim??? Elas n tem culpa disso e muito menos nós, mas se elas n querem ser abusadas, nós tb não queremos.
Mas como sempre a mulher cis que se foda.
E ainda n vi uma explicação convincente para um homem poder ignorar seu corpo e a identidade que lhe deram e dizer que é mulher e uma mulher branca n poder fazer o mesmo e dizer que é negra.


"Acaba que todo mundo entra no banheiro feminino para não ser estuprado. Os homens cis que tem medo de serem estuprados também vão poder entrar? Aff"

kkkkkkkkkkkk Só faltava isso.


Eu concordo mais ou menos com a radscum, eu sei que na mente das trans elas se sentem mulher, mas elas podem fazer a plástica que for que o corpo ainda será de homem, uma mulher trans nunca vai engravidar, n vai menstruar, n tem ovário e um homem trans nunca vai engravidar ninguém, tem algumas que realmente parecem mulheres mas a maioria a gente vê de longe que não é, o mesmo com os trans.

Anônimo disse...

Um homem cis pode colocar uma saia, uma peruca e entrar em um banheiro feminino pra estuprar alguém independente de ser ou não permitido que mulheres trans podem usá-lo também.

Panthro disse...

Ah, sim, super falei de petróleo e Petrobrás aqui, olha, meus parabéns. Se você não leu, eu estava falando de neurociência. E se você se acha o super hacker por saber fazer pesquisa no Facebook, pelo amor de deus, se mata pra poupar recursos naturais. Se eu tivesse alguma coisa pra esconder, tava postando de anon, né? Mas eu sou filho de minha mãe e sempre assino o que eu escrevo.

lola aronovich disse...

Gente, pelamor! Não sei em que mundo vcs vivem pra achar que vai ter um monte de homem colocando saia pra entar em banheiro feminino (ou cadeia feminina!) e estuprar. Ahn, eles não precisam fazer isso! Eles já estupram sendo homens cis mesmo. Homem cis não vai se vestir de mulher pra cometer crime, porque fere o ego dele. De vez em quando aparece alguma radfem pra mostrar uma exceção. Tipo, aconteceu na China um dia desses: um homem cis se vestiu de mulher pra poder filmar alguma mulher no banheiro. Ok? UMA VEZ NA CHINA! Não é exatamente um padrão, é? E, detalhe: não era uma mulher trans (dessas que ainda têm pênis pra estuprar!), era um homem cis. Vou comparar com raça: reaças dizem que todo branco vai se passar por negro pra conseguir entrar no sistema de cotas das universidades. Mas isso não acontece. E olha que pra isso não precisa usar blackface. Basta se autoidentificar! E mesmo assim não acontece. Então vcs realmente acham que um homem cis (ainda mais um homem cis estuprador, misógino, criminoso) vai se vestir de mulher pra poder cometer crimes que ele já pode cometer se vestindo como homem cis? Em que mundo?
Boa, anon das 22:18! Um homem cis já pode se vestir de mulher e ir num banheiro feminino!


Panthro, adorei seu comentário. Mas e aí, vc fez a cirurgia? Parou de doer? Dá pra andar bem agora?

Anônimo disse...

Homem vindo nos ensinar o que é ser mulher, ofendendo várias feministas que estão aqui, desmerecendo nossas formas de pensar, debochando.
Será que ninguém enxerga nem um pouquinho de machismo ou arrogância nisso? (Vai ver que até apontar isso agora é transfobia).
Se a Lola concorda e o espaço é dela quem sou eu pra criticar...
Sorte pra quem fica.

Panthro disse...

O estuprador não precisa colocar a peruca pra entrar no banheiro feminino e estuprar. Não existe nenhuma tranca, gente.

lica disse...

Neste ponto em específico, concordo com as reds....

Panthro disse...

Fiz e parou de doer, mas eu quis morrer durante a recuperação. Tomava oxicodona (o remédio do House) e não só conseguia fazer parar de doer por três horas, era o que dava pra dormir. Foi muito tenso. E eu perdi a sensibilidade dum pedaço da pele e ficaram umas cicatrizes bem grandes, mas agora eu consigo até fazer ginástica.

Não faço ginástica. Mas agora é falta de vergonha na cara mesmo.

Ilka disse...

Panthro, adorei essa sua observação, o cara que quiser entrar em um banheiro e estuprar uma mulher vai fazer isso hoje, ele não precisa se disfarçar para entrar lá. Recentemente houve um caso assim, os meninos que estupraram a garota no banheiro não se disfarçaram de mulheres, por isso não entendo essa obsessão como se fosse um passe livre para o estupro.

Panthro disse...

Arrogância - Checked. Machismo? Bom, aí complica, acho que eu não sou a melhor pessoa pra dizer se eu sou machista ou não, porque né? Não vou ser eu a vítima e a "quem bate esquece quem apanha" como diria o Rappa. Então se eu fui machista, eu só peço que aponte pra mim onde, pra eu poder me corrigir. Eu não gosto da idéia de ser machista embora mesmo a minha criação tendo sido o melhor que a minha mãe pôde me dar, pode ter sobrado um ruído. Mas dizer simplesmente "machista" não me ajuda em nada. Se disser: "Olha, isso aqui que você falou não foi legal, porque generaliza e desmerece as mulheres", eu prometo que não faço mais. Mas não posso lhe dizer que sou um anjo de candura e que sempre vou me portar da forma que eu gostaria de ser. Mas posso te dizer que me esforço para.

Raven Deschain disse...

Radscum: Não. Vc não manda em mim.

E por favor, controle-se. Porta da rua é cortesia da casa e tal.. .


Parem, só parem com essa cretinice, babaquice, FILHADAPUTICE de exigir opinião ou explicação dos outros. Tomem nos seus cus.

Raven Deschain disse...

Eu vi arrogância sim.

E sendo uma pessoa tão ou mais arrogante achei ótimo, ué.

Gente não arrogante abaixa a cabeça demais.

Panthro disse...

Essas aspas são de onde? Bebesse? Eu não pago grau (essa gíria é de onde, não conhecia) de ter passado em concurso, filho. Até porque passei por pura sorte. Uma questão que eu acertasse a mais ou a menos e eu não estava dentro, porque se acertasse uma mais tinha sido chamado na primeira lista e ainda não estava formado e uma a menos estava fora da lista de espera.

Eu gosto muito do meu trabalho na Petrobrás porque é bem técnico, embora não seja química (01SDD - Hoje é dia do químico, me dêem parabéns!). Mas é trabalho. É um negócio que eu me forço a fazer pra conseguir comprar comida e bens materiais. É só isso, uma prostituiçãozinha porque eu não nasci com posses e tudo o que tenho pra gerar o meu sustento é meu corpo e minha mente. Não julgo as pessoas por salário, carreira ou essas coisas. Sou riponga assim.

Anônimo disse...

Por que esse ódio pela Radscum? Não sei se eu perdi algo, mas ela sempre parece educada. É só por discordar de vocês que estão mandando ela embora? Até aquele Thomas lixo vocês passam a mão na cabeça... Ela é feminista ainda, apesar de radical... Pensei que todo feminismo era válido, agora até semimascu vale mais?

lica disse...

Mas é bem chato essa redscum chamando tudo e todos de pós moderno... e o tal do feminismo colonizado ZzZz

Panthro disse...

Epa, já sei quem é o hacker! É o Eric, não é? Pô, Eric, inveja é foda, né?

Explico, gente: Tá ligado aquele cara que foi preso em Brasília por ter ameaçado explodir a UnB? Pois então, a carência me seguia na época do Orkut ainda! E eu me preocupava com ele de verdade, porque ele não é feliz. Ponto. Ele tem vários problemas que eu prefiro não comentar porque são privados dele, mas ao invés de ir resolver os problemas dele e tornar a vida dele melhor, ele prefere ficar na internet xingando os outros.

Pois bem, Eric, me formei, estou namorando com o Fabiano, que eu conheci no Orkut, já tem dez anos, estou com um emprego bem razoável (embora não seja química :^( ) e termino de pagar minha casa esse ano. Operei meu pé estou com uma saúde bem melhor. Claro, ainda tenho diversos problemas, mas se você pensar na minha vida na época do Orkut é uma puta evolução.

E você, o que tem feito com todo o seu ódio?

rdiniz disse...

Gente, eu tenho outra dúvida: como fica a questão da homossexualidade nessa história toda? O que é ser homossexual no meio dessa discussão sobre transexualidade? Lembro de algum texto da Lola que ela fala rapidamente sobre um tal de "cottom ceiling", que pesquisando com pressa agora pode ser definido como o termo que "trans women are using to challenge cis lesbians’ tendency to support trans causes generally but draw the line at sleeping with trans women or including trans lesbians in their sexual communities." Nesse sentido, quando dizemos que homossexuais sentem atração pelo sexo oposto, o que isso quer dizer?? É transfobia uma lésbica não se interessar por uma mulher trans que não passou pela cirurgia de readequação de sexo pelo fato dela ter um pênis?

Anônimo disse...

Bom, vou tentar retomar a discussão argumentativa depois da zoeira dos banheiros.

Bom, nós vivemos em uma sociedade onde existe gênero, certo?
Então, não é mais do que esperado que em uma sociedade de gênero onde os indivíduos começam a ganhar autonomia e liberdade aconteça a transsexualidade?

Agora, por que um(a) transsexual é mais ameaçador na luta contra o fim desse modelo social do que uma pessoa cisgênera que se adequa ao seu papel de gênero designado no nascimento? Uma pessoa trans não é uma arma de luta justamente por desafiar a normatividade desse sistema?

E ainda, voltando um argumento da Rê Bordosa, nesse contexto pessoas trans são um efeito da sociedade de gênero, não causa. Por que lutar contra elas? Por que desconsiderar a verdade da existência dessas pessoas dentro de um contexto histórico-cultural? É só pra purificar o movimento dentro de uma teoria hermética e esterilizada?

Obs.: Eu sei que talvez esse texto possa parecer distante no tratamento das pessoas trans, me desculpem caso alguém se sinta incomodado, mas o objetivo não foi falar sobre experiências (o que é necessário), mas talvez teorizar à distância mesmo.

Anônimo disse...

Advogar pela expulsão de mulheres trans* dos banheiros femininos baseando-se na argumentação da “presença do ainda não realizado” estupro é incorrer em um posicionamento transfóbico.

http://transfeminismo.com/o-banheiro-e-a-ideologia/


Panthro disse...

Então, como homossexualidade é rara e transexualidade também, é difícil encontrar os dois juntos na mesma pessoa. Mas tem. Eu tenho uma amiga que é lésbica AND trans. São coisas independentes, porque uma é como você se sente e outra é por quem você se atrai. Ela se sente mulher e se sente atraída por mulheres. Ela não é operada porque também tem medo de cirurgia, mas isso não significa que role sexo com pênis. Rola sexo lésbico mesmo. Pênis ali tá só de enfeite. E ela conheceu uma mulher que é lésbica e não liga pra genitais, as duas se amam e estão juntas há muitos anos. Mas tem que se dizer que ela deu sorte. Se meu namorado perdesse o pênis (ou um braço) eu continuaria com ele. Mas não posso dizer que de cara ficaria com alguém sem um pênis (ou um braço). Quero acreditar que sim, que sou super-evoluído e não ligo pro físico, mas sei que no mundo real nem sempre eu me comporto como eu gostaria de me comportar. E conheço muita gente que frente a uma situação complicada, como um acidente que deixa a pessoa com sequelas, acabou pulando fora.

Mas olha que coisa: Ninguém está dizendo que você tem a obrigação de se sentir atraído por todo mundo. Mas que você não fique dizendo que fulana é menos lésbica (O que é engraçado, quer dizer, todo mundo discriminando as lésbicas e o povo dando carteirinha de lésbica!) só porque ela casou com uma mulher com pênis.

lola aronovich disse...

Que Eric, Panthro? Esse cara deixando comentários dizendo que esteve preso é o nojento do mascu sancto Marcelo Valle. Ele deixou uns 10 comentários em poucos minutos, todos deletados rapidinho, deve estar carente. É que o fórum misógino dele anda às moscas, então ele vem aqui trollar. Fora que ele não pode me ver conversando com um homem que fica com ciúmes. Por isso que ele sempre ameaça o maridão também! Mas não vamos desvirtuar os comentários falando de podres como o Marcelo.


Rdiniz, acho que definir homossexual é mais fácil que definir mulher (ou homem): é uma pessoa que sente atração por uma pessoa "do mesmo sexo". Orientação sexual é diferente de gênero. Uma mulher trans que gostar de mulher é lésbica, se gosta de homem, é hétero. Um homem trans que gosta de mulher é hétero, se gosta de homem, é gay. Se gosta dos "dois", é bi. Mas claro que tem homem que transa com homem e não se define como gay. Tem gente que só está experimentando. Aliás, li um texto da Badinter que citava uma pesquisa incrível: na França, uma década atrás, havia mais homens hétero que haviam sido penetrados no sexo anal (30%) que mulheres (24%). E essas pesquisas aparecem em vários países... Kinsey já dizia isso, não?

Panthro disse...

E não comeu, né, Eric. Poderia ter comido, poderia ter namorado, poderia ter ficado amigo, porque a Elenita é super gente boa. Mas como você escolheu ser babaca, perdeu essa oportunidade também. Você já parou pra pensar em quantas oportunidades já perdeu por conta de ter escolhido essa vida merda que você escolheu? Em quanta gente bacana tem repugnância por você simplesmente por você ser escroto? Vai deixar pra se arrepender quando estiver no seu leito de morte? Ou vai começar a viver enquanto ainda pode?

Se te ajuda, eu tenho um amigo do trabalho que era mascu. Mas um dia ele percebeu que isso era uma infantilidade tremenda e que ele estava colocando a culpa nos outros por a vida dele ser uma bosta quando na verdade a vida dele era uma bosta porque ele era um babaca com quem ninguém queria conviver. Então ele passou a considerar pessoas como seres humanos e tá aí feliz com mulher, trabalho, filhos e nenhuma passagem pela polícia. Ele está levando a vida que sempre quis. E tudo que ele precisou fazer foi começar a entender que as pessoas são pessoas com vontade própria e sentimentos próprios e não estereótipos.

Mas ter medo de mulher é foda, né? Fica na sua casa aí com seus amiguinhos de internet que tá dando super certo.

Anônimo disse...

Ué, cadê a sororidade com a Radscum???

Anônimo disse...

Saudades dos tempos em que ser mulher era ter vagina e útero...

Panthro disse...

Esse próprio. Ele é carente mesmo. Eu chamo ele de Eric porque ele usava um avatar do Eric Cartman e eu achei super adequado, porque né? Escroto, infantil e só se fode.

Quando eu digo que eu tenho pena dele, é verdade. Ele está destruindo a vida dele e tentando levar a dos outros junto. Na época do Orkut ele entrava na Homofobia Já Era pra trolar e saía postando scraps depois no perfil das pessoas. Ele foi muito bullyado a vida inteira e isso aí é o jeito dele chamar atenção, estilo criança. É foda, porque ele é um homem adulto já, mas tem um desenvolvimento emocional prejudicado. Eu não me irrito com ele porque é parte da fantasia de poder dele esse negócio de incomodar. Você não viu que ele ficou jogando verde pra ver se eu lembrava dele? Claro que eu lembro, foi uma das pessoas mais tristes que eu já conheci. Quando vi a notícia no jornal que ele tinha planejado um atentado(!) fiquei pensando até onde pode se afundar uma pessoa. É muito horrível isso. É tipo gente que foi morar na rua por vício, sabe? Eu tenho pena. O que não quer dizer que eu vá levar pra casa, Rachel Sheherazade!

rdiniz disse...

Sim, concordo com tudo o que vcs disseram, mas essa não é minha dúvida. Uma lésbica se recusar a se relacionar com uma mulher trans porque ela tem pênis é transfobia? É que parece que tem gente que pensa assim, tanto é que existe um termo específico para este tipo de discriminação.

Anônimo disse...

Como é q rola sexo lésbico com um homem e uma mulher? Kkkk. E o pênis está de enfeite? N há ereção? Sexo lesbico envolve vaginas Kkkk doidera demais.
Já q falam tanto q homem entra fácil no nosso banheiro , pq elas querem tanto entrar lá alegando segurança?
Mente de criminosos n funciona como a nossa, já vida homem se vestindo de mulher pra fugir da policia.

radscum disse...

Você é uma neonazista autoritária! Publica meus comentários libfem misógina, quem não deve não teme!

Panthro disse...

Não. Do mesmo jeito que um gay não se relacionar com uma mulher não é machismo. Atração sexual é uma coisa bem incontrolável. Mas amizade, companheirismo e respeito não existe desculpa. A menos que a pessoa seja babaca, aí não é preconceito também. :^D

lola aronovich disse...

Panthro, é que Eric é tipo um ídolo do Marcelo, sabia? Um tal de Eric foi preso na Irlanda, se não me engano, um pouco depois do Marcelo e Emerson terem sido presos. Ele era procurado pela interpol, fbi e tudo. Parece que era o maior distribuidor de pedofilia no mundo. Como o pai do cara era brasileiro, Marcelo fantasiou que Eric não só falava e escrevia português fluente, como também era um aliado dele, o Ministro Claudio (que até hoje é um mistério, ninguém sabe quem foi o asqueroso). Enfim, não tenho pena do Marcelo não. 30 anos nas costas, 700 mil reais no banco, e continua ameaçando, espalhando todo tipo de ódio, e culpando todo mundo pela sua própria miséria. Esse não tem conserto não. Mas vamos parar de falar nele.


Gente, 11 e meia da noite! Preciso trabalhar! E o meu artigo? É pra amanhã!

lola aronovich disse...

Sororidade com a Radscum, que só vem aqui pra insultar e falar besteira? Desculpe, não tenho. Até acho útil quando ela coloca algum link pro pensamento de alguma radfem importante (tipo, com nome e publicações), quer dizer, quando tem conexão com o post. Mas ela não consegue fazer isso sem falar piroco, hipócrita, defeituoso, e mil outras coisas. Não a quero aqui. Parece que já tem bastante lugar na internet onde radfems podem ser transfóbicas e babacas à vontade.


Rdniz, isso de cotton ceiling é mais uma briguinha entre radfems e transfems. É ridículo, lógico. Eu não concordo que uma lésbica não querer se relacionar sexualmente com uma mulher com pênis seja transfobia, mas algumas ativistas trans nos EUA inventaram que era. Claro que nosso gosto pessoal é construído, mas ué, ele existe. E posso entender numa boa que muita lésbica não goste de pênis.

Anônimo disse...

rdiniz, essa questão pode ter mais de uma resposta, mas eu acredito não, principalmente porque "orientação sexual" está diretamente ligada com sexo, que por sua vez costuma envolver genitais. Logo, fica realmente complicado fazer sexo com alguém cujos genitais nós não gostaríamos de interagir. Seria legal se as pessoas fossem abertas quanto a isso, mas ninguém é obrigado a nada nem deve ser acusado de nada por não querer.

Panthro disse...

Agora uma coisa que eu sempre penso: E amor? Não sei se é só comigo, mas eu já me apaixonei por pessoas de ambos os sexos, dos mais variados tipos físicos. A primeira vez que eu me apaixonei por uma menina eu fiquei pensando: "eita, que porra é essa?" Mas depois vi que embora eu sentisse paixão, não tinha nenhuma vontade de sexo. Dependendo do caso, acho que até valeria a pena ficar com alguém que eu gostasse muito mesmo o sexo sendo uma bosta. Uma amiga minha disse que era hetero mas que tinha namorado uma menina por conta disso. Ela era completamente apaixonada e achou que daria pra compensar. Deu, mas só por um tempo. Conheço gays que foram casados com mulheres que falam a mesma coisa. Imagino que o mesmo tenha acontecido com lésbicas que eram casadas com homens que amavam, mas que não sentiam tesão.

Agora se você acha que não é capaz de amar uma pessoa porque ela é de uma certa raça, porque tem um pênis ou como uns pais adotivos que devolveram a criança pro orfanato, porque ela é feia, aí tem problema.

lola aronovich disse...

Ha ha, eu aqui, bloqueando comentários de mascu sancto e da Radscum ao mesmo tempo! Isso enquanto a radscum diz que aqui só tem liberdade pra mascu e libfem! Depois eu digo que eles são parecidos e o pessoal reclama...


Mas chega de papo da minha parte. O artigo não vai se escrever sozinho!

Anônimo disse...

rdiniz, eu acredito que não, principalmente porque "orientação sexual" está diretamente ligada com sexo, que por sua vez costuma envolver genitais. Logo, fica realmente complicado fazer sexo com alguém cujos genitais nós não gostaríamos de interagir. Seria legal se as pessoas fossem abertas quanto a isso, mas ninguém é obrigado a nada nem deve ser acusado de nada por não querer.

Panthro disse...

Mas aí é que está, Lola. Não conheço essa Radscum, mas vai saber o que ela já passou na vida que deixou ela assim? As pessoas andam meio expondo suas chagas na cara sem nem ter muita consciência disso. Pra ela ter generalizado todos os homens dessa forma, não deve ter tido muitos exemplos masculinos positivos na vida. Isso deixa marcas.

Uma amiga minha, por exemplo. A irmã dela foi estuprada pelo próprio padastro quando ela tinha 12 anos de idade. E ela não falou pra ninguém. Só foram descobrir porque já com mais de 20 ela não conseguia transar com o namorado, que despertava o trauma. Ela falou pro namorado que contou pra mãe dela, que expulsou o padrasto de casa. Mas durante todo esse tempo ela carregou isso com ela. Se tornou uma pessoa calada e desconfiada. Eu acho que a gente tem que procurar entender mesmo quando as pessoas são violentas. Chamar a atenção, mostrar que isso não é positivo e que não vai trazer nada de bom pra vida dela esse tipo de segregação. Mas entender que ela provavelmente tem razões na história de vida dela que justifiquem esse comportamento.

Mas eu sou super riporonga, né? Aliás, por isso que eu gosto daqui, te acho riporonga pra cacete também :^D

Panthro disse...

Sei lá, pra mim sexo envolve corpo, não necessariamente genitais. Mas é questão de definição. Segundo o Clinton, se não tem penetração não é sexo, ou seja, lésbicas não transam. Tem um monte de gay que não curte penetração também. Eu acho que cada um tem que explorar o seu corpo e o do parceiro e determinar o que vale como sexo. Receita oral-anal-vaginal é só pra pornô sem criatividade.

Anônimo disse...

Panthro, obrigada por trazer um pouco de racionalidade ao debate. Seu comentário das 21:05 deveria ser lido com muita atenção por todos.

Maria

Ilka disse...

Isso mesmo Lola, o KInsey falava da fluidez da sexualidade, que é algo fascinante, segundo as pesquisas dele haveria um espectro que iria de totalmente heterossexual a totalmente homossexual, nesse intervalo há espaço para muitas variações e preferências, mas por imposições sociais a maior parte das pessoas tende a se encaixar como homo/heterossexual. Assim, uma pessoa pode ser predominantemente homossexual mas ter atração por pessoas do outro sexo, sem necessariamente ser heterossexual, algo como diversos graus de bissexualidade. Na época da pesquisa ele verificou esse desejo em muitos homens e mulheres, porém, era algo que as pessoas sufocavam dentro de si, bem, acho que ainda hoje isso ocorre, tenho uma amiga lésbica que se relacionou com um homem por um tempo, ela simplesmente se apaixonou, ela dizia que o sexo não era exatamente bom, só que isso deu um nó na cabeça dela porque havia essa identificacao como lésbica e ao mesmo tempo uma paixão por um homem.

Camila D disse...

Eu não te odeio :) gostei muito dos teus comentários, pois adoro neurociência. Algum dia hei de me especializar nessa área :D

Camila D disse...

Fiquei sabendo do caso da Jenner por esse texto, e pesquisando mais sobre isso, encontrei esse link muito interessante que gostaria de compartilhar com vocês. Porque ele me lembrou de um comentário há algum tempo aqui no blog que se referia a perguntar para crianças o que elas acham sobre ser mulher, ser homem, trans, essas coisas, como se isso fosse provar alguma coisa. Bom, não que eu ingenuamente imagine que todas as crianças do mundo pensam da mesma forma, mas acredito que essas aqui tiveram uma educação baseada em respeito ao próximo, e são pessoinhas muito maduras. Tá em inglês, mas quem não entende, ao menos observe a linguagem corporal, que já diz muito por si só :)
Abraço!


http://www.buzzfeed.com/javiermoreno/this-is-how-kids-reacted-to-photos-of-caitlyn-jenner#.beB0PydDp

Ana disse...

Agora se você acha que não é capaz de amar uma pessoa porque ela é de uma certa raça, porque tem um pênis ou como uns pais adotivos que devolveram a criança pro orfanato, porque ela é feia, aí tem problema.

Tirando o pênis, tá tudo certo, mas eu n sabia q a todo mundo era obrigado a ser bi, é questão de atração, eu sou hétero, n sinto atração alguma por mulher, então vou ficar com uma pq???? Qual é o problema??
Gosto de mulheres mas na amizade.

Anônimo disse...

Textão, textão everywhere. E 90% nem vai ler, e 99% não vai mudar de ideia. O orgulho é mais. Fica a dica: seje menas humanas migas. Humildade faz bem pra vida

Anônimo disse...

Adorei esse comentário:

Bom, nós vivemos em uma sociedade onde existe gênero, certo?
Então, não é mais do que esperado que em uma sociedade de gênero onde os indivíduos começam a ganhar autonomia e liberdade aconteça a transsexualidade?
Agora, por que um(a) transsexual é mais ameaçador na luta contra o fim desse modelo social do que uma pessoa cisgênera que se adequa ao seu papel de gênero designado no nascimento? Uma pessoa trans não é uma arma de luta justamente por desafiar a normatividade desse sistema?
E ainda, voltando um argumento da Rê Bordosa, nesse contexto pessoas trans são um efeito da sociedade de gênero, não causa. Por que lutar contra elas? Por que desconsiderar a verdade da existência dessas pessoas dentro de um contexto histórico-cultural? É só pra purificar o movimento dentro de uma teoria hermética e esterilizada?

Jackeline disse...

Não li os outros comentários ainda, mas sobre essa coisa de pessoas transsexuais que se identificam com comportamentos estereotipados de gênero, será também que até certo ponto isso não é uma questão de adaptação ou até mesmo segurança pra elxs? Tem um termo em inglês "cis passing", que é quando, por exemplo, uma mulher trans tem uma aparência que consegue se passar por cis. Eu já li algumas discussões sobre isso, sobre até que ponto isso é desejável, se não é mais saudável na comunidade trans trabalhar a auto estima e aceitação do corpo, ao invés de tentar atingir um ideal cissexista.
Ao que parece, esse sentimento de gênero deve ser algo bem mais elusivo, algo mais que tenha a ver com a subjetividade da pessoa, ao invés de se resumir no corpo e roupas, até porque existem sim muitas pessoas transsexuais que não se identificam com esses estereótipos.

Seria ótimo se alguém trans quisesse escrever um guest post!

Carol F. disse...

Eu vi que algumas pessoas aqui acham a mesma coisa que eu, que as roupas, cabelos e comportamentos estereotipados dos/as trans são para que não haja dúvida de como eles querem ser lidos. Se uma mulher cis tem cabelo curto e anda com roupas masculinas, assim assim ela será lida como mulher, mas uma mulher trans pode ser lida como homem, e o cabelão, vestido, maquiagem etc ajudariam a evitar isso.
Outro dia estava vendo Orange is the New Black e falaram sobre isso, uma das detentas que estava arrumando o cabelo com a cabeleireira transexual Sophia disse que ela era arrumada demais, que se ela quisesse ser mulher de verdade cortava o cabelo e arrumava umas olheiras. E a Sophia disse que passou tempo demais como homem, e agora queria andar sempre arrumada e "feminina", ou algo assim.

Panthro disse...

Pois é, Ana, eu falei de amor, não de sexo. Atração sexual é uma coisa, amor é outra. Por isso que eu disse que se você não é capaz de amar alguém que pertence a uma classe é um problema. É sinal de que você não consegue ir além da classe e enxergar uma pessoa. Amar é pra todo mundo. Sexo é só pra quem dá liga.

Sofia disse...

no meu pensamento uma mulher trans nunca será uma mulher, apenas um homem com o bilau cortado. assim como um homem trans será só uma mulher. isso é o eu penso na minha cabeça em silencio, não faço protesto anti gays e anti homossexuais. convivo muito bem com gays e iria conviver de boa com uma pessoa trans. espero ter sido clara, dona lola.

a lola tem essa mania escrota de atacar todo mundo que discorda dela como "opressor mascu capitalista" "branco(a)s hetero não podem falar nada" "homem não pode falar nada" "gente cis não pode falar nada" e blá blá blá. atacar o oponente é a forma mais velha de falácia que existe.

vocês exageram as vezes nesse negocio de igualdade de generos (que existem SIM pois o humano não se reproduz por bipartição), daqui a pouco só falta obrigar todo mundo a andar pelado (afinal roupas oprimem), obrigar gente branca de olho e cabelo claro a se bronzear, tingir o cabelo e usar lentes escuras (afinal a existência delas ofendem os oprimidos) cruz credo!!!!!!!

Daniel disse...

Li o artigo todo. Não me convenceu. Continuo achando que a Rachel Dolezal tem o direito de se considerar negra, se vê a si própria desse jeito.

Anônimo disse...

Às vezes tenho a impressão que com o fim dos padrões de gênero, a luta contra a transfobia tende a se tornar desnecessária. Até porque eu acredito que a pessoa trans se identifique com um padrão de gênero que "não pertence" ao sexo do corpo ao qual ela se sente presa.

Afinal, o que define uma mulher ou um homem mesmo?

radscum disse...

Oi Lola. Primeiro lugar de tudo gostaria de me desculpar, eu fiquei bem irritada com esse teu artigo aqui e acabei extrapolando um pouco. Eu não devia ter te chamado de misógina e você não precisava ter trancado a caixa de comentários e apagado todos os comments em que tentei me explicar. Francamente, lembrei até do Bolsonaro gritando com a repórter: "Tá censurada!"

Vamos lá, vou tentar colocar minha opinião a respeito do texto e tentar não perder a paciência quando for explicar pq que você foi extremamente injusta com as mulheres a escrever esse post.

Primeiro, em "por que a sociedade aceita (aceita mesmo? Sério? Jura?)" você sabe muito bem que estávamos falando não exatamente da sociedade, mas das pessoas de grupos de causa de minorias etc. São essas as vantagens. O fato de não haver muitas pessoas brancas que se identificam como negras não devia ser justificativa, pois já que essas pessoas basicamente não existem, no meu ponto de vista seria ainda mais fácil aceitá-las. A propósito, trans são bem menos de 1% da população se não estou enganada. Vamos lá, quando você fala dos eufemismos no Brasil: (pardo, mulato, moreno), mulato é sem dúvida um termo politicamente incorreto que deve ser abolido, o que não é o caso de "moreno" e "pardo", justamente por sermos um país extremamente miscigenado. Pra mim, pardo é filho de negro com branco ou alguém "misturado" (que possui características de negros e de brancos ao mesmo tempo) um exemplo a Camila Pitanga, a Marina Silva. Mas isso é subjetivo, algumas pessoas vão ver a Marina como negra, outros vão ver a Camila como branca (eu mesma só passei a vê-la como parda quando descobri num programa de tv que ela era filha de negro, antes eu a via apenas como morena, mesmo.) Já vi negros dizendo que a Thais Araujo só é amada aqui no Brasil pq tem traços brancos, o que discordo e acho hipocrisia do movimento negro (mais pra frente vou entrar em detalhes sobre isso), mas pra mim Thaís Araújo é negra e pronto, ela é adorada por sua simpatia e beleza. Morenos nada mais são do que brancos de pele escura, exemplos: Sonia Braga, Luiza Brunet, Edu Moscovis, Marcos Pasquim, Kim Kardashian, Dira Paes, Juliana Paes, Humberto Martins. Não acho que nenhum deles tem o direito de ocupar vagas para negros em universidades. Na Espanha, no Sul da Itália e partes do Oriente Medio essa cor de pele é maioria.
Num país miscigenado como o Brasil, essas pessoas não sofrem preconceito. Eu como branca fico sem-graça de dar minha opinião a respeito desse assunto, mas minha opinião existe: acho um PORRE membros do movimento negro que num país miscigenado como o Brasil falam que "pardo" é envelope e que mesmo morenos não existem. Embora eu ache chato chamar negro de moreno, morenos existem, como falei são brancos de pele escura e/ou morenos de sol, assim como pardo, alguém mais ou menos 50% branco e 50% negro, existem. Meu lado socialista e anti-EUA grita toda vez que vejo negros importando essa visão norte-americana racista de que mesmo brancos são negros se eles tiverem parentescos negros ou índios. Peloamor, nosso país é miscigenado, o que decide raça no Brasil é fenótipo e olhe lá. Por essa visão 'americana' quase 100% dos brasileiros seriam negros e você Lola, sabe muito bem que essa estória de que pardo e moreno não existem é tudo balela, né? Pois qualquer pessoa que eles julgarem ñ ser negra o bastante e se envolver com o movimento negro vai logo ser hostilizadx e ser acusadx de querer roubar protagonismo da luta ou de ser um racista impostor querendo benefícios. Você sabe disso melhor do que eu. Pq se não existe pardo, se não existe moreno e você não é lida nem como negra nem como branca, você e pessoas como você são o quê? Há um nome? Concordo totalmente com teu post "Mais ou menos branca" a respeito deste assunto.

radscum disse...

(parte 2)

Eu realmente acho que mulheres negras mereçam tratamento diferenciado no feminismo, pois a opressão delas é dupla e as vezes tripla, só que eu não acho que mulheres brancas sejam opressoras de homens negros. Eu não acho que minha ex vizinha branca que apanhava do marido negro era a opressora dele, mas o contrário. Eu não acho que eu enquanto mulher branca sou opressora do Obama, embora eu estivesse sendo racista caso falasse: "Deus me livre de um presidente negro!", assim como acho possível, sei lá, que alguém como a M. Thatcher pudesse oprimi-lo. Mas só um grupo bem pequeno de mulheres privilegiadas são de fato opressoras. Acho que isso é não levar a opressão que a mulher sofre a sério e julgar que qualquer outra causa é mais importante e de mais urgência que a nossa. Não muito diferente dos reaças que dizem que não existe machismo ou que se existe é muito pouco e NOT ALL MEN são machistas.
Voltando a Rachel Dolezal e os problemas do teu texto, você está enganada quando fala que "disforia de gênero" existe só por ser documentado e que disforia de raça, não, só pq não é documentado se esquecendo que é possível ser "documentado" a qualquer momento. Na minha opinião, nenhuma das duas "disforias" existem. Se existissem, todas as mulheres feministas teriam "disforia de gênero" assim como todo negro teria "disforia de raça". É conservador, racista, homofóbico. O cirurgia de troca de sexo foi inventada por um médico homofóbico como forma de cura gay.
Se você viu as entrevistas da Rachel, você percebeu que as coisas que ela fala são extremamente similares ao que trans ativistas falam. Pós-modernidade e academicismo puro, ela fala de "construção social" e que se identifica como negra. Não muito diferente de trans que se identificam como mulher. Embora sabemos que biologicamente ela é branca e trans são machos.
Outra coisa, tanto o movimento LGBT quanto o movimento feminista hoje em dia fazem tudo exatamente ao contrário do que pregava o movimento feminista e o movimento gay da década de 60 e 70. Ser gay é sim uma escolha e não uma condição (ou doença) que nasce com a pessoa. Adrienne Rich foi se descobrir lésbica depois dos 40, depois que ela já tinha casado, já tinha tido filhos. Quantos homens gays que viveram uma vida inteira como heterossexuais e que tiveram filhos você conhece? Depois de Kinsey, bissexualidade basicamente não existe mais. Nós já nascemos "bissexuais" e construímos nossa sexualidade baseada no que achamos melhor desde a infância. Eu passei minha vida inteira odiando açaí, hoje em dia eu amo. Dizer que homossexualidade é uma condição é um tiro no pé. O correto não é dizer "I was born this way", mas "I can't help it!" Julie Bindel como lésbica fala melhor sobre isso nesse video: www.youtube.com/watch?v=PDKwYbV1jQs

radscum disse...

(parte 3)

Um absurdo esse artigo que diz ser um insulto comparar Dolezal e Jenner.
'Não estou fazendo isso para ser interessante. Estou fazendo isso para viver', disse ela à revista Vanity Fair. [Rachel] Dozehal não está tentando sobreviver. Ela está meramente dando-se ao luxo à fantasia de ser 'outro'.

Doeu. É totalmente o contrário. “De acordo com seus pais, Rachel Dolezal nasceu uma mulher branca. Se isso é verdade, ela sempre será uma mulher branca, e portanto nunca viverá a experiência de uma americana negra. Caitlyn Jenner, por outro lado, sempre foi uma mulher. Resumindo: Rachel tem fingido ser negra durante anos -– Caitlyn não está fingindo ser uma mulher porque ela sempre foi uma”.

Jenner não foi sempre uma mulher, vemos isso nesta foto de 1976 do sucrilhos, assim como Rachel não foi sempre uma negra. Ambos estão vivendo uma mentira e é o Jenner que nunca viveu nem viverá a experiência de ser uma mulher, pois embora seja polêmico o que vou dizer, Rachel não tem a experiência de ter nascido negra como todos os outros negros, mas tem a experiência de opressão durante esses anos em que foi lida (e passou) como negra. Veja bem, transexuais nunca nunca nunca vão passar como mulher. Mesmo feministas liberais sabem que eles são homens, embora não digam.
Mesmo que transexuais passem como mulher (o que é raríssimo) ele nunca vai sofrer a opressão completa do que é ser mulher, da mesma forma que Rachel não sofreu a opressão "completa" de ser negra desde o nascimento. Transexuais são sim oprimidos e violentados, mas não por serem mulheres e sim serem transexuais. Por essas e outras que não me incomodo que eles tenham seu próprio movimento e se identifiquem como quiserem, mas lutem por seu próprio banheiro, própria cela até em respeito a transexuais "não binários" que não querem se identificar nem como mulher nem como homem. É completamente diferente de querer o protagonismo do feminismo e invadir espaços exclusivamente femininos com a desculpa de "cabeça feminina" quando na verdade não existe nem uma cabeça feminina nem uma cabeça masculina. O cérebro é um órgão sem sexo, seria o mesmo que falar de pulmões femininos, corações masculinos. A segregação dos sexos é apenas biológica, alguns homens podem se portar melhor que mulheres legítimas e mulheres legítimas podem ser mais masculinas que muito macho.

(cont.)

radscum disse...

(parte 4)

Essas trans, inclusive essa transexual negra do fundo verde que vc postou screencap é pura projeção. Elas falam da Rachel usando coisas que elas mesmas fazem com as mulheres e usando argumentos até parecidos com os que usamos quando nós, feministas radicais nos referimos as trans. Acho que tanto você quanto essa gente estão sendo terrivelmente desonestos e misóginos com a Rachel. E veja bem, não estou dizendo que o que ela fez foi certo, mas nem uma coisa nem outra né?! Nem ela nem Jenner estão certos. Me responde uma coisa, Lola, pq é que um macho branco heterossexual pode invadir um evento feminista com a desculpa de que é mulher, lésbica E NEGRA pode, mas uma mulher como Rachel que foi lida como negra durante esses anos todos, sofreu agressões, ameaças e racismo sendo lida como negra (e pior) sendo mulher é um monstro? Se nos EUA mesmo brancos que são afrodescendentes são negros, não acho que seja muito grave o fato de ela ter ocupado vaga numa universidade para negros ou ter protagonizado a luta. Ela ajudou muito os negros e mesmo as pessoas de seu convívio não estão contra ela. Se os pais dela fossem tão bonzinhos, eles não teriam levado isso a público. Fico imaginando o que ela está passando como mulher.
Rachel não é exatamente uma blackface que pintou o rosto, ganhou dinheiro, chegou em casa lavou e voltou a ser branca. Ela foi lida e foi oprimida como negra, mesmo não sendo uma. Ela abriu mão de seus privilégios brancos, essa moça não é tão vilã quanto estão pintando. E mais uma vez, não acho que ela seja biologicamente negra nem que tenha a experiência do "suprassumo" da opressão e muito menos defendendo o direito de sei lá, um movimento "transracial" existir, mas também não defendo o transexualismo. Nem uma coisa nem outra, embora como anarquista eu defenda o direito dela de continuar usando o cabelo daquele jeito, da mesma forma que defendo transexuais fazerem o que quiser com seus corpos. Hipocrisia sem tamanho a Raven falar que a Rachel é uma cretina e como negra se sentir ofendida por ela, mas não por homens se vestindo de mulher. Vocês acham ruim quando falo que o feminismo de vocês é colonizado, dizem que sou fanática e mais não sei o quê, mas acho incrivel como vocês acham errado uma mulher branca se declarar negra, alguém se declarar índio e ir liderar a tribo, mas acham ok quando homens se declaram mulheres e negros mesmo quando são homens e brancos, como no caso daquele rapaz daqui do Brasil! Isso é inconscientemente a convicção errônea dos reaças e mascus que a luta das mulheres não é séria, que mulheres não são tão oprimidas e que infelizmente, vocês internalizaram. :(

(fim)

Anônimo disse...

Aplaudindo de pé aqui, Radscum.

L.

Paula Zambotti disse...

Excelente artigo Lola...
Http://www.paulazambotti.com.br

Fake disse...

"Eu como branca fico sem-graça de dar minha opinião[...]"

Não deveria nem ter começado.

Raven Deschain disse...

E lá vai ela falando de mim de novo.

Me esquece, caralho!!!!

lola aronovich disse...

Vc só foi chamada de hipócrita, Raven linda! Eu fui chamada de hipócrita e comparada a Bolsonaro!

Raven Deschain disse...

Essa guria é completamente doida, Lola.

radscum disse...

Anon 16:42

Delicie-me com um pouquinho mais de suas black macho tears. Vocês oprimem até as mulheres negras, pq não oprimiriam as outras, né...

E Lola, não comparei não. Eu me desculpe e tentei falar numa boa com você, mas por mais que tentemos ser racionais não adianta. Feminismo bom é só o seu, mesmo. Você é "radfóbica".

radscum disse...

Na boa, Lola, eu tô falando direito. Não sei pq vc insiste no ad hominem em vez de dialogar numa boa. Sempre que você não tem mais argumentos você começa a comparar feminista radical com mascu ou a fugir da discussão. Sério, não consigo mais ler vc comparando radical com mascu sem bocejar...

Anônimo disse...

Aff...moro nos EUA há 15 anos e sou considerada branca, e não não sou loira..até o wikipedia tá sabendo mais do que voces.
https://en.wikipedia.org/?title=White_Brazilian
Inclusive tem no censo a opção white hispanics,voces precisam parar de falar que não tem brancos no brasil ou que pros americanos brasileiro não é considerado branco só pra desbancar argumentos de pessoas racistas. Brasileiros muitas vezes são confundidos com espanhóis e espanhóis são considerados brancos, assim como italianos também..mesmo não tendo a pele branquissima. Eu sou BEM branca, cabelos e olhos castanhos, minha irmã eh menos branca do que eu e também é considerada branca.

Anônimo disse...

Porque os comentarios estão sumindo?

Anônimo disse...

Pena neh Escória, que eu sou mulher e negra né

morra

radscum disse...

Não duvido. Hipocrisia não tem sexo nem cor. Mulheres negras são oprimidas por homens DENTRO do movimento negro e acham que não existe opressão exclusivamente feminina? Semana passada uma prima disse ter visto uma mulher branca sendo espancada por um homem negro na porta de um bar e ninguém fez nada. Quer dizer que homens negros não podem ser opressores por serem negros oprimidos (a não ser que oprima vocês mesmas, claro) e homens gays não podem ser misóginos? Fofa, vocês enchem a boca pra falar que raça é hierarquia, mas parecem não entender que gênero também é uma hierarquia. O fato de um homem ser negro e oprimido não faz dele menos capaz de estuprar, agredir e oprimir mulheres brancas e principalmente negras! A luta contra o racismo deve ser de todos, para as feministas, especialmente o racismo contra a mulher negra, mas a luta dos homens (de qualquer cor ou orientação sexual) não é pra ser protagonizada no feminismo. Mimimimimi "feminismo radical racista"... mimimimi "por quais mulheres (e homens negros) o feminismo radical luta?" mimimimi e ozome? Teu backlash bate na minha Segunda Onda e volta em forma de feminismo radical.

Anônimo disse...

"Por não ser egoísta é que a força do feminismo se dissipou entre uma flotilha de outras preocupações - o movimento pela paz, o movimento verde, a liberação dos gays, a liberação dos negros, a antipornografia, os direitos dos animais..."

Germaine Greer - The Whole Woman, 1999.

Anônimo disse...

Radscum, sobre "Delicie-me com um pouquinho mais de suas black macho tears.", como você não é uma mulher negra, por favor, se abstenha de referêncas raciais ao criticar quem quer que seja por qualquer motivo que seja. Não acho que preciso te explicar o motivo.

Seu post lá em cima está cheio de "brancoesplicanismo", do tipo que a Lola adora. Vocês casaram bem nessa.

"discordo e acho hipocrisia do movimento negro"

Você, branca, acha isso? Azar o seu.

"acho um PORRE membros do movimento negro que num país miscigenado como o Brasil falam que "pardo" é envelope e que mesmo morenos não existem."

O movimento não existe para agradar pessoas brancas. Se você acha um porre, sequer lamento. Na verdade, sinal de que a coisa vai pelo caminho certo.

"Meu lado socialista e anti-EUA grita toda vez que vejo negros importando essa visão norte-americana racista de que mesmo brancos são negros se eles tiverem parentescos negros ou índios."

Você está bem perdida. Essa "one drop rule" não foi invenção do movimento negro e, no Brasil, essa noção não é relevante. Você está claramente palpitando aleatóriamente e não sabe como os negros têm se organizado. O colorismo no Brasil é brutal e os movimentos negros não tem como não saber disso. Na verdade, não tem como uma pessoa negra não saber disso. Você, como branca, natural que não saiba muito bem. E claro, ache que sabe, pois brancos sabem tudo, tem direito a tudo a seu aval para a questão negra é importantíssimo. SQN.

"qualquer pessoa que eles julgarem ñ ser negra o bastante e se envolver com o movimento negro vai logo ser hostilizadx e ser acusadx de querer roubar protagonismo da luta ou de ser um racista impostor querendo benefícios."

Pois é. Talvez saibamos ou vivenciemos coisas que você não. Mas é claro, não entra na sua cabeça que sua opinião de sinhazinha esclarecida não vale bosta nenhuma sobre esse assunto.

"Você sabe disso melhor do que eu."

Não, vocês não sabem. Tanto você quanto a Lola deveria dedicar um pouco mais de tempo a escutar o que pessoas negras têm a dizer.

"Concordo totalmente com teu post "Mais ou menos branca""

Não me surpreende nem um pouco.

Honestamente, esperava MUITO mais de uma irmã Rad.

Anônimo disse...

Uma pessoa se manifesta contra a opinião da Radscum BRANCA sobre questões negras e ela responde que se delicia com as lágrimas negras.

Tá osso, viu...

Anônimo disse...

Nossa. Só piora. Sinhazinha Radscum, mostrando que aprendeu direitinho a ser branca, manda essas:

"Mulheres negras são oprimidas por homens DENTRO do movimento negro e acham que não existe opressão exclusivamente feminina?"

Você sabe tanto assim de movimento negro? Você realmente acha que sua opinião é relevante? De onde você tirou que alguém crê que não existe opressão exclusivamente feminina? Qual a próxima? Reclamar de olímpiadas da opressão igual à Lola?

"Semana passada uma prima disse ter visto uma mulher branca sendo espancada por um homem negro na porta de um bar e ninguém fez nada."

Pois é. Um homem negro fazendo algo assim, todo mundo vê. Se a vítima for branca ainda, nossa, fim do mundo. Sua observação sobre o fato de mulher ser branca diz muito sobre sua opinião. Você honestamente acha que quando um homem branco faz algo assim vai todo mundo acudir? Mas claro, na sua cabeça ninguém foi intervir por ele ser negro, afinal esses negros estão achando que podem tudo, onde já se viu, que audácia? Iusbranco?

Quer dizer que homens negros não podem ser opressores por serem negros oprimidos (a não ser que oprima vocês mesmas, claro) e homens gays não podem ser misóginos?


A luta contra o racismo deve ser de todos, para as feministas, especialmente o racismo contra a mulher negra, mas a luta dos homens (de qualquer cor ou orientação sexual) não é pra ser protagonizada no feminismo.

A luta contra o racismo é de todos mas a luta feminista é das mulheres, é isso? Lógica pra que né? Que tal a luta dos oprimidos ser protagonizada por eles e fim? Mas claro, voce, pessoa branca, imediatamente determina que tem direito de estar em todos os lugares.


Mimimimimi "feminismo radical racista"... mimimimi

Colocar uma pessoa branca em seu lugar dentro do ativismo negro é mimimi? Auto-explicativo.

mimimimi e ozome?

Mimimi, e us branco, tadim?

Radscum é a primeira rad abertamente racista de que tenho notícia.

Anônimo disse...

Radscum, diga a verdade, você é rad de internet e só, né? Entre as rads que eu conheço, racista não se cria.

radscum disse...

Continuo achando que lágrima de macho, independente da cor, é livre.

Ah, tá. "Azar o meu" e "sinal de que a coisa vai pelo caminho certo!" Tá perdendo teu tempo me "educando" pq então? Aliás, nem pedi. No meu computador tem a bibliografia inteira da Alice Walker, tem Flo Kennedy, tem Angela Davis, tem Barbara Smith, tem alguma coisa da Audre Lorde e eu acho sim que quando vocês fazem post no facebook falando que "pardo" e "moreno" não existem, vocês estão se igualando a essa teoria racista de "one drop rule" sim, o que ao meu ver é contraditório, pelo menos num país como o Brasil que é bem miscigenado, pois repito: sempre que uma pessoa que não é negra, mas que também não é branca sequer cogita questionar a própria etnia vocês vem com 5 pedras na mão ignorando totalmente que a pessoa ficou em dúvida em relação a própria cor justamente pq alguém a chamou de parda/negra só pq ela não é celta, o que sorry, tem tudo a ver com a teoria de drop rule/"não existe pardo e moreno" sim.

Como deixei claro, não foi minha intenção pautar como o movimento negro deve ser. Mas como disse, minha opinião não deixa de existir. Sabia que feministas do outro lado do mundo não gostam quando nós, feministas ocidentais, falamos de mutilação genital e outras coisas culturais que dizem respeito a elas? É, vivendo e aprendendo. Pra elas, silicone nos seios e outras práticas ocidentais são ainda mais chocantes. Não é preciso ser árabe pra falar dos problemas dos árabes, não é preciso ser cristão pra falar dos problemas dos cristãos, e não é preciso ser negra pra falar dos problemas dos negros e advinha? nenhum jornalista vai roubar teu protagonismo por causa disso, sossega o esfíncter.

Ah, anon, dá um tempo. Que absurda sua justifica do caso mulher branca x homem negro no bar. Quer adivinhar até o que eu penso! hahaha Quem tá falando que eu penso isso é você, não sou eu. Cuidado com o racismo internalizado, viu?

Não, o protagonismo do movimento negro é dos negros, mas a luta contra o racismo é de todos. Gerda Lerner era branca e escreveu um excelente livro, "Black women in white america", então sossega o esfíncter pós-moderno aê que eu não sou sua inimiga não. Havia muitos brancos abolicionistas, inclusive. A luta contra o machismo é de todos, mas o protagonismo do feminismo é das mulheres. Como já falei aqui, John Stuart Mill foi uma das primeiras pessoas a escrever sobre feminismo, mas isso não dá direito aos homens de querer protagonizar o movimento. Aliás, falando bem sério, naquela época, antes dessa pós-modernidade escrota, sequer havia "protagonismo", quer dizer, óbvio que o protagonismo da luta sempre foi dx oprimidx que sente a opressão na pele. Mas pós-moderno adora um pleonasmo, né? O que fazia umx militante era (como ainda é) postura! Seja no feminismo, na causa dos negros.

Não tem como você me colocar no meu lugar "dentro" do ativismo negro pq sequer "entrei" nele. Vem cá, esse blablabla todo é pq falei que homens negros oprimem mulheres brancas? Mas é claro que eles oprimem. Há livro escrito sobre isso. Se não me engano por mulher negra. Há tanto homem negro opressor de mulher branca quanto mulher branca racista. Paciência zero com iuzomismo hoje.

Ah, já ia me esquecendo. O Feminismo Radical é racista, sabia não? O que mais tem é Feminista Liberal inventando mentiras sobre o Feminismo Radical. Há até artigo no Blogueiras Negras, depois pesquisa lá "Por quais mulheres o feminismo radical luta?"

Ps. Existe feminismo radical fora da internet? No meu dia-a-dia não encontro nem feminista liberal que dirá radical. E na internet não é pq é feminista radical que é santa. Existe feminista "radical" lesbofóbica, feminista "radical" racista. Por isso que sempre digo que feminismo não é autoidentidade, mas postura. Quando defendo o feminismo radical, defendo a teoria, não a militância.

Anônimo disse...

Radscum, uma pessoa branca afirmar que se delicia com o sofrimento de alguém, ressaltando que essa pessoa é negra, é problemático sim.

Mas enfim, faça o que quiser com isso pois percebi pela discussão acima que dos seus privilégios você não abre mão e simplesmente xinga quem ousar problematizar a sua fala.

radscum disse...

Ué, pode se deliciar com as lágrimas duzome branco, mas não pode se deliciar com a dozome negro não? Deixa de ser hipócrita. Isso seria negar que eles tbem são opressores de todas as mulheres e principalmente das mulheres negras ou o iuzomismo só não vale se ozome em questão forem brancos? É, pode até ser problemático se estiver fora de contexto ou dependendo da maneira com que a pessoa vai interpretar, sorry, mas o que eu quis dizer é que eu me delicio com white male tears e black male tears, por isso que ressaltei o "black macho tears", perdão. O fato é que ela começou a me atacar desde antes de esse termo problemático aí e minha intuição ainda me diz que ela se doeu só pq eu falei que homens negros também oprimem mulheres brancas. Desculpa, mas mulheres negras as vezes parem ter mais sororidade com homens negros que com feministas brancas. Vocês se esquecem que vocês dividem uma opressão com eles, mas que também divide uma opressão com nós. Mas né, a opressão feminina nunca é prioridade nem mesmo dentro do feminismo. Aliás, estou chamando atenção pra isso desde a primeira parte do meu comentário. Incrível como até um macho branco heterossexual que se diz mulher, lésbica E NEGRA é levado mais a sério que as "frescuras das mulheres". Nisso feministas liberais estão em convergência com reaças e machistas.

Anônimo disse...

"No meu computador tem a bibliografia inteira da Alice Walker, tem Flo Kennedy, tem Angela Davis, tem Barbara Smith, tem alguma coisa da Audre Lorde"

Nossa, que chuva de token, Radscum.

Anônimo disse...

Radscum, me explica pq, se a opinião de um homem não importa ao feminismo, a sua opinião de pessoa branca deve importar ao movimento negro? Pq eu não consigo pensar em nenhuma razão além de puro entitlement seu.

Anônimo disse...

Vaaaaaaaaaaaaaaai trouxa? Tomou? Kkkkkkkkkkkkk

radscum disse...

Anon 5:00 Chuva de "token" é meu cu com marmelada. Pegue seus termos pós-modernos e americanizados e vai ver se eu tô lá na esquina. Cansei de discutir e encerro aqui, podem perder o tempo de vocês enchendo o saco que vão falar sozinhas a partir de agora, vocês não falam o mesmo idioma que eu. A "missa" da terceira onda nunca convenceu "papisas" da segunda. Vocês da Terceira Onda, brancas ou negras, deviam ter vergonha de sequer copiar e colar o nome de qualquer uma dessas feministas negras radicais da segunda onda que vcs nem conhecem direito. Acham que copiar e colar a carta aberta da Audre Lorde pra Mary Daly ajuda em alguma bosta dentro do feminismo a não ser criar discórdia entre brancas e negras, mas vocês desconhecem a linda carta resposta da Mary Daly que a Audre descaradamente escondeu e só foi encontrada e publicada após a morte dela. (Ninguém é perfeito né, a grande Audre ñ tava livre disso.)

Anon das 15:24, quem se importou com minha opinião foi você, se não importa, blza, tá me incomodando pq então? Eu sou anarquista e acho que qualquer um: mulher, homem, negro, branco tem o direito de falar e opinar sobre o que quiser. Você pode mandar no que vai ou no que não vai te influenciar, você pode escolher o que te irrita e o que te apetece, mas você não tem o direito de mandar no que alguém deve ou não deve falar, seja quem for. Por um acaso eu fui na página do movimento negro comentar como o ativismo deve ser? Você quem veio aqui falar como o MEU feminismo deve ser, ou será que por ser branca eu não posso mais ser feminista? A única coisa que fiz enquanto feminista foi falar que as mulheres brancas são igualmente oprimidas por homens negros. Você vai refutar isso? Quer dizer que existe mulher racista, mas não existe negro misógino? Eu dei a minha opinião sobre o que eu penso da teoria do "one drop rule" dentro do movimento negro que é logo descartada quando alguém que não é negro o bastante apareça exigindo protagonismo na luta ou ocupando cotas que deveriam ser para os negros. Mas aí, como falei, prezo pela democracia e liberdade de expressão, eu não fui lá no movimento negro dizer o que eles devem fazer. Eu expus minha opinião e aceito que pensem diferente. Perdi a paciência agora. Feminista negra que sofre tripla opressão: por ser mulher, negra, opressão dentro do movimento negro (!) e as vezes até quatro opressões, caso seja lésbica, chamando as irmãs de Sinhá, de trouxa e desejando que elas morrem pra defender os machos negros e colonizadores que as oprimem dentro do movimento! Continuo achando que você julga a opressão racial que esses machos sofrem mais séria que a opressão que TODAS as mulheres sofrem enquanto mulheres. Por isso que eles não respeitam nem vocês dentro do movimento. Lola adora falar que radfem é autoritária, mas olha aí, o autoritarismo existe em qualquer vertente do feminismo. Todo mundo é extremista em algum ponto, né? Inclusive é esse terrorismo pós-moderno aí que não deixa nenhuma causa ser levada a sério. Se eu não tivesse nenhum livro de feminista negra no meu tablet me chamariam de racista, mas agora não posso mais nem ter livros de feministas negras no meu computador que tô "tokenizando"! hahahahaha Sua neonazista! Vocês liberais pós-modernas são umas piadas. Você não é minha sister, querida. Não considero irmã quem acha que minha opressão é menos importante que a opressão que qualquer macho sofre.

radscum disse...

Uma vez, uma feminista negra famosa (não citemos nomes) estava dando uma entrevista e dizendo como homens gays não deixavam necessariamente de reproduzir misoginia por serem gays, mas mudando o discurso de mansinho pra falar do homem negro. Ou seja, problema dos outros é problema dos outros, problema meu é problema de todo mundo, né. rsssssssss

Anônimo disse...

Radscum, o que você não percebe é que quando associa "negro" a coisas ruins que qualquer homem faz você agride a todas as pessoas negras.

Mas tudo bem. Você é racista e está em paz com isso, já entendi.

Anônimo disse...

É realmente leviano comparar a situação da Jenner com a dessa moça que se diz transracial. Esta última tem o privilégio de ter nascido biologicamente mulher e tendo a aparência externa de pessoa branca e em relação ao segundo, fez uma escolha deliberada. A mulher trans (eu) não escolhe nada, a gente é assim desde sempre, ninguém "vira" trans, você nasce assim.

radscum disse...

05:55, você quem está dizendo que sou racista, não vou assumir o que não sou jamais.
É verdade, se eu sair ali e for assaltada por um negro e passasse a odiar todos os negros por isso eu estaria sendo racista e não haveria desculpas, afinal ninguém passa a odiar os brancos pq foi assaltado por um. Mas não foi o caso. Eu disse que homens negros, como brancos, também oprimem todas as mulheres. É uma hierarquia. Há mulheres racistas sim, mas mesmo os homens negros ou gays se beneficiam da opressão feminina e nos oprimem.

Anônimo disse...

Sou uma "mulher trans", coloco entre aspas porque para mim sou apenas uma mulher, para sociedade eu sou trans. Li muitos comentários de pessoas pensando que ser trans é se identificar com um certo papel social, não é verdade, eu sou lésbica, não sou nada feminina, não nos padrões ISO. Eu apenas sou mulher, apenas seria mais fácil se as pessoas entendessem que é só isso, mas entram nessa questão de que o gênero é construído, como explicar os meninos que são criados como meninas por uma mutação genética que faz o pênis surgir somente aos 12? Esses meninos se recusam a serem meninas mesmo tendo vagina. E como explicar as mulheres xy ou homens xx? Como explicar o famoso caso do hermafrodita que foi criado como mulher, mas afirmava ser homem? que após os pais revelarem a verdade ele viveu como homem? Se pesquisarem um pouco vão ver muitos casos em que essa história de gênero construído cai por terra. Me usando como exemplo, eu não me acho ou me sinto ou me identifico como mulher, eu sou mulher, o problema é que a sociedade é falocentrica, tudo gira em torno da genitalia. Então dizem o que você é baseado nos seus genitais, e isso é falho. é muito provavel que exista base biológica para isso tudo, porque afinal, ser trans não é questão de roupas ou papéis sociais, eu vivo isso na pele.

Anônimo disse...

Uma mulher que nasce sem útero e vagina é o que? Um homem que nasce sem pênis e testículos é o que? Uma mulher que nasceu sem útero e vagina pode ser feminista? Uma mulher xy que em alguns casos podem até engravidar também pode? Elas vão estar "invadindo" o espaço exclusivo de mulheres xx com útero e vagina? Porque parece que esse é o parâmetro. Qual a diferença da mulher transgênero para essas outras mulheres? e existem mais outras, só citei algumas. Eu amo ver essas "feministas" falocentricas, é ridículo, anos de luta jogado no lixo. Uma observação, estou postando em anônimo só porque gosto da minha vida, diferente das outras mulheres, posso realmente morrer só por me expressar.